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Analista

Economia

Carlos Decotelli
Economia

Professor Carlos Decotelli

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EDITAL

MACROECONOMIA: Contas nacionais; agregados monetários, criação e destruição de moeda


e multiplicador monetário; balanço de pagamentos. Principais modelos macroeconômicos:
modelo clássico, modelo keynesiano, política anticíclica de curto prazo. A economia no longo
prazo: produto potencial e produto efetivo. Crescimento econômico. Poupança, investimento
e o papel do sistema financeiro. Objetivos e instrumentos de política monetária, regime de
metas para a inflação. Política fiscal e seus instrumentos. Modelos de determinação da renda
em economias fechada e aberta. Regimes cambiais e taxa de câmbio de equilíbrio. Termos de
troca. Curva de Phillips, expectativas racionais e inflação.

BANCA: Cespe
CARGO: Analista

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SUMÁRIO

MACROECONOMIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2. Ratings . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3. Setor Externo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
4. Setor Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
5. Moeda, Banco Central e Política Monetária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
6. Política Macroeconômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
7. A Demanda Agregada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Estudos de Casos Práticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

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Referências

VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval; GREMAUD, Amaury Patrick; TONETO JUNIOR,


Rudinei. Economia Micro e Macro. 6ª. Edição: Atlas, 2015.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 8ª.Edição: LTC, 2014.
______. Introdução à Economia. 6ª.Edição: CENGAGE, 2013.

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Economia

MACROECONOMIA

1. INTRODUÇÃO

Inicialmente, introduziremos os principais conceitos macroeconômicos que são utilizados para


mensurar a economia. Variáveis macroeconômicas são assim chamadas por descreverem o
comportamento de agregados econômicos, tais como produção agregada, consumo agregado,
nível geral de preços, etc.

1.1 Renda nacional, preços e juros


PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) e PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB)
O Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia mede o valor total da produção final de bens
e serviços dessa economia durante um dado período de tempo. Consideremos duas firmas,
uma que produz aviões e outra que vende cursos de língua estrangeira. Seja a produção anual
dessas duas firmas, respectivamente, 2 bilhões de reais e 200 mil reais. Se houvesse somente
essas duas firmas em uma dada economia, o PIB total da economia nesse ano seria igual a 2,2
bilhões de reais.
Podemos, então, definir o PIB de uma economia da maneira que é usual na contabilidade
nacional, como abaixo, quando incluímos, também, uma comparação do PIB com o Produto
Nacional Bruto (PNB). A Contabilidade Nacional estabelece um conjunto de regras para que
possamos mensurar variáveis macroeconômicas.
PIB: é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em dado
período de tempo.
“PIB é o valor de mercado ...”. O PIB soma vários tipos diferentes de bens em uma única medida
de valor da atividade econômica. São usados preços de mercado. Como os preços de mercado
medem o que as pessoas estão dispostas a pagar por diferentes bens, eles refletem o valor
desses bens. Se o preço da maçã é o dobro do da banana, a contribuição da maçã para o PIB é o
dobro da contribuição da banana.
“...De todos...”. O PIB mede o valor de mercado da maçã, da banana e também do corte de
cabelo, dos livros, dos serviços de saúde, dos automóveis, etc. Com relação ao valor dos serviços
de moradia proporcionados por imóveis, quando as moradias são ocupadas pelos proprietários,
o governo estima um valor de aluguel e o considera no cálculo do PIB.

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Por outro lado, alguns produtos são excluídos do cálculo do PIB, como, por exemplo, drogas
ilegais. Também, os bens produzidos e consumidos domesticamente não entram no PIB, como,
por exemplo, verduras plantadas na horta doméstica.
Uma situação que produziria uma queda do PIB seria o casamento de um patrão com sua
empregada, já que o serviço da empregada não estaria mais sendo vendido no mercado.
“...Os bens e os serviços...”. O PIB inclui tanto bens tangíveis, automóveis, comida, etc., quanto
serviços intangíveis, como corte de cabelo, visitas médicas, etc. Quando você paga para assistir
a um show de música, você está comprando um serviço e o preço do ingresso também entra no
PIB.
“...Finais...”. O PIB só inclui o valor final dos bens. O motivo é que o valor dos bens intermediários
já está incluído no preço dos bens finais.
Uma exceção importante a esse princípio ocorre quando um bem intermediário é produzido e,
em lugar de ser utilizado, é adicionado aos estoques da empresa para ser utilizado ou vendido
posteriormente. Nesse caso, o bem intermediário é considerado “final” momentaneamente
e seu valor, como investimento em estoque, é adicionado ao PIB. Quando o estoque, o bem
intermediário é, mais tarde, usado ou vendido, o investimento da empresa em estoque é
negativo e o PIB do período posterior é reduzido de acordo.
“...Produzidos...”. O PIB inclui bens e serviços produzidos no presente. Não inclui transações
envolvendo itens produzidos no passado. Quando a GM produz e vende um carro novo, o valor
do carro é incluído no PIB. Quando uma pessoa vende um carro usado para outra pessoa, o
valor do carro usado não é incluído no PIB.
“...Em um país...”. O PIB mede o valor da produção gerada dentro dos limites de um país.
Quando um cidadão americano trabalha temporariamente no Brasil, sua produção é parte
do PIB do Brasil. Quando um cidadão brasileiro é proprietário de uma fábrica na França, a
produção de sua fábrica não faz parte dos PIB do Brasil (é parte do PIB francês). Portanto, bens
e serviços são incluídos no PIB de uma nação quando são produzidos internamente, sem levar
em consideração a nacionalidade do produtor.
Outro indicador, denominado Produto Nacional Bruto (PNB), usa uma abordagem diferente
para tratar dos bens e serviços produzidos por estrangeiros. O PNB é o valor da produção
dos residentes permanentes de uma nação. Quando um cidadão americano trabalha
temporariamente no Brasil, sua produção não faz parte do PNB brasileiro (é parte do PNB dos
Estados Unidos). Quando um cidadão brasileiro é proprietário de uma fábrica na França, o lucro
obtido com a produção daquela fábrica é parte do PNB brasileiro. Portanto, a renda é incluída
no PNB de uma nação se é obtida por um residente permanente dessa nação (denominado
nacional) sem levar em conta onde foi gerado.
“...Em dado período de tempo...”. O PIB mede o valor da produção, geralmente, de um
ano ou de um trimestre. O PIB mede o fluxo de renda ou a despesa da economia durante
esse intervalo. Quando o governo comunica o PIB trimestral, em geral, ele anuncia o PIB
“anualizado”. Isso significa que o número do PIB trimestral é o valor da renda e da despesa
no trimestre multiplicado por quatro. O governo emprega essa convenção para facilitar a
comparação entre os dados anuais e trimestrais.

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1.2 Renda e despesa da economia


O PIB mede duas coisas simultaneamente: a renda total gerada na economia e a despesa total
com bens e serviços produzidos na economia. A razão pela qual o PIB pode medir as duas
variáveis ao mesmo tempo é que, na verdade, essas duas coisas são iguais. Para a economia
como um todo, a renda deve ser igual à despesa, e a razão é que cada transação tem duas
partes: um comprador e um vendedor. Cada dólar de despesa de um comprador é um dólar de
renda para algum vendedor.
Podemos calcular o PIB de duas maneiras: somando a despesa total das famílias ou somando
as rendas (salários, aluguéis juros e lucros) pagos pelas empresas. Como todas as despesas da
economia acabam sendo renda de alguém, o PIB é o mesmo, independentemente de como
seja calculado.
O fluxo circular da renda, o qual está representado na figura do capítulo 5, mostra a igualdade
entre renda e despesa. Na realidade, há algumas complicações que não estão ilustradas no
fluxo circular, que são:
(i) Alguns bens e serviços são comprados pelos governos, outros bens e serviços são
comprados por empresas para uso futuro (investimento), e, ainda, outros bens e serviços
são vendidos para o exterior.
No entanto, mostraremos, adiante, que a Despesa Agregada é composta por Consumo,
Gastos do Governo, Investimentos e Exportações Líquidas (Exportações menos
Importações).
(ii) A existência de poupança por parte das famílias, ou seja, elas não gastam toda sua renda,
pois parte é usada para pagar impostos e outra parcela é poupada.
Entretanto, suporemos que a Poupança Agregada da economia é igual ao Investimento
Agregado, o que nos levará à igualdade entre Renda e Despesa. Como toda a produção
é decomposta em renda e toda a renda gera despesa, já que toda a poupança gerará
investimento, (o qual participa da despesa Agregada), teremos a igualdade entre Produto,
Renda e Despesa.
Podemos dividir a Despesa Agregada conforme a equação seguinte:
Despesa = C + I + G + (X – M),
onde,
C representa o consumo privado;
I, o Investimento
G, os Gastos do Governo;
X, as Exportações;
M, as Importações.
E, da igualdade entre Produto e Despesa, temos:
Y = C + I + G + (X – M),
com Y representando o PIB.

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1.3 Preços
Como o PIB e o PNB são medidos a preço de mercado, o nível de preços é um componente
importante da contabilidade nacional.
O PIB pode ser escrito da seguinte maneira, ao considerarmos os preços da economia:
PIBt = ∑ Pit . Qit,
onde,
Pit representa o preço do bem ou serviço final i no período t; e
Qit, a quantidade do bem ou serviço final i no período t.
Como os preços variam, o PIB pode subir, simplesmente, pelo efeito dos preços. Para contornar
essa dificuldade, iremos mensurar o PIB sem o efeito da inflação, definida como a variação do
nível geral de preços da economia. Esse PIB ajustado é chamado PIB real, em contraste com o
anterior, o PIB nominal.
Para calcular o PIB real, iremos utilizar os preços de um ano-base, conforme a seguir:
PIB*t = ∑ P*i . Qit,
onde,
P*I representa o preço dos bens e serviços finais no ano-base.

A INFLAÇÃO
Se dividirmos o PIB nominal pelo PIB real, obteremos o deflator implícito de preços do PIB:
Deflator = ∑ Pit . Qit /∑ P*i . Qit
O deflator é um índice de preços e, portanto, sua taxa de variação constituí uma maneira de
medir inflação:
∏t, defl. = PIBt,defl. – PIBt-1,defl.
PIBt-1,defl.
Outra medida de inflação é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Para definirmos o IPC,
devemos definir uma cesta de bens que supomos representativa do padrão médio de consumo
de uma economia. Então, calculamos o valor dessa cesta de bens a preços correntes. Esse valor
é comparado com o valor da cesta no ano de referência.
IPCt = 100. ∑ Pit . Qi*/∑ P*i . Qi*,
onde,
Qi* representa a quantidade do bem ou serviço final I na cesta representativa; e
Pi*, o preço do bem ou serviço final quando a cesta representativa foi criada.
O IPC apresenta problemas, por ser um índice de preço com pesos fixos, pois sabemos que
a cesta que representa os bens e os serviços finais em uma economia muda com o tempo, à
medida que novos produtos são criados.

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A inflação com base no IPC seria dada por:


∏t, cpi. = CPIt – CPIt-1
CPIt-1

Salário Real e Salário Nominal


Podemos obter o salário real dividindo o salário nominal por um índice de inflação, por exemplo,
a variação do IPC:
Wt+1 = Wt/(Pt+1/Pt) = Wt. Pt/Pt+1,
onde,
Wt representa o salário nominal;
Pt e Pt+1, respectivamente os índices de preços em t e t+1.

1.4 Taxas de juros


Taxas de juros também são expressas como nominais ou reais.
Se investirmos uma unidade monetária à taxa de juros i, suponhamos, por um ano, obteremos,
ao final da aplicação, (1+i) unidades monetárias, as quais poderão não adquirir mais bens do
que poderíamos com uma unidade monetária no início da aplicação, mas poderão, também,
adquirir a mesma quantidade de bens do que no início da aplicação, ou, até mesmo, menos
bens. O que vai definir a quantidade de bens que poderão ser adquiridos será a variação do
índice de preços no período da aplicação. A taxa de juros nominal corrigida pela inflação que
vai definir a quantidade de bens é chamada de taxa real de juros.
(1 + r) = (1 + i)/(Pt+1/Pt),
onde,
i representa a taxa nominal de juros; e
r, a taxa real de juros.
Considerando que
Pt+1/Pt = (1 + ∏t)
temos,
(1 + rt) (1 + ∏t) = (1 + it)
e, usando logaritmos, chegaríamos a:
rt + ∏t = it,
ou, ainda, a:
rt = it – ∏t

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Essa é conhecida como a equação de Fisher, a qual nos diz que a taxa real de juros pode ser
dada pela diferença entre a taxa nominal de juros e a taxa de inflação. A taxa real de juros é um
valor esperado, pois a inflação só será conhecida ao final do período. Assim, o cálculo da taxa
real de juros efetiva só é possível ex-post.

2. RATINGS

Este capítulo apresenta o conceito ratings, que significa risco de crédito, tanto a nível de país
como de empresas. Durante a conceituação, procura-se situar o Brasil, relativamente, a
outros países, ao longo dos últimos anos.

RATING (CLASSIFICAÇÃO DE RISCO)


Agências privadas e independentes, em mercados maduros como o norte-americano,
classificam o grau de risco de crédito de países e de empresas. É um guia importantíssimo para
os investidores que desejam adquirir obrigações como títulos de dívida emitidos por países
e por empresas. Quanto maior o risco, menor o rating e mais alto o custo de emissões de
dívida.

Ratings de Empresas x Ratings Soberanos


Até pouco tempo atrás, os ratings atribuídos a empresas tinham que estar limitados por um
teto máximo, dado pelo risco soberano do país ao qual a empresa pertencia. Em 1997, algumas
empresas de ratings passaram a permitir que certas empresas pudessem ultrapassar o rating
do país ao qual elas pertenciam. Esse é o caso, por exemplo, da YPF, empresa de petróleo da
Argentina.
A seguir, apresentamos uma tabela com todas as faixas de ratings possíveis: o menor risco
é o AAA. O grupo de ratings AAA até BBB- forma o conjunto de países ou empresas que
possuem grau de investimento. Isso significa que esses países ou empresas apresentam baixo
risco de inadimplência (default). Os dois grupos restantes não são classificados como grau de
investimento, sendo chamados de non-investment grade. O segundo grupo apresenta risco
mais elevado do que o do grupo superior, apresentando baixa credibilidade, enquanto que o
terceiro grupo apresenta risco muito elevado, ou já está inadimplente.

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SUMMARY OF CORPORATE BOND RATING SYSTEMS AND SYMBOLS


Moody’s S&P Fitch D&P Brief Definition
Investment Grade: High Creditworthiness
Aaa AAA AAA AAA Gift edge, prime, maximum
safety
Aa1 AA+ AA+ AA+
Aa2 AA AA AA Very high grade, high quality
Aa3 AA- AA- AA-
A1 A+ A+ A+
A2 A A A Upper medium grade
A3 A- A- A-
Baa1 BBB+ BBB+ BBB+
Baa2 BBB BBB BBB Lower medium grade
Baa3 BBB- BBB- BBB-

Non- Investment Grade: Distinctly Speculative – Low Creditworthiness


Ba1 BB+ BB+ BB+
Ba2 BB BB BB Low grade
Ba3 BB- BB- BB-
B1 B+ B+
B2 B B B Highly speculative
B3 B- B-

Non- Investment Grade: Predominantly Speculative – Substantial Risk or in Default


CCC+
Caa CCC CCC CCC Substantial Risk,
CCC- in poor standing
Ca CC CC May be in default,
Extremely speculative
C C C Even more speculative than
those above
CI CI = Income bonds; no interest
is being paid
DDD Default
DD DD
D D

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Ratings
Distribuição geográfica
América Central e do Sul Europa do Leste Ásia
Rating Rating Rating
País País País
Moody’s S&P Moody’s S&P Moody’s S&P
Chile Baa1 A- Chipre A2 A+ Japão Aa1 AAA
El Salvador Baa3 BB+ Eslovênia A3 A Cingapura Aa1 AAA
Uruguai Baa3 BBB- Estônia Baa1 BBB+ Austrália Aa2 AA+
Nova
Costa Rica Ba1 BB Hungria Baa1 BBB Aa2 AA+
Zelândia
Panamá Ba1 BB+ Polônia Baa1 BBB Taiwan Aa3 AA+
República
Belize Ba2 NR Baa1 A- China A3 BBB
Tcheca
Hong
Colômbia Ba2 BB+ Letônia Baa2 BBB A3 A
Kong
Guatemala Ba2 - Croácia Baa3 BBB- Macau Baa1
Coréia do
Jamaica Ba3 - Eslováquia Ba1 BB+ Baa3 BBB-
Sul
Peru Ba3 BB Lituânia Ba1 BBB- Malásia Baa3 BBB-
Argentina B1 BB Turquia B1 B Fiji Ba 1
Bolívia B1 BB- Bulgária B2 B Filipinas Ba 1 BB+
Brasil B2 B+ Moldávia B2 - Tailândia Ba 1 BBB-
Papua
Honduras B2 - Romênia B3 B- B1 B+
Nova G.
Nicarágua B2 - Rússia B3 SD Vietnã B1 -
Paraguai B2 B Ucrânia B3 - Indonésia B3 CCC+
Venezuela B2 B+
Equador Caa3 -

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Melhores e piores notas


Histórico Moody’s S&P
O melhor – máxima qualidade Aaa AAA
Alto nível – excelente qualidade Aa1 A+
Aa2 AA
Aa3 AA-
Investimento
Risco acima da média A1 A+
De baixo risco
A2 A
(“Investment grade”)
A3 A-
Risco abaixo da média Baa1 BBB+
Baa2 BBB
Baa3 BBB-
Investimento especulativo Ba1 BB+
Ba2 BB
Ba3 BB-
Investimento muito especulativo B1 B+
B2 B
Investimento B3 B-
Especulativo Risco elevado Caa1 CCC+
Classificações ruins Caa2 CCC
Caa3 CCC-
Ca CC
Possível inadimplência C C
Inadimplência D

Economia x Rating
Déf. ou Sup. Trans. Corr./
País Rating País Rating
Público/PIB (%) PIB(%)
Chile 0,2 BAA1 Indonésia 6,1 B3
Vietnã -1,1 B1 Turquia 0,4 B1
Peru -1,5 Ba3 Venezuela -0,9 B2
Argentina -1,6 B1 Uruguai -2,5 Baa3
Uruguai -2,1 Baa3 Paraguai -3,3 B2
Paraguai -3,0 B2 Argentina -4,1 B1
Bolívia -4,0 B1 Vietnã -4,1 B1
Indonésia -7,0 B3 Brasil -4,3 B2
Turquia -8,0 B1 Peru -4,9 Ba3
Nicarágua -8,0 B2 Chile -5,2 Baa1
Venezuela -8,0 B2 Bolívia -7,2 B1
Brasil -10,5 B2 Nicarágua -50,0 B2

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Dív. externa/
País Dív. Ext./PIB (%) Rating País Rating
Exp. (%)
Venezuela 27,3 B2 Vietnã 85,5 B1
Paraguai 33,5 B2 Paraguai 94,3 B2
Chile 38,6 Baa1 Turquia 136,8 B1
Brasil 39,8 B2 Chile 144,7 Baa1
Turquia 43,1 B1 Venezuela 156,7 B2
Vietnã 45,0 B1 Indonésia 212,0 B3
Argentina 52,1 B1 Peru 327,1 Ba3
Peru 53,1 Ba3 Bolívia 333,8 B1
Bolívia 63,8 B1 Brasil 358,0 B2
Uruguai 67,4 Baa3 Uruguai 360,1 Baa3
Indonésia 98,7 B3 Argentina 489,6 B1
Nicarágua 295,0 B2 Nicarágua 674,0 B2

3. SETOR EXTERNO

Iniciaremos o estudo do setor externo, observando diversas diferenças na estrutura economia


aberta quando comparada a uma economia fechada. A oferta agregada do país, por exemplo,
deixa de ser composta apenas por produtos feitos internamente, e passa a contar com bens
e serviços elaborados no exterior. A demanda por produtos domésticos deixa de ser feita
apenas por residentes, passando a ser feita, também, por não residentes. A dotação de
recursos/fatores de produção nacionais deixa de ser um entrave fixo à expansão do produto,
pois se pode contar com serviços de fatores estrangeiros (capital, trabalho, etc.) para ampliar
a produção. A poupança interna deixa de ser a única fonte para financiar o investimento, pois
o país pode recorrer à poupança externa, assim como a poupança interna não precisa mais,
necessariamente, ser aplicada no país, podendo ser investida no exterior. Esse conjunto de
transações gera uma série de fluxos de bens e serviços e fluxos monetários e de capitais entre
os países que afetam o seu desempenho econômico.

O BALANÇO DE PAGAMENTOS
O Balanço de Pagamentos de uma nação busca registrar esse conjunto de transações do país
com o resto do mundo.
<O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que
esse país faz com o resto do mundo, durante certo período. A partir desse balanço, pode-se
avaliar a situação econômica internacional do país.>

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A CONTA DO QUE ENTRA E SAI DO PAÍS


O Balanço de Pagamentos reflete as operações realizadas entre o país e o exterior. Nele, há
duas contas principais: a de transações correntes e a conta de capital. A primeira engloba a
balança comercial e a de serviços, que inclui pagamento de juros, viagens internacionais, gastos
com transportes, seguros e remessa de lucros e dividendos ao exterior.
Até o Real, o país apresentou seguidos superávits comerciais. Era possível pagar boa parte da
conta de serviços cujo maior peso é o gasto com juros da dívida externa. Com o Real e a abertura
da economia, passou a ter constantes e crescentes déficits comerciais, o que desequilibrou a
conta de transações correntes.
Para cobrir o buraco, o Governo dispõe da conta de capital (Investimentos Diretos, aplicações em
bolsa de valores, emissão de títulos no exterior e empréstimos), na qual entram, ainda, dólares
enviados ao exterior como pagamento dos empréstimos externos do Governo e de empresas
privadas. Quando a conta de capital cobre a despesa com comércio e serviços, há superávit no
balanço de pagamentos e sobra dinheiro que vai reforçar as reservas internacionais.

ESTRUTURA GERAL DO BALANÇO DE PAGAMENTOS

I. BALANÇO COMERCIAL – (BC)


Exportações (FOB)
Importações (FOB)

II. BALANÇO DE SERVIÇOS – (BS)


Viagens Internacionais
Transporte
Seguros
⎡ Lucros e Dividendos

Rendas de Capital ⎢ Lucros Reinvestidos

⎢⎣ Juros

Serviços Governamentais
⎡ Relativos a Fatores de Produção
Serviços Diversos ⎢
⎢ Não Relativos a Fatores de Produção

III. TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (DONATIVOS) (TU)

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IV. SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS EM CONTA-CORRENTE
(I + II + III) = (TC)

V. MOVIMENTO DE CAPITAIS AUTÔNOMOS (KA)


Investimentos Diretos
Reinvestimentos (Contrapartida dos Lucros Reinvestidos)
Empréstimos e Financiamentos
Amortizações
Capitais a Curto Prazo
Outros Capitais

VI. ERROS E OMISSÕES

VII. SALDO TOTAL DO BALANÇO DE PAGAMENTOS


(IV + V + VI) = (BP)

VIII. MOVIMENTO DE CAPITAIS COMPENSATÓRIOS (KC) = (-VII)


(a) Contas de Caixa (Reservas)
(i) Haveres de Curto Prazo no Exterior
(ii) Ouro Monetário
(iii) Direitos Especiais de Saque
(iv) Posição de Reservas no Fundo
(b) Empréstimos de Regularização (empréstimos junto ao FMI para regularização do
Balanço de Pagamentos)
(c) Atrasados Comerciais

Do exposto acima, o Saldo da Balança de Transações Correntes inclui a Balança Comercial, a


Balança de Serviços e as Transferências Unilaterais.
Na Balança Comercial, temos as exportações e as importações de bens, ambas a nível FOB
(free on board), não contabilizando, portanto, o frete nem os seguros, que, por serem serviços,
aparecem na Balança de Serviços.

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Os principais fatores a determinar o saldo da balança comercial são o nível de renda da


economia e do resto do mundo, a taxa de câmbio e os termos de troca.

(i) quanto maior a renda do país, maior será a demanda por produtos importados; logo, piora
ao saldo da balança comercial;
(ii) quanto maior a renda do resto do mundo, maior será a demanda por produtos do país,
melhorando o saldo da balança comercial;
(iii) quanto mais desvalorizada a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras, maior
será a competitividade dos produtos nacionais e, portanto, maior será o estímulo às
exportações e o desestímulo às importações;
(iv) quanto melhores os termos de troca, isto é, quanto mais caros forem os produtos que
exportamos em relação aos produtos que importamos, melhor será o saldo da balança
comercial.

Na Balança de Serviços, temos os transportes, os seguros, as viagens internacionais e


turismo, os gastos governamentais com representação diplomática no exterior, e as rendas
de capital, que incluem, além dos juros pagos (ou recebidos do exterior) por empréstimos ou
financiamentos recebidos (ou concedidos) por não residentes em um momento anterior, os
lucros remetidos para o exterior por empresas estrangeiras menos os lucros remetidos para o
país por empresas nacionais atuando no exterior. Os juros representam o serviço do capital de
empréstimo, e os lucros, os serviços do capital de risco (investimento direto). Ainda na balança
de serviços, apresentam-se recebimentos e pagamentos referentes a royalties, patentes,
assistência técnica, aluguel de equipamentos, filmes, comissões, etc.
O terceiro item da Balança de Transações Correntes é chamado Transferências Unilaterais e
refere-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: (i) as remessas feitas por
residentes trabalhando no exterior para suas famílias no país de origem; (ii) as doações feitas
por um governo para outro; e (iii) reparações de guerra.
Conforme pode ser observado na estrutura do balanço de pagamentos, após a balança de
transações correntes, temos a conta de Capitais Autônomos, na qual estão:

(i) Os investimentos diretos, que constituem o capital de risco estrangeiro aplicado na


expansão da produção (por exemplo, uma nova fábrica de capital estrangeiro para ampliar
a produção de automóveis) ou em novas aquisições de direitos de propriedade, como a
compra de empresas nacionais privatizadas por investidores estrangeiros;
(ii) Os investimentos em portfólio, ou compra de ações no mercado nacional por estrangeiros,
sem o objetivo de controlar a empresa;
(iii) Os empréstimos e os financiamentos de longo e médio prazo, caracterizados pelos
empréstimos bancários internacionais e pelas emissões de títulos de dívidas no exterior
(por exemplos, de Eurobônus);
(iv) As amortizações: pagamentos do principal referente a empréstimos e financiamentos
tomados no exterior menos o recebimento do principal de empréstimos feitos pelo país de
origem a não residentes;

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(v) Os empréstimos de curto prazo: empréstimos de até um ano recebidos do exterior menos
os concedidos ao exterior;
(vi) Outros.

<A principal variável que explica o movimento de capitais entre países é a diferença das taxas
de juros dos diversos países, embora essa variável não explique os fluxos de investimentos
diretos.>
O saldo do Balanço de Pagamentos, por definição, é dado pela soma do saldo das Transações
Correntes com o saldo dos Capitais Autônomos. Se essa soma é positiva, esse saldo positivo irá
aumentar as reservas internacionais do país; se negativo, as reservas serão reduzidas, ou o país
estará recorrendo a empréstimos junto ao FMI. Em casos mais extremos, o país poderá recorrer
à inadimplência, alternativa que irá aumentar o risco de crédito do país e, por conseguinte,
elevará seus custos de captações externas futuras.
O Capital Compensatório é aquele utilizado para fechar o saldo do Balanço de Pagamentos e é
composto das Reservas Internacionais, dos empréstimos levantados junto ao Fundo Monetário
Internacional (FMI) para regularizar déficits no Balanço de Pagamentos e dos Atrasados
Comerciais, que constituem inadimplência.
As reservas representam a conta de caixa. As reservas são compostas por dólares, marcos, ienes
japoneses e outras moedas de aceitação internacional, e de títulos de aceitação internacional.
Ouro monetário também compõe as reservas internacionais de um país. As outras duas formas
de reservas internacionais são o Direito Especial de Saque (moeda criada pelo FMI) e a Posição
de Reservas junto ao FMI.
Então:
CONTA DE CAPITAL = (Capitais Autônomos (Ka) + Capitais Compensatórios (Kc)
Do exposto até agora, temos que

(i) O Saldo em Transações Correntes (TC) é dado por


TC = BC + BS + TU

(ii)  Saldo das Contas de Capitais, que é a soma dos capitais Autônomos e
O
Compensatórios, é dado, portanto, por:
K = (Ka + Kc)
Devido ao uso do princípio das Partidas Dobradas, em que a cada débito corresponde a um
crédito, a soma total dos lançamentos nas contas corrente e de capitais deve ser nula. Daí,
temos:
TC = -K = – (Ka + Kc)
ou,
TC + Ka = – Kc

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Conclui-se que:

(i) Se TC + Ka < 0 ==> Kc > 0, isto é, se a soma dos saldos em TC e Ka for negativa, o saldo
do Balanço de Pagamentos será negativo e haverá queda das reservas internacionais,
o que significa KC > 0, pois, como na contabilidade, saída de caixa gera um crédito, ao
passo que:

(ii) Se o Saldo do Balanço de Pagamentos for positivo, ou seja, se: TC + Ka > 0, teremos que
KC < 0, isto é, haverá aumento de reservas e o lançamento contábil será de débito (KC <
0).
==> No final de 1996 e início de 1997, algumas características importantes do setor externo
brasileiro eram ressaltadas:

DÍVIDA EXTERNA LÍQUIDA E PASSIVO EXTERNO LÍQUIDO


Dois importantes indicadores da dependência do setor externo de um país são a Dívida Externa
Líquida (das Reservas Externas) e o Passivo Externo Líquido, que engloba a Dívida Externa e
mais o Estoque de Capitais de Risco (Investimentos Estrangeiros) Investidos no país.
Assim, temos:

DÍVIDA EXTERNA LÍQUIDA (DEL)


DEL =
Saldo devedor dos empréstimos contraídos pelo país no exterior
- Saldo credor dos empréstimos concedidos pelo país ao exterior
+ Saldos das obrigações a curto prazo do país com o exterior
- Saldo das reservas internacionais (haveres líquidos no exterior, ouro monetário, direitos
especiais de saque e posição de reservas no Fundo)

PASSIVO EXTERNO LÍQUIDO (PEL)


PEL =
Saldo devedor dos empréstimos contraídos pelo país no exterior
- Saldo credor dos empréstimos concedidos pelo país ao exterior
+ Estoque de capitais estrangeiros de risco investidos no país
- Estoque de capitais nacionais de risco investidos no exterior
+ Saldos das obrigações a curto prazo do país com o exterior
- Saldo das reservas internacionais (haveres líquidos no exterior, ouro monetário, direitos
especiais de saque e posição de reservas no Fundo)

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Observações: Empréstimos e Financiamentos Externos na conta de Capitais Autônomos
geram novas dívidas externas, que gerarão pagamentos futuros de juros e que deverão ser
amortizadas, também, no futuro. Em contraste com os Empréstimos e Financiamentos Externos,
os Investimentos Diretos, capitais de risco aplicados no país (Brasil, no caso), não gerarão dívida
externa, nem pagamento de juros, porém gerarão remessa futura de lucros para os países de
origem (que investiram no Brasil) se, porventura, auferirem lucros em suas atividades no Brasil.
Os Investimentos Diretos aumentam o estoque de capital de risco no Brasil e, portanto,
aumentarão o Passivo Externo Líquido. Esses Investimentos Diretos poderão permanecer
décadas e décadas no Brasil em diversas atividades produtivas e somente gerar remessas de
lucros.
Passaremos, agora, a discutir o conceito de taxa de câmbio.

TAXA NOMINAL E TAXA REAL DE CÂMBIO


Os economistas distinguem entre duas taxas de câmbio: a nominal e a real. Vejamos cada uma
delas em separado para, depois, estabelecer as relações entre ambas.
(i) A taxa nominal de câmbio. É o preço relativo das moedas de dois países. Se, por exemplo, a
taxa de câmbio entre o dólar norte-americano e o iene japonês é de 120 ienes por dólar, você
pode trocar um dólar por 120 ienes nos mercados mundiais de câmbio. Um japonês que queira
obter dólares terá de pagar 120 ienes para comprar um dólar. Um americano que necessite
ienes obterá 120 ienes em troca de um dólar. Quando as pessoas falam da “taxa de câmbio”,
em geral, estão falando da taxa de câmbio nominal.
(ii) A taxa de câmbio real. É o preço relativo dos bens em dois países. Isto é, a taxa de câmbio
real nos diz a que taxa são trocados os bens de um país pelos bens de outro país. A taxa de
câmbio real é, às vezes, também chamada de termos de troca.
Para entender a relação entre taxa de câmbio real e nominal, vejamos um determinado bem
produzido em muitos países: automóveis. Suponha que um carro norte-americano custe US$
10.000 e um carro japonês similar custe 2.400.000 ienes. Para comparar os preços dos dois
carros, temos que converter esses preços para uma moeda comum. Se um dólar vale 120 ienes,
o carro norte-americano custa 1.200.000 ienes. Portanto, comparando o preço do carro norte-
americano (1.200.000 ienes) e do carro japonês (2.400.000 ienes), concluímos que o carro
norte-americano custa metade do preço de um carro japonês. Em outras palavras, aos preços
correntes, podemos trocar dois carros norte-americanos por um carro japonês.
O exemplo de carro mostra que a taxa de câmbio real – os preços relativos de dois países –
depende da taxa de câmbio nominal e dos preços dos bens, medidos na moeda nacional.
Podemos sintetizar os cálculos feitos como se segue:

Taxa de Câmbio Real


= (120 ienes/dólar) x (10.000 dólares/Carro norte-americano) = 0,5 Carro japonês
(2.400.000 ienes/Carro japonês) Carro norte-americano

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A taxa à qual trocamos bens nacionais e estrangeiros depende dos preços dos bens em termos
das moedas locais e da taxa à qual essas moedas são trocadas.
Esse cálculo para a taxa de câmbio real para um único bem sugere a maneira pela qual
poderíamos definir a taxa de câmbio real para uma cesta de bens mais ampla. Denotemos por E
a taxa de câmbio nominal (a quantidade de ienes por dólar). P* será o nível de preços nos EUA
(medido em dólares) e P, o nível de preços no Japão (medidos em ienes). Então, a taxa de
câmbio real ∈ será:
Taxa de Taxa de Razão de
Câmbio = Câmbio x Níveis de
Real Nominal Preço
∈ = E x (P*/ P)
Considerando a taxa real de câmbio no Brasil, teríamos:
ε, a taxa de câmbio real;
E, a taxa de câmbio nominal, dada, por exemplo, em reais/dólar (R$/$);
P*, o índice de preços no país estrangeiro, EUA, por exemplo; e
P, o índice de preços domésticos, Brasil, por exemplo.
Vejamos um exemplo, considerando a moeda brasileira com somente um bem sendo
comparado e não uma cesta de bens.
Considere um carro norte-americano com preço US$ 10.000,00 e o mesmo carro no Brasil
vendido a R$ 20.000,00. Se a taxa nominal de câmbio for 1,0 R$/US$, a taxa real de câmbio será
0,5:
ε = 0,5 = 1,0 R$/US$ * US$10.000,00
R$ 20.000,00
ou seja, um carro brasileiro é duas vezes mais caro do que o carro norte-americano, ou duas
vezes menos competitivo.
Se a taxa nominal de câmbio for desvalorizada em 100 %, teremos, como nova taxa real de
câmbio, o valor 1,0, refletindo a nova taxa de troca de bens, igual a 1. Diz-se que ambas as
taxas, nominal e real, de câmbio foram desvalorizadas. Se a taxa nominal voltasse para 0,50 R$/
US$, diríamos que as taxas nominal e real de câmbio foram valorizadas.
Associa-se à ideia de ganhar competitividade a desvalorização da taxa real de câmbio, e
perder competitividade à valorização da taxa real de câmbio.
Observa-se que mudanças na taxa nominal de câmbio podem ser parcialmente, totalmente
ou mais do que compensadas por variações nos índices de preços. Assim, ganho e perda de
competitividade estão associados a mudanças na taxa real de câmbio e não na taxa nominal.

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Exemplo: Taxa de Câmbio iene/dólar

1985 1995
250¥ /$ 90¥/$

Seja a relação inflação nos EUA/inflação no Japão, (1+ π) EUA , dada por = 1,2.
(1+ π) Japão
∈ E /E 90
Então: 2 = 2 1 = = * 1,2 = 0,36* 1,2 = 0,43,
∈1 1 /1,2 250
ou seja, a competitividade japonesa cairia para menos da metade do que era em 1985.
Voltaremos, agora, nossa atenção para a taxa de câmbio nominal – a taxa à qual são trocadas as
moedas de dois países. Relembrando a relação entre as taxas de câmbio real e nominal:

Taxa de Taxa de Razão de


câmbio = Câmbio x Níveis de
real Nominal Preço
∈ = E x (P*/P)

Podemos escrever a taxa de câmbio nominal como:


E = ∈ x (P/P*)

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Essa equação mostra os determinantes da taxa de câmbio nominal: a taxa de câmbio real e os
níveis de preços nos dois países. Se o nível de preços interno, P, aumenta, a taxa de câmbio
nominal, E, cairá: com o dólar valendo menos, o dólar comprará menos ienes. Por outro lado,
se os preços japoneses, P*, aumentam, a taxa de câmbio nominal aumentará: o iene valendo
menos, o dólar comprará mais ienes.
É esclarecedor considerar a evolução da taxa de câmbio ao longo do tempo. A equação da taxa
de câmbio pode ser escrita como:

Variação = variação + variação – variação


% de E % de ∈ % de P % de P*

A variação percentual de ∈ é a variação percentual da taxa de câmbio real e a de P é a taxa de


inflação, π, P*e π* são o nível de preços e a taxa de inflação dos EUA. Logo, a variação percentual
na taxa de câmbio nominal é:

variação percentual = variação percentual + diferença de


da taxa de Câmbio Nominal da taxa de Câmbio Real taxas de inflação
Variação % de E = variação % de ∈ + (π – π*)

Essa equação diz que a variação na taxa de câmbio nominal entre dois países é igual à variação
da taxa de câmbio real mais a diferença entre suas taxas de inflação. Se um país tem uma taxa
de inflação alta em relação aos EUA, o dólar comprará quantidades cada vez maiores dessa
moeda. Se um país tem uma taxa de inflação reduzida em relação aos EUA, o dólar comprará
quantidades cada vez menores dessa moeda.
A análise mostra a influência da política monetária sobre a taxa de câmbio nominal. Sabemos que
o crescimento acelerado da oferta de moeda induz à alta da inflação. Uma das consequências
da inflação elevada é a depreciação da moeda: π alto implica E em queda. Em outras palavras:
assim como o aumento na quantidade de moeda eleva os preços monetários dos bens, também
aumenta o preço da moeda estrangeira medida em termos da moeda nacional.

O Caso Especial da Paridade do Poder de Compras


Um princípio básico da economia é a lei do preço único, a qual diz que um mesmo bem não pode
ser vendido por preços diferentes em diferentes locais ao mesmo tempo. Se uma tonelada de
trigo for mais barata em Nova Iorque do que em Chicago, será mais lucrativo comprar trigo em
Nova Iorque e vendê-lo em Chicago (operação conhecida como arbitragem). Sempre dispostos
a tirar vantagem de tais oportunidades, negociantes aumentariam a demanda de trigo em Nova
Iorque e aumentariam a oferta em Chicago. Isso aumentaria o preço registrado em Nova Iorque
e o reduziria e Chicago, assegurando, assim, que os preços se igualassem nos dois mercados.
A lei do preço único, aplicada ao mercado internacional, é chamada paridade do poder de
compra. Se for possível fazer arbitragem internacional, então, um dólar (ou qualquer outra
moeda) deve ter o mesmo poder de compra em todos os países. O argumento é o seguinte: se
um dólar comprar mais trigo internamente do que no exterior, haverá possibilidade de obter
lucro comprando trigo internamente e vendendo-o no exterior. Negociantes em busca de lucro

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elevariam, desse modo, o preço interno em relação às cotações externas. Da mesma forma, se
um dólar comprasse mais trigo no exterior do que nos EUA, os negociantes comprariam o trigo
no exterior e o venderiam no país, reduzindo o preço interno em relação ao vigente fora do
país. Assim, as operações de arbitragem realizadas por negociantes em busca de lucro levariam
os preços internacionais do trigo à uniformidade.
Pode-se interpretar a doutrina da paridade do poder de compra usando o modelo da taxa
de câmbio real. A rápida ação desses arbitradores significa que as exportações líquidas são
extremamente sensíveis a pequenas variações da taxa de câmbio real. Uma pequena redução
no preço interno do bem, relativamente a seu preço externo – isto é, uma diminuição mínima na
taxa de câmbio real –, leva os negociantes a comprarem bens internamente para revendê-los no
exterior. Da mesma forma, um pequeno aumento no preço interno dos bens leva-os a importar
esses bens. Portanto, qualquer pequena variação na taxa de câmbio real pode determinar uma
profunda mudança nas exportações líquidas. A extrema sensibilidade das exportações líquidas
garantiria que a taxa de câmbio real de equilíbrio esteja sempre próxima do nível que assegura
a paridade do poder de compra (igualdade de poder aquisitivo entre países).
Essa teoria da paridade do poder de compra é realista? Muitos economistas acreditam que,
apesar da lógica atraente, a paridade do poder de compra não descreve adequadamente as
situações concretas. Em primeiro lugar, muitos bens não são facilmente negociados no mercado
mundial. Por exemplo, um corte de cabelo pode ser mais caro em Tóquio do que em Nova
Iorque; contudo, a arbitragem internacional é impossível, pois não há como transportar cortes
de cabelo. Em segundo lugar, mesmo os bens que são transacionados no mercado mundial
podem não ser sempre substitutos perfeitos. Por exemplo, alguns compradores de automóveis
preferem Toyota e outros preferem Ford. Assim, o preço relativo dos Toyotas e dos Fords pode
variar em certa medida, sem permitir oportunidades de lucro. Por essas razões, as taxas de
câmbio reais variam, de fato, ao longo do tempo.
Não só os preços dos diversos bens transacionados com o exterior devem respeitar o equilíbrio
descrito acima para evitar arbitragens, as taxas de juros também se equilibram entre países que
permitem a mobilidade internacional de capital financeiro.
A esse equilíbrio dá-se o nome de paridade de juros.

PARIDADE DE JUROS E CUPOM CAMBIAL


Admitamos que os capitais financeiros possam fluir sem restrições de um país para outro. O
que é preferível: aplicá-los no país A ou no país B? Suponhamos, como na figura a seguir, que o
País A seja o Brasil e o País B, os EUA.
Tomemos um capital K em moeda internacional (isto é, o dólar do País B, os EUA). Aplicando-o
no País B, ele valerá, no fim do período de aplicação, suponhamos um ano, K (1 + i*), em moeda
internacional. Por outro lado, se o investidor decide não o aplicar nos EUA, mas transferi-lo
para o País A, o principal K deverá ser convertido na moeda local, o Real, gerando o valor em
reais E0 K, o qual, acrescido dos juros recebidos na aplicação em títulos do governo local, valerá,
no final do período, E0 K (1 + i), em moeda do país A, o Real. Esse valor em reais, ao final do
período da aplicação, gerará, em dólares, o montante (E0 /E1 ) K (1 + i).

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Definição:
Cupom cambial: o cupom cambial do País A é a remuneração em dólares no País A. Em nosso
exemplo, o cupom cambial seria representado por:
[(E0 /E1 ) (1 + i) – 1] x 100.

Em suma, a relação entre os patrimônios obtidos nas aplicações alternativas nos dois países,
ilustrada na figura a seguir, resultaria em:
(KE0 / E1) (1+i)/K (1+i*)

Se desejarmos comparar as taxas de retorno obtidas nas aplicações alternativas nos dois países,
teríamos como relação o cupom cambial no País A divido por [(1+i*) – 1 ] x 100, ou seja:
[E0 / E1 (1+i) – 1] / [(1+i*) – 1]

Paridade de juros

Conclui-se que é melhor investir no País A se o cupom cambial em A for superior a [(1+i*) – 1],
ou seja, se a taxa interna de juros em dólares no País A for superior à taxa de juros internacional,
ou seja, a (1+i*); e investir no País B no caso oposto, isto é, se o cupom cambial em A for inferior
à taxa de juros nos EUA.

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Podemos definir o critério de escolha acima de outro modo: é melhor investir no País A se a
taxa de juros em A for superior à taxa de juros dos EUA somada à desvalorização da moeda
do País A (na realidade, a soma só seria correta se trabalhássemos com logaritmos – portanto,
estamos fazendo aproximações).
A paridade de juros nos diz que os juros em uma dada moeda (em nossa análise, em dólar)
devem ser iguais nos países onde os capitais financeiros se movimentam sem restrições; em
caso contrário, haveria arbitragem (ganho positivo e sem risco). Por exemplo, um investidor
poderia tomar recursos emprestados em dólares no País B e aplicar no País A, gerando um
ganho positivo sempre que os juros em dólares em A (cupom cambial em A) fossem maiores do
que os juros em dólares no País B.
Na realidade, como estamos considerando que a taxa de juros nos EUA (País B), i*, é
representada pelo tesouro norte-americano, não haverá risco de crédito na aplicação nos EUA,
enquanto que, no Brasil, haverá riscos, já que i é a taxa de juros dos títulos públicos brasileiros
que carregam risco de crédito. Isso significa que devemos introduzir o risco-país em nossa
análise.
Seja o risco-país em A representado por λ.
Assim, a nova decisão de aplicações alternativas seria: aplicar no País A quando o cupom
cambial em A for maior do que a taxa do tesouro norte-americano somada ao risco-país de
A, ou seja:
[E0 / E1 (1+i) – 1] > [(1+i*) – 1] + λ,
ou, de outro modo, quando após subtrairmos o risco-país de A do cupom cambial em A,
obtivermos uma taxa de retorno superior à taxa de juros do tesouro norte-americano. Caso
contrário, deveremos aplicar nos EUA.

Devemos, ainda, fazer algumas observações importantes.

(i) Se considerarmos a taxa de juros nos EUA (País B) como sendo a taxa dos títulos do tesouro
do País A denominados em dólares norte-americanos, como, por exemplo, o Brady Bond
brasileiro de maior liquidez, o C-Bond, não haverá necessidade de considerarmos o risco de
crédito do Brasil (País A) na análise, pois, na remuneração desse título, o C-Bond, já temos
o risco de país somado à taxa do tesouro norte-americano. Se a taxa do tesouro norte-
americano (de prazo semelhante ao C-Bond) apresentar taxa de remuneração igual a 4% ao
ano e se o C-Bond, por sua vez, apresentar rendimento igual a 12% ao ano (em dólares), a
diferença, 8% ao ano, representará o risco Brasil (chamado Spread over treasury).
A nova decisão de aplicações alternativas seria: aplicar no País A quando o cupom cambial em
A for maior do que a taxa do C-Bond.

(ii) Como o investidor, ao aplicar no País A, não sabe a taxa de câmbio nominal que vigorará ao
final da aplicação, E1, ele só fixará seu rendimento no final da aplicação e, por conseguinte,
ele só terá, de fato, um cupom cambial esperado ao escolher aplicar no País A.
A observação (ii) nos diz que, no processo de escolha entre aplicar em A ou em B, o investidor
incorrerá no risco de desvalorização cambial ao aplicar no País A e, por isso, suas expectativas
quanto às possíveis mudanças na cotação da taxa de câmbio do País A devem ser favoráveis o

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suficiente para compensar o risco da desvalorização da moeda de A. Isso significa que, a rigor,
o investidor não estaria fazendo uma arbitragem se tomasse recursos em dólares nos EUA e os
aplicasse em A, pois o resultado tanto poderia lhe ser favorável ou até extremamente favorável
quanto desfavorável ou até mesmo extremamente desfavorável (o que aconteceu no Brasil, em
janeiro de 1999, quando o Real desvalorizou, substancialmente, frente ao dólar).
Para levar em consideração a questão da arbitragem e da paridade de juros, deveríamos ter
que fixar a remuneração em dólares no País A no momento em que a aplicação tem início. Para
fixarmos a taxa de remuneração em dólares no País A, o risco cambial deve ser eliminado. Um
instrumento financeiro que atenderia às nossas necessidades seria o contrato futuro de dólar.
Ao utilizarmos o contrato futuro de dólar, estaríamos fixando a taxa de câmbio (não cabe, no
momento, discutir as imperfeições dos contratos futuros no que diz respeito à possibilidade de,
realmente, fixar um valor para a taxa de câmbio futura) para o final do período de aplicação em
A.
Retornando à figura anterior, observamos o símbolo F1, que representa a cotação da futura
de câmbio no momento em que a aplicação financeira tem início. Essa cotação para a data do
término da aplicação, determinada no início do investimento, substitui a taxa de câmbio que irá
vigorar, de fato, daqui a um ano, E1.
Ao usarmos os contratos futuros de dólar, teremos um cupom cambial predeterminado, dado
por:
[(E0/F1 ) (1 + i) – 1] x 100.

Como o rendimento em dólares no País A está prefixado, agora, devemos ter a igualdade entre o
cupom cambial acima e a soma entre a taxa de juros nos EUA (taxa de tesouro norte-americano)
e o risco-país de A. Essa é a mensagem da paridade de juros: a taxa de juros em dólares, sem
risco de crédito, nos EUA deve ser igual à taxa de juros prefixada, em dólares, no Brasil, já
descontada do risco Brasil, pois, em caso contrário, haveria, realmente, uma arbitragem.
A condição da paridade de juros seria, então:
[E0/F1 (1+i) – 1] – λ = [(1+i*) – 1],

Se o cupom cambial em A, já descontando o risco Brasil, for superior à soma da taxa de juros do
tesouro norte-americano com o risco País de A, deve-se tomar recursos em dólares nos EUA e
aplicar no Brasil, ou seja, se vale a equação a seguir, aplicamos em A.
[E0/F1 (1+i) – 1] – λ > [(1+i*) – 1],

Finalmente, se o cupom cambial em A, já descontado do risco Brasil, for inferior à taxa de juros
do tesouro norte-americano, deve-se tomar recursos em dólares no Brasil e aplicar nos EUA, ou
seja, se vale a equação a seguir, aplicamos em B.
[E0/F1 (1+i) – 1] – λ < [(1+i*) – 1].

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A fórmula: as variáveis que o Banco Central leva em conta para fixar a taxa básica.
Expectativa Juros nos Taxa de risco
de inflação + Estados + Brasil, segundo = Taxa de juros
anual Unidos o mercado
6% 6% 6,5% 18,5%

Como exemplo, consideremos a decisão de um investidor americano aplicar US$ 10.000,00 no


Brasil ou nos EUA. Suponhamos que a taxa de juros de títulos do tesouro norte-americano (sem
risco de crédito) seja 5% ao ano. Ao aplicar no Brasil, o investidor receberia 18,5% ao ano de
juros em reais. Suponhamos, ainda, que, ao aplicar no Brasil, os dólares que são trazidos sejam
convertidos em reais pela taxa de câmbio, real/dólar, cotada a 2,30 R$/US$. Consideremos,
também, que a taxa de câmbio esperada pelo investidor, no momento de resgatar sua aplicação
e convertê-la de volta em dólares, seja 2,40 R$/US$. Como o Brasil é um país com risco bem
mais elevado do que os EUA (cujo tesouro é considerado livre de risco de crédito), o investidor
exigirá uma taxa adicional para compensar esse risco brasileiro. Consideremos que a taxa
de risco brasileira (risco político, pois o risco cambial já foi computado na mudança cambial
esperada) seja medida no mercado internacional como equivalente a 8,5% ao ano. Onde
decidirá investir esse americano?
Calculemos, inicialmente, o cupom cambial no Brasil para esse investidor.
Cupom cambial = 1,185/(2,4/2,3) = 1.1356 % em dólares.

Com o cupom cambial esperado a 13,56% ao ano, os US$ 10.000,00 gerariam, no Brasil,
US$ 11.356,00. O investidor ingressou com US$ 10.000,00, converteu em R$ 10.000*2,3 =
R$ 23.000,00, que foram aplicados a 18,5% ao ano em reais, resultando, após um ano, em
R$ 23000,00*1,185 = R$ 27.255,00. Na conversão para dólares, ao fim de sua aplicação, o
investidor utiliza a taxa de câmbio vigente, igual a 2,4 R$/US$, o que lhe permite receber R$
27.255,00/2,4R$/US$ = US$ 11.356,00, resultando a taxa de 13,56% ao ano em dólares.
Comparando com a taxa de juros nos EUA, aplicar no Brasil geraria um excedente de juros de
13,56% – 5% = 8,56 % ao ano. Comparando, finalmente, esse excedente com o risco brasileiro,
avaliado em 8,5% ao ano em dólares, haveria uma pequena vantagem em aplicar no Brasil.

4. SETOR PÚBLICO

4.1 Política fiscal


Denomina-se Política Fiscal a atuação do governo no que diz respeito à arrecadação de impostos
e aos gastos.
A arrecadação de impostos e os gastos governamentais afetam o nível de demanda (procura) de
bens e serviços da economia: quando a arrecadação aumenta, diminui a renda disponível que
os indivíduos poderão usar para consumo e poupança; já os gastos constituem diretamente um
elemento de demanda de bens e serviços.

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Assim sendo, quando necessário, o governo pode tentar estimular a economia cortando
impostos e/ou elevando gastos, e, também, agir de modo oposto se desejar enfraquecer o nível
de atividade da economia.

4.2 Arrecadação de impostos e gastos públicos


Os gastos do governo podem ser divididos em despesas correntes (ou gastos de custeio) e
transferências.
A arrecadação é realizada via impostos diretos e indiretos. Os diretos são aqueles que incidem
diretamente sobre o agente pagador (recolhedor) do imposto, sendo o imposto sobre a renda
e o imposto sobre a riqueza (propriedade) os principais impostos desse tipo. Os indiretos são
os que incidem sobre o preço das mercadorias: imposto sobre a circulação de mercadorias e
imposto de produtos industrializados.
Observa-se, portanto, que a arrecadação é determinada, principalmente, pelo nível de renda/
produto da economia. À medida que aumenta a renda dos indivíduos e a riqueza da sociedade,
aumenta a arrecadação de impostos diretos, e, conforme aumenta o produto e a circulação de
mercadorias, aumentam os impostos indiretos.

4.3 Déficit público e dívida pública


Chama-se de Carga Tributária Bruta o total de impostos arrecadados no país e de Transferências
Governamentais os juros sobre a dívida pública, os subsídios e os gastos com assistência e
previdência social. A Carga Tributária Líquida é definida como a diferença entre Carga Tributária
Bruta e as Transferências Governamentais. É a partir da Carga Tributária Líquida que o governo
pode financiar seus gastos correntes (também chamados de Consumo do Governo). O saldo da
Carga Tributária Líquida sobre o Consumo do Governo é chamado de Poupança do Governo
em Conta-Corrente.
A Poupança do Governo em Conta-Corrente não é o resultado do orçamento público, nem
se constitui em uma medida de déficit público, pois não considera as despesas de capital do
governo (Investimento). O que ela nos mostra é a capacidade de investimento do governo, sem
pressionar outras fontes de financiamento.
O Investimento Público refere-se aos gastos do Governo com a construção de novas estradas,
hospitais, escolas, etc.
A diferença entre a Poupança Pública e o Investimento Público deveria nos fornecer o valor do
Déficit ou Superávit Público, ou seja, a diferença entre arrecadação total e gasto total.
Então,
Déficit Público = Investimentos Governamentais – Poupança do Governo em Conta-Corrente
ou,
Déficit Público = Investimentos Governamentais + Gastos Correntes (Consumo) +
Transferências – Arrecadação (Carga Tributária Bruta)

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Caso o governo incorra em um déficit, o gasto que supera a receita deverá ser financiado de
alguma forma. As principais alternativas são:
(i) venda de títulos públicos ao setor privado; ou
(ii) venda de títulos públicos ao Banco Central.
As duas alternativas levam ao endividamento do Tesouro Nacional (órgão responsável pela
arrecadação e gasto – execução orçamentária). A diferença entre elas é que, na segunda, a
aquisição de títulos públicos pelo Bacen é feita por meio da emissão monetária, enquanto,
na primeira, é via transferência da poupança privada para o setor público, sem expansão
monetária.
O endividamento público gera o pagamento dos serviços dessa dívida. Os juros sobre a dívida
entram no item transferências. Portanto, para uma dada taxa de juros, quanto maior o estoque
da dívida, maior será o gasto com juros. A amortização da dívida e/ou sua ampliação entra(m)
na equação de financiamento, na diferença entre poupança e investimento – conta de capital
do governo.

4.4 Necessidade de financiamento do setor público


Definimos, a seguir, o conceito usado pelo FMI para medir a necessidade de financiamento
pelo setor público, conhecido como Necessidade de Financiamento do Setor Público não
financeiro (NFSP).
Esse conceito considera como setor público o governo central, os governos regionais (Estados
e Municípios), a previdência social, as empresas estatais e as agências descentralizadas.
Considera, também, todo o tipo de gasto: consumo, investimento e rolagem da dívida pública.
O objetivo desse conceito é medir a pressão do setor público não financeiro sobre os recursos
financeiros (tanto internos quanto externos) da economia, ou seja, sobre a poupança. Como
o que interessa é a pressão sobre os recursos financeiros, deduzem-se dos orçamentos as
amortizações de capital e os créditos concedidos pelo setor público ao setor privado.
Essa medida pode ser feita de duas formas:

(i) NFSP conceito nominal (NFSPcn), que engloba qualquer demanda de recursos pelo setor
público (inclusive para despesas financeiras – pagamento de juros sobre a dívida líquida do
setor público); e
(ii) NFSP conceito primário (NFSPcp), que é igual à NFSPcn menos as despesas financeiras
– pagamento de juros nominais sobre a dívida líquida do setor público calculados pelo
critério de competência.
Há, ainda, uma terceira forma de avaliação das necessidades de financiamento do setor público,
hoje, em desuso:
NFSP conceito operacional (NFSPco), que é igual à NFSPcn menos a atualização monetária
incidente sobre a dívida líquida do setor público.

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Assim, temos:
(i) NFSP conceito nominal (NFSPcn) = G – T +iB,
(ii) NFSP conceito operacional (NFSPco) = G – T + rB
(iii) NFSP conceito primário (NFSPcp) = G – T
onde,
G, representa o total de gastos públicos não financeiros;
T, o total de arrecadação não financeira;
i, a taxa de juros nominal;
r, a taxa real de juros; e
B, o estoque de títulos públicos.

4.5 Regimes de competência


Dois tipos de regimes são utilizados para a apuração do déficit público: o regime de competência,
em que os fatos contábeis são registrados de acordo com o período em que ocorreu o fato
gerador (despesa ou receita), e o regime de caixa, no qual os fatos são registrados no momento
em que se dá o pagamento ou recebimento.

4.6 Déficits “acima da linha” e “abaixo da linha”


Quando medimos o déficit a partir da execução orçamentária das entidades que o geram, isto
é, diretamente das receitas e das despesas, usamos o método denominado “acima da linha”.
Devido a dificuldades de controle dos gastos e de contabilização, tem-se outro método de
apuração, que denominamos “abaixo da linha”, o qual mede o tamanho do déficit pelo lado do
financiamento, isto é, pela forma como foi financiado e não pela forma como foi gerado. Nesse
sentido, toda variação da dívida pública deve-se à ocorrência de um déficit.
Déficit Público = Variação em B = ΔB

Se considerarmos que uma parcela da dívida, B, é adquirida pelo Bacen, temos:

NFSP = G – T + iB = ΔB + ΔM,

onde, ΔB, representa a variação da dívida pública nas mãos do setor privado;
e, ΔM, a variação no estoque de moeda (emissão monetária no período).

Observação: Na realidade, variações da Dívida Líquida do Setor Público estão relacionadas ao


Déficit Público (NFSP) na forma abaixo:

NFSP = ΔB (variação da dívida líquida do setor público) + Privatizações – Outros Ajustes


Patrimoniais.

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Como o que se deseja com o cálculo do resultado fiscal é medir seu efeito sobre a demanda
agregada e como, em princípio, a privatização não afeta, pelo menos diretamente, a demanda
agregada, ao contrário do que ocorre com um aumento da receita tributária, que extrai renda
do setor privado e causa impacto contracionista na economia, então, a receita de privatização
não é entendida como arrecadação para efeitos do cálculo das NFSP (embora tenha havido
algumas exceções, casos em que parte dessas receitas foram demais receitas do setor público
tratadas como uma concessão, sendo computadas “acima da linha”).
Assim sendo, se receitas de privatização geradas forem usadas para pagamento de dívidas, a
NFSP não será afetada. Do mesmo modo, se dívidas antigas são reconhecidas, o item Outros
Ajustes Patrimoniais compensa a variação na dívida pública e, novamente, a NFSP não é
afetada.
No caso do Brasil, a partir de metade dos anos 1990, os itens Privatização e Outros Ajustes
Patrimoniais tiveram significativa importância, devido às desestatizações realizadas e ao
registro de passivos ocultos (hidden liabilities) que apareceram nas estatísticas, que passaram
a ser conhecidos como “esqueletos”.
O saldo líquido acumulado no tempo dessas duas variáveis representa um ajuste patrimonial
líquido. A dívida resultante dos sucessivos déficits medidos pelas NFSP é denominado de
“Dívida Fiscal” (diferença entre a dívida líquida do setor público e o ajuste patrimonial).
Portanto, o cálculo oficial das necessidades de financiamento é obtido como resíduo, dadas: (a)
a variação da Dívida Líquida do Setor Público; (b) a receita de privatização do período; e (c) a
existência de novos “ajustes patrimoniais”. Obtidas as NFSP e descontando a despesa de juros,
chega-se, então, ao resultado primário.

4.7 Dívida pública


Uma medida muito utilizada para avaliar a capacidade de pagamento do setor público é a
relação DÍVIDA/PIB.
Como já visto, o déficit público nominal pode ser dividido em déficit primário mais os gastos com
o pagamento de juros. Supondo que a relação entre o estoque de moeda e o PIB se mantenha
constante, o não crescimento da Dívida Pública em relação ao PIB implica que o governo tenha
um superávit primário em montante suficiente para compensar a diferença entre a taxa de
juros incidente sobre a dívida pública e a taxa de crescimento do PIB.
Se não houver superávit, a estabilidade da dívida requer que a taxa de juros se iguale à taxa de
crescimento do produto.
<A dinâmica da Dívida Pública é importante fator de risco econômico, já que uma
dinâmica explosiva, diante da dificuldade de conseguir novos financiamentos, levaria ou à
inadimplência do setor público ou a emissões descontroladas de moeda, que, por sua vez,
gerariam desvalorizações cambiais.>

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5. MOEDA, BANCO CENTRAL E POLÍTICA MONETÁRIA

5.1 A criação de meios de pagamento e o sistema monetário


A moeda em uma economia, isto é, os meios de pagamentos, consiste na totalidade de ativos
possuídos pelo público que podem ser utilizados a qualquer momento para a liquidação de
qualquer compromisso futuro ou à vista. Portanto, os meios de pagamento (MP) somam mais
do que o papel-moeda (e a moeda metálica) em poder do público (PMPP), englobam, também,
os depósitos à vista nos bancos comerciais (DVBC). Então:
MP = PMPP + DVBC
O papel-moeda (e a moeda metálica) em poder do público (PMPP) também é chamado de
moeda manual. Os depósitos à vista nos bancos comerciais (DVBC) são chamados de moeda
escritural. Logo:
MP = Moeda Manual + Moeda Escritural
Os saldos de cartões de crédito não são considerados meios de pagamento porque são tidos
apenas como um meio de se obter crédito, que deverá ser honrado em moeda escritural ou
manual em uma data futura.
O Banco Central (Bacen) tem o poder legal de emitir papel-moeda. Entretanto, nem todo o
papel-moeda emitido (PME) transforma-se em PMPP. O PME menos o Caixa do Banco Central
(CBC) é igual ao montante de papel-moeda em circulação (PMC), ou meio circulante. Os bancos
comerciais retêm parte do PMC para fazer seu caixa. Assim, o PMC menos o encaixe total dos
bancos comerciais (ET) é igual ao PMPP. Então:
PME – CBC = PMC
PMC – ET = PMPP
PME = CBC + ET + PMPP

A CRIAÇÃO DE MOEDA ESCRITURAL


O processo de evolução do sistema bancário e a crescente aceitação de suas moedas mostrou
que os bancos não precisariam manter em reserva a totalidade dos recursos que lhes eram
confiados, uma vez que a probabilidade de saque simultâneo de todos os depósitos era muito
baixa. Assim, mantendo em reservas somente uma fração dos depósitos, os bancos podiam
emprestar o saldo restante dos depósitos. Ao proceder dessa forma, os bancos multiplicavam
os meios de pagamento, em um processo chamado de mecanismo multiplicador de meios de
pagamento.

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Os bancos comerciais são instituições autorizadas pelo Banco Central a receber depósitos à
vista. Se uma instituição está autorizada a receber depósitos à vista, que são, geralmente,
aceitos para liquidação de pagamentos, ela está autorizada a criar moeda escritural. Por
exemplo, suponhamos que um indivíduo toma empréstimos no montante de R$ 1000,00.
O banco, ao conceder o empréstimo, abre uma conta-corrente para o cliente no valor de R$
1000,00. Contabilmente, temos:
ATIVO PASSIVO
Empréstimo 1000,00 Depósitos à vista 1000,00
Saldo Outras Contas X Saldo de Outras Contas X
Total: 1000,00 + X Total: 1000,00 + X

O banco, ao conceder o crédito, criou meios de pagamento. O talão de cheques em posse


do devedor, em si, não é moeda, mas lhe dá o direito de usar o valor de R$ 1000,00 para
fazer pagamentos, exatamente como poderia fazer se tivesse em mãos moeda manual. Com
base nesse processo, um banco pode criar depósitos à vista com uma simples operação
contábil, porque nem todos aqueles que possuem direito de saque irão exercer esse direito
simultaneamente. Logo, o montante de depósitos à vista pode ser muito maior que o montante
de reservas bancárias em moeda. Essa é maneira pela qual os bancos criam moeda.
O sistema formado pelas instituições que podem criar moeda é chamado de sistema monetário.
<O conjunto dos bancos comerciais é constituído por todas as instituições financeiras,
inclusive Banco do Brasil e Caixas Econômicas, autorizadas a receber depósitos à vista, sem
remuneração de juros.>

5.2 Oferta de moeda, os agregados monetários e o conceito de liquidez


O Banco Central, como autoridade monetária, emite moeda. No entanto, somente parte da
emissão se encontra em poder do público, pois outra parcela se encontra no próprio Banco
Central, e, ainda, uma terceira parcela se encontra nos Bancos Comerciais.
A emissão monetária, a rigor, compreende apenas as parcelas que vão para os bancos e para
as mãos do público. Então, a quantidade de moeda manual é menor do que a quantidade de
papel-moeda criada pelo Banco Central.
É importante notar que somente se considera moeda manual a quantidade de recursos emitidos
que não está no interior do sistema monetário, ou seja, a quantidade que efetivamente está
em poder do público não bancário. Isto é,
PME = CBC + PMC e PMC – ET = PMPP

Considera-se dentro do Conceito PMPP os recursos que estão em posse dos Governos (central,
regional e local) e das instituições financeiras não monetárias.
Os meios de pagamento, PMPP + DVBC, são ativos considerados de plena liquidez, porque
conservam a função de reserva de valor e podem, em qualquer momento, liquidar dívidas
estabelecidas ou obrigações decorrentes de transações realizadas no mercado à vista. Nos
Estados Unidos, os títulos emitidos pelo Tesouro são ativos considerados líquidos, porque

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conservam valor e podem ser, facilmente, convertidos em dólares com o intuito de liquidar
dívidas. Em contraste, um bem de capital é, geralmente, considerado um ativo ilíquido, porque
seu valor de revenda pode estar muito abaixo do valor original de aquisição e dificilmente será
convertido em moeda, com o objetivo de saldar compromissos, dada a dificuldade de haver
potenciais demandantes.
Portanto, estatísticas de diversos agregados monetários e financeiros são necessárias para
avaliar qual a força dos agentes econômicos para gerar inflação, devido à sua capacidade de
demanda. Costuma-se definir como meios de pagamento, M1, a soma do papel-moeda em
poder do público com o total de depósitos à vista. Essa e as outras definições mais amplas de
meios de pagamento são apresentadas a seguir:
M1 = Papel-Moeda em Poder do Público + Depósitos à Vista
M2 = M1 + Fundos de Curto Prazo + Títulos Públicos em mercado
M3 = M2 + Depósitos de Poupança
M4 = M3 + Títulos Privados
A Tabela 1.1, a seguir, apresenta a evolução dos meios de pagamento, M1, no Brasil, no período
1992-1995.

Tabela 1.1

Papel-moeda em Meios de
Final de Período Depósitos à vista
Poder do Público Pagamento
1992 13 25 38
1993 340 308 848
1994 8622 14459 23081
1995* 6792 10727 17523
* Saldos em março de 1995
Fonte: Banco Central.

A conceituação dos meios de pagamento de forma diferenciada permite que se analise


o direcionamento dos ativos financeiros quanto à sua liquidez. Sempre que M2 ou M3 se
expandirem com maior rapidez do que M1, podemos inferir que o mercado de títulos está se
dinamizando mais do que o de bens e serviços.

Criação de Meios de Pagamento


Haverá criação de moeda, quando houver um aumento de um dos componentes dos meios de
pagamento. Poderá ser realizada pelo Banco Central, que tem o poder legal de emitir papel-
moeda, e pelos bancos comerciais autorizados a receber depósitos à vista.
Quando a operação entre o público e o setor bancário dá origem a um aumento do saldo
do papel-moeda em poder do público mais depósitos à vista nos bancos, o sistema bancário
adquire haveres não monetários (aplicações somente movimentáveis depois de um prazo
previamente estabelecido, como depósito a prazo fixo e Letras de Câmbio) do público,

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pagando-os em moeda manual ou escritural. Isso é o que se chama monetização pelos bancos
de haveres não monetários do público. Assim, os bancos criam meios de pagamento quando
descontam títulos públicos; quando adquirem do público, pagando em moeda, quaisquer bens
ou serviços; quando adquirem cambiais dos exportadores, etc. De forma recíproca, os bancos
destroem meios de pagamento quando vendem ao público quaisquer haveres não monetários
em troca do recebimento de moeda. Assim, há destruição de meios de pagamento quando
o público resgata um empréstimo previamente contraído no sistema bancário; quando o
público deposita dinheiro a prazo nos bancos; quando os bancos vendem ao público, mediante
pagamento em moeda, quaisquer títulos, bens ou serviços; quando os bancos vendem cambiais
aos exportadores.
Vejamos alguns exemplos de expansão dos meios de pagamento. Em todos os seguintes casos,
há criação de meios de pagamento, pois o setor não bancário entregou um haver não monetário
ao setor bancário e recebeu um haver monetário.

(a) Uma empresa leva a um banco uma duplicata para desconto, recebendo um depósito à
vista ou moeda manual;
(b) Um banco compra cambial de um exportador, pagando-o com moeda manual ou
escritural;
(c) Um banco compra títulos da dívida pública – LTN – possuídos pelo público, pagando em
moeda manual ou escritural;
(d) O Banco Central fornece dinheiro à União, adquirindo uma NTN.

Passemos, agora, a exemplos de destruição de meios de pagamento:

(a) O público resgata um empréstimo contraído no sistema bancário;


(b) O público deposita dinheiro a prazo nos bancos;
(c) Os bancos vendem ao público, mediante pagamento em moeda, quaisquer títulos;
(d) Os bancos vendem cambiais aos importadores.

5.3 A Base Monetária, os encaixes e o redesconto

BASE MONETÁRIA
A Base Monetária (B) é a soma do papel-moeda em poder do público (PMPP) com o total
de reservas dos bancos comerciais (ET). A Base Monetária é, então, igual ao total de moeda
colocada em circulação pelo Banco Central. É, por vezes, chamada de estatística Mo. Então:
B = PMPP + ET
Lembrando que:
PMC = PME – CBC

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O conceito de Base Monetária está ligado ao total das exigibilidades monetárias líquidas da
Autoridade Monetária possuídas pelo público (público não bancário e bancos comerciais).
É o total dos recursos monetários utilizados para financiar o saldo das aplicações (em termos
contábeis, é o passivo monetário do balanço consolidado da Autoridade Monetária).
A Base Monetária é constituída pelo total das exigibilidades monetárias líquidas da Autoridade
Monetária, possuídas pelos bancos comerciais e pelo público. A evolução da Base Monetária
antes e no início do Plano Real é apresentada a seguir:

RESERVAS (OU ENCAIXES) BANCÁRIOS


Os bancos comerciais mantêm reservas (ou realizam encaixes) para poderem honrar seus
compromissos com o público e, consequentemente, gerar confiança na conversibilidade de seus
depósitos. Os bancos realizam dois tipos de encaixe: os compulsórios, impostos externamente;
e os voluntários, decididos internamente.
As reservas compulsórias (EC) são determinadas pelas autoridades monetárias, que
estabelecem um percentual dos depósitos à vista a ser recolhido ao Banco Central na forme
de moeda. Já, as reservas voluntárias (EV) são decididas pelos próprios bancos. Na verdade,
os bancos tentam manter a relação reservas compulsórias/depósitos à vista dentro de um
intervalo que consideram seguro para cobrir os saques dos clientes.
A reserva total é, portanto, composta de:
ET = EC + EV
As reservas voluntárias são subdivididas em reservas nos caixas dos bancos para cobrir
diferenças entre saques e depósitos, passíveis de ocorrência, e em reservas junto à autoridade
monetária para cobrir eventuais diferenças entre cheques emitidos contra e a favor do banco
na câmara de compensação de cheques.

O REDESCONTO
O Banco Central pode prestar auxílio aos bancos comerciais quando esses se encontram em
dificuldade. Por exemplo, quando a razão reservas voluntárias/depósitos à vista estiver muito
baixa. Esse auxílio é chamado de redesconto. Porém, na realidade, o redesconto ocorre quando
o Banco Central compra títulos de um banco. Essa operação de crédito tem um ativo financeiro
como colateral. O Bacen empresta ao tomador um valor inferior ao do ativo dado em garantia.
Quando o banco for saldar o empréstimo, ele recompra o ativo por seu valor pleno. A diferença
entre os dois valores exprime a taxa de redesconto, ou seja, o custo para o banco tomador
de recursos. Esses recursos tomados junto ao Bacen irão expandir as reservas voluntárias do
banco. Um outro tipo de ajuda possível aos bancos comerciais consiste no empréstimo direto
do Bacen. A função do Bacen conhecida como emprestador de última instância é exercida por
meio dessas operações.
A taxa de redesconto, por sua vez, pode ser punitiva para os bancos que tomam recursos junto
ao Bacen. Uma taxa punitiva é aquela que supera a taxa de remuneração dos ativos do banco
que recorre ao redesconto. Uma taxa a níveis punitivos desestimularia o banco tomador de

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recursos a manter o título usado no redesconto ou a tomar empréstimos diretos; ela seria, sim,
um incentivo à venda do título para recomposição de suas reservas.

5.4 O modelo de expansão monetária


MP = PMPP + DVBC
BM = PMPP + ET
Definindo,
c = relação PMPP / MP; e
d = DVBC/MP.
Temos, c + d = 1
R = relação encaixe total dos bancos comerciais/depósitos à vista nos bancos comerciais.
Portanto,
ET = R*d*MP
Temos, também, que;
BM = ET + PMPP
ou, BM = R*d*MP + c*MP
resulta que,
BM = MP( Rd + (1-d))
ou,
BM = MP (1 – d + Rd)
e,
MP = 1 BM
1 – d (1 – R)
ou,
MP = m BM

Exemplo: Suponha que o público mantenha 20% dos meios de pagamento em forma de
PMPP e o sistema bancário mantenha 40% de seus depósitos à vista sob a forma de reservas.
Assim, teremos,
m = 1 = 1/0,52 = 1,92
1 – 0,8 (1 – 0,4)
Isso significa que, para cada unidade monetária injetada na economia, teremos como resultado
uma expansão monetária de 1,92.

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Se o sistema bancário modificar suas reservas para 30%, obteremos:


m = 1 = 1 / 0,56 = 2,28
1 – 0,8 (1 – 0,3)

A diminuição nas reservas possibilitou aos bancos comerciais aumentarem suas disponibilidades
para emprestar ao público, elevando a capacidade de expansão monetária.
Como podemos observar, com o Plano Real, a capacidade de expansão dos meios de pagamentos
ficou bastante reduzida, com o multiplicador passando de 1,63 em dezembro/93 para 1,16 em
março de 1995, resultado decorrente, principalmente, da elevação do compulsório, refletido
no indicador R2, que passou de 0,26 para 0,66.

5.5 Política monetária: objetivos e instrumentos

(A) Objetivos Finais da Política Monetária


Em geral, o estatuto de muitos bancos centrais estabelece que seu objetivo principal (senão o
único) é alcançar a estabilidade de preços. Na prática, contudo, muitas vezes, são perseguidos
outros objetivos, tais como: maior crescimento econômico, menor taxa de desemprego,
estabilidade cambial, prevenção de falências bancárias e manutenção da saúde do sistema
financeiro (papel de fiscalizador e emprestador de última instância do sistema) e manter a
confiança dos investidores estrangeiros.
A combinação de objetivos como crescimento econômico com baixo desemprego e baixo nível
de inflação exige um arcabouço teórico (como a existência ou não de um trade-off manipulável
entre inflação e desemprego, ou a validade da ideia da taxa natural de desemprego) para saber
o que a política monetária é capaz de fazer.

(B) Instrumentos de Política Monetária


São os métodos e meios mais usados na operacionalização dessa política. Em geral, utiliza-se
o multiplicador monetário para avaliar o impacto das alterações na Base Monetária sobre a
oferta de moeda. A dificuldade no uso do multiplicador monetário reside na não existência da
perfeita previsão da demanda de moeda por parte do público.
Os instrumentos clássicos da política monetária são três: recolhimento compulsório,
redesconto de liquidez e operações de mercado aberto.

Conceitos Operacionais
Mercados de Reservas Bancárias: é o espaço institucional onde o Banco Central executa a
política monetária. Pode-se dividi-lo em dois mercados:

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(i) Mercado Primário: onde ocorre uma transação entre o Banco Central e os bancos
comerciais, o que ocasiona a criação ou a destruição de reservas. Um exemplo típico é a
venda de títulos públicos por parte do Banco Central em leilões formais para instituições
bancárias, na forma de uma operação de venda definitiva.
(ii) Mercado Secundário: onde ocorre uma transação interbancária, que resulta em uma
permuta de reservas entre bancos. Nesse caso, não há criação nem destruição de reservas.
Trata-se do mercado conhecido como interbancário.

5.6 Demanda de moeda


Passamos a analisar, agora, as variáveis que afetam a demanda por moeda pelo público e pelas
empresas.
De acordo com as funções destacadas para a moeda, consideram-se diferentes motivos para
retê-las. Podem-se separar em dois motivos principais:
(i)  Transação
(ii)  Precaução
(iii)  Portfólio
Na demanda transacional, a moeda é vista, basicamente, como um meio de troca, justificando-
se sua demanda apenas pela facilidade e segurança que sua posse fornece para a realização das
trocas necessárias.
Quanto maior o volume de trocas que os indivíduos realizam, maior será a quantidade
necessária de moeda para tal. Considerando que as trocas dependem da quantidade de
produto (renda), temos que a demanda de moeda varia positivamente com o nível de renda.
Já a demanda precaucional tem por motivos eventuais atrasos de recebimentos, ou gastos não
previstos.
Com relação ao motivo portfólio, considera-se a moeda como um ativo financeiro, sendo uma
forma alternativa aos títulos e às aplicações financeiras para se guardar a riqueza.
A característica da moeda como um ativo financeiro é que ela não rende juros, apenas possui
liquidez absoluta. A taxa de juros pode ser vista como o custo de oportunidade, o que se deixa
de ganhar por guardar moeda, em vez de aplicar em títulos, ou seja, é o preço que se paga pela
retenção de moeda. Por conseguinte, quanto maior a taxa de juros, menor a demanda por
moeda.
Observa-se dessa discussão que a demanda por moeda é semelhante à demanda de qualquer
outro bem, dependendo, também, do preço e da renda, mantendo uma relação inversa com
seu preço (taxa de juros) e direta com o nível de renda.
Deve-se observar, ainda, que a demanda por moeda é, na realidade, uma demanda por encaixes
reais. Os indivíduos, ao definirem a quantidade de moeda que reterão, não se importam com
o valor nominal de face desta, mas sim com seu poder de compra, ou seja, em termos dos
bens que poderá adquirir com essa quantidade de moeda. É pressuposto que os indivíduos não
sofrem de ilusão monetária, isto é, se apenas o nível de preços da economia se alterar, sem
que haja qualquer modificação nas variáveis reais, o comportamento dos agentes permanecerá

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inalterado, inclusive, no que diz respeito à quantidade real de moeda que demandam. Podemos,
então, considerar a demanda por moeda como:
d
(M/P) = f (Y, i),
onde:
(M/P)d representa a demanda por encaixes reais,
M, a quantidade nominal de moeda,
P, o nível geral de preços
Y, o nível de renda real
i, a taxa nominal de juros

6. POLÍTICA MACROECONÔMICA

Por que Estudar Macroeconomia?


Gregory Mankiw

Por que razão as rendas são, atualmente, mais elevadas do que em l950 e por que eram
mais altas em 1950 do que tinham sido em l900? Por que razão alguns países têm inflação
alta enquanto outros têm preços estáveis? Quais as causas da recessão e da depressão – fases
periódicas em que as rendas caem e o desemprego aumenta – e como as políticas públicas
podem evitá-las? A Macroeconomia – o estudo da economia como um todo – tenta responder
a essas e a muitas outras perguntas semelhantes.
Basta ler os jornais ou assistir ao noticiário pela televisão para se ter uma ideia da importância
da macroeconomia. Diariamente, os meios de comunicação de massa noticiam fatos
macroeconômicos. Já se tornaram rotina manchetes do tipo “Renda disponível aumenta
5%”, “Banco Central adota medidas de combate à inflação”, “Bolsas caem entre temores de
recessão”.
Os fatos macroeconômicos afetam a vida de todos nós. Os executivos que planejam a demanda
por seus produtos devem fazer uma estimativa da rapidez com que a renda dos consumidores
vai crescer. Os cidadãos mais idosos que vivem com rendas fixas se perguntam com que
velocidade os preços sobem. Os trabalhadores desempregados buscam emprego com a
esperança de que a economia irá melhorar e, assim, conseguirão uma colocação. Todos são
afetados pelas condições da economia.
Não surpreende o fato de que a macroeconomia seja um tema central no debate político. Na
década de 1970, os Presidentes Richard Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter lutaram em vão
contra uma taxa de inflação crescente; na década de 1980, Ronald Reagan e George Bush
tiveram de combater um grande déficit no orçamento federal. A popularidade de um presidente
aumenta durante os períodos de prosperidade e diminui durante a recessão. Os eleitores são
extremamente sensíveis aos fatos que afetam a economia e os políticos têm igual percepção da
importância da política macroeconômica.
As questões macroeconômicas também têm um papel importante nas relações internacionais.
Nas décadas de 1950 e 1960, a maioria dos grandes países industrializados manteve uma

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taxa cambial constante e abriu-se uma nova era de câmbios flutuantes e altamente voláteis.
Durante os anos 1980, os EUA importaram mais do que exportaram e tiveram de financiar
as importações com empréstimos levantados nos mercados financeiros internacionais.
Acontecimentos econômicos internacionais desse tipo costumam ser fonte de tensões, mesmo
entre os aliados mais fiéis.
Os macroeconomistas são cientistas que procuram explicar o funcionamento da economia
como um todo. Reúnem dados sobre rendas, preços, desemprego e outras variáveis em
diferentes épocas e diferentes países. Procuram, então, elaborar teorias gerais que ajudem a
explicar esses fatos.
A figura a seguir mostra três tipos de dados extraídos da economia norte-americana:
crescimento do PNB real, taxa de inflação e taxa de desemprego. Cada variável mede um aspecto
do desempenho econômico: o PNB indica a totalidade das rendas de todas as pessoas; a taxa
de inflação mede a velocidade do aumento dos preços; a taxa de desemprego expressa fração
da força de trabalho que não tem emprego. Os macroeconomistas estudam a determinação
dessas variáveis, as razões de sua mudança no tempo e como interagem entre si.
Não estudamos macroeconomia apenas para explicar os fatos econômicos, também
queremos aperfeiçoar a política econômica. Os instrumentos fiscais e monetários do governo
podem exercer uma influência poderosa – para o bem ou para o mal – sobre a economia.
O conhecimento da macroeconomia ajuda as autoridades públicas a avaliarem políticas
alternativas. Os economistas são chamados a explicar o mundo econômico como ele é e a
refletir sobre como poderia vir a ser.

Figura 2.1 Três Variáveis-Chave da Macroeconomia

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As eleições presidenciais e a economia


A influência dos fatos econômicos sobre a política evidencia-se nas épocas de eleições
presidenciais. A política econômica fornece o tema principal do debate entre candidatos, e a
situação de economia exerce uma poderosa influência no resultado das eleições. Segundo Ray
Fair, pode-se prever o resultado de uma eleição presidencial com notável exatidão observando
o estado da economia do país. A história demonstra que o partido no poder é favorecido
quando as rendas estão crescendo e é prejudicado quando os preços estão subindo.
Fair utilizou-se de evidências históricas para elaborar uma equação que prevê resultados
eleitorais a partir das seguintes informações:
•• o partido que está no poder;
•• se o candidato ocupa um cargo no governo e postula a reeleição;
•• o crescimento da renda total nos seis meses anteriores;
•• a taxa de elevação dos preços nos dois anos anteriores à eleição.
A equação de Fair teria possibilitado prever corretamente os resultados de 13 das 16 eleições
presidenciais dos EUA realizadas entre l916 e 1976. Só teria errado em três eleições, que, por
sinal, foram muito próximas: Kennedy-Nixon em l960, Huphrey-Nixon em l968 e Carter-Ford em
l976.
Desde que Fair inventou seu método de previsão eleitoral, em l978, houve três eleições
presidenciais nos EUA: Carter-Reagan, em l980, Mondale-Reagan, em l984, e Dukakis-Bush, em
l988. Fair acertou todos os resultados; chegou a prognosticar a vitória de Bush, em l988, por
estrita margem de votos, quando o candidato ainda estava muito atrás nas pesquisas.

Os Modelos Econômicos
Os modelos contêm dois tipos de variáveis: as variáveis exógenas e as variáveis endógenas.
Variáveis exógenas são as que têm origem fora do modelo – são insumos introduzidos no
modelo. As variáveis endógenas vêm de dentro do próprio modelo – são o resultado deste.
Em outras palavras, as variáveis exógenas são fixadas no momento em que entram no modelo,
enquanto as variáveis endógenas são determinadas dentro do modelo. Como ilustra a Figura
2.2, a finalidade de um modelo é mostrar como as variáveis exógenas influenciam as endógenas.
Imaginemos, por exemplo, como um economista desenvolveria um modelo do mercado de pão.
d
Primeiro, ele supõe que a quantidade de pão que os consumidores demandam, Q , depende do
preço do pão, Pb, e da renda agregada, Y. Essa relação é expressa na equação como:
Qd = D (Pb , Y).
Do mesmo modo, o economista supõe que a quantidade de pão ofertada pelos padeiros, Q0,
depende do preço do pão, Pb, e do preço da farina de trigo, Pf, usada para fabricar o pão:
QA = O (Pb , Pf).
Finalmente, o economista supõe que o preço do pão se ajusta para equilibrar oferta e demanda:
QS = Qd

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As três equações compõem um modelo do mercado de pão.

Figura 2.2 Como Funcionam os Modelos

RENDA NACIONAL: PRODUÇÃO E DEMANDA

Introdução
As variáveis macroeconômicas que apresentamos no Capítulo 2 permitem que economistas
e autoridades econômicas meçam e comparem, entre anos e países diferentes, diversos
aspectos do desempenho da economia. Mas nosso objetivo não é apenas medir o desempenho
econômico, queremos, também, explicá-lo. Em outras palavras, queremos construir modelos
que nos auxiliem a compreender o comportamento da economia, as relações entre diferentes
variáveis e os efeitos das políticas econômicas.
A variável mais importante é, possivelmente, o Produto Nacional Bruto (PNB), que indica tanto
a produção de bens e serviços quanto a renda de uma economia. Neste capítulo, formulamos
quatro grandes indagações a respeito das fontes e dos usos do PNB.
•• Qual é o volume da produção das empresas? O que determina a renda total de um país?
•• Quem recebe a renda proveniente da produção? Quanto é destinado à remuneração dos
trabalhadores?
•• Quem compra a produção da economia? Quanto as famílias adquirem para consumo,
quanto as famílias e empresas adquirem para investimento e quanto o governo compra
para finalidades públicas?
•• Qual mecanismo equilibra a demanda e a oferta de bens e serviços? O que garante que a
soma de consumo, investimento e despesas governamentais iguale o nível de produção?
A figura a seguir apresenta um esquema mais preciso do funcionamento de uma economia:
torna visíveis os elos entre os agentes econômicos – famílias, empresas e governo, cada um
representado por um retângulo cinza – e como o fluxo de dinheiro circula entre eles, por meio
dos diferentes mercados.

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A Produção de Bens e Serviços


A produção de bens e serviços de uma economia – seu PIB – depende de dois elementos: os
fatores de produção e a função de produção. A seguir, examinamos cada um deles.

Os Fatores de Produção
Neste capítulo, admitimos como dados os fatores de produção de uma economia; em outras
palavras, supomos quantidades fixas de capital e de trabalho, a fim de simplificar a análise.
Assim, escrevemos:
__

k = k
__

L=L

A Função de Produção
A tecnologia de produção disponível determina a magnitude do produto gerada por
determinadas quantidades de capital e trabalho. Os economistas expressam, matematicamente,
a tecnologia disponível utilizando uma função de produção, que indica como os fatores de
produção determinam a quantidade do produto. Considerando Y como a quantidade do
produto, expressamos a função de produção do seguinte modo:
Y = F (K , L)
A equação afirma que o produto é uma função da quantidade de capital e de trabalho.

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A Oferta Fixa de Bens e Serviços
Percebe-se agora que os fatores de produção e a função de produção determinam, em
conjunto, a oferta de bens e serviços, que equivale ao produto da economia. Para expressar,
matematicamente, essa afirmação:
Y = F (K , L)
__
=Y

A Demanda de Bens e Serviços


Uma economia fechada utiliza os bens e serviços que produz de três formas, expressas na
equação de identidade das contas nacionais:
Y=C+I+G
As famílias consomem uma parte da produção; outra parte é usada como investimento pelas
empresas e famílias e o governo compra uma parcela dos bens e serviços para finalidades
públicas. Veremos, a seguir, como se distribui o PNB entre esses três usos.
Admitindo que o consumo depende diretamente da renda disponível, quanto mais elevada for
essa renda, maior será o consumo. Assim,
C = C (Y – T)
A equação nos diz que o consumo é uma função da renda disponível, e a essa relação damos o
nome de função-consumo.
A propensão marginal a consumir (PMgC) mede a variação no consumo gerada pelo aumento
de um dólar na renda disponível. Geralmente, espera-se que a PMgC varie entre zero e um:
cada dólar adicional aumenta o consumo, mas somente até um dólar. Se uma família obtém um
dólar a mais de renda, ela poupará uma parte, por exemplo, se a PMgC for de 0,7, as famílias
gastam 70 centavos de dólar acrescentado a sua renda disponível com bens de consumo e
poupam 30 centavos.
A figura a seguir mostra a função-consumo. Sua inclinação indica a parcela do aumento do
consumo acarretado pelo acréscimo de um dólar na renda disponível. Ou seja, a inclinação da
função-consumo é a PMgC.

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Observação: A relação acima nos diz que um aumento na renda disponível dos indivíduos
levaria a um aumento menos que proporcional no consumo. Recentemente, no Japão, o
governo reduziu o Imposto de Renda, esperando que os japoneses consumissem mais, ativando
a demanda agregada da economia japonesa, com o objetivo de aumentar o produto agregado
e o emprego. Ocorreu que o consumo não aumentou. Isso mostra que a relação acima está
errada? Na realidade, o consumo depende da renda futura esperada pelos indivíduos e não
somente da renda atual. Se a renda atual aumenta, mas as expectativas com relação ao
emprego e à renda futura são negativas, o consumo pode não aumentar, e esse aumento de
renda pode se transformar em aumento de poupança. Foi o que aconteceu no Japão.

Investimento
Empresas e famílias adquirem bens para investimento. As empresas investem na ampliação
de seu estoque de capital e na substituição do capital que se desgasta. As famílias compram
novas residências que também fazem parte do investimento. O nível do investimento total na
economia americana alcança a média de, aproximadamente, 15% do PNB.
O montante da demanda de bens de investimento depende da taxa de juros. Para que um
projeto de investimento seja lucrativo, é preciso que seu retorno exceda os custos. Na medida
em que a taxa de juros mede o custo dos fundos de financiamento do investimento, toda
elevação dessa taxa reduz o número de projetos lucrativos e, por isso, causa uma diminuição da
demanda por esses bens.
Toda pessoa que pensa em comprar uma casa tem de enfrentar uma decisão semelhante.
Quanto mais alta for a taxa de juros, maior será o custo da hipoteca. Uma dívida de US$ 100.000
custa US$ 8.000 por ano se a taxa de juros for de 8% e US$ 10.000 se for de 10%. À medida
que a taxa de juros sobe, crescem os custos de aquisição da casa e cai a demanda por novas
moradias.
Os economistas distinguem entre taxa nominal de juros e taxa real de juros. A diferença se
torna visível nos períodos de inflação ou deflação – quer dizer, quando não há estabilidade
dos preços. A taxa nominal de juros corresponde à concepção usual do termo: é a taxa paga
pelos investidores para pagar empréstimos. A taxa real de juros é a taxa nominal corrigida pela
inflação.
Neste momento, basta anotar que a taxa real de juros mede o custo verdadeiro de levantar um
empréstimo. Por esse motivo, dizemos que o investimento depende da taxa real e não da taxa
nominal de juros.
A relação entre taxa real de juros, r, e investimento, I, pode ser expressa pela seguinte equação:
I = I (r)
A equação declara que o investimento depende da taxa de juros. A figura a seguir representa
a função-investimento; ela mostra uma inclinação descendente, porque a demanda por
investimento cai à medida que a taxa de juros sobe.

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Despesas do Governo
As despesas do governo são o terceiro elemento componente da demanda de bens e serviços.
O Governo Federal compra armas, mísseis e o trabalho de seus servidores. Governos municipais
compram livros para as bibliotecas, constroem escolas e empregam professores. Em todos os
níveis, o governo constrói estradas e outras obras públicas.
As compras são apenas um dos tipos de despesa governamental. Outro tipo são os pagamentos
de transferência, como assistência à pobreza e auxílio aos idosos. Mas as transferências, ao
contrário das despesas, não usam, diretamente, a produção de bens e serviços da economia e,
por isso, não são incluídas na variável G.
As transferências, no entanto, afetam, indiretamente, a demanda de bens e serviços. Esse
tipo de pagamento tem um efeito contrário ao dos impostos: aumenta a renda disponível
das famílias, enquanto os impostos têm o efeito de reduzi-la. Portanto, um aumento das
transferências resultante da elevação dos impostos mantém inalterada a renda disponível
agregada. Estamos, agora, em condições de redefinir nossa variável T, como consistindo de
impostos menos transferências. A renda disponível Y – T inclui tanto o impacto negativo dos
impostos quanto o efeito positivo das transferências.
Se as despesas do governo se definem como impostos menos transferências, então G = T
e, assim, o governo tem um orçamento equilibrado. Se G é maior do que T, o governo tem
déficit orçamentário, que ele financia pela emissão de títulos de dívida governamental, isto é,
contraindo empréstimos nos mercados financeiros. Se G é menor do que T, o governo opera
com um superávit orçamentário, que usa para pagar uma parte de seus empréstimos e reduzir
sua dívida.
Não nos preocuparemos em explicar o processo decisório que determina uma política fiscal
específica, isto é, a decisão quanto ao nível das despesas governamentais e dos impostos. Ao
contrário, estamos considerando despesas e impostos como variáveis exógenas. Para indicar
que essas varáveis são determinadas de fora do modelo, escrevemos:
__
G = __
G
T=T

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6.1 O Equilíbrio e a Taxa de Juros


Neste ponto, completamos o percurso do diagrama de fluxo circular da Figura 3.1. Começamos
pela análise da oferta de bens e serviços e acabamos de estudar a demanda por eles.
Mas como podemos ter certeza de que todos esses fluxos se equilibram? O que nos garante
que o somatório de consumo, investimento e despesas do governo seja igual ao montante do
produto? Veremos adiante que a taxa de juros tem o importante papel de equilibrar oferta e
demanda.

O Equilíbrio de Mercado de Bens e Serviços: Oferta e Demanda da Produção


Econômica
As equações a seguir resumem tudo o que foi dito na seção anterior a respeito da demanda de
bens e serviços:
Y =C+I+G
C = C (Y – T)
I = I (r)
__
G =G
__
T = T

A demanda provém do consumo, do investimento e das despesas governamentais. O consumo


depende da renda disponível; o investimento, por sua vez, depende da taxa real de juros; e as
despesas e impostos governamentais são variáveis exógenas relacionadas com a política fiscal.
Consideremos, agora, a oferta de bens e serviços. Como já afirmamos, fatores de produção e
função de produção determinam a magnitude do produto:
Y = F(K,L)
=Y

Podemos, agora, combinar as duas equações. Substituindo a função-investimento na identidade


das contas nacionais, obtemos:
Y = C (Y – T) + I (r) + G

Como as variáveis G e T são determinadas politicamente e o nível do produto é definido pelos


fatores de produção e pela função de produção, podemos escrever:
Y = C (Y.T)+I(r)+ G (Equação 1)

A equação afirma que a oferta de bens e serviços iguala sua demanda, que é a adição de
consumo, investimento e despesas governamentais.
É possível entender, agora, por que a taxa de juros r tem um papel decisivo: ela se ajusta para
assegurar que a demanda iguale a oferta. Quanto mais alta for a taxa de juros, mais baixo é o
nível do investimento e, em consequência, a demanda é menor por bens e serviços, C + I + G. Se

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a taxa de juros for muito alta, o investimento será muito baixo e a demanda será menor do que a
oferta. Se a taxa de juros for muito baixa, o investimento será muito alto e a demanda irá superar
a oferta. No nível de equilíbrio da taxa de juros, a demanda por bens e serviços iguala a oferta.
Embora não considerado, a taxa de juros também afeta o Consumo de forma negativa.
Observação: Na discussão do Capítulo V, não introduzimos o setor externo por questões de
simplificação. Com o Setor Externo, a taxa de juros afeta a Conta de Capital Autônomo (já
observado anteriormente). Assim, se a taxa de juros no Brasil aumenta, o efeito desse aumento
isolado é o de atrair capitais externos, elevando o saldo da conta de Capitais, o que poderia
financiar déficits em Transações Correntes mais elevados e/ou aumentar as Reservas Externas.
No contexto brasileiro atual, com taxa de câmbio flutuante, a elevação da taxa de juros
atrairia capital externo (logicamente, o ingresso de capitais externos vai depender do risco do
Brasil), e esse ingresso adicional de capitais externos (dólares) pressionaria a taxa de câmbio
para baixo, isto é, valorizaria o real em relação ao dólar. Uma redução da taxa de juros levaria
ao processo inverso, com desvalorização do real. E desvalorizações consecutivas gerariam
pressões inflacionárias, comprometendo as metas inflacionárias, por isso, o Banco Central,
recentemente, elevou a taxa básica (taxa dos títulos públicos) de juros (para conter pressões
inflacionárias). A elevação da taxa de juros também atua no câmbio, pois eleva o custo de
oportunidade de reter dólares.
Para dar uma visão mais ampla sobre a adoção de políticas econômicas, vamos considerar as
seguintes relações econômicas:
(i) Mercado de Bens e Serviços
Oferta = Demanda
ou, Y = C (Y − T)+I (r)+ G

Quando o governo decide aumentar seus gastos para estimular a demanda de bens e serviços,
a oferta tende a aumentar se houver capacidade produtiva não utilizada na economia. Nesse
processo, o consumo também aumenta, pois ele depende da renda (ou produto). Nesse
processo, a taxa de juros pode aumentar ou não, dependendo da reação do Banco Central,
aumentando a oferta de moeda ou não. Quando a renda aumenta, os indivíduos desejam
consumir mais e, para tanto, procuram mais moeda. Se a oferta de moeda aumentar, a taxa de
juros pode não aumentar ou até cair. Se a oferta de moeda não for alterada pelo Banco Central, a
taxa de juros subirá, pois a demanda de moeda superará a oferta de moeda. Nesse último caso,
juros mais elevados reduzirão os investimentos, o que compensará, parcialmente, o aumento
na demanda agregada iniciado com maiores gastos públicos (política fiscal expansionista, que
visa aumentar expandir a produção e o emprego).
(ii) Mercado de Moedas
Oferta = Demanda
ou, (M/P) = f (Y, i),
onde, M representa a oferta de moeda definida pelo Banco Central
P, o nível de preços
Y, a renda
i, a taxa de juros nominal.

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Se a renda aumenta, suponhamos, em decorrência de aumento nos gastos do governo (que


estimula a demanda de bens e serviços), a demanda por moeda para transações aumenta. Se
o Banco Central mantiver a oferta de moeda, M, constante, a taxa de juros irá aumentar, pois
a demanda por moeda aumentou e a oferta não sofreu alterações. A demanda por moeda irá
cair com o aumento de juros até voltar ao ponto inicial, em que a demanda de moeda se iguala
à oferta de moeda.
(iii) Setor Externo
Balanço de Pagamentos em equilíbrio
BP = TC (Y, ∈) + Ka (i – i* – de/e – λ) = 0,
onde, o saldo de Transações Correntes depende da renda (quanto mais renda, mais importação),
e da taxa real de câmbio (competitividade, quanto maior a competitividade, mais exportação e
menos importação). Na conta de Capital, temos o ingresso de capitais em função do diferencial
de juros no Brasil e nos EUA, a expectativa de desvalorização cambial e o risco Brasil.
Continuando com a suposição da elevação de gastos governamentais, vejamos o que acontecerá
com o saldo do balanço de pagamentos. O aumento na produção gerado pelo aumento na
demanda de bens aumentará a importação (maior renda, mais importação), piorando o saldo
em transações correntes. Por outro lado, se a taxa interna de juros subir, poderá atrair mais
capital externo, dependendo do risco país (λ), e da expectativa de desvalorização cambial
(de/e), financiando ou não a piora no saldo em transações correntes.
Se a taxa de câmbio for controlada, suponhamos, fixa e o ingresso de capitais for insuficiente
para compensar a piora nas transações correntes, o Banco Central deverá vender reservas
externas (dólares) para não permitir que o câmbio se desvalorize. A pressão de desvalorização,
anulada pelo Banco Central, dar-se-ia em função do desequilíbrio externo criado pela política
fiscal (demanda de divisas superior à oferta de divisas).
Se a taxa de câmbio fosse flutuante, supondo, ainda, que o ingresso de capitais externos
fosse insuficiente para compensar a piora nas transações correntes, haveria desvalorização
até que a demanda e a oferta de divisas (dólares) se equilibrassem. A desvalorização cambial
melhoraria a saldo em transações correntes até que a variação final nas transações correntes
fosse totalmente compensada pelo ingresso de capitais. Esse novo equilíbrio no balanço de
pagamentos se daria a uma taxa de câmbio mais elevada. É possível que a desvalorização
cambial, por aumentar o preço em dólares dos produtos e serviços importados, acarrete
impactos inflacionários além dos desejados em função, por exemplo, de metas de inflação.
Ocorrendo inflação “excessiva”, provavelmente, o Banco Central elevaria a taxa de juros para
reduzir a demanda agregada (consumo e investimento). Novamente, essa segunda elevação da
taxa de juros poderia atrair ou não mais capital externo.

7. A DEMANDA AGREGADA

O Modelo de Demanda Agregada aqui apresentado, chamado Modelo IS-LM, é uma


interpretação relevante da teoria keynesiana. O modelo IS-LM considera o nível de preços como
sendo exógeno e mostra o que determina a renda nacional.

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As duas partes do modelo IS-LM são conhecidas, obviamente, como curva IS e curva LM. IS
se refere a “investimento”, (I), e “poupança”, (S). A curva IS representa o mercado de bens e
serviços apresentados no Capítulo 3. LM se refere a “liquidez”, (L), e “moeda”, (M). A curva
LM representa a oferta e demanda de moeda. Uma vez que a taxa de juros influi tanto sobre
o investimento quanto sobre a demanda por moeda, ela é a variável que liga as duas metades
do modelo IS-LM. O modelo mostra como as interações entre esses mercados determinam a
demanda agregada.
Inicialmente, consideraremos o modelo contendo somente o mercado de bens e serviços.

7.1 As hipóteses do modelo


As hipóteses básicas do modelo são:

1) O produto da economia é função apenas do número de trabalhadores empregados, ou


seja, variações no volume da mão de obra empregada.

Em linguagem matemática:
Y = f (N, K)
onde:
Y = produto
N = volume de mão de mão de obra
K = estoque da capital (constante no curto prazo)

2) i = i e P = P
Supõe-se que tanto a taxa de juros (i) quanto o nível geral de preços (P) são constantes.
Além das hipóteses básicas, que são essenciais ao desenvolvimento do modelo, faremos outras,
que têm por objetivos simplificar a exposição (e que, portanto, podem ser removidas sem
prejudicar as conclusões):

1) A depreciação do estoque de capital é considerada inexistente;


2) Não há renda líquida recebida ou enviada para o exterior, tampouco transferências
unilaterais;
3) A arrecadação tributária do Governo é constituída apenas por impostos diretos e sua
arrecadação é considerada líquida de transferências; supõe-se a inexistência de impostos
indiretos, de subsídios e de outras receitas correntes do Governo;
4) Todos os lucros auferidos pelas empresas à economia são distribuídos aos sócios ou
acionistas.
Essas hipóteses simplificadoras implicam na igualdade entre os oito conceitos de Produto,
Renda e Despesa. Dessa forma, aos nos referimos a esses agregados, não haverá nenhuma

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ambiguidade quanto a eles. Assim, por exemplo, o Produto Interno Bruto a preços de mercado
(PIBpm) é exatamente igual ao Produto Nacional Líquido a custo de fatores (PNLcf), uma vez
que são inexistentes a depreciação, a renda líquida enviada ou recebida do exterior, os impostos
indiretos e os subsídios.
Por outro lado, a diferença entre a Renda Nacional e a Renda Pessoal Disponível fica reduzida
ao volume de impostos diretos cobrados pelo Governo, já deduzidos das transferências que
este faz ao setor privado, uma vez que não há lucros retidos, nem outras receitas correntes do
Governo. Então:
YD = Y – T
onde:
YD = Renda Pessoal Disponível
Y = Renda Nacional
T = Impostos Diretos menos Transferências

7.2 Condição de equilíbrio do modelo


Em condições de concorrência perfeita, o mercado do bem X estaria em equilíbrio no preço
em que a quantidade demandada pelos consumidores fosse igual à quantidade ofertada pelos
produtores (oferta = demanda).
De forma similar, no modelo keynesiano simples, considerar-se-á que a economia como um
todo estará em equilíbrio se a Oferta Agregada (ou seja, o somatório das demandas por bens e
serviços finais = Produto) for igual à Demanda Agregada (ou seja, o somatório das demandas
por bens e serviços finais de todos os agentes econômicos).

OFERTA AGREGADA (AO) = DEMANDA AGREGADA (DA)

Isso equivale a dizer, em termos mais simples, que toda a produção da economia no período será
vendida aos agentes econômicos, ou seja, a economia não apresentará variação de estoques
no período. De fato, se a Oferta Agregada for maior que a Procura Agregada, as empresas
terão produzido um volume maior do que o desejado pelos agentes econômicos e, portanto,
acumularão estoques indesejados (variação positiva de estoques).
AO > DA ==> Ve > 0
De forma inversa, se a Demanda Agregada for superior à Oferta Agregada, as empresas terão
uma redução indesejada de estoques.
DA > OA ==> Ve < 0
Em ambos os casos, como os preços da economia são considerados constantes, o ajuste da
economia dar-se-á pelo aumento (no caso de variação negativa de estoques) ou pela redução
(no caso de variação positiva de estoques) do volume ofertado no período de produção seguinte

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e terão como consequência um aumento ou uma redução no nível de emprego da economia,
respectivamente.
É possível que, no nível de equilíbrio da renda da economia, nem toda a mão de obra que deseja
trabalhar ao nível de salários vigente na economia encontre emprego.

7.3 Composição da demanda agregada


A Demanda Agregada da economia é constituída pela soma do Consumo das Famílias (C), dos
Investimentos (I), dos Gastos do Governo (G), e da demanda líquida do setor externo (Exportação
menos Importação).
DA = C + I + G + X – M

7.3.1 O consumo
Os gastos das famílias com aquisição de bens de consumo (C) são função crescente de sua renda
disponível (Yd = renda menos a tributação = Y – T). Assim, quanto maior a renda disponível,
maior o consumo.
Podemos ter, então:
C = a + b YD
onde:
a representa o consumo autônomo
e b, a Propensão Marginal a Consumir
O parâmetro “a” representa o chamado consumo autônomo, ou seja, a parcela da demanda
por bens de consumo que é influenciada por outros fatores que não a renda corrente, tais como
taxa de juros, o nível de patrimônio das famílias, as facilidades de crédito aos consumidores e
outros fatores.
O parâmetro “b” representa a propensão marginal a consumir, ou seja, a proporção entre o
acréscimo de consumo (ΔC) e o acréscimo da renda disponível (ΔYd):
b = ΔC / ΔYd
Por exemplo, sendo
C = 20 + 0,8 Yd
E, com Yd = 100, o Consumo seria C= 100.

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7.3.1.1 A poupança
A poupança da sociedade é a diferença entre a Renda Disponível e o Consumo:
S = Yd – C
onde:
S = Poupança
Como C = a + bYd, temos:
S = Yd – a – b Yd,
ou S = – a + (1-b)Yd
onde, (1 –b) representa a Propensão Marginal a Poupar
Exemplo:
C = 20 + 0,8 Yd
Então,
S = Yd – 20 – 0,8 Yd
S = – 20 + 0,2 Yd
Se, Yd = 100, então, S = 0.

7.3.1.2 A tributação
A tributação (T) influencia a Demanda Agregada de forma indireta por meio do Consumo. De
fato, se a tributação aumenta, a renda disponível decresce e, consequentemente, o consumo
se reduz também. Se a tributação diminui, ocorre o contrário.
A tributação pode ser suposta totalmente autônoma ou em parte autônoma e em parte
dependente do nível da renda:
T=T
ou, T = T + tY
onde:
T = tributação autônoma
t = propensão marginal a tributar
A segunda função é uma suposição mais realista, uma vez que os sistemas tributários modernos
são constituídos tanto por tributos cujas bases de cálculo independem da renda (tais como os
que incidem sobre a propriedade) como o próprio imposto de renda.
Exemplo: T = 40
T = 20 + 0,1Y.

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7.3.2 O investimento
O Investimento (I) pode ser suposto total ou parcialmente autônomo:
__ __
I = I ou I = I + dY
onde: __

I representa o investimento autônomo,


e d = a propensão marginal a investir.

Na primeira hipótese, assume-se que os empresários tomam suas decisões de investir sem levar
em consideração o nível de renda presente. Na segunda, mais realista, o nível de investimento
depende de forma direta do nível da renda da economia, ou seja, quanto mais alto este, maior
aquele.
Exemplo:
I = 80
I = 10 + 0,05Y

7.3.3 Os gastos do governo e as exportações


Tanto os Gastos do Governo (G) quanto as Exportações (X) são supostos totalmente autônomos:
G=G e X = X
Os gastos do Governo (G) são, geralmente, independentes do nível de renda. A justificativa é que
as atividades típicas governamentais, tais como a defesa do território nacional e a administração
da justiça, envolvem um montante de gasto fixo que deve ser efetuado, quaisquer que sejam as
variações da renda da sociedade.
As Exportações são consideradas autônomas, uma vez que, por refletirem a demanda do resto
do mundo pelos produtos do país, dependem do nível de renda externo e não do nível de renda
interna.

7.3.4 As importações
As importações, à semelhança dos investimentos e da tributação, podem ser supostas total ou
parcialmente autônomas:
M=M
ou,
M = M_+mY

onde:
M representa as importações autônomas,
e m, a propensão marginal a importar.

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Exemplo:
M = 60 ou M = 20 + 0,02Y

7.4 Determinação do nível da renda de equilíbrio


Da condição de equilíbrio, temos:
AO = DA,
ou, Y=C+I+G+X–M
Exemplo 1:
Considere a seguinte economia:
C = 70 + 0,8 Yd
I = 80
G = 90
T = 75
X = 50
M = 30
Nesse exemplo, o equilíbrio se dá quando:
Y=C+I+G+X–M
Y = 70 + 0,8 Yd + 80 + 90 + 50 – 30
Y = 260 + 0,8 Yd
ou, Y = 260 + 0,8 (Y-75)
Y = 260 + 0,8 Y – 60
Y = 200/0,2 = 1000.

A renda de equilíbrio é 1000. Ou seja, se a economia produzir 1000 unidades, a Demanda


Agregada dos agentes econômicos também será 1000, como se verifica a seguir:
Yd = 1000 – 75 = 925
C = 70 + (0,8*925) = 810
I + G + X – M = 190
(=) Demanda Agregada = 1000
Esse equilíbrio da economia também pode ser demonstrado graficamente.
Se a economia produzir mais de 1000, como, por exemplo, 1200, a Demanda Agregada não
absorverá toda essa produção e haverá uma variação positiva de estoques de 40:
Yd = Y – T = 1200 – 75 = 1125
C = 70 + (0,8*1125) = 970
I + G + X – M = 190
(=) Demanda Agregada = 1160.

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Isso significa que, no próximo período, as empresas reduzirão a produção até que se alcance o
equilíbrio ao nível de renda de 1000.
Ao inverso, caso a economia produza menos de 1000 (por exemplo, 900), a Demanda Agregada
será maior que a Oferta Agregada, provocando uma variação negativa de estoques de 20.
Yd = Y – T = 900 – 75 = 825
C = 70 + (0,8*825) = 730
I + G + X – M = 190
(=) Demanda Agregada = 920.
Exemplo 2:
C = 50 + 0,75 Yd
I = 40 + 0,05Y
G = 160
T = 20 + 0,2Y
X = 80
M = 15 + 0,15Y.
A condição de equilíbrio é: Y = C + I + G + X – M
Então:
Y = 50 + 0,75Yd + 40 + 0,05Y + 160 + 80 – (15 + 0,15Y)
Y = 315 – 0,1Y + 0,75Yd

Como: Yd = Y – T = Y – (20 + 0,2Y) = 0,8Y – 20


Y = 315 – 0,1Y + 0,75 (0,8Y – 20)
Y – 0,5Y = 300
Y = 300/0,5 = 600.

7.5 Os multiplicadores da demanda agregada


Considere os dados a seguir:
C = 70 + 0,8 Yd : X = 50
I = 80 M = 30
G = 90
T = 75
Já sabemos que o nível de equilíbrio da renda é 1000.
Suponhamos que o Governo aumente seus gastos de 90 para 130. A nova renda de equilíbrio
será, então:

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Y = 70 + 0,8Yd + 80 + 130 + 50 – 30
Y = 300 + 0,8(Y – 75)
Y – 0,8Y = 240
Y = 240/0,2 = 1200.
Observa-se que os gastos do governo aumentaram em 40 unidades, mas a renda aumentou
200 unidades.
Pode-se dizer que:
ΔYe = 5*ΔG,
Ou seja, o aumento da renda de equilíbrio foi igual ao acréscimo de G multiplicado por 5. Esse
número é denominado de multiplicador.
Para se entender porque ocorre o efeito multiplicador do aumento dos gastos do Governo
(ou de qualquer outro componente autônomo da Demanda Agregada), pode-se recorrer a
um exemplo simples: suponhamos que esse aumento foi em decorrência da contratação de
pessoas para efetuarem serviços de atendimento médico à população, sendo que essas pessoas
estavam desempregadas.
Em um primeiro momento, a produção (Produto) da economia aumenta pelo montante dos
salários pagos aos funcionários. Entretanto, a produção adicional gera uma renda de igual valor
(salários, no caso) e uma parcela dessa renda adicional será gasta pelos novos funcionários na
aquisição de bens de consumo (que corresponderá à multiplicação do acréscimo de renda pela
propensão marginal a consumir). Esse aumento da demanda por bens de consumo provocará
uma elevação da produção desses bens, fato que gerará uma renda adicional, que realimentará
a demanda por bens de consumo e assim por diante, gerando um mecanismo de multiplicação
dos gastos adicionais do governo.
Exemplo:
Dados: C = 35 + 0,8 Yd ; X = 40
I = 100; M = 30
G = 80
T = 5 + 0,15Y
Considerando esses dados, o multiplicador será igual a:

1 1 1
---------- = ----------------- = ---------------- = 3,125
1 – b + bt 1 – 0,8 + 0,12 0,32

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7.6 O mercado de bens e a curva IS
Passaremos, agora, a considerar que as taxas de juros afetam, explicitamente, os investimentos.
A curva IS mostra a relação entre a taxa de juros e o nível de renda que se estabelece no
mercado de bens e serviços. Para entender essa relação, começaremos com uma teoria simples
da demanda por bens e serviços conhecida como Cruz Keynesiana.
A Cruz Keynesiana é a interpretação mais simples da teoria keynesiana da renda nacional. Ela
constitui um alicerce útil para um modelo IS-LM mais complexo e realista.
Despesa planejada. Para construir a Cruz Keynesiana, começaremos observando os
determinantes da despesa planejada. Despesa planejada é o montante que famílias, empresas
e governo estão dispostos a gastar na compra de bens e serviços. A despesa observada difere da
despesa planejada quando as empresas são levadas a investir em estoques não previstos, isto
é, quando os estoques das empresas aumentam ou diminuem inesperadamente, em resposta a
vendas inesperadamente menores ou maiores.
Supondo uma economia fechada, de modo que as exportações líquidas sejam iguais a zero, a
despesa planejada, E, é a soma do consumo, C, do investimento planejado, I, e das aquisições
governamentais, G, portanto:
E=C+I+G
A essa equação, acrescentaremos a função consumo:
C = C (Y – T)
A função consumo diz que o consumo depende da renda disponível (Y – T). A renda disponível
é a renda total, Y, menos os impostos, T. Consideraremos, ainda, que o investimento planejado
é fixo:
__

I= I

E a política fiscal – isto é, os níveis de despesas do governo e impostos – também é fixa:


G=G
T=T

Combinando essas igualdades, temos:


__

E = C(Y − T)+ I + G

Essa equação diz que a__ despesa planejada é função da renda, Y, do nível exógeno do
investimento planejado, I , e das variáveis exógenas de política fiscal, G e T .
A Figura 6.1 mostra a despesa planejada como função do nível de renda. A linha se inclina para
cima, porque uma renda mais alta determina um consumo maior e, portanto, uma despesa
planejada maior. A declividade dessa linha é a propensão marginal a consumir, PMgC: mostra
quanto a despesa planejada aumenta quando a renda se eleva em um dólar.
Economia em equilíbrio: Consideremos agora que a economia está em equilíbrio, de modo que
a despesa observada é igual à despesa planejada.

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Despesa Observada = Despesa Planejada


Y = E

Figura 6.1 Despesa planejada como função da renda

Figura 6.2 A Cruz Keynesiana

Como a economia alcança o equilíbrio? Para muitas empresas, os estoques têm um papel
destacado no processo de ajustamento. Se as empresas produzem mais bens do que aqueles que
os consumidores estão dispostos a comprar, o excedente é somado ao estoque. Inversamente, se
as firmas produzem menos do que as pessoas desejam, os estoques atendem a essa demanda.
Essas variações não planejadas nos estoques levam as empresas a mudar o nível de produção.

Figura 6.3 Um aumento nas despesas do Governo e a Cruz Keynesiana

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Política Fiscal e o Multiplicador:
Despesas do governo. O primeiro caso a ser estudado será o do impacto de uma alteração
nas aquisições do governo. Como essas são um dos componentes da Despesa Agregada,
um aumento nos gastos do Governo significa que, para qualquer nível de renda, a despesa
planejada cresce. Se as aquisições governamentais aumentam de ΔG, a linha de despesa
planejada se desloca para cima em ΔG, como mostra a Figura 4.3. O equilíbrio da economia se
desloca do ponto A para o ponto B.
A figura mostra que um aumento nas despesas do governo provoca um aumento ainda maior
na renda, isto é, ΔY é maior do que ΔG. A razão ΔY/ΔG é chamada multiplicador das despesas
do governo; diz-nos quanto a renda cresce em resposta a um dólar de aumento das despesas
do governo. Uma implicação da Cruz Keynesiana é o fato de o multiplicador nas despesas do
governo ser maior do que um.
Por que a política fiscal tem um efeito multiplicador sobre a renda? De acordo com a função
consumo, uma renda mais alta é acompanhada por um maior consumo. Como o aumento das
despesas do Governo aumenta a renda, também aumenta o consumo, o qual, por sua vez,
aumenta a renda, que aumenta mais o consumo, e assim por diante. Portanto, nesse modelo,
um aumento nos gastos do Governo provoca um aumento ainda maior na renda.
O efeito total sobre a renda é dado por:
Alteração inicial nas Despesas do Governo = ΔG
Primeira alteração no Consumo = PMgC x ΔG
2
Segunda alteração no Consumo = PMgC x ΔG
Terceira alteração = PMgC3 x ΔG
..................................................................................................................
ΔY = (1 + PMgC + PMgC2 + PMgC3 +...) ΔG
Portanto, o multiplicador das despesas do governo é
ΔY/ΔG = 1 + PMgC + PMgC2 + PMgC3 + ...
A expressão do multiplicador é denominada série geométrica infinita. Algebricamente,
podemos escrever que o multiplicador:
ΔY/ΔG = 1/(1 – PMgC)
Por exemplo, se a propensão marginal a consumir for de 0,6, o multiplicador será
ΔY/ΔG = 1 + 0,6 + 0,6 2 + 0,6 3 + ...
= 1/(1 – 0,6)
= 2,5
Nesse caso, o aumento de US$ 1 nas despesas do governo aumenta a renda de equilíbrio em
US$ 2,50.

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Corte nos Impostos


Assim como mostra a Figura 6.4, a despesa planejada se desloca para cima em uma distância
PMgC x ΔT. O equilíbrio da economia sai de A para B.
O corte dos impostos tem um efeito multiplicador da renda semelhante ao do aumento das
despesas governamentais. Como anteriormente, a variação inicial da despesa é multiplicada
por 1/(1 – + PMgC). O efeito total da variação dos impostos sobre a renda é dado por:
ΔY/ΔT = – PMgC/(1 – PMgC)
Essa expressão é o multiplicador dos impostos: o montante da variação na renda decorrente
de uma variação de US$ 1 nos impostos. Por exemplo, se a propensão marginal a consumir for
0,6, o multiplicador dos impostos será igual a:
ΔY/ΔT = 0,6 /(1 – 0,6)
= 1,5
Nesse exemplo, um corte de US$ 1 nos impostos eleva a renda de equilíbrio em US$ 1,5.

Figura 6.4 Uma diminuição de impostos e a Cruz Keynesiana

A Taxa de Juros, Investimento e a Curva IS


Para incluir a relação entre taxa de juros e investimento no modelo, representaremos o
investimento planejado por:
I = I (r)
A função investimento aparece na Figura 6.5. Como a taxa de juros é o custo de tomar
empréstimos para financiar projetos de investimento, um aumento na taxa de juros reduz o
investimento planejado.

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A. Função Investimento

B. A Cruz Keynesiana

C. A Curva IS

Figura 6.5 Derivando a Curva IS

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Como a Curva IS é Deslocada pela Política Fiscal

A Figura 6.6 usa a Cruz Keynesiana para mostrar como um aumento nas despesas do Governo,
de
__ G1 para G2, desloca a curva IS. A figura está traçada considerando-se uma dada taxa de juros
r e, portanto, um dado nível de investimento planejado.

A. A Cruz Keynesiana

B. A Curva IS

Figura 6.6 Um aumento nas despesas do Governo desloca a curva IS para a direita.

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Álgebra Simples da Curva IS
Começando pela identidade da contabilidade nacional,
Y=C+I+G
Suponhamos que a função consumo seja:
C = a + b (Y – T)
Onde a e b são números maiores do que zero e que a função investimento seja:
I = c – dr
Onde c e d também são números maiores do que zero.
O parâmetro b é a propensão marginal a consumir, de modo que esperamos que b seja um
número entre 0 e 1. O parâmetro d determina o quanto o investimento varia em resposta a
uma variação da taxa de juros, como o investimento cresce quando a taxa de juros cai, há um
sinal de menos na frente de d.
A partir dessas três equações, podemos obter uma expressão algébrica para a curva IS e ver o
que influencia a posição de IS e sua declividade. Se substituirmos consumo e investimento por
suas respectivas funções na identidade da contabilidade nacional, teremos:
Y = [a + b (Y – T)] + (c – dr) + G
Note que Y aparece nos dois lados da igualdade. Podemos simplificar, colocando todos os
termos Y do lado esquerdo e rearrumando o lado direito:
Y – bY = (a + c) + (G – bT) – dr
Resolvendo para Y,
Y= a+b + 1 G+ –b T+ –d r
1–b 1–b 1–b 1–b

A Teoria da Preferência pela Liquidez


Trata-se da mais simples interpretação da teoria keynesiana da taxa de juros. Assim como a Cruz
Keynesiana é o fundamento da curva IS, a teoria da preferência pela liquidez é uma base para a
construção da curva LM. A teoria explica como a oferta e a demanda de saldos monetários reais
determinam a taxa de juros.
Começaremos pela oferta de saldos monetários reais. Se M representa a oferta de moeda e P,
o nível de preços, M/P é a oferta de saldos monetários reais, isto é,
(M/P)S = M/P ,
M é o nível de oferta monetária determinado pela Reserva Federal; logo, é uma variável de
política econômica exógena. O nível de preços P também é uma variável exógena nesse modelo
(consideramos o nível de preços como sendo dado, porque o modelo IS-LM – nosso objetivo
principal no capítulo – considera o curto prazo em que o nível de preços é fixo). Essas hipóteses
sugerem que os saldos monetários reais são constantes e, portanto, não dependem da taxa de

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juros. Assim, quando construímos um gráfico representando, no eixo horizontal, a oferta de


saldos monetários reais e, no eixo vertical, a taxa de juros, como na Figura 6.7, obtemos uma
reta vertical da oferta.

Figura 6.7 Oferta de moeda e taxa de juros

Vejamos, agora, a demanda por saldos monetários reais. Retém-se moeda, porque esta é um
ativo “líquido”, isto é, ela é, facilmente, usada nas transações. A teoria da preferência pela
liquidez postula que o montante dos saldos monetários reais demandados depende da taxa de
juros. A taxa de juros é o custo de oportunidade de se guardar moeda: é o que se perde quando
se guarda moeda, que não rende juros, em lugar de colocá-la em depósitos de poupança ou
títulos, que rendem juros. Assim como o preço do pão afeta sua demanda, o preço da guarda de
moeda afeta o montante de saldos monetários reais demandados. Em consequência, quando
a taxa de juros sobe, as pessoas desejam manter uma menor quantidade de sua riqueza em
forma de moeda.
Representamos a demanda por saldos monetários reais por:
d
(M/P) = L (r)

Graficamente, temos a Figura 6.8

Figura 6.8 A demanda por saldos monetários reais

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A teoria da preferência pela liquidez indica que a redução na oferta de moeda aumenta a taxa
de juros e que os aumentos na oferta de moeda reduzem a taxa de juros. Para entender por
que isso ocorre, suponha-se que a Reserva Federal diminua a oferta de moeda. Uma redução
de M diminui M/P, uma vez que o modelo pressupõe P constante. Assim, a oferta de saldos
monetários reais se desloca para a esquerda, como mostra a Figura 6.9. A taxa de juros de
equilíbrio aumenta de r1 para r2. A taxa de juros mais alta induz as pessoas a reterem um
montante menor de saldos monetários reais.

Figura 6.9 Uma redução na oferta de moeda e a Teoria da Preferência pela Liquidez

Renda, Demanda por moeda e Curva LM


Até aqui, consideramos que apenas a taxa de juros influenciava a demanda por saldos
monetários reais. Contudo, é mais realístico considerar que o nível de renda, Y, também afeta
a demanda por moeda. Quando a renda é alta, a despesa também é elevada, de modo que as
pessoas realizam maior número de transações, o que exige o uso de uma quantidade maior de
moeda. Portanto, uma renda maior implica uma demanda maior por moeda. Representaremos
a função de demanda por moeda por meio de:
d
(M/P) = L (r , Y)
O montante dos saldos monetários reais demandados varia inversamente à taxa de juros e
diretamente à renda.
Por meio da teoria da preferência pela liquidez, é possível constatar o que acontece com as
taxas de juros quando o nível de renda se altera. Veja, por exemplo, o que acontece quando a
renda aumenta de Y1 para Y2. Como se vê na Figura 6.10A, esse aumento na renda desloca para
fora a curva de demanda por moeda. Para equilibrar o mercado de saldos monetários reais, a
taxa de juros deve aumentar de r1 para r2. Assim, um aumento de renda provoca um aumento
da taxa de juros, relação conhecida como curva LM, Figura 6.10B.

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Figura 6.10 A Aumento de renda e aumento de juros

Figura 6.10 B Obtendo a curva LM

Como a Política Monetária Desloca a Curva LM


A curva LM é traçada considerando-se uma dada oferta de saldos monetários reais. Se os
saldos monetários reais registram variação – por exemplo, se a Reserva Federal altera a oferta
de moeda –, a curva LM se desloca
Podemos usar a teoria da preferência pela liquidez para entender como a política monetária
desloca a curva LM. Suponhamos que a Reserva Federal reduza a oferta de moeda de M1 para

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M2, o que provoca a queda dos saldos monetários reais de M1/P para M2/P. A Figura 6.11
mostra o que acontece. Mantendo constante o nível de renda e, assim, a curva de demanda
por saldos monetários reais, uma redução na oferta dos saldos monetários reais provoca uma
elevação da taxa de juros de equilíbrio. Por conseguinte, uma diminuição dos saldos monetários
reais desloca a curva LM para cima.

Figura 6.11 Uma redução na oferta de moeda desloca a curva LM para esquerda e para cima

Conclusão: O Equilíbrio do Curto Prazo


Temos, agora, todos os componentes de modelo IS-LM. As duas equações do modelo são:
Y = C (Y – T) + I (r) + G IS
M/P = L (r, Y) LM
O modelo considera a política fiscal, G e T, a política monetária, M, e o nível de preços, P, como
sendo exógenos. Dadas essas variáveis exógenas, a curva IS mostra as combinações de r e de
Y que satisfazem a equação que representa o mercado de bens, e a curva LM representa as
combinações de r e de Y que satisfazem a equação que representa o mercado de moeda. Na
Figura 6.12, as duas curvas aparecem juntas.

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Figura 6.12 Equilíbrio no Modelo IS-LM

Exemplo: Consideremos a seguinte economia:


C = 45 + 0,8 Yd
I = 80 – 4 i
G = 55
T = 50
M/P = 110
L = 30 + 0,2Y – 2 i
A curva IS será, portanto,
Y = 700 – 20 i
E a curva LM será:
i = 0,1Y – 40,
resultando no seguinte equilíbrio: Y = 700 – 20 *(0,1Y – 40)
e Y = 500 ==> i = 10 %

Explicando as Flutuações por meio do Modelo IS-LM


A interseção das curvas IS e LM determina o nível da renda nacional. A renda nacional flutua
quando uma dessas curvas se desloca, alterando o equilíbrio de curto prazo da economia.
Nesta seção, examinaremos como alterações nas políticas econômicas e choques exógenos à
economia podem provocar deslocamentos nas curvas.

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Alterações na Política Fiscal
Considere-se o efeito de um aumento nas despesas do governo, ΔG. O multiplicador das
despesas do governo, na Cruz Keynesiana, mostra que, a qualquer taxa de juros, essa mudança
na política fiscal aumenta o nível de renda de ΔG/(1 – PMgC). Portanto, como ilustra a Figura
6.13, a curva IS se desloca para a direita, na mesma proporção. O equilíbrio da economia passa
do ponto A para o ponto B. O aumento nas compras do Governo aumenta tanto a renda quanto
a taxa de juros.

Figura 6.13 Um aumento nas despesas do Governo segundo o Modelo IS-LM

Observe que o aumento na renda, em resposta a uma expansão fiscal, é menor no modelo IS-
LM do que na Cruz Keynesiana. Podemos ver isso nas Figuras 6.13 e 6.14: o aumento na renda
de equilíbrio é menor do que o deslocamento horizontal da curva IS. A diferença decorre do
fato de que a Cruz Keynesiana considera que o investimento é fixo, enquanto o modelo IS-LM
leva em conta que o investimento cai quando a taxa de juros sobe. No modelo IS-LM, uma
expansão fiscal aumenta a taxa de juros e reduz o investimento.
De forma semelhante, considere-se uma redução de impostos de ΔT. O multiplicador dos
impostos na Cruz Keynesiana mostra que, a qualquer taxa de juros, essa mudança na política
fiscal aumenta o nível de renda de ΔT x PMgC/(1 – PMgC). Logo, como mostra a Figura 6.14,
a curva IS é deslocada para a direita na mesma proporção. O equilíbrio da economia passa do
ponto A para o ponto B. A redução de impostos aumenta tanto a renda quanto a taxa de juros.

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Figura 6.14 A Resposta da Economia a uma Redução de Impostos

Alterações na Política Monetária


Considere-se o impacto de um aumento na oferta de moeda. Um aumento em M provoca
a expansão de M/P, sendo P constante. A teoria da preferência pela liquidez mostra que,
qualquer que seja o nível de renda, uma elevação dos saldos monetários reais reduz a taxa de
juros. Portanto, a curva LM se desloca para a direita, como se vê na Figura 6.15. O equilíbrio
se move do ponto A para o ponto B. A expansão da oferta de moeda reduz a taxa de juros e
aumenta o nível de renda.
Assim, o modelo IS-LM mostra que a política monetária influencia a renda por meio de uma
mudança na taxa de juros, processo denominado mecanismo monetário de transmissão. O
modelo IS-LM mostra que um aumento na oferta de moeda reduz a taxa de juros, estimulando
o investimento e a, partir daí, expande a demanda por bens e serviços.

Figura 6.15 Um Aumento na Oferta de Moeda segundo o Modelo IS-LM

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A Interação entre as Políticas Monetárias e Fiscal
Quando se analisam alterações nas políticas monetária ou fiscal, é importante ter em mente
que essas políticas podem não ser independentes uma da outra. A alteração em uma delas
pode influir sobre a outra. A interdependência pode alterar o impacto da mudança feita.
Por exemplo, suponha-se que o Congresso, preocupado com o déficit orçamentário, aumente
os impostos para equilibrar o orçamento. Qual o efeito dessa medida sobre a economia? A
resposta depende da reação da Reserva Federal a esse aumento dos impostos.
A Figura 6.16 mostra que há três resultados possíveis. No gráfico A, a Reserva Federal mantém
constante a oferta de moeda. O aumento dos impostos desloca a curva IS para a esquerda e
para baixo, reduzindo, assim, a renda e a taxa de juros. No gráfico B, a Reserva Federal deseja
manter constante a taxa de juros. Nesse caso, quando a taxa de juros desloca a curva IS para
a esquerda, a Reserva Federal deve reduzir a oferta de moeda para garantir a permanência da
taxa de juros em seu nível original. Isso desloca a curva LM para a esquerda. A taxa de juros não
cai, mas a renda cai muito mais do que se a Reserva Federal tivesse mantido a oferta de moeda
constante. No gráfico C, a Reserva Federal procura impedir a queda de renda decorrente do
aumento dos impostos; para tanto, deve aumentar a oferta de moeda. Nesse caso, o aumento
nos impostos não provoca recessão, mas causa uma grande queda na taxa de juros.

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Figura 6.16 A Resposta da Economia a um Aumento nos Impostos

A partir desse exemplo, podemos verificar que o impacto de uma mudança na política fiscal
depende da política adotada pela Reserva Federal, isto é, depende de se procurar manter
constante a oferta de moeda, a taxa de juros ou o nível de renda. De modo mais geral, sempre
que se analisa a mudança em uma das políticas, deve-se verificar sua repercussão sobre a outra
política. As hipóteses sobre o caminho mais adequado dependem da situação concreta e das
muitas considerações que estão por trás da formulação de uma política econômica.

Modelo IS-LM no Curto e no Longo Prazo


O gráfico da oferta e da demanda agregadas (Figura 6.17) mostra que, no ponto C, a quantidade
de bens e serviços demandada iguala a taxa natural do produto. Esse equilíbrio de longo prazo
é atingido, no gráfico do modelo IS-LM, por um deslocamento da curva LM: a queda no nível de
preços aumenta os saldos monetários reais e, portanto, desloca para a direita a curva LM.
Por meio desses gráficos, podemos ver a diferença-chave entre as abordagens keynesiana e
clássica da determinação da renda nacional. A hipótese keynesiana (representada pelo ponto
K) é a de que o nível de preços é constante. Dependendo das políticas monetária e fiscal e de
outros determinantes da demanda agregada, o produto pode desviar-se de sua taxa natural. A
hipótese clássica (representada pelo ponto C) é a de que o nível de preços é flexível. O nível de
preços se altera para assegurar que a renda nacional permaneça sempre em sua taxa natural.
Para apresentar isso de forma diferente, podemos pensar na economia como sendo
representada por três equações. As duas primeiras são as expressões de IS e LM:
Y = C (Y – T) + I (r) + G IS
M/P = L (r , Y) LM

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Essas equações contêm três variáveis de interesse: Y, P e r. A abordagem keynesiana requer
que se complete o modelo como a hipótese dos preços constantes, de modo que a terceira
equação será:
P = P1
Essa hipótese implica um ajustamento de r e Y para que IS e LM sejam satisfeitas. A abordagem
clássica completa o modelo com a hipótese de que o produto atinge sua taxa natural, de modo
que a terceira equação será:
Y=Y
Nesse caso, os ajustes necessários para satisfazer as equações IS e LM são feitos por r e P.

Figura 6.17 Equilíbrio de Longo e Curto Prazos

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Sistema de Contas Nacionais

Com base nesse fluxo, estabelecemos a identidade macroeconômica


PRODUTO AGREGADO = DESPESA AGREGADA = RENDA AGREGADA
(valor da produção final) (despesa c/ o produto) (sal. + lucros + juros + aluguéis)

Macroeconomia e as Contas Nacionais

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Contas do Governo

Secretaria de Orçamento e Finanças, da Secretaria de Planejamento


•• Plano Plurianual (PPA);
•• Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO);
•• Lei Orçamentária Anual;
•• Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Moeda e Preços

Funções da moeda
•• meio de troca – viabiliza transações, facilita o comércio e a troca de mercadorias.
•• unidade de conta – parâmetro de referência nas relações de troca.
•• reserva de valor – permite reter poder de compra.

Demanda por moeda

•• Motivo Transação
•• aumenta com a renda.

•• Motivo Precaução
•• aumenta com a renda.

•• Motivo Especulação
•• diminui com a taxa de juros.

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Criação de moeda

•• Depósitos bancários (D) = Reservas (R) + Empréstimos (EB)


•• Reservas
•• Compulsórias;
•• Voluntárias.
•• A partir dos empréstimos que realizam, os bancos têm a capacidade de aumentar a oferta
monetária.

BACEN

Funções do Banco Central no Brasil


•• Por meio do Mecir, executa a emissão da moeda nacional e o controle monetário;
•• Regulamentação e fiscalização do sistema financeiro;
•• Banqueiro dos bancos e do Tesouro Nacional;
•• Administração das reservas internacionais e condutor da política cambial flutuante suja
com banda implícita.

Política monetária

•• Recolhimentos compulsórios;
•• Taxa de redesconto;
•• Operações no mercado aberto.

COMO GASTAR DINHEIRO (Milton Friedman)

1. GASTAR O DINHEIRO PRÓPRIO EM BENEFÍCIO PRÓPRIO: a dona de casa fazendo compras


preocupa-se muito com a qualidade e com o preço.
2. GASTAR O DINHEIRO PRÓPRIO EM BENEFÍCIO DOS OUTROS: quando alguém compra um
presente, em geral, preocupa-se mais com o preço do que com a qualidade.

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3. GASTAR O DINHEIRO DOS OUTROS EM BENEFÍCO PRÓPRIO: funcionário jantando por conta
da empresa, normalmente, preocupa-se mais com a qualidade do que com o preço.
4. GASTAR O DINHEIRO DOS OUTROS EM BENEFÍCIO DOS OUTROS: as despesas do governo. É
frequente não haver muita preocupação com a qualidade nem com o preço.

Inflação de Consumo e Atacado

•• Inflação de demanda
•• Política fiscal;
•• Política monetária.

•• Choque de oferta
•• Política neutra;
•• Política de acomodação;
•• Política contracionista.

O Sistema de Economia de Mercado

MERCADO é toda instituição social na qual bens e serviços, assim como fatores produtivos, são
trocados livremente.

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A demanda

•• Quanto maior o preço de um bem, menor será a quantidade que cada indivíduo estará
disposto a comprar. Alternativamente, quanto menor o preço, maior será o número de
unidades demandadas.

Tabela e a curva decrescente de demanda

O quadro representa a relação existente entre os preços de venda das laranjas e a quantidade
em quilos demandada pelos consumidores em uma semana.

QUANTIDADE DEMANDADA
PREÇO POR QUILO (reais)
(milhares de quilos por semana)
A 10,00 20
B 7,00 50
C 4,00 80
D 2,00 110
E 1,00 130

Assim, se o preço for R$ 10,00, serão demandados 20 kg na semana; se o preço for R$ 7,00, o
número de quilos de laranjas demandadas na semana será 50.

Para cada preço, há uma certa quantidade de laranjas que os indivíduos estão dispostos a
comprar, uma vez que compram mais à medida que se reduz o preço. A curva de demanda
decrescente tem inclinação negativa.

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Tabela de Oferta

Curva de Oferta individual


A relação numérica entre o preço e a quantidade oferecida é a Tabela de Oferta. A expressão
gráfica dessa relação é conhecida como Curva de Oferta Individual.

Curva de Oferta de Mercado


Mostra a relação entre a quantidade de um bem oferecida por todos os produtores e seu preço,
mantendo constantes os outros fatores (tecnologia, logística e preço de fatores produtivos).

A curva de oferta

Curva de oferta de laranjas.


A cada preço, os agricultores estão dispostos a oferecer uma quantidade de laranjas.
Conforme aumenta o preço, os agricultores aumentam a oferta de laranjas, pois os
lucros obtidos serão maiores.

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Tabela e a curva crescente de oferta
Mostra como a quantidade oferecida aumenta junto com o preço, refletindo o comportamento
dos produtores.

O Equilíbrio de Mercado

•• Quando colocamos em contato consumidores e produtores com seus relativos planos de


consumo e produção, isto é, com suas respectivas curvas de demanda e oferta em um
mercado particular, podemos analisar como acontece a interação entre ambos os agentes.
•• Interação entre os agentes
•• produtores;
•• consumidores.
•• Estudo conjunto de ambas as curvas;
•• Preço de equilíbrio;
•• Quantidade de equilíbrio.

O preço de equilíbrio

É aquele em que coincidem os planos dos demandantes ou consumidores e dos ofertantes ou


produtores.

Quantidade Quantidade
Situação do
Preço/quilo(R$) demandada ofertada
mercado
(1000/quilo (1000/quilo)
Excedente ou excesso
10,00 20 150
de oferta
Excedente ou excesso
7,00 50 120
de oferta
4,00 80 80 Equilíbrio de mercado
Escassez ou excesso de
2,00 110 40
demanda
Escassez ou excesso de
1,00 130 20
demanda

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O equilíbrio de mercado

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Aspectos essenciais de uma economia de mercado

•• Oferta de bens e serviços rentáveis pelos quais há demanda;


•• Escolha do consumidor dentro de suas possibilidades de renda;
•• Compra ou locação dos fatores produtivos;
•• Variações no preço dos bens.

Concorrência Perfeita

⇒ Um mercado em concorrência perfeita é aquele no qual existem muitos compradores e


vendedores, de tal forma que nenhum deles, individualmente, exerce influência sobre o preço.
Quatro suposições dessa estrutura de mercado:
•• existência de infinitos ofertantes e demandantes;
•• homogeneidade do produto;
•• informação perfeita ou transparência do mercado;
•• liberdade de entrada e saída do mercado.

⇒ RESULTADO IMPORTANTE: Como há liberdade de entrada nos mercados de concorrência


perfeita, os lucros das empresas tendem a se equiparar.

Monopólio

⇒ No mercado monopolista, existe apenas um ofertante, que tem plena capacidade de


determinar o preço.
Fatores que explicam a aparição do monopólio:
•• O controle exclusivo de um fator produtivo ou de uma fonte de matéria-prima indispensável
para a produção de um determinado bem;
•• A concessão de uma patente (caráter temporal);
•• O controle estatal da oferta de determinados serviços;
•• O porte do mercado e a estrutura de custos de indústrias especiais podem dar lugar a um
MONOPÓLIO NATURAL.
⇒ Um monopólio natural surge quando uma empresa diminui fortemente seu custo médio
por unidade de produto, à medida que aumenta a produção. Dessa forma, poderá satisfazer às
necessidades do mercado de forma mais eficiente que muitas empresas pequenas.

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Regulamentação do Monopólio

Quando uma indústria se monopoliza, o preço de venda é maior que o preço de mercado em
concorrência perfeita e o nível de produção inferior. Logo, há maiores lucros para a empresa
monopolística e maiores prejuízos para os consumidores.
Possíveis alternativas de regulamentação do monopólio:
•• Dividir o monopólio em duas ou três empresas;
•• Estabelecer um imposto sobre o monopolista para reduzir os lucros extras, devolvendo aos
consumidores, sob a forma de transferências, o excesso de preço que pagam;
•• Obrigar o monopolista a fixar um preço que elimine os lucros extras;
•• Estabelecer um preço que situe a empresa monopolística em uma posição em que seu
volume de produção seja equivalente ao da concorrência perfeita.

Oligopólio

⇒ No mercado oligopolista, existe um número reduzido de vendedores (ofertantes) diante de


uma grande quantidade de compradores, de forma que os vendedores podem exercer algum
tipo de controle sobre o preço.
Características básicas desse tipo de mercado:
•• Interdependência mútua;
•• Os preços são determinados levando-se em conta a reação das rivais.
As opções são:
•• adivinhar as ações das rivais;
•• entrar em acordo sobre os preços e competir somente em publicidade;
•• formar um cartel (preço comum e maximização conjunta dos lucros), isto é, ao invés de
competir, cooperar e repartir o mercado.

Será que os acordos de cartel são acordos ESTÁVEIS?


⇒ Dilema dos prisioneiros Prisioneiro B
Confessa Não Confessa
Confessa – 5, – 5 – 1, – 10
Prisioneiro A
Não confessa – 10, – 1 – 2, – 2

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⇒ Determinação de preços Empresa 2
Cobra $4,00 Cobra $6,00
Cobra $4,00 $12, $12 $20, $4
Empresa 1
Cobra $6,00 $4, $20 $16, $16

Outras estruturas clássicas

⇒ Concorrência Monopolística – embora apresente, como a concorrência perfeita, um


número elevado de empresas, essa estrutura de mercado se caracteriza pelo fato de que as
empresas produzem produtos diferenciados, embora substitutos próximos. Na concorrência
monopolística, cada empresa tem certo poder sobre a fixação de preços, mas a demanda é
bastante elástica e permite que os consumidores procurem alternativas aos aumentos de
preço.
⇒ Monopsônio e Oligopsônio – existência de muitos vendedores e apenas um comprador, no
primeiro caso, e poucos compradores no segundo.
⇒ Monopólio Bilateral – um monopolista e um monopsonista. Geralmente, suas posições são
antagônicas e somente a negociação recíproca permite a definição do preço.

Concorrência Concorrência
Característica Monopólio Oligopólio
Perfeita Monopolística
1. Número de
Muito grande Uma empresa Pequeno Grande
Empresas
Homogêneo ou
2. Produto Homogêneo Não há substitutos Deferenciado
diferenciado
3. Controle sobre Sem Tendência de Pouco poder
Grande poder
preços possibilidades controle (substitutos)
4.Concorrência
Sem possibilidade _ Intensa Intensa
extra-preço
5. Condições de
Sem barreiras Com barreiras Com barreiras Sem barreiras
ingresso

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ESTUDOS DE CASOS PRÁTICOS

1. Considere os seguintes dados referentes às transações de determinado país com o


resto do mundo (em milhões de unidades monetária):
Importações: 400
Exportações: 200
Remessa de lucros ao exterior 20
Remessa de juros ao exterior 30
Pagamento de fretes 10
Pagamento de seguros 5
Transferências vindas do exterior pelos agentes privados domésticos: 15
Investimentos diretos realizados por empresas externas no país: 100
Amortizações da dívida externa: 50
Reinvestimentos de lucros realizados por não residentes no país: 50
Investimento de curto prazo realizado por não residentes no país: 150
Pede-se o saldo da balança comercial, da balança de serviços e o saldo total do balanço de
pagamentos.

Solução:
Balança comercial = 200 – 400 = – 200
Balança de serviços = – 20 – 30 – 10 – 5 = – 65
Transferências unilaterais = + 15
Saldo do BP em conta corrente = – 200 – 65 + 15 = – 250
Movimento de capitais = 100 – 50 + 50 + 150 = 250
Saldo total do BP = zero

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2. O conflito entre inflação e desemprego no curto prazo, representado pela Curva de
Phillips, mostra que:
Conceito: a curva de Phillips mostra o comportamento das taxas de inflação e de desemprego,
indicando uma relação inversa não linear entre elas, no curto prazo.
Representação Gráfica:

Alternativas:
a) Quando a taxa de inflação aumenta, o desemprego (em porcentagem) sobe.
INCORRETA: O aumento da taxa de inflação REDUZ a taxa de desemprego, já que existe uma
relação inversa entre tais variáveis, como indicado na representação gráfica acima.
b) Quando a taxa de inflação cai, o desemprego (em porcentagem) diminui.
INCORRETA: a queda da taxa de inflação AUMENTA a taxa de desemprego, pelos mesmos
motivos registrados na alínea supra.
c) Quando a taxa de inflação cai, o desemprego (em porcentagem) aumenta.
CORRETA, devido à relação inversa existente entre taxa de inflação e taxa de desemprego no
curto prazo (veja a representação gráfica).
d) Quando a taxa de inflação aumenta, o desemprego (em porcentagem) permanece constante.
e) Quando a taxa de inflação cai, o desemprego (em porcentagem) permanece constante.
AMBAS INCORRETAS, pois, pela própria FORMULAÇÃO DO MODELO DA CURVA DE PHILLIPS, o
desemprego não é uma variável autônoma em relação à taxa de inflação, mas, pelo contrário,
conserva um forte nível de correlação com a evolução do nível geral de preços.

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3. O Produto Nacional Bruto (PNB) real é obtido:


Conceito: o produto nacional de uma economia é a expressão monetária da produção nacional
de bens e serviços. Enquanto expressão monetária, tal agregado macroeconômico está
“contaminado” pela inflação (alta dos preços). Para se ter uma ideia efetiva de como evoluiu
a produção de bens e serviços de uma certa economia, em termos reais, é preciso, portanto,
expurgar do Produto os efeitos inflacionários. Ao resultado de tal expurgo, dá-se o nome
de Produto Real, isto é, o Produto livre dos efeitos inflacionários, o Produto deflacionado (a
preços constantes). O índice de preços utilizado para expurgar o efeito inflacionário do Produto
nominal (ou produto a preços correntes) é chamado de deflator. Matematicamente, podemos
dizer que:
Produto Real = (Produto Nominal: Deflator) x 100
Alternativas:
a) Multiplicando o Produto Nacional Bruto Nominal pelo PNB.
INCORRETA, se multiplicarmos o produto nominal pelo deflator, estaremos duplicando o efeito
inflacionário, ao invés de expurgá-lo.
b) Dividindo o Produto Nacional Bruto nominal pelo deflator do PNB.
CORRETA, conforme conceito e expressão matemática acima, pois, dessa forma, estaremos
deflacionando o produto nominal, isto é, expurgando o efeito inflacionário contido nele.
c) Subtraindo do Produto Nacional Bruto Nominal a taxa de crescimento dos preços.
INCORRETA, pois o Produto Nacional Bruto Nominal é uma grandeza expressa em valores
absolutos e a taxa de crescimento dos preços é uma grandeza expressa em percentual, não
sendo correto, portanto, subtrair de uma grandeza absoluta uma grandeza relativa.
d) Somando ao Produto Nacional Bruto Nominal o total das importações.
e) Somando ao Produto Nacional Bruto Nominal o total das exportações.
AMBAS INCORRETAS, porque o conceito de produto real não guarda nenhuma relação com as
importações e exportações. Quando se fala em produto real, quer se expressar que já foram
expurgados os efeitos inflacionários.

4. A teoria quantitativa da moeda afirma que a quantidade de moeda:


Conceito: Em termos genéricos, a teoria quantitativa da moeda estabelece uma equação de
troca expressa por:
MV = PT
onde:
M = oferta monetária
V = velocidade de circulação da moeda
P = índice geral de preços
T = volume físico das transações efetivamente realizadas

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A referida equação, conhecida como equação de Fischer, sofreu alterações de conceituação
a partir de formulações teóricas sobre as razões pelas quais os agentes econômicos retêm
moeda. Esse novo enfoque, conhecido como contribuição de Cambridge, conferiu nova forma à
equação da Teoria Quantitativa da Moeda:
MV = PY
onde:
M = oferta monetária
V = velocidade-renda da moeda = inverso do encaixe (retenção de moeda pelos agentes)
P = nível geral de preços
Y = produto real
Diz-se que o lado esquerdo da equação (MV) se refere ao lado monetário da economia, sendo
que o lado direito (PY) é o lado real da economia ou, mais precisamente, a expressão monetária
do lado real, já que se refere ao somatório da produção dos diversos bens e serviços por seus
respectivos preços médios. Assim, chama-se o lado direito, também, de produto agregado ou
Produto Interno Bruto (PIB).
A teoria tem o objetivo de formular qual a quantidade de moeda emitida em uma economia
que determina, em última instância, o nível geral de preços pois, no curto, a velocidade-renda
da moeda não se altera (é constante) e o volume de bens e serviços não aumenta na mesma
intensidade e velocidade do aumento da oferta monetária. Assim, para um aumento da
oferta de moeda, a equação MV = PY se dá em um nível mais elevado de preços. Aqueles que
defendem essa teoria são chamados de monetaristas e, portanto, pregam a rigidez monetária
(aperto de liquidez) como terapia anti-inflação.
Alternativas:
a) Multiplicada pela velocidade-renda da moeda é igual ao PNB monetário.
CORRETA, entendendo-se a Teoria Quantitativa da Moeda em sua formulação mais
desenvolvida, conhecida como Contribuição de Cambridge que, em essência, substitui o
conceito de velocidade de circulação da moeda pelo de velocidade-renda da moeda. Tal
substituição ocorre, pois os formuladores entendem a velocidade da moeda como sendo o
inverso da parcela da renda (ou produto) nominal retida sob a forma de moeda.
b) Multiplicada pela velocidade de circulação da moeda é igual ao PNB monetário.
INCORRETA, pois a Teoria Quantitativa da Moeda, quando utilizado o conceito de velocidade
de circulação da moeda (Fischer), estabelece igualdade com o volume físico de todas as
transações multiplicado pelo índice geral de preços, igualdade essa que não corresponde ao
produto monetário.
c) Multiplicada pela velocidade-renda da moeda é igual ao PNB real.
INCORRETA, a quantidade de moeda (M) multiplicada pela velocidade (V) é igual ao produto
monetário (P x Y) e não ao produto real (Y), lembrando-se que, na equação, P representa o
índice geral de preços (ou deflator do Produto).
d) Multiplicada pela velocidade de circulação da moeda é igual ao PNB real.
INCORRETA, pelas mesmas razões comentadas sobre a alternativa B.

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e) Dividida pela velocidade, renda da moeda é igual ao PNB monetário.


INCORRETA, a alternativa descaracteriza a Teoria Quantitativa da Moeda.
Nota: Consideramos que a questão adota, de forma não apropriada, o conceito de PNB para
analisar a teoria quantitativa da moeda. Em nossa opinião, o conceito mais correto seria o
de PIB, pois a teoria quer fazer relação entre oferta monetária e nível de preços, variáveis de
natureza eminentemente internas de uma economia, o que torna, portanto, o conceito de
produto interno mais adequado.

5. Um aumento na taxa de depósitos obrigatórios junto aos bancos provocará, tudo o


mais constante:
Conceito: o termo “taxa de depósitos obrigatórios” faz referência ao depósito compulsório
dos bancos comerciais junto ao Banco Central, por exigência regulamentar, como forma de
controlar a liquidez da economia, diminuindo o efeito multiplicador bancário. A taxa de juros de
uma economia é fortemente sensibilizada pela liquidez monetária, sendo tanto maior quanto
menor for a citada liquidez.
Alternativas:
a) Um aumento na oferta de moeda e uma diminuição da taxa de juros.
INCORRETA. O aumento do depósito compulsório reduz o poder de criação de moeda escritural
exercido pelos bancos comerciais e, portanto, reduz a oferta monetária (entendida como meios
de pagamento = depósitos à vista + papel moeda em poder do público). Logo, uma redução
da oferta monetária provoca ELEVAÇÃO dos juros e não DIMINUIÇÃO, como propõe esta
alternativa.
b) Uma diminuição na oferta de moeda e uma diminuição da taxa de juros.
INCORRETA: É certo que o aumento do compulsório provoca redução na oferta de moeda
(como propõe a alternativa), mas a redução dessa mesma oferta monetária diminui a liquidez
da economia e, portanto, determina uma elevação das taxas de juros, provocada por uma
menor oferta de recursos de empréstimo.
c) Uma diminuição na demanda de moeda e um aumento da taxa de juros.
INCORRETA. O aumento do compulsório interfere diretamente sobre a oferta de moeda e não
sobre a demanda, embora, no mercado monetário, possa haver até mesmo uma elevação da
demanda por moeda, exercida por bancos comerciais que passem a necessitar de um maior
volume de recursos para fazerem face a um depósito compulsório mais elevado. Entretanto, o
que sugere a alternativa é uma redução de demanda, o que não é correto. Cabe destacar que a
parte da alternativa a qual afirma que haverá elevação dos juros está correta.
d) Uma diminuição na oferta de moeda e um aumento da taxa de juros.
CORRETA: Quando o Banco Central quer reduzir o poder de criação de moeda exercido pelos
bancos comerciais, ele eleva o depósito compulsório para que haja, assim, uma diminuição
da oferta monetária, o que significará um aperto de liquidez da economia com decorrente
elevação das taxas de juros.
e) Um aumento na demanda de moeda e um aumento da taxa de juros.

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INCORRETA: Como já visto nas alternativas anteriores, a elevação do compulsório interfere
diretamente sobre a oferta monetária e não sobre a demanda. Entretanto, é oportuno destacar
que, caso haja uma elevação da demanda por moeda, mantidas constantes a oferta monetária
e as alíquotas do compulsório, haverá pressão sobre o mercado monetário com consequente
elevação da taxa de juros.

6. O PIB ao custo dos fatores pode ser deduzido:


Conceito: PIB ao custo fatores = PIB a preço mercado – (Impostos Indiretos – Subsídios)
Alternativas:
a) Subtraindo-se do PIB a preço de mercado os impostos diretos e somando-se os subsídios.
INCORRETA: O que provoca a diferença entre o produto ao custo de fatores e o produto a preços
de mercado são as ações do governo sobre a economia que interferem diretamente no preço
das mercadorias e serviços. Assim, somente impostos indiretos (aqueles que, embora sendo
recolhidos pelas empresas, são assumidos indiretamente pelo consumidor) afetam o preço
das mesmas, o mesmo não ocorrendo com os impostos diretos. Por outro lado, os subsídios
também interferem no valor dos bens e serviços, reduzindo-os, razão pela qual está correta a
parte da afirmativa que diz que, para sairmos do produto a preço de mercado e chegarmos ao
produto ao custo de fatores, precisamos somar os subsídios.
b) Subtraindo-se do PIB a preços de mercado os impostos indiretos e somando-se os subsídios.
CORRETA, pelas razões registradas acima. É extremamente comum que o Governo cobre mais
impostos indiretos que conceda subsídios. Desse modo, de acordo com a fórmula em questão,
ao colocarmos a diferença “Impostos Indiretos – Subsídios” entre parênteses, queremos dizer
que os Impostos Indiretos devem entrar líquidos dos subsídios. Analisando sob esse ponto de
vista, dizemos que o Produto a preço de mercado é sempre maior que o Produto ao custo de
fatores pela cobrança dos Impostos Indiretos líquidos (deduzidos os subsídios). Eliminando-se
os parênteses da fórmula, por meio da multiplicação dos sinais, chegaremos a:
PIB ao custo de fatores = PIB a preço de mercado – Impostos Indiretos + Subsídios
que é exatamente o que diz a alternativa.
c) Somando-se ao PIB a preços de mercado os impostos indiretos e somando-se os subsídios.
d) Somando-se ao PIB a preços de mercado os impostos diretos e subtraindo-se os subsídios.
e) Somando-se ao PIB a preços de mercado os impostos indiretos e subtraindo-se os subsídios.
INCORRETAS: Conforme o conceito, os impostos indiretos devem ser SUBTRAÍDOS do Produto
a preços de mercado. Além disso, os subsídios devem ser SOMADOS.

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7. Um mercado competitivo diferencia-se do monopolista porque naquele:


Conceito: A questão faz referência a regimes de mercado que se opõem entre dois extremos:
concorrência perfeita e monopólio.
Alternativas:
a) O preço e a quantidade ofertada são, aproximadamente, iguais ao preço e à quantidade do
monopolista.
b) O preço e a quantidade ofertada são maiores do que o preço e a quantidade do monopolista.
INCORRETAS, porque, em um mercado competitivo, que se aproxima mais, portanto, do
modelo teórico da concorrência perfeita, os preços são diferentes e menores, relativamente,
ao monopólio, tendo-se em conta que são determinados pelas leis da oferta e da procura,
havendo reduzido poder de determinação de preço por parte dos produtores. Também são
diferentes as quantidades ofertadas.
c) O preço é igual, porém a quantidade ofertada é maior do que a do monopolista.
INCORRETA: Em um mercado competitivo, a tendência é de que os preços sejam mais baixos,
já que são regidos pelas leis da oferta e da procura, não havendo poder de determinação dos
preços por parte dos produtores.
d) O preço é menor, porém a quantidade ofertada é igual a do monopolista.
INCORRETA: Em um mercado competitivo, a tendência é de que as quantidades ofertadas
sejam superiores em relação a um mercado monopolizado.
e) O preço é menor e a quantidade ofertada é maior do que a do monopolista.
CORRETA: Como já visto, o processo concorrencial leva à prática de preços menores em
determinada indústria, pela eficácia das leis de oferta e procura. Igualmente, as quantidades
ofertadas são maiores, pois não há controle de um único produtor sobre os níveis de produção.
Nota: Na presente questão, fala-se em quantidade ofertada e não em oferta. Cabe lembrar que
são conceitos distintos: quando falamos em quantidade ofertada, estamos considerando como
fator de determinação apenas as variações de preço, sendo um dado constante, portanto, a
função oferta. Quando falamos em alterações da oferta, estamos fazendo referência a fatores
diversos que possam influenciá-la, mesmo que não haja alterações de preço, tais como padrão
tecnológico, condições climáticas, expectativas com relação ao futuro etc., também chamados
de fatores extra-preço. Nessa questão, toda a análise deve ser feita considerando-se como um
dado constante a função oferta, não podendo ser levadas em consideração, assim, diferenças
tecnológicas entre os dois mercados (competitivo e monopolista).

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8. Em regime de mercado competitivo, a curva de oferta é a curva de custo marginal
para preços:
Conceitos:
•• custo marginal: incremento de custo variável provocado por um incremento da quantidade
produzida;
•• custo médio: custo total (fixo + variável) dividido pela quantidade produzida; também
chamado de custo total unitário;
•• custo variável médio: custo variável dividido pela quantidade produzida.
Alternativas:
a) Superiores ao custo médio.
b) Superiores ao custo fixo médio
INCORRETAS: A curva de oferta, que expressa o desejo de ofertar, não leva em conta os custos
fixos médios (embutidos no conceito de custo médio), porque os custos fixos já são dados e
não interferem na decisão de ofertar.
c) Iguais ou superiores ao mínimo do custo variável médio.
CORRETA: Levando-se em conta a lei dos rendimentos decrescentes, tem-se que o custo
variável médio, ou custo por unidade produzida (custo unitário). Inicia-se de modo decrescente
(pelo aumento mais que proporcional da produtividade dos fatores), atinge um nível mínimo
e, depois, inicia uma trajetória crescente. Assim, o ponto em que se torna interessante a oferta
de um certo produto é justamente aquele em que o preço se iguala ao custo variável médio
mínimo, sendo que não seria lógico vender um produto a preços inferiores àquele custo.
d) Iguais ou superiores ao mínimo do custo médio.
INCORRETA: A curva de custo marginal não passa pelo mínimo da curva de custo médio.
e) Iguais ou superiores ao custo fixo total.
INCORRETA: A decisão de ofertar não considera o custo fixo total, mas sim o custo variável médio.
Se fosse como proposto pela alternativa, o preço do produto teria que ser excessivamente alto.

9. Os fatores determinantes da elasticidade-preço da procura são:


Conceito: A elasticidade-preço da procura mede a sensibilidade das quantidades procuradas a
alterações de preço, dadas certas características da função procura.
Alternativas:
a) A estrutura de preferências, o preço do bem, de seus substitutos e dos complementares.
INCORRETA: O preço do bem, de seus substitutos e de seus complementares não se constitui
no principal fator determinante da elasticidade-preço. A ideia de elasticidade está mais ligada
aos aspectos de essencialidade e existência de bens substitutos.
b) A inexistência de substitutos, os hábitos e a periodicidade de aquisição do produto.

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INCORRETA: A alternativa deixa de se considerar o principal dos fatores determinantes da


elasticidade-preço, qual seja, a essencialidade do produto.
c) A renda do consumidor, o preço do produto e de seus complementares.
INCORRETA: A renda do consumidor não se constitui em fator determinante da elasticidade-
preço, mas sim de outro conceito de elasticidade, a elasticidade-renda. Além disso, como já
visto, o preço do bem e de seus complementares não é fator determinante da elasticidade-
preço.
O que pretende a teoria da elasticidade é explicar, justamente, porque certos tipos de produtos
são mais ou menos sensíveis a alterações de preço.
d) A essencialidade do produto, os hábitos, a existência de substitutos, a periodicidade de
aquisição e o peso do produto no orçamento do consumidor.
CORRETA: Esta alternativa, ao considerar a essencialidade e a existência de bens substitutos,
é a que cita os fatores determinantes da elasticidade-preço de forma mais completa. Também
o peso de produto no orçamento do consumidor determina, de forma bastante expressiva,
a elasticidade-preço da procura. Vale dizer que produtos com baixo peso na composição
do orçamento são menos sensíveis a alterações de preço. Já os produtos com alto peso na
composição são mais sensíveis a alterações de preço, mais elásticos.

10. A liquidez da economia expande-se quando se:


Conceito: Entende-se por liquidez da economia o volume de oferta monetária, tida como
volume dos meios de pagamento (papel-moeda em poder do público + depósito à Vista).
O papel-moeda em poder do público é igual ao papel-moeda emitido menos o encaixe dos
bancos comerciais.
Alternativas:
a) Expandem os saldos de papel-moeda emitido e contraem-se as reservas esterelizadas junto
ao Banco Central.
CORRETA: Havendo a expansão de papel-moeda emitido, combinada com retração do depósito
compulsório (reservas esterelizadas junto ao Banco Central), há a expansão dos meios de
pagamento, havendo, assim, expansão da liquidez da economia.
b) Contraem os saldos de papel-moeda emitido e expandem-se os encaixes bancários.
INCORRETA: Já que:
•• Meios de pagamento = Papel-moeda em poder do público + Depósito à vista
•• Papel-moeda em poder do público = Papel-moeda emitido – Encaixes bancários
Observamos que a elevação dos encaixes combinada com a redução do papel-moeda emitido
provoca redução no volume de meios de pagamento e consequente queda da liquidez da
economia.
c) Expandem os saldos de papel-moeda emitido e as reservas esterelizadas junto ao Banco
Central.
INCORRETA: A influência sobre a liquidez da economia vai depender da intensidade dos dois
movimentos. Se o aumento do papel-moeda emitido for superior ao aumento das reservas

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compulsórias, poderemos afirmar que a liquidez aumentará. Entretanto, se as reservas
compulsórias se elevarem mais que proporcionalmente à elevação do papel-moeda emitido,
ocorrerá redução da liquidez da economia.
d) Expandem os saldos de papel-moeda emitido e contraem-se os encaixes bancários.
INCORRETA: O conceito de papel-moeda emitido, ou papel-moeda em circulação, inclui o
conceito de encaixe bancário. Entretanto, a simples elevação do papel-moeda emitido não
implica elevação de liquidez, dependendo de como o Banco Central atua sobre as reservas
compulsórias.
e) Contraem os saldos de papel-moeda emitido e expandem-se as reservas esterelizadas junto
ao Banco Central.
INCORRETA: A contração do papel-moeda emitido e a expansão das reservas compulsórias
atingem frontalmente a liquidez da economia, porque atuam no mesmo sentido, qual seja, o da
redução do volume de meios de pagamento.

11. O Governo, como agente econômico, emprega as receitas tributárias em categorias


de dispêndio, que são:
Conceito: Dispêndios do Governo referem-se ao conjunto de gastos públicos efetuados pela
administração pública nas esferas federal, estadual e municipal. Os gastos se agrupam em:
consumo, investimento, subsídios e transferências.
Alternativas:
a) Gastos de consumo, gastos de investimento e subsídios.
INCORRETA, pois não inclui as transferências (aposentadorias, pensões, seguro-desemprego,
etc.).
b) Gastos de investimento, transferências e subsídios.
INCORRETA, pois não considera os gastos de consumo, quais sejam, o custo de manutenção da
máquina estatal.
c) Gastos de consumo e de investimento.
INCORRETA, pois não inclui os subsídios.
d) Gastos de consumo, transferências e subsídios.
INCORRETA, pois não inclui uma das principais categorias de dispêndio do Governo enquanto
agente econômico, qual seja, os gastos de investimento.
e) Gastos de consumo, gastos de investimento, transferências e subsídios.
CORRETA, pois contempla a totalidade das categorias de dispêndio do Governo.

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12. Por que o PIB pode ser considerado uma medida deficiente de bem-estar?
O bem-estar está relacionado à qualidade de vida dos residentes no país ou às condições de
vida de sua população. Esse conceito traduz a ideia de desenvolvimento econômico, que leva
em conta a natureza e a qualidade do crescimento. O crescimento do PIB indica a ampliação
quantitativa da produção, isto é, o crescimento econômico.
Por essa razão, nem sempre o crescimento do PIB, medido em valores monetários, é indicativo
de bom desempenho de uma economia. É preciso uma análise mais depurada para saber se o
comportamento do PIB é resultante da variação dos preços, dos níveis de produção, da geração
de empregos (mercado de trabalho), de distribuição de renda, dos investimentos em melhoria
da qualidade de vida da população ou da combinação desses fatores. É preciso identificar
se o crescimento do PIB é nominal ou real e o impacto efetivo na qualidade de vida do povo
daquele país. A melhoria do bem-estar social só acontece quando ocorre eficiente alocação da
quantidade e qualidade do estoque de capital físico e humano existente, agregados aos fatores
de produção disponíveis.
É importante salientar que o conceito de bem-estar varia entre as diferentes culturas e ao
longo do tempo, o que explica a dificuldade em medir o desenvolvimento de um país, já que
esse conceito pode variar de um lugar para outro. Desse modo, o PIB de um país não pode ser
utilizado como único indicador para definir o nível de bem-estar social de sua população.

13. Quais as principais dificuldades encontradas na medição do PIB?

1. O produto é a soma de todos os bens produzidos em um país, no entanto, esses bens são de
natureza completamente diferente, o que dificulta a soma. Considerando que os indivíduos
necessitam sobreviver, a maior parte dos bens produzidos é vendida no mercado para
adquirir o que precisam. Dessa forma, esses bens são convertidos em certa quantidade de
moeda, possibilitando que bens diferentes sejam somados para o cálculo do produto.
2. A produção é um ato contínuo e sem interrupção, necessitando ser delimitado por
determinado período de tempo, geralmente, um ano.
3. Os bens produzidos nem sempre são para atender diretamente as necessidades do
indivíduo, alguns produtos são utilizados como insumos na produção de outros, são
produtos intermediários que servem para compor outros bens. Por esse motivo, o cálculo
do produto não é realizado em todas as fases do processo produtivo, mas apenas levando
em consideração o valor da produção dos bens e serviços finais, que são aqueles que
satisfazem diretamente às necessidades humanas, evitando, assim, o problema da dupla
contagem.
4. Dos bens que são produzidos, nem todos são vendidos ao mercado; pode ocorrer que
quem o produziu venda uma parte de sua produção e destine outra parte para o próprio
consumo. Dessa forma, esse produto não gera valor monetário, não sendo contabilizado
para o cálculo do produto, consequentemente, não contribui para o cálculo do produto do
país.

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14. Explique o que significa “pleno emprego”. A seguir, mostre quais tipos de
desemprego existem.
Para entender o pleno emprego, é necessário saber que o produto potencial é aquele que
poderia ser alcançado e sustentado no futuro usando, eficiente e plenamente, os fatores de
produção ao longo do tempo. Quando o produto real (efetivo) está alinhado com o produto
potencial, chama-se de pleno emprego, isto é, a plena utilização da capacidade planejada.
Contudo, normalmente, há uma taxa natural de desemprego; é a taxa média de desemprego de
longo prazo que deve ser descontada do pleno emprego.
Desemprego cíclico ou conjuntural: aquele devido às condições recessivas na economia.
Quando há uma diminuição na atividade econômica, deve existir uma diminuição da demanda
por trabalho por parte dos empresários. Nesse caso, o mercado de trabalho determina o nível
salarial: há maior poder de barganha das partes, variando de acordo com a especificidade do
tipo de trabalho.
Desemprego friccional: é aquele decorrente do tempo necessário para que o mercado de
trabalho se ajuste. Exemplo: quando um indivíduo sai voluntariamente de um emprego para
trabalhar em outro e há um intervalo de tempo entre a saída e a admissão no novo emprego,
período esse que pode ser decorrente de deslocamento geográfico, problemas burocráticos,
entre outros.
Desemprego estrutural: é aquele decorrente de mudanças estruturais em certos setores
da economia que eliminam empregos, sem que haja, ao mesmo tempo, a criação de novos
empregos e outros setores. Esse tipo de desemprego pode ser exemplificado com a melhoria
tecnológica, que aumenta a produtividade e possibilita a demissão de empregados, que podem
ser absorvidos por outros setores, mas não imediatamente.

15. Escolha dois índices de preços calculados no Brasil. Compare-os, mostrando a


diferença de metodologia entre eles.
Os índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada
cesta de produtos. Eles surgiram da necessidade de saber a variação conjunta de bens que são
fisicamente diferentes ou variam diferentemente para viabilizar a medição da inflação. Suas
variações medem, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se
referir, por exemplo, a preços ao consumidor, a preços ao produtor, a custos de produção ou
a preços de exportação e importação. Os índices mais difundidos são os índices de preços ao
consumidor, que medem a variação do custo de vida de segmentos da população (a taxa de
inflação ou de deflação).
Há uma série de elementos implícitos nas medidas de inflação ao consumidor, entre os quais se
destacam:
•• A região/cidade e a faixa de renda da população coberta;
•• A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que identifica a cesta de consumo da população
da região/cidade e da faixa de renda selecionada;
•• A metodologia empregada no cálculo, de forma a combinar, em única medida estatística, a
variação do preço do conjunto de bens e dos serviços pesquisados;

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•• A definição da periodicidade e das fontes para a coleta de preços (tipo e tamanho de pontos
comerciais, coletas de informações de preços de serviços e aluguéis, entre outras).
Para comparação, escolhemos dois índices de preços utilizados no Brasil, ambos calculados
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São eles:

1. O IPCA é o índice mais relevante do ponto de vista da política monetária, já que foi escolhido
pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) como referência para o sistema de metas para a
inflação, implantado em junho de 1999;
2. O INPC é um índice muito utilizado em dissídios salariais, pois mede a variação de preços
para quem está na faixa salarial de até 6 salários mínimos.
A coleta de preços para o IPCA e o INPC cobre as nove maiores regiões metropolitanas do País
(Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São
Paulo), além do Distrito Federal e do município de Goiânia. O índice nacional é calculado a partir
da agregação dos índices regionais. A variável de ponderação do INPC é a "população residente
urbana", enquanto, no caso do IPCA, considera-se o "rendimento total urbano". Em julho de
2006, o INPC e o IPCA passaram a ser calculados tendo por base as ponderações obtidas a
partir dos resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE de julho
de 2002 a julho de 2003.
Como ressaltado na Tabela 1, o IPCA e o INPC cobrem diferentes faixas de renda. O INPC se
restringe aos assalariados com renda entre 1 e 6 salários mínimos, enquanto o IPCA compreende
rendas familiares de qualquer natureza até 40 salários mínimos.

Tabela 1 – ÍNDICES DO IBGE – IPCA e INPC

Área de Coleta Início


Instituto Compo- Faixa de
Índices Abran- Divulga- Utilização Divulgação da
Índice nentes Renda
gência ção série
1 a 40
IPCA salários 11
mínimos maiores Dia 1º ao Até o dia 15
IBGE Não há regiões dia 30 do Genérico do mês sub- 1979
1a6 metropo- mês seqüente
INPC salários litanas
mínimos

A pesquisa de preços do IBGE está subdividida nos seguintes grupos principais: alimentação e
bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais,
despesas pessoais, educação e comunicação. O peso relativo de cada grupo é reestimado
mensalmente, considerando-se a cesta de consumo na data-base e a variação relativa dos
preços dos bens e serviços do grupo.
A coleta de preços é realizada em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços,
concessionárias de serviços públicos e domicílios (neste último caso, para apuração do valor
de aluguéis e despesas de condomínio). O preço coletado é o valor de venda à vista. Os preços
são coletados durante o mês civil e os índices divulgados no início do segundo decêndio do mês
seguinte.

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16. A partir da década de 1990, tem-se registrado uma melhora no índice de Gini
brasileiro. Discuta quais razões são apontadas para explicá-la e sua importância para
a economia brasileira.
A análise dos conceitos de: i) crescimento econômico, que é a ampliação da quantidade
de produção; ii) desenvolvimento econômico, que está associado à condição de vida da
população ou à qualidade de vida dos residentes no país; e, iii) PIB per capita, que corresponde
ao PIB dividido pela população do país; permite-nos entender o porquê de o Brasil ainda ser
considerado um país em desenvolvimento.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que une os conceitos de renda per capita aos
indicadores sociais (condições de educação e expectativa de vida), aponta para melhoria no
nível de vida da população do país ou seu bem-estar. Entretanto, no Brasil, a distribuição de
renda ainda apresenta significativa concentração e desníveis regionais e/ou setoriais entre as
faixas de populações agrupadas (estratificadas).
Durante os anos 1990, observou-se uma deterioração da distribuição de renda no Brasil.
Enquanto o PIB per capita decrescia, a população mais pobre concentrava cada vez menos
renda (teve perda real de renda), a população mais rica ampliava sua parcela de participação
(teve aumento real de renda).
No início dessa década, o país intensificou sua abertura comercial, a livre concorrência, a
renegociação da dívida externa, fomentou as privatizações e a desregulamentação do mercado.
A estabilização da economia e a tentativa de eliminação da inflação ainda representavam
grande desafio.
Porém, entre 1990 e 1994, a política industrial restringiu-se à abertura comercial, redução
tarifária e eliminação imediata das restrições não tarifárias às importações.
Então, a partir do Plano Real (1993) e após a estabilização da economia, houve uma leve
melhoria do Índice de Gini, com a queda da inflação, que proporcionou a melhoria da renda
das classes mais baixas, as mais atingidas pela inflação. Contudo, a elevação dos níveis de
desemprego, ou subempregos, fez com que essa melhora fosse muito reduzida.
Como a estabilidade da economia tornou-se prioritária, a sobrevalorização da moeda nacional
e as elevadas taxas de juros resultaram em aumento das importações, dependência de bens
de capitais estrangeiros, perda de competitividade aos produtos industrializados brasileiros e
no aumento do desemprego: de 4,35%, em 1991, saltou para 7,66%, em setembro de 1998. A
capacidade de produção aumentou, a taxas pouco expressivas, motivadas pelos investimentos
em modernização, produtividade ou qualidade, mas resultou em menor utilização de mão de
obra e significativo crescimento do mercado informal de trabalho.
Na fase pós-Real, a queda brusca da inflação teve efeitos significativos no poder de compra
da população, que passou a consumir e demandar crédito em razão do poder de compra
reativamente constante da nova moeda. Essa situação levou o Governo, no final de 1995, a
sacrificar o crescimento da economia, implantando medidas de aumento dos compulsórios,
restrições de crédito e juros altos para conter uma eventual inflação de demanda e evitar
déficit elevado na balança comercial: preservar a estabilização. Cabe lembrar que o aumento
do consumo, atrelado às restrições externas e baixo nível de popança interna, não repercutiu
no crescimento econômico brasileiro, mas sim no aumento do consumo de importados e do
déficit na balança comercial.

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O agravamento da vulnerabilidade da economia brasileira às crises externas fez com que o Brasil
necessitasse recorrer ao FMI e levou à desvalorização do Real em janeiro de 1999, agravando
a perspectiva de recessão, da deterioração dos indicadores socioeconômicos e de empregos,
decorrentes da alta dos juros.
As condicionantes históricas (como concentração agrária e de renda, demanda reprimida das
classes menos favorecidas) tiveram grande impacto na queda do PIB per capita na década
de 1990. Por outro lado, a modernização do parque industrial brasileiro não absorveu a
contento a grande oferta de mão de obra, detentora de baixa qualificação, nem a remunerou
adequadamente, distanciando ainda mais a distribuição de renda entre os mais pobres e os
mais ricos.
Ao citar a Teoria do Bolo – que implica crescer primeiro para depois distribuir –, tenta-se explicar
a trajetória econômica enfrentada pelo país. Mas é somente a partir de 1998 que uma pequena
melhora no índice de Gini começa a ser percebida, demonstrando melhora na distribuição da
renda da população.
Finalizando, cabe lembrar que, para a economia, é importante a redução do Índice de Gini,
pois significa que está havendo uma melhor distribuição de renda, permitindo que classes
menos favorecidas consumam mais, impulsionando a economia do Brasil, na busca do atingir
as condições de “país em desenvolvimento”, ao invés de ser o eterno “país do futuro”.

17. Quais são as principais mudanças no papel do Estado no Brasil a partir da década
de 1990?
Ao longo de sua história, o Brasil apresenta mudanças significativas no papel do Estado no
desenvolvimento econômico.
O país viveu a forte presença do Estado na fase colonial (agroexportadora), quando qualquer
atividade sofria intervenção do governo, à intensa concentração de esforços no processo
de industrialização. Depois, na década de 1930, o Estado assumiu papel de condutor,
regulamentador, produtor e financiador da evolução industrial brasileira, o que resultou na
ampliação de empresas estatais que assumiram serviços públicos, de infraestrutura, energia,
transportes, telecomunicações e água, entre outros: período pró-estatização. Relações essas
que apenas se dinamizaram ou foram ampliadas no governos militares, pós-64.
Na década de 1990, a economia brasileira passou por uma profunda modificação da atuação
do Estado, que reduziu, substancialmente, suas intervenções nas atividades econômicas, no
controle de preços, nas relações trabalhistas, na produção subsidiada, adotando taxas de
câmbio flutuantes e permitindo o livre mercado.
Optou-se pelo demonte significativo da estatização promovida nos governos anteriores;
o Goveno, ao mesmo tempo em que questionou a atuaçao dos bancos públicos, passou a
fomentar as privatizações de bancos estatais; propôs, inclusive, a revisão da CLT, em razão
da elevação do nível de desemprego. Apesar dessas mudanças, o Estado ainda manteve seu
papel captador e repassador da poupança. Esse realinhamento de postura fora, em grande
parte, motivado pelo descontrole fiscal e ineficiência do próprio Estado, que, necessariamente,
adotou duas linhas de ação em suas reformas:

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a) A tentativa de racionalização e controle fnanceiro e administrativo do setor público
nacional;
b) A redefinição do papel do estado na economia e privatização de empresas públicas.
Consequentemente, buscou-se ampliar o controle dos gastos do governo em nível de
endividamento; racionalizar o processo orçamentário por meio da unificação dos orçamentos
existentes e da lei de diretrizes orçamentárias; redefinir as atribuições entre autoridades
monetárias e fiscais brasileiras; estabelecer limites de endividamento aos Estados e municípios
e atribuir ao Congresso o controle desses endividamentos.
Também se procurou implementar privatizações e concessões de seviços públicos para a
inciativa privada, por meio da criação do Programa Nacional de Desestatização. Isso se deu em
razão de que a capacidade do Governo de garantir recursos, investimentos em produção, novas
tecnologias, infraestruturas e promover o desenvolvimento socioeconômico da população
estava cada vez mais aquém das demandas geradas pela globalização dos mercados.
Todas essas mudanças exigiram uma nova postura do Estado, que se tornou mais focado
na regulamentação e na defesa da livre concorrência. Portanto, a partir de 1994, adotou o
fortalecimento de orgãos de defesa, da Lei de Livre Concorrência e a ampliação do poder de
decisão do Conselho Administrativo de Política Econômica (Cade), órgão público de defesa da
concorrência, como forma de prevenção e punição a práticas abusivas entre os concorrentes do
mercado. Outros órgãos ou autarquias de regulamentação de setores específicos, como energia
elétrica (Aneel), telecomunicações (Anatel), petróleo (ANP), saúde (ANS) e seguros privados
(Susepe), são criados com o intuito de avaliar o cumprimento dos contratos de concessões e as
metas acordadas com as empresas privadas que assumiram serviços públicos.
Entre as práticas anticoncorrenciais – desleais ou predatórias – utilizadas em razão do poder
de mercado das empresas, regulamentadas pela Lei de Defesa da Concorrência, de 1994,
estão a formação de cartéis, a venda casada, o dumping, a política de preços predatórios, a
discriminação de preços, a exigência de exclusividade ou a fixação de preços de revenda.

18. Explique o que é taxa de câmbio e fale sobre os diferentes regimes (ou sistemas)
cambiais, mostrando vantagens e desvantagens de cada um deles.
As relações econômicas de um país com o resto do mundo dependem, de forma crucial, de
como funciona o mercado de moeda estrangeira. Sendo assim, podemos conceituar a taxa de
câmbio como o preço em moeda nacional de uma unidade de moeda estrangeira, ou seja, valor
de troca entre a moeda nacional e as moedas de países diferentes.
A taxa de câmbio é determinada pelos mecanismos de oferta e demanda aplicados ao mercado
cambial ou mercado de divisas. A mercadoria transacionada nesse mercado são as divisas,
isto é, qualquer moeda estrangeira utilizável em transações econômicas internacionais que
envolvem, em geral, residentes no país e residentes no exterior.
Em geral, o Banco Central é o agente responsável pelo mercado de câmbio e detém grande
capacidade de comprar e vender divisas. Ele administra as reservas internacionais do país e, por
isso, pode atuar no mercado comprando e vendendo grandes valores em moeda estrangeira,
alterando as condições de oferta/demanda e interferindo no nível da taxa de câmbio. Seu
padrão típico de atuação determina o regime cambial de um país.

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Regime cambial é o modelo de atuação do Banco Central no mercado cambial, definindo, em


cada país e em cada momento, o conjunto de regras, acordos e instituições por meio dos quais
se regem as transações internacionais.

18.1. Regime de Taxas de Câmbio Fixas: Regime por meio do qual a taxa de câmbio é mantida
constante. Se mudarem as condições de oferta e demanda e a taxa de câmbio tender a
se alterar, o Banco Central irá intervir como forma de manter a paridade fixada. O Banco
Central segue uma regra clara – não permitir a flutuação da taxa de câmbio –, por isso,
compra e vende dólares diretamente no mercado cambial para equilibrar o nível de oferta
e demanda de divisas no patamar estabelecido. Esse regime permite manter certo nível
de protecionismo interno, apenas como medida de curto prazo, e funciona melhor em
economias mais fechadas.
•• Vantagens: Não há grandes oscilações cambiais (taxas de câmbio); apenas se alteram os
volumes de reservas internacionais do país e de moedas nacionais em circulação no país.
•• Desvantagens: O Banco Central, por meio de processo de arbitragem, não permite a
autorregulação do mercado cambial e necessita manter contínua política de ajustes para
sustentar o equilíbrio entre déficit interno e externo, o que pode comprometer, em longo
prazo, a competitividade dos produtos do país no mercado mundial. A economia do país
fica mais vulnerável a choques externos.

18.2. Regime de Taxas de Câmbio Flutuantes: Regime no qual a taxa de câmbio pode variar
(flutuar) continuamente, até mesmo em um único dia. A interferência do Banco Central
é bem menor, podendo este permanecer totalmente ausente do mercado por longos
períodos de tempo, pois a taxa de taxa de câmbio é definida exclusivamente em função
do mercado.
18.3. Vantagens: Permite que a taxa cambial oscile em função da oferta e demanda de divisas
existentes no mercado (mercado se autorregula – livre mercado), sem comprometer
os volumes das reservas do país. Protege melhor a demanda e o nível de emprego da
economia nos momentos de crises externas. Esse regime é mais indicado para países onde
a influência da taxa de câmbio na inflação é pequena (baixo passthru ou passthrough), ou
seja, quando as variações cambiais não causam significativas desestabilizações nos preços
praticados no país.
18.4. Desvantagens: Provoca maior volatilidade no nível de preços e aumenta o nível de
expectativas dos agentes (ofertantes e demandantes de divisas), ocasionando grandes
desconfortos ao comércio mundial, que sofre interferência da constante alteração dos
preços.
Outros regimes cambiais são decorrentes dos modelos básicos apresentados:
a) Regime de Flutuação Suja: Regime em que prevalece a flutuação da taxa cambial, porém
as intervenções do Banco Central são pontuais, sem que haja uma regra clara para que elas
ocorram. Nesses casos, o Banco Central pode intervir quando as oscilações das taxas de
câmbio estiverem interferindo no desempenho econômico desejado, buscando equilibrá-la
ou redirecioná-la ao parâmetro desejado.

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18.5. Vantagens: Enquanto houver estabilidade no mercado, a taxa cambial funciona como
flutuante e ocorre o livre comércio. Prevalece a lei de oferta e demanda e há menor
interferência do Banco Central no desempenho da economia do país.
18.6. Desvantagens: A imprevisibilidade das reais intenções do Banco Central em suas
intervenções (quando e em quanto oscilará a taxa de câmbio) dificulta a avaliação de
riscos às contratações de operações cambiais de longo prazo: compromete políticas e
dimensionamento de riscos aos ofertantes e demandantes de divisas, sejam eles públicos
ou privados.
b) Regime de Bandas Cambiais ou Sistema de Bandas: É um regime intermediário em que o
Banco Central define uma regra explícita de intervenção: a taxa de câmbio poderá variar
entre limites preestabelecidos. O Banco Central determina um intervalo de variação para a
taxa cambial (teto e piso) e passará a vender ou comprar dólares no mercado, sempre que
atingidos esses parâmetros para manter a estabilidade cambial desejada. Algumas vezes, o
Banco Central pode efetuar as chamadas intervenções intramargem, realizadas antes que
atinjam os limites definidos da banda cambial.

18.7. Vantagens: Permite mesclar os regimes cambiais, mantendo um regime de câmbio


flutuante dentro dos limites estabelecidos (entre o teto e o piso) e um regime fixo nos
limites. Permite certo dimensionamento dos riscos envolvidos nas operações cambiais
aos agentes públicos ou privados ofertantes e/ou demandantes de moedas estrangeiras
dentro da banda estabelecida.
18.8. Desvantagens: Dificuldade na definição da taxa central de câmbio e da amplitude das
margens (intervalos de variação). Em economias mais frágeis, menos desenvolvidas, as
bandas tendem a ser mais largas.
No Brasil, entre março/1995 e janeiro/1999, adotou-se um regime de bandas cambiais móveis
(revistos periodicamente), a fim de controlar a elevação progressiva da taxa de câmbio. A partir
de janeiro/1999 o Banco Central (Bacen) adotou o regime de flutuação suja, com intervenções
esporádicas e sem definição de regras claras.

19. Em uma economia, inicialmente, com dois setores, a propensão marginal a poupar
é 0,25 e o I = 150. O consumo autônomo é 50.
PERGUNTA-SE:
a) Qual é a renda de equilíbrio e o que ela significa?
PMgS = 0,25 PMgC = 1 – 0,25 PMgC = 0,75
Y = 50 + 075Y + 150 Y = 200/0,25 Y = 800 (renda de equilíbrio)
Significa que, quando a renda for igual a $800, toda ela será consumida, ou seja, é quando toda
a oferta agregada se iguala à demanda agregada.
b) Qual é o multiplicador e o que significa?
k = 1/PMgS k = 1/0,25 k = 4 (multiplicador)

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O multiplicador igual a 4 significa que cada $1 de Investimento irá aumentar a demanda


agregada em 4 vezes: ocorre uma progressão geométrica do consumo decorrente do valor
investido.
c) Se o governo entrar gastando $50 nessa economia, qual a nova renda de equilíbrio? Que
comentários podemos fazer a respeito do número encontrado?
Y=C+I+G
Y = 50 + 0,75Y + 150 + 50 Y = 250/,025
Y = 1.000 (nova renda de equilíbrio)
Nessa situação, o aporte de investimento do Governo (G) implicará em deslocamento da curva
de demanda agregada para a direita, dada a nova renda de equilíbrio. Assim, podemos afirmar
que tanto os Investimentos privados como os realizados pelo Governo se constituem de
injeções de dinheiro que provocam crescimento econômico, aumento de renda e de consumo
à população.

20. COM BASE NO QUE FOI ESTUDADO EM AULA (E EM SUAS PESQUISAS), CONSIDERE
AS SEGUINTES QUESTÕES PROPOSTAS:
a) Trace a diferença entre equação das trocas e teoria quantitativa da moeda. Que críticas
são, usualmente, feitas a esta teoria? Como se combate a inflação segundo ela?
As pessoas mantêm moeda para adquirir bens e serviços. Quanto maior a quantidade de moeda
de que precisam para essas transações, maior a quantidade de moedas que mantêm. Por
conseguinte, a quantidade de moeda na economia está relacionada à quantidade de unidades
monetárias trocadas nas transações.
O elo entre transações e moeda é expresso na equação chamada “equação das trocas”, de
Fisher, que é uma tautologia ou truísmo, isto é, uma verdade em si mesma.
MxV=PxQ
onde:
M = oferta monetária
V = velocidade-renda da moeda (quantidade de "giros" que uma unidade monetária dá, criando
renda durante certo período de tempo)
P = nível geral de preços
Q = quantidade produzida
O lado esquerdo da equação das trocas revela simplesmente que, ao multiplicar a quantidade
de moeda M pela velocidade V com que ela cria renda, teremos a própria renda nominal PY.
À direita da equação, temos o produto do preço e a quantidade produzida que resulta em uma
quantidade monetária trocada em determinado espaço de tempo. A equação é útil, porque
demonstra que, se uma das variáveis se modifica, uma ou mais entre as outras também deve(m)
mudar para que a igualdade seja mantida.

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Diferentemente, a teoria quantitativa da moeda levanta hipóteses de que a variáveis V e Q são
constantes no curto prazo, em consequência, as únicas que variam são as variáveis M e P. As
variações de M é que causam variações em P e não o contrário.
Essa teoria defende que, se a velocidade de circulação e a quantidade produzida forem
constantes no curto prazo, qualquer elevação na quantidade de moeda significa elevação nos
preços, isto é, quanto maior a quantidade de moeda na economia, maior serão os níveis de
preços.
No entanto, Keynes afirma que essa teoria só é válida quando a economia está em pleno
emprego, pois, nesse cenário, não seria possível aumentar a produção. Outra situação que,
para ele, teria efeito semelhante seria a demanda especulativa.
Ele propõe que, aumentando a oferta de moeda, em uma economia que tivesse desemprego e
capacidade ociosa, as taxas de juros cairiam e elevariam o investimento e a Y real.
Segundo a teoria quantitativa da moeda, a inflação é combatida com redução dos meios de
pagamento da economia pelos três instrumentos monetários básicos:

1. Os recolhimentos compulsórios: Trata-se da esterilização, junto às Autoridades Monetárias,


de uma parcela dos depósitos realizados no sistema bancário. Geralmente, são fixados por
meio de um percentual aplicado sobre esses depósitos, que reduz o poder de multiplicação
da moeda escritural. Quanto maior for a taxa do recolhimento compulsório exigida, tanto
menor será o efeito multiplicador dos depósitos bancários. Assim, pela variação dessa
taxa, as Autoridades Monetárias podem controlar não só o nível dos meios de pagamento
e a liquidez geral da economia, como também a capacidade global de empréstimos. Em
períodos de excitação inflacionária, a expansão da taxa compulsória poderá exercer efeitos
contencionistas.
2. Taxa de redesconto: É a taxa que o Bacen cobra dos bancos comerciais para emprestar
dinheiro. Quando ela aumenta a oferta de moeda, tende a se retrair, porque a taxa de juros
sobe e os bancos comerciais ficam mais prudentes.
3. Operações de Mercado Aberto ou Open Market: Trata-se de operações representadas pela
compra e venda títulos pelo Bacen, que servem para regular os fluxos gerais de liquidez da
economia. Essas operações atuam, fundamentalmente, nos dois sentidos, condicionando,
indiretamente, a expansão ou a redução dos meios de pagamento. Quando o Governo
vende títulos, ele retira a moeda da economia e a taxa de juros aumenta; em contrapartida,
a compra de títulos irriga o mercado financeiro, colocando mais dinheiro em circulação.
b) “A diferença entre inflação de demanda e inflação de custo não é apenas acadêmica.
As conseqüências do diagnóstico refletem-se nas medidas para combater a inflação que o
governo adota, e estas afetam, significativamente, a gestão e as finanças das empresas”.
Explique a afirmação, mostrando a diferença entre inflação de demanda e inflação de custo.
A seguir, mostre como o diagnóstico sobre o caráter da inflação repercute nas medidas
tomadas pelo governo para combatê-la e, por consequência, na gestão e/ou nas finanças de
uma empresa.
A inflação de demanda ocorre quando há excesso de demanda agregada em relação à oferta
disponível. Quanto mais a economia estiver próxima da utilização da capacidade produtiva
planejada e do pleno emprego, maior serão o consumo e a tendência de, a curto prazo, faltar

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produtos/serviços no mercado e de os preços subirem, gerando a inflação de demanda. Nesse


caso, a oferta de produtos mantém-se, a curva de demanda agregada desloca-se para a direita
e os preços sobem.
Em contrapartida, a inflação de custos ocorre quando a pressão dos preços acontece pelo lado
da oferta, dos custos. Na inflação de custos, ocorre uma retração da oferta, podendo haver
desemprego e capacidade ociosa na economia, a chamada estagflação. Nessa situação, as
empresas repassam seus custos de produção, que podem ter origem na desvalorização cambial,
nas interferências do clima (seca, granizo, inundações), aumento de preços de matérias-primas,
na elevação de salários, impostos, energia ou de juros. Os preços sobem e deslocam a curva da
oferta para a esquerda. A inflação de custos também é conhecida como inflação política, dado
o poder de negociação implícito em cada situação.
O correto diagnóstico do tipo de inflação que assola o mercado torna-se extremamente
relevante para que o Governo adote medidas capazes de controlá-la eficazmente. Assim, o
combate à inflação de demanda se dá adotando-se medidas mais conservadoras como: a)
recolher moeda da economia, aumentando a taxa de juros e eliminando o deficit público; b)
equilibrar o orçamento governamental, aumentando impostos e/ou cortando gastos público;
c) desvalorização cambial, diminuindo exportações e aumentando importações; e d) conceder
reajuste salarial, inferior a inflação do período. Entretanto, essas medidas, que constituem o
chamado Choque Ortodoxo, são ineficazes em se tratando de combate à inflação de custos.
O remédio eficaz para uma pode agravar ainda mais a outra, dar resultado completamente
oposto do esperado. Portanto, na inflação de custos, os fatos geradores devem ser avaliados
caso a caso, e, por consequência, serem controlados com medidas específicas. Entre elas,
citamos: a) incentivar a busca de produtividade do trabalhador quando o aumento dos custos
for decorrente de aumentos salarias; b) desvalorizar a taxa de câmbio para ampliar a importação
e forçar a indústria nacional a revisar preços e melhorar competitividade de seus produtos; c)
reduzir impostos de produtos/serviços essenciais (energia, matérias-primas, medicamentos);
d) negociar com as classes sindicais reposição salarial abaixo da inflação do período.
c) Entre as teorias de inflação estudadas em aula, qual(quais) explica(m) melhor as medidas
tomadas pelo Plano Real? Justifique sua resposta, descrevendo os fundamentos da teoria
escolhida e sua vinclação com as medidas implementadas pelo Plano Real.
A teoria que melhor explica as medidas tomadas pelo pelo Plano Real é a de Inflação Inercial,
pois o Brasil, no período de 1991/1993, teve ausência de choques e congelamentos, como
também a manutenção da taxa de câmbio real relativamente estável e elevadas taxas de juros,
que poderiam diagnosticar a inflação inercial. A inflação inercial caracteriza-se pela ideia de
memória inflacionária, em que o índice atual é a inflação passada mais a expectativa futura.
A inflação se mantém no mesmo patamar, sem aceleração inflacionária, e é decorrente de
mecanismos de indexação, que pode ser formal (ou legal) ou informal (criada pelo mercado).
O diagnóstico da inflação inercial considera dois componentes no processo inflacionário: os
choques, que levam à alteração do patamar inflacionário, e a tendência, que faz com que a
taxa de inflação se perpetue em dado patamar.
O combate à inflação inercial poderia ocorrer dos seguintes modos:

1. “choque heterodoxo”, que se baseia no congelamento de preços.

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2. “reforma monetária”, ao convívio de duas moedas, uma boa e uma ruim, com a primeira
substituindo a última ao longo do tempo, como aconteceu no Plano Real com a URV.
3. Por um “pacto” em que todos (ou grande parte) aceitam perder para a inflação poder
baixar.
O Plano Real dividiu o combate ao processo inflacionário em três fases:
Ajuste Fiscal (Política Fiscal) – Visava equacionar o desequilíbrio orçamentário para os
próximos anos e impedir que daí decorressem pressões inflacionárias. Esse ajuste se baseava
em três elementos: corte de despesas, aumento dos impostos e diminuição nas transferências
do governo federal. Ex.: Criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF).
Indexação completa da economia – Unidade Real de Valor (URV) – Uma série de preços e
rendimentos foram convertidos, instatanemente, em URV – preços oficiais , contratos, salários,
impostos, etc. –, e os demais preços foram sendo convertidos, voluntariamente, pelos agentes.
O valor da URV, nessa fase, manteria uma paridade fixa de um para um com o dólar, ou seja,
seu valor seria a própria taxa de câmbio. Esse seria um tipo de combate à inflação inercial, que
é a troca da moeda por outra indexada.
Reforma monetária – transformação da URV em reais (R$) – Quando, praticamente, todos os
preços estavam expressos em URV, o governo introduziu a nova moeda, o Real (R$), em 1º de
julho, cujo valor era igual ao da URV (e, por conseguinte, em US$) do dia: CR$ 2.750,00.
Dado o próprio diagnóstico do plano sobre o caráter inercial da inflação, seu sucesso estava
vinculado à importância do componente tendencial da inflação e à ausência de choques que se
transformassem em processo inflacionário.
d) Trace a diferença entre mercados de fix price e flex price. Em qual deles faz mais sentido
a promoção de vendas por meio de marketing para uma firma aumentar sua participação no
mercado?
O mercado de fix price é caracterizado pela oscilação rígida dos preços, em razão da existência
de monopólios, com grande influência na determinação dos preços de seus produtos e
serviços. Nesse mercado, os ofertantes (produtores) são poucos e, geralmente, formam os
preços de seus produtos/serviços especulando em função dos preços, dos estoques, do poder
de barganha que detêm e de acordo com os custos e mark-up desejado. Assim, no mercado
fix price, existem barreiras à entrada de novos ofertantes, tais como barreiras de domínio
tecnológico restrito (segredo de fórmula), legais, exigência de alto volume de capital inicial ou
gostos e preferências arraigados. Essas barreiras só podem ser removidas ou flexibilizadas de
acordo com os interesses dos monópolios ali já estabelecidos. Como exemplo de monopólios,
temos: as indústrias do aço, de cimento e automobilística; os fornecedores de energia elétrica,
gás e de telefonia fixa; os serviços de aviação e os bancos privados.
No mercado flex price, que se caracteriza pelo mercado concorrencial ou da concorrência
pura, não é possível distinguir os produtores individualmente, que são muitos e correspondem
apenas a “tomadores” de preços. Nesse mercado, também chamado de “atomizado”, a
formação dos preços é bastante volátil (oscila muito), pois obedece à oferta e demanda dos
produtos/serviços, tais como soja, trigo, feijão, etc. A especulação dos preços ocorre em função
dos estoques disponíveis no mercado e não há barreiras à entrada de novos produtores.

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Para C. E. Ferguson, em seu livro “Microeconomia”, “Diz-se existir o oligopólio quando mais de
um vendedor estiver no mercado, porém quando o número não for tão grande a ponto de se
poder negligenciar a contribuição de cada um”.
Ainda, segundo Roger Leroy Miller, em Microeconomia, “Em um duopólio ou em um oligopólio,
os rivais gastam grande parte de seu tempo tentando adivinhar as ações dos outros. A rivalidade
pode incluir outras formas de concorrência sem ser o preço, como propaganda e modificação
de produto, ao invés de utilizar a concorrência de preços”.
É no mercado fix price, no qual os poucos produtores disputam acirradamente market share e a
liderança de mercado, que as promoções de vendas por meio do marketing são mais efetivas à
ampliação da fatia do mercado.
Portanto, entendemos que é nesse mercado, no qual os preços de determinados setores
produtivos são definidos pelos grandes monopólios/oligopólios, que ganha mais mercado a
empresa capaz de ofertar produto com maior diferencial, qualidade, atendimento e serviços
para conquistar e fidelizar novos clientes. O consumidor só troca de marca ou produto se for
convencido que sairá ganhando com a nova aquisição.
No mercado concorrencial, o equilíbrio dos preços é determinado em função da oferta e
demanda dos produtos/serviços – padronizados ou com diferenças pouco relevantes de marca
ou origem –, de forma que o próprio mercado interage e busca a autorregulação; enquanto
que, em um mercado monopolista ou de grandes oligopólios, que se utilizam do poder de
mercado – da influência e do jogo de poder econômico que detém – para determinação dos
preços de seus produtos, faz-se necessário haver regulamentação por parte do Estado para
minimizar ou conter jogos especulativos, formação de cartéis, dumping, reservas de mercado
ou outras práticas desleais ou predatórias.
Foi em função desse cenário que, a partir da abertura econômica, o Estado brasileiro modificou
seu papel e tornou-se mais regulamentador e defensor do livre comércio (menos condutor,
financiador ou produtor), a fim de preservar as relações econômicas decorrentes do mercado,
ainda fortemente influenciado por grandes monopólios/oligopólios, agora globalizado.
Vale ressaltar que, em teoria, em uma situação de livre mercado ou concorrencia pura, a
atuação dos players equilibraria os preços, não havendo necessidade da intervenção do Estado,
mas, na prática, nenhuma economia (país) funciona completamente livre/isento de regulação
nas relações econômicas.
J) Os acordos de Basileia I e II, respectivamente assinados em 1988 e 2004, estabeleceram
princípios que devem ser seguidos pelos bancos dos países signatários. Pergunta-se: (a) quais
foram os objetivos dos acordos? (b) quais são os principais princípios estabelecidos por eles?
a) Os acordos de Basileia I e II foram firmados na cidade de Basileia (Suíça), por iniciativa do
Comitê da Basileia, e ratificados por mais de 100 países, com o objetivo de fortalecer o
sistema financeiro, pela criação de regras que conferissem maior solidez e credibilidade ao
sistema financeiro, e impedir que a competição entre os bancos leve a riscos maiores que
o capital por eles detido. Isso se deve à crescente complexidade dos sistemas financeiros
mundialmente interligados e da magnitude dos fluxos de capitais transacionados, tendo
como decorrência o aumento dos riscos e das turbulências econômicas a partir dos anos
1980 e 1990.

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b) Os princípios estabelecidos pelos acordos são:
•• Acordo de Basileia I: Foi assinado em 1988 e tem como objetivo criar exigências mínimas
de capital, que devem ser respeitadas por bancos comerciais, como precaução contra o
risco de crédito, bem como contemplar os mecanismos de mensuração de risco de crédito.
Em 1996, o Comitê apresentou emenda que incorporou ao Acordo de 1988 o cálculo do
risco de mercado.
•• Acordo de Basileia II: O acordo de Basileia II foi assinado em 2004 para substituir o acordo de
Basiléia I, de 1988, que não conseguiu evitar inúmeras falências de instituições financeiras
na década de 90. O Basileia II fixa-se em três pilares: 1. Capital (guardar); 2. Supervisão
(fiscalizar); 3. Transparência e Disciplina de Mercado (divulgação de dados).
O primeiro pilar do acordo de Basileia II visa aumentar a sensibilidade dos requisitos mínimos
de fundos próprios aos riscos de crédito e cobrir, pela primeira vez, o risco operacional. Com
esse novo acordo, as entidades bancárias serão obrigadas a alocar capital para cobrir, por
exemplo, falhas humanas, incluindo fraudes, e desastres naturais.
O segundo pilar vem reforçar o processo de supervisão quanto à suficiência de montante de
capital nos bancos.
O terceiro pilar visa implementar uma disciplina de mercado com vistas a contribuir para
práticas bancárias mais saudáveis e seguras. De acordo com esse último pilar, os bancos terão
de divulgar mais informação sobre as fórmulas que utilizam para gestão de risco e alocação de
capital.
O objetivo do acordo de Basileia II não é aumentar os fundos próprios regulamentares,
atualmente, detidos pela globalidade do sistema financeiro, mas redistribuir os requisitos entre
as instituições, premiando as que utilizem as metodologias de medição mais sensíveis ao risco
(Pilar 1) e que divulguem, em detalhe, a gestão de risco e os processos de controle adotados
(Pilar 3) .
As fórmulas de cálculo de fundos próprios que estão definidas no Basileia II buscam contemplar
os efeitos de diversificação e consistência das carteiras de crédito, obrigando à estimação das
determinantes da perda esperada – a probabilidade de descumprimento e a perda em caso de
descumprimento.
O novo acordo de capitais irá permitir que todas as instituições, notadamente aquelas que
ainda não adotam as práticas mais avançadas de cálculo de fundos próprios, passem a utilizar
um conjunto de conceitos e procedimentos que, de outra forma, estariam apenas ao alcance
das instituições de maior dimensão e capacidade técnica. Os modelos de risco de crédito, com a
maior proximidade entre capital regulamentar e capital econômico, deverão, necessariamente,
ser utilizados tanto no cálculo de fundos próprios como na decisão de crédito.

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