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Fundação de Apoio À Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro Instituto Superior de Tecnologia de Paracambi Laboratório de Monitoramento Ambiental

ATLAS FOTOGRÁFICO DA MORFOLOGIA EXTERNA GERAL E DESENVOLVIMENTO DOS INSETOS

ATLAS FOTOGRÁFICO DA MORFOLOGIA EXTERNA GERAL E DESENVOLVIMENTO DOS INSETOS Franziska Huber Juliana de C. Nascimento

Franziska Huber

Juliana de C. Nascimento

Fundação de Apoio À Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro Instituto Superior de Tecnologia de Paracambi Laboratório de Monitoramento Ambiental

ATLAS FOTOGRÁFICO DA MORFOLOGIA EXTERNA GERAL E DESENVOLVIMENTO DOS INSETOS

Franziska Huber

Juliana de C. Nascimento

Paracambi

2012

SUMÁRIO

PREFÁCIO

1

MORFOLOGIA EXTERNA Cabeça

4

Olhos Compostos e Ocelos 5

7

Antenas

Tipos de Antenas 8 Aparelho Bucal 18

Tipos de Aparelhos Bucais 20

Tórax

Pernas 29 Tipos de Pernas 30

39

Asas 41 Tipos de Asas 42

Estruturas de Acoplamento 48 Abdômen 50

51

27

Estruturas no Pré-tarso

Tipos de Abdomens

Apêndices Abdominais 54

DESENVOLVIMENTO Desenvolvimento Embrionário

57

Desenvolvimento Pós-embrionário

61

Tipos de Metamorfoses

62

Tipos de Larvas

68

Tipos de Pupas

73

BIBLIOGRAFIA

78

Prefácio

O Atlas da Morfologia Externa Geral e Desenvolvimento dos Insetos surgiu da

necessidade de oferecer um material didático para os alunos do curso de entomologia do curso de Gestão Ambiental do Instituto Superior de Tecnologia de Paracambi. O material até então disponível geralmente era baseado em desenhos, que, embora possuam grande valor científico e também didático, não permitiam a visualização da apresentação real da morfologia, tal qual ocorre nos registros fotográficos. Muitas vezes o aluno deseja estudar a morfologia em casa e não pode fazê-lo com o devido aproveitamento, pois os insetos possuem pequeno tamanho. Assim sendo, quando o estudo é baseado em desenhos e

esquemas e o estudante se confronta com a realidade, ocorrem frequentemente falhas e erros na correta identificação das estruturas anatômicas. Desta forma, o Atlas visa suprir a esta dificuldade. Por outro lado há muitas pessoas interessadas no estudo dos insetos, e que não possuem acesso a um laboratório equipado, nem a uma coleção entomológica didática, nas quais possam fazer as observações necessárias. O Atlas também visa atender a esta demanda. Justificada a necessidade e conveniência da elaboração do presente trabalho fica a esclarecer sua forma de elaboração.

A maioria dos insetos fotografados neste livro pertence à coleção entomológica

didática desta instituição. Um ou outro espécime foi capturado, especificamente para ser fotografado para este trabalho.

O conteúdo foi escolhido seguindo os assuntos abordados e estudados na aula de

Entomologia Geral do IST - Paracambi. A ordem de apresentação dos tópicos segue a observação do inseto, iniciando pela cabeça, tórax, pernas, asas e abdômen. Em cada item são também abordados os principais anexos pertencentes a estas regiões anatômicas. Como é um atlas da morfologia externa geral, anexos ou particularidades específicas, pertencentes a certas famílias em especial não foram registrados ou abordados. Foram considerados os caracteres morfológicos principais que são examinados na hora de classificar certa espécie como sendo pertencente a uma dada ordem de insetos ou a outra. Quanto aos caracteres morfolóicos externos das formas imaturas, foram coletados ovos, ninfas ou larvas e pupas para serem fotografadas. Em alguns casos os ovos ou ootecas coletadas foram acompanhadas em laboratório, para registro das ninfas e/ou larvas

em seus primeiros estágios. Posteriormente muitos destes indivíduos foram criados em laboratório, acompanhando-se seu desenvolvimento, para o devido registro fotográfico. Nestes casos, após as fotografias, os insetos foram devolvidos ao ambiente natural, onde os ovos haviam sido encontrados.

Morfologia Externa

Cabeça

Na cabeça dos insetos (Figura 1) são encontradas as principais estruturas sensitivas

como as antenas, olhos e ocelos. Também está localizado na cabeça o aparelho bucal, ao

qual se associam os palpos, também com função de olfato e gustativa. Os olhos compostos

permitem a visão dos insetos, formando imagens semelhantes às que o olho humano

visualiza já os ocelos fazem o registro da intensidade da luminosidade, porém não formam

imagens. As antenas podem possuir função de percepção de olfato, audição, tato e

gustação.

de percepção de olfa to, audição, tato e gustação. Figura Tettigoniidae. 1. Vista lateral da cabeça

Figura

Tettigoniidae.

1.

Vista

lateral

da

cabeça

de

esperança,

Orthoptera,

Família

Olhos Compostos e Ocelos

Descrição morfológica: Os olhos compostos (Figura 2) são assim denominados pois

formam-se pelo conjunto de Omatídios, que é a unidade sensível à luz. A imagem

percebida pelo inseto é a imagem agrupada pelas informações coletadas por cada

Omatídio. Nos insetos diurnos o olho composto forma uma imagem-mosaico, fornecendo

a cada omatídio um ponto desta imagem, já nos insetos noturnos a imagem formada é

similar à percebida pelo olho humano. O comprimento de ondas percebidos pelos insetos

varia de 25400 a 7000Ǻ, enquanto o olho humano registra comprimentos de onda de 4000

a 8000 Ǻ.

Função: Percepção de cores, formas e movimentos. Alguns insetos são capazes de

reconhecer formas, mesmo quando em rápido movimento.

Os olhos compostos estão presentes em quase todas as formas adultas de insetos

diurnos e noturnos. Algumas ordens que não possuem olhos compostos: Phityraptera

(piolhos, apenas a subordem Anoplura possui um Omatídeo, não havendo assim olhos

compostos), Siphonaptera (Pulgas), Isoptera (cupins) - olhos compostos apenas nas formas

reprodutivas (aladas) e ausentes nas operárias.

nas formas reprodutivas (aladas) e ausentes nas operárias. Figura Reduviidae. 2. Olhos compostos e ocelos de

Figura

Reduviidae.

2.

Olhos

compostos

e

ocelos

de

Hemiptera,

Família

Os ocelos ou olhos simples (Figura 2 e 3), encontrados em muitos insetos,

correspondem de certa forma a um só omatídio e fornecem apenas informações sobre claro

ou escuro, sendo muito sensíveis à variação luminosa. Não formam imagens, nem

reconhecem formas. Geralmente estão presentes em número de três, situados no vértice da

cabeça.

em número de três, s ituados no vértice da cabeça. Figura 3. Ocelos e olhos comp

Figura 3. Ocelos e olhos compostos em Hemiptera, subordem Homoptera. Nome comum: Cigarra.

Antenas

As antenas inserem-se numa célula especial denominada antenífero (Figura 4). O primeiro segmento das antenas é denominado escapo, o segundo pedicelo e os demais de flagelo. Cada segmento individual da antena é denominado de antenômero. Os números, disposição e formato variam de acordo com as diferentes ordens de insetos, sendo possível a classificação de 18 tipos gerais. Algumas ordens de insetos possuem um tipo de antena característico, como Odonata (libélulas) cujos representantes possuem antena setácea. Já as espécies pertencentes à ordem Coleoptera (besouros) possuem uma grande variedade de tipos de antenas, de acordo com a família e espécie estudadas. Função: Tato, audição, olfato e gustativa, variando de acordo com as ordens.

olfato e gustativa, variando de acordo com as ordens. Figura 4. Antenífero de uma abelha, ordem

Figura 4. Antenífero de uma abelha, ordem Hymenoptera.

Tipos de Antenas

Aristada - A antena possui apenas três segmentos, o escapo, pedicelo e o flagelo composto

por um antenômero. No flagelo está presente a arista, que é uma cerda (pelo). Esta cerda

pode ser simples (arista nua) ou apresentar pêlos em menor (arista pilosa) ou maior

quantidade (arista plumosa) (Figura 5). Insetos da ordem Diptera, subordem Cyclorrapha

(moscas), possuem este tipo de antena.

subordem Cyclorrapha (moscas), possuem este tipo de antena. Figura 5. Antena aristada de uma mosca. Gênero

Figura 5. Antena aristada de uma mosca. Gênero Ornidia da ordem Diptera.

Claviforme - Os segmentos finais da antena aumentam gradualmente de tamanho,

apresentando o formato de clava (Figura 6). Se o aumento do tamanho dos antenômeros

distais ocorrer de forma brusca, denomina-se a antena de capitada (ver antena composta,

figura 7). Ordens que apresentam este tipo de antena: Lepidoptera (Borboletas),

Coleoptera (Besouros).

de antena: Lepido ptera (Borboletas), Coleoptera (Besouros). Figura ordem Le pidoptera. 6. Antena clavada de uma

Figura

ordem Lepidoptera.

6.

Antena

clavada

de

uma

borboleta,

Composta - A antena é considerada composta quando apresenta a combinação da antena

geniculada e um outro tipo. Na Figura 7 pode ser vista a antena geniculo-capitada.

Observa-se esta antena em insetos da ordem Coleoptera (Besouros).

esta antena em inseto s da ordem Coleoptera (Besouros). Figura 7. Antena geniculo-capitada de um besouro

Figura 7. Antena geniculo-capitada de um besouro, ordem Coleoptera.

Estiliforme - O segmento distal da antena possui um formato menor, lembrando um

estilete ou digitiforme (Figura 8). A antena estiliforme está presente nas ordens Diptera,

Família Tabanidae (mutucas) e Lepidoptera, família Sphingidae (mariposas).

(mutucas) e Lepidopter a, família Sphingidae (mariposas). Figura Ordem Diptera. 8. Antena estiliforme de uma mutuca.

Figura

Ordem Diptera.

8.

Antena

estiliforme

de

uma

mutuca.

Furcada - Os antenômeros do flagelo formam dois ramos, lembrando a letra Y (Figura 9).

Esta antena é encontrada na ordem Diptera (Tabanidae - mutucas).

Esta antena é encontrada na ordem Diptera (Tabanidae - mutucas). Figura 9. Antena furcada em mutuca.

Figura 9. Antena furcada em mutuca. Ordem Diptera.

Flabelada - Os artículos possuem expansões laterais longas e em formatos de lâminas ou

folhas (Figuras 10 e 11). Esta antena ocorre em insetos da ordem Coleoptera (Besouros).

antena ocorre em insetos da ordem Coleoptera (Besouros). 10. Ordem Coleo ptera. Figura Antena flabelada em

10.

Ordem Coleoptera.

Figura

Antena

flabelada

em

um

besouro.

Ordem Coleo ptera. Figura Antena flabelada em um besouro. Figura 11. Antena flabelada em besouro. Ordem

Figura 11. Antena flabelada em besouro. Ordem Coleoptera.

Filiforme - Todos os antenômeros possuem aproximadamente o mesmo tamanho, sendo

geralmente alongados ou cilíndricos (Figuras 12 e 13). Encontrada nas ordens: Blattodea

(Baratas), Orthoptera (Gafanhotos, Esperanças), Dermaptera (Tesourinha).

(Gafanhotos, Esperanças), Dermaptera (Tesourinha). Figura 12. Antena filiforme em uma barata Periplaneta

Figura 12. Antena filiforme em uma barata Periplaneta americana (Blattodea).

em uma barata Periplaneta americana (Blattodea). Figura 13. Antena filiforme em uma tesourinha. Ordem Derma

Figura 13. Antena filiforme em uma tesourinha. Ordem Dermaptera.

Geniculada - Na antena geniculada o escapo possui o tamanho mais longo que os demais

segmentos. Os segmentos que compõem o pedicelo e flagelo geralmente apresentam-se

dobrados em ângulo em relação ao escapo (Figura 14). Observada nas ordens:

Hymenoptera (Formigas, Abelhas, Mamangava, Vespas, etc), Coleoptera (Besouros).

Abelhas, Mamangava , Vespas, etc), Coleoptera (Besouros). Figura Ordem Hy meno ptera 14. Antena geniculada em

Figura

Ordem Hymenoptera

14.

Antena

geniculada

em

uma

abelha.

Imbricada - Artículos em forma de taças, sendo que a base insere-se no meio do ápice do

artículo anterior (Figura 15). Esta antena ocorre na ordem Coleoptera (Besouros).

15) . Esta antena ocorre na ordem Coleoptera (Besouros). Figura Ordem Coleo ptera. 15. Antena imbricada

Figura

Ordem Coleoptera.

15.

Antena

imbricada

em

besouro.

Lamelada - Na antena lamelada, os três segmentos finais apresentam-se aumentados,

formando Lâminas arredondadas ou ovaladas (Figura 16).

Coleoptera (Besouros).

É encontrada nas ordens:

igura 16). Coleoptera (Besouros). É encontrada nas ordens: Figura 16. Antena lamelada em besouro. Ordem Coleo

Figura 16. Antena lamelada em besouro. Ordem Coleoptera.

Moniliforme - Os antenômeros apresentam formato arredondado, todos de tamanhos

similares, lembrando um colar de pérolas ou de contas (Figura 17). Ocorre nas ordens:

Isoptera (cupins), Coleoptera (Besouros).

Ocorre nas ordens: Isoptera (cupins), Coleoptera (Besouros). Figura 17. Antena moniliforme em cupim. Ordem Iso p

Figura 17. Antena moniliforme em cupim. Ordem Isoptera.

Pectinada - Os artículos possuem expansões uni ou bilaterais (bipectinada), longas e

relativamente finas, dando à antena o aspecto de pente (Figura 18). Ocorre em insetos da

ordem Lepidoptera (Mariposas, principalmente nos machos).

ordem Lepidoptera (Mariposas, pr incipalmente nos machos). 18. Ordem Le p ido ptera. Figura Antena pectinada

18.

Ordem Lepidoptera.

Figura

Antena

pectinada

em

mariposa.

Plumosa - É uma antena similar à filiforme, mas apresentam-se diversos pelos longos em

cada antenômero, dando à antena o aspecto de uma pluma (Figura 19). Encontrada em

Diptera, Subordem Nematocera (antena dos mosquitos machos).

em Diptera, Subordem Nematocera (antena dos mosquitos machos). Figura 19. Antena plumos a em mosquito. Ordem

Figura 19. Antena plumosa em mosquito. Ordem Diptera.

Setácea - Os antenômeros da antena diminuem gradativamente de tamanho e diâmetro à

medida que se distanciam da base (Figuras 20 e 21). Observada na ordem Odonata

(Libélulas).

(Figur as 20 e 21). Observada na ordem Odonata (Libélulas). Figura 20. Antena setá cea em

Figura 20. Antena setácea em libélula. Ordem Odonata.

Figura 20. Antena setá cea em libélula. Ordem Odonata. Figura 21. Antena setácea em libélula. Ordem

Figura 21. Antena setácea em libélula. Ordem Odonata.

Serreada - Os artículos possuem formato ligeiramente pontiagudo, formando o aspecto

dos dentes de uma serra. Este aspecto pode ser de ambos os lados (biserreada) ou de uma

borda apenas (Serreada) (Figura 22). Ordens: Coleoptera (Besouros), Família Buprestidae.

22). Ordens : Coleoptera (Besouros), Família Buprestidae. Figura 22. Antena serreada em besouro. Ordem Coleo ptera.

Figura 22. Antena serreada em besouro. Ordem Coleoptera.

Aparelho Bucal

Os insetos possuem aparelho bucal externo, sendo denominados assim de

ectognatos. Há grande variedade nas conformações morfológicas dos aparelhos bucais, dependendo dos hábitos alimentares e adaptações evolutivas das ordens.

O aparelho bucal pode ser classificado em dois tipos básicos: Mastigador ou

mandibulado, como ocorre nas baratas e besouros, e sugador ou haustelado, como ocorre nos mosquitos e percevejos. O aparelho bucal mastigador (Figura 23) é considerado o mais antigo, do ponto de vista evolutivo. Em estudos de morfologia ele é considerado a base para a identificação das peças bucais.

O aparelho bucal é composto pelas seguintes peças: um labro ou lábio superior,

duas mandíbulas, duas maxilas, a hipofaringe e o lábio inferior. O labro insere-se abaixo do clípeo e possui em sua superfície áreas com receptores gustativos. O labro possui a

função de manter os alimentos dentro da cavidade pré-oral.

função de manter os alimento s dentro da cavidade pré-oral. Fi gura 23. Ap arelho bucal

Figura 23. Aparelho bucal de barata. Ordem Blattodea.

As mandíbulas são sempre pareadas, laterais ao labro, articulando-se num plano

transversal. Possuem a função mastigar, triturar, cortar, moer e transportar. Nos aparelhos bucais adaptados a sugar e picar, a mandíbula exerce a função de perfurar as superfícies. Também possui função de defesa. As maxilas são duas peças auxiliares das mandíbulas durante a alimentação. Podem auxiliar na trituração de alimentos, possuírem função tátil e gustativa. Em insetos Sugadores podem ter função perfuradora.

A hipofaringe está inserida junto ao lábio, possui função gustativa e tátil. Em sua

face ventral abre-se o ducto salivar. A hipofaringe ajuda a misturar a saliva no bolo alimentar, bem como, por sua movimentação auxilia a levar o alimento para a abertura bucal até a faringe, possibilitando assim a ingestão.

O lábio inferior é uma peça única que delimita o aparelho bucal na face inferior.

Possui função tátil e de retenção de alimentos. Associados às maxilas e aos lábios encontram-se estruturas móveis e sensitivas, denominadas de palpos maxilares e palpos labiais, respectivamente.

Tipos de Aparelhos Bucais

Aparelho Bucal Sugador maxilar - O labro é de tamanho extremamente reduzido e as

mandíbulas e lábio apresentam-se atrofiadas ou ausentes. Já as Maxilas são modificadas,

apresentando-se longas e ajustando-se uma à outra, formando em seu meio um canal, pelo

qual o inseto suga o alimento, como, por exemplo, o néctar das flores, no caso das

borboletas. Este tipo de aparelho bucal modificado é denominado de espirotromba, sendo

que as maxilas modificadas recebem a denominação de gáleas (Figura 24). Ordens:

Lepidoptera (borboletas e mariposas).

(Figura 24). Ordens: Lepidoptera (borboletas e mariposas). Figura Lep ido p tera. 24. Aparelho bucal de

Figura

Lepidoptera.

24.

Aparelho

bucal

de

borboleta.

Ordem

Aparelho Bucal Mastigador - O aparelho bucal mastigador é composto pelo labro, duas

mandíbulas, duas maxilas, hipofaringe, epifaringe e lábio (Figuras 23, 25 e 26). As

estruturas apresentam conformação adequada para mastigar, cortar e triturar, conforme foi

descrito na apresentação geral do aparelho bucal. Ordens: Coleoptera, Orthoptera,

Mantodea, Blattodea, Isoptera, Dermaptera, Lepidoptera, Phasmatodea, Odonata, etc.

Dermaptera, Lepidoptera, Phasmatodea, Odonata, etc. Figura 25. Aparelho bucal de serra pau. Ordem Coleo ptera.

Figura 25. Aparelho bucal de serra pau. Ordem Coleoptera.

Figura 25. Aparelho bucal de serra pau. Ordem Coleo ptera. Figura 26. Aparelho buc al de

Figura 26. Aparelho bucal de besouro. Ordem Coleoptera.

Aparelho Bucal Lambedor - O labro e as mandíbulas apresentam-se normais, sendo que

as mandíbulas são utilizadas para cortar, mastigar ou moldar cera. As maxilas e o lábio são

alongados e unidos formando um órgão lambedor adequado para a ingestão de líquidos. O

lábio termina com uma dilatação, denominado de flabelo, sendo esta a estrutura que

permite ‘lamber’ os líquidos (Figuras 27 e 28). O néctar é ingerido pela ação combinada da

sucção e da "língua" que se move para cima e para baixo. Ordens: Hymenoptera (abelhas e

mamangavas).

e para baixo. Ordens: Hymenoptera (abelhas e mamangavas). Figura mamangava (Hy meno ptera). 27. Aparelho bucal

Figura

mamangava (Hymenoptera).

27.

Aparelho

bucal

de

Figura mamangava (Hy meno ptera). 27. Aparelho bucal de Figura mamangava (Hymenoptera). 28. Aparelho bucal de

Figura

mamangava (Hymenoptera).

28.

Aparelho

bucal

de

Aparelho Bucal Sugador labial

Diqueta: O aparelho bucal possui dois estiletes. É encontrado nos dípteros

superiores (Cyclorrapha) com peças perfuradoras, como a mosca-dos-estábulos, Stomoxys

calcitrans. Neste exemplo a peça pungitiva é o lábio; os estiletes delgados são

representados pelo labro e pela hipofaringe, que se alojam em um sulco dorsal do lábio;

este possui a extremidade formada por duas pequenas placas duras, as labelas, guarnecidas

com dentes. Na figura 29 está ilustrado o aparelho bucal sugador labial, porém não

perfurador da mosca doméstica. Neste caso o lábio possui lobos laterais e está adaptada a

lamber e sugar o alimento liquefeito.

e está adaptada a lamber e sugar o alimento liquefeito. Figura 29. Aparelho bucal de mosca

Figura 29. Aparelho bucal de

mosca

doméstica. Ordem

Diptera.

Triqueta: O aparelho bucal triqueta apresenta três estiletes. Nas pulgas

(Siphonaptera) um dos estiletes é formado pela fusão da epifaringe com o labro e os outros

dois são oriundos do par de mandíbulas modificadas, denominadas de lacínias, que são as

únicas peças perfurantes. Estão presentes um par de maxilas e palpos maxilares,

hipofaringe muito reduzida, e lábio e palpos labiais (Figura 30). Este tipo de aparelho

também é encontrado nos piolhos (Phitiraptera) e Tripes (ordem Thysanoptera), porém

com algumas modificações em relação às pulgas.

porém com algumas modificações em relação às pulgas. Figura 30. Aparelho bucal de pulga Rhynchopsyllus p

Figura 30. Aparelho bucal de pulga Rhynchopsyllus pulex. Ordem Siphonaptera.

Tetraqueta: O aparelho bucal sugador labial tetraqueta possui quatro estiletes,

compostos pelas mandíbulas e maxilas. É o aparelho bucal encontrado nos percevejos,

cigarras, cigarrinhas e pulgões (Hemiptera). O lábio modificado é denominado de rostro ou

bico (Figura 31), sendo segmentado, dobrando-se para cima durante a penetração dos

estiletes. Encobertas pelo lábio estão as maxilas que possuem em suas faces internas

ranhuras que, quando justapostas formam um canal alimentar e um canal salivar.

justapostas formam um canal alimentar e um canal salivar. Figura 31. Aparelho bucal de barbeiro, ordem

Figura 31. Aparelho bucal de barbeiro, ordem Hemiptera. Note que pode ser visto apenas o lábio, já que os estiletes estão encobertos por este.

Hexaqueta: As duas maxilas e mandíbulas, a epifaringe e a hipofaringe são

modificadas em formato de estilete. O labro é pouco desenvolvido, enquanto que o lábio

possui formato alongado e tubular, denominado de haustelo, rostro ou bico, e aloja os

demais estiletes. O lábio não possui função picadora. A sucção é feita pelas mandíbulas,

epifaringe e hipofaringe. As maxilas possuem as extremidades serreadas e assumem a

função de perfuração. Na figura 32 pode ser visto o aparelho bucal de uma mutuca. Na

figura 33 o mesmo aparelho bucal é apresentado em maior aproximação.

mesmo aparelho bucal é ap resentado em maior aproximação. Figura 32. Aparelho bucal de mutuca. Ordem

Figura 32. Aparelho bucal de mutuca. Ordem Diptera.

Figura 32. Aparelho bucal de mutuca. Ordem Di ptera. Figura 33. Aparelho buc al de mutuca.

Figura 33. Aparelho bucal de mutuca. Ordem Diptera.

Tórax

No tórax localizam-se os apêndices locomotores dos insetos. Assim sendo estão presentes as pernas e as asas, quando houver. O tórax é formado por 3 segmentos, denominados, considerando a posição horizontal – ou seja, cranial a caudal: protórax, mesotorax e metatórax. Cada segmento possui a inserção de um par de pernas, além de apresentarem ou não asas no mesotorax e metatórax. Quando o inseto possui apenas um par de asas, como

ocorre da ordem Diptera, então é o par mesotoracico que está presente, enquanto que o par metatoracico está atrofiado, formando estruturas denominadas balancins ou halteres. Os machos de Strepsiptera apresentam os pseudo-halteres, que são as asas mesotorácicas reduzidas e possuem as asas metatorácicas membranosas, bem desenvolvidas, e com poucas nervuras. São denominados de escleritos as placas de quitina, constituintes dos segmentos torácicos e abdominais.

A denominação dos escleritos segundo sua posição anatômica vertical, designa a

região dorsal, lateral e ventral dos insetos. Assim sendo noto ou tergo designa a região dorsal, pleura – a região lateral e esterno - a região ventral.

Na Figura 34 podem ser visualizadas as regiões torácicas.

A combinação dos nomes permite designar regiões anatômicas do tórax dos insetos.

Ex: Pronotum = região dorsal do protórax; mesopleura = região lateral do mesotórax e metaesterno = região ventral do metatórax. No tórax podem ser encontradas duas aberturas alongadas, uma localizada entre protórax e mesotorax e outra entre o mesotorax e metatórax. Estas aberturas são os espiráculos, comunicações externas do sistema respiratório do inseto (Figura 35).

Figura 34. Regiões torácicas de uma mosca. Ordem Diptera. Figura 35. Espiráculos no tórax de

Figura 34. Regiões torácicas de uma mosca. Ordem Diptera.

Figura 34. Regiões torácicas de uma mosca. Ordem Diptera. Figura 35. Espiráculos no tórax de uma

Figura 35. Espiráculos no tórax de uma mosca. Ordem Diptera.

Pernas

No estado adulto os insetos apresentam três pares de pernas. Além da locomoção, as pernas são também usadas para escavar o solo, coletar alimentos, capturar presas, entre outras adaptações, de acordo com o habitat e hábitos alimentares da espécie. São nomeados pelo menos cinco segmentos distintos nas pernas. Nomeando-os do segmento proximal ao distal: coxa, trocanter, fêmur, tíbia, tarso e pré-tarso. O tarso pode ser composto de um a cinco segmentos, denominados de tarsômeros. O pré-tarso (também chamado de pós-tarso) é composto por estruturas adicionais, de defesa ou auxiliares na locomoção, tais as unhas/ garras, pulvilo e arólio (estruturas adesivas que permitem ao inseto locomover-se sobre superfícies lisas). Na Figura 36 podem ser visualizados os diferentes segmentos anatômicos de uma perna de Hemiptera (percevejo). É o tipo de perna denominado ambulatorial, que é a conformação morfológica mais simples.

que é a conformação morfológica mais simples. Fi g ura 36. Perna ambulatorial de percevej o.

Figura 36. Perna ambulatorial de percevejo. Ordem Hemiptera.

Tipos de Pernas

Ambulatória - As pernas Ambulatoriais não apresentam qualquer modificação em

quaisquer de suas partes. São adaptadas para andar ou correr (Figuras 36 e 37). Ordens:

Blattodea, Diptera, Coleoptera, Hymenoptera (Família Formicidae = formigas), Isoptera,

entre outras.

(Família Formicidae = formigas), Isoptera, entre outras. Figura Ordem Blattodea. 37. Pernas ambulatoriais de barata.

Figura

Ordem Blattodea.

37.

Pernas

ambulatoriais

de

barata.

Adesiva - Os tarsômeros apresentam-se aumentados e com pelos em sua superfície ventral,

formando uma estrutura com função de ventosa. Esta adaptação está presente em machos

de algumas espécies de besouros aquáticos e permite a fixação do macho sobre a fêmea na

hora da cópula (Figuras 38 e 39). Ordens: Coleoptera (besouros aquáticos).

38 e 39). Ordens: Coleoptera (besouros aquáticos). Figura 38. Vista dorsal da perna adesiva de besouro

Figura 38. Vista dorsal da perna adesiva de besouro aquático. Ordem Coleoptera.

perna adesiva de besouro a q uático. Ordem Coleo p tera. Figura 39. Vista ventral da

Figura 39. Vista ventral da perna adesiva de besouro aquático. Ordem Coleoptera.

Coletora - O primeiro tarsômero (basitarso) e a tíbia apresentam-se mais largos e

achatados latero-lateralmente, com pelos alongados nas margens, formando uma estrutura

similar a uma cestinha, denominada corbícula (Figura 40). Ordens: Hymenoptera.

denominada corbícula (Figura 40). Ordens: Hymenoptera. Figura 40. Vista lateral do basitarso e da tíbia na

Figura 40. Vista lateral do basitarso e da tíbia na perna de uma abelha (Hymenoptera).

Escansorial - Este tipo de pernas está presente apenas em espécies da ordem Phitiraptera,

que são os piolhos. A tíbia e os Tarsos possuem adaptações adequadas a agarrar os pelos e

penas de animais parasitados. O último segmento tarsal forma a garra tarsal, que, em

conjunto com a expansão presente na tíbia permite a fixação do piolho (Figura 41).

Ordens: Phitiraptera

a fixação do piolho (Figura 41). Ordens: Phitiraptera Figura 41. Vista ventral de um piolho humano.

Figura 41. Vista ventral de um piolho humano. Montagem feita em bálsamo do Canadá. A seta indica a garra tarsal.

Fossorial - A perna fossorial está presente em insetos com hábitos de escavar a terra, ou

seja, hábitos subterrâneos. Todos os segmentos da perna são modificados alargados,

permitindo assim remover melhor a terra escavada. Esta adaptação geralmente está

presente apenas no par de pernas protorácico (Figura 42). Ordens: Orthoptera, família

Grillotalpidae (Paquinhas), Hemiptera, subordem Homoptera – cigarras, na forma imatura,

Coleoptera.

Homopt era – cigarras, na forma imatura, Coleoptera. Figura 42. Perna fossorial de paquinha. Ordem Orthoptera.

Figura 42. Perna fossorial de paquinha. Ordem Orthoptera.

Natatória - Fêmur, tíbia e tarsos achatados e com presença de pelos nas margens. Os pêlos

possuem a função de auxiliar na locomoção na água, uma vez que potencializam a

remoção do volume de água, quando movimentados para trás. Esta adaptação é mais

evidente no par de pernas metatorácico. Ordens: Hemiptera (percevejos aquáticos, Figura

43), Coleoptera – besouros aquáticos.

aquáticos, Figura 43), Coleoptera – besouros aquáticos. Figura 43. Perna natatória de barata d´água. Ordem

Figura 43. Perna natatória de barata d´água. Ordem Hemiptera.

Prensora - No par de pernas protorácico o fêmur é bastante desenvolvido e possui

um sulco no qual a tíbia, mais fina, pode ser encaixada (Figura 44). Esta adaptação está

presente em insetos predadores, barata da água (Hemiptera) e permite que as presas sejam

agarradas e prensadas entre fêmur e tíbia, permitindo assim a alimentação. Nota-se que

para permitir maior mobilidade a coxa apresenta tamanho aumentado e alongado, o que

nos exemplos anteriores não ocorria. Ordem: Hemiptera (barata d’água). OBS: embora o

nome popular deste predador seja barata d’água, ela não pertence à Blattodea e sim à

ordem Hemiptera.

ela não pertence à Blattodea e sim à ordem Hemiptera. Figura 44. Perna prensora de barata

Figura 44. Perna prensora de barata d´água. Ordem Hemiptera.

Raptorial - Esta adaptação morfológica está presente em insetos predadores da ordem

Mantodea (louva-deus) (Figura 45). A coxa apresenta-se alongada, o trocânter curto, o

fêmur é bem desenvolvido com numerosos espinhos em sua face ventral, articulando-se

com a tíbia que igualmente apresenta espinhos na face ventral. Forma-se assim a

possibilidade de captura de outros insetos ou invertebrados que conseguem ser agarrados e

imobilizados. Ordem: Mantodea (louva deus).

agarrados e imobilizados. Ordem : Mantodea (louva deus). Figura 45. Pernas raptoriais de louva- deus. Ordem

Figura 45. Pernas raptoriais de louva- deus. Ordem Mantodea.

Saltatória - Na perna saltatória o fêmur apresenta-se bem desenvolvido e largo,

possibilitando o desenvolvimento de uma potente musculatura, permitindo ao inseto

possuir força suficiente para a realização de saltos (Figura 46). Ordens: Orthoptera

(gafanhotos, grilos, esperanças, etc.) e Siphonaptera (pulgas).

grilos, esperanças , etc.) e Siphonaptera (pulgas). Figura 46. Perna saltatória de gafanhoto. Ordem

Figura 46. Perna saltatória de gafanhoto. Ordem Orthoptera.

Estruturas no Pré-tarso

O Pré-tarso, ou pós-tarso, dependendo do ponto de vista do autor, é o último

segmento da perna e pode ser composto por garras, unhas, pulvilos e/ ou arólio (Figura 49).

Geralmente estas estruturas auxiliam os insetos na fixação ou a andar sobre

determinadas superfícies. Ex: Pulvilos (Figura 47) – em moscas – permitem andar em

superfícies verticais lisas. Já as garras (Figura 48) permitem andar melhor sobre superfícies

ásperas.

48) permitem andar melhor sobre superfícies ásperas. Figura 47. Vista ventral de pulvilo de uma mosca.

Figura 47. Vista ventral de pulvilo de uma mosca. Ordem Diptera.

47. Vista ventral de pulvilo de uma mosca. Ordem Di ptera. Figura 48. Vista dorsal de

Figura 48. Vista dorsal de garras de mutuca (Diptera). Abaixo podem ser vistos os pulvilos (nas laterais) e o arólio (entre as garras).

Figura 49. Vista frontal do pós-tarso de mutuca (Diptera). Podem ser vi stos as garras

Figura 49. Vista frontal do pós-tarso de mutuca (Diptera). Podem ser vistos as garras e abaixo destas os pulvilos. Entre as garras o arólio.

Outras adaptações evolutivas presentes nas pernas: Estrutura auditiva - Tímpano.

O tímpano é composto por uma membrana, localizada na tíbia de alguns insetos.

Possui em sua superfície células nervosas que registram a vibração do ar gerada por ondas

sonoras. O funcionamento é similar ao que ocorre na membrana timpânica do ouvido

humano. Assim sendo fica possível ao inseto perceber determinados sons, de acordo com

sua faixa de sensibilidade. Na Figura 50 pode ser visto o tímpano presente na tíbia da perna

protoraxica de uma esperança (orthoptera).

tíbia da perna protoraxica de uma esperança (orthoptera). Figura 50. Tímpano presente na perna protorácica de

Figura 50. Tímpano presente na perna protorácica de esperança (Orthoptera).

Asas

As asas dos insetos são inseridas no tórax na região entre o noto e a pleura. Nos insetos com dois pares de asas estas se localizam no mesotórax e metatórax. Na ordem Diptera o par de asas do mesotórax é funcional enquanto o par metatorácico é atrofiado. As asas estão presentes apenas em insetos adultos e são estruturas sólidas que podem apresentar algumas adaptações específicas, de acordo com a ordem do inseto estudado. Geralmente as asas possuem venações (nervuras ou veias), que são canais pelos

quais passa a hemolinfa (líquido equivalente ao sangue) que leva os nutrientes às células.

A hemolinfa também possui algumas funções auxiliares nos movimentos das asas por

exercer pressão hidráulica nas venações. Assim ela auxilia na abertura das asas, quando o inseto está recém-saído da pupa ou no desdobrar de asas, como ocorre nos besouros, cujas asas metatorácicas ficam dobradas sob o par mesotorácico. As venações também possuem função de sustentação, dando rigidez às asas membranosas. O conhecimento da nomenclatura das venações e de sua morfologia apresenta importância na taxonomia dos insetos. Na Figura 51 está mostrada uma asa membranosa de Musca domestica (Diptera), onde podem ser visualizadas as seis veias principais: costal, subcostal, radial, medial ou mediana, cúbito e anal. As asas dos insetos variam grandemente em estrutura, número, aspecto da venação,

e forma como são mantidos pelo inseto quando em repouso, podendo ter como classificação básica a sua constituição, conforme descrito em maiores detalhes a seguir.

Membranosas

Tipos de Asas

São consideradas o tipo mais primitivo de asas. São asas finas e flexíveis, com as

nervuras bem distintas. A maioria dos insetos possui o par posterior de asas desse tipo ou

ambos os pares do tipo membranoso. Ex: Lepidoptera, Hymenoptera, Diptera, Odonata,

etc.

Ex: Le pidoptera, Hymenoptera, Diptera, Odonata, etc. Figura 51. Asa membranosa de mosca domestica (Diptera). Note

Figura 51. Asa membranosa de mosca domestica (Diptera). Note que a nervura radial sofre ramificação, formando a radial 1 e 2.

Podem estar presentes estruturas nas asas membranosas, como os pelos (Figura 53)

e

escamas (Figura 52). Notadamente as escamas possuem colorações diversas, originando

o

colorido das asas de mariposas e borboletas (Lepidoptera).

colorido das asas de mariposas e borboletas (Lepidoptera). Figura 52. Escamas na asa de uma mariposa

Figura 52. Escamas na asa de uma mariposa (Lepidoptera)

Figura 52. Escamas na asa de uma mariposa (Lepidoptera) Figura 53. Pelos presen tes na asa

Figura 53. Pelos presentes na asa de mosca doméstica. Nota-se a presença de pelos finos e minúsculos na superfície da asa, enquanto nas margens há pelos mais grossos e resistentes (cerdas).

Tégminas

As tégminas são asas de aspecto pergaminhoso ou coriáceo e normalmente são

estreitas e alongadas. Podem ter variadas colorações, dependendo da espécie e ordem do

inseto. Nas tégminas é possível identificar algumas das principais venações. As tégminas

possuem certa função de proteção do tórax e abdômen do inseto, além de possibilitarem a

camuflagem, quando o inseto apresenta a cor do meio ambiente no qual normalmente vive.

Ex: A cor esverdeada da Esperança (Orthoptera), cor verde e formato de folha das

tégminas do louva-deus (Matodea). Ex: Asas mesotorácicas de gafanhotos (Orthoptera),

louva-deus (Mantodea) e baratas (Blattodea - Figura 54).

louva-deus (Mantodea) e bara tas (Blattodea - Figura 54). Figura 54. Tégminas de barata Pycnocelis surinamensis

Figura 54. Tégminas de barata Pycnocelis surinamensis. Ordem Blattodea. Note a presença de venações.

Hemiélitro

O hemiélitro (Figura 55) é uma asa que apresenta na parte basal um aspecto e

consistência coriáceos, e a parte apical membranosa, onde se nota facilmente as nervuras.

Quando o inseto está em repouso, ele dobra os hemiéitros sobre as asas membranosas

(metatorácicas), que são mais sensíveis, protegendo a estas. Ex: Asas mesotorácicas de

percevejos (Hemiptera).

a estas. Ex: As as mesotorácicas de percevejos (Hemiptera). Figura 55. Hemielitros de perce vejo. Ordem

Figura 55. Hemielitros de percevejo. Ordem Hemiptera. Note a parte basal mais espessa e escura e a parte distal membranosa.

Élitros

Os élitros (Figura 56) são asas duras, resistentes, que servem de proteção do inseto

contra choques mecânicos, predação e atritos com materiais durante a locomoção (ex:

insetos que escavam túneis). Sob os élitros ficam dobrados e protegidos as asas

metatorácicas, que sempre são membranosas. Os élitros não participam ativamente no vôo,

eles são abertos, liberando as asas metatorácicas membranosas, que são as responsáveis

pelo vôo do inseto. Ex: Asas anteriores de Coleoptera (besouros) e Dermaptera

(tesourinha).

de Coleoptera (besouros) e Dermaptera (tesourinha). Figura 56. Élitro de besouro (Coleptera). Note que abaixo

Figura 56. Élitro de besouro (Coleptera). Note que abaixo do élitro está a asa membranosa dobrada. A seta indica uma das asas membranosas parcialmente desdobradas e expostas. A asa membranosa geralmente é maior que o élitro.

Balancins ou halteres

Os Balancins ou Halteres (Figura 57) são o segundo par de asas atrofiadas, e ocorrem apenas na ordem Diptera, que compreende, entre outros insetos, as moscas e mosquitos. Possuem função de estabilizar o vôo, dando equilíbrio ao inseto.

de estab ilizar o vôo, dando equilíbrio ao inseto. Fi g ura 57. Balancin p resente

Figura 57. Balancin presente em uma mosca (ordem Diptera).

Estruturas de Acoplamento

As estruturas de acoplamento podem estar presentes nos insetos com dois pares de

asas membranosas, como representantes de Lepidoptera e Hymenoptera. Estas estruturas

permitem sincronizar o bater das asas meso e metatorácico, fazendo com que elas

funcionem como se fossem apenas uma, batendo ao mesmo tempo.

Frênulo e Retináculo

O frênulo e retináculo (Figura 58) estão presentes em muitas espécies de mariposas.

O frênulo consiste em uma cerda (pelo longo e resistente) que surge da margem cranial da

asa metatorácica e se encaixa no retináculo, uma pequena projeção ou dobra presente na

face ventral da asa mesotorácica. O frênulo pode ser composto por mais de uma cerda e o

retináculo pode ser composto por um tufo de cerdas, com a mesma função da

anteriormente descrita.

de cerdas, com a mesma função da anteriormente descrita. Figura 58. Vista ventral da asa de

Figura 58. Vista ventral da asa de uma mariposa (Lepidoptera). A seta indica o frênulo, inserido na asa posterior e o retináculo, presente na asa anterior.

Hâmmulus

Os hâmmulus (Figura 59 e 60) são pequenos ganchos presentes na margem costal

da asa posterior e se prendem à margem anal da asa anterior. Este mecanismo de

acoplamento está presente, por exemplo, em abelhas e mamangavas (Hymenoptera).

por exemplo, em abelhas e mamangavas (Hymenoptera). Figura 59. União entre as metatorácicas por meio de

Figura 59. União entre as

metatorácicas por meio de hâmmulus em abelha (Hymenoptera).

asas meso e

por meio de hâmmulus em abelha (Hymenoptera). asas meso e Figura 60. Hâmmulus na borda cranial

Figura 60. Hâmmulus na borda cranial da asa metatorácica de abelha (Hymenoptera). Para melhor visualização a asa mesotoráxica foi removida.

Abdômen

O abdômen é geralmente alongado e cilíndrico, caracterizado pela segmentação típica e ausência geral de apêndice locomotores. Geralmente é composto de 11 a 12 segmentos, sendo os segmentos terminais modificados para cópula, postura de ovos ou com estruturas de defesa. Ao longo do lado inferior do tórax e abdome há pequenas aberturas, os estigmas ou respiráculos, ligados ao sistema respiratório. Quanto à denominação das placas quitinizadas (escleritos) que compõe o abdômen, aqueles localizados na face dorsal são os tergitos e aqueles na face ventral são denominados de estérnitos. Na lateral os tergitos são unidos aos estérnitos por tegumento membranoso o que possibilita a dilatação do abdômen durante a alimentação. O abdômen pode ser classificado de acordo com a forma pela qual se une ao tórax.

Tipos de Abdomens

Abdômen Séssil - O Abdômen séssil ocorre na maioria dos insetos, e o abdome liga-se ao

tórax em toda a sua largura. Não há qualquer tipo de constrição ou cintura entre o abdômen

e o tórax. Ordens: Orthoptera, Coleoptera, Hemiptera (Figura 61), Blattodea (Figura 62)

entre outras.

He miptera (Figura 61), Blattodea (Figura 62) entre outras. 61. Hemi pte ra. Figura Vista dorsal

61.

Hemiptera.

Figura

Vista

dorsal

de

cigarra.

Ordem

61. Hemi pte ra. Figura Vista dorsal de cigarra. Ordem Figura 62. Vista dorsal de indivíduo

Figura 62. Vista dorsal de indivíduo juvenil de barata (Blattodea). Note a ausência de cintura ou constrição entre tórax e abdômen.

Abdômen Livre - O abdômen é considerado livre quando aparece na união do abdome

com o tórax, uma constrição mais ou menos pronunciada. Ordens: Lepidoptera, Odonata

(Figura 63), Diptera (Figura 64).

: Lepidoptera, Odonata (Figura 63), Diptera (Figura 64). Figura 63. Abdômen livre de libélula. Ordem

Figura 63.

Abdômen livre de libélula. Ordem

Odonata.

64). Figura 63. Abdômen livre de libélula. Ordem Odonata. Figura 64. Abdômen livre de mosca. Ordem

Figura 64. Abdômen livre de mosca. Ordem Diptera.

Abdômen Pedunculado - No abdômen pedunculado (Figuras 65 e 66) a ligação ao tórax é

feita através de uma constrição pronunciada em forma de pecíolo. Ordem: Hymenoptera

pronunciada em forma de pecíolo. Ordem: Hymenoptera Figura 65. Abdômen pedunculado de formiga (Hymenoptera).

Figura 65. Abdômen pedunculado de formiga (Hymenoptera). Note a constrição formando um pecíolo.

(Hymenoptera). Note a constrição formando um pecíolo. Figura (Hymenoptera). 66. Abdômen pedunculado de vespa 53

Figura

(Hymenoptera).

66.

Abdômen

pedunculado

de

vespa

Apêndices Abdominais

Os apêndices abdominais podem estar presentes no estágio de larva, como ocorre,

por exemplo, com as lagartas (Lepidoptera) que apresentam pernas abdominais (falsas

pernas) ou nos estágios adultos. Assim sendo podem estar presentes cercos, estilos,

ovopositor e/ou ferrão.

As baratas apresentam cercos que são estruturas multisegmentadas com função

olfativa e, nos machos, além dos cercos há dois apêndices curtos unisegmentados que

recebem o nome de estilos (Figura 67).

Em Dermaptera (tesourinha) os cercos possuem função de defesa (Figura 68).

os cercos possuem função de defesa (Figura 68). Figura 67. Apêndices abdominais de barata (ordem

Figura 67. Apêndices abdominais de barata (ordem Blattodea). Nas laterais estão os cercos, sendo multisegmentados. As estruturas mais finas são os estilos.

multisegmentados. As estruturas mais finas são os estilos. Figura 68. Os cercos de tesourinha (ordem Derma

Figura 68. Os cercos de tesourinha (ordem Dermaptera) possuem função de defesa.

Nas fêmeas pode haver presença do ovopositor (Figura 69) – uma adaptação dos

últimos segmentos abdominais, que facilita a postura de ovos ou a presença de ferrão

(Figura 70), que é uma adaptação do ovopositor, modificado para a defesa.

é uma adaptação do ovopositor, modificado para a defesa. Figura Ordem Orthoptera. 69. Ovopositor de esperança.

Figura

Ordem Orthoptera.

69.

Ovopositor

de

esperança.

para a defesa. Figura Ordem Orthoptera. 69. Ovopositor de esperança. Figura Hymenoptera. 70. Ferrão de formiga.

Figura

Hymenoptera.

70.

Ferrão

de

formiga.

Ordem

Desenvolvimento

O desenvolvimento dos insetos engloba o crescimento no tamanho e a mudança na

forma, e se divide em desenvolvimento embrionário e pós-embrionário.

Desenvolvimento Embrionário

A maioria das espécies de insetos reproduz-se pela postura de ovos, sendo que

apenas alguns realizam viviparidade de ninfas (ex: pulgões, família Aphidae) ou larvas (ex:

moscas da família Sarcophagidae). Os ovos podem ter diversos aspectos, geralmente arredondados ou ovalados. Podem ser postos isoladamente, ou em grupos (Figura 71), soltos ou aderidos ao substrato (Figura

72).

Podem ainda ser protegidos por secreções mucosas (Figura 73), pegajosas ou membranas que endurecem em contato com o ar, formando uma cápsula chamada de ooteca (Figuras 74 e 75). Para facilitar a saída da larva ou ninfa, os ovos de algumas espécies possuem uma área de fragilidade denominada de opérculo (Figuras 76 e 77). Nas espécies em que o opérculo não está presente a larva ou a ninfa pode eclodir ao mastigar a parede do ovo ou ao se expandir, forçando a parede do ovo (Figura 78).

parede do ovo ou ao se expandir, forçando a parede do ovo (Figura 78). Figura 71.

Figura 71. Ovos de percevejo. Ordem Hemiptera.

Figura 72. Ovos de borbol eta aderidas à folha. Ordem Lep ido p tera. Figura

Figura 72. Ovos de borboleta aderidas à folha. Ordem Lepidoptera.

Figura 73. Acima à esquerda: ovos de hemíptera envoltos por substância pegajosa. Acima à direita:
Figura 73. Acima à esquerda: ovos de
hemíptera envoltos por substância pegajosa.
Acima à direita: Ovos de hemíptera abertos. O
mecanismo de abertura dos ovos assemelha-se
a rolhas. Ao lado: hemíptera recém eclodido do
ovo.
Figura 74. Acima: ooteca de louva-deus (ordem Mantódea). Abaixo: ninfa recém eclodida. Figura 75. Ooteca

Figura 74. Acima: ooteca de louva-deus (ordem Mantódea). Abaixo: ninfa recém eclodida.

ooteca de louva-deus (ordem Mantódea). Abaixo: ninfa recém eclodida. Figura 75. Ooteca de barata. Ordem Blattodea.

Figura 75. Ooteca de barata. Ordem Blattodea.

Figura 76. Ovos de hemíptera vazios. Figura 77. À esquerda: ovos de hemíptera postos em

Figura 76. Ovos de hemíptera vazios.

Figura 76. Ovos de hemíptera vazios. Figura 77. À esquerda: ovos de hemíptera postos em grupo.

Figura 77. À esquerda: ovos de hemíptera postos em grupo. O primeiro ovo da fileira ainda possui conteúdo, os demais estão vazios. À direita: detalhe do opérculo.

os demais es tão vazios. À direita: detalhe do opérculo. Figura 78. Ovo de borboleta com

Figura 78. Ovo de borboleta com embrião (à esquerda), e vazio (à direita), onde é possível ver as marcas de rompimento feitas pela lagarta ao eclodir.

Desenvolvimento Pós-embrionário

Compreende a fase entre a eclosão do ovo e a chegada do inseto à fase adulta.

Durante o crescimento o inseto sofre mudanças graduais em seu organismo. A

ecdise é o principal mecanismo de transformação, onde entre cada estágio de crescimento

ocorre a geração de uma nova cutícula, e a perda da cutícula velha. A cutícula que é

descartada a cada ecdise se chama exúvia (Figura 79), e o período entre uma ecdise e outra

é denominado instar. Dessa forma o corpo do animal aumenta de tamanho e pode mudar de

forma, passando por uma metamorfose. Os indivíduos jovens são chamados de ninfas ou

larvas (dependendo do seu tipo de desenvolvimento) e podem passar por diversas ecdises

até atingir o estágio adulto (Figura 80).

diversas ecdises até atingir o estágio adulto (Figura 80). Fi g ura 79. Exúvia de ci

Figura 79. Exúvia de cigarra. Ordem Hemiptera.

80). Fi g ura 79. Exúvia de ci g arra. Ordem Hemi p tera. Figura 80.

Figura 80. À esquerda: Ninfa de gafanhoto (ordem Orthoptera). Nota-se o comprimento da asa, que deixa o abdômen à mostra. No meio: Exúvia da última ecdise da ninfa do gafanhoto. À direita: Gafanhoto em sua forma adulta com tamanho maior em relação à ninfa, com coloração diferente e asas totalmente formadas.

Tipos de Metamorfose

O desenvolvimento pode ocorrer sem metamorfose (ametabolia), e com

metamorfose, porém, sempre há ecdise, possibilitando o aumento de tamanho do corpo. A maioria dos insetos sofre metamorfose e tal mudança se dá de maneira gradual (hemimetabolia) ou drástica (holometabolia).

Ametabolia

Consiste no desenvolvimento do inseto, sem a presença da metamorfose. O inseto

jovem apresenta-se idêntico ao indivíduo adulto, a única exceção é o menor tamanho e ausência de capacidade reprodutiva, pela imaturidade dos órgãos reprodutores. Reproduzem-se por ametabolia insetos das ordens Thysanura (traças), e a superfamília Aphidoidea, da ordem Sternorrhyncha (pulgões), por exemplo.

Na figura 81 podem ser vistos pulgões de diversas idades. Note que adultos e

jovens possuem a mesma morfologia externa, diferenciando-se apenas pelo tamanho.

morfologia extern a, diferenciando-se apenas pelo tamanho. Figura 81. Ninfas e adultos de pulgão. Ordem

Figura 81. Ninfas e adultos de pulgão. Ordem Sternorrhyncha.

Hemimetabolia

É também denominada de metamorfose parcial. A ninfa é muito parecida com o

adulto, porém possui tamanho menor, coloração diferente, ausência de asas e aparelho

reprodutor imaturo. As características da forma adulta surgem progressivamente a cada

ecdise (Figura 83). Um exemplo disso são as asas, que têm sua formação iniciada nas

ecdises próximas à fase adulta, pelas tecas alares (Figura 84).

Fazem desenvolvimento por hemimetabolia as ordens: Odonata, Blattodea,

Isoptera, Mantodea, Dermaptera, Orthoptera, Phasmatodea, Anoplura, Heteroptera.

Nas figuras de 82 a 86 podem ser visualizados os estágios evolutivos de um

percevejo (ordem Hemiptera), do ovo ao adulto.

de um percevejo (ordem Hemiptera), do ovo ao adulto. Figura 82. Á esquerda: ovos de percevej

Figura 82. Á esquerda: ovos de percevejo (ordem Hemíptera) onde é possível observar os olhos das ninfas quase prontas para eclodirem. À direita: ninfa de percevejo recém eclodida do ovo.

À direita: ninfa de percevejo recém eclodida do ovo. Figura primeira ecdise. 83. Ninfa de percevejo

Figura

primeira ecdise.

83.

Ninfa

de

percevejo

e

exúvia

da

sua

Figura 84. Ninfas de percevejo. Nota-se a ausência de asas. Figura 85. Ninfa de percevejo.

Figura 84. Ninfas de percevejo. Nota-se a ausência de asas.

Figura 84. Ninfas de percevejo. Nota-se a ausência de asas. Figura 85. Ninfa de percevejo. Neste

Figura 85. Ninfa de percevejo. Neste instar já é possível observar a formação das asas através da presença das tecas alares.

formação das asas através da presença das tecas alares. Figura 86. Forma adulta de percevejo. As

Figura 86. Forma adulta de percevejo. As asas são completamente desenvolvidas e cobrem o abdômen.

Holometabolia

É a metamorfose completa, onde ocorrem as fases de ovo, larva, pupa e adulto.

Os jovens são chamados larvas, e não ninfas, pois quando eclodem do ovo são

completamente diferentes da sua forma adulta. Esta é a primeira fase pós-embrionária,

onde o inseto apresenta grande crescimento. A larva se alimenta logo que nasce e faz

várias ecdises, aumentando de tamanho e peso, permanecendo, porém, da mesma forma,

até o momento em que pára de se nutrir e se transforma em pupa. A pupa é a segunda fase

pós-embrionária, marcada por aparente dormência. Neste estado o inseto sofre grandes

modificações para chegar à fase adulta. Este estágio é muito sensível às perturbações

externas.

Geralmente o inseto que faz este tipo de metamorfose só apresenta um tipo de larva

antes de pupar, porém, algumas espécies se transformam em vários tipos de larvas antes de

virar pupa. Essa variação de metamorfose completa é observada em alguns besouros e

microimenópteros e é chamada hipermetabolia.

As principais ordens que apresentam a holometabolia em seu desenvolvimento são:

Coleoptera, Diptera, Siphonaptera, Lepdoptera e Hymenoptera (Figuras 87, 88 e 89).

Lepdopt era e Hymenoptera (Figuras 87, 88 e 89). Figura 87. Fases do desenvolvimento de uma

Figura 87. Fases do desenvolvimento de uma formiga Camponotus. Na figura são observados, da esquerda para direita, o crescimento da larva, em quatro tamanhos diferentes, a larva tecendo o casulo da sua pupa e o casulo formado, protegendo a pupa em seu interior (não visível). No canto superior esquerdo: formiga Camponotus adulta. Ordem Hymenoptera.

Figura 88. Estágios de desenvolviment o de vespa (ordem Hymenoptera). Na imagem é visualizado o

Figura 88. Estágios de desenvolvimento de vespa (ordem Hymenoptera). Na imagem é visualizado o interior de um favo, onde no canto superior esquerdo tem- se um ovo. No canto superior direito observa-se duas larvas de tamanhos diferentes. Abaixo, ao lado esquerdo, são vista pupas e uma larva, e ao lado pupas, a central já com o desenvolvimento avançado.

Figura 89. De cima para baixo: larva, pupa e adulto de vespa. Ordem Hymenoptera. 67

Figura 89. De cima para baixo: larva, pupa e adulto de vespa. Ordem Hymenoptera.

Tipos de Larvas

De acordo com sua forma, as larvas podem ser classificadas em vários tipos:

Campodeiforme – Apresenta três pares de pernas desenvolvidas, e o corpo visivelmente

separado em cabeça, tórax e abdome (Figura 90). É ágil e predadora. Ex.: besouros da

família Coccinellidae (joaninha).

Ex.: besouros da família Coccinellidae (joaninha). Figura 90. Larva do tipo campodeiforme de joaninha (ordem

Figura 90. Larva do tipo campodeiforme de joaninha (ordem Coleoptera). A larva possui o corpo dividido em cabeça, tórax e abdomen, além de pernas bem desenvolvidas.

Carabeiforme – Possui três pares de pernas curtas, corpo alongado (Figura 91). É

predadora e vive no solo. Ex.: besouros da família Carabidae.

e vive no solo. Ex.: be souros da família Carabidae. Figura 91. Larva do ti po

Figura 91. Larva do tipo carabeiforme, de besouro (ordem Coleoptera). Na imagem nota- se que a larva possui o corpo alongado e as pernas curtas.

Cerambiciforme – Semelhante à larva do tipo buprestiforme (ver pág. 71), porém sua

segmentação é menos nítida e a parte torácica pouco destacada (Figura 92). Ex.: besouros

da família Cerambycidae (serra-pau).

92). Ex.: besouros da família Cerambycidae (serra-pau). Figura 92. Larva do tipo cerambiciforme, de besouro

Figura 92. Larva do tipo cerambiciforme, de besouro serra-pau. O corpo apresenta segmentação e ausência de pernas. Ordem Coleoptera.

Curculioniforme – É ápoda, possui corpo recurvado, branco-leitoso, com a cabeça

destacada e quitinizada (Figura 93). Típica da família Curculionidae, ocorrendo também

em outros coleópteros e em insetos de outras ordens.

em outros coleópteros e em insetos de outras ordens. Figura 93. Larva do tipo curculioniforme. Nota-se

Figura 93. Larva do tipo curculioniforme. Nota-se a ausência de pernas. Ordem Coleoptera.

Elateriforme – Apresenta três pares de pernas curtas, corpo alongado e muito quitinizado

(Figura 94). Habita o solo. Ex.: besouros da família Elateridae.

94). Habita o solo. Ex.: besouros da família Elateridae. Figura 94. Larva do ti po elateriforme

Figura 94. Larva do tipo elateriforme de tenebra, com três pares de pernas. (Ordem Coleoptera).

Vermiforme – É ápoda, locomovendo-se por contrações da musculatura. Possui coloração

branco-leitosa. A cabeça não se diferencia do corpo, encontrando-se as peças bucais na

extremidade mais estreita (Figura 95). Ex.: larvas de moscas.

mais estreita (Figur a 95). Ex.: larvas de moscas. Figura 95. Larva do tipo vermiforme. Na

Figura 95. Larva do tipo vermiforme. Na imagem observam-se os três estágios larvais de mosca da Família Sarcophagidae. Ordem Diptera.

Limaciforme – É ápoda, semelhante a uma lesma achatada. Ex.: algumas espécies de

moscas. (Sem figura)

Buprestiforme – É ápoda, com pequena cabeça e segmentos torácicos alargados que

destacam a parte anterior do tempo. Típica dos besouros da família Buprestidae. (Sem

figura)

Escarabeiforme – Possui três pares de pernas longas, recurvada em forma de “C”, com

coloração branco-leitosa, dobras no corpo e o último segmento abdominal bastante

desenvolvido. É subterrânea. Ex.: larvas dos besouros escaravelhos. (Sem figura)

Eruciforme – Geralmente chamada de lagarta, é a larva típica dos lepidopteros. Possui três

pares de pernas torácicas. Além destas pernas, a lagarta também possui cinco pares de

pernas abdominais, chamadas pseudópodes, sendo que seu número pode variar, já que

alguns dos pares de pernas podem estar ausentes. As pernas abdominais podem ter

colchetes ou ganchos para a fixação (Figura 96).

podem ter colchetes ou ganchos para a fixação (Figura 96). Figura 96. Lagarta de lepidoptera. Destacam-se

Figura 96. Lagarta de lepidoptera. Destacam-se as pernas torácicas e os pseudópodes no abdômen.

Mecanismos de Defesa – A lagarta pode ter o corpo revestido por pelos que quando

quebrados liberam uma substância urticante (Figura 97), e pode apresentar também

glândulas de veneno que são expostas quando a lagarta se sente ameaçada (Figura 98).

Obs.: As lagartas mostradas não estão exibindo sua coloração original, por serem

espécimes pertencentes à coleção entomológica, sofrendo descoloração devido ao álcool

no qual são mantidos.

descoloração devido ao álcool no qual são mantidos. Figura 97. Lado esquerdo: lagarta com pelos urticantes.

Figura 97. Lado esquerdo: lagarta com pelos urticantes. Lado direito: visão aumentada dos pelos que liberam uma substância urticante ao serem quebrados (Ordem Lepidoptera).

urticante ao serem quebrados (Ordem Lepidoptera). Figura 98. Glândulas de veneno que são expostas quando a

Figura 98. Glândulas de veneno que são expostas quando a lagarta se sente ameaçada.

Tipos de Pupas

As pupas podem ser classificadas em diversos tipos, de acordo com sua forma:

Pupa exarada ou livre – é aquela em que o desenvolvimento do inseto é protegido apenas

por uma fina membrana, podendo ser visualizadas as alterações morfológicas. A pupa

também é considerada livre. As pupas exaradas ocorrem nas ordens Hymenoptera (Figura

99) e Coleoptera (Figura 100).

ordens Hymenoptera (Figura 99) e Coleoptera (Figura 100). Figura 99. Pupa de vespa (ordem Hymenoptera). Nota-se

Figura 99. Pupa de vespa (ordem Hymenoptera). Nota-se a formação das antenas, asas, pernas e abdômen.

Figura 100. Canto superior esquerdo: vist a lateral da pupa de joaninha (ordem Coleoptera). Destaca-se

Figura 100. Canto superior esquerdo: vista lateral da pupa de joaninha (ordem Coleoptera). Destaca-se a formação da asa. Canto superior direito: vista ventral da pupa da joaninha (Ordem Coleoptera). È possível visualizar a formação das pernas e cabeça. Canto inferior esquerdo: vista lateral de pupa de tenebra (ordem Coleoptera). Canto inferior direito: vista ventral da pupa de tenebra (ordem Coleoptera), onde se destaca a formação da cabeça, asas e pernas do inseto.

Pupa Obtecta – Os caracteres morfológicos, como antenas e pernas, ficam

justapostos ao corpo, dificultando sua visualização. Este tipo de pupa é típico dos

lepidópteros. A pupa pode não estar envolvida por nenhuma proteção, sendo chamada pupa

nua (Figura 101). Quando a pupa possui coloração dourada ou prateada, recebe o nome de

crisálida (Figura 102). A pupa de várias borboletas é fixada por uma estrutura formada por

fios que são secretados pela lagarta antes de pupar, denominada cremaster (Figura 101).

lagarta antes de pupar, denominada cremaster (Figura 101). Figura 101. Pupa nua de borboleta (Ordem Lepidoptera).

Figura 101. Pupa nua de borboleta (Ordem Lepidoptera). As asas, pernas e antenas ficam justas ao corpo do inseto, sendo assim, é difícil sua visualização. Observa-se o cremaster no final do abdomen.

Obser va-se o cremaster no final do abdomen. Figura 102. Crisálida de borboleta (Ordem Lepidoptera). A

Figura 102. Crisálida de borboleta (Ordem Lepidoptera). A pupa possui coloração dourada e prateada.

A pupa pode estar envolvida por diversos materiais que a protegem. A pupa em

casulo (Figura 103) é constituída por fios de seda tecidos pela lagarta, como é o caso do

bicho-da-seda. Além de fios, a pupa pode estar envolta em gravetos ou folhas, como faz o

bicho-cesto, formando sua pupa em estojo (Figura 104). Espécies de mariposas da família

Geometridae fazem a pupa incompleta (Figura 105), sendo seu casulo frágil, o que facilita

a visualização da pupa em seu interior.

o que facilita a visualização da pupa em seu interior. Figura 103. Pupa em casulo do

Figura 103. Pupa em casulo do bicho- da-seda (Ordem Lepidoptera). O casulo é constituído por fios secretados pela lagarta.

O casulo é constituído por fios secretados pela lagarta. Figura 105. Pupa incompleta de mariposa (Ordem

Figura 105. Pupa incompleta de mariposa (Ordem Lepidoptera). A estrutura do casulo permite a visualização da pupa em seu interior.

do casulo permite a visualização da pupa em seu interior. Figura 104. Pupa em estojo do

Figura 104. Pupa em estojo do bicho- cesto (Ordem Lepidoptera). O casulo é formado por fios secretados pela lagarta e gravetos.

Pupa coarctada – É envolvida pela exúvia do último instar larval, impedindo a

visualização dos caracteres morfológicos do inseto adulto que está sendo formado (Figura

106). É típica de dípteros.

está sendo formado (Figura 106). É típica de dípteros. Figura 106. Pupa do tipo coarctada de

Figura 106. Pupa do tipo coarctada de uma mosca. Ordem Diptera.

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