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SEMINÁRIO DO CONSELHO

OU PIOR: OS CORPOS APRISIONADOS PELO DISCURSO
"Que se diga fica esquecido por trás do que é dito no que se ouve"
Leny Mrech

O Seminário19 - ... ou pior de Jacques Lacan trouxe, em cada uma de suas
apresentações, novos encaminhamentos, novas discussões. Um seminário
instigador proposto pelo Conselho para 2013/2014.
A apresentação de Ariel Bogochvol do capítulo
XVI – Os corpos aprisionados pelo discurso foi
extremamente crítica e precisa, destacando pontos
essenciais.

Primeiramente, ele partiu de uma lembrança: de que
as atividades de leitura dos seminários de Lacan se
iniciaram, no âmbito da EBP-SP, há aproximadamente
dez anos. E esse seminário em especial traz, para Ariel, características
específicas: é um “seminário pesado, rude, cheio de matemática, lógica, frases
elípticas...”.

Destaca ainda que a não relação sexual é uma consequência do fato de sermos
falantes. Uma decorrência da lógica da linguagem. E que Lacan se volta para a
matemática destacando que é o mais real da linguagem.

Nesta aula, Lacan não se propõe a resumir. Contudo, para Ariel, é possível
acompanhar que ele marca alguma coisa, um ponto, um ponto de suspensão,
alguns pontos.

Os autores utilizados como referência são: Peirce, Umberto Eco, Marx, Platão,
Parmênides, Aristóteles, Bosch, etc. Os temas se
desdobram em teoria dos conjuntos, teoria dos
números, semiótica, sociologia, arte.

Ariel destaca a importância do Bibliô especial a
respeito do Seminário XIX, organizado por Mirta
Zbrun em edição bilíngue.

Lacan parte de uma referência a Recanatti a respeito
de Peirce. E, em relação a esse tema, ele diz que é
ouvido por poucos. Destaca ainda o encontro com Umberto Eco que trabalha
com a história da arte, a estrutura, a estrutura ausente. A obra aberta seria
aquela que vem sempre sob comando.
Neste seminário Lacan destaca Há o Um, o que comanda é o Um.

Lacan faz a crítica a Umberto Eco destacando que ele é um pensador que faz
ontologia demais, revelando que a ontologia e o Ser são problemas para Eco.

Lacan ocupa-se do discurso analítico, assinalando que ele não é nem ontológico
e nem filosófico. Os analistas, contudo, se relacionam com algo que se chama
ser humano. Mas Lacan prefere não chamá-lo assim. Para ele, a relação do
homem com o mundo nunca foi mais do que uma presunção a serviço do
discurso do mestre. Destaca ainda que o autoconhecimento, o conhecimento de
si mesmo, se dá no corpo. O conhecimento de si mesmo é a higiene.

Segundo Lacan, a doença mental não existe. Não
existe como entidade. É mentalidade que tem falhas.

A estrutura diz respeito ao significante que
representa um sujeito para outro significante. O que
resulta daí é o objeto a, destaca Ariel.

Na perspectiva do gozo não se é inteiramente só, há outro: corpo a corpo, dois
corpos, mais corpos ... quem goza? A ideia é de vários corpos aprisionados.

Ariel destaca algumas frases aforismáticas do capítulo: a verdade já implica o
discurso, o que não quer dizer que seja dita; o gozo existe, é preciso falarmos
dele, com o dito; o discurso como tal é sempre discurso de semblantes; o que
se autoriza pelo gozo é o simular (fazer semblante), por onde se chega ao mais
de gozar; no discurso há gozo, verdade, semblante, mais de gozar e isso gira e
há o suporte, o que acontece no nível do corpo.

No Discurso do Mestre os corpos estão petrificados – os sentimentos, os afetos
– são feitos de jurisprudência. Do que se trata no Discurso Analítico? O analista
como corpo instala o objeto a no lugar do semblante. A análise só progride
pelo veio da lógica, da extração das articulações daquilo que é dito e não do
dizer.

Para terminar Ariel destaca uma das frases mais importantes do seminário:
somos irmãos de nosso paciente na medida em que, como ele, somos filhos do
discurso.