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SIBILIA, Paula.

O homem pós-orgânico: a alquimia dos corpos e das almas à luz das


tecnologias digitais. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015. (2ª edição)

FICHAMENTO (citações e tópicos)

Livro de Paula Sibilia, "O homem pós-orgânico" apresenta histórico do desenvolvimento digital de
aparatos tecnológicos e suas implicações no modo de viver humano. Apoiado nos escritos de Hermínio
Martins, Sibilia procura aprofundar a reflexão sobre a postura do desenvolvimento tecnocientífico em
duas leituras Prometeu e Fausto.
Ambas as correntes relacionam a busca e o desejo pelo conhecimento com seres sobrenaturais. Se
Prometeu desejava dividir o conhecimento divino com a humanidade, Fausto fazia um pacto com o
demônio.
Sibilia foca na vocação fáustica, que apresenta o desenvolvimento tecnocientífico como necessidade de
ultrapassar as barreiras orgânicas do corpo.
Para a autora, o desenvolvimento tecnocietífico estaria proporcionando um tipo de evolução que não
seria natural, porém artificial.

INTRODUÇÃO

"É hora de se perguntar se um corpo bípede, que respira, com visão binocular e um
cérebro de 1.400cm³ é uma forma biológica adequada. Ele não pode dar conta da
quantidade, complexidade e qualidade de informações que acumulou; é intimado pela
precisão, pela velocidade e pelo poder da tecnologia e está biologicamente mal
equipado para se defrontar com o seu novo ambiente. O corpo é uma estrutura nem
muito eficiente, nem muito durável. Com frequência funciona mal (...) . É o momento
de reprojetar os humanos e torná-los mais compatíveis com suas máquinas." p.13
STELARC apud SIBILIA
em Das estrategias psicologicas às ciberestrategias: a protética, a robótica e a existencia remota.

Indefinição : plasticidade do ser humano


"o homem se revelara subitamente como uma criatura miraculosa, pois sua natureza continha
todos os elementos capazes de torná-lo seu próprio arquiteto." p.13
"Não te fiz nem celeste, nem terrestre, nem mortal, nem imortal, a fim de que sejas tu mesmo,
livremente, à maneira de um hábil escultor"

"Não conseguem fugir da tirania e das delícias do upgrade"


"essa mania do aprimoramento sem pausa"
compatibilidade com o tecnocosmo digitalizado.
Essa empreitada contempla a abolição das distâncias geográficas, das doenças, do
envelhecimento e da mesmíssima morte.

"Insinuando o advento de uma nova era comandada pela evolução pós-humana ou mesmo por
certa pós-evolução de toda a biosfera; ou seja, um tipo de evolução que não seria natural,
porém artificial." p.15

CAP.1

Do hardware ao software
O capitalismo nasce com a rev. industrial, mecanica.
O relógio > marcar o tempo. "ajudaram a dar, à empresa humana, a batida e o ritmo regulares
e coletivos das máquinas." Rotinas metódicas
"virtudes como a pontualidade e aberrações como a perda de tempo" p.22
Observatório de Greenwich > sincronização mundial das tarefaws humanas a serviço do
capitalismo.
A primeira greve do mundo, na França, em 1724 foi de relojoeiros!
No século XX, a virada vertiginosa da maquinaria analógica para um novo capitalismo > crise
mundial de emprego.
1973 - desvinculação do dólar ao ouro: sistema global, virtual e digital de taxas de cambio
flutuantes. caixa eletronico, cartao de debito/credito, internet banking... informatização do
sistema financeiro.p.23
Leasing - modo de "assinatura" - ao invés de propriedade o consumidor contrata um serviço
como direito de utilizar um produto sempre atualizado. Uma forma de driblar a desvalorização
da propriedade privada, de bens materiais e ainda reforçar o consumo na lógica imposta da
obscolecencia programada. > Capitalismo da propriedade volatizada.
Até mesmo o processo de "conceituação" foi comercializado pelo conjunto de marketing,
design e publicidade. (critica ironica de deleuze e guatarri - filosofia)
Passagem da sociedade disciplinar(FOUCAULT) para a sociedade de controle (DELEUZE) Ver
Técnicas de poder mais sutis e menos evidentes

CAP. 2
bases filosóficas e míticas da tecnociência
compreensão do corpo humano como configuração orgânica fadada a obscolescência

Hermínio Martins - "vocação fáustica" que sonha ultrapassar a condição humana


Hegel, Texas e outros ensaior de teoria Social, Lisboa, Seculo XXI, 1996.
"um ideal ascético, artificial, virtual, imortal"
Fausto perde o controle das energias de sua mente que passa a adquirir vida própria. animado
por uma vontade de crescimento infinito e pelo desejo de superar suas próprias possibilidades.

Fausto: querendo ultrapassar os conhecimentos de sua época, Fausto faz um pacto com o
demônio.
Prometeu: rouba o fogo dos deuses e entrega aos humanos. Castigado sendo preso a uma
pedra a águia vem comer seu fígado todos os dias. - visava o bem da humanidade

Na leitura de Martins, enquanto Prometeu age no ímpeto de melhorar as condições de vida da


humanidade, acreditando no poder libertador do conhecimento científico e do
desenvolvimento tecnológico. A ciência é vista como conhecimento puro e superior. Há limites
para o conhecimento humano, certos assuntos são de ordem exclusivamente divina.

Frankestein - descoberta da energia elétrica no século XIX. O potencial vital da energia e a


possibilidade de ressucitar dos mortos e reacender a centelha da vida.

"Assim, de acordo com a perspectiva fáustica, os procedimentos científico das coisas, as


somente a compreensão restringida dos fenômenos para exercer a previsão e o controle -
ambos propósitos estritamente técnicos. Por isso é inevitável associar os parâmetros fáusticos
à tecnociência contemporânea." p.49

A superação do humano pela ciência aborda necessidades como dormir, capacidade


reprodutiva e até a morte. Inteligencia artificial, engenharia genética... As implicações do
avanço científicico provocaram mudanças na definição técnica de morte. Se antes a morte era
vista como interrupção do funcionamento de coração e pulmões, hoje o cérebro é importante.
Morte cerebral, capacidade de regenerar células...
"interromper o suporte artifical à vida, autorizar extração de órgãos, reversibilidade, ordem de
não ressuscitar, doador sem batimentos cardíacos, morte não tecnicamente reversível"

ZONA DE MORTE - entre a inconsciência permanente e cessação da respiração. p.54

o ato de falecer perdeu seu sentido absoluto e religioso, o entendimento como uma
"inexpugnável decisão divina"

técnicas de congelamento de corpos - criogenia -


"a probabilidade de se conservar ou recuperar a informação o que constitui a identidade de
cada paciente"
Foucault - mecanismos de biopoder - se antes o poder era de quem poderia fazer morrer, hoje
seria de quem pode intervir para fazer viver.
Existiriam ainda as mortes "naturais"?

Carl Mitcham - tres formas de ser con la tecnologia


Demonstra como na cultura grega havia receio de todas as tecnologias do bem-estar. "quando
a dificuldade era vista como bela ou perfeita, como oposto do fácil ou do fraco"
a medicina seria uma educação para a doença que dilata a morte.

a relação de todas essas mudanças com a redução de uma leitura analógica do corpo e da vida,
cada vez mais digital. o Projeto Genoma Humano, que decifrou o DNA tinha uma das mais
custosas potências computacionais da época.

Virtualidade: para além do espaço humano

Além da imortalidade, a virtualidade é outro campo de exploração fáustica, que procura


ultrapassar a existência espacial na materialidade orgânica do corpo.
Telepresença - presença virtual. Eduardo Kac e Roy Ascott

"à medida que interajo com a Rede, reconfiguro a mim mesmo; (...) sou medido pela minha
conectividade" Ascott

Torna-se necessário acrescentar o adjetivo real ao substantivo tempo. O tempo real substitui o
aqui e agora.

Dispensando tanto a (1) organicidade do corpo presente, (2) a materialidade do espaço e (3) a
linearidade do tempo. p.61

Walter Benjamin - "o triunfo do anonimato"


"um homem torna-se tanto mais suspeito quanto mais difícil seja encontrá-lo" - Não tenho
nada a esconder
Não é mais possível se esconder, mas, sobretudo, porque ninguém mais parece desejar fazê-lo.
Camuflagem

Cap 3. Ser humano

Mitos da Tecnociência
Homem máquina
O código genético é idêntico para todos os seres vivos, o genoma são as intruções de cada
espécie.
1965 - François Jacob - A lógica do vivente -
1970 - Jacques Monod - O acaso e a necessidade - "o segredo da vida" na biologia molecular
hibridização
biochips os genes dos seres vivos são capazes de armazenar bits e processar instruções lógicas

a ideia de abandonar o corpo. ultrapassar os lmites da matéria > essência virtualmente


eterna.

A tecnociência se dirige às energias e não as matérias. " a matéria é considerada uma função
da energia" p.96
a materia deixa de ocupar um lugar no espaço para ser tratada como uma forma de energia,
uma força de ares imateriais, fluxos de informação.

Descartes - maquina como metafora - instaura a ruptura corpo-mente - monismos


tendenciosos

Hans Jonas - biologia filosófica p.111


A vida, portanto, carregada de espiritualidade e fatalmente ligada ao organismo, seria
inelutavelmente mortal. Porém, o fato de ela ser finita
Joseph Weizenbaum - cientista que após criar software de inteligencia artificial se afasta do
MIT e se torna crítico fervoroso das limitações do software p.112
Francisco Varela - ciencias cognitivas, impossivel entender cognição separando corpo da
mente.
importancia fundamental a interação e com o mundo sensivel e com os outros.
Lyotard - nosso pensamento não é binário, não precisamos testar todas as hipóteses,
aceitamos dados ambíguos, imprecisos e também consideramos as margens. p.113
"Pode a digestão existir sem um estomago?" John Cottingham - a filosofia da mente de
Descartes p.115
Amar é o mais dificil que fazem os seres humanos. p.119
"ultrapassar os parâmetros básicos da condição humana, sua finitude, contingencia,
mortalidade, corporalidade, animalidade, limitação existencial - aparece como uma das
legitimações da tecnociência fáustica" MARTINS, p.172
fantasias: transmutação de átomos em bits
Being Digital - o acesso ao nivel microscopico vislumbra dentro do universo material algo
comparável ao universo do software - uma questão da limitação perceptiva humana. p.99
Katherine Hayles - Posthuman - "A informação perdeu seu corpo" uma cisão entre a
informação e seu suporte físico, desqualificando este ultimo. um fluido desencarnado
Existe uma ilusão de que toda a internet e os fluxos digitais acontecem na
nuvem, quando na verdade dependem de grandes servidores, fibras oticas que
passam pelos oceanos, satelites que orbitam ao redor do nosso planeta, uma
enorme estrutura física para transmitir e arquivar todas essas informações.
Fico imaginando como seria tornar tudo isso evidente.
+ Performance REDE

A encarnação biologica de cada ser humano seria um mero acidente historico: uma
circunstancia, em vez de uma característica inerente à vida. p.101
Se a essencia da humanidade é informatica, então não há diferenças substanciais entre
computadores e seres vivos.

"um computador cósmico"

Rene Descartes notava que o fluxo de ideias, sensações, desejos e reflexoes que emanavam da
alma não parecia ocupar espaço nenhum... p.105

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Estão todos programados ou ninguém está sob controle?
O andar do bebado - aleatoriedade
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Algumas Referências citadas...

DELEUZE, Sociedade do Controle


FOUCAULT, sociedade disciplinar
MARTINS, Herminio. Hegel, Texas e outros ensaior de teoria Social, Lisboa, Seculo XXI, 1996.
1965 - François Jacob - A lógica do vivente -
1970 - Jacques Monod - O acaso e a necessidade - "o segredo da vida" na biologia molecular
Carl Mitcham - tres formas de ser con la tecnologia
Nicholas Negroponte - Being Digital - MIT 1995
HAYLES, Katherine - how we become posthuman