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HAGAR

IS"TO É UM SAco r:EZ QUILOS .

c;e ~VC fAS . PES < \O O . AlÃO?

DIK BROWNE I ~

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DE COMER

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j ) .

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BROW N E , Dik . O melhor de Hagar, o horrível. Porto Alegre: L&PM, 1997 . p. 17 .

Textos

argumentativos

Distinguiremos a argumentação defini d a co mo a ex - pressão de um ponto de vista , em vários e nun c iados ou em um único, e mesmo em uma única p a la vr a ; e a ar g u- mentação como modo especifico de org ani z a ç ão d e uma conste l ação de enunciados . As d uas d ef i n i ç õ e s não sã o , de modo algum, incompatíveis.

CHARAUDEAU, Patrick ; MAINGUENEAU, Dom ini q u e . Dicio n drio

de andlise do discurso. São Paulo: Contex t o ,

2 0 0 4 . p . 5 2 .

~ argumentação é a expressão d e um posi c ionamento

em_ relação a um assunt o , e, n a i n t era çã o

como função princi p al influir n o ponto de vista do

outro, o interlocutor , ou, pelo m e nos , apresentar-lhe um ponto de vista de forma c l a ra . Por conta disso , a argumentação é também um . mo d o e s ec í f í co de orga-

niza ão das ideias concretiza d as

encadeamento lógico g u iado p e lo r a c i oc í nio . A ssim, a

expressão de um ponto de vist a e o m o do e s p e cífico de organização não só são noções co mpat íveis, co mo com- plementares: a eficiente expressão de um a ar g um e nta- ção depende da organização das i d eia s q u e a fo rmam .

social , tem

em e nun c iados : um

o texto: leitura e reflexão

Trabalhador n ão é máquina

A v i da de um desempregado é horrível , porque na nossa soci edade tudo depende do

trabalho: salário, contatos prof i ssionais , prestígio e (quando se é católico ) até o resgate

do pecado oríginal e o b il hete de ingresso para o paraíso . Portanto, se falta o trabalho,

falta tudo.

Mas corre- se o risco de que o prob l ema do desemprego colo-

que em segundo plano o p r oble- ma de quem tem um emprego. Com uma frequência sempre maior, a vida do trabalhador é transformada num inferno, por -

q u e as organizações das empresas

se preocupam em multip l icar a

qua n tidade d e p r odutos, mas não

dão a mí n ima para a fe li cidade de quem os produz.

DE MA S ! , Domenico. O ó c i o c riativo. Rio de Janeiro: Se x tante , 2000 . p . 17 .

Charles Chaplin em cena do filme T e mpos modernos .

o

O text o que você acabou de ler é argumentativo . Come n te as características que

pe

rmit em classificá-I o como ta l .

o

L evando em conta as funções da l i nguagem estudadas no capí t ulo 4, diga qual delas

é predominante no texto . Justifique .

11

As co n j u nções são palavras que se prestam a estabelecer relações lógicas entre seg -

m

e nt os t ex t ua i s. Nos trechos abaixo , indique o tipo de relação estabelecida pelas

conj u nções d estacad as .

a) " A v id a d e um d ese m pregado é ho rr ível , porqu e na nossa sociedade tudo de -

 

p

e nd e d o tr a balh o [ . ] "

 

b ) " Portanto , se fa l ta o tr a balh o, fa l ta t u do. "

c ) "Mas corr e -s e o ris co d e qu e o pr o bl ema do desemprego coloque em seg u n d o plano o pr o bl e m a d e qu e m te m um em p rego. "

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Consid e rand o o tip o d e t ex t o, come nt e p o r q u e o a u tor optou pelo uso do a rti go indefinid o na p ass a ge m " A vi d a d e um d e s e mp rega d o é horrível " .

D

Obser v ando os v e rbos qu e apar ece m n o t e x t o, r esp o nd a:

209

--i

o

ã '5.,

u'"

a ) Qual o tempo e mod o pred o m i n a nte s?

b ) Consif u ando o tipo de te x to , por que o a utor e mpr e gou os ve rb o s nesse temp o

e modo ?

m A o e x por sua s id e ia s , o autor re c orr e a substantivos qu e nomei a m c oisas de que fala:

tr a b al h o , emprego e d esemprego. Como ess e s substanti v os s ão c lassificados p e l a gr a m á tic a ? C o ment e o u s o dess e tip o d e substantivo no t e x to .

D No t ex to predomina a linguagem formal ; no e ntanto , em certa passagem, o a u to r

utiliza uma e x pr e ssã o típic a da linguagem co l o quial . Aponte-a e reescreva o trecho

em que e la apar e c e , utilizando a lin g ua ge m formal .

As sequências argumentativas

o texto de abertura do capítulo é um texto argumentativo . Ne l e, o a ut o r afirma que a vida de um desempregado é horrível, mas chama a ate n ção p a r a que não se deixe em segundo plano o problema daqueles qu e t ê m e mpr e g o.

Tomando como base o texto de abertura deste capítulo , observe al g um a s características de um texto argumentativo .

• U so d e . pal avras qu e no m eiam . idéias e . conceitos . Itr ab a lho , de v er , direi- to, c ap aci d a d e, solid aried a d e, retribuição, sa t isfaçã o , res pe i to e tc . ) : En- quanto os textos na r rat i vos e descritivos tratam dos seres em p a r tic ular, os textos argumentativos remetem a conceitos genéricos, abstratos; por isso

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há grande ocorrência de ~ ubstantivos abstratos .

• Au s ência de t~llº-ralid ade ;

Ao contrário das seqü ê ncias na rr a ti vas, os

textos argumentativos não apresentam temporalidade , ou seja, n ão h á pr o - gressão de acontecimentos no tempo; por isso , neles predo m i n a m ve rbo s no presente do indic ativo com valor atemporal. Observe es t es tr e cho s do texto :

" A v ida d e um d ese m p r ega d o é h o rrí v e l [ . j"

" l ] tud o depende d o t ra balh o [

" [ ] s e fal t a o tr a balh o, falta tud o . "

j"

• Encadeamento d e ideias: Se nos textos narrativos o e ncadeamento dos

e nu ncia d os decorre da seqü ê ncia cronológica do s ac ont ec ime nto s, nos

t extos a rgum e n tativos ele decorre das relações l óg i cas ex i s tentes entre

os seg m e nt os q u e o compõem , ou seja, os enuncia do s r e l a cionam- s e por

ideias de ca u sa, conseq u ência,

a d e qu a d o d os co n ectivos tem papel f u ndamen t al n a amarr açã o d a s ideias.

Ob ser ve este t r ec ho d o texto :

" l

empr e sa s se pre o cupam e m mul t ipli ca r a qu a ntid a de de produtos, mas não dão a m ín i- ma para a felic idade de quem o s produz ."

• n ' un õe s or ue e mas r e lacion a m

] a v ida do tr a balhad o r é tr a ns fo rm a d a num infern o , porque as organizações das

oposição, conclusão e t c . ; po r i ss o, o uso

s e m e nto s d o t ex to es tabel e cendo

-

---

e ntr e e l es, r es

e c a us a /cons e u ê nc ia e ad v ersidade ' j

• Presença de operadores argum e n t a tivo s : Op e radores argumenta t ivos sã o palavras e e x p r essõe s presentes na estrutura grama t ical do t e x to cuja fun- ç ão é introdu z ir v ariado s t ipos de argumentos . No texto , as conjun ç ões , além de estabelecerem nexo lógico entre enunciados , funcionam como operadores argumentati v os na medida em que orientam o interlocutor para determinadas conclusões e não outras .

A teoria na rática

D ireito ao tra b alho em condições justas

o tr a balh o p e rmit e à pes s o a hu - mana de se n vo l ver sua ca p aci dad e

f ís ic a e int e l ect u al , conviver de m o d o pos iti vo com o ut ras p essoas e rea li zar- -se i nt eg r a lm e nt e co m o p essoa . Por isso , o t r a b a l ho deve ser visto co m o

u m direi t o d e todo ser h u mano.

Mas o t raba lh o é , ao mesmo te m po , o modo pelo qual cada p e ss oa expressa a solidarie d ade de v ida às demais

p e ss oas , é o m eio através do q ual cada um d á sua

r et r i bu ição p or tudo o q u e recebe dos d emais. Visto desse

â n g u lo , o trabalho é um de v er de toda pessoa humana.

To d as as ati v i d a d es q u e co ntr ib u am para melhorar a qu a lid a de d e vi d a das p essoas , a um e nt ando o bem - estar

ma t eria l , p ro p orcio n ando sat i sfação estét i ca , fa v orecen-

d o o e quilíb r i o ps i co l ógico e pr o p iciando a paz espiri -

tual , s ã o di g n a s e út eis . Assi m , tod os os traba l hadores são i gualmente merec e -

dores de resp e it o , se j a qu a l f or o t r abalh o qu e exec ut em , po i s t o d os contrib u em pa r a qu e as outras p e s so a s t e nham at en d idas s u as necessi dad es b ásicas e pos -

s am vive r m e lhor .

D A LLA RI , D a lmo de A br e u . Viver em sociedade.

S ã o Paul o: Mo d er n a , 1 985 . p . 5 - 6 .

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o "2

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u'"

o

Que tipos de sequ ê n c ias t ex tuai s a p a r ecem no texto? Comprove sua resposta.

o

Obser v e alguns substant iv os presente s n o t ex t o: capacidade , direito , solidarie-

dade , r etribui çã o , d ever, qualid a d e , b em-estar , satisfação , equilíbrio , paz , respei t o , necessidad e s . Le v ando em cont a a tipol og ia textua l , j u s ti fi qu e a oc o r - rência desse tipo de substanti v o .

D O segundo parágrafo inicia-se p e la c onjun ç ão ad v ersati v a mas. As c onjun çõe s

adversativas se prestam a estabelecer r e la ç ão de oposição entre segmentos de um texto . Indique que ideias são opostas p e la conjun ç ão m a s .

11

N

os t ex t os arg u mentativos, o a u tor i n te nt a pe r s u adir o in t erlocutor , fu nd a m e ntando

o

q u e afirma por meio de arg u men t os convi n ce n tes . Que argume nt o s são utiliz ados

para fundame n tar que o trabalho é um direi t o? Q u ais são util i z ad os p a r a j u s tificar

que é um dever?

11

Observe estas du as frases do t exto:

" Po r isso , o t raba l ho deve ser v isto como um d i r e it o d e todo ser hum a n o."

" Visto desse ângulo, o trabalho é um dever de toda p essoa hum ana ."

a) A que classe gramatical pertencem as palavras destac ad as? A qu e t er m o s e r e fe-

rem? Q u a l seu sentido nas frases?

b) Considerando o tipo de texto , come n te por que o autor optou pelo u so d e ss e tipo

de palavra n as passagens acima.

m Dissemos q u e a f u nção dos operadores argumentativos é i n tro du z i r arg um e nt o s , orie n tando o discu rso para certas concl u sões e não outras . Nos trec h o s abaixo, in -

d i q ue que t i p o de argumento é in t roduzido pelas expressões destaca da s.

a) " O traba l ho permite à pessoa humana desenvo l ver sua capacida d e físic a e intel e c - tual , conviver de modo positivo com outras pessoas e real i za r -se i nt eg r a lme nt e

como p essoa. Por isso , o trabalho deve ser visto como um d i r eito d e todo s er

humano . "

b) " Assim, to d os os tra b a l hadores são igualmente merecedores de res p e ito , s eja qual

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for o traba l ho que executem , poi s todos contribuem para que as o utra s p e s so a s

tenha m a t e nd idas suas necess i dades básicas e possam viver mel h o r ."

Mãos à obra

Leia os textos abaixo , extraídos da re v ista MIV, ed. 24 , abr o 2003, p. 4 0.

SegundoaLein . 3 . 708 /2 001 e o De c reto n . 3 0 . 76 6 / 200 2,

~ O% das v agas da Univer s id a de d o R io d e J a neir o (UE R] ) e da Uni v ersidade Estadu a l d o Nort e F l uminen se (UENF)

D e acor d o com a L ei n . 3.524 e de -

c r e t os, 5 0 % d as vagas da UER] de v em

ser p ara can di datos qu e estudaram ao

devem

ser destinadas a candidatos auto d ec larad os p a rd o s e

l

o n go d o e n sino f undam e ntal e m é dio

negros .

e

m esco l as públi c a s n o Ri o de]aneiro .

" Sou contra a reserva para negros e pard os por qu e ac h o q u e o

problema da não inser ç ão do negro na fa c ul d ade n ão é s u a co r , e

sim sua condição so c ioeconômica . O n e gro n ão e nt ra n a fac u l d a d e porque não te v e condições de estudar em bons col ég i os, n ão fez

c ursinho, teve que trabalhar, enfim, porque é pobre ."

Daniel Femand e s, 25 anos , auto de c la r ado pardo, primeiro col o cado em medicina no ves- tibul a r da UER]/2003 .

Com base na coletânea lida, escreva um texto argumentativo em que você se posicione a respeito do sistema de reserva de vagas nas universidades públicas .

.,

Operadores argumentativos

que o eradores j !IgUmentativos são certos e lementos da lín-

gua , explícitos na pr : ópria estrutura gramatical da frase , cuja f i nalidade é a d e

i ~ icar a argumentatividade dos enun c iados. Eles introduzem v ariados tipos de argumentos que apontam para determinada s c on c lusões .

Do ponto de v ista gramatical , as palavras que fun c ionam co mo operadores a rgum e ntati v os são os conecti v os ( not a damente a s c onjun ç õ e s ), os adv é rbios e outra s pa lav ras qu e , d e p e nd e ndo do c ont ex t o, n ã o se e nquadram em ne - nhuma das d ez c at e gori as gramati c ai s (s ão c la s sific a das co mo palavras deno - tativas : at é, in c lusi ve, também , a final , e ntão , é qu e, ali ás etc.).

Voc ê já v iu

Obser v e , por meio d e ex emplos , como fun c ionam esses op e radores :

No Bras i l , ainda há crianças fo r a da esco l a .

Nesse e nunciado , o a d vé rbio ainda o r ie n t a o inte r locutor no sentido d e inferir algo pr e ssuposto : a ntes do momento da e nu nc ia çã o já ha v ia crian ça s f ora da e scola e o fa t o d e e sse p r obl e m a p er sisti r n ã o é um bom indicador para o país .

Embora m uitos adolescentes q u e traba l ha m frequentem a escola , poucos conse-

g u e m co n c lu ir os o i to anos de esco l aridade básica.

Nesse , a conjun ç ão embora introduz argumento que se contrapõe ao ex- posto na oração seguinte .

Tipos de operadores argum ent a ti vos

Como dissemos , os op e radores argumentati v o s s ão utili z ados para intro- duzir variados tipos de argumentos. Vejamos os mais comuns :

• operadores que , introduz m ar

umentos que ~ e s ~~

a outro tendo em mas também , não

vista uma mesma con c lusão: e , nem , também , não só

mas ainda , além disso etc.

213

Os e feitos da n osos do trabalho i n fanti l sobre a escolarização são sentidos não só nas crian ç as menores mas também n os ado l escentes .

• operadores que ( illi roduzem e nciadnss x pr i m i nd c on c luç o em r e lação ao que foi expresso anteriormente : logo , portanto , então , em decorr ê ncia , consequentemente etc .

O t r a b a lh o inf a ntil pr eju di ca o d ese n vo l v im e nt o fís i co , e m oc i o n a l e i nt e l e ctu a l d a

c r ian ça , portanto d eve ser co mb a tid o.

• operadores qu introduzem ar umentos Aue se f ontrapõem a outro v isan- do a uma conclusão contrária: mas , porém , toda v ia , embora , ainda que , mesmo que , apesar de etc.

Muit as p essoas s ão co nt ra a ex pl o r ação d e c ri a n ças e a d o l esce n tes, mas pou cas fa - zem a l g um a co isa par a ev it ar qu e is so aco nt eç a .

Esses operadores são geralme n te represe nt a d os pe l as conj un ções ad ve r- sativas e concessivas. A opção po r um dete rm i n ado tip o de c on j un ç ão t e m implicações na estratégia argumenta t iva .

Por meio das adversativas (mas, porém, toda vi a , contudo etc. ), intro- duz-se um argumento que leva o interloc u tor a uma c on c lu s ão contrária a que chegaria se prevalecesse o argumen to u s ad o no enunciado anterior. Com as concessivas (embora, se bem que, aind a qu e et c.), o locutor d á a conhecer previamente o argumento que será i n va lidado .

Observe:

Milhões de crianças e adol e scentes trabalham no Brasil , m as i s so é proibido pela Constituição .

Embora a Constituição proíba , milhões de crianças e ado l esce n tes traba l ham no Brasil .

• operadores que introduzem arg u mentos al t er n a t ivos : ou , ou

quer , seja

seja etc.

ou , quer

Ou sensibilizamos a sociedade sobre os e feitos danosos do trabalho infa n til , ou o problema persistirá.

• operadores que estabelecem relações de com p aração: m ais que , menos

que, tão

quanto, tão

como etc .

O problema do trabalho infantil é tão grave q uan to o do desemprego.

214

• operadores que estabelecem relação de justifica t iva, ex pl icaç ão e m rela ç ão ao enunciado anterior: pois, p orque, que etc.

Devemos tomar uma decisão urgente, po is o problema tende a se agravar .

• operadores cuja função é introduzir enunciados press u pos t os: a gora , ain- da, já, até etc .

Até o Papa manifestou sua indignação.

Nesse enunciado, pressupõe - se que ou t ras p essoas, a lém do Papa , te- n h am manifestado indignação . Compare a força a r g um e ntati v a do enun- cia d o cont r apondo-o a outros:

O

padre manifestou sua indignação .

O

bispo manifestou sua indigna ç ão

A

t é o Pap a manifestou sua i ndigna ç ão .

Nesse c a so, h á uma escala argumentativa a s ce nd e nt e ( orientada do ar- g um e nt o ma is fraco para o mais forte: o Papa). N um a e s c ala argumentativa n ega t iva, o s t e r m o s estariam em ordem desce nd e nt e e o argumento mais fo rt e vi r ia introdu zi d o p or nem m es m o.

O acontecimento não teve nenhuma repercussão: o Papa não se ma nif est o u , o bi s p o

também não, nem mesmo o padre da paróquia fez q u a l quer re f e r ê n c i a ao assunt o.

A f un ç ão de introduzir o argum e nto mais forte de uma escala argumen - t ati va tamb é m pod e s e r e x er c ida pelos operadores inclusive , até mesmo , ao menos , no mínimo etc .

• operadores cuja fun çã o é introduzir e nun c iado s que visem a r atificar , es c lare- cer um enunciado anterior : isto é, em outras palavras, v ale dize r , ou se j a etc .

Duas de cada 10 cria n ças trabalhadoras, ou seja , 20 % , não frequentam a esco l a.

• operadores cuja função é orientar a c on c lusão para uma afirmação ou ne- gação: quase , apenas, só, somente etc .

O n úmero de crianças e adolescen tes que trabalham é muito grande : quase q ua t ro milh ões .

o op e rador argum e ntati vo quase a pont a par a a a f i rm açã o da totalidade e , normalmente , en c adeia-se c om muitos e a maioria .

Apenas (e seu s e qui v alen te s só e somente ) a p o nta pa ra a n e gação da tota- lidade e , normalmente , e nc a d e ia-se com poucos e a minor i a .

A teoria na rática

Gar o to traba l hand o e m lixão (C a- rapicu í ba , G rand e S ã o Paul o).

Trabalho infantil

 

215

 

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M e nina po l indo p eç a de ce rãmi c a par a ajuda r a famí l ia

( Maragogipinho , B A).

A p esa r d a p r oi b ição co n stit u ciona l d o t r abalho de crian ç as e adolescentes meno-

r e s d e 16 an os , e s tima- se qu e ce r ca d e 3,8 m il hões de crianças e ado l esce nt es e nt re 5 e 1 6 a n os tr a balh e m n o Br asi l . I sso prejud i ca seu desenvolvimento físico , emoc i o -

n al e in telec tu a l . Du as d e cada 10 crianças t r a b alha d oras não frequentam a escola e ,

como co ns e qu ê nci a, a t axa d e a n a l fa b e ti smo ent re essas c ri anças ati n ge 2 0 , 1 %, co n- tra 7 , 6 % no c aso d a s c r ia n ç as que n ão tr a balham . Na fai xa e t á r ia d e 1 5 a 17 a n os ,

t a m bé m s e n o tam os e f ei t o s d anosos d o t ra b a lh o so b re a escola r iz a ção. D e n t r e os ad o les ce ntes que tr a balh a m , so m e nt e 25 , 5% c on s e g uiram co n c lu i r os o ito [atual-

Filmoteca

Infâncias roubadas. Direção de Len Morris. 2002. Esse documentário norte- -americano mostra depoi mentos de crianças exploradas em países como Brasil, fndia, paq u istão e Estados unidos, entre outros. Um trabalho comovente, que pode contribuir muito para a reflexão sobre o tema e para a produção de textos argumentativos.

mente, nove] anos de escolaridad e b á si c a , enquanto entre os adolescentes que não trabalham , esse p e rcentual é significativamente maior: 44 , 2 %.

Para reduzir o trabalho infant i l é pre c iso ter uma abordagem integrada que iden - tifiqu e as c rianças qu e trabalham , sensibilize a so c ied a de sobre os danos morais, físi - cos e intelectuais do trabalho infantil , adapte as escolas pa r a receber essas cria n ças, ofereça ativida d es culturais, esportivas, educativas e de lazer às cria n ças e co mp e ns e a redução da renda fami li ar .

Disp o n ível e m : - cw w w u nt c ef . o rg / br az í l ó - . Acesso e m : 27 d ez. 2007.

D " Trabalho infantil " é um texto argumentati v o estruturado em dois parágrafos. Co -

mente a fun ç ão de cada um deles.

o Em que e stá centrada a argumenta ç ão?

IJ Um dos mecanismos qu e conf e rem co e são a um texto é a anáfora, qu e co n s i s t e n a

retomada de um conceito anteriormente expresso. No t r echo "Isso p r ej ud ica se u

desen v ol v imento físi c o , e mocional e int e lectual " , que elemento do texto é retoma d o

por isso ?

R oma n olStolen C h il dh oo ds

216

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X

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'o" e-

n A argumentação ocorre não só no plano das ideias ( apresentação de dados , fatos ,

testemunhos , opiniões etc . ), mas tamb é m no pr ó prio plano da estrutura grama t ical

do texto , na medida em que existem pala v ras cuja função é a de introdu zi r a r g um e n- tos , orientando o discurso para as con c l usões desejadas. Nos t r ec h os a seg uir, in -

dique que tipo de arg u mento é introd u zido pelas expressões destaca d a s .

a ) " A pesar da proibiçã o constitucional do trabalho de crianças e adolescen t es m e n o -

res d e 16 an o s , e stima - s e que cerca de 3 , 8 milhões de crianças e ado l escen t e s

entre 5 e 16 ano s t rabalhem no Brasil . "

b ) " Na faixa etária d e 15 a 17 anos, também se notam os efeitos danosos do tra b a lh o sobre a escolariz aç ão " .

c) " Í

.] é prec i so ter uma abordagem integrada que identifique as c rian ç a s qu e tra-

bal h a m , se n sibi l ize a sociedade so b re os danos mor a is, físi co s e int e l e ctuais do

tra b a l ho i nf a n ti l , adapte as escolas pa r a receber essas cr i anças, ofe r eça a tivid a des

cu l t u rais , esportivas, educativas e de lazer às crianças e compense a r e du ção da

r enda familiar ."

Mãos à obra

Redija um texto argum e ntati v o manifestando seu ponto de vista sobre o trabalho infantil . Além d e e x ternar sua opinião , você poderá citar dados, opiniões de outras pessoas e e xe mplos . Pro c ure chegar a uma conclusão que apont e para a s olu ç ão do problema . N ã o s e esqueça de usar adequada - mente os operador e s argumentativos : por meio deles você introduzirá os argumentos que orientarão o interlocutor para as con c lusões a que você pretende chegar .

"

Além dos textos já trabalhados neste capítulo, apresentamos a seguir uma coletânea que pode servir de subsídio para sua argumentação.

I . A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e ex-

ploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico . Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada ; em caso algum será permiti - do que a criança dedique-se a , ou a ela se imponha , qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação , ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral .

Prin c ípio I X da D ec l a ra ção U ni ve r sa l d os Dir e itos da C rian ç a .

lI. Esta situação [crianças trabalhando] é, em parte , decorrente da baixa renda de muitas famílias, para as quais o trabalho infantil é uma questão de sobrevivên-

cia. Os empregadores , por sua vez, aproveitam-se da mão de obra infantil, que se submete a salários mais baixos . Os organismos sindicais se omitem por se tratar de setores não organizados da economia . E, muitas vezes, os próprios pais ou respon- sáveis consideram o trabalho preferível à escolarização por ser mais " educativo e

rentável" .

LA C lY NSK I , P a tric i a; PAU LI CS, Ve r o ni ka (co m a p oio d o U ni c ef ). J

Disponí v el em : <www . p o lis . or g. br/publi c acoes l dicasl2 3 1556 . htmI> .

A c es s o e m : abr o 2003 .

III. Estudos indicam que, na área urbana , a taxa de participação de menores no trabalho inicialmente decresce com a escolaridade , sendo maior entre aqueles que nunca frequentaram escola do que entre os que têm de 1 a 4 anos de estudos com- pletos. Todavia, a partir desse último grupo , a taxa de participação cresce com a idade. Na área rural , ao contrário, a taxa de participação decresce com a idade , em níveis bem mais elevados do que os da área urbana . O fato de as taxas de participa- ção aumentarem com a escolaridade na área urbana sugere a atração que os merca- dos de trabalho das cidades exercem sobre o trabalho infantil .

Disponí v el em : <www . presid e n c ia.gov. br / publi_04 /CO L EC AO r rR A BI N 2 . HTM> . Acesso em: a br o 2003.

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IV. No Brasil , milhões de crianças trabalham para ajudar a complementar a renda familiar . Esta é seguramente a expressão mais profunda e escandalosa do grau de indigência a que chegamos neste país, que faz das suas crianças suas primeiras víti- mas, diante da passividade da sociedade.

Herbert de S o uza . Pr e fá c io . In : AZE V EDO , J õ ; H UZAK, I olanda. Crianças defibra. São P aulo: Pa z e T e rra , 200 0.

Textos ar umentativos nos exames