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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE F ´ ISICA F ´ ISICA II-A -

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE F ´ ISICA

F ´ ISICA II-A - 2011/1

GABARITO DA SEGUNDA PROVA

DATA: 27/06/2011

QUEST AO ˜ 1 [ 2,5 pontos]

Quando se leva um sistema do estado i ao estado f ao

longo do trajeto iaf da figura ao lado, descobre-se que

|Q| = 50 J (transferido para o sistema) e |W| = 20 J.

Ao longo do trajeto ibf, |Q| = 36 J (transferido para

o sistema). Para responder os itens abaixo, deixe claro

qual das duas conven¸c˜oes para o trabalho vocˆe ir´a usar.

  • a) (0,8) Qual o valor de W ao longo do trajeto ibf? Esse

trabalho ´e realizado pelo sistema ou sobre ele?

  • b) (0,8) Se W = 13 J para o trajeto curvo de retorno,

quanto vale Q para esse trajeto? Esse calor ´e fornecido

ao sistema ou extra´ıdo dele?

  • c) (0,9) Determine E int,f tomando E int,i = 10 J. E se o

processo fosse irrevers´ıvel, qual seria o valor de E int,f ?

p a f i b O
p
a
f
i
b
O

V

GABARITO

No trajeto iaf, Q ´e positivo e W ´e negativo (conven¸c˜ao ∆E = Q + W, com V f > V i ).

  • (a) ∆E if = 30 J, logo W = (30 36) J, ent˜ao W = 6 J. O trabalho ´e realizado pelo g´as.

  • (b) W ´e positivo (V f < V i ). ∆E fi = 30 J, logo Q = 43 J. O calor ´e extra´ıdo do sistema.

  • (c) ∆E if = E f E i = 30 J, com E i = 10 J ent˜ao E f = 40 J.

Para o caso irrevers´ıvel, o valor seria o mesmo pois a energia interna ´e uma fun¸c˜ao de estado.

ou

No trajeto iaf, Q ´e positivo e W ´e positivo (conven¸c˜ao ∆E = Q W, com V f > V i ).

  • (a) ∆E if = 30 J, logo W = (30 + 36) J, ent˜ao W = 6 J. O trabalho ´e realizado pelo g´as.

  • (b) W ´e negativo (V f < V i ). ∆E fi = 30 J, logo Q = 43 J. O calor ´e extra´ıdo do sistema.

  • (c) ∆E if = E f E i = 30J, com E i = 10 J ent˜ao E f = 40 J.

Para o caso irrevers´ıvel, o valor seria o mesmo pois a energia interna ´e uma fun¸c˜ao de estado.

1

QUEST AO ˜ 2 [ 2,5 pontos]

Duas supostas m´aquinas t´ermicas A e B funcionam entre dois reservat´orios t´ermicos, um na temperatura

T 1 = 400 K e outro na temperatura T 2 = 300 K. A primeira m´aquina recebe por ciclo uma quantidade de calor

Q A1 = 1.500 J produzindo um trabalho W A = 300 J. A segunda m´aquina recebe Q B1 = 2.000 J por ciclo,

produzindo um trabalho W B = 600 J. Determine:

  • a) (0,4) a quantidade de calor cedido pelas duas m´aquinas Q A2 e Q B2 ;

  • b) (0,8) a varia¸c˜ao da entropia do universo termodinˆamico formado pelos reservat´orios e a m´aquina A operando

em ciclo;

  • c) (0,8) a varia¸c˜ao da entropia do universo termodinˆamico formado pelos reservat´orios e a m´aquina B operando

em ciclo.

  • d) (0,5) A partir dos itens anteriores, justifique qual (ou quais) das duas m´aquina ´e fact´ıvel.

GABARITO

  • a) (0,4) Em um ciclo, a varia¸c˜ao da energia interna do sistema ´e zero, logo, pela 1 a Lei da Termodinˆamica,

Q

A2

=

Q A1 + W A = 1.500 J + 300 J = 1.200 J

Q

B2

=

Q B1 + W B = 2.000 J + 600 J = 1.400 J ,

(1)

onde o sinal negativo indica que o calor foi cedido pelas m´aquinas para o reservat´orio T 2 .

  • b) (0,8) Para determinarmos a varia¸c˜ao da entropia do universo devemos somar as varia¸c˜oes de entropia da

m´aquina A, do reservat´orio T 1 e do reservat´orio T 2 . A entropia ´e definida como dS = Q/dT. A m´aquina A

operando em ciclo tem ∆S A = 0. Os dois reservat´orios operam `a temperatura constante, logo ∆S = Q/T. O

reservat´orio T 1 cede calor e o reservat´orio T 2 recebe calor da m´aquina. Ent˜ao:

S

A1

S

A2

=

=

Q A1

T 1

Q A2

T 2

1.500

=

400

J/K = 3, 75 J/K

1.200

=

300

J/K = 4, 00 J/K .

(2)

A varia¸c˜ao da entropia do universo ser´a ∆S A1 + ∆S A2 + ∆S A = 0, 25 J/K.

  • c) (0,8) Considerando o mesmo racioc´ınio do item anterior, teremos que a m´aquina B operando em ciclo tem

S B = 0 e para os dois reservat´orios

S

B1

=

S

B2

=

Q B1

T 1

Q B2

T 2

2.000

=

400

J/K = 5, 00J/K

1.400

=

300

J/K = 4, 67 J/K .

(3)

A varia¸c˜ao da entropia do universo ser´a ∆S B1 + ∆S B2 + ∆S B = 0, 33 J/K.

  • d) (0,5) Pela 2 a Lei da Termodinˆamica, ∆S 0. Logo, somente a m´aquina A ´e fact´ıvel.

2

N v 10 23 s m

QUEST AO ˜ 3 [ 2,0 pontos]

O gr´afico abaixo mostra a distribui¸c˜ao de velocidades N(v) em fun¸c˜ao da velocidade v, para uma amostra de um

g´as de N mol´eculas de nitrogˆenio. A massa de uma mol´ecula de nitrogˆenio vale 4, 65 × 10 26 kg.

  • a) (0,8) Sabendo que a velocidade mais prov´avel ´e dada por v p = (2kT/m) 1/2 , onde m ´e a massa de uma mol´ecula

e k ´e a Constante de Boltzmann, obtenha a partir do gr´afico a temperatura do g´as T.

  • b) (0,8) Calcule a energia cin´etica m´edia de transla¸c˜ao por mol´ecula < e c >.

  • c) (0,4) Considere que a temperatura do g´as aumenta de um fator 4 em rela¸c˜ao `a temperatura dos itens anteriores.

Determine a raz˜ao entre as velocidades quadr´aticas m´edias de transla¸c˜ao (v rms ) nas temperaturas T e 4T.

5

4

3

2

1

0

N v 10 s m QUEST AO ˜ 3 [ 2,0 pontos] O gr´afico abaixo mostra
N v 10 s m QUEST AO ˜ 3 [ 2,0 pontos] O gr´afico abaixo mostra

0

200

400

600

800

1000

1200

v m s

Constante de Boltzmann k = 1, 38 × 10 23 J/K;

GABARITO

(a)(0,8)

O valor m´aximo da distribui¸c˜ao corresponde ao valor mais prov´avel da velocidade v p .

Pelo gr´afico v p =400 m/s.

v p = (2kT/m) 1/2 T = mv p /2k = (4, 65x10 26 )(400) 2 /2(1, 38x10 23 )kg(m/s) 2 /(J/K)=269,57 K270 K.

2

(b)(0,8)

Pelo teorema de equiparti¸c˜ao da energia, para uma dada temperatura T, a energia m´edia por mol´ecula ´e 1/2kT

para cada grau de liberdade independente. Para a transla¸c˜ao, temos 3 graus de liberdade < e t >= 3/2kT

< e t >= 3/2kT = 3(1, 38x10 23 )(269, 57)/2((J/K)K) = 5, 57x10 21 J.

(c)(0,4)

Como < e t >= m < v 2 > /2 = 3/2kT

v rms = (3kT/m) 1/2

Aumentando T de um fator 4 v rms (4T)/v rms (T) = (4T/T) 1/2 = 2.

3

QUEST AO ˜ 4 [ 3,0 pontos]

Um mol de um g´as ideal monoatˆomico (C V

= 3R/2) ´e levado do ponto A ao ponto C no diagrama P × V

dois processos revers´ıveis diferentes (ver figura a seguir):

por

I - de A a B por uma transforma¸c˜ao isob´arica e de B a C por uma transforma¸c˜ao isovolum´etrica.

II - de A a C por uma transforma¸c˜ao adiab´atica (PV γ =constante onde γ = C P /C V );

  • a) (0,2) Para qual dos dois processos (I ou II) a varia¸c˜ao

da energia interna ´e maior? Justifique.

  • b) (0,2) Para qual dos dois processos (I ou II) a varia¸c˜ao

da entropia ´e maior? Justifique.

  • c) (0,6) Determine as temperaturas nos pontos A, B e C

em fun¸c˜ao de P 0 , V 0 e R (constante universal dos gases),

sabendo que P A = P 0 , V A = V 0 e V B = 8V 0 .

  • d) (1,0) Para o processo I, determine o trabalho realizado

pelo g´as e o calor trocado com a vizinhan¸ca em fun¸c˜ao

de P 0 e V 0 (n˜ao esque¸ca os sinais).

  • e) (1,0) Para o processo II, determine o calor trocado

com a vizinhan¸ca e o trabalho realizado pelo g´as em

fun¸c˜ao de P 0 e V 0 (n˜ao esque¸ca os sinais).

GABARITO

!" &" '" ! #" (" %$ $" $ #" #"
!"
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'"
! #"
("
%$
$"
$ #"
#"
  • a) (0,2) A varia¸c˜ao da energia interna ´e a mesma para os dois processos pois ela ´e uma fun¸c˜ao de estado.

  • b) (0,2) A varia¸c˜ao da entropia ´e a mesma para os dois processos pois ela ´e uma fun¸c˜ao de estado.

c)

(0,6)

T A =

P 0 V 0 , T B =

R

8P 0 V 0

R

e T C =

8P C V 0

R

.

γ

Como P C V

C

γ

= P A V

A

e γ = 5/3, teremos que P C =

5/3

P 0 V

0

(8V 0 )

5/3

=

P 0

8

5/3

= P 0

32

. Logo

T C =

P 0 V 0

8 5/31 R

= P 0 V 0

4R

  • d) (1,0) Para o processo I

W I = P 0 (8V 0 V 0 ) = 7P 0 V 0 (trabalho realizado pelo g´as)

e

Q I = C P (T B T A ) + C V (T C T B ) =

5R 7P 0 V 0

2

R

3R 31P 0 V 0

2

4R

=

35

2

P 0 V 0

93

8

P 0 V 0 =

47

8

P 0 V 0 5, 9P 0 V 0

  • e) (1,0) Para o processo II

Q II = 0

e

W II = E = C V (T A T C ) =

3R 3P 0 V 0

2

4R

=

9

8 P 0 V 0 1, 1P 0 V 0 (trabalho realizado pelo g´as)

4