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Curso de Pós-Graduação em Microbiologia

CULTIVO DE COGUMELOS COMESTÍVEIS PELA TÉCNICA JUN-CAO

Michelle Madureira e Silva

BELO HORIZONTE 2011

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Michelle Madureira e Silva

CULTIVO DE COGUMELOS COMESTÍVEIS PELA TÉCNICA JUN-CAO

Monografia apresentada ao Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito para a obtenção do título de Especialista em Microbiologia

Orientador: Luiz Henrique Rosa

Belo Horizonte 2011

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RESUMO

A importância dos cogumelos comestíveis, apreciados pelo seu valor gastronômico, vem crescendo nos últimos anos, principalmente, devido ao seu elevado teor protéico, propriedades medicinais e capacidade de degradar e reciclar resíduos agro-industriais. O desenvolvimento de técnicas de cultivo vem se aperfeiçoando a cada dia, vários estudos têm sido realizados para melhorar a qualidade, produtividade e custo de produção de diferentes espécies de cogumelos comestíveis. A técnica Jun-Cao, lançada por pesquisadores chineses em 1983 apresenta os maiores benefícios sociais, ecológicos e econômicos para o cultivo de cogumelos. O aumento de produção de cogumelos é importante para torná-los um alimento acessível a toda população, sendo este mais uma alternativa de combate a desnutrição, considerando sua elevada qualidade nutricional. As propriedades medicinais dos cogumelos já são comprovadas cientificamente, o que reforça e justifica os esforços para o desenvolvimento e divulgação das técnicas de cultivo.

Palavra Chave: cogumelo comestível, técnica Jun-Cao, cultivo de cogumelos.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Cogumelo da espécie: Lentinula edodes -------------------------------------------10 Figura 2: Estrutura de um fungo Basidiomiceto -----------------------------------------------11 Figura 3: Esquema de um ciclo de vida generalizado de um fungo ---------------------11 Figura 4: Ciclo reprodutivo fase sexuada -------------------------------------------------------12 Figura 5: Isolamento de uma matriz de cogumelo comestível em um meio de cultura --------------------------------------------------------------------------------------------------------------21 Figura 6: Grãos colonizados -----------------------------------------------------------------------22 Figura 7: Galpão incubação ------------------------------------------------------------------------24 Figura 8: Substratos com corpos de frutificação ----------------------------------------------24 Figura 9: Cogumelos recém colhidos ------------------------------------------------------------25 Figura 10: Cogumelos embalados que serão conservados por resfriamento --------27 Figura 11: Cogumelo Agarius bisporus em conserva ---------------------------------------29 Figura 12: Cogumelos secos ----------------------------------------------------------------------29 Figura 13: Cogumelo liofilizado -------------------------------------------------------------------29

5 LISTA DE QUADROS Quadro 1:Substâncias encontradas em 100grs de cogumelo do sol ------------------14 Quadro 2: Cogumelos aprovados para o cultivo com a técnica Jun-Cao -------------18 Quadro 3: Comparação do conteúdo de nutrientes em diferentes técnicas de cultivo -------------------------------------------------------------------------------------------------------------19 Quadro 4: Fungos que afetam o cultivo de cogumelos -------------------------------------31 Quadro 5: Pragas que afetam os cogumelos/medidas de controle ----------------------32 Quadro 6: Espécie de gramíneas e outros resíduos que podem ser utilizados como substrato para cultivo de cogumelos ------------------------------------------------------------34 .

...................................1................ 23 4...............................................6 SUMÁRIO RESUMO...... 36 11– ANEXOS .........................................2........ 27 6..........3...CONCLUSÃO ........ 38 ................................................................................................................................................INTRODUÇÃO ...... 15 4...... 9 3..................................4....Preparo do Substrato ...............................Fluxograma do cultivo de cogumelos utilizando gramíneas como substrato ..................................3.... 3 1..2....4......... 20 4........................4........................................... 22 4....................................................................... 13 4...................... 26 5.....Etapas do Cultivo ........................................ 24 4...................CULTIVOS DE COGUMELOS NO BRASIL ..................................................2..........................Incubação .......................................................Reino Fungi..............................................Histórico do Cultivo ................................................4......4................................................... 9 4..................................3.......6................................................................................... 9 4.........METODOLOGIA ......................... 17 4.......Inoculação da ¨semente¨ no substrato ................................. 35 10............................................................3................................. 16 4....................... 18 4........................ 30 8......................................2................................REVISÃO DE LITERATURA ......Principais espécies comercializadas .............................................................................Vantagens do cultivo de cogumelos pela técnica “Jun-Cao” .................OBJETIVOS ......5...........Preparo do inoculo e produção da semente.......................1................................................ 33 9.........................3................................................................................................................Importância dos Cogumelos ..............O desenvolvimento da técnica “Jun-Cao” ........................... 9 4.........1.............................................1.......... 16 4................................ 20 4............4...................4........4....................................................................Propriedades medicinais e nutricionais ...........................................................................................................REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...........DOENCAS E PRAGAS ...........................MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO ........................2............Frutificação e colheita.................... 7 2...................................................................... 13 4....................................................................................O Cultivo de Cogumelos: Técnica “Jun-Cao” ....2................................3............ 23 4..............

inoculação.INTRODUÇÃO Cogumelos são fungos pertencentes às classes dos Ascomycetes e Basidiomycetes e constituem um grupo de seres vivos com grande diversidade de formas. apesar de não fazer parte de o hábito alimentar da grande maioria da população. existe uma tendência de aumento na produção e consumo de cogumelos como fonte de nutrientes (Dias et al. 2009). estrume de cavalo e esterco de galinha para produzir alimentos nutritivos e saborosos (Beetz e Kustudia. Hipócrates foi o primeiro a mencionar o valor medicinal dos cogumelos. Cerca de 300 espécies de cogumelos são reconhecidas como comestíveis. preparo do substrato. 2010). 2005). em 400 aC. que o homem primitivo coletava grande quantidade de cogumelos como alimento ainda em 5000 – 4000 anos a. No Brasil. 1997). mas apenas 30 foram domesticadas e cultivadas comercialmente (Barny. 2003). quando um jardineiro francês começou a cultivar cogumelos nas pedreiras subterrâneas próximo a Paris. Há registros na história da China. Na primeira menção sobre os cogumelos. sendo restrito a grupos econômicos e culturais mais favorecidos. os cogumelos foram um dos primeiros alimentos colhidos pelos povos pré-históricos. eles foram descritos como excelentes para se consumir em forma de chá.(2001). Além disso. cores e tamanhos. o cultivo de cogumelos é uma atividade de reciclagem de resíduos agrícolas. jardineiros introduziram cogumelos na América do Norte (Beyer. (Urben. bem como pelas propriedades medicinais há muito anos (Sanchez. 2004). Devido ao seu elevado conteúdo protéico. a qual envolve diferentes fases. tais como a obtenção do micélio puro. Segundo Miyaji et al. 2003). Após a Guerra Civil. 2004). valores nutritivos e comerciais. Os egípcios cultivavam para servi-los de iguarias aos faraós. A produção de cogumelos é uma arte e uma ciência com várias etapas complexas e distintas. Os cogumelos têm sido consumidos e apreciados por seu sabor. romanos e gregos como alimento principal em suas famosas festas (Monteiro.C. 2003). incubação e as .7 1. seu cultivo tem sido apontado como uma alternativa para incrementar a oferta de proteínas em países em desenvolvimento e com alto índice de desnutrição (Eira. utiliza toneladas de feno de palha. mas não tão bom para comer (Beyer. O primeiro registro de produção comercial foi em 1780.

pode representar um grande trunfo para o sucesso do empreendimento (Eira. ao ar livre ou em cavernas. os japoneses cultivavam os cogumelos sob troncos em decomposição. considerase que o cultivo de cogumelos exige tecnologia e. esta revisão bibliográfica vem reforçar que se fazem necessários maiores estudos a respeito deste tema. constitui-se em atividade diferenciada e seletiva do ponto de vista técnico-econômico. tudo dependente da espécie de fungo a ser cultivada (Beyer. 2004). os chineses. diminuindo o processo de desmatamento. além de reduzir o custo da produção (Castro. sob o ponto de vista empresarial. a redução dos custos de produção. O desenvolvimento de técnicas e a divulgação das mesmas é uma alternativa para tornar-lo um alimento acessível a toda população. portanto. passou a ser também um fator importante no controle da erosão do solo. em madeira e palhas decompostas. abrindo maiores possibilidades de cultivo para várias espécies de cogumelos. sendo a “Jun-Cao”. em bosques. existe uma variedade de técnicas para produção comercial de cogumelos comestíveis. trazendo ainda maiores benefícios quanto à preservação do meio ambiente. 2005). 2006). Entretanto. As propriedades medicinais ou fitoterápicas de alguns cogumelos também vêm incrementando o seu valor agregado e. Nos séculos passados. Os cogumelos são comercializados frescos. . pois além de substituir a utilização de toras de árvores nativas por gramíneas. uma das mais utilizadas. Essa técnica foi adaptada para utilização de resíduos agroindustriais.8 condições de produção. estes processos eram lentos e exigiam tempo para que se desenvolvesse a parte comestível ou o corpo frutífero (Urben. em conserva ou desidratados fatiados. Considerando a importância nutricional e medicinal deste alimento. 2003). pois o mesmo apresenta um número limitado de publicações. pois. 1997). Segundo Dias e Gontijo (2000). sendo muito apreciados na culinária internacional (Monteiro. os europeus.

Lentinula edodes.9 2. sendo o conjunto de hifas chamado de micélio. Descrever o processo de cultivo utilizando a técnica “Jun-Cao”. técnicas de cultivo de cogumelos. edible mushroom. Pleurotus ostreautus. Jun-Cao. Evidências moleculares recentes sugerem que os fungos são mais próximos filogeneticamente aos animais do que aos vegetais.METODOLOGIA Foi realizado um levantamento bibliográfico em base de dados.OBJETIVOS   Caracterizar as propriedades ecológicas. as mesmas foram publicadas no período de 1995 a 2010. o que os faz pertencer a um reino próprio – o reino Fungi. tais como PubMed.1. Os termos utilizados como palavras-chaves na pesquisa dos artigos foram: cogumelos comestíveis. Nos filos Ascomycota e Basidiomycota as hifas são divididas por paredes transversais . 3. como também foram realizadas consulta a manuais de cultivo de cogumelo. nutricionais e medicinais dos cogumelos comestíveis. propriedades nutricionais e medicinais dos cogumelos. mushroom production. portal de periódico capes. Agaricus brasiliensis. tempos atrás. foram considerados plantas primitivas sem clorofila. O tema apresenta um volume limitado de publicações. a maioria são pluricelulares formados por filamentos conhecidos como hifas. Os fungos têm forma de vida bem distinta dos outros seres vivos. os fungos são organismos heterotróficos que. entre outras. Augusto Eira. abordando as suas vantagens em relação às outras técnicas utilizadas. Embora alguns fungos sejam unicelulares.Reino Fungi Segundo Raven (2007). cogumelo do sol. 4.REVISÃO DE LITERATURA 4. Arailde Urben.

. Glomeromycota. mas algumas espécies podem ser lignícolas (crescem em substrato de lignina) ou coprófilas (crescem em excremento de herbívoros) (Urben. Um cogumelo geralmente consiste em um píleo (ou chapéu). fazem parte deste filo muitas leveduras. Figura: 1 – Cogumelo da espécie: Lentinula edodes Fonte: http://pt. Os fungos secretam enzimas sobre a fonte de nutrientes a qual absorve pequenas moléculas que são liberadas e utilizadas como alimento. 2004) (Figura: 1). A micologia reconhece cinco filos nos fungos: Chytridiomycota. que se assenta sobre um pedúnculo ou estipe e as lamelas que são estruturas radiadas encontras na superfície inferior do píleo (Figura: 2).10 chamadas septos. os septos ocorrem somente na base de estruturas reprodutivas e em porções mais velhas e vacuolizadas das hifas (Raven.jpg Os cogumelos são essencialmente terrestres. sendo que na ordem Agaricales encontra-se o maior número desses cogumelos e os mais conhecidos (Urben. 2007).org/wiki/Ficheiro:Lentinula_edodes. como parasitas ou como simbiontes (relação mutualística benéficas com outros organismos) (Raven. alucinógenos. Em Chytridiomycota e Zygomycota. No filo Basidiomycota estão cogumelos comestíveis. 2007). Zygomycota. Ascomycota e Basidiomycota. Os fungos absorvem o alimento principalmente pelo ápice da hifa e ou nas proximidades dessa região. tóxicos e venenosos (Raven.wikipedia. Os fungos comestíveis são encontrados nos filos Ascomycota e Basidiomycota. Para obtenção do alimento eles agem como sapróbios (decompõem matéria orgânica morta). 2007). as morchelas e trufas comestíveis. 2004). Os Ascomycota incluem vários fungos economicamente importantes.

jpg .jpg.bp. Fonte: http://www.br/2.com/_nJqoogIa7v8/TCe2rjlpQkI/AAAAAIs/DH6nzqB 8FNA/s320/partes+do+cogumelo. 1998).biologia. 2004). Figura 3: Esquema de um ciclo de vida generalizado de um fungo.com. No caso dos basidiomicetos. o ciclo de vida inicia-se quando basidioma (cogumelos) lança os esporos (basidioesporos) no ar que podem ser disseminados facilmente pelo vento (Braga.blogspot.11 Figura: 2 – Estrutura de um fungo basidiomiceto Fonte:http://1. Muitos esporos podem permanecer no ar por longos períodos e serem carregados a grandes alturas e por grandes distâncias (Urben. Os fungos se reproduzem por meio da formação de esporos que são formados sexuada ou assexuadamente (Figura: 3).blogger.

resultando em células dicarióticas.br/labs/probio/disc_eng_bioq/trabalhos_pos2003/const_mi croorg/fungos12. Os núcleos haplóides após cercarem-se de protoplasma formam quatro novos basidiósporos (Braga. 1998).12 A reprodução assexuada se dá na fase vegetativa e ocorre por meio de esporos (conídios). (Figura 4) Figura 4: Ciclo reprodutivo fase sexuada. (Raven. que são produzidos em esporângios ou em células especializadas chamadas células conidiogênicas.ufsc. O micélio terciário forma-se sob condições ambientais favoráveis (umidade e temperatura) e dará origem aos basídios onde ocorre fusão nuclear. Fonte:http://www. 1998). que formam o micélio secundário (Braga. Quando duas hifas originárias de basidioporos se encontram. 1997). resultando em quatro novos núcleos haplóides (n). e por fragmentação das hifas. 2007) A reprodução sexuada do fungo inicia-se pela germinação dos basidiósporos dando origem a hifas haplóides com células uninucleadas que recebem o nome de micélio primário. ocorre a fusão dos citoplasmas (plasmogamia). sendo esse processo denominado de cariogamia (Ichida.gif . O resultado é um núcleo único. diplóide (2N).enq. que sofre nova divisão (meiose).

tendo um importante papel na função imune e no desempenho cognitivo.13 4. Segundo Braga (1998). sendo considerados elementos essenciais para a saúde humana. geralmente. Possuem elevado conteúdo protéico.Importância dos Cogumelos 4. acido-base e da irritabilidade muscular normais (Quadro: 01). o fósforo auxilia na formação dos ossos e dentes. o local e a natureza do substrato de cultivo também influenciam seu conteúdo protéico. potássio e fósforo. o ambiente.1. 2010).2. o sódio e o potássio estão intimamente ligados no organismo na manutenção do equilíbrio e distribuição hídricos. os cogumelos jovens são mais ricos em proteínas que os mais maduros ou abertos. a idade. Seu valor nutricional pode ser comparado aos dos ovos.Propriedades medicinais e nutricionais Os cogumelos têm composição química e são atraentes do ponto de vista nutricional (Sanchez. 2005). em base seca. (2005) realizaram estudos para avaliar a composição química do cogumelo Agaricus brasiliensis e observou-se alto teor de ferro. Considerando que o FDA (Food and Drug Administration. O valor energético total dos chapéus é entre 250 e 350 cal\Kg de cogumelos frescos (Sanchez.59%. para países em desenvolvimento e com alto índice de desnutrição (Eira. apresentando teor médio de 20. contém vitaminas e uma abundância de aminoácidos essenciais. todos de grande importância orgânica. 2010). leite e carne. osmóticos. Determinadas espécies de cogumelos (como o Agaricus brasiliensis) constituem fonte de fibra alimentar. . 1997). na oxidação de gorduras e carboidratos (metabolismo energético). além disso.2. Monteiro et al. zinco. sendo seu cultivo apontado como uma alternativa para incrementar a oferta de proteínas. O ferro pode prevenir e curar a anemia ferropriva. órgão que normatiza alimentos e remédios nos Estados Unidos) recomenda uma ingestão de 25 a 35 g de fibras por dia na dieta balanceada de um adulto saudável. a adição desse cogumelo no cardápio pode ser considerada uma fonte importante de fibra alimentar (MONTEIRO.

2003).57% 0. a maior parte dos estudos sobre os benefícios dos cogumelos para a saúde humana enfoca suas propriedades de estímulo imunológico.08% 0. Herrera (2001) cita que é possível entender a lógica dos efeitos dos cogumelos como potencializadores imunológicos observando o seu ciclo de vida.88 mcg 86. Substâncias encontradas em 100 gramas de Agaricus brasiliensis (OLIVEIRA. imunomodulatória. Composição Umidade Lipídios Proteínas Cinzas Fibra bruta Fósforo Potássio Cálcio Magnésio Enxofre Cobre Zinco Ferro Glicídios Valores encontrados 9.48% 30. Durante a fase vegetativa ou micelial. excretam enzimas para digerir os nutrientes contidos nos materiais em decomposição. Conforme o autor. Osaki et al.07% 0. Por isso. tais como: atividade antitumoral. que são absorvidas durante a digestão.90 mcg 79. desenvolvem-se em materiais deteriorados e em ambiente hostil.78% Os polissacarídeos de origem fúngica apresentam várias propriedades.13% 9.29% 61.13 mcg 34. antes de absorver esses nutrientes. antiparasitária (Park. 1999). (1998) ressaltaram que a utilidade mais importante dos cogumelos na medicina é a sua ação antitumoral. Estes ocupam escalas inferiores no ecossistema. são muito hábeis para expelir substâncias químicas indesejáveis e contaminantes. Braga et al. Segundo os autores. antimicrobiana. de forma a induzir uma resistência sem causar efeitos colaterais deletérios ao organismo.37% 14.14 Quadro 01. a procura de substâncias e métodos que potencializem o sistema imunológico do corpo humano. eles precisam desativar os seus patógenos naturais. antiviral.67% 1.87% 2.34% 0. brasiliensis e . sendo que. tem sido uma das mais importantes buscas da ciência para a cura do câncer. (1994) realizaram alguns ensaios para estudar as substâncias antimutagênicas e bactericidas dos corpos de frutificação do A.

também conhecida como Champignon de Paris. e por último. L.2. pertencentes à pelo menos 30 gêneros.15 obtiveram resultados promissores. Destas. . tais como palha.é cultivado em toras de madeira e pó de serra. entretanto somente cerca de 2 mil. avaliaram a ação inibitória do complexo protéico/B-D glucana (1-6) isolado do A. quatro são as mais apreciadas no mundo inteiro: Agarius bisporus. 2004). apresentam um elevado potencial para domesticação e cultivo intensivo ou associadas á silvicultura. são consideradas comestíveis. 2004). edodes. bisporus é cultivada em mais de 70 países. em ratos. sua produção fica em torno de 20 mil ton/ano. Um grande número de espécies de Agaricales encontradas em ambientes selvagens. (1994) estudaram os efeitos antitumorais. 20 são cultivadas comercialmente e menos de 10 são industrializadas (Braga. Pleurotus ostreatus. resíduos cítricos.2. de um novo complexo protéico polissacarídico preparado com Agaricus brasiliensis. perfazem 86% da produção mundial de cogumelos. em 150 mil ton/ano (Urben. apresentando sabor e aroma muito agradáveis. cultivado em resíduos vegetais. ou Cogumelo Ostra. podem ser citadas Lactarius deliciosus. tendo sua produção anual estimada em torno de 1 milhão de toneladas e o valor da produção mundial excede 14 bilhões de dólares. A espécie A. Russula brevipe. Somando-se o total de espécies mais cultivadas de Pleurotus. brasiliensis. algumas micorrízicas e outras não. Lentinula edodes ou Shiitake vem sendo um dos cogumelos cujo consumo tem aumentado nos últimos anos. Segundo Raven (2007). os cogumelos A. Amanita caesaria. 4. num experimento para avaliar o mecanismo antitumoral de fibrosarcomas em ratos e observaram uma significativa remissão desses tumores. Segundo Urben (2004). entre outros. principalmente na China. 1998).Principais espécies comercializadas Atualmente são conhecidas mais de 10 mil espécies de cogumelos. enquanto a de Lentinula edodes (Shitake). sanguifluus. Itoh et al. cultivada em composto á base de esterco e palha. Pleurotus citrinopileatus e Tricholoma lobayense (Urben. balaço de cana. e verificaram a inibição do crescimento tumoral. Volvariella volvaceae largamente cultivado no oriente. bisporus e L. dentro das espécies cultivadas. Entre estas. Itoh et al (1994).

que é geralmente referida como a capital do cogumelo no mundo (Beyer.400 anos. no ano 800 e a terceira espécie foi o Lentinula edodes. No Ocidente. há 1. Pensilvânia.3.1. passaram a dominar a arte da produção de algumas espécies de cogumelo (Urben. iniciou-se a produção de cogumelos em substrato com esterco de cavalos e resíduos úmidos. ou seja. para capturar os esporos. a primeira estrutura projetada especificamente para cultivar cogumelos foi construída em Chester County. Estima-se que o primeiro cultivo intencional de cogumelos tenha ocorrido na China por volta do século VI. em seguida Flamulina velutipes. que.Histórico do Cultivo O cultivo de fungos desenvolveu-se com o avanço da ciência e tecnologia. Em 1894. 2003). porões de casas. eram expostos ao vento. os primeiros homens eram somente caçadores e coletores de cogumelos silvestres. por meio de esforços contínuos e da experiência acumulada.16 4. Após um longo período. Mais tarde. por sua vez.O Cultivo de Cogumelos: Técnica “Jun-Cao” 4. e ali iria crescer cogumelos (Herrera. 2004). em Bonnefons (França). no ano de 900 (Herrera. e muitas outras estruturas incomuns (Beyer. eles passaram a observar e aprenderam como cultivar os fungos de forma parcialmente artificial. Naquela época. O ambiente úmido e escuro dessas cavernas constituiu o ambiente ideal para o crescimento dos cogumelos sendo que até hoje são utilizadas para este fim (Herrera. 2001). A primeira técnica que os chineses empregaram para produzir cogumelos consistia em encontrar os troncos de árvore caídos na floresta e colocá-los próximos aos troncos frutificados. 2003). O cultivo de cogumelos era realizado em minas de carvão e de calcário abandonadas. Nos séculos passados. No inicio da história. 2001). acreditava-se que a “semente” dos cogumelos estava presente no esterco dos cavalos. A produção comercial de cogumelos foi formalizada aproximadamente em 1700. esses troncos eram plantados cobertos com esterco de cavalo e terra. Eventualmente. A germinação de esporos se dava em troncos de árvores. A primeira espécie cultivada foi Auricularia auricula. 2001). o . o Shiitake. cervejarias antigas. fragmentos de cogumelo eram colocados dentro ou sobre os troncos. cavernas naturais. aproximadamente no ano de 600 .3.

O desenvolvimento da técnica “Jun-Cao” Antes da década de 1980. O cultivo de sementes puras passou a ser adotado a partir de 1930. folha de bananeira e outras espécies vegetais. a inoculação de sementes puras tornou-se amplamente aplicada e em 1960. tais como bagaço palha de arroz. permitindo ainda uma seleção progressiva de linhagens de cogumelos com boas qualidades comerciais (Urben.2. foi iniciado em 1983 na China pelo professor Dr. ecológicos e econômicos. Contudo.3. O tradicional cultivo do Shiitake. utilizando gramíneas como substrato para o crescimento e produção de corpo frutíferos. do farelo de arroz e de trigo como substratos e de sacos de plásticos como recipientes. Lin preocupou-se apenas em substituir parcialmente a madeira por outro material. com a popularização do uso da serragem. No final da década de 70. 2004). Após muitos estudos. o aprendizado e a produção de fungos têm se desenvolvido extensiva e significadamente. unindo os benefícios sociais. caule de trigo. 2004). 2004). veio a segunda maior mudança. que dependia da queda natural de esporos usados como semente. o desenvolvimento desta técnica estava na direção contrária ao balanço ecológico das florestas. o aparecimento da técnica Jun-Cao (Jun = cogumelo. No início. 2004). foi mantido por muitos séculos. Esta técnica. Cao = gramíneas) promoveu a terceira grande mudança. descobriu-se que Jun-Cao poderia substituir totalmente a serragem. o que também estabeleceu melhor equilíbrio ecológico entre plantas. assim como parte do farelo de trigo e de arroz. Lin Zhanhua (Urben. resultou em grande aumento da produção e contribuiu para a preservação dos recursos florestais (Urben. fungos e animais.17 cultivo de fungos dependeu somente de condições naturais e a produção e qualidade eram muito instáveis. o prof. Lin Zhanxi e Dr. a pesquisa cientifica. chamada de cultivo na serragem. 4. . Na década de 1980. o que representa um grande avanço na melhoria do vigor e resistência a pragas. A partir de 1950. os principais materiais para cultivo de fungos comestíveis eram árvores e seus resíduos. A técnica de cultivo de cogumelos comestíveis. Na China. carapaça da semente de algodão. no substrato de cultivo (Urben. iniciou-se uma pesquisa com novos substratos para o cultivo. a inoculação natural de esporos e micélio tomou lugar completamente. Deste modo.

3. Em seguida testando-as com diversas espécies fúngicas.Vantagens do cultivo de cogumelos pela técnica “Jun-Cao”  Recursos agrícolas naturais abundantes e inexplorados: as gramíneas apresentam um ciclo vegetativo curto. A escolha destas plantas foi devido a alta produtividade e riqueza em nutriente. são eles: (Quadro: 02) (Urben. colhendo e processando cada uma delas. substratos de boa qualidade para cultivo de ambos os tipos de cogumelo. 2004). São altamente produtivas e podem ser colhidas diversas vezes ao ano. portanto. com desenvolvimento rápido. bem como a alta capacidade de adaptação e ampla ocorrência. Durante 14 anos de estudos foram avaliaram e aprovados 38 tipos de cogumelos. 2004). .3. comestíveis e medicinais (Urben.18 As pesquisas utilizando gramíneas como substratos foram iniciadas a partir de espécies selecionadas. comestíveis e medicinais para o cultivo em Jun-Cao. constituindo. cultivando. Quadro 02: Cogumelos aprovados para o cultivo com a técnica “Jun-Cao” Agaricus bisporus Armillaria mellea Auricularia delicata Hericium erinaceus Pholiota nameko Pleurotus cystidiosus Coprinus comatus Dictyophora indusiata Ganoderma lucidum Grifola frondosa Pleurotus salmoneo-stramineus Tremella fusiformis Volvariella bombycina Tremella aurantia Volvariella volvácea Tremella cinnabarina Agrocybe chaxingu Auricularia aurícula Auricularia polytricha Lentinula edodes Pleurotus abalonus Pleurotus ferulae Coriolus versicolor Dictyophora rubrovolvata Ganoderma sinense Hypsizigus marmoreu Stropharia rugosa Agrocybe cylindracea Auricularia cárnea Auricularia peltata Pholiota aegerita Pleurotus citrinopileatus Pleurotus ostreatus Dictyophora duplicata Flammulina velutipes Grifola albicans Pleurotus sajor-caju Stropharia annulata Fonte: Produção de cogumelos por meio de tecnologia chinesa modificadaUrben 2004 4.

60 Auricularia polytricha Jun-cao 8. observa-se que os cogumelos cultivados com Jun-Cao têm maior valor nutricional do que aqueles cultivados em toras e serragens.099 0.013 0.832 21.05 Serragem 7. Lin et.33 0.68 69.42 5.853 0.141 0.562 0.12 2.8 1.07 18. Os conteúdos de proteína.249 0.861 13.al.71 1.023 0.6 Auricularia auricula Jun-cao 17.19 0.148 2. como serragem e toras.137 9.1 46.254 0.47 9.88 101.447 0.61 8.20 16.314 0.997 19.378 1.81 1. gordura.01 19.71 9.55 1.37 Tora 7. em JunCao.25 78.45 75.37 56.829 0.176 0.356 1.95 Serragem 28. fósforo.376 39.1 74. Quadro 03: Comparação do conteúdo de nutrientes em diferentes técnicas de cultivo % Proteína Fibra Gordura Cinza N P K Ca Mg Cu Zn Mn Fe Lentinula edodes Jun-cao 32. são maiores do que aqueles em serragem (Urben.606 0.75 42.66 13.177 8.45 133.87 9.19  Curto período de cultivo: o período total de desenvolvimento do cogumelo é mais curto que o necessário para o cultivo com outras técnicas.94 56.132 7.855 1.944 0.72 39.18 0. (1997) observaram que cogumelos cultivados com Jun-Cao são de alta qualidade quanto aos aspectos nutricionais.696 0.43 98.4 9.212 27.2 9.52 2480.48 1.195 0.29 100.Urben (2004) . potássio e magnésio.31 9.108 0.  Efeito positivo no combate a degradação do solo pela erosão.8 9.836 20.145 0.  Praticidade e facilidade de apropriação: a técnica pode ser aplicada em pequena ou grande escala de produção.75 1.578 0.09 Serragem 9.4 2.69 0. tendo fácil domínio e requerendo poucos recursos.133 6.033 0.128 2.96 26.228 1.99 Tora ------------------------------------------------------------------------------------------ Fonte: Produção de cogumelos por meio de tecnologia chinesa modificada .66 0.55 3. Além das vantagens citadas.372 0.12 Tora 19. 2004).61 0.02 4. nitrogênio.99 26.57 26.28 0.84 36.57 2.787 17.62 1.65 29.136 2.36 1.066 0.956 1. De acordo com o Quadro 03.79 119.84 136.143 15.

cujos fragmentos são utilizados para produção do inoculante ou “Spawn” (Eira e Minhoni. então cozidos. A produção do inóculo inicia-se pelo isolamento do fungo. Escolhe-se um cogumelo de boa aparência. A utilização de semente dá uma vantagem de desenvolvimento ao cogumelo cultivado em comparação com outros fungos (Oei. Sinden. Em seguida. . fragmentos da matriz primária são transferidos para outro meio. desenvolveu pela primeira vez em 1930.4. normalmente com respirável (Beyer. 2003). Uma vez que o pequeno lote é totalmente colonizado. O grão é misturado com um pouco carbonato de cálcio. 2003). formando a matriz secundaria.Etapas do Cultivo 4. O seu tamanho reduzido faz com que sejam difíceis de manusear e as suas características genéticas podem diferir das do seu progenitor. é usado para inocular vários lotes maiores de grão. O cogumelo desejado deve ser capaz de colonizar o substrato antes de outros fungos ou bactérias.1. Esta multiplicação dos grãos inoculados continua até as bolsas de tamanho comercial e recipientes de plástico. 1997). O processo de produção da semente continua da mesma forma como Dr. geralmente grão de trigo cozidos e autoclavados. saudável e com as características peculiares da espécie em questão.Preparo do inoculo e produção da semente Na prática do cultivo de cogumelos comestíveis não se utilizam esporos. Para realizar tal processo. Rasga-se o cogumelo e retira-se um pequeno fragmento da parte interna colocando-o em meio de cultura para formar a matriz primaria. Pequenos pedaços de micélio em cultura pura são colocados em pequenos lotes do grão.4. esterilizados e refrigerados. professor emérito do estado da Pennsylvania. (Figura 05).20 4. o micélio pré-cultivado do cogumelo (isento de quaisquer contaminantes) é inoculado num substrato esterilizado (Anexo 1) ou “semente”. Toda a operação deve ser feita em ambiente asséptico para evitar contaminação.

php Os substratos normalmente utilizados na produção dos inoculantes são grãos de cereais. pois com uma placa de petri (matriz primária) consegue-se inocular cerca de 10 frascos de 500ml com substrato para matriz secundária e com um frasco de matriz secundária. Fonte: http://www.fca. Segundo Eira e Braga (1997) a produção de grãos colonizados ou “spawn”.br/Cogumelos/instalacoes.21 Figura 05 – Isolamento de uma matriz de cogumelo comestível em um meio de cultura. consegue-se inocular cerca de 40 frascos ou sacos de polipropileno (PP) ou polietileno de alta densidade (PEAD) para produção de grãos colonizados.  Aumento de rendimento na produção de grãos colonizados. milho e aveia (Bononi et al.  Redução no nível de contaminações dos grãos colonizados.unesp. sorgo. 1995). com fins de produção de grãos colonizados pelo fungo. como trigo. (Figura 06) .  Maior facilidade durante o processo de inoculação. proporcionam as seguintes vantagens:  Adaptação da matriz primária ao substrato “grãos” contribuindo para a redução do período de colonização desse substrato.

A colheita precisa ser realizada em períodos com cinco a sete dias de sol (Urben. que competem por alimento ou atacam diretamente o cogumelo. após o corte. necessita cuidados. 2004). Na técnica Jun-Cao.22 Figura 06: Grãos colonizados.jpg 4. os cuidados na produção do substrato iniciam-se com a colheita das gramíneas. O substrato é então umedecido e colocado em sacos de polipropileno resistentes a altas temperaturas (Urben. A estocagem pode ser de duas maneiras: interna em salas secas e externas em montes de feno (Urben. 2004) (Anexo 2). 2004).4.shroomery. precisa ser colocado ao sol para completar a secagem.2. e vai impactar negativamente a rentabilidade da exploração (Beyer. para reduzir ou eliminar insetos e os microrganismos indesejáveis. O capim. (Beyer.Preparo do Substrato Produzir um substrato para o cultivo de cogumelos é o primeiro passo. Fonte: http://www. As gramíneas são trituradas e em seguida é adicionado ao material triturado outros insumos tais como farelo de arroz e gesso agrícola. no que se relaciona á intempéries. Devido ao alto conteúdo de nitrogênio encontrado em algumas gramíneas. O substrato mal preparado resultará em menor rendimento e má qualidade dos produtos. a seleção da estação de colheita.O substrato deve ser pasteurizado ou esterilizado. 2008).org/images/24286/13798-doweljars. 2003). .

bem ventilada. 1999). Se a fase de crescimento do micélio não ocorrer com rapidez suficiente. 2004). um microclima deve ser mantido de maneira a possibilitar a diferenciação do primórdio e o crescimento do corpo de frutificação.4. A temperatura deve ser mantida entre 22 e 25° e a umidade relativa do ar em torno de 70%.3. tradicionalmente utiliza-se sacos de polipropileno para acomodar o composto nas fases de colonização e produção. resina (70%) e óleo mineral (10%) (Urben.4. a quantidade de inoculante deve ser de 10 a 20 kg por tonelada de composto. A inoculação deve ser realizada em capela de fluxo laminar. A quantidade de inoculante a utilizar é um dos fatores que definirá a velocidade de crescimento do micélio no composto.4. mais rápido o micélio irá colonizar o substrato.5 a 2. podendo variar de acordo com a espécie de cogumelo cultivada (Urben. Braga et al. o micélio desenvolve-se no substrato de forma vigorosa e livre de contaminações. ou diretamente na sala de inoculação. pois são de baixo custo e práticos. Após a inoculação. O galpão de cogumelo deve . 2004) 4. facilitando a erradicação de possíveis focos de contaminação (Eira e Braga. A sala de incubação deve ser mantida limpa. seca. 1997).Incubação Após a inoculação os sacos são levados para o local de incubação e devem ser mantidos sem movimentação por 7 a 8 dias.0 cm de diâmetros são providenciados nos sacos de polipropileno.Inoculação da ¨semente¨ no substrato A inoculação é a transferência do grão colonizado para o composto preparado para que o fungo se desenvolva e o colonize. No local do cultivo. Quanto maior e mais uniforme for a quantidade de “semente” adicionada. ou seja 1 a 2 % da massa de composto. Orifícios com 1. (1998) citam que para a adequada colonização. No Brasil. escura ou com luz fraca. outros organismos podem estabelecer-se no composto e interferir em seu crescimento (Braga. Inocula-se e onde se deposita o inóculo sela-se com fita adesiva ou com uma mistura preparada a partir de parafina (20%).23 4. á temperatura de 15°C e a umidade relativa do ar de 60%.

2004).cardoncello.br/imprensa/noticias/2009/marco/2asemana/embra pa-abre-vagas-para-curso-de-cultivo-de-cogumelos/ . da iluminação e da umidade (Urben. (Figura: 07) Figura 07: Galpão de incubação.embrapa.php?pg=shimeji 4. Figura 08: Substratos com corpos de frutificação.com. o micélio cresce através de aberturas realizadas nos sacos de polipropileno.5. Fonte:http://www. O aumento da temperatura induz a transformação na fase de crescimento vegetativo para reprodutivo (Urben.br/index. Os micélios crescem e se desenvolvem em corpos de frutificação.24 permitir o ajuste de temperatura.Frutificação e colheita Em condições ambientais favoráveis. Fonte: http://www.4. Nessa fase ocorre mudança na cor do substrato. 2004) (Figura:08).

25 O período entre o surgimento do primórdio e a maturação do corpo de frutificação varia de acordo com a linhagem e as condições ambientais. 2004).html . Em algumas espécies como Ganoderma lucidum o ponto de colheita é quando os corpos de frutificação cessam de crescer e liberam os esporos ou quando o chapéu mudar de coloração levemente amarelada para marrom (Urben.com/2010/03/cultivo-de-cogumelo-agaricusblazei-ceu. ou cortando o talo com objeto cortante previamente esterilizado. Os primórdios devem ser protegidos. Assim. afim de não prejudicar o rendimento nas colheitas futuras (Urben. que interferem no rendimento e na qualidade. A colheita deve ocorrem em dias ensolarados.blogspot. Fonte: http://cogumelosemcasa. pois dias chuvosos dificultam a secagem. Figura 09: Cogumelos recém colhidos. 2004) (Figura:09). Cogumelos devem ser colhidos antes da total expansão do chapéu. O procedimento adequado para a colheita consiste em segurar a base do estipe fazendo um giro suave de 180° com a mão e arrancar gentilmente. cuidados devem ser tomados quanto à época de colheita.

cal.4. gesso. sabugo de milho) de acordo com o cogumelo a ser cultivado Umedecimento Ensacamento em sacos de polipropileno Tratamento térmico Produção da semente Inoculação Incubação Produção de cogumelo . serragem.6.26 4.Fluxograma do cultivo de cogumelos utilizando gramíneas como substrato Corte e fenação da gramínea Trituração da gramínea/resíduos orgânicos vegetais Adição de insumos ao triturado (farelo.

seguida de perda de valor nutritivo dos cogumelos e.html . os cogumelos são perecíveis e continuam no período de armazenagem. da atividade do metabolismo dos cogumelos na pós-colheita. incluindo escurecimento catalítico oxidativo de lipídeos e mudanças químicas associadas com degradação de cor autólises. O resfriamento de cogumelos resulta na redução das taxas de todos os processos fisiológicos que neles ocorrem. por último redução da perda de umidade (Urben. Figura 10: Cogumelos embalados que serão conservados por resfriamento. são temperaturas entre 0°C e 2°C e umidade relativa entre 85% e 95%.blogspot. para longo período de estocagem (Urben. que reduzem o valor comercial e nutricional e/ou em alguns casos. Esta atividade resulta em mudanças. 2004). O aumento do tempo de estocagem por meio de resfriamento deve-se á redução do crescimento de microrganismos. Fonte: http://cogumeloscomestiveis. tornando-os impróprios para o consumo humano. 2004).27 5. Sob estas condições de estocagem. a ter seu metabolismo ativo.MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO Como as frutas e vegetais.com/2010/10/lentinula-edodesshiitake. das reações de deterioração química. pode-se armazená-los por períodos de 14 a 21 dias (Urben. 2004) (Figura:10). Duas técnicas são realizadas para o armazenamento de cogumelos: a primeira é utilizada para curto período de estocagem e a segunda. ou liquefação de tecidos. em sua maioria. As condições ideais para armazenagem de cogumelos.

a água contida nos cogumelos frescos varia de 70% a 95%. Utilizam-se processos de enlatamento. secagem ou liofilização. rotulagem e empacotamento (Urben. A qualidade final dos produtos é raramente comparável ás dos cogumelos frescos. Os cogumelos secos ao sol terão acrescentado ao produto final vitamina D. branqueamento. A secagem . enlatamento.br/cogumelos-champignons-iid-87887206 Segundo Chang e Miles. Cogumelos preservados pela secagem podem conter de 4% a 13% de umidade reduzindo seu tamanho pela metade devido à perda de água (Urben. Porém estarão mais susceptíveis á deterioração por fungos indesejáveis (Urben.28 A irradiação com raios gama mata bactérias. 2004). O processo apresenta um custo de manutenção e operação muito alto (Urben. devido à incidência de raios ultra-violeta. Fonte: http://mogidascruzes. esterilização. 2004). Figura 11 – Cogumelo Agarius bisporus em conserva. O enlatamento pode ser dividido em seis operações básicas: limpeza. Estes processos bloqueiam todas as funções biológicas dos cogumelos. 2004) (Figura:11). impedindo o processo de sua senescência. uma vez que se trata de um produto muito perecível (Monteiro. (1989). 2004). inibi a respiração e a futura maturação. Salienta-se também que estes processos nem sempre são conveniente para todos os tipos de cogumelos (Urben. pelos quais se mudam as suas características. Para estocagem de cogumelo por longo tempo é necessária a utilização de processos. 2004). sendo a secagem uma das formas mais adequadas para armazenálos sem que haja perdas por deterioração.olx.com. 2005).

isto quer dizer que a água que está em estado sólido passa ao estado gasoso sem passar pelo estado líquido. os cogumelos são limpos.intimoebelo.com. Figura 12 : Cogumelos secos Fonte: http://camolese.html No processo de liofilização.br/loja/categorias.asp?categoria=29 . portanto de melhor qualidade sanitária. lavados e. congelados a – 20°C em um recipiente fechado.com.29 industrial (ar quente forcado) proporciona um produto melhor acabado. 2004) (Figura: 12). Uma das desvantagens do processo é o alto custo do equipamento e de operação (Urben. então. 2004) (Figura 13). Figura 13 – Cogumelo liofilizado Fonte: http://www. A desidratação é obtida por sublimação. visual e nutricional (Urben.br/funghi. A aparência e sabor do cogumelo são similares ao do cogumelo fresco.

ácaros e nematóides (Urben. Trichoderma spp. Os competidores são aqueles que competem com o cogumelo utilizando o mesmo substrato de cultivo. Manchas Trichoderma Mofo cinza Botrytis cristallinum Mofo amarelo Chysosporium sp. Myceliophtora sp. 2004). esses microrganismos competem na assimilação dos elementos nutritivos do substrato prejudicando o crescimento vegetativo (micélio) e/ou produção dos corpos de frutificação.DOENCAS E PRAGAS As pragas podem limitar produção de cogumelos comestíveis ou medicinais. Os parasitas usam o substrato e o próprio cogumelo como fonte de alimentação. bactérias.30 6. 2004 . Falsa trufa Diehliomyces microsporus Doença Bolha úmida Bolha seca Doença da teia Parasitas Agente etiológico Mycogone perniciosa Verticillium fungicola Dactyllum dendroides Fonte: Urben. insetos. atrasando o desenvolvimento do cogumelo ou ainda danificando o tecido ao manchá-lo com lesões enegrecidas. (Quadro: 4) Quadro: 4 :Exemplos de fungos que afetam o cultivo de cogumelos Competidores Doença Olive greem mold Mofo rosa Mofo verde Agente etiológico Chaetomium olivaceo Geotrichum sporodonema Aspergillus spp. em ambientes cuja limpeza ou manutenção foram deficientes e por esporos disseminados pelo vento e por insetos (Urben. falta de ventilação. Nas contaminações por fungos. A contaminação em meio de cultura é normalmente causada por fungos presentes no ar principalmente durante os processos de isolamento e repicagens. Penicillium spp. 2004). 2004). Os fungos contaminantes também podem estar presentes no substrato durante a preparação do composto ou após esterilização de forma inadequada (Urben. sendo as de maior ocorrência no Brasil causadas por fungos. Os fungos contaminantes geralmente se desenvolvem no composto devido à umidade elevada. Os fungos contaminantes podem ser divididos em dois grupos: competidores e parasitas.

Normalmente os insetos cavam galerias (túneis) pelo estipe e pelo chapéu. 2004). (1995). As viroses em cultivo de cogumelos ainda são poucas estudadas. baixa ventilação e elevadas temperaturas (Urben. deixando-o preto (Urben. Nos substratos ou compostagens. causando perfurações. Os nematóides se alimentam do micélio do cogumelo. Os insetos são organismos que mais causam prejuízos à cultura e produção de cogumelos. A doença é mais severa em condições de alta umidade. 2004). São vetores de vírus.31 A contaminação por bactérias ocorrem em todas as fases de cultivo de cogumelos (compostagem. crescimento. São incluídos entre os insetos. ambientes não assépticos são fatores que contribuem para a contaminação destes organismos. os besouros e as lagartas (Urben. O excesso de umidade. As pragas mais comuns encontradas em cultivos de cogumelos estão listadas no Quadro 5 . cogumelos apresentando texturas enrugadas e coriáceas com crescimento lento. colheita e casas de vegetação). os sintomas de um cultivo afetado são: queda acentuada na produção. composto mal pasteurizado. Segundo Bononi et al. O solo de cobertura constitui a principal fonte de contaminação. queda na produtividade. as moscas. pasteurização. apresentam lesões de coloração marrom-pardacenta e normalmente são causadas por Pseudomonas tollasii. como por exemplo. Mais de 70 espécies de nematóides causam prejuízos aos cultivos de cogumelos. 2004). fungos e bactérias.

pequenos Solo de cobertura Carbofuran **** 2g/100g de solo 1:100. sementes substrato.32 Quadro 5: Exemplo de pragas que afetam os cogumelos / medidas de controle Agente Aspergillus niger* Descricao Bolor negro Fase Todas as fase de cultivo *** Controle Benomyl 1-2 g/m2 Formalina 2% Aspergillus flavus* Bolor verde Todas as fase de cultivo *** Benomyl 1-2 g/m2 Formalina 2% Aspergillus ochraceus* Aspergillus candidus* Aspergillus clavatus* Penicillium sp. composto.** Bacillus spp. Fonte: Bononi et al ( 1995 ). 300 **Bactéria. semente. Lagartas e Larvas Cogumelo Barracoes Diazinon ml/m2 Malathion ml/m2 Larvicida Ácaros Artrópodes pequenos Cogumelos Barracões Kelthane ml/m2 Arcaricida Nematóides Organismos ¨helmintos¨ *Fungo. Stamets e Chilton ( 1983 ) e Urben e Oliveira ( 1998 ) Fonte: Urben. 2004 . solo de cobertura e barracoes. *** Meio de cultura.** Bolha seca Meio de cultura e substrato ou composto Podridão amarela Meio de cultura. 200 1:500.* Bolor verde-azulado Todas as fase de cultivo *** Bolor verde-azulado Todas as fase de cultivo *** Bolor amarelo Todas as fase de cultivo *** Benomyl 1-2 g/m2 Formalina 2% Todas as fase de cultivo *** Benomyl 1-2 g/m2 Formalina 2% Benomyl 1-2 g/m2 Formalina 2% Benomyl 1-2 g/m2 amarronzado Bolor cremoso Chaetomium olivaceum* Alternaria sp. Besouros. Bolor castanho esverdeado pulverulento Bolor cinza ou preto Todas as fase de cultivo *** Hipoclorito de sódio a 2% Meio de cultura e substrato ou composto Benomyl 1-2 g/m2 Hipoclorito de sódio a 2% Benomyl 1-2 g/m2 Hipoclorito de sódio a 2% Benomyl 1-2 g/m2 Hipoclorito de sódio a 2% Antibiótico ou água Geotrichum sp. Bolor vermelho Meio de cultura e substrato ou composto Verticillium fungicola* Pseudomonas spp. e substrato ou composto clorada 10-15 ml /m2 Esterilizacao do adequada ou Estrutura pastosa / muco cinzento a marrom Meio de cultura e substrato ou composto substrato compostagem bem feita Insetos Moscas. 200 1:100. ****Carbofuram = Diafuran 50 ( Nematicida e inseticida).

De acordo com estudos realizados pela EMBRAPA. No Brasil. O cultivo de cogumelos foi iniciado em 1943 por técnicos do Instituto Biológico de São Paulo. Os agronegócios de cogumelos no Brasil ainda são reduzidos. Em Mogi das Cruzes – SP. (Quadro: 6) . essa atividade envolve poucos produtores. destacando-se Agaricus bisporus (champignon). 2004). medicamentos e ou atividades religiosas e culturais. com a chegada de imigrantes chineses procedentes de Taiwan (Urben. A EMBRAPA vem pesquisando o cultivo de cogumelos pela técnica Jun-Cao. 2004). mas só ganhou projeção no Brasil. O cultivo comercial de cogumelos concentra-se nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. foi iniciado no Brasil pelos indígenas no século XIX. utilizando gramíneas forrageiras brasileiras. 2004). entre outras. Várias tribos indígenas do Brasil são conhecidas como micrófagas: Umutina. Ianomâmi. e mais recentemente Agaricus brasiliensis (himematsutake) popularmente conhecido como cogumelo do sol (Urben. 2004).CULTIVOS DE COGUMELOS NO BRASIL O conhecimento dos cogumelos como alimento.33 8. Pleurotus ostreatos (shimeji). visando a intensificação do cultivo dessa fonte alternativa de alimento (Urben. Caiapó. Lentinula edodes (Shiitake). praticamente concentrados no estado de São Paulo (Urben. um dos maiores obstáculos para o cultivo de cogumelo é decorrente do clima excessivamente quente e seco na maior parte do ano e na maior porção do país. Pleurotus sajor-caju (hiratake). Escuana. diversas espécies de gramíneas e outros resíduos agrícolas têm apresentado potencial como substrato para o cultivo de cogumelos. Bororó. O início desta atividade ocorreu na década de 50.

Pleurotus flabeliforme . preço.Pleurotus eringii . (Folha de bananeira) Brachiaria brisantha B.Pleurotus sajor-caju .Pleurotus ostreatus var.Lentinula edodes .Ganoderma lucidum As maiores barreiras encontradas na comercialização de cogumelos no Brasil estão ligadas à crença popular quanto a sua natureza venenosa.Pleurotus ostreatus (var.34 Quadro 6: Espécies de gramíneas e outros resíduos que podem ser utilizados como substrato para cultivo de cogumelos no Brasil Andropogon sp. chinesa) . hábito .Pleurotus ostreatoroseus . Cynodon spp.Auricularia polytricha . decumbens (Brachiaria) Saccharum officinarum (Cana de açúcar) Bactris gasipaes (Descasca de pupunha) Pilocarpus microphyllus (Residuo de jaborandi) Fonte: Urben.Pleurotus ostreatus var.Auricularia aurícula .Hericium erinaceus . H-2 .Lentinus strigellus . Cameron) Musa sp.Coprinus comatus . 2004 Dimorphandra mollis (Resíduo de fava Dantas) Segundo Urben (2004) 16 espécies de cogumelos comestíveis e medicinais já foram cultivadas utilizando como substrato as gramíneas acima mencionadas: . Pennisetum purpureum (Capim elefante.Flammulina velutipes .Oudemansiella canarii . H-1 .

A produção de cogumelos comestíveis e medicinais por meio da técnica Juncao se trata de uma tecnologia inovadora que causa menores impactos ambientais quando comparada aos outros métodos de produção. O cultivo de cogumelos surge como fonte alternativa de renda para pequenas propriedades rurais. O consumo no país é de aproximadamente 70 g por habitante por ano. Conseqüentemente. 9. O uso desta técnica resultaria em elevados índices de produção. resultariam no progresso sempre crescente da região produtora de cogumelos . baixo custo e conseqüentemente. O seu consumo poderia melhorar sensivelmente a dieta alimentar e nutrição do nosso povo.0 Kg.35 alimentar e ao cultivo com baixa produtividade. Esta técnica pode ser explorada por pequenos e médios produtores e empreendedores com grande possibilidade de participação no mercado interno e externo. se tornaria mais acessível a população. com menor índice de gordura e maior de proteínas. por apresentar em sua composição química. carboidratos entre outros. sem defensivos agrícolas.CONCLUSÃO Os cogumelos comestíveis apresentam importantes propriedades nutricionais. Pesquisas para o desenvolvimento de técnicas para um cultivo mais barato é essencial para se alcançar um custo acessível à população de baixa renda. Há um aumento do consumo do cogumelo no Brasil devido a alguns fatores como a maior procura por alimentos “naturais”. os benefícios trazidos pelo cultivo. funcionais e medicinais o que justifica sua inclusão na dieta alimentar. vitaminas. além de propriedades terapêuticas preventivas e ou curativas (Braga. 1998). elevados índices de proteína. enquanto nos países europeus e asiáticos o consumo chega ao redor de 4. minerais.

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38 11– ANEXOS Anexo 1 O meio de cultura BDA ( Batata-dextrose-ágar). Os frascos após serem esterilizados devem esfriar a uma temperatura de aproximadamente 40°C – 45°C. filtra-se a infusão em gaze. ou preparado da seguinte forma: . Colocar o Agar. e esterilizar em autoclave.200 grs de batatas picadas com ou sem casca . obtendo-se um extrato que deve ter seu volume completado com água destilada para um litro.15 grs dextrose .17 grs Agar . é o mais utilizado e pode ser adquirido semi pronto. . a dextrose e o extrato de batata em um frasco resistente a altas temperaturas. Em seguida transferir o meio de cultura para placas de petri previamente esterilizadas. por 10 a 15 minutos.1 litro de água Cozer a batata na água.

39 Anexo 2 Diversas formulações de substratos foram estabelecidas para o cultivo de cogumelos comestíveis e/ou medicinais Substrato 1 Brachiaria decumberns Andropogon Farelo de arroz Gesso Substrato 3 Andropogon Brachiaria brisantha Farelo de arroz Gesso Substrato 5 Andropogon Farelo de arroz Gesso 78% 20% 2% Tifton Andropogon 39% 39% 20% 2% Tifton 39% 39% 20% 2% Substrato 2 Brachiaria decumberns Brachiaria brisantha Farelo de arroz Gesso Substrato 4 78% 20% 2% 39% 39% 20% 2% Farelo de arroz Gesso Substrato 6 39% 39% 20% 2% Substrato 8 25% 32% 21% 20% 2% Cameron branco Farelo de arroz Gesso 78% 20% 2% Farelo de arroz Gesso Substrato 7 Cameron Andropogon Tifton Farelo de arroz Gesso Substrato 9 Brachiaria decumberns Farelo de arroz Gesso 78% 20% 2% Cameron Substrato 10 78% 20% 2% Farelo de arroz Gesso .

40 Substrato 11 Cameron Andropogon Farelo de arroz Gesso Substrato 13 Cameron Tifton Farelo de arroz Gesso Substrato 15 Andropogon Bagaço de cana Farelo de arroz Gesso Substrato 17 Grama Farelo de arroz Gesso Substrato 19 Bagaço de cana Farelo de arroz Gesso Substrato 21 Bagaço de cana Farelo de arroz Gesso 75% 17% 8% Cameron 77% 19% 4% 78% 20% 2% 38% 40% 20% 2% 39% 39% 20% 2% Cost cross Tifton 39% 39% 20% 2% Cost cross Substrato 12 78% 20% 2% Farelo de arroz Gesso Substrato 14 39% 39% 20% 2% Substrato 16 Bagaço de cana Brachiaria decumbens Farelo de arroz Gesso Substrato 18 Bagaço de cana Farelo de arroz Gesso Substrato 20 Bagaço de cana Farelo de arroz Gesso Substrato 22 60% 20% 18% 2% 76% 18% 6% 78% 20% 2% 40% 38% 20% 2% Farelo de arroz Gesso Farelo de arroz Bagaço de cana Gesso Substrato 23 Crost cross Farelo de arroz Bagaço de cana Gesso 60% 20% 18% 2% .

41 .

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