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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Os princípios empregados nas análises turbidimétrica e nefelométrica são regidos


pelos mesmos princípios da espectrofotometria de absorção, porém, a radiação incidente
na matéria não é absorvida pela amostra, mas sofre um espalhamento de partículas. Isso
é devido ao efeito Tyndall.

Este efeito óptico ocorre quando há o espalhamento da luz pelas partículas em


suspensão. Neste caso, é possível visualizar o trajeto que a luz faz, pois estas partículas,
ao espalhar os raios luminosos, atuam como fontes luminosas secundárias. Assim, as
partículas "emprestam" energia da onda eletromagnética à medida que ela se propaga
pelo meio e, então, emitem esta energia dentro de um ângulo sólido, cujo vértice é cada
partícula.

Na análise turbidimétrica, as medidas têm como principais variáveis:


comprimento de onda da radiação incidente, tamanho e forma das partículas e
quantidade de matéria em suspensão. A expressão que relaciona a intensidade da
radiação incidente com o coeficiente de turbidez é dada por[2]:

I  I 0 .e r Equação – 1

Com uma dada solução padrão se determina a razão I / I0, pois b é fixo (caminho
óptico) e C é conhecido. Uma curva analítica é normalmente utilizada para se
determinar a concentração da espécie de interesse C que está relacionada com o
coeficiente de turbidez .

Para que uma suspensão seja um padrão turbidimétrico é necessário que a mesma
possua uma homogeneidade de tamanho das partículas semelhantes às encontradas nas
amostras reais, de modo que as análises das soluções padrão sejam representativas das
amostras. Uma suspensão padrão normalmente utilizada para calibração de particulado
em água é a formazina.

Para a turbidimetria, a intensidade da radiação incidente não é proporcional à


concentração, e sim o termo –log (I / I0). Assim como I e I0 variam proporcionalmente,
um aumento na intensidade da fonte não aumentará o sinal analítico turbidimétrico.
Todavia, para análises nefelométricas, existe uma relação linear entre a intensidade da
radiação incidente (I0) e a concentração, como mostrado na seguinte equação:

I  KI 0C Equação – 2.
Sendo K uma constante para um dado equipamento. Dessa forma, quanto mais
intensa for à radiação incidente, maior será a magnitude da radiação espalhada que
atingirá o detector localizado a 90° em relação à fonte de REM. Contudo, a
sensibilidade do método analítico não depende exclusivamente da potência da radiação
incidente e da sensibilidade do sensor, mas também das características da suspensão,
como a forma e o tamanho das partículas em suspensão.

Não obstante, a análise nefelométrica é indicada para suspensões diluídas,


enquanto análise turbidimétrica para as suspensões mais concentradas[4, 6]. Ainda mais,
quanto menor o tamanho da partícula, mais favorável é o espalhamento a 90°, ou seja,
favorece a nefelometria[7-10].

A diferença existente entre turbidimetria e nefelometria é devido ao principio de


medição utilizado por cada método. A nefelometria parte de um principio de medição da
turbidez realizando a medida da radiação espalhada pela amostra. Para isso a fonte de
luz utilizada estaria a um ângulo de 90 o, ou de 45 o,em relação ao detector do
equipamento.

Já o turbidímetro parte do principio da medida da diferença entre a intensidade da


luz emitida e recebida pelo detector, que se encontra em um ângulo de 180 o em relação
à fonte radiante.

A escolha entre uma medida nefelométrica e uma medida turbidimétrica depende


da fração da radiação espalhada pelo sistema em estudo. A medida turbidimétrica pode
abranger mais larga faixa de concentrações, mas apresenta franca sensibilidade para
baixas concentrações da amostra. Uma vez que é difícil detectar uma pequena atenuação
do feixe de radiação incidente causada por baixas concentrações. É mais indicado para
altas concentrações, em que a presença de muitas partículas apresenta um intenso
espalhamento da radiação.
Por outro lado, a medida nefelométrica apresenta uma alta sensibilidade para
baixas concentrações. Entretanto, a medida nefelométrica não é satisfatória para o caso
das suspensões densa ou com alta turbidez, devido a interferência entre as partículas.

Apesar de algumas diferenças existentes entre esses métodos, eles tem


comportamentos de leitura da amostra parecidos. Esses comportamentos são fatores que
contribuem para uma leitura mais precisa e com uma repetibilidade assegurada,
evitando assim uma variação entre os resultados.

A repetibilidade pode ser interpretada como as condições nas quais os resultados


de testes independentes são obtidos com o mesmo método, com os mesmo itens de
testes e no mesmo laboratório, pelo mesmo analista usando o mesmo equipamento,
dentro de curtos intervalos de tempo.