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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ADOTADOS NA PESQUISA

Neste capítulo, discorreremos sobre a metodologia desenvolvida no projeto de


intervenção, aplicado a partir de uma proposta de ensino de produção escrita (PEPE) com
base em (PASSARELLI, 2004), em uma turma da 2º ano, de uma escola estadual no
município de Mamanguape - PB; bem como sobre os fundamentos teóricos que auxiliaram a
nossa pesquisa. Neste momento, expomos os procedimentos metodológicos a partir dos quais
a efetivamos. Para tanto, falaremos de início, sobre o contexto em que ocorreu o nosso estudo,
os sujeitos participantes na pesquisa, a instituição de ensino, a delimitação do corpus e as
fases da (PEPE).

3.1 Natureza da pesquisa

Na contribuição deste estudo, o modelo teórico-metodológico que adotamos para está


foi à pesquisa de campo, de natureza aplicada, método intervencionista e propositivo com
abordagem qualitativa. Marconi e Lakatos (2011, p. 19) definiram a pesquisa de campo da
seguinte forma:

[...] baseia-se na observação dos fatos tal como ocorrem na realidade,


diretamente no local onde ocorrem os fenômenos. Utiliza-se de técnicas
específicas, como observação direta, formulário e entrevistas. A coleta é
efetuada onde ocorrem os fenômenos, sem interferência do pesquisador. É
utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos sobre
um problema para o qual se busca uma resposta, ou de uma hipótese que se
queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre
eles.

Diante dessa perspectiva a pesquisa de campo não possui um amplo, mas em


compensação que aprofunda muito mais a investigação do fenômeno, o que exige mais
participação do pesquisador na investigação.
Quanto à natureza, foi aplicada, pois buscou “gerar conhecimentos para aplicação
prática, dirigidos à solução de problemas específicos” (GERHARDT; SILVEIRA, 2009, p.
35). De modo que verificamos o uso da proposta de ensino de produção escrita no processo de
ensino de escrita do gênero notícia, com foco em suas características semântico-discursivas.
O método de investigação foi de cunho intervencionista, uma vez que tivemos “como
principal objetivo interpor-se, interferir na realidade estudada, para modificá-la” (MORESI,
2003, p. 9), com a intenção de proporcionar aos alunos o conhecimento dos recursos
necessários para que esses se tornem adequados para produzir a notícia no âmbito social. E
propositivo, haja vista que o processo de produção textual será a partir de uma proposta de
ensino de produção escrita (PEPE), com alunos investigados, e terá como corpus de pesquisa
os textos produzidos pelos alunos no processo da aplicação das etapas da PEPE que se
realizará pela pesquisadora.
A abordagem é de cunho qualitativo porque há uma relação entre o mundo real e o
individuo, além disso, em momento algum em trabalhamos com “representação numérica”.
Marconi e Lakatos (2011, p. 269) descrevem que:

O método qualitativo difere do quantitativo não só por não empregar


instrumentos estatísticos, mas também pela forma de coleta e análise dos
dados. A metodologia qualitativa preocupa-se em analisar e interpretar
aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento
humano. Fornece análise mais detalhadas obre as investigações, hábitos,
atitudes, tendências de comportamento etc.

Diante desse processo da pesquisa qualitativa, podemos observar que as interpretações


dos fenômenos atribuem a significados sem requerer o uso de técnicas e métodos estatísticos.
Uma vez que, a fonte para o pesquisador se realiza a partir das coletas de dados que são
analisados de forma indutiva.
Sendo assim, o nosso estudo refere-se a uma investigação que procurou justificar o
motivo das ocorrências, expondo o que precisava ser realizado para solucionar as
eventualidades apresentadas. Assim, se dá a abordagem no que fazer diante dos dados
analisados ao invés de mensurá-los, quantificá-los. Com isso, o nosso interesse no estudo foi
compreender como a escrita dos educandos se manifesta e como esses estrutura seus textos,
mediante a uma escrita contextualizada.

3.2 Cenário da pesquisa: a escola e os participantes

Os participantes envolvidos na pesquisa são alunos de uma escola pública de zona


urbana no município de Mamanguape, cursam o 2º ano do Ensino Médio, com faixa etária
entre 14 e 18 anos, estão inseridos em uma turma composta por 21 (vinte e um) alunos. A
maior parte desses discentes reside na zona rural, e devido à distância, os alunos dependem de
um ônibus da Prefeitura para irem à escola. Os alunos aceitaram participar da nossa
investigação, sendo autorizados pelos pais e/ou responsáveis para colaborarem com a
pesquisa.
A instituição, a qual será realizada a pesquisa, é de dependência estadual, localizada na
zona urbana na cidade de Mamanguape – PB. Fundada em 21 de janeiro de 1961, hoje, conta
com um quantitativo de 1260 alunos matriculados, sendo esses divididos seguinte forma: 474
no 1º, 467 no 2º e 319 no 3º do ensino médio. Os alunos do 1º, 2º e 3º ano estudam no turno
da manhã e tarde, uma vez que a escola é integral e no turno da noite funciona a EJA
(Educação de Jovens e Adultos) com 1º e 2º ano. Foi percebido também que a escola conta
com um laboratório de informática climatizado, com espaço físico satisfatório, contendo 20
(vinte) computadores para atender o número de alunos por sala. Entretanto, existem alguns
computadores quebrados há um logo prazo, sendo utilizado apenas 14 (quatorze) dos
aparelhos existentes.

3.3 Caracterização da pesquisa: corpus e instrumentos de estudo

Será utilizado como objeto de estudo a produção escrita do gênero notícia realizada
pelos sujeitos da pesquisa, a partir de uma proposta de ensino-aprendizagem de produção
textual, mediada por Sequências Didáticas, na perspectiva de Passarelli (2004). Dados os
objetivos dessa investigação, a abordagem adotada é a da pesquisa qualitativa, uma vez que o
trabalho se realizará com a participação do pesquisador – que atuará como professor – no
decorrer da investigação, e que irá gerar o corpus, em conjunto com os sujeitos investigados.
O corpus gerado será analisado e interpretado à luz do referencial teórico adotado.
No que diz respeito ao corpus da pesquisa que será utilizado neste trabalho, é
interessante esclarecer que trabalharemos com uma turma composta de 21 (vinte e um)
alunos, mas está previsto para serem analisadas 10 (dez) produções textuais do gênero notícia,
produções essas, composta pelos próprios textos dos alunos, em sua versão inicial e final.
Assim, serão analisadas as produções de apenas 10 sujeitos da pesquisa.
Para a realização das análises de tais produções, utilizaremos os seguintes critérios:
 Adequação ao texto ao aluno ao roteiro elaborado durante o planejamento;
 Adequação do texto produzido à funcionalidade da notícia (divulgação de um fato), ao
público leitor ou provável leitor do texto (especialmente em termos de linguagem e
conteúdo) e aos elementos caracterizadores do gênero (conteúdo, estilo linguístico e
estrutura composicional);
 Adequação do texto produzido à mídia social escolhida para publicação.
3.4 Aplicação da intervenção: (PEPE) - Proposta de Ensino de Produção Escrita

A Proposta de Ensino de Produção Escrita (PEPE) do gênero notícia ocorreu em


quatro etapas, essas foram dadas da seguinte forma:
1ª Planejamento: Apresentaremos aos discentes uma situação comunicativa, na qual
informaremos que irão participar de um trabalho cuja proposta será produzir um texto escrito,
confeccionado e intitulado por eles. E, para que essas produções sejam publicadas,
proporemos como meio de divulgação as mídias sociais. Nossa intenção é que seja escolhida,
pelos alunos, uma mídia social que já seja de uso da escola, ou se crie uma, de maneira às
produções escritas dos alunos sejam apreciadas pela comunidade escolar e local. Ainda nessa
mesma etapa, realizaremos atividades de exposição e de análise de vários exemplares de
notícia – oral e escrita – a partir dos quais será norteada a PEPE. Dessa forma, serão
discutidas as características do gênero notícia, a fim de que os alunos se apropriem desse
gênero textual e, juntamente com o pesquisador, possam discutir aspectos de sua organização
dentre outros elementos que dizem respeito à circulação e à produção social do gênero. Ainda
nessa etapa será decidido, com a turma, o conteúdo de sua produção textual, ou seja, sobre
que assuntos será realizada a produção dos textos dos alunos, levando em consideração seus
possíveis leitores. Em seguida, serão feitas as atividades de planejamento propriamente ditas:
coletas de informação, seleção de informação, elaboração de um roteiro de produção textual.
2ª Tradução de ideias em palavras: Nesta etapa será realizada a primeira escrita,
quando os alunos produzirão a sua primeira versão da notícia. Para tanto, os discentes deverão
se orientar, durante a produção escrita, a partir de tudo que foi exposto na 1ª etapa, ou seja,
deverão passadas para o papel as ideias levantadas a partir da coleta, da seleção de
informações e do roteiro elaborado, observando as características do gênero que se está
produzindo: a notícia. Sendo assim, pediremos aos alunos que atentem para a organização do
seu texto e observem as características do gênero trabalhado em sala de aula.
3ª Revisão: Nessa etapa,os alunos revisam o seu texto e os reescrevem, tomando como
base o que havia sido planejado e observando o que eles estão conseguindo detectar como
algo “desorganizado” ou “inadequado”, na sua produção escrita. Para tal, propomos, aqui, que
seja inicialmente realizada uma leitura individual da primeira versão do texto escrito pelo
próprio aluno, para que ele mesmo verifique se conseguiu transpor para o papel o que estava
previsto no roteiro e se o texto apresenta uma coerência global. Após essa identificação, se
dará uma primeira reescrita do texto, de modo que se incluam as informações que faltam, se
excluam as informações desnecessárias ou se alterem a ordem das informações, de maneira a
se manter a coerência global do texto.
Na segunda etapa, intencionamos realizar uma correção colaborativa, com foco em
aspectos mais específicos do texto e observando as características do gênero notícia. A
professora pesquisadora entregará, sem identificação, alguns exemplares dos textos
produzidos para que os alunos interajam com o texto um do outro e analisem trechos que
apresentem problemas relativos à caracterização do gênero notícia (estrutura composicional,
conteúdo temático e estilo linguístico), à textualidade (elementos de coesão, de referenciação,
repetição de palavras e etc), ou à obediência ao padrão culto da língua (concordância,
acentuação, pontuação, ortografia etc.). Para que essa correção obtenha êxito, a professora
pesquisadora mediará todo o processo, não apenas selecionando os textos e trechos a serem
analisados, mas coordenando e orientando o processo de análise e de reescrita.
Na terceira e última fase da revisão, os alunos serão convidados a realizarem a versão
final do seu texto, a partir das sugestões apontadas pelos colegas e pela professora
pesquisadora.
4ª Editoração: Essa etapa é o momento de socialização das produções escritas, aqui,
ressaltaremos para os alunos a importância da socialização dos seus textos. Para isso, será
proposto que as produções (notícias) sejam reunidas e publicadas em uma mídia social – de
preferência uma que seja da própria escola – para que sejam apresentados e apreciados os
trabalhos desenvolvidos por eles, a fim de que outras pessoas, além da professora, possam
visualizá-las.
Nessa etapa, será realizada a adequação do texto ao formato da mídia social. Assim,
cada aluno irá adequar o seu texto para o formato específico da mídia social, observando
critérios tais como fonte, tamanho de letra, organização e paragrafação do texto. Além disso,
será realizada uma correção final do texto, pelo próprio aluno e sob a orientação da professora
pesquisadora, para verificar se há algum elemento da superfície textual (em especial de
natureza ortográfica) que necessita ser alterado antes da publicação da notícia.