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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS


FACULDADE DE COMPUTAÇÃO E ENGENHARIA ELÉTRICA
CONVERSÃO DE ENERGIA II

MOTOR CC SEM ESCOVAS

Jaine de Jesus Vieira Pinho – jainepinho1222@gmail.com


Universidade Federal Do Sul E Sudeste Do Pará, Instituto De Geociências E Engenharias,
Faculdade De Computação E Engenharia Elétrica
Folha 07, Qd 01, Lote 05.
68512-120 – Marabá – Pará

Lucas Sousa Mahmud – eletricalucasmahmud@gmail.com


Universidade Federal Do Sul E Sudeste Do Pará, Instituto De Geociências E Engenharias,
Faculdade De Computação E Engenharia Elétrica
Avenida Antônio Maia, 1010, 3º Piso
68500-005 – Marabá – Pará

Resumo: Os motores CC sem escovas, são motores síncronos que tem sua velocidade
controlado por um circuito eletrônico, ele não utiliza comutadores e escovas. Tem um custo
acima do motor CC com escova, porém há muitas vantagens nas quais compensam seu preço.
Como por exemplo, baixa ou nenhuma necessidade de manutenção e maior durabilidade.
Além de poder ser usado em aplicações onde o espaço é um critério decisivo para a escolha
do melhor motor, para que a eficiência seja a melhor possível.

Palavras-chave: Motor sem escovas, Brushless, Brushed, Rotor, Estator.

1. INTRODUÇÃO

Segundo a National Eletrical Manufactures Association (NEMA), o motor CC sem


escovas, é uma máquina síncrona girante com ímãs permanentes no rotor e com a posição do
rotor conhecida, para que seja possibilitada a comutação eletrônica [1].
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Ao longo da evolução humana e tecnológica, se faz necessário o estudo de novas


maneiras de melhorar e facilitar a vida das pessoas, nos dias atuais é visível a grande
utilização de maquinas automatizadas através de motores de diversos tipos, por exemplo, nas
indústrias, no automobilismo, em usos domésticos, etc. Por isso é tão importante que os
profissionais responsáveis por essas melhorias tecnológicas conheçam profundamente o tipo
de equipamentos com os quais estão trabalhando, pois, a escolha do motor certo é algo que
precisa de bastante atenção.
Os motores são máquinas que convertem energia elétrica em mecânica ou vice-versa, e
na maioria dos equipamentos que encontramos no dia a dia eles estão presentes. Ao longo
deste trabalho será apresentado os motores de corrente contínua sem escovas, um tipo especial
de motor, conhecidos também por motores Brushless. Esse tipo de motor surgiu devido a
necessidade de utilização de motores de pequeno porte e com alta eficiência em equipamentos
como computadores, aparelhos de CDs e DVDs, entre outros.
Esse tipo de motor é uma descendência dos motores CC com escovas, ou motores
Brushed, onde, ao longo deste trabalho serão comparadas a eficiência de ambos e mostrado o
que difere no funcionamento dos dois tipos de motores de corrente contínua.

2. MOTOR CC

Um motor CC, é um motor alimentado por corrente contínua, sendo esta proveniente de
uma bateria ou qualquer outro tipo de alimentação CC. A sua troca de energia entre rotor e
estator pode ser através de escovas (Brushed) ou sem escovas (Brushless) e com relação a
velocidade, o motor CC pode ser controlado apenas variando a sua tensão. A seguir veremos
as principais características dos motores CC com e sem escovas.

2.1. Motor CC com escovas (Brushed)

O motor de corrente contínua (CC) é constituído de duas estruturas magnéticas: Estator e


Rotor, onde o primeiro é o enrolamento de campo ou imã permanente, o segundo é o
enrolamento de armadura [2].
O Estator é formado por:
Carcaça: É a estrutura fixa da máquina, também tem a finalidade de conduzir o fluxo
magnético.
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Polos de excitação: Têm a finalidade de gerar o fluxo magnético. São constituídos de


condutores enrolados sobre núcleos de chapas de aço laminadas cujas extremidades possuem
um formato que se ajusta a armadura e são chamadas de sapatas polares.
Polos de comutação: São colocados na região interpolar e são percorridos pela corrente
de armadura. Sua finalidade é compensar o efeito da reação da armadura na região de
comutação, evitando o deslocamento da linha neutra em carga, reduzindo a possibilidade de
centelhamento.
Enrolamento de Compensação: É um enrolamento distribuído na periferia da sapata
polar e percorrido pela corrente de armadura. Sua finalidade é também compensar a reação da
armadura, mas agora em toda periferia do rotor, e não somente na região transversal. Evita o
aparecimento de faíscas provocadas por uma diferença de potencial entre espiras devido a
distribuição não uniforme da indução no entreferro.
O rotor é um eletroímã composto de um núcleo de ferro com enrolamentos em sua
superfície que são alimentados por um sistema mecânico de comutação. O rotor é formado
por:
Armadura: Centrado no interior da carcaça, é constituído por um pacote de chapas de
aço silício laminadas, com ranhuras axiais na periferia para acomodar o enrolamento da
armadura. Este enrolamento está em contato elétrico com as lâminas do comutador.
Comutador: É o conversor mecânico que transfere a energia ao enrolamento do rotor. O
comutador é constituído de lâminas de cobre isoladas uma das outras por meio de lâminas de
mica.
Escovas: São compostas de material condutor e deslizam sobre o comutador quando este
gira, pressionadas por uma mola, proporcionando a ligação elétrica entre a armadura e o
exterior.
Eixo: É o elemento que transmite a potência mecânica desenvolvida pelo motor [2].
A Figura 01 mostra os detalhes construtivos de um motor CC.
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Figura 01: Detalhes construtivos de um motor cc. a) Detalhe construtivo do estator. b) Detalhe
construtivo de um rotor [3].

a)

b)
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2.1.1. Princípios de funcionamento

A Figura 03, mostra de uma maneira bem simples o funcionamento de um motor CC


constituído de 2 polos. Um motor simples consiste de uma bobina que gira entre dois ímãs
permanentes. (a) os polos magnéticos da bobina, representados como ímã, são atraídos pelos
polos opostos dos ímãs fixos. (b) a bobina gira para levar esses polos magnéticos o mais perto
possível um do outro, mas, (c) ao chegar nessa posição o sentido da corrente é invertido e (d)
agora os polos que se defrontam se repelem, continuando a impulsionar o rotor.

Figura 03: Funcionamento de um motor CC de dois polos [4].

Podemos descrever a situação ilustrada por:


(a) onde a bobina apresenta-se horizontal. Como os polos opostos se atraem, a bobina
experimenta um torque que age no sentido de girar a bobina 'para a esquerda'. A bobina sofre
aceleração angular e continua seu giro para a esquerda, como se ilustra em (b). Esse torque
continua até que os polos da bobina alcancem os polos opostos dos ímãs fixos (estator). Nessa
situação (c) -- a bobina girou de 90° -- não há torque algum, uma vez que os braços de
alavanca são nulos (a direção das forças passa pelo centro de rotação); o rotor está em
equilíbrio estável (força resultante nula e torque resultante nulo). Esse é o instante adequado
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para inverter o sentido da corrente na bobina. Agora os polos de mesmo nome estão muito
próximos e a força de repulsão é intensa. Como a bobina já apresenta um momento angular
'para a esquerda', ela continua girando 'para a esquerda' (algo como uma 'inércia de rotação') e
o novo torque (agora propiciado por forças de repulsão), como em (d), colabora para a
manutenção e aceleração do movimento de rotação.
Mas, mesmo após a bobina ter sido girada de 180°, o movimento continua, a bobina
chega na 'vertical' (giro de 270°), o torque novamente se anula, a corrente novamente inverte
seu sentido, e o novo torque e a bobina chega novamente a situação (a) (giro de 360°). E o
ciclo se repete.
Essas atrações e repulsões bem coordenadas é que fazem o rotor girar, embora o modo
como tais torques sejam obtidos possam variar entre os vários tipos de motores. A inversão do
sentido da corrente, no momento oportuno, é condição indispensável para a manutenção dos
torques 'favoráveis', os quais garantem o funcionamento dos motores [5].

Figura 04: Comutador e escovas de um motor CC [4].

Em sua forma mais simples, o comutador apresenta duas placas de cobre encurvadas e
fixadas (isoladamente) no eixo do rotor; os terminais do enrolamento da bobina são soldados
nessas placas. A corrente elétrica “chega” por uma das escovas (+), “entra” pela placa do
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comutador, “passa” pela bobina do rotor, “sai” pela outra placa do comutador e “retorna” à fonte
pela outra escova (-). Nessa etapa o rotor realiza sua primeira meia-volta. Nessa meia-volta, as
placas do comutador trocam seus contatos com as escovas e a corrente inverte seu sentido de
percurso na bobina do rotor. E o motor CC continua girando, sempre com o mesmo sentido de
rotação [5].

2.2. Motor CC sem escovas (Brushless)

Os motores CC convencionais são usados tradicionalmente em aplicações nas quais as


fontes de tensão CC estão disponíveis, como em aeronaves e automóveis. Porém, ao
utilizarmos motores CC convencionais de pequeno porte podemos encontrar várias
desvantagens, sendo a principal delas, o faiscamento e o desgaste excessivo das escovas.
Motores CC pequenos e com grande velocidade, não possuem espaço físico suficientes
para comportarem enrolamentos de compensação e interpolos, de modo que a reação de
armadura e os efeitos L di/dt (tensões que ocorrem nos segmentos do comutador que estão
sendo desligadas das escovas) tendem a produzir faiscamento em suas escovas de comutação.
Além desse problema, por ser necessário uma velocidade de rotação muito alta, as escovas
são desgastadas mais rapidamente e por isso requer manutenção regular.
Para resolver esses tipos de problemas, foram desenvolvidos motores CC através da
combinação de um circuito eletrônico de chaveamento de estado sólido e de um pequeno
motor especial que tem um sensor para determinar a posição do rotor. Esse tipo de motor é
chamado de motor CC sem escova, denominados assim devido serem operados por uma fonte
CC, porém não possuem comutadores e escovas [6].
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Figura 05: Esquemático de um motor CC sem escovas [7].

Os componentes básicos de um motor CC sem escovas são:


• Rotor de imã permanente;
• Estator com enrolamentos de três ou mais fases;
• Sensor de posição do rotor;
• Circuito eletrônico para controlar as fases do enrolamento de estator;
Um motor CC sem escovas opera pela ativação de uma bobina de estator de cada vez,
com uma tensão CC constante. Quando uma bobina é energizada, ela produz um campo
magnético de estator 𝑩𝒔 , que por sua vez induz um conjugado no rotor que é dado por:
𝜏𝑖𝑛𝑑 = 𝑘𝑩𝒓 × 𝑩𝒔 (1)
Isso tende a alinhar o rotor com o campo magnético do estator. No instante mostrado na
Figura 06, o campo magnético 𝑩𝒔 do estator aponta para a esquerda, ao passo que o campo
magnético 𝑩𝒓 do rotor aponta para cima, produzindo um conjugado anti-horário no rotor. O
resultado disso, é o movimento de rotação do rotor para a esquerda.
Se a bobina a permanecesse energizada o tempo todo, o rotor giraria até que os dois
campos magnéticos estivessem alinhados então pararia. A chave de funcionamento de um
motor sem escovas é que ele tem um sensor de posição, de modo que o circuito de controle
sabe quando o rotor está quase alinhado com o campo magnético do estator. Nesse momento,
a bobina a é desligada e a bobina b é ligada, fazendo com que o rotor volte a ter novamente
um conjugado anti-horário e continue a girar. Esse processo continua infinitamente com as
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bobinas sendo ligadas na ordem a, b, c, d, - a, -b, -c, -d, etc., de modo que o motor gira
continuamente [6].

Figura 06: Um motor CC sem escovas simples e sua unidade de controle [6]

A eletrônica do circuito de controle pode ser usada para controlar a velocidade e o sentido
de rotação do motor. O resultado de um motor construído desse modo é que ele opera a partir
de uma fonte CC, com controle total sobre a velocidade e o sentido de rotação.
Os motores CC sem escovas estão disponíveis apenas em tamanhos pequenos, até em
torno de 20W, apresentando diversas vantagens nessa faixa de potências disponíveis.
Algumas vantagens são:
• Alta eficiência;
• Maior durabilidade;
• Manutenção mínima;
• Baixo ruído;
• Altas taxas de velocidade, acima de 50.000 rpm;
A principal desvantagem é que um motor CC sem escovas é mais caro que um motor CC
com escovas, devido a utilização de dispositivos MOSFET de alta potência na fabricação do
controlador eletrônico de velocidade [6].
Os motores CC sem escovas podem ser aplicados em toda função que seja feita pelos
motores CC com escovas, na maioria das áreas comuns de uso. No entanto, estes motores
dominam muitas aplicações existentes em computadores, tais como dispositivos de
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movimentação dos HDs, CDs e DVDs. Também são utilizados na refrigeração dos PCs por
meio dos coolers que usam, na maioria das vezes, os motores CC sem escovas.

2.2.1. Acionamento e controle de motores CC sem escovas

Os motores sem escovas apresentam um controle preciso de velocidade e posição do rotor.


Tipicamente, este é realizado com o uso de inversores de fase (vide Figura 07), em que ocorrem a
chamadas seis etapas da comutação, sendo que a sequência de fases é CB-AB-AC-BC-BA-CA,
conforme ilustrado na Figura 08. O intervalo de cada etapa é de 120° elétricos.

Figura 07 – Circuito da ponte inversora trifásica [9]

Para produzir o máximo torque, o inversor deve comutar a cada 60 graus, assim a
corrente estará em fase com a FCEM. O tempo de comutação é determinado pela posição do
rotor, que pode ser feita através de sensores (de efeito Hall, encoders ou resolvers) ou
estimada através de parâmetros do motor, ou seja, sem o uso de sensores, como por exemplo,
a força contra eletromotriz (FCEM) na bobina não energizada.
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Figura 08 – Forma de onda da corrente por fase e chaves em condução [9]

2.2.2. O sensor de efeito Hall

O sensor Hall é um dispositivo capaz de detectar fluxos magnéticos, servindo para


estimar a posição do rotor, pois para girar corretamente, as bobinas do estator devem ser
energizadas em uma sequência correta. Quando os polos magnéticos do rotor passam perto do
sensor Hall, é gerada uma tensão alta ou baixa no sensor, indicando polo N ou polo S.

Figura 09 – Sensor Hall: a) funcionamento; b) diagrama de blocos do circuito integrado [8]

Normalmente os motores CC sem escovas são construídos com três sensores Hall
localizados no eixo do rotor próximo aos polos, um por fase. Baseando-se nesta combinação
de três sensores Hall, a sequência exata da comutação pode ser determinada.
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Figura 10 – Seção transversal de um motor CC sem escovas com os sensores Hall instalados [10]

A cada 60º elétricos de rotação, um dos sensores Hall muda de estado. Partindo deste
princípio, leva-se seis etapas para completar um ciclo elétrico. Em sincronia com cada 60
graus elétricos, a fase da corrente deve mudar no enrolamento do estator. Entretanto, um ciclo
elétrico não corresponde a um giro completo do motor. Para se ter uma volta completa do
motor deve-se levar em consideração o número de par de polos do motor. Para cada par de
polos do motor um ciclo elétrico é completado, portanto o número de ciclos elétricos / rotação
é igual ao número de par de polos do rotor.

2.2.3. Encoders

Nos encoders óticos uma luz passa pela área transparente de uma grade e é captada por
um fotodetector. Para aumentar a resolução, uma fonte de luz colimada é usada e uma
máscara é colocada entre a grade e o detector. A luz só chega ao sensor da seção transparente
da grade e da máscara se estiverem alinhadas, como mostra a Figura 11. Há dois tipos de
encoders óticos: absolutos e incrementais.
Figura 11 - Encoder óptico: 1-fonte de luz; 2-grade; 3-máscara; 4-detector de luz [8].
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Em um encoder incremental um pulso é gerado por um incremento dado pela posição


angular do eixo que é determinada pela contagem dos pulsos de saída somados ou subtraídos
de uma posição de referência. Seu disco tem uma única faixa de perfuração. Caso haja um
eventual desligamento de sua alimentação, o encoder incremental perde sua referência e deve
ser retornado para a posição inicial de referência.
O encoder absoluto é um verificador de posição que gera uma única informação a cada
posição angular do eixo. Devido a um determinado número de canais de saída, toda posição
angular do eixo é descrita por seu próprio e único código.
Um encoder absoluto não é um dispositivo contador como o incremental e não perde sua
informação de posição com seu desligamento.

2.2.4. Resolvers

Um resolver é um transformador rotativo eletromecânico que fornece saídas em formas


de funções trigonométricas de suas entradas. Para detecção da posição do rotor de um motor
CC sem escovas, o enrolamento de excitação, ou primário é acoplado ao rotor do resolver e os
enrolamentos de saída, ou secundários são posicionados no núcleo do estator a uma
determinada distância angular entre si. Como resultado, os sinais são formas de onda
senoidais em quadratura, ou seja, uma onda é uma função senoidal do ângulo de
desalinhamento θ e a segunda onda é uma função cossenoidal de θ, conforme a Figura 12.

Figura 12 - Princípio de funcionamento de um resolver [8]

Para cada volta do rotor, é gerado um ciclo elétrico por cada saída do resolver. Tais sinais
analógicos de saída são convertidos para a forma digital para que possam ser utilizados no
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sistema de posicionamento. A diferença entre as duas formas de onda indica a posição do


rotor. A velocidade do motor é determinada pelo período das formas de onda geradas e a
direção de rotação é obtida da defasagem entre as formas de onda. É comum o uso de um
sistema de acoplamento magnético para fornecer a tensão ao enrolamento de excitação do
resolver, localizado no rotor, no lugar de escovas e anéis deslizantes.

2.2.5. A força contra-eletromotriz (sensorless)

Quando um motor sem escovas está girando, cada bobina gera uma tensão conhecida
como força contra eletromotriz (FCEM), a qual se opõe à tensão da fonte de acordo com a lei
de Lenz. A polaridade da FCEM tem direção oposta à tensão da fonte. Esta força depende
principalmente de três fatores:
• Velocidade angular;
• Campo magnético gerado pelo rotor;
• Número de espiras do enrolamento do estator.
A diferença de potencial em um enrolamento pode ser calculada subtraindo-se o valor da
tensão da FCEM da tensão da fonte. Os motores CC sem escovas são projetados com uma
tensão FCEM constante de forma que quando estão rodando em uma velocidade constante, a
diferença de potencial entre a FCEM e a tensão da fonte será suficiente para que a corrente
flua pelo enrolamento e forneça torque ao motor. Se o motor roda além da velocidade taxada,
a tensão FCEM deve aumentar substancialmente, diminuindo a diferença de potencial no
enrolamento, reduzindo o fluxo de corrente o qual resulta em uma queda na curva de torque.
O último ponto sobre a velocidade do rotor é quando a tensão da fonte é igual à soma da
FCEM e as perdas no motor. Isso resulta em corrente e torque iguais a zero.
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Figura 13 – Diagrama de blocos de um motor sem sensores [10]

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do que foi tratado, podemos perceber o quanto é satisfatório o uso de motores
CC sem escovas em comparação ao motor CC com escovas. Apesar de ter um custo maior, os
motores CC sem escovas podem ser utilizados em equipamentos em que o espaço é reduzido,
e ainda assim apresenta uma eficiência muito boa.
Apesar do controle eletrônico dos motores CC sem escovas serem bastante complexos, o
avanço da eletrônica de potência faz com que isso seja cada dia mais acessível, e dessa forma
a utilização desse tipo de motor é cada dia mais viável, principalmente em dispositivos
computacionais e da área de eletrônica.
Os motores CC com escovas são bastante utilizados nos dias atuais, porém, exigem
manutenção constantemente e durante seu funcionamento, ocorre faiscamento nas bobinas.
Então, o motor CC sem escovas surgiu para minimizar esses problemas, pois, sem escovas
não há a necessidade de troca das mesmas, dessa forma não precisa de manutenção
constantemente, e o mais importante, com uma alta eficiência.

BIBLIOGRAFIA BASICA

[1] EMADI, A. Energy-efficient electric motors. 3. ed. New York: Marcel Dekker, 2005a.
[2] WEG INDÚSTRIAS S.A; Características e Especificações de Motores de Corrente
Contínua e Conversores CA/CC. Disponível em: <http://ecatalog.weg.net>
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[3] ESQUEMÁTICO de um estator de um motor CC sem escovas. Disponível em:


<http://edisciplinas.usp.br>. Acesso em: 27 fev. 2018.
[4] FUNCIONAMENTO de um motor CC de dois polos. Disponível em:
<http://www.feiradeciencias.com.br>. Acesso em: 26 fev. 2018.
[5] AZEVEDO SPARTANO, Mateus. Brushless: Princípios e aplicações. Campinas, Ano.
2006 f. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade São Francisco, Campinas, 2006.
[6] CHAPMAN, Stephen J. Fundamentos de Máquinas Elétricas. 5ª. ed. Porto Alegre - RS:
AMGH EDITORA LTDA, 2013. 683 p.
[7] ESQUEMÁTICO de um motor CC sem escovas. Disponível em:
<http://googleimagens/esquematicodeummotorccsemescovas>. Acesso em: 26 fev. 2018.
[8] GIERAS, J. F.; WING, M. Permanent Magnet Motor Technology. First Edition. New
York: Marcel Dekker, Inc, 2002. 589 p.
[9] HENDERSHOT JUNIOR, J. R.; MILLER, T. J. E. Design of Brushless Permanent-
Magnet Motors. First Edition. New York: Oxford University Press, 1994.
[10] MOTORES DC Brushless e AC Brushless. Disponível em:
<http://slideplayer.com.br/slide/4106321/>. Acesso em: 27 fev. 2018.

BIBLIOGRAFIA AUXILIAR
SIEMENS LTDA; Unidade Automação e Controle – Acionamentos e Motores Elétricos.
Disponível em: <www.siemens.com.br/motores>