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Curso Engenharia

Agronômica
IFSULDEMINAS
Adubação Verde
Prof. Dr. Marcelo Bregagnoli
Vantagens
• Protege o solo das intempéries;
• Diminui os riscos de erosão;
• Eleva a matéria orgânica do solo;
• Influência nas propriedades químicas, físicas e
biológicas do solo;
• Aumenta a infiltração e capacidade de retenção
de água dos solos, a porosidade e a aeração
do solo e atenua as oscilações de temperatura
e umidade, intensificando a atividade biológica.
• Fixam nitrogênio atmosférico;
• Ajudam trazer para superfície nutrientes das
camadas mais profundas do solo.
Desvantagens

• Requer uma atenção especial


com o manejo;
• Competem com o cafeeiro com
nutrientes;
• Custo de sementes.
Recomendações para o plantio de adubos verdes em
diferentes densidades de plantio do café.
Sistema de plantio Hábito de Quando utilizar os
crescimento do adubos verdes
adubo verde
tradicional rasteiro e semi-ereto todos os anos

medianamente adensado semi-ereto e ereto nos 2 ou 3 primeiros anos

adensado ereto nos 2 primeiros anos

super-adensado ereto só no primeiro ano

Fonte: Chaves (1999).


Características de algumas espécies de leguminosas de verão que
podem ser utilizadas como adubos verdes
Espécie Época Hábito Floração Massa vegetal (t/ha/ano)
plantio crescimento plena (dias) Verde Seca
Centrosema set-dez rasteiro 200-220 16-35 3-7

Calopogônio set-dez rasteiro 180-210 15-40 4-10

Crotalária juncea set-dez ereto 80-130 15-60 5-15

C. spectabilis set-dez ereto 110-140 15-30 3-8

C. mucronata set-dez ereto 120-150 10-63 2,5-11,6

C. breviflora set-jan ereto 100 15-21 3-5

C. paulina set-dez ereto 120-150 50-80 5-9

C. grantiana set-dez ereto 140-160 7-28 2.5-6.0

Feijão-de-corda set-dez ereto 70-110 12-47 2,5-5,4

Feijão-de-porco set-dez ereto 100-120 14-30 3,2-7

Guandu set-jan ereto 140-180 9-70 3-22

Guandu anão out-jan ereto 100 12-20 2,5-5,6

Indigofera set-jan ereto 240-270 15-30 4-10

Kudzu set-dez rasteiro 240-270 15-36 3,5-8

Lab-Lab set-dez volúvel 130-140 18-30 3,9-13

Leucena set-dez ereto 120 (corte) 60-120 15-40

Mucuna preta set-jan rasteiro 140-170 10-40 4-7,5

Mucuna cinza set-jan volúvel 130-150 20-46 5-9

Mucuna anã set-jan ereto 80-100 12-27 3,5-6,5

Siratro set-jan rasteiro 210-240 14-28 3-6,5

Soja perene set-dez rasteiro 210-240 25-40 4-10


Características de algumas espécies de leguminosas de verão que
podem ser utilizadas como adubos verdes
Espaçamento Quantidade Nitrogênio fixado Peso (g)
Espécie entrelinha (m) sementes (kg/ha) (kg/ha/ano) 1000 sementes
Centrosema 0,4-0,8 --- 93-398 18,9

Calopogônio 0,5-1,0 10 64-450 10,9

Crotalária juncea 0,25 40 150-165 50

C. spectabilis 0,25 15 154 17,6

C. mucronata 0,25 10 154 7

C. breviflora 0,25 20 154 18

C. paulina 0,25 --- 154 16

C. grantiana 0,25 8 154 3,92

Feijão-de-corda 0,4 60-75 50-354 145

Feijão-de-porco 0,5-1,5 150-180 49-190 1.351

Guandu 0,5-1,5 50 41-280 134

Guandu anão 0,6-0,7 --- --- 72,5

Indigofera 0,5-1,5 --- --- 2,66

Kudzu 0,5-1,0 --- 30-100 10,9

Lab-Lab 0,5-0,8 45 --- 250

Leucena 1,5-5,0 --- 400-600 46

Mucuna preta 0,5-1,0 60-80 157 650

Mucuna cinza 0,5-1,5 60-90 --- 835

Mucuna anã 0,5 80-100 76-282 642

Siratro 0,5-1,0 --- 70-140 10,4

Soja perene 0,5-1,0 --- 40-450 7


Feijão-de-porco Canavalia ensiformis D.C.
Originária da América Central, cultivada em regiões
tropicais e equatoriais.
» Planta rústica que se desenvolve em solos
degradados
» Suporta secas prolongadas
» Elevada competição com plantas daninhas
» Resiste à altas temperaturas
» Tolera sombreamento
 

Do feijão-de-porco têm sido extraídos os


princípios ativos que agem como inseticidas,
herbicidas - a planta apresenta alelopatia - e
fungicidas.
» Possui
crescimento
herbáceo ereto

» Rústica, anual
ou bianual com
crescimento
inicial lento
Experimento com feijão-de-porco nas entrelinhas de laranja.
Fazenda São Luiz, Brotas, SP.
Feijão-de-porco com
milho

Feijão-de-porco com
laranja
Feijão-de-porco intercalado com uma lavoura de abacaxi, com
sistema agroflorestal recuperando uma área degradada
ESPÉCIE ÉPOCA DE HÁBITO DE FLORAÇÃ MASSA MASSA
PLANTIO CRESCIMENTO O PLENA SECA* VERDE*
(DIAS)

FEIJÃO-DE- SET-DEZ ERETO 100-120 3,2 - 7 14 - 30


PORCO

* Massa vegetal (t/ha/ano)

ESPECIE QUANTIDADE DE NITROGÊNIO FIXADO


SEMENTE (kg/ha) (kg/ha/ano)
Feijão-de-porco 150 - 180 49 - 190

* Fonte: Calegari et al. (1993) e Calegari (1998).

N P K Ca Mg

158 13 99 219 24

*Kg/ha
Fonte: Lopes 1998.
Crotalaria spp
» Crotalária = nome referente ao chocalho das
vagens secas, semelhante ao da cascavel
(Crotalus spp.)

» Espécies ~ 550 espécies (herbáceas e


arbustivas, anuais ou perenes)

» Flores = amarelas, às vezes estriadas com


vermelho, dispostas em rácemos
Crotalária
Crotalaria juncea
(Crotalaria juncea L.)
» Origem Crotalarea juncea: India e Ásia tropical
Anual, ereto, porte alto (2,0 a 3,0 m) - acamamento -
desenvolvendo-se com precipitação de 200 a 400
mm água/ciclo
» Apresenta efeito alelopático e/ou supresor de
invasoras bastante expressivo
» É uma planta melhoradora e recuperadora de
solos, contribuindo para a diminuição de alguns
nematóides do solo, prestando-se para a rotação de
culturas
» Incorporação das plantas = 8 a 10 semanas

» N = 100 e 300 kg N/ha/ano

» Normalmente sem problemas fitossanitários,


exceto algumas lagartas e Fusarium

» Semear 20-25 sementes por m linear, com


espaçamento de 25 cm (30-40 Kg/ha)

» C. juncea produz fibra tão boa quanto a juta


(cordas, sacos, tapetes e cestas), usada na
fabricação de lenços e papel de alta qualidade
Crotalaria breviflora
» C. breviflora: Porte baixo (0,60 a 1,20 m), anual,
precoce e sensível ao frio
Adaptada a solos arenosos e argilosos

Apresenta crescimento rápido e boa produção de


sementes

» Incorporação no florescimento ou início do


enchimento de vagens (140 a 180 dias), com rolo-
faca ou roçadeira

Promissora no impedimento da multiplicação de


nematóides!!!

» Apresenta problemas com Fusarium e produz


menos fitomassa que as demais crotalárias
Crotalaria grantiana
» C. grantiana: América do Sul (Brasil) e
América do Norte

Porte baixo(0,8 a 1,20 m), anual, crescimento


lento, sensível ao frio, com ramificação
abundante

» Apresenta problemas com Fusarium e produz


menos fitomassa que as demais crotalárias
Atraso na colheita pode acarretar risco de
deiscência das vagens e posterior
ressemeadura natural
Crotalaria mucronata
Crotalaria mucronata: Porte baixo (0,80 a 1,20 m),
anual, raízes bastante desenvolvidas, capazes de
romper as camadas adensadas

» Rústica, boa nodulação (proporcionando efeitos para


culturas posteriores), desenvolve-se bem solos de
média e baixa fertilidade

» Apresenta elevado desenvolvimento do caule e ciclo


de 270 a 300 dias. Manejo no florescimento = lenho
muito desenvolvido

» Ressemeadura natural, promissora na diminuição de


nematóides. Sofre ataque de burrinhos
Crotalaria spectabilis
» Crotalaria spectabilis: Sub-arbustiva, porte médio a
alto (0,60 a 1,50 m), crescimento inicial lento, anual,
raiz pivotante profunda, podendo romper camadas
compactadas
» Bom desenvolvimento em diferentes tipos de solos,
inclusive com baixo P
» Efetiva no impedimento (multiplicação) nematóides
» Manejo no florescimento ~ 140 dias
» Problemas!!! ataque de burrinhos e lagartas
(sementes e flores) + polinização (mamangavas) +
cultivos sucessivos (problemas fitossanitários) +
espécie muito tóxica (monocrotalina - efeito
hepatotóxico)
» Ingestão de C. sagittalis, C. sericea e 'n' espécies
de crotalária pode causar intoxicação em animais –
crotalismo - causada por alcalóides existentes nas
folhas que danificam o fígado dos animais
» C. spectabilis e C. juncea têm sido recomendadas
para o tratamento de diversas doenças de pele
(sarna, impetigo, psoríase)

» Muitas espécies de crotalária são melíferas.


O plantio junto com maracujá potencializa a
polinização

» Várias espécies de crotalária são capazes de


tolerar metais pesados
C. cobalticola é cobaltófila – Co interfere no
metabolismo do Fe, essencial para a produção da
clorofila (sintomas de clorose nesta espécie é usado
como indicativo na prospecção de Co)
C. florida var. congolensis é manganófila - tolera
altos teores de Mn; C. cornettii e C. dilolensis são
cuprófilas e usadas como indicadoras na prospecção
de jazidas de Cu.
TREMOÇO
ADUBO VERDE
• Família: Leguminosa

• Nome científico: Lupinus albus L. (branco);


Lupinus angustifolius L. (azul) e Lupinos luteus
L. (amarelo)

• Época de plantio: Março/ Abril

• Espaçamento: 20 a 35 cm (adubação verde)


e 50 cm (produção de grãos), com 10 a 12
plantas/metro linear

• Profundidade de semeadura: de 3 a 5 cm
» Tremoços = há muitos anos usados como
adubo verde; alimentação humana e animal
(grãos); forrageira; planta ornamental e
medicinal;
» Sistema radicular bastante desenvolvido
(pivotante com 2 m);
» ~ até 150 Kg de N por há (importante efeito
residual)
Apresenta elevada capacidade de reciclar P e
Ca, dentre outros
Restrições!!! sanitárias + mercado pouco
desenvolvido + deficiências no sistema de
produção + desconhecimento dos benefícios aos
diferentes agroecossistemas.
» No Brasil fator limitante = susceptibilidade a
doenças - Antracnose Colletotrichum
gloeosporioides e Glomerella cingulata;
Mancha marrom Pleiochaeta setosa e;
Sclerotinia, - todas transmitidas por sementes
e restos de cultura. Podridão radicular
Fusarium spp, Rhizoctonia solani e
Verticillium spp, a Murcha de Fusarium
Fusarium oxysporum, Mofo pardo Botrytis
cinera e Phomopsis spp.

Medida de controle: uso de sementes idôneas


e isentas de fontes de inóculo.
Tremoços = melíferas
Taxonomia
Famíla: Leguminosae
Sub-família: Papilionoideae
Tribo: Phaseoleae

Nome Científico: Lablab purpureum L.


Sweet (Dolichos lablab L.); Lablab vulgaris
savi
Nome Comum: Labe-labe, poroto do Egito e
poroto japonês

Origem: Espécie que se supõe originária da


África e que se expandiu para a Índia.
Descrição Morfológica

Hastes: longas, trepadores e cilíndricos;


Folhas: Trifólios com estípulas pequenas e
pontiagudas;
Flores: branca, rosada ou violácea, com 1,5
a 2,0 cm;
Frutos: vagens pequenas, lineares e com
ponta recurvada (3 a 10 cm), com 3 a 5
sementes por vagem;
Sementes: elípticas ou ovais;

Obs.: A frutificação ocorre em tempos


diferentes, dessa forma pode ser anual,
bianual ou quase perene.
Características agronômicas:
Clima: tropical e subtropical, não tolerando geadas

Fotoperíodo: sensíveis, sendo algumas variedades


de dias curtos e outras de dias longos

Seca: Razoavelmente tolerante às secas

Temperatura: médias entre 19 e 24ºC

Solos: Adapta-se aos diversos tipos (argilosos até


arenoso) preferindo os bem drenados e férteis

pH: < 5,5 o crescimento é mais lento

Plantio: setembro/dezembro, solteiro ou


consorciado com milho, mandioca, etc, ou
Semeadura: a lanço, em linhas ou em covas;
Espaçamento: linhas (50 cm - 8 sementes
metro/linear) - covas (40 cm - 2 a 3 sementes)
Pragas: susceptível a vaquinha (Cerotoma sp.,
Diabrotica speciosa.);
Ciclo: ciclo ~ variedade - 250 a 320 dias;
Manejo: manejo no florescimento (130 a 180
dias), com roçadoras, incorporação através de
arado, por meio de herbicidas ou cortado por
enxadas.
Poderá ocorrer % de rebrota das plantas quando
manejadas conforme já descrito, exceto com a
utilização de herbicidas.

Obs: Além de não apresentarem nodulações,


tem ainda o inconveniente de ser multiplicador
Preparem-se...cenas fortes.
Proibidas para cafeicultores!!!