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Aprenderaserfeliz

Aprenderaserfeliz É na infância que desenvolvemos muitas das competências de resiliência e autoestima que farão a

É na infância que desenvolvemos muitas das competências de resiliência e autoestima que farão a diferença na idade adulta. Dito isto, fica ainda mais fácil compreender a importância do Clube de Inteligência Emocional na Escola – Aprender a Ser Feliz. Manuela Queirós, a mentora do projeto que já se estende a 20 escolas públicas nacionais, abarcando um universo de 300 alunos com idades a partir dos três anos, explicou à Máxima os métodos e objetivos do programa.

Quando surgiu o Clube de Inteligência Emocional na Escola?

Em 2005, na Escola EB2/3 de S. João da

Madeira, com cerca de 35 alunos de várias tur- mas do 5.º e 6.º anos. No ano letivo seguinte, um estudo realizado no âmbito de um mestrado de- monstrou que o treino de competências de Inte- ligência Emocional foi considerado eficaz no incremento dos níveis de inteligência emocional, promovendo o sucesso escolar e a diminuição de comportamentos de agressividade e de indisci- plina. Nos três anos seguintes, travei uma luta contra um cancro, descoberto

num exame de rotina. Durante os tratamentos de quimiotera- pia utilizei os meus conheci- mentos de inteligência emocio- nal para gerir os sentimentos de medo, angústia e desespero. No meio de tanto sofrimento con- segui encontrar paz, tranquili- dade, bem-estar e felicidade. Esta experiência aliou-se à re- cordação dos alunos dizerem, recorrentemente, que deveria existir um clube de inteligência emocional em todas as escolas do país, pois aí aprendia-se a ser feliz. Assim, durante o ano letivo de 2009/2010, dediquei-me à elaboração de um projeto para o alargamento do programa a ou- tras escolas.

Quais são os objetivos?

O principal objetivo é promover

a inteligência emocional na es-

cola através da educação e de- senvolvimento de competências emocionais que proporcionem mais felicidade e bem-estar, de forma a contribuir para o su- cesso escolar e para a diminui- ção de comportamentos de risco e atitudes de indisciplina, agressividade e de desmotiva- ção. Através do desenvolvi-

mento das habilidades da inteligência emocional

tos (ou 45, para os mais pequeninos), orientadas

e

das habilidades de bem-estar, pretende-se que

por psicólogos e professores (par pedagógico).

o

aluno consiga:

Que resultados é possível aferir?

>

Aprender a ser mais feliz.

As crianças revelam:

>

Gostar de si e ter mais confiança em si próprio.

> Maior atenção e concentração nas aulas.

>

Aprender a superar os medos.

> Mais calma e tranquilidade nos testes.

> Diminuir a agressividade, a indisciplina e os comportamentos de risco.

> Respeitar os outros e melhorar o relaciona- mento interpessoal.

> Estar mais atento nas aulas.

> Estar mais calmo nos testes. > Melhorar as notas escolares.

Como é que trabalham nesse sentido?

Este programa é direcionado para a autorregulação emocio- nal que é o elemento essencial da educação da inteligência emocional. Pretende-se ensi- nar ao aluno novas formas para enfrentar os seus estados de

ânimo negativos, recorrendo mais a atividades distrativas, como forma de interromper a atenção focalizada nos proble- mas que são a causa do seu mal-estar. Cada sessão está di- vidida em três partes: a inicial, em que se promove o relaxa-

mento (através da entoação de mantras, mas também de exer- cícios de respiração e concen- tração nos cinco sentidos); a fundamental, que é também a mais longa, em que identificam as emoções e as suas causas, aprendendo a interpretá-las; e

a parte final, em que se trabalha

o riso, o humor e as emoções positivas. A sessão contempla

ainda um relaxamento dinâ- mico e um exercício de gratidão

e pensamento positivo.

Qual é a metodologia utilizada?

Sessões semanais de 90 minu-

> Mais sucesso escolar.

> Diminuição dos comportamentos de indisci-

plina e agressividade.

> Mais facilidade em enfrentar e ultrapassar os medos.

> Maior autoestima e autoconfiança.

> Melhor interação com os colegas.

> Qualidade do sono.

> Mais felicidade.

Os adultos referem melhorias na:

> Gestão de conflitos a nível laboral.

> Relação familiar.

> Autoestima.

> Capacidade para se acalmarem e relaxarem.

> Diminuição da ansiedade e do stress.

> Regulação emocional.

> Felicidade e bem-estar.

A felicidade aprende-se?

Sonja Lyubomirsky, professora do Departa- mento de Psicologia da Universidade da Califór- nia, no livro Como ser feliz, apresenta estratégias que podem ser usadas para aumentar a felici- dade. É realmente possível sermos mais felizes, desde que a pessoa o queira e se empenhe dia- riamente, de forma organizada, nas atividades propostas pela investigadora, no livro citado.

A atenção é uma parte fundamental?

A atenção é uma parte fundamental pois, em-

bora a gestão emocional seja a peça-chave da in- teligência emocional, ela começa com a atenção

e perceção das nossas emoções. Trata-se da

competência emocional para identificar as emo-

ções com precisão e, posteriormente, ser capaz

de lhes atribuir um nome e de encontrar uma forma adequada de as exprimir. O enfoque está na precisão da perceção emocional e é funda- mental apurar essa perceção. Assim, para conse-

guir desenvolver a inteligência emocional é necessário estar tranquilo, atento e focalizado sem distrações.

estar tranquilo, atento e focalizado sem distrações. A AUTORA DO PROJETO Manuela Queirós é doutorada em
A AUTORA DO PROJETO Manuela Queirós é doutorada em Investigação em Didáticas Especiais, com acreditação
A AUTORA
DO PROJETO
Manuela Queirós é
doutorada em Investigação
em Didáticas Especiais,
com acreditação do grau
de Doutor Europeu, pela
Universidade de Vigo,
em 2004. Na Universidade
de Aveiro concluiu o
mestrado em Ativação
do Desenvolvimento
Psicológico, em 2000,
e a Pós-Graduação em
Ciências da Educação,
em 1994. É licenciada em
Educação Física
pela Faculdade de Ciências
do Desporto e de Educação
Física da Universidade
do Porto, em 1989. Há 41
anos que é professora
de Educação Física do
quadro do Agrupamento
de Escolas João da Silva
Correia em S. João da
Madeira. É autora do
Programa MQ - Aprender
a Ser Feliz, criou o Projeto
CIEE - Clube de Inteligência
Emocional na Escola
do qual é coordenadora
nacional.

100 // JULHO 2014