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Cursinho Popular de Tracuateua, julho de 2009. Prof.

Hamilton Brito (“Lewis”)


Etapas do desenvolvimento embrionário humano até nidação e anexos embrionários

O desenvolvimento embrionário
O zigoto é portador do material genético fornecido pelo espermatozóide e pelo óvulo. Um vez formado o zigoto irá se
dividir muitas vezes por mitose até originar um novo indivíduo. Assim, todas as células que formam o corpo de um
indivíduo possuem o mesmo patrimônio genético que existia no zigoto.

Apesar disso, ao longo do desenvolvimento embrionário as células passam por um processo de diferenciação celular
em que alguns genes são “ativados” e outros são “desativados”, sendo que somente os “ativados” coordenam as
funções das células.Surgem dessa maneira tipos celulares com formatos e funções distintos, que se organizam em
tecidos. Conjunto de tecidos reunidos formam os órgãos. Os grupos de órgãos formam os sistemas que, por sua vez,
formam o organismo.

Células – tecidos – órgãos – sistemas – organismos

Tipos de ovócitos
Os ovócitos se classificam de acordo com a quantidade de vitelo, ou seja, conjunto de substâncias nutritivas, que
serviram de alimentos para os embriões que possui.

Ovos oligolécitos:são aqueles que possuem pouco vitelo, distribuído de forma homogênea por todo o citoplasma.
Contudo há um leve acúmulo de vitelo em um dos pólos, que passa a se chamar pólo vegetativo. O outro pólo passa a
se chamar pólo animal. Animais com esse tipo de ovo são os mamíferos, anfioxos e equinodermos.

Óvulos alécitos:são óvulos semelhantes aos oligolécitos, mas não possuem vitelo. Este tipo de óvulo ocorre na
maioria dos mamíferos . Também é conhecido como isolécito.
Óvulos heterolécitos :são aqueles que apresentam vitelo concentrado no pólo vegetativo do óvulo. Esses tipos de
óvulos são encontrados em peixes e anfíbios.
Óvulos telolécitos :com grande quantidade de vitelo ocupando quase todo o ovo, ficando o citoplasma e o núcleo
reduzidos a uma pequena área, a cicatrícula ou disco germinativo, situado no pólo animal. Ocorrem em moluscos
cefalópodes, alguns peixes, répteis, aves e mamíferos monotremados.
Óvulos centrolécitos :são aqueles que apresentam o vitelo na região central do óvulo, ao redor do núcleo. Esses tipos
de óvulos são encontrados em artrópodes, tais como os insetos, as aranhas e os crustáceos.
Fases do desenvolvimento embrionário

Os animais apresentam grande diversidade de desenvolvimento embrionário, mas, de modo geral, em praticamente
todos ocorrem três fases consecutivas: segmentação, gastrulação e organogênese.

* Segmentação ou clivagem: A célula-ovo (zigoto) sofre sucessivas divisões originando células menores chamadas
blastômeros. A divisão da célula-ovo até a formação dos blastômeros recebe o nome de clivagem mesmo com o
aumento do número de células, praticamente não há aumento do volume total do embrião, pois as divisões celulares
são muito rápidas e as células não têm tempo para crescer.

Tipos de segmentação

Como nem todo ovo possui a mesma quantidade de vitelo, a divisão do ovo varia de um tipo para o outro ocorrendo as
seguintes divisões:

*Segmentação holoblástica ou total: ocorre em ovos isolécitos e heterolécitos. Embora apresentem o mesmo
tipo de segmentação, esses ovos possuem uma diferente distribuição de vitelo, o que permite deduzir que a
segmentação holoblástica é diferentes nestes dois tipos de ovos.

*Segmentação holoblástica igual : É a segmentação que origina 8 (oito) blastômeros na terceira clivagem, do
mesmo tamanhos. Ocorrem em ovos alécitos e em alguns oligolécitos. O óvulo possui pequena quantidade de vitelo e
por isso a clivagem ocorre por todo o ovo (holoblástica). Como o vitelo está distribuído de maneira homogênea a
velocidade de clivagem será a mesma por todo o ovo, formando blastômeros de tamanhos iguais.
*Segmentação holoblástica desigual : é a segmentação que origina, com a terceira clivagem, 8 blastômeros de
tamanhos diferentes. Os 4 blastômeros menores recebem o nome de micrômeros e se localizam no pólo animal e os 4
maiores recebem o nome de macrômerose se localizam no pólo vegetativo. Esse tipo de segmentação ocorre nos ovos
heterolécitos. A segmentação continua sendo holoblástica, porém como o vitelo está distribuído de maneira desigual, a
velocidade de clivagem também será desigual. O pólo vegetativo divide-se mais lentamente formando blastômeros
maiores. O pólo animal divide-se mais rapidamente formando blastômeros menores.

*Segmentação holoblática subigual: É um tipo de segmentação desigual em que os blastômeros não diferem muito
entre si quanto ao tamanho; ocorre em alguns ovos isolécitos.

*Segmentação meroblástica:ocorre nos ovos com bastante vitelo, como no caso dos telolécitos e centrolécitos,
apenas o protoplasma se divide, de maneira que a segmentação do ovo é apenas parcial. Distingue-se dois tipos:

*Meroblástica discoidal: é típico dos ovos telolécitos e atinge apenas o disco germinativo. Pode ser observada
na evolução do ovo das aves.

*Meroblástica superficial: ocorre em ovos centrolécitos dos artrópodes.As células embrionárias ficam
dispostas na superfície do ovo.

Fases da segmentação

Embora existam diferentes tipos de segmentação, eles normalmente se realizam segundo duas fases:
*Mórula, em que se forma um maciço celular com poucas células;A mórula é o primeiro estado de desenvolvimento do
embrião dos animais, depois do zigoto começar a dividir-se para formar uma esfera com 64 células.

Nesta fase, a mórula começa a formar uma cavidade central cheia de líquido, denominada blastocele, e passa a
chamar-se blástula.

*Blástula, em que é aumentado o número de célula e se forma uma cavidade interna cheia de líquido. A blástula é o
segundo estado de desenvolvimento do embrião dos animais, com mais de 64 células e uma cavidade central chamada
blastocélio. É nesta fase que ocorre a nidação.

A cavidade central que se observa na blástula recebe o nome de blastocele (cele = cavidade) e é cheia de líquido
sintetizado pelas células que formam os seus limites.

*Gástrula: o embrião (blástula) é uma esfera cheia de líquido, com um polo animal e um polo vegetal. As células
do polo vegetal começam então a dividir-se mais rapidamente que as outras e invaginam formando um espaço
chamado arquêntero (que significa intestino primitivo). Algumas células separam-se da parede e migram para o
blastocélio tornando-se células do mesênquima; estas células dividem-se formando filamentos chamados filipódios que
empurram o arquêntero para o polo animal. O arquêntero que, até essa altura era um tubo fechado, abre-se para o
exterior, formando a boca nos protostómios e nos deuterostômios o ânus do embrião. O humano é o segundo caso.

Estão assim formadas as três camadas do embrião:endoderme, ectoderme e meso-derme,

Na figura ao lado podemos ver uma estrutura chamada celoma.Tal estrutura


é a cavidade geral do corpo, que serve de espaço para os órgãos internos (vísceras).*Quando não há celoma, os
animais são ditos acelomados, como os vermes de corpo achatado - os platelmintos.

*Pseudocelomados: possuem falso celoma, assim chamado por não ser uma cavidade inteiramente forrada por tecido
mesodérmico. A mesoderme apenas reveste a superfície interna da parede do corpo, deixando de fazê-lo na parede
intestinal, como acontece com os vermes de corpo cilíndrico, chamados nemaltelmintos.
*Celomados: tanto a face interna da parede do corpo como a face externa da parede intestinal são revestidas por
mesoderme e a cavidade geral do corpo é, assim, um verdadeiro celoma - como, por exemplo, nos vermes
segmentados, nos artrópodes, nos moluscos, nos equinodermos e nos cordados.

,
Os animais que possuem três folhetos germinativos são chamados triblásticos ou triploblásticos como é o caso dos
cordados. Existem entretanto, animais que possuem apenas dois folhetos germinativos: o ectoderma e o endoderma.
,
Esses animais são chamados diblásticos ou diploblásticos como e o caso dos cnidários. Durante a fase de
mórula e a de blástula, o volume total permanece praticamente constante, embora aumente o número de células. A
cavidade central que se observa na blástula recebe o nome de blastocele (cele = cavidade) e é cheia de líquido
sintetizado pelas células que formam os seus limites. Nos ovos isolécitos e nos heterolécitos a blatocele é bem
desenvolvida. Na blástula originada da segmentação de ovos telolécitos, não se observa a verdadeira blastocele, pois a
cavidade formada não é inteiramente delimitada pelos blastômeros. Essa cavidade é delimitada em parte pelos
blastômeros e em parte pelo vitelo. Nesse caso, a cavidade formada recebe o nome de cavidade subgerminal que ,
também é preenchida por líquido sintetizado pelas células. A blástula que se forma a partir da segmentação de ovos
telolécitos recebe o nome de discoblástula.Em seguida, o embrião atinge a fase de nêurula. A passagem da fase de
gástrula à de nêurula é denominada neurulação. Compreende a formação do mesoderma. A partir daí, o mesoderma
induz a ectoderme a formar o tubo neural (também chamado de canal neural). Na nêurula, já se observa o celoma A .
conclusão do desenvolvimento embrionário se dá com o processo organogenético, isto é, de formação de órgãos.

* Organogênese
Durante a organogênese, ocorrem divisões e especializações celulares. Os três folhetos embrionários dão origem a
órgãos e estruturas do corpo do embrião, além dos anexos embrionários. Nessa perspectiva, é válido afirmar que:

*A ectoderme origina a epiderme e seus anexos (pêlos, unhas, cascos, chifres etc.), três mucosas corpóreas (oral,
anal e nasal), o esmalte dos dentes, o sistema nervoso (através do tubo neural), a retina, o cristalino, a córnea, a
hipófise, entre outros;

*A mesoderme, por sua vez, é dividida em epímero, mesômero e hipômero. O epímero forma o esqueleto axial, a
derme (tecido conjuntivo) e o tecido muscular. O mesômero, rins, gônadas e ureteres. Por fim, o hipômero, que origina
os músculos liso e cardíaco, além de três serosas: pleura (reveste externamente o pulmão), pericárdio (revestimento
cardíaco) e peritônio (abdome).

*A endoderme é o folheto do qual surgem o os alvéolos pulmonares e as seguintes glândulas: fígado, tireóide,
paratireóide; também é básica à formação do revestimento interno dos tratos digestório e respiratório.
Anexos embrionários
Anexos embrionários são estruturas que derivam dos folhetos germinativos do embrião mas que não fazem parte do
corpo desse embrião.

Os anexos embrionários são: vesícula vitelina (saco vitelínico), âmnio (ou bolsa amniótica), cório e alantóide.

* Vesícula vitelina

Durante a evolução do grupo dos animais, os primeiros vertebrados que surgiram foram os peixes, grupo que possui
como único anexo embrionário a vesícula vitelina.Diferenciando-se a mesoderme e o tubo neural, parte dos folhetos
germinativos desenvolvem-se formando uma membrana que envolve toda a gema, constituindo (membrana + gema) o
saco vitelínico um anexo embrionário, que permanece ligado ao intestino do embrião. À medida que este se
desenvolve, há o consumo do vitelo e, conseqüêntemente, o saco vitelínico vai se reduzindo até desaparecer. É bem
desenvolvida não somente em peixes, mas também em répteis e aves. Os mamíferos possuem vesícula vitelina
reduzida, pois nesses animais como regra geral, os ovos são pobres em vitelo. A vesícula vitelina não tem,
portanto, significado no processo de nutrição da maioria dos mamíferos.
*Âmnio e cório

O âmnio é uma membrana que envolve completamente o embrião, delimitando uma cavidade denominada cavidade
amniótica. Essa cavidade contém o líquido amniótico, cujas funções são proteger o embrião contra choques mecânicos
e dessecação. Ao final do desenvolvimento de répteis e aves, todo o líquido da cavidade amniótica foi absorvido pelo
animal.

O cório ou serosa é uma membrana que envolve o embrião e todos os demais anexos embrionários. É o anexo
embrionário mais externo ao corpo do embrião. Nos ovos de répteis e nos de aves, por exemplo, essa membrana fica
sob a casca. Nesses animais, o cório, juntamente com o alantóide, participa dos processos de trocas gasosas entre o
embrião e o meio externo.

*Alantóide

A alantóide é um anexo que deriva da porção posterior do intestino do embrião. A função da alantóide nos répteis
e nas aves é: transferir para o embrião as proteínas presentes na clara, transferir parte dos sais de cálcio,
presentes na casca, para o embrião, que utilizará esses sais na formação de seu esqueleto, participar das
trocas gasosas, o O2 passa da câmera de ar para o alantóide e deste para o embrião, enquanto o CO 2
produzido percorre o caminho inverso, e armazenar excreta nitrogenada. A excreta nitrogenada eliminada por
embriões desses animais é o ácido úrico, insolúvel em água e atóxico, podendo ser armazenado no interior do ovo sem
contaminar o embrião.