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GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ


ENGENHARIA DE PESCA

JÉSSICA DE OLIVEIRA DOS SANTOS

AMBIENTES LACUSTRES, FLUVIAL E ESTUARINO

MACAPÁ
2017
JÉSSICA DE OLIVEIRA DOS SANTOS

AMBIENTES LACUSTRES, FLUVIAL E ESTUARINO

Relatório apresentado como requisito


para avaliação da disciplina de
Geologia, do Curso de Engenharia de
Pesca da Universidade do Estado do
Amapá – UEAP, orientado pela
professora Ma.: Neuciane Dias.

MACAPÁ
2017
Ambientes lacustres
Os ambientes lacustres caracterizam-se por apresentarem água
relativamente tranquila, em geral doce, embora existam lagos com água salgada
até hipersalina, e localizam-se, sobretudo, no interior do continente (SUGUIO,
2003).
Lagos são corpos d’água interiores sem comunicação direta com o mar e
suas águas têm, em geral, baixo teor de sais dissolvidos, quando comparadas
às águas oceânicas. Aqueles localizados em regiões áridas ou submetidas a
longos períodos de seca, a intensa evaporação não é compensada pela
precipitação e, nestas condições, o teor de sais dissolvidos pode ser muitas
vezes superior ao da água do mar. (ESTEVES, 1998). Como lagoa, pode-se
considerar os corpos d’água rasos, de água doce, salobra ou salgada em que a
radiação solar pode alcançar o sedimento, possibilitando, consequentemente, o
crescimento de macrófita aquáticas em toda a sua extensão.
Da superfície total da Terra, somente 3% é ocupada por lagos, e a grande
maioria é de pequena profundidade. Somente 20 lagos têm profundidade
superior a 400 m, destacando o lago Baical, com 1.620 m, como o mais profundo
do mundo.
A maioria dos lagos são corpos d’água pequenos e somente alguns
apresentam grandes extensões e, por isso, são denominados de mar, como o
mar Cáspio, mar Morto e mar de Aral. Não considerando o mar Negro, que ainda
tem ligação direta com o oceano, o mar Cáspio é o maior lago do mundo com
436.400 km2. Uma de suas principais características é o alto teor de sais
dissolvidos, devido à alta taxa de evaporação da água, por localizar-se em região
árida. O segundo maior lago do mundo é o Superior (EUA-Canadá), com 82.400
km2, seguido pelo lago Vitória com 68.800 km2 (Quênia-Uganda).
Considerando, entretanto, os grandes lagos norte-americanos como um todo,
uma vez que estão interligados – lagos Superior, Huron (59.55 km2), Michigan
(58.140 km2), Eriê (25.750 km2) e Ontário (18.760 km2), estes constituem a
maior coleção de água doce do mundo.

Na formação de lagos, são de grande importância os fenômenos


endógenos (originários no interior da crosta terrestre) e exógenos (a partir de
causas exteriores à crosta). Como exemplos dos primeiros, podem ser citados
os movimentos tectônicos e vulcânicos e dos segundos as glaciações, a erosão
e a sedimentação. Ocorre, ainda, o ambiente lacustre artificial de natureza
antrópica, denominado de represa.

Ambiente estuarino

Estuário é uma área ao longo da costa onde um rio se junta ao mar. Os


estuários são parcialmente fechados, tendo uma conexão livre com o mar aberto,
essa conexão pode ser permanente ou periódica. Nos estuários a água do mar
é diluída pela água doce, formando um ambiente salobro.

A mistura de água doce e salgada torna os estuários ambientes com


características físicas e químicas únicas. Além disso, esses ambientes são
fortemente influenciados pelas marés. A salinidade, por exemplo, oscila de
acordo com o ciclo das marés, podendo variar verticalmente e horizontalmente
na água dos estuários e também de acordo com a estação do ano. A
transparência da água e a temperatura são fatores que também costumam variar
bastante. Os estuários possuem elevada produtividade, pois recebem grande
quantidade de nutrientes do rio, do mar e até mesmo da própria vegetação que
margeia o estuário. Uma vez que os nutrientes entram nos estuários a ação das
marés e a mistura das águas evitam que eles sejam perdidos para os sedimentos
como normalmente ocorre em água estratificada, e eles tendem a ser reciclados.
Os estuários podem se formar de quatro maneiras distintas. A mais
comum acontece nas planícies costeiras, quando a foz de um rio é inundada
pelas águas salgadas, devido à elevação do nível do mar, durante as marés.
As outras origens correspondem ao deslocamento de terra para baixo do
nível do mar, permitindo a entrada de água salgada, aos rios que se formam
atrás da linha da costa e são confinados por barreiras de areia paralelas à costa
e os fiordes, vales em forma de U escavados por ação dos glaciares.
Apesar da alta produtividade, os estuários têm uma diversidade reduzida
em comparação com outros ambientes marinhos, pois a água salobra é um
desafio para a fisiologia dos organismos. Assim, os estuários apresentam um
número reduzido de espécies com elevada densidade e biomassa. Os animais
que conseguem suportar grande variação na salinidade são chamados
eurialinos.
Poucas espécies conseguem completar seu ciclo de vida nos estuários. A
fauna de peixes é composta principalmente por espécies marinhas, que utilizam
o estuário para desovar, mas passam a maior parte da vida no mar; espécies de
água doce que ocasionalmente penetram na água salobra e espécies residentes
que permanecem toda a vida nos estuários. Entretanto, muitas espécies
marinhas utilizam os estuários como criadouros de larvas, juvenis e sub-adultos,
visto que esses ambientes apresentam condições favoráveis ao
desenvolvimento desses organismos, como alimentação e abrigo proporcionado
pelas plantas.
Os estuários também proporcionam rotas de migração para a reprodução
de espécies anádromas, como Petromyzon marinus (lampréia marinha) e Salmo
salar (salmão), que saem do ambiente marinho em direção aos rios, e para
espécies catádromas como a Anguilla anguilla (enguia), que saem do rio para o
oceano.
A vegetação dos estuários também é limitada, ocorrendo principalmente bancos
de gramíneas e capim dos gêneros Spartina e Salicornia. Na região tropical os
estuários apresentam como vegetação os mangues, que são responsáveis por
adicionar maior diversidade a esses ambientes.
Apesar de grande importância, os estuários são ambientes ameaçados
pela expansão humana. No Brasil, aproximadamente 60% da população ocupa
áreas de ecossistemas estuarinos. A destruição desse ambiente influencia
negativamente toda a comunidade marinha.

Sistemas Fluviais e Aluviais

Os rios são uma característica importante da maioria das paisagens,


atuando como o principal mecanismo para o transporte de detritos não
intemperizados para longe de zonas de montanha e transportá-los para lagos e
mares, onde grande parte do sedimento clástico é depositado. Sistemas fluviais
também podem ser deposicionais, acumulando sedimentos em canais e nas
planícies aluviais.
O tamanho do grão e as estruturas sedimentares em depósitos de canal
dos rios são determinados pelo fornecimento de detritos, o gradiente dório, a
descarga total e as variações sazonais no fluxo. A deposição overbank2consiste
principalmente de sedimentos de granulação mais fina, e a atividade biológica
sobre planícies de aluvião contribui para a formação dos solos, o que pode ser
reconhecido no registro estratigráfico como palaeosolos. Os fluxos de água
sobre a superfície terrestre também ocorrem como lâminas não confinadas e
fluxos de detritos que formam leques aluviais nas bordas das planícies aluviais.
Os depósitos fluviais e aluviais no registro estratigráfico fornecem provas de
atividade tectônica e indicações do paleoclima no momento da deposição. As
comparações entre os sistemas fluviais modernos e antigos devem ser
realizadas com cuidado, pois os ambientes continentais mudaram drasticamente
ao longo do tempo geológico, e as comunidades de plantas terrestres e animais
evoluíram.
Três zonas geomorfológicas podem ser reconhecidas no âmbito dos
sistemas fluviais e aluviais). Na zona de erosão dos fluxos são seccionados
ativamente, removendo terra firme do fundo do vale e dos lados do vale via
movimento descendente para o leito de material. Na zona de transferência, o
gradiente é mais baixo, riachos e rios não estão erodindo ativamente, mas
também não é um local de deposição. A parte inferior do sistema, é a zona de
deposição, onde o sedimento é depositado nos canais do rio e sobre as planícies
de um sistema fluvial ou na superfície de um leque aluvial. Estes três
componentes não estão presentes em todos os sistemas: alguns podem ser
inteiramente erosional, tanto quanto o mar ou um lago, e outros podem não exibir
uma zona de transferência. A parte de erosão de um sistema fluvial contribui com
uma proporção substancial do sedimento clástico que será depositado em outros
ambientes sedimentares.
O fluxo de água nos rios e córregos é normalmente confinado a canais,
que são depressões ou incisões na superfície da terra que contêm o fluxo. A
área overbank ou planície de inundação é a área de terra entre ou além dos
canais que (à parte aquela de chuva) recebe água somente quando o rio a
inunda. Juntas, as configurações de canal e overbank compreendem o ambiente
fluvial. Aluvião é um termo mais geral para os processos de superfície da terra
que envolvem o fluxo de água. Ele inclui feições como um leque de detritos (um
leque aluvial) que não estão necessariamente relacionadas com rios. Uma
planície aluvial é um termo geral para uma área continental de baixo-relevo, onde
os sedimentos se acumulam, que pode incluir as várzeas dos rios individuais.
A turbulência e a velocidade das águas estão intimamente relacionadas
com o trabalho que o rio executa, isto é, erosão, transporte (matéria e energia)
e deposição dos detritos. Na execução desse trabalho, a dimensão longitudinal
tem como referencial físico a extensão da nascente à foz com gasto contínuo de
energia ao longo do canal.
No que tange ao trabalho realizado pelos rios, é necessário distinguir os
processos de erosão e a mecânica do transporte fluvial. A erosão fluvial é
realizada através dos processos de corrosão, corrasão e cavitação.
A corrosão compreende todo e qualquer processo de reação química que
se verifica entre a água e as rochas que estão em contato.
A corrasão ou abrasão é o desgaste pelo atrito mecânico, geralmente
através do impacto das partículas carregadas pelas águas. A evorsão representa
um tipo especial de corrasão originada pelo movimento turbilhonar das águas
sobre as rochas do leito. Depressões de vários tamanhos podem ser escavadas,
em geral, de forma circular, tais como as marmitas ou caldeirões.
A cavitação ocorre somente sob condições de velocidades da água,
quando as variações de pressão sobre as paredes do canal fluvial facilitam a
fragmentação das rochas.

Referências:
ESTEVES, Francisco de Assis. Fundamentos de Limnologia. 2. ed. Rio de
Janeiro: Interciência, 1998. PRESS, Frank [et al., ]. Como entender a Terra.
Rinaldo Menegat...[et al., ]. 4. ed. Porto Alegre: Bookmann, 2006.

Peter Castro & Michael E. Huber. Biologia Marinha. 8 ed. McGraw Hill Brasil;
2012.
https://vidanomar.wordpress.com/ambientes-costeiros/lagunas-costeiras-
estuarios-e-deltas/ acesso em 22/10/2017.