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Aula 12

Economia e Finanças Públicas p/ ICMS/SP


Professores: Heber Carvalho, Jetro Coutinho
Economia e Finanças Públicas para ICMS/SP
Teoria e exercícios comentados
Profs Heber Carvalho e Jetro Coutinho Aula 12

AULA 12 – Determinação do produto de


equilíbrio, investimento e poupança.
Multiplicador Keynesiano. Política tributária:
como os impostos influem nas decisões de
consumo, poupança e gasto. A função
estabilizadora do sistema tributário: política
fiscal e estabilizadores automáticos.

SUMÁRIO RESUMIDO PÁGINA


Clássicos X Keynes 02
Salários nominais X salários reais 03
Modelo keynesiano simples 08
Determinação da renda nacional de equilíbrio 12
Multiplicador keynesiano 20
Teorema do orçamento equilibrado 29
Intensidade dos instrumentos de política fiscal 31
Paradoxo da Parcimônia 33
Resumão da Aula 36
Exercícios comentados 39
Lista de questões apresentadas na aula 68
Gabarito 79

Olá caros(as) amigos(as),

Hoje, nós estudaremos a teoria elementar de determinação da


renda (renda nacional de equilíbrio), onde é importante estudarmos o
modelo keynesiano simplificado, pois é ele o modelo que, em linhas
gerais, determina a renda nacional de equilíbrio.

A aula de hoje é bem tranquila. Portanto, aproveitem e tenham um


excelente e confortável estudo.

E aí, todos prontos? Então, vamos nessa!

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TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA (Modelo


Keynesiano simplificado)

Antes de iniciarmos a abordagem do sistema keynesiano, em que


aprenderemos a determinar a renda nacional de equilíbrio, é importante
sabermos as diferenças entre as duas principais correntes de pensamento
econômico (clássicos e Keynes). Isto é justificado pelo fato de o
Keynesianismo ter nascido, inicialmente, como uma alternativa à teoria
clássica.

1. CONCEITO E GENERALIDADES. CLÁSSICOS X KEYNES

A ciência econômica surgiu como uma disciplina separada a partir


dos estudos de Adam Smith e a publicação de seu livro “A Riqueza das
Nações”, em 1776. A teoria propugnada em seu livro ficou conhecida por
Teoria Clássica, sendo seguida e aprimorada por uma série de
economistas ao longo do tempo até os dias de hoje (os aprimoramentos
mais atuais levaram ao que é chamado de teoria neoclássica).

O cerne desta teoria estava na “mão invisível” do mercado. Para os


clássicos, o mercado era auto-ajustável, e esse auto-ajuste se dava
pela hipótese da flexibilidade de preços e salários. Assim, qualquer
desequilíbrio que surgisse seria automaticamente combatido pelas
próprias forças do mercado, sem necessidade de intervenções por parte
do governo ou outras instituições quaisquer.

O raciocínio era este: imagine um tipo qualquer de desequilibro, por


exemplo, o aumento repentino do preço de um determinado produto no
mercado de bens. Para os clássicos, o mercado automaticamente traria o
preço deste produto para o patamar de equilíbrio, através do ajuste entre
a demanda e a oferta. O ajuste seria este: o aumento de preços
provocaria redução na demanda (procura). A partir desta redução,
haveria mais oferta (produção) que demanda (procura), ocasionando
excesso de oferta (excesso de estoques). Para vender os estoques em
excesso, os empresários seriam obrigados a reduzir os preços. Esta
redução de preços faria a demanda aumentar novamente, até o ponto em
que ela se igualasse com a oferta. Desta forma, quando o preço
retornasse ao patamar de equilíbrio, a oferta igualaria a demanda e o
mercado estaria equilibrado novamente, sem intervenções.

Imaginemos agora um desequilíbrio no mercado de trabalho.


Peguemos como exemplo o desequilíbrio mais relevante: o desemprego.
No mercado de trabalho, nós temos a “mercadoria” trabalho, os
ofertantes de trabalho (trabalhadores) e os demandantes de trabalho
(empresas). Segundo os clássicos, havendo desemprego na economia

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(excesso de oferta de trabalhadores sobre a demanda), naturalmente os


empresários reduziriam os salários nominais (leia o quadro abaixo para
ver a diferença entre salários nominais e reais). O raciocínio é de que
quem estava empregado aceitaria a redução de salários em virtude de o
desemprego estar alto (afinal, é melhor estar empregado recebendo
menos a estar desempregado recebendo nada!). Ao mesmo tempo, a
redução de salários provocaria redução na oferta de trabalhadores, até o
ponto em que um salário de equilíbrio mais baixo novamente faria com
que a demanda e a oferta de trabalhadores se igualassem, eliminando o
desemprego sem intervenções externas no mercado.

SALÁRIOS NOMINAIS X REAIS

Salário nominal (W1) é a remuneração medida em moeda corrente. É o


valor que os trabalhadores recebem pelo seu trabalho, e é bastante útil
quando comparamos os salários de diversos trabalhadores ou profissões
em um mesmo momento, ou no momento corrente.

Salário real (W/P) é a remuneração medida em moeda constante. É o


valor do salário nominal dividido pelo índice de preços, sugerindo assim o
poder real de compra. O uso do salário real ao invés do nominal é
obrigatório quando comparamos os salários de um mesmo trabalhador ou
profissão em uma série de tempo, de um ano para o outro, por exemplo.
Caso contrário, não teríamos uma correta ideia acerca da real variação do
poder de compra.

Vejamos um exemplo: suponha que você obtenha sucesso em um


concurso e, digamos, em Julho de 2015, comece a trabalhar auferindo um
ganho mensal de R$ 15.000,00 (é para isso que está lendo esta aula!).
Em Julho de 2016, portanto no ano seguinte, se não houver aumento
salarial, seu salário nominal continuará sendo R$ 15.000,00. Mas de Julho
de 2015 a Julho de 2016, haverá aumento de preços na economia
(inflação). Assim, seu poder aquisitivo será menor em Julho de 2016,
apesar de seu salário nominal continuar o mesmo. Em outras palavras
seu salário real em Julho de 2015 será R$ 15.000/P (sendo P o índice de
inflação entre jul/2015 e jul/2016). Logo, concluímos que o salário real
(W/P) é o salário nominal (W) dividido pelo índice de preços (P).

Nota  Se dividirmos o salário nominal (W) pelo preço do bem, ao invés


de dividirmos pelo índice de preços, também é considerado que
encontramos o salário real (W/P), que, nesta forma de cálculo, expressará
a quantidade de produtos que o salário nominal (W) pode comprar.

1
Utiliza-se a letra W devido à terminologia em inglês: salário wage.

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Observe que, para os clássicos, o equilíbrio no mercado de bens e


no mercado de trabalho (onde temos ausência de desemprego) seria
alcançado através da livre interação entre oferta e demanda, e tal
interação ocorreria devido à hipótese da flexibilidade de preços e salários.
A flexibilidade de preços preveniria a situação de excessos de estoque ou
superprodução e a flexibilidade de salários preveniria o surgimento do
desemprego.

Então veja que, para os clássicos, a livre interação entre oferta e


demanda, além da hipótese da flexibilidade de preços e salários,
garantiria a economia sempre no pleno emprego e o mercado de
bens/trabalho em equilíbrio.

Outro importante ponto levantado pelos clássicos era o fato de que


a oferta agregada2 da economia determina a demanda agregada3.
Ou seja, o lema dos clássicos era: apenas produza, não importa o quanto
e o quê, pois alguém vai comprar o que você produzir! Esta condição é
chamada de Lei de Say – a oferta cria a sua própria
procura/demanda.

Até 1930, as ideias clássicas reinaram sozinhas, de forma que as


economias de mercado independentes (com exceção dos países
socialistas e das colônias) seguiam os ditames clássicos. No entanto, veio
a crise de 1929 e o crack da bolsa de Nova York. A causa da crise foi a
superprodução americana, resultante da aplicação da Lei de Say, de
cunho clássico.

Após a primeira guerra mundial, os EUA se tornaram os grandes


produtores mundiais e adotaram a tática do “produz que alguém vai
comprar”. Este “alguém” era a Europa, que estava com a capacidade
produtiva devastada pela primeira guerra. Entretanto, ao longo da década
de 1920, o parque industrial europeu foi sendo recuperado, de tal
maneira que a Europa foi cada vez menos comprando os produtos
americanos. Como se acreditava, à época, que a oferta criava a demanda,
os americanos continuaram a sua superprodução, até o momento em que
a Europa deixou de comprar definitivamente os produtos americanos (no
final da década de 1920, o parque industrial europeu já estava
recuperado, de tal forma que não era mais necessário importar produtos
dos americanos).

O desequilíbrio entre o excesso de mercadorias produzido pelos EUA


forçou as empresas a reduzirem a produção. Isso fez com que a economia
norte-americana entrasse em recessão, provocando a demissão de

2
Tudo o que é produzido; oferta agregada produção.
3
Tudo o que é demandado/procurado/consumido.

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milhões de trabalhadores. Como os EUA também eram importantes


compradores do resto do mundo (principalmente matéria-prima), a
redução do poder aquisitivo americano afetou seriamente a economia
mundial, provocando uma crise sem precedentes, que ficou conhecida
como a “Grande Depressão”.

Neste ponto da história, os economistas não conseguiam explicar


como a economia tinha chegado àquele nível de desemprego, ou melhor,
a teoria clássica não explicava tamanho desemprego.

Daí surgiu a revolucionária teoria keynesiana, da obra do


economista inglês John Maynard Keynes. De acordo com Keynes, o alto
desemprego nos países industrializados era resultado de uma insuficiência
de demanda agregada. A demanda agregada estaria muito baixa e as
políticas econômicas deveriam ser delineadas de forma a estimulá-la. Na
época da Depressão, Keynes adotou medidas de política fiscal para
estimular a demanda, principalmente os gastos do governo com obras
públicas. De um modo geral, a teoria keynesiana defende o uso de
políticas fiscal e monetária4 para regular o nível de demanda agregada.
Então, para Keynes, era a demanda agregada que criava a sua
oferta e não o contrário como afirmavam os clássicos. Isto era a
chamada Lei da demanda efetiva – a demanda cria a sua oferta.

Nesse raciocínio, temos um dos principais contrapontos entre a


teoria keynesiana e a teoria clássica: para Keynes, a demanda
agregada era a principal variável a regular o nível de
renda/emprego; para os clássicos, a oferta agregada era a
principal variável a regular o nível de renda/emprego. Em outras
palavras, para os clássicos valia a lei de Say, para Keynes, valia a
lei da demanda efetiva.

Outro choque de ideia era a hipótese da flexibilidade dos salários.


Para os clássicos, eles eram flexíveis; para Keynes, os salários eram
rígidos no curto prazo. Ou seja, Keynes afirmava que, no curto prazo, os
empregados não aceitariam reduções em seus salários. Lembremos que
essa redução de salários, no caso de desemprego, era pressuposto do
equilíbrio automático propagado pelos clássicos. Então, para Keynes,
essa rigidez salarial acaba causando desemprego, impedindo o
equilíbrio automático da economia. Essa não aceitação de reduções
salariais decorria de inúmeros aspectos, dentre os quais podemos
destacar as próprias questões institucionais (legislação do salário mínimo,
existência de sindicatos, etc).

Por fim, como já sabemos, os clássicos acreditavam no equilíbrio


automático. Tal equilíbrio, na economia clássica, ocorria sempre no

4
N

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produto de pleno emprego (ausência de desemprego). Ou seja, os


clássicos acreditavam que a economia tendia automaticamente ao pleno
emprego. Para Keynes, entretanto, isto não era necessariamente correto.
Para ele, o equilíbrio acontecia quando a oferta agregada igualasse a
demanda agregada e isto poderia ocorrer em uma situação onde a
economia não estivesse em pleno emprego (presença de desemprego).

Então, para Keynes, o equilíbrio não acontecia necessariamente


junto com o pleno emprego. Tal situação até poderia ocorrer, mas o mais
provável é que a economia se equilibrasse mesmo com a existência de
algum nível de desemprego.

Diante do exposto, podemos inferir o seguinte sobre os principais


choques de ideia entre a teoria clássica e keynesiana, levando-se em
conta a flexibilidade de preços e salários, a situação de equilíbrio da
economia e as leis de Say e da demanda efetiva. Para Keynes, valia o
seguinte:

 Os salários nominais eram rígidos no curto prazo. Keynes


afirmava que havia imperfeições no mercado que não permitiam
livre flexibilização de preços e salários, ao mesmo tempo em que
aqueles que permaneciam empregados também não aceitavam
reduções salariais. Ao mesmo tempo em que, na teoria keynesiana,
os salários nominais (W) são fixos, não podemos dizer o mesmo em
relação aos salários reais (W/P). Se houver inflação, apesar dos
salários nominais serem fixos, os salários reais (W/P) serão
alterados para menor (serão reduzidos). Se houver deflação, os
salários reais serão aumentados. Ou seja, no modelo keynesiano
os salários nominais são fixos e os salários reais são
flexíveis, enquanto no modelo clássico os salários nominais e
reais são flexíveis.

 A demanda determina a oferta: Lei da Demanda Efetiva. Ou


seja, para Keynes, valia exatamente o contrário propugnado pelos
clássicos. A oferta (produção) é que deveria se adaptar à demanda
(consumo) e não o contrário.

 Para Keynes, a economia não tendia automaticamente ao


pleno emprego, como afirmavam os clássicos. O equilíbrio
acontecia quando a oferta agregada da economia (produção) se
igualava à demanda agregada (consumo), e isso, para a teoria
keynesiana, poderia acontecer mesmo que houvesse desemprego.
Ou seja, para Keynes, era possível haver equilíbrio e
desemprego ao mesmo tempo. No entanto, veja bem, também
haveria a possibilidade de equilíbrio e pleno emprego, porém, tal
condição era menos provável.

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A teoria keynesiana, à época, triunfou sobre a teoria clássica, de


forma que as ideias keynesianas5 sobre como fazer a economia crescer
foram importantíssimas para a superação da Grande Depressão. No
entanto, isto não significa que a teoria clássica esteja enterrada e não
seja mais usada. Pelo contrário, hoje, ainda assim, a maioria dos
economistas segue a corrente clássica de pensamento (teoria
neoclássica). O que temos, de fato, é que cada corrente se aplica melhor
em determinadas situações.

Hoje, é pacífico que a teoria keynesiana é mais aplicável no curto


prazo, quando os preços e salários tendem a ser rígidos. No longo prazo,
há tempo suficiente para os preços e salários se acomodarem, isto é, há
flexibilidade de preços e salários, indicando que a teoria clássica é mais
aplicável para o longo prazo.

Assim, utilizamos a teoria clássica para estudarmos o longo prazo e


a teoria keynesiana para estudarmos o curto prazo. Em Macroeconomia, a
diferença entre o curto e o longo prazo está no comportamento dos
preços, e não no tempo cronológico6. Consideramos o curto prazo um
período de tempo no qual os preços e salários são rígidos. No longo
prazo, os preços e salários são flexíveis. Como, na teoria clássica, os
preços e salários são flexíveis (longo prazo), utilizamo-la no estudo do
longo prazo. De maneira inversa, utilizamos o sistema keynesiano para
descrever o curto prazo.

Em livros acadêmicos, esta divisão normalmente norteia a divisão


dos capítulos e das unidades didáticas. Ao abrir o sumário da maioria dos
livros utilizados nas faculdades, você verá que existe uma unidade para o
estudo do longo prazo (teoria clássica) e outra unidade para o estudo do
curto prazo (Keynes).

Para finalizar a discussão, segue um quadro com as diferenças7


entre as abordagens clássica e keynesiana:

5
Não é nosso objetivo discutir quais eram essas ideias, mas entre elas podemos destacar: a
intervenção do governo na economia através do gasto público (política fiscal) como forma de
aquecê-la e reduzir o desemprego.
6
Na Macroeconomia, curto prazo é a situação onde preços e salários são rígidos. Longo prazo é a
situação onde preços e salários são variáveis ou flexíveis.
7
Só estão presentes as principais diferenças para o nosso estudo no momento. Em outras aulas,
veremos que há outras diferenças que também são importantes (papel da moeda, da taxa de juros,
etc).

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Variável/Teoria Clássicos Keynes


Salário nominal Flexível Fixo
Salário real Flexível Flexível
Ocorre quando oferta agregada é
igual à demanda agregada e isto
Equilíbrio Pleno emprego pode ocorrer no pleno emprego, mas
a maior probabilidade é de que
ocorra havendo desemprego.
Determinante Lei de Say: oferta Lei da demanda efetiva: demanda
da renda cria a demanda cria a oferta.
Aplicação Longo prazo Curto prazo
Papel do Neutro (não Intervenção na economia a fim de
governo na intervenção no regular o nível da demanda
economia mercado) agregada.

Nosso estudo do sistema keynesiano prossegue desta forma: nesta


aula, analisamos uma versão simplificada do modelo, onde vemos apenas
os elementos básicos da teoria da demanda agregada de Keynes. Nesse
modelo simplificado, não levamos em conta as complicações que
resultam na incorporação da taxa de juros e do nível de preços; ao
mesmo tempo, pressupomos que existe desemprego (ausência de
pleno emprego). Tais complicações serão vistas quando estudarmos o
modelo IS-LM e o modelo de oferta/demanda agregada, respectivamente.

2. MODELO KEYNESIANO SIMPLES: CONDIÇÕES PARA O


PRODUTO DE EQUILÍBRIO

Keynes desenvolveu uma teoria que nos dá uma explicação para a


permanência de uma economia, por um período prolongado, em
condições de depressão. Como já vimos, Keynes acreditava que a
despesa (demanda agregada) induzia as firmas a produzir bens e
serviços. A partir dessa percepção, ele argumentava que, se o total da
demanda agregada (despesa) caísse, as firmas responderiam, reduzindo
sua produção. Menor despesa/demanda agregada levaria a economia a
um menor produto.

Keynes rejeitava a visão clássica de que a redução nos salários e


nos preços trouxesse novamente a economia à situação de pleno
emprego. Para ele, os preços e salários eram rígidos no curto prazo.
Mesmo quando a demanda fosse baixa, as grandes firmas e os sindicatos
poderosos resistiriam a reduções de preços e salários e,
conseqüentemente, retardariam o movimento da economia de volta ao
pleno emprego.

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Assim, na teoria keynesiana, nós temos um novo conceito de


equilíbrio, assim como um mecanismo diferente para que a economia
chegasse a ele. Na visão keynesiana, o equilíbrio ocorre quando o nível de
despesa (demanda agregada) é igual ao produto (oferta agregada).
Quando isso ocorre, os produtores não terão estímulos nem para expandir
nem para contrair o produto. Desta forma, percebe-se que, para Keynes,
são as mudanças no produto que direcionam a economia ao equilíbrio. Se
o produto (oferta agregada) estiver acima da despesa agregada, os
empresários reduzirão a produção a fim de atingir o equilíbrio. Se o
produto estiver abaixo da despesa agregada, os empresários aumentarão
a produção a fim de atingir o equilíbrio.

O equilíbrio da renda no modelo keynesiano passa uma mensagem


clara: os empresários produzirão apenas a quantidade de bens e serviços
que eles acreditam que os compradores planejam comprar.

Segue abaixo a condição algébrica deste equilíbrio keynesiano:

Oferta agregada (OA) = produção = PIB = Renda = Y


Despesa agregada (DA) = C + I + G + (X – M)
I (investimento) = S (poupança)8

Como, em equilíbrio, OA=DA, então:

Y = C + I + G + (X – M)

Portanto, o equilíbrio no modelo Keynesiano simplificado é atingido


quando a oferta agregada (produção) é igual à demanda agregada.
Obviamente, se a produção está acima do equilíbrio macroeconômico,
então, a produção supera a demanda (oferta agregada > demanda
agregada). Se a produção está abaixo do equilíbrio, a demanda supera a
produção (demanda agregada > oferta agregada).

Agora, falaremos sobre a diferenciação9 entre despesa planejada


e despesa realizada (ou despesa efetiva).

Despesa realizada (ou despesa efetiva) corresponde ao montante


que os agentes gastam com bens e serviços. Conforme nós vimos na aula
de contas nacionais, tal despesa (realizada) corresponde ao PIB da

8
Na aula sobre Contas Nacionais, nós vimos que essa identidade I S é mero desenvolvimento da
identidade produto renda despesa.
9
Esta análise é um pouco complicada. O importante é que você apenas guarde a ideia que, para
Keynes, o import
e realizadas que provocam as flutuações econômicas.

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economia. Assim, despesa realizada é igual ao somatório de C, I, G e (X-


M).

Despesa planejada corresponde ao montante que os agentes


planejam ou gostariam de gastar com bens e serviços.

Nota  a variável relevante para Keynes era a variável planejada e


não a variável realizada.

Mas, por que razão a despesa realizada seria diferente da despesa


planejada? A resposta é que as firmas poderiam passar a ter um
investimento não planejado em estoques10, pelo fato de as vendas não
corresponderem às suas expectativas. Quando as empresas vendem uma
quantidade de produtos menor do que planejavam, o volume de estoques
automaticamente cresce; de forma inversa, quando as empresas vendem
uma quantidade de produtos maior do que planejavam, o volume de
estoques diminui. Como essas mudanças não planejadas nos estoques
são contabilizadas como despesas realizadas com investimentos por parte
das empresas (alteram o I da equação do PIB=C+I+G+X-M), a despesa
realizada pode estar acima ou abaixo da despesa planejada.

Assim, a diferença entre os conceitos de despesa realizada e


despesa planejada estaria na variação de estoques. Quando a variação de
estoques for igual a 0 ( E=0), então, temos a situação em que as
despesas realizada e planejada serão iguais. Ao mesmo tempo, quando a
variação nos estoques é nula, também estamos em equilíbrio
(OA=DA). Pense conosco: se a oferta agregada (tudo o que se produz) é
igual à despesa agregada (tudo o que se consome), então, não temos
nem aumento nem redução nos estoques ( E=0). Assim, temos o
seguinte para a condição de equilíbrio keynesiano:

OA = DA
Y = Gasto/despesa planejada
Gasto/despesa realizada (ou efetiva) = Gasto/despesa planejada
E=0

Podemos entender que a despesa efetiva representa a oferta


agregada da economia, então: despesa efetiva = Y. Por outro lado, a
despesa planejada representa os gastos que os agentes pretendem
gastar. Assim, DA = (C + I + G + X – M) = despesa planejada.

Se o gasto/despesa planejada é menor que o produto, Y, isto


significa que as empresas estão vendendo menos do que estão
produzindo. Essa perspectiva de variação positiva dos estoques (uma vez

10 Lembre que a variação de estoques faz parte do agregado investimento, uma vez que
I F E.

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que a produção supera o gasto planejado) induz as empresas a dispensar


trabalhadores e reduzir a produção, ocasionando recessão (diminuição da
renda da economia e surgimento de desemprego).

Por outro lado, se o gasto planejado é maior que a produção, Y, isto


significa que as empresas estão vendendo mais do que estão produzindo,
afinal, os gastos que as famílias planejam gastar é maior que a produção,
Y. Essa perspectiva de variação negativa dos estoques faz com que as
empresas passem a contratar mais trabalhadores e aumentem o volume
de produção, aumentando o nível de emprego da economia.

Então, veja que, para Keynes, é o gasto mal planejado (despesa


planejada menor que a despesa realizada) que gera as recessões, pois,
neste caso, há excesso de estoques e os empresários reduzem a
produção e demitem os trabalhadores. A saída para esta situação
seria aumentar a demanda agregada (fazer as pessoas consumirem
mais, ou seja, fazê-las consumir este excesso de estoques), pois este
aumento da demanda consumiria este excesso de estoques e os
empresários não precisariam reduzir a produção, nem demitir
trabalhadores.

Uma maneira de aumentar a demanda agregada, propagada por


Keynes, era por intermédio dos gastos do governo. A despesa agregada é
composta pelo gasto dos agentes: famílias (responsável pela variável C –
consumo), empresas (responsável pela variável I – investimento),
governo (variável G – gastos do governo) e resto do mundo (variáveis X –
M). Em um contexto de recessão, é muito difícil fazer com que as
famílias, as empresas e o resto do mundo aumentem as despesas. Então,
a maneira mais viável e direta de aumentar a demanda agregada, em um
cenário recessivo, seria por meio do aumento de G.

Assim, para sair de uma recessão, o governo deveria gastar com


alguma coisa. O seu gasto seria o elemento impulsionador da demanda
agregada e, por conseguinte, teríamos estímulos ao aumento da produção
e à contratação de trabalhadores. Estes trabalhadores contratados, por
sua vez, comprariam mais produtos, aumentando novamente a demanda
agregada e a produção, e assim por diante.

Há relatos de situações em que o governo americano, utilizando as


ideias keynesianas, contratava trabalhadores para cavar buracos e, na
semana seguinte, contratava outros trabalhadores para tapar os buracos
que foram cavados na semana anterior. Em uma semana, o governo
realizava gastos para pintar os meios fios de branco, em outra semana,
realizava gastos para pintar os mesmos calçamentos de amarelo. Até que
ponto tais relatos falam a verdade, ou são apenas exageros, não
sabemos, mas eles servem para ilustrar a maneira pela qual a Depressão

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da década de 1930 foi contornada. E isto se deve a Keynes, o economista


mais importante do século XX.

3. DETERMINAÇÃO DA RENDA NACIONAL DE EQUILÍBRIO

Na análise da determinação da renda no modelo keynesiano,


adotaremos algumas premissas para facilitar o nosso estudo:

i. Taxa de juros constante (ou seja, não a levaremos em conta)


ii. Nível de preços constante
iii. Inexistência de depreciação
iv. Inexistência de RLEE (renda líquida enviada ou recebida do exterior)
v. O governo arrecada somente impostos diretos (sobre as pessoas)
vi. Não temos impostos indiretos nem subsídios

Em virtude das quatro últimas suposições, nós temos que todos os


conceitos de produto/renda/despesa vistos na aula de conta nacionais
serão iguais. Por exemplo, renda nacional=PIBCF; PNLPM=RIBCF;
DILCF=PNLPM; etc. As taxas de juros e o nível de preços serão levados em
consideração em outros modelos, que serão vistos mais à frente em
nosso curso.

Conforme sabemos, o foco da teoria keynesiana está no controle do


nível da demanda agregada. É sobre ela que a política econômica do
governo deve estar voltada a fim de corrigir resultados indesejáveis na
economia. Vejamos então detalhadamente a composição desta DA.

3.1. Composição da demanda agregada

A demanda/despesa agregada é o somatório das despesas dos


quatro agentes da economia (famílias, empresas, governo e resto do
mundo):

DA = C + I + G + X – M

Vejamos cada um desses itens, a começar pela variável C:

3.1.1. Consumo (C)

O consumo das famílias é dividido em duas partes. Uma parte é


dependente da renda disponível. A outra parte é uma variável
independente, que não depende da renda disponível. Esta última seria um
nível de consumo das famílias que seria gasto qualquer que fosse a renda
disponível. Poderíamos, assim dizer, que essa parte independente ou

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autônoma seria relacionada a um consumo mínimo de subsistência.


Algebricamente, temos a função consumo:

C = C0 + c.YD

A parte dependente da renda disponível seria o termo cYD. Por este


termo, vemos que, quanto maior a renda disponível, maior será o
consumo. A parte independente ou autônoma da renda seria o termo C0,
denominado consumo autônomo. Por este termo, vemos também que,
quanto maior o consumo autônomo, maior será o consumo.

É importante ressaltarmos que o consumo é função da renda


disponível (YD). É premissa da teoria keynesiana que temos somente
impostos diretos, assim, a renda disponível será a renda (Y) MENOS os
tributos diretos (T). Logo, YD=Y–T , de forma que:

C = C0 + c.(Y – T)

Agora, falta definirmos o que significa o parâmetro c. Ele é a


propensão marginal a consumir (PMgC): o aumento no consumo em
relação ao aumento de renda. Em outras palavras, é a parcela do
acréscimo de renda disponível destinada ao consumo. Algebricamente,
isso significa:

Por exemplo, supondo uma propensão marginal a consumir de 0,8,


isto quer dizer que, se a renda disponível aumentar em R$ 1.000, as
famílias tendem a aumentar o consumo em R$ 800.

A palavra marginal, em economia, tem o significado de incremental,


adicional ou “na margem”. Assim, a PMgC representa qual será o
consumo adicional decorrente de um aumento na renda. Numa situação
em que, depois de aumentada a renda, não temos alteração no consumo
( C=0), a PMgC será igual a 0. Analogamente, numa situação em que,
depois de aumentada a renda, o aumento no consumo será exatamente
igual ao aumento da renda ( C= YD), a PMgC será igual a 1. Daí,
concluímos que a PMgC varia entre 0 e 1. Logo, 0≤c≤1.

Adjacente a esta definição de propensão marginal a consumir, nós


temos a definição de propensão média a consumir (PMeC). Ela é
simplesmente o consumo dividido pela renda disponível, significando,
portanto, a parcela ou parte da renda que é gasta com o consumo.
Algebricamente:

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Exemplo numérico:

A partir da função de consumo abaixo, montemos um quadro com


os valores do consumo, da propensão marginal a consumir e da
propensão média a consumir:

C = 100 + 0,8YD

YD C PMgC ( C/ Y D) PMeC (C/YD)


1000 900 - 0900/1000 = 0,90
1200 1060 160/200 = 0,8 1060/1200 = 0,88
1400 1220 160/200 = 0,8 1220/1400 = 0,87
1600 1380 160/200 = 0,8 1380/1600 = 0,86
1800 1540 160/200 = 0,8 1540/1800 = 0,86
2000 1700 160/200 = 0,8 1700/2000 = 0,85
Obs: os valores da última coluna foram aproximados

A partir da verificação dos dados, podemos inferir algumas


conclusões:

 O consumo cresce junto com a renda (disponível);

 A função de consumo apresentada é uma função linear11, e a


propensão marginal a consumir é constante para uma função dada;

 A propensão marginal a consumir só assume valores entre 0 e 1


(0≤c≤1);

 À medida que a renda aumenta, a parcela da mesma que é gasta


com o consumo diminui. Isto é, quanto maior a renda, menor a
propensão média a consumir12.

11
Função linear é uma função cujo gráfico é representado por uma reta ou uma linha (daí o nome
função linear). Como decorrência disso, são aquelas também em que o expoente da variável é 1. Por
exemplo, na função consumo C C0+c.YD, a variável da função é YD (temos o consumo em função da
renda disponível). Em questões de concursos, a menos que o enunciado diga o contrário, considere a
função consumo como uma função linear.
12
Podemos raciocinar da seguinte maneira: uma pessoa com pouca renda, provavelmente, irá
destinar grande parte dessa renda ao consumo. Uma pessoa rica, com renda mais alta, irá destinar,
em termos proporcionais, uma parte bem menor de sua renda com consumo. Por exemplo, alguém
que tem renda de R$ 1000, provavelmente, irá gastar grande parte dessa renda com consumo. Por
outro lado, alguém que tem renda de R$ 1.000.000 irá gastar uma parcela proporcionalmente
menor de sua renda com consumo. Assim, quanto maior a renda, menor tenderá a ser a propensão
média a consumir.

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 A propensão média a consumir também assume valores entre 0 e


1. Isto é 0≤PMeC≤1.

3.1.1.1. Poupança (S)

A poupança (S) é a renda disponível que não é gasta com o


consumo. Assim:

S = YD – C

Como C=C0 + c.YD, então:

S = YD – C0 – c.YD
S = -C0 + YD – c.YD
S = -C0 + (1 – c).YD

Veja que a função poupança possui o mesmo formato da função


consumo. A diferença é que temos o consumo autônomo com sinal
negativo e, em vez da PMgC, temos a expressão (1 – c). A explicação é
bastante lógica: a função poupança é uma espécie de função consumo ao
contrário, no sentido de que consumir é justamente o oposto de poupar.
Assim, a parte da função da poupança que é autônoma é igual ao
consumo autônomo com sinal negativo. Em vez de propensão marginal a
consumir (c), temos a propensão marginal a poupar (1 – c).

Exemplo numérico:

A partir da função consumo do item 3.1.1, façamos a função


poupança:

Função consumo: C = 100 + 0,8YD (onde C0=100 e c=0,8)

Função poupança: S = -C0 + (1 – c)YD

Então:
S = -100 + 0,2YD

A partir desta função, vemos que a PMgS, propensão marginal a


poupar (1 – c), vale 0,2 e o consumo autônomo vale 100. Vejamos o
quadro abaixo, onde atribuímos alguns valores à YD:

YD S PMgS ( S/ YD) PMeS (S/YD)


1000 100 - 100/1000 = 0,10
1200 140 40/200 = 0,2 140/1200 = 0,12

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1400 180 40/200 = 0,2 180/1400 = 0,13


1600 220 40/200 = 0,2 220/1600 = 0,14
1800 260 40/200 = 0,2 260/1800 = 0,14
2000 300 40/200 = 0,2 300/2000 = 0,15
Obs: os valores da última coluna foram aproximados

Compare este quadro com aquele apresentado no item 3.1.1 e veja


que as propensões marginais/médias a poupar, somadas às propensões
marginais/médias a consumir, são iguais a 1. Assim:

PMgC + PMgS = c + (1 – c)
PMgC + PMgS = 1

PMeC + PMeS = C/YD + S/YD


PMeC + PMeS = (C + S)/YD = YD/YD
PMeC + PMeS = YD/YD
PMeC + PMeS = 1

A razão para o que foi verificado acima é simples: o consumo e a


poupança se complementam e o que não é poupado pelas famílias vira
consumo e vice-versa. Assim, se tivermos uma PMgC igual a, digamos,
0,6, então, já sabemos que a PMgS vale 0,4. Se tivermos uma PMeC igual
a 0,5, então, já sabemos que a PMeS também vale 0,5, pois, em ambos
os casos, o somatório das propensões deve ser igual a 1.

Por fim, as mesmas conclusões acerca das propensões a consumir


valem para as propensões a poupar, com exceção daquela que fala que a
propensão média diminui com o aumento da renda. Veja as conclusões
para a função poupança:

 A poupança cresce junto com a renda (disponível);

 A função poupança apresentada é uma função linear, e a


propensão marginal a poupar é constante;

 A PMgS assume valores entre 0 e 1 (0≤c≤1);

 À medida que a renda aumenta, a parcela da mesma que é gasta


com a poupança aumenta. Isto é, quanto maior a renda, maior a
propensão média a poupar13.

13
Podemos raciocinar da seguinte maneira: uma pessoa com pouca renda, provavelmente, irá
destinar uma pequena (ou até mesmo nenhuma) parte dessa renda para a poupança. Uma pessoa
rica, com renda mais alta, irá destinar, em termos proporcionais, uma parte bem maior de sua renda
para a poupança. Por exemplo, alguém que tem renda de R$ 1000, provavelmente, irá gastar grande
parte dessa renda com consumo e irá poupar muito pouco. Por outro lado, alguém que tem renda
de R$ 1.000.000 irá gastar uma parcela proporcionalmente menor de sua renda com consumo e

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 A propensão média a consumir também assume valores entre 0 e


1. Isto é 0≤PMeC≤1.

3.1.1.2. Tributação (T)

A partir de agora, com raras exceções, as funções dos componentes


da demanda agregada serão bastante semelhantes com o formato da
função consumo, apenas mudando o nome dos termos.

Em relação à função tributação, em primeiro lugar, nós podemos


falar que ela influencia a demanda agregada indiretamente, através da
influência que exerce na função consumo, uma vez que a tributação
diminui a renda disponível (YD=Y–T). Segue abaixo o formato da função
tributação:

T = T0 + tY

Onde t é a propensão marginal a tributar (é a parcela do acréscimo


de renda destinada à tributação. Algebricamente: t= T/ Y); T0 é a
tributação autônoma, que é independente do nível de renda.

Nota  veja que, na função tributação, utilizamos a renda (Y) e não


a renda disponível (YD).

3.1.2. Investimento (I)

Da mesma forma que a função tributação, temos a função


investimento:

I = I0 + iY

Onde i é a propensão marginal a investir (é a parcela do acréscimo


de renda destinada ao investimento. Algebricamente: i= I/ Y); I0 é a
investimento autônomo, que é independente do nível de renda.

Nota 1  veja que, na função investimento, nós também utilizamos


a renda (Y) e não a renda disponível (YD).

Nota 2  na teoria econômica, de uma forma geral, é plenamente


aceito que a variável determinante do investimento é a taxa de juros (e
não a renda). Entretanto, como no modelo Keynesiano simplificado nós

poupará uma parte bem maior de sua renda. Assim, quanto maior a renda, menor tenderá a ser a
propensão média a consumir e maior será a propensão média a poupar.

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consideramos a taxa de juros constante, então, neste modelo, apenas


nele, nós temos o investimento como função da renda e não da taxa de
juros.

3.1.3. Os gastos do governo (G)

Agora, temos um caso diferente. Isso porque os gastos do governo


são considerados 100% autônomos, isto é, não dependem em nada da
renda (pessoal, isso é uma suposição do modelo, ok?!). Assim, a função
gastos do governo será:

G = G0

A explicação de Keynes é de que os governos possuem os seus


gastos com determinadas atividades (educação, saúde, defesa nacional,
administração pública, etc) e o montante destes gastos é fixo, devendo
ser realizados de qualquer maneira, independentemente de variações na
renda dos agentes econômicos.

3.1.4. Exportações (X)

As exportações, assim como os gastos do governo, são


consideradas 100% autônomas. Assim, a função exportações será:

X = X0

As exportações são dependentes do nível de renda do resto do


mundo e não do nível de renda interna. Como a renda do resto do mundo
é uma variável externa ao modelo (variável exógena – é determinada por
outras forças que não estão mensuradas dentro do modelo), não
podemos colocá-la na função exportações.

3.1.5. Importações (M)

Da mesma forma que a função tributação e investimento, temos a


função importação:

M = M0 + mY

Onde m é a propensão marginal a importar (é a parcela do


acréscimo de renda destinada a consumir produtos importados.
Algebricamente: m= M/ Y); M0 é o nível de importação autônoma, que é
independente do nível de renda.

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Nota  veja que, na função importação, nós também utilizamos a


renda (Y) e não a renda disponível (YD).

Podemos elaborar um quadro com o resumo deste item 3.1


(composição da demanda agregada):

Função Formato Propensão marginal a


Consumo C = C0 + cYD Consumir  c
Poupança S = -C0 + (1–c)YD Poupar  (1 – c)
Tributação T T0 + tY Tributar  t
Investimento I = I0 + iY Investir  i
Gastos do governo G = G0 -
Exportações X = X0 -
Importações M = M0 + mY Importar  m

O mais comum em questões de prova é possuirmos apenas as


propensões marginais a consumir e a poupar. Neste caso, sabemos que
as funções tributação, investimento e importações são totalmente
autônomas ou independentes da renda.

No caso destas funções (tributação, investimento e importações)


serem autônomas, elas serão representadas assim, respectivamente:
T=T0; I=I0; M=M0. Ressaltamos que esta é a situação mais comum nas
provas de concursos.

3.2. Determinação da renda de equilíbrio

Conforme sabemos, o equilíbrio no modelo keynesiano simplificado


é atingido quando Y=C+I+G+X-M. A partir desta conclusão, tentemos
resolver esta questão de prova:

(AFPS/MPAS – Adaptada) Considere as seguintes


informações: C = 100 + 0,7Y; I = 200; G = 50; X = 200; M
= 100 + 0,2Y, onde C = consumo agregado; X =
exportações; M = importações. Com base nessas
informações, a renda de equilíbrio é:

Resolução:

Y =C+I+G+X–M
Y = (100 + 0,7Y) + 200 + 50 + 200 – (100 + 0,2Y)
Y – 0,7Y + 0,2Y = 450
Y = 900 (renda de equilíbrio)

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Observações:

o A questão não nos deu qualquer tipo de tributação, então,


neste caso, Y=YD. Além disso, como não há função
tributação, também não temos propensão marginal a
tributar.

o Veja que a função investimento é totalmente autônoma,


ou seja, não temos a propensão marginal a investir.

o O valor da propensão marginal a consumir é 0,7; da


propensão marginal a poupar é 0,3 (1 – 0,7); da
propensão marginal a importar é 0,2.

o A economia considerada é aberta e com governo (temos as


variáveis G, X e M). Por exemplo, se tivéssemos uma
economia fechada, não teríamos as funções X e M. Se
tivéssemos uma economia sem governo, não teríamos G.

o Ainda pelos dados, podemos concluir que o consumo


autônomo (C0) vale 100, investimento autônomo (I0) vale
200 e a importação autônoma (M0) vale 100.

3.3. O multiplicador Keynesiano

Pegue como exemplo os dados da questão resolvida no item


passado, onde a renda de equilíbrio calculada era equivalente a 900.
Agora, aumente os gastos do governo de 200 para 250, ou seja, aumento
de 50 ( G=50). Calculemos então qual seria a nova renda de equilíbrio:

Y =C+I+G+ G+X–M
Y = (100 + 0,7Y) + 200 +50 + 50 + 200 – (100 + 0,2Y)
Y – 0,7Y + 0,2Y = 500
Y = 1000 (nova renda de equilíbrio)

Observe que, apesar de aumentarmos em 50 os gastos do governo,


a renda de equilíbrio aumentou em 100 (foi de 900 para 1000), ou seja,
duas vezes maior. Esse aumento a maior na renda de equilíbrio foi
provocado pelo multiplicador keynesiano. Ele pode ser definido
algebricamente desta maneira:

Y = k. G
100 = k.50
K=2

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Assim, vemos que, neste caso, o multiplicador K equivale a 2,


indicando que qualquer aumento que façamos nos gastos do governo terá
um impacto duas vezes maior na renda de equilíbrio. Experimente você
mesmo aumentar os gastos do governo, só que desta vez de 200 para
400. Depois, calcule a nova renda de equilíbrio e veja que o aumento na
renda ( Y) será o dobro do aumento dos gastos ( G), comprovando que
o multiplicador desta economia é realmente 2.

Para entendermos como ocorre esse efeito multiplicador, pensemos


que um aumento qualquer de gastos do governo foi direcionado a alguma
obra pública. Nesta situação, por exemplo, o governo pagará uma
empresa privada para fazer o serviço (pagará o valor de G); esta, por
sua vez, pagará salários aos seus empregados ou, quem sabe, contratará
mais trabalhadores; estes gastarão seus salários comprando outros
produtos de outras empresas; estas empresas que não tinham nada a ver
com a obra também serão beneficiadas e auferirão mais renda, que será
gasta na compra da produção de outras empresas, e assim por diante.
Note que naturalmente há uma multiplicação do valor gasto inicialmente,
daí o termo multiplicador keynesiano.

Durante a Depressão da década de 1930, foi este incremento nos


gastos públicos e seu efeito multiplicador que tiveram a capacidade de
aumentar a renda e, aos poucos, ir aumentando o nível de emprego e
recuperando a economia dos países.

Ao mesmo tempo em que o aumento de gastos do governo tem


esse efeito multiplicador da renda, a redução de gastos também tem o
mesmo efeito, só que no sentido inverso. Assim, se houver redução de
gastos, a redução na renda de equilíbrio será em escala maior. No nosso
exemplo numérico acima, se reduzirmos os gastos do governo em 50
( G=-50), a redução na renda de equilíbrio será no valor de 100 ( Y=-
100). Ou seja, a redução também passa pelo multiplicador.

Você pode estar se perguntando se apenas o aumento de gasto


público (aumento de G) tem esse efeito multiplicador. A resposta é não.
Na verdade, um aumento em qualquer dos elementos autônomos da
função Y sofrerá esse efeito multiplicador. Ainda no nosso exemplo
numérico, se você aumentar C0, I0, G0, X0 ou M0, qualquer destes
aumentos sofrerá o efeito multiplicador (se aumentarmos M0, o efeito
será negativo, isto é, haverá uma multiplicação no sentido de reduzir a
renda, já que M0 está com o sinal negativo na expressão da renda
nacional).

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Assim, tenha em mente que o multiplicador keynesiano vale


para qualquer componente dos gastos autônomos da equação da
despesa agregada (DA)14.

3.3.1. Fórmula do multiplicador (K)

Suponha a equação do equilíbrio Y=C+I+G+X-M, onde

C=C0+c(YD)=C0+c(Y-T)
I=I0+iY
G=G0
X=X0
M=M0+mY

Para derivarmos a fórmula do multiplicador, inicialmente,


consideraremos as funções investimento e importações como sendo
totalmente autônomas, de forma que I=I0 e M=M0. Além disso,
suporemos T=0, de forma que Y=YD. Veja:

Y = C0+cY + I0 + G0 + X0 – M0
Y – cY = C0 + I0 + G0 + X0 – M0
Y(1 – c) = C0 + I0 + G0 + X0 – M0

Veja que o termo 1/(1-c) está multiplicando todos os componentes


autônomos da equação da demanda agregada (todos os gastos
agregados autônomos). Este termo é o nosso multiplicador keynesiano:

Como nós sabemos que c (propensão marginal a consumir) é um


valor entre 0 e 1, percebe-se então que o multiplicador keynesiano
nunca15 será menor que 1 e não tem limite superior de valor.

Pela simples análise matemática da fórmula, nós verificamos que,


quanto maior a propensão marginal a consumir (maior o c), maior será o
multiplicador keynesiano. Isto é bastante intuitivo: quanto mais as

14
Pelo menos agora, considere tal afirmação correta, mas nós veremos mais a frente que isto não se
aplica sem restrição a todos os gastos autônomos.
15
Se a propensão marginal a consumir for igual a 0 (c 0), o multiplicador keynesiano será igual a 1.
Se a propensão for igual a 1, o multiplicador será infinito (1/1-

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pessoas forem propensas a gastar a renda adicional que obtiverem, mais


facilmente a renda será circulada e multiplicada. Quanto menos as
pessoas forem propensas a gastar, isto é, quanto maior a propensão
marginal a poupar (1 – c), menos a renda adicional será circulada e
multiplicada entre os agentes econômicos.

Esta fórmula do multiplicador vista acima é o caso mais simples, em


que consideramos as funções I e M totalmente autônomas e
consideramos a ausência de tributação. No entanto, se considerarmos
todas as funções completas, o multiplicador terá uma “cara” mais
encorpada. Vejamos:

C=C0+c(YD)=C0+c(Y-T)
T=T0+tY
I=I0+iY
G=G0
X=X0
M=M0+mY

Então,

Y = C0+c(Y – T0 + tY) + I0 +iY + G0 + X0 – M0 – mY

Passando todos os termos com Y para o lado esquerdo:

Y – cY + ctY – iY + mY= C0 – cT0 + I0 + G0 + X0 – M0


Y(1 – c + ct –i + m) = C0 – cT0 + I0 + G0 + X0 – M0

O termo em negrito corresponde ao multiplicador keynesiano


completo:

Obviamente, se I, M e T forem funções puramente autônomas,


então i=t=m=0, aí o nosso k será igual à sua forma mais simples
k=1/(1-c). Se apenas I for puramente autônomo, então, i=0, de forma
que k=1/(1-c+ct+m). Se apenas T for puramente autônomo, então, t=0,
de forma que k=1/(1-c-i+m).

Veja que o interessante é você memorizar a expressão completa e,


conforme os dados que a questão lhe passar, ajustar a fórmula do

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multiplicador, à medida que você constate que i, t e/ou m sejam ou não


iguais a zero. Façamos o exercício abaixo:

(AFPS/MPAS – Adaptada) - Considere as seguintes


informações: C = 100 + 0,7Y; I = 200; G = 50; X = 200; M
= 100 + 0,2Y, onde C = consumo agregado; X =
exportações; M = importações. Com base nessas
informações, o valor do multiplicador é:

Resolução:

Pelas funções apresentadas na questão, vemos que I é totalmente


autônomo (então, a propensão marginal a investir i=0). Ao mesmo
tempo, não temos função tributação. Neste caso, Y=YD, T=0 e
propensão marginal a tributar t=0. Ao mesmo tempo, pelas funções
apresentadas, também sabemos que a propensão marginal a
consumir c=0,7 e propensão marginal a importar m=0,2.

A fórmula do multiplicador será:

Utilizando a fórmula do multiplicador, então, chegamos a conclusão


de que o multiplicador vale 2. Sabendo o valor do multiplicador, já
sabemos que um aumento de qualquer variável autônoma da
demanda agregada (C0, I0, G0 ou X0) proporcionará um aumento
duas vezes maior no nível de renda de equilíbrio. Isso pode ser
verificado na expressão abaixo:

Veja que qualquer aumento em C0, I0, G0 ou X0 será multiplicado


por 1/(1-c-i+ct+m), que é justamente o nosso multiplicador keynesiano
k. É importante destacarmos as duas exceções: os agregados autônomos
M0 e T0.

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Assim, nós podemos dizer que o multiplicador k se aplica a


qualquer aumento (ou redução) dos gastos autônomos (C0, I0, G0 ou X0)
com exceção da importação autônoma M0 (que está multiplicada por -1) e
da tributação autônoma T0 (que está multiplicada por –c). Desta feita,
nós temos um multiplicador diferente para as importações e para a
tributação. Ambos serão negativos; o multiplicador das importações KM
será o multiplicador k vezes -1 (KM=-K); e o multiplicador da tributação
KT será o multiplicador K vezes –c (KT=-cK). Observe as formulações:

çõ

çã

Por serem negativos16, obviamente, ao aumentarmos a tributação


ou a importação autônoma haverá redução da renda de equilíbrio e tal
redução sofrerá o impacto dos seus respectivos multiplicadores. De forma
inversa, se reduzirmos a tributação ou a importação autônoma haverá
aumento da renda de equilíbrio e tal aumento será multiplicado por seu
respectivo multiplicador.

Assim, suponha as seguintes situações:

Uma determinada economia possui multiplicador de gastos igual a 4


(K=4). Qual é o efeito na renda nacional a partir de um aumento de 100
nas importações. O multiplicador das importações é igual ao multiplicador
de gastos com sinal negativo (KM=-K). Isto significa que o aumento de
100 de importações será multiplicado por -4, fazendo a renda nacional
diminuir em 400 ( Y=-400).

Agora, suponha uma economia com o mesmo multiplicador de


gastos (K=4). Se a propensão marginal a consumir é igual a 0,75, qual é
o efeito na renda nacional a partir de um aumento de 100 na tributação.
Nós sabemos que o multiplicador da tributação é igual ao multiplicador de
gastos com sinal negativo e multiplicado pela propensão marginal a
consumir (KT=-cK). Isto significa, para este exemplo, que o aumento de
100 na tributação será multiplicado por -4 e por 0,75 (-4x0,75=-3),
fazendo a renda nacional diminuir em 300 ( Y=-300).

Desta forma, se houver aumento dos agregados autônomos C0, I0,


G0 e X0, você deve utilizar o multiplicador de gastos (K). Havendo

16
Nós já vimos que o multiplicador keynesiano K é sempre maior que 1, ou seja, é sempre positivo.
Como KM -K e KT -cK, então, necessariamente, os multiplicadores da importação e da tributação
serão sempre negativos, indicando que o aumento de tributação e/ou das importações faz a renda
nacional de equilíbrio diminuir.

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aumento de M0, utiliza-se o multiplicador das importações (KM=-K). Se


aumentar T0, utiliza-se o multiplicador da tributação (KT=-cK).

Podemos resumir os multiplicadores no seguinte quadro:

Multiplicador Fórmula Aplica-se


A todos os gastos autônomos
Keynesiano
agregados (C0, I0, G0 ou X0),
completo
com exceção de M0 e T0.
Quando as propensões marginais
Keynesiano
a investir, tributar e importar
(mais) simples
são iguais a 0 (i=t=m=0).
Keynesiano das Somente ao gasto autônomo
importações com importação (ao M0).
Keynesiano da Somente ao gasto autônomo
tributação com tributação (ao T0).

Nossa sugestão é que você memorize somente o multiplicador


completo (K). A partir daí, saiba que o multiplicador das importações (KM)
é o mesmo valor do multiplicador completo com sinal negativo (KM=-K); o
multiplicador da tributação (KT) será o multiplicador completo
multiplicado pela propensão marginal a consumir com sinal contrário
(KT=-cK).

3.3.2. Observações teóricas sobre o multiplicador

Em provas, a cobrança sobre este assunto nem sempre ocorre por


meio de questões de cálculo, mas também por meio de questões teóricas.
Analisando inúmeras assertivas de concursos, nós separamos algumas
sobre as quais podemos tecer alguns comentários (todas são
verdadeiras):

i) Se a propensão marginal a consumir for igual à propensão


marginal a poupar, o valor do multiplicador será igual a 2.

Em primeiro lugar, é muito importante que você tenha em mente


que, em questões sobre este assunto, se nada for falado acerca das
propensões marginais a tributar, investir e importar, devemos
considerá-las iguais a 0. Desta forma, salvo disposição expressa do
enunciado da questão, a fórmula do multiplicador será:

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A propensão marginal a consumir é c; a propensão marginal a


poupar é (1-c). Se ambas são iguais, então c=1–c  c=1/2 e (1-
c)=1/2. Substituindo o valor de c no multiplicador temos k=2. Veja:

ii) O multiplicador da renda numa economia fechada é maior do


que em uma economia aberta.

A fórmula completa do multiplicador é:

Em uma economia fechada, nós temos a certeza de que não haverá


m (propensão marginal a importar). Como m reduz o
multiplicador17, então, podemos afirmar que, inexistindo m
(economia fechada), o multiplicador será maior.

iii) Quanto maior for a propensão marginal a consumir (ou menor a


propensão marginal a poupar), maior será o valor do
multiplicador.

A fórmula do multiplicador é:

Quanto maior for o c (propensão marginal a consumir), menor será


o valor do denominador e, quanto menor este, maior será o K. Ao
mesmo tempo, quanto maior for o c, obrigatoriamente, menor será
a propensão marginal a poupar (1 – c).

iv) Em uma economia fechada e sem governo, quanto mais próximo


de zero estiver a propensão marginal a poupar, maior será o
efeito de um aumento dos investimentos sobre a renda.

Quando a assertiva fala “quanto mais próximo de zero estiver a


propensão marginal a poupar” ela, na verdade, está falando
“quanto maior for a propensão marginal a consumir” ou ainda
“quanto mais próxima de um estiver a propensão marginal a
consumir”. Nós já vimos que quanto maior o c, maior o valor do

17
m (propensão marginal a importar) está no denominador com sinal positivo. Logo, quanto maior
for o valor de m, maior será o valor do denominador e, quanto maior este, menor será o valor de K.

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multiplicador k. Ao mesmo tempo, este multiplicador vale para


aumentos em todos os agregados autônomos (C0, I0, G0, X0), com
exceção da importação e da tributação.

Assim, quanto menor ou mais próxima de zero estiver (1–c), maior


ou mais próxima de um estará c, maior será o multiplicador K e
maior será o efeito de um aumento de consumo, investimento,
gastos do governo ou exportações.

v) O valor do multiplicador pode ser maior que 10.

Nada impede que isso ocorra. Se a propensão marginal a consumir


for, por exemplo, igual a 0,95; então, o multiplicador k=1/1-c será
igual a 20, portanto, maior que 10. Ademais, não temos uma valor
limite para o multiplicador.

vi) Numa economia fechada, o multiplicador não pode ser menor


que um.

O multiplicador, na pior das hipóteses, será igual a 1 (caso em que


todos os agentes não gastarão nem uma parte de sua renda
adicional, poupando tudo).

A única exceção poderia acontecer no caso em que tivéssemos uma


economia aberta. Nesta situação, poderia ocorrer de os agentes
destinarem toda a renda adicional para o consumo de bens
importados, fato que faria com que a renda (Y) da economia
diminuísse (o multiplicador seria menor18 que 1). Quando a
economia é fechada, não temos nenhuma probabilidade de tal fato
ocorrer (k ser menor que 1). Assim, numa economia fechada, o
multiplicador não pode ser menor que um; numa economia aberta,
o multiplicador pode ser menor que um.

vii) O valor do multiplicador não pode ser menor que zero.

Nós já vimos que, em uma economia fechada, k será sempre maior


que 1 (ou seja, positivo). Em uma economia aberta, mesmo que k
seja menor que 1, não há qualquer possibilidade de ele ser negativo
(mesmo que m seja um valor muito grande, bem próximo de 1).
Assim, independente se a economia é aberta ou fechada, k será
sempre positivo.

18
Se a propensão marginal a importar (m) for muito alta, o denominador do multiplicador
keynesiano pode ser maior que 1, conseqüentemente, o multiplicador k seria menor que 1. Quando
a economia é fechada, esta situação (K<1) é impossível de acontecer, tendo em vista inexistir a
propensão marginal a importar (m).

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3.4. Injeções e vazamentos

Veremos neste item o que significam os termos injeções e


vazamentos. Sabe-se que:

Y=C+I+G+X–M (1)

Por definição, tem-se que:

Y = YD + T

E,

YD = C + S (a renda disponível é gasta com consumo e/ou com


poupança)

Então,

Y=C+S+T (2)

Substituindo-se (2) em (1):

C+S+T=C+I+G+X–M

ou

S+T+M=I+G+X

(S+T+M) representam vazamentos, já que estes recursos deixam


de fluir das famílias para a compra da produção de bens e serviços por
parte das empresas. Já (I+G+X) representam injeções ao fluxo, pois
representam demandas de outros agentes que não são as famílias
(demanda das empresas, I, demanda do governo, G e demanda do resto
do mundo, X).

3.5. Equilíbrio alternativo

Sabemos que S+T+M=I+G+X. Se considerarmos uma economia


fechada (não temos X e M) e sem governo (não temos T e G), chegamos
a:

I=S (investimento é igual à poupança)

Portanto, também podemos dizer que o equilíbrio no modelo


keynesiano é atingido quando o investimento é igual à poupança. E mais:

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conforme visto no item 2, entre os conceitos de gastos/despesa planejada


ou realizada, o que interessa para Keynes é a variável planejada. Então,
podemos afirmar que o equilíbrio keynesiano é atingido quando:

Investimento planejado = poupança planejada

3.6. Proposta de Keynes

Com a economia em recessão, é muito difícil que haja aumento das


exportações (X) ou dos investimentos (I). Desta forma, o único gasto da
demanda agregada que seria possível aumentar com relativo grau de
controle, com toda certeza, seria os gastos do governo (G). Nesse
contexto baseava-se a opinião de Keynes de que o gasto público deveria
ser a mola propulsora da economia em situações recessivas.

3.7. Teorema do orçamento equilibrado

Antes de falar neste teorema, devemos conceituar o que é


orçamento neste modelo keynesiano simplificado. Ora, o orçamento
representa a política fiscal (política de arrecadação e gastos) do governo.
Como, neste modelo, só temos a tributação e os gastos do governo, o
orçamento será (T – G), onde T representa os ingressos de receitas e G
os gastos do governo. Se T=G, então, o orçamento está equilibrado. Se
T>G, temos superávit orçamentário. Se G>T, então, temos déficit
orçamentário.

O teorema do orçamento equilibrado nos diz o seguinte: se o


governo aumenta os gastos públicos em G, e a tributação é aumentada
exatamente neste mesmo valor ( T= G), então, a renda nacional de
equilíbrio será aumentada neste mesmo montante ( Y= G= T). Ou seja,
se ocorrer uma variação equilibrada no orçamento ( G= T), então, o
impacto na renda nacional será exatamente igual ao valor do aumento do
gastos do governo.

Ou seja, se os gastos do governo e a tributação são aumentados no


mesmo montante, então, o multiplicador de gastos é igual a 1. Isto
significa que se houver um choque19 de gastos públicos em 100, mas, por
outro lado, a tributação também aumenta em 100, de tal forma que o
orçamento não seja apenado ( G= T), a renda nacional de equilíbrio
aumentará neste mesmo montante de 100. Ou seja, o multiplicador de
gastos é igual a 1.

19
Choque de gastos públicos aumento de gastos públicos.

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Nota 1: veja que o teorema do orçamento equilibrado não diz que a


renda nacional não vai aumentar. Ou seja, se o governo aumenta gastos
e tributação no mesmo montante, a renda nacional aumenta sim, mas
este aumento será em intensidade bem menor, isto é, o aumento da
renda nacional não terá o mesmo efeito multiplicativo que teria caso não
houvesse aumento da tributação no mesmo montante do aumento de
gastos.
Nota 2: estamos supondo que a função tributação é totalmente
autônoma (T=T0).
Nota 3: para que o teorema seja válido, basta que G= T. Veja,
então, que inicialmente o orçamento não precisa estar equilibrado (para
que o teorema valha, não é necessário que T=G, mas sim G= T). Ou
seja, se o governo estiver em uma situação de déficit ou superávit
orçamentário, e decidir aumentar os gastos e, da mesma maneira, a
tributação for aumentada no mesmo montante ( G= T), isto significa
que a renda nacional será aumentada no mesmo montante ( Y= G= T).
A situação anterior (de déficit ou superávit) vai persistir, já que está
ocorrendo um choque20 equilibrado no orçamento.

Demonstração algébrica do teorema: Supondo que só exista


propensão marginal a consumir, então, os multiplicadores de gasto e da
tributação serão, respectivamente, K=1/(1 – c) e KT=-c/(1 – c). A soma
dos multiplicadores será:

Ao aumentar os gastos em G, deve-se multiplicar este aumento


por K. Ao aumentar a tributação em T, deve-se multiplicar tal aumento
por KT. Então, o aumento da renda nacional de equilíbrio Y será igual a
soma de:

Y = K. G + KT. T
Sabemos que G= T (equilíbrio na variação do orçamento)
Y = (K + KT). G (sabemos que K + KT=1)
Y= G= T

3.8. Intensidade dos instrumentos de política fiscal

O teorema do orçamento equilibrado também nos permite chegar a


uma importante conclusão. Ela diz respeito à questão da intensidade dos
meios de utilização da política fiscal. Nós vimos que um aumento no gasto
público (política fiscal expansiva) e um aumento da tributação (política
fiscal restritiva), no mesmo montante, provocam, ao final, um impacto

20
Choque equilibrado no orçamento variação equilibrada no orçamento.

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positivo sobre a renda. Ou seja, no final da aplicação dos dois


instrumentos, a renda aumenta, de tal forma que o aumento do gasto
público “vence” o aumento da tributação em mesmo montante. Isto nos
diz que a política fiscal via gastos é mais intensa que a política
fiscal via tributação.

Isto ocorre basicamente porque o multiplicador dos gastos (K) do


governo tem valor absoluto maior que o multiplicador da tributação (KT),
tendo em vista que o multiplicador da tributação é igual àquele
multiplicado pela propensão marginal a consumir (c), sendo que esta será
sempre um valor entre 0 e 1. Ou seja, KT=-cK ou K=-KT/c.

Assim, uma alteração (expansão ou redução) dos gastos do


governo provoca um impacto maior do que uma política de
tributação (expansão ou redução), na proporção inversa da
proporção marginal a consumir (já que K=-KT/c).

Podemos aplicar o mesmo raciocínio para uma política de


transferência de renda, já que esta pode ser entendida simplesmente
como uma tributação “ao contrário”. Tendo em vista que a transferência
de renda é, em essência, um imposto ao contrário, a fórmula hipotética
do seu multiplicador (KR) seria: KR=cK. Ou seja, KR possuiria o mesmo
valor absoluto do KT, só que com sinal positivo, tendo em vista que uma
transferência de renda aumenta a renda da economia.

Mas veja que o multiplicador da transferência de renda (KR)


também é multiplicador pela propensão marginal a consumir, que é um
valor entre 0 e 1. Ou seja, o KR também será menor que o K, de tal modo
que um aumento de gastos do governo possuirá impacto maior sobre a
renda nacional do que uma transferência de renda no mesmo montante.
Assim, se o governo decidir, por exemplo, aumentar os gastos públicos
em 100, ou fazer uma distribuição de renda para as famílias no valor de
100, o impacto do aumento dos gastos públicos sobre a renda da
economia será maior que o impacto da transferência de renda, na
proporção inversa da propensão marginal a consumir21.

Quando o governo toma atitudes em sentido contrário (por


exemplo, aumenta gastos e aumenta tributos; ou reduz gastos e aumenta
transferência de renda), nós dizemos que ele está adotando medidas de
política fiscal compensatória. Alguns exemplos destas medidas
compensatórias são os impostos progressivos e as políticas assistenciais,
como o seguro-desemprego.

Em relação a estes instrumentos, também os chamamos de


estabilizadores automáticos, pois quando a renda e o emprego da

21
Será na proporção inversa da proporção marginal a consumir pois KR cK. Portanto, K=KR/c.

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economia diminuem, eles atuam no sentido de aumentar a renda; e


quando a renda aumenta, eles atuam no sentido de frear esse aumento.

Pegue, por exemplo, o seguro-desemprego22. Em uma situação de


desemprego, com muita gente desempregada, ele funciona como um
impulso para que a economia volte a ter renda circulando, evitando,
assim, que haja mais redução nos níveis de emprego.

Já o imposto progressivo23 atua como freio ao crescimento


excessivo da renda, uma vez que a renda adicional é taxada mais
pesadamente quando ela começa a crescer. Ou seja, assim como o
seguro-desemprego, ele funciona como um estabilizador automático. Se a
renda das pessoas diminui, elas passam a ser tributadas menos
pesadamente, impulsionando novamente a renda da economia. Se a
renda aumenta, elas passam a ser tributadas mais pesadamente, freando
o aumento excessivo de renda24.

3.9. Hiatos “inflacionário” e “deflacionário”

Segundo Keynes, a demanda agregada (C+I+G+X–M) por ser


maior, igual ou menor que o nível de produção ou oferta agregada (Y).
Em situações de crise, desemprego (baixo nível de emprego), deve-se
aumentar a demanda agregada, fazendo, assim, a renda nacional (Y)
aumentar por consequência.

Chamamos “hiato inflacionário” o montante pelo qual a demanda


agregada excede a oferta agregada, considerando como referência o nível
de oferta agregada de pleno emprego (Y em pleno emprego). Quando isto
ocorre, os agentes da economia estão demandando ou consumindo mais
bens que a economia é capaz de produzir, e isto cria uma pressão
inflacionária que se caracteriza por uma elevação sustentada no nível
geral de preços da economia.

Neste caso, se o governo quiser conter esta pressão inflacionária,


ele deve reduzir a demanda agregada. Uma maneira é através da redução
do gasto público.

22
O seguro-desemprego é uma quantia financeira que o desempregado recém demitido recebe do
governo, durante um curto período de tempo, com o objetivo de se manter financeiramente até que
arrume outro emprego.
23
Imposto progressivo é o imposto que possui alíquotas mais altas para rendas maiores, e alíquotas
menores para rendas menores. Assim, quanto maior a renda, maior é a alíquota paga.
24
Às vezes, é necessário frear o aumento excessivo de renda, pois este pode causar inflação, o que é
ruim para a Economia.

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O “hiato deflacionário”, por outro lado, ocorre quando a demanda


agregada fica abaixo do nível de renda de pleno emprego. Neste caso, os
agentes estão consumindo abaixo do que a economia pode produzir no
pleno emprego. Esse déficit de gastos ou demanda agregada acaba por
reduzir o nível de renda, acarretando queda do emprego e do nível de
preços (por isso, o nome “deflacionário”).

Nota: estas questões envolvendo demanda agregada, renda e nível


de preços ficarão mais claras mais à frente em nosso curso, quando
veremos isso de modo mais detalhado.

3.10. Paradoxo da parcimônia

Desde quando éramos crianças, fomos educados pelos nossos pais a


ter um pensamento de poupanca. Aqueles que gastam toda a sua renda
na juventude estão fadados ̀ bancarrota durante a velhice. Em relação
ao governo, também já vimos em jornais e revistas algo do tipo “o
governo deve reduzir os gastos”, “o governo deve reduzir o déficit”, etc.

O conteúdo estudado nesta aula diz uma história totalmente


diferente! Não é mesmo?! Vejamos o que acontece quando esta sabedoria
popular (de poupar mais) é aplicada em nosso modelo aprendido na aula:

A poupanca da economia pode aumentar através de uma redução


do consumo autônomo (C0) ou através de um aumento da propensão
marginal a poupar (1 – c). Em ambos os casos, o consumo (C) diminui e
a renda (Y) também diminui. Agora, observe que a redução de renda,
paradoxalmente, faz a poupanca diminuir, uma vez que (supondo T=0):

S = -C0 + (1 – c)Y

Então, podemos concluir que o fato de os consumidores quererem


poupar mais (aumento de poupanca) acaba fazendo com que a própria
poupanca diminua, em razão da redução do produto provocada pelo
aumento da poupanca. O efeito líquido é que a poupanca permanece
inalterada. Isto é: os consumidores poupam mais (aumento de
poupanca), entretanto, isso reduz a renda, fazendo com que a poupanca
diminua. A redução da poupanca provocada pela redução da renda anula
o aumento da poupanca dos consumidores.

Esse resultado é conhecido como o paradoxo da parcimônia


(paradoxo da poupanca ou do entesouramento).

Então, se é assim, nós deveríamos concluir que a sociedade sempre


deve procurar gastar mais? Não. Os resultados deste modelo aprendido
na aula apresentam uma série de hipóteses que são relevantes somente

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em uma situação de curto prazo. Quando se examina o longo prazo,


outras variáveis entram em jogo e um aumento na poupanca
provavelmente acaba sendo favorável de muitas maneiras.

Para fins de concurso, o importante é você guardar que o paradoxo


da parcimônia nos diz que a tentativa de uma determinada sociedade em
aumentar a poupanca pode resultar numa situação em que a poupanca
permanece inalterada (ou até mesmo diminua). Por exemplo, numa
situação de recessão ou de estagnação econômica, se a população
aumentar a sua taxa de poupanca, isso irá contribuir para o agravamento
da retração do consumo, da produção e do emprego e,
consequentemente, da poupanca.
..........................

Bem pessoal, chegamos ao fim de mais uma aula!!

Agora, como de praxe, seguem alguns exercícios para treinamento


e fixação dos conteúdos. Abraço a todos e bons estudos!!

Heber Carvalho e Jetro Coutinho

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RESUMÃO DA AULA
Clássicos x Keynes
Variável/Teoria Clássicos Keynes
Salário nominal Flexível Fixo
Salário real Flexível Flexível
Ocorre quando oferta agregada é
igual à demanda agregada e isto
Equilíbrio Pleno emprego pode ocorrer no pleno emprego, mas
a maior probabilidade é de que
ocorra havendo desemprego.
Determinante Lei de Say: oferta Lei da demanda efetiva: demanda
da renda cria a demanda cria a oferta.
Aplicação Longo prazo Curto prazo
Papel do Neutro (não Intervenção na economia a fim de
governo na intervenção no regular o nível da demanda
economia mercado) agregada.

Modelo Keynesiano Simples: condições

Y = C + I + G + (X – M)

Composição a Demanda Agregada


Função Formato Propensão marginal a
Consumo C = C0 + cYD Consumir  c
Poupança S = -C0 + (1–c)YD Poupar  (1 – c)
Tributação T = T0 + tY Tributar  t
Investimento I = I0 + iY Investir  i
Gastos do governo G = G0 -
Exportações X = X0 -
Importações M = M0 + mY Importar  m

1. onsumo:

 O consumo cresce junto com a renda (disponível);

 A função de consumo apresentada é uma função linear, e a propensão marginal a consumir é


constante para uma função dada;

 A propensão marginal a consumir só assume valores entre e c

 À medida que a renda aumenta, a parcela da mesma que é gasta com o consumo diminui. Isto é,
quanto maior a renda, menor a propensão média a consumir.

 A propensão média a consumir também assume valores entre e )sto é PMeC

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2. Poupança:

 A poupança cresce junto com a renda (disponível);

 A função poupança apresentada é uma função linear, e a propensão marginal a poupar é


constante;

 A PMgS assume valores entre e c

 À medida que a renda aumenta, a parcela da mesma que é gasta com a poupança aumenta. Isto
é, quanto maior a renda, maior a propensão média a poupar.

 A propensão média a consumir também assume valores entre e )sto é PMeC

Multiplicador Keynesiano
Multiplicador Fórmula Aplica-se
A todos os gastos
Keynesiano autônomos agregados (C0,
completo I0, G0 ou X0), com exceção
de M0 e T0.
Quando as propensões
Keynesiano marginais a investir,
(mais) simples tributar e importar são
iguais a 0 (i=t=m=0).
Somente ao gasto
Keynesiano das
autônomo com importação
importações
(ao M0).
Somente ao gasto
Keynesiano da
autônomo com tributação
tributação
(ao T0).

 Se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a poupar, o valor do


multiplicador será igual a 2.

 O multiplicador da renda numa economia fechada é maior do que em uma economia aberta

 Quanto maior for a propensão marginal a consumir (ou menor a propensão marginal a poupar),
maior será o valor do multiplicador.

 Em uma economia fechada e sem governo, quanto mais próximo de zero estiver a propensão
marginal a poupar, maior será o efeito de um aumento dos investimentos sobre a renda.

 O valor do multiplicador pode ser maior que 10.

 Numa economia fechada, o multiplicador não pode ser menor que um.

 O valor do multiplicador não pode ser menor que zero.

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Teorema o Orçamento quilibrado


 se o governo aumenta os gastos públicos em G e a tributação é aumentada
exatamente neste mesmo valor T G então a renda nacional de equilíbrio será
aumentada neste mesmo montante Y G T

Política Fiscal e aradoxo a Parcimônia


 A política fiscal via gastos é mais intensa que a política fiscal via tributação.
 Paradoxo da Parcimônia: os consumidores poupam mais aumento de poupaņa entretanto
isso reduz a renda fazendo com que a poupaņa diminua A redu̧ao da poupaņa provocada pela
redu̧ao da renda anula o aumento da poupaņa dos consumidores

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EXERCÍCIOS COMENTADOS

01. (FCC – Consultor Legislativo de Orçamento Público e Desenv.


Econ. – ALEPE – 2014) No Modelo Keynesiano, para uma economia
fechada, o:
(A) efeito multiplicador de uma elevação dos gastos do governo
será tanto maior quanto menor a propensão marginal a consumir.
(B) efeito multiplicador de uma elevação dos gastos do governo
será tanto menor quanto menor a propensão marginal a poupar.
(C) efeito multiplicador de uma redução da tributação é menor
que o efeito multiplicador do aumento dos gastos do governo de
igual valor.
(D) nível de renda de pleno emprego só será atingido se uma das
despesas autônomas for elevada em montante igual ao hiato entre
a renda atual e a renda de pleno emprego.
(E) fato da tributação ser autônoma ou função da renda é
irrelevante para a determinação da magnitude do multiplicador
dos gastos do governo.

Comentários:
A) Incorreta. Quanto menor a propensão marginal a consumir, MENOR
será o efeito multiplicador.
B) Incorreta. Quanto menor for a propensão marginal a poupar, MAIOR
será o efeito multiplicador
C) Correta. Como vimos, políticas fiscais com base nos gastos do governo
são mais eficazes do que políticas com base na tributação.
D) Incorreta. Veremos esse assunto quando estudarmos o modelo de
Oferta e Demanda agregadas.
E) Incorreta. Na verdade, o fato da tributação ser autônoma ou função da
renda é relevante, pois se a tributação for dependente da renda, por
exemplo, quanto mais a renda crescer, mais o governo vai arrecadar e,
portanto, mais poderá gastar. A tributação também interfere na renda
disponível das pessoas, que interfere no montante arrecadado pelo
governo que, depois, comporá os gastos governamentais.

Gabarito: C

02. (FCC – Consultor Legislativo de Orçamento Público e Desenv.


Econ. – ALEPE – 2014) Segundo o Teorema do Orçamento
Equilibrado,
(A) a economia só alcançará o pleno emprego se o orçamento
público estiver em equilíbrio.
(B) os aumentos das despesas públicas têm de ser acompanhados
por elevação da tributação para que se mantenha a confiança dos
investidores estrangeiros na economia do país.

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(C) a política fiscal de aumento dos gastos do governo será eficaz


apenas se o governo partir de uma situação de orçamento
equilibrado.
(D) a elevação de gastos do governo acompanhada do aumento da
tributação em igual valor resultará em aumento do produto da
economia no mesmo montante.
(E) se o orçamento público estiver equilibrado e a economia
estiver em pleno emprego, o balanço de pagamentos também
estará equilibrado no que se denomina estado estacionário.

Comentários:
Questão bem simples, que nos cobra somente o conceito do Teorema do
Orçamento Equilibrado. Das alternativas, a única que reproduz com
perfeição o Teorema é a alternativa D.

Gabarito: D

03. (FCC – ICMS/SP – 2013) - Um modelo keynesiano simples ́


descrito pelas seguintes equações:
C =100+0,8YD
I =300
G =400
T =400
Como a renda de equilíbrio ́ inferior ̀ renda de pleno emprego, o
Governo pratica uma política tributária de redução do valor dos
impostos para 300. A consequência dessa política será
(A) um aumento da demanda agregada em um valor superior, em
módulo, ao da redução dos tributos.
(B) uma diminuição da poupanca agregada em valor absoluto, uma vez
que a diminuição da tributação aumentará o consumo.
(C) um aumento de consumo exatamente igual ao aumento da renda
disponível.
(D) um aumento do nível geral de preços, já que a demanda aumentou e
a oferta agregada não se modificou.
(E) um aumento da poupanca agregada superior ao aumento do consumo
agregado.

Comentários:
Para resolver esta questão, nem necessitamos fazer qualquer cálculo ;-)

Se o governo reduz os tributos, isto significa uma política fiscal expansiva


(cujo efeito é semelhante ao do aumento de gastos públicos).

Assim, se o governo reduz os tributos em 300, a renda agregada vai


aumentar em um montante superior aos 300 da redução do tributo. Ou
seja, a redução de tributos vai sofrer a influência do multiplicador
keynesiano (no caso, do multiplicador da tributação).

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Desta forma, a única correta é a letra A.

Vejamos os erros das outras alternativas:

(B) A redução de tributação aumenta o valor de YD, aumentando, por


consequência o valor da poupança.

(C) O consumo aumenta (em virtude do aumento de YD), mas este


aumento do consumo não é igual ao aumento de YD, pois o aumento de
YD (via redução de tributos) vai ser multiplicado pela propensão marginal
a consumir.

(D) No modelo Keynesiano simples, não levamos em conta a inflação


(consideramos o nível geral de preços constante).

(E) O aumento da poupança vai depender do valor da propensão marginal


a poupar (pois YD multiplica a propensão marginal a poupar), assim como
o aumento do consumo vai depender do valor da propensão marginal a
consumir (pois YD multiplica a propensão marginal a consumir). Desta
forma, a priori, não dá para saber o que vai aumentar mais: a poupança
ou o consumo.

Se a propensão marginal a consumir for maior que a propensão marginal


a poupar, então, o aumento de consumo será maior que o aumento da
poupança.

Gabarito: A

04. (FCC – ISS/SP – 2012) - Em um modelo keynesiano


simplificado de uma economia fechada, onde o investimento ́
suposto autônomo e igual a 200, as funções poupanca (S) e
tributação (T) são dadas por:

S = −50 + 0,2 Yd
T = 80 + 0,25 Y

onde Yd e Y representam, respectivamente, a renda disponível e a


renda da economia. Se a renda de equilíbrio desse modelo ́
1.215, então, os Gastos do Governo, também supostos
autônomos, correspondem a
(A) 285.
(B) 300.
(C) 320.
(D) 275.
(E) 315.

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COMENT́RIOS:
Se a economia é fechada, então, a renda da economia será:

Y = C + I + G (1)

Sabemos que Y=1215, I=200 e se pede o valor de G. Ou seja, para


fechar a equação da renda de equilíbrio da economia, só falta a equação
do consumo (C). Esta equação pode ser deduzida a partir da função
poupanca:

S = -50 + 0,2YD

Pela equação acima, sabemos que o consumo autônomo (C0) vale 50, e
que a propensão marginal a poupar vale 0,2 (portanto, a propensão
marginal a consumir vale 0,8). Assim, a função consumo é:

C = 50 + 0,8YD
C = 50 + 0,8(Y – T)

Onde T= 80 + 0,25Y, então:

C = 50 + 0,8(Y – (80 + 0,25Y))


C = -14 + 0,6Y

Substituindo Y, C, I e G em (1): Y = C + I+ G

1215 = (-14 + 0,6.1215) + 200 + G


G = 300

GABARITO: B

05. (FCC – ISS/SP – 2012) - Tudo o mais constante, no modelo


keynesiano simples em que a tributação e a importação de bens e
servicos são funções do nível de renda da economia, o
multiplicador dos gastos do governo
(A) está correlacionado positivamente com o multiplicador dos meios de
pagamento.
(B) diminui se a propensão marginal a consumir aumenta.
(C) é uma função decrescente da propensão marginal a tributar.
(D) é menor que o valor do multiplicador dos investimentos privados.
(E) é uma função crescente da propensão marginal a poupar.

COMENT́RIOS:
Se o enunciado da questão diz que a tributação e a importação de bens
são funções do nível de renda, então, isto significa que temos valores de
propensão marginal a tributar e a importar, sendo as funcões T e M nos
seguintes formatos:

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T = T0 + t.Y
M = M0 + m.Y

Onde t e m são as propensões marginais a tributar e a importar. A


fórmula do multiplicador será:

K
c m c�

Agora, vamos ̀ análise das alternativas:

a) Incorreta. O multiplicador dos gastos depende das diversas propensões


marginais (é só olhar pela fórmula), não existindo, portanto, correlação
com o multiplicador dos meios de pagamento.

b) Incorreta. O multiplicador de gastos aumenta se a propensão


marginal a consumir (c) aumenta.

c) Correta. Quanto maior a propensão marginal a tributar (t), menor é o


multiplicador de gastos, havendo, portanto, uma relação decrescente
entre estas variáveis.

d) Incorreta. O valor do multiplicador dos investimentos privados é igual


ao valor do multiplicador dos gastos do governo (na verdade, é o mesmo
multiplicador para todos os agregados autônomos: C0, I0, G0, X0 e M0).

e) Incorreta. O multiplicador dos gastos será função decrescente da


propensão marginal a poupar (1 – c). Ou seja, quanto maior este, menor
aquele.

Gabarito: C

06. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) - O


equilíbrio em uma economia fechada e sem governo possui as
seguintes equações comportamentais:

C = 100 + 0,8 Y
I = 500

onde:

C = Consumo privado
Y = Nível de renda da economia
I = Investimento Privado

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A renda de equilíbrio de pleno emprego dessa economia ́ de


3.500. Para que a economia alcance o pleno emprego, ́
necessário que a demanda dos empresários por investimentos
aumente em
a) 200
b) 100
c) 500
d) 50
e) 300

COMENT́RIOS:
O enunciado diz que a renda de pleno emprego é igual a 3.500. No
entanto, essa renda é a de pleno emprego, e não a renda corrente
proveniente dos dados passados pelo enunciado.

Calculemos a renda corrente:

Y =C +I
(a economia é fechada e sem governo... logo, não tem G, X e M)

Y = 100 + 0,8Y + 500


0,2Y = 600
Y = 3.000

Para sabermos quando os investimentos precisam aumentar para


alcançarmos o pleno emprego (Y=3.500), precisamos calcular o
multiplicador keynesiano:

K = 1/(1 – c)
K = 1/(1 – 0,8)
K= 5

Como sabemos:
∆I.K = ∆Y (sendo ∆Y = 3500 – 3000 = 500)
∆I.5 = 500
∆I = 100

Assim, os investimentos precisam aumentar em 100 para que a renda


aumente em 500 e alcance, portanto, a renda de pleno emprego (passe
de 3000 para 3500).

Gabarito: B

07. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) - A


função consumo ́ linear e crescente em relação ̀ renda da
economia. Se o consumo autônomo for maior que zero,

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a) a propensão média a consumir é uma função crescente da renda.


b) o nível de renda de equilíbrio independe do valor do consumo
autônomo.
c) o aumento da propensão marginal a consumir, tudo o mais constante,
diminui a renda de equilíbrio da economia.
d) a propensão média a poupar é sempre maior que a propensão
marginal a poupar.
e) a propensão média a poupar é sempre menor que a propensão
marginal a poupar.

COMENT́RIOS:
A) Incorreta. A propensão média a consumir é igual a:

PmeC = C/YD

Assim sendo, a PmeC é função decrescente da renda (o aumento da


renda faz a PmeC diminuir).

B) Incorreta. A função consumo é C=C0+cYD. Portanto, o consumo (C)


depende de C0.

C) Incorreta. A renda de equilíbrio é:

Y = C + I+ G + X – M

O aumento da propensão marginal a consumir aumenta o consumo (C).


Logo, aumenta a renda de equilíbrio.

D) Incorreta.

A propensão média a poupar é, em regra, menor que a propensão


marginal a poupar. Para baixos níveis de renda, a propensão média a
poupar é baixa (pois, quanto menor a renda, menor a propensão média a
poupar). Já a propensão marginal a poupar não varia com a renda (e
para baixos níveis de renda, já “nasce” maior que a propensão média a
poupar).

Assim, quando a renda aumenta, a poupanca tende a aumentar como


percentual da renda (este aumento da poupanca é a propensão marginal
a poupar). Observe que, ̀ medida que a renda aumenta, a propensão
média vai aumentando, mas o acréscimo de poupanca devido ao
acréscimo de renda é igual ̀ propensão marginal. Desta forma, é natural
que a propensão média vá crescendo com o aumento da renda, mas se
mantenha menor que a propensão marginal.

PS: caso tenha ficado complicado, acompanhe a explicação com os dados


da tabela da página 15.

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E) Correta.

Pela explicação dada na letra D, a letra E está correta e é o gabarito


desta questão.

Apenas devemos ficar atentos que a questão certa, porque o enunciado


disse que o consumo autônomo é maior que zero. Caso contrário, a letra
E estaria errada pelo uso da palavra “sempre”.

Se o consumo autônomo é zero, as duas propensões (PmeS e PmgS)


serão iguais. Veja (vamos supor T=0):

S C c Y
Pm�S
Y Y

Se o consumo autônomo é igual a zero (C0=0), a propensão média a


poupar será:

S c Y
Pm�S
Y Y

Ou seja, se o consumo autônomo for igual a zero, as propensões médias


e marginais a consumir serão iguais a “1 - c”. Ou seja, PmgS e PmeS
serão iguais caso C0 seja igual a zero. Em todos os outros casos, PmeS <
PmgS.

Mas... como o enunciado disse que C0>0, então, a letra E está certa,
pois, se C0>0, então, sempre, a propensão média a poupar será menor
que a propensão marginal a poupar.

Gabarito: E

08. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) -


Tudo o mais constante, um aumento da propensão marginal a
poupar provoca uma queda no nível de renda de equilíbrio na
economia no curto prazo. Esse fato ́ denominado
a) Lei de Okun.
b) Paradoxo de Modigliani. c) Lei de Say.
d) Efeito deslocamento.
e) Paradoxo da Parcimônia.

COMENT́RIOS:
Conforme comentado no item 3.10, um aumento da poupanca (seja
através da redução do consumo autônomo, seja através do aumento da
propensão marginal a poupar) pode fazer com que a poupanca fique
inalterada (ou seja até mesmo reduzida).

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Isso acontece porque o aumento da poupanca provoca uma queda no


nível de renda. Essa queda no nível de renda, por sua vez, irá reduzir a
poupanca, anulando o efeito inicial de um aumento na propensão
marginal a poupar ou redução do consumo autônomo. Esse é o paradoxo
da parcimônia.

Gabarito: E

09. (FCC – Analista de Controle – Economia – TCE/PR – 2011) -


Em um modelo keynesiano simples, são dadas as seguintes
funções:

C = 200 + 0,8 Yd
I = 20 + 0,1 Y
G = 900
X = 100
M = 100 + 0,04 Y
T = 50 + 0,2 Y
onde:

C = Consumo final das famílias


Yd = Renda Disponível
I = Investimento
G = Gastos do Governo
T = Tributação
X = Exportação de bens e serviços não fatores
M = Importação de bens e serviços não fatores

Nesse modelo,
(A) a renda de equilíbrio é 4.000.
(B) o valor do multiplicador keynesiano dos gastos do governo é 5.
(C) o governo incorrerá em um déficit fiscal de 130 na renda de equilíbrio.
(D) o país apresentará superávit na balança de transações correntes,
qualquer que seja o valor da renda de equilíbrio.
(E) o valor do investimento corresponderá a 360 na renda de equilíbrio.

COMENTÁRIOS:
Em primeiro lugar, é interessante notar que a questão nos deu a função
tributação e importação completas, com as suas respectivas propensões
marginais a tributar e a importar.

Agora, vamos checar as alternativas:

A) Incorreta.

Y = (200 + 0,8Yd) + (20 + 0,1Y) + 900 + 100 – (100 + 0,04Y)

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Onde Yd=Y – T
Yd = Y – (50 + 0,2Y)

Substituindo Yd na equação da renda nacional:

Y = (200 + 0,8(Y – (50 + 0,2Y))) + (20 + 0,1Y) + 900 + 100 – (100 +


0,04Y)
0,3Y = 1080
Y = 3600

B) Incorreta.

k
c � c� m

Onde:
c=0,8;
i=0,1;
t=0,2;
m=0,04

Substituindo na fórmula de K:

C) Correta.

O orçamento fiscal é dado pelo valor de (T – G):

(T – G) = (50 + 0,2Y) – 900  (onde Y=3600)


(T – G) = 50 + 0,2+3600 – 900
(T – G) = -130

D) Incorreta.

O saldo de transações correntes é:


TC = (X – M) – RLEE +/- TU

Temos apenas os dados de X e M, não sendo possível determinar o saldo


de transações correntes com os dados da questão.

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E) Incorreta.

I = 20 + 0,1Y  (onde Y=3600)


I = 20 + 0,1.3600
I = 380

GABARITO: C

10. (FCC – Economista – SERGÁS – 2010) - Sobre o modelo


keynesiano de determinação do nível de renda de equilíbrio, é
correto afirmar que:
(A) Se a taxa de juros for constante e a diferença entre a renda de
equilíbrio de pleno emprego e a renda de equilíbrio corrente for de 10
bilhões, é necessário que algum componente autônomo da demanda
agregada aumente em 10 bilhões.
(B) A propensão média a consumir é a relação entre a variação do
consumo agregado e a variação da renda disponível.
(C) O investimento agregado é diretamente relacionado à taxa de juros
de mercado.
(D) O equilíbrio macroeconômico ocorre quando a oferta agregada iguala
à demanda agregada, independentemente de a economia estar com todos
os seus recursos empregados.
(E) Se a taxa de juros for constante, o valor do multiplicador, no caso em
que o investimento agregado seja função da renda, é menor que o valor
do multiplicador no caso em que o investimento agregado seja totalmente
autônomo.

COMENTÁRIOS:
A) Incorreta. Em regra, para a renda aumentar em 10 bilhões, não é
necessário que algum componente autônomo da demanda agregada
aumente em 10 bilhões. Ele poderá aumentar em um valor menor que 10
e, mesmo assim, fazer com que renda aumente em 10, devido ao efeito
do multiplicador keynesiano.

Por exemplo, se tivermos um multiplicador K=2, então, bastaria um


aumento de 5 bilhões em um componente autônomo para que a renda
aumentasse em 10 bilhões.

B) Incorreta. A relação entre a variação do consumo agregado e a


variação da renda disponível é a propensão marginal a consumir:

A propensão média a consumir é a relação entre o consumo agregado a


renda disponível:

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C) Incorreta. No modelo keynesiano de determinação da renda, é


pressuposto que o nível da taxa de juros é constante. Ou seja, neste
modelo, o investimento não depende da taxa de juros.

D) Correta.

E) Incorreta. Quando a assertiva fala que o investimento agregado é


função da renda, ela está dizendo apenas que o investimento tem o
seguinte formato:

I = I0 + i.Y

Ou seja, se I é função de Y (se I variar quando Y variar), temos algum


valor de “i”, propensão marginal a investir. É o que a equação acima está
nos dizendo!

Quando o investimento é totalmente autônomo, ela tem o seguinte


formato:

I=I0

Neste caso, não temos propensão marginal a investir.

O valor do multiplicador será maior quando temos algum valor de


propensão marginal a investir. Assim, quando o investimento é função da
renda, temos propensão marginal a investir e o valor do multiplicador é
maior do que aquele visto quando não temos propensão marginal a
investir (e o investimento é totalmente autônomo).

GABARITO: D

11. (FCC – Auditor Substituto de Conselheiro – TCE/RO – 2010) -


Uma economia apresenta a seguinte função consumo (C) em
relação à sua renda disponível (Yd):

C = 120 + 0,8 Yd

São dados para essa economia os seguintes valores:


I (Investimentos) ..................................................... 250
G (Gastos do Governo).............................................. 420
T (Tributação) ........................................................... 450
X (Exportações) ........................................................ 190
M (Importações)....................................................... 170

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Se a renda de pleno emprego dessa economia for igual a 2.400,


ela apresentará um hiato
(A) deflacionário de 150.
(B) deflacionário de 200.
(C) inflacionário de 150.
(D) deflacionário de 250.
(E) inflacionário de 180.

COMENTÁRIOS:
A renda de equilíbrio é:

Y=C+I+G+X–M
Y = (120 + 0,8(Y – 450)) + 250 + 420 + 190 – 170
0,2Y = 450
Y = 2250

Como a demanda agregada, ou a renda de equilíbrio (Y=2250) é menor


que a renda de pleno emprego (Y=2400), temos um hiato
deflacionário, no valor de 150.

GABARITO: A

12. (FCC - Especialista em Políticas Públicas – SEFAZ/SP - 2009)


De acordo com a teoria keynesiana,
a) o papel da moeda é apenas o de facilitar as transações e servir de
reserva para situações de emergência dos agentes econômicos.
b) a renda dos agentes econômicos é integralmente destinada ao
consumo.
c) o desemprego da economia surge devido à rigidez dos salários reais.
d) a eficiência marginal do capital e a taxa de juros são determinantes do
volume de investimentos da economia.
e) a política fiscal é ineficaz em termos da promoção de movimentos
econômicos anticíclicos.

COMENTÁRIOS:
A) Incorreta. Veremos isso mais à frente em nosso curso. Segundo
Keynes, a moeda também servia para os agentes especularem no
mercado financeiro.

B) Incorreta. Segundo a teoria Keynesiana, uma parte da renda é


destinada ao consumo, outra parte à poupança.

C) Incorreta. Na teoria Keynesiana, os salários nominais são rígidos e é


sua rigidez quem acaba provocando desemprego.

D) Correta.Veremos isso mais à frente em nosso curso.

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E) Incorreta. Vimos na aula que a bandeira levantada por Keynes foi


justamente o gasto público como forma de recuperar a economia da crise
na década de 1930. Ou seja, ele defendia a eficácia da política fiscal.

GABARITO: D

13. (FCC - Analista Trainee – Economia – METRO/SP - 2008) "A


oferta cria sua própria procura". Essa afirmação caracteriza o
pensamento econômico de
a) Jean-Baptiste Say.
b) Karl Marx.
c) John Maynard Keynes.
d) Alfred Marshall.
e) Thomas Malthus.

COMENTÁRIOS:
“A oferta cria a sua procura” é hipóteses da lei de Say.

GABARITO: A

14. (FCC – ICMS/SP – 2006) Suponha que numa economia


fechada, o comportamento do setor de bens e serviços possa ser
descrito pelas seguintes equações do modelo keynesiano simples:
C = 100 + 0,8Yd
I = 250 + 0,15Y
G = 300
T = 50 + 0,25Y
Nessa economia,
a) o multiplicador dos gastos do governo é igual a 4.
b) o nível de renda de equilíbrio é 2.400.
c) o governo tem um superávit de 350 no nível de renda do equilíbrio.
d) o multiplicador da tributação é igual a 4
e) os investimentos apresentam certa elasticidade em relação à taxa de
juros real.

COMENTÁRIOS:
Primeiramente é interessante notar que o problema nos deu a função
tributação completa: T=50+0,25Y, ou seja, nós temos o valor de t,
propensão marginal a tributar, que é igual a 0,25.

Em segundo, foi dada a função completa do investimento, I=250+0,15Y,


isso quer dizer que nós temos i, propensão marginal a investir, que é
igual a 0,15.

Temos também que YD=Y – T  YD = Y – 50 – 0,25Y. Assim, C valerá:


C = 100 + 0,8Yd = 100 + 0,8 (Y – 50 – 0,25Y)

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Substituindo os valores na equação de equilíbrio e depois calculando o


multiplicador:

Y = C + I + G + X – M (X e M =0 , já que a economia é fechada)


Y = 100 + 0,8 (Y – 50 – 0,25Y) + 250 + 0,15Y + 300
Y = 2440 (renda de equilíbrio)

K = 1 / (1 – c – i + c.t + m)
K = 1 / (1 – 0,8 – 0,15 + 0,8.0,25)
K=4

O multiplicador da tributação é dado por:


KT= -c / (1 – c – i + c.t + m)
KT= -0,8 / (1 – 0,8 – 0,15 + 0,8.0,25)
KT= -3,2

GABARITO: A

15. (FCC - Técnico de Controle Externo – Economia – TCE/MG -


2007) - Com relação ao multiplicador keynesiano, é correto
afirmar que,
a) caso a propensão marginal a importar seja positiva, seu valor para
uma economia fechada é menor do que para uma economia aberta.
b) em uma economia fechada, seu valor depende da propensão marginal
a poupar, é maior ou igual a 1 e vale para qualquer componente dos
gastos autônomos agregados.
c) se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a
poupar, o seu valor será igual a 1
d) em uma economia fechada, seu valor depende da propensão marginal
a consumir, pode ser menor do que 1 e só é válido para os gastos do
governo.
e) em uma economia aberta, seu valor depende da propensão marginal a
consumir e a importar, pode ser menor que 1 e vale apenas para os
gastos do governo e exportações autônomas.

COMENTÁRIOS: Vamos às alternativas,

a) Incorreta. O multiplicador para uma economia fechada é sempre


MAIOR que para uma economia aberta, pelo fato do m (propensão
marginal a importar) estar com sinal positivo no denominador da fórmula
do multiplicador. Ou seja, o valor de m altera sempre para menos o valor
do multiplicador. Quando a economia é fechada, não temos esse m
diminuindo o valor do multiplicador, o que implica dizer que o
multiplicador é maior na economia fechada.

b) Correta.

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c) Incorreta. Quando c=(1-c), K=2.

d) Incorreta. Não pode ser menor que 01 (somente pode ser menor que
01 se a economia for aberta) e, na economia fechada (não temos M 0), é
válido para todos os gastos autônomos (C0, I0, G0).

e) Incorreta. Realmente, na economia aberta, o multiplicador poderá ser


menor que 01 e dependerá das propensões marginais a importar e a
consumir, entretanto, o multiplicador valerá para C0, I0, G0 e X0 e não
somente G0 e X0.

GABARITO: B

16. (FCC - Técnico de Controle Externo – Economia – TCE/MG -


2007) - A renda nacional está em equilíbrio, no modelo
keynesiano, quando
(A) não há déficit orçamentário no Governo.
(B) não há desempregados.
(C) a poupança planejada da sociedade é igual ao investimento
planejado.
(D) o desemprego está acima da taxa natural.
(E) o volume das exportações de bens e serviços iguala o das
importações.

COMENTÁRIOS:
Temos o equilíbrio no modelo keynesiano quando:

Y=C+I+G+X-M (que é o desenvolvimento da condição OA=DA)

ou quando (lembre-se de que, para Keynes, o que conta são as variáveis


planejadas)

Investimento planejado = poupança planejada

GABARITO: C

17. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - No modelo


keynesiano de determinação do equilíbrio do produto, onde o
consumo agregado é uma função linear e crescente da renda, é
correto afirmar que:
a) o produto estará em equilíbrio quando o investimento for igual à
poupança realizada.
b) um aumento nos impostos tem maior poder de diminuir o produto de
equilíbrio que igual contração nos gastos do governo, tudo o mais
constante.
c) a propensão média a consumir é maior que a propensão marginal a
consumir, se o consumo autônomo for positivo.

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d) a estabilidade do equilíbrio requer propensão marginal a consumir


maior que 1.
e) o multiplicador das exportações é maior que o multiplicador do
investimento.

COMENTÁRIOS:
A) Incorreta. O produto estará em equilíbrio quando o investimento
planejado for igual à poupança planejada.

B) Incorreta. Um aumento nos impostos tem menor poder de diminuir o


produto de equilíbrio que igual contração nos gastos do governo, tudo o
mais constante. Ou seja, a política fiscal via gastos é mais intensa que a
política fiscal via tributação.

C) Correta.
Dada uma função consumo (C=C0+c.YD), a propensão marginal a
consumir é “c”.

A propensão média a consumir é:

C C c Yd
Pm�C
Y Y

Se supusermos T=0 (a questão fez essa suposição), a propensão média a


consumir é:

C C cY
Pm�C
Y Y

Se o consumo autônomo é igual a zero (C0=0), a propensão média a


consumir será:

C cY
Pm�C c
Y Y

Ou seja, se o consumo autônomo for igual a zero, as propensões médias


e marginais a consumir serão iguais a “c”. No entanto, se o consumo
autônomo for positivo (C0>0), pela expressões (1) e (2), observa-se que
a propensão média será maior que a propensão marginal a consumir, pois
o numerador de PmeC será maior que c.Y e, portanto, teremos PmeC
maior que “c”.

D) Incorreta. Não existe propensão marginal a consumir maior que 1.

E) Incorreta. O multiplicador dos agregados autônomos (C0, I0, G0, X0)


possuem o mesmo valor, são iguais.

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O multiplicador das importações (KM) possui o mesmo valor absoluto, só


que com sinal negativo (KM=-K). E o multiplicador da tributação (KT)
possui sinal negativo e é multiplicado pela propensão marginal a consumir
(KT=-cK).

GABARITO: C

18. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - No modelo


keynesiano simples para uma economia aberta e com governo, em
que o investimento, a tributação, os gastos do governo e as
exportações são autônomos, as propensões marginais a poupar e
a importar são 0,25 e 0,15, respectivamente. Supondo que o nível
de investimento aumente em 40, a renda também será aumentada
em:
a) 500
b) 400
c) 267
d) 160
e) 100

COMENTÁRIOS:
Se a propensão marginal a poupar vale 0,25, então, a propensão
marginal a consumir vale 0,75 (c=0,75), uma vez que a soma das duas é
igual a 01.

A propensão marginal a importar vale 0,15. Agora, basta subsituir c=0,75


e m=0,15 na fórmula:

k
c � c� m

Se o nível de investimento aumentar em 40, então, a renda vai ser


aumentada no valor de 40 multiplicado pelo valor do multiplicador:

Y = I.K
Y = 2,5.40
Y = 100

GABARITO: E

19. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de

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macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um


contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Para esse ano, o nível de equilíbrio da economia estimado é:


a) 2.080
b) 1.860
c) 1.720
d) 1.680
e) 1.600

COMENTÁRIOS:
Y=C+I+G
Y = 0,8Yd + 200 + 300
Y = 0,8(Y – (100 + 0,0625Y)) + 200 + 300
Y = 1680

GABARITO: D

20. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. abstraia a

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existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha


que não há tributos indiretos.

Nesse mesmo ano, o saldo da conta corrente do governo estimado


é:
a) superávit de 200.
b) superávit de 105.
c) nulo.
d) déficit de 60.
e) déficit de 95.

COMENTÁRIOS:
O saldo da conta corrente do governo será (T – G).

T = 100 + 0,0625Y  (na questão 17, achamos Y=1680)


T = 205

G = 300

Então, o saldo será (205 – 300)=-95

GABARITO: E

21. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

No nível de equilíbrio de renda estimado para esse ano, a


poupança privada é positiva e de valor igual a:
a) 305
b) 295
c) 200
d) 150

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e) 95

COMENTÁRIOS:
Na questão 18, vimos que o saldo em conta corrente do governo é igual a
-95. Ou seja, a poupança do governo é -95.

Sabemos que poupança é igual a investimento:

I=S
I = SPRIV + SGOV + SEXT

Como a economia é fechada, SEXT=0. Então:

I = SPRIV + SGOV
200 = SPRIV – 95
SPRIV = 295

GABARITO: B

22. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Caso no ano seguinte a economia apresente alta taxa de


desemprego voluntário e o governo aumente seus gastos para
350, o novo nível de equilíbrio de renda será maior que o anterior
em:
a) 50
b) 150
c) 200
d) 250
e) 350

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COMENTÁRIOS:
Na questão 17, para gastos do governo iguais a 300, calculamos a renda
de equilíbrio: Y=1680.

Se os gastos do governo aumentarem para 350, teremos:

Y = C+I+G
Y = 0,8Yd + 200 + 300
Y = 0,8(Y – (100 + 0,0625Y)) + 200 + 350
Y = 1880

Ou seja, a renda aumentou de 1680 para 1880 ( Y=200).

Como os gastos aumentaram em 50, a renda aumentou em 200,


podemos concluir que o multiplicador vale 4 (K=4).

GABARITO: C

23. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Nesse modelo, o valor do multiplicador da tributação autônoma,


em valor absoluto, é:
a) 3,2
b) 3,4
c) 3,6
d) 3,8
e) 4,0

COMENTÁRIOS:
Vimos que o valor do multiplicador, para esta economia, é igual a 4
(K=4).

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O multplicador da tributação será:

KT = -cK  (onde c=0,8)


KT = -0,8*4
KT = -3,2

Como a questão pede o valor absoluto, o gabarito é letra A.

GABARITO: A

24. (FCC - Analista Judiciário – Economia - TRT 4 - 2006) - No


conhecido modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, o valor do multiplicador é função decrescente
a) da propensão marginal a consumir.
b) da taxa de juros.
c) do investimento autônomo.
d) da propensão marginal a poupar.
e) da propensão marginal a investir.

COMENTÁRIOS:
O multiplicador é função decrescente da propensão marginal a poupar,
pois, quanto maior esta, menor será o multiplicador.

Em relação às letras B e C, temos que o multiplicador não é função (não


depende) da taxa de juros nem do investimento autônomo.

GABARITO: D

25. (FCC - Auditor Fiscal – SEFAZ/BA - 2004) - Numa economia


fechada, cujo comportamento possa ser descrito pelo modelo
keynesiano simples, o multiplicador é 4 (quatro). Para fechar um
hiato deflacionário de 60 bilhões de unidades monetárias (u.m.) e,
conseqüentemente, a economia alcançar o pleno emprego, é
necessário
a) o aumento da tributação em 15 bilhões de u.m.
b) a redução dos gastos do governo em 10 bilhões de u.m.
c) o aumento dos investimentos autónomos em 60 bilhões de u.m.
d) a redução dos investimentos autónomos em 10 bilhões de u.m.
e) o aumento dos gastos do governo em 15 bilhões de u.m.

COMENTÁRIOS:
Um hiato deflacionário de 60 bilhões significa que a demanda agregada (C
+ I + G + X – M) é menor que a renda de pleno emprego (Y) no valor de
60 bilhões.

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Se o valor do multplicador é 4, então, bastaria um aumento de 15 em


qualquer agregado autônomo (C0, G0, I0 ou X0) para que a renda
aumentasse em 60 e esse hiato deflacionário fosse fechado.

Está correta, portanto, a alternativa E.

GABARITO: E

26. (ESAF - FISCAL ISS/RJ – 2010) - A partir de um modelo


keynesiano simplificado, fechado e sem governo, podemos dizer
que, quando a produção está acima do equilíbrio
macroeconômico,
a) o investimento equivale à poupança.
b) há excesso de demanda por bens.
c) há excesso de oferta de moeda.
d) a taxa de juros da economia deve cair.
e) a produção supera a demanda.

COMENTÁRIOS:
O equilíbrio no modelo Keynesiano simplificado é atingido quando a oferta
agregada (produção) é igual à demanda agregada. Obviamente, se a
produção está acima do equilíbrio macroeconômico, então, a produção
supera a demanda (oferta agregada>demanda agregada).

GABARITO: E

27. (ESAF - ANALISTA/CVM – 2010) - Considere o modelo


keynesiano simplificado, fechado e com governo. É correto
afirmar que política de expansão dos gastos do governo:
a) será neutra, porque o investimento público substituirá o investimento
privado (crowding out).
b) terá impacto menor sobre o crescimento da renda do que a política de
transferência de renda do governo.
c) terá impacto maior do que política de transferência de renda, na
proporção do inverso da propensão marginal a consumir.
d) afeta o dispêndio agregado, mas não afeta a renda da economia.
e) afeta negativamente o dispêndio agregado e a renda da economia.

COMENTÁRIOS:
a) Incorreta. Falaremos do efeito crowding out mais à frente em nosso
curso, ok?!

b) Incorreta. Uma expansão dos gastos do governo tem impacto MAIOR


sobre o crescimento da renda do que a política de transferência de renda
do governo.

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c) Correta. Tendo em vista que K=KR/c, e que 0<c<1, temos que o


multiplicador de gastos (K) será maior que o multiplicador da
transferência (KR), na proporção do inverso da propensão marginal a
consumir (a explanação mais detalhada encontra-se no item 3.8 da aula).

d) Incorreta. Afeta o dispêndio agregado (demanda agregada), e TAMBÉM


afeta a renda da economia.

e) Incorreta. A expansão dos gastos afetará positivamente o dispêndio


agregado (demanda agregada) e a renda da economia.

GABARITO: C

28. (ESAF - AFRFB – 2009) - Considere o modelo de determinação


da renda com as seguintes informações, em unidades monetárias
(quando for o caso):
C = 100 + 0,8.Y
M = 50 + m.Y
X = 100
G = 100
I = 200
onde:
Y = produto agregado;
C = consumo agregado;
G = gastos do governo;
I = investimento agregado;
X = exportações;
M = importações; e
“m” uma constante positiva.
Considerando uma renda agregada de equilíbrio igual a 900, a
propensão marginal a importar será igual a:
a) 0,15
b) 0,50
c) 0,20
d) 0,30
e) 0,25

COMENTÁRIOS:
Y=C+I+G+X–M
Y = 100 + 0,8.Y + 200 + 100 + 100 – (50 + m.Y) Y = 900
900 = 100 + 0,8.900 + 200 + 100 – 50 – m.900
m = 0,3

GABARITO: D

29. (ESAF - APO/MPOG – 2002) Com relação ao multiplicador


keynesiano, é correto afirmar que:

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a) se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a


poupar, o seu valor será igual a um.
b) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a
poupar, pode ser menor do que um e só é válido para os gastos do
governo.
c) numa economia aberta seu valor depende da propensão marginal a
consumir e importar, pode ser negativo e vale apenas para os gastos do
governo e exportações autônomas.
d) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a
poupar, não pode ser menor do que um e vale para qualquer componente
dos denominados gastos autônomos agregados.
e) seu valor para uma economia fechada é necessariamente menor do
que para uma economia aberta.

COMENTÁRIOS:
Vamos às alternativas:

a) Incorreta. Se as propensões marginais a poupar e consumir forem


iguais o multiplicador K será igual 2.

b) Incorreta. Numa economia fechada, o multiplicador nunca será menor


que um. Isso só é possível em uma economia aberta.

c) Incorreta. O multiplicador de gastos não pode ser negativo. E ele vale


para o multiplicador de gastos do consumo, do governo, do investimento
e das exportações (C0, I0, G0 e X0).

d) Correta.

e) Incorreta. Seu valor numa economia fechada é maior do que para uma
economia aberta.

GABARITO: D

30. (ESAF - AFRFB – 2003) Considere as seguintes informações


para uma economia fechada e com governo:
Y = 1200
C = 100 + 0,7.Y
I = 200
onde:
Y = produto agregado;
C = consumo agregado; e
I = investimento agregado.
Com base nestas informações, pode-se afirmar que, considerando
o modelo keynesiano simplificado, para que a autoridade
econômica consiga um aumento de 10% no produto agregado, os
gastos do governo terão que sofrer um aumento de:

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a) 60%
b) 30%
c) 20%
d) 10%
e) 8%

COMENTÁRIOS:
Devemos primeiro calcular o G quando a renda de equilíbrio (Y) é 1200,
renda que foi dada na questão.

Depois calculamos o G quando a renda de equilíbrio é aumentada em


10%, ou seja, vai 1320 (1200+10%).

Y = C + I + G + X – M  X e M são iguais a 0, pois a economia é fechada

1200 = 100 + 0,7Y + 200 + G


G1=60

Aumentando a renda em 10%


1320 = 100 + 0,7Y + 200 + G
G2 = 96

G2/G1=96/60=1,6  os gastos aumentaram em 60%

Outro método de resolução seria através do uso do multiplicador K:

C = 100 + 0,7Y  a propensão marginal a consumir c = 0,7


K = 1 / (1 – c) = 1 / 0,3 = 3,33

Nós temos que a renda de equilíbrio foi aumentada em 120. Então:


Y = K. G
120 = 3,33 . G
G = 36  36/G1= 36/60 = 0,6 = 60%

GABARITO: A

31. (FGV - Economista Jr. – POTIGÁS - 2006) - Uma economia,


num determinado período, registra propensão marginal a
consumir de 80% e acréscimo de $ 12.000 no investimento. Pode-
se concluir que o acréscimo na renda de equilíbrio corresponde a:
a) $ 15.000.
b) $ 18.000.
c) $ 24.000.
d) $ 60.000.
e) $ 72.000.

COMENTÁRIOS:

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Só temos a informação da propensão marginal a consumir. Logo, o


multiplicador assumirá a sua forma mais simples:

Se k=5, então, um aumento de R$ 12.000,00 no investimento provocará


um aumento na renda cinco vezes maior ( Y=5. I). Assim, o aumento na
renda nacional será igual a R$ 60.000,00.

GABARITO: D

32. (FGV - Consultor de Orçamentos - Senado Federal - 2008) -


Assinale a afirmativa incorreta.
a) Para um dado nível de renda, se um aumento nos gastos do governo
não for acompanhado por um aumento de impostos e o governo financie
seu gasto emitindo títulos, o resultado é uma queda na taxa de juros.
b) A emissão de moeda como meio de aumentar a receita do governo
corresponde à imposição de um imposto inflacionário.
c) Em um modelo keynesiano simples com economia fechada,
considerando Y como o nível de renda da economia e G como o volume de
gastos do governo, a expressão Y/ G é chamada de multiplicador dos
gastos do governo e é tal que Y/ G>1.
d) Quanto menor a propensão marginal a consumir dos consumidores,
menor o valor do multiplicador dos gastos do governo.
e) O valor do multiplicador dos gastos do governo e do multiplicador da
tributação dependem das mesmas variáveis.

COMENTÁRIOS:
a) Incorreta. Veremos nas próximas aulas, aguarde.

b) Correta. Veremos nas próximas aulas, aguarde.

c) Correta. Em uma economia fechada, o multiplicador keynesiano é


sempre maior que 01. Como o multiplicador keynesiano, no caso de um
aumento de gastos do governo, é igual a Y/ G, então, está correta a
assertiva.

d) Correta. Conforme explicação do subitem iii do item 3.3.2.

e) Correta. O multiplicador keynesiano (completo) é:

O multiplicador da tributação é:

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Veja que ambos os multiplicadores dependem de: c, i, t, m. Ou seja,


ambos dependem das propensões marginais. Em outras palavras, eles
dependem das mesmas variáveis (não estamos dizendo que eles são
iguais, mas apenas dependem das mesmas variáveis).

GABARITO: A

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LISTA DE QUESTÕES APRESENTADAS NA AULA

01. (FCC – Consultor Legislativo de Orçamento Público e Desenv.


Econ. – ALEPE – 2014) No Modelo Keynesiano, para uma economia
fechada, o:
(A) efeito multiplicador de uma elevação dos gastos do governo
será tanto maior quanto menor a propensão marginal a consumir.
(B) efeito multiplicador de uma elevação dos gastos do governo
será tanto menor quanto menor a propensão marginal a poupar.
(C) efeito multiplicador de uma redução da tributação é menor
que o efeito multiplicador do aumento dos gastos do governo de
igual valor.
(D) nível de renda de pleno emprego só será atingido se uma das
despesas autônomas for elevada em montante igual ao hiato entre
a renda atual e a renda de pleno emprego.
(E) fato da tributação ser autônoma ou função da renda é
irrelevante para a determinação da magnitude do multiplicador
dos gastos do governo.

02. (FCC – Consultor Legislativo de Orçamento Público e Desenv.


Econ. – ALEPE – 2014) Segundo o Teorema do Orçamento
Equilibrado,
(A) a economia só alcançará o pleno emprego se o orçamento
público estiver em equilíbrio.
(B) os aumentos das despesas públicas têm de ser acompanhados
por elevação da tributação para que se mantenha a confiança dos
investidores estrangeiros na economia do país.
(C) a política fiscal de aumento dos gastos do governo será eficaz
apenas se o governo partir de uma situação de orçamento
equilibrado.
(D) a elevação de gastos do governo acompanhada do aumento da
tributação em igual valor resultará em aumento do produto da
economia no mesmo montante.
(E) se o orçamento público estiver equilibrado e a economia
estiver em pleno emprego, o balanço de pagamentos também
estará equilibrado no que se denomina estado estacionário.

03. (FCC – ICMS/SP – 2013) - Um modelo keynesiano simples ́


descrito pelas seguintes equações:
C =100+0,8YD
I =300
G =400
T =400
Como a renda de equilíbrio ́ inferior ̀ renda de pleno emprego, o
Governo pratica uma política tributária de redução do valor dos
impostos para 300. A consequência dessa política será

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(A) um aumento da demanda agregada em um valor superior, em


módulo, ao da redução dos tributos.
(B) uma diminuição da poupanca agregada em valor absoluto, uma vez
que a diminuição da tributação aumentará o consumo.
(C) um aumento de consumo exatamente igual ao aumento da renda
disponível.
(D) um aumento do nível geral de preços, já que a demanda aumentou e
a oferta agregada não se modificou.
(E) um aumento da poupanca agregada superior ao aumento do consumo
agregado.

04. (FCC – ISS/SP – 2012) - Em um modelo keynesiano


simplificado de uma economia fechada, onde o investimento ́
suposto autônomo e igual a 200, as funções poupanca (S) e
tributação (T) são dadas por:

S = −50 + 0,2 Yd
T = 80 + 0,25 Y

onde Yd e Y representam, respectivamente, a renda disponível e a


renda da economia. Se a renda de equilíbrio desse modelo ́
1.215, então, os Gastos do Governo, também supostos
autônomos, correspondem a
(A) 285.
(B) 300.
(C) 320.
(D) 275.
(E) 315.

05. (FCC – ISS/SP – 2012) - Tudo o mais constante, no modelo


keynesiano simples em que a tributação e a importação de bens e
servicos são funções do nível de renda da economia, o
multiplicador dos gastos do governo
(A) está correlacionado positivamente com o multiplicador dos meios de
pagamento.
(B) diminui se a propensão marginal a consumir aumenta.
(C) é uma função decrescente da propensão marginal a tributar.
(D) é menor que o valor do multiplicador dos investimentos privados.
(E) é uma função crescente da propensão marginal a poupar.

06. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) - O


equilíbrio em uma economia fechada e sem governo possui as
seguintes equações comportamentais:

C = 100 + 0,8 Y
I = 500

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onde:

C = Consumo privado
Y = Nível de renda da economia
I = Investimento Privado

A renda de equilíbrio de pleno emprego dessa economia ́ de


3.500. Para que a economia alcance o pleno emprego, ́
necessário que a demanda dos empresários por investimentos
aumente em
a) 200
b) 100
c) 500
d) 50
e) 300

07. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) - A


função consumo ́ linear e crescente em relação ̀ renda da
economia. Se o consumo autônomo for maior que zero,
a) a propensão média a consumir é uma função crescente da renda.
b) o nível de renda de equilíbrio independe do valor do consumo
autônomo.
c) o aumento da propensão marginal a consumir, tudo o mais constante,
diminui a renda de equilíbrio da economia.
d) a propensão média a poupar é sempre maior que a propensão
marginal a poupar.
e) a propensão média a poupar é sempre menor que a propensão
marginal a poupar.

08. (FCC - Analista Ministerial – Economia – MPE/AP - 2012) -


Tudo o mais constante, um aumento da propensão marginal a
poupar provoca uma queda no nível de renda de equilíbrio na
economia no curto prazo. Esse fato ́ denominado
a) Lei de Okun.
b) Paradoxo de Modigliani. c) Lei de Say.
d) Efeito deslocamento.
e) Paradoxo da Parcimônia.

09. (FCC – Analista de Controle – Economia – TCE/PR – 2011) -


Em um modelo keynesiano simples, são dadas as seguintes
funções:

C = 200 + 0,8 Yd
I = 20 + 0,1 Y
G = 900
X = 100
M = 100 + 0,04 Y

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T = 50 + 0,2 Y
onde:

C = Consumo final das famílias


Yd = Renda Disponível
I = Investimento
G = Gastos do Governo
T = Tributação
X = Exportação de bens e serviços não fatores
M = Importação de bens e serviços não fatores

Nesse modelo,
(A) a renda de equilíbrio é 4.000.
(B) o valor do multiplicador keynesiano dos gastos do governo é 5.
(C) o governo incorrerá em um déficit fiscal de 130 na renda de equilíbrio.
(D) o país apresentará superávit na balança de transações correntes,
qualquer que seja o valor da renda de equilíbrio.
(E) o valor do investimento corresponderá a 360 na renda de equilíbrio.

10. (FCC – Economista – SERGÁS – 2010) - Sobre o modelo


keynesiano de determinação do nível de renda de equilíbrio, é
correto afirmar que:
(A) Se a taxa de juros for constante e a diferença entre a renda de
equilíbrio de pleno emprego e a renda de equilíbrio corrente for de 10
bilhões, é necessário que algum componente autônomo da demanda
agregada aumente em 10 bilhões.
(B) A propensão média a consumir é a relação entre a variação do
consumo agregado e a variação da renda disponível.
(C) O investimento agregado é diretamente relacionado à taxa de juros
de mercado.
(D) O equilíbrio macroeconômico ocorre quando a oferta agregada iguala
à demanda agregada, independentemente de a economia estar com todos
os seus recursos empregados.
(E) Se a taxa de juros for constante, o valor do multiplicador, no caso em
que o investimento agregado seja função da renda, é menor que o valor
do multiplicador no caso em que o investimento agregado seja totalmente
autônomo.

11. (FCC – Auditor Substituto de Conselheiro – TCE/RO – 2010) -


Uma economia apresenta a seguinte função consumo (C) em
relação à sua renda disponível (Yd):

C = 120 + 0,8 Yd

São dados para essa economia os seguintes valores:


I (Investimentos) ..................................................... 250
G (Gastos do Governo).............................................. 420

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T (Tributação) ........................................................... 450


X (Exportações) ........................................................ 190
M (Importações)....................................................... 170

Se a renda de pleno emprego dessa economia for igual a 2.400,


ela apresentará um hiato
(A) deflacionário de 150.
(B) deflacionário de 200.
(C) inflacionário de 150.
(D) deflacionário de 250.
(E) inflacionário de 180.

12. (FCC - Especialista em Políticas Públicas – SEFAZ/SP - 2009)


De acordo com a teoria keynesiana,
a) o papel da moeda é apenas o de facilitar as transações e servir de
reserva para situações de emergência dos agentes econômicos.
b) a renda dos agentes econômicos é integralmente destinada ao
consumo.
c) o desemprego da economia surge devido à rigidez dos salários reais.
d) a eficiência marginal do capital e a taxa de juros são determinantes do
volume de investimentos da economia.
e) a política fiscal é ineficaz em termos da promoção de movimentos
econômicos anticíclicos.

13. (FCC - Analista Trainee – Economia – METRO/SP - 2008) "A


oferta cria sua própria procura". Essa afirmação caracteriza o
pensamento econômico de
a) Jean-Baptiste Say.
b) Karl Marx.
c) John Maynard Keynes.
d) Alfred Marshall.
e) Thomas Malthus.

14. (FCC – ICMS/SP – 2006) Suponha que numa economia


fechada, o comportamento do setor de bens e serviços possa ser
descrito pelas seguintes equações do modelo keynesiano simples:
C = 100 + 0,8Yd
I = 250 + 0,15Y
G = 300
T = 50 + 0,25Y
Nessa economia,
a) o multiplicador dos gastos do governo é igual a 4.
b) o nível de renda de equilíbrio é 2.400.
c) o governo tem um superávit de 350 no nível de renda do equilíbrio.
d) o multiplicador da tributação é igual a 4
e) os investimentos apresentam certa elasticidade em relação à taxa de
juros real.

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15. (FCC - Técnico de Controle Externo – Economia – TCE/MG -


2007) - Com relação ao multiplicador keynesiano, é correto
afirmar que,
a) caso a propensão marginal a importar seja positiva, seu valor para
uma economia fechada é menor do que para uma economia aberta.
b) em uma economia fechada, seu valor depende da propensão marginal
a poupar, é maior ou igual a 1 e vale para qualquer componente dos
gastos autônomos agregados.
c) se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a
poupar, o seu valor será igual a 1
d) em uma economia fechada, seu valor depende da propensão marginal
a consumir, pode ser menor do que 1 e só é válido para os gastos do
governo.
e) em uma economia aberta, seu valor depende da propensão marginal a
consumir e a importar, pode ser menor que 1 e vale apenas para os
gastos do governo e exportações autônomas.

16. (FCC - Técnico de Controle Externo – Economia – TCE/MG -


2007) - A renda nacional está em equilíbrio, no modelo
keynesiano, quando
(A) não há déficit orçamentário no Governo.
(B) não há desempregados.
(C) a poupança planejada da sociedade é igual ao investimento
planejado.
(D) o desemprego está acima da taxa natural.
(E) o volume das exportações de bens e serviços iguala o das
importações.

17. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - No modelo


keynesiano de determinação do equilíbrio do produto, onde o
consumo agregado é uma função linear e crescente da renda, é
correto afirmar que:
a) o produto estará em equilíbrio quando o investimento for igual à
poupança realizada.
b) um aumento nos impostos tem maior poder de diminuir o produto de
equilíbrio que igual contração nos gastos do governo, tudo o mais
constante.
c) a propensão média a consumir é maior que a propensão marginal a
consumir, se o consumo autônomo for positivo.
d) a estabilidade do equilíbrio requer propensão marginal a consumir
maior que 1.
e) o multiplicador das exportações é maior que o multiplicador do
investimento.

18. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - No modelo


keynesiano simples para uma economia aberta e com governo, em

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que o investimento, a tributação, os gastos do governo e as


exportações são autônomos, as propensões marginais a poupar e
a importar são 0,25 e 0,15, respectivamente. Supondo que o nível
de investimento aumente em 40, a renda também será aumentada
em:
a) 500
b) 400
c) 267
d) 160
e) 100

19. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Para esse ano, o nível de equilíbrio da economia estimado é:


a) 2.080
b) 1.860
c) 1.720
d) 1.680
e) 1.600

20. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível

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T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Nesse mesmo ano, o saldo da conta corrente do governo estimado


é:
a) superávit de 200.
b) superávit de 105.
c) nulo.
d) déficit de 60.
e) déficit de 95.

21. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

No nível de equilíbrio de renda estimado para esse ano, a


poupança privada é positiva e de valor igual a:
a) 305
b) 295
c) 200
d) 150
e) 95

22. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

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C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Caso no ano seguinte a economia apresente alta taxa de


desemprego voluntário e o governo aumente seus gastos para
350, o novo nível de equilíbrio de renda será maior que o anterior
em:
a) 50
b) 150
c) 200
d) 250
e) 350

23. (FCC – Analista – Economia – MPU - 2007) - Num determinado


país, usando dados do tipo "crosssection", um grupo de
macroeconomistas estimou as seguintes funções dentro de um
contexto de um modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, sendo todas estatisticamente significantes:

C = 0,8 Yd
T = 100 + 0,0625 Y
Onde:
Y = Renda nacional
Yd = Renda nacional disponível
T = Tributação

Sabe-se que, para o ano corrente, os Gastos do Governo (G)


montaram a 300 e os investimentos privados (I), a 200. Abstraia a
existência de depreciação do estoque de capital fixo e suponha
que não há tributos indiretos.

Nesse modelo, o valor do multiplicador da tributação autônoma,


em valor absoluto, é:
a) 3,2
b) 3,4
c) 3,6
d) 3,8
e) 4,0

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24. (FCC - Analista Judiciário – Economia - TRT 4 - 2006) - No


conhecido modelo keynesiano simples para uma economia
fechada, o valor do multiplicador é função decrescente
a) da propensão marginal a consumir.
b) da taxa de juros.
c) do investimento autônomo.
d) da propensão marginal a poupar.
e) da propensão marginal a investir.

25. (FCC - Auditor Fiscal – SEFAZ/BA - 2004) - Numa economia


fechada, cujo comportamento possa ser descrito pelo modelo
keynesiano simples, o multiplicador é 4 (quatro). Para fechar um
hiato deflacionário de 60 bilhões de unidades monetárias (u.m.) e,
conseqüentemente, a economia alcançar o pleno emprego, é
necessário
a) o aumento da tributação em 15 bilhões de u.m.
b) a redução dos gastos do governo em 10 bilhões de u.m.
c) o aumento dos investimentos autónomos em 60 bilhões de u.m.
d) a redução dos investimentos autónomos em 10 bilhões de u.m.
e) o aumento dos gastos do governo em 15 bilhões de u.m.

26. (ESAF - FISCAL ISS/RJ – 2010) - A partir de um modelo


keynesiano simplificado, fechado e sem governo, podemos dizer
que, quando a produção está acima do equilíbrio
macroeconômico,
a) o investimento equivale à poupança.
b) há excesso de demanda por bens.
c) há excesso de oferta de moeda.
d) a taxa de juros da economia deve cair.
e) a produção supera a demanda.

27. (ESAF - ANALISTA/CVM – 2010) - Considere o modelo


keynesiano simplificado, fechado e com governo. É correto
afirmar que política de expansão dos gastos do governo:
a) será neutra, porque o investimento público substituirá o investimento
privado (crowding out).
b) terá impacto menor sobre o crescimento da renda do que a política de
transferência de renda do governo.
c) terá impacto maior do que política de transferência de renda, na
proporção do inverso da propensão marginal a consumir.
d) afeta o dispêndio agregado, mas não afeta a renda da economia.
e) afeta negativamente o dispêndio agregado e a renda da economia.

28. (ESAF - AFRFB – 2009) - Considere o modelo de determinação


da renda com as seguintes informações, em unidades monetárias
(quando for o caso):

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C = 100 + 0,8.Y
M = 50 + m.Y
X = 100
G = 100
I = 200
onde:
Y = produto agregado;
C = consumo agregado;
G = gastos do governo;
I = investimento agregado;
X = exportações;
M = importações; e
“m” uma constante positiva.
Considerando uma renda agregada de equilíbrio igual a 900, a
propensão marginal a importar será igual a:
a) 0,15
b) 0,50
c) 0,20
d) 0,30
e) 0,25

29. (ESAF - APO/MPOG – 2002) Com relação ao multiplicador


keynesiano, é correto afirmar que:
a) se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a
poupar, o seu valor será igual a um.
b) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a
poupar, pode ser menor do que um e só é válido para os gastos do
governo.
c) numa economia aberta seu valor depende da propensão marginal a
consumir e importar, pode ser negativo e vale apenas para os gastos do
governo e exportações autônomas.
d) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a
poupar, não pode ser menor do que um e vale para qualquer componente
dos denominados gastos autônomos agregados.
e) seu valor para uma economia fechada é necessariamente menor do
que para uma economia aberta.

30. (ESAF - AFRFB – 2003) Considere as seguintes informações


para uma economia fechada e com governo:
Y = 1200
C = 100 + 0,7.Y
I = 200
onde:
Y = produto agregado;
C = consumo agregado; e
I = investimento agregado.

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Com base nestas informações, pode-se afirmar que, considerando


o modelo keynesiano simplificado, para que a autoridade
econômica consiga um aumento de 10% no produto agregado, os
gastos do governo terão que sofrer um aumento de:
a) 60%
b) 30%
c) 20%
d) 10%
e) 8%

31. (FGV - Economista Jr. – POTIGÁS - 2006) - Uma economia,


num determinado período, registra propensão marginal a
consumir de 80% e acréscimo de $ 12.000 no investimento. Pode-
se concluir que o acréscimo na renda de equilíbrio corresponde a:
a) $ 15.000.
b) $ 18.000.
c) $ 24.000.
d) $ 60.000.
e) $ 72.000.

32. (FGV - Consultor de Orçamentos - Senado Federal - 2008) -


Assinale a afirmativa incorreta.
a) Para um dado nível de renda, se um aumento nos gastos do governo
não for acompanhado por um aumento de impostos e o governo financie
seu gasto emitindo títulos, o resultado é uma queda na taxa de juros.
b) A emissão de moeda como meio de aumentar a receita do governo
corresponde à imposição de um imposto inflacionário.
c) Em um modelo keynesiano simples com economia fechada,
considerando Y como o nível de renda da economia e G como o volume de
gastos do governo, a expressão Y/ G é chamada de multiplicador dos
gastos do governo e é tal que Y/ G>1.
d) Quanto menor a propensão marginal a consumir dos consumidores,
menor o valor do multiplicador dos gastos do governo.
e) O valor do multiplicador dos gastos do governo e do multiplicador da
tributação dependem das mesmas variáveis.

GABARITO
01 C 02 D 03 A 04 B 05 C 06 B 07 E
08 E 09 C 10 D 11 A 12 D 13 A 14 A
15 B 16 C 17 C 18 E 19 D 20 E 21 B
22 C 23 A 24 D 25 E 26 E 27 C 28 D
29 D 30 A 31 D 32 A

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