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MEDIDA E AVALIAÇÃO

EM EDUCAÇÃO FÍSICA

autor do original
CARLOS ALBERTO DE AZEVEDO FERREIRA

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2016
Conselho editorial  sérgio cabral, alexandre trindade, roberto paes, gladis linhares

Autor do original  carlos alberto de azevedo ferreira

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gladis linhares

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  ana beatriz moreira

Imagem de capa  seyomedo | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
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Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


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Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 7

1. Introdução à medida e avaliação 9


1.1  Aspectos históricos e conceituais 11
1.1.1 Histórico 11
1.2  A importância da avaliação física 14
1.3  Teste, medida e avaliação. 17
1.4  Critérios de autenticidade científica para a
seleção dos protocolos 20
1.4.1 Validade 20
1.4.2  Confiabilidade ou Fidedignidade 21
1.4.3 Objetividade 22
1.5  Tipos de avaliação 22

2. Avaliação pré-teste 29

2.1 Anamnese 31
2.1.1 Conceitos 31
2.2  Etapas da Anamnese 31
2.3  Como elaborar um questionário 32
2.4  Elaboração da Anamnese 33
2.5  Perfil de Risco para crianças e adolescentes 37
2.6 Par-Q 45

3. Avaliação Antropométrica 51

3.1  Conceito de antropometria 53


3.2 Peso 53
3.3 Estatura 54
3.4  Altura tronco-cefálica 54
3.5  Comprimento de membros inferiores 55
3.6 Envergadura 55
3.7 Circunferências 56
3.7.1 Cabeça 56
3.7.2  Braço relaxado 57
3.7.3 Cintura 57
3.7.4  Panturrilha 58
3.8  Dobras cutâneas 59
3.8.1 Tríceps 60
3.8.2 Subescapular 60
3.8.3 Panturrilha 61
3.9  Diâmetros ósseos 62
3.9.1 Biacromial 62
3.9.2 Biiliocristal 63
3.9.3  Biepicondilar do Fêmur e Úmero 63
3.10  Indicadores antropométricos de saúde 65
3.10.1  Índice de massa corporal 65
3.11  Perímetro de cintura 70

4. Avaliação da Composição Corporal 73

4.1  Método de Dobras Cutâneas 75


4.1.1  Modelos de predição de dobras cutâneas 78
4.2  Equações recomendadas para crianças e adolescentes 78
4.2.1  Protocolo de Lohman 78
4.2.2  Protocolo de Slaughter 80
4.3  Massa Gorda e Massa Corporal Magra 82
4.4  Maturação sexual 82
4.4.1  Autoavaliação de Tanner 83

5. Avaliação Postural 91

5.1  Postura ideal 93


5.1.1  Evolução da postura no homem 94
5.1.2  Fatores que afetam a postura ideal 97
5.2 Instrumentos 97
5.3  Técnica do exame subjetivo 100
5.3.1  Vista Anterior 101
5.3.2  Vista Posterior 103
5.3.3  Vista Lateral 105
5.3.4  Postura Sentada 106
5.3.5  Decúbito dorsal 107
5.3.6  Decúbito ventral 107
5.4  Checklist para exame subjetivo 107

6. Bateria de Testes de Aptidão Física


para Crianças e Adolescentes 115

6.1 Eurofit 117
6.1.1 Peso 117
6.1.2 Altura 118
6.1.3  Plate tapping 119
6.1.4  Sentar e alcançar 121
6.1.5  Velocidade 10 x 5m 122
6.1.6  Flexão de braço 123
6.1.7  Salto horizontal 124
6.1.8  Abdominal em 30” 124
6.1.9  Dinamometria manual 125
6.1.10  Course navette de 20 m 126
6.1.11  Tabelas de Referência do Eurofit 126
6.2 Fitnessgram 128
6.2.1 Vaivém 129
6.2.2  Força e Resistência Abdominal (Abdominais) 129
6.2.3  Força e flexibilidade do tronco (Extensão do tronco) 131
6.2.4  Força superior (Extensão de Braços) 132
6.2.5  Teste da Flexibilidade: Sentar e alcançar 134
6.2.6  Teste de Flexibilidade de Ombros 135
6.2.7  Dobras Cutâneas 136
6.2.8  Índice de massa corporal 136
6.2.9  Tabelas de referência do fitnessgram 137
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),

Este livro é um trabalho produzido para não só auxiliar os discentes da discipli-


na de medidas e avaliação em educação física como uma ferramenta educacional,
mas também para enriquecer, de forma didática e metodológica os estudantes e
profissionais de educação física que atuam no ambiente escolar.
Testar, medir e avaliar são uma constante nas nossas vidas. Desde o período
intra-útero somos testados, medidos e avaliados. Padrões de referências podem ser
estipulados e normatizados em decorrência de uma correta e adequada abordagem
durante a avaliação das variáveis antropométricas e motoras e é por esse motivo
que a preocupação maior na elaboração deste livro foi descrever padronizações de
coleta destas variáveis.
Para facilitar o estudo, este livro foi dividido em seis capítulos que abordam os
aspectos históricos e conceituais de medidas e avaliação, anamnese, avaliação an-
tropométrica, da composição corporal, postura e do desempenho motor.

Bons estudos!

7
1
Introdução à
medida e avaliação
Este capítulo apresenta uma visão geral sobre a origem da avaliação física, a
antropometria e a importância para o profissional de educação física, tipos de
avaliação, escolha de testes e acompanhamento das variáveis medidas.

OBJETIVOS
•  Conhecer a origem da avaliação física.
•  Compreender a importância de testar, medir e avaliar para o profissional de Educação Física.
•  Conhecer os diferentes tipos de avaliação.

10 • capítulo 1
1.1  Aspectos históricos e conceituais
1.1.1  Histórico

Estudar as características físicas humanas tem sido uma constante preocupa-


ção ao longo do tempo. A necessidade de estudo e classificação do corpo huma-
no com base em seus aspectos morfológicos, faz existir a cineantropometria,
técnica esta com antecedentes tão antigos quanto à existência do homem (MI-
CHELS, 2000; ROSA; RODRIGUEZ-AÑES, 2002).
As primeiras observações datam de a.C. quando Heredoto (484-425 a.C.)
relata em seus escritos as diferenças existentes entre o crânio dos egípcios e
persas decorrentes de fatores externos. Hipócrates sustenta esta teoria da in-
fluência do meio nas características hu-

©© WIKIPEDIA
manas ao comparar características cli-
máticas que o ser humano era exposto. A
proporcionalidade corporal também foi
visualizada através de comparações do ta-
manho do cérebro humano e de outros ani-
mais por Aristóteles (384-322 a.C.) (ROSA;
RODRIGUEZ-AÑES, 2002).
A Antropometria (do Grego Anthropos
Antropo ou antropía + metron metría ou
metro) pode ser definida como parte da an-
tropologia que estuda as proporções e me-
didas do corpo humano (MICHELS, 2000).
Este termo parece ter sido utilizado ini-
cialmente em 1659 na tese de graduação
do alemão Elshaltz inspirada em leituras
de Pitágoras e Platão, e na filosofia médica
da época. A Antropometria possui sua ori- Figura 1.1  –  Cópia de melhor con-
gem nas artes plásticas, onde escultores e servação de Doryphorus de Polyklitus
pintores buscam proposições ideais entre por Spearman (National Archaeo-
as partes do corpo para retratar o corpo hu- logical Museum of Naples). Fonte:
mano da melhor forma possível (BEUNEN; everystockphoto.
BORMS,1990; MAIA; JANEIRA, 1991).

capítulo 1 • 11
Polyklitus, escultor grego, com sua obra Doryphorus ou lanceiro, desenvol-
vida no século V a.C., representou a forma masculina ideal baseada nas par-
tes anatômicas de vinte indivíduos, servindo até os dias atuais como modelo
de proporcionalidade humana ideal. Esta escultura foi considerada por Ross
e Wilson (1974) como primeiro modelo metafórico (phantom) da história da
Cineantropometria (VELHO et al, 1993; MICHELS, 2000).
Quetelet (1786-1874) é creditado como descobridor e divulgador do termo
Antropometria. Ele descobriu que a teoria da curva normal de Gauss poderia
ser aplicada em modelos estatísticos para analisar fenômenos biológicos tais
como medidas antropométricas. Em 1871, cria o que hoje conhecemos por ín-
dice de massa corporal ou IMC (PETROSKI, 2003, p. 19).

Figura 1.2  –  Adolphe Quételet por Joseph-Arnold Demannez. Fonte: wikimedia commons.
Disponível em https://commons.wikimedia.org

O primeiro estudo abordando mensuração física foi realizado por Zeissing


em 1854 em adolescentes Belgas. Posteriormente, em 1860, Cronwell estudou
o crescimento de escolares (de 8 a 18 anos), de Manchester. O primeiro estu-
do antropométrico aplicado à Educação Física parece ter sido realizado pelo
Dr. Edward Hitchcock no ano seguinte (em 1861) que mensurou massa corpo-
ral, estatura, circunferências e força de braços dos estudantes da Universidade
de Amherst com desenvolvimento de tabelas normativas. Por volta de 1900,
Dr. Sargent mensurou variáveis antropométricas e capacidade pulmonar de

12 • capítulo 1
estudantes em Harvard e publica um manual com as medidas e normas femi-
ninas e masculinas (KRAKOWER, 1937; BOVARD; COZENS, 1938; PETROSKI,
2003, p. 19).
A antropometria sofreu avanço considerável a partir do fim do século passa-
do com a definição dos pontos anatômicos para realização das medidas antro-
pométricas. No ano de 1906, no I Congresso Internacional de Antropologistas,
um total de 38 dimensões de cadáveres e 19 medidas da cabeça e face foram
padronizadas. Já no II Congresso Internacional, em 1912, foram padronizadas
medidas do corpo humano vivo (PEREIRA NETO, 1992).
No século XIX, diversas escolas de pensamentos sobre antropometria sur-
gem, sendo as mais importantes, a italiana, a francesa, a alemã e a america-
na que culmina no estudo de Sheldon e Stevens de 1940, no qual classificam o
indivíduo de acordo com três componentes: endomorfia, mesomorfia e ecto-
morfia, conhecido hoje como os três componentes do somatotipo (PETROSKI,
2003, p. 19-21; VELHO et al, 1993).
O primeiro compasso de dobras cutâneas foi desenvolvido por volta de 1930,
permitindo a medida da gordura corporal em determinados locais do corpo.
Em 1939, Benke divide o peso do corpo em gordura e massa magra (VELHO et
al, 1993).
O método de pesagem hidrostática para estudo da composição corporal,
desenvolvido por Harless em 1860 tem origem nos tempos de Arquimedes,
quando descobriu que cada substância tem uma densidade específica e que,
na água, o empuxo equivale ao peso desta substância.
Em 1934, Larson realiza um estudo no qual se propunha a padronização in-
ternacional de medidas antropométricas. A seguir, Weiner e Lourie publicam
em 1969 e 1981 procedimentos usados pelo Programa Biológico Internacional, e
depois surge uma nova tentativa no Projeto Antropológico dos Jogos Olímpicos
de Montreal (PETROSKI, 2003, p. 23).
Simultaneamente às tentativas de padronização das medidas antropomé-
tricas, surge o termo Cineantropometria. Este termo foi primeiramente usado
por Roch Meynard da Universidade de Laval (Quebec), porém foi somente em
1972 que começou a ser expressamente utilizado a partir do uso por Ross no
Belgian Journal of Kinanthropometry (PETROSKI, 2003, p. 25).
O termo Cineantropometria (Kinein = mover-se, Anthropos = homem me-
tria = medir) foi estabelecido por Ross e seus objetivos englobam a antropo-
metria dinâmica, fisiológica e aplicada ao desporto, é “a utilização da medida,

capítulo 1 • 13
no estudo do tamanho, forma, proporção, composição e maturação do corpo
humano, com o objetivo de um melhor conhecimento do comportamento hu-
mano em relação ao crescimento, desenvolvimento e envelhecimento, à ativi-
dade física (exercício, rendimento) e o estado nutricional” (ROSS, 1988 apud
MICHELS, 2000).
Em 1979 é proposto por Drinkwater a divisão do peso corporal em múscu-
los, ossos, gordura e outros resíduos utilizando a correlação entre estes com o
modelo proposto por Ross e Wilson. Em 1982, Ross e Marfell-Jones publicam
a minuciosa padronização canadense Kinanthropometry e, em 1988, Lohman
e colaboradores editam o Manual de Referência Antropométrica (PETROSKI,
2011, p. 25-26).
A cineantropometria como área de estudo foi formalizada em 1986 com a
fundação da ISAK – International Society for Advancement of Kinanthropometry
– em Glasgow com objetivo de “criar e manter uma rede internacional de estu-
diosos que representam a comunidade mundial além dos limites geográficos e
políticos, e dos limites que separam disciplinas a fim de estabelecer uma área
dinâmica de interesses e esforços científicos para o desenvolvimento dos es-
tudos na área da cineantropometria” (PETROSKI, 2003, p. 26; BÖHME, 2000).
A ISAK desenvolve com base no modelo australiano um curso de certificação
de caráter internacional dividido em quatro níveis de formação onde o seu pro-
tocolo de padronização para mediação e avaliação antropométrica é ensinada.
A cineantropometria é a interface quantitativa entre estrutura e função e
pode então ser conceituada como a área científica que estuda “a forma, dimen-
são, proporção, composição, maturação e o desenvolvimento do corpo na on-
togênese humana em relação ao crescimento, ao desporto, à atividade física e à
nutrição” (SANTOS; GUIMARÃES, 2002).

1.2  A importância da avaliação física


A avaliação é o processo de delineamento, obtenção e aplicação de informações,
é o momento mais importante dentro de qualquer processo de intervenção que
se realize. Mediante do uso de técnicas e escolha de protocolos adequados para
os parâmetros que se pretende mensurar é possível avaliar as características
do indivíduo ou grupo de indivíduos com quem se irá trabalhar. Com base nos
resultados, as análises realizadas no processo de avaliação, é possível detectar

14 • capítulo 1
os pontos fortes e os pontos fracos do indivíduo ou grupo e assim direcionar
de forma muito mais eficiente o processo de intervenção. Podemos dizer que
a avaliação possui como objetivos (POMPEU, 2004, p. 02; ROCHA; GUEDES
JUNIOR, 2013, p. 19-21):
•  Avaliar o estado do indivíduo ao se iniciar um programa.
•  Detectar deficiências.
•  Impedir que a atividade física seja fator de agressão ao corpo.
•  Acompanhar crescimento, desenvolvimento e o progresso do indivíduo.
•  Selecionar indivíduos para integrar equipes de competição.
•  Elaborar novos programas.
•  Desenvolver pesquisa.

Ao se iniciar o processo da avaliação alguns pontos devem ser observados. O


primeiro ponto é o local da avaliação, onde ela será realizada, o ideal é que este
espaço possua uma dimensão mínima de 2,5 m x 2,5 m, pois deve ser observada
a necessidade de um espaço para o avaliador poder circular ao redor do avalia-
do de maneira a ter espaço suficiente para realizar as medições. É importante
também que o espaço seja de preferência bem iluminado e climatizado (um
conforto térmico) fatores estes que interferem diretamente na recolha dos da-
dos (MORROW, 1995).
O segundo ponto a ser observado é o material utilizado para a avaliação que
deve ser verificado sempre antes de realizar a recolha dos dados. Para se verifi-
car a fidedignidade dos valores medidos, todo o material (equipamento) deve
estar sempre bem calibrado e higienizado assim como as mãos do avaliador, já
que este irá tocar no avaliado para realizar a recolha dos dados.
O terceiro ponto observado é o avaliado. É importante que antes de se ini-
ciar o processo de avaliação e recolha dos dados que o avaliado seja informado
minuciosamente de todo o procedimento, como ele ocorrerá e qual o seu obje-
tivo e, caso ele discorde ou não se sinta bem no meio do procedimento poderá
se retirar sem nenhum problema. Para as recolhas de dados com fins científi-
cos antes de se iniciar o processo de avaliação o projeto da pesquisa deverá ser
encaminhado antes ao Comitê de Ética da Pesquisa e somente depois de ter
sido aceito e emitido a autorização para a sua realização é que se poderá ini-
ciar a recolha dos dados. Esta determinação está vinculada àResolução 196/96
do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996 das Normas para Realização de

capítulo 1 • 15
Pesquisa em Seres Humanos, onde por intermédio das Comissões de Ética na
Pesquisa supervisiona e autoriza a realização das mesmas (POMPEU, 2004, p. 2;
MORROW, 1995; GUEDES; GUEDES, 2006, p. 2-5).
Como todas as tarefas que pessoas fazem, a avaliação pode ser feita de uma
forma boa ou ruim. Quando é bem feita, fornece informações importantes ao
examinador e beneficia o examinado, e, para isso podemos seguir algumas di-
retrizes éticas listadas a seguir:
•  Não devemos causar danos físicos /ou psicológicos;
•  Devemos utilizar as avaliações de acordo com seus objetivos;
•  Devemos manter a confidencialidade dos dados da avaliação;
•  A avaliação não termina em si mesma e nenhum teste é perfeito;
•  Não devemos confundir os resultados do teste com o valor pessoal.

COMENTÁRIO
O melhor teste não pode fornecer a você uma informação adequada se ele for administrado
de forma precária. A administração de forma precisa e eficiente de um instrumento de avalia-
ção precário também não é capaz de lhe fornecer dados de qualidade.

As etapas para um bom processo de avaliação na área de Educação Física


pode ser observada na figura 1.3

Finalidade do programa de avaliação

Definição dos atributos

Determinação do referencial

Seleção dos Intrumentos

Aplicação dos instrumentos

Análise das informações coletadas

Disseminação dos resultados

Figura 1.3  –  Etapas na elaboração de um programa de avaliação em educação física. Adap-


tado de Guedes & Guedes (2006, p. 16).

16 • capítulo 1
Ainda com relação ao avaliado, o mesmo deverá no momento da avaliação
estar com o vestuário adequado, respeitando os aspetos culturais, com roupa
de banho, roupas que se ajustem aos contornos do corpo e que permitam rea-
lizar movimentos e exercícios físicos. Não se deve realizar as avaliações caso as
medidas não possam ser corretamente obtidas (consistência da pele, espessura
das dobras adiposas, estado de saúde comprometido).
Aconselha-se que para evitar possíveis problemas de constrangimento na
recolha dos dados que a equipe de avaliação seja composta por dois avaliado-
res (medidor e anotador) e que o medidor possua experiência na realização de
avaliações e de preferência seja do mesmo sexo do avaliado.

1.3  Teste, medida e avaliação.


Dentro do processo de Avaliação vários termos têm significados muito especí-
ficos, dentre eles encontramos com mais frequência os termos Medir, Testar e
Avaliar, ao primeiro contato parece ser sinônimo, mas cada um deles tem um
significado específico, embora todos os três estejam diretamente relacionados
ao processo de tomada de decisão (POMPEU, 2004, p. 2; PITANGA, 2004, p. 11-
14; ROCHA; GUEDES JUNIOR, 2013, p. 19-25; GUEDES; GUEDES, 2006, p. 2-5).
Testar é fazer uso de instrumento (protocolo), procedimento ou técnica
para se obter uma informação de conhecimento ou de habilidade. Dentro do
procedimento de testar utilizamos instrumentos (materiais) para a sua realiza-
ção. Ex.: Realizou-se a medição da estatura/comprimento das crianças seguin-
do o protocolo estabelecido pelo NHANES/CDC com a utilização de um antro-
pômetro da marca Cescorf® com precisão de 1 mm (material).
Medir é o processo utilizado para coletar as informações obtidas pelo teste,
na medição é atribuído um número, um valor à característica que está sendo
avaliada. Ex. Foi encontrado na estatura/comprimento da criança o valor de
80 cm.
Precisamos ressaltar que para a aplicação adequada da medida deve-se co-
nhecer a resposta para 3 questões:
1. O que medir?
2. Por que medir?
3. Como medir?

capítulo 1 • 17
A precisão das medidas depende da exatidão dos instrumentos. Quanto
mais refinado ele for, melhor será o resultado da medida. Existem dois erros
mais comuns: 1. Erro de Medida que pode ser erro de equipamento (quando
o equipamento não é aferido previamente), erro de medidor (quando o me-
didor erra ao fazer uma leitura do cronômetro, na leitura da trena etc) e erro
administrativo (quando existe algo errado na administração do teste). 2. Erro
Sistemático (diferenças biológicas, como por exemplo, medir a estatura no iní-
cio e final do dia).
A avaliação é a interpretação dos resultados obtidos, é a atribuição de qua-
lidade, mérito pela medida ou comparação de qualidade do atleta ou do aluno.
Uma vez estabelecido o nível da medida compara-se a padrões de referências
nacionais ou internacionais estabelecidos. Ex.: Comparar o valor da estatura/
comprimento da criança de 80 cm e compará-la as tabelas de estatura/compri-
mento da WHO e analisar se a criança está na média ou padrão de crescimento
ou se ela esta acima ou abaixo dos padrões de referência.
A avaliação indica se a metodologia utilizada está sendo satisfatória e se os
objetivos estão ou não sendo alcançados.
Na tabela 1.1 podemos observar as diferenças básicas entre testar, medir e
avaliar e na figura 1.4 características de cada uma delas. A principal diferença
entre medida e avaliação é que a medida abrange um aspecto quantitativo e a
avaliação um aspecto qualitativo.

MENOS ABRANGENTE MAIS ABRANGENTE


Testar Medir Avaliar
Interpretar os dados quan-
Verificar o desempenho me-
titativos e qualitativos para
diante situações previamente Descrever os fenômenos do
obter parecer ou julgamento de
organizadas e padronizadas ponto de vista quantitativo
valores com bases referenciais
denominadas “testes”
previamente definidos

Tabela 1.1  –  Diferença entre teste, medida e avaliação. Adaptado de Guedes & Guedes
(2006, p. 2).

18 • capítulo 1
• Neuromuscular • Antropométrico
• Metabólico • Psicomotor
• Postural • Psicossocial
TESTE • Socioeconômico

• Objetividade
• Reprodutibilidade
• Validade
MEDIDA

• Diagnóstica
• Formativa
• Somativa
AVALIAÇÃO

Figura 1.4  –  Relação entre teste, medida e avaliação.

Para um bom processo de avaliação alguns princípios devem ser observados:


1. As medidas devem ser conduzidas com base nos objetivos do programa.
2. Deve-se lembrar sempre a relação entre teste, medida e avaliação, já
que a avaliação implica em uma tomada de decisão.
3. Os testes e a avaliação devem ser conduzidos e supervisionados por pes-
soas treinadas.
4. A interpretação dos resultados deve levar em consideração o indivíduo
como um todo, abranger os aspectos social, mental, físico e psicológico.
5. Tudo que existe pode ser medido, com testes eficazes ou buscando a
reformulação de testes já existentes.
6. Utilizar o teste que mais se aproxima da situação da atividade
7. Nenhum teste ou medida é perfeito, e por isso deve-se usar sempre o
melhor, mais atual e adequado à população testada.
8. Não existe teste que possa substituir o julgamento profissional, pois as
medidas irão fornecer os dados para que o profissional faça uma decisão com
relação ao programa de atividade.
9. Deve sempre existir o re-teste para se observar o desempenho.

capítulo 1 • 19
1.4  Critérios de autenticidade científica para
a seleção dos protocolos

Denominam-se Critérios de Autenticidade Científica os fundamentos adota-


dos para assegurar a máxima precisão e firmeza aos testes que irão compor o
experimento. Segundo Pompeu (2006, p. 4-9) tal confiabilidade e segurança po-
dem ou não ser quantificados estatisticamente.
São considerados Critérios de Autenticidade Científica: Validade,
Confiabilidade ou Fidedignidade e Objetividade. Pompeu (2006, p. 4-9) os clas-
sifica como Critérios de Autenticidade Científica não mensuráveis.

1.4.1  Validade

Propriedade que o teste possui de medir aquele fenômeno ou variável a que ele
se propõe. Em diversas situações a Validade é determinada de forma inquestio-
nável ou empírica, na maioria das situações esta propriedade não é simples de
ser apurada, diante disto costuma-se dizer que quanto mais simples e direta for
a forma de mediar determinado fenômeno ou variável, mais válido será o mé-
todo. Por exemplo, desejamos saber quanto estamos pesando, então subimos
em uma balança e esta nos dará o valor da nossa massa corporal, neste exemplo
não há dúvidas de que o procedimento é válido.
Outro método para se determinar a validade de um teste é por meio de tra-
tamentos estatísticos, correlacionando ou comparando-o com outros métodos
já considerados válidos para medir aquele fenômeno ou variável, são os cha-
mados na literatura de “Gold Standard” ou Padrão Ouro, modelo de referência.
Para termos métodos considerados válidos é conveniente considerar dife-
rentes métodos de medição e procurar avaliar a sua validade comparativa, por-
tanto, os tipos de validade geralmente observados são vários.
Para Schweigert (1994) existem três tipos de Validades distintas, chamada
por ele de: Validade de Critério, Validade Conceitual ou Constructo e Validade
Facial.

20 • capítulo 1
É o grau da correlação entre o método desenvolvido com o
método padrão ou “gold standard” existente na literatura para
VALIDADE DE medir determinado fenômeno ou variável chama-se Validade
CRITÉRIO OU de Critério ou Empírica. Existem dois tipos de Validade de
EMPÍRICA Critério: Validade Preditiva quando há espaço de tempo entre
a medida do método desenvolvido e o critério e, validade
Concorrente quando não há intervalo entre as medidas.

A Validade Conceitual ou de Constructo é quando a valida-


VALIDADE de está direcionada para o conceito, a teoria sobre a qual
CONCEITUAL OU determinado fenômeno ou variável encontra-se sustentada, a
CONSTRUCTO correlação deste conjunto de constructos e hipóteses com os
de outros métodos já existentes na literatura deve ser forte.

Pode-se dizer que Validade Facial é a primeira impressão


VALIDADE do teste para o avaliado, é o método aparentar medir o ob-
FACIAL jeto do estudo, não deixando dúvidas quanto o seu objetivo.

Nos estudos de inquérito, onde comumente são utilizados instrumentos


como questionários e entrevistas, exige-se algum tipo de Validade Facial, sob o
risco do avaliado não responder o questionário ou de responder de forma ina-
dequada por não achar que o instrumento tem haver com o objeto do estudo.
Este tipo de validade é conceituado na literatura com a que parece ter menos
importância na investigação científica.

1.4.2  Confiabilidade ou Fidedignidade

Quando realizamos um teste esperamos que ele possua um grau de constância


e reprodutibilidade dos seus resultados, a diferença entre os resultados encon-
trados chamamos de erro intrateste, ou erro intra-avaliador e esse critério deno-
minamos Fidedignidade ou Confiabilidade. Através da correlação dos escores
de um teste realizado em dois momentos, buscamos encontrar o coeficiente de
variação, Os escores correlacionados devem ser de momentos próximos e que
ocorram em situações idênticas.

capítulo 1 • 21
1.4.3  Objetividade

O critério da Objetividade está relacionado à reprodutibilidade dos dados, sua


consistência quando medidos por dois ou mais avaliadores (erro interavaliador) é
determinada correlacionando-se os resultados de um indivíduo ou grupo de indi-
víduos obtidos por dois ou mais avaliadores, e de preferência no mesmo momento.

1.5  Tipos de avaliação


A Avaliação pode ser classificada de 2 formas diferentes:
•  De acordo com o momento em que é realizada.
•  De acordo com o atributo a ser investigado.

De acordo com o momento em que é realizada a avaliação é classificada em


diagnóstica, formativa e somativa.

é aquela realizada no inicio de qualquer procedimento de interven-


ção, ela é o ponto de partida, apresentará ao investigador através
dos resultados dos seus testes iniciais as características do indi-
AVALIAÇÃO víduo ou grupo de indivíduos com quem irá trabalhar, assim como
DIAGNÓSTICA os pontos fortes para que dentro do processo de intervenção ele
possa potencializá-los e os pontos fracos possa melhorá-los. A
avaliação diagnóstica não se propõe a existir de uma forma solta,
isolada, ela está dentro de um processo de avaliações.

é a avaliação que permite ao investigador detectar e identificar


deficiências na forma de intervir, orientando-o na reformulação do seu
trabalho, visando aperfeiçoá-lo. Ela é aquela com a função controlado-
ra sendo realizada durante todo o decorrer do processo de interven-
AVALIAÇÃO ção. Seu objetivo é verificar se o indivíduo ou grupo de indivíduos está
FORMATIVA atingindo os objetivos previstos, assim o investigador continuará seu
trabalho ou irá direcioná-lo, de modo que a maioria dos indivíduos os
alcance. É formativa no sentido em que indica como os indivíduos
estão se modificando em direção aos objetivos desejados.

22 • capítulo 1
tem por função básica a classificação dos indivíduos que se
processa segundo o rendimento alcançado, tendo por parâ-
AVALIAÇÃO metro os objetivos previstos. É realizada ao final do processo
SOMATIVA de intervenção, classificando os indivíduos de acordo com os
níveis de aproveitamento previamente estabelecidos.

Essas três formas de avaliação devem ser vinculadas ou conjugadas para


se garantir a eficiência do sistema de avaliação e a excelência do processo
de intervenção.
De acordo com o atributo a ser investigado e pelos testes utilizados a avalia-
ção pode ser antropométrica, neuromuscular, metabólica, psicomotora, postu-
ral, psicossocial e socioeconômica.
A avaliação antropométrica é um método de investigação baseado na medi-
da das variações físicas de alguns segmentos ou da composição corporal global
(MINISTÉRIO DA SAUDE, 2011).
Comumente as variáveis de performance avaliadas são:
1. Variável Psíquica:
 Ansiedade
 Motivação
 Inteligência
 Personalidade

2. Variável Metabólica:
 Sistema Aeróbico
 Sistema Anaeróbico

3. Variável Neuromuscular:
 Força
 Resistência
 Velocidade
 Flexibilidade
 Coordenação

capítulo 1 • 23
4. Variável Cineantropométrica:
 Composição Corporal
 Somatotipo
 Proporcionalidade
 Crescimento e desenvolvimento

De certa forma não existe um conjunto fixo de orientações administrativas


a serem aplicadas no processo de avaliação, mas algumas considerações são
importantes quando pensamos na divisão deste processo nas fases de a. prepa-
ração, b. período de coleta e c. período pós-coleta.
a) Na preparação é importante:
1. Estar familiarizado ao instrumento de avaliação;
2. Estar planejado o esquema físico para o local do teste e a organiza-
ção dos examinados para o momento teste;
3. Os assistentes estarem treinados incluindo a forma de anotação e
armazenamento dos resultados (papel, digital);
4. Equipamento a ser utilizado ser vistoriado;

b) Para o período de coleta:


1. Fornecer informações aos examinados sobre os motivos e objetivos
da avaliação;
2. Ter comportamento apropriado;
3. Inspecionar os pontos relevantes para a exatidão na administração e
marcação dos resultados.

c) Para o período pós-coleta:


1. Desmontar adequadamente a área utilizada para o teste;
2. Checar se os resultados foram armazenados corretamente;
3. Tabular os resultados e realizar as análises estatísticas;
4. Informar de forma compreensível os resultados obtidos para
os examinados;
5. Arquivar as informações pertinentes para futuras consultas.

24 • capítulo 1
ATIVIDADES
No início do ano letivo, o professor de educação física reúne seus alunos em uma sala de
aula e realiza uma bateria de atividades. Nesta bateria constava a coleta da estatura, massa
corporal e dobras cutâneas dos alunos, a realização de saltos verticais para verificação de
força dos membros inferiores, a subida e descida de um banco para verificação da frequência
cardíaca e consumo de oxigênio, realizar o movimento de ficar em somente um pé e a obser-
vação da silhueta para verificação de alterações posturais. Os resultados encontrados foram
posteriormente comparados aos escores padrões de cada atividade.
Passado seis meses, o mesmo professor antes de iniciar sua aula na quadra, reúne os
mesmos alunos e realiza o mesmo grupo de atividade. No final no ano, volta a repetir o grupo
de atividades com os alunos, só que desta vez em sala de aula e impossibilitado de realizar as
atividades, pediu a um professor colega de outra turma que realizasse as atividades.
Com base na situação exposta, reflita sobre:

01. Os tipos de avaliações realizados pelo professor.

02. Áreas avaliadas pelo professor.

03. Preocupação que o professor não teve ao repetir as atividades entre as avaliações.

04. Nos momentos da situação exposta que são considerados testes e avaliações.

05. O critério científico que as atividades realizadas devem atender tendo em vista que du-
rante o ano houve mais de um professor realizando as atividades e coletando dados.

REFLEXÃO
O estudo das características físicas humanas tem sido alvo de estudos ao longo do tem-
po devido, principalmente, a necessidade de classificação do corpo humano. Neste aspecto
nasce a cineantropometria, área científica que se preocupa em estudar características mor-
fológicas atreladas às funcionais. Mas, para que seja possível a identificação de tais carac-
terísticas de forma adequada, aspectos relacionados ao processo de avaliação devem ser
observados e respeitados. Primeiramente é preciso saber diferenciar os termos utilizados no
processo: testar é usar um instrumento (protocolo), procedimento ou técnica para se obter

capítulo 1 • 25
as informações, medir é o processo utilizado para coletar as informações obtidas pelo teste
e avaliar é interpretar os resultados obtidos. O segundo aspecto a ser observado é referente
à escolha de protocolos, testes e formas de avaliação, e aqui estão inseridos os critérios de
autenticidade científica que são a validade (teste ser capaz de medir o fenômeno ou variável
a que ele se propõe), fidedignidade (grau de constância e reprodutibilidade dos seus resulta-
dos) e objetividade (consistência dos dados quando medidos por dois ou mais avaliadores).
Os critérios de autenticidade científica devem ser observados em todas as avaliações,
sejam elas diagnóstica (realizada no início do processo ou período), formativa (realizada du-
rante o processo) ou somativa (ao término do processo).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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26 • capítulo 1
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referências, procedimentos metodológicos e analises estatísticas no desenvolvimento de pesquisas
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capítulo 1 • 27
28 • capítulo 1
2
Avaliação
pré-teste
Em termos gerais, para que o indivíduo ingresse em um programa de atividade
física ou realize um exercício físico é necessário que ele seja submetido antes a
uma avaliação. Esta avaliação é composta por uma parte pré-teste, onde o pro-
fessor/avaliador conhece o avaliado e suas limitações para então poder condu-
zir os testes desejados. Assim, este capítulo aborda a primeira etapa da avalia-
ção, a anamnese, assim como o perfil de risco para crianças e adolescentes e
um dos questionários mais utilizados, o Par-Q.

OBJETIVOS
•  Definir anamnese.
•  Conhecer os principais tópicos de uma anamnese.
•  Conhecer os fatores de risco para a criança e o adolescente.
•  Aplicar e interpretar corretamente o questionário Par-Q.

30 • capítulo 2
2.1  Anamnese
2.1.1  Conceitos

Independentemente de consulta médica antes do início da prática de atividade


física, um questionário/entrevista é um documento muito importante para que
o professor de educação física tenha informações e possa identificar a pessoa
que tenha alto risco para a prática da atividade e também conhecer o aluno pelo
qual será responsável (QUEIROGA, 2005, p 1).
A anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) pode ser con-
siderada a parte subjetiva da avaliação, é o momento em que o avaliador conhe-
ce o avaliado, sua história e hábitos (MAGEE, 2005, p. 1-2).
A anamnese envolve a coleta de dois tipos de dados, os dados objetivos e
subjetivos. Os objetivos são colhidos pela observação do avaliador e podem ser
confirmados, já os subjetivos não podem ser confirmados por ninguém além
do avaliado, eles são coletados unicamente com base no relato do avaliado,
como por exemplo, “minha perna dói” (LWW, 2007, p. 3).

2.2  Etapas da Anamnese


Na anamnese é feita a coleta dos dados subjetivos do aluno explorando carac-
terísticas e problemas passados e atuais, deve-se perguntar sobre sua saúde fí-
sica geral e emocional para então investigar os sistemas e estruturas corporais
(FREITAS, 2004, p. 7; LWW, 2007, p. 3).
Para que as respostas do aluno respondam de verdade às suas perguntas
algumas observações devem ser levadas em consideração.
1. Durante a entrevista, o aluno deve se sentir bem e, para isso o professor
deve criar um ambiente adequado, tranquilo, que o aluno esteja bem acomoda-
do, assegurando o sigilo de suas informações.
2. O professor deve falar com cuidado, de forma lenta e clara, usando lin-
guagem de fácil compreensão e tratar o aluno de modo formal fazendo contato
visual frequente.
3. Verificar se há sinais verbais ou não-verbais que o aluno não está se sen-
tindo bem ou inseguro sobre algum questionamento feito.

capítulo 2 • 31
A anamnese usualmente é elaborada com perguntas abertas, fechadas, es-
cala Likert. As perguntas abertas permitem que o avaliado expresse sentimen-
tos, opiniões e ideias e permitem uma maior interação entre avaliador e avalia-
do, as respostas devem ser escritas com as mesmas palavras do avaliado.
As perguntas fechadas limitam o desenvolvimento da relação do avaliador e
avaliado, pois são respostas prontas, as quais são escolhidas pelo avaliador de
acordo com o que melhor condiz sua situação.

2.3  Como elaborar um questionário


Para elaborar um instrumento para coletar dados, precisamos ter atenção a al-
guns pontos: devemos listar os aspectos importantes para saber se as pergun-
tas atendem aos objetivos, visar a linguagem de quem será avaliado, simular as
respostas possíveis para saber se há ambiguidade (SILVA, 2005, p. 110).
Todo questionário ou formulário tem forma (estrutura) e conteúdo (objeti-
vos). É estruturado quando tem sequência lógica de perguntas não modificável
e não-estruturado quando pode ocorrer inserção de perguntas durante a coleta
das informações (SILVA, 2005, p. 111).
Para elaborar o questionário ou formulário para coleta da anamnese po-
demos optar por diferentes tipos de perguntas. A seguir serão apresentadas
as principais.

PERGUNTAS são fornecidas as possíveis respostas ao avaliado, com uma


FECHADAS única resposta possível.

PERGUNTAS o avaliado responde livremente o que pensa sobre o assunto


ABERTAS perguntado, geralmente é opinião sobre algo.

é a união de uma pergunta fechada e uma aberta, quando


PERGUNTA primeiro o avaliado responde a uma opção e depois justifica
SEMI-ABERTA a escolha desta opção.

32 • capítulo 2
PERGUNTA é uma pergunta que as opção de resposta são SIM ou NÃO.
DICOTÔMICA

PERGUNTAS é quando uma pergunta depende da resposta de uma anterior.


ENCADEADAS

PERGUNTA COM
MATRIZ DE quando montamos um quadro para facilitar a resposta.
RESPOSTA

PERGUNTAS o entrevistado tem possibilidade de escolher as opções de


COM ORDEM DE reposta em ordem (1º, 2º, 3º lugares, por exemplo).
PREFERÊNCIA

ESCALA
ORDINAL DE o entrevistado dá uma nota a cada opção de resposta.
PREFERÊNCIA

o avaliado indica o grau de concordância ou discordância de


acordo com as variáveis e atitudes relacionadas ao objeto da
questão. São feitas afirmativas e o avaliado escolhe uma das
ESCALA DE opções que reflete seu grau de concordância/discordância.
LIKERT Geralmente as opções de resposta são: concordo plena-
mente, concordo parcialmente, não concordo nem discordo,
discordo parcialmente e discordo totalmente.

2.4  Elaboração da Anamnese


Uma anamnese completa precisa de informações sobre o avaliado, incluin-
do a. dados biográficos, b. objetivos, c. história clínica, d. história familiar, e.
história psicossocial, f. atividades da vida diária, g. atividades da vida laboral
(FREITAS, 2004, p. 7; LWW, 2007, p. 8).

capítulo 2 • 33
Nos dados biográficos estão inseridos:
•  Nome completo
•  Endereço
•  Números de telefone residencial e celular
•  Data de nascimento
•  Idade
•  Estado civil
•  Nacionalidade
•  Contato de uma pessoa próxima para eventual emergência.

Os objetivos são os motivos pelos quais o avaliado procurou o serviço.


Podem ser oferecidas opções quando esta pergunta é feita de forma fechada,
como exemplo, “melhorar força”, “ganhar resistência”, “emagrecer”, “lazer”.
Na história clínica são perguntadas as questões relacionadas à saúde do
avaliado, problemas clínicos passados e presentes (LWW, 2007, p. 9):
•  Tem hipertensão ou diabetes? Usa medicamento?
•  Já foi hospitalizado? Quando foi a última e por quê?
•  Quais as doenças de infância que você teve?
•  Está em tratamento por alguma doença?
•  Tem alergia?
•  Já fez cirurgia? De quê?
•  Quais medicamentos usa?

Na história familiar são descritas as doenças apresentadas pelos pais e avós


que tenham alguma relação hereditária / genética como por exemplo, hiperten-
são arterial, diabetes, doenças cardíacas e respiratórias e câncer.
Na história psicossocial o avaliador questiona sobre como o avaliado se sen-
te em relação a si mesmo, seu lugar na sociedade e sua relação com os outros,
as perguntas podem incluir (LWW, 2007, p. 11):
•  “Como o(a) senhor(a) lidou com problemas de saúde no passado?”
•  “Você observou alguma mudança no seu comportamento recentemente?”

Em atividades da vida diária é pesquisado o dia típico da pessoa, qual a die-


ta usual, quem cozinha na casa, se faz exercícios físicos com e sem orientação
de um profissional, qual o ritmo de sono, se dorme bem, o que faz para lazer,
hábitos de fumo e ingestão de álcool e outras substâncias (LWW, 2007, p. 11):

34 • capítulo 2
Em atividades da vida laboral o avaliador deve saber em que o avaliado tra-
balha, se é a atividade estressante, postura (corporal) adotada na maior parte
do tempo no trabalho, se tem horário para refeições e pausa, se tem programa
de ginástica laboral na empresa.
Exemplos de fichas de anamnese podem ser vistas nas figuras 2.1 (adulto)
e 2.2 (infantil).

Figura 2.1  –  Modelo de ficha de anamnese - adulto. Fonte: Elaborado pelo autor.

capítulo 2 • 35
Figura 2.2  –  Modelo de ficha de anamnese - infantil. Fonte: Elaborado pelo autor.

COMENTÁRIO
Preste atenção às condições emocionais do aluno durante toda a anamnese! Não devemos
esquecer que alterações nos níveis de estresse e bem-estar influenciam os testes que serão
aplicados após a anamnese.

36 • capítulo 2
2.5  Perfil de Risco para crianças e adolescentes
Quando se trata em perfil de risco cardiovascular, dificilmente o pensamento é
dirigido às crianças e adolescentes, geralmente é visualizado em adultos jovens
e idosos. Porém atualmente as crianças e os adolescentes deixaram de praticar
exercícios físicos no brincar, correr e jogar talvez por causa da violência ou por-
que tais atividades tornaram-se menos atrativas, e como resposta a essa inati-
vidade física veio o sedentarismo (BRANDÃO et al.,2005; OLIVEIRA et al, 2015).
Junto com esta inatividade existe a exigência dos estudos acerca das avalia-
ções do sistema de educação e vestibulares, que faz com que a criança dedique
um tempo maior aos estudos. Este sedentarismo cada vez mais elevado com
uma dieta alimentar cada vez mais calórica e inadequada facilita o surgimen-
to de doenças cardiovasculares na criança e no adolescente, como exemplo a
hipertensão arterial, o que implica na futura elevação da morbidade e morta-
lidade cardiovascular na idade adulta (BRANDÃO et al.,2005; RODRIGUES et
al.,2009; OLIVEIRA et al, 2015).
Neste contexto tem destaque as doenças cardiovasculares que são caracte-
rizadas por uma série de fatores de risco (metabólicos, genéticos e ambientais)
presentes na pessoa. Estes fatores de risco são: obesidade abdominal, índice de
massa corporal (IMC), relação cintura-quadril (RCQ), hipertensão arterial sistê-
mica (HAS) e frequência cardíaca (OLIVEIRA et al., 2004).
O aumento da obesidade em crianças e adolescentes é considerado pro-
blema mundial de saúde pública, de acordo com o último estudo realizado no
Brasil a prevalência de excesso de peso foi de 18,0% nos meninos e 15,4% nas
meninas (entre 10 e 19 anos de idade) (COBAYASHI et al., 2010).
A obesidade relaciona-se com o excesso de gordura corporal, geralmente é
causado por um desequilíbrio crônico entre consumo alimentar e gasto ener-
gético. Existem diversos prejuízos causados pela obesidade, mas o principal é
ela ser um fator de risco independente para o desenvolvimento das doenças
cardiovasculares (e alguns tipos de cânceres) e quando associada a outros fa-
tores de risco cardiovasculares (hipertensão, diabetes e dislipidemias) eleva a
morbidade e mortalidade pelas doenças cardiovasculares. O excesso de peso
na infância aumenta as chances de obesidade na idade adulta (BRANDÃO et
al.,2005).

capítulo 2 • 37
A predisposição genética, alimentação inadequada e sedentarismo estão entre os
principais fatores relacionados à obesidade e a adoção cada vez mais precoce de uma
mudança no estilo de vida, dieta e prática regular de atividade física é um componen-
te básico de prevenção da obesidade e suas comorbidades (ABESO, 2007, p. 99).
As causas secundárias de obesidade na criança e adolescente podem ser vis-
ta na tabela 2.1

CAUSAS SECUNDÁRIAS DE OBESIDADE NA CRIANÇA E ADOLESCENTE


Síndrome de Turner
Síndrome de Lawrence-Moon Biedel
GENÉTICA Síndrome de Prader-Willi
Deficiência de Leptina
Hipotireoidismo
Deficiência de hormônio de crescimento
ENDÓCRINAS Síndrome do ovário policístico
Disfunção hipotalâmica
Síndrome de Cohen
OUTRAS SÍNDROMES Síndrome de Carpenter
OUTRAS Medicações

Tabela 2.1  –  Causas secundárias de obesidade na criança e adolescente. Fonte: ABESO


(2007, p. 100).

Para o diagnóstico da obesidade podemos avaliar a obesidade abdominal ao


medir a circunferência de cintura. Em um estudo realizado por Pouliot (1994)
mostrou que a circunferência da cintura apresentou correlação com o tecido
adiposo visceral (por Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada)
e desta forma é considerada uma medida sensível para avaliar a gordura abdo-
minal (BRANDÃO et al., 2005).
Porém não temos uma curva de referência nacional ou internacional para
comparar a criança ou o adolescente que será medido. Não existe um consenso
sobre qual critério antropométrico é mais adequado e quais pontos de corte são
ideais (OLIVEIRA, 2012; ABESO, 2007, p. 106).
O índice de massa corporal (IMC) é a distribuição da massa corporal pela
estatura da pessoa. Mesmo não medindo a composição corporal, o IMC é um
bom indicador do estado nutricional nos estudos epidemiológicos que mos-
tram que o IMC é altamente correlacionado com a massa adiposa absoluta e na
associação com a morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares, dia-
bete melito, câncer de cólon e doenças das vias biliares (BRANDÃO et al.,2005).

38 • capítulo 2
A relação cintura-quadril (RCQ) é um índice que identifica a relação que
existe entre o perímetro de cintura e o de quadril pela equação:

Perímetro de Cintura ( cm )
RCQ =
Perímetro de Quadril ( cm )

Valores elevados de RCQ estão associados ao acúmulo de gordura na região


abdominal o que está associado ao risco de morte prematura (ROCHA; GUEDES
JUNIOR, 2014, p. 94).
Estudos acerca do perfil lipídico em crianças e adolescentes demonstram
que níveis de colesterol na infância são fatores preditivos para o elevado nível
de triglicerídeos e colesterol total na idade adulta (CARVALHO et al., 2007).
Relacionado ao perfil lipídico de crianças os pontos de corte utilizados são os
propostos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005) para indivíduos com
idade entre 2 e 19 anos apresentados na tabela 2.2.

AUMENTADOS
LÍPIDES REDUZIDO* MG/DL DESEJÁVEIS MG/DL LIMÍTROFES MG/DL
MG/DL
COLESTEROL TOTAL - < 150 150-169 ≥170
LDL-C - < 100 100-129 ≥130
HDL-C < 44 ≥ 45 - -
TRIGLICERÍDEOS - < 100 100-129 ≥130

Tabela 2.2  –  Valores de referência lipídica. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia


(2005).

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição em que ocorre o aumen-


to da pressão arterial sistólica e/ou diastólica. A pressão arterial sistólica é a
maior, é a que está associada a pressão máxima, exercida sobre a parede arte-
rial durante a contração ventricular, já a diastólica é a pressão mínima exercida
durante o relaxamento do ventrículo (LWW, 2007, p. 28).
A pressão sanguínea é igual entre os sexos até os 5 anos e aumenta grada-
tivamente até a adolescência de forma similar. Após esta idade os meninos
apresentam uma pressão arterial sistólica discretamente maior (MALINA;
BOUCHARD, 2002, p. 151)
A pressão arterial é medida tradicionalmente com o esfigmomanômetro do
tipo aneroide (figura 2.4), mas pode ser medida também com o esfigmomanô-
metro de mercúrio (figura 2.5) com auxílio do estetoscópio (figura 2.3) ou os
digitais (figura 2.6).

capítulo 2 • 39
Figura 2.3  –  Estetoscópio. Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 2.4  –  Esfigmomanômetro aneróide. Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 2.5  –  Esfigmomanômetro coluna de mercúrio. Fonte: Elaborado pelo autor.

40 • capítulo 2
Figura 2.6  –  Aparelho de pressão digital. Fonte: Elaborado pelo autor.

COMENTÁRIO
Como medir a pressão arterial com esfigmomanômetro (aneroide ou de coluna de mercúrio)?
Primeiramente a pessoa deve estar de repouso por 5-10 minutos para não influenciar na medida.
- O avaliado deve estar sentado preferencialmente com o braço na altura do coração
e palma da mão voltada para cima.
- O manguito (braçadeira) deve está ajustado a 2,5cm acima do pulso braquial do co-
tovelo.
- Palpe o pulso radial no punho e insufle o manguito até 30mmHg acima do ponto em
que o pulso desaparece.
- Posicione a campânula do estetoscópio sobre o ponto onde o pulso braquial do
cotovelo é percebido, aproximadamente 1 cm abaixo do espaço antecubital.
- Libere lentamente a válvula (2mmHg/s) e o primeiro som (1º ruído de Korotkoff)
aparece, esta é a pressão arterial sistólica.
- Continue liberando a válvula lentamente e o último som (último ruído de Korotkoff)
é a pressão arterial diastólica.
- Libere até o final e retire o manguito do braço da pessoa.
- Geralmente 3 medidas são realizadas para se ter um valor mais preciso da pressão
arterial, com intervalo de 1 minuto.

CONEXÃO
Acesse http://www.eerp.usp.br/ope/manual.htm para visualização de como realizar a medi-
da da pressão arterial.

capítulo 2 • 41
A tabela 2.3 mostra a classificação de pressão arterial em crianças
e adolescentes.

FREQUÊNCIA DE MEDIDA DA
CLASSIFICAÇÃO PERCENTIL* PARA PAS E PAD
PRESSÃO ARTERIAL
PA entre percentis 90 a 95 ou
se PA exceder 120/80 mmHg
Limítrofe Reavaliar em 6 meses
sempre < percentil 90 até <
percentil 95
Paciente assintomático: reava-
liar em 1 a 2 semanas; se hiper-
tensão confirmada encaminhar
Hipertensão estágio 1 Percentil 95 a 99 mais 5 mmHg
para avaliação diagnóstica.
Paciente sintomático: encami-
nhar para avaliação diagnóstica.
PA > percentil 99 mais 5 Encaminhar para avaliação
Hipertensão estágio 2
mmHg diagnóstica
PA > percentil 95 em ambula-
tório ou consultório e PA normal
Hipertensão do avental branco
em ambientes não relacionados
à prática clínica

*Para idade, sexo e percentil de estatura.

Tabela 2.3  –  Classificação de pressão arterial em crianças e adolescentes. Fonte: Sociedade Brasi-
leira de Cardiologia; Sociedade Brasileira de Hipertensão; Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2006.

CONEXÃO
Para as tabelas de percentis acesse a V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/v_diretrizes_brasileira_hipertensao_arterial_2006.pdf

De forma simplificada podemos utilizar as tabelas 2.4 e 2.5 de pressão arte-


rial por idade e diagnóstico de hipertensão arterial por idade.

PRESSÃO SISTÓLICA (MMHG) PRESSÃO DIASTÓLICA (MMHG)


IDADE
P50 P95 P50 P95
< 6 MESES 70 110 45 60
3 ANOS 95 112 64 80
5 ANOS 97 115 65 84
10 ANOS 110 130 70 92
15 ANOS 116 138 70 95

Tabela 2.4  –  Pressão arterial normal por idade. Fonte: Adaptado de Stape et al (1998).

42 • capítulo 2
PRESSÃO SISTÓLICA (MMHG) PRESSÃO DIASTÓLICA (MMHG)
IDADE
SIGNIFICATIVA* GRAVE** SIGNIFICATIVA* GRAVE**
< 2 ANOS 112 118 74 82
2 A 5 ANOS 116 124 76 84
6 A 9 ANOS 122 130 78 86
10 A 12 ANOS 126 140 82 90
13 A 15 ANOS 136 144 86 92
16 A 18 ANOS 142 150 92 98

*Hipertensão significativa (PA>p95); **Hipertensão grave (PA>p99).

Tabela 2.5  –  Hipertensão arterial por idade. Fonte: Adaptado de Carvalho, Souza e Souza
(2004).

A frequência cardíaca é a quantidade de sístoles (contrações ventriculares)


que ocorrem durante 1 minuto.
Em crianças costuma ser elevada em repouso (80 a 100 batimentos por mi-
nutos – bpm) aparentemente por causa de um volume sistólico reduzido em
relação ao tamanho do corpo. Este volume reduzido geralmente desaparece
com o crescimento e com aumento da atividade física e em combinação com
um aumento da capacidade do sistema carrear sangue, podendo chegar a 65-
75bpm (ACSM, 2003, p. 514).
A média da frequência cardíaca no recém-nascido é de 140 bpm, chegando a 100
bpm com 1 ano de idade, aos 6 anos cerca de 80bpm e aos 10 anos em torno de 70
bpm. Não existe diferença significativa entre os sexos durante a primeira infância e
infância, mas após os 10 anos, a frequência cardíaca basal das meninas é 3-5 bpm
mais alta que a dos meninos. No final da adolescência a FC dos meninos é em torno
de 57-60 bpm e das meninas 62-63 bpm (MALINA; BOUCHARD, 2002, p. 149-150).
Níveis normais de frequência cardíaca por idade podem ser vistos na tabela 2.6.

FREQUÊNCIA CARDÍACA (BPM)


IDADE
MÍNIMA MÉDIA MÁXIMA
RECÉM-NASCIDO 70 125 190
1 – 11 MESES 80 120 160
1 – 2 ANOS 80 110 130
2 – 4 ANOS 80 100 120
4 – 6 ANOS 75 100 115
6 – 8 ANOS 70 90 110
8 – 10 ANOS 70 90 110

Tabela 2.6  –  Níveis normais de frequência cardíaca por idade. Fonte: Adaptado de Stape
et al (1998).

capítulo 2 • 43
Em adultos, a síndrome metabólica é definida como a presença de quais-
quer três dos cinco componentes a seguir: aumento na circunferência abdo-
minal, hipertensão, hipertrigliceridemia, colesterol em lipoproteína de alta
densidade (HDL-C) baixo e hiperglicemia. No entanto, diferenças existem entre
adultos e crianças. Combinações distintas podem ser encontradas nos adultos,
porém, em crianças, há o predomínio da obesidade, associada, na maioria das
vezes, a níveis elevados de triglicerídeos e baixo HDL-C, sendo a hipertensão e a
hiperglicemia em jejum menos frequente. A menor frequência de hipertensão
e hiperglicemia pode explicar, em parte, a prevalência menor da síndrome em
crianças do que em adultos (SINAIKO, 2012).
Os critérios para diagnóstico da síndrome metabólica em adolescentes (a
partir de 10 anos) podem ser visualizados na tabela 2.7.

CRITÉRIO NATIONAL CHOLESTEROL EDUCATION PROGRAM ADULT TREATMENT PANEL III (2001) MODIFICADO
POR COOK ET AL. (2003) PARA ADOLESCENTES
COMPONENTES DA SM ADAPTAÇÃO PARA ADOLESCENTE
Triglicérides ≥ 110mg/dL
HDL-C ≤ 40mg/dL
Circunferência da cintura ≥ percentil 90
Glicemia de jejum ≥ 110mg/dL
Pressão arterial PAS/PAD ≥ percentil 90

CRITÉRIO NATIONAL CHOLESTEROL EDUCATION PROGRAM ADULT TREATMENT PANEL III (2001) MODIFICADO
POR FERRANTI ET AL. (2004)
COMPONENTES DA SM ADAPTAÇÃO PARA ADOLESCENTE
Obesidade (Circunferência da cintura) > Percentil 75 para idade e sexo
Glicemia de jejum ≥ 110mg/dL
Triglicérides ≥ 100mg/dL
< 50mg/dL, exceto meninos de 15 a 18 anos,
HDL-colesterol
cujo ponto de corte < 45mg/dL
Pressão arterial PAS > percentil 90 para idade e sexo

CRITÉRIO INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION (2007) PARA ADOLESCENTES


ADAPTAÇÃO PARA ADOLESCENTES ADOLESCENTES ≥ 16 ANOS
COMPONENTES DA SM
IDADE: 10-16 ANOS (CRITÉRIO PARA ADULTO)
Obesidade (Circunferência da Menino ≥ 90cm;
≥ percentil 90
cintura) Menina ≥ 80cm
Glicemia de jejum ≥ 100mg/dL ≥ 100mg/dL
Triglicérides ≥ 150mg/dL ≥ 150mg/dL

44 • capítulo 2
CRITÉRIO INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION (2007) PARA ADOLESCENTES
ADAPTAÇÃO PARA ADOLESCENTES ADOLESCENTES ≥ 16 ANOS
COMPONENTES DA SM
IDADE: 10-16 ANOS (CRITÉRIO PARA ADULTO)
Menino < 40mg/dL;
HDL-colesterol < 40mg/dL
Menina < 50mg/dL
Pressão arterial PAS ≥ 130 ou PAD ≥ 85 PAS ≥ 130 ou PAD ≥ 85

SM = síndrome metabólica; HDL = lipoproteína de alta densidade; PAS = pressão arterial sistólica; PAD
= pressão arterial diastólica.

Tabela 2.7  –  Critérios Síndrome Metabólica em Adolescentes. Fonte: Giannini; Kuschnir;


Szklo (2010).

2.6  Par-Q
O Par-Q (Physical Activity Readiness Questionnarie - Questionário de Prontidão
para a Atividade Física) é um questionário desenvolvido por canadenses que
deve ser aplicado antes que a pessoa inicie um programa de atividade física re-
gular com o objetivo de saber suas limitações e restrições. Ele é composto por
7 perguntas com respostas sim ou não, e quando alguma resposta é sim, reco-
menda-se que a pessoa procure um médico para investigação e avaliação.
O questionário tem sensibilidade igual 100% (identifica casos positivos cor-
retamente) e especificidade de 80% (identifica casos negativos corretamente)
(ACSM, p. 358).
As perguntas são basicamente sobre os sistemas cardiovascular, nervoso
e musculoesquelético.
1. Alguma vez um médico lhe disse que você possui um problema do cora-
ção e lhe recomendou que só fizesse atividade física sob supervisão médica?
2. Você sente dor no peito, causada pela prática de atividade física?
3. Você sentiu dor no peito no último mês?
4. Você tende a perder a consciência ou cair, como resultado de tonteira
ou desmaio?
5. Você tem algum problema ósseo ou muscular que poderia ser agravado
com a prática de atividade física?
6. Algum médico já lhe recomendou o uso de medicamentos para a sua
pressão arterial, para circulação ou coração?
7. Você tem consciência, através da sua própria experiência ou aconselha-
mento médico, de alguma outra razão física que impeça sua prática de ativida-
de física sem supervisão médica?

capítulo 2 • 45
O modelo original do questionário Par-Q pode ser visto na figura 2.7 e um
modelo adaptado na figura 2.8.

Physical Activity Readiness


Questionnaire - PAR-Q
(revised 2002) PAR-Q & YOU (A Questionnaire for People Aged 15 to 69)
Regular physical activity is fun and healthy, and increasingly more people are starting to become more active every day. Being more active is very safe for most
people. However, some people should check with their doctor before they start becoming much more physically active.
If you are planning to become much more physically active than you are now, start by answering the seven questions in the box below. If you are between the
ages of 15 and 69, the PAR-Q will tell you if you should check with your doctor before you start. If you are over 69 years of age, and you are not used to being
very active, check with your doctor.
Common sense is your best guide when you answer these questions. Please read the questions carefully and answer each one honestly: check YES or NO.

YES NO
1. Has your doctor ever said that you have a heart condition and that you should only do physical activity
recommended by a doctor?
2. Do you feel pain in your chest when you do physical activity?
3. In the past month, have you had chest pain when you were not doing physical activity?
4. Do you lose your balance because of dizziness or do you ever lose consciousness?
5. Do you have a bone or joint problem (for example, back, knee or hip) that could be made worse by a
change in your physical activity?
6. Is your doctor currently prescribing drugs (for example, water pills) for your blood pressure or heart con-
dition?
7. Do you know of any other reason why you should not do physical activity?

If YES to one or more questions


Talk with your doctor by phone or in person BEFORE you start becoming much more physically active or BEFORE you have a fitness appraisal. Tell
you your doctor about the PAR-Q and which questions you answered YES.
• You may be able to do any activity you want — as long as you start slowly and build up gradually. Or, you may need to restrict your activities to

answered those which are safe for you. Talk with your doctor about the kinds of activities you wish to participate in and follow his/her advice.
• Find out which community programs are safe and helpful for you.

NO to all questions ➔ DELAY BECOMING MUCH MORE ACTIVE:


• if you are not feeling well because of a temporary illness such as
If you answered NO honestly to all PAR-Q questions, you can be reasonably sure that you can: a cold or a fever – wait until you feel better; or
• start becoming much more physically active – begin slowly and build up gradually. This is the • if you are or may be pregnant – talk to your doctor before you
safest and easiest way to go. start becoming more active.
• take part in a fitness appraisal – this is an excellent way to determine your basic fitness so
that you can plan the best way for you to live actively. It is also highly recommended that you PLEASE NOTE: If your health changes so that you then answer YES to
have your blood pressure evaluated. If your reading is over 144/94, talk with your doctor any of the above questions, tell your fitness or health professional.
before you start becoming much more physically active. Ask whether you should change your physical activity plan.

Informed Use of the PAR-Q: The Canadian Society for Exercise Physiology, Health Canada, and their agents assume no liability for persons who undertake physical activity, and if in doubt after completing
this questionnaire, consult your doctor prior to physical activity.

No changes permitted. You are encouraged to photocopy the PAR-Q but only if you use the entire form.
NOTE: If the PAR-Q is being given to a person before he or she participates in a physical activity program or a fitness appraisal, this section may be used for legal or administrative purposes.

"I have read, understood and completed this questionnaire. Any questions I had were answered to my full satisfaction."
NAME ________________________________________________________________________

SIGNATURE _______________________________________________________________________________ DATE______________________________________________________

SIGNATURE OF PARENT _______________________________________________________________________ WITNESS ___________________________________________________


or GUARDIAN (for participants under the age of majority)

Note: This physical activity clearance is valid for a maximum of 12 months from the date it is completed and
becomes invalid if your condition changes so that you would answer YES to any of the seven questions.

© Canadian Society for Exercise Physiology www.csep.ca/forms

Figura 2.7  –  Modelo de ficha de PAR-Q. Fonte: Canadian Society of Exercise Physiology
em 2002. Disponível em http://www.csep.ca/cmfiles/publications/parq/par-q.pdf.

46 • capítulo 2
Figura 2.8  –  Modelo de ficha de PAR-Q. Fonte: Próprio autor. *Questões retiradas da revi-
são do PAR-Q realizada pela Canadian Society of Exercise Physiology em 2002. Disponível
em http://www.csep.ca/cmfiles/publications/parq/par-q.pdf.

Caso o aluno preencha pelo menos uma resposta SIM, ele deve ser enca-
minhado para consulta médica, para que então possa iniciar a atividade física
com segurança.
O modelo de carta de encaminhamento do aluno a médico pode ser visto na
figura 2.9.

capítulo 2 • 47
Figura 2.9  –  Modelo de encaminhamento médico. Fonte: Elaborado pelo autor.

ATIVIDADES
No início do ano o professor pretende realizar uma atividade sobre os riscos da obesidade e
realiza então uma avaliação em sua turma para debater com os alunos os resultados encon-
trados. Realiza então a coleta de massa corporal e estatura para IMC, perímetros de cintura e
quadril, afere a pressão arterial e realiza um breve questionário para identificar os fatores de
risco para o desenvolvimento da obesidade.
No momento do debate ele seleciona aleatoriamente uma das fichas de coleta e escreve
no quadro os resultados encontrados: Gênero masculino, Idade 13 anos, Massa corporal
65kg, Estatura 1,45m, Cintura 80cm, Quadril 92cm, Pressão Arterial 120x70mmHg, Ques-
tionário: Mãe diabética, pai hipertenso, não realiza atividade física extracurricular, Não lembra
qual foi a última vez que fez exame de sangue e não lembra os resultados.
De acordo com dados deste adolescente,

48 • capítulo 2
01. Calcule o RCQ.

02. Classifique a pressão arterial.

03. Este adolescente possui algum fator de risco para o desenvolvimento de doen-
ças cardiovasculares?

04. Qual a importância dos exames laboratorais?

REFLEXÃO
Antes de começar a prática regular de uma atividade física, o professor de educação fí-
sica precisa conhecer o aluno e saber dos possíveis riscos que o aluno tem para praticar
tal atividade.
Para isso o aluno passa inicialmente por uma anamnese que caracteriza o aluno e por
questionários e medidas que mostram o perfil do aluno.
Quando se trata de perfil de risco para doenças cardiovasculares, logo se pensa sobre
o idoso ou adulto, porém crianças e adolescentes também podem desenvolver doenças car-
diovasculares associadas a genética, ambiente e estilo de vida. Dentre estes fatores estão a
obesidade, hipertensão arterial e alterações de frequência cardíaca.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ACSM. Manual de pesquisa das diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua
prescrição. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
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n. 2, p.79-81, ago. 2005.
CANADIAN SOCIETY OF EXERCISE PHYSIOLOGY. Physical Activity Readiness Questionnaire -
PAR-Q. 2002. Disponível em: http://www.csep.ca/cmfiles/publications/parq/par-q.pdf.
CARVALHO, W.B.; SOUZA, N.; SOUZA, R.L. Emergência e terapia intensiva pediátrica. 2. ed. São
Paulo: Atheneu, 2004.
CARVALHO, D.F. et al. Perfil lipídico e estado nutricional de adolescentes. Rev Bras Epidemiol., v.
10, n. 4, São Paulo, p.491-498, ago. 2007.

capítulo 2 • 49
COBAYASHI, Fernanda et al. Obesidade e fatores de risco cardiovascular em adolescentes de
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FREITAS, R.H. Medida e avaliação para o esporte e a saúde. São Paulo: Rubio, 2004.
LWW. Avaliação. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
GIANNINI, D.T.; KUSCHNIR , M.C.; SZKLO, M. Diagnóstico e prevalência da síndrome metabólica
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MAGGE, D.J. Avaliação musculoesquelética. 4.ed. São Paulo: Manole, 2005.
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STAPE, A. et al. Terapia intensiva pediátrica: manual de normas. São Paulo: Sarvier, 1998.

50 • capítulo 2
3
Avaliação
Antropométrica
A antropometria, como já discutida no capítulo 1, é a ciência que estuda as pro-
porções e medidas do corpo humano. Sua evolução culmina em padronizações
para medir e caracterizar o homem em suas diferentes dimensões.

OBJETIVOS
•  Relembrar o conceito de antropometria.
•  Aprender a metodologia para a medida de peso, estatura, altura tronco-cefálica, compri-
mento de membros inferiores e envergadura.
•  Aprender a padronização das circunferências de cabeça, braço relaxado, cintura e pan-
turrilha, das dobras cutâneas de tríceps, subescapular e panturrilha e dos diâmetros ósseos
biacromial, biiliocristal, biepicondilar do fêmur e do úmero.
•  Identificar os pontos anatômicos utilizados nas medidas.
•  Saber utilizar a balança, estadiômetro, trena antropométrica, adipômetro e paquímetro.
•  Conhecer o índice de massa corporal (IMC) como indicador do excesso de peso para
crianças e adolescentes.
•  Conhecer o perímetro de cintura como indicadores de gordura central para crianças
e adolescentes.
•  Saber calcular e interpretar os dados referentes ao IMC e RCQ.

52 • capítulo 3
3.1  Conceito de antropometria
Etimologicamente, a palavra antropometria é formada pela junção de dois ter-
mos de origem grega: ánthropos, que significa "homem" ou "ser humano"; e
métron, que quer dizer "medida".
A origem da antropometria remonta-se à antiguidade, os egípcios e gregos
já observavam e estudavam a relação das diversas partes do corpo. Por mais de
um século a Antropometria tem sido utilizada para avaliar o tamanho e as pro-
porções dos segmentos corporais, com a utilização das medidas de circunfe-
rência e comprimento dos segmentos corporais.

3.2  Peso
Para medir a massa corporal utiliza-se uma balança mecânica ou digital. É im-
portante que a balança esteja devidamente calibrada.
Procedimento em balança mecânica (protocolo ISAK):
1. Destravar a balança.
2. Verificar se a balança está calibrada (a agulha do braço e o fiel devem es-
tar na mesma linha horizontal). Caso contrário, calibrá-la, girando lentamente
o calibrador,
3. Esperar até que a agulha do braço e o fiel estejam nivelados.
4. Após a calibração da balança, ela deve ser travada, e só então o avaliado
subirá na plataforma para ser pesado.
5. Posicionar o avaliado de costas para a balança, descalço, com o mínimo
de roupa possível, no centro do equipamento, ereto, com os pés juntos e os bra-
ços estendidos ao longo do corpo. Mantê-lo parado nessa posição.
6. Destravar a balança.
7. Mover o cursor maior sobre a escala numérica, para marcar os quilos.
8. Depois mover o cursor menor para marcar os gramas.
9. Esperar até que a agulha do braço e o fiel estejam nivelados.
10. Travar a balança, evitando, assim que sua mola desgaste, assegurando
o bom funcionamento do equipamento.
11. Realizar a leitura de frente para o equipamento posicionando-se atrás
da balança, a fim de visualizar melhor os valores apontados pelos cursores.

capítulo 3 • 53
12. Anotar o peso na ficha ou prontuário.
13. Retirar o avaliado da balança.
14. Retornar os cursores ao zero na escala numérica.

3.3  Estatura
Para medir a estatura utiliza-se um estadiômetro que pode ser fixo à parede ou
estar associado à balança.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Posicionar o avaliado descalço e com a cabeça livre de adereços, no cen-
tro do equipamento. Mantê-lo de pé, ereto, com os braços estendidos ao lon-
go do corpo, com a cabeça erguida, olhando para um ponto fixo na altura dos
olhos (Plano de Frankfurt).
2. Encostar os calcanhares, ombros e nádegas em contato com o
antropômetro/parede.
3. Os ossos internos dos calcanhares devem se tocar, bem como a parte in-
terna de ambos os joelhos. Unir os pés, fazendo um ângulo reto com as pernas.
4. Abaixar a parte móvel do equipamento, fixando-a contra a cabeça, com
pressão suficiente para comprimir o cabelo. Retirar o avaliado, quando tiver
certeza de que o mesmo não se moveu.
5. Realizar a leitura da estatura, sem soltar a parte móvel do equipamento,
estando o avaliado em apneia instiratória.
6. Anotar o resultado na ficha/prontuário.

3.4  Altura tronco-cefálica


A altura tronco-cefálica (ou altura sentada) é a distância perpendicular entre os
planos transversais que passam pelo vértex (ponto superior da cabeça) e pela
porção mais inferior das nádegas.
Para mediar a altura sentada utiliza-se um estadiômetro ou antropômetro e
uma caixa antropométrica.

54 • capítulo 3
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Sujeito na posição sentada, com as mãos sobre as coxas, faz uma inspi-
ração profunda e o medidor pressiona a região mastoidea para cima.
2. O anotador coloca o aparato do estadiômetro sobre o Vértex, pressio-
nando o cabelo e verifica se o sujeito não contrai os glúteos ou empurra a caixa
com as pernas durante a medição.

3.5  Comprimento de membros inferiores


O comprimento de membros inferiores é obtido subtraindo-se a altura tronco-
cefálica da estatura.

ComprimentodeMMII = Estatura ( cm ) − Altura troncocefálica

3.6  Envergadura
A envergadura é a distância entre os dois dactylions com os braços esticados
na horizontal.
Para se mediar a envergadura utiliza-se uma trena antropométrica ou seg-
mômetro com pelo menos 2 m de comprimento usada em conjugação com um
plano vertical (canto entre duas paredes ou ombreira de porta).
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Sujeito de pé, com os pés juntos, encosta-se à parede. Coloca os mem-
bros superiores em abdução no plano horizontal com as palmas das mãos vi-
radas para fora, mantendo os calcanhares, glúteos, costas e braços em contato
com a parede.
2. Sujeito faz uma inspiração máxima e a extensão máxima dos membros
superiores. O anotador verifica se o dactylion se mantém em contato com o can-
to da parede. O medidor verifica a horizontalidade dos membros e observa o
contanãto do dactylion contra lateral com a haste do segmômetro

capítulo 3 • 55
Figura 3.1  –  Medida de envergadura. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.7  Circunferências
3.7.1  Cabeça

A circunferência da cabeça é feita no nível da glabela, perpendicular ao eixo


da cabeça.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Criança de pé, relaxada, membros superiores pendentes ao longo
do tronco.
2. Medidor à frente ou ao lado do sujeito posiciona a trena antropométri-
ca rodeando a cabeça, ajusta de forma que fique em contato com a superfície da
mesma e realiza a leitura.

Figura 3.2  –  Posicionamento da trena para medir circunferência de cabeça. Fonte:


Cabañas, Esparza (2009).

56 • capítulo 3
3.7.2  Braço relaxado

A circunferência de braço relaxado é feita no nível do ponto Mid-acromiale-ra-


diale, perpendicular ao eixo longitudinal do braço.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Criança de pé, relaxada, membros superiores pendentes ao longo do
tronco com braço direito em ligeira abdução para permitir a colocação da trena.
2. Medidor do lado de fora do sujeito posiciona a trena antropométrica
rodeando o braço, ajusta de forma que fique em contato com a superfície do
braço e realiza a leitura.

Figura 3.3  –  Medida de braço relaxado. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.7.3  Cintura

A circunferência da cintura é realizada na zona de menor dimensão, entre o


bordo inferior do arcabouço costal (10ª costela) e o bordo superior da crista
ilíaca, perpendicular ao eixo longitudinal do tronco.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Posição de pé, relaxada, membros superiores cruzados sobre o tórax.
2. Medidor de frente para o sujeito coloca a fita à volta do tronco (cintura).
Sujeito faz uma ligeira abdução dos braços para permitir a colocação da trena.
3. A leitura é feita no final de uma expiração normal.

capítulo 3 • 57
Figura 3.4  –  Medida de cintura. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.7.4  Panturrilha

A circunferência da panturrilha é realizada na zona de maior dimensão da per-


na, perpendicular ao eixo longitudinal do tronco.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Posição de pé, relaxada com os membros inferiores ligeiramente afas-
tados para permitir o posicionamento da trena.
2. Medidor atrás ou lateralmente ao sujeito coloca a fita à volta da perna
em sua região de maior volume, ajusta fazendo com que toda a fita fique em
contato com a superfície.
3. O medidor realiza a leitura do valor encontrado.

Figura 3.5  –  Medida de panturrilha. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

58 • capítulo 3
3.8  Dobras cutâneas
Para medir as dobras cutâneas algumas observações devem ser levadas
em consideração:
•  Identificar e marcar os locais a serem medidos, sempre no hemicorpo di-
reito do avaliado. Em casos de alterações, amputações ou má-formações pode-
rão ser realizadas no hemicorpo esquerdo.
•  Destacar o tecido adiposo do tecido muscular utilizando os dedos polegar
e indicador da mão esquerda, e segurar a dobra cutânea até que a leitura da
medida tenha sido realizada.
•  Introduzir as hastes do compasso de dobras cutâneas aproximadamente
um centímetro abaixo dos dedos que estão segurando a dobra, de forma que as
mesmas fiquem perpendiculares à dobra cutânea.
•  Soltar completamente as hastes do compasso, para que toda a pressão de
suas molas possa atuar sobre o tecido medido.
•  Executar a leitura da medida no máximo dois a três segundos após a intro-
dução do compasso.
•  Repetir todo esse processo três vezes não consecutivas, ou seja, mede-se
todas as dobras cutâneas escolhidas, depois mede-se todas novamente, e então
mais uma vez.
•  Adotar o valor mediano (intermediário) como sendo a medida da dobra
cutânea.
•  Quando, entre o maior e o menor valor obtido em uma dobra cutânea,
houver uma diferença superior a 5%, deverá ser realizada uma nova série
de medidas.
•  O instrumento utilizado para medir as dobras cutâneas chama-se com-
passo de dobras cutâneas, também chamado de adipômetro, plicômetro ou es-
pecímetro. A força de compressão varia em torno de 8 a 10 g/mm3, conforme o
desenho do modelo divide-se em dois tipos: os científicos em que a sua leitura
da medida permite uma maior precisão em uma escala de 0,01mm e os clínicos
onde as escala é de 1 mm.

capítulo 3 • 59
3.8.1  Tríceps

A dobra de tríceps situa-se na parte posterior do braço sobre o músculo tricipi-


tal e a nível da meia distância entre o ponto acromiale e o ponto radiale, ou seja,
ao nível do ponto mid-acromiale-radiale. É conveniente palpar o local antes de
fazer a medição. A prega é obtida paralelamente ao eixo longitudinal do braço.
Procedimento (protocolo ISAK):
1. Posição de pé
2. Membro superior direito relaxado e em extensão ao lado do corpo com
a articulação do ombro rodada externamente para a posição de semi-pronação

Figura 3.6  –  Dobra tricipital. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.8.2  Subescapular

A dobra subescapular é tida no local marcado 2 cm abaixo do ponto subscapu-


lare sobre linha lateral e obliqua num ângulo de 45o. A prega é obtida obliqua-
mente de cima para baixo no local da prega subescapular.

60 • capítulo 3
Procedimento (protocolo ISAK)
1. Posição de pé, relaxada, com os membros superiores pendentes ao lon-
go do tronco.
2. O alinhamento da prega é determinado pelo alinhamento natural da
prega de pele.

Figura 3.7  –  Dobra subescapular. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.8.3  Panturrilha

A dobra de panturrilha é medida no local marcado no máximo volume geminal


(máximo volume da perna) na face média e interna da perna. A prega é obti-
da verticalmente.
Procedimento (protocolo ISAK)
1. Posição de pé, relaxada com o pé direito colocado em cima da caixa an-
tropométrica, joelho direito fletido a 90º.
2. A prega é paralela ao eixo longitudinal da perna.

Figura 3.8  –  Dobra subescapular. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

capítulo 3 • 61
3.9  Diâmetros ósseos
3.9.1  Biacromial

O diâmetro biacromial é a medida entre os dois acrômios do indivíduo.


Procedimento (protocolo ISAK)
1. Posição de pé ou sentada, relaxada.
2. Avaliador pode estar à frente ou atrás do avaliado.
3. O valor da medida é lido quando as duas pontas do paquímetro compri-
mem ligeiramente a região mais lateral dos acrômios.

Figura 3.9  –  Diâmetro biacromial. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

62 • capítulo 3
3.9.2  Biiliocristal

O diâmetro biiliocristal é a medida entre os dois pontos mais altos das cris-
tas ilíacas.
Procedimento (protocolo ISAK)
1. Posição de pé, relaxada.
2. Avaliador pode estar à frente ou atrás do avaliado.
3. O valor da medida é lido quando as duas pontas do paquímetro compri-
mem ligeiramente a região mais lateral da região mais alta das cristas ilíacas.

Figura 3.10  –  Diâmetro biiliocristal. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

3.9.3  Biepicondilar do Fêmur e Úmero

O diâmetro biepicondilar do fêmur é a medida entre os epicôndilos medial e


lateral do fêmur.

capítulo 3 • 63
Procedimento (protocolo ISAK)
1. Posição sentada, relaxada.
2. Avaliador deve estar à frente do avaliado.
3. O valor da medida é lido quando as duas pontas do paquímetro compri-
mem ligeiramente o fêmur em sua porção distal, lateralmente aos côndilos.

Figura 3.11  –  Diâmetro biepicondilar do fêmur. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

O diâmetro biepicondilar do úmero é a medida entre os dois epicôndilos


medial e lateral do úmero.
Procedimento (protocolo ISAK)
4. Posição de pé ou sentado, relaxada.
5. Avaliador deve estar à frente do avaliado.
6. O valor da medida é lido quando as duas pontas do paquímetro compri-
mem ligeiramente o úmero em sua porção distal, lateralmente aos côndilos.

Figura 3.12  –  Diâmetro biepicondilar do úmero. Fonte: Cabañas, Esparza (2009).

64 • capítulo 3
3.10  Indicadores antropométricos de saúde
Os indicadores de saúde são parâmetros utilizados para mapear a saúde de uma
população. São utilizados índices que nada mais são do que razões entre duas
grandezas (proporções corporais) tais que uma não inclui a outra. Exemplo:

( diâmetro transverso do crânio )


Índice Cefálico = x 100
( diâmetro longitudinal do crânio )

Tais índices sofrem modificações com o crescimento físico (alterações progres-


sivas observadas nas dimensões integrais do corpo ou em suas partes e segmentos
específicos), alterando os padrões relacionados à proporcionalidade corporal (que
procura reunir elementos quanto às proporções ou às relações que se estabelecem
entre as dimensões antropométricas dos distintos segmentos do corpo humano).
Dentre os indicadores utilizados em saúde das crianças/adolescentes estão
o índice de massa corporal e a circunferência de cintura.

3.10.1  Índice de massa corporal

Desde o início da antropometria existia a necessidade de se estabelecer um ín-


dice para o peso corporal relativo. Quetelet (1796-1874) observou, em tabelas
publicadas na época que apresentavam para ambos os gêneros, pesos corpo-
rais médios para a idade e estatura específicas, que a massa corporal de adultos
é proporcional à estatura, verificando ser a relação existente igual à massa cor-
poral (kg)/estatura2(m).

Massa Corporal ( kg )
IMC =
Estatura2 ( m )

Para interpretarmos adequadamente o IMC em crianças, devemos relem-


brar o que é percentil.
Em estatística descritiva, o késimo percentil Pk é o valor x que corresponde à
frequência cumulativa de N k/100, onde N é o tamanho amostral. Portanto, o 1º
percentil determina o 1% menor dos dados e o 98º percentil determina o 98%
menor dos dados.

capítulo 3 • 65
Figura 3.13  –  Gráficos de Percentis do IMC para meninos. Fonte: CDC.

66 • capítulo 3
Figura 3.14  –  Gráficos de Percentis do IMC para meninas. Fonte: CDC.

capítulo 3 • 67
Figura 3.15  –  Gráficos de Percentis de Estatura e Massa Corporal para meninos. Fonte:
CDC.

68 • capítulo 3
Figura 3.16  –  Gráficos de Percentis de Estatura e Massa Corporal para meninas. Fonte:
CDC.

capítulo 3 • 69
AUTOR
Como ler o Gráfico
A parte inferior do gráfico mostra as idades, a partir de 2 a 20 anos. Os lados esquerdo
e direito do gráfico mostram os valores do IMC.
O gráfico mostra que a idade de 2 anos 95% das meninas têm um IMC inferior a 19,2 e
5% têm um a menos que 14,4. Aos 20 anos 95% das meninas tem um IMC inferior a 32 e
5% têm um menor do que 17,8.
Então, para encontrar IMC da criança ou adolescente deve-se ler na horizontal até che-
gar à linha vertical para a idade da criança ou adolescente. Então, ver onde esse ponto está
entre as linhas de percentis.
Por exemplo, uma menina com um IMC de 18 a 12 anos de idade é um pouco abaixo do
percentil 50%.

PERCENTIS STATUS DO PESO


95 - 100 Sobrepeso
85 - 95 Risco para Sobrepeso
5 - 85 Normal
5 ou menor Baixo Peso

Tabela 3.1  –  Classificação de acordo com os percentis.

3.11  Perímetro de cintura


O perímetro de Cintura vem sendo utilizado para avaliar a distribuição da gor-
dura corporal e o risco cardiovascular associados com a adiposidade. Petroski
(2011) observa que uma maior adiposidade visceral independente da adiposi-
dade total é vista como um fator de risco para a saúde em crianças e em adultos.

ATIVIDADES
No início do ano o professor pretende realizar uma atividade sobre os riscos da obesidade e
realiza então uma avaliação em sua turma para debater com os alunos os resultados encon-
trados. Realiza então a coleta de massa corporal e estatura para IMC.

70 • capítulo 3
No momento do debate ele seleciona aleatoriamente uma das fichas de coleta e escreve
no quadro os resultados encontrados: Gênero masculino, Idade 13 anos, Massa corporal
65kg, Estatura 1,45m.
De acordo com dados deste adolescente,

01. Calcule o IMC e o classifique-o.

02. Cite dois cuidados que devemos ter ao medir a massa corporal e a estatura.

REFLEXÃO
A antropometria é a ciência que estuda as proporções e medidas do corpo humano. Essas
medidas são utilizadas para acompanhar o crescimento e desenvolvimento infantil e servem
também como indicadores para a saúde da população.
Para coleta das medidas alguns materiais são necessários, tais como balança, estadiô-
metro, trena antropométrica, paquímetro e adipômetro. Cada um com seu objeto de medi-
da específica.
Não podemos esquecer que o material deve estar devidamente calibrado e limpo.
A avaliação deve ser explicada de forma clara ao avaliado para que então possam ser
coletadas as medidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CABAÑAS, M.D.; ESPARZA, F. Cineantropometria. Madrid: CTO editorial, 2009.
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.R.P. Manual prático para avaliação em educação física. São Paulo:
Manole, 2006.
MARFELL-JONES, M. et al. International standards for anthropometric assessment. South Africa:
ISAK, 2006.
NHANES. Anthropometry procedures manual. USA: NHANES, 2004.
PETROSKI, E.L. Antropometria: técnicas e padronizações. 5 ed. São Paulo: Fontoura, 2011.
PETROSKI, E.L.; PIRES-NETO, C.S.; GLANER, M.F. Biometrica. Jundiaí: Fontoura, 2010.

capítulo 3 • 71
72 • capítulo 3
4
Avaliação da
Composição
Corporal
A antropometria é um método duplamente indireto de avaliação da composi-
ção corporal. Consiste na medição e avaliação das dimensões físicas e da com-
posição global do ser humano. Esta técnica tem sido a mais utilizada pela sua
facilidade de execução e inocuidade para diagnosticar níveis populacionais
principalmente na infância e adolescência.

OBJETIVOS
•  Analisar a composição corporal e seus dois principais componentes, massa gorda e massa
corporal magra.
•  Conhecer o método de dobras cutâneas.
•  Saber medir as dobras cutâneas tricipital, subescapular e panturrilha.
•  Conhecer as equações recomendadas para calcular o percentual de gordura em crianças
e adolescentes.
•  Classificar o percentual de gordura em função da idade, gênero, raça e maturação sexual.

74 • capítulo 4
A antropometria é aplicada em diversas áreas da medicina para estudar as
doenças e anomalias que afetam as dimensões do organismo humano. O ramo
que acompanha o desenvolvimento do corpo infantil, por exemplo, chama-se
Puericultura e está inserido no campo da Pediatria (PETROSKI; PIRES-NETO;
GLANER, 2010, p. 10-11).
As medidas de composição corporal podem ser usadas para acompanhar
as alterações que ocorrem ao longo do processo de desenvolvimento e cresci-
mento, servindo também para acompanhar parâmetros de saúde nas crianças
como a classificação dos níveis de gordura corporal.
Sabe-se que crianças com os níveis de gordura corporal mais elevados apre-
sentarão uma tendência maior de se tornarem adultos obesos, de apresen-
tarem um maior risco cardiovascular. Meninos com mais de 25% de gordura
corporal relativa e meninas com mais de 30% têm maiores níveis de colesterol
e relação lipoproteica de colesterol, maiores valores de pressão sistólica e dias-
tólica (CABAÑAS; ESPARZA, 2009, p. 13-15).
Sabendo-se da necessidade de se acompanhar esse processo de desenvolvi-
mento e crescimento por parte do professor de educação física na escola, res-
salva-se a necessidade desse profissional possuir a capacidade de interpretar
estes resultados de composição corporal para poder orientar os pais e educar
as crianças em relação às alterações morfológicas que ocorrem com elas du-
rante esta fase e principalmente com relação à necessidade de um estilo de
vida saudável, no que tange a uma prática diária de atividade física e uma nu-
trição saudável.
Para a avaliação da composição corporal em crianças, os métodos mais indi-
cados são aqueles que necessitam da menor colaboração da criança para mini-
mizar erros, sejam eles, subestimando ou superestimando a gordura corporal.
E por isso, o método que utiliza as dobras cutâneas para predição da gordura
corporal são os mais utilizados (SANT’ANNA; PRIORE; FRANCESCHINI, 2009).

4.1  Método de Dobras Cutâneas


A espessura do tecido adiposo subcutâneo passou a ser utilizada por volta de
1915 medindo-se as dobras cutâneas. Essa técnica promoveu nos anos 60 e 70 o
desenvolvimento de diversos modelos matemáticos de predição de composição
corporal, principalmente estimando-se a densidade corporal total e a gordura

capítulo 4 • 75
corporal, subdividindo a massa corporal em dois ou mais compartimentos. O
modelo de dois compartimentos é considerado o modelo clássico, dividindo
massa de gordura, composta por todos os lipídios que possam ser extraídos e
massa livre de gordura composta por água, proteínas e componentes minerais.
A medida das pregas cutâneas vem sendo muito utilizada para estimar a
gordura corpórea em avaliações de campo e clínicas devido à sua fácil utiliza-
ção, elevada precisão e custo relativamente baixo quando comparada às outras
técnicas como DEXA e pletismografia (SANT’ANNA; PRIORE; FRANCESCHINI,
2009).
Sua exatidão e precisão dependem do tipo de plicômetro (compasso de do-
bras cutâneas) usado, da familiarização do avaliador com as técnicas de me-
dida e da perfeita identificação do ponto anatômico a ser medido. Por isso, é
tão importante a calibragem do equipamento e o treinamento do avaliador
(SANT’ANNA; PRIORE; FRANCESCHINI, 2009; HEYWARD; STOLARCZYK,
2000, p. 24).

Figura 4.1  –  Tipos de plicômetros.

A dobra cutânea mede indiretamente a espessura do tecido gorduroso sub-


cutâneo e por isso algumas relações básicas são assumidas para estimar a densi-
dade corporal total para se obter o percentual de gordura corporal (HEYWARD;
STOLARCZYK, 2000, p. 23).

76 • capítulo 4
•  A dobra cutânea é uma boa medida da gordura subcutânea;
•  A distribuição da gordura subcutânea e interna é similar para todos os
indivíduos do mesmo sexo;
•  Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura
corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar
a gordura corporal total;
•  Há uma relação entre o somatório das dobras cutâneas e a densida-
de corporal;
•  A idade é uma variável de predição independente da dobra cutânea tanto
para o gênero masculino quando para feminino.

Figura 4.2  –  Anatomia da dobra cutânea. Fonte: Heyward; Stolarczyk (2000).

De acordo com Heyward e Stolarczyk (2000), para a medida das dobras cutâ-
neas alguns cuidados devem ser tomados:
•  As medidas são feitas no lado direito do corpo;
•  O local da dobra cutânea deve ser identificado de acordo com o protoco-
lo escolhido;
•  A dobra deve ser pinçada com firmeza entre o polegar e indicador sendo
destacada por aproximadamente 1 cm;
•  Manter a dobra pressionada enquanto a medida é realizada;
•  As hastes do adipômetro devem ficar perpendiculares à dobra cutânea;
•  A leitura do valor é feita no máximo em 4 segundos após a pressão ter
sido aplicada;
•  As hastes do adipômetro são afastadas e somente após deixa-se de exercer
pressão sobre a dobra cutânea.

capítulo 4 • 77
4.1.1  Modelos de predição de dobras cutâneas

As equações de predição de dobras cutâneas foram desenvolvidas usando mo-


delos de regressão nas quais são relacionados os valores encontrados das do-
bras e outras medidas antropométricas com a densidade corporal. A maioria
das equações utilizam no mínimo 3 dobras cutâneas para predizer a densidade
corporal. A densidade corporal é convertida no percentual de gordura com a
utilização de uma equação que seja apropriada às características do avaliado
(HEYWARD; STOLARCZYK, 2000, p. 26).

4.2  Equações recomendadas para crianças e


adolescentes

As equações específicas para crianças e adolescentes geralmente utilizam os


valores encontrados nas dobras cutâneas periféricas tais como tricipital, subes-
capular e panturrilha.
Existem diversas equações para predizer a gordura corporal de crianças
e adolescentes, mas para aprofundamento serão descritos os protocolos de
Lohman (1989) e Slaughter (1988) devido sua ampla utilização em estudos na
população brasileira.

LEITURA
Leia mais sobre o assunto em https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/
viewFile/3816/3255

4.2.1  Protocolo de Lohman

Lohman (1989) em seu modelo fez uso de uma constante de correção (inter-
cepto da reta) tendo como base a faixa etária (7 a 16 anos) e o gênero da crian-

78 • capítulo 4
ça (tabela 4.1). As dobras cutâneas utilizadas são a dobra cutânea de tríceps
e subescapular.

%G = 1,35 ( TR + SE ) − 0, 012 ( TR + SE ) −C
2

TR – dobra cutânea de tríceps; SE – dobra cutânea subescapular; C – constante.

VALORES DA CONSTANTE (C)


Gênero/Idade 07 10 13 16
Masculino 3,4 4,4 5,4 6,4
Feminino 1,4 2,4 3,4 4,0

Tabela 4.1  –  Valores da constante (C), por idade e gênero.

Atentando para que o método de avaliação antropométrica por dobras cutâ-


neas requer um contato físico com o avaliado, faz-se necessário que o avaliador
tenha sensibilidade para algumas questões éticas como o toque em crianças
por adultos. Para crianças e jovens adolescentes, principalmente meninas mais
acanhadas, recomenda-se a utilização do modelo que faz uso do somatório das
dobras cutâneas tríceps + panturrilha ao invés da subescapular (tabela 4.2).

EQUAÇÕES PARA JOVENS MASCULINOS


%G =0,735(TR+PM) +1,0
EQUAÇÕES PARA JOVENS FEMININOS
%G =0,610(TR+PM) +5,1

Tabela 4.2  –  Somatório das Dobras Cutâneas tríceps (TR) e panturrilha (PM).

Para interpretação dos resultados da soma das dobras cutâneas e do percen-


tual de gordura corporal Lohman (1987) apresenta um quadro de classificação,
onde o seu procedimento e interpretação são muito simples.
Na linha superior ele apresenta a classificação pelo valor do somatório das
dobras cutâneas na linha inferior a classificação pelo valor do percentual de
gordura corporal obtido pelo uso dos modelos matemáticos de predição da
composição corporal de crianças e adolescentes (figura 4.3).

capítulo 4 • 79
Dobras cutâneas triceps mais panturrilha
Dobras cutâneas (mm) meninos
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

muito faixa mod. muita


baixa alta
baixa ótima alta alta

6 10 13 17 20 24 28 31 35 38 42
% Gordura
Dobras cutâneas triceps mais subescapular
meninos
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

muito faixa mod. muita


baixa alta
baixa ótima alta alta
6%

a 2 68 13 18 23 26 29 32 35 38 41
% Gordura
Dobras cutâneas triceps mais panturrilha
meninas
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

muito faixa mod. muita


baixa alta
baixa ótima alta alta

7 11 14 18 21 25 29 32 36 39 43
% Gordura
Dobras cutâneas triceps mais subescapular
meninas
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

muito faixa mod. muita


baixa alta
baixa ótima alta alta

b
4 10 15 20 24 28 30 33 35.5 38 40
% Gordura

Figura 4.3  –  Quadro do percentual de gordura corporal para crianças (a) meninos e (b)
meninas. Fonte: Heyward; Stolarczyk (2000).

4.2.2  Protocolo de Slaughter

Slaughter (1988) desenvolveu modelos para predição do percentual de gordura


corporal (%GC) utilizando o somatório das dobras cutâneas Tríceps + Subes-
capular ou Tríceps + Panturrilha), os modelos apresentaram um erro de predi-
ção que variou de 3,6 a 3,9 %GC. Os modelos foram desenvolvidos para avaliar

80 • capítulo 4
a composição corporal de meninos e meninas, com faixa etária de 8 a 17 anos e
de etnia negra e branca. Diferente de Lohman (1989) utilizou no modelo de pre-
dição para os meninos a constante para correção (intercepto da reta) o estágio
de maturação da criança, sendo este pré-púbere, púbere ou pós-púbere. Sepa-
rou os modelos de predição para os somatórios das dobras que apresentassem
valores menores que 35 mm (tabela 4.3 e 4.4) e outros para somatórios maiores
que 35 mm (tabela 4.5 e 4.6).

EQUAÇÕES PARA JOVENS MASCULINOS BRANCOS


PRÉ-PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 1,7
PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 3,4
PÓS-PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 5,5
EQUAÇÕES PARA JOVENS MASCULINOS NEGROS
PRÉ-PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 3,5
PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 5,2
PÓS-PÚBERE %G =1,21(TR+SE) - 0,008(TR+SE)2 - 6,8

Tabela 4.3  –  Somatório das Dobras Cutâneas tríceps e subescapular, menor ou igual a
35 mm – meninos.

EQUAÇÃO PARA JOVENS FEMININAS DE AMBAS AS ETNIAS E DE QUALQUER NÍVEL MATURACIONAL


%G =1,33(TR+SE) - 0,013(TR+SE)2 - 2,5

Figura 4.4  –  Somatório das Dobras Cutâneas tríceps e subescapular, menor ou igual a
35 mm – meninas.

EQUAÇÕES PARA JOVENS MASCULINOS


%G =0,783(TR+SE) + 1,6

Tabela 4.4  –  Somatório das Dobras Cutâneas tríceps e subescapular, maior que 35 mm –
meninos.

EQUAÇÕES PARA JOVENS FEMININAS


%G =0,546(TR+SE) + 9,7

Tabela 4.5  –  Somatório das Dobras Cutâneas tríceps e subescapular, maior que 35 mm –
meninas.

capítulo 4 • 81
4.3  Massa Gorda e Massa Corporal Magra
Decorrente do crescimento e da maturação a massa livre de gordura (MLG) so-
fre mudanças nos seus componentes de água, minerais e proteínas; o que irá
influenciar diretamente na densidade desta massa. Lohman et al (1984) iden-
tificaram que a densidade da massa livre de gordura aumenta constantemente
do nascimento até a idade de 22 anos na proporção de 1,063 a 1,102 g/cm³ para
as meninas e 1,064 a 1,096 g/cm³ para os meninos.
Os modelos matemáticos de dois componentes de Siri (1961) e Brozek
(1963) subestimam em crianças e jovens a massa livre de gordura de 1,5 a 2,0 kg
e superestimam o percentual de gordura corporal em 3 a 4%.
Diante deste fato faz-se necessário o uso de modelos de predição de mul-
ticomponentes ou de modelos como os de Lohmam (1989) e Slaughter (1988)
que ajustam a densidade da massa livre de gordura em crianças.

4.4  Maturação sexual


A transição da infância para a adolescência é marcada por um número de
eventos significativos, físicos e culturais. O período da adolescência resulta da
combinação entre biologia e cultura. O genótipo do indivíduo controla o apa-
recimento, a duração e a intensidade do impulso do crescimento, enquanto o
fenótipo influencia o potencial de crescimento (MALINA; BOUCHARD, 2002).
O surto de crescimento adolescente marca o primeiro indicador visual do
aparecimento da puberdade. O aparecimento da puberdade é regulado pela he-
reditariedade e pode ser influenciado pela nutrição, doenças, clima e estresse
emocional (MALINA; BOUCHARD, 2002).
A maturação biológica subdivide-se em maturação óssea, maturação mor-
fológica, maturação canino-mandibular e maturação sexual. Neste tópico apro-
fundaremos o assunto maturação sexual.

82 • capítulo 4
As características sexuais primárias nas meninas, dizem respeito ao de-
senvolvimento dos ovários, útero e da vagina. Nos meninos, correspondem ao
desenvolvimento dos testículos, próstata e produção de esperma (GUEDES;
GUEDES, 2006, p. 80-86). A classificação dos estágios maturacionais se dá a
partir das características sexuais secundárias. Os métodos de avaliação para
maturação sexual são: auto-tanner (pranchas) e avaliação médica.
É importante conhecer os estágios puberais, primeiro porque é um instru-
mento para monitorização do desenvolvimento sexual do adolescente (através
das características sexuais secundárias, pode-se ter um retrato do desenvolvi-
mento das características sexuais primárias). Segundo, devido a grande varia-
bilidade da idade de início e da velocidade de progressão da maturação sexual
dentro de uma população, a idade cronológica tem pouca importância como
parâmetro isolado na avaliação do crescimento e desenvolvimento do adoles-
cente. E, terceiro porque observa-se relação direta entre os estágios de matu-
ração sexual e o momento de crescimento e desenvolvimento físico (GUEDES;
GUEDES, 2006, p. 80-86).

4.4.1  Autoavaliação de Tanner

Esse teste é um procedimento simples realizado pela própria criança. Com-


preende a identificação do estágio atual de desenvolvimento das características
sexuais secundárias de acordo com cinco classificações propostas por Tanner e
adaptadas em forma de figuras.
O responsável pela administração do teste irá explicar para cada criança em
particular como este se procederá. A criança será conduzida a um ambiente fe-
chado onde estarão afixadas as figuras com as diferentes fases de desenvolvi-
mento de pelos púbicos / glândulas mamárias / genitais externos (numerados
de 1 a 5) e sozinha irá identificar a figura com que mais se assemelha seu está-
gio maturacional atual.

capítulo 4 • 83
Figura 4.5  –  Desenvolvimento puberal feminino. Fonte: Malina e Bouchard (2002).

84 • capítulo 4
Figura 4.6  –  Desenvolvimento puberal masculino. Fonte: Malina e Bouchard (2002).

Embora arbitrários, a melhor descrição e estudo das características sexuais


secundárias é a descrita em 5 estágios por Tanner (1962) para ambos os sexos.
Sexo masculino - Desenvolvimento genital externo:

Ou infantil, que persiste desde o nascimento até o começo da


ESTÁGIO I puberdade. A genitália aumenta ligeiramente no tempo global,
mas não há mudanças no aspecto geral.

capítulo 4 • 85
O escroto começa a aumentar e há mudanças na textura e
ESTÁGIO II coloração (avermelhamento) da pele escrotal.

O pênis aumenta em comprimento e há um aumento menor em


ESTÁGIO III diâmetro. Continua a haver crescimento do escroto.

O pênis continuou a aumentar em comprimento e em diâmetro


ESTÁGIO IV e a glande se desenvolve.

ESTÁGIO V A genitália é adulta em tamanho e forma.

Sexo feminino - Desenvolvimento das glândulas mamarias:

ESTÁGIO I As mamas são infantis, com elevação somente da papila.

Broto mamário, forma-se pequena saliência pela elevação


ESTÁGIO II da mama e papila. Aumento do diâmetro areolar.

Maior aumento da mama e aréola, sem separação de seus


ESTÁGIO III contornos.

Projeção da aréola e da papila, formando uma pequena


ESTÁGIO IV saliência acima do nível da mama.

Mamas com aspecto adulto, com retração da aréola para o


ESTÁGIO V contorno da mama.

O desenvolvimento dos pelos púbicos no sexo feminino é igual ao do sexo


masculino; a única diferença é que se distribuem nos lábios maiores e o triân-
gulo que eles formam é de base superior.

86 • capítulo 4
Sexo masculino - Desenvolvimento pelos pubiano:

P1 ausência de pelos pubianos.

crescimento esparso de pelos finos, curtos, discretamente pigmentados,


P2 lisos ou discretamente encaracolados ao longo dos grandes lábios.

pelos tornam-se mais escuros, mais espessos e mais encaracolados,


P3 estendendo-se à região pubiana.

pelos do tipo adulto, porém ainda em área e distribuição menor, não


P4 atingindo a superfície interna da coxas.

pelos adultos em tipo de distribuição, atingindo a superfície interna das


P5 coxas e, eventualmente, se desenvolvendo acima da região púbica cons-
tituindo o estádio P6.

Sexo feminino – Desenvolvimento de pelos pubiano:

P1 pelo pubiano ausente.

crescimento esparso de pelos curtos, finos, discretamente pigmentados,


P2 lisos ou pouco encaracolados ao longo da base do pênis.

Pelos mais pigmentados, mais espessos e mais encaracolados se


P3 estendendo para a região pubiana.

Pelos com características adultas, porém em área de distribuição menor,


P4 não atingindo a superfície das coxas.

capítulo 4 • 87
Pelos adultos em tipo de distribuição, atingindo a superfície interna das
P5 coxas. Podem, eventualmente, crescer acima da região púbica configu-
rando o estádio P6.

Malina (1988), baseando-se nos critérios de Tanner, classificou os estágios


da seguinte forma:

indica o estado pré-adolescente do


ESTÁGIO I desenvolvimento.

indica o início do desenvolvimento ou a aparição da


ESTÁGIO II característica em particular.

indicam a continuidade do desenvolvimento, sendo


ESTÁGIO III - IV de difícil avaliação.

ESTÁGIO V indica o estado maduro.

Para cada sexo, a classificação em estágios (estadiamento) é realizada em


duas etapas:

1ª ETAPA 2ª ETAPA
Meninas Mamas (M) Pelos (P)
Meninos Genitais (G) Pelos (P)

É recomendável que estes dois componentes do estadiamento sejam sem-


pre realizados separadamente (por exemplo, M3, P3 em vez de “estágio 3”).
Alguns adolescentes poderão estar em fases diferentes para cada uma destas
características, por exemplo, (M4, P5 ou G2, P1). Visto que a maturação das
mesmas obedece a mecanismos hormonais e genéticos diferentes.
A idade de menarca se correlaciona mais com o desenvolvimento mamário
do que com os pelos púbicos.

88 • capítulo 4
ATIVIDADES
Um professor de educação física avaliou no inicio do ano um aluno, anos depois novamente
no inicio do ano avaliou-o novamente e observou os Perfis A e B. Um menino aos 7 anos
apresentava o perfil A e ao ser avaliado novamente aos 13 anos apresentou o perfil B.

PERFIL A PERFIL B
Estatura – 124,0 cm Estatura – 181,0 cm
Massa Corporal – 32,1 kg Massa Corporal – 59,1 kg
DC de Tríceps – 15,0 mm DC de Tríceps – 3,5 mm
DC de Subescapular – 6,0 mm DC de Subescapular – 4,4 mm

Tendo em vista estes dados coletados, responda:

01. Qual o %G nos dois perfis e qual a sua respectiva classificação (Lohman)

02. Com base nas análises realizadas nas questões anteriores dê a sua avaliação do que
ocorreu com o passar dos anos com as características morfológicas desse menino.

REFLEXÃO
A composição corporal sofre modificações com o crescimento e desenvolvimento do in-
divíduo e é usada também para acompanhar parâmetros de saúde nas crianças como a
classificação de obesidade. Ao se tratar de crianças, os protocolos que utilizam as dobras
cutâneas são os mais utilizados por necessitarem de menor cooperação e assim minimizar
os erros. Dentre os protocolos mais utilizados estão os de Lohman e o de Slaughter, e o que
diferencia os dois é o fato do protocolo de Slaughter levar em consideração o estado matu-
racional da criança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CABAÑAS, M.D.; ESPARZA, F. Cineantropometria. Madrid: CTO editorial, 2009.
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.R.P. Manual prático para avaliação em educação física. São Paulo:
Manole, 2006.
HEYWARD, V. H.; STOLARCZYK, L.M. Avaliação da Composição Corporal Aplicada. São Paulo:
Manole, 2000.

capítulo 4 • 89
MALINA, R.M.; BOUCHARD, C. Atividade física do atleta jovem: do crescimento à maturação. São
Paulo: Roca, 2002.
MARFELL-JONES, M. et al. International standards for anthropometric assessment. South Africa:
ISAK, 2006.
NHANES. Anthropometry procedures manual. USA: NHANES, 2004.
PETROSKI, E.L. Antropometria: técnicas e padronizações. 5 ed. São Paulo: Fontoura, 2011.
PETROSKI, E.L.; PIRES-NETO, C.S.; GLANER, M.F. Biometrica. Jundiaí: Fontoura, 2010.
SANT’ANNA, M.S.L.; PRIORE, S.E.; FRANCESCHINI, S.C.C. Métodos de avaliação da composição
corporal em crianças. Rev Paul Pediatr, v. 27, n. 3, p. 315-321, 2009.

90 • capítulo 4
5
Avaliação Postural
No capítulo 5 você descobrirá que as organizações podem ser consideradas sis-
temas abertos, pois seu funcionamento sofre influência do ambiente externo.
A postura corporal é a posição que o nosso corpo adota no espaço tendo relação
direta de suas partes e o centro de gravidade do corpo. Para que nós possamos
estar com uma postura ideal, ou seja, uma boa postura, é necessário um equi-
líbrio do sistema neuromusculoesquelético. Para analisar a postura adotada
utilizamos a avaliação postural amplamente utilizada pelos profissionais da
área de saúde, principalmente professores de Educação Física e fisioterapeu-
tas, como um passo inicial e de acompanhamento para a avaliação e prescrição
de atividade física.

OBJETIVOS
•  Conhecer a característica de uma postura ideal.
•  Conhecer os principais desvios posturais.
•  Saber identificar, de forma subjetiva, a existência de possíveis desvios posturais e/ou de-
sequilíbrios musculoesqueléticos.

92 • capítulo 5
5.1  Postura ideal
Com o passar do tempo, o homem passou de uma postura quadrúpede para
uma postura ereta, bípede, com a vantagem de ter suas mãos livres e olhos dis-
tantes do chão permitindo que o homem observe objetos e pessoas mais dis-
tantes (FREITAS, 2004, p. 179).
Mas a postura bípede também apresenta desvantagens, tais como maior sobre-
carga em articulações, na coluna vertebral, dificuldades na mecânica ventilatória e
no fluxo de sangue para as regiões superiores do corpo (MAGEE, 2005, p. 869).
A postura é um composto formado por todas as partes do corpo e a posição
de uma articulação influencia direta e indiretamente na posição de outras arti-
culações (MAGEE, 2005, p. 869; FREITAS, 2004, p. 179).
Classicamente, a postura ideal é aquela que sobrecarrega menos as partes
corporais e suas respectivas articulações. É definida como uma linha vertical
que passa através do lóbulo da orelha, corpos das vértebras cervicais, ponta do
ombro, linha média do tórax, corpos das vértebras lombares, ligeiramente pos-
terior à articulação do quadril, um pouco a frente do eixo articular do joelho e
anterior ao maléolo lateral (MAGEE, 2005, p. 869).
A postura correta, então, é a postura adotada pelo corpo quando um estres-
se mínimo é imposto às articulações e a atividade muscular para mantê-la é
mínima (MAGEE, 2005, p. 869) como pode ser vista nas figuras 5.1 e 5.2.

Figura 5.1  –  Postura ideal. Fonte: lifehacker. Disponível em http://lifehacker.com/

capítulo 5 • 93
Figura 5.2  –  Alinhamento corporal ideal, (A) posterior (B) lateral. Fonte: Kendall, McCreary,
Provance (1995).

Qualquer modificação que ocorra na posição que aumente o estresse im-


posto às articulações produz uma postura defeituosa, que pode ou não ser
ajustada rapidamente por um sistema musculoesquelético saudável. Quando
os músculos são fracos ou as articulações são rígidas, a postura não é alterada
rapidamente e isso pode acarretar algum tipo de patologia a curto, médio ou
longo prazo (MAGEE, 2005, p. 869).

5.1.1  Evolução da postura no homem

Quando a pessoa nasce, toda a coluna vertebral é flexionada, formando um “C”,


esta curva que é observada no nascimento é a curvatura primária. Conforme a
criança cresce, regiões da coluna começam a apresentar inversão desta curva-

94 • capítulo 5
tura, originando as curvaturas secundárias. Assim na coluna vertebral temos 2
curvaturas primárias (torácica e sacral) e 2 curvaturas secundárias (cervical e
lombar) (MAGEE, 2005, p. 869).
A curvatura cervical surge aproximadamente aos 3 meses, quando a criança
começa a realizar a sustentação de cabeça, e a lombar mais tarde, por volta dos
6 a 8 meses quando a criança começa a sentar e andar. A evolução da postura no
crescimento pode ser vista na figura 5.3.

Figura 5.3  –  Evolução Postural, (A) Curvatura única; (B) Surgimento da curvatura secundária
cervical; (C) Surgimento da curvatura secundária lombar. Fonte: Adaptado de Tecklin (2002).

Na criança o centro de gravidade encontra-se no nível da 12ª vértebra torácica


e com o crescimento chega na 2ª vértebra sacral no adulto. A curvatura lombar é
exagerada devido ao conteúdo abdominal grande associado a uma fraqueza dos
músculos abdominais característica da faixa etária (MAGEE, 2005, p. 870).

Figura 5.4  –  Evolução Postural. Fonte: Tecklin (2002).

capítulo 5 • 95
Por causa da necessidade da criança ter uma base maior na postura de pé
para manter o equilíbrio, os joelhos ficam mais flexionados tendendo a torna-
rem-se ligeiramente arqueados para dentro (geno valgo), até 18 meses de idade
e a seguir arqueados para fora até os 3 anos, ficando retos, como nos adultos
aos 6 anos de idade como pode ser visto na figura 5.5 (MAGEE, 2005, p. 870).

Figura 5.5  –  Alinhamento membros inferiores durante a infância. Fonte: Magee (2005).

96 • capítulo 5
Geralmente, a criança aparenta ter o pé plano devido ao desenvolvimento
mínimo do arco longitudinal medial do pé e do coxim gorduroso que localiza-
se abaixo do arco. Conforme a criança cresce, o coxim aumenta de tamanho
evidenciando o arco (MAGEE, 2005, p. 871).

5.1.2  Fatores que afetam a postura ideal

Diversas características na anatomia da pessoa podem influenciar na postura


ideal. Elas podem causar problemas adicionais ou aumentar disfunções decor-
rentes de outras doenças/patologias como, por exemplo, a escoliose.
De acordo com Magee (2005, p. 872), esses fatores podem ser:
•  Contornos ósseos
•  Frouxidão ligamentar
•  Contração na fáscia muscular ou musculotendínea
•  Alteração no tônus muscular
•  Alteração no ângulo pélvico
•  Posição e mobilidade articular
•  Efluxo e influxo neurogênico

Os fatores que podem causar a má postura são os posturais (posicionais) e


os estruturais. Dentre os fatores posicionais estão o mau hábito postural, dese-
quilíbrio muscular, contratura/espasmo muscular, dor, doenças respiratórias,
fraqueza, excesso de peso e perda da propriocepção. Dentre os fatores estrutu-
rais estão principalmente as alterações ósseas decorrentes de anomalias con-
gênitas, problemas no desenvolvimento, traumas ou doenças (MAGEE, 2005,
p. 872-873).

5.2  Instrumentos
A avaliação da postura pode ser realizada de forma subjetiva apenas com a ob-
servação do avaliador, ou podemos utilizar materiais e softwares que auxiliam
na coleta de medidas corporais e ângulos articulares.

capítulo 5 • 97
Os materiais utilizados na avaliação postural são o fio de prumo, o sime-
trógrafo, e o goniômetro. O fio de prumo é utilizado para ver o alinhamento
corporal de forma geral. O simetrógrafo é um painel quadriculado no qual o
indivíduo é posicionado à frente ou atrás do instrumento para avaliação, e o
goniômetro mede o ângulo articular.

Figura 5.6  –  Fio de prumo da marca Vonder.

Figura 5.7  –  Simetrógrafo (A) tipo banner, (B) profissional.

98 • capítulo 5
Figura 5.8  –  Goniômetros da marca Carci (A) acrílico (B) aço inox.

Figura 5.9  –  Indivíduo posicionado no simetrógrafo para observação da vista anterior. Fon-
te: Teixeira (2009).

De acordo com Iunes et al (2009), diversos pesquisadores tem utilizado a


imagem fotográfica para avaliação postural, tanto para documentação e avalia-
ção qualitativa, quanto para uma avaliação quantitativa definida como fotogra-
metria ou bioestriometria.

capítulo 5 • 99
LEITURA
Para saber mais leia o artigo Análise comparativa entre avaliação postural visual e por foto-
grametria computadorizada de Iunes et al (2009) disponível em http://www.scielo.br/pdf/
rbfis/v13n4/aop037_09.pdf

Os softwares utilizados para análise postural são aqueles que possibilitam a


captura da imagem para posterior medição.
Existe um software gratuito para avaliação postural, desenvolvido pela
Universidade de São Paulo, o SAPO (acrônimo em português para Software for
Posture Evaluation) que importa fotos e realiza medições das estruturas corpo-
rais e ângulos articulares.
Ao se utilizar o SAPO, devemos ter alguns cuidados: Posicionamento do su-
jeito e da câmera, visualização do fio de prumo e posicionamento dos membros
superiores. Como qualquer programa, o SAPO apresenta algumas limitações: a
análise é realizada em um único plano, a análise da coluna vertebral é limitada,
não avalia os membros superiores de forma completa e a análise é estática.

CONEXÃO
Para saber mais sobre o SAPO e realizar o download do software acesse:
http://puig.pro.br/sapo/

5.3  Técnica do exame subjetivo


Para a avaliação da postura, a pessoa deve estar adequadamente despida com o
mínimo de roupa, os meninos/homens preferencialmente de sunga e as meni-
nas/mulheres de top com short, descalçados e sem meias.
A pessoa deve ser observada na postura relaxada, aquela que é adotada
por ela normalmente, não se deve forçar que a pessoa assuma uma postura
mais correta.

100 • capítulo 5
A pessoa é observada de frente, de costas, de lado e em algumas situações,
sentada e deitada nos decúbitos ventral e dorsal. A observação deve ser feita de
baixo para cima, ou de cima para baixo, ou seja, seguindo uma sequência, dos
pés à cabeça, ou da cabeça aos pés (MAGEE, 2005, p. 874-894; FREITAS, 2004,
p. 181-188).

5.3.1  Vista Anterior

Ao observar a pessoa de frente, o avaliador deve analisar de uma forma geral se


existe algum arqueamento ósseo e se os contornos ósseos são semelhantes nas
duas metades do corpo. Observa-se então as características de todas as partes
do corpo (figura 5.10):
•  Cabeça:
o Está bem posicionada entre os ombros?
o Está rodada ou inclinada para um dos lados de forma constante?
o A mandíbula encontra-se em posição de repouso, ou seja, os lábios
estão levemente pressionados um contra o outro e dentes ligeiramen-
te separados?
o A ponta do nariz está alinhada ao manúbrio do esterno?

•  Tronco:
o A linha da porção superior do trapézio no pescoço é igual em
ambos os lados, ou seja, o volume do trapézio direito e esquerdo
são semelhantes?
o Existe protrusão, depressão ou lateralização de esterno, costela ou
cartilagens costais?

•  Membros superiores:
o Os ombros estão nivelados?
o As clavículas e as articulações acromioclaviculares estão niveladas e
são iguais?
o O ângulo de carregação em cada cotovelo é igual, ou seja, os cotove-
los tem a mesma distância do tronco? (o ângulo normal é de 5 a 15º)
o As palmas das mãos estão voltadas para o tronco?

capítulo 5 • 101
•  Membros inferiores:
o Os pontos mais altos das cristas ilíacas estão alinhados?
o As espinhas ilíacas antero-superiores estão alinhadas?
o As patelas estão alinhadas e direcionadas anteriormente?
o Os joelhos são retos, varos ou valgos (figura 5.11)?
o As cabeças das fíbulas estão niveladas?
o Os maléolos laterais e mediais estão alinhados?
o Os arcos longitudinais mediais dos pés existem e são semelhantes?
o Os pés estão ligeiramente abduzidos (mantém um desvio lateral de
5 a 18º)?

Figura 5.10  –  Observação vista anterior. Fonte: Software gratuito SAPO.

102 • capítulo 5
Figura 5.11  –  Observação do joelho, (A) Geno varo (B) Geno valgo. Fonte: Freitas (2004).

5.3.2  Vista Posterior

Ao observar a pessoa de costas, o avaliador deve analisar as seguintes estruturas


(figura 5.12):

•  Cabeça:
o Está bem posicionada entre os ombros?
o Está rodada ou inclinada para um dos lados de forma constante?
o A região cervical da coluna tem seus processos espinhosos alinhados?

•  Tronco:
o A linha da porção superior do trapézio no pescoço é igual em
ambos os lados, ou seja, o volume do trapézio direito e esquerdo
são semelhantes?
o A região torácica e lombar da coluna tem seus processos espinho-
sos alinhados?
o As costelas são simétricas?

•  Membros superiores:
o Os ombros estão nivelados?
o As espinhas e os ângulos inferiores das escápulas estão nivelados e
são semelhantes?

capítulo 5 • 103
o As margens mediais das escápulas estão equidistantes à colu-
na dorsal.
o O ângulo de carregação em cada cotovelo é igual, ou seja, os cotove-
los tem a mesma distância do tronco? (o ângulo normal é de 5 a 15º)
o As palmas das mãos estão voltadas para o tronco?

•  Membros inferiores:
o Os pontos mais altos das cristas ilíacas estão alinhados?
o As espinhas ilíacas póstero-superiores estão alinhadas?
o As pregas glúteas estão niveladas?
o Os joelhos são retos?
o Os tendões dos calcâneos são retos?
o Os maléolos laterais e mediais estão alinhados?
o Os calcanhares são retos (figura 5.13)?

Figura 5.12  –  Observação vista posterior. Fonte: Software gratuito SAPO.

104 • capítulo 5
Figura 5.13  –  Observação vista posterior de pé e tendão calcâneo. Fonte: Freitas (2004).

5.3.3  Vista Lateral

Ao observar a pessoa de costas, o avaliador deve analisar as seguintes estruturas


(figura 5.14):

•  Cabeça:
o O lóbulo da orelha está alinhado à ponta do ombro e ao ponto mais
alto da crista ilíaca?
o A mandíbula está projetada à frente?

•  Tronco:
o A coluna apresenta as quatro curvaturas (lordose cervical, cifose to-
rácica, lordose lombar e cifose sacral) normais?
o O abdome é projetado à frente?

•  Membros superiores:
o Os ombros estão alinhados, ou seja, observa-se apenas um?

•  Membros inferiores:
o A espinha ilíaca ântero-superior é um pouco mais alta que a póstero-
superior, mantendo o ângulo pélvico próximo de 30º?
o Os joelhos são retos?
o Os tendões dos calcâneos são retos, flexionados ou recurvados?

capítulo 5 • 105
Figura 5.14  –  Observação vista lateral (A) direita e (B) esquerda. Fonte: Software gratui-
to SAPO.

5.3.4  Postura Sentada

A postura sentada é analisada com o avaliado sentado em local sem apoio para
as costas e sem apoiar os pés no chão. São observadas as mesmas estruturas
que foram analisadas na postura em pé nas vistas posterior, anterior e late-
ral acrescentando:
•  Os pés mantém a mesma distância do solo, mostrando que as tíbias pos-
suem um mesmo tamanho?
•  Na vista lateral um joelho é mais proeminente que o outro?

106 • capítulo 5
5.3.5  Decúbito dorsal

Na postura deitada em decúbito dorsal, o corpo é analisado da mesma forma


que na vista anterior.

5.3.6  Decúbito ventral

Na postura deitada em decúbito dorsal, o corpo é analisado da mesma forma


que na vista posterior.

5.4  Checklist para exame subjetivo


Checklist extraído de João (2009).
Vista Anterior:
1. Hálux
( ) Alinhado
( ) Valgo D / E

2. Antepé
( ) Alinhado
( ) Abduzido D / E
( ) Aduzido D / E

3. Arco longitudinal medial


( ) Plano D / E
( ) Cavo D / E

4. Apoio do antepé
( ) Apoio homogêneo no bordo medial e lateral
( ) Maior apoio em bordo medial D / E
( ) Maior apoio em bordo lateral D / E

5. Articulações dos joelhos


( ) Alinhada;
( ) Valgo D / E - Distância entre maléolos internos:...............cm;
( ) Varo D / E - Distância entre côndilos internos:.................cm;

capítulo 5 • 107
6. Patelas:
( ) Alinhadas;
( ) Patela mais alta D / E
( ) Patela rodada lateralmente ( rotação lateral do fêmur)
( ) Patela rodada medialmente ( rotação medial do fêmur)

7. Espinhas ilíacas ântero-superiores (EIAS)


( ) Alinhadas
( ) Desalinhadas mais alta D / E

8. Alturas das cristas ilíacas


( ) Alinhadas
( ) Desalinhadas mais alta D / E

9. Alinhamento do Tronco
( ) Alinhado
( ) Rotação de cintura escapular D / E
( ) Rotação de cintura pélvica D / E
( ) Rotação de cintura escapular e pélvica D / E
( ) Inclinação lateral D / E

10. Tórax:
( ) Simétrico
( ) Assimétrico

11. Articulações dos ombros


( ) Alinhados
( ) Ombro mais alto D / E
( ) Rotação medial D / E
( ) Rotação lateral D / E

12. Cotovelos
( ) Alinhados
( ) Aumento da flexão D / E
( ) Hiperextensão D / E

108 • capítulo 5
13. Clavículas
( ) Simétricas
( ) Clavícula mais horizontalizada D/E
( ) Clavícula mais verticalizada D/E

14. Fossas Supraclaviculares


( ) Simétricas
( ) Assimétricas - aumentada D / E

15. Cabeça:
( ) Alinhada
( ) Inclinação lateral D / E
( ) Rotação D / E

Vista Posterior:
1. Articulações dos tornozelos
( ) Alinhadas
( ) Com varo D / E
( ) Com valgo D / E

2. Retropé: (Tendão de Aquiles)


( ) Alinhado
( ) Desalinhado

3. Apoio do retropé
( ) Apoio homogêneo no bordo medial e lateral
( ) Maior apoio em bordo medial D / E
( ) Maior apoio em bordo lateral D / E

4. Articulações dos joelhos


( ) Alinhadas
( ) Com valgo D / E
( ) Com varo D / E

capítulo 5 • 109
5. Espinhas ilíacas póstero-superiores (EIPS)
( ) Alinhadas
( ) Desalinhadas mais alta D / E

6. Altura das cristas ilíacas


( ) Alinhadas
( ) Desalinhadas mais alta D / E

7. Coluna Lombar
( ) Alinhada
( ) Convexidade D / E

8. Coluna Torácica
( ) Alinhada
( ) Convexidade D / E

9. Ângulos inferiores da escápula


( ) Alinhados
( ) Desalinhados mais alto D / E

10. Posição das escápulas


( ) Alinhadas
( ) Alada (s) D / E
( ) Abduzida D / E
( ) Aduzida D / E

11. Distância entre bordo medial da escápula e coluna vertebral


( ) Simétrica
( ) Assimétrica (D: .......cm e E: .......cm)

12. Triângulo de Tales


( ) Simétrico
( ) Maior D / E

110 • capítulo 5
13. Articulações dos ombros
( ) Alinhados
( ) Ombro mais alto D / E

14. Coluna Cervical


( ) Alinhada
( ) Convexidade D / E

15. Cabeça
( ) Alinhada;
( ) Inclinação lateral D / E
( ) Rotação D / E

Vista Lateral:
1. Articulações dos tornozelos (ângulo tíbio-társico)
( ) Preservado
( ) Aumentado D / E
( ) Diminuído D / E

2. Articulações dos joelhos


( ) Alinhados;
( ) Fletidos D / E
( ) Hiperestendidos D / E

3. Articulações dos quadris


( ) Alinhada;
( ) Fletida D / E
( ) Estendida D / E

4. Pelve:
( ) Alinhada
( ) Com anteversão
( ) Com antepulsão
( ) Com retroversão
( ) Com retropulsão

capítulo 5 • 111
5. Alinhamento do Tronco
( ) Alinhado
( ) Rotação de cintura escapular D / E
( ) Rotação de cintura pélvica D / E
( ) Rotação de cintura escapular e pélvica D / E

6. Coluna Lombar
( ) Curvatura normal
( ) Aumento da lordose
( ) Retificação da lordose
( ) Aumento da lordose tóraco-lombar

7. Coluna Torácica
( ) Curvatura normal
( ) Aumento da cifose
( ) Retificação da cifose

8. Articulação do cotovelo
( ) Alinhada
( ) Aumento da flexão D / E Ângulo de carregamento
( ) Com hiperextensão D / E

9. Articulações dos ombros


( ) Alinhados
( ) Com protração D / E
( ) Com retração D /E
( ) Com rotação medial D / E
( ) Com rotação lateral D / E

10. Coluna Cervical


( ) Curvatura normal
( ) Aumento da lordose
( ) Retificação da lordose

11. Cabeça:
( ) Alinhada

112 • capítulo 5
( ) Com protração
( ) Com retração

ATIVIDADE
01. Na escola as crianças e adolescentes podem apresentar alterações posturais que per-
petuem durante toda a vida. Faça uma reflexão e cite pelo menos 3 fatores que podem servir
como fatores que predispõem a aquisição de alterações posturais.

REFLEXÃO
Para uma boa postura, algumas características são importantes: A cabeça deve ser man-
tida ereta numa posição de bom equilíbrio, os membros superiores devem estar relaxados,
ombros, escápulas, ilíacos e joelhos nivelados, a coluna deve preservar as quatro curvaturas
fisiológicas, os pés devem manter os arcos longitudinais e leve abdução.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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WORTHINGHAM, C. Exercícios terapêuticos para alinhamento e função corporal. 2. ed. São
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MAGEE, D.J. Avaliação musculoesquelética. 4.ed. São Paulo: Manole, 2005.
PALMER, L.M.; EPLER, M.E. Postura. In: PALMER, L.M; EPLER, M.E. Fundamentos das técnicas de
avaliação musculoesquelética. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2000, p.42-62., pp.195-212.
TECKLIN, J.S. Fisioterapia Pediátrica. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
TEIXEIRA, L. Métodos em avaliação postural. 2009. Disponível em http://www.luzimarteixeira.com.br/

capítulo 5 • 113
114 • capítulo 5
6
Bateria de Testes
de Aptidão Física
para Crianças e
Adolescentes
O desenvolvimento físico é um fenômeno que ocorre naturalmente e de forma
dinâmica desde a fecundação até a fase adulta resultante da interação entre os
fatores hereditários e ambientais. Durante a infância e adolescência grandes
mudanças físicas ocorrem nos indivíduos, e conforme o tempo passa, essas mo-
dificações estruturais associadas a mudanças coordenativas das funções moto-
ras fazem com que a qualidade das ações motoras também sejam melhoradas.

OBJETIVOS
•  Conhecer a bateria Eurofit e interpretar as variáveis medidas.
•  Conhecer a bateria Fitnessgram e interpretar as variáveis medidas.

116 • capítulo 6
6.1  Eurofit
A bateria Eurofit é utilizada nas escolas europeias desde 1988. Foi desenvolvida
em jovens europeus com idade entre 10 e 18 anos, com o objetivo de avaliar a
evolução da aptidão física de crianças e jovens europeus em idade escolar.
As variáveis avaliadas são:
•  Peso e estatura
•  Força e resistência muscular
•  Flexibilidade
•  Velocidade
•  Agilidade
•  Capacidade aeróbica

Tais variáveis quando testadas em conjunto, os respectivos testes devem se-


guir a seguinte ordem:
1. Peso
2. Altura
3. Plate tapping
4. Sentar e alcançar
5. Velocidade 10x5m
6. Flexão de braço
7. Salto horizontal
8. Abdominal em 30”
9. Dinamometria manual
10. Course navette de 20m

CONEXÃO
Para maiores informações acesse http://www.sagois.com/eurofit/eurofit.html

6.1.1  Peso

Objetivo: Medir a massa corporal da pessoa.


Material: Balança antropométrica com precisão de 100g.

capítulo 6 • 117
Procedimento de teste: O indivíduo deverá subir na balança descalço. O
avaliador deve registrar a massa corporal alcançada após estabilizado o marca-
dor. A seguir o avaliado deverá descer da balança.

Figura 6.1  –  Avaliação da massa corporal (A) Balança antropométrica (B) Medida da massa
corporal Fonte: Manual Eurofit

6.1.2  Altura

Objetivo: Medir a estatura da pessoa.


Material: Estadiômetro com precisão de 1cm.
Procedimento de teste: O estadiômetro deverá estar fixo à uma parede que
possua ângulo reto com o solo. O avaliado descalçado se posiciona com as cos-
tas na parede mantendo a cabeça de forma que os olhos fiquem no plano de
Frankfurt. O avaliador ajusta então o cursor até que este toque a cabeça do ava-
liado e solicita que o mesmo saia do aparato para que faça a leitura do valor.

118 • capítulo 6
Figura 6.2  –  Avaliação da estatura (A) Estadiômetro (B) Medida da estatura Fonte: Ma-
nual Eurofit

6.1.3  Plate tapping

O plate tapping é o teste do toque de uma mão ou “golpe de placas”.


Objetivo: medir a velocidade de membros superiores.
Material: Mesa que regula a altura (abaixo da cicatriz umbilical), 2 círculos
com 20 cm de diâmetro colocados horizontalmente sobre a mesa e separados
60 cm e entre eles haverá um retângulo 10x20. Cronômetro com precisão de
décimos de segundo.
Procedimento de teste: O avaliado deve estar de frente para a mesa com os
pés ligeiramente afastados, com a mão dominante sobre o retângulo e a não do-
minante sobre um dos círculos. O teste consiste em tocar cada círculo 25 vezes
com a mão não dominante no menor tempo possível.

capítulo 6 • 119
Figura 6.3  –  Placa utilizada para teste. Fonte: Manual Eurofit.

Figura 6.4  –  Posição inicial para teste. Fonte: Manual Eurofit.

Figura 6.5  –  Execução do teste plate tapping. Fonte: Manual Eurofit.

120 • capítulo 6
6.1.4  Sentar e alcançar

Objetivo: Medir a flexibilidade do tronco e isquiotibiais.


Material: Uma caixa com 35cm de largura, 45cm de profundidade e 32cm de
altura. Uma placa (superior a caixa) com 45cm de largura e 55cm de profundi-
dade que sobressaia em 15cm da caixa. Uma régua de 50cm centralizada sobre
a placa
Procedimento de teste: indivíduo descalço, sentado com os joelhos esten-
didos e calcanhares em contato com a caixa. A criança deve inclinar o tron-
co a frente sem impulso. São realizadas 2 tentativas e registra-se o maior va-
lor alcançado.

Figura 6.6  –  Banco para execução do teste. Fonte: Manual Eurofit.

Figura 6.7  –  Execução do teste sentar e alcançar. Fonte: Manual Eurofit.

capítulo 6 • 121
6.1.5  Velocidade 10 x 5m

Objetivo: Medir a velocidade de deslocamento e agilidade.


Material: Cronômetro e giz para delimitar uma distância de 5m em terreno
de superfície plana e antideslizante.
Procedimento de teste: ao sinal de “preparado”, o indivíduo deverá se po-
sicionar atrás da linha de saída. Ao ouvir “já”, deverá correr até pisar na linha
oposta, seguindo de volta, até que pise 5 vezes em cada linha.

Figura 6.8  –  Montagem para o teste. Fonte: Manual Eurofit.

Figura 6.9  –  Execução do teste de velocidade. Fonte: Manual Eurofit.

122 • capítulo 6
6.1.6  Flexão de braço

Objetivo: Avaliar a força de resistência estática de MMSS.


Material: Barra de 2,5 cm de diâmetro colocada a 190 cm acima do solo,
banco e cronômetro digital.
Procedimento de teste: a pessoa deve subir no banco e com pegada pronada
na barra deve ficar suspensa com o queixo posicionado acima da barra o maior
tempo possível.

Figura 6.10  –  Execução do teste de flexão de braço. Fonte: Manual Eurofit.

capítulo 6 • 123
6.1.7  Salto horizontal

Objetivo: Avaliar a força explosiva de MMII.


Material: Tatame, fita métrica e giz.
Procedimento de teste: a pessoa deve estar com as pontas dos dedos dos
pés atrás da linha de partida. Tomar o impulso para o salto flexionando os joe-
lhos e jogando os braços para trás. O avaliador marca a distância do contato
mais próximo a linha de partida e são permitidas 2 tentativas.

Figura 6.11  –  Execução do teste de salto horizontal. Fonte: Manual Eurofit.

6.1.8  Abdominal em 30”

Objetivo: Avaliar a resistência dos músculos abdominais.


Material: Cronômetro.
Procedimento de teste: a pessoa deve estar deitada em decúbito dorsal com
pernas flexionadas 90 graus, pés fixos pelo avaliador, mãos entrelaçadas atrás
da cabeça (nuca). Realizar o máximo de flexões encostando o cotovelo nos joe-
lhos em 30 segundos.

124 • capítulo 6
Figura 6.12  –  Execução do teste de abdominal em 30”. Fonte: Manual Eurofit.

6.1.9  Dinamometria manual

Objetivo: Avaliar a força estática manual


Material: Dinamômetro manual com precisão de 0,5kg.
Procedimento de teste: a pessoa deve segurar o dinamômetro com sua mão
mais forte e membro superior ao longo do corpo se tocá-lo. Ao sinal de “já”,
deve realizar uma pressão no dinamômetro flexionando os dedos. São permiti-
das duas tentativas e registra-se o maior valor.

Figura 6.13  –  Execução do teste de dinamometria. Fonte: Manual Eurofit.

capítulo 6 • 125
6.1.10  Course navette de 20 m

Objetivo: Avaliar a potência aeróbica máxima.


Terreno: Deve ser plano com 2 linhas paralelas com 20 m de distância entre
elas com uma margem mínima de 1 m para o exterior.
Material: Fita (CD) com a gravação do protocolo.
Procedimento de teste: a pessoa deve percorrer a distância de 20 m, inicial-
mente com uma velocidade lenta, aumentando-a progressivamente através de
comando sonoro dado pela gravação.

Figura 6.14  –  Execução do teste de course navette. Fonte: Manual Eurofit.

6.1.11  Tabelas de Referência do Eurofit

Abaixo estão as tabelas 6.1 e 6.1 referentes às médias e desvios-padrões de me-


ninas e meninas para referência.

EDAD Y SEXO 10 11 12 12 14
X 34,48 35,69 38,03 39,91 42,16 44,36 47,96 48,35 53,49 52,09
PESO S 6,56 7,33 6,65 7,38 8,22 7,82 8,63 8,01 9,91 9,13
X 139,24 139,17 143,42 145,94 149,6 151,03 156,42 156,17 163,02 157,91
ESTATURA S 6,01 6,23 5,97 6,99 7,89 6,8 8,60 6,21 8,21 6,64
“PLATE X 15,1 14,79 13,9 13,52 12,87 12,86 11,98 12,26 11,57 11,79
TAPPING S 2,62 2,31 2,06 1,7 1,7 1,44 1,56 1,56 1,85 1,46
FLEXÓN DEL X 18,32 22,73 18,69 23,04 18,75 24,87 19,37 25,92 20,35 26,43
TRONCO S 5,7 5,34 6,15 5,7 5,96 6,06 6,49 5,59 6,99 6,95
VELOCIDADE X 20,66 21,61 20,39 20,72 19,54 20,64 19,10 20,39 18,99 20,81
10X5 M S 2,14 2,39 2,78 2,04 2 1,96 2,08 2,00 2,18 2,57

126 • capítulo 6
EDAD Y SEXO 10 11 12 12 14
FLEXÓN X 12,6 7,72 14,83 8,65 16,67 9,71 18,08 9,95 22,43 9,16
DEL LOS S 10,2 7,7 12,74 8,19 12,86 8,6 13,11 9,27 15,73 8,36
BRAZOS
SALTO X 142,2 134,28 148,65 141,46 160,42 147,04 169,68 151,44 182,85 154,94
HORIZONTAL S 16,96 16,33 17,97 18,62 19,47 18,53 24,39 19,20 24,63 21,70
ABDOMI- X 17,41 15,38 19,12 16,41 20,18 18,12 21,30 18,17 22,46 17,70
NALES EN S 4,59 4,86 5,2 5,22 4,49 4,67 5,01 4,51 5,10 5,36
30 S
DINAMOME- X 16,87 15,68 16,86 17,92 22,17 21,47 26,77 23,84 39,72 26,03
TRIA DE LA S 3,1 3,23 3,67 3,77 4,87 4,96 6,90 4,47 8,26 4,73
MANO
“COURSE X 5,58 4,48 6,3 4,97 7,02 5,36 8,07 5,66 8,43 5,30
NAVETTE” S 1,83 1,43 1,9 1,65 1,83 1,56 2,09 1,48 1,96 1,79

Tabela 6.1  –  Tabelas de Referência do Eurofit 10-14 anos. Fonte: Manual Eurofit.

EDAD Y SEXO 15 16 17 18
X 59,09 53,71 61,91 54,974 64,10 55,46 65,82 55,54
PESO S 9,41 7,28 8,931 8,993 8,87 6,391 9,211 7,022
X 168,48 159,48 169,80 160,45 171,89 161,09 171,96 159,59
ESTATURA S 7,89 6,34 6,49 6,09 7,174 6,121 7,02 5,893
“PLATE X 11,25 11,65 10,804 11,470 10,43 11,250 10,42 11,440
TAPPING S 1,42 1,57 1,561 1,61 1,45 1,51 1,74 1,33
FLEXÓN DEL X 22,112 28,38 22,86 28,39 23,634 29,03 24,64 28,271
TRONCO S 7,901 5,774 6,52 5,842 8,22 6,05 7,06 6,48
VELOCIDADE X 17,97 19,31 17,832 19,150 17,221 18,941 17,23 19,32
10X5 M S 2,18 1,483 1,97 1,904 1,75 2,18 1,68 1,96
FLEXÓN DEL X 27,31 11,01 31,312 10,53 33,92 11,94 33,45 11,41
LOS BRAZOS S 15,44 9,421 16,060 9,91 16,722 10,08 15,67 11,452
SALTO X 201 168 208,2 167 214,4 170 218 170
HORIZONTAL S 0,234 0,20 23 21 24,4 20 23 20,2
ABDOMINA- X 24,78 22,32 25,882 22,081 26,864 22,34 27,54 22,27
LES EN 30 S S 4,22 4,004 3,70 4,224 4,73 4,201 5,78 4,103
DINAMOME- X 40,004 28,74 42,55 29,33 44,372 29,701 45,870 30,21
TRIA DE LA S 8,16 4,58 7,65 4,440 8,66 4,293 9,23 4,55
MANO
X 6,612 5,541 8,91 5,302 9,06 5,451 8,84 5,12
“COURSE
NAVETTE” S 1,89 1,67 1,87 1,77 1,800 1,66 1,92 1,57

Tabela 6.2  –  Tabelas de Referência do Eurofit 15-18 anos. Fonte: Manual Eurofit.

capítulo 6 • 127
6.2  Fitnessgram
O Fitnessgram não constitui apenas uma bateria de avaliação, ele pode ser con-
siderado um programa de educação e avaliação da aptidão física relacionada à
saúde. Seu objetivo é também auxiliar os professores de educação física a en-
quadrar a atividade física como parte do cotidiano.
A bateria pode ser usada em crianças a partir de 5 anos de idade.
As variáveis testadas são:
•  Aptidão Aeróbia:
– Vaivém

•  Aptidão Muscular:
– Força abdominal e resistência (Abdominais)
– Força e flexibilidade do tronco (Extensão do tronco)
– Força superior (Extensão de Braços)
– Flexibilidade (Senta e Alcança)
– Flexibilidade (Ombros)

•  Composição corporal
– Dobras cutâneas
– Índice de massa corporal (IMC) (como alternativa)

CONEXÃO
Para maiores informações acesse http://www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram/in-
dex2.htm e http://www.fitnessgram.net/

LEITURA
Amplie seus conhecimentos lendo o artigo Aptidão física relacionada à saúde de escolares:
programa fitnessgram. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S1517-86922012000200001

128 • capítulo 6
6.2.1  Vaivém

O Teste Vaivém é um teste de patamares de esforço progressivo, começando


fácil e tornando-se progressivamente mais difícil. Aplicado ao som de música,
este teste representa uma alternativa válida e divertida ao habitual teste de cor-
rida continua aplicado para se avaliar a aptidão aeróbia.
Objetivo: Avaliar a aptidão aeróbia. O aluno deverá percorrer a máxima dis-
tância possível numa direção e na oposta, numa distância de 20 metros, com
uma velocidade crescente em períodos consecutivos de um minuto.
Procedimento de teste: Ao sinal sonoro do professor, o avaliado deverá cor-
rer até a linha lateral e tocar nessa linha com o pé só quando ouvires o sinal
sonoro - um toque (gravação que o professor pôs a tocar). Só depois deve inver-
ter o sentido de corrida e correr até a outra extremidade. Se o aluno chegar à
linha antes do sinal sonoro - toque, deverá esperar pelo mesmo para correr em
sentido contrário. Um toque ou sinal sonoro indica o final do tempo de cada
percurso de 20 metros; Três toques ou sinais sonoros no final de cada minuto
indicam o final de cada patamar de esforço. Este serve para avisar o aluno de
que o ritmo vai acelerar e que tem de aumentar a velocidade de corrida, para
conseguir percorrer a distância de 20 metros em menos tempo.

20 m

Figura 6.15  –  Teste vaivem. Fonte: Elaborado pelo autor.

6.2.2  Força e Resistência Abdominal (Abdominais)

No teste de abdominais, o avaliado deve fazer o maior número de abdominais


possíveis, até ao máximo de 75, ao ritmo de 20 repetições por minuto (ou seja,
uma abdominal a cada 3 segundos).

capítulo 6 • 129
Objetivo: Avaliar a força e resistência dos músculos abdominais.
Procedimento de Teste: O aluno deverá estar deitado em decúbito dorsal
num colchão com as pernas fletidas (aproximadamente a 140º) e com os braços
esticados e as palmas das mãos viradas para baixo com a cabeça apoiada no col-
chão. Deverá ser colocada uma faixa por baixo dos joelhos do executante com a
largura de 11,5 cm que servirá para verificar se os dedos percorrem, em cada vez
que faz uma abdominal, os 11,5 cm. Será considerada correta cada abdominal
quando o aluno executar a elevação do tronco e os dedos percorrerem a faixa
de 11,5 cm, chegando à outra extremidade e logo a seguir descer, retomando a
posição inicial. O teste é finalizado quando o avaliado não for capaz de alcançar
a linha antes do sinal sonoro, por duas vezes, quando não puder mais realizar o
movimento ou quando completar as 75 abdominais.

Figura 6.16  –  Teste de resistência abdominal (abdominais) – Posição inicial. Fonte: Cooper
Institute (2013).

Figura 6.17  –  Teste de resistência abdominal (abdominais) – Posição final. Fonte: Cooper
Institute (2013).

130 • capítulo 6
6.2.3  Força e flexibilidade do tronco (Extensão do tronco)

No teste de abdominais, o avaliado deve elevar ao máximo o tronco, levantando


o queixo do solo, mas sem fazer a extensão do pescoço.
Objetivo: Avaliar a força e flexibilidade do tronco no movimento de extensão.
Procedimento de Teste: O aluno deverá estar deitado em decúbito ventral
em um colchão, com as pernas e braços esticadas e mãos por baixo das coxas.
Ao sinal do professor levanta o tronco devagar e controladamente até ao máxi-
mo de 30 cm (medidos entre o queixo e o colchão). São permitidas duas tentati-
vas e registra-se a melhor.

Figura 6.18  –  Força e flexibilidade do tronco – Posição inicial. Fonte: Cooper Institute (2013).

Figura 6.19  –  Força e flexibilidade do tronco – Posição final. Fonte: Cooper Institute (2013).

capítulo 6 • 131
Figura 6.20  –  Força e flexibilidade do tronco – Medição. Fonte: Cooper Institute (2013).

6.2.4  Força superior (Extensão de Braços)

No teste de extensão dos braços, o avaliado deve completar o maior número


possível de extensões de braços, com determinada cadência.
Objetivo: Avaliar a força e resistência da região superior do corpo.
Procedimento de Teste: O aluno deverá estar em decúbito ventral, colocan-
do as mãos por debaixo dos ombros, dedos estendidos, membros inferiores
em extensão, ligeiramente afastados e apoiando-se nas pontas dos pés. Deverá
realizar a flexão/extensão dos membros superiores até que a articulação do co-
tovelo atinja um ângulo de 90o. O corpo deve formar uma linha reta da cabeça
aos pés enquanto durar a execução do teste. O ritmo de execução deve ser de 20
repetições por minuto ou uma flexão/extensão em cada 3s. O teste é interrom-
pido à segunda execução incorreta, se o aluno sentir desconforto ou dor, parar
para descansar ou não manter a cadência, não alcançar os 90o com o cotove-
lo, não manter a posição de prancha ou os braços não estarem completamen-
te estendidos.

132 • capítulo 6
Figura 6.21  –  Extensão de Braços – Posição inicial. Fonte: Cooper Institute (2013).

Figura 6.22  –  Extensão de Braços – Posição final. Fonte: Cooper Institute (2013).

capítulo 6 • 133
6.2.5  Teste da Flexibilidade: Sentar e alcançar

No teste de flexibilidade, o avaliado deve alcançar a distância especificada na


zona saudável de flexibilidade (medida em centímetros), para os lados direito e
esquerdo do corpo, tendo em conta a idade e o sexo.
Objetivo: Avaliar a flexibilidade do tronco.
Procedimento de Teste: O aluno deverá estar sentado descalço, com a per-
na esquerda fletida e a direita estendida. A planta do pé direito deverá estar
bem apoiada na reentrância da caixa de medição e a planta do pé esquerdo bem
apoiado no chão. Os joelhos devem estar separados entre 5 e 8 centímetros um
do outro. Irá ser medida a flexibilidade do lado direito. Neste momento deverá
estender os braços, colocar uma mão em cima da outra sobre a caixa de medi-
ção e tentar alcançar a maior distância com a flexão do corpo. Deverá repetir
quatro vezes controladamente e deverá manter a posição de flexão máxima, na
quarta tentativa, pelo menos por um segundo. Esta tentativa – a quarta - será
aquela que será medida. Depois realizará o mesmo para o lado esquerdo. Para
evitar uma hiperextensão lombar, o máximo de 30 centímetros será considera-
do. Acima deste valor não é levado em consideração.

Figura 6.23  –  Flexibilidade – Posição inicial. Fonte: Cooper Institute (2013).

134 • capítulo 6
Figura 6.24  –  Flexibilidade – Posição final. Fonte: Cooper Institute (2013).

6.2.6  Teste de Flexibilidade de Ombros

No teste de flexibilidade dos ombros, o avaliado deve tocar as pontas dos dedos
de ambas as mãos por trás das costas.
Objetivo: Avaliar a flexibilidade dos ombros.
Procedimento de Teste: Para avaliar o ombro direito, o candidato deve al-
cançar o meio das costas com a mão direita por cima do ombro direito, como
se tentasse “puxar um fecho”. Simultaneamente a mão esquerda deve ser colo-
cada atrás das costas, tentando alcançar os dedos da mão direita; Para avaliar o
ombro esquerdo, o candidato executa o mesmo movimento com a mão esquer-
da sobre o ombro esquerdo. Ao mesmo tempo, a mão direita deve tentar tocar
os dedos da mão esquerda. O aluno executa este exercício com aproveitamento
quando, na avaliação de ambos os ombros, conseguir tocar com os dedos de
uma mão nos da outra.

capítulo 6 • 135
Figura 6.25  –  Flexibilidade dos ombros (A) direito (B) esquerdo. Fonte: Cooper Institute
(2013).

6.2.7  Dobras Cutâneas

Objetivo: Avaliar a distribuição e acúmulo de gordura em determinadas re-


giões corporais.
Procedimento de Teste: São medidas as dobras de tríceps e perna, acres-
centando para universitários a dobra de abdome. Para todas as dobras adota-se
o mesmo protocolo que o descrito no capítulo 3.

6.2.8  Índice de massa corporal

Objetivo: Avaliar a distribuição da massa corporal pela estatura do indivíduo.


Para tanto são medidas a estatura e a massa corporal.
Procedimento de Teste: Tanto para massa corporal quanto para estatura
são tomados os mesmos procedimentos que os adotados pela bateria eurofit
descrita anteriormente.
Para cálculo do índice de massa corporal utiliza-se a equação:

136 • capítulo 6
Massa corporal
Índicedemassa corporal =
Estatura2

6.2.9  Tabelas de referência do fitnessgram

A seguir estão as figuras 6.26 e 6.27 referentes às médias e desvios-padrões de


meninas e meninas para referência.

Figura 6.26  –  Tabelas de referência do fitnessgram - meninos. Fonte: Cooper Institute (2013).

capítulo 6 • 137
Figura 6.27  –  Tabelas de referência do fitnessgram - meninas. Fonte: Cooper Institute (2013).

138 • capítulo 6
ATIVIDADE
01. Ao se tratar de crianças e adolescentes, 2 baterias motoras são amplamente utilizadas no Bra-
sil: Eurofit e Fitnessgram. Diferencie as duas baterias quanto a faixa etária e variáveis analisadas.

REFLEXÃO
É possível observar que ambas as baterias tem como foco a observação das mesmas capa-
cidades, observando desta forma a semelhança entre alguns testes, e tendo, valores de refe-
rência e de corte voltados para as populações alvos estudadas, europeia e norte-americana.
Mesmo assim, em nada obsta o seu uso na população brasileira, já que esta apresenta um
perfil semelhante aos dois públicos estudados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COOPER INSTITUTE. Fitnessgram®/Activitygram®: Test Administration Manual. 4. ed. Champaign:
Human Kinetics, 2013.
EUROFIT. La Bateria Eurofit em Cataluña. Secretaria General de I’Esport. Barcelona: Gráfiques
Cromotip, 1998.
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.R.P. Manual prático para avaliação em educação física. São Paulo:
Manole, 2006.

GABARITO
Capítulo 1

01. Relacionar avaliação diagnóstica, formativa e somativa.


02. Áreas: Cineantropometria, Cardiorrespiratória, Neuromuscular e Postural.
03. A terceira avaliação não ser realizada pelo mesmo professor e no mesmo ambiente.
04. Testes: Coleta da estatura, massa corporal e dobras cutâneas, realização de saltos verticais,
subida e descida de um banco, realizar o movimento de ficar em somente um pé e a observação da
silhueta. Avaliações: Comparar os resultados encontrados com escores padrões de cada atividade.
05. Objetividade.

capítulo 6 • 139
Capítulo 2

01. RCQ = 0,86


02. Normal
03. Sim. Mãe diabética, pai hipertenso, não realiza atividade física extracurricular.
04. Verificar os índices de glicose, colesterol e triglicerídeos para apresentação de síndro-
me metabólica.

Capítulo 3

01. IMC = 30,91kg/m2 – Acima do percentil 95 = Sobrepeso.


02. Massa corporal – Ao subir a balança mecânica deverá estar travada e o indivíduo com a
menor quantidade de roupa possível.
Estatura – Deverá estar descalço e deverá realizar uma inspiração profunda.

Capítulo 4

01. Perfil A – 19,65% – Ótimo / Perfil B – 4,51% – Muito baixo


02. Ele está no estirão de crescimento, aumentou estatura e massa corporal e reduziu a
quantidade de gordura percentual.

Capítulo 5

01. Tipo de mochila, forma de carregar a mochila, peso do material escolar, tipo de carteira
escolar e forma de sentar na cadeira.

Capítulo 6

01. Eurofit:
Idade - 10 e 18 anos.
Variáveis – Peso, estatura, força e resistência muscular, flexibilidade, velocidade, agilida-
de e capacidade aeróbica.

Fitnessgram:
Idade – A partir de 5 anos de idade
Variáveis - Aptidão Aeróbia, Força e resistência muscular, flexibilidade e composi-
ção corporal.

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