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História da Ars Antiqua e Notação Musical

A Ars Antiqua refere-se à música polifónica desenvolvida na Catedral de Notre Dame entre 1160-1320. Inclui a notação rítmica mensural e géneros como o organum e conductus. Os teóricos como Franco de Colónia estabeleceram as regras para a notação rítmica através de figuras de duração. A Ars Antiqua foi defendida por Jacobus de Liége contra as inovações da Ars Nova.
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História da Ars Antiqua e Notação Musical

A Ars Antiqua refere-se à música polifónica desenvolvida na Catedral de Notre Dame entre 1160-1320. Inclui a notação rítmica mensural e géneros como o organum e conductus. Os teóricos como Franco de Colónia estabeleceram as regras para a notação rítmica através de figuras de duração. A Ars Antiqua foi defendida por Jacobus de Liége contra as inovações da Ars Nova.
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História da Cultura e das Artes I

Profª Marta Esteves

ARS ANTIQUA (Arte Antiga)


 Termo utilizado por um grupo de teóricos e músicos no sé[Link], em Paris, para distinguir a
época da polifonia e notação do sé[Link] (Ars Antiqua) das novas práticas modernas do sé[Link]
(Ars Nuova).
 A definição do termo Ars Antiqua inclui toda a música do período de Notre Dame e dos seus
principais compositores, Léonin e Pérotin. A essa tradição pertencem ainda o repertório de
organum e conductus.
 Assim, Ars Antiqua incluirá dois períodos históricos:
o Escola de Notre Dame, de 1160 a 1250 - caracterizado pela polifonia litúrgica, com
textos em latim, com utilização dos modos rítmicos e por uma notação rítmica que está
a surgir.
o Período seguinte, de 1250 a 1320 - dominado por uma notação mensural rítmica muito
desenvolvida, pelo género do motete e pelo aparecimento inicial de uma tradição de
escrita de música instrumental e da canção polifónica profana.

A NOTAÇÃO DA ARS ANTIQUA

 Esta época é caracterizada pelo aparecimento da notação mensural.


 Até meados do sé[Link], os músicos de Notre Dame executavam as composições polifónicas de
acordo com os Modos Rítmicos. Para interpretarem as novas composições polifónicas cada vez
mais complexas, os teóricos do sé[Link] - Johannes de Garlandia e Franco de Colónia - tiveram
que estabelecer um novo código de figuras com duração que possibilitaram a escrita de ritmos
variados.
 Segundo os tratados destes teóricos, a distinção temporal entre as notas é feita com base em 4
figuras e suas respetivas pausas:

A relação entre Máxima e Longa pode ser binária ou ternária:

A relação entre Longa, Breve e Semibreve é sempre ternária:

 Assim, era fácil formar uma árvore de valores duracionais, com a máxima a valer 2 longas, a
longa a valer 3 breves e a breve a valer 3 semibreves. Esta relação é simples de se entender,
pois trata-se de valores isolados entre si e que estão de acordo com o consagrado princípio
ternário, o número perfeito medieval. Porém, torna-se mais complicado quando as notas
formam ligaturae (ligaduras), ou seja, quando mais que uma nota cobrem uma mesma sílaba.

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 O sistema de ligaduras baseia-se na sequência de valores breves ou longos. Antes de Franco de
Colónia as mesmas ligaduras podiam ter diferentes valores dependendo do contexto, tal como
podemos ver neste quadro.

 Depois de Franco de Colónia ter criado a notação mensural, as ligaturae passaram a ter uma
relação temporal.
 Na presença de duas notas ligadas existe uma forma normal – sequência Breve-Longa – e
existem variantes desta forma.

 A sequência normal de valor breve e longo de duas notas ligadas é chamada ligaturae cum
proprietate et cum perfectione.

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OS TEÓRICOS

 Entre o grupo de teóricos musicais do início do sé[Link], encontra-se Jacobus de Liége (1260-
1340) defensor da Ars Antiqua e autor da enciclopédia Speculum musice (1320). Dos seus
escritos, ficamos a saber que a Ars Antiqua corresponde à prática musical da segunda metade
do sé[Link], preservada em inúmeros manuscritos e descrita em tratados como De musica
mensurabili (1240) de Johannes de Garlandia; Ars cantus mensurabilis (1260) de Franco de
Colónia; De speculatione musices (1280) de Walter Odington; Ars musicae (1300) de Johannes
de Grocheio; e Petrus de Cruce cujo tratado se perdeu.

 Na sua enciclopédia, Jacobus de Liége critica as práticas modernas e enaltece as virtudes das
velhas práticas dizendo:
o Os compositores modernos só escrevem motetes e canções, negligenciando outros
géneros como o organum, o conductus e o hoquetus;
o Os compositores modernos tanto usam medidas rítmicas imperfeitas como perfeitas
enquanto que nas antigas práticas, seguindo Franco de Colónia, apenas se usam as
perfeitas;
o Os modernos dividem as semibreves em valores mais pequenos, grupos de mínimas e
semínimas perfeitos e imperfeitos enquanto que os seguidores da Ars Antiqua dividem
apenas as breves em semibreves na medida perfeita, sendo estas indivisíveis;
o Em consequência disto, a linguagem rítmica usada pelos modernos é muito mais
limitada e inflexível que a usada pelos aderentes da prática antiga;
o Os modernos envolvem-se numa considerável experimentação com a notação,
resultando numa prática inconsistente, enquanto que os seguidores de Franco de
Colónia têm uma clara e estabelecida tradição de notação musical;
o Os modernos enaltecem demasiado os andamentos em ritmos estranhos e caprichosos
– musica lasciva - enquanto que os seguidores da prática antiga permanecem
confinados a uma música mais discreta – música modesta.

 Depois deste testemunho torna-se evidente que a Ars Antiqua corresponde à prática musical da
2ª metade do sé[Link] e que os primeiros géneros de conductus e organum eram continuamente
revistos à luz das mudanças estéticas que o ritmo trouxe.
 Apesar de todos os méritos que a Ars Antiqua trouxe, por volta de 1320 um novo período
estava a imergir. Apesar da maioria das inovações da Ars Nova serem radicais, muitas outras
representam uma continuidade das primeiras práticas.

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