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GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação

WORKSHOP DIDÁDITCAS INOVADORAS E EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA
Prof. Otávio Grossi, Ms

Belo Horizonte – MG Março de 2013

com – 31 9926-6425) 2 . Leci Brandão Professores Protetores das crianças do meu país Eu queria. nem cor. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. Otavio Grossi..GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação Anjos da Guarda. Mestre em psicologia. Filósofo. gostaria De um discurso bem mais feliz Porque tudo é educação É matéria de todo o tempo Ensinem a quem sabe de tudo} A entregar o conhecimento } Na sala de aula É que se forma um cidadão Na sala de aula É que se muda uma nação Na sala de aula. Bussises coach. Por isso aceite e respeite o meu professor! Batam palmas pra ele } Batam palmas pra ele } Batam palmas pra ele } Que ele merece. } Prof. não há idade. (otaviogrossi@me.Ms.

Ms. Bussises coach. O.com – 31 9926-6425) 3 . DA ESTRATEGIA A REALIZAÇÃO O tempo é o maior inovador. Prof. & BARRIOS. Membro da ABPP-MG. Otavio Grossi. stratégion. Escola empreendedora. o conceito de estratégia é uma das palavras mais utilizadas na vida empresarial e encontra-se abundantemente na literatura da especialidade. INFORMAÇÕES TECNICAS Ementa: Fundamentos da didática. Francis Bacon Pensar os caminhos didáticos inovadores para a atuação do especialista significa pensar caminhos possíveis de forma planejada. processos de inovação e criatividade. Apreensões. À primeira vista parece tratar-se de um conceito estabilizado. de sentido consensual e único. (otaviogrossi@me. Filósofo. à época de democracia ateniense. psicanálise e empreendedorismo. Otavio Grossi. Definição de indicadores e metas. com foco na questão do trabalho e empreendedorismo. Bussises coach. na maior parte das vezes. ou exército em campanha. La Torre & Barrios (2002) 2 dizem das estratégias de ensino utilizadas por professores como táticas para mudanças e transformações através da atuação pedagógica estruturada.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação DIDÁTICAS INOVADORAS E EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA 1 1. Gestão para Resultados em educação. stratégema. Educador empresarial. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. a globalização. "exército". (otaviogrossi@me. São Paulo: Madras Editora Ltda. A conceituação da palavra estratégia e trazem suas várias modalidades nos aponta diversas nuances. que aponta direções. ardil de guerra. Mestre em psicologia pela PUC Minas. 2 LA TORRE. Docente para pós-graduação em sociologia. como strategicós. "liderança" ou "comando" tendo significado inicialmente "a arte do general") e designava o comandante militar. Gestão. o habito. S. Sintese do currículo: Prof. ou próprio do general chefe. entende-se ser escusada a sua definição. Conceitos básicos de Formulação. A palavra vem do grego antigo stratègós (de stratos. Filósofo. ou expedição militar. Atualmente.Estratégias Didáticas Inovadoras e Criativas – Conceitualização e modalidade. stratiá. O idioma grego apresenta diversas variações. que norteei ações. SESC e SENAC. marca as previsões e dimensiona reações. ou tenda do general. e ago.com – 31 9926-6425) 2. Consultor externo do Sistema Fecomércio Minas.Ms. de tal modo que. Planejamento. palestrante e consultor de processos e pessoas em empresas familiares. stráutema. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. Escritor de artigos. 1 O conteúdo dos textos da apostila é de inteira responsabilidade do docente. Alinhamento Estratégico. Uso exclusivo para fins didáticos desde que citados fonte e autores. Mestre em psicologia. 2002. dentre outras. Curso de formação para educadores. ou estratagema. Capítulo 7 . o efeito da mudança. Uma visão.

fatos que contribuem para sua difusão. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. características das mudanças de êxito.Ms. a capacitação e a melhoria sociocognitiva. Neste sentido. o ensino criativo. as estratégias educacionais têm caráter aberto. lógicos e psicológicos). pode ser visto como ações organizadas e/ou encaminhadas para facilitar a ação formativa. No âmbito educacional as estratégias são adequações usadas como caminhos para mudar pessoas. com caráter informativo e organizacional dos conteúdos. pois a excessiva teoria cansa. mas o dialogo anima. Filósofo.com – 31 9926-6425) 4 . As estratégias representam o percurso ou o procedimento com vistas a superar obstáculos pressupondo teorias e técnicas que considera todos os fatores (sociais. Essas fases têm seus pontos em comum quando baseiam-se em uma teoria de mudança como plano (imput). execução (process) ou resultado (output). Mestre em psicologia. difuso e certa dose de idealismo e decisão política. sendo usados para desenvolver habilidades e aptidões recorrendo a pratica. Otavio Grossi. (otaviogrossi@me. instituições e sociedade. Segundo o autor as estratégicas que podem ser divididas em fases ou momentos como: mudança de valor. mas não existe uma única estratégia para um determinado problema. como exemplo temos a reflexão critica. e. a metacognição. Prof. analise do fracasso (partindo da avaliação dos resultados). previsíveis e planejadas através de métodos e materiais escolhidos para se alcançar certos objetivos que precisam ser adaptadas à realidade contextual e analisado a eficácia dos resultados. perceber que não existe qualquer uniformidade. podendo o mesmo termo referir se a situações muito diversas. Resumidamente no âmbito educativo as estratégias são combinações e organizações sequenciadas para a ação pedagógica que incluem atividades conscientes. desde logo. Por outro ângulo. o processo inovador. um pouco de atenção ao sentido em que a palavra é usada permite. Uma estratégia pode ser ampla e definida. cada situação do problema requer um tratamento estratégico específico. investigativa. a utilização didática do erro e etc. a definição rigorosa do conceito que têm de levar a cabo é o primeiro passo para o êxito dos seus esforços. o debate ou discussão dirigida. para o estudante destas matérias e mesmo para os gestores têm por função definir ou redefinir estratégias e implantá-las nas organizações. natureza da mudança. Bussises coach.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação Contudo. Para que haja mudanças de atitude faz-se necessário criar situações de comunicação informal. Se para uma leitura apressada esse facto não traz transtornos. a interrogação didática.

biográficos e metodológicos que são condicionantes para o desenvolvimento de um plano”. na atualidade o olhar tem se voltado para o processo de execução o “como” realizar a mudança. Mas. sendo assim. normativo reeducativo (voltado para a resolução de problemas e mudanças de atitudes e valores) e empírico-racional (que se apoia na racionalidade e na prática. mas também o “para quê”. “o enfoque estratégico realça elementos contextuais.Ms. neste sentido o que se vê é à saída da “teoria da mudança” e a entrada na “teoria para a mudança”. É importante lembrar que um plano prévio é extremamente útil para se esboçar as estratégias necessárias para a transferência de conhecimento visando à mudança. não respeitando a liberdade e a motivação). Filósofo. para que ela aconteça de fato o importante é a centralidade na condução e mobilização da mudança. o “enfoque estratégico” para que a integração aconteça tanto no campo procedimental como no teórico. para que se perceba como estão acontecendo às mudanças nas escolas e nas pessoas que se constata como objetivos e com a eficácia dos procedimentos. sem se esquecer das intenções e dos processos. Prof.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação Segundo os autores. das variantes do desenvolvimento e das condições das alterações. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. onde a pesquisa científica o meio de aplicação de conhecimentos e de comprovação dos resultados da pratica). diante desta perspectiva a estratégia é um procedimento organizador e sequenciador da ação para se atingir o crescimento seja ele pessoal ou institucional e sua eficácia é considerada a partir dos fatores que a favorecem e que a limitam. entre outras. hierarquização. A escola é vista como sendo a principal unidade de mudança e formação. interação entre discente-docente. o plano em si não traz o desenvolvimento exato dessa mudança. Diante disto faz-se necessário a averiguação de êxitos e fracassos. As estratégias criativas apresentam características como: natureza flexível e adaptativa. desenvolvimento de capacidades e habilidades cognitivas. Bussises coach. O olhar se volta para a valorização dos resultados. Mestre em psicologia. Otavio Grossi. incitação à indagação e ao autodidatismo. interesse nos processos e nos resultados. imaginação e criação. combinação de materiais e ideias. que vem acompanhada de recompensas ou castigos.com – 31 9926-6425) 5 . metodologias indiretas. processuais. onde o “como” é importante. cabendo aqui. (otaviogrossi@me. Conforme o exposto é possível destacar outras visões da estratégia: coercitiva (baseada no poder.

assim. produtoras de efeitos práticos e subjetivos.Ms. o especialista poderá apresentar-se enquanto catalizador chave para a mudança no cenário educativo quando congrega saberes e promove uma visão sistêmica sobre a educação e os desdobramentos desta ação na comunidade e na vida de cada estudante. bem como um fundamentalismo identitário. fazendo Prof. Assumindo um papel estratégico. o acontecimento e o acaso. Conforme La Torre & Barrios (2002) é extremamente útil para pessoas que estão em processo de formação pedagógica e/ou continuada com o objetivo de se capacitar e aperfeiçoar sua atuação docente. Para ele o poder era uma relação de forças repressoras. especialista e empreendedor. Os efeitos desta cultura do empreendedorismo neoliberal atingem a subjetividade dos envolvidos. Segundo Ehrenberg (2010) o consumo maciço de medicamentos psicotrópicos sob o peso dessa pressão psíquica inédita. Percebe-se um esvaziamento no sentido. Não causa espanto ver a obrigação de ganhar vir acompanhada de uma crise de identidade ainda maior. assim. o que trará mudanças significativas para seus alunos e para instituição onde atua. Apesar do cenário atual. Otavio Grossi. (otaviogrossi@me.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação A tarefa primordial do professor é fazer com que o aluno se envolva e se comprometa em sua própria aprendizagem. As formas de disseminação desta cultura do empreendedorismo apresentam-se de forma sutil reforçando a importância da figura do gestor. pensar de forma estratégica e didática o que os leva a entender a teoria para aplicá-la a sua prática pedagógica. com isso estará garantindo a eficácia e a eficiência dos métodos e estratégias aplicados durante sua ação pedagógica elucidada pelo especialista. Foucault analisou “o poder” através das estratégias coercitivas. mudando. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. acompanham a pacificação aparente da sociedade. a realidade profissional e educativa. Filósofo. e uma depressão nervosa apoderar-se de uma boa parte de empresários e estudantes. . Bussises coach. os efeitos psicológicos. Diante desta aventura empreendedora em que se tornou a vida em sociedade apresentam-se. no propósito do fazer e na realização final. com o discurso o poder exclui. Mestre em psicologia. tornando mais complexa a ação dos grupos de trabalho nas empresas e outras organizações abrindo espaço para formas de controle. pressiona e constrange e em outra dimensão domina o conhecimento.com – 31 9926-6425) 6 . agora. A desilusão com o mundo nunca ficou tão presente em nossas relações como nestes tempos.

de não perceber seus fundamentos ideológicos. revolucionando sempre a estrutura econômica. veremos que. pior... Prof. no surgimento de novos mercados e em novas formas de organização para a empresa capitalista de forma perversa. implica na divulgação e aprofundamento de práticas voltadas à criação de novos bens de consumo. o fortalecimento de tal cultura empreendedora. Mestre em psicologia.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação com que surjam sintomas dos mais diversos.com – 31 9926-6425) 7 . Filósofo. (otaviogrossi@me. é comumente empregado em estudos de Administração de Empresas.. tais como.” (SCHUMPETER. com focos diversos. com muita facilidade de perder a definição e. Otavio Grossi. portanto. a expansão do uso foi acompanhada de pouca definição técnica do conceito. (. excludente e individualista fortalecida por uma escola empreendedora. por Say (1767-1832). até o conceito de Schumpeter (1959) onde o empreendedor “é o agente do processo de destruição criativa.) aciona e mantém em marcha o motor capitalista. Psicologia e Filosofia. apresentava-se como um manifesto e uma afirmação: o empreendedor perturba e desorganiza. O EMPREENDEDORISMO: FALACIA ECONOMICA OU EDUCAÇÃO Empreendedorismo não é mais um conceito apenas econômico.. inibição afetiva. de fato. (. no início do século XIX. identificava como empreendedor. para a época. criando novos produtos.) e criando uma nova. na adoção de novos métodos de produção.Ms. Sua definição. A Escola Empreendedora. 47). brigas. e propagou suas ideias e políticas. onde o termo personifica aquele que promove a transferência de recursos econômicos de um setor de baixa produtividade para um de maior rendimento. o indivíduo que transferia recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. Entretanto. Say foi um admirador de Adam Smith. Bussises coach. em 1800. p. Sociologia. 1985. 3. ausência de comunicação e individualismos. desde o conceito de empreendedor elaborado pelo economista francês Jean Batist Say. Segundo Drucker (1985). Ele traduziu para o francês A Riqueza das Nações (1776). considerado o pai do empreendedorismo. novos mercados e sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros. Segundo Drucker (1987). bloqueios. O termo entrepreneur adotado. Educação. Estamos de frente de um conceito amplo. intrigas. nasceu no âmbito da economia.

Todos os conceitos consideram o empreendedor. de entrepreneurship. muda. esse sujeito econômico do capitalismo. é independente da economia clássica. Bussises coach. o conceito de empreendedor. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. para este autor. Mestre em psicologia. Filósofo. não só para ampliar as propostas. seu espírito empreendedor não é uma característica de personalidade. amplamente divulgada. As dificuldades. a sua contribuição pessoal para o pensamento econômico. Qualquer indivíduo que tenha à frente uma decisão a tomar pode aprender e se comportar de forma empreendedora. E aqui não se trata de qualquer tipo de inovação. O tipo de empreendedor de Schumpeter (1985) guarda uma grande distância dos empreendedores retratados na literatura em administração. como alguém que toma a iniciativa de reunir recursos de forma inovadora ou para reorganizar recursos de maneira a gerar uma organização relativamente independente. Na cultura do empreendedorismo marcadamente neoliberal. provoca mutação nos valores e não restringe seu agir apenas à instituições econômicas. para criticar a teoria econômica neoclássica e mostrar que este modelo não é capaz de incorporar a análise da dinâmica e do desenvolvimento econômico. neste sentido. seu fazer empreendedor materializado em uma empresa geradora de oportunidades e o desenvolvimento de habilidades de realização. empreender é. o empreendedor busca a mudança e a percebe como uma oportunidade. Desta inovação promovida pelo empreendedor seja estrutural. transforma com sua ação.Ms. Schumpeter (1985) faz uso da categoria empreendedor. Ele convive com riscos e incertezas envolvidas nas decisões.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação Entretanto. (otaviogrossi@me. a educação formal tem como foco o sucesso dos negócios. sobretudo. inventar novos produtos ou processos. Segundo Drucker (1985). esbarram inevitavelmente na dimensão institucional. Visto assim é preciso compor uma postura crítica para interpretar a falácia ideológica que vai além desse jogo de oposição que envolve o indivíduo. Ele cria algo novo. A teoria do equilíbrio não incorpora a descontinuidade. mas também para ampliar a capacidade de aproveitar oportunidades e gerar conhecimentos para então transformálos em bens sociais. reage a ela como a um incômodo. ou seja. Otavio Grossi. porque. Contudo.com – 31 9926-6425) 8 . senão aquela de caráter pioneiro e transformador. O empresário pioneiro inova e lidera um processo de mudança que extrapola os domínios de seu negócio e da sua própria esfera de atuação. a crença ou Prof. inovar. comportamental ou técnica decorre uma resistência à ação do empreendedor.

enquanto ensino formal deveria ser essencialmente para a inovação. Sob este ponto de vista a educação. 4. intelectuais e morais. mais recentemente. ou como organizações. tem como paradigma maior Émile Durkheim (1978) e. enquanto prática da liberdade. pois. 1978. Mestre em psicologia. quanto ao tema socialização.Ms. (1999). segundo Weber (2004).. e pelo meio especial a que a criança. [. Bussises coach. a cada nova geração. sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social: tem por objetivo suscitar e desenvolver.com – 31 9926-6425) 9 . (otaviogrossi@me.[. Otavio Grossi. na criança. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. Durkheim (1978) define educação como uma. uma natureza capaz de vida moral e social. se destine. ela agregue ao ser egoísta e associal. numa socialização metódica das novas gerações. significativo e contextualizado. (DURKHEIM.] a sociedade se encontra.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação comportamento instituído pela coletividade.. A educação consiste. UMA PEGAGOIA POSSIVEL Os estudos clássicos da sociologia da educação abordam dois espaços de socialização tradicionais: a família e a escola. certo número de estados físicos. reclamados pela sociedade política no seu conjunto. Segundo o autor.] ação exercida. Em A educação – sua natureza e função. que acaba de nascer. particularmente. Ela cria no homem um ser novo. Este aprimoramento exige aprendizado contínuo. segundo Durkheim (1972). sobre a qual é preciso construir quase tudo de novo. É preciso que. Filósofo. De maneira geral. 1978. na medida em que busque se aprimorar em tais características. Eis aí a obra da educação. o empreendedor apresentado por Schumpeter (1985) utiliza todas as características em momentos distintos e se tornará cada vez mais capacitado no uso delas. Peter Berger e Thomas Luckmann (1983).. 42). A maioria dos trabalhos desta área. porque só se adquire conhecimento na medida em que esse promova significado real ao contexto vivenciado pelo aprendiz. (DURKHEIM. A aposta na inovação coloca a dimensão cognitiva como uma das principais características do empreendedor: ele é um agente econômico. p. p.. como que diante de uma tabula rasa. poder e dominação. como veremos com Paulo Freire. 41). pelas gerações adultas. Prof. pelos meios mais rápidos.

o sucesso desse processo educacional seria caracterizado pela construção de um ser social totalmente identificado com os valores societários. da disciplina interna ou externa. Mestre em psicologia. Bussises coach. senão aquela de caráter pioneiro e transformador. sociedade e a construção cognitiva. ou seja. que nos obriga a considerar outros interesses que não os nossos. O empresário pioneiro inova e lidera um processo de mudança que extrapola os domínios de seu negócio e da sua própria esfera de atuação. e darlhes lei. Todo o sistema de representação que mantém em nós a ideia e o sentimento da lei. ensinando-nos o sacrifício. que nos ensina a dominar as paixões. uma influência total na personalidade dos indivíduos no processo de interiorização das regras de comportamento moral e social. mesmo considerando a amplitude das questões relacionadas entre indivíduo..com – 31 9926-6425) 10 . Elas exercem. Estas aproximações entre as ações da sociedade e do indivíduo intermediadas pela educação reforçam a importância. empreender é. a privação. sobretudo. sobretudo inovar. Segundo Dubet (1996) uma educação normativa e moral deveria assentar a unidade entre indivíduo e sociedade. portanto. Segundo essa leitura. E aqui não se trata de qualquer tipo de inovação.Ms. como vimos. 45). a participação ativa do indivíduo nas instâncias socializadoras. [. a educação familiar e escolar estariam longe de ter apenas um valor instrumental.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação Na verdade. o tipo de empreendedor schumpeteriano guarda uma grande distância do modelo de empreendedor atualmente retratado na literatura em administração. p. de uma análise crítica sobre um modelo educacional que não se renda a um discurso ideológico neoliberal que opera inversões na prática pedagógica estimulando o individualismo e a competitividade. é instituído pela sociedade. ambos concebidos como duas faces de uma mesma realidade. Mais do que isso. ser a aquisição de aprendizagens úteis. Filósofo. No que tange a educação empreendedora e suas contribuições. conferindo a ele maior autonomia e liberdade reflexiva. Torna-se importante neste momento. a subordinação dos nossos fins individuais a outros mais elevados. (DURKHEIM.] É a sociedade que nos lança fora de nós mesmos. Otavio Grossi. o homem não é humano senão porque vive em sociedade. existiria uma total correspondência entre ator e sistema social.. os instintos. porque para Schumpeter (1985). Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. E. Nesse sentido. principalmente. 1978. à luz da teoria crítica de Paulo Freire (1996). como elementos Prof. (otaviogrossi@me. abordar.

A melhor forma de ensinar é defender com seriedade. segundo Porto (1999) que ao estudar os objetos presentes na teoria crítica ou na teoria pós-critica do currículo. mas com o mundo. apaixonadamente uma posição. Mestre em psicologia. não se pode compreender nem submeter à crítica sem vinculá-lo ao contexto brasileiro dos anos 1960-1964. ou seja. estimulando e respeitando.Ms. (otaviogrossi@me. Otavio Grossi. o dever de brigar por nossas ideias e. fazer parte dele. lugares onde realizou sua prática educativa mais relevante. mas construindo sua própria identidade e intervindo no melhoramento de suas condições enquanto cidadão e buscando o direito de construir uma cidadania igualitária e justa. Freire (1996) acreditava em uma educação preocupada com a formação do indivíduo crítico. criativo e participante na sociedade. é relevante observar que o ser humano nesta educação. ao mesmo tempo. o respeito mútuo. A educação na visão de Freire (1996) deve realizar-se como prática da liberdade. bem como os valores que constituem esse universo diferente dos demais. Os caminhos da libertação só estabelecem sujeitos livres e a prática da liberdade só pode se concretizar numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. Freire (1996) achava que o problema central do Prof. Nestes termos. além de incorporar os elementos de análise dessas teorias ao seu cotidiano.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação de aproximação e de construção conjunta de um modelo de educação que se propõe efetivamente empreendedora. o direito ao discurso contrário. Filósofo. É a partir deste cenário de contribuições de Freire (1996) que podemos aproximar esse indivíduo produto de um currículo de educação empreendedora daquele concebido por Freire (1996) como tendo capacidade de dialogar. ao mesmo tempo. A "Educação como prática da liberdade". Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. questionar e escolher um universo de relações. Estará ensinando. Ainda que se deva chamar a atenção para o fato de que o pensamento foi-se gerando desde os anos finais da década de 40 e durante toda a década dos 50. constata-se que a Pedagogia de Freire. é um sujeito que não deve somente estar no mundo. o pensamento de Paulo Freire (1921-1997) surge como produto das condições histórico-sociais em que vivia o Brasil e o Chile na década dos 60.com – 31 9926-6425) 11 . segundo o autor. Cabe destacar ainda. ensina a problematizá-los em um contexto histórico real que apresenta alternativas emancipatórias para o projeto de transformação da sociedade. Bussises coach. assim. um dos seus primeiros ensaios. Certamente. não apenas vivendo.

14).. um do outro. de classe É por esta ética inseparável da prática educativa. 1519). p.Ms. detentor de uma cultura própria. de avaliar. Define essa postura como ética e defende a ideia de que o educador deve buscar essa ética. Bussises coach. apesar das diferenças que os conotam. O pensador crítico enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola. não se reduzem à condição de objeto.. Filósofo. é necessário revelar aos alunos a capacidade de analisar. e seus sujeitos. mas fazer com que o homem assumisse sua dignidade enquanto homem. 1996.. p. visto ser ele um sujeito social e histórico.) ética universal do ser humano. são mais eficientes. da ética que condena o cinismo (." (FREIRE. (otaviogrossi@me. que devemos lutar. de decidir. assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno.. 1996. capaz de fazer história e a partir da crença em si mesmo é capaz de dominar os instrumentos de ação à sua disposição. Ao contrário da concepção tradicional de escola. (. de comparar. e poderíamos ler. Em sua análise Freire (1996) menciona o que considera fundamental para a prática docente. a qual chama de. ressalta que esta relação é uma experiência Prof. mas é como o aluno. de gênero. Segundo o autor o professor não é superior.. incluindo a leitura. e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas. não importa se trabalhamos com crianças. melhor ou mais inteligente.. Além disso. que se apoia em métodos centrados na autoridade do professor. 1996. desta forma.com – 31 9926-6425) 12 . para um ensino efetivamente empreendedor." (FREIRE. Freire (1996) comprovou que os métodos em que os alunos e professores aprendem juntos.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação homem não era o simples alfabetizar. 25). Otavio Grossi. de optar. "Não há docência sem discência. Quem ensina aprende ao ensinar. A concepção de uma educação para a autonomia deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor. (FREIRE. e quem aprende ensina ao aprender.) a ética de que falo é a que se sente afrontada na manifestação discriminatória de raça. jovens ou com adultos. participante do mesmo processo da construção da aprendizagem. p. Introduz a pedagogia da autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando.) que condena a exploração da força de trabalho (. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. de romper. as duas se explicam. E. Por parte do docente. porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina. Mestre em psicologia.

saber pensar é duvidar de suas próprias certezas. buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. como pesquisador. Acima de tudo. não ingênua. Bussises coach. 1996. 1996. Se o docente faz isso. p. 32). mas faz parte do processo da busca..” (FREIRE. p. sua cidade. aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. com questionamentos. Apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado. Mestre em psicologia. terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito. e orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo.” (FREIRE. há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Otavio Grossi. 1996 p. como seres históricos. Para Freire (1996). questionar suas verdades. 1996. (otaviogrossi@me. Ninguém se educa sozinho. ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. Filósofo. conhecer o mundo “ (. para Freire (1996). E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura. requer aceitar os riscos do desafio do novo.Ms. é a capacidade de intervindo no mundo.) Ensinar. fora da boniteza e da alegria. 72).” (FREIRE.. p. Outro ponto importante da obra de Freire (1996) é o diálogo que se estabelece em uma relação horizontal e não vertical entre as pessoas em relação. Os homens se educam juntos. “A alegria não chega apenas no encontro do achado. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. 23). É ter certeza de que faz parte de um processo inacabado. Afirma que "não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino. seu meio social. O respeito à autonomia e à dignidade de cada pessoa será um princípio Prof.com – 31 9926-6425) 13 . enquanto inovador. É relevante notar ainda a importância dada ao rigor metodológico e intelectual que o educador deve desenvolver em si próprio. relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida. sujeito curioso. sem relações de autoridade. Ensinar. na transformação do mundo. mas deve colocar-se na posição humilde de quem sabe que não sabe tudo. reconhecendo que o aluno tem uma experiência de vida e por isso também é portador de um saber. 31). “Ninguém educa ninguém. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo." (FREIRE. ou seja. que busca o saber e o assimila de uma forma crítica. Esse pesquisar.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação alegre por natureza. De acordo com Freire (1996) o educador não pode colocar-se na posição de detentor de todo o saber.

é preciso querer bem. Para tanto. Esta educação será a marca necessária dos sujeitos Prof.. 96).GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação ético e não um favor que podemos ou não conceder aos estudantes. debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Filósofo. portanto. os professores devem ter uma atitude neutra. mais precisamente. a dialogar. para buscas. em um modelo efetivo de educação empreendedora dever-se-á construir um ambiente no qual os estudantes possam. A abordagem do empreendedorismo social retoma princípios da autonomia e da economia solidária. Mestre em psicologia. Faz-se necessário." (FREIRE. a sua sintaxe e a sua prosódia. Portanto. não só exercitar a capacidade de imaginar as mudanças e de criar projetos em concordância com esses propósitos. o professor que ironiza o aluno. que o minimiza. mas. (. indispensável mesmo. O professor precisa estar disposto a ouvir. que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano. Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando. 1996. a sua inquietude. sobretudo pôr em prática as suas propostas adequadas ao real em sintonia com uma necessária formação ética e social capaz de questionar o modelo socioeconômico vigente a partir de uma releitura dos atuais princípios educacionais valorizados a partir do olhar do solidário enquanto uma competência transversal.Ms. (otaviogrossi@me. não apenas porque contém uma mensagem política ou trata de tópicos políticos. artífices do conhecimento. a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar. Bussises coach.. 1996. p. Otavio Grossi. É importante que educadores e estudantes sejam curiosos. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência. tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno. portanto.) O professor que desrespeita a curiosidade do educando. Parece-me que é precisamente no campo das competências transversais de transformação que encontramos caminhos de avanço na proposta da educação empreendedora. p. o seu gosto estético. a sua linguagem. que se furta ao dever de ensinar.com – 31 9926-6425) 14 . mas também porque é produzida e situada em um complexo de relações políticas e sociais das quais não pode se omitir. A escola é um processo político. "É preciso. 59). A Pedagogia Crítica recusa a tese de que o conhecimento e a escola são neutros e que. (FREIRE. que se proporcionem momentos para experiências. que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima. gostar do trabalho e do educando.

Não como simples ação reativa. de gestão ou de mercados todas vitais ao processo de metamorfose antes evocado. Bussises coach. Uma coisa é a empresa capitalista usar o discurso do empreendedorismo para os trabalhadores produzirem mais e darem mais lucros a ela. que supera a divisão capital e trabalho. (otaviogrossi@me.com – 31 9926-6425) 15 . Especialista em Psicologia da Educação e Psicopedagogia. ************** Prof. a partir do qual se constituem e se consolidam os experimentos associativos. O caminho parece estar na formação e disseminação de uma cultura coletiva. O que vemos são ações voltadas a busca por inovação. A lógica de condução para uma educação empreendedora marcadamente social e solidária parece apontar para a importância de um novo equilíbrio entre adaptação e autonomia.GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Secretaria de Estado de Educação autônomos tanto em processos socioeducativos quanto na atuação em soluções e arranjos econômicos autossustentáveis. em que se pratica algo próximo à autogestão. Uma cultura do empreendedor social. esmerou-se em formar preferências adaptativas. Outra coisa é a promoção do empreendedorismo social. através do apoio dado aos empreendedores sociais nos diferentes estágios de desenvolvimento de suas ideias e ao investimento realizado em pessoas quando voltadas ao desenvolvimento social. ditada pela força das circunstâncias. mas como exercício de um saber tácito adquirido ao longo do tempo. Otavio Grossi. de organização. Mestre em psicologia. segundo Portela (2008) de que a inovação como um ato de criatividade deve ser conferida em diferentes esferas. ao impelir os indivíduos a cercaremse do conforto oferecido pela tecnologia. Filósofo. ao preço da renúncia da liberdade e da formação imperceptível de múltiplas dependências cotidianas. seja de ideias. é o modelo da super-exploração. entre empreendimentos econômicos e empreendimentos sustentáveis a partir do social. impessoal e não individualizável. Talvez o exercício da inovação diante de desafios incessantes seja um dos principais trunfos dos empreendedores sociais em uma economia solidária. cada vez que as dificuldades superam os recursos ao alcance da mão e apelam ao despojamento e à inventividade reeditando e resgatando o modelo schumpeteriano. Segundo Santos (1989) o mundo moderno.Ms. Todas essas experiências apontam para a compreensão.