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PROBLEMAS URBANOS E CONDIÇÕES DE VIDA URBANA

Embora ofereçam condições de vida vantajosas para a população, de um modo geral, a maioria das cidades
concentra também alguns problemas
problemas.. Em muitos casos, resultam do seu crescimento excessivo e, por vezes,
mal planeado, que impede o ajustamento entre as infra-
infra-estruturas urbanas e as necessidades da população,
colocando problemas de sustentabilidade e reduzindo a qualidade de vida (Doc. 1).
1).

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Doc. 1 – O que leva algumas


pessoas a quererem sair das
grandes cidades

SATURAÇÃO DAS INFRA-


INFRA-ESTRUTURAS

O crescimento da população conduz, a partir de determinada altura, a uma saturação do espaço e à


incapacidade de resposta das infra-
infra-estruturas físicas
físicas,, como as redes de distribuição de água e energia,
de saneamento e de transportes, e sociais,
sociais, de que são exemplos os tribunais, as finanças, as escolas, os
hospitais ou os centros de dia para idosos.
Um dos indicadores de qualidade de vida da população é a sua mobilidade. Paradoxalmente, pelo menos no
que diz respeito à mobilidade no dia-
dia-a-dia, o aumento da taxa de motorização, com a utilização crescente
do transporte individual,
individual, tem vindo a contribuir para a diminuição da facilidade de deslocação nas
áreas urbanas.
urbanas. Este problema agrava-
agrava-se nas áreas metropolitanas, onde grande parte da população trabalha
fora da sua área de residência, intensificando os movimentos pendulares.
Surgem, assim, congestionamentos e problemas de trânsito,
trânsito, bem como de estacionamento
estacionamento,, pois a rede
viária e os espaços reservados ao estacionamento tornam-
tornam-se insuficientes.
Estes problemas resultam, em parte, da insuficiência e ineficácia dos transportes públicos urbanos,
urbanos,
sobretudo fora dos grandes centros e na ligação entre os vários pontos da periferia. Contribuem para a sua
ineficácia a insegurança e o desconforto, os intervalos dos horários do serviço nocturno, a lentidão dos
percursos e as más condições e o tempo de espera nas paragens.

HABITAÇÃO E HABITABILIDADE

Em Portugal, a tendência de comprar habitação é relativamente recente,


pelo que grande parte dos prédios do centro das cidades (os mais antigos)
são arrendados. Este é um dos factores da degradação de muitos
edifícios nas áreas mais antigas das cidades (Doc. 2).
2).
O sistema de arrendamento manteve durante muitos anos as rendas fixas,
não compensando os arrendatários pelo seu investimento nem garantindo
rendimento suficiente para que procedessem à recuperação das habitações.
Mesmo quando os moradores são proprietários, tratando-
tratando-se muitas vezes
de idosos, possuem fracos rendimentos e pouca motivação para proceder a
obras de beneficiação das habitações. _________

Doc. 2 - Edifício degradado


Quando estes edifícios ficam desocupados (por morte ou abandono
dos seus antigos ocupantes) e não se procede imediatamente à sua
demolição ou recuperação, dá-
dá-se, frequentemente, a sua ocupação
por uma população de recursos ainda mais fracos.
É também este tipo de população que habita nos bairros de lata,
formando bolsas de habitação precária,
precária, onde se associam a
pobreza e a marginalidade (Doc. 3).
3).
A ausência de infra-
infra-estruturas básicas e a falta de arruamentos
pavimentados, contribui para agravar as condições de
habitabilidade destes bairros.

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Doc. 3 - Bairro da lata nos arredores de


Lisboa

Nos bairros clandestinos,


clandestinos, as condições de vida são
afectadas pela ausência de planeamento na sua construção. A
sua génese ilegal continua a evidenciar-
evidenciar-se pela falta de
espaços verdes, áreas apropriadas de comércio e serviços,
locais de estacionamento, equipamentos colectivos, etc.
Mais frequentes nas áreas metropolitanas, a recuperação e
legalização destes bairros, na maioria dos casos já concluída,
_________

Doc. 4 - A falta de planeamento urbanístico constitui ainda um problema preocupante, sobretudo onde a
dificulta a circulação nos bairros de génese dispersão da propriedade é maior, pois atrasa os processos de
ilegal licenciamento e de execução das infra-
infra-estruturas (Doc. 4).
4).

ENVELHECIMENTO E SOLIDÃO

O envelhecimento da população acompanha o dos edifícios e levanta problemas sociais de abandono e


de solidão
solidão.. Na cidade, sobretudo nas áreas centrais, vão ficando os mais velhos, enquanto as novas gerações
procuram, geralmente, habitação nas áreas suburbanas, onde o seu custo é menor.
Nas cidades e, principalmente, nas áreas suburbanas, são as crianças e os adolescentes que sofrem de outro
tipo de solidão - a ausência dos pais.
pais. Pertencem à chamada «geração da chave», pois desde muito novos
têm a chave de casa, ficando entregues a si próprios durante todo o dia. Esta forma de abandono reflecte
reflecte--se
não só na indisciplina e no insucesso escolar, mas também na dependência da droga e do álcool, porta aberta
para a delinquência.
As deslocações pendulares, efectuadas a distâncias cada vez maiores, originam situações de stress e
doenças do sistema nervoso
nervoso,, pois além da fadiga
fadiga,, da despesa
despesa,, da irritação que causam as filas de
trânsito, acresce a preocupação com o cumprimento dos horários (emprego, infantários, escolas...).
Ainda que se caracterize pela concentração demográfica e de actividades económicas, a cidade é um espaço
onde as pessoas se cruzam, mas raramente se encontram, prevalecendo um anonimato difícil de quebrar,
factor de liberdade, mas também de solidão, acentuado pela ausência de relações de vizinhança.

DESEMPREGO E POBREZA

A conjuntura económica europeia do início deste século, sentida particularmente em Portugal, aliada aos
efeitos da globalização, com a deslocalização das empresas, teve, como efeito, o aumento do desemprego
desemprego..
O desemprego prolongado é particularmente problemático nas cidades, onde a sobrevivência das famílias
depende totalmente dos salários, inclusive para a habitação que, mesmo quando é própria, exige o pagamento
das prestações do empréstimo bancário.
Para além dos problemas financeiros, o desemprego provoca a diminuição dos contactos sociais, do respeito
por si próprio e da auto-
auto-estima, levando a consequências psicológicas, como situações de frustração e
depressão, e ao aumento da pobreza e da exclusão social.
social.
2
A pobreza é, aliás, outro problema urbano que afecta, sobretudo, os idosos com baixas pensões de
reforma e os trabalhadores de empregos mal remunerados.
remunerados. Porém, novas categorias de pobres incluem
ainda os grupos étnicos e culturais minoritários, as famílias monoparentais,
monoparentais, na sua maioria femininas,
e um grupo mais vulnerável de que fazem parte, além dos desempregados de longa duração,
duração, os sem
sem--
abrigo..
abrigo
O crescimento do número dos sem-
sem-abrigo, nas cidades, é
particularmente preocupante. Devido a problemas de desemprego,
de abandono familiar, de toxicodependência, etc., vivem em
situação de ruptura com os sistemas sociais e dormem em vãos de
escada, em carros abandonados ou na rua (Doc.
(Doc. 5).
5).
Na cidade, é também muito frequente a existência de situações de
pobreza cujo rosto nem sempre é visível, principalmente quando são
considerados outros domínios que não o material.
As situações de abandono e de pobreza, face visível das
desigualdades sociais, presentes também no espaço urbano,
propiciam a criminalidade e, com ela, a insegurança dos cidadãos
que, por medo, muitas vezes não usufruem de espaços como jardins _________
públicos, parques infantis ou de um simples passeio pelas ruas. Doc. 5 - Pobreza na cidade

PRESSÃO AMBIENTAL

A componente ambiental é um importante indicador da qualidade de vida urbana. A grande concentração


populacional e de actividades económicas, os transportes e o modo de vida urbano fazem das cidades os
principais consumidores de recursos naturais e de energia e os maiores produtores de resíduos, exercendo
forte pressão sobre os ecossistemas das regiões onde se inserem.
O aumento dos níveis de poluição atmosférica e sonora,
sonora, particularmente sentido nas grandes aglomerações
urbanas, compromete a qualidade do ar que se respira e a saúde dos cidadãos, provocando doenças
respiratórias e dermatológicas (Doc.
(Doc. 6).
6).

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Doc. 6 - Índice de qualidade do ar em algumas aglomerações, em Portugal


Continental (2002 - 2004)

A forte concentração de gases poluentes nos maiores centros urbanos, sobretudo nas áreas centrais, provoca
uma subida da temperatura,
temperatura, agravada pelos materiais de construção com grande capacidade de absorção
da radiação solar, pela densificação das construções, pelo calor libertado pelos transportes, iluminação e
sistemas de climatização artificial, e pela impermeabilização dos solos. 3
À poluição do ar e à poluição sonora junta-
junta-se a que resulta da crescente produção de resíduos urbanos,
urbanos,
associada ao aumento do poder de compra e do consumo das famílias (Doc.
(Doc. 7).
7).
Este aumento obriga à construção de equipamentos de deposição e de tratamento de lixos e águas
residuais (aterros sanitários, incineradoras e ETAR) que, apesar de reduzirem muito os efeitos nefastos sobre
o ambiente, são também, eles próprios, agentes poluidores.

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Doc. 7 - Evolução da produção de resíduos


sólidos urbanos (RSU), em Portugal

A própria expansão urbana invade espaços cada vez mais


vastos, com impactes profundos no ambiente e na paisagem. É o
caso da ocupação urbana de áreas sensíveis do ponto de
vista ambiental,
ambiental, como zonas ribeirinhas e leitos de cheia,
_________
encostas íngremes, regiões costeiras, e de solos com elevada
Doc. 8 - Ocupação urbana das costeiras
aptidão agrícola (Doc. 8).
8).
de Loures

A forte pressão construtiva, aliada ao elevado custo do solo nas áreas urbanas leva, por vezes, à falta de
zonas verdes,
verdes, que possibilitem o lazer e o convívio da população, e de caminhos pedonais,
pedonais, que permitam a
separação dos peões e dos carros e que humanizem a paisagem urbana (Doc.
(Doc. 9).
9).

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Doc. 9 – Ausência de espaços


verdes

A paisagem urbana é ainda desvirtuada por numerosas agressões


que diminuem a sua qualidade estética (Doc. 10).
10).

Fonte: Adaptado de Geografia A 11.º Ano.


Ano.
_________ Texto editores, 2008.
Doc. 10 –
http://geoclick.blogspot.com/
Intrusão visual
prof.geo.fernando@sapo.pt