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e-DOC 64E435FF-e

Proc 26658/2018
MPCDF

Proc.: 26658/18
Rubrica

MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS DO DISTRITO FEDERAL


PRIMEIRA PROCURADORIA

PARECER: 0893/2018–GP1P

ASSUNTO: REPRESENTAÇÃO

REFERÊNCIA: PROCESSO Nº 26.658/2018-e

EMENTA: 1. OFÍCIO Nº 254/2018-GSS, ORIUNDO DA CLDF. INDAGAÇÃO ACERCA


DE MEDIDAS A SEREM TOMADAS EM RELAÇÃO AO PERCENTUAL DE
GASTOS DO ÓRGÃO COM PESSOAL.
2. INFORMAÇÃO SUGERE NÃO CONHECIMENTO E ARQUIVAMENTO.
3. PARECER DO MPC/DF CONVERGENTE COM A UNIDADE TÉCNICA.

1. Cuidam os autos de Ofício nº 254/2018-GSS, encaminhado pela Segunda


Secretaria da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do DF, na pessoa do Excelentíssimo Senhor
Deputado Robério Negreiros, acerca de possíveis impactos orçamentários e financeiros
decorrentes do recolhimento de contribuições patronais dos servidores ativos do órgão aliada à
realização do concurso público em andamento para provimento de cargos dos quadros próprios
daquela jurisdicionada, posto que nomeações de novos servidores poderiam resultar
descumprimento do limite máximo de gasto de pessoal definido pela Lei de Responsabilidade
Fiscal – LRF (LC nº 101/00) para aquela Casa de Leis..

2. Conforme relata a Unidade Técnica, o Gabinete da Segunda Secretaria da CLDF


encaminhou o referido Ofício com intuito de buscar solução para possível descumprimento dos
limites de despesa de pessoal estabelecidos pela Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de
Responsabilidade Fiscal).

Não obstante mereça ser festejada a preocupação manifestada pela Segunda Secretaria
da Mesa Diretora da CLDF, que tem o intuito de se resguardar quanto ao
descumprimento do limite máximo de gasto com pessoal daquela jurisdicionada, tal
situação fática não se reveste, pelo menos nesta oportunidade, em indício de ilegalidade
na forma prevista no inciso III do § 2º do art. 230 do Regimento Interno deste Tribunal
(RI/TCDF), condição sine quan non para o conhecimento e processamento da
representação em exame.
Na espécie, a situação de ilegalidade retratada no Ofício nº 254/2018 – GSS somente
se apresentará caso a Direção da CLDF venha a extrapolar seu limite prudencial de
gastos com pessoal (1,62% da RCL) e mesmo assim prossiga com a nomeação de novos
servidores para os seus quadros, após promulgação do resultado do certame público
de referência. Ou ainda, caso seja extrapolado o limite máximo de gasto (1,7% da
RCL), segundo previsto num dos cenários traçados no Parecer nº 12/2018 –
SEORC/CPEO/GP, e não venha a adotar as medidas previstas no art. 23 da LRF, de
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modo a retornar o correspondente percentual de gasto ao patamar de legalidade em


até 2 (dois) quadrimestres após a extrapolação.

3. Em que pese não estar formulada como Representação, entende o Núcleo que, por
se tratar de notícia de possível irregularidade, que fosse assim tratada. Entretanto, defende que,
por se tratar de mera cogitação de possível descumprimento futuro, não merece a peça ser
conhecida, nos seguintes termos:

4. Assim, após análise, sugere ao e. Tribunal:

I. com base no princípio do formalismo moderado, receber o Ofício nº 254/2018 – GSS,


da Segunda Secretaria da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal –
CLDF (e-DOC DED1BD77-c), como se representação fosse;
II. deixar de conhecer da representação em exame, por não preencher o requisito de
admissibilidade previsto no inciso III do § 2º do art. 230 do RI/TCDF;
III. dar ciência da decisão que vier a ser prolatada à Segunda Secretaria da Mesa
Diretora da CLDF, na pessoa do Excelentíssimo Senhor Deputado Robério Negreiros;
IV. autorizar o arquivamento dos autos, sem prejuízo de futuras averiguações.

5. Após este breve relato, passo à análise do presente feito, informando,


preliminarmente, que atuo nos presentes autos em substituição, consoante o disposto na Lei nº
13.024/2014, na Resolução nº 304/2017, no Ato Normativo nº 1/2015-MPC e na r. Decisão
Administrativa nº 46/2017-TCDF.

6. O caso sub examinen trata de situação peculiar, na qual órgão, antevendo um


possível descumprimento quanto aos limites de gasto de pessoal, encaminha documento ao e.
Tribunal buscando uma “análise da situação”, com o “intuito de evitar maiores danos a esta
CLDF”.

7. A proposta do Núcleo foi no sentido de receber o documento como se


Representação fosse, mas inadmiti-lo. Por outro lado, ainda que fosse a solicitação tratada como
Consulta, careceria de requisitos para sua admissão, uma vez que trata de situação verificada
em concreto.

8. Ora, tendo em conta que se trata de possível atingimento, futuro¸ dos limites
estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, não cabe ao Tribunal de Contas aconselhar
os gestores do Poder Legislativo quanto às medidas a serem adotadas. O mais apropriado, neste
sentido, seria a própria CLDF, mediante ato interna corporis¸ envidar esforços no sentido de
prevenir a situação aventada.

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9. Ante o exposto, este Parquet especializado apresenta entendimento


convergente com aquele manifestado na Informação nº 34/2018 - NAGF.

É o Parecer.

Brasília, 17 de outubro de 2018.

Demóstenes Tres Albuquerque


Procurador Substituto

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