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ESCOLA SECUNDÁRIA DE FAFE – BIOLOGIA E GEOLOGIA – ANO II FICHA INFORMATIVA – TEMA:
ESCOLA SECUNDÁRIA DE FAFE – BIOLOGIA E GEOLOGIA – ANO II
FICHA INFORMATIVA – TEMA: REPRODUÇÃO – ANO LETIVO 2011/2012

OBSERVAÇÃO DE FENÓMENOS DE REPRODUÇÃO ASSEXUADA E SEXUADA

Reproduzir e assegurar a sua descendência parece algo intrínseco aos seres vivos. Perante a diversidade de organismos e de ambientes, foi necessário o desenvolvimento de estratégias reprodutoras variáveis que asseguram a transmissão das características hereditárias à descendência. As estratégias de reprodução são agrupadas em dois tipos: assexuadas e sexuadas.

REPRODUÇÃO DOS FUNGOS

Os fungos são seres eucariontes que podem ser unicelulares, como é o caso das leveduras, mas a maioria é multicelular. Os fungos multicelulares são constituídos por uma rede de filamentos ramificados designados hifas. Estas contêm citoplasma e núcleos e podem apresentar diferentes formas. As hifas dos fungos iniciam-se como formações tubulares a partir de esporos, ramificando- se repetidamente. Constituem assim uma rede mais ou menos densa de filamentos que formam um micélio. Em muitos fungos as hifas são septadas, existindo septos que delimitam compartimentos correspondentes a células. Se não existirem septos as hifas designam-se asseptadas, sendo o citoplasma contínuo ao longo do micélio, com centenas ou milhares de núcleos dispersos, por esse motivo estas hifas multinucleadas designam-se hifas cenocíticas. Grande parte dos fungos apresenta dois tipos de reprodução: reprodução assexuada e reprodução sexuada. A reprodução assexuada ocorre por vários processos: fragmentação, gemiparidade e esporulação.

processos: fragmentação, gemiparidade e esporulação. F IGURA 1 - Diversidade de estratégias reprodutoras nos

FIGURA 1 - Diversidade de estratégias reprodutoras nos fungos.

Na fragmentação o micélio pode dividir-se, originando cada fragmento um novo fungo. A gemiparidade ou gemulação verifica-se em fungos unicelulares, como as leveduras, e em alguns multicelulares. Nos seres vivos unicelulares, após a divisão do núcleo por mitose, forma-se uma pequena gema ou gomo, para onde migra um dos núcleos. Essa protuberância vai desenvolver-se, aumentado o seu tamanho, até se individualiza do progenitor, formando um organismo autónomo.

do progenitor, formando um organismo autónomo. A B F IGURA 2 – A . Reprodução de
do progenitor, formando um organismo autónomo. A B F IGURA 2 – A . Reprodução de

A

B

FIGURA 2 A. Reprodução de leveduras (Saccharomyces cerevisiae); B. Representação esquemática da gemulação em leveduras.

No processo de esporulação são produzidos esporos que são células reprodutoras especializadas. Os esporos formam-se a partir de estruturas haplóides do fungo, que podem ser esporângios ou então hifas especializadas. Os esporos formados por este modo são esporos assexuados. Existe uma grande diversidade de esporos que podem originar-se por processos variados. Nos fungos a reprodução sexuada ocorre, geralmente, quando as condições do meio se tornam pouco favoráveis, no entanto, este tipo de reprodução é muito favorável porque favorece a recombinação génica, contribuindo para a diversidade de fungos.

génica, contribuindo para a diversidade de fungos. F IGURA 3 – Reprodução assexuada e sexuada de

FIGURA 3 Reprodução assexuada e sexuada de fungos do género Rhizopus, onde se inclui o bolor do pão.

Os fungos são organismos em cujo ciclo de vida predomina a haplofase, formando-se núcleos diplóides somente em estádios transitórios da reprodução sexuada. Neste tipo de reprodução ocorre a conjugação entre duas hifas, geralmente pertencentes a micélios geneticamente diferentes, que se designam por estirpe (+) e estirpe (-) para se distinguirem. Pela fecundação formam-se núcleos diplóides que experimentam, mais cedo ou mais tarde, meiose, originando-se células haplóides, isto é, esporos. Estes esporos são dispersos e podem germinar se encontrarem condições propícias. Dividem-se mitoticamente, originando assim um micélio haplóide. O bolor do pão é um fungo que surge quando os esporos presentes no ar se depositam sobre o pão e germinam. A germinação dos esporos está dependente da existência de condições adequadas de humidade. Após a germinação, o fungo começa a desenvolver filamentos especiais – as hifas. O conjunto das hifas constitui o micélio, que, em pouco tempo, cobre a superfície do pão. Seguidamente, formam-se esporângios, que vão amadurecendo, até libertar esporos. Cada esporângio liberta cerca de 50 000 esporos, alguns dos quais irão germinar, caso encontrem condições adequadas de humidade e um substrato apropriado.

REPRODUÇÃO DAS PLANTAS

O sucesso das plantas na exploração de ambientes terrestres ocorreu por mudanças graduais de estrutura, verificando-se um aumento da complexidade e, consequentemente, de diversidade que abriu novas perspectivas de adaptação às condições do meio. Dada a grande diversidade de plantas surgiu a necessidade de as agrupar. Vamos considerar uma classificação clássica muito simplificada.

REINO DAS PLANTAS

DIVISÃO

CLASSE

EXEMPLO

Briófitas (Bryophyta)

Plantas não vasculares (avasculares)

Musgos

( Bryophyta ) Plantas não vasculares (avasculares) Musgos Traqueófitas ( Traqueophyta ) Plantas vasculares

Traqueófitas (Traqueophyta)

Plantas vasculares

Filicíneas

Plantas sem semente e sem flor

vasculares Filicíneas Plantas sem semente e sem flor Gimnospérmicas Plantas com semente e sem flor

Gimnospérmicas

Plantas com semente e sem flor

e sem flor Gimnospérmicas Plantas com semente e sem flor Angiospérmicas Plantas com semente e com

Angiospérmicas

Plantas com semente e com flor

e sem flor Angiospérmicas Plantas com semente e com flor Diferentes características, nomeadamente as relativas à

Diferentes características, nomeadamente as relativas à reprodução, são muito simplificadas para a sistemática dos seres pertencentes ao Reino das Plantas. Nestes seres, embora a reprodução assexuada seja frequente, são as características ligadas à reprodução sexuada as mais usadas em classificação.

A reprodução sexuada inclui sempre alternância de duas fases nucleares, a haplofase e a

diplofase. As plantas são seres haplodiplontes pois estas fases são ambas multicelulares e correspondem respectivamente a duas gerações distintas:

Geração gametófita – constituída por estruturas cujas células têm núcleo diplóide. Geração esporófita – Constituída por estruturas cujas células têm núcleo haplóide. Pode considerar-se que geração é uma parte do ciclo de vida de um ser caracterizado pela existência de uma entidade multicelular, independente ou não, que tem início no desenvolvimento de uma célula, zigoto ou esporo, e termina com a formação de outro tipo de célula, esporo ou zigoto, diferente daquela que a originou. As plantas têm meiose pré-espórica, isto é, a meiose ocorre quando se formam os esporos. Os esporos são pois células reprodutoras haplóides que, por germinação, originam uma entidade multicelular haplóide, o gametófito, onde se formam gâmetas. De fecundação resulta o ovo ou zigoto, que por mitoses sucessivas origina uma entidade multicelular diplóide, o esporófito, onde se formam estruturas que, por meiose originam esporos. Existe pois uma alternância de duas gerações, nos diferentes grupos de plantas, que diferem quer no desenvolvimento, quer nas características que apresentam.

Divisão das Briófitas (Bryophyta)

A grande maioria das espécies é terrestre de ambiente húmido e sombreado, são plantas

avasculares, isto é, não apresentam tecidos condutores, ocorrendo um transporte dos líquidos por difusão célula a célula. Os musgos representam uma classe desta divisão, sendo vegetais que apresentam o corpo dividido em três regiões específicas: rizóide, caulóide e filóide.

A reprodução assexuada ocorre por fragmentação da planta adulta e a reprodução sexuada

ocorre com alternância de gerações. A estrutura mais diferenciada da geração gametófita é designada por gametófito e corresponde à planta adulta. O gametófito é autotrófito e tem vida autónoma. O esporófito é menos diferenciado que o gametófito, vive sobre estes e depende dele sob o ponto de vista trófico.

vive sobre estes e depende dele sob o ponto de vista trófico. F IGURA 4 –

FIGURA 4 Ciclo de vida de um musgo.

A ANTEROZÓIDES OOSFERA B F IGURA 5 – Gametângio feminino - arquegónios (A) e Gametângio

A

ANTEROZÓIDES

OOSFERA

A ANTEROZÓIDES OOSFERA B F IGURA 5 – Gametângio feminino - arquegónios (A) e Gametângio marculino

B

FIGURA 5 Gametângio feminino - arquegónios (A) e Gametângio marculino - anterídeo (B)

Divisão das Traqueófitas (Tracheophyta)

As plantas desta divisão possuem êxito em ambiente terrestre por ocorrer a diferenciação de um sistema vascular. As plantas que têm estes sistemas de condução possuem já verdadeiras raízes, caules e folhas. Os tecidos condutores, pelas características que apresentam, contribuem também para o suporte das plantas. As filicíneas são plantas vasculares sem semente, os representantes desta classe, designados vulgarmente por fetos, como por exemplo o polipódio, constituem o grupo mais abundantes das plantas vasculares que não produzem semente. Nestas plantas, na época da reprodução, desenvolvem-se os soros, que são grupos de esporângios. Estas são estruturas multicelulares que quando jovens contêm células-mães de esporos, estas sofrem meiose e originam esporos haplóides – meiose pré-espórica. Quando maduros os esporos são disseminados e ao encontrarem condições favoráveis germinam originando uma estrutura multicelular verde, o protalo que é capaz de realizar fotossíntese, obtendo a água através dos pêlos absorventes que possui na face inferior, portanto, possui uma vida independente. O protalo é uma etrutura haplóide que funciona como gametófito onde se desenvolvem os gametângios femininos (arquegónio) e masculino (anterídeo) que produzem, respectivamente, oosferas e anterozóides. Uma vez que os sexos masculino e feminino não se encontram separados, o gametófito designa-se monóico. Os anterozóides nadam até aos arquegónios para se unirem à oosfera e ocorrer a fecundação. O zigoto resultante começa a desenvolver-se sobre o gametófito, originando um esporófito que adquire vida independente, cresce e forma a planta adulta. A geração esporófita é mais desenvolvida e integra a planta adulta diplonte que também possui uma vida independente. Tanto nos musgos, como nos fetos e fecundação é dependente da água.

como nos fetos e fecundação é dependente da água . F IGURA 6 – Soros (conjunto
como nos fetos e fecundação é dependente da água . F IGURA 6 – Soros (conjunto

FIGURA 6 Soros (conjunto de esporângios) em folhas de um polipódio.

F IGURA 7 – Ciclo de vida do Polipódio. A conquista de diferentes habitats pelas

FIGURA 7 Ciclo de vida do Polipódio.

A conquista de diferentes habitats pelas plantas vasculares superiores (Gimnospérmicas e Angiospérmicas) foi conseguida essencialmente pela aquisição de novas características que se relacionam com a reprodução. A existência, nestas plantas, de fecundação independente da água e o aparecimento de sementes estão entre as principais razões do seu sucesso evolutivo. As características que as Angiospérmicas apresentam permite-lhes ocupar uma enorme variedade de habitats, sobrepondo-se aos outros grupos tanto em número de espécies, como em número de indivíduos e área de distribuição. As Angiospérmicas diferem muito umas das outras. O sistema reprodutor é constituído pelas flores, que têm também formas e estruturas muito diversas. A flor ser considerada como um ramo modificado, com diferentes graus de transformação, no sentido da reprodução. Uma flor típica é constituída por órgãos de suporte, órgãos de proteção e órgãos de reprodução.

Órgãos de suporte:

- Pedúnculo – prende a flor ao caule e suporta as restantes peças florais.

- Recetáculo – é contínuo com o pedúnculo e forma uma espécie de disco onde se inserem as

restantes pelas florais. Órgãos de proteção:

- Cálice – formado pelas sépalas, que geralmente tem função de proteção e as suas peças têm

caracteres das verdadeiras folhas.

- Corola – constituída pelas pétalas, que pelas cores e formas que apresentam são motivo de

atracão para os insetos e outros animais que efetuam a polinização e serve também como proteção

dos órgãos internos reprodutores. No caso de não ser possível distinguir as pétalas das sépalas, as peças florais adquirem o nome de tépalas. Ao conjunto do cálice e da corola dá-se o nome de perianto. Órgãos de reprodução:

Androceu – formando pelo conjunto dos estames, que são os órgãos reprodutores masculinos. Cada estame é constituído por um filete e por uma antera. Cada antera possui, no seu interior,

sacos polínicos, no interior dos quais existem células-mãe dos grãos de pólen. Durante a maturação, estas células experimentam meiose, originando, cada uma, quatros grãos de pólen. Gineceu – constituído pelos carpelos, que são os órgãos reprodutores femininos. Cada carpelo é constituído por três partes: um estigma, que recebe os grãos de pólen situado na extremidade do estilete, e um ovário no qual se encontram os óvulos. Algumas flores apresentam nectários que são glândulas secretoras de néctar, fluido açucarado e nutritivo, fonte de energia para insetos e outros animais.

e nutritivo, fonte de energia para insetos e outros animais. F IGURA 8 E 9 –

FIGURA 8 E 9 Anatomia de uma flor de Angiospérmica.

IGURA 8 E 9 – Anatomia de uma flor de Angiospérmica. F IGURA 10 – Ciclo

FIGURA 10 Ciclo de vida de uma Angiospérmica.

As Angiospérmicas são seres haplodiplontes, com meiose pré-espórica e alternância de gerações. Os gametófitos são representados pelo tubo polínico e pelo saco embrionário, sendo reduzidos e apresentando dependência do esporófito que os protege e alimenta. A geração esporófita tem vida independente e é muito desenvolvida.

BOM TRABALHO!