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OAB XIV EXAME DE ORDEM – 2ª FASE

Direito Penal
Geovane Moraes e Ana Cristina Mendonça

AGRAVO EM EXECUÇÃO
1. CONCEITO, CARACTERÍSTICAS E HIPÓTESES DE CABIMENTO.

O Agravo em Execução é um recurso criminal que NÃO está expressamente previsto no


Código de Processo Penal e sim na Lei de Execução Penal – LEP, Lei n. 7.210/84, em seu artigo
art. 197. Ele será cabível contra as decisões, despachos ou sentenças proferidas pelo Juiz da
Vara de Execuções Penais. Neste sentido, vale lembrar o teor do artigo:
Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.
Quanto às hipóteses de cabimento do RESE, deve-se ter muito cuidado em relação à
redação do art. 581 do CPP, tendo em vista que antes da LEP ele previa algumas hipóteses de
Recurso em Sentido Estrito, entretanto, após a LEP, caberá Agravo em Execução da decisão,
despacho ou sentença proferida pelo juiz da Vara de Execuções Penais que:

1º) Conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena


2º) Conceder, negar ou revogar livramento condicional
3º) Decidir sobre a unificação de penas
4º) Decretar medida de segurança, depois de transitar a sentença em julgado
5º) Impuser medida de segurança por transgressão de outra
6º) Mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos do art. 774
7º) Revogar a medida de segurança
8º) Deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em que a lei admita a
revogação

O agravo em execução não se destina a discutir mérito, e sim uma questão de execução
da pena que foi obstada pelo juiz. Ou seja, a decisão do juiz das execuções penais terá algo
ligado à execução de pena e que deverá ser reanalisado por meio do agravo em execução.
Ex. Pedir para revogar medida de segurança e o juiz decide por não conceder a
revogação, caberá o agravo em execução.
Ex. O réu tem decretada pelo juiz da vara das execuções penais a perda dos dias remidos
porque cometeu uma falta leve, pode ser interposto agravo em execução sob o fundamento
de que a perda dos dias remidos somente seria possível se o réu tivesse cometido falta grave.
O procedimento do agravo em execução não é trazido de forma expressa pela LEP,
entretanto o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante no sentido de que deve
ser aplicado o mesmo do Recurso em Sentido Estrito. Por esta razão o seu prazo é de 5 dias
para a petição de interposição e 2 dias para a apresentação de razões ou contrarrazões.
Desta forma, o endereçamento da petição de interposição é para o próprio juiz da vara
de execuções que proferiu a decisão a ser recorrida, devendo haver, assim como no recurso
em sentido estrito, um pedido de retratação (o chamado efeito regressivo).
Por sua vez, as razões do agravo em execução serão endereçadas ao Tribunal de Justiça
ou Tribunal Regional Federal, a depender do caso se a decisão for proferida por juiz das
execuções penais da alçada da Justiça Estadual ou Justiça Federal, respectivamente.

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Direito Penal
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Quanto aos efeitos do Agravo em Execução este, via de regra, não possui efeito
suspensivo, por expressa disposição do art. 197 da LEP, entretanto excepcionalmente terá
efeito suspensivo contra a decisão que julga extinta a medida de segurança pela cessação da
periculosidade, consoante entendimento doutrinário e por interpretação do art. 179 da LEP.

OBS.: O prazo do Agravo em Execução está previsto expressamente na Súmula 700 do


STF e NÃO se confunde com o prazo do Agravo da esfera civil que é de 10 dias:
Súmula 700 STF – É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz
da execução penal.

OBS.: A lei de execução penal aplica-se ao preso provisório e ao preso definitivo, ou


seja, as regras da LEP não são aplicadas somente ao preso definitivo, incluindo também o
preso provisório, conforme art. 2º, parágrafo único da LEP.
Ex. Pessoa presa preventivamente está sujeita a uma série de direitos da LEP, como a
remição. Não interessa se a pena é provisória, caso o juiz não conceda esta e seja hipótese
de concessão deste direito caberá o Agravo em Execução.

OBS.: O direito à prisão especial subsiste apenas até o trânsito em julgado da sentença
penal.

OBS.: Nem sempre a competência de aplicar a execução penal ao preso será do juízo
das execuções penais. Não é apenas a vara de execuções penais que cabe aplicar a pena. Se
existir no caso concreto um réu com competência por prerrogativa da função a execução da
pena será realizada pelo órgão ao qual o sujeito tem foro por prerrogativa da função. Neste
caso específico a petição de interposição será endereçada ao presidente do tribunal ao qual
o réu é vinculado, e as razões para o Egrégio Tribunal, representando uma exceção.

2. ESTRUTURA DO AGRAVO EM EXECUÇÃO.

2.1. Petição de interposição.


Endereçamento:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA DE EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA
DE _______________________ (Regra Geral)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ____ VARA DE EXECUÇÕES CRIMINAIS DA SECÇÃO
JUDICIÁRIA DE _______________________ (Crimes da Competência da Justiça Federal)
Processo número:

(Nome do Recorrente), já qualificado no processo execução às fls.__, por seu advogado formalmente
constituído que esta subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, inconformado com a
respeitável sentença ____, conforme fls.__, interpor tempestivamente o presente
AGRAVO EM EXECUÇÃO
com fundamento no artigo 197 da Lei de Execuções Penais.
Requer a realização do juízo de retratação e, em sendo mantida a decisão atacada, seja o presente recurso
encaminhado a superior instância para o devido processamento e julgamento.
Termos em que,
Pede deferimento.
Comarca, data

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Advogado, OAB

2.2. Razões ou Contrarrazões.


Endereçamento:
RAZÕES (OU CONTRARRAZÕES) DO AGRAVO EM EXECUÇÃO.
RECORRENTE:
RECORRIDO:
PROCESSO NÚMERO:

EGRÉGIO TRIBUNAL (DE JUSTIÇA, REGIONAL FEDERAL)


COLENDA CÂMARA
ÍNCLITOS DESEMBARGADORES

1. Dos Fatos.
Seja mais sucinto no resumo dos fatos e mais enfático no resumo do processo. Cita-se o mínimo necessário
para os fatos e o máximo para o processo. Deve-se expor como se chegou a sentença.
No final dos fatos, é para, sem pular linhas, fazer um parágrafo com o seguinte teor:
“A respeitável decisão proferida merece ser reformada pelos motivos de fato e direito a seguir aduzidos”.
2. Do Direito.
Fale inicialmente qual foi o equívoco cometido pelo juiz das execuções penais para depois mencionar o
direito aplicado ao caso concreto que será o fundamento do agravo em execução.
3. Do Pedido.
Deve-se fazer o pedido pleiteando o provimento do recurso para aplicar o direito referente a execução da
pena ao caso concreto.
Termos em que,
Pede deferimento.
Comarca, data
Advogado, OAB

3. CASOS PRÁTICOS

CASO PRÁTICO RESOLVIDO

Fernando foi denunciado pelo representante do Ministério Público pela prática


de crime capitulado no art. 157, §3º, parte final do Código Penal, pois teria, no dia 10 de
fevereiro de 2006, subtraído, mediante violência e grave ameaça, todos os pertences
de Flávia. Da violência empregada na subtração, Fernando terminou matando a vítima.
Recebida a denúncia, o juiz mandou citar o réu para responder às acusações.
Oferecida a defesa, o acusado confessou a prática delitiva, informando ter realizado a
subtração porque precisava pagar umas dívidas. Na audiência de instrução e
julgamento, em outubro de 2006, as testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas,
bem como interrogado o acusado.
Realizadas as alegações finais orais, o juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de
Fortaleza, capital do Estado de Ceará proferiu sentença, condenando o acusado à pena
de 24 anos em regime integralmente fechado, já que o acusado não é reincidente. Não
satisfeita, a defesa interpôs recurso, o qual foi parcialmente provido, uma vez que o
Tribunal alterou a parte da sentença que fixava o regime integralmente fechado para o
regime fechado.
Após o trânsito em julgado da decisão, Fernando começou a cumprir a pena em
16 de janeiro de 2007. Em janeiro de 2012, 05 anos após o início do cumprimento de

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pena, o advogado do acusado requereu a progressão de regime do agente, tendo o


juiz da execução penal negado o pedido, sob o fundamento de que Fernando, apesar
de preencher os requisitos subjetivos para a progressão, não havia cumprido o lapso
temporal de 2/5 previsto para crime hediondo, o que só ocorreria em 2016, com mais
de 09 anos da pena.
Em face da situação hipotética, na condição de advogado constituído por
Fernando, intimado em 20 de janeiro de 2012, sexta feira, redija a peça processual
privativa de advogado adequada à defesa de seu cliente, apresentando a
argumentação adequada. Date o documento no último dia do prazo para protocolo.
(Valor: 5,0)

PADRÃO DE RESPOSTA

Endereçamento correto da peça de interposição (Valor: 0,3)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA DE EXECUÇÕES


CRIMINAIS DA COMARCA DE ________

Processo número:

Indicação correta do dispositivo que dá ensejo à apresentação do Agravo em


Execução - artigo 197 da Lei de Execuções Penais (Lei 7.210/84) (Valor: 0,5).
Indicação do juízo de retratação previsto ao recurso de Agravo em Execução. (Valor:
0,3)

Fernando, já qualificado nos autos do processo que lhe move o Ministério


Público, à fls.___________, por seu advogado formalmente constituído que esta
subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, inconformado com
a respeitável decisão que negou o pedido de progressão de regime, conforme
fls.________, interpor tempestivamente o presente
AGRAVO EM EXECUÇÃO
com fundamento no artigo 197 da Lei de Execuções Penais.
Requer a realização do juízo de retratação e, em sendo mantida a
decisão atacada, seja o presente recurso encaminhado a superior instância para o
devido processamento e julgamento.

Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, data, assinatura) (Valor: 0,2)

Termos em que,
Pede deferimento.

Comarca, 27 de janeiro de 2012.


Advogado, OAB

Endereçamento correto das razões (Valor: 0,3)

RAZÕES DO AGRAVO EM EXECUÇÃO.


RECORRENTE:
RECORRIDO:
PROCESSO NÚMERO:

EGRÉGIO TRIBUNAL
COLENDA CÂMARA
ÍNCLITOS DESEMBARGADORES

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Exposição dos Fatos (Valor: 0,2)

1. Dos Fatos

O agente foi denunciado pela suposta prática de crime de latrocínio, nos


termos do art. 157, §3º, in fine, do Código Penal, pois teria, após a subtração dos
pertences, matado a vítima.
Recebida a denúncia, o réu ofereceu resposta à acusação, alegando o
cometimento da prática delitiva, mas sob o fundamento de necessidade para
pagamento de dívidas.
Durante a colheita de provas, as testemunhas de acusação e defesa
foram ouvidas, bem como interrogado o acusado. Na própria audiência, foram
oferecidas as alegações finais orais, onde o juiz proferiu sentença condenando o
agente à pena de 24 anos de reclusão em regime integralmente fechado.
Interposto recurso dentro do prazo legal, o Tribunal deu parcial
provimento para modificar o regime de cumprimento de pena, passando de
integralmente fechado para fechado.
Transitada em julgado a sentença, o réu começou a cumprir a pena em
regime fechado em 2007. Em janeiro de 2012, 05 anos após o início do cumprimento da
pena, foi requerido ao juiz da execução o pedido de progressão, negado sob a
alegação do não preenchimento do lapso temporal estabelecido na lei de crimes
hediondos.
A respeitável decisão proferida merece ser reformada pelos motivos de
fato e direito a seguir aduzidos.

Direito (Valor: 2,0)


- Indicar que o acusado tem direito à progressão de regime, uma vez que o crime foi
cometido antes da vigência da Lei 11.464/2007 que alterou o lapso temporal para a
progressão de regime em crimes hediondos, previsto no art. 2º, parágrafo 2º da Lei
8.072/90. (Valor: 1,0)
- Indicar que, no caso concreto, caberia a alegação da Súmula 471 do Superior Tribunal
de Justiça, devendo o agente progredir para o regime semiaberto, desde cumprido 1/6
da pena. (Valor: 1,0)

2. Do Direito
Pela simples exposição dos fatos narrados, é inegável a ocorrência do
equívoco por parte do juízo das execuções penais, visto a negação da progressão de
regime pela falta de lapso temporal.
Analisando o caso concreto apresentado, verifica-se que o crime
cometido pelo agente ocorreu em 10 de fevereiro de 2006. Por ser crime hediondo, nos
termos do art. 1º, II da Lei 8.072/90, estabelece a referida lei que a progressão de regime,
nesses casos, deverá ocorrer desde que cumprido o lapso temporal de 2/5 da pena,
não sendo o réu reincidente.
Todavia, o art. 2º, parágrafo 2º teve sua redação determinada pela lei
11.464/2007, publicada no diário oficial dia 29 de março de 2007, não podendo
retroagir, salvo para beneficiar o acusado. Com isso, não pode o condenado dos autos
ser submetido e regido por lei prejudicial e posterior à data do cometimento do crime,
conforme preceitua o art. 5º, XL da Constituição Federal que estabelece o princípio da
irretroatividade da lei penal.
Sendo assim, Fernando tem direito à progressão de regime, nos termos do
art. 112 da Lei das execuções penais, visto que já cumpriu mais de 04 anos da pena, ou
seja, mais de 1/6, tempo necessário para a progressão, além de ter preenchidos os
demais requisitos para a concessão do benefício.

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Além disso, é entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça,


haja vista o teor da Súmula 471 que os condenados por crimes hediondos cometidos
antes da vigência da Lei 11.464/2007 são regulados pelo constante no art. 112 da Lei de
execução penal para a progressão do regime prisional.

Pedido (Valor: 1,0)


- provimento do recurso e reforma da decisão para reconhecer a progressão de regime
do agente com base no art. 112 da Lei de execução penal. (Valor: 1,0)

3. Do Pedido

Diante do exposto, pleiteia-se o provimento do recurso e a reforma da


decisão para que seja decretada a progressão de regime do agente, com base no art.
112 da Lei de execução penal.

Estrutura correta (divisão das partes / indicação de local, data, assinatura) (Valor: 0,2)

Termos em que,
Pede deferimento.

Comarca, 27 de janeiro de 2012.


Advogado, OAB

CASO PRÁTICO PROPOSTO

Léo foi condenado definitivamente pelo crime de extorsão mediante sequestro,


nos termos do art. 159, caput do Código Penal, a uma pena de 8 anos de reclusão em
regime fechado. Iniciado o cumprimento da pena, o acusado, em virtude da sua falta
de disciplina, foi colocado em cela escura, razão pela qual o advogado requereu ao
juiz da execução que lhe fosse retirada a sanção disciplinar, sendo tal pleito negado.
Como advogado de Léo, apresente a peça processual cabível.

- Peça: AGRAVO EM EXECUÇÃO, com fundamento no art. 197 da Lei de Execução


Penal.
- Competência:
Interposição: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA DE
EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE _______
Razões: EGRÉGIO TRIBUNAL
COLENDA CÂMARA
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- Tese: Requerer a retirada do agente de cela escura em virtude da vedação expressa
constante no art. 45, §2º da Lei 7210/84.
- Pedido: Pedido de provimento do recurso para decretar a retirada do agente da cela
escura, em virtude de vedação expressa do art. 45, §2º da Lei 7210/84 desse tipo de
sanção disciplinar.

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