DANIEL ZARPELON LEOBERTO DANTAS ROBINSON LEME

A NR-18 COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE SEGURANÇA, SAÚDE, HIGIENE DO TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA PARA OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

São Paulo 2008

FICHA CATALOGRÁFICA

Leme, Robinson A NR-18 como instrumento de gestão de segurança, saúde, higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da indústria da construção / R. Leme, D. Zarpelon e L. Dantas. -São Paulo, 2008. 122 p. Monografia (Especialização em Higiene Ocupacional). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Programa de Educação Continuada em Engenharia. 1. Construção civil (Medidas de segurança) 2. Saúde ocupacional 3. Qualidade de vida no trabalho I. Zarpelon, Daniel II. Dantas, Leoberto III. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. Programa de Educação Continuada em Engenharia IV. t.

DANIEL ZARPELON LEOBERTO DANTAS ROBINSON LEME

A NR-18 COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE SEGURANÇA, SAÚDE, HIGIENE DO TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA PARA OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

Monografia apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para a obtenção do título de Especialista em Higiene Ocupacional

São Paulo 2008

a NR-18 ainda não é aplicada e implementada em sua totalidade. em detrimento ao crescimento profissional dos trabalhadores. impossibilitando a modernização e melhoria da produtividade. mas através da aplicação e implementação de suas diretrizes e do Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção é possível avançar nas questões de segurança e saúde. gerenciais e de segurança e saúde. Qualidade de vida no trabalho. com dificuldades em utilizar novas abordagens de gestão: construtivas. porém traz em seu perfil o retrato de um setor desorganizado. buscou-se analisar que embora a NR-18 apresente algumas deficiências. Os canteiros de obras são considerados locais perigosos e com pouca qualidade de vida para os trabalhadores. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. com maior produtividade e melhoria contínua da qualidade de vida para os trabalhadores do setor. por sua vez. o que resultará na redução dos acidentes de trabalho. Apesar de 12 anos de sua publicação. Saúde ocupacional. é uma legislação discutida e aprovada de forma tripartite (empregadores. Palavras-chave: Construção civil (Medidas de Segurança). O setor é caracterizado por seu potencial de empregabilidade e absorção de mão-de-obra não qualificada. que revisada em 1995 traz em seu texto medidas para a melhoria das condições e meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. A NR-18. saúde.RESUMO O principal objetivo deste trabalho é analisar a aplicação e implementação da NR-18 como instrumento de gestão de segurança. Com isto. principalmente nas pequenas construções e nas localidades com pouca fiscalização do trabalho e atuação dos sindicatos dos trabalhadores. . A norma é considerada: detalhista. trabalhadores e governo). minuciosa e técnica por alguns profissionais das áreas de engenharia civil e de segurança e saúde do trabalho.

it was analyzed that. being harmful to the professional improvement of the workers. the NR-18 is still not applied and implemented in its totality. health and security ones. workers and government. which will result in a reduction of work accidents. Key words: civil construction (security measures). mainly in the small constructions and in the places with little work supervision and labor union performance. although bringing in its profile the portrait of a disorganized sector. Such sector is characterized by its potential for employment of workforce which is not qualified. Although it has been 12 years since its publication. it is possible to move forward in the issues concerning health and security through the application and implementation of its rules and the Program of Conditions and Environment of Work in the Construction Industry. although the NR-18 presents some deficiencies. life quality in the work. health. with a bigger productivity and continuous improvement of life quality to the workers of the sector. These difficulties make impossible the modernization and improvement of productivity. The NR-18 is a legislation discussed and approved by the employers. with some difficulties when using new approaches of management: constructive.ABSTRACT The present paper aims at analyzing the application and implementation of NR-18 as an instrument of security management. . occupational health. The places where they work are considered dangerous and with little life quality to the workers. The norm is considered detailed and technical by some professionals from civil engineering area and work security and health area. Based on that. which was revised in 1995 and it brings in its text measures to improve the conditions and environment of the work in the Construction Industry. and work hygiene and life quality to the workers from Construction Industry.

...........................................6.........................1 Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC’s.......4 NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção....................8..............8...3 Estatísticas de Acidentes de Trabalho no Brasil...................1 Análise Setorial da Indústria da Construção......................................... 2...... 3....................... 3..........1 Objetivos...............................................2001 a 2007.......................... 42 43 44 45 47 49 50 52 56 57 59 25 28 28 33 34 36 12 14 14 15 18 21 22 ........................3 Riscos Biológicos........................................2 Estatísticas de Acidente de Trabalho...................................................... 3.................................... 3...............8 Riscos Ambientais na Indústria da Construção............................ 1........... 1.................................5 Autuações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo (NR-18) ....................... 2...................................... REVISÃO DE LITERATURA... 3...............1 Acidentes de Trabalho.............................................2 Justificativa........2 Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s.................... 3......................................................................................................................... METODOLOGIA...................................................................8....................4 Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção..... 2....7 Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho.5 Riscos de Acidentes ou Mecânicos................................................ 3...................... 3....................................................................2 Conceito Legal do Acidente de Trabalho............................................3 Conceito Prevencionista do Acidente de Trabalho........................ 3...........................................................6.......8......... 3...........8........... 3............... 3................ 3........ 2......4 Riscos Ergonômicos.... INTRODUÇÃO..............2 Riscos Químicos...... 3..... 3........................................................1 Riscos Físicos.... 2...........................................................................................................................................................................6 Metodologias de Proteção............SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE QUADROS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LISTA DE SÍMBOLOS 1......................... 3.........................

...1..............................................................3.......................................5 Fechamento e Alvenaria.........5 Propostas de Revisões na NR-18.......................... 4....................................................9.....................................3. 4..........................................3 Alojamento............................. 4.......................... 6............................ 4...............................................1.............. 3....... 3...... 3......................................2 A Aplicação Prática da NR-18 nos Canteiros de Obras..............3.......9.......................................5 Cozinha...............2 Movimentação de Terra.........................1..................................1............................3........1 A Implementação da NR-18 como Instrumento de Gestão de Saúde.................. 3........... 4.....9.........1 Dimensionamento das Áreas de Vivência.....3 Qualidade de Vida na Indústria da Construção – Áreas de Vivência......................6 Lavanderia................... 3........................ Segurança e Higiene do Trabalho.......3........2 Vestiário............................................................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................................4 Coberturas......................7 Máquinas de Elevação................... 4...........1 Instalações Sanitárias.....9......................................... RESULTADOS E DISCUSSÕES............... 4...................... 3.......... 5............ 4.......................1 Demolição....................................... 4................................................1....... 4.................... 4................................1................3................. CONCLUSÕES...............................4 Local para as Refeições...........................................................4 A Aplicação e Implementação da NR-18 nos Canteiros de Obras............................................................3.........8 Ambulatório...........................................3........................................... 7...... 4.............. 3................................................................................................................................... RECOMENDAÇÕES.......... 4.........9..... 4...............9..............................3........................6 Instalações e Acabamentos.......................7 Área de Lazer....................................... 4.....3 Fundações e Estruturas................................................9 Reconhecimento dos Riscos na Indústria da Construção por Fase da Obra................. 85 87 88 89 90 91 93 94 94 95 97 100 104 106 108 79 83 60 61 63 66 70 72 74 76 79 ...........................3.........9............................1.......1................................................................................

.... Área de lazer organizada no canteiro de obra............................................................................ Vestiário com armários individuais............................................... Operação de Cobertura de Telhado................................................................................................................................................. Fornecimento de vestimenta de trabalho e EPI’s........ Canteiro de Obra que não implementa a NR-18................ Grua................. Operação de Concretagem.................................. Ambulatório..................... Lavatório e Mictório.................. Piso provido de estrados de madeira......................................................................................... Andaime Tubular Móvel.................. Televisão colocada no refeitório................... Local destinado às refeições (refeitório).............................................. Fornecimento de vestimenta de trabalho.................................. Movimentação de Terra e Terraplenagem........................................ Serra Circular de Bancada.................................. 53 63 66 66 70 70 72 72 74 75 77 77 83 83 88 88 89 89 90 91 92 92 92 94 95 95 96 96 96 96 ....... Obra de Demolição.................................................. Lavatório instalado dentro do refeitório.......................................................................................... Lavanderia com tanques coletivos................................................................. Vaso Sanitário.............................................. Quadro de Força em Canteiro de Obras...................................................................................LISTA DE FIGURAS Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12 Figura 13 Figura 14 Figura 15 Figura 16 Figura 17 Figura 18 Figura 19 Figura 20 Figura 21 Figura 22 Figura 23 Figura 24 Figura 25 Figura 26 Figura 27 Figura 28 Figura 29 Figura 30 Relação Comprimento X Diâmetro de Partícula............................... bancos e iluminação natural Alojamento em canteiro de obra................. Elevador com Sistema de Pinhão e Cremalheira............................. Medicamentos destinados a primeiros socorros....................................................... 1 Chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores... Operação de Bate-estacas..................................................................................... Operação de Fechamento e Alvenaria Interna................................................................................................................ Canteiro de obra que implementa a NR-18............ Aquecimento de refeições.................

..... Tabela 3................Brasil – 2006...13 Tabela 3............................................................São Paulo e Brasil... Tabela 3...... Riscos Químicos na Indústria da Construção................ Tabela 3.....................5 N° de Trabalhadores da Indústria da Construção – Brasil e São Paulo – 1999 a 2006.......................... segundo a posição na ocupação no trabalho principal .....................................................4 Acidentes de Trabalho ocorridos no Brasil..................................9 Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006...............................2 PIB Brasil e participação da Indústria da Construção Civil no PIB 2004 a 2006....... Tabela 3.... Tabela 3........................ de 1999 a 2006....1 Distribuição dos trabalhadores do setor de Construção...........12 Tabela 3........... Riscos Biológicos na Indústria da Construção............................................ 43 51 54 56 41 41 40 40 39 39 36 33 30 29 ................LISTA DE TABELAS Tabela 3.............................8 Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006......................... segundo classe de atividade em 2006 ........... Tabela 3........................... Tabela 3............7 Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – Afastamentos e Incapacidades de 1999 a 2006.......................................................................... Tabela 3.........................................................14 Riscos Físicos na Indústria da Construção..........................3 Distribuição dos ocupados na construção....... Tabela 3.................................11 Subitens mais autuados da NR-18 pelo MTE no Estado de São Paulo .....................10 Taxa de Mortalidade – Brasil e Estado de São Paulo – 1999 a 2006........... Tabela 3.................1999 a 2006........... Tabela 3......6 Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – 1999 a 2006...

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACGIH ADC American Conference of Governmental Industrial Hygienists Investigação e Análise de Acidentes de Trabalho Pelo Método da Árvore de Causas AF ANS APAEST Acidente Fatal Agência Nacional de Saúde Suplementar Associação Paulista de Engenheiros de Segurança do Trabalho ART AT CAT CBO CID CIPA CF/88 CLT CNAE CONAMA CNTI CPN Anotação de Responsabilidade Técnica Acidente de Trabalho Comunicação de Acidente de Trabalho Código Brasileiro de Ocupações Código Internacional de Doença Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Consolidação das Leis do Trabalho Código Nacional de Atividade Econômica Conselho Nacional do Meio Ambiente Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria Comitê Permanente Nacional Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção CPR/SP Comitê Permanente Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção do Estado de São Paulo CREA/SP Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado de São Paulo CTPP CTPS DOU EPC’s EPI’s EPR FAP Comissão Tripartite Paritária Permanente Carteira de Trabalho e Previdência Social Diário Oficial da União Equipamentos de Proteção Coletiva Equipamentos de Proteção Individual Equipamento de Proteção Respiratória Fator Acidentário Previdenciário .

Silvicultura. Exploração Florestal e Aqüicultura NTEP OIT OMS ONU PAIC PCMAT Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Organização das Nações Unidas Pesquisa Anual da Indústria da Construção Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na .Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA NR-15 NR-17 NR-18 Norma Regulamentadora – Atividades e Operações Insalubres Norma Regulamentadora – Ergonomia Norma Regulamentadora .FETICOM-SP Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo FGTS GPL IBGE MS IN INSS MPAS MTE NR NR-4 Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Gás Liquefeito de Petróleo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística Ministério da Saúde Instrução Normativa Instituto Nacional de Seguro Social Ministério da Previdência e Assistência Social Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Norma Regulamentadora – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT NR-5 Norma Regulamentadora – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA NR-9 Norma Regulamentadora .Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho NR-31 Norma Regulamentadora – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura. Pecuária.Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção NR-24 Norma Regulamentadora .

Indústria da Construção PCMSO PED PIB PPP PPRA PTA PVC SAT SEBRAE/RJ Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional Pesquisa de Emprego e Desemprego Produto Interno Bruto Perfil Profissiográfico Previdenciário Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Plataforma de Trabalho Aéreo Poli Cloreto de Vinila Seguro de Acidente de Trabalho Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro SESMT Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho SINDUSCON-SP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo SGSST SST Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho Segurança e Saúde do Trabalho .

LISTA DE SÍMBOLOS m2 µm Metro quadrado Micrômetro .

as quais se sobressaem pela beleza. Por tais características. há bastante tempo. a Cidade de Brasília e o Estádio do Maracanã (Sampaio. a Rodovia dos Imigrantes. pois a cada obra as equipes são mobilizadas e desmobilizadas.12 1. HEINECK. 1998a). e o processo de transformação cultural para empresários. valendo o Certificado Ambiental ISO-14001 à Concessionária ECOVIAS (JORNAL PERSPECTIVA. trabalhadores e entidades envolvidas devem ser sistematicamente incorporados no cotidiano das pessoas e das instituições e ao processo produtivo da Construção Civil (SINDUSCON/SEBRAE. . seja na área de pessoal (SAMPAIO. em todo o mundo. 2006). em que desde quando o homem vivia em cavernas até os dias de hoje passou por um grande processo de transformação. 1998a). aliada a sofisticadas práticas de gestão ambiental. 2002). Nos últimos 200 anos grandes obras foram construídas. a integridade física do trabalhador e a continuidade ao trabalho de prevenção de acidentes na construção civil é um desafio. 115. e sofrendo com a pouca profissionalização da sua mão-de-obra. A construção civil representa um dos segmentos empresariais de maior absorção de mão-de-obra e forte poder econômico que gera grande oportunidade de emprego. por utilizar soluções tecnológicas inéditas. está sujeito a riscos devido às suas singularidades características de indústria sem linha de montagem e destinada a gerar produtos sem as condições aparentemente mais seguras das fábricas industriais. A obra foi construída em quatro anos e três meses e inaugurada 150 dias antes do prazo contratual. ed. 1998a). de equipamentos. como também pelo arrojo do projeto (SAMPAIO. PROTEÇÃO. pela dificuldade de construção. Esta exigiu investimentos de U$ 300 milhões e transformou-se em referência para a engenharia nacional. 2003 apud GONÇALVES. INTRODUÇÃO A Indústria da Construção é um dos ramos de atividade mais antigos do mundo. seja na área de projetos. a Indústria da Construção tem se destacado na geração de acidentes do trabalho (POZZOBON. pelo custo. de materiais. com construções que atualmente são símbolos de muitas cidades e países. No Brasil podem-se destacar como grandes obras a Hidroelétrica de Itaipu. O setor. Com característica de não continuidade do processo industrial. 2006). e mais recentemente a construção da pista sul da Rodovia dos Imigrantes. pelo tamanho.

opera sob intensa pressão de tempo e custos.MPS (Brasil. no qual 33. a qual é emitida para os trabalhadores que possuem registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social .OIT. como a perda de membros ou a redução da capacidade de trabalho. Heineck (Proteção. pois de acordo com a Organização Internacional do Trabalho . De acordo com Ministério da Previdência Social . O setor possui algumas características que desafiam a melhoria das condições de Segurança e Saúde do Trabalho . 2001).SST. entre eles pode-se citar a subnotificação. no ano de 2006 foram registrados 31. a não emissão do documento e o fato de que aproximadamente 70% dos trabalhadores do setor não contribuem para a Previdência Social (DIEESE. excesso de jornada de trabalho. baixa qualidade de vida nos canteiros de obras e pouco investimento em SST e formação profissional (NASCIMENTO. As estatísticas resumem-se às ocorrências informadas através da Comunicação de Acidente de Trabalho . De acordo com Barkokébas Jr. precariedade na contratação de trabalhadores.417 de trajeto e 965 doenças ocupacionais. diminuindo o número dos registros e ocorrências acidentárias no setor. pois apresentam diversos riscos devido à mutação constante do ambiente de trabalho e a confusão que se faz em acreditar que o provisório significa improvisado. 2002). 3.13 Para Pozzobon. Vários fatores contribuem para a falta de informação e o não preenchimento da CAT. respondendo por elevado índice de acidentes graves e fatais e suas conseqüências incapacitantes. no qual cada canteiro de obras tem a sua . terceirização. a Indústria da Construção brasileira é. 2008).CTPS. 2006).529 Acidentes de Trabalho – AT no setor da construção.CAT. igualmente detentora de significativa contribuição no perfil acidentário nacional. emprego intensivo de mão-de-obra. 2007). no Brasil estima-se que as ocorrências provocadas por AT podem ser multiplicadas por três. as condições e meio ambiente de trabalho na construção civil podem ser citadas como fator de risco para a ocorrência de acidentes. entre elas: transitoriedade de processos e instalações. et al (Proteção. sendo 27.147 típicos. O setor da construção possui um alto índice de acidentes graves e fatais.30% dos acidentes registrados no ano de 2006 referem-se às ocorrências com lesões mais graves ou que geraram algum tipo de incapacidade.

deve-se ter em mente que promover a Segurança do Trabalho é economicamente vantajoso. não só por ser exigência legal estabelecida pela Portaria n° 3. O trabalho também se propõe a analisar a que riscos ambientais os trabalhadores da Indústria da Construção podem estar expostos. bem como gerar subsídios para que a melhoria da SST seja um processo contínuo e duradouro. bem como contribuir para a formação de opiniões críticas dos profissionais do setor. . 1995) como instrumento de gestão de segurança. 2007). saúde. 1. et al (Proteção. 1978). e se aplicada resultará em menor custo econômico e humano. além de ser obrigação legal e moral devido aos aspectos sociais envolvidos. pode causar danos a todos os segmentos: empresas. e estimular outros pesquisadores a buscarem maior entendimento sobre o tema. trabalhadores e sociedade. saúde. higiene ocupacional e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. 1995) estabelece para sua prevenção. 1995) como instrumento de gestão de segurança.2 Justificativa A discussão da NR-18 (Brasil. segundo Barkokébas Jr. 1. através da bibliografia pesquisada para a melhoria das condições de trabalho na Indústria da Construção. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. Ainda. analisar a aplicação e implementação da Norma Regulamentadora 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (Brasil. e que medidas a NR-18 (Brasil. o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.1 Objetivos O trabalho tem como objetivo geral.214 (Brasil.14 particularidade. Espera-se contribuir. foi escolhido no intuito de valorizar a aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. mas para proporcionar uma visão crítica dos benefícios que podem ser produzidos para a redução dos acidentes de trabalho. as obras de edificações levam a mudança constante do ambiente de trabalho.

214 de 8 de junho de 1978.514 de 22 de dezembro de 1977. 1943). rurais. 1943) e estabelece princípios mínimos relativos à Segurança e Medicina do Trabalho.514 (Brasil. a qual atinge os trabalhadores urbanos. que traz em sua revisão ocorrida no ano de 1995 avanços significativos para a melhoria dos ambientes de trabalho. 1995). 1977). sendo que atualmente existem 33 NR’s As ações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção devem seguir as diretrizes estabelecidas pela NR-18 (Brasil. Na década de 70. a qual aprova as Normas Regulamentadoras – NR’s relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. que. Atualmente a portaria contempla 33 (trinta e três) NR’s.15 2. sob a dependência deste e mediante salário. De acordo com a CLT (Brasil. Saurin (1997) reconhece que a revisão da NR-18 (Brasil. individual ou coletiva. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. A CLT (Brasil. quando não de regimes próprios de proteção ao trabalho. aprovada pelo Decreto Lei n° 5. admite. com a necessidade de reduzir o número de Acidentes de Trabalho é publicada a Lei n° 6. com a finalidade de proteger a vida e a saúde dos trabalhadores.452. dos Estado e dos Municípios. Com a finalidade de atender a Lei n° 6. no qual ele espera que a norma atue como agente 1 Conforme a CLT (Brasil.214 de 8 de julho de 1978 estabelecem as condições mínimas de SST que devem ser aplicadas e implementadas nos ambientes de trabalho no Brasil. REVISÃO DE LITERATURA A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. 1995) representa um avanço importante no sentido de que o problema de segurança seja tratado seriamente pelas empresas. estes. a qual altera o Capítulo V do Título II da CLT (Brasil. 1943) é o estatuto que regula as relações de capital e trabalho no Brasil. domésticos e funcionários da União. As Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho – NR’s aprovadas pela Portaria n° 3. a qual estabelece os direitos e deveres do empregador 1 e do empregado 2 . de 1 de maio de 1943 (Brasil. considera-se empregador a empresa. 2 . assumindo os riscos da atividade econômica. o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE publica a Portaria n° 3. considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. 1943). 1943) estabelece como preceito as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho no Brasil.

2003) durante a elaboração do PCMAT. projetistas. mestres-de-obras e encarregados (SAMPAIO. máquinas e equipamentos sem proteção. sendo que os riscos devem ser previstos e controlados no processo de execução de cada fase da obra (SAMPAIO. os riscos de acidentes de trabalho devem ser priorizados.PCMSO e a análise ergonômica dos postos de trabalho. deve-se priorizar o envolvimento de todos os profissionais que terão responsabilidade direta pelo resultado do programa: direção da empresa. Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional . 1998b). queda de altura. principalmente os relacionados com elevadores.PPRA. A prevenção dos riscos. O PCMAT deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil. lesões perfurantes. gerentes. em que deve existir interface com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais . 1998a). a informação e o treinamento dos operários podem ajudar a reduzir as chances dos acidentes e reduzir suas conseqüências quando são produzidos. médicos do trabalho. 1998a). na qual esta mudança rápida é mérito do Comitê Permanente Nacional – CPN e dos Comitês Permanentes Regionais – CPR’s. no qual as doenças do trabalho são aspectos importantes na elaboração do programa. soterramento e choque elétrico. Em sua elaboração. Para Saurin (1997) a NR-18 (Brasil. e prioriza as questões voltadas ao projeto e aos métodos de execução da obra (SAMPAIO. de tal modo que se dispense à segurança a mesma importância dispensada aos assuntos da produção.16 difusor de uma nova consciência sobre o assunto. 1994). A norma é dinâmica e tem evoluído de acordo com as inovações tecnológicas da Indústria da Construção. a qual ainda está bastante atrasada em relação aos países desenvolvidos. engenheiros e técnicos de segurança. O PCMAT tem como objetivo principal garantir a saúde e a integridade dos trabalhadores. 1995) é prescritiva e limitada. Considera-se importante à necessidade de elaborar e implementar o Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT e observa que as exigências do programa pode ser um excelente ponto de partida para a elaboração de programas abrangentes de segurança do trabalho (SAURIN. orçamentistas. engenheiros de produção. Segundo Sherique (Proteção. o qual visa preservar a saúde e a integridade dos trabalhadores através da . que são reflexos do atual estágio da normalização técnica no Brasil. 1997).

O PPRA deve contemplar obrigatoriamente os riscos físicos. químicos. porém existem vários pontos que devem ser revistos. quanto às principais áreas de risco (SESI. avaliação e controle dos riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho. SERRA. Em relação aos riscos ergonômicos. Pontes (Proteção. e conseqüentemente. inerentes ou não ao processo produtivo. sendo estas responsáveis por garantir as boas condições humanas para o trabalho. o número de acidentes do trabalho (MENEZES. 1994). 1995) mudou o perfil de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção. Outro aspecto discutido após a reedição da NR-18 (Brasil. químicos e biológicos. 2003). reconhecimento. 3 O mapa de riscos é a representação gráfica dos riscos: físicos. além de identificados. de fácil visualização e afixado em locais acessíveis no ambiente de trabalho. influenciando o bem-estar do trabalhador. Para Araújo (Proteção. 1995) e em sua aplicação e implementação nos canteiros de obras (PEREIRA. 2005). PROTEÇÃO. Paiva (Proteção. com a finalidade de avaliar as condições ambientais e de organização dos postos de trabalho com as características psicofisiológicas dos trabalhadores. mas também refletem na produtividade da empresa. devido ao ônus que ela provoca no custo final do empreendimento. As Bancadas que compõem os comitês tripartites e os profissionais da área de Segurança e Saúde do Trabalho devem ter uma participação mais efetiva na discussão da NR-18 (Brasil. os quais atingem a qualidade de sua implementação e a forma descritiva e detalhada de seu texto. através da elaboração do PPRA. 2005) a NR-18 (Brasil. Ramalho (Proteção. 1995) é em relação à dificuldade de aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. para informação e orientação de todos os que ali atuam e de outros que eventualmente transitem pelo local. deve ser elaborada uma análise ergonômica do trabalho. no qual os riscos ergonômicos e de acidentes podem ser inseridos no programa. As áreas de vivência é uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores da Indústria da Construção. não só garantem a qualidade de vida. ou serem identificados através do Mapa de Riscos 3 .17 antecipação. As áreas de vivência para a qualidade de vida dos trabalhadores da Indústria da Construção. biológicos e ergonômicos presentes nos locais de trabalho. condições de higiene e integração dos operários na sociedade. 2005). 2005). 2005). . 2005) e Rosa (Proteção.

porém não garante a redução de acidentes e doenças ocupacionais (PROTEÇÃO. apresentou a redução de 97% nos riscos de acidentes de trabalho. ao lado dos métodos e formas de produção. deixando alguns setores da Indústria da Construção descobertos. a autora cita que o custo de implementação da NR-18 (Brasil. 2. como fenômeno social ampliado e reconhecido. 2005) em uma empresa de grande porte. o que confirma a eficácia dos investimentos para a implementação de sistemas de gestão.18 Em pesquisas realizadas por Araújo (2002). bem como a sociedade pode apresentar suas propostas de melhoria e alteração da norma através do CPN e dos CPR’s (PROTEÇÃO. 2007a). o passivo trabalhista da empresa que em 2003 atingiu a cifra de R$ 305 mil. excedente em valor. et al (Proteção. porém.1 Acidentes de Trabalho O acidente de trabalho convive com toda a história da humanidade. em contrapartida um canteiro bem organizado e planejado pode levar a uma economia de 10%.5% do custo total da obra. como a construção pesada. Porém. 2000 apud GONÇALVES 2006). 2007). terceiros. . 1995) não ultrapassa 1. 2007b). De acordo com Barkokébas Jr. é fruto do capitalismo que pode ser entendido como uma forma de organização econômica da sociedade que se fundamenta no trabalho livre e na extração de mais-valia. Segundo os autores. 1995) foi pensada e elaborada para atender as obras de construção civil. a implementação das diretrizes sobre sistemas de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho – ILO-OSH 2001 (FUNDACENTRO. A NR-18 (Brasil. porém. apropriada pelos proprietários dos meios de produção (BAUMECKER. A certificação das organizações em Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho – SGSST pode auxiliar as empresas a darem maior confiabilidade às partes interessadas (colaboradores. sociedade) de que existe um comprometimento com a Segurança e Saúde do Trabalho e que é dada ênfase à prevenção. em 2005 chegou a R$ 18 mil. fruto do trabalho. entende-se que os profissionais da área de engenharia e SST.

19 As determinações que incidem sobre a saúde do trabalhador na contemporaneidade estão fundamentalmente relacionadas às novas modalidades de trabalho e aos processos mais dinâmicos de produção implementados pelas inovações tecnológicas e pelas atuais formas de organização do trabalho (RBSO, FUNDACENTRO, 2007). Profundas transformações que vêm alterando a economia, a política e a cultura na sociedade por meio da reestruturação produtiva e do incremento da globalização, entre outros motivos, implicam também mudanças nas formas de gestão do trabalho que engendram a precariedade e a fragilidade das questões que envolvem a relação entre saúde e trabalho e as condições de vida dos trabalhadores (RBSO, FUNDACENTRO, 2007). Os acidentes de trabalho constituem o principal evento mórbido entre os trabalhadores brasileiros no exercício do seu ofício. A morte de indivíduos causada por acidentes de trabalho, em plena fase produtiva de suas vidas, traz corrosivas repercussões para a qualidade de vida de suas famílias e, por extensão, para a economia brasileira (WÜNSCH, 1999 apud GONÇALVES, 2006). No Brasil, já no início da década de 70, quando as atenções se voltaram para a construção da Ponte Rio-Niterói, o país conquistou o triste recorde de detentor da maior taxa mundial de acidentes fatais na construção civil (PROTEÇÃO, 2005). Em 1972, quase 1/5 da força de trabalho formal, ou seja, trabalhadores inscritos na Previdência Social, havia se acidentado, e isso foi a pior marca na história acidentária do Brasil (USP, 2007f). Diante dos números elevados de Acidentes do Trabalho, o Governo Federal promulgou a Lei n° 6.514 (Brasil, 1977), que deu a redação atual aos artigos 154 a 201, que constituem o Capítulo V: Da Segurança e da Medicina do Trabalho, do Título II: Das Normas Gerais de Tutela do Trabalho da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT (Brasil, 1943). A partir da alteração da CLT (Brasil, 1943), inicia-se a intensificação em escala nacional dos cursos de formação de profissionais em SST, os quais devem compor os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, que ao exemplo das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes - CIPA’s, devem ser organizados e mantidos em funcionamento nas empresas públicas e privadas que possuam empregados sujeitos ao regime da CLT,

20 conforme o grau de risco e o número de empregados que possuam, sempre objetivando a prevenção dos infortúnios laborais. No Brasil, o Sistema de Seguro de Acidente de Trabalho tem o monopólio Estatal, através do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, com a taxação da empresas de acordo com a probabilidade de ocorrer acidente de trabalho para aquela atividade econômica (USP, 2007c). Com a publicação do Decreto n° 6.042 de 12/02/2007, que altera o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999 cria-se o Fator Acidentário de Prevenção - FPA e do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP. O FPA consiste em um multiplicador variável num intervalo de 0,5 a 2,0 que será aplicado no Seguro de Acidente de Trabalho – SAT, o qual tem seu percentual definido no mesmo Decreto de acordo com a atividade preponderante da empresa, ou seja, se a empresa investe em SST, esta poderá ter sua alíquota reduzida, porém, se ela não coloca esta questão como prioridade terá sua alíquota elevada. O NTEP é a evidência causal entre a doença adquirida pelo trabalhador e o CNAE do segmento econômico a qual pertença, presumindo-se que seja ocupacional àquele beneficio cujo CID (Código Internacional de Doença) possua nexo epidemiológico com o CNAE da empresa empregadora do segurado, sem a necessidade da emissão da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho. A Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT é a principal fonte de informação sobre Acidentes de Trabalho existente no Brasil, a qual é processada pela Previdência Social para fins de benefícios aos trabalhadores acidentados (USP, 2007c). Os sistemas de registro de acidente de trabalho existentes fornecem uma informação não suficientemente explorada. Seu aprofundamento requer estudos interdisciplinares específicos; práticas de vigilância, com busca ativa de casos, identificação e implementação de serviços de referência; análises epidemiológicas e de alternativas tecnológicas, bem como, o dimensionamento das repercussões sociais dos acidentes e, principalmente dos óbitos por acidente de trabalho (MACHADO E GOMEZ, 1994).

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2.2 Conceito Legal do Acidente do Trabalho

Conforme o Art. 2º da Lei n° 6.367 (MPAS, 1976), “Acidente do trabalho é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Integram o conceito de acidente o ato lesivo à saúde física e mental, o nexo causal entre este e o trabalho e a redução da capacidade laborativa. A lesão é caracterizada pelo dano físico-anatômico, ou mesmo psíquico. A perturbação funcional implica dano fisiológico ou psíquico nem sempre aparente, relacionada com órgãos ou funções específicas. Já a doença se caracteriza pelo estado mórbido de perturbação da saúde física ou mental, com sintomas específicos em cada caso. Por seu turno, com a nova definição dada pela nova Lei nº 8.213 (MPAS, 1991), dispõe o Art. 19 deste Diploma Legal, “verbis”:
Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

Analisando os dispositivos em comento infere-se que o conceito é sempre o mesmo. A diferença que se nota está na abrangência que a Lei n° 8.213 (MPAS, 1991) deu a uma classe especial de segurados 4 , até então sem direito aos benefícios pagos pela Previdência Social em caso de Acidentes de Trabalho. É preciso que para a existência do acidente do trabalho exista um nexo entre o trabalho e o efeito do acidente. Este nexo de causa-efeito é tríplice, pois envolve o trabalho, o acidente com a conseqüente lesão, e a incapacidade resultante da lesão. Deve haver um nexo causal entre o acidente e o trabalho exercido. Inexistindo esta relação de causa-efeito entre o acidente do trabalho, não se poderá falar em acidente do trabalho. Mesmo que haja lesão, mas que esta não venha a deixar o
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Conforme a Lei n° 8.213 (MPAS, 1991), como segurados especiais para fins do inciso VII são considerados o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 14 (quatorze) anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. (O garimpeiro está excluído por força da Lei nº 8.398, de 7.1.92, que alterou a redação do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24.7.91).

não haverá direito a qualquer prestação acidentária. 7º “São direito dos trabalhadores urbanos e rurais. ocasionando perda de tempo útil e/ou lesões nos trabalhadores. incluídos os resultantes de acidentes do trabalho.3 Conceito Prevencionista do Acidente de Trabalho O acidente do trabalho definido pelo conceito prevencionista aborda o acidente do trabalho como uma ocorrência não programada. à previdência e assistência social. morte. a cargo do empregador. 1988) “verbis”: Art. o acidente do trabalho tem que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa. mediante contribuição.22 segurado incapacitado para o trabalho. o inciso I do artigo 201. ao tratar da Previdência Social. . Para isso a causa do acidente ou doença tem que ter relação com o trabalho e tem que ser no exercício da atividade para que se tenha relevância jurídica. 1988) tratou o legislador de Seguridade Social destinada a assegurar os seus direitos relativos à saúde. sem excluir a indenização a que este está obrigado. No artigo 194 da CF (Brasil. velhice e reclusão. inesperada ou não. resta-nos entender o que reza o inciso XXVIII do artigo 7º da CF (Brasil. além de outros que visem à melhoria de sua condição social”. atenderão nos termos da Lei. a Lei n° 8. invalidez. trazendo significativas mudanças em matéria de acidente do trabalho. 2. Tem que haver casualidade para que haja infortúnio do trabalho. 1976) no seu art. Por seu turno. doenças profissionais e do trabalho (tecnopatias e mesopatias) e quanto à forma de indenizar a incapacidade laborativa.213 (MPAS. 1991) estabeleceu as regras para o segurado ter direito aos benefícios da Previdência Social. que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade. e/ou danos materiais (GONÇALVES. Na realidade. 2º. Dando uma interpretação legal do acidente do trabalho. XXVIII – seguro contra acidentes do trabalho.367 (MPAS. De acordo com a Lei n° 6. quando incorrer em dolo ou culpa. 2002 apud RAGASSON 2002). a: I – cobertura dos eventos de doença.

ações ou comportamentos dos trabalhadores em desacordo com as normas preventivas e que põem em risco a sua saúde e/ou integridade física. as análises das causas de infortúnio laboral sob a dualidade de condições e atos inseguros encontram-se superada pelos estudiosos da segurança e saúde no trabalho. De acordo com Almeida (1995). predominantemente. o acidente é caracterizado como uma anomalia manifestada no sistema. Ainda. 2000 apud RAGASSON 2002). algumas visões e conceitos do acidente de trabalho contradizem o seu verdadeiro significado e seu entendimento como uma ocorrência multicausal. Certamente. O conceito prevencionista definido por Pandaggis (2003) torna-se mais abrangente na relação existente entre o trabalhador e o meio ambiente de trabalho que este está inserido. insuficiente para a efetiva compreensão da problemática (GONÇALVES. a empresa deve ser considerada como um sistema. É da responsabilidade patronal a eliminação ou a neutralização das condições inseguras existentes nos locais de trabalho (GONÇALVES. possíveis de ocasionar acidentes de trabalho. ou a de outros companheiros de trabalho. Condições Inseguras correspondem às deficiências. 2000 apud RAGASSON 2002). Atos Inseguros são atitudes. Por décadas. no fator humano (GONÇALVES. processo produtivo.23 Segundo Pandaggis (2003). que interligada em toda a sua estrutura organizacional. e sociedade. teriam evitado a ocorrência do infortúnio laboral. as causas acidentárias têm sido agrupadas em duas categorias básicas: Condições Inseguras e Atos Inseguros. portanto. incluindo o trabalhador. segundo o autor. o qual tem a finalidade de amparar o trabalhador na ocorrência de acidentes e doenças do trabalho. máquinas ou equipamentos. posto que muito simplista e. as causas dos acidentes de trabalho têm sido entendidas como as circunstâncias ou os fatores que. aos defeitos ou às irregularidades técnicas existentes nas instalações físicas. Historicamente. Atos inseguros são geralmente definidos como causas dos acidentes que residem. revelando um não funcionamento ou um funcionamento defeituoso do seu processo de produção. se removidos a tempo. tal agrupamento possui relevância para fins didáticos. que desenvolveram várias correntes . 2000 apud RAGASSON 2002). sendo que proporcionará melhores ferramentas para a busca de soluções de prevenção e não coincide com o conceito legal. o qual depende de vários fatores para que este se materialize.

2006). 1994 apud GONÇAVES. Pode-se verificar que no processo iniciado na cadeia de incidentes intermediários descritos no sistema. O método ADC possibilita a identificação de fatores de acidentes na categoria de fatores organizacionais que não estão previstos nas NR’s. MONTEAU. O método também permite visualizar as medidas preventivas que devem ser adotadas para evitar a ocorrência de outros acidentes. e pode vir a constituir ferramenta de contraposição à cultura da culpa. Modelos mais complexos de investigação de acidentes estão associados à conjugação de vários fatores. pode-se utilizar o método de análise como da Árvore de Causas – ADC.24 ou teorias abordando a questão de forma mais abrangente como outros métodos de análise. conseqüentemente. Almeida. os trabalhadores precisam assumir riscos maiores para obtê-los.MS para análise de Acidentes de Trabalho (BLINDER. se acidentam (DWYER. a noção de acidentes. as pessoas têm que ser orientadas a trabalhar mais para ganhá-los. Esse método tem sido recomendado pelo Ministério da Saúde .PIB nos países avançados e o fato de que os custos dos grandes acidentes recaem sobre a sociedade como um todo é outro fator que está influenciando as mudanças. O reconhecimento de que os custos dos acidentes do trabalho de todos os tipos estão estimados em 4% do Produto Interno Bruto . Uma certeza: forças sociais já estão operando para fazer com que o futuro dos acidentes seja muito diferente do seu passado. as pessoas trabalham um número maior de horas do que é seguro. ALMEIDA. tão enraizada nas investigações de acidentes de trabalho. para que os incentivos produzam mais acidentes. excesso de carga horária e incapacidade dos trabalhadores mal nutridos de executar tarefas com segurança. segundo Blinder. No trabalho extra. que propõem uma abordagem sistêmica das causas dos acidentes observando distúrbios funcionais da empresa. Uma das causas da produção de acidente do trabalho é o nível de rendimento de incentivos financeiros. 2003). como árvore de causas. é quando os trabalhadores não têm conhecimentos adequados . Segundo Dwyer apud Gonçalves (2006). trabalham além das suas capacidades físicas e. de sua prevenção e indenização é produto de uma complexa articulação de processos sociais. Monteau (2003). Para que o incentivo seja eficaz. este processo evolui até chegar à lesão do indivíduo. Outro fator que também leva a incidência de acidentes segundo Dwyer apud Gonçalves (2006).

pode-se dizer que seu trabalho está sendo gerenciado pela relação social de desorganização. 1994 apud GONÇAVES. com o título de “Obras de Construção. 2006). 1978). 1995) introduziu inovações conceituais que aparecem a partir de sua própria formulação. necessitando de modificações legais.25 para evitar os efeitos produzidos fora do alcance da própria tarefa. uma mudança neste gerenciamento seria associada a uma mudança na produção de acidentes. devido aos progressos tecnológicos e sociais seu texto tornou-se defasado. Em conseqüência. 2004). quando o salário for suficiente para o sustento adequado. 2. 1995). a relação do autoritarismo produzirá menos acidentes. porém. conduzindo a descentralizar um número crescente de tarefas e condições cada vez menos protegidas a cada vez mais precárias. os sindicatos sendo forte o suficiente para exigir segurança no trabalho. maximizando sua eficácia produtiva e minimizando o custo de trabalho são fatores preponderantes no aumento do número de acidentes de trabalho. Esta teorização é baseada na hipótese de que a gerência do relacionamento entre o trabalhador e os perigos de seu trabalho em cada nível está associada à produção de acidentes naquele nível. Os trabalhadores estarão menos sujeitos ao trabalho extra. O pagamento de prêmios e o aumento de horas extras pelas empresas. pode-se esperar menos falta de qualificação e menos desorganização (DWYER. Como também. A reedição da NR-18 (Brasil. incrementando o número de indivíduos que passam a buscar sua subsistência por meio de um trabalho informal (OLIVEIRA.4 NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção A legislação sobre Segurança e Medicina do Trabalho no Brasil teve um significativo avanço no ano de 1978 com a elaboração e a publicação das Normas Regulamentadoras. Esta norma foi aprovada pela Portaria nº 3. E nas empresas onde o empresário relacionar a prevenção dos acidentes à produtividade. tendo como específica para o setor da construção a NR-18 (Brasil.214 (Brasil. com a inovação da criação dos . Demolição e Reparos” e definia as regras de prevenção de acidentes de trabalho para a Indústria da Construção.

empresas e profissionais.OIT. de planejamento e de organização. cujo objetivo é “estabelecer diretrizes de ordem administrativa.SST na Indústria da Construção. 1995) são colocados em prática através do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção PCMAT. Demolição e Reparos” para “Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção” foram instituídas alterações importantes. o qual implementado contribui para a padronização das instalações de segurança. Os objetivos da NR-18 (Brasil. nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção” (NR-18. sendo estas compostas por representantes dos trabalhadores. Em atendimento a recomendação da OIT. várias reuniões foram realizadas com o objetivo de consolidar todas as propostas de alteração encaminhadas pela sociedade. contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. uma norma foi toda negociada com a participação de 03 bancadas. A discussão NR-18 (Brasil. através de 10 (dez) grupos de trabalho formado por técnicos do Governo (Delegacia Regional do Trabalho) e FUNDACENTRO. onde trabalhadores. uma vez que é a primeira norma discutida e aprovada através de negociação nos moldes prescritos pela Organização Internacional do Trabalho . BRASIL. Atualmente a NR-18 (Brasil. sendo um excelente ponto de partida para a gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . A partir de um modelo técnico. passando para todo o ambiente de trabalho da Indústria da Construção. 1995) sofre alterações constantes que são realizadas através das discussões no Comitê Permanente Nacional – CPN e nos Comitês Permanentes Regionais – CPR’s. 1995) deu-se início em meados de 1994. A norma deixou de abranger apenas os canteiros de obras. empregadores e governo. representada por entidades de classe. Esta nova norma estabelece o seu caráter preventivo.26 Comitês Tripartites. Pela primeira vez no Brasil. 1995). sendo então publicada pela Portaria nº 4 (Brasil. 1995). estas propostas foram rediscutidas em caráter tripartite. os quais são constituídos por Unidades . empregadores e governo apresentaram o texto final para publicação. que objetivam implementar medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos. Com a alteração do título inicial da norma de “Obras de Construção. cujo objetivo comum é a melhoria das Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.

1995) após intensa discussão realizada no CPN e nos CPR’s. fazendo-se emendas ou rejeitando as propostas.27 da Federação. a qual é constituída de forma tripartite e paritária com as principais representações sindicais. a proposta é encaminhada a Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE para ser publicada no Diário Oficial da União e ser introduzida no texto da NR-18 (Brasil. porém todas essas instâncias tripartites discutem o assunto. . patronais e do governo (MTE e FUNDACENTRO). que podem fazer uso da palavra. Essas alterações buscam adequar à implementação da norma nos canteiros de obras. são formados Grupos de Trabalhos específicos que vão discutir exaustivamente o assunto. podendo ser reconduzidos. 1995). devendo estar articulada com o disposto nas demais normas regulamentadoras. A NR-18 é parte integrante de um conjunto mais amplo de iniciativas no sentido de preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores. mas não tem direito a voto. Cada bancada pode convidar para as reuniões três assessores técnicos. Depois de aprovada a proposta pelos CPR’s e CPN. A CTPP foi criada pela Portaria SSST/MTb n° 02 (MTE. Saúde e Medicina do Trabalho acessíveis a toda a sociedade. onde as propostas são advindas dos próprios Comitês Regionais ou do Nacional. Somente depois de discutida e aprovada pela CTPP. adequando-o ao texto técnico da norma e levando em consideração sua aplicabilidade nos canteiros de obras. No âmbito de cada proposta. inclusive com a eliminação de equipamentos que provocam acidentes e podem lesar os trabalhadores. contanto também com a participação de membros dos Ministérios da Saúde e Previdência e Assistência Social. cumprindo um mandato de dois anos. bem como estabelecer condições mínimas de segurança às novas tecnologias que surgem na Indústria da Construção. o texto é encaminhado à Comissão Tripartite Paritária Permanente – CTPP. 1996). Os membros da CTPP tem direito a voz e voto em igualdade de condições. com a finalidade de tornar as discussões de Segurança. As alterações somente são introduzidas no texto da NR-18 (Brasil.

Suas peculiaridades. hidromecânicas. redes coletoras de esgoto. a Indústria da Construção pode ser classificada em três setores distintos: construção pesada. contratando-se empresas especializadas nas diversas etapas da obra. emissários. obras de urbanização e obras diversas. a construção de pontes. VALCÁREL. 2005). túneis. As empresas que se autoclassificam nessa área podem ainda exercer trabalhos complementares e auxiliares como reformas e demolições (LIMA. Dias (2005). Segundo Lima. Nos trabalhos de edificações. barragens hidrelétricas. contenção de encostas. METODOLOGIA O trabalho foi produzido através de pesquisas bibliográficas de forma qualitativa. fundações especiais. porte das . 2005). comerciais. DIAS. temos: montagens de estruturas mecânicas. tratamento e distribuição de água. 2005). captação. DIAS. obras hidráulicas. entre outras. montagem de estruturas metálicas. baixa qualificação profissional. montagem de sistema de exploração de recursos naturais e obras subaquáticas. Resumidamente. DIAS.1 Análise Setorial da Indústria da Construção Numa visão macro-setorial. 3. de serviços e institucionais. A construção pesada compreende as seguintes categorias: obras viárias. o setor de montagem industrial compreende a categoria de obras de sistemas industriais. dutos e obras de tecnologia especial como usinas atômicas. os serviços são normalmente executados por subempreitada.28 3. Pode-se considerar que as principais atividades desse setor compreendem. As edificações compreendem a construção de edifícios residenciais. viadutos. montagem industrial e edificações (LIMA. Valcárel. elétricas. perfurações de petróleo e gás (LIMA. analisando-se a interação que a Indústria da Construção impõe sobre o meio acadêmico e as diferentes opiniões que muitos autores oferecem sobre o tema. montagem de sistemas de telecomunicações. adução. pequena duração das obras e/ou serviços. montagem de sistema de geração. VALCÁREL. transmissão e distribuição de energia elétrica. eletromecânicas. são altos índices de rotatividade de pessoal. VALCÁREL. sobretudo. construção de edificações modulares verticais e horizontais e edificações industriais.

728 Construção de redes de abastecimento de água. Trabalhadores Atividade São Brasil Paulo Incorporação de empreendimentos imobiliários 13.094 Obras de terraplenagem 8. etc (LIMA.562 Demolição e preparação de canteiros de obras 933 6.725 42. além de projetos. apresenta-se à distribuição dos trabalhadores do setor no ano de 2006 no Estado de São Paulo e no Brasil.005 Obras de instalações em construções não especificadas anteriormente 15.342 Montagem de instalações industriais e de estruturas metálicas 23.159 65.030 25. VALCÁREL.29 empresas pequeno.755 Obras de engenharia civil não especificadas anteriormente 38.143 Construção de rodovias e ferrovias 24. coleta de esgoto e 4.255 Instalações hidráulicas. exceto para água e esgoto 560 4.67% da média brasileira.154 112.267 Construção de edifícios 138.134 45. sendo possível observarmos que em São Paulo o setor de Construção de Edifícios emprega 37. VALCÁREL. DIAS.São Paulo e Brasil.830 49.404 15.041 5.075 23.26% do total de trabalhadores. de sistemas de ventilação e refrigeração 9.1 .238 Obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações 18. Tabela 3.258 Instalações elétricas 16. segundo classe de atividade em 2006 . segurança do trabalho.Distribuição dos trabalhadores do setor de Construção.438.ruas.180 45.968 585.713 Fonte: MTE . precarização na contratação dos trabalhadores.615 Obras de urbanização .991 Construção de obras de arte especiais 5. contra 40. marítimas e fluviais 631 3.018 35. dentre as quais se destacam. DIAS.568 Obras portuárias. Além desses três setores.016 Serviços de preparação do terreno não especificados anteriormente 177 1.407 105.508 Total 372.RAIS 2006 Elaboração: DIEESE .986 1. praças e calçadas 9.307 39.560 Serviços especializados para construção não especificados anteriormente 10.110 63. 2005). Nº.384 Obras de acabamento 28. consultorias diversas em qualidade.919 22.714 construções correlatas Construção de redes de transportes por dutos. o que significa que as empresas paulistas terceirizam mais as atividades do setor. 2005). pode-se dizer que há outro setor de serviços especiais e/ou auxiliares que engloba atividades bastante diferenciadas. entre outras (LIMA.224 141. meioambiente.1. Na tabela 3.034 Perfurações e sondagens 1.676 Obras de fundações 6.

30 O segmento da construção é determinante para o desenvolvimento sustentado da economia brasileira. No ano de 2006, o setor foi responsável por 4,68% do Produto Interno Bruto - PIB nacional e ocupou 5.741.064 pessoas segundo dados do IBGE (PNAD, 2006). A dimensão territorial do Brasil, e o tamanho da sua população determinam alto potencial de crescimento, principalmente no ramo das edificações. Observa-se que o crescimento do setor vem ocorrendo ano a ano. Na tabela 3.2, mostra-se à evolução do PIB nacional e do PIB da Indústria da Construção no período de 2004 a 2006, visto que segundo o SINDUSCON-SP (2007) a Indústria da Construção terminará 2007 com o seu melhor nível histórico já registrado nos últimos 20 anos.

2004 2005 2006

Tabela 3.2 - PIB Brasil e participação da Indústria da Construção Civil no PIB 2004 a 2006. PIB indústria PIB PIB Total em construção Indústria da Período R$ (milhões) civil em R$ Construção (milhões) Civil em % 1.941.499,00 84.868,00 4,37% 2.147.239,00 90.217,00 4,20% 2.322.936,00 103.239,00 4,43%

Fonte: Contas Trimestrais Nacionais - IBGE Elaboração: DIEESE

De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção - PAIC (IBGE, 2008), no ano de 2005 existiam no Brasil 105.459 empresas no CNAE 45 (Código Nacional de Atividades Econômicas - Versão 1.0), o qual engloba todo o setor da Indústria da Construção, sendo que 72,66% do total são empresas que possuem até 4 pessoas ocupadas; 20,18% são empresas que tem entre 5 e 29 pessoas ocupadas e somente 7,16% são empresas com mais de 30 pessoas ocupadas, onde 68% dos trabalhadores ocupados no período estão empregados nas empresas com mais de 30 pessoas ocupadas. Segundo o DIEESE (2001), quando se pensa no macro setor da construção civil, incluindo desde os subsetores de materiais de construção às atividades imobiliárias e de manutenção a participação do PIB passa a 14,8%, visto que em outras palavras, pode-se dizer que, a cada 100 postos de trabalho gerados na Indústria da Construção outros 285 são abertos nos demais setores econômicos.

31 O DIEESE (2001), elaborou estudo setorial – “A Reestruturação Produtiva na Construção Civil” que além de informações de âmbito nacional, contém dados comparativos de seis regiões metropolitanas: São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Distrito Federal. Relacionam-se a seguir, alguns dados importantes do estudo que caracterizam o setor. A maior parte das empresas (71%) e dos empregados (72%) atuam na construção de edifícios e obras de engenharia civil, sendo que cerca de 1/3 das empresas e 35,4% dos postos de trabalho encontram-se no Estado de São Paulo. Os vínculos de trabalho são tênues na construção civil, sendo que cerca de 60% dos assalariados estão à margem da legislação trabalhista, sem contar que quase 2 milhões de trabalhadores atuam por conta própria. Em torno de 50% dos trabalhadores do setor ultrapassam a jornada semanal de 44 horas e mais de 22% trabalham mais de 49 horas, isto sem considerar que grande parte da categoria faz trabalhos extras nos finais de semana. Os trabalhadores da construção civil têm baixa remuneração, onde 85% deles ganham menos de 5 salários mínimos e 44% recebem menos que dois salários mínimos. Nas regiões onde a pesquisa de emprego e desemprego é realizada, entre 3,9% e 8,3% dos ocupados atuam na construção civil, sendo que o percentual de desempregados cuja última atividade se deu no setor, porém é bem maior, e supera 10% em quatro regiões. Os dados do PED (Pesquisa e Emprego e Desemprego) confirmam que, no final dos anos 90 menos da metade da categoria contribuía para a Previdência, sendo que este dado indica uma alteração ocorrida ao longo da década. Na grande São Paulo, em 1988/1989 39,1% não pagava a Previdência, visto que dez anos depois esse percentual passou para 64,4%. Mais de 2/3 dos trabalhadores em construção, em São Paulo e Porto Alegre, atuam por conta própria ou não têm CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) assinada. A falta de vínculos formais contribui para rendimentos mais baixos no setor. Os autônomos têm rendimentos entre 20% a 40% menores que os assalariados, sendo que, além disso, há grandes diferenças entre o montante pago por região. Os maiores rendimentos estão em São Paulo e os menores em Recife.

32 Pela própria característica da construção civil, a rotatividade é muito grande no setor, visto que mais da metade dos trabalhadores está no emprego há menos de um ano e mais de 1/3 deles não completou 6 meses no emprego. O trabalhador da construção civil tem entre 35 e 38 anos e uma escolaridade média inferior ao do conjunto dos ocupados. O percentual de analfabetos chega a ser três vezes maior entre o total de pessoas trabalhando. A proporção de negros na construção civil é sempre superior à registrada no conjunto dos ocupados. Mesmo em regiões com São Paulo e Porto Alegre, onde metade da população quê está trabalhando é negra, a parcela deste segmento na construção é significativa e supera a encontrada no total de ocupados. A maior parte dos trabalhadores da construção civil é constituída por migrantes (somente em Recife o percentual de migrantes é inferior a 50%). No entanto, a maioria já se encontra na região metropolitana onde vive há mais de três anos. Entre 52% e 63% dos trabalhadores da construção civil exercem funções de pedreiro ou servente. Em ambas, a escolaridade média é a mesma (entre 3 e 5 anos de estudo), mas os pedreiros são normalmente mais velhos (39/40 anos) e ganham aproximadamente o dobro dos serventes. O estudo revela, que apesar de ter sido realizado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE de 1999, não existe contradição com as características atuais do setor, onde, a baixa remuneração, o baixo nível de escolaridade, a grande rotatividade da mão-de-obra, a precarização do contrato de trabalho e a segmentação do setor, sejam através da terceirização, ou mesmo pelo grande emprego de mão-de-obra são fatores marcantes, os quais prejudicam a evolução social dos trabalhadores. Na tabela 3.3 observa-se que no ano de 2006, cerca de 51% dos trabalhadores declarados empregados continuam informais, ou sejam, sem registro na CTPS, bem como cerca de 42% dos ocupados na Indústria da Construção são autônomos ou trabalharam por conta-própria e não contribuem para a Previdência Social. Totalizando, em 2006 cerca de 70% dos ocupados na Indústria da Construção não contribuem para a Previdência Social.

Não são contabilizados: o reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença do trabalho.064 Relativa 25.310 1.437. Posição na Ocupação Empregado com carteira Empregado sem carteira Conta-Própria Empregador Outros Total Fonte: PNAD 2006 Elaboração: DIEESE Freqüência Absoluta 1. o processo de terceirização já não é uma simples tendência. segundo a posição na ocupação no trabalho principal .741. 3.2 Estatísticas de Acidentes de Trabalho As estatísticas de acidentes de trabalho no Brasil são divulgadas pela Previdência Social.384 165. 2008).486 2.0% 25. os quais têm indicado quais setores ou atividades sofrem mais acidentes.9% 100% Para os trabalhadores.Distribuição dos ocupados na construção.403. mas uma realidade no setor.9% 4. viabilizando o acompanhamento das flutuações e tendências históricas dos acidentes e seus impactos nas empresas e na vida dos trabalhadores. sobre o eufemismo da “flexibilização” das condições de trabalho.4% 2. já comunicados anteriormente ao INSS (INSS. As estatísticas de acidentes de trabalho são utilizadas para mensurar a exposição dos trabalhadores aos níveis de riscos inerentes à atividade econômica.176 5. fornecem subsídios para o aprofundamento de estudos sobre o tema e permitem o planejamento de ações nas áreas de segurança e saúde do trabalhador. sendo que esta leva em consideração a quantidade de acidentes de trabalho registrados 1 e liquidados 2 em cada ano. 2008) . As estatísticas de acidentes de trabalho orientam entidades e empresas no Acidentes Registrados correspondem ao número de acidentes cuja Comunicação de Acidentes do Trabalho – CAT foi cadastrada no INSS. perda de renda e dificuldades de fiscalização por parte do sindicato (DIEESE.708 250. depois de completado o tratamento e indenizadas as seqüelas (INSS.33 Tabela 3.3 . Esse processo significa precarização.9% 41. 2001). Além disso.484.Brasil – 2006. 2 1 Acidentes Liquidados correspondem ao número de acidentes cujos processos foram encerrados administrativamente pelo INSS.

em especial dos acidentes leves. trazendo detalhes do perfil acidentário município por município. esta relação reduz-se a 78 por 1. Vêem-se nos dados à redução de óbitos como um dado significativo. 2007c). a terceirização com a diminuição dos trabalhadores registrados nas atividades mais perigosas e o crescimento do setor terciário da economia (WÜNSCH FILHO. ocorriam 167 acidentes para cada grupo de 1. em 1980. A explicação para a queda dos acidentes de trabalho registrados são várias: sub-notificação dos acidentes.SESMT nas empresas com pessoal qualificado para a época em estudar os motivos e as formas de prevenir acidentes. Em 1970. a qual apresenta detalhes sobre os acidentes laborais no Brasil. percebe-se a redução dos acidentes típicos 3 . acompanhada do aumento do tempo de incapacidade dos acidentados e a letalidade (USP. De um ano Acidentes Típicos: são os acidentes decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo acidentado (INSS.000 e em 2. em 1990. Iniciou-se uma verdadeira operação para o decréscimo dos acidentes do trabalho. a 30 por 1.000 trabalhadores. 2007c). 2008). O MPAS em parceria com o MTE vem disponibilizando o anuário estatístico de acidentes do trabalho edição 2006. 2008).000. Analisando-se a série histórica dos registros de acidentes do trabalho no Brasil junto a Previdência Social de 1970 até hoje.34 planejamento e elaboração de programas de Segurança e Saúde do Trabalho (INSS. através do uso de técnicas e equipamentos de proteção. as variações cíclicas da economia brasileira no período. A proporção dos acidentes notificados em relação ao número de trabalhadores segurados identifica uma queda vertiginosa na incidência dos acidentes do trabalho no país. 2000 apud USP.000 trabalhadores (USP.000 para 16 por cada 1. 2007c). 3. Com a participação dos profissionais da SST foi criado o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho . 3 .3 Estatísticas de Acidentes de Trabalho no Brasil Os dados estatísticos de acidentes do trabalho no Brasil ocorridos nestes últimos 36 anos revelam um fato trágico e ao mesmo tempo preocupante na condição em que o país vivia na década de 70 como campeão mundial de acidentes do trabalho.

as maiores participações foram do comércio varejista e dos serviços prestados principalmente às empresas. os de trajeto 14. com 13. Nos acidentes típicos os subsetores com maior participação nos acidentes foram produtos alimentares e bebidas com 10.3% do total.6%.9% (INSS. a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi constituída por pessoas de 20 a 29 anos com. saúde e serviços sociais com 8.4% e 11.9% do total de acidentes registrados.7% do total. 2008) A tabela 3. 2008) Em 2006.35 para o outro. 2008).7% e as doenças do trabalho 5.1% nos acidentes típicos e nos de trajeto. no ano de 2006 foi registrado pela Previdência Social o total de 503.8%.3%. e nas doenças do trabalho foram os escriturários.9% do total. os subgrupos do Código Brasileiro de Ocupações . Os acidentes típicos representaram 80% do total de acidentes.766 óbitos em 2005 caiu para 2. o setor de indústrias com 47.4 apresenta a evolução dos Acidentes de Trabalho no Brasil registrados pela Previdência Social nos últimos 9 anos (INSS. as mortes foram reduzidas em 1.4% e o setor de serviços com 45. Em 2006.8% (de 2. excluídos os dados de atividade “ignorada”. Nos acidentes de trajeto.717 em 2006).9% do total.9% e as pessoas do sexo feminino 20. Comparando-se com 2005.6% (INSS. com 19. respectivamente 39.980 acidentes do trabalho. o número de acidentes de trabalho registrados aumentou em 0. nos acidentes de trajeto foram os trabalhadores de serviços. com participação de 10% e o comércio varejista com 8.CBO com maior número de acidentes típicos foram os trabalhadores de funções transversais. com 13. com respectivamente 12.7%. a análise por setor de atividade econômica revela que o setor agrícola participou com 6.3% do total. .6%. Nas doenças do trabalho foram os subsetores intermediários financeiros. As pessoas do sexo masculino participaram com 79.1% e 40. Nas doenças de trabalho a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos. Conforme o INSS (2008). com 31.

868 340.717 Fonte: INSS (2008) 3.251 393. tanto pela natureza particular do trabalho de construção como pelo caráter temporário dos centros de trabalho (obras) do setor.4 Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção Apesar dos inúmeros esforços que vêm sendo feitos no Brasil. Doenças Ano Total Típico Trajeto Óbitos Ocupacionais 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 414. VALCÁREL.341 387.094 2. Essa circunstância ganhou destaque com a adoção pela OIT em 1988 da Convenção n° 167 sobre segurança e saúde na construção.642 60.404 304.264 36. De acordo com as estimativas da Organização Internacional do Trabalho OIT.903 19.858 30. pelo menos 60 mil ocorrem em obras de construção (LIMA.489 23.114 37.680 503.753 2. dos aproximadamente 355 mil acidentes mortais que acontecem anualmente no mundo.071 399.577 375. DIAS. 2007) juntamente com a . principalmente na Indústria da Construção.881 49.793 3.4 – Acidentes de Trabalho ocorridos no Brasil – 1999 a 2006.077 465.963 282.700 499.839 2.487 22.171 398.968 2. a partir de campanhas de prevenção de acidentes.300 38.513 39.980 347.605 18. a qual foi promulgada pelo Decreto Federal nº 6.820 363. Empregadores e Trabalhadores) e de estudos acadêmicos.36 Tabela 3. o índice de acidentes do trabalho e doenças profissionais continua elevado em relação aos índices encontrados em outros países. 2005).096 26. O tema da segurança e saúde na construção é relevante não só por se tratar de uma atividade perigosa.971 73.766 2.799 46. A Indústria da Construção é um dos setores de atividade econômica que mais registra acidentes de trabalho e onde o risco de acidentes é maior.613 403.879 325.311 23.738 326.896 3. o que causa inúmeros problemas sociais e econômicos. sobretudo porque a prevenção de acidentes de trabalho nas obras exige enfoque específico.965 323.674 2. mas também é. de comissões de estudo tripartites (representantes do Governo.335 67.271 (Brasil.194 33.645 3.981 30.

ampliou-se também. DIAS. 2005). e. a cooperação nessa área nos países do Cone Sul (LIMA. essas jornadas ressaltaram especialmente as seguintes questões: (a) discussão e avaliação da interessante experiência tripartite brasileira em matéria de segurança e saúde na construção. propícia: (a) a consideração da Indústria da Construção como uma das prioridades das políticas nacionais de SST. (c) a especificidade da ação setorial em matéria de SST da construção. 2005). DIAS. a OIT vem realizando diversas ações no campo de segurança e saúde na construção na América Latina. Nos últimos anos. que se baseia na colaboração com os países na formulação. no campo da SST (LIMA. (b) a incorporação do tema da SST nas políticas nacionais de desenvolvimento da Indústria da Construção. 1988) sobre segurança e saúde na construção e diretrizes sobre Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (ILO-OSH. No âmbito do projeto de Promoção da Segurança e Saúde na Construção nos países do MERCOSUL e Chile. 2001) e (c) análise da experiência da União Européia nesse campo. e (d) a participação de trabalhadores e empregadores da construção. na realização de uma série de jornadas internacionais de segurança e saúde na construção nas diversas regiões do país. 2003. no caso particular do Brasil. ao mesmo tempo. A criação no Brasil em 1995 do Comitê Permanente Nacional .37 Recomendação nº 175 da OIT sobre Segurança e Saúde na Construção (LIMA. DIAS. em matéria de segurança e saúde na construção. VALCÁREL.CPR’s situou o setor de construção como uma das prioridades nas políticas e programas nacionais de SST no país e representou. Dias (2005). VALCÁREL. Segundo Lima. (b) promoção dos dois importantes instrumentos da OIT de aplicação nesse campo: Convenção nº 167 (OIT. 2005). Voltadas especialmente para o fortalecimento dos CPR’s. principalmente nos países andinos. como referência para possível ação conjunta dos países do MERCOSUL. A ação do programa Safework da OIT. avanço significativo em matéria de tripartismo e importante referência em nível internacional. execução e reexame periódico das políticas e dos programas de ação nessa área. . VALCÁREL.CPN e dos Comitês Permanentes Regionais . Valcárel. e de suas organizações. as atividades do Projeto concentraram-se em colaboração com a FUNDACENTRO.

sendo este um forte argumento para estimular investimentos na área. que foram criados com a finalidade de informação com maior eficiência e precisão.5 observa-se à quantidade de trabalhadores formais da Indústria da Construção no Brasil e no Estado de São Paulo no período de 1999 a 2006. perdas de equipamentos e de materiais. adaptação de outro funcionário na mesma função. A desagregação de informações por setor de atividade revela que a situação real de prevenção e segurança no trabalho encontra-se diferenciada entre as atividades. bem como identificar todos os aspectos que envolvem o sinistro no setor.) e indiretos (diminuição da produtividade global. enquanto que os custos indiretos podem ser de 3 a 10 vezes maiores que o custo direto. Outro fato a ser considerado é que os empresários normalmente visualizam somente os custos diretos relacionados aos acidentes do trabalho. Outro instrumento importante para a avaliação dos Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção são os Anexos I e II da NR-18 (Brasil. 1995). mas de acordo com a FETICOM-SP (2008) as empresas não enviam os Anexos para a FUNDACENTRO. Na tabela 3. isto deve alertar os empresários para o volume de recursos que é desperdiçado cada vez que ocorre um acidente. conforme determina a Norma. Embora a freqüência de acidentes do setor seja alta. Em geral.38 Em relação aos problemas econômicos causados pelos acidentes do trabalho. Ao contrário do que se costuma pensar. É fundamental o conhecimento das informações estatísticas relativas aos acidentes do trabalho e doenças profissionais na atividade da construção civil através da CAT. etc. banalizando o instrumento e tornando-o ineficaz para a finalidade a qual foi criado. Tal descumprimento legal por parte das Empresas. as estatísticas do MTE e MPAS apontam que outras atividades econômicas estão em situação ainda mais críticas do que a construção. no tocante à freqüência e aos coeficientes dos acidentes apresentados. a construção não é o setor que mais provoca acidentes de trabalho no Brasil.) dos acidentes causados pela falta de segurança. com o intuito de promover a prevenção dos acidentes do trabalho e doenças profissionais. podem-se destacar os altos custos diretos (indenização nos primeiros 15 dias. gera uma insuficiência de informações dos Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção.30% nacionalmente e . etc. sendo que em 7 anos o número de trabalhadores cresceu 37. até mesmo pelo grande contingente de mão-de-obra que o mesmo emprega.

49 26.17% dos AT que ocorreram no Brasil.528 1.26%.395 1. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Total 27. No ano de 1999.570 1.421 2.60 25.5 – N° de Trabalhadores da Indústria da Construção .980 28.826 25.118.557 25.417 D.147 Trajeto 2.529 Típico 24. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) Brasil 1. Tabela 3.838 3.029 22.955 1. porém o Estado ainda é a Unidade da Federação com o maior número de trabalhadores do setor.92 Na tabela 3.39 25.336 992.44 26. sendo que em 2006 o percentual reduziu para 6.986 % 27.950 22.036 965 Óbitos 407 325 382 375 326 318 307 318 Fonte: FETICOM-SP (2008) .875 29.O.921 304.438. o setor foi responsável por 7.494 262.84 26.106. No período.245.85% no Estado de São Paulo.6 – Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – 1999 a 2006.047.294 372.052 1. 868 787 735 923 873 1.012 3.637 22.094.536 25. Tabela 3.62 28.532 2.484 25.094 331.39 apenas de 28.686 24.696 1. ocorreu uma oscilação do percentual de trabalhadores ocupados no Estado em relação ao total de ocupados no Brasil.112 2.119 292.985 25.154 2.228 31.008 2.018 285.713 São Paulo 289.6 observa-se um resumo dos acidentes de trabalho registrados no Brasil na Indústria da Construção no período de 1999 a 2006.132. Já nos acidentes fatais a redução de 1999 a 2006 foi de aproximadamente 28%.891 1.465 308.22 26.Brasil e São Paulo – 1999 a 2006.180 27.446 28.

7.093 8. Tabela 3.170 7.914 9. ou seja: queda da mortalidade. mas aumento no número de acidentes.337 850 Na tabela 3.376 8.832 9. onde a quantidade de acidentes que geraram afastamento do trabalhador por mais de 15 dias.566 1.378 1. Tabela 3.248 7. podemos observar que uma das características marcantes do setor é o seu alto índice de acidentes graves. Afastamento com mais de Incapacidade Permanente Ano 15 dias 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) 12.765 8. Doenças Ano Total Típico Trajeto Óbitos Ocupacionais 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 10.470 1.745 8.161 11.035 650 621 620 758 689 808 910 917 417 214 201 282 265 320 275 296 105 56 85 94 64 65 64 53 Fonte: FETICOM-SP (2008) .624 9.7 – Acidentes do Trabalho na Indústria da Construção – Brasil – Afastamentos e Incapacidades de 1999 a 2006.651 9.308 7.654 1.106 1.8 são apresentadas às estatísticas de acidentes do trabalho registrados no Estado de São Paulo nos anos de 1999 a 2006.205 8.337 13.190 1.8 – Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006.926 10. somado aos que geraram algum tipo de incapacidade no período de 2000 a 2002 ultrapassou 50% da quantidade de acidentes do trabalho registrados no setor.143 7.060 11.930 9.40 Na tabela 3.465 12. sendo que em 1999 e 2003 as ocorrências aproximaram-se do referido percentual.224 1.210 8.248 9. com a mesma tendência das ocorrências nacionais.251 7.

são apresentadas às estatísticas dos acidentes de trabalho liquidados por motivo de afastamento com mais de 15 dias e incapacidade permanente no período de 1999 a 2006. é apresentada a evolução da Taxa de Mortalidade da Indústria da Construção no período de 1999 a 2006 no Brasil e no Estado de São Paulo.43 22. No período. Tabela 3.31 14.84 28.90 32. Tabela 3. pois tem as mesmas características da média nacional.783 341 378 305 359 365 351 380 259 Na tabela 3.929 4.10 São Paulo 36.133 3.13 27.087 4.9.27 18.43 24.41 Na tabela 3.69 33.72 33. onde a situação também é preocupante. Ano 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) Brasil 38.330 3.271 3.9 – Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção no Estado de São Paulo – 1999 a 2006. Afastamento com mais de Incapacidade Permanente Ano 15 dias 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: FETICOM-SP (2008) 4.80 19.181 2. a queda do índice foi de aproximadamente 57% para o Brasil.14 24.10 – Taxa de Mortalidade – Brasil e Estado de São Paulo – 1999 a 2006.21 .84 29.696 3.95 32. Para o Estado de São Paulo a redução foi de 39%.10.65 22. Outra comparação importante é que o Estado de São Paulo vem conseguindo uma redução da Taxa de Mortalidade acima da média nacional ano após ano.

Pereira (Proteção. são listadas as principais autuações que foram feitas pelo MTE na Indústria da Construção no Estado de São Paulo no período de 2001 a 2007 segundo a FETICOM-SP (2008).5 Autuações de SST na Indústria da Construção no Estado de São Paulo (NR18) – 2001 2007 Na tabela 3. de acordo com Pereira (Proteção. como por exemplo: inadequação das áreas de vivências: falta de chuveiros ou quantidade incompleta. sendo possível observar que os maiores números de autuações ainda ocorrem por falta de adequação das Áreas de Vivência e do não fornecimento dos EPI’s. 2005) esclarece que existem coisas bem primárias que são encontradas nas fiscalizações dos canteiros de obras.42 3. . um local para comer. cerca de 20% das multas dentro do Estado de São Paulo são por causa da falta de áreas de vivência e vestimentas inadequadas. com custos baixos de se adequarem. Ainda. falta de água potável. as quais são coisas primárias. a falta de uma vestimenta adequada e completa (calça.11. um local para a troca de roupa. 2005). camisa e reposição). fáceis.

43 Tabela 3. principalmente nas cidades do interior. (SAMPAIO. 1998a). 3. Tipo de Autuação Comunicação Prévia PCMAT Áreas de Vivência/Vestimenta Escavações/Fundações Carpintaria/Armação Escadas Proteção contra quedas Elevadores de obras Andaimes Instalações Elétricas Máquinas EPI Treinamento CIPA Diversos Total Fonte: SRTE/SP Adaptação: FETICOM-SP 2001 37 37 248 9 19 16 87 85 57 42 14 100 42 10 55 858 2002 48 30 204 7 38 13 99 61 66 34 13 92 32 22 53 812 2003 67 32 173 6 39 26 140 70 53 42 20 124 36 22 82 932 2004 47 53 139 4 29 15 105 53 72 39 23 89 36 15 83 802 2005 29 19 141 3 24 10 66 36 34 28 15 68 22 7 57 559 2006 35 30 187 9 28 2 73 25 56 43 8 50 38 6 45 635 2007 70 38 275 10 48 26 144 37 60 38 13 92 60 7 62 980 A Indústria da Construção tem a necessidade de implementação de programas específicos de fiscalização em todo o país. equipamentos ou elementos que servem de barreira entre o perigo e os operários. 2005).11 – Subitens mais autuados da NR-18 pelo MTE no Estado de São Paulo no período de 1999 a 2006. . sendo que em São Paulo existe um Programa Específico para o Setor da Construção o qual funciona desde a década de 80 e vem sendo fortalecido a cada ano. de acordo com Pereira (Proteção.6 Metodologias de Proteção Metodologias de proteção são ações. Em uma visão mais ampla. são todas as medidas de segurança tomadas numa obra para proteger uma ou mais pessoas. exemplo esse que mais Estados do país deveriam seguir.

protegendo contra danos à saúde e a integridade física dos trabalhadores. etc. o estudo para implantação de medidas de proteção coletiva deverá obedecer a seguinte hierarquia: a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais à saúde. medidas de proteção na confecção de escadas. 1994). A NR-18 (Brasil.44 3. o qual deve fazer parte dos documentos que integram o PCMAT.1 Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC’s Os equipamentos de proteção coletiva servem para neutralizar a ação dos agentes ambientais. EPC é todo equipamento destinado à proteção coletiva. fundações e desmonte de rochas. PTA’s). Conforme a NR-18 (Brasil. medidas de proteção na execução e nas operações de escavações. 1995).6. rampas e passarelas. A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto aos procedimentos que assegurem sua eficiência e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam. Conforme a NR-9 (Brasil. c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente de trabalho. plataformas de proteção. gruas. medidas de proteção na utilização de serras . sendo que estas devem garantir com o máximo de eficiência o controle dos agentes de riscos para operações com máquinas e equipamentos e no desenvolvimento das atividades de produção. 1995) estabelece condições mínimas para o dimensionamento das proteções coletivas nos canteiros de obras. medidas de proteção na elaboração e manutenção das instalações elétricas temporárias. De acordo com a NR-9 (Brasil. citam-se: medidas de proteção contra quedas. Dentre as principais. com a finalidade de eliminar e/ou diminuir os riscos de acidentes ou doenças ocupacionais. guinchos. escoramento de valas. proteções de aberturas no piso. evitando acidentes. b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente de trabalho. como por exemplo: guarda-corpos. além dos mesmos terem que ser projetados e dimensionados por profissional legalmente habilitado. 1995) o projeto de execução e implementação das proteções coletivas deve estar em conformidade com as etapas de execução da obra. medidas de proteção na movimentação de materiais e pessoas (elevadores.

45 circulares. Conforme esta NR. Em situações onde não há quantificação da concentração do agente. 2001) considera EPI todo o dispositivo ou produto de uso individual. com a respectiva identificação dos EPI utilizado para os riscos ambientais.6. medidas de proteção na operação com equipamentos elétricos. vibração. 1995) possui um rol de medidas preventivas direcionadas às principais atividades e operações realizadas na Indústria da Construção. a empresa é obrigada a fornecer gratuitamente a seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual . como ocorre. com o ruído. destina-se à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar à sua segurança e saúde. Assim é necessário critério objetivo de atenuação do EPI. O EPI é limitado ao controle de alguns agentes ambientais. estabelece que a utilização de EPI’s no âmbito do programa deverá considerar as normas legais e administrativas em vigor e envolver no mínimo: a) seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à atividade exercida.EPI's adequados aos riscos existentes no local de trabalho. c) estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento. agentes biológicos. e por equipamento conjugado de proteção individual. que utilizado pelo trabalhador.2 Equipamentos de Proteção Individual . em que o fabricante tenha associado contra um ou mais riscos que possam ocorrer. por exemplo. A NR-18 (Brasil. etc. A NR-09 (Brasil. a manutenção e a reposição do EPI. como . a conservação. aquele composto por vários dispositivos. visando a garantir as condições de proteção originalmente estabelecidas. entre outros. concretagem. b) programa de treinamento dos trabalhadores quanto à sua correta utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece. insuficientes e/ou estiverem em fase de implantação. de fixação à pólvora e medidas de proteção nas atividades de armações de aço. 1994). e d) caracterização das funções ou atividades dos trabalhadores. sempre que as medidas de controle coletivas ou administrativas forem inviáveis. considerando-se a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e o conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário. a higienização. a guarda. estruturas metálicas. tais como: calor.EPI A NR-6 (Brasil. possibilitando a aferição de que a concentração ou intensidade do agente reduza abaixo do Limite de Tolerância. 3. o uso.

2001). b) exigir seu uso. utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina. 2001) estabelece que cabe ao empregado quanto ao uso do EPI: a) usar. treinamento de Operador de Serra Circular. Direção Defensiva. a qual é definida no Certificado de Aprovação (CA) 4 (SALIBA. Da mesma forma. a empresa deve manter os certificados individuais dos treinamentos aos quais seus empregados se submeteram. c) comunicar ao empregador Certificado de Aprovação (CA) . d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado. Ao adquirir EPI’s. etc. cabe ao empregador quanto ao EPI: a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade. f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica e g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada. Recomenda-se manter um fichário para controlar o fornecimento dos já referidos equipamentos de proteção individual. Gruas. controlar e disciplinar o uso dos equipamentos fornecidos. É de responsabilidade da empresa. comprovando a atenção da empresa em manter seus empregados devidamente preparados e habilitados para os cargos exercidos. b) responsabilizar-se pela guarda e conservação. deve-se ter a preocupação de que os mesmos exerçam a proteção de maneira eficaz e possuam o Certificado de Aprovação. como por exemplo: treinamentos de conscientização e orientação do uso de EPI’s. o qual é expedido por órgão competente do MTE. Conforme a NR-6 (Brasil. e) substituir imediatamente. de modo que cada equipamento receba a assinatura do usuário na data da entrega. sem o qual o equipamento não terá validade legal. cabendo-lhes as aplicações das punições previstas em lei para o trabalhador que se recusar a usá-los. 4 . nacionais ou importados. a guarda e conservação. A NR-6 (Brasil. só poderão ser comercializados desde que possuam e indiquem o Certificado de Aprovação (CA). quando danificado ou extraviado. c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho. 2005).46 por exemplo: contato com substâncias químicas deve-se selecionar EPI adequado e de acordo com sua finalidade de proteção.Os EPI’s. As fichas devem ser individuais e devem ser guardadas por no mínimo 20 anos após o desligamento dos funcionários da empresa.

etc. verifica-se a iminência da implantação de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . visando minimizar o desconforto natural pelo seu uso. atividades de planejamento. 1999). analisar criticamente e manter a política de SST da organização (OSHA-18001. Conforme o Anexo I da NR-06 (Brasil. implementar. atender as peculiaridades de cada atividade profissional e adequação ao nível de segurança requerido face à gradação dos riscos. procedimentos. com a implementação de procedimentos que possibilitam a avaliação.SGSST baseia-se em elementos que tem a finalidade de atingir a melhoria contínua da política da empresa em relação a SST. é recomendado que os EPI’s devam ser selecionados e implantados. sendo que o principal método de proteção é manter um ambiente de trabalho isento de riscos à saúde e integridade física dos trabalhadores. 3. organização. após uma análise criteriosa realizada por profissionais legalmente habilitados onde serão considerados principalmente os seguintes aspectos: a melhor adaptação ao usuário. planejamento e aplicação de diretrizes específicas para o controle do meio ambiente de trabalho (PROTEÇÃO. falta de treinamento dos trabalhadores. 2001).SGSST faz parte de um sistema de gestão global que facilita o gerenciamento dos riscos de SST associados aos negócios da organização.47 qualquer alteração que o torne impróprio para uso. De acordo com a USP (2007b). tais como: elevado número de acidentes. falta de estímulo dos empregadores para investimentos com Segurança e Saúde do Trabalho . 2007b). e d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. O Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho . processos e recursos para desenvolver. . devem ser utilizados EPI’s de acordo com as situações de risco e as atividades desenvolvidas.SGSST capaz de gerenciar de maneira eficaz as Condições e Meio Ambiente de Trabalho no setor..7 Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho Analisando diversos aspectos da Indústria da Construção no Brasil. responsabilidades. atingir. Isto inclui a estrutura organizacional. práticas. inexistência de uma cultura sólida de segurança do trabalho na grande maioria das empresas. O Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho .SST.

buscando a melhoria contínua de seus processos. sendo que sua aplicação e desenvolvimento. assegurando a segurança e a qualidade de vida para a satisfação dos profissionais. Os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho são fundamentais no bom desempenho da SST. necessariamente. rapidez de implementação e abrangência são determinados pela alta direção da organização. na redução imediata de acidentes e doenças ocupacionais. atuam de forma ativa na prevenção e seus sistemas de gestão incorporam os princípios da busca da melhoria contínua. circunstâncias econômicas. sendo que é utilizada para auditar e certificar os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho. etc. de forma equivocada e no intuito de reduzir o valor da obra. e sistematicamente controlar. dispõe de uma política e de objetivos para os assuntos de segurança e saúde dos envolvidos em seus processos. Quanto às normas BS8800 (1996) e a OHSAS-18002 (1999). Um SGSST é uma ferramenta de trabalho que permitirá a empresa atingir.48 A dificuldade na implementação de um SGSST é que a maioria das empresas. Sistemas de Gestão devem ser perfeitamente estruturados. contribuindo desta forma para que o SESMT atue efetivamente nas questões relativas a SST. Conforme a norma OHSAS-18001 (1999) as empresas que possuem um SGSST assumem um compromisso perante as partes interessadas de que: seus dirigentes se comprometem em atender às disposições legais vigentes. por si só. considera os custos com segurança e a saúde de seus trabalhadores um investimento indispensável. o nível de desempenho em SST por ela estabelecido em suas diretrizes. a OHSAS-18001 (1999) é uma norma de requisitos chamada de "Especificação". . em função das contingências internas e externas (políticas governamentais. dos clientes e de toda comunidade. já que para o seu efetivo funcionamento definem as responsabilidades da alta gerência e de todos os demais componentes da empresa. Segundo De Cicco (QSP. cujo desenvolvimento. como a OHSAS-18002 (1999) não são utilizadas para fins de auditoria. Tanto a BS-8800 (1996). vindo a preocupar-se com esta questão apenas quando notificada. não resultará. são documentos que vão muito além da certificação: elas são chamadas de "Diretrizes" e fornecem orientações e recomendações voltadas para a implantação eficaz do sistema e para a melhoria do desempenho da SST.). 2008). multada ou após a ocorrência de acidentes graves e/ou fatais. reestruturação organizacional interna.

químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho. o ambiente e a segurança e saúde. 1995) é um instrumento que propõem ações eficazes para a melhoria das condições e meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. o objetivo dos Sistemas de Gestão de SST na Indústria da Construção é promover a melhoria da qualidade do produto construído (um edifício. envolvendo a qualidade (incluindo o custo e o tempo). uma estrada.49 Muito embora um SGSST deve ser escrito. de nada adianta sua implantação sem o comprometimento da alta gerência. Segundo Dias (Proteção. são . uma ponte). 2003). a qual por sua vez é responsável pela criação de uma cultura de SST em todos os níveis hierárquicos da organização. com intervenções rápidas nos itens que não estão em conformidade e precisam ser readequados. ambiental e da Segurança do Trabalho. 1994) consideram-se riscos ambientais os agentes físicos. somente após a implementação de Sistemas de Gestão na Indústria da Construção. 3. sendo que o PCMAT propõe diretrizes que visam estabelecer as prioridades de SST por fase da obra. 2004) a implantação de sistemas integrados de Gestão na Indústria da Construção. reduzir a poluição ambiental resultante da atividade e os acidentes de trabalho e doenças profissionais. Para Dias (Proteção. tem vindo a ser reconhecido internacionalmente como uma ferramenta útil na otimização de recursos que seriam necessários para implementar e manter de forma separada a gestão da qualidade. De acordo com Valcárcel (Proteção. quer durante as intervenções posteriores na fase de utilização. as quais se integram perfeitamente nas diretrizes mínimas de um Sistema de Gestão de SST. alguns países obtiveram uma redução significativa em suas taxas de acidentes na Indústria da Construção. principalmente na Espanha e Portugal. Os Sistemas de Gestão de SST na Indústria da Construção já são comuns na Europa. A NR-18 (Brasil. concentração ou intensidade e tempo de exposição. 2004). sendo que no Brasil às empresas do setor ainda busca a implementação de sistemas voltados a melhoria da qualidade. quer durante a fase de construção. proporcionando assim um controle adequado. que em função de sua natureza.8 Riscos Ambientais na Indústria da Construção De acordo com a NR-9 (Brasil.

porém a NR-5 (Brasil. Na tabela 3. os riscos ergonômicos e de acidentes de forma direta ou indireta contribuem a curto. radiações ionizantes e radiações não ionizantes surgem nas operações em que são utilizados máquinas e equipamentos para o desenvolvimento das tarefas. ou na falta destes os previstos na ACGIH. Analisando-se os riscos físicos na Indústria da Construção. os agentes de risco: ruído.50 capazes de causar danos à saúde do trabalhador.1 Riscos Físicos A NR-9 (Brasil.8. 1978). Conforme a USP (2007b). aos agentes ambientais físicos. A norma não menciona os riscos ergonômicos e de acidentes. de acordo com a NR-9 (Brasil. 1978). 1994) 5 . o qual está previsto no Anexo à Portaria n° 25 (Brasil. pressões anormais. frio.12. temperaturas extremas (calor e frio). Os agentes físicos: calor. no exercício de sua atividade laboral. vibração. 2006a). médio e longo prazo para as causas de acidentes e doenças profissionais ou do trabalho. estabelece critérios para seu enquadramento como atividade ou operação insalubre 5 . existindo a necessidade de sua prevenção. é possível identificar o agente de risco. radiações ionizantes.ACGIH (2005). 1994) considera como riscos físicos às diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores. vibrações. pressões anormais e a umidade dependem do ambiente e local de trabalho. químicos e biológicos a níveis superiores aos do Limites de Tolerância previstos no Anexo 15 da Portaria 3. A inclusão do agente de risco Umidade se faz necessária. se estes não forem controlados dentro dos Limites de Exposição permitidos. os quais também são considerados no livreto de limites de exposição da American Conference of Governmental Industrial Hygienists .214 (Brasil. 1994) a inclusão dos referidos agentes. 1999) ao tratar do Mapa de Riscos. 3. radiações não ionizantes. Consideram-se ainda os campos magnéticos estáticos e os campos elétricos estáticos (USP. sua fonte de emissão e sua possível conseqüência à saúde do trabalhador. 1994) como agente de risco físico. estabelece através da Portaria n° 25 (Brasil. tais como: ruído. em que o Anexo n° 10 da NR-15 (Brasil. bem como o infra-som e ultra-som. Atividade ou operação insalubre é aquela que expõem o trabalhador. podendo gerar lesões e reduzir a capacidade laboral do trabalhador.

à combustão e pneumáticos. Vibrador. Pá Carregadeira. Caminhão. trabalho em locais confinados. Compressor de ar. Retroescavadeira. Ferramenta de fixação à pólvora. digestivos e cardiocirculatórios. gastrointestinais. Calor Trabalho a céu aberto. sistema reprodutivo. Betoneira. etc. Fadiga precoce. com aparecimento de pequenas necroses na pele. desordens nos sistemas visual e vestibular. Bomba de drenagem. Guincho de coluna. Serra de material cerâmico. Compactador. Policorte.12 – Riscos Físicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Fonte de Emissão Máquinas e equipamentos: Bate-estaca. surdez. operação de soldagem e corte a quente. Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Ruído Diminuição da audição temporária ou persistente. Localizadas (mãos e braços): Dor. Elevador de cargas e de passageiros. Vibração Máquinas e equipamentos elétricos. dedos e antebraço. Podendo ainda provocar alterações nos vãos do coração e do cérebro. Grua. intermação e desidratação. Esmerilhadeira. prostração térmica. Bomba de concreto. Martelete. Neste rol incluem-se também todos os equipamentos pesados utilizados na movimentação de terra. câimbras de calor. zumbidos.51 Tabela 3. Máquina de furar portátil. As mãos podem ficar arroxeadas e úmidas. Serra circular de mesa e manual. continua . insolação. desconforto. Lixadeira para piso. operação de caldeira (impermeabilização a quente). problemas nos discos intervertebrais e degenerações da coluna vertebral. De corpo inteiro: Problemas na região dorsal e lombar. formigamento e diminuição da sensibilidade das mãos. Rompedor. Como efeitos gerais: perturbações funcionais nos aparelhos nervosos.

3. nos órgãos formadores de sangue.2 Riscos Químicos De acordo com NR-9 (Brasil. na pele e em outros órgãos. poeiras. névoas e fibras (USP. como aviões. doenças circulatórias. alcalose respiratória. nas formas de poeiras. vapores. 6 Gamagrafia industrial é um tipo de radiografia realizada com raios gama. mergulho e em elevadas altitudes. Pressões anormais Trabalho em tubulão pressurizado. ou que. Embriaguez das profundidades. enjôo. Quanto à forma como se apresentam os agentes químicos podem ser classificados em gases. neblinas. lesões nos olhos. neblinas. navios e gasodutos. esterilidade masculina e feminina. fumos. doenças da pele. Embolia traumática pelo ar. compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória. 2007b). aerodispersóides. USP (2006e) e SENAI (1994). pela natureza da atividade possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. Na Indústria da Construção ela permite analisar estruturas de concreto (USP. vertigens. 1994). gases ou vapores. verificação da integridade de soldas e estruturas metálicas). é uma técnica utilizada na análise da integridade de estruturas metálicas. leucemia. névoas. Hipobárica (abaixo de 760 mmHg): Taquipnéia. Queimaduras. Umidade Trabalho em galerias e locais encharcados. tonturas. Doenças do aparelho respiratório. USP (2006b). Fonte: Adaptado da USP (2006a). câncer. catarata. são considerados riscos químicos as substâncias. Radiação não ionizante Operações de soldagem elétrica e oxiacetilênica. fumos. .8. osteossarcoma e carcinoma dos seios da face. Hiperbárica (acima de 760 mmHg): Barotrauma. Radiação ionizante Gamagrafia industrial 6 (análise de estruturas de concreto.52 conclusão Agentes de Risco Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Alterações na pele. 2006d).

luvas. que se obtém com forte sopro de ar sobre vidro em fusão (USP.5 µm a 10 µm são consideradas partículas respiráveis 9 (USP. minerais. pode provocar Dermatoses quando entra em contato com a pele do trabalhador. com várias aplicações industriais (cordas. as que se apresentam com diâmetro menor que 3 µm (USP. 2007b). vegetais e a fumos metálicos. sendo o Asbesto considerado cancerígeno humano (USP. isolamento térmico em geral. tecidos resistentes ao calor.Limite de Exposição Ocupacional para aqueles materiais que oferecem risco quando depositados na região de troca de gases. A figura 1 mostra a relação do comprimento da fibra com o diâmetro da partícula.53 A inclusão das fibras se faz pertinente no reconhecimento e avaliação dos riscos ambientais na Indústria da Construção. tais como: caixas d’água.Relação Comprimento X Diâmetro de Partícula Fonte: USP (2007b) Em relação aos agentes químicos é preciso levar em consideração o tamanho das partículas. névoas e vapores é provocada pela ausência de 7 Asbesto ou Amianto é um mineral de estrutura fibrosa. as quais são transformadas ou passam por processos que modificam a sua natureza. 2007b). telhas. 2007b). observa-se que determinadas operações podem expor os trabalhadores às poeiras alcalinas. O cimento é exemplo de produto que pode afetar a saúde do trabalhador em seu estado natural (poeiras alcalinas) ou após sua preparação e aplicação. 2007b). artefatos de fibrocimento. São partículas com diâmetro de corte para 50% da massa das partículas igual a 4 µm. Neste estágio. Torloni. lonas de freio. Fibra de lã de vidro é um isolante térmico constituído de finas fibras de vidro. Consideram-se fibras as partículas sólidas que apresentam uma relação de comprimento e diâmetro de 3:1 (três para um). Vieira (2003) p. discos de embreagem. no qual as que possuem diâmetros entre 0. 8 Partículas respiráveis ou Massa de Particulado Respirável (MPR) é uma classificação definida pela ACGIH (2005) que indica o LEO . Comprimento (3 d) Diâmetro (d) Figura 1 . sendo que a exposição aos gases.163. 9 . Os riscos químicos encontrados na Indústria da Construção são provenientes de manipulações das matérias-primas utilizadas no setor produtivo. levando-se em conta que a aplicação do asbesto 7 e da fibra de lã de vidro 8 ocorre com freqüência em vários tipos de edificações. Na tabela 3.13. Destas são ditas respiráveis. tubulações pisos e divisórias).

Poeiras Minerais Acabamentos em concreto e pedras ornamentais. conhecida como proteinose alveolar. fibra de vidro. dermatite. etc. urticária. espirro. remoção dos resíduos do canteiro de obra. Doenças pulmonares crônicas. Vieira (2003) p. 12 11 10 . as partículas não tóxicas. Bronquite. corte de paredes.54 controle na aplicação e armazenamento de substâncias químicas. continua Poeiras Insolúveis Não Classificados de outra Maneira – PNOS são substâncias que não tem a potencialidade de causar fibroses ou efeitos sistêmicos. Vieira (2003) p. 155. têm sido associadas ocasionalmente como uma condição fatal. Outra observação importante sobre estes agentes de risco é a sua capacidade de gerar efeitos agudos e crônicos. Torloni. Isso ocorre através da absorção dos componentes pelo sangue. Corte de vergalhões de aço. conjuntivite. pisos cerâmicos. Câncer e Efeitos Sistêmicos 12 . estruturas. mas não são biologicamente inertes. Toda essa função depende da ação fisiológica do agente. de acordo com a forma em que a substância química se apresentar. Fibroses (Silicose e Asbestose). Poeiras Alcalinas Cal e cimento.13 – Riscos Químicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Poeiras Insolúveis Classificados de Maneira – PNOS 10 Não outra Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Pneumoconioses benignas 11 . Asma. sendo que alguns são extremamente agressivos e demandam de medidas de controle e proteção adequada. ACGIH (2005) Pneumoconioses benignas são doenças que atingem o aparelho respiratório. pedras ornamentais e telhas cerâmicas e de amianto. 153. grandes movimentações de terra. Torloni. limpeza do canteiro de obra a seco com vassouras e pás. dificuldade de respirar. preparação de massa de cimento e argamassas. Em função disso a ACGIH estabelece critérios para avaliação e controle. rejuntamento de pisos e azulejos. carga e descarga de areia. bronquite e asma. Tabela 3. pedra e outros materiais. visto que em altas concentrações. Efeitos Sistêmicos são aqueles que ocorrem em outros órgãos. mas deixam à estrutura alveolar intacta e a reação do organismo e potencialmente reversível. inchaço das membranas. e não necessariamente no órgão ao qual foi depositado. no qual os trabalhadores devem ser treinados e receber Equipamentos de Proteção Respiratória . demolição.EPR adequado.

Poeiras Vegetais Corte e lixamento de madeira. vômitos. lesões no sistema nervoso central. Dermatite Irritativa de Contato Forte – DICF. intoxicações. produtos químicos que podem evaporar quando expostos à temperatura ambiente.: muito desses produtos têm em sua composição hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos. verniz. pele e mucosa dos olhos. Obs. contaminação por via digestiva. Fonte: Adaptado da USP (2006c). câncer: fígado e rins. Produtos Químicos Ácido muriático e clorídrico. náuseas. Doença pulmonar obstrutiva. Gases. névoas e vapores Armazenamento inadequado de produtos químicos. desformantes. Efeitos Sensibilizantes: aumento da probabilidade de asma ocupacional. reações inflamatórias na pele e na via respiratória superior. febre dos fumos metálicos e intoxicação específica de acordo com o metal. operações de corte e soldagem a quente. thiner. trabalhos em locais confinados. Fumos Metálicos Operações de corte e soldagem a quente. resinas epóxi. Efeitos Irritantes: provoca irritação das vias aéreas superiores. argamassas. sonolência. premer. seladora. massa de cimento. mas em órgãos e sistemas do corpo. USP (2007d). aguarrás. lesões na mucosa dos olhos. Dermatite Alérgica de Contato – DAC (cimento e solventes). coma e morte. etc. Efeitos Anestésicos: provocam ação depressiva sobre o sistema nervoso. convulsões. Efeitos Sistêmicos: não provocam danos aos pulmões. Efeitos Asfixiantes: provoca dor de cabeça. danos aos diversos órgãos do corpo (rins e fígado) e ao sistema formador do sangue.55 conclusão Agentes de Risco Fonte de Emissão Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Renite alérgica e Adenocarcinomas. etc. Arcuri (2004) e SENAI (1994) . Ali (2006). massa plástica. tintas. redução dos glóbulos vermelhos (hidrocarbonetos). pintura a revólver. Dermatite Irritativa de Contato – DIC.

Observa-se que a NR-18 (Brasil. Tabela 3. bacilos. Leptospirose. Na tabela 3. trabalhadores doentes no canteiro ou no alojamento. 1994) considera agentes biológicos os microrganismos. parasitas. Solitária e Esquistossomose.3 Riscos Biológicos A NR-9 (Brasil. O reconhecimento antecipado e o controle dos agentes biológicos em um canteiro de obras se fazem necessário. entre outros. Vírus. em que uma simples poça d’água pode proliferar o mosquito transmissor da Dengue e adoecer vários trabalhadores. ausência de acondicionamento e tratamento do lixo (restos de comida e materiais contaminados). Cólera. fungos. Gripe. onde o Anexo 14 da NR-15 (Brasil. trabalhos em esgotos. Brucelose. bem como sua fonte de emissão e quais doenças podem afetar à saúde dos trabalhadores. água parada no canteiro de obra. Fonte: Adaptado do SENAI (1994) . Possíveis Conseqüências à Saúde dos Trabalhadores Bacilos. área de vivência sem higienização (alojamento. Fungos. trabalhos próximo de florestas e matas. 1978) exemplifica algumas atividades em que a insalubridade pode ser caracterizada através da avaliação qualitativa. Parasitas. Protozoários. vírus. Conjuntivite. 1995) se preocupa constantemente com a limpeza e higiene das áreas de vivência (instalações sanitárias. banheiro. Tuberculose. locais para refeição. Tifo. sendo que a caracterização de sua exposição é feita através de inspeção no local de trabalho. animais no canteiro de obra. Malária. trabalhos em efluentes e saneamento básico. Hepatite. refeitório e vestiário). Doença de Chagas. Febre Amarela. Diarréia.56 3. tais como: bactérias. reservatório de água descoberto.14 – Riscos Biológicos na Indústria da Construção Agentes de Risco Fonte de Emissão Ambulatório médico. alojamento e vestiário). Bactérias. Infecções Intestinais.8.14 estão relacionados os Agentes Biológicos que podem estar presentes nos canteiros de obras. Dengue. água contaminada. protozoários. com riscos que pode levá-los até à morte na fase hemorrágica da doença.

Nas questões relacionadas aos abusos causados por pessoas que comandam ou tem poder para dirigir os trabalhos. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. podendo provocar no trabalhador distúrbios psicológicos e fisiológicos SENAI (1994). A Instrução Normativa n° 98 (MPS. os relacionados ao mobiliário. levantamento e transporte manual de peso. forçando-o a desistirem do emprego (Assédio Moral no Trabalho. As doenças provocadas por esforços repetitivos são denominadas LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbio Osteosmusculares Relacionados ao Trabalho. monotonia e repetitividade e outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico. 1990) estabelece parâmetros para que se possa proporcionar o máximo conforto do trabalhador nos ambientes de trabalho. compressões 13 Assédio Moral é a exposição dos trabalhadores às situações humilhantes e constrangedoras. 2003) conceitua tais doenças como uma síndrome relacionada ao trabalho. sensação de peso. podendo causar doenças e/ou lesões (USP. jornadas de trabalho prolongadas. 2007b). O Anexo à Portaria n° 25 (Brasil. em que predominam condutas negativas. sendo mais comum em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas. relações desumanas e aéticas de longa duração. imposição de ritmos excessivos. estas são reconhecidas pela Previdência Social como Doenças do Trabalho. como o stress e doenças do coração. em que tem no trabalho a sua principal causa. como o Assédio Moral 13 . mas podendo acometer membros inferiores. exigência de postura inadequada. sinovites. 1994) classifica os riscos ergonômicos como sendo: esforço físico intenso.57 3. equipamentos ou às condições que o trabalho é executado. Já nas doenças causadas pela organização do trabalho. . parestesia. fadiga de aparecimento insidioso. tais como: dor. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.8.4 – Agentes Ergonômicos Os Agentes Ergonômicos são considerados como condições que interferem no conforto do trabalhador. geralmente nos membros superiores. trabalho em turno e noturno. caracterizada pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não. 2008). sendo que o Direito do Trabalho já possui entendimentos que levam ao pagamento de indenizações. A NR-17 (Brasil. Entidades neuro-ortopédicas definidas como tenossinovites. Podem estar ligados à organização das tarefas. controle rígido de produtividade. de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinado(s).

sendo que o trabalhador sempre encontra subterfúgios para amenizar a execução do trabalho e reduzir os efeitos dos agentes de risco. no qual sua concepção é voltada à análise das tarefas do operador 15 e da compreensão de como o trabalho é organizado e de como o trabalhador organiza esse trabalho. Em sua visão. o trabalho prescrito é sempre diferente do trabalho realizado. processamento de dados. sendo que está em sua décima edição (ANS. no qual foram diagnosticadas às questões ergonômicas na movimentação de andaimes suspensos mecânicos. o Ministério da Previdência e Assistência Social MPAS detectou entre os 200 códigos da CID-10 14 com maior incidência no ano de 2001 as LER/DORT. Ela é publicada pela OMS e é usada globalmente para estatísticas de morbidade e de mortalidade. que representou 33. serviços de utilidade pública (água e energia). comprovou-se que não há requisitos ergonômicos nas exigências da NR-18 (Brasil. Em estudo realizado por Saurin et al. (2005). As regiões cervical e lombar e os membros superiores são os locais mais freqüentemente comprometidos. Operador é o termo que designa toda pessoa que exerce uma atividade profissional. classificação profissional. podem ser identificadas ou não. complementa que pela própria natureza das atividades da construção. indústrias automobilísticas. Guérin et al. metalúrgicas de componentes eletrônicos.). serviços de comunicação (telefonia. sendo os diagnósticos mais comuns as sinovites e tenossinovites não especificadas. mas estes distúrbios podem ocorrer em qualquer parte do sistema osteomuscular. sexo. Segundo a USP (2007c). Ainda. correios e imprensa).8% dos casos de doenças do trabalho registrados. Segundo a USP (2006d). comércio (supermercados). farmacêuticas e outras (USP.1. quaisquer que sejam suas características (ofício. 2007c). (2001) p. 15 . A USP (2006d) dá um enfoque completamente diferente à Ergonomia que é atualmente é discutida na Indústria da Construção. elas são problemáticas em termos 14 CID-10 é a sigla utilizada para indicar a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. síndromes miofaciais. a construção ergonômica deve acontecer na transformação do trabalho. etc. conseguindo atingir sua meta e a produtividade a ele imposta. alimentação e processamento de carnes. A divisão destes diagnósticos em relação aos ramos de atividade econômica mostrou a presença da doença em trabalhadores de bancos. 2008). 1995) para a movimentação dos mesmos.58 de nervos periféricos. serviços de saúde.

1995) apresentam falhas. no qual o nexo entre a causa e o efeito é relativamente fácil. não só nas questões ergonômicas da NR-18 (Brasil. Nos canteiros de obras. O autor relata que devido à rotatividade e terceirização do setor. esforço físico intenso na movimentação e transporte manual de materiais e repetitividade. escadas. Para Saurin et al. que os cabos de segurança sejam utilizados como auxílio nos cintos durante os procedimentos de carga e descarga de materiais e que a mecanização de alguns processos pode apresentar algum alívio aos trabalhadores (PROTEÇÃO.. no qual o carregamento de materiais e os trabalhos em altura são importantes fatores de traumas vertebrais. 2007c). Para a solução dos problemas ergonômicos na Indústria da Construção. um pela postura indevida e pelo excesso de peso. rampas. sendo que a ausência de equipamentos adequados. 2007c). estando estes descritos na Tabela I do Anexo à Portaria n° 25 . no qual faz referências às posturas inadequadas.59 ergonômicos. as quais requerem trabalhos abaixo da altura dos joelhos e acima do nível dos ombros. propõem-se: que as cargas tenham seus pesos limitados. tratando-se de uma questão pouco observada por todos os envolvidos no assunto.5 Riscos de Acidentes ou Mecânicos Os riscos de acidentes ou mecânicos ocorrem imediatamente após o contato entre o agente e o trabalhador. outro pelo impacto em caso de queda. ou seja. reduz a produtividade e obriga a realização de atividades de risco grave e iminente (SAURIN et al. fica cada vez mais difícil identificar o empregador que foi responsável pelas condições inadequadas de trabalho. 3. Exemplifica a questão com as atividades de execução de pisos e forros. como o Andaime Suspenso Mecânico. governo e trabalhadores (PROTEÇÃO. como o stress e as lombalgias. 2005). (2005). as patologias da coluna são igualmente uma ameaça.8. bancadas e prateleiras passem por manutenções constantes. em que são ergonomicamente inadequadas. A discussão dos problemas da coluna não têm tido o espaço merecido nas discussões tripartites da Indústria da Construção. mas em várias questões que deveriam buscar a prevenção das doenças profissionais e/ou do trabalho. Na concepção do projeto há falhas que dificultam a sua execução e colocam a vida e a saúde dos trabalhadores em perigo. empresários.

a NR-9 (Brasil. equipamentos e logística. as necessidades de segurança do trabalho para a sua execução (medidas de proteções coletivas e individuais). 1994) não inclui os riscos ergonômicos e de acidentes. Coberturas. sendo que a identificação dos riscos ambientais deve ser feita através do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais .60 (Brasil. pois só assim estaremos antecipando e resolvendo e/ou minimizando os possíveis riscos durante as execuções das obras. Fundações e Estruturas. Conforme a USP (2006f).PPRA e do Mapa de Riscos. iluminação inadequada. máquinas. com o objetivo de incluir nessa fase o detalhamento das medidas de proteções coletivas. A NR-18 (Brasil. ferramentas inadequadas e defeituosas. 1994) como sendo: arranjo físico inadequado. reconhecimento. animais peçonhentos e outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes. o qual deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil.9 Reconhecimento dos Riscos na Indústria da Construção por Fase da Obra O reconhecimento dos riscos na obra devem ser feitos de acordo com cada fase. probabilidade de incêndio ou explosão. 1995) traz uma grande inovação para a saúde e segurança do setor quando estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação do PCMAT para os canteiros de obras com mais de 20 (vinte) trabalhadores. às quais envolvem trabalhadores. 3. eletricidade. Fechamento e Alvenaria. assim como a análise dos riscos de cada etapa do projeto. Instalações e Acabamentos e Máquinas de Elevação (SAMPAIO. Eles devem estar contidos em documento específico que contemple os dados da obra. armazenamento inadequado. 1994). ou seja: antecipação. químicos e biológicos. porém nada impede que ambos sejam incluídos no PPRA. 1998a). A obra se divide nas seguintes fases: Movimentação de Terra. avaliação e controle dos riscos físicos. A falta de espaço nos grandes centros . máquinas e equipamentos sem proteção. Nos canteiros de obras com menos de 20 (vinte) trabalhadores não é obrigatória a elaboração do PCMAT. Outra fase a se considerar e que atualmente está presente na maioria das principais cidades brasileiras é a Demolição.

contatos com substâncias químicas. desmoronamento de estruturas vizinhas. em que a NR-18 (Brasil. Conforme a NR-18 (Brasil. 3. Recomenda-se que a demolição ocorra. protegidas as construções vizinhas através de escoramento ou fundações que devem ser realizadas na estrutura. desabam”. mas o alto custo dos terrenos e a crescente demanda por imóveis nos grandes centros urbanos transformou as construções verticais na alternativa mais viável para expansão do mercado imobiliário. nas atividades de Demolições devem ser: desligados ou isolados todos os fornecimentos de energia elétrica. exposição a gases tóxicos. água.9. com a finalidade de deixar o terreno limpo para o início da terraplenagem. 1997).1 Demolição A Demolição é fase da obra destinada à derrubada da construção antiga e remoção dos resíduos. respeitando-se as características do edifício a se demolir (BARROS. para a construção de edificações verticais. Os riscos mais freqüentes na Demolição são: queda de objetos e materiais. removidos os vidros. MELHADO. 2002). sempre que possível. na ordem inversa à construção.61 urbanos e a necessidade das populações estarem concentradas nas cidades faz com que casas e edificações antigas sejam demolidas. A demolição é um serviço perigoso na obra. pontiagudos e abrasivos. choques elétricos. contatos com objetos cortantes. inflamáveis líquidos e gasosos e substâncias tóxicas. soterramentos por queda de estruturas e paredes. pois é comum mexer-se com edifícios bastante deteriorados e com perigo de desmoronamento. atropelamentos e prensamento de pessoas na obra provocado por máquinas. Tal fase da obra deve ser assegurada pelo PCMAT. não só falta de espaço levam à tendência da verticalização das edificações nas grandes cidades. Segundo Matias Jr. 1995). bem como a Construtora deve fazer a Comunicação Prévia do início dos trabalhos ao MTE. explosões e incêndios. estuques e outros materiais frágeis que possam se desprender e . em que neste serviço “as coisas caem. ripados. 1998b). emissão de poeira (SAMPAIO. (USP-São Carlos. 1995) determina que toda atividade de demolição deva ser dirigida por Profissional Legalmente Habilitado.

fiação elétrica. de acordo com a classificação determinada pela legislação. vergalhões. 1995). vidros. visto que a inclinação não pode ser superior a 45° (quarenta e cinco graus). e quando a construção encontrar-se a meio-fio. No ponto de descarga. deve-se umidificar os materiais durante a demolição e remoção. A NR-18 (Brasil.50 metros e inclinação de 45° (quarenta e cinco graus). tais como: madeira. evitando desta forma que os materiais possam atingir os mesmos. ausência de sinalização de segurança e das vias de circulação. apresentando riscos com a ausência das proteções coletivas. A NR-18 (Brasil. na qual não foi aplicada a NR-18 (Brasil. 1995) determina que seja feito o isolamento de área e construção de galerias para a circulação dos trabalhadores dentro do canteiro de obras. Outra observação importante na fase de Demolição é a separação dos resíduos. Para garantir a redução na emissão de poeira. a calha deverá ter um sistema de fechamento. parte de estruturas de concreto presa pela ferragem. através de guindastes e outros dispositivos mecânicos e quando os entulhos forem removidos por gravidade as calhas devem ser fechadas com material resistente. gesso.62 atingir os trabalhadores. fechadas e isoladas todas as aberturas existentes e mantidas as vias de circulação livre. pois no PCMAT deve constar qual será a destinação de cada resíduo. Em obras de Demolição devem ser instaladas a cada dois pavimentos. . As vias de circulação dos veículos devem ser sinalizadas para evitar atropelamentos durante a remoção dos entulhos. produtos de cimento amianto e entulho. sinalizadas e iluminadas. 1995) determina que na remoção de objetos pesados e volumosos devem-se utilizar equipamentos adequados. para garantir que os entulhos não caiam sobre os trabalhadores. bandejas com a dimensão mínima de 2. materiais plásticos. a qual podem afetar os trabalhadores e as edificações vizinhas. Na figura 2 observa-se a operação de Demolição de uma edificação horizontal. na qual a mesma deve ser fixada em todos os pavimentos. devem ser instaladas galerias para garantir a segurança dos pedestres e veículos.

2 Movimentação de Terra A fase de Movimentação de Terra é definida como o conjunto de atividades destinadas ao desmontes de rochas. soterramento de pessoas. erosão provocada pela ação das águas e vibrações de máquinas e veículos utilizados na escavação. . choques. no qual se deve levar em consideração as intempéries. Esta fase da obra deve ser acompanhada por um Profissional Legalmente Habilitado. Fonte: Custódio (2006) 3. sendo que uma das medidas importantes que devem ser tomadas é o estudo geológico do solo e a execução de escoramentos. ausência de escoramento ou queda dos mesmos. gerando uma sobrecarga nos escoramentos. que em determinados locais as chuvas são excessivas e podem comprometer a estabilidade do solo.63 Figura 2 – Obra de Demolição. O risco de desprendimento de terra sob a escavação pode ser provocado pelo: acúmulo de materiais nas bordas da escavação. explosões e incêndios. 1995). 1998a). preparo do terreno e movimentação de terra. Nesta fase da obra podem ocorrer os riscos de: desprendimento de terra da escavação. contatos elétricos diretos ou indiretos em pessoas. 2008). conforme a NR-18 (Brasil. queda de altura de pessoas. O soterramento é a segunda causa de acidentes fatais na Indústria da Construção (FETICOM-SP. atropelamentos e prensamento de pessoas na obra provocado por máquinas (SAMPAIO.9. Tais atividades têm a finalidade de preparar o terreno topograficamente para que possam ser iniciadas as escavações. conhecidas como terraplenagem.

A partir desta profundidade também devem ser colocadas escadas ou rampas para que os trabalhadores possam sair rapidamente em caso de emergência.25 metros devem ter sua estabilidade garantida através de escoramento dimensionado para esse fim. nos quais os taludes instáveis com mais de 1. preparo das cargas. de energia elétrica. equipamentos e veículos. 1998a). As escavações podem danificar as edificações vizinhas. 1995) determina que os materiais retirados da escavação sejam depositados a uma distância de no mínimo à metade de sua profundidade.75 metros os escoramentos são obrigatórios e só podem ser retirados no momento do fechamento da escavação. além da destinação das sobras de explosivos e pelos dispositivos elétricos utilizados na detonação. Outra medida utilizada para a garantia da estabilidade dos taludes é o cobrimento das escavações ou a impermealibização dos mesmos. a NR-18 (Brasil. Quando as escavações forem superiores a 1. canalizações de esgoto. na qual sempre existe a possibilidade do trabalhador voltar para algum serviço ou reparo. linhas telefônicas e de gás. seja na retirada de terra para a construção de muros de arrimo. em que o estudo da fundação deve levar em consideração o impacto que será exercido sobre as mesmas. ou seja. carregamento das minas. Nas escavações de tubulões a céu aberto executado manualmente deverá ser procedido de sondagem ou estudo geotécnico local. Quando existe a necessidade do desmonte de rochas a fogo. os escoramentos devem ter sua resistência garantida para a carga solicitada. ou nas vibrações provocadas pela movimentação das máquinas e caminhões (SAMPAIO. Blaster é o profissional tecnicamente habilitado a supervisionar as atividades de desmonte de rochas a fogo. . que deverá ser responsável pelo armazenamento. pois o rompimento de qualquer uma poderá provocar prejuízos à população local e até mesmo causar explosões e incêndios de grandes dimensões. Outra observação importante que Sampaio (1998a) faz nesta fase da obra é o conhecimento que o responsável pela escavação deve ter do local. Nessa atividade a 16 Segundo Sampaio (1998a).64 A NR-18 (Brasil. 1995) determina que deva haver um blaster 16 . ordem de fogo e retirada dos explosivos que não detonaram. com a utilização de explosivos. Quando exista a possibilidade de aproximação de máquinas. em que é preciso analisar com antecedência a existência de linhas de fornecimento de água.

além do risco de explosões. a qual pode ocorrer por fadiga ou impacto da estrutura contra obstáculos. inclusive para períodos noturnos. 1995) no que diz respeito ao trabalho em ambientes confinados e também a NR-33 (Brasil. e que os cabos de sustentação do pilão devem ter comprimento para que haja. com cuidados especiais aos sistemas hidráulicos. freios e pneus. que é o equipamento destinado a cravar estacas no solo. Nesta atividade. deverá ser obedecido o disposto no . A USP (2007b) observa que na montagem desses equipamentos podem ocorrer alguns riscos adicionais. o qual ocorre pelo inadequado calçamento do equipamento ou pelo desconhecimento das características morfológicas do terreno. quebra da estrutura de bate-estacas. rompimento do cabo por fadiga ou manuseio indevido. Quando a execução de escavações e fundações for realizada sob ar comprimido. a qual tem a finalidade de garantir condições mínimas de SST na atividade. um mínimo de 6 voltas no tambor. possibilitando a queda de pedestres e veículos. em qualquer posição de trabalho. É comum encontrarmos valas em vias públicas sem sinalização e isolamento. As máquinas e equipamentos utilizados nas escavações devem ser operados por trabalhadores qualificados. queda de altura no momento do acesso ao tubulão. As escavações devem possuir sinalizações e isolamentos. 1995) determina que o operador de bateestacas deva ser qualificado e ter sua equipe treinada. os quais impedem os pedestres e veículos de terem acesso aos locais de riscos de acidentes. no qual dentro das escavações podem ocorrer intoxicações ou asfixia devido à presença de gases tóxicos ou de produtos químicos. além de proteção contra intempéries. Não é recomendado o uso de fitas zebradas para esta finalidade e sim telas ou sistemas rígidos.65 construtora deverá levar em consideração o que determina a NR-18 (Brasil. entre eles: tombamento de bate-estacas durante seus deslocamentos. 2006). decorrentes do impacto entre a estaca e a parte móvel do equipamento. além de ser garantida a manutenção corretiva e preventiva das mesmas. sendo que as máquinas de grande porte devem ter luzes e alarme sonoro quando movimentadas a marcha ré. Nesta fase da obra são utilizados os bate-estacas. desabamento de terra e quedas de materiais sobre os trabalhadores. tendo essa condição anotada em CTPS. projeção de materiais. prensamento ou esmagamento de dedos e mãos. a NR-18 (Brasil.

queda da torre da grua (SAMPAIO. descargas elétricas de máquinas utilizadas pelos carpinteiros. radiações. queimaduras. porém somente a proteção não garante a segurança e saúde do operador. A queda de altura na Indústria da Construção é a causa que mais provoca acidente fatal (FETICOM-SP.3 Fundações e Estruturas Fundação é a fase da obra que une o edifício ao terreno e Estrutura é o elemento ou conjunto de elementos que formam a parte resistente e de sustentação do edifício. 1995). 3. 1998a). Figura 3 – Movimentação de Terra e Terraplenagem.66 Anexo n° 6 da NR-15 (Brasil. Segundo Souza e Quelhas (Proteção. Na figura 3 observa-se a Movimentação de Terra e Terraplenagem para a preparação de um terreno. quedas de objetos e materiais. perfurações e cortes por objetos. Nota-se a circulação de caminhões e máquinas pesadas. a cabine deve ser enclausurada e aclimatizada. impedindo o acesso de pessoas estranhas aos trabalhos. Fonte: Monticuco (2007). para que o trabalhador não fique exposto à poeira que é gerada pela atividade. com cuidados especiais para a compressão e descompressão nos tubulões.9. 2006). . fumos e partículas nos olhos. contatos com substâncias nocivas em estruturas de concreto. golpes. explosões e incêndios. em que o local está isolado. A figura 4 mostra a operação de um bate-estacas. Nesta fase da obra ele descreve os seguintes riscos: queda de altura. Nota-se que o compactador de solo não tem a proteção contra intempéries. 2008). Figura 4 – Operação de bate-estacas. não sendo uma conseqüência somente desta fase da obra.

de maneira que ninguém tenha acesso. Seisso . Quanto às aberturas existentes no piso. 17 O Programa 5S foi concebido por Kaoru Ishikawa no Japão em 1950 e foi aplicado após a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de reorganizar o país quando vivia a chamada crise da competitividade. Shitsuke .LIMPEZA: Limpar e cuidar do ambiente de trabalho. a principal delas é a construção do sistema guarda-corpo-rodapé com altura mínima do travessão superior de 1. Os poços dos elevadores devem ter a mesma proteção.67 Para a prevenção da queda de altura a NR-18 (Brasil. Essas palavras e suas versões para o português são: Seiri DESCARTE: Separar o necessário do desnecessário. A adoção do Programa 5S no Japão na década de 1950 foi um dos fatores da recuperação das empresas e da implantação da Qualidade Total no país. 1995) estabelece que elas devem ser fechadas com proteção resistente e isoladas. a NR-18 (Brasil. visto que o mesmo tem a finalidade de manter os locais de trabalho organizado. sendo um instrumento importante nos programas de gestão. e seus degraus devem ser encaixados no montante. Seiton . diminuindo os desperdícios. 1995) determina proteções mínimas que devem ser implementadas e só retiradas quando tenha sido concluído o fechamento da abertura da periferia da laje ou do piso. Ele tem o objetivo de transformar o ambiente das organizações e atitude das pessoas. O sistema de guarda-corpo-rodapé deve suportar uma carga mínima de 150 quilos em seu ponto mais vulnerável e ter os espaços entre os vãos fechados com tela ou outro material que garanta a resistência solicitada. limpos e desimpedidos. reduzindo custos e aumentando a produtividade das instituições. Entre tais determinações. Devem ser construídas com madeira de primeira qualidade e que não apresentem nós e/ou rachaduras. conforme determina a NR-18 (Brasil. Seiketsu SAÚDE: Tornar saudável o ambiente de trabalho. O "Programa 5S" ganhou esse nome devido às iniciais das cinco palavras japonesas que sintetizam as cinco etapas do programa. . mesmo quando estão protegidas. Outra situação que Sampaio (1998a) se preocupa nesta fase da obra é com a organização e limpeza do canteiro de obra. apenas envernizadas.DISCIPLINA: Rotinizar e padronizar a aplicação dos "S" anteriores (IPEM-SP. não podendo ser pintadas. Esta proposta deverá constar na norma no ano de 2008.ARRUMAÇÃO: Colocar cada coisa em seu devido lugar. de acordo com o texto aprovado pelo CPR/SP (FETICOM-SP. 1995). sendo que as construtoras só têm retirado às malhas de aço no momento da instalação do elevador definitivo. Até hoje é considerado o principal instrumento de gestão da qualidade e da produtividade utilizado no Japão devido a sua eficácia. melhorando a qualidade de vida dos funcionários. rodapé de 20 centímetros e travessão intermediário colocado a uma altura de 70 centímetros. 2008). onde ele indica a aplicação do Programa 5S 17 .20 metros. 2008). As escadas devem ser dimensionadas de acordo com a sua aplicação.

De acordo com Sampaio (1998a). no qual materiais podem ser projetados e ultrapassar as plataformas. O profissional deverá ter sua função anotada em CTPS e portar documento de identificação. é obrigatória a colocação telas de proteção em toda a extensão da edificação. com um pé-direito acima do nível do terreno. em que ele manuseará a serra circular de bancada. aproximadamente 30% dos Acidentes de Trabalho ocorrem nas mãos e nos punhos dos trabalhadores. 1995) determina que iluminação deva ser protegida contra impactos provenientes da projeção de partículas ou vergalhões. quanto em sua montagem. a primeira é responsável pela confecção das fôrmas. a NR18 (Brasil. somente podendo ser retirada quando todos os andares superiores estiverem concluídos. A carpintaria é uma atividade que deverá ser desempenhada por trabalhador qualificado. 1995) determina que deve ser instalada a plataforma principal a partir do andar térreo. às quais serão construídas e montadas pelos Carpinteiros. A obrigação de instalação das plataformas é para as edificações que tenham mais de 4 (quatro) andares ou altura equivalente. O corte e a dobragem dos vergalhões de aço devem ser feitos em mesas estáveis e apoiados sobre superfícies resistentes. podendo atingir os trabalhadores. as pontas dos vergalhões devem ser .20 metros.68 Para prevenir a queda e projeções de materiais. sendo que elas devem atingir todo o perímetro da edificação. objetos e ferramentas. De acordo com as estatísticas da MPAS (2008). No setor de armações a NR-18 (Brasil. encontram-se as atividades de Carpintaria e Armações de Aço. pedestres e edificações vizinhas. Estas plataformas só podem ser removidas quando for fechada a periferia da laje na altura mínima de 1. Nesta fase da obra. tanto no corte da madeira necessária para as fôrmas. Ainda. Sua qualificação é extremamente importante. afastados da área de circulação de pessoas. Após a montagem e colocação das armações. e a segunda é responsável pelas estruturas de ferro que serão colocadas dentro das fôrmas e dará a resistência necessária à estrutura. e plataformas secundárias a cada 3 (três) pavimentos a partir do andar térreo. O local deve ter cobertura para a proteção dos trabalhadores contra as intempéries e queda de materiais. o qual é um equipamento perigoso e que pode causar cortes e amputações nos membros superiores dos trabalhadores.

Os tubos de oxigênio e acetileno devem ser protegidos dos raios solares. A NR-18 (Brasil. Capas de Chuva e Capacete. . As linhas transportadoras de concreto estão fixas à estrutura e o guarda-corpo foi instalado na periferia da laje. olhos e inalação de substâncias alcalinas. avental. que na maioria das vezes é realizada em ambientes úmidos (NR-18. sendo está medida uma proteção mínima para atividades. a NR-18 (Brasil. máscara semifacial com filtro químico e mecânico. É obrigatória a colocação de anteparos rígidos para a proteção dos trabalhadores circunvizinhos. pode-se observar que os vergalhões que ficaram expostos não estão protegidos e que não existe a colocação de pranchas de madeira para que os trabalhadores possam deslocar-se com segurança sobre as armações de aço. exaustão local diluidora. A concretagem. 1995) prevê cuidados especiais às operações de soldagem e corte a quente. as quais podem provocar incêndios e explosões. falha no isolamento e sinalização de área para os demais trabalhadores. Botas de Borracha. etc. perneiras e luvas de raspa e calçado de segurança. que parte das atividades desta fase da obra. 1995) determina a necessidade de exaustão local para os fumos de solda. Na execução de obras em que haja a utilização de estruturas metálicas.).69 protegidas e devem ser colocadas pranchas de madeira para a circulação dos trabalhadores sobre as armações. Na figura 5 verifica-se a operação de concretagem de um pavimento em uma edificação horizontal. Nesta atividade a USP (2007b) descreve a possibilidade dos seguintes riscos: rompimento de linhas de alta pressão. aterramento elétrico. além da implementação das proteções coletivas (barreiras. contra os respingos de soldas e partículas incandescentes. poderá ser feita através de produção organizada no próprio canteiro de obras ou por meio de usinas. Os trabalhadores estão protegidos com Luvas de PVC. vibrações dos equipamentos principais e auxiliares (vibradores de concreto). Todos os equipamentos manuais utilizados na Indústria da Construção devem possuir duplo isolamento. Nesta figura. Na concretagem das fundações e das vigas de sustentação o concreto será bombeado até seu ponto de utilização. Devem ser fornecidos os seguintes EPI’s aos trabalhadores: máscara para soldador. BRASIL. contato da pele. escudo para soldador. facilitando assim a movimentação no momento da concretagem. 1995). As mangueiras devem possuir mecanismo contra o retrocesso de chamas e trabalhador deve ser qualificado. mangote.

com a finalidade de isolar a estrutura exterior em sua última laje. a NR-18 (Brasil. bem como a colocação das plataformas principais e secundárias e fechamento de toda a edificação com tela de segurança. coifa. além da instalação de passarelas e corrimões nas escadas. Para a proteção dos riscos de quedas de materiais e pessoas. guia de alinhamento. quedas ao longo da cobertura. dispositivo empurrador. tanto de operários como de materiais. etc. porém o local está sujo e desorganizado e não existe o coletor de serragens. . 1998a). quedas de materiais e pessoas. PVC. bem como um EPI conjugado: Capacete.70 Observa-se na Figura 6 uma serra circular de bancada. Figura 6 – Serra Circular de Bancada. queimaduras e cortes nos operários (SAMPAIO. Protetor Auricular e Protetor de Face. 1995) determina a implementação do sistema de guarda-corpo-rodapé. conforme determina a NR-18 (Brasil. podendo ser de madeira ou metálicas. 3. Estas coberturas são executas sobre outras estruturas. 1995). dispositivo para adequar a altura da serra à madeira e chave adequada de partida e parada. ideal para os trabalhos de carpintaria e com todos os requisitos de segurança: cutelo divisor. fechamento anterior e posterior da bancada. que por sua vez recebem sobre elas telhas de barro. Figura 5 – Operação de Concretagem. amianto. Nesta fase da obra podem ocorrer os seguintes riscos: quedas de operários e materiais da borda da laje de cobertura.4 Coberturas Cobertura é o conjunto de trabalhos destinados a dotar o edifício de proteção horizontal e/ou inclinada.9.

o qual deve estar preso a sua estrutura. ficando totalmente travado e impossibilitando seu deslocamento. . com escada de acesso acoplada e ter garantido sua estabilidade através de ancoragem ou estaiamento. A NR-18 (Brasil. devem-se adquirir os Cintos de Segurança do Tipo Pára-quedista ou Alpinista com 2 (dois) Talabartes. deve-se prever a instalação de dispositivos destinados à ancoragem de equipamentos de sustentação de andaimes e cabos de segurança para o uso de proteção individual. Os andaimes devem ser dimensionados para suportar os esforços e as cargas a que forem solicitados. Como medida preventiva. Os andaimes móveis só podem ser utilizados em superfícies planas e nunca podem ser movimentados com trabalhadores sobre os mesmos. É proibida a montagem de andaimes sobre qualquer tipo de veículo. 1995). Outro detalhe importante é o piso metálico. com o sistema guarda-corpo-rodapé e fechamento entre os vãos. piso completo e rodízios móveis com trava de segurança. sendo que o trabalhador não utiliza o Cinto de Segurança do Tipo Páraquedista. Nota-se também que sobre a escada existe um portão para que o acesso dos trabalhadores seja seguro. ligado a cabo guia independente da estrutura e com sistema de trava-quedas.71 Nas atividades sobre telhados. É expressamente proibida a realização de trabalhos em telhados e coberturas em caso de ocorrências de chuvas. 1995) determina que é obrigatório o dimensionamento de cabo guia ou cabo de segurança para a fixação de mecanismo de ligação por talabarte ao Cinto de Segurança do Tipo Pára-quedista. o que previne a queda de altura nos acessos aos equipamentos. O equipamento deve possuir sistema guarda-corporodapé e piso completo e antiderrapante. Observa-se na Figura 7 um Andaime Tubular Móvel conforme determina a NR-18 (Brasil. Os cabos guias devem ser dimensionados por profissional legalmente habilitado e suportar no mínimo 3 (três) vezes aos esforços solicitados. ventos fortes ou superfícies escorregadias. os trabalhadores devem utilizar Cinto de Segurança do Tipo Pára-quedista ou Alpinista. Para as edificações com mais de 4 pavimentos ou altura de 12 metros a partir do nível térreo. escada acoplada. o qual deverá atender todo o perímetro da edificação. A norma determina que em trabalhos realizados acima de 2 metros e com risco de queda é obrigatório o uso do Cinto. Na Figura 8 vê-se a operação de cobertura de um telhado sem qualquer proteção.

1998a). etc. A proteção contra a queda de trabalhadores deve ser garantida com o dimensionamento correto dos andaimes e a utilização do Cinto de Segurança do . Nesta fase da obra é possível encontramos os riscos de: desprendimento de materiais já colocados ou em fase de colocação. fachadas. 3. Figura 7 – Andaime Tubular Móvel. pois somente se estiverem em perfeito estado de conservação é que podem garantir que nenhum material seja projetado para fora do perímetro da edificação.9. quedas em altura de pessoas em trabalhos de revestimento externo.). dermatoses. assim como a distribuição interior. revestimentos incorporados.5 Fechamento e Alvenaria A fase de fechamento e alvenaria é o conjunto de trabalhos realizados para isolar a estrutura do exterior (coberturas. As plataformas devem estar o mais próximo possível da edificação. de acordo com o uso do edifício (paredes. etc. Fonte: Custódio (2006). As telas de proteção não podem estar rasgadas. explosões e incêndios (SAMPAIO. que devem atingir todo o perímetro da edificação. para que os materiais não possam cair através de pequenas fendas.).72 Figura 8 – Operação de Cobertura de Telhado. fechamentos. A proteção contra o desprendimento de materiais deve ser garantida através da colocação de plataformas e telas de proteção.

2001). no qual ele usa Luva de PVC e Camisa de Manga Longa. sendo que a melhor proteção é a prescrição de um processo de trabalho limpo e sem riscos de exposições. corrosivos. os materiais tóxicos. Outra alternativa eficiente é a substituição de produtos agressivos por outros materiais menos agressivos (PROTEÇÃO. sinalizados e de acesso permitido somente às pessoas autorizadas e com conhecimento prévio do procedimento a ser adotado em caso de eventual acidente. De acordo com a USP (2007c). avental. com a finalidade de protegêlo da ação do cimento. De acordo com a NR-18. inflamáveis ou explosivos devem ser armazenados em locais isolados. Na figura 9 observa-se uma cena rara de se encontrar na Indústria da Construção. O acesso aos andaimes deve ser feito de forma segura. . através de escadas acopladas ao equipamento. A medida mais eficaz de proteção é evitar o contato destes produtos com a epiderme do trabalhador. protetor facial. botas impermeáveis e camisa de manga longa. apropriados. A utilização de EPI’s não protege adequadamente os trabalhadores da Indústria da Construção na prevenção das Dermatoses. Para a manipulação destes produtos o trabalhador deve utilizar luvas. com a utilização de Cinto de Segurança com duplo talabarte. as dermatoses são causadas por contato direto do trabalhador com o cimento e substâncias químicas nos revestimentos incorporados. como a resinas. o qual deverá ser preso em cabo-guia independente através do sistema de trava-quedas.73 Tipo Pára-quedista ou Alpinista. O trabalhador está executando a alvenaria interna da edificação. Todos os trabalhadores envolvidos na manipulação e aplicação destes produtos devem ser treinados.

74 Figura 9 – Operação de Fechamento e Alvenaria Interna. cortes. explosões. 2007b). As instalações elétricas devem ser dimensionadas e supervisionadas por profissional legalmente habilitado e sua manutenção deve ser realizada por trabalhador qualificado. o que também possibilita a ocorrência de contatos elétricos (USP.6 Instalações e Acabamentos A fase de Instalações e Acabamentos é definida como sendo o conjunto de trabalhos destinados a dotar de funcionalidade o edifício em construção.9. . 3. Outra preocupação é a falta de controle de acesso aos quadros de força e cabine. 1998a). Nesta fase da obra. As instalações elétricas provisórias compõem um item especial. A manutenção inadequada da instalação e equipamentos possibilita a ocorrência de contatos elétricos. devem ser atendidas todas as especificações contidas na NR-10 (Brasil. visto que nelas podem ocorrer acidentes devido ao mau dimensionamento das instalações. 2004). feridas em extremidades e intoxicações (SAMPAIO. O choque elétrico é a terceira causa que mais provoca óbito na Indústria da Construção. incêndios e queimaduras. podem existir os seguintes riscos: descargas elétricas. quedas em altura de pessoas. 2008). os quais podem levar a um superaquecimento dos circuitos e incêndio. sendo que o dimensionamento das instalações elétricas na maioria das obras é precário e não respeita os requisitos mínimos de segurança (FETICOM-SP. No item instalações elétricas.

porém não se vê nenhum tipo de sinalização e de fechadura ou cadeado na grade. Na figura 10 observa-se um quadro de força de um canteiro de obras aparentemente bem dimensionado e protegido. sejam dos andaimes. Este sistema é conhecido como Sistema Limitador de Quedas de Altura e foi introduzido na norma pela Portaria n° 157 (MTE. 2006). e por que é importante que as proteções coletivas quando retiradas para algum trabalho devem ser colocadas imediatamente. com conectores e tomadas blindadas. Figura 10 – Quadro de Força em Canteiro de Obras. 1995) também possibilita a utilização das Redes de Segurança para a proteção contra quedas.75 Outra causa citada por Sampaio (1998a) e que se repete na maioria das fases da obras são as quedas de altura. com o risco de ocorrência de um acidente gravíssimo. . No treinamento dos trabalhadores é importante enfatizar qual é o benefício das proteções coletivas em detrimento às proteções individuais. Nestes casos. visto que as mesmas podem substituir as plataformas secundárias. possibilitando o acesso de pessoas não autorizadas. condutores de dupla isolação e local limpo. A NR-18 (Brasil. rampas e passarelas. o PCMAT deve abordar sistematicamente a manutenção das proteções coletivas contra quedas de altura e a conservação das escadas. aberturas no piso ou nas periferias das edificações.

Em aspectos gerais.ART’s respectivas. a existência de obstáculos. A área sob os locais de movimentação de materiais devem ser isoladas. separando os elevadores tracionados a cabo de aço dos elevadores de sistema de pinhão e cremalheira. 1995) apresenta capítulos específicos destinados aos elevadores de obras. 2008). Os trabalhadores devem ser qualificados para a operação dos equipamentos de elevação e sua função deve anotada em CTPS. Com tais equipamentos podem ocorrer os seguintes riscos: quedas de objetos. as Plataformas de Trabalho Aéreo – PTA e os Guindastes. A NR-18 (Brasil. As condições locais devem levadas em consideração. 2007b). o Guincho. no qual devem ser elaborados projetos e emitidas as Anotações de Responsabilidade Técnica . 1998a). 1995) especifica que: todos os equipamentos de movimentação de materiais e pessoas devem ser dimensionados por profissional legalmente habilitado. como por exemplo: as características do terreno. bem como as anomalias que os operadores identificarem no dia-a-dia de trabalho. A desconsideração das condições adversas (ventos e chuvas) e as condições de dimensionamento dos cabos e acessórios podem provocar acidentes com pessoas envolvidas na operação (USP. O içamento mecanizado de cargas faz parte da maioria das obras da Indústria da Construção. garantindo que pessoas e trabalhadores não se encontrem nos respectivos locais durante os trabalhos. Durante estas operações podem ocorrer acidentes devido à utilização de equipamento impróprio para o levantamento da carga ou fora de condições seguras de operação. agarramento e contatos elétricos (SAMPAIO. a NR-18 (Brasil. em que a proposta está direcionada a exigência .7 Máquinas de Elevação Consideram-se como máquinas de elevação: a Grua.9. o Elevador de Obras. os ângulos de elevação e abaixamento da carga. o comprimento da lança do equipamento no içamento e abaixamento da carga e a disponibilidade e condição dos meios de acesso. A melhoria das condições de segurança dos elevadores está sendo discutida no CPR/SP (FETICOM-SP. Os equipamentos de elevação devem ser aterrados eletricamente e possuir um livro no qual devem ser anotadas todas as manutenções preventivas e corretivas.76 3. quedas de máquinas.

o qual é considerado um do mais seguro e com avanço tecnológico superior aos dos elevadores tracionados a cabo de aço. sendo que sua ausência pode provocar a queda dos objetos que estão sendo elevados. a alteração ocorrida em 2005 garantiu a existência de uma série de dispositivos de segurança. . sendo que o primeiro não pode apresentar pernas quebradas ou esmagamento. Cuidados especiais devem ser dados aos cabos de aço e aos ganchos. Na operação de Gruas e Guindastes deve ser levado em consideração o afastamento das redes elétricas. pois podem comprometer a sua resistência e provocar desgastes em outros dispositivos dos equipamentos. Na figura 11 vê-se um elevador de obras com Sistema de Pinhão e Cremalheira. considerado um programa essencial para a operação adequada do equipamento. bem como a Elaboração do Plano de Cargas. O segundo deve ser dotado da trava de segurança.77 de maiores requisitos técnicos na fabricação. que é um equipamento de alta versatilidade e com grande capacidade de carga. no qual o contato de quaisquer dos equipamentos com as linhas de alta tensão pode ser fatal para o Operador e para todos que estiverem ao alcance do arco voltaico. Figura 12 – Grua. manutenção e operação dos equipamentos. Figura 11 – Elevador com Sistema de Pinhão e Cremalheira. Em relação às Gruas. Na figura 12 observa-se uma Grua.

1998a). Ainda. apresentando-lhe as ferramentas e os riscos da função. do trabalho. o uso adequado dos EPI’s e informações sobre os EPC’s existentes no canteiro de obras. O treinamento dos trabalhadores deve ser previsto no PCMAT. desmontagem e manutenção de EPC. Os acidentes podem ocorrer devido às ações mal planejadas e ineficazes. independente de sua função ou responsabilidade. o qual deverá atingir todos os envolvidos. locação de equipamentos. com carga horária e conteúdo pré-definido e desenvolvido de acordo com cada fase da obra. equipes do SESMT com pouco conhecimento técnico e qualificação inadequada dos trabalhadores envolvidos (SAMPAIO. . relembra conceitos e riscos da função. 1995) deve ser aplicada e implementada no desenvolvimento de cada fase da obra. para cada fase de produção do empreendimento. visando garantir a execução de suas atividades com segurança. bem como da falta de organização. O trabalhador deve receber treinamento admissional e periódico. o treinamento admissional orienta o novo funcionário sobre a estrutura organizacional geral da empresa e. O treinamento periódico prepara o funcionário para novas atribuições. os riscos inerentes a sua função.78 A NR-18 (Brasil. O treinamento deve abordar informações sobre: as condições e meio ambiente de trabalho. para montagem. as empresas devem elaborar a programação de treinamento para cada tipo de atividade dos operários. com a finalidade de prevenir antecipadamente os riscos e garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores. especificamente. segundo a autora. Para Martins (2004).

reduzindo o acentuado número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais (LIMA JR. PROTEÇÃO. neutralizá-los ou reduzi-los é indispensável para garantir a segurança e qualidade de vida no trabalho. 1995).. desde o projeto até os serviços finais. doenças e as diversas categorias profissionais atuantes em cada etapa (SHERIQUE. 2005). abordando questões como o nível de conhecimento do trabalhador na área de SST. PROTEÇÃO. de análise criteriosa da antecipação e reconhecimento dos riscos e do perfil da mão-de-obra. em que na concepção do PCMAT deve-se levar em conta o compromisso da alta direção da empresa com o programa por meio da política de segurança e saúde. .1 A Implementação da NR-18 como Instrumento de Gestão de Saúde. Segurança e Higiene do Trabalho Muitos acidentes de trabalho podem ser evitados se as empresas desenvolvem-se e implementassem programas de Segurança e Saúde no Trabalho. 2003). PROTEÇÃO. 2003). Reconhecer os riscos e implementar as medidas de controle para eliminá-los.79 4. DIAS. sendo que o mapeamento de riscos deve ser feito através do PCMAT. costumes locais e a escolaridade (SHERIQUE. e oferecesse maior atenção à educação e ao treinamento de seus operários (SAMPAIO. Valcárcel. O PCMAT deve ser planejado em função das principais etapas da obra. 2003). 2007). Dias (2005) reforçam a tese de Sherique (Proteção. do processo produtivo e de orientação aos trabalhadores. RESULTADOS E DISCUSSÕES 4. 1998a). os hábitos. através do estabelecimento de políticas de Segurança e Saúde. considerando os riscos de acidentes. sendo que sua elaboração e execução devem ser feitos por profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho e implementado pela construtora (MANTOVANI. No desenvolvimento do PCMAT deve-se levar em conta o comprometimento da alta direção da empresa com o programa. no qual sua implementação permite o efetivo gerenciamento do ambiente de trabalho. Lima Jr. VALCÁRCEL.. O PCMAT foi um dos principais avanços que ocorreu na reedição da NR-18 (Brasil.

80 Para Lima Jr. (Proteção, 2007), além de o PCMAT estabelecer a relação de todos os riscos presentes na obra em todas as suas fases de execução, bem como as medidas de controle necessárias para garantir à segurança e a saúde dos trabalhadores, o programa precisa estar vinculado a propostas de ação, como a melhoria das condições de trabalho e com objetivos concretos e passíveis de serem medidos quantitativa e qualitativamente. De acordo com a NR-18 (Brasil, 1995), o PCMAT deve contemplar as exigências contidas na NR-9 (Brasil, 1995), mas segundo Lima Jr., Valcárcel, Dias (2005), além da interface com o PPRA e o PCMSO, a sua elaboração deve contemplar respectivamente a análise ergonômica dos postos de trabalho de acordo com a NR-17 (Brasil, 1990), pois além do reconhecimento de riscos causadores de doenças ocupacionais (riscos físicos, químicos e biológicos), devem-se considerar as condições de trabalho na obra em função dos fatores ambientais, tais como chuva, umidade, velocidade dos ventos e altitude. Conforme a NR-18 (Brasil, 1995), os documentos que integram o PCMAT são: • Memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; • • • • • Projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas de execução da obra; Especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; Cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT; Layout inicial do canteiro de obras, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das áreas de vivência; Programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária. Ainda, de acordo com Lima Jr.; Valcárcel; Dias (2005), a estrutura básica do PCMAT deve contemplar: • • • • Diagnóstico da situação de partida; Organização do canteiro de obras; Riscos Ocupacionais; Treinamento;

81 • • Definição das responsabilidades gerenciais; Controle e avaliação do programa. De um modo geral os programas de segurança na Indústria da Construção ainda têm como prioridade a prevenção dos acidentes graves e fatais relacionados com quedas de altura, soterramento, choque elétrico, máquinas e equipamentos sem proteção. Porém, não só as causas que provocam os acidentes fatais são importantes considerar, mas também as questões: ambientais, ergonômicas, educacionais e planos de manutenção preventiva voltados para o processo construtivo, como os problemas de saúde existentes em conseqüência de deficientes condições de alimentação, habitação e transporte dos trabalhadores (LIMA JR., VALCÁRCEL, DIAS, 2005). A preocupação de se estabelecer uma política de segurança vai além das expectativas da NR-18 (Brasil, 1995), ou da elaboração e execução do PCMAT, no qual Mantovani (Proteção, 2007) defende que, deve-se ter um sistema de gestão de SST que possibilite o desenvolvimento de uma cultura de segurança na empresa. Para Pereira (Proteção, 2005) a mão-de-obra da Indústria da Construção precisa ser qualificada, e para isso é necessário melhorar a alfabetização básica dos trabalhadores, sendo que não é possível implementar qualquer sistema de gestão e qualidade se os trabalhadores tem dificuldades para entendê-las, dificultando a implementação da NR-18 (Brasil, 1995) como instrumento de gestão para as questões de SST. A qualidade do treinamento é essencial para o setor, pois muitos acidentes de trabalho ocorrem por deficiência nesta fase de formação do trabalhador, e identifica que a ausência de programas que discutem e avaliem os treinamentos é falho e não atinge seu objetivo (PRIORI JR., PROTEÇÃO, 2005). A educação e treinamento na Indústria da Construção, bem como a redução da rotatividade da mão-de-obra reduz o número de acidentes do trabalho (POZZOBON, HEINECK, PROTEÇÃO, 2006). Segundo Pozzobon, Heineck (Proteção, 2006) a reformulação da NR-18 (Brasil, 1995) contribuiu para a redução do número de acidentes na Indústria da Construção, na qual foi inserindo o PCMAT e o modelo tripartite nas discussões, com a constituição dos Comitês Permanentes Regionais (CPR’s). Prova desta evolução, é a redução dos Acidentes Fatais ocorridos no Brasil nos últimos anos, em que de acordo com a FETICOM-SP (2008) em 1999 foram

82 registrados 407 óbitos na Indústria da Construção, gerando uma Taxa de Mortalidade de 38,84. Comparando-se com o ano de 2006, foram registrados 318 óbitos no setor, com uma Taxa de Mortalidade 1 de 22,10, apresentando uma redução de 57% na incidência na mortalidade por acidente do trabalho. De acordo com Pozzobon, Heineck (Proteção, 2006) a redução do número de óbitos da Indústria da Construção é uma informação que merece destaque, pois se sabe que há falhas e sub-registros pelo mau preenchimento e pelo desconhecimento da CAT, mas sabe-se também que essas ocorrências ficam mais difíceis quando há morte por acidente de trabalho. Ainda, segundo a FETICOM-SP (2008) no Estado de São Paulo a redução dos Acidentes Fatais é maior, no qual em 1999 foram registrados 105 óbitos, apresentando uma Taxa de Mortalidade de 36,27 e em de 2006 ocorreram 53, reduzindo a Taxa de Mortalidade para 14,21. Analisando os índices, observa-se que o Estado de São Paulo tem evoluído positivamente no combate ao Acidente Fatal na Indústria da Construção, sendo que no ano de 2006 obteve uma redução de 35% na Taxa de Mortalidade, enquanto à média nacional foi de 11,5%. Para Martins (2004), todo projeto de saúde e segurança deve estar totalmente vinculado ao PCMAT e deve apresentar todos os dados descritos no item 18.3 da NR-18 (Brasil, 1995). O projeto de segurança é um projeto específico, voltado a garantir a proteção dos trabalhadores através de especificações, detalhamento e elaboração de proteções coletivas e individuais. Este deve apresentar um cronograma de implantação das medidas de segurança considerando a

programação e as diferentes fases de execução do empreendimento. Além de prever a realização do programa de treinamento dos funcionários, que estarão sendo informados sobre os riscos de cada função do setor da construção, apresentando as fases de produção do empreendimento e as formas de proteção, com as quais os mesmos devem estar familiarizados. A aplicação e implementação da NR-18 (Brasil, 1995) de forma eficaz, proporcionam melhoria contínua das condições e do meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção, provocando transformações que levam a melhoria da

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Taxa de Mortalidade é a relação que se mede para avaliar a incidência de óbitos ocorridos em uma determinada população de trabalhadores, no qual o número de óbitos é dividido pelo número total de trabalhadores da referida população, multiplicado por 100.000 (MPAS, 2008).

1995) estabelece diretrizes de ordem administrativa. transporte de trabalhadores. na qual os trabalhadores estão utilizando os EPI’s adequados ao risco. Na figura 14 nota-se um canteiro de obra inadequado.83 qualidade de vida dos trabalhadores nos canteiros de obras e na redução dos acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. operações diversas da Indústria da Construção. que são subdivididos em mais de 900 (novecentos) subitens.Canteiro de obra que não implementa a NR-18. advindas após a . Figura 13 . dispositivo empurrador.Canteiro de obra que implementa a NR-18. Segundo Gawryzewski. que objetivam a “implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos. com andaimes tubulares sem guarda-corpo. especificam diretrizes para o programa de segurança. conforme determina a NR-18 (Brasil. piso e escada de acesso. treinamento. coletor de serragem e instalações elétricas inadequadas. áreas de vivência. 1995). Quanto ao objetivo e ao campo de aplicação. e total falta de ordem e limpeza. Figura 14 . Liung (1998) apud Gonçalves (2006) as melhorias dos ambientes de trabalho no setor da construção. 1995) é constituída por 39 (trinta e nove) itens. 4. serra circular sem guia de alinhamento. Na figura 13 observa-se uma operação de concretagem. a NR-18 (Brasil. Mantovanini. de planejamento e de organização. máquinas e equipamentos.2 A Aplicação prática da NR-18 nos Canteiros de Obras A NR-18 (Brasil. nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção”. entre outras questões relacionadas a SST e procedimentos operacionais.

já que o padrão técnico e organizacional vem se modificando rapidamente na busca de melhor qualidade e redução de custos. bem como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário. etc. não são passíveis de multas administrativas que podem ser aplicadas pelo MTE pelo descumprimento da NR-18 (Brasil. a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras. limpeza e manutenção de edifícios em geral. gerando incapacidades temporárias. serventes. de qualquer número de pavimentos ou tipo de construção. bem como a cooperativa. inserindo-se neste contexto sua aplicação às obras residenciais. Na construção de uma obra residencial em que o proprietário é o gestor e exista a contratação de trabalhadores (pedreiros. 1995). De acordo com a NR-18 (Brasil. A Instrução Normativa n° 3 (MPS. 1943) considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. levando-os a sofrer acidentes graves e fatais.84 mudança da NR-18 (Brasil.) para a execução dos serviços. A NR-1 (Brasil. proprietário) assume todas às responsabilidades trabalhistas e previdenciárias. 1983). pintura. a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. porém à inobservância das condições mínimas de segurança pode levar estes cidadãos a se exporem a vários riscos. permanentes ou óbito. o contribuinte individual em relação ao segurado que lhe presta serviço. 1943). O enquadramento da obra residencial na legislação previdenciária gerida pelo proprietário está previsto na Lei n° 8. 1991). quando desenvolvidas pelos próprios proprietários na construção de suas moradias. o dono da obra (gestor.212 (Brasil. 1983) estabelece que as NR’s são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos de administração direta e indireta. Tais atividades. 1995) consideram-se atividades da Indústria da Construção as constantes no Quadro I da NR-4 (Brasil. 2005) estabelece que seja responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção . que de acordo com o Art. que possuam empregados regidos pela CLT (Brasil. pintores. 1995) são indiscutíveis. reparo. bem como as atividades de serviços de demolição. 3° da CLT (Brasil. carpinteiros. no qual é estabelecido que se equipara à empresa para os efeitos desta Lei. sob a dependência deste e mediante salário. eletricistas. inclusive manutenção de obras de urbanização e paisagismo. portanto.

estadual e ou/municipal. 4. refeitórios. sendo primordiais para um bom desempenho profissional dos trabalhadores e instrumentos que garantem a produtividade e a qualidade de vida nos locais de trabalho. A NR-18 (Brasil.3 Qualidade de Vida na Indústria da Construção . o condômino da unidade imobiliária não incorporada e a empresa construtora. sem que eles estejam assegurados pelas medidas prevista nesta norma e compatíveis com a fase da obra. sendo que na mesma Instrução Normativa é complementado que a pessoa física. o incorporador. Especificamente em relação à legislação municipal.85 civil. vestiários. aquela que é responsável pela execução do projeto. visto que. dona da obra ou executora da obra de construção civil. é responsável pelo pagamento de contribuições em relação à remuneração pagas. 1995) nos canteiros de obras é preciso observar outras legislações. As Convenções Coletivas negociadas pelo Sindicato Patronal e Laboral do local que está sendo realizado o empreendimento devem ser respeitadas. determinando a implementação de instalações sanitárias. Na aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. na mesma forma e prazos aplicados às empresas em geral. as medidas preventivas devem contemplar também as exigências da Vigilância Sanitária e do Código de Postura de Obras (Municipal). ou seja.Áreas de Vivência A NR-24 (Brasil. sendo que estas têm força de lei e amparo na Constituição Federal de 1988. conforme Sampaio (1998) as medidas de proteção coletiva e individual devem ser implementadas de acordo com cada fase da obra. quando ela estabelece que seja vedado o ingresso ou a permanência de trabalhadores no canteiro de obras. já somente a observância do estabelecido nesta norma não desobriga os empregadores do cumprimento das disposições relativas às outros dispositivos determinados na legislação federal. . o dono da obra. 1978) estabelece as condições mínimas de higiene e conforto que devem ser atendidas e mantidas nos locais de trabalho. o proprietário do imóvel. 1995) atribui a responsabilidade solidária à empresa principal. devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestam serviços na obra. cozinhas e alojamentos.

com alta rotatividade de trabalhadores e pouco espaço físico. Serra (2003) a adequação das áreas de vivência de acordo com a NR-18 (Brasil. depende de projeto e planejamento do canteiro de obra. . porém. pensar na adequação dos referidos itens em instalações provisórias. reflete sua responsabilidade social. resgatando sua dignidade e incorporando valores que são cobrados e que causam a discriminação desses trabalhadores. para Menezes. na execução das atividades e também na produtividade global da obra e dos serviços. Não só os alojamentos. De acordo com Menezes. portanto. as quais determinam as bases das relações sociais e o estado psicológico dos trabalhadores. Serra (2003) o projeto do canteiro é um dos principais instrumentos para o planejamento e organização da logística do canteiro. Os aspectos de higiene e conforto nos canteiros de obras são raramente abordados pelas empresas que não aplicam sistemas de saúde e segurança. animando-os no retorno ao trabalho. Os alojamentos costumam ser precário. saúde e higiene ocupacional. Ainda. e não dimensionados de acordo com o número de empregados envolvidos em cada etapa da obra. garantem a qualidade de vida. como todos os itens que compõem às áreas de vivência garantem uma integração dos trabalhadores no canteiro de obras. 1995). refletindo na produtividade da empresa e na dignidade do trabalhador da Indústria da Construção. 1995). de discussões e brigas dadas a não inserção nos círculos sócio-familiares (CIPA. ou seja. elementos fundamentais para sua valorização e integração à sociedade.86 Implementar condições de higiene e conforto em plantas fixas. Os intervalos para o café e almoço são aproveitados para uma inter-relação descontraída entre os trabalhadores. Ele afeta o tempo de deslocamento dos trabalhadores e o custo de movimentação dos materiais e interfere. De acordo com Menezes. e a ausência de áreas planejadas para o convívio social contribui para o aumento do consumo de álcool. na medida em que as áreas de vivência apresentem boas condições. Serra (2003) as condições de trabalho e os índices de acidentes estão fortemente ligados. integra o trabalhador à sociedade. em instalações comerciais e industriais que na maioria das vezes são projetadas e dimensionadas com locais definidos para as áreas de vivência torna-se relativamente fácil. condições de higiene e integração do trabalhador na sociedade. A construtora que incorpora em seus projetos o respeito à segurança.

1995) os Canteiros de Obra devem dispor de: instalações sanitárias. local para refeições. e com uma diferença da NR-24 (Brasil. 1995) pela Portaria n° 30 (MTE. SERRA. oferecendo soluções baratas e fáceis para a construção das instalações sanitárias e alojamentos. sendo que não se sabia a sua procedência. cozinha (quando houver preparo de refeições). a lavanderia e a área de lazer. podendo estes ter sido utilizado para o transporte de materiais tóxicos e radioativos. 2000) foi à regulamentação para a utilização de contêineres. 2005) a falta de implantação das áreas de vivência nos canteiros de obras é inconcebível. vestiário. A adequação das áreas de vivência de acordo com a NR-18 (Brasil.3. onde os materiais utilizados para um canteiro na adequação das áreas de vivência podem ser transferidos para outro.87 O cumprimento das exigências referentes às áreas de vivência contribui para manter a boa moral dos trabalhadores. os quais estavam sendo adaptados para atender o disposto na norma. Outra alteração importante introduzida na NR-18 (Brasil. Quando não houver trabalhadores alojados nos canteiros de obras a empresa fica desobrigada a manter o alojamento. 1978): a NR-18 (Brasil. vestiários e locais para refeição é um investimento baixo. lavanderia. pois adequar os sanitários. reduzindo ainda mais o custo. . área de lazer e ambulatório. 2003). e que aumenta a satisfação dos trabalhadores e aumenta a produtividade. 1995) possibilita a garantia mínima de condições de higiene e conforto nos canteiros de obras. 4. Para Pereira (Proteção. 1995) trata da implementação das áreas de vivência em instalações provisórias e que não são parte do projeto e do empreendimento. alojamento. bem como podem ser incorporadas por todos os canteiros de obras e reaproveitadas em outras obras da construtora. quando se tratar de frentes de trabalho com 50 (cinqüenta) ou mais trabalhadores. além de minimizar distâncias de tempo para a movimentação de material e pessoal (MENEZES.1 Dimensionamento das Áreas de Vivência De acordo com a NR-18 (Brasil.

mictório e chuveiro. compostas de lavatório. Figura 16 . ter pisos impermeáveis e laváveis. As instalações sanitárias devem ser: mantidas limpas e higienizadas. vaso sanitário. vaso sanitário e mictório. possuir ventilação e iluminação adequadas. Nas figuras 17 e 18 observa-se o chuveiro.88 4. não estarem ligadas diretamente com os locais de refeição.Vaso sanitário. ser construída de modo a manter o resguardo conveniente. Elas devem ser constituídas por lavatório. sendo proibida a sua utilização para outra finalidade. que deve ser dimensionado 1 (um) para cada grupo de 10 (dez) trabalhadores ou fração.1 Instalações sanitárias A NR-18 (Brasil. Figura 15 . com fornecimento de água quente e fria. terem portas de acesso que impeçam o seu devassamento.1.Lavatório e Mictório. ter separação por sexo. . devendo estas ser dimensionadas para cada grupo de 20 (vinte) trabalhadores ou fração. ter paredes de material resistente e lavável. 1995) determina que as instalações sanitárias devem ser utilizadas para o asseio corporal e/ou ao atendimento das necessidades fisiológicas de excreção dos trabalhadores. Nas figuras 15 e 16 observam-se as instalações sanitárias.3.

2 Vestiário Todo canteiro de obras deve possuir vestiário para troca de roupa dos trabalhadores que não residam no local. Figura 18 . Estes devem: ter paredes de alvenaria. 1995). .3. Conforme a NR-18 (Brasil.89 Figura 17 . armários com compartimentos duplos e iluminação natural. possuir armários com duplo compartimento. ter área de ventilação. os vestiários devem ser mantidos em perfeito estado de conservação e higiene. os pisos podem ser de concreto.1. madeira ou outro material equivalente. cimentado. dotados de fechadura ou cadeado. madeira ou outro material equivalente.1 Chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores.Piso provido de estrados de madeira.50 metros e ter bancos suficientes para atender todos os trabalhadores. 4. A figura 19 mostra um vestiário dotado de banco. possuir pé-direito de no mínimo 2. ter iluminação natural ou artificial.

separando as limpas das sujas.1.3 Alojamento O alojamento do canteiro de obras deve ter paredes de alvenaria. A figura 20 mostra um alojamento organizado em um canteiro de obras. filtrada e fresca no alojamento na proporção de 1 (um) bebedouro para cada grupo de 25 (vinte e cinco) trabalhadores ou fração. para que os trabalhadores possam guardar suas roupas. incluindo a circulação das pessoas.00 m2 por módulo: cama/armário. Com a finalidade de manter o mínimo de conforto para o repouso dos trabalhadores.Vestiário com armários individuais. quando as condições climáticas o exigirem. sendo que deve ter no máximo duas camas na vertical (beliche). e cobertor. cimentado ou madeira. fronha e travesseiro por cama. madeira ou material equivalente. A NR-18 (Brasil.90 Figura 19 . sendo obrigatório o fornecimento de armários duplos e individuais. 1995) determina a obrigação do fornecimento de água potável. A iluminação poderá ser natural ou artificial e a ventilação deve ser de no mínimo 1/10 da área do piso. podendo ter piso de concreto. a NR-18 (Brasil. em condições adequadas de higiene. . 4.3. bancos e iluminação natural. 1995) determina que devem ser fornecidos: lençol. devendo ocupar uma a área mínima de 3.

91 Figura 20 . deve haver local exclusivo para o aquecimento das refeições. 2003). Por essa a razão. O alojamento é um local do canteiro de obras o qual se deve dar especial atenção. pois sua qualidade influi diretamente na qualidade de vida dos trabalhadores. devendo possuir mesas com tampos limpos e laváveis. não podendo estar situado em porões ou subsolos . ainda que seu número venha diminuindo nos últimos anos (GOMES. 4. Deve ser instalado no refeitório um lavatório em suas proximidades ou no seu interior e independentemente do número de trabalhadores e da existência ou não da cozinha. O local destinado às refeições deve seguir os mesmo padrões de construção e conservação das instalações sanitárias e alojamentos.1. 1995) foi tão detalhada e exigente no dimensionamento do item (SAMPAIO. 1998b).3.Alojamento em canteiro de obra A existência dos alojamentos nos canteiros de obras é um atributo marcante do setor da construção civil. a NR-18 (Brasil. devendo este ter capacidade para garantir o atendimento de todos os trabalhadores no horário das refeições e com assentos em número suficiente para os usuários.4 Local para as refeições É obrigatório à existência de local adequado para as refeições.

Lavatório instalado dentro do refeitório. Na figura 21 observa-se um refeitório dentro de um canteiro de obras. Nos locais destinados à refeição é obrigatório o fornecimento de água potável e fresca para os trabalhadores. Figura 23 . Na figura 22 mostra-se uma pia instalada dentro de um refeitório.92 das edificações.Local destinado às refeições (refeitório). . por meio de bebedouros de jato inclinado ou outro dispositivo equivalente. sendo proibido a utilização de copos coletivos.Aquecimento de Refeições. Figura 21 . e na figura 23 vê-se um aquecedor de refeições de um modelo utilizado nos canteiros de obras. conforme determina a NR-18 (Brasil. bem como não pode ter ligação direta com as instalações sanitárias. Figura 22 . 1995).

1995). sua capacidade de trabalhar. o são parcialmente pela empresa.3. se custeadas. As cozinhas instaladas nos canteiros de obra devem seguir os mesmos princípios construtivos das demais instalações das áreas de vivência com: paredes e pisos laváveis de fácil limpeza e higienização.93 4. quando houver o preparo de refeições. sua aparência física e sua longevidade (VIEIRA. além das calorias insuficientes. decorrentes de carências alimentares impostas por condições sócio-econômicas. seguro e agradável. instalações elétricas adequadas e quando utilizado o Gás Liquefeito de Petróleo . principalmente para a sua saúde biopsicossocial. refeições e utensílios. De acordo com Medeiros (2003). e possuir equipamentos de refrigeração para preservação dos alimentos. A iluminação poderá ser natural ou artificial. sem falar que. O café da manhã em geral é gratuito nas obras. além dos cuidados que deve ser dado aos profissionais encarregados da preparação dos alimentos. possuir instalações sanitárias que com ela não se comuniquem.1. a alimentação é uma questão importante para os trabalhadores. . MICHELS. na construção civil as atividades intensivas de mão-deobra provocam desgaste físico e comprometem a saúde dos trabalhadores. estudar. a cozinha no canteiro de obras deve ter pia para lavar os alimentos e utensílios. uma vez que o tipo de atividade exercida acarreta alto dispêndio de energia e a necessidade de reposição calórica adequada. que. 2004). Para Lamera (1999). sendo que a alimentação é de suma importância para a saúde do trabalhador.5 Cozinha Conforme a NR-18 (Brasil. existe a falta de nutrientes necessários para manter a saúde. divertir-se. porém as demais refeições. O ambiente de trabalho para se manter produtivo deve se apresentar limpo. os botijões devem ser instalados fora do ambiente de utilização. mas deve ter como primeira preocupação à saúde dos que nele se ocupam. de uso exclusivo dos encarregados de manipular gêneros alimentícios.GLP. na maioria apresentam deficiências orgânicas.

Figura 24 .1. 4. Este local deve ter tanques individuais ou coletivos em número adequado.3. 1995) determina que deve haver um local: próprio.94 4. podendo ser usado o local de refeições para este fim. .Lavanderia com tanques coletivos. A lavanderia só será instalada quando houver trabalhadores alojados no canteiro de obras.7 Área de Lazer Nos canteiros de obras devem ser previstos locais exclusivos para recreação dos trabalhadores alojados.3. conforme as figuras 25 e 26. Na figura 24. secar e passar suas roupas de uso pessoal.6 Lavanderia A NR-18 (Brasil. ventilado e iluminado para que o trabalhador alojado possa lavar. coberto.1. observa-se uma lavanderia com tanques coletivos instalada em um canteiro de obras.

apenas determina que os gabinetes sanitários. frentes de trabalho. este material deve ser mantido e guardado aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. Nas figuras 27 e 28 observa-se um Ambulatório e um Armário com vários Medicamentos. no qual os canteiros de obras são montados em um determinado ponto da rodovia e os trabalhadores são transportados até o local que está sendo executada a obra.1. deve haver o material necessário à prestação de Primeiros Socorros conforme as características da atividade desenvolvida. 4.3. sendo que em caso de acidentes ou qualquer mal súbito que o trabalhador venha a sofrer os primeiros socorros deve ser feito pelo o ambulatório.Televisão colocada no refeitório. . A NR-18 (Brasil. mictórios e lavatórios não estejam a uma distância superior a 150 metros dos postos de trabalho.95 Figura 25 . Figura 26 . onde se desenvolvem operações de apoio e execução à construção. demolição ou reparo de uma obra. De acordo com a NR-1 (Brasil. 1995) não estabelece qual é à distância para a instalação das áreas de vivência em relação às frentes de trabalho. As frentes de trabalho podem ficar há distâncias consideráveis da estrutura do canteiro. Neste ambulatório.Área de lazer organizada no canteiro de obras. recuperação e manutenção de estradas e rodovias. Por sua vez. 1983). são áreas de trabalho móveis ou temporárias. Estas são comuns na construção.8 Ambulatório Em frentes de trabalho com 50 (cinqüenta) ou mais trabalhadores deve ter um ambulatório.

que de acordo com Pereira (Proteção.Ambulatório. Figura 30 . Figura 29 . Em suas disposições finais. 2005) estes são itens bem assimilados pelas construtoras de médio e grande porte.Fornecimento de vestimenta de trabalho e EPI's. deve ser solicitada à concessionária local a instalação de um telefone comunitário ou público.Medicamentos destinados a primeiros socorros. Nas figuras 29 e 30 observam-se dois trabalhadores com vestimentas de trabalho e EPI’s. a NR-18 (Brasil. . e sua reposição quando danificada. bem como o fornecimento gratuito pelo empregador de vestimenta de trabalho.Fornecimento de vestimenta de trabalho. Figura 28 .96 Figura 27 . 1995) determina que nas áreas de vivência dotadas de alojamento.

os canteiros de obras ainda continuam os mesmos. apesar dos avanços e pioneirismo que chegaram a partir da revisão da NR-18 (Brasil. 2003). porém estas estão aquém do esperado. e mesmo depois de alguns anos de implantação veio uma certa frustração. na maior cidade brasileira. 2005). saúde e higiene do trabalho. o que realmente falta e a implementação de fato da norma. 1995) são baixos. as mortes nos canteiros de obras vêm diminuindo (RAMALHO. no intuito de seguir os princípios de segurança. Para Araújo (Proteção. além de serem visíveis e expressivas podem ser destacadas ainda como de forte apelo cultural. 1995) tem acontecido. 2005). 4.97 A aplicação e implementação adequada da NR-18 (Brasil. 1995). SERRA. com um foco voltado para a gestão e não apenas para aspectos técnicos. sendo que. pois a norma não resolveu todos os problemas. voltadas aos benefícios ou ao ônus que ambos podem ocasionar. o que mudou foi à legislação. Para Araújo (Proteção. em que na cidade de São Paulo houve uma redução significativa dos acidentes fatais na construção. Conforme Araújo (Proteção. 1995) é de grande importância para a Indústria da Construção. é preciso ressaltar a importância de maior responsabilidade social das organizações. com empresários dizendo que era impossível cumprir a norma.4 A Aplicação e Implementação da NR-18 nos Canteiros de Obras As mudanças trazidas com a reformulação da NR-18 (Brasil. deve-se salientar que a NR-18 (Brasil. implementação e fiscalização da norma mantêm-se os mesmos. e que os custos dela eram altíssimos. PROTEÇÃO. no qual a interpretação. porque os custos de implantação da NR18 (Brasil. girando em torno de 1. 1995) nos itens relativos às áreas de vivência são importantes. PROTEÇÃO. 2005). 1995). Segunda ela.5 % do custo total da obra. 1995) provocou um enorme estardalhaço. em que não houve alteração de postura dos envolvidos no processo. no qual destaca-se como mudança positiva mais evidente as áreas de vivência e as proteções coletivas. A implementação da NR-18 (Brasil. como antes. . sendo que somente as grandes empresas estão se adequando a norma (PAIVA. sendo que a revisão da NR-18 (Brasil. sendo fundamentalmente o que destaca a garantia das boas condições nos ambientes de trabalho (MENEZES. Para a autora. 2005). 2005).

2005) considera que a NR-18 (Brasil. Engenheiros e Médicos para darem suporte. existem ações importantes e fortes dos sindicatos dos trabalhadores do Rio. governo e sindicatos. Segundo ele. como em todas as áreas. Segundo Vicente (Proteção. o modelo da NR-18 (Brasil. então aí vale para o patronato. porém em alguns aspectos técnicos vem sendo considerada exagerada e excessivamente detalhada. reforça a necessidade das Gerências Regionais do Trabalho e Emprego estabelecerem prioridades para o setor nas cidades do interior. São Paulo e em várias regiões. Completando. Para o autor. Poley (Proteção. e quando este fator é preponderante e não haja um planejamento adequado. porém hoje não. sendo que algumas entidades possuem até Técnico de Segurança do Trabalho. educação. 2007) a prioridade das empresas da Indústria da Construção é o tempo de entrega da obra. 1995) deixa de ser implementada com sucesso e não se consegue praticar SST no canteiro de obras. mas isso não é realidade de todos os sindicatos e não vale para o setor da construção no segmento laboral. remuneração. onde esclarece que várias empresas que atuam na capital aplicam o “DUPLO PADRÃO”. Pernambuco. adotando uma perspectiva extremamente descritiva. boas ações e outras não tão completas. 2007) traz um perfil dos itens que não são cumpridos pelas obras na região Noroeste de Minas Gerais. Para Pereira (Proteção. Pontes (Proteção. a NR-18 (Brasil. Para ele. 2005) existem. mas na condição de norma eminentemente técnica. dando-lhe aspectos de verdadeiro manual. a qual deixa a desejar no que se refere a questões como relações de trabalho. adotando padrões inferiores em SST em regiões na qual a fiscalização do trabalho chega com maior dificuldade e com menor freqüência. as quais têm conexão estreita com a prevenção. 1995) foi adequado para o momento histórico que foi revisada. o qual é cada vez mais reduzido.98 Para Rosa (Proteção. sendo que a norma precisa avançar na proteção ao meio ambiente e dos recursos naturais. pois falta estrutura. 2005) a NR-18 (Brasil. ao longo dos anos a norma tem sido alterada recorrentemente. Minas. detalhada e minuciosa. alimentação. 1995) é boa e bem elaborada. no qual as tendências mundiais são conceituais e estabelecem princípios e diretrizes de planejamento e organização do trabalho. 1995) tem um papel importante para o setor. mas não pode falar isso em consenso. .

sendo que o número de empresários que teimam em driblar a lei ainda é significativo e merece maior atenção por parte da fiscalização do MTE. Para Menezes. 1995) são viáveis e possíveis de serem aplicadas e implementadas. Serra (2003) percebe-se que alguns comportamentos em obras são recorrentes dos ambientes de trabalho. o papel secundário geralmente destinado à segurança do trabalho no gerenciamento das empresas e o desconhecimento da Norma e.99 De acordo com Pereira (Proteção. Como exemplo. 2005). além do MTE e demais entidades fiscalizadoras e de apóio técnico e científico 2 . porém o não cumprimento pode ser atribuído aos seguintes fatores: o caráter muito prescritivo de algumas exigências. 2005) os sindicatos patronais e dos trabalhadores. como é o caso da construção pesada.2. Ainda. visto que no Brasil existem bons exemplos. rápido e fácil de serem executadas nas próprias obras. Em sua concepção. 2 Apoio técnico e científico é a denominação dada às entidades que compõem o CPN e os CPR’s com a finalidade de subsidiar tecnicamente as discussões da NR-18. etc. A inserção de tais entidades foi feita com a nova redação dada pela Portaria n° 63. a NR-18 (Brasil. rodovias. deixando de especificar diretrizes específicas para determinados setores. dificuldades técnicas e altos custos dos equipamentos. no campo das pesquisas. 1995) nos canteiros de obras ainda e insuficiente. 1995) não são cumpridas pela falta de planejamento da atividade e conscientização de sua importância. pontes e viadutos (PROTEÇÃO. onde no Brasil não faltam ferramentas para a melhoria da prevenção. São entidades que possuem envolvimento direto com a indústria na construção. vontade e empenho para cumprir a legislação (PROTEÇÃO. . fiscalizações. Serra (2003) as exigências da NR-18 (Brasil.34. a qual engloba atividades na construção e manutenção de estradas. citando-se a colocação das proteções de periferia e corrimão nas escadas. mas ainda carecese de comprometimento. tem que ser mais presentes e participativos. formação profissional. 1995) foi pensada e criada com a finalidade de atender as condições e meio ambiente do trabalho nas obras de construção civil. pode-se tomar o fato de que muitas das exigências da NR-18 (Brasil. de 28/12/98 que alterou o item 18. já que algumas são de baixo custo. em alguns casos. A aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. porém tem que ser uma ação efetiva de todos os envolvidos. de acordo com Menezes. 2007a).

além da obrigação já prevista na NR-9 (Brasil. a participação da bancada do governo (MTE. com acessos seguros e condições adequadas às suas necessidades. acabamentos pedras ornamentais. 1994). . a NR-18 (Brasil. as quais são doenças pulmonares irreversíveis e podem levar o trabalhador à morte. foram estabelecidas as seguintes prioridades para discussão em 2008 em relação à revisão da NR-18 (Brasil. A exposição às poeiras que contém Sílica Quartzo e Asbestos pode provocar Pneumoconioses. O controle da poeira é uma necessidade presente no setor. pois assim seria possível uma melhor ação dos comitês tripartites. As políticas para a consolidação de uma ação eficaz na Segurança e Saúde do Trabalho no Brasil estão fragmentadas.100 Fernandes (Proteção. sendo que não existe uma articulação dos ministérios do Trabalho. no qual à maioria das atividades produzem de aerodispersóides provenientes em das e grandes rochas movimentações terra. demolições. Neste aspecto. Para ele. 2007). 1995) tem a necessidade de incrementar no PCMAT o controle ambiental dos referidos agentes. 2007) espera que existam prioridades políticas deste governo para a segurança e saúde do trabalho. da Saúde e da Previdência. Neste aspecto. Nas questões voltadas às áreas de vivência para deficientes físicos observarse que a NR-18 (Brasil. FUNDACENTRO) é fundamental. por mais envolvimento que tenha o sindicato dos trabalhadores e o patronal. bem como a área de SST no MTE está enfraquecida e seu efetivo não atende a demanda (PROTEÇÃO. visto que a inserção do portador de deficiência física já é uma realidade no setor. controle da poeira e impermeabilização. 4. é prudente que o canteiro de obras seja adequado para receber estes trabalhadores. sendo que a FETICOM-SP (2008) assinou com o SINDUSCON-SP um pacto social para a inserção deste trabalhador na Indústria da Construção. 1995): áreas de vivência para deficientes físicos.5 Propostas de Revisões na NR-18 De acordo com a Ata do CPR/SP (FETICOM-SP. 2007b). 1995) não aborda a questão. remoção de resíduos e limpeza dos canteiros de obras.

A Impermeabilização é uma operação realizada na fase Instalações e Acabamentos. porém. lixamento de paredes e tetos com lixa manual. apicotamento de parede de concreto com o uso de marreta e ponteira e o corte de granito e cerâmicas. preparação de argamassa ou concreto em betoneira com carregador e sem carregador. Segundo Sandrini (2006). ou mesmos às que superem o nível de ação definido pela NR-9 (Brasil.101 De acordo com Souza. Quelhas (Proteção. podem intoxicar os trabalhadores pelas substâncias químicas presentes na manta. em especial nas atividades de: lixamento de concreto de fachada utilizando-se lixadeira elétrica. sendo que os pisos que ficam expostos à umidade. . quebra de elemento de concreto com o uso de martelete. Quelhas (Proteção. esses equipamentos são improvisados e podem causar incêndios e explosões. Quelhas (Proteção. a gás (GLP) e elétricas. perfuração de rochas. portanto. além de intoxicar os trabalhadores através dos gases liberados no momento da secagem e aplicação do produto. 1995) necessita estabelecer parâmetros mínimos de segurança para a realização da atividade. terraplenagem. Ainda. lixamento de concreto de fachada com lixadeira elétrica e limpeza do canteiro com o uso de vassoura. Quanto ao sistema a frio o mesmo não apresenta o risco de explosões e incêndios. com destaque para as atividades de: demolição. A operação pode ser feita a quente e a frio. 1978) para poeiras respiráveis. 2006) os trabalhadores não utilizam protetores respiratórios nas atividades com capacidade de gerar poeiras. corte de madeiras com serra circular. pois em sua composição existem hidrocarbonetos aromáticos e policíclicos. Conforme Souza. 1994). a NR-18 (Brasil. e quando utilizam os mesmos não são adequados ou não existe um Programa de Proteção Respiratória para a seleção adequada do EPI e treinamento dos trabalhadores. segundo Souza. como banheiros e coberturas devem ser impermeabilizados. corte de granito com serra circular manual elétrica. demolição de elemento de concreto com o uso de martelete. 2006). O trabalho feito a quente expõe os trabalhadores ao risco de queimaduras e exposição aos agentes químicos provenientes do derretimento da massa asfáltica em cadeiras: a lenha. 2006) deve ser dada maior atenção às operações que geram poeiras comprovadamente fibrogênicas e com concentrações capazes de superar o Limite de Tolerância definido pela NR-15 (Brasil. existe a exposição dos trabalhadores às poeiras em vários ambientes nos canteiros de obras.

Na reedição da NR-18 (Brasil. visto que com a inovação tecnológica e a busca de reduzir os custos e o tempo de construção das obras estão sendo utilizadas grandes estruturas pré-moldadas de concreto no fechamento lateral das edificações. Ainda.102 Além dos itens propostos para serem revisados. 1995) a discussão das obras que utilizam estruturas metálicas foi tímida. com o objetivo de propor mudanças em relação a vários aspectos que não estão contemplados na NR-18 (Brasil. o comitê tem feito discussões junto ao sindicato patronal e dos trabalhadores para que . Para Fernandes (Proteção. principalmente nos que tangem a proteção de máquinas e áreas de vivência. podem-se identificar outros itens que merecem discussão e melhorias. os quais são: • O setor da construção pesada. sendo que é preciso criar e normalizar procedimentos para que a operação ocorra sem risco de acidentes. galpões e outras estruturas de grande porte. segundo Fernandes (Proteção. A Ata da Reunião Ordinária do CPR/SP de 11 de dezembro de 2007 (FETICOM-SP. sendo que em matéria publicada pela Proteção (2007). a cidade de São Paulo é uma capital que demanda de muitos recursos na Indústria da Construção. porém a norma precisa ser revisada. talvez pela pouca aplicação da época. sendo que estão sendo revistos todos os itens que tratam dos Elevadores de Obras. 1995) em seu item que trata da Movimentação e Transporte de Materiais e Pessoas. tais como: equipamentos. 2007). Estas estruturas são pesadas e de difícil • movimentação. máquinas e tecnologias. principalmente nas questões que tratam do acesso e a permanência dos trabalhadores sobre as estruturas no momento da montagem e soldagem. Para ele. sendo que o CPR/SP tem sido muito solicitado por empresas fabricantes e locadoras de máquinas e equipamentos e por construtoras. • Na movimentação de estruturas pré-moldadas. tendo a possibilidade de contribuir com maior eficiência nas discussões técnicas de revisão da norma. vários profissionais discutem a necessidade da inclusão de itens que atendam o setor. relata que o comitê está finalizando a discussão da proposta para a melhoria da NR-18 (Brasil. o comitê tem uma característica diferenciada dos demais CPR’s do Brasil. 1995). 2007). 2007) toda vez que o CPR/SP apresenta ao CPN uma proposta que resulta em uma nova exigência da norma. na construção de pontes.

103 esse novo texto passe a ser conhecido e compreendido pelos principais atores do setor. .

propondo medidas preventivas. A Segurança e Saúde do Trabalho têm que ser considerada como de fundamental importância. sendo considerado um dos maiores avanços da NR-18 (Brasil. educação. Contudo. tanto nas questões técnicas. alimentação. 1995). não há como se elaborar ações de SST ou desenvolver SGSST na Indústria da Construção.104 5. em alguns aspectos a norma é limitada e não resolve todos os problemas relacionados a Segurança e Saúde do Trabalho. proporcionando uma redução do número de acidentes e doença do trabalho. De acordo com o estudo realizado. pois é necessário que existam sistemas gerenciais que priorizem a SST como estratégia de competitividade e produtividade para as empresas. que a melhoria contínua das ações de SST seja admitida como fator preponderante para o sucesso das organizações. saúde. esta pode ser um instrumento de gestão de segurança. foi possível concluir que o PCMAT é o instrumento que possibilita a gestão dos riscos ambientais na Indústria da Construção. precarização dos contratos de trabalho e terceirização. qualificação dos trabalhadores. educativas e de dimensionamento dos canteiros de obras. higiene do trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores da Indústria da Construção. Esta análise vem a confirmar que se a NR-18 (Brasil. inclusive das áreas de vivência. que são fatores fundamentais para que haja uma interação harmoniosa do trabalhador com a produção no canteiro de obras. remuneração. não só para atingir melhores índices de qualidade e . 1995) como mera formalidade legal. bem como desenvolver projetos construtivos sem aplicar as diretrizes estabelecidas na norma. A efetividade das ações de Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria da Construção não se limita somente à aplicação e implementação da NR-18 (Brasil. 1995) for aplicada e implementada. como nas de organização do trabalho. CONCLUSÕES A partir da reedição da NR-18 (Brasil. a qual define critérios que influenciam na concepção do projeto e no planejamento das atividades no canteiro de obras. 1995) e tem por finalidade a garantia da saúde e da integridade física dos trabalhadores. ou seja. não abordando questões voltadas às relações do trabalho.

a qual deve priorizar o estudo das questões ergonômicas no desenvolvimento das operações. Conclui-se também. equipamentos e materiais e a mudança cultural dos empreendedores do setor. Em relação às críticas discutidas na concepção da NR-18 (Brasil. no qual diretrizes genéricas e de gestão não condizem com a realidade dos canteiros de obras do Brasil. . o controle rigoroso dos quesitos de segurança na importação de máquinas. ou para reduzir os custos dos acidentes de trabalho. pois enquanto não houver a atualização das normas técnicas. apesar dos 12 anos da publicação da NR-18 (Brasil. 1995). soterramento e choque elétrico. ficou constatado que a aplicação e implementação da NR18 (Brasil. bem como valorizar a participação do trabalhador na discussão das questões relacionadas a SST no canteiro de obras.105 produtividade. mas para buscar a satisfação dos trabalhadores. entre elas: a falta de compromisso das empresas do setor. a norma deve sempre se ater a especificar o mínimo necessário para que as operações sejam realizadas com segurança. o baixo efetivo de auditores-fiscais do MTE para intervir nos locais de trabalho. a pouca divulgação da norma para os trabalhadores. a melhoria na qualificação e treinamento dos trabalhadores e a necessidade dos comitês tripartites em desenvolverem ações efetivas na aplicação e implementação da norma. a ausência de ações programadas de fiscalização nas cidades do interior. Diante do exposto. 1995). ainda existem falhas na aplicação e implementação da norma nos canteiros de obras. 1995) tem priorizado as causas que provocam os acidentes fatais: queda de altura. equipamentos e materiais. que. O trabalho também conclui que a NR-18 (Brasil. foi possível identificar que a sua forma descritiva. priorizando a atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CIPA. 1995) precisa rever algumas concepções. minuciosa e detalhista apresentada no texto é necessária.

RECOMENDAÇÕES Como a NR-18 (Brasil. Outra forma de abordagem é a inclusão dos referidos agentes no Mapa de Riscos. as quais envolvem o esforço físico intenso e a sobrecarga térmica. 1943) nem sempre é compatível com o limite dos trabalhadores. com o objetivo de melhorar a produtividade e reduzir o número de acidentes do trabalho. recomenda-se que os comitês tripartites revisem a limitação da aplicação do programa. sugere-se o estudo do impacto das áreas de vivência na qualidade de vida dos trabalhadores e na produtividade da empresa. Outra análise que despertou a atenção é em relação à qualificação e treinamento dos trabalhadores. os quais devem ser priorizados. com a indicação no Cronograma de Atividades da aplicação e implementação das medidas de proteção coletiva e individual de acordo com cada fase da obra. recomenda-se que para as obras que tenham um efetivo abaixo do previsto. remuneração. e como as questões voltadas às relações do trabalho. . Outra recomendação é a adequação da jornada de trabalho às operações da Indústria da Construção. no qual a atividade é desgastante e requer esforços físicos intensos. Recomenda-se também. sendo que o limite de 8 horas diárias previstas na CLT (Brasil. qualificação dos trabalhadores.106 6. porém é necessário que as medidas preventivas sejam anexadas ao relatório e sejam apresentadas e discutidas com todos os trabalhadores. Para novas pesquisas. 1995) estabelece que o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT deve ser implementado nos canteiros de obras com mais de 20 trabalhadores. alimentação. gerando uma elevada perda de calorias. Em relação ao PCMAT. que as empresas garantam uma alimentação adequada e de qualidade aos trabalhadores da Indústria da Construção. educação. sejam incluídos no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. o qual deve ser implementado independente do número de trabalhadores. a identificação dos riscos ergonômicos e de acidentes. 1995) é o ideal para a Indústria da Construção. e se o dimensionamento das áreas de vivência estabelecido na NR-18 (Brasil.

.107 precarização dos contratos de trabalho e terceirização podem impactar na SST na Indústria da Construção.

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