Você está na página 1de 13

Semiologia Médica

SEMANA 5 - EXAME FÍSICO GERAL

O senso de observação é fundamental ao médico, cabendo desenvolvê-lo e aprimorá-lo


permanentemente, sabendo o que procurar através de uma sistematização objetiva para se
conseguir o maior número de dados possíveis. O exame físico pode ser dividido em duas etapas.
A primeira constitui o que se costuma designar como exame físico geral, somatoscopia, ou
ectoscopia. Através deles são obtidos dados gerais, independentemente dos vários sistemas
orgânicos ou segmentos corporais. Dessa forma é obtida uma visão holística/geral do paciente.
É imprescindível para o exame físico: local adequado, iluminação correta e posição do paciente.

SEMIOTÉCNICA

O exame físico geral é realizado pela inspeção e palpação. São fundamentais: fácies,
nível de consciência, o estado nutricional, o estado de hidratação e o desenvolvimento físico. O
paciente deve ser analisado inicialmente à beira do leito/cama e depois em decúbito dorsal e/ou
lateral. Algumas etapas do exame físico exigem de o paciente ficar em outras posições, inclusive
de pé ou andando. É interessante respeitar o seguinte script:

 Avaliação do estado geral


 Avaliação do nível de consciência
 Fala e linguagem
 Avaliação do estado de hidratação
 Altura e outras medidas antropométricas
 Peso
 Avaliação do estado de nutrição
 Desenvolvimento físico
 Fácies
 Atitude e decúbito preferido no leito
 Mucosas
 Pele e fâneros
 Tecido celular subcutâneo e panículo adiposo
 Enfisema subcutâneo
 Inflamação de estruturas superficiais
 Neoplasias de tecidos moles
 Musculatura
 Movimentos involuntários
 Exame dos linfonodos ou gânglios linfáticos
 Veias superficiais
 Circulação colateral
 Edema
 Temperatura corporal
 Postura ou atitude na posição de pé
 Biótipo ou tipo morfológico
 Marcha
Semiologia Médica
AVALIAÇÃO DO ESTADO GERAL

É o que aparenta o doente, é baseado na subjetividade de quem está realizando o


procedimento. Para descrever usa-se:

 Bom estado geral


 Estado geral regular
 Estado geral ruim

Serve para definir até que ponto a doença atingiu o organismo.

AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA

O grau do nível de consciência é estabelecido entre dois extremos estado de vigília e estado de
coma IV. A percepção do mundo externo é o que caracteriza o estado de vigília e é resultante
dos processos que envolvem o sistema reticulo-talâmico.

Para a praticidade devem ser analisados quatro parâmetros para avaliação do nível de
consciência:

 Perceptividade:

Capacidade de responder perguntas simples (como vai?) ou prestar informações corriqueiras


(número de telefone)

 Reatividade:

Capacidade de reagir a estímulos inespecíficos, p. ex. desviar os olhos para o lado de uma fonte
de barulho. Também pode-se analisar o estímulo à dor.

 Deglutição:

Verificar se há uma deglutição adequada (teste com copo d’agua)

 Reflexos:

Pesquisas de alguns reflexos, p. ex. patelar.

A partir desses dados é possível caracterizar o estado de coma dentro da seguinte graduação:

1. Como leve, vígil ou grau I: comprometimento leve da consciência e paciente consegue


responder a estímulos simples. Apresenta reação dolorosa e deglutição normal.
2. Como de grau médio ou grau II: perda quase total da consciência e percepção reduzida.
Apresenta reação dolorosa e deglutição anormal. Reflexos tendinosos estão normais.
3. Coma profundo, carus ou grau III: perda completa da consciência. Reação dolorosa e
deglutição ausentes. Arreflexia tendinosa e incontinência esfinctérica.
4. Coma DEPASSÉ ou grau IV: elementos do grau III comprometimento das funções vitais,
p. ex. parada respiratória é quase sempre irreversível.

As principais causas de coma são:

o Traumatismo cranioencefálico
o Acidente vascular cerebral
o Neoplasias cerebrais
Semiologia Médica
o Infecções do sistema nervoso central (encefalites e meningites)
o Epilepsias (síndromes convulsivas)
o Diabetes mellitus
o Insuficiência hepática e renal
o Intoxicação exógenos (álcool, inseticidas, barbitúricos, psicotrópicas)
o Malária

FALA E LINGUAGEM

A atenção à fala deve ser dada durante a entrevista.

o Disfonia ou afonia: alteração vocal decorrente de alteração no órgão fonador.


Voz rouca ou fanhosa
o Dislalia: alterações nas palavras (comum em criança) p. ex. tasa (casa).
o Disartria: alterações dos músculos da fonação
o Disfasia: decorrente de uma perturbação na elaboração cortical da fala

AVALIAÇÃO DO ESTADO DE HIDRATAÇÃO

O estado de hidratação do paciente é avaliado tendo-se em conta os seguintes parâmetros:

o Alteração abrupta de peso


o Alterações da pele quanto à umidade, elasticidade e turgor
o Alterações das mucosas quanto à umidade
o Fontanelas (no caso de crianças)
o Alterações oculares
o Estado geral

DESIDRATAÇÃO

Caracterizado pela diminuição total dos eletrólitos e água total do organismo, seguindo os
seguintes elementos:

o Sede
o Queda abrupta de peso
o Mucosas secas
o Estado geral comprometido
o Oligúria
o Abatimento

Essas alterações variam com o grau de desidratação. A desidratação pode ser classificada
segundo dois aspectos: a intensidade (variação de peso) e a osmolaridade (natremia).

PESO

Peso ideal, peso máximo normal, peso mínimo normal. IMC

CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL E RELAÇÃO CINTURA-QUADRIL

A medida da circunferência abdominal logo acima da crista ilíaca é um procedimento simples e


útil na avaliação de risco de doença mesmo com peso corporal normal. O excesso de gordura
abdominal está relacionado com alterações metabólicas (síndrome metabólica), incluindo
dislipidemias, resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão arterial coronariana. Outro
Semiologia Médica
índice é a relação cintura-quadril (RCQ). Para obtê-lo mede-se a circunferência da cintura (c)
num ponto médio entre o final dos arcos costais e a do quadril (Q), ao nível das espinhas ilíacas
anteriores.

VARIAÇÃO DO PESO

Magreza: paciente abaixo do peso mínimo normal (não indica doença)

Caquexia: grau de extrema magreza com comprometimento do estado geral do paciente.

Sobrepeso e obesidade: paciente acima do peso normal máximo. A maneira como o tecido
adiposo de distribui pelo corpo é de extrema importância clínica, dessa forma, existem dois tipos
de obesidade:

Obesidade central ou androide em que a gordura se concentra mais no tórax e no abdômen é


comum em homens e está envolvida no infarto do miocárdio.

obesidade periférica ou ginecoide em que a gordura se deposita nas coxas, nádegas, e regiões
próximas à pelve. Mais comum em mulheres e não se relaciona com doenças.

AVALIAÇÃO DO ESTADO DE NUTRIÇÃO

Página 83 porto 6ed

SEMANA 6 – LESÕES CUTÂNEAS – EXAME DA PELE

São investigados os seguintes elementos:

 Coloração
 Continuidade ou integridade
 Umidade
 Textura
 Espessura
 Temperatura
 Elasticidade
 Mobilidade
 Turgor
 Sensibilidade
 Lesões elementares
 Fotossensibilidade e fotodermatose

COLORAÇÃO

Observar a coloração registrada do paciente para constatar alterações. Em pessoas brancas e


pardas clara, observa-se uma leve coloração rósea, ficar atento a alterações nesse aspecto e
com pessoas mais escuras, nesses casos as alterações serão mais difíceis de perceber.

PALIDEZ

Atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Nas pessoas morenas é possível verificar
a palidez nas regiões palmo-plantares, por esse motivo é primordial que se avalie toda a
extensão tegumentar. A palidez pode ser localizada ou generalizada.
Semiologia Médica
A palidez generalizada traduz diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações
cutâneas e subcutânea. A causa pode ser a vasoconstrição generalizada em consequência de
estímulos neurogênicos ou hormonais p.ex. em grandes emoções ou sustos, redução real das
hemácias (anemias), entre outros.

A palidez localizada tem na isquemia a sua principal causa. Nesse sentido, para notar um
uma nítida alteração segmentar de coloração deve-se comparar as regiões homólogas.

VERMELHIDÃO OU ERITROSE

Significa o exagero da coloração rósea da pele e indica aumento da quantidade de


sangue na rede vascular cutânea, seja decorrente de uma vasodilatação ou do aumento de
sangue.

A vermelhidão pode ser generalizada ou localizada. A vermelhidão generalizada se


observa nos pacientes febris, nos indivíduos que ficaram expostos ao sol, nos estados
policitêmicos e em algumas afecções que comprometem a pele em sua totalidade. A
vermelhidão localizada pode ter caráter fugaz quando depende de um fenômeno vasomotor
(ruborização do rosto por emoção, fogacho do climatério), ou ser duradora. Nesse caso o
eritema palmar, de fundo constitucional ou acompanhantes de hepatopatias (especialmente a
cirrose)

FENÔMENO DE RAYNALD

É uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das
extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente se observa palidez, a
seguir a extremidade torna-se cianótica e o episódio termina em vermelhidão.

CIANOSE

Significa cor azulada decorrente da diminuição da hemoglobina. A cianose deve ser


procurada no rosto, especialmente ao redor dos lábios, na ponta do nariz, nos lobos das orelhas
e nas extremidades das mãos e dos pés (leito ungueal e polpas digitais).

Quanto à localização, pode ser generalizada ou localizada. No caso de ser generalizada


a cianose é vista na pele toda e, no segundo, apenas seguimentos corporais adquirem coloração
anormal. Dessa forma, importa saber se é cianose generalizada ou localizada porque o
raciocínio clínico muda de acordo com a classificação.

Quanto à intensidade a cianose pode ser classificada em:

 Leve
 Moderada
 Intensa
Assim quando determinada a cianose é hora de determinar o tipo de cianose:
 Cianose de tipo central:
Há insaturação arterial excessiva, permanecendo normal o consumo de oxigênio nos capilares.
 Cianose periférica:
Ocorre pela perda excessiva de oxigênio a nível capilar.
 Cianose tipo misto:
A sua origem é resultado das misturas dos mecanismo do tipo central e periférica.
Semiologia Médica
 Cianose por alteração da hemoglobina
Alterações bioquímicas da hemoglobina podem impedir a fixação do oxigênio pelo pigmento. O
nível de insaturação se eleva até atingir valores capazes de ocasionar cianose.

LESÕES ELEMENTARES

Denominam-se lesões elementares modificações do tegumento cutâneo determinadas por


processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios, neoplásicos por distúrbio do
metabolismo ou por defeito de formação.

Semiotécnica: empregam-se a inspeção e a palpação. A lesões elementares dividem-se em dois


grupos: primárias e secundária.

As primárias aparecem sem serem precedidas de outra alteração macroscópica. As secundárias


resultam da evolução de lesões primárias.

Classificação:

1. Lesões elementares caracterizadas por modificações na pele, sem relevo ou


espessamento: MANCHA OU MÁCULA
2. Lesões elementares sólidas:
a. Pápula
b. Tubérculo
c. Nódulo, nodosidade e goma
d. Lesão urticada ou tipo urticária
e. Queratose
f. Vegetação
g. Espessamento ou infiltração
h. Liquenificação
i. Esclerose (e fibrose)
j. Edema
3. Lesões elementares de conteúdo líquido
a. Vesícula
Semiologia Médica
b. Bolha
c. Pústula
d. Abscesso
4. Soluções de continuidade
a. Erosão ou escoriação
b. Ulceração ou úlcera
c. Fissura ou rágade
d. Fístula
5. Lesões elementares caduca
a. Escama (só de peixe)
b. Crosta
c. Escara ou esfacelo
6. Sequelas
a. Atrofia
b. Cicatriz

MANCHA OU MÁCULA (sem relevo ou espessamento)

É uma área de coloração diferente que a da pele que a circunda, no mesmo plano do tegumento
e sem alterações na superfície. A identificação é feita através da palpação.

MÁCULAS PIGMENTARES

Quando as origens são no pigmento melânico:

 Hipocrômicas ou acrômicas:
Diminuição ou ausência de melanina (vitiligo)
 Hipercrômicas:
Aumento da melanina (pelagra/cloasma)
Semiologia Médica
MANCHAS VASCULARES
Decorrem de distúrbios da microcirculação da pele. São diferenciadas das manchas
hemorrágicas por desaparecerem após compressão:
1. Telangiectasia: dilatação dos vasos terminais. Podem ser percebidas nas pernas de
mulheres (microvarizes).
2. Mancha hiperêmica ou eritematosa: decorre da vasodilatação, tem cor rósea ou
vermelho-viva e desaparece à digito pressão ou à vitropressão. Surgem nas doenças
exantemáticas (sarampo, varicela, rubéola)

Figura 1 Observar as micro-varizes na imagem A

MANCHAS HEMORRÁGICAS
São também chamadas de “sufusões hemorrágica”. Não desaparecem pela compressão, o que
as diferencia dos eritemas. Não desaparece por se tratar de sangue extravasado. Podem ser
classificadas em:
a. Petéquias (quando em pontos)
b. Víbices (quando em forma linear)
c. Equimoses (quando em placa)
Semiologia Médica

DEPOSIÇAO PIGMENTAR
Pode ser por deposição de hemossiderina, bilirrubina (icterícia), pigmento carotênico, corpos
estranhos (tatuagem) e pigmentos metálicos (prata, bismuto).
PÁPULAS
São elevações sólidas da pele, de pequeno tamanho (até 0,5cm de diâmetro), superficiais, bem
delimitadas. Com bordas facilmente percebidas quando se desliza uma polpa digital sobre
a lesão, p. ex. (picada de inseto, leishmaniose, blastomicose, verruga, acne, hanseníase.

TUBÉRCULOS
Elevações maiores que 0,5cm, situadas na derme, pode ser mole ou firmes. A pele
circunjacente tem cor normal ou pode estar eritematosa, acastanhada ou amarelada. Os
tubérculos podem ser observados na tuberculose, hanseníase, esporotricose, sarcoidose e
neoplasias.
NÓDULOS, NODOSIDADES E GOMA
São formações sólidas localizadas na hipoderme, mais perceptíveis pela palpação. Quando de
pequeno tamanho são nódulos, se mais volumosos são nodosidades. Podem ser dolorosas
ou não. A pele circundante estará normal, eritematosa ou arroxeada.
Semiologia Médica

LESÃO URTICADA OU URTICÁRIA


São formações sólidas, achatadas, de forma variáveis (arredondas, ovulares, irregulares),
frequentemente eritematosas, quase sempre pruriginosas, a própria urticária é
responsável por isso.

QUERATOSE
É uma modificação circunscrita ou difusa da espessura da pele que se torna mais consistente,
dura e inelástica, em consequência de espessamento de camada córnea. O exemplo mais
conhecido é o calo.

VEGETAÇÕES

São lesões sólidas, salientes, cônicas, lobulares, filiformes ou em couve-flor.


Semiologia Médica
ESPESSAMENTOS OU INFILTRAÇÃO

Aumento da espessura da pele, que se mantém depressível e sem acentuação das estrias.

LIQUENIFICAÇÃO

Espessamento da pele com estrias.

ESCLEROSE (E FIBROSE)

Aumento da consistência da pele.

EDEMA

Acúmulo de líquido no líquido intersticial.

VESÍCULA

É uma elevação circunscrita da pele que contém líquido em seu interior. A diferença entre
pápula e vesícula é que a primeira é uma lesão sólida e a segunda é produzida por uma coleção
líquida. Faz-se a punção para sanar qualquer dúvida entre essas lesões.

BOLHA

Também é uma elevação da pele contendo substância com líquido. Diferencia-se da vesícula
pelo tamanho, as bolhas são maiores.

PÚSTULA

É uma vesícula ou bolha com conteúdo purulento.

ABSCESSOS

são coleções purulentas, mais ou menos proeminentes e circunscritas, de proporções variáveis,


flutuantes, de localização dermohipodérmicas ou subcutânea. Quando acompanhados de sinais
inflamatórios são chamados de abcessos quentes, na ausência, abcessos frios.
Semiologia Médica

EROSÃO OU EXULCERAÇÃO

É a simples perda do epitélio (arrancamento), sem praticamente perda do tecido conjuntivo,


atingindo apenas a epiderme, quando traumática recebe o nome de escoriação.

ULCERAÇÃO

É a perda del

.imitada das estruturas que constituem a pele e que chegam a atingir a derme, sendo esse o
7motivo que a diferencia da escoriação. A ulceração deixa cicatriz.

INFECÇÕES CUTÂNEAS
Semiologia Médica
As respostas inflamatórias cutâneas frente às infecções são extremamente variadas em suas
apresentações clínica e etiológica. As infecções virais são causadas principalmente pelo vírus do
grupo herpes: herpes simples I e II, varicela-zoster, citomegalovírus, epsteim-barr, herpes vírus
humano 6 e 8, causando lesões cutâneas vésico-bolhosas e até manifestações sistêmicas.

REVISÃO PARA A PROVA DE SEMIOLOGIA

IDENTIFICAÇÃO: 13 itens

 HDA: (dor)
o Localização
o Tipo? Mal referida, queimação
o Irradiação
o Intensidade
o Fatores de melhora e piora
o Duração
o Sintomas associados
 Interrogatório sintomatológico
o Pele e fâneros
 Anasarca
 Pele seca, mancha
o Cabeça
 Exoftalmia (olho protuso)
 Cacosmia (cheiro psicológico)
 Perversão (não reconhece o cheiro)
 Hiposmia (perda gradual do cheiro)
 Anosmia (perda total do cheiro)
 Epistaxe (sangramento nasal)
 Acuidade auditiva
 Surdez
 Quelite (rachadura dos cantos labiais)