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Ambientação à Logística do COMAER 2/75

Trabalho elaborado pelo Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA),


destinado a atender ao Programa de Treinamento Continuado para os
profissionais dos Sistemas de Material Aeronáutico e Bélico SISMA/SISMAB.

1ª edição - 2013
Equipe de Desenvolvimento de conteúdo:
ILA Maj Esp Fot Antonio Celio Pereira de Mesquita, Me.

Revisão Geral:
ILA Cel Int Adílio Martins de Moura Filho

Design Instrucional e Revisão Geral:


ILA Cap Esp Arm Carlos Henrique dos Santos
Chefe da Seção de Desenvolvimento de Ensino a Distância
ILA 2º Ten Ped Vivianete Milla de Freitas, Me.
Chefe da Seção de Conteúdo Curricular
ILA SO SML Evandro Breda Almeida

Diagramação Web:
ILA SO SML Evandro Breda Almeida
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus

Capa:
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus
Ambientação à Logística do COMAER 3/75

2ª edição - 2013
Equipe de Desenvolvimento do conteúdo:
ILA Ten Cel Esp Fot Antonio Celio Pereira de Mesquita, Me.
ILA 2° Ten ANS Diego Antonio Fernandes de Aguiar (Módulo T.I)

Design Instrucional e Revisão Geral:


ILA Cap Esp Arm Carlos Henrique dos Santos
ILA 2º Ten Ped Vivianete Milla de Freitas, Me.
Chefe da Seção de Conteúdo Curricular
ILA SO SML Evandro Breda Almeida

Diagramação Web:
ILA SO SML Evandro Breda Almeida
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus

Capa:
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus

3ª edição - 2014
Equipe de Desenvolvimento do conteúdo:
ILA Cap Esp Arm Carlos Henrique dos Santos

Design Instrucional e Revisão Geral:


ILA Cap Esp Arm Carlos Henrique dos Santos
ILA 2º Ten Ped Vivianete Milla de Freitas, Ma.
Chefe da Seção de Conteúdo Curricular
ILA SO SML Evandro Breda Almeida

Diagramação Web:
ILA SO SML Evandro Breda Almeida
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus

Capa:
ILA Cb SDE Henrique Borges de Jesus
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4ª edição - Fevereiro/2018

Equipe de Desenvolvimento de Conteúdo:

Unidade 1
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistemas do COMAER.
DIRMAB Ten Cel ENG Douglas Correia Kilim

Unidade 2
Planejamento e Controle da Manutenção.
2º/2º GT SO Everton Itaboraí Mattos

Unidade 3
Sistema Contraincêndio da Aeronáutica (SISCON).
DIRINFRA Cap Esp Aer GDS Jamilton de Oliveira

Unidade 4
Administração Patrimonial.
DIRINFRA 1º Ten QOENG AGM Flávio José Rodrigues da Silva

Unidade 5
Estruturas do Sistema de Tecnologia da Informação do COMAER (STI).
DTI CV ANS Constança Maria Maia Arruda

Unidade 6
Missão e Estrutura Organizacional da Diretoria de Tecnologia da Informação da
Aeronáutica (DTI).
DTI CV ANS Constança Maria Maia Arruda

Unidade 7
Centros de Computação da Aeronáutica (CCA).
DTI CV ANS Constança Maria Maia Arruda
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Coordenação Pedagógica e Revisão Geral:


ILA Maj Esp Arm Carlos Henrique Dos Santos
ILA 2º Ten Ped Camila de Melo Andriotti
ILA 1º Sgt SDE Maxwell de Oliveira

Diagramação:
ILA S2 NE Bruno Correa Castro Palhano

Rejeição de Responsabilidade

O presente trabalho foi desenvolvido para uso didático, em cursos que são ofereci-
dos pelo Instituto de Logística da Aeronáutica (lLA). O seu conteúdo é fruto de pes-
quisa em fontes citadas na referência bibliográfica, e que o(s) autor(es)/revisor(es)
acreditam ser confiáveis. No entanto, nem o ILA, nem o(s) autor(es)/revisor(es) ga-
rantem a exatidão e a atualização das informações aqui apresentadas, rejeitando
a responsabilidade por quaisquer erros e/ou omissões, ou por danos e prejuízos
que possam advir do uso dessas informações. Esse trabalho é publicado com o
objetivo de suprir informações acerca dos temas nele abordados, não devendo
ser entendido como um substituto dos serviços prestados por profissionais da
área, ou das publicações técnicas específicas que tratam de assuntos correlatos.
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Curso.

Link para a Organograma/Fluxograma do Curso: Representação Gráfica de assunto


abordado no conteúdo.

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reforço ao aprendizado do conteúdo.

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O seguinte material foi elaborado, visando a uma aprendizagem


autônoma, abordando temas especialmente selecionados em uma
linguagem que busca facilitar esta modalidade de estudo.

Durante seus estudos você poderá contar com o auxílio de um tutor


no ambiente virtual, o qual estará a disposição para sanar suas dúvidas.
Além do tutor, você terá os colegas de turma para juntos interagirem na
construção do seu conhecimento.

Bom Estudo!
Equipe ILA Virtual
Ambientação à Logística do COMAER 9/75

Objetivos:

A) distinguir Logística de Sistemas de Logística Empresarial; (Cn)


B) apontar o Processo de Desenvolvimento de Sistemas segundo a DCA 400-6;
(Cn)
C) descrever a Logística do Ciclo de Vida de Sistemas; (Cn)
D) descrever o Sistema de Material Bélico (SISMAB) bem como seu papel no
suporte das frotas e do material bélico ao longo do ciclo de vida (Through Life
Cycle Support); (Cn)
E) descrever as Medidas de Desempenho utilizadas na Logística Aeroespacial;
(Cn)
F) esboçar o processo de determinação do Custo do Ciclo de Vida – LCC (Life
Cycle Cost); (Cn)
G) esboçar o processo de Análise do Suporte Logístico; (Cn)
H) enunciar as principais aplicações de Ferramentas de Apoio à Decisão
utilizadas na área da Logística Aeroespacial; (Cn)

Finalidade:
Familiarizar os militares recém-apresentados no COMGAP e OM
subordinadas a estrutura organizacional, a missão, os sistemas e os processos
sob responsabilidade do COMGAP.
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Introdução à Logística de Sistemas


O Objetivo desta Unidade é o de
identificar a importância da Logística para
o apoio de um sistema de armas, desde
sua concepção até seu descarte.
Para que esse objetivo seja atingido,
pretende-se descrever o Apoio Logístico
Integrado no desempenho do ciclo de
vida de materiais e sistemas do COMAER
e, ainda, identificar a complexidade dos
problemas logísticos e as formas de
utilização de ferramentas de apoio de
decisão na área de defesa.

Eficiência e Eficácia

Duas palavras utilizadas com bastante frequência no meio aeronáutico são


Eficácia e Eficiência. Assim, convém esclarecer o significado de cada uma delas:

Eficácia significa atingir o objetivo, significa cumprir a missão. Ex.: se o objetivo


é matar uma mosca e alguém o faz utilizando-se de uma marreta, houve eficácia
no cumprimento da missão.

Eficiência significa atingir o objetivo ou cumprir a missão com o mínimo de


dispêndio de recursos de toda ordem (material, humano, financeiro e etc.). Ex.: Se
o objetivo é matar uma mosca utiliza-se um mata-moscas, cumpriu-se o objetivo
com eficiência. Diz-se, então, que a missão foi cumprida com eficiência.

Obs: É impossível ser eficiente sem ser eficaz. Ou seja, no cumprimento da


missão, primeiramente deve-se ser eficaz. Havendo tempo e espaço pode-se
cogitar também em agir com eficiência.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 12/75

Segundo o Manual de Doutrina Básica da Força Aérea dos Estados Unidos


(USAF), “A Logística deve ser dimensionada para ser eficaz na guerra e não para ser
eficiente na paz.” Isto corrobora o proposto anteriormente, agregando a restrição
do emprego dos termos Eficiência e Eficácia. De fato, na guerra o que importa é
cumprir a missão. Havendo oportunidade, espaço ou tempo, pode-se cogitar a
economia de recursos, buscando-se executar as ações com eficiência.

Em outras palavras, planejar para a


eficiência conduz ao emprego da palavra
“Otimização” (Maximização ou Minimização).
Quando se otimiza um processo para o mínimo
consumo de recursos faz-se uso da palavra
Minimização. Quando se otimiza um processo
para o máximo de rendimento se utiliza a
palavra Maximização.

Maximizar ou Minimizar significam


explorar o espaço de possibilidades das
decisões, explorando cada possibilidade,
buscando-se avaliar a decisão que proporciona
o máximo de rendimento ou o mínimo de
dispêndio de recursos.

Há casos, ainda, em que se busca, simultaneamente, maximizar algumas


medidas de desempenho e minimizar outras. Tipicamente, no caso de uma Força
Aérea, busca-se maximizar a Disponibilidade das frotas de aeronaves, minimizando-
se os recursos consumidos com a Manutenção. Porém, esses objetivos são
conflitantes, o que nos leva a pensar em pontos de equilíbrio (trade off), entre
valores de Disponibilidade adequados às necessidades operacionais, valores que
não sejam excessivos e muito caros, descartando-se a possibilidade de opção por
valores de baixo custo que não atendam às necessidades de Disponibilidade da
área operacional.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 13/75

O Almirante Nimitz (Brasil, 2003) apregoou


que "Logística é um termo abrangente que
compreende todas as atividades produtivas
da Pátria“. De fato, para a consecução dos
objetivos nacionais é necessário que certas
estratégias sejam bem definidas, sendo que
a implementação dependerá do suporte
adequado.

O Barão de Jomini (Brasil, 2003), conhecido


teórico da arte da guerra, a quem se deve,
pela primeira vez, o uso da palavra “Logística“,
definiu a Logística como “tudo ou quase tudo,
no campo das atividades militares, exceto o
combate”. Definiu a Logística, ainda, como “a
ação que conduz à preparação e sustentação das
campanhas”, enquadrando-a como “a ciência
dos detalhes dentro dos Estados-Maiores”.

A depender do ambiente profissional, pode-se estender a definição do Barão


de Jomini da seguinte forma:

a Em um consultório odontológico, tudo que suporta o tratamento do


sistema mastigatório é Logística.
a Em um hospital, tudo que suporta a anamnese, a cirurgia, enfim as
atividades de manutenção da saúde humana é Logística.
a Em uma oficina, tudo que suporta a detecção da pane e a restauração da
funcionalidade do item é Logística.
a Em uma operação aérea, tudo que suporta a decolagem da plataforma
de armas, a navegação, a localização do alvo e a sua destruição é Logística.

Assim, pode-se generalizar o conceito de Logística no âmbito de um


determinado sistema como tudo que provê suporte à atividade fim desse sistema.
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Ciclo de Vida de Sistemas e Materiais da Aeronáutica

Há pouco mais de vinte anos,


percebeu-se a necessidade de
uma aeronave que fosse capaz
de combater as intrusões de
pequenas aeronaves no território
nacional por meio das fronteiras da
região amazônica. Uma aeronave
que fosse capaz de superar
essas pequenas aeronaves em
velocidade que fosse capaz de
persegui-las e, na eventualidade de
desobediência, abatê-las. Esse equipamento deveria, ainda, ser capaz de suportar
as condições inóspitas da região amazônica, tais como elevada umidade relativa
do ar, altas temperaturas e a presença de aves e insetos de dimensões variadas.
Como resultado, foi desenvolvido o Embraer AL-X ou Supertucano, denominado
na FAB como A-29.

O que é SISTEMA?

O sistema digestivo é um
conjunto de órgãos interligados
com o objetivo de extrair dos
alimentos os nutrientes necessários
ao funcionamento do organismo
dos seres vivos.

Genericamente, diz-se
que Sistema é um conjunto de
elementos organizados harmonicamente de modo a satisfazer certa necessidade.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 15/75

Um sistema hidráulico de aeronaves é um conjunto de componentes destinados


a, por meio do uso de fluidos e componentes hidráulicos, acumularem pressão
hidráulica para o funcionamento dos subsistemas de controle que requerem pressão
hidráulica para seu funcionamento.

O Sistema de Controle do Espaço


Aéreo Brasileiro (SISCEAB) é um conjunto
de elementos de comunicação e detecção
interligados harmonicamente a fim de
proporcionar a monitoração e o controle do
espaço aéreo como suporte às atividades de
defesa aérea.

O sistema de material Aeronáutico e


Bélico (SISMAB) foi instituído com o objetivo de
prever e prover o suprimento e a manutenção
necessários ao suporte logístico do Material
Aeronáutico e Bélico no âmbito do COMAER
,de forma a garantir a sua condição de pronto
emprego, na quantidade e disponibilidade
adequadas a cumprir as missões planejadas pelo
EMAER, com o menor consumo possível de recursos humanos, materiais e financeiros,
seja em situação de paz, de conflito ou de emergência, conforme item 1.2.45 da NSCA
65-1.

No sentido operacional-militar, na Diretriz do Comando da Aeronáutica DCA


400-6, que trata do ciclo de vida de sistemas e materiais da aeronáutica, consta que
Sistema é o conjunto constituído de componentes mecânicos, elétricos, eletrônicos,
peças, computadores, “softwares”, que compõem as diversas partes funcionais de
uma plataforma de armas, interagindo para levar o poder destruidor ao alvo.

O A-29, então, é um sistema de componentes mecânicos, elétricos, eletrônicos,


peças, computadores, “softwares”, que compõem as suas diversas partes funcionais,
interagindo para levar o poder destruidor aos intrusos na região amazônica.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 16/75

O que é Ciclo de Vida?

Ciclo de vida é o conjunto de fases da vida de um item ou sistema que vai


desde o momento da concepção, passando pelo desenvolvimento ou aquisição,
pela fase de operação e finalizando com a fase de descarte ou reciclagem.

Segundo Blanchard (2004), Ciclo de Vida é o tempo total previsto para que
um sistema possa ser concebido, desenvolvido, fabricado, operado e descartado.

O A-29, pela sua concepção, foi desenvolvido e construído para operar


na região amazônica, dentro das características descritas no documento que
formalizou o início do seu ciclo de vida, a Necessidade Operacional (NOp).
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 17/75

Logística de Sistemas x Logística Empresarial

Segundo o Council of Logistics Management (CLM), Logística é processo de


planejamento, implementação e controle eficiente e econômico de matérias-
primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações
a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito
de atender às exigências do
cliente.

Convém destacar que


o objetivo é atender às
exigências do cliente, ou
seja, o cliente é quem dita
os requisitos logísticos,
tais como prazos, custos,
qualidade e outros
parâmetros de interesse.

No processo de
movimentação de materiais
e informações da logística, tanto no sentido dos fornecedores de matérias
primas ou produtos semi-acabados para as fábricas ou montadoras como no
sentido dessas para os clientes, existem as seguintes funções operacionais:
Transporte, Gerenciamento, Processamento de pedidos, Obtenção, Embalagem,
Armazenagem, Manuseio de materiais e Atualização de Informações. Essas funções
existem também na Logística Aeroespacial.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 18/75

Já do ponto de vista militar, segundo o Departamento de Defesa dos EUA, o


Department of Defense (DoD), a Logística se refere à distribuição e suporte a siste-
mas, incluindo elementos de Planejamento de Manutenção, Pessoal, Suprimento,
Equipamento de Apoio ao Solo, Dados Técnicos, Treinamento, Informática, Instala-
ções, Embalagem, Manuseio e Estocagem, Transporte, Confiabilidade e Manuteni-
bilidade. Todos esses conceitos são amplamente utilizados no âmbito do SISMAB.

Planejamento de manutenção – atividade que visa a escalonar as


manutenções ao longo do calendário com o objetivo de distribuir a carga de
utilização harmonicamente em toda a frota, buscando, ainda, otimizar o uso
dos meios de suporte logístico.
Pessoal – dimensionar as quantidades e as qualificações necessárias
ao suporte logístico.
Suprimento – dimensionar os estoques necessários ao suporte
logístico.
Equipamento de Apoio ao Solo (EAS) – dimensionar os equipamentos
especiais de apoio às atividades realizadas nas aeronaves.
Equipamentos de Apoio à Manutenção (EAM) – dimensionar os
equipamentos especiais de apoio à manutenção.
Dados técnicos – a gestão dos dados técnicos permite o controle da
qualidade dos serviços realizados, principalmente com foco na segurança de
voo.
Treinamento – após formados e capacitados, os recursos humanos
da logística precisam ser treinados nas operações rotineiras, principalmente
nas tarefas específicas de uso do SILOMS.
Informática – a informática provê o suporte ao funcionamento do
SILOMS e de outros softwares de aplicação operacional.
Instalações – as oficinas, os hangares, os hangaretes, as bancadas das
oficinas e outras instalações de apoio à manutenção e ao suprimento.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 19/75

Embalagem – atividade que possibilita o manuseio e o transporte


seguros dos itens novos ou revisados pelas oficinas.
Manuseio – atividade que exige treinamento especial haja vista a
diversidade de itens movimentados entre os diversos elos do sistema
Estocagem – atividade que exige treinamento especial, haja vista
a diversidade de itens que são mantidos em estoque para necessidades de
manutenção, operação e preservação.
Transporte – movimentação de materiais ao longo da cadeia de
suprimento. Os materiais precisam ser entregues no endereço certo, no tempo
certo, na qualidade certa, o item certo, e outros requisitos estabelecidos pelo
gestor do sistema logístico.
Confiabilidade – probabilidade de que um item desempenhe a
função para a qual foi projetado e construído durante um tempo determinado,
quando utilizado sob as condições de projeto.
Manutenibilidade – probabilidade de que um item seja reparado no
tempo determinado, dentro das condições especificas definidas em projeto.

Não citado na definição do DoD, mas de especial importância, existe a função


Catalogação. A Catalogação consiste em se registrar os itens em catálogos. Existe
um catálogo mundial corporativo mantido pelos países da Organização do Tratado
do Atlântico Norte (OTAN) e por outros países associados, como o Brasil. O órgão
denominado NAMSA, concentra todas as informações dos itens consumidos pelas
Forças Armadas dos países associados da OTAM.
Esse catálogo surgiu durante a segunda grande guerra, com a necessidade
das FFAA americanas de centralizarem as informações sobre os itens consumidos
pela US Navy, pela USAF e pelo US Army. Os EUA criaram como identificador dos
itens o National Stock Number (NSN), um número que identifica o item de forma
completa, inclusive com os dados técnicos.
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No Brasil, o mesmo número com a mesma finalidade é denominado de Número


de Estoque Brasileiro ou NEB, seguindo as mesmas regras do NSN adotado pela
OTAN.

Em conformidade com as
normas do Sistema OTAN de
Catalogação (SOC), do Sistema
Militar de Catalogação do
Ministério da Defesa do Brasil
(SISMICAT) e do Sistema de
Catalogação da Aeronáutica
(SISCAE), a Catalogação
abrange todos os tipos de itens
utilizados no Comando da Aeronáutica, pelos métodos: Referencial, Descritivo
Parcial e Descritivo Completo, independentemente de suas áreas de aplicação
(aeronáutica, eletrônica, bélica, saúde, engenharia, intendência, etc.)

O SILOMS possui o Módulo de Catalogação que é operado pelas Seções de


Catalogação dos Parques e pelo Centro de Catalogação da Aeronáutica (CECAT).
O CECAT, atualmente, está subordinado COMANDO-GERAL DE APOIO (COMGAP)
e fica sediado na Ala 13.
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O que é o SOC?

O SOC - Sistema OTAN de Catalogação, é um sistema de catalogação de


materiais, criado pela OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, para
padronizar a descrição e a codificação dos materiais de uso Forças Armadas dos
Países - Membros OTAN e Países convidados, num total de 50 Países.
Atualmente o Catálogo inclui 16 milhões de itens descritos na base do sistema,
o Federal Supply, uma relação de suprimentos dividida em 79 grupos e 644 classes
de produtos. Hoje 78 indústrias brasileiras fazem parte do Cadastro, o qual inclui
um milhão de fabricantes de todo o mundo. Eles desenvolvem materiais que vão
de produtos de alimentação, saúde, construção civil à construção de navios e
material radioativo.

O que é o SISMICAT?

O Brasil, apesar de não ser membro da OTAN, atingiu em 2002 o nível TIER-
2 na Organização, ou seja, adquiriu o direito de ter seus produtos incluídos no
Catálogo da OTAN – SOC, através de um trabalho que vem sendo conduzido
pelo Centro de Catalogação do Ministério da Defesa – CECAFA, que administra o
SISMICAT – Sistema Militar de Catalogação. Este sistema funciona nos moldes do
SOC. Esta prerrogativa é compartilhada apenas com a Austrália e Nova Zelândia,
na categoria de País não membro OTAN e o Brasil é o único País Latino-americano
a conquistar esta posição de destaque.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 22/75

Quais as vantagens para a empresa possuir seus produtos no SISMICAT/


SOC?

O SISMICAT é utilizado no Brasil pelas Forças Armadas: Exército, Marinha e


Aeronáutica e o SOC é utilizado pelas Forças Armadas de todos os Países OTAN
(membros e convidados). Portanto, ao ter seus produtos disponibilizados nestes
sistemas, a empresa abrirá novos mercados, tornando-se potencial fornecedora
desses países.
Além disso, o Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG),
através do Departamento de Logística e
Serviços Gerais da Secretaria de Logística e
Planejamento, em conjunto com o Ministério
da Defesa, pretende criar o Sistema Nacional
de Catalogação.
Por fim, a catalogação padronizada
visa à racionalidade, à transparência nas
transações comerciais e à redução de custos
finais.

Qual é a situação atual e as perspectivas de futuro para o SISMICAT?


O CECAFA está envidando esforços para atingir dois objetivos prioritários:
Catalogar todos os itens das Forças Armadas, a fim de identificar aqueles de
uso comum; e
Diminuir a dependência externa de suprimento, por meio da aquisição de
produtos nacionais.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 23/75

Com estes procedimentos consolidados, estarão sendo disponibilizadas


informações precisas sobre os itens e suas fontes de obtenção. Com isto, as Forças
Armadas Brasileiras estarão preparadas para promover a gestão logística integrada,
aumentando a cooperação entre as Forças Armadas.
A contrapartida destes processos para as empresas privadas é tornarem-se
potenciais fornecedoras do ministério da Defesa, por meio da catalogação de seus
itens.

Como proceder para incluir itens no SOC?


A Integra Consultoria é a primeira empresa privada brasileira busca a
certificação do Ministério da Defesa para dar encaminhamento aos processos de
catalogação em nível nacional.

Como está estruturado o SISCAE?

O SISCAE está estruturado da seguinte forma: O CECAT como órgão central e


normativo e as seções de catalogação (BAAN, BASC, DIRENG, DIRSA, PAMB, PAME
RJ, CINDACTA IV, NuPAMAAF, PAMA GL, PAMA LS, PAMA SP, SDAB e CELOG) como
orgãos executivos.
Responsabilidades do CECAT

• aquisição dos dados logísticos dos itens pertencentes aos projetos existentes
no COMAER, junto aos fabricantes dos mesmos;
• implantação desses dados logísticos no Sistema Integrado de Logística de
Material e de Serviços (SILOMS);
• implantação dos dados das empresas no SILOMS.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 24/75

O papel da Logística de Sistemas

Anteriormente, ao se citar os termos Maximização e Minimização, foi


mencionado que existem casos onde se busca simultaneamente maximizar um
parâmetro e minimizar outro, o caso da maximização da Disponibilidade com a
Minimização do custo do ciclo de vida. Obviamente dois objetivos conflitantes,
o que demanda que seja escolhido um ponto de operação onde haja um valor
adequado de Disponibilidade a um mínimo custo do ciclo de vida.
O papel da Logística de Sistemas é, justamente, o de atender à necessidade de
disponibilidade com o mínimo de custos ao longo do ciclo de vida.

O papel da Logística Empresarial

Já na Logística Empresarial o que interessa é maximizar o lucro ou os


dividendos para o cliente do sistema. Toda a cadeia de suprimentos é otimizada
para se minimizar os custos e agilizar a movimentação dos materiais, agregando-
se valor ao produto e atendendo-se aos requisitos do cliente.
A seguir, discute-se o processo de desenvolvimento de sistemas, onde serão
tratados tópicos relevantes de cada fase do desenvolvimento de sistemas, desde a
elaboração dos requisitos até a verificação e validação desses.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 25/75

A DCA 400-6
A DCA 400-6 tem por finalidade ordenar o planejamento e a execução das fases e
principais eventos do Ciclo de Vida de Sistemas e Materiais da Aeronáutica, bem como
regular tecnicamente a atuação, a interação e a responsabilidade dos Órgãos e Sistemas
do COMAER que intervêm no processo de desenvolvimento de sistemas.
A primeira fase do ciclo de desenvolvimento de sistemas é a elaboração da
Necessidade Operacional (NOP). requisitos de projeto
Isto consiste na elaboração de um
documento com o mesmo nome,
que procura esboçar os princípios de
operação do item ou sistema.
A idéia inicial sobre a concepção
de uma plataforma de armas para
operar na região amazônica, o A-29,
deu origem a uma NOP, formalizando
o início do ciclo de vida da aeronave.
A NOP visa ao fornecimento ou
ao desenvolvimento de um novo
sistema ou a modificação de um
sistema existente.
Uma das fases iniciais do ciclo
de vida é a avaliação da eficiência
e da adequabilidade operacionais.
É uma fase importante por se
tratar de um ponto de decisão
entre dar continuidade ou não ao
desenvolvimento do sistema de
interesse. É quando se verifica se o
sistema atende aos requisitos operacionais, técnicos e logísticos.
Convém ressaltar que, caso se decida por cancelar o desenvolvimento do sistema,
assume-se que os gastos já realizados serão computados como prejuízo menor. Caso se
optasse pela continuidade do desenvolvimento, assumindo-se os riscos de não atender
às reais necessidades do operador do sistema, os prejuízos de médio e longo prazo
poderiam ser maiores.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 26/75

Uma figura importante no processo de desenvolvimento de sistemas é o


Gerente de Projeto. Essa pessoa o responsável pela condução do Projeto e por
estabelecer as funções adequadas de supervisão e controle das ações, até o
recebimento do Sistema ou Material e sua entrega ao Operador.

Em vista do exposto, convém que o Gerente de Projeto busque sempre o


assessoramento de um profissional de logística o mais cedo possível, durante o
processo de desenvolvimento, de forma a conciliar as demandas dos clientes e
contemplá-las no planejamento logístico inicial.

Segundo a DCA 400-6, a Logística do Desenvolvimento de Sistemas é dividida


em nove fases:
1. Concepção: a fase inicial de determinação das necessidades operacionais;
2. Viabilidade: a fase de análise sobre a decisão de dar ou não continuidade
ao projeto;
3. Definição: havendo-se decidido avançar no projeto, defini-se os requisitos
técnicos e logísticos;
4. Desenvolvimento ou aquisição: desenvolver, contratar o desenvolvimento
ou adquirir algo do tipo Commercial Off the Shelf (disponível no mercado);
5. Produção: produção industrial do equipamento ou desenvolvimento do
software;
6. Implantação - instalação no operador e treinamentos;
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 27/75

7. Utilização: fase mais longa e mais cara do ciclo de vida. Cadeia de suprimento
definida;
8. Revitalização, Modernização ou Melhoria: decisão sobre modernizar,
revitalizar ou fazer algum projeto de melhoria; e
9. Desativação: alienação ou descarte do equipamento ou software.

Observa-se na figura abaixo que, ao longo do ciclo de vida, a maioria dos custos
e do envolvimento com pessoal ocorre durante as fases intermediárias. Observa-se,
também, que na fase final ocorre o declínio dos custos sem, contudo, chegar a zerar.
Ou seja, mesmo desativado, a preservação do equipamento alienado (separado para
revenda ou doação) incorre em custos.

Gráfico 4 – Comprometimento dos fundos alocados ao projeto de


engenharia em função das fases do seu ciclo de vida. Fonte: elaborado
pelo autor (apostila qualidade e custos na manut. pós estácio).
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 28/75

Na fase de Concepção, o Operador procura identificar a carência operacional,


o que poderia adequar o desempenho da unidade aérea às novas demandas por
missões. Outra possibilidade é a melhoria do desempenho da unidade aérea por
meio de algum equipamento ou software disponível no mercado.
O resultado da fase de Concepção fornecerá os elementos iniciais para a
elaboração dos Requisitos Operacionais Preliminares (ROP).

Resumindo, surge uma ideia para adequação ou melhoria na operacionalidade,


e elabora-se uma proposta de NOP. Caso aprovada pelo Comando Operacional,
é elaborada a NOP definitiva que poderá dar início ao Ciclo de Vida, caso seja
determinado como viável. Inicia-se o Projeto com a fixação dos Requisitos
Operacionais Preliminares (ROP) pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer).
Na fase de viabilidade, busca-se identificar alternativas para o atendimento
da carência operacional, ou ainda, verificar-se a possibilidade de aproveitamento
de uma oportunidade tecnológica ou de mercado. Caso seja comprovada a
possibilidade de melhoria significativa que compense os custos da implementação
desse novo projeto, pode ocorrer a decisão por sua continuidade.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 29/75

Uma vez definidos todos os requisitos e realizadas as verificações (conformidade


com o projeto) e validações (conformidade com os requisitos operacionais), o projeto
estará pronto para entrar na fase de desenvolvimento. Tipicamente, são contratados
desenvolvimentos dos modelos para ensaio e, após as correções do projeto com base
nos defeitos encontrados nos modelos, é contratada a produção em série.

É interessante que sejam esclarecidos os conceitos de Revitalização, Modernização


e Melhoria:

a A Revitalização consiste em modificações estruturais com vistas a estender


a vida útil do sistema.
a A Modernização consiste na substituição de parte do sistema seja, por
necessidade operacional ou por oportunidade tecnológica de mercado.
a A Melhoria consiste em modificações menores, geralmente realizadas
com vistas ao aumento de confiabilidade (redução da taxa de falhas).
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 30/75

Eventualmente pode haver


a necessidade de se modernizar,
revitalizar ou melhorar o sistema.
Em alguns casos, principalmente
quando afeta a segurança de voo,
há a necessidade de Certificação
por parte de um órgão
especialmente credenciado.
No caso de modificações em
sistemas embarcados em
aeronaves, o Instituto de Fomento
e Coordenação Industrial (IFI),
sediado no Departamento de
Ciência e Tecnologia Aeroespaciais (DCTA), é o responsável pela emissão das
certificações aplicáveis.

No caso de a modificação já estar certificada por outro órgão, caberá ao IFI a


convalidação (o reconhecimento) dessa certificação.

Embora haja alguns casos de desenvolvimentos no próprio COMAER, alguns


Boletins Técnicos desenhados, fabricados e instalados pelos Parques de Material
Aeronáutico nas aeronaves da FAB, a predominância é da contratação dos serviços
de fabricação ou da aquisição do item ou sistema de interesse.

A fase de Produção consiste no tempo dado à indústria para o apronto


dos itens ou sistema para entrega aos operadores. Geralmente esta fase possui
intercessão de tempo ou alguma concorrência com a fase de implantação. Ou seja,
os primeiros itens são entregues no início da operação, podendo se estender por
alguns anos, dependendo da complexidade do projeto.

A Implantação é a fase em que operador é treinado e quando se inicia a


adaptação e o desenvolvimento da doutrina de operação do novo sistema. É nesta
fase que se deve dar especial atenção aos registros de falhas. Os dados coletados
servirão de base para futuros estudos estatísticos visando a redução das taxas de
falha dos componentes do sistema.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 31/75

A fase de Emprego é onde se desenrolam, principalmente, as atividades


operacionais e logísticas. É quando ocorre o acompanhamento do desempenho e
o registro dos parâmetros, tais como registro de falhas e outros. Esses registros são
importantes para a realização de análises estatísticas com vistas ao planejamento
da manutenção e da possibilidade de se realizar manutenção centrada em
confiabilidade.

Em certo momento do ciclo de vida, pode surgir a oportunidade de se optar


pela modernização ou pela revitalização.

Fatores que motivam


Revitalização, Modernização
ou Melhoria

A necessidade de
Revitalização, Modernização
ou Melhoria surge,
principalmente, devido aos
seguintes fatores:

1. Alteração de
características Técnicas: a
estrutura da aeronave pode
ter sofrido desgaste por fadiga, o que poderia justificar a Revitalização mediante a
substituição de estruturas.

2. Necessidades específicas inexistentes anteriormente - mudança do


envelope de operação por fatores externos ou mudança no cenário.

3. Obsolescência: os componentes que não são mais fabricados precisam ser


substituídos por outros de mercado.

4. Surgimento de uma oportunidade tecnológica ou econômica: um novo


equipamento em operação por outro país ou por outra força poderia agregar
maior desempenho à operacionalidade do esquadrão.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 32/75

A última fase, a Desativação, procura dar destino da forma mais econômica


possível ao equipamento ou sistema. Estudos e ações são realizados para retirada de
serviço e alienação do Material, quando se encerra seu Ciclo de Vida. O cancelamento
do programa P-16H selou definitivamente a vida dos Tracker na FAB. Após a sua
desativação a Força Aérea perdeu completamente sua capacidade ASW (Anti-
Submarine Warfare), até a chegada da aeronave P-3M.
A seguir desenvolvem-se as características da Logística envolvida no
desenvolvimento do sistema, considerando todo o ciclo de vida.

Logística no desenvolvimento de sistemas

Segundo Benjamin Blanchard (2004), o envolvimento da Logística nas fases


iniciais do ciclo de vida é fator de redução do custo total. A linha na diagonal da
Figura acima representa o grau de importância que deve ter a logística para a vida do
sistema.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 33/75

Em conformidade com a proposta de Blanchard, a Comissão para o Programa


Aeronave de Combate (COPAC) passou a ser composta também por elementos
com formação em Logística de Sistemas, o que vem favorecendo a aplicação desse
conceito. Ou seja, a tendência é que os possíveis problemas logísticos passem a ser
detectados e corrigidos com maior antecedência.

A figura abaixo apresenta uma relação entre a quantidade de problemas de


suportabilidade ao longo do tempo. Observam-se duas curvas, uma tracejada, que
representa a variação da quantidade de problemas em sistemas que não tiverem
ênfase na suportabilidade logística desde a Concepção e a curva em linha contínua,
que representa a variação da quantidade de problemas no desenvolvimento com
ênfase em Suportabilidade desde o momento da Concepção.

Convêm relembrar a importância da participação do profissional de Logística,


desde o início do processo de desenvolvimento.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 34/75

O Sistema de Aeronáutico e Bélico (SISMAB)

Uma vez que o sistema esteja desenvolvido e tenha sido iniciada a sua
implantação, com o treinamento dos operadores e o estabelecimento da logística, a
responsabilidade pela condução do ciclo de vida passa, gradativamente, do Gerente
do Projeto para o Órgão Central do Sistema em consideração.

O Sistema de Material da Aeronáutica e Bélico (SISMAB)

A estrutura orgânica do SISMAB é composta de:

Órgãos de execução permanentes, item 3.2.6.1 da NSCA 65-1 considerando


a reestruturação:
a Parques de Material Aeronáutico (PAMA);
a Parque de Material Bélico da Aeronáutica do Rio de Janeiro (PAMB-RJ);
a Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA);
a Centro Logístico da Aeronáutica (CELOG);
a Comissões Aeronáuticas Brasileiras no Exterior (CAB);
a Escritório Brasileiro de Ligação (EBL);
a Alas por meio de seus Grupos Logísticos (GLOG) (quando houver);
a Seção de Material de Unidades Aéreas e/ou órgãos equivalentes (quando
houver);
a Subseção de Material da Seção de Aviões de Operador Isolado e/ou
órgãos equivalentes (quando houver);
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 35/75

a Órgãos equivalentes aos G/ESM como Divisão de Apoio Militar, Divisão


de Suprimento e Manutenção e Seção de Aviões de operadores isolados e/ou órgãos
equivalentes (quando houver);
a Unidade Celular de Suprimento e Manutenção (UCM) de Unidade Aérea
desdobrada;
a Missão Técnica Aeronáutica do Brasil (MTAB) do Paraguai;
a Representação do Comando da Aeronáutica do Brasil na Itália (RECABI);
a Parques Oficinas;
a Depósito Central de Material Bélico (DCMB);
a Depósitos Regionais de Material Bélico (DRMB);
a Esquadrões de Material Bélico (EMB);
a Seções de Material Bélico (SMB); e
a Subseções de Armamento das Unidades Aéreas (SSAR).

Órgãos de execução eventuais, item 3.2.6.2 da NSCA 65-1:


aRepresentações e/ou órgãos equivalentes instituídos transitoriamente
com a finalidade de sediar as atividades de gerenciamento ou fiscalização ou ainda
comissões de recebimento de contratos;
aEmpresas Privadas ou de Economia Mista que prestam serviços de
manutenção ou fornecem material aeronáutico ou bélico;
aUnidade Celular de Suprimento e manutenção (UCM) de Unidade Aérea
desdobrada;
aSubdiretoria de Defesa (SDEF), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE),
do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA);
aUnidade Celular de Material Bélico (UCB); e
aSubdivisão de Instrução técnico-especializada das Escolas de formação.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 36/75

Maiores detalhes sobre o funcionamento do SISMAB poderão ser encontrados


na Norma de Sistema do Comando da Aeronáutica (NSCA 65-1).
GLOG da ala11 atrás do P8
O Grupo Logístico (GLOG), sediado na Ala, é responsável pela garantia da
qualidade dos materiais e serviços de manutenção aeronáutica, através do apoio
em suprimento e manutenção às unidades aéreas sediadas, em princípio, nas suas
respectivas Organizações, conforme NSCA 65-1 nos itens 2.6.2.6 e 2.6.2.9.
O GLOG é a interface do SISMAB com a Unidade Aérea.
Nas manutenções de primeiro e segundo níveis não há a complexidade inerente
às atividades realizadas pelos Parques de Material Aeronáutico e pelas empresas de
suporte logístico contratado.
A manutenção de 1º nível, pressupõe a capacidade de mobilidade. Daí a razão
de as manutenções serem mais simples e exigirem ferramentas simples e portáteis.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 37/75

O GLOG é um importante órgão do SISMAB pois executa, através dos Esquadrões


de Manutenção (ESM) e de Suprimento, os serviços de suprimento e manutenção
sem prejuízo da capacidade de mobilização. Precisam ter permanentemente prontos
recursos materiais e humanos necessários a uma ação de manutenção fora de sede.
Precisam manter o pessoal técnico permanentemente treinado nos serviços de
?
suprimento e manutenção.
O Chefe do Esquadrão de Manutenção precisa realizar o Curso Básico de
Manutenção para Oficiais (CBMO). Este curso foi especialmente composto com as
disciplinas mais relevantes com os conhecimentos necessários para a condução dos
processos de uma S-4, especialmente a disciplina Gerenciamento da Manutenção
Orgânica (GMO). Esta disciplina possui grande carga horária de treinamento no
SILOMS, nas telas da manutenção de Nível Orgânico.

Os graduados dos Esquadrões de Manutenção e de Suprimento precisam


realizar o Curso de Atualização de Mantenedor (CAM), que também possui forte
ênfase nas telas de Manutenção Orgânica do SILOMS, além de outras disciplinas
importantes para o desempenho de suas tarefas no Âmbito do GLOG.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 38/75

Outras Funções Logísticas relevantes para a Logística Aeronáutica são a


Nacionalização, a Aquisição e a Distribuição. O Centro Logístico da Aeronáutica
(CELOG), localizado em São Paulo, é a organização responsável por essas funções.
A Nacionalização é a atividade que visa fabricar itens importados pela indústria
nacional. Esta é uma atividade de especial importância, pois procura valorizar e
fomentar a indústria nacional, tornando o Brasil menos dependente de tecnologias
estrangeiras.
Dada a necessidade de um determinado item, o CELOG realiza estudos quanto
à viabilidade técnica e econômica da Nacionalização. Caso seja decido como viável,
o CELOG realiza o processo de Engenharia Reversa para construir as especificações a
partir do item original, com o objetivo de contratar uma indústria para fabricar o item
conforme essas especificações.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 39/75

Aquisição

A Aquisição ou Obtenção é realizada no Brasil pelo CELOG, nos Estados Unidos


pela Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CAB-W) e na Europa e Oriente
pela Comissão Aeronáutica Brasileira em Londres (CAB-E)
O Sistema Integrado de Logística de Material e Serviço (SILOMS) possui um
módulo destinado a auxiliar no gerenciamento do Sistema de Transporte do COMAER,
o SISTRANS, conhecido como Módulo de Transporte.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 40/75

O SILOMS possui o Módulo de Aquisição que é destinado a auxiliar o


gerenciamento das aquisições realizadas no Brasil e no exterior pelo CELOG e pelas
CAB.
O Escritório Brasileiro de Ligação (EBL) é um órgão importante da área logística,
localizado no estado de Ohio, nos EUA, realiza a ligação entre a área logística da FAB
e os órgãos do governo dos EEUU responsáveis pelos programas de assistência à
segurança – Foreign Military Sale (FMS).

O ILA ministra, na modalidade de Educação a Distância (EAD), o Curso de


Operação do Sistema de Transporte (COTRANS), que, além de proporcionar o
treinamento na utilização do Módulo de Transporte do SILOMS, proporciona
também os conhecimentos necessários ao gerenciamento de um terminal de
carga do Correio Aéreo Nacional (CAN).

Quanto à Função Logística de Distribuição, esta engloba o sistema de Transporte,


que é o conjunto de atividades que são executadas visando ao deslocamento de
recursos humanos, animais e materiais, por diversos meios, em tempo e para os
locais predeterminados, a fim de atender às necessidades da Área Logística em apoio
à Área Operacional do COMAER.
A distribuição dos materiais é realizada pelo Centro de Transporte Logístico
da Aeronáutica (CTLA), que utiliza o Módulo de Transporte no gerenciamento do
transporte de carga.
Além das operações de transporte aéreo, cabotagem (marítmo) e terrestre,
o CTLA é responsável por atividades de Desembaraço Alfandegário, que visam
regularizar as importações e exportações de material do COMAER junto à Secretaria
da Receita Federal.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 41/75

O Foreign Military Sales (FMS) e o Programa Security Assistance


O FMS - um dos programas que compõem o Security Assistance Program do
governo norte-americano destina-se à venda de artigos de defesa, serviços e
treinamento aos países aliados aos EUA.
Anualmente, a FAB realiza reunião de renegociação do FMS no intuito de
solucionar pendências de negociações passadas, revisar a parte financeira e logística
dos acordos contratuais de venda entre o governo norte-americano e um país
estrangeiro, denominado Cases.
O ILA ministra anualmente o Curso de FMS com a finalidade de capacitar
graduados para as atividades inerentes ao processo de aquisição de
material no exterior por meio do FMS. Já os oficiais que atuam no
gerenciamento das atividades do FMS realizam o Curso de Atualização no
Programa Security Assistance (CAPSA).

Sistema de Material Bélico


(SISMAB)

Como vimos no início de


nossos estudos, o SISMAB foi
instituído com a finalidade de
planejar, orientar, coordenar,
executar e controlar as
atividades específicas das
funções logísticas da área de
material bélico no âmbito do
COMAER.
Antes de prosseguirmos, convém destacar que o termo material bélico ou
itens bélicos, aqui citados, referem-se à denominação genérica dada às armas, às
munições, às cargas explosivas, aos equipamentos bélicos, aos seus componentes,
seus sobressalentes e aos seus acessórios.
Para que as funções logísticas sejam desenvolvidas na área de Material Bélico,
o SISMAB tem como Órgão Central a Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico
(DIRMAB), órgão da estrutura básica do Comando-Geral de Apoio (COMGAP), o qual
tem sua constituição e suas competências destinadas à gestão do ciclo de vida do
material aeronáutico e bélico do COMAER.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 42/75

Os elos do SISMAB estão localizados na Estrutura do COMAER, de acordo com


as necessidades de realização das atividades-meio correspondentes e tem suas
constituições e competências estabelecidas nos Regulamentos e Regimentos
Internos próprios ou das Organizações Militares (OM) a qual pertencem, podendo
ser classificados como Permanentes ou Eventuais.

Elos Permanentes do
SISMAB:
Centro Logístico da
Aeronáutica (CELOG),
considerando as aquisições
e a nacionalização de itens
bélicos.
Parque de Material
Bélico da Aeronáutica do
Rio de Janeiro (PAMB-
RJ). É o Parque Central de
Material Bélico da Força
Aérea Brasileira. Como
Parque Central, o PAMB-RJ
destina-se a prover o apoio técnico, de suprimento e de manutenção de terceiro
escalão do material bélico em acervo na FAB às organizações do Comando da
Aeronáutica apoiadas e proporcionar, em apoio ao ILA, o treinamento do pessoal
necessário ao atendimento do suprimento e manutenção do Material Bélico,
mediante os programas de treinamento determinados pelo COMGAP.
Comissões de Aeronáutica no Exterior (CAB), considerando as aquisições e os
eventuais envios para reparo de itens bélicos no exterior.
Escritório Brasileiro de Ligação (EBL), considerando as aquisições de itens bélicos por
meio do Foreign Military Sales (FMS) e do Programa Security Assistance.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 43/75

Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA), considerando o


desembaraço alfandegário do material bélico importado ou exportado e a sua
distribuição, por via aérea, terrestre e marítma (cabotagem), no território nacional.

Parques Oficinas: Fornecem


assistência técnica aos
Esquadrões/Seções de Material
Bélico para a manutenção dos
equipamentos apoiados. Como
exemplo, tem-se o Parque
Oficina do Míssil PHYTON – 3,
junto ao Esquadrão de Material
Bélico (EMB) da BASC.

Depósito Central de Material Bélico (DCMB), localizado no PAMB-RJ destina-


se a receber, armazenar, estocar, controlar e distribuir o material bélico aos Armazéns
Remotos, ou seja, aos Depósitos Regionais de Material Bélico.

Depósitos Regionais de Material Bélico (DRMB), em área de jurisdição pré-


estabelecida e gerenciados pelo PAMB-RJ, destinam-se a receber, armazenar, controlar
e distribuir o estoque de material bélico descentralizado pelo DCMB. Atualmente o
SISMAB conta com seis DRMB, os quais estão localizados nas Bases Aéreas de Anápolis,
Canoas, Manaus, Natal, Santa Cruz e Cachimbo, no Campo de Provas Brigadeiro
Veloso (CPBV). Os DRMB são ativados mediante Portaria do COMGAP, por proposta
da DIRMAB, de acordo com as necessidades do PAMB-RJ.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 44/75

Esquadrões de Material Bélico (EMB), são ativados por ato do Comandante-Geral


de Operações Aéreas (COMGAR) nas Bases Aéreas apoiadoras de Unidades Aéreas de
Combate, de acordo com as necessidades de cada Base, e realizam as atividades de
apoio operacional e logístico tais como: planejamento, coordenação e execução das
atividades relacionadas com o suprimento, a manutenção, o controle da estocagem,
a preservação e a segurança do material bélico terrestre e aéreo existente na Base
Aérea, bem como a manutenção, a conservação e a operação dos estandes de tiro de
armas portáteis e os estandes de emprego ar-solo.

Atualmente, estão
em operação na FAB cinco
estandes de emprego ar
– solo para treinamento
das unidades aéreas das
aviações de caça, patrulha
e helicóptero. Estão
localizados em Butiá e
Saicã no Rio Grande do
Sul, Marambaia no Rio de
Janeiro, Maxaranguape
no Rio Grande do Norte e
em Cachimbo, no Pará. São utilizados para o emprego ar-solo de bombas, foguetes,
canhões e metralhadoras, administrados pelo EMB de sua jurisdição.

Seção de Material Bélico (SMB), é o órgão do SISMAB, existente na OM o qual


é responsável pelo planejamento, em seu nível de competência, pela operação e
manutenção das condições de pronto uso dos estandes de tiro de armas portáteis e
pelos materiais e itens bélicos terrestres destinados ao efetivo de defesa da OM.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 45/75

Subseção de Material Bélico (SSMB). Elo do SISMAB destinado a dar assistência


técnica ao armamento e munição terrestre da Organização Militar ou Unidade sem
tropa ativada, no caso de Hospitais e Destacamentos, por exemplo.
Subseção de Armamento das Unidades Aéreas (SSAR), Estão subordinadas
sistemicamente ao EMB de sua OM e pertence à estrutura organizacional da Unidade
Aérea, que emprega itens bélicos de aviação e são responsáveis pela determinação
das necessidades pela distribuição e pela preservação do material bélico no nível
tático.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 46/75

Elos Eventuais:
Divisão de Sistemas de
Defesa (ASD), do Instituto
de Aeronáutica e Espaço
(IAE), do Comando-Geral
de Tecnologia Aeroespacial
(CTA). À ASD compete
desenvolver armamentos,
pirotécnicos e explosivos,
assessorar e apoiar a área
operacional nos assuntos de armamento aéreo e seu emprego de interesse do
COMAER, bem como aprimorar a formação de profissionais na área de sistemas de
defesa.
Unidade Celular de Material Bélico (UCB). Elo eventual do SISMAB formado de
pessoal, material e equipamento bélico necessário ao apoio da Unidade Aérea e da
Unidade Celular de Infantaria, quando deslocadas.
Comissão de Recebimento de Material Bélico (CRMB). Comissão que representa
o Comando da Aeronáutica, junto às empresas contratadas, para cumprir e fazer
cumprir as condições e obrigações estabelecidas nas cláusulas contratuais e as
Normas e Instruções do SISMAB aplicáveis.
Subdivisões de Instrução Técnico-Especializada das Escolas de formação.
Empresas privadas ou de economia mista, de prestação de serviço de manutenção
ou de fornecimento de itens e sobressalentes bélicos.
Aqui tivemos um breve contato com a estrutura da logística de material bélico,
sob a direção da DIRMAB, a qual cumpre seu papel para que possamos ter elos
que interajam de modo a permitir que os processos de confiabilidade, pesquisa,
capacitação, produção, aquisição, transporte, armazenagem e manuseio de Material
Bélico, possam ser geridos com vistas à integração harmônica dos componentes do
SISMAB, visando ao pronto emprego da Força.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 47/75

Métricas Logísticas

A inclusão de medidas de desempenho


nos requisitos do sistema, bem como nos
termos contratuais irá, teoricamente, reduzir a
probabilidade de dissabores no fornecimento
e na operação do referido sistema.

A título de exemplo, imaginemos a


seguinte situação: Precisamos encomendar
uma pizza em um estabelecimento do tipo
Pizza Delivery. Na negociação, nós, os clientes,
teremos que estabelecer algumas medidas de
desempenho, pois não estaremos dispostos a
pagar por qualquer qualidade de pizza. Somente receberemos a pizza se esta tiver 40
(+-1) cm de diâmetro, com a temperatura acima de 55 graus centígrados, possuir os
ingredientes combinados, a massa da espessura combinada e ser entregue em menos
de 25 minutos. Caso qualquer desses requisitos seja negligenciado, não pagaremos
pela pizza, podendo, ainda haver consequências jurídicas posteriores.

Bem, é claro que isto é apenas um exemplo. Porém, nos contratos firmados com
as empresas do Suporte Logístico Contratado (do inglês Contractor Logistic Support
- CLS) é preciso que os requisitos sejam muito bem escritos e negociados com o
fornecedor para possibilitar que as equipes de recebimento e fiscalização do contrato
disponham das ferramentas necessárias ao resguardo da administração quanto às
garantias legais de que as necessidades do cliente foram atendidas.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 48/75

Falha, Pane ou Defeito?

Segundo a Norma Brasileira NBR 5462, da Associação Brasileira de Normas


Técnicas (ABNT):

a Falha é perda da funcionalidade. Uma bomba falha quando para de bombear


o fluido para a qual foi projetada, na pressão e na vazão definidas em projeto;
a Pane é o estado após a falha. Após a falha a bomba está em Pane; e
a Defeito é o estado após falha de projeto ou de fabricação. Se houve um
erro na montagem da bomba, ela falhou por Defeito e esse Defeito pode ter sido das
instruções de montagem, da falta de habilidade do montador ou mesmo decorrente
de projeto ou design ruim.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 49/75

Confiabilidade
É a probabilidade que um sistema ou produto funcione de modo satisfatório
por um dado período de tempo, quando usado sob as condições para as quais foi
projetado.
A definição acima apresenta quatro aspectos definidores da Confiabilidade:
a Probabilidade - um número entre 0 e 1 (ou 0 e 100%).
a Funcionalidade – todo item possui uma função. A função da bomba da Figura
acima é bombear combustível de aviação com certa vazão e pressão.
a Tempo – durante certo tempo, por exemplo, 500 horas de voo.
a Condições de projeto – voando a certa faixa de altitude.

Função Confiabilidade: R(t) = 1 - F(t)


Onde F(t) é a probabilidade de que o item ou sistema tenha falhado no tempo
“t”. R(t), do inglês Reliability, então, é a probabilidade de que o item venha a
falhar após esse tempo.

A taxa de falha (λ) é a quantidade de falhas que ocorrem em relação a outro


parâmetro, normalmente tempo, mas que pode ser representado por distância
percorrida, ciclos de operação e etc.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 50/75

Mas o que afeta a confiabilidade?


a A qualidade dos componentes. Eventualmente, a aquisição de componentes
mais baratos pode degradar a Confiabilidade do sistema.
a Sobrecarga. Eventualmente, o sistema pode ser submetido a condições de
operação que excedam os limites de projeto.
a O ambiente. Eventualmente, o ambiente de operação (umidade relativa,
temperatura, pressão atmosférica e etc.) pode afetar o desempenho.
a A estrutura de apoio. Eventualmente, as bancadas, as oficinas ou as máquinas
podem não estar adequadas ao suporte de manutenção.
a As tolerâncias dos componentes podem estar mal dimensionadas.
a A probabilidade de falhas secundárias, ou seja, o sistema está susceptível a
falha causada pela falha de outros componentes.
a A manipulação inadequada pode introduzir defeito no sistema.
a A manutenção mal realizada e treinamento inadequado ou inexistente
podem introduzir defeito no sistema.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 51/75

A Figura à baixo apresenta um gráfico bastante conhecido pelo pessoal da


área de manutenção, denominado Curva da Banheira. Esse nome deve-se à sua
semelhança com o desenho em corte de uma banheira. A região inicial do gráfico,
próximo ao início da contagem dos tempos, é comumente denominada de região
de falhas prematuras ou de mortalidade infantil. Normalmente, devido a problemas
de desenho (design) ou erros na montagem, um equipamento tende a falhar mais.
Caso não haja falhas depois de certo tempo, o equipamento tende a manter a taxa
de falhas constante.

Após certo tempo de funcionamento, com o desgaste das peças, o equipamento


tende a falhar mais. Comparando-se com o ser humano, a primeira fase-a mortalidade
infantil, seria a vida de uma criança até os primeiros dez anos. A região plana da curva
seria o tempo entre as idades de dez e quarenta anos. A fase de desgaste, normalmente,
começa a crescer a partir dos quarenta, aumentando mais rapidamente a partir dos
65 anos.

No caso dos equipamentos ou sistemas, quando se cogita a programação da


Manutenção Preventiva, o segredo consiste em se monitorar as condições, procurando
identificar o ponto ótimo de se realizar a manutenção. Antecipar a manutenção
pode significar em custos desnecessários, bem como a introdução de falhas devido
à possibilidade de erros na execução das tarefas de manutenção. Retardá-la pode
resultar em falha e custos maiores com manutenções corretivas.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 52/75

Manutenbilidade
Outro conceito bastante importante é o da Manutenbilidade ou
Mantenabilidade. Trata-se de uma característica inerente à concepção do sistema
ou produto que trata da facilidade, precisão, segurança e economia na execução das
atividades de manutenção.
Um item com manutenção mais fácil normalmente fica menos tempo indisponível,
retornando à operação o mais cedo possível. Isto favorece à disponibilidade geral do
sistema. Não é o caso da manutenção apresentada na Figura abaixo.

Mas o que afeta a Manutenbilidade?


a Erro na indicação da pane;
a Dificuldade na localização da pane;
a Acessibilidade ruim, o tempo de acesso ao componente em pane aumenta o
tempo da manutenção;
a Tempo de reparo com grande variância;
a Treinamento inadequado, falta de habilidade do mecânico; e
a Teste de difícil utilização.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 53/75

Suportabilidade Logística

Outro fator importante é a Suportabilidade Logística. A Suportabilidade


Logística é a probabilidade que um item, componente ou sistema, tenha seu
suprimento para manutenção fornecido dentro de um tempo determinado, na
qualidade certa, na quantidade certa, no local certo, no preço razoável, na condição
certa e seja entregue o item certo. Quanto mais eficiente for o Suprimento menos
tempo o item ficará indisponível, contribuindo para a disponibilidade geral do
sistema.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 54/75

O que afeta a Suportabilidade Logística?

A Suportabilidade Logística pode ser afetada pelos seguintes fatores:

1 - Sobressalentes – os Spare Parts, Repair Parts, Shop Replaceable Units (SRU),


Line Replaceable Units (LRU) e os Discardable Units (DU) precisam estar disponíveis
quando solicitados ou, pelo menos, terem o mínimo lead time possível.

2 - Equipamentos de manutenção – Os instrumentos, testes, ferramentas,


ferramentas especiais e os equipamentos de manuseio precisam estar
disponíveis.

3 - Suprimentista – esse profissional precisa estar bem treinado em todas as


fases do suprimento, principalmente na operação do Módulo de Suprimento
do SILOMS.

4- Atualização das publicações técnicas – publicações técnicas desatualizadas


podem constituir risco à segurança de voo, além de eventuais prejuízos com
a requisição de itens obsoletos, itens não mais homologados pelo fabricante
para operação no equipamento em questão. Os profissionais responsáveis pelo
gerenciamento das publicações precisam estar bem treinados na operação do
Submódulo de Publicações do SILOMS.

5 - Instalações – as instalações precisam ser adequados ao tipo de atividade,


ao tipo de manutenção realizada.

6 - Meios de transporte - os meios de transporte e movimentação de materiais


precisam estar disponíveis e operando dentro dos requisitos de segurança. O
Inspetor de Suprimento precisa estar presente na fiscalização das operações
dos meios de movimentação de materiais.

Observação:
Para que os requisitos de Suportabilidade Logística sejam
continuamente monitorados e gerenciados é preciso que o Inspetor de
Suprimento seja bem capacitado, homologado e atuante.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 55/75

O ILA ministra anualmente o Curso de Inspetor de Suprimento


(CINS), um curso presencial destinado a qualificar o Suboficial ou
Primeiro-Sargento da Especialidade de Suprimento para atuar na função
de Inspetor de Suprimento como Agente da Garantia da qualidade dos
processos de obtenção, armazenagem, transporte e distribuição dos
materiais aeronáuticos e bélicos, também com atenção aos aspectos da
segurança do trabalho nesses ambientes
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 56/75

Disponibilidade

Outro conceito importante para a Logística é a Disponibilidade, particularmente


a Disponibilidade Operacional. Disponibilidade é a capacidade de um item estar em
condições de executar certa função, em um dado instante ou durante um intervalo
de tempo determinado, levando-se em conta os aspectos combinados de sua
Confiabilidade, Mantenabilidade e suporte de manutenção, supondo que os recursos
externos requeridos estejam assegurados. (NBR 5462).
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 57/75

MTBF 1. MTBF – Mean Time Between Failures


A₀ = 2. MTTR – Mean Time To Repair
MTBF+MTTR+MLDT
3. MLDT – Mean Logistic Delay Time

Disponibilidade
operacional

Exemplo: Se a cada 100 necessidades de decolagem para realização de uma


missão, 85 ocorrerem com sucesso pode-se dizer que a Disponibilidade Operacional
da frota é de 0,85 (85%).

Há também o conceito de Disponibilidade Inerente. A Disponibilidade inerente


é a máxima disponibilidade possível, supondo que todos os recursos logísticos
estejam à mão. Ou seja, não se leva em conta os atrasos logísticos ou administrativos.

Os casos que ocasionam indisponibilidade podem ser:


1. Aeronave Indisponível por
Falta de Peças (AIFP) – conhecida na MTBF
aviação civil como AOG (Aircraft On AI =
MTBF+ MTTR
Ground).
2. Aeronave não Completamente
Equipada – dependendo do tipo de
missão esta situação pode ou não Disponibilidade
contar para a disponibilidade. inerente

3. Falha durante o pré-voo.


4. Falha durante o táxi.
5. Abortagem da missão por falha após a decolagem.

A seguir apresenta-se alguns aspectos sobre os custos de um sistema ao longo


do seu ciclo de vida, desde a concepção ao descarte.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 58/75

Considerações sobre o Custo do Ciclo de Vida

Diante do cenário mundial para a efetivação de novos sistemas no setor de


defesa é preciso levar em conta algumas questões importantes:

1- Complexidade tecnológica x Custos – é sabido que quanto maior a


complexidade dos sistemas, maiores suas funcionalidades, porém, com maior custo
de aquisição ou desenvolvimento.
2 - É sabido que existem pressões políticas e sociais para a redução de gastos
com defesa – questões polêmicas quanto às deficiências do sistema de saúde, quanto
à ineficiente distribuição de renda, quanto às deficiências do sistema de educação,
quanto às deficências no sistema de transporte e etc. A sociedade tende a pressionar
o governo com relação às prioridades dos gastos públicos. Qual posição ocupa a
defesa nacional nesse ranking de prioridades?
3- Prolongar a vida útil dos sistemas em uso – dada a dificuldade histórica na
renovação das frotas de sistemas bélicos, o administrador militar precisa gerenciar o
ciclo de vida de forma eficiente, estendendo-o ao menor custo possível. Quanto a esse
aspecto cabe relembrar a importância da Nacionalização, atividade que proporcionou
a extensão da vida de diversas aeronaves além do tempo previsto inicialmente.
4- Grande esforço logístico para manter a operacionalidade – a administração
dos estoques, das aquisições, a ineficiência do sistema de transportes, a intempestiva
retenção dos créditos por parte do Governo, entre outros, são fatores de contínua
gestão com o objetivo de garantir o mínimo de disponibilidade das frotas para que
as operações e as instruções tenham o mínimo de prejuízo.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 59/75

Como resultado do cenário apresentado, conclui-se que:

1. Não há mais espaço para ineficiências nos procedimentos que envolvem a


adoção e o gerenciamento de novos sistemas militares.

2. As pessoas envolvidas nesses processos sejam eles Gerentes de Projeto ou


de Programa, Engenheiros, Especialistas de Sistemas ou Especialistas em Logística
devem, mais do nunca, buscar a máxima eficiência na execução de suas tarefas para
que o sistema realmente atinja o objetivo pretendido a um custo suportável.

Quanto custa para se desenvolver, fabricar, operar, manter e aposentar o sistema?

Custo para Desenvolver +


Custo para Comprar +
Custo para Operar e Apoiar +
Custo para Desativar +

LCC

Quadro 1 – Custo do Ciclo de Vida

Muitas vezes, ao se cogitar a aquisição ou o desenvolvimento de um sistema,


se dispõe de alternativas com custos de aquisição/desenvolvimento diferentes. Mas
qual sistema é realmente mais barato?
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 60/75

Admitindo-se que todas


as alternativas atendam às
necessidades operacionais, é
preciso levantar-se também os
custos invisíveis, os custos que
poderão surgir ao longo do ciclo
de vida. Tipicamente esses custos
são (Figura ao lado):
1. Custo operacional;
2. Custos da distribuição;
3. Custos com licenças de
software;
4. Custos com Manutenção;
5. Custos com Suprimento;
6. Custos com equipamentos
de teste;
7. Custos com aquisição de publicações técnicas;
8. Custos com treinamentos ao longo do ciclo de vida;
9. Custos com alienação e descarte.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 61/75

Como reduzir o custo do ciclo de vida?

Boas decisões tomadas na fase de Concepção poderão proporcionar a redução


do custo do ciclo de vida:

• A Concepção inicia o processo – já na fase de concepção é preciso ter em mente


todo o ciclo de vida, tudo que será consumido ao longo da vida do equipamento.

• O conceito de “Design for Supportability“, Blanchard (2004), deverá ter alta


prioridade, pois irá influir em todos os custos decorrentes da utilização do sistema,
até seu descarte.

A curva com linha continua


da Figura ao lado representa a
projeção do custo acumulado
ao longo do ciclo de vida.
Percebe-se que ele cresce mais
rapidamente na fase inicial
de concepção. Já a curva com
linha tracejada decrescente
representa a oportunidade de
economia. No início do ciclo de
vida, como ainda não houve
qualquer custo, a oportunidade
é de se economizar 100%, desistindo-se do projeto. Um vez que se decida pela
continuidade do projeto, despesas começam a ocorrer, reduzindo-se a oportunidade
de economia.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 62/75

Em vista do acima exposto pode-se concluir que decisões acertadas nas fases
iniciais do ciclo de vida podem resultar em diminuição do custo total.

Outras decisões importantes a serem tomadas nas fases iniciais do ciclo de vida
são:

1 - Conceito de nível de reparo a ser adotado (Level/Location of Repair Analisys


- LORA). Manutenção em três (ou dois) níveis, manutenção terceirizada, Contractor
Logistics Support (CLS) ou outros níveis de manutenção?

2 - Necessidade de homem/hora.

3 - Localizações dos órgãos operadores e apoiadores

Dependendo das opções a serem avaliadas, encontrar o desenho da estrutura de


mínimo custo ou máxima disponibilidade ou que ofereça o nível de disponibilidade
adequado às operações que, ao mesmo tempo, tenha um custo relativamente
reduzido, pode ser um problema de elevada complexidade. Problemas de elevada
complexidade exigem ferramentas especiais de cálculo, simulação ou otimização
para se encontrar alternativas de solução viáveis.

Uma ferramenta em uso pela COPAC e pelo ILA nas análises é o OPUS 10. O
OPUS 10 é um software que permite, com base no cadastro da estrutura logística
e da árvore de configuração do sistema, a aplicação de algoritmos otimizantes e
simulação, de forma a se encontrar alternativas de decisões de mínimo custo e
máxima disponibilidade.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 63/75

A Figura ao lado apresenta três curvas. A curva P&D, Pesquisa e Desenvolvimento,


indicando que, tipicamente, 10% dos gastos totais são realizados com P&D. Cerca de
30% são gastos na produção dos equipamentos e cerca de 60%, a maior parte dos
gastos, com operação e suporte logístico.

Os marcos de decisão da fase de P&D são os pontos, no tempo, onde se realizam


análises sobre dar continuidade ao projeto ou assumir os gastos cumulativos atuais
como prejuízo menor, haja vista o aprendizado adquirido.

A região do gráfico onde há intercessão entre P&D e Produção representa a fase


de construção dos protótipos de ensaios.

A região do gráfico onde há intercessão entre Produção e Operação representa


a fase de treinamentos e estabelecimento da doutrina de operação, quando o
fornecedor ainda participa da implantação do novo sistema.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 64/75

Análise de Sistemas Alternativos

O gráfico ao lado apresenta duas curvas relativas às evoluções esperadas dos


custos cumulativos dos ciclos de vida de dois sistemas em avaliação. Supondo-se
que o ponto de cruzamento das duas curvas ocorra em vinte anos, até vinte anos o
sistema “A” tem menor custo acumulado, porém, se pretende utilizar o sistema “A” ou
“B” por mais de vinte anos, a escolha do sistema “B” seria mais vantajosa.

A dificuldade do processo de avaliação consiste em se levantar os dados


para a plotagem dessas curvas. Segundo Blanchard (2004) as pessoas envolvidas
no processo de aquisição de novos sistemas devem procurar desenvolver
a capacidade de vislumbrar os custos invisíveis e decorrentes de decisões, ações
e omissões ocorridas nas fases iniciais do ciclo de vida do sistema em avaliação.

A seguir se discorre algo sobre o processo de análise do suporte logístico para o


sistema em questão.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 65/75

Análise de Suporte Logístico

O Suporte Logístico é o conjunto de medidas necessárias para assegurar o


apoio a um sistema ou material ao longo do seu ciclo de vida e pode ser contratado
mediante fornecimento de serviços e de peças de reposição.
No Suporte Logístico Integrado são realizados o planejamento inicial, o
planejamento orçamentário e o controle das ações que assegurem que o operador
receba um sistema que não somente atenderá os requisitos operacionais, mas que
será, também, apoiado de forma eficiente ao longo do seu ciclo de vida.
Parte do Suporte Logístico Integrado é internalizada pelo SISMA e pelo SISMAB e
parte é fornecida por CLS. Nos dias atuais, a tendência é o aumento dos CLS, haja vista
a perda gradativa de capacitação com o pessoal que se aposenta, com a obsolescência
de diversos itens das frotas existentes e com a aquisição de novos sistemas comuns
no mercado.
Outro aspecto importante é o fomento da indústria nacional. Quanto mais a
indústria nacional estiver capacitada a atender às demandas das FFAA, menor será a
dependência estrangeira de recursos estratégicos.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 66/75

Com relação às atividades de Gestão da Logística Aeroespacial empreendida pelo


órgão central do SISMA e do SISMAB, a DIRMAB, principalmente quanto à orientação
e a fiscalização, pode-se listar as seguintes atividades:

Gestão da Logística Aeroespacial


Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 67/75

Com relação ao último item,


anteriormente listado, sobre o
trade off entre Disponibilidade
e Custos, convém listar algumas
decisões a respeito da reposição de
sobressalentes.
Decisões direcionadas para a
diminuição de custos - Comprar
poucos itens com baixa demanda,
com preço elevado, itens que
sejam reparados localmente, itens
com curto lead time, itens com
alta modularização (envio de Shop
Replaceable Units para reparo) e
itens com estocagem centralizada.
Decisões direcionadas para o aumento da disponibilidade - Comprar muitos
itens que tenham demanda elevada, muitos itens de baixo preço, muitos itens que
tenham o reparo centralizado (elevado tempo para o item ser levado ao Parque),
muitos itens cujos lead time seja elevado, muitos itens com baixa modularização e
muitos itens que sejam estocados localmente.
A Análise de Suporte Logístico (ASL) pode ser definida, então, como um
conjunto de tarefas executadas para examinar os aspectos logísticos necessários para
que o sistema possa ser bem apoiado. Conforme visto anteriormente, a ASL deve
ocorrer a tempo de influenciar a concepção do sistema.
A ASL envolve a utilização de Métodos de Decisão Quantitativos para auxiliar
na definição de políticas de suporte alternativas durante a fase de desenvolvimento
do sistema. Os estudos de ASL poderão fazer uso do software OPUS 10, com dados
importados do SILOMS, principalmente para:

a Otimização de sobressalentes e
a Para elaboração do Plano de Manutenção de Reparáveis
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 68/75

Projetos de Ferramentas de Apoio à Decisão na


Logística
O Objetivo deste Capítulo é o de fomentar o interesse pela Pesquisa e
Desenvolvimento na Área Logística por meio da breve descrição dos trabalhos
realizados pelo ILA.

1. Projeto de Otimização das Inspeções de Saúde no Hospital de Aeronáutica


de São Paulo

Em 2000, foi realizado um


estudo sobre o processo de
atendimento do Hospital de
Aeronáutica de São Paulo, tendo
se verificado, na época, que
as inspeções de saúde tinham
início cerca de 08h da manhã,
encerrando-se cerca de 14h,
ficando a entrega do resultado
somente para o dia seguinte.
Após a cronometragem dos
tempos de deslocamento e de atendimento por cada clínica, foi montado um projeto
de Simulação Discreta, onde foi possível a observação dos gargalos, o que permitiu
diversas modificações no layout e no processo de atendimento, o que resultou na
conclusão das inspeções em cerca de apenas duas horas, possibilitando a entrega do
resultado em torno do meio-dia.
Esse trabalho foi realizado pelo 1º Ten Eng Luiz Gustavo Figueiredo Pereira da Silva,
membro da Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento do ILA.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 69/75

2. Projeto de roteirização de veículos com frota heterogênea e janelas de


tempo
Em 2005 foi realizado um
estudo com base nos dados
do Sistema de Transporte
do COMAER com o objetivo
de tratar um Problema de
Roteirização de Veículos (PRV)
encontrado em certas operações
de transporte da Força Aérea
Brasileira, especialmente quando
do atendimento a localidades
remotas na região amazônica.
As condições de operação, neste caso, acrescentam ao PRV a possibilidade da
existência de múltiplas bases e de uma frota heterogênea, determinada a priori, além
das restrições clássicas de capacidade e autonomia dos veículos. Como se trata de
um conjunto de restrições ainda não explorado foi apresentada a importância e a
caracterização do problema, seguidas pela citação dos principais métodos de solução
de problemas correlatos encontrados na literatura. Estes métodos serviram de base
para o desenvolvimento, o teste e a comparação de possíveis estratégias de solução,
baseadas em algoritmos aproximativos.
Esse trabalho fez parte da Tese de Doutorado de um oficial do ILA, o Ten Cel QOEng
Ulisses de Oliveira Bonasser, no Programa de Doutorado em Engenharia de Transportes
da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

3. Projeto de otimização da diagonal de manutenção


Em 2004 e 2005, foi realizado um estudo sobre o desenvolvimento de um algoritmo
que fosse capaz de resolver um Problema de Programação de Manutenção Preventiva
de uma Frota de Veículos com Múltiplas Restrições, ou seja, alocar as manutenções de
uma frota de aeronaves, nas janelas de tempo, ao longo do calendário e nos espaços
de um hangar, de forma a se maximizar a disponibilidade de aeronaves.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 70/75

Esse trabalho fez parte da Tese de Doutorado de um Oficial do ILA, o então Ten Cel
Av Fernando Teixeira Mendes Abrahão, no Programa de Engenharia de Transportes
da Escola Politécnica da USP.

4. Projeto de roteirização de veículos com coleta e entrega simultâneas a


partir do Rio de Janeiro

Em 2008 e 2009, foi


realizado um estudo com
base nos dados do Módulo de
Transporte do SILOMS com
vistas a se proporcionar um
algoritmo de roteirizarão de
veículos que, com base nas
cargas existentes em cada
terminal de carga do Correio
Aérea Nacional, gerasse o plano
de transporte de mínimo custo,
para todos os transportes
realizados a partir do Rio de
Janeiro, que compreende cerca
de 80% de todos os transportes realizados.
Esse trabalho tratou da solução para o problema da elaboração de programações
de transporte do sistema de distribuição de materiais da Força Aérea Brasileira (FAB).
Essas programações de transporte consistem em definir os roteiros de entrega e
coleta de materiais, a serem realizadas simultaneamente em cada local de entrega/
coleta, a partir de um centro de distribuição, considerando-se a frota de veículos
homogênea. Isto é característico de um Problema de Roteirização de Veículos com
Coletas e Entregas Simultâneas (PRVCES).
A gestão do sistema de distribuição física da FAB considera a complexidade
desse sistema e os dados relativos às demandas de transporte de carga em cada um
desses locais para elaborar as programações de transporte. Essas programações são
elaboradas tendo em vista os limites de capacidade dos veículos, as características
físicas das cargas e as prioridades de embarque.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 71/75

O gestor desse sistema possui boa visibilidade das demandas de transporte, porém,
devido à grande quantidade de informações disponíveis e à elevada complexidade
desse sistema, é impossível elaborarem-se manualmente programações de transporte
que resultem em viagens de distribuição eficientes. O PRVCES foi resolvido por meio
da meta-heurística Busca Dispersa (do inglês Scatter Search) integrada com a meta-
heurística Descida em Vizinhança Variável (do inglês Variable Neighborhood Descent)
utilizada como método de melhoria das soluções.
Os resultados superaram ou se igualaram a alguns dos obtidos por outros autores
para os mesmos problemas de teste com as mesmas restrições, o que demonstra que
a Busca Dispersa implementada é competitiva para solucionar o PRVCES.
Quanto à aplicação na FAB, os resultados mostraram que a utilização do método
de solução desenvolvido resultará em programações de transporte, elaboradas em
curto tempo de processamento, e que estas incidirão positivamente sobre a eficiência
do sistema de distribuição de materiais da FAB
Esse trabalho fez parte da Dissertação de Mestrado de um oficial do ILA, o Ten Cel
QOEFot Antonio Celio Pereira de Mesquita, no Programa de Mestrado em Engenharia
de Sistemas Logísticos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

5. Projeto de localização/viabilidade do suprimento centralizado


Em 2010, o Comando-Geral de Apoio solicitou ao ILA que realizasse um estudo
sobre a possibilidade de centralização de todo o suprimento do SISMA. Como passo
preliminar da realização desse estudo, foi feito um levantamento no banco de dados
do Módulo de Transporte do SILOMS, sobre todas as cargas transportadas por via
aérea destinadas e originadas aos Parques de Material Aeronáutico.
Com base nesses dados foi realizada uma análise de Pareto, selecionando-se as
rotas de transporte de cerca de 80% das cargas transportadas de julho de 2008 a
julho de 2010.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 72/75

Essas rotas estão representadas na Figura a baixo. Verifica-se que 54,8% das cargas
selecionadas foram originadas ou destinadas ao Rio de Janeiro, 25,5% originadas
ou destinadas a São Paulo, 13,1 % originadas ou destinadas a Lagoa Santa e 6,6 %
originadas ou destinadas a Recife.

Com base na análise do problema, foi realizada uma formulação matemática


levando-se em conta as coordenadas dos Parques, o raio da Terra, o fator de custo do
C-130 (custo da hora de voo), sendo que o objetivo foi determinar as coordenadas de
um ponto central de forma que os custos com transporte realizado por C-130 fosse
mínimo.
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 73/75

Min : ∑i Acos{sen(lati) + cos(lati) * cos(latb) * cos(longi - longb)} * 6,378 *


qi * kv
lati = latitude do destino i
longi = longitude do destino i
latb = latitude da origem b
longb = longitude da origem b
6,378 = raio da terra
kv = fator de custo do veículo v
qi = carga transportada ao destino i

Quadro 2 - Formulação Matemática

Ao se processar os dados segundo a formulação matemática apresentada na


Figura acima, por meio de Programação Não Linear, foi obtido como resultado as
coordenadas de um ponto próximo a Araxá em Minas Gerais.
Além disso, o Parque de Recife teria que ser deslocado para um ponto próximo a
Ipatinga – MG, o Parque de São Paulo seria deslocado para um ponto próximo Gavião
Peixoto – SP (certamente deve ter transportado muita carga para Gavião Peixoto), o
Parque de Lagoa Santa seria deslocado para um ponto na direção de Pirassununga,
mas ainda em Minas Gerais (deve ter transportado bastante carga para a Academia
da Força Aérea), o CTLA e os Parques do Rio de Janeiro tiveram pouca alteração nas
coordenadas.
Esses resultados sugerem que, caso se resolva centralizar o suprimento com
base apenas na minimização dos custos com transporte aéreo, esse armazém
deveria ser localizado próximo a um grande aeroporto, próximo a uma boa rodovia
e também próximo a Araxá – MG. Isto indica que Lagoa Santa poderia ser o local que
proporcionaria a maior economia com combustível de aviação utilizado no transporte
de carga.
Esta fase do estudo não contemplou outros custos e facilidades, como a
proximidade de um porto, no caso do Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica
(CTLA).
Logística do Ciclo de Vida de Materiais e Sistema do COMAER 74/75

Este estudo concluiu que a centralização já acontece para determinados itens,


tais como pneus de aviação, tintas e solventes, produtos químicos e especiais e etc. e
que a construção de outro armazém não agregaria valor considerável ao desempenho
da Cadeia de Suprimento do COMAER.
Este estudo recomendou que esta possibilidade seja novamente analisada
quando todos os armazéns tiverem seus estoques saneados, ou seja, que os itens não
utilizados há mais de dez anos, cerca de 40% dos estoques, tenham sido alienados.
A apresentação deste estudo é apenas um exemplo bastante simples sobre
a possibilidade de se utilizar Métodos Quantitativos para a tomada de decisão na
Logística.
A apresentação desses projetos, dissertações e teses destinou-se apenas à
tentativa de fomentar o seu interesse pela Pesquisa e Desenvolvimento na área
logística, que poderá ser iniciado com a sua participação como aluno do CESLOG e,
eventualmente, com a realização de um curso de mestrado em logística no exterior,
no Air Force Institute of Technology (AFIT – www.afit.edu ) ou na Defence Academy
(DA - www.da.mod.uk ).
Outras dissertações e teses realizadas por oficiais da Logística poderão ser
encontradas em www.ila.aer.mil.br , em “Divisão de Pesquisa”.

”Sem Logística nada mais


funcionará... De fato, este é o porquê de
devermos aproximar a Logística de um
modo de agir operacional, pró-ativo e
não como atividades de suporte reativas.
Baseados na realidade atual, não há outra
escolha”.
(Gen. James P. Mullins)