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INTER

BOOK

COMERCIO

LTDA

R:

PEDRO

TAQUES,39

T:(Oll)258.6545

S.PAULO

A CIDADE NA HISTÓRIA

suas origens, transformações e perspectivas

Lewis Murnford

Traduçio l'.'EIL R. DA SILVA

Martins Fontes

São Paulo

/998

TIfE C/TI' lN HISTORY

Titulo

ori�"ro/.

- riS

ORIGINS.lrs THANSPORMATlONS

ANO Irs PROSPEcrs

Copyrigitl e b)'

üwis Mllmjord. 196/

Copyright C L/Iraria Marfins Fontl's

tdllora Lida.

São Pall/o.

1982,

pura a

I"t:stlllf' ('d/piO

41 ediçao

ahrll dr

1998

Tradução

NEIL R

DA S/UA

Produção gráfica

Grra/do A/I'/'S

Capa

Kallo Horllmi Tl'rO$IIÁa

Dados Intem&eionals

de C!d9kv,-:açio na Publ� tCIP)

(Ciman Bl"tiiIrira do Li

o.
o.

SI',

Urasil)

Mumford.l .

A cld.de nD pe�pt>CIIVU I

Sll�.l. -

(EmUlO

hJSlÓfla

Lewis

: suas

Mumford

ongens. (ranSfonn3�'õe:1 e

R da

Fonlei. 1998. -

;

!traduçlio

e R da Fonlei. 1998. - ; !traduçlio f',Iell 4' ed. Superior) - S60 P�ulo :

f',Iell

4' ed.

Superior)

-

S60 P�ulo :

Thulo orIginai: The cily

BIbliografia.

ISBN

85-336 .(1&47 .(1 .

.

ln tU�lory.

I. Cidade.

_lhs\.Óna I.

TílUlo. II

Stne

98·1028

CDD·.J01.36

Indi«s para

catálogo sistem'tk'1.l:

Cidades

HJtóoa'

Sociologia

301.36

Totlos os m""OS dtsla rdlção "sr

r (J(los
r
(J(los

LimuiD Martins fo/lUs

EdiJoro 1.Jda.

d

TrI

RIIO COllsdlt

OI31HXX}

Sdo Pau/o

(Ol/J 139-3677

1'-111011 ",jof"íj,I1I(Jrt/lIJjonus.wm

SP BraJiI

Fw. (011 j 605-6867

IlIIp"IIM'III

nlar/llujo/Urs

(0 111

Prefácio

t'ncerrG­

Na ta�ja de

acomptlllhar esse desenvolvimento. procurei tratar dasformas efunções da cidade t' das

se COIII 11111 lIlulldo que se tornou, em mllitos aspectos práticos.

I/licia-se este livro com

lili/a cidade que era,

simbolicamente.

/1m mundo:

lima cidade

finalidades q/le

/1m papel ainda mais sigllificativo a desempenhar do que o papel que lhe coubt' no pas­

sado.

do

na medida do

li cidades e regiões que conheço dirctamenre e a dados que de ha mI/iro absor­

vi. Is�'o me limitou à cil'ilblÇão ocidemal, e mesmo neste casofll; obrigado a deixar de

possíl'eJ,

dela emergiram;

e creio

ter demonslrado que

a cidade terá,

no lu/uIV.

desde qllefaçamo.ç desaparecer as desvantagens originaiS que a �'êm acompanhan­

através

da J-listõria.

Como em todos

os meus

Olllros estudos de

IIrbanismo. confinei-me.

parte gralldes e significativas regiões.

como

é o

caso da

Espmlha e

da América Lati

da Palestina.

da

EII/TIpo Orienral e da

União SOI'iética.

Lame1lto

esso\ omissões:

mas.

1111/(/ I'e:

que //leu

método exige experiêllcia e obsen'ação pessoal.

algo que não

Si'

pode

�'lIbslifl/ir por livros,

seria p/'(!ciso outra

A Cidade na

História,

a

propósito.

e:cisu!/lcia para reail:á-/(u.

sflbstillli

as Iimj((ldllS

serões

IlIstóricas de A

Cultura das

Cidades:

partes

daqueles quatro

capillllos i"icülü

acham-se

agora incor­

porados II0S

de;:oifO capifltlos

do I)/'(!senre

trabalho,

que

tem

mais

de dilas \'e=es

o seu

/amollho, Se

o leitor pm' acaso

tropeçar

f//lllltl

parre arruinada

do

edificio antIgo,

con­

serl'ado sob I/lIIa edificação inreiromente

diferet/le.

como /Imfragmento da muralha sér­

da

lIeira deve dar

eX;:ile"fe em

(10

Roma,

O qlle se COIIsen"Q1I dt!ssa ma­

N\'/'O IImCl COII/inuidllde orgânica e uma solidl!= que ta/\'e= não existis­

não

me censure

mde\'idameme,

sem. caso ell lftio tivesse leWldo em COllta a estrutura

alltiga e, como um COIIstnllor dado

li

especulações,

saúse com IIl1/alllotollil'eladora a aplainar todu uma =onll

Nisto lTj1e­

te-se, cam acuidade simhólica. o crescimellto da propria ddaJe.

AmeI/ia,

NOl'll Iorque

ROlllnlllo. 330,340

L.

te-se, cam acuidade simhólica. o crescimellto da propria ddaJe. AmeI/ia, NOl'll Iorque ROlllnlllo. 330,340 L. II

II

O EGITO E A CIDADE ABERTA

9J

porém naquelas ruas apinhadas, naquelas vias estreitas, naqueles apertados

bairros residenciais, brincam as crianças comuns? Milhares de anos ainda se passarão antes que, no coração da cidade, nos terrenos ao redor da escola e nos campos de jogos vizinhos - primeiro nas cidades medievais, mas, de forma mais notável, nas Cidades Novas inglesas de hoje -, as atividades lúwcas das crianças reclamem largos trechos de espaço aberto.

7. O Egito e a Cidade Aberta

A história da cidade, tal como se desenrola na Mesopotàmia, não deve ser II1teiramente repetida com relação ao Egito, sem numerosas reservas, contras­ tes e particularizações. Este fato vem acentuar uma verdade ainda mais geral a respeito da cidade: sua assinalada individualidade, tão forte, tão cheia de

sua assinalada individualidade, tão forte, tão cheia de " g ê n i o " ,

"gênio", desde o princípio, que tem muitos dos atributos das personalidades

humanas. O alvorecer da civilização do quarto milênio a.C. mostra, no Egno, muitas das vigorosas características que apresenta na Suméria; na verdade, nos seus absolutismos centralizados, na sua exagerada devoção ao culto reli­

gioso, na deificação do faraó, que por muito tempo dividiu sozinho com os deuses o dom da imortalidade, essa implosão e concentração de poderes e agentes parece ir ainda mais longe no Egito do que na Mesopotâmia. No Egito, houve grande turbulência e transformação na superfície cultural, uma abundáncia de grandes e pequenos deuses, uma variedade de totens tribais, uma mistura do eterno e do efemera. do animal e do humano, como se cada manifestação de vida fosse preciosa e nenhuma parte dela que por uma vez mostrasse vida pudesse ser negada ou perdida. Tudo isso, porém, são arranhões e mossas num enonne monólito granítico encravado a fundo na lama do Nilo, que mostrou pouca deterioração nas suas formas principais, após milhares de anos. Para os egípcios, não havia nada tão valioso como a segunda vida, após a mortE;:; e os povos mais antigos devem pelo menos ter sonhado em possuir uma parcela da imortalidade, antes que os sacerdotes, reagindo a uma devastadora revolução popular, concedessem a todos eles ti possibilidade de se transferirem para o céu. garantida pela mumificação e pelos encantamentos mágicos. Depois disso, tudo retomou mais ou meDOS ii sua posição original.

Contudo, procuram-se em vão restos visíveis da cidade eglpcia compara­ veis àqueles que se encontram já em 2500 a .c . na Swneria, embora as pirâ­ mldes sejam antigas e rilais inabalavelmente permanentes. Um estudjOS() con­ temporâneo chegou mesmo a dizer, talvez lambendo os beiços, que a cidade egípcia não existiu até 1500 a,C, Essa afumação representa nio tanto um desafio às novas escavações como um apelo por uma definição de Cidade TJl3.1.S

talvez

explique

hieróglifo

Isso

significa cidade, que, de outra

o

que

FORMAS E MODELOS ANCESTRAlS

adequada do que aquela que os urbanistas e sociólogos por muito tempo têm

mantido como satisfatória.

Em verJade, a pnncípio não se encontra no vale do Nilo a cidade arque­

típica da história, a cidade murada, solidamente delimitada e protegida por

baluartes, construída para a pcmlanência. Tudo, no Egito, parece ter encon­

tndo uma forma durável, exceto a cidade. Os templos de Luxar e Carnaque

têm mostrado seus portentosos contornos em todos os tempos históricos: as

grandes e pequenas puâmides são ainda visíveis, embora a moda das pirâmides

tenha florescido e morrido quase tão rapidamente quanto a moda das compli­

cadas fortificações em forma de estrela do fun do Renascimento. Não faltam

estruturns independentes que testificam a magnificação universal do poder, ao

ter início a civilização: obeliscos, majestosas vias processionais, colunatas,

esculturas de grnnilo e diorito, de dimensões enormes, tudo isso testemunha

a espécie de vida que esperamos encontrar na cidade. Esta, porém, é transitó­

ria. Cada faraó constrói sua própria capital, sem o menor desejo de continuar

a obra de seus antecessores ou de engrandecer sua cidade. Seu lar urbano é tão

exclusivo quanto sua sepultura, talvez pela mesma razão egoistica. Até onde o

mesmo sítio geral é respeitado, como em Tebas, o crescimento se faz por uma

espécie de frouxo adicionamento suburbano.

Todavia, certamente, se não me engano em pensar que a arte monu·

mental é uma das marcas mais seguras da existência da cidade clássica, a

cidade "existe" de maneira inescapável. Podemos inspecionar de igual forma

todas as instituições acessórias especializadas da cidade, nos pequenos modelos

de madeira tirados dos túmulos: o açougue, o barco, o estabelecimento do

embalsamador, a padaria; e de certo, templos e palácios em escaJa muito

malar, mwto antes de 1500 a.C, Também devem ter existido centros visíveis

de

controle,

pois

a

função

do

Grão·Vizir

começou

a existir

já na Quarta

Dinastia;

era

ele

que

servia

como

primeiro juiz,

chefe

dos

arquivos e do

tesouro, prefeito do palácio, isto é, governador militar da cidadela. Tudo isso

são funções cívicas locais.

Ora, se a cidade, na mesma forma arquitetónica que encontramos na

Mesopotâmia, não pode ser descoberta antes do período relativamente

remoto de Tel�I·Amarna (princípios do século XlV a.C.), isto talvez ocorra

porque a cidade murada, no Egito, foi uma forma anterior, cujos traços mili­

tares desapareceram tão logo os grandes faraós haviam estabelecido uma

ordem universal e um comando unificado, apoiado principalmente na crença

religiosa e no apoio voluntário, antes que na coerção física. Essa ideologia

predominou em lodo o vale do Nilo. b certo, mostra H. W. Fairman, que

durante O período de Negada II, existiam cidades .com muralhas de tijolos

circundantes. Nas paletas de pedra dos últimos tempos pré-dinásticos e pri·

meiros tempos dinásticos, as cidades são mostradas como círculos ou ovais,

rodeadas por fortes muraJhas e muitas vezes dotadas de fortificações.

o EGITO E A CIDADEABERTA

.J

forma,

seria

inexplicável:

hadas)

um recinto

oval ou circular,

cUjas encruzilhadas fse

encruzil

dividem a

cidade em quatro

bairro!. Se este, na reabdade,

um plano

simbólico,

seria

o melhor símbolo passivei para as Cidades clássicas.

O

fato

mostra

de

que

este sinaJ

foi

usado desde os

primellos

princípIOS

da CJCnta

uma

origem ainda

mais antiga;

na verdade,

a

forma

circular, em II.

mesma,

mente,

tornaria

nas

provável

uma data remota, embora

mais tarde

fosse re�t1da, apartnte­

cidades hititas de

e embora se encontre um modelo

semelhan te nos

Superior,

entre

primeiros

Latópolis e

vasos pré·dinásticos.

A cidade de EI

Kab,

no Egito

Hieraconópolis, encontra·se em uma 4rea oca em

túmulos,

muralha

ao redor

da

de

de

Quinta

e Sexta

Dinastia.

A

cidade

maior,

envolvida

em wna

aproximadamente

490 metros

de lado,

provavelmente floresceu

1788·1580 a.C. Mas

essa muralha

vem cortar a de uma cidade

maIs

primitiva,

na fonna de

uma ovaJ

ou de um

círculo, protegida por um

duplo morro.

Tanto a

forma quanto a

data são

significativas.

Na Mesopotâmia, cada cidade constituía um mundo separado. No Epto

faraónico, provavelmente, as cidades não detinham uma pute tão grande da

população: as funções da cidade - cerco, reuru3"o. entremlstun - eram de­

sempenhadas pela própria terra. O deserto e a montanha constituíam a "mu­

provinciais ou totêrnicos formavam as "V1Zinhanças". e 01

ralha", os grupos

túmulos e templos dos faraós serviam como "cidadelas" de outro mundo. Era

o próprio faraó, nlIo a divindade familiar da cidade, que encarnava a comuru­

dade: seus poderes divinos impregnavam todo o reino. Mas, no período pri·

·dinaslico e nas duas grandes recaídas no localismo e dtspers50 feudahsta, se

adotamlOs o relato de Jacques Pirenne, as cidades eram entidades destacadas e

aUlOgovernadas, cujos cidadãos estavam livres das restnçOes da 5emdão, elam

capazes de ir e vir à vontade e conduzir negócios paruculares - pelo menos DO

E&lto Jnferior. Estranhamente, essa "recaída" na autononua corre paralela. de

mUito perto, a uma fuga semelhante ao controle central e a ll.TIU eJtpreSllo

semelhante da independência municipaJ, ocorridas na Idade Média europtia.

após o colapso do Império Romano do Ocidente.

Não é possível, então, que o próprio êxito do wtema rehgioso-pohtico

a necessidade do centro mundo !.le

controle? O triunfo das primeiras dinastias em eJaboT1lt uma forma rtllposa

faraônico,

depois

de

Menés,

afastasse

de governo, centralizado num rei que era popularmente aceito como wn deus

VIvO, mudou os problemas da construção de cidades. de doa) maneiras: elmu·

nou 3 necessidade da proteção exterior, como um mela de coerç(o e controle,

e coou um tipo singular de cidade, plenamente desenvolVido :a�nas no Egllo

a cidade dos mortos. Ao redor das pirâmides centrat11k Giz . enoontramo.

em

ftletias ordenadas, em ruas e transversais; as mastabas dos nobres tem mesmo

I aparência de casas. Com um investimento t.io pe,a!.lo na permàJ1�nC1a ne a\

um verd:adeiro núcleo

urbano de cadáveres, com as sepulturas colocada

homens

estimulavam

sua própria vitalidade e a de ru3$ colheitas e

os

que

FORMAS EM ODELOS ANCESTRAlS

estruturas monumentais, pouco admira que a cidade dos vivos não tivesse os

meios bem como talvez a vontade de tomar forma mais durável.

Nessa teologia invertida, os mortos ganharam precedência sobre os vivo;

e o que se seguiu a partir daí foi que o camponês leve permissão para

e pequena cidade de mercado, e, para as necessidades

habituais da vida, bastava a cultura de a1deia. Muito embora essa civilização

produzisse documentos escritos e monumentos em abundância. sua prove­

niência era restrita às classes dominantes. Com exceção das ocasiões dos

grandes festIVais. que arrastavam grandes massas de povo para as grandes

comunidades de templo, como Abidos, não havia necessidade de arrebanhar

aquela dócil e satisfeita população de aldeia em portentosos centros urbanos.

conll­

nuar

em

sua

aldeia

.

Felizes com seus deuses secundários e seus deveres menores, no campo, em

casa, na povoação, animadamente aceitavam o benéfico domínio do faraó. Se

seus funcionários recolhiam uma porção da colheita, também mantinham em

ordem o sistema de irrigação e redefiniam as fronteiras dos campos entre

aldeia e aldeia, após a inundação anual. Essa lei e ordem, afmal, garantia

maior prosperidade para a crescente população.

Até que os senhores feudais, em suas fortalezas locais, e mais tarde, os

invasores estrangeiros, desafiaram a monarquia central, o poder político

passou além dos limites da cidade e não teve nenhuma neessiade mYitar.

As próprias capitais reais continuaram a ter um ar temporário e unproviSado:

apenas o túmulo e a cidade dos mortos eram construíos para ocupaçã

permanente. Ainda mesmo em 1369-1354 a.C., a nova capital, Aquetaton, fOI

habitada por apenas dezesseis anos. Mas as cidades de templos, como Mênfis,

continuaram sendo uma comunidade sagrada durante mil e quinhentos anos.

Se, entre as cidades do período pré-dinástico e início do período dinás­

tico e aquelas do Império não havia muralhas, existiria algum outro modo de

organização que produzisse as misturas e intercâmbios da cidade encaixad

em pedra'! Sob que forma, se alguma, existiam essas funções urbanas, depOIS

que foram unificados o Egito Superior e Inferior'! r possivel falar, em tal

situação, de uma implosão urbana, mais que de uma estrutura urbana?

Até aqui, ao analisar os componentes da cidade, acentuei a função

essencial do recipiente fechado, que concentrava os agentes sociais e lhes dava

um campo circunscrito que promovia o máximo de interação. Mas a cidade

não é meramente um recipiente: antes que tenha algo a conter, deve ela atrair

as pessoas e as instituições que dão seguimento à sua vida. A este aspecto da

vida na cidade, Ebenezer Howard apropriadamente aplicou o tenno ímã; e

esse termo é ainda mais util na descrição porque, com o ímã, associamos a

existência de um "campo" e a pOSSibilidade de ação à distãncia, visível nas

"linhas de força social", que atraem para o centro partículas de diferentes

naturezas. A religião organizada desempenhava tal papel na cidade de antiga­

mente porque constituía a melhor parte da vida; aliás, era por meio da religião

.

OEGITOE A CIDADEABERTA

97

e era através da

animais;

imortalidade

imputada

aos deuses que o homem era

do

encoraja

a tomar

medidas

própria

que assegurassem a

imortalidade,

sua

o faraó,

primeiro

porque também

deus,

era

um

o tempo, todos 01

mas,

com

homens

que

obedeciam às

leis,

às cerimõruas

assistiam

e tratavam

um;

com

os

outros, no espirita

de Ma'at, com ordem ejustiça.

percebemos

Aqui,

diferença significativa

uma

entre o antigo Egito e a

Mesopotâmi a. Na

Mesopotâmia,

o rei

nao

um deus

próprios deuses,

era

e os

com

exceçôes,

não eram nem amorosos, nem sensatos, nem admiradores

raras

da

física:

virtude

na verdade, mais

de

um documento refere-se

à unpo

ibili­

dade

agradar-Ules ou

de

de esperar, pela

boa conduta,

conquistar

favor

seu

palavras

As

"insegurança"

e "intimidação" achavam·se escritas em toda

a história

mesopotâmica:

a própria

escola mantinha

funcionário com

um

um

açoite

para

a ordem.

manter

Essas práticas

deixavam impressão em

todu

u

da

vida, em

repetidos atos de

partes

crueldade

e violência.

alcançaram

que

certo

clímax de

cruel ferocidade

com

asslOO Assurbarupal.

o monarC3

Os

próprios

poderes

cósmicos, longe

de

dotar os

das virtudes

governantes

mais

humanas,

sancionavam

uma norma de terror,

a tal

ainda no tempo

ponto que,

de

Hamwabi,

o

próprio código

de direito

pelo qual ele se

célebre

tomou

continha

lista

interminável

de delitos, muitos deles

uma

triviais, puníveis com

a morte

ou

mutilaç:l:o,

a

segundo

o rigoroso

princípio do

olho

por olho ou

dente

por dente, com

acréscimo, às vezes, de

alguns outros órgãos

com lastro.

Mesmo

sem o

incessante romper da

guerra, havia uma corrente

profunda Je

terrorismo e

punição

sadística

tal

regime, semelhante

ã que

em

tem sido

Icssuscitada nos Estados totalitários de

nossos próprios dias, os quaIS guardam

de semelhança com

tantos pontos

aquele absolutismo arcaico.

Em

1.a15 condi·

ções,

as

necessárias cooperações da vida urbana

exigem 3. constante aplicaçfo

do

tes

poder de polícia e a cidade passa

se acham

sob

a ser uma espécie de pnslo cujos habitan­

constante vigilância: um estado não meramente sunbolizado

efetivamente perpetuado pela

mas

muralha

da cidade

e pelos

seus portões

gradeados.

 
 

Dois

grupos

de

divindades

destacavam-se acinla do

resto do panteão

egípcIO:

Rá e

Osíris, Ptah

e

Hator,

o benigno

Sol

e as forças

de fertilidade e

de

Ioda

sorte de

criatividade.

No Egito,

em consequéncia. o

imã, o centro de

atração

e aspiração, parece ter predominado

desde os mais remotos momentOs.

\bre

o

recipiente

de natureza

mais compulsiva; e isso talvez e)\.plique as Me­

rentes formas

que a cidade ali assumiu.

Havia, ao mesmo tempo.

wna urudade

externa

e

interna

na

vida egípcia.

A despeito

das diferenças entre o Nilo lnfe­

nor

e

Superior,

 

o

vale

inteiro constituía uma só umdade. com uma tatU

quase

uniforme de

vegetação, céus serenos, um

ciclo climático previsivel. wn;!

almosfer

dlt'gar à

benigna.

Tinha-se

a

lembocadura. ou

que flutuar

do

apenas

rio pau

corrente

com a

cnfunar

velas.

logo estas

foram inventadas.

tão

as

Eglto,

e contragolpes: no

natureza, enfrentando golpes

necessário desafiar a

felici­

na medida de

seria

para garantir que

era suficiente

um ano

submeter-se

interior, simplificaram

harmonia estática, esse profundo equilíbrio

dade. Essa

a civilizaçã

trou era

técnicos que

poderes

de controlar

o problema

os novos

acompanhada por uma urudade fite·

a uniformidade exterior

a vida:

era

para

realmente dócil e afável.

uma unanimidade

rior, por

da vegeta·

atributos do Sol,

os amigávcis

faraó encarnava

Como deus,

o

assinala, tano o

3000 a.C., Oreasted

e, já em

da fertilidade animal:

ção viva e

Ra,

de

atnbutos

.

tornado

o

"compreensão"

tinham-se

"dominio"

como

a

Para tal

de quatroccntas divindades

que continha cerca

vasto panteão

de um

.

deus

de um

V1VO em seu

quando a

tão facilmente

presença

se conseguia

-

para

subir

o

rio,

geralmente

FORMAS E MODELOS ANCESTRAiS

favorecido

pelo

vento.

Na

Mesopotâmia,

�

era

.

deus-sol,

que,

de

uma forma ou de

outra, hnnou·se

o membro

prcS-idente

governante, o

templo desempenhava

um papel mais importante

que o

quando a

c

��

tel . o

e a guarda armada. Por

que seria necessário o terrorismo,

bedlcnCI3

meio garantia

a 3bundância e

a segurança,

a ordem e

a regularidade,

no outro'?

neste mundo e pelo menos uma imortalidade vicária

a justiça

8. De Centro Ce rimonial a Centro de Controle

Depois da Sexta Dinastia, quando começou a derrocada do poder centralizado

e um período de separatismo feudal, houve notável ausência �� tensão, se

considerarmos a formidável organização burocrática e paramilitar que era

necessária para cobrar impostos, mobilizar a mão-de-obra e construir os

grandes túmulos e templos: em suma, para govcrnar um país de talvez três

milllõcs de habitantes. Se existiu a "guerra", entre a ascensão de Menés e a

invasl[o dos hlcsos, coube-lhe um papel de pouca importância: tanto isso é

verdade que a ausência de muralhas ao redor das pcquenas cidades e aldeias

não seria. repito, uma surpresa. O que passava por guerra eram gigantescas

assalto, unilaterais, em busca de malaquita negra, cobre, ma­

expedições de

'

de ira e ouro.

A unidade que os povos mesopotâmicas alcançaram apenas por meio da

coerção ativa da cidade, os egípcios a conseguiram como um dom da natureza

no vale do Nilo. Como se assinalou anterionnente, a própria região tinha os

caracteres de uma cidade murada, pois a montanha, o deserto e o mar, durante

longo período, serviram como baluartes e mantiveram os egípcios virtual­

mente livres da invasão. Essa uniformidade e harmonia talvez expliquem as

outras

qualidades duráveis da civilização egípcia: mesmo depois que encon '

trou períodos de decadência social, tal ocorreu para voltar às mesmas insti­

tuições, sob a mesma liderança religiosa e política que havia conhecido em

seu período formativo. Sob tais condições, a própria cidade naturalmente

OE CENTRO CERJ/tfONIAL A CENTRO DE CONTROLE

,.

tomo

u

uma

diferente

era

um

e

forma,

mais

aberta, mais

amplamente difundida

e.n· talvez 51mbohca. nl0 sena mUito E. apenas IC murada como. cidade que !e
e.n·
talvez
51mbohca.
nl0
sena mUito
E. apenas
IC
murada
como.
cidade
que !e

carac­

cialmen

te,

rio,

mente

diferente

centro

sem

cerimonial, um complexo de

muralhas

por

um

grupo

de

cerimoniais e

de

aldeias.

templo, paláClO, orató­

provavelmente

fechado

no sentido militar, embora

Isto

rodeado

centros

dos antigos

governamentais mala!.

wna

limitada

área

considerás semos

marca

critica

da

a

aberta o título

Ora, é

deve

uma

trozer

densa

cidade

ocupação

antiga,

poderíamos negar a

essa formação urbana

de cidade.

precisamente

claramente

a defmição ultraparticularizada da

à baila:

congestionamento, grande número de pessoa!,

acidentais e não essencialS da cidade

muralha

circundante

são caracteres

embora

o

crescimento

da guerra

na realidade os tenha transformado em

terísticas

urbanas

Cidade

não é

tanlo

dominantes

uma massa

e

persistentes,

quase

até

a

era

presente.

A

de estruturas como

um complexo

de

funções

IIlter·relacionadas

e em

constante interação

- não

exclusivamente

uma con­

centraçã"o de poder, mas a polarização das culturas.

Como observava Morley a respeito do relato feito por Landa sobre um

novo centro de império entre os maias, é claro que "está descrevendo uma

Cidade, mesmo no sentido moderno da palavra. Duas importantes düeren�.

entretanto, devem ser admitidas: primeiro, os cenuos maias de populalj.;iO nfo

eram tão concentrados nem tão densamente apinhados em quarteirões conges­

uonados como nossas modernas grandes e pequenas cidades. Pelo conlrano,

eram espalltados por amplos subúrbios de população menos densa, locando-se

em pequenas formas contínuas - um tipo suburbano de ocupaçlo. em ";00-

Iraste com um tipo urbano densamente concentrado. Segundo, os conJunto�

de edifícios públicos, templos, santuários, palácios, pirâmides, mosteuos. ,alões, plataformas de dança, não se achavam geralmente tjjsposlos ao longo

Em vez disso, os edifícios eram erigidos ao lado de

pátios e praças que constituíam os recrntos religiosos e as seçõcs governamen­

tais c de comércio da cidade". Com essa interpretação mais ampla da cidade.

estou de pleno acordo; o núcleo social é mais significativo que qualquer manjo

fe�tação física particular, pois, aqui, os propósitos humanos ideais prevalecem

.>Obre os agentes e meios preparatórios .

Todavia, no período posterior de seu desenvolvimento, o tipo de muro

que se encontrava na cidade mesopotâmka parece ter tomado lugar tanlo

entre os egípcios quanto entre os maias, pela me5f1la razão. Pedro Amul1as

mostrou que a crise que parece ter-se desenvolvido na sociedalle meso-amen­

cana por volta de 900 A.D. resultou na mudança de um padr30 lC'ocráltCO

de nlas e avenidas. (

)

para um padrão militarista secular, "no qual a religião era alllda uma poderosa

secular, "no qual a religião era alllda uma poderosa f () r � a d e

f()ra de controle social, mas os sacerdotes se achavam numa pOSição subord.l·

nada em relaça-o ao poder temporal e havia uma mudança correspondente no

modelo de agrupamento". Antes da crise, quase lodos os SIUO:. conheCidos

o elogio da cidade de

ramos

Ramsés:

100

FORMAS E MODELOS ANCESTRAIS

ef3m em terreno aberto, sem quaisquer meios naturais, e aparentemente até

sem meios artificiais de defesa. Isso explicaria a existência de uma "cidade"

funcional num modelo aberto mais poroso, com um lugar mais amplo para

a aldeia e com um modo de vida mais pacifico e presumivelmente mais

cooperauvo.

Uns bons quatro mil anos e um pedaço de caminho equivalente separam

as cidades maias das antigas cidades egípcias dinásticas.

Até agora, apenas wna

ser estabelecida. Ambas floresceram

inicialmente sob uma segura ordem política, na qual a guerra estava ausente

ou quase ausente, onde a força era minimizada e o monopólio do poder

sagrado e dos conhecimentos mágicos pelas classes dominantes, os nobres e

sacerdotes dotados de múJtiplos privilégios, foram aceitos sem séria oposição,

durante um longo período. Sob tais circunstâncias, a minoria da cidadela não

tinha necessidade de proteção contra as aldeias vizinhas: populosas, potencial­

mente mais fortes, porêm submissas. Se tais condições tivessem sido universais,

a cidade aberta poderia ter sido sempre o tipo predominante: aberta, mas

ainda, em suas coesões e interaçôes, em suas potencias c criatividades emer·

gentes, uma cidade verdadeira.

ligação vital entre as suas formas pode

Vale o mesmo para a genese da cidade egípcia. Todos os elementos

especiais que a civilização colocou em operação se achavam presentes desde o

princípio: contudo, no início, mantiveram·se juntos talvez não por meio de

muralhas urbanas separadamente levantadas, mas peJas muralhas naturais

comuns, ao redor do país inteiro, polarizados como eram não apenas pelas

muitas divindades e sacrários, locais, mas pela presença única do Divino Faraó,

numa espêcie de monoteísmo político que antecedeu qualquer credo religioso

da mesma natureza. Em suma, o ímã era mais importante que recipiente, por·

que a suposição religiosa era mais persuasiva, cm contraste com as pressões e

coerções seculares da Suméria e Acádia. Isto talvez fosse acompanhado não

só por certa libertaçâo da inquietação neurótica, mas por um abrandamento

da tensão psicolÓgica. Naquela atmosfera de relaxamento geral, naquela dimi­

nuição do impulso ambicioso, a antiga cidade egípcia poderia ser mesmo

chamada de suburbana; ou poderia ser mais correto, bem C0l110 mais carita·

tivo, dizer que conservava, a despeito de suas imensas magnificações físicas.

a piedosa confomúdade e o caloroso senso de vida da aldeia.

Com o tempo, as m3J.S típicas formas da cidade começaram a aparecer

no Eglto, e provavelmente Pierre Lavedan tem razão, ao pensar que a mesma

regularidade de plano e a mesma orientação de suas ruas principais caracteri­

zam tanto a cidade secular quanto a austera cidade dos mortos, como as de

Gizé e Saqqarah. A planta retangular, tal qual a encontramos em Tel·el·

·Amarna e Kahun é, quando muito, uma adaptação negativa ao clima: com as

largas ruas de Tel-eI·Amarna a rua do Grande Sacerdote, provavelmente

DE CENTRO CERIMONIAl. A CENTRO DE CONTROLE

101

uma via processional importante, tinha cento e oitenta pés de largura - havia

máxima exposição ao tórrido sol.

hJ.via

Mas, se

era

a religião um dos motivos dessa espécie inflexlvel de ordtm.

ainda

outra

razão mais

prática,

que

seria

repetida

mais

uma vn

nas

l,;ldaJes de colonização grega e romana, nas bastilhas medievau e n31 cidade·

Zlnhas pioneiras norte·americanas: a velocidade e a mecanizaçio. Alexandre

Mortt chegou a descobrir uma politica de "Cidades Novas", com cartas de

privilégio, no Antigo Império. A construção de cidades, no tempo dos fara!},.

era uma operação rápida, de uma única fase: um plano geométrico

era

condição de construção rápida. ainda mais porque as principais povoações,

senão as cidadelas, erguiam·se em terras planas. As plantas mais orgánicas, que

representam as necessidades e decisões, de desenvolvimento mais lento. de

mUitas gerações, exigem tempo para chegar à sua riqueza de rorma maiS sutil

e complexa.

Deve ter havido uma ordem diferente de planeJaJnento nas cidades do

antigo reino, que ainda pontilhavam a área administrativa chamada /1Qmt.

equivalente ao condado ingles, com suas aldeias, suas pequenas cidades. sua

capital governamental, onde se localizavam o coletor de impostos, o gover.

nadar local e o juiz. Possivelmente, aquelas capitais governamentaIS eram

relíquias das fortalezas feudais, cujo crescimento acompanhou a dispersão da

após o reinado de Unis: con­

autoridade centralizada, por volta de 2625 a.C

tudo, em alguns casos, podem ter sido novos centros especialmente construi'

dos para a administração. A sugestã"o de Childe, de que o nome, em grande

parte, toma o lugar da cidade, no Egito, não pode ser posta de lado; esse

modelo aberto de comuna, conhecido na Nova Inglaterra, talvez seja a versão

simbl6tica da cidade: uma alternativa viável para o tipo predatóno, que surgiu

com a guerra e os recintos murados. Assim, deve ter havido diferentes graIU

de

ordem e

regularidade nas

cidades egípcias, mesmo

quando havia

graus cer­

tamente diferentes de magnHicência monumental. Mas, com todos os desa·

cordos que possam restar entre os egiptólogos quanto à origem e natureza da

cidade egípcia, parece-me claro que todos os elementos da implosJo urbana se

achavam presentes e que a cidade, numa ou noutra fonua. desempenhava sua

funç40 especial, a de um complexo receptáculo destlOado a elevar ao má.x.uno

humano e de

as po�ibilidades de

intercurso

passar adiante

o conteudo da

cl

ihzação.

Por ocasião da Décima Nona Dinastia (135()'1200 a.C.). a falta de matt'.

naJ arqueol6gico não nos será necessariamente incómoda. pOIS não ha dumiJ

da eXlsténcia da cidade. Ainda mesmo nesta época, entretanto, e>.a1a ela uma

rragrâ

ncia

terrena

que dá

testemunho

do seu

fundo

rural florescente. COnslde·

"Alcancei Per-Ramsés e o encontrei em condições multo boas. wn belo

102

FO RMAS EMODELOS ANCESTRAIS

DE

CENTRO

CERIMONIA L A CENTRO

DECONT ROLE

IOJ

distrito, sem

igual, segundo

o modelo

de Tebas.

Foi

ele

próprio

lRá,

que o

mentos, um

fato maior começa

a aparecer: dois modelos arquetíplcos contras­

fundou}.

bom;

peixes.

tantes

Oriente

teza;

poderes e

que

do

nome

Num.

�ão, se

moderavam

da

Esses contrastes diametrais,

de vida

urbana

Um

parecem ter

expressava

pelo perigo e

sido

formados nos grandes vaI" di! rios

outro t.empestuQU,1ncer

"A residência

é [cheio)

de

seus lagos

é agradável

suprimentos

de aves.

Seus

melões

c

à vida;

seu campo é

todos

os

cheiO

.

de tudo o

que

de

é

Próximo.

calma e confiança,

alimentos

dias, suas

relva;

)

suas

lagoas

um, atordoado

pela ansiedade, amontoava 01 símbolos dos

a dutinda �Ies

na bcndidnclI do Sol c

ordtm em

prados

são verdejantes e

nas areias.

(

marens

se

fortificava com

pesadas muralhas, para manter

o

o mal"; o

outro, confiando

ano

seria

igual ao

a morte com

nücleo de

objeto; noutro,

produzem tâmaras; seus

são abundantes

chegam

doce vinho

do

das águas

Seus celeiros

"estavam planejando

Pai Nilo,

são [tão] cheios de cevada e milho (que]

destinam-se

azeitonas, os

ti

alimentação bem

figos

do pomar, o

que

o mel,

o rubro

peixe

wedj

nores de

loto,

o

peixe

bedi"

morar

e não

ninguém

que

é pequeno

é igual

Isso

nada diz

como

p

rto do céu. C:bolas c alos

.

as romas,

as maças

e

elhor

-

do Egi to,

da Residncla,

)

.

,

e motivo

que é

�� e

VIve de

de Jubilo nela

,

Dentro

dela o

acerca do

um alto

sabendo que um

e

entronizava

rígído

seu

outro, Impunha a

os

a alface do Jardim,

de Ka

da justiça

a

cidade

destruiu

as alegres

poder que, por

velllmentas da

aJ'

pTÓpna

da

nch

formava

expio­

aIdrg

à diJposiçIo

canal da Ciade

de Han.

(

bem como

rituab orginicos

e humanizavam todas as novas forças que se achavam

naquela

cidade,

sob

o

Camponês Eloquente

novas máscaro5, existem

começar,

a

herança

sistemas de

urbana

em toda

que diga:

'Será certo?', diante dela.

da cidade

e muito

civilização:

Assim,

os

dois

ainda leria OI.Mdo

ainda

as

dlrnenças

mwUS

ao grande".

a respeito

por

da forma

mostrar

não

pouco

de

se bifur�ou, e

conteüdo social, exceto

nível

de

bem-estar

religiosa

quanto

quando

que

talvez

a forma

e

de

pelo menos

desligados

incomparável

a possibilidade

da

própria

êxito do

f?rça

.

ao

grandes

entre

\'ezes disfarçadas,

achavam abertos

sado a

da

Não constituíam

O primeiro era

da comunicação e

ciação orgânica, de

que

era

o tempo, à

violência.

vales permanecem vlSlvcis. embora

urbana.

Na

satisfação,

homogeneidade

Estado egípcio

a Frankfort,

.

esmo

a história

verdade, doIS carmnhol

explique tanto

da

o

ao desenvolvimento

escollias absolutas,

o caminho da

da cultura, tão

logo esta havu. ultrapu­

aldeia

ou o

elti,Q
elti,Q

peculiar

cidade egípcia. Tudo isso

eram comuns

uma divisão

diante

fase alcançada na

ou,

para falar

comunidade neolítica:

em

termos biológjcos,

o estJJo da

acentua que

a

existência

"todos

do trono

de

classes

da cidade.

ASSim,

cidadela;

o simbíótico e o plt:Jatóno

para diferente

mutua

Jlreç6eS.

acomod.açlo

ass0-

na cidade,

qual se

que

hierárquica

e funçoes, da

não imped ia

mas apontavam

derivaram muitas das diferenciações estruturais

pelo

menos

se sentissem iguais

cooperação voluntária. da

de aldeia

inquietações, transfonnav3

os pequenos

aos grandes e talvez até regis­

.

apareceu

que

Egito

antes

tenha havido um

no

do entendimento mais

uma natureza mais

pela

comunidade

amplo: seu Jesultado sena umJ

complexa,

e suas

num plano

terras p.ównas_

l1U.l

modo de expans!o.

trassem

sua aprovação pessoal àquela mesma grandeza.

Para

resumir: provavelmente, a

uma Pax

do poder;

cidade murada

ekvado

O outro

à impiedosa e'(plo�lo t. com

com lUa

a

a "nlIit­

em granJe pMte

grau !lfo

pr6pna 'Idade

o oferecido

o da

granJe pMte grau !lfo pr6pna 'Idade o oferecido o da da centralização dinástica longo período, sidade

da centralização dinástica

longo período,

sidade de

mais um

meio de

muito do

-ia, com modificaçOes,

Palestina até

des do

tuíram

controle.

muitas diferenças

nas

capital

dores,

a

em lugar

utilizaram

mais

admirável que a

é possível, porém,

relaxou

as

dominação

predatória, conduzindo

sendo

que o

Egyptiana, que

tensões internas e

a neces­

a aparecer, era

um

dos hicsos,

debilitação parasitária,

seus

conflitos,

dos

suas

proteção externa. Quando a

agente de

�efesa

comum

tornar efetiva

a coerção

cidade

contra

murada começou

os

invasores estrangeiros que

num Instrumento destinado,

çllo

dominou

como apropriadamente observa ('hildt

Esta segunda forma

local. Mas, a partir do interregno

e concentração

excedentes".

que aprendemos a respeito dessas

ao Egito, tal

os planaltos

iranianos

do

Indo mostra a

dos

índices

como se

e além. O

cidades mesopotâmicas aplicar·se­

aplicou

a outras cidades,

desde

quadro

apresentado

pelas cida­

consti­

no

das

o arqueólogo

notadamente, Assur,

planeja­

abstrato, ousadamente

seria

a arregimentação

ênfase

que

exagerada

a história urbana. atê

a nossa própria

época, e ex:plica, em

de

de

muitas manifestações alegres de

a pequeno, o enquistamento

Ora,

havia

grandes

brandos do

çáo

tnlpiedoso

mUitas das superiores funções

não

e

governo egipcio,

humana

e colapso

elementos

e havia

uma após outra clvlliz.J�·ão.

coerção, mesmo nos

e emocional,

mom�ntos mm

\.00:['(11

�Jb

o

m&.l1

vale

um

ordem inflexível e

urbana,

da implosão

com sua

enriquecimento

intelectual

mesmo

Em

Se conhecêssemos

mais detalhes, talvez

interiores

sítios

hitita

tivéssemos consciência

que

dos monarcas

nem

a forma

totalitários

da

cidade

egípcia nem

tinha

da Mesopotâmia.

caracteres

ambos os C"UJS.,

.\.iWTI

mm

paralelos

11 l\'f() t

UlqUteh

olsmn. Uni

um sbtnna de

vivificantes,

exteriores,

e

irregulares -

foram promovidas e ampludas.

a

mesopotãmlca,

poiS

o

que

tendrnci,

pru\oca'ram

para

tipo

apreende

vellia

cidades construídas em

o

da

Assíria, ou a

de

cegamente se

terreno

para

criar

de

Durham

demos

depois que

capital

de Boghazkõi, onde os

era pura

cooperativo de

perlurbadores

autofrustração,

ções

cultivo

agrupamento 10caJ

com

ao

as

sociedades

passo

que,

de

compulsõcs

dos aspectos

aterem a

uma silhueta

medieval, na

o desconto de

um esquema

insetos, na sua

que, provavelmente,

Inglaterra.

numerosas variações

não

nas comunidades mais mutllldas pelu

agressivas,

mais

irracionais, havia. ainda

da vid:J.

cnanJo

posiuvO$

neuróticas e

suficiente

Mesmo

e afasta-

104

-

FORMAS EMODELOS ANCESTRAIS

direito e de ordem, com obrigações recíprocas, e desenvolvendo certo grau de moralidade para os moradores, muito embora um número crescente desses moradores fosse de escravos, capturados na guerra, ou continuasse sendo dos habitantes acuados das aldeias, compelidos, sob ameaça de fome, a trabalhar como escravos. Vale o mesmo para as forças que, nas fases iniciais da civiliza­ ção, acarretaram a existência da cidade. Em breve faremos uma apreciação provisória dos resultados culturais.

166

EMER ctNCIA DA P()Ul

mesma coisa. A real força da cidade grega era de outra ordem: 050 sendo nr

por

demais pequena

nem por demais grande, nem por demais rica nem fk'

dem3.1s

pobre, impedia

que

a personalidade

humana

se tornasse

anl' em

VI. ,

de

os

seus ppriOll

produtos

coletivos,

agentes wbanos de

cooperação

e

ao passo que utilizava plenamente

tod,

comunhão.

Nunca qualquer

cidade .

rOi

maior que

fosse, abrigara

e incetivara

uma multidão

tão grande

de

perSOn al

dades enadoras. como as que

se juntaram em Atenas durante talvez um

st!culo

E

este

o

fato

mais

importante

em tudo

isso;

se,

porém,

nos

faltassem

<'t

documentos escritos, as pedras de Atenas não nos contariam a

história.

S. Paço Municipal e Praça de Mercado

Chegamos agora ao centro dinâmico da cidade grega; o ágora. A separar,.ao

entre o ágora e o recinto do templo, o humilde ponto de encontro das Iram

ções seculares e o altivo ponto de encontro dedicado ao sacrifício e ã oraç30

aos deuses, vinha ocorrendo quase desde o princípio. Na Grécia, essa sepatt

ção deu-se mais depressa que na Mesopotâmia, pois, em épocas pós-hom�ncu