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Compilação de

ensinamentos de
Meishu Sama
Extraído da coletânea Rokan

O Grão Mestre Mokiti Okada (Meishu Sama) é um cientista religioso, para os seguidores do
pensamento Okadiano ele é a base da física quântica.

Após chegar ao mais alto nível de iluminação espiritual (Kenshinjitsu) escreveu revelações
sobre a relação de proximidade do méson com o espirito e também da civilização paradisíaca
de um futuro próximo.
Índice

CAPÍTULO I – FILOSOFIA

FILOSOFIA DA INTUIÇÃO.......................................................3
NOVAMENTE A RESPEITO DE BERGSON..............................4
PRAGMATISMO..........................................................................6
RELIGIÃO PRAGMÁTICA.........................................................8
MEISHU SAMA VITALISMO............................................................9
ESPIRITUALISMO.......................................................................20

CAPÍTULO II – CIÊNCIA DAS PARTÍCULAS

A COINCIDÊNCIA ENTRE RELIGIÃO, FILOSOFIA E CIÊNCIA........25


SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO.........................................27
A ULTRACIÊNCIA.....................................................................31
O MÉRITO DO DR. YUKAWA VISTO ESPIRITUALMENTE......35
DEUS E A “LENTE DE VIDRO”..................................................37
RELIGIÃO E CIÊNCIA.................................................................40

CAPÍTULO III – O MUNDO ESPIRITUAL

A EXISTÊNCIA DO MUNDO ESPIRITUAL...................................45


INCORPORAÇÃO......................................................................47
VIDA E MORTE..........................................................................48
ELO ESPIRITUAL......................................................................53
MISTÉRIO DO MUNDO ESPIRITUAL.........................................59
FORÇA ESPIRITUAL.................................................................61
EXISTEM FANTASMAS?............................................................63
O CLIMA E O TEMPO................................................................66

CAPÍTULO IV – O FUTURO

SE ACASO O MAL FOSSE EXTINTO DESSE MUNDO...............68

O SÉCULO XXI...............................................................................72
CAPÍTULO I – FILOSOFIA

FILOSOFIA DA INTUIÇÃO

Quando jovem, fui simpatizante da teoria de Henri Bergson, o


eminente filósofo francês (1859-1941). Ainda me lembro dessa
teoria e vou expô-la, nesta oportunidade, por considerá-la de
grande proveito do ponto de vista religioso. Segundo minha
interpretação, a filosofia de Bergson baseia-se nestes três
princípios: "Todas as coisas se movem", "Teoria da Intuição" e
"O eu do momento". Dentre eles, o que mais me impressionou
foi a "Teoria da Intuição", a qual diz o seguinte: "É algo
dificílimo ver as coisas exatamente como elas são, captar o
seu verdadeiro sentido, sem cometer o mínimo engano."
Estudemos o porquê dessa afirmativa. Os conceitos formados
pela instrução que recebemos, pela tradição, pelos costumes,
etc., ocupam o subconsciente humano, formando como se
fosse uma barreira, e dificilmente o percebemos. Tal "barreira"
constitui um obstáculo quando observamos as coisas. Quando
dizemos, por exemplo, que todas as religiões novas são
supersticiosas, heréticas ou falsas, devemos esse julgamento à
"barreira", que está servindo de estorvo. Os homens de hoje,
através dos jornais, das revistas, do rádio e dos comentários
públicos, constantemente tomam conhecimento de idéias e
opiniões que concorrem para aumentar e solidificar essa
"barreira". Devido ao conceito de que as doenças só podem
ser curadas pela medicina, a realidade é deturpada quando
ocorre um milagre: dizem ser ação do tempo ou buscam mil
explicações. Presenciamos tal fato com freqüência.

A "Teoria da Intuição" encarrega-se de corrigir tais erros,


comuns entre os homens. Libertando-os, completamente, de
preconceitos, ela os ensina a fazerem uma fiel observação
dos fatos. Para isso é necessário ser "o eu do momento", isto
é, fazer com que a impressão instantânea, captada pela
intuição, corresponda à verdadeira substância do objeto de
observação. Caso presenciamos uma cura realmente milagrosa,
devemos crer, pois essa é a verdadeira observação. Se, ao
contrário, julgamos impossível que uma doença seja curada
sem o auxílio de aparelhos ou remédios, significa que estamos
sendo bloqueados pela tal "barreira" de preconceitos. Na
hipótese de alguém acrescentar: "Isto é superstição, não pode
ser verdade", é porque a "barreira" do próximo está
contribuindo para aumentar o obstáculo, e devemos ficar de
guarda contra isso. O outro princípio - "Todas as coisas se
movem" - significa que tudo está em eterno movimento. Por
exemplo: nós não somos os mesmos de ontem, nem mesmo o
que fomos há cinco minutos atrás; o mundo de ontem não é
o mesmo de hoje. Isso abrange também a sociedade, a
civilização e as relações internacionais. Precisamos, portanto,
fazer uma observação fiel, isto é, uma observação clara, do
homem e de suas transformações. Ao invés de modificarem
seus pontos de vista e pensamentos, para acompanharem o
constante movimento evolutivo, as religiões antigas criticam as
religiões novas, servindo-se de conceitos religiosos milenares.
Eis por que não conseguem ter uma idéia exata a respeito
delas. Esta é a teoria de Bergson aplicada ao campo religioso.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

NOVAMENTE A RESPEITO DE BERGSON

Sinto-me dominado pelo desejo de escrever novamente sobre


Henri Bergson, o famoso filósofo moderno da França, a quem
já me referi anteriormente. Muitas pessoas me dirigem
perguntas por não entenderem o sentido de minhas palavras,
que me parecem bem simples, mas que elas acham de difícil
assimilação. Embora se trate de pessoas cultas, sou obrigado
a dar-lhes uma explicação minuciosa, servindo-me de
exemplos, para que elas possam compreender. Nesta
oportunidade, lembrome da própria filosofia de Bergson. A
razão pela qual as pessoas não entendem coisas tão fáceis é
que elas não ficam no estado do "eu do momento", talvez por
não terem conhecimento, ou melhor, consciência disso.
Segundo a teoria de Bergson, mal o homem começa a ter
noção do mundo à sua volta, é cercado de comentários,
imposições de lendas e instruções, que lhe criam uma espécie
de "barreira mental", antes de atingir a maioridade. Essa
"barreira" o impede de assimilar novas teorias. Uma mente
desimpedida as compreenderá com facilidade, pois tem livre
arbítrio; por isso aconselhamos que a mente seja aberta como
uma página em branco. Entretanto, são raros os que percebem
a "barreira". Quem já leu o princípio de Bergson comece a
ser, agora, o "eu do momento". Este "eu do momento" refere-
se à impressão instantânea, captada no momento em que se
observa ou se ouve alguma coisa. É agir como uma criança,
sem dar tempo para a intromissão de "barreiras". Muitas vezes
admiro certas palavras usadas pelas crianças para se
certificarem de algo que um adulto lhes disse. Bergson
chamou a isso de "Teoria da Intuição". Através desta, ele
também queria nos mostrar que uma observação fiel consiste
em ver a coisa tal qual ela é, sem torcêla, relacionando-a ao
"eu do momento".

Dentro de sua filosofia, Bergson emite um conceito muito


interessante: "Todas as coisas se movem." Isso significa que
tudo está em contínuo movimento. Este ano, por exemplo,
difere do ano passado em tudo. O mesmo podemos dizer a
respeito do mundo, da sociedade e dos nossos próprios
pensamentos e circunstâncias. Somos diferentes até mesmo do
que fomos ontem, ou há cinco minutos atrás. Aqui, podemos
aplicar o velho ditado: "Trevas a um palmo do nariz." Assim,
se aplicarmos a teoria bergsoniana ao homem, em todas as
circunstâncias, notaremos o seguinte: diante de um fato, as
nossas observações e pensamentos de hoje devem ser
diferentes das observações e pensamentos do ano anterior. Em
sentido mais amplo, observemos a radical diferença entre o
período anterior e o período posterior à guerra. É
surpreendente a mudança que ocorreu em tão breve espaço
de tempo. Mas a maioria dos indivíduos não consegue captar,
com exatidão, a realidade atual, bloqueados pelos métodos e
conceitos antigos, que eles herdaram de seus antecessores e
que constituem um verdadeiro obstáculo. Classifico esses
indivíduos de conservadores e antiquados, porque mantêm a
mente estagnada, enquanto tudo obedece à lei do movimento
perpétuo. Eles sofrem o abandono do mundo e vão ao
encontro de um trágico destino. Basta uma reflexão sobre a
teoria de Bergson, para compreendermos o insucesso das
religiões. A ação de Kannon consiste em ceder às
transformações constantes, acompanhando o movimento das
coisas sem cometer o mínimo desvio. Essa divindade é
conhecida, também, como "Oshin-Miroku", encarnação da ação
livre e desimpedida. Em outras palavras, ação livre em relação
às coisas do mundo exterior. O nome "Mugue-ko-nyorai" tem o
mesmo significado.

Em resumo, devemos escolher assuntos adequados para falar


com as pessoas idosas, ser delicados com as mulheres,
teóricos com os intelectuais e simples com o povo em geral.
Devemos proceder de modo que todas as pessoas com quem
conversamos possam compreender-nos e interessar-nos pelo
que dizemos, ouvindo-nos com prazer. Se professarem a Fé
dessa maneira, poderão obter ótimos resultados.

Jornal Eiko nº 113, 18 de julho de 1951

PRAGMATISMO
Na mocidade, apreciei muito a Filosofia. Entre as inúmeras
teorias filosóficas, a que mais me atraiu foi o pragmatismo, do
famoso norte-americano William James (1842-1910). James
achava que a exposição meramente teórica da filosofia constitui
apenas uma espécie de distração; para ele, a filosofia só era
válida se fosse colocada em ação. Acho interessante a sua
teoria, cujo realismo autêntico é característico dos filósofos
americanos. Aderi, portanto, às suas idéias e me esforcei por
adotá-las em meu trabalho e na vida cotidiana. O benefício
que o pragmatismo me proporcionou naquela época não foi
pequeno. Mais tarde, quando iniciei meus trabalhos religiosos,
julguei necessário aplicá-lo à Religião. Isto significa ampliar o
campo religioso de modo que abranja a vida em geral. Então,
o político não cometeria injustiças, porque, visando à felicidade
do povo, promoveria uma boa administração, granjeando,
assim, a confiança de todos. O industrial obteria a admiração
da coletividade, pois exerceria a profissão honestamente; seus
negócios progrediriam com segurança, porque ele mereceria a
estima de seus empregados, que seriam fiéis no trabalho. O
educador seria respeitado e teria notável influência sobre seus
discípulos, educando-os com bases sólidas. Os funcionários e
os assalariados em geral subiriam de posição, porque a Fé
produz bom trabalho. A alma do artista irradiaria de suas
obras, com grande elevação e força espiritual, exercendo
influência benéfica sobre o povo. O ator, no palco,
manifestaria nobreza, porque suas representações seriam
baseadas na Fé, e os espectadores receberiam o reflexo de
seus sentimentos elevados. Entretanto, isso não significa que
as coisas se processassem com rigidez didática: tudo deveria
ser agradável e atraente.

É fácil imaginar como melhoraria o destino dos indivíduos e


como eles se tornariam úteis à sociedade se seus atos
fossem iluminados pela Fé, qualquer que fosse sua profissão
ou situação. Haveria, certamente, um cuidado especial: o
pragmatismo religioso não deveria transformar-se em fanatismo,
pois todo exagero é desagradável. A ostentação religiosa é
uma das piores coisas que há. Existem muitas criaturas que
exibem atitudes de religiosidade. Isso aborrece os outros. O
ideal é ser natural, ser uma pessoa simples, pondo apenas
mais gentileza e nobreza nos atos. Em uma frase: ser polido,
eliminando a fé grosseira. Alguns devotos têm atitudes que
lembram as dos psicopatas. São extremamente subjetivos,
fazem do lar um ambiente triste, importunam os vizinhos e
suscitam desconfiança sobre a religião que seguem. A culpa,
no entanto, é de quem os orienta; por isso, o ato de orientar
requer muita prudência.

Coletânea Assuntos sobre fé, 5 de setembro de 1948

RELIGIÃO PRAGMÁTICA

O pragmatismo, doutrina sustentada inicialmente por Charles


Sanders Peirce, famoso filósofo americano (1839-1914), chegou
a ser uma filosofia de âmbito mundial, propagada por William
James, que hoje é considerado seu criador. Dizem que
pragmatismo significa utilidade prática; creio, entretanto, ser
mais adequado aplicar o termo "ativismo". Acho desnecessário
falar muito a respeito, porque se trata de uma teoria conhecida
por todos aqueles que se interessam pela Filosofia. O que
desejo falar agora é sobre o pragmatismo religioso. Já me
referi uma vez a esse tema, mas torno a abordálo, para
melhor compreensão. Quando falamos em ativismo religioso,
temos a impressão de que todas as religiões estejam
praticando ações de Fé. Todos conhecem propagandas por
escrito, sermões verbais, orações, cultos, rituais religiosos,
ascetismo e mortificações; infelizmente, porém, as religiões
ainda não atingiram a vida prática. Em verdade, não passam
de cultura mental. O pragmatismo filosófico introduz a Filosofia
na vida prática, acentuando, neste ponto, o caráter americano.
Pretendo fazer o mesmo, com uma diferença: fundir a Religião
e a vida prática, tornando-as íntimas e inseparáveis. Deixemos,
pois, de ostentar virtudes, de isolar-nos, de ser teóricos como
foram até hoje os religiosos, e sejamos iguais às pessoas
comuns. Para tanto, é preciso que eliminemos toda afetação
religiosa e procedamos sempre de acordo com o senso
comum, a ponto de tornar a Fé imperceptível aos outros. Isso
vem a ser a apropriação completa da Fé.

Com essa explicação, creio que puderam entender o que vem


a ser ativismo religioso.

Jornal Eiko nº 106, 30 de maio de 1951

MEISHU SAMA VITALISMO *

(*) Doutrina filosófica que afirma a existência de um princípio vital,


ao mesmo tempo distinto da alma e do organismo, e que considera
dependentes de tal princípio todos os fenômenos da vida (Essa
doutrina, que se opõe ao mecanicismo de Descartes, caracterizou a
escola de medicina de Montpellier, no séc.XVIII).

O texto a seguir foi extraído do livro ―Sinopse do vitalismo‖, da


autoria de Ishii Tsunezo. Condensei e compilei as partes que achei
que servissem de referência, portanto, agradeço ao referido autor.

Vitalismo é uma das teorias espirituais da filosofia oriental que foi


descoberta na China, há cinco mil anos. De acordo com a sua
interpretação, trata-se da energia encontrada amplamente no
Universo e o seu mérito sendo infinito, é denominado de grande
mérito do Céu e da Terra, sendo também conhecido como (/////) e a
sua essência é conhecida como virilidade-neutral ou pura. Na
filosofia ocidental, é denominada de espírito do Universo ou Deus, e
dizem que existe um poder universal que gera e faz desenvolver
todas as coisas e que o Sol, a Lua, as estrelas e também a Terra
possuem a parte vital. Dizem que a existência plena da vida do
corpo humano também se deve ao vitalismo. E a filosofia ocidental
primitiva transformou-se na Medicina e, na segunda metade do séc.
XVIII, surgiu a teoria da energia animal, e finalmente tornou-se na
atual fisiologia e depois disso, até hoje, não conseguiram descobrir
mais nada.No volume copulativo do livro Adivinhações, do
Confucionismo da China, está escrito: ―A vivacidade chama-se
adivinhação,‖ e isso não é senão a manifestação do vigor.
Prosseguindo, diz o livro: ―Como é grandioso, graças aos Céus
tiveram origem todas as coisas, ou seja, o Céu se consolida‖. A
afirmação ―graças aos Céus‖, ou seja, ao vigor, ao vitalismo e ao
espírito ―tiveram origem todas as coisas‖, significa que através do
espírito foram criadas todas as coisas, e a frase ―ou seja, o Céu se
ordenou‖ significa que o mundo se estabeleceu. E a base de
adivinhação do referido livro está no Sol, na Lua, nas estrelas, no
dia, na noite, no frio e no calor; o objetivo de tudo está no princípio
positivo e negativo, ou seja, tem o sentido de espírito e corpo.Como
vimos, mesmo na China antiga já se compreendia o significado
fundamental do espírito e corpo, mesmo assim é incompreensível o
fato da Medicina ignorar o espírito e depender apenas da matéria
como o remédio.Também afirma o grande livro de adivinhações: ―A
um positivo e a um negativo denomina-se caminho e aquele que o
herda é o Bem; quem realiza isso é o sexo; o benevolente observa
isso e acha que é uma benevolência e o intelectual vê isso e diz
que é inteligência. O povo comum não consegue saber mesmo
gastando cem dias.‖ O seu significado é o seguinte: Um positivo e
um negativo, quer dizer, espírito e matéria, e decifrando a palavra
caminho (miti) de acordo com o espírito da palavra, ―mi‖ significa
matéria e ―ti‖, espírito. Até hoje, veio-se dizendo negativo e positivo,
ou seja, ―miti‖, colocando a matéria na parte superior e o espírito na
parte inferior. Isso aconteceu devido ao mundo que se encontrava
realmente na Era da Noite, da Lei da Matéria precede o Espírito.E
em relação ao deus da filosofia ocidental, no livro Adivinhações, foi
adotado o termo ―tei‖ (imperador, deus, céu, criador). Na teoria do
livro Adivinhações, usa-se o termo ―kenkon‖ (Céu e Terra): ―Ken‖
vem a ser o Céu e positivo, e ―Kon‖, a Terra e negativo; o corpo
rígido e flexível existe com a união dos méritos do positivo e do
negativo e, através da obediência à seleção do Céu e da Terra,
comunica-se ao mérito divino.‖O sentido acima vem a ser a união
entre o positivo e o negativo que faz surgir várias forças, e através
delas nascem e desenvolvem-se todas as coisas. Acredito que o
seu significado é: a sua causa está no mérito divino.E no ocidente,
na época da Grécia Antiga, os filósofos naturalistas começaram a
se dedicar na aclaração da constituição do Universo, da vida
humana, do nascimento e desenvolvimento do corpo humano, da
função vital, da relação entre saúde, doença, clima e alimentação,
etc.Hipócrates separou a Medicina da Filosofia e estabeleceu a sua
base.O principal objetivo da escola Miletos, a filosofia mais antiga
da Grécia, refere-se à origem da formação do Universo que é uma
só e que com a sua mudança foram desenvolvidas todas as coisas,
e Tales baseia na água a sua origem. E que o poder que faz viver
todas as coisas está em Deus e afirmou também que a força de
atração do ímã se fundamenta no Espírito Divino. No entanto, o
amigo de Tales, Anaximandro, o inventor do relógio de sol, pensou
que a origem de todas as coisas estava no apeíron (poder infinito)
que penetrava infinitamente nas coisas, tornando-se na causa do
seu desenvolvimento. Pitágoras acreditava na imortalidade do
espírito e pregou a teoria de transmigração da alma e que o corpo
era prisão do espírito, realizando pesquisa médica sobre a
constituição do corpo animal.A seguir, Parmênides, da escola Eléia,
disse que todas as coisas são uma só, que vem a ser Deus, e Ele é
eterno, imutável e firme; a existência de todas as coisas é destituída
de começo e fim; são imortais e indestrutíveis; imparciais e
universais, e esta teoria se tornou a precursora da filosofia de
Descartes.Aqui devemos voltar a atenção a Heráclito. Ele disse:
―Todas as coisas têm a mesma origem e o seu voltinismo está no
poder do fogo‖ e ―A alma do ser vivo é formada pelo espírito do fogo
e, através do vitalismo que propaga o espaço, penetra o interior do
corpo.‖ Quando o homem morre, o vitalismo se dispersa do corpo e,
retornando, junta-se novamente com o vitalismo do Universo. Então
a alma possui em grande quantidade o espírito do fogo e, quanto
mais seca, mais perfeita ela se torna; conseqüentemente, obtém
uma inteligência mais elevada; ao contrário disso, quanto mais
úmido e menos espírito do fogo possuir, mais estúpido se torna.
Também prega que, para preservação de uma boa atividade, deve-
se, através dos cinco sentidos ou do processo de respiração, captar
constantemente o vitalismo dos raios do mundo exterior e da
atmosfera e ingeri-lo no interior do corpo.Depois, surgiu
Empédocles, que pregou o pluralismo, dizendo: ―Todas as coisas
não se limitam a uma única origem e, sendo diversas, através da
concentração e da separação dos elementos, todas as coisas se
formam; portanto, em outras palavras, tudo depende da maneira de
se combinar‖ e assim, começou a pregar, pela primeira vez, a atual
concepção dos elementos.Posteriormente, Anaxágoras deu um
passo ainda maior, afirmando: ―A matéria possui o movimento de
concentração e de separação devido ao seu progresso baseado
numa espécie de regras, isto é, não se limita apenas ao processo
mecânico‖ e criou a teoria de seminíferos, mas depois, com o
surgimento da teoria de átomo, o pluralismo chegou ao seu ápice e
denominou o corpo microscópico universal e imortal de
átomo.Demóclitos, o filósofo naturalista da Grécia, realizou
entusiasmada pesquisa do corpo humano, tendo ele próprio
praticado a Medicina e deixado muitos registros relacionados à
patologia.Também, o (/////) discípulo de Pitágoras, era filósofo e
médico que contribuiu na dissecação dos olhos, e considerou que o
cérebro era o centro da mente e que era passagem do tubo, ou
seja, através dos nervos eram transmitidas as sensações ao
cérebro; estabeleceu, também, a diferença entre a artéria e a
veia.Diógenes pregou a teoria de atividade considerando
equivocada a teoria do pluralismo, e disse que, através do Poder do
Onipotente, surge o fenômeno de atividade dos seres vivos. Ele se
referiu sobre dois vasos sangüíneos grandes que se ligam ao fígado
e ao baço, à aorta, à veia cava, à artéria carótida e à veia jugular.A
Medicina anterior a Hipócrates (460 a 377 a.C.) era realizada
praticamente pelos bonzos, mas com o seu aparecimento, foi
estabelecido, pela primeira vez, um sistema de forma
científica.Evidentemente, foi nessa época em que a astronomia, a
matemática, a fisiologia, a dissecação, etc. finalmente tinham
obtidos uma chance de se tornarem independentes. Além disso,
com o aparecimento de Sócrates (469 a 399 a.C), a sofisticada
escola ―skepticism‖ de filosofia destrutiva e meio moralista sofreu a
quebra e foi erigida filosoficamente a lógica e a base da moral, e
repreendeu as pessoas que diziam: ―Antes de mais nada, conheça
a si mesmo‖.Como é do conhecimento de todos, a teoria ((/////)) do
discípulo de Hipócrates arraigou profundamente no mundo da
Medicina durante um longo tempo de dois mil anos. Denominou-se
((/////)) a uma substância minúscula chamada Éter que se propaga
no Universo. Essa substância é obtida do ar através da respiração
e, tendo como base o coração, penetra na corrente sangüínea e
controla a função vital e particularmente regula o processo do
organismo que realiza a secreção de substâncias do corpo e,
criando a teoria das quatro substâncias, pregou a teoria patogênica
do líquido, criticou a fisiologia e considerou que o nervo e o tendão
são iguais, denominando ambos de ―noira‖. A filosofia de Sócrates
foi dividida em três escolas. Chegou a organizar duas grandes
linhas de filosofia, a de Platão e de Aristóteles, e o mundo dos
pensadores da Grécia chegou à extrema prosperidade.Esses dois
princípios ideológicos afirmaram que a origem da vida é assunto da
alma que é imaterial e o ((/////)) está simplesmente associado a essa
alma, tendo como processo apenas a de intermediação. Além do
mais, o que é interessante é o pensamento de que o ―calor‖ é a
causa direta da vida, o que, desde a remota Antigüidade até então,
desconheciam esse fato. Aristóteles esclareceu a relação entre o
homem e o animal no que se refere à nutrição, reprodução,
movimento, sensação, etc.A filosofia Grega dessa época estava
inclinada ao materialismo e criou a base da teoria de sensibilidade e
a da experimental, e isso refletiu na Medicina, mas por outro lado,
entrou na era religiosa e, devido à associação da doutrina religiosa
com o princípio místico, a superstição tornou-se moda, e assim a
Era das Trevas da Idade Média acabou entrando na decadência.Na
Era da Alexandria, houve o progresso da Ciência Natural, ou seja,
da astronomia, da matemática, da física, etc.e também da medicina,
principalmente o desenvolvimento da anatomia era notória.Na
época, não se limitando a cadáver, prendiam os criminosos e
realizavam dissecação do corpo ou ofereciam para realizar
experiências com medicamentos.Dessa maneira, o (/////) (300 a.C)
foi denominado introdutor da anatomia humana. Ele descobriu a
veia fossa cefálica; também descobriu a meninge, a medula
oblonga e especialmente o nervo verdadeiro; também na terapia
medicinal realizou serviços relevantes.Foi uma breve prosperidade
na Alexandria e desapareceu e, ao entrar na Era Romana,
Asclepíades (128 a 56 a.C) levou à Roma a Medicina Grega e
estabeleceu a Teoria da Patologia Sólida; dessa escola surgiu
Galeno, o ancestral que restaurou a Medicina.Galeno uniu a
Medicina e a Filosofia por um meio deveras hábil e, como isso deu
certo, monopolizou a medicina por longos mil e quinhentos anos.
Ele acreditava que a origem do conhecimento médico estava entre
a observação e a experiência e, dizendo desconhecer a constituição
humana e a função orgânica, se dedicou no fomento da anatomia e
da fisiologia.Através disso, todas as coisas que foram criadas pela
onipotência de Deus, apesar de contrariar o objetivo do cristianismo
de preservar o Bem e o Belo e a doutrina dos Árabes, finalmente
foram subvertidas. Ele enfatizou também a teoria (/////) e subdividiu
em três partes: e posicionou o (/////) da alma na cabeça para
supervisionar o pensamento, a sensibilidade e o movimento
voluntário; o (/////) da vida no coração para presidir a pulsação,
circulação do sangue e controlar o calor e o (/////) natural no fígado
para presidir os órgãos relacionados ao sangue, ao nutriente, ao
desenvolvimento, à secreção, à reprodução, etc. A escola ―Stoic‖
prega que esses (/////), ou seja, o espírito do Universo é uma
matéria que se assemelha ao éter e que o corpo físico pode suprir
do ar incessantemente, através dos pulmões.Posteriormente, com a
construção do império Bizantino e a sua aniquilação, marcou a
Idade Média e, por volta dos períodos entre os séculos II a VI, com
o declínio da sorte do Império Romano, os germanos que se
encontravam na região norte começaram a se deslocar para o sul.
A migração do povo tornou-se em expedição da Cruzada e, no auge
da confusão, a Arte e a Ciência tiveram interrupções repentinas, o
que provocou a solidificação das raízes do cristianismo e o
surgimento da nova escola Platonista, a filosofia escolástica, etc. e
o princípio místico e a superstição tornaram o seu impulso vigoroso.
Conseqüentemente, a pesquisa científica debilitou e tornaram-se
prósperas as superstições como: astrologia, alquimia, magia,
etc.Contudo, a época de superstição da Idade Média também
finalmente enfraqueceu e o (/////) usou, pela primeira vez, o óculos
para regular a visão. Arnaldo de Vila Nova inventou a
manufaturação do álcool e da aguarrás; Petrarca deixou mérito que
se assemelha ao profeta revolucionário da medicina.Na Era
Renascentista, houve o restabelecimento da literatura, a
reorganização religiosa, o desenvolvimento da filosofia e, ao entrar
no séc. XVIII, houve também o restabelecimento da política e, a
partir do séc. 19, foi iniciada a Era da onipotência da Ciência;
através de Kant, teve novamente uma elevação súbita do
pensamento filosófico. Também, no campo da Medicina, no séc.
XVI, houveo restabelecimento da anatomia, no séc.XVII, o
desenvolvimento da fisiologia, no séc. XVIII, a exploração da
patologia e, no séc. XIX, o desenvolvimento da Medicina básica e
da bacteriologia.Também, com o desenvolvimento da teoria
Heliocêntrica de Copérnico, passou-se a afirmar que desde a
formação do Universo, sem exceção, todas as coisas foram
formadas a partir de um átomo extremamente minúsculo
denominado ―monado‖. Então, surgiu Jordano Bruno, que
estabeleceu a teoria de que o ―monado‖ vem a ser a divisão do
Poder de Deus. Surgiu também a teoria de Grande Universo e
Pequeno Universo de (/////) e assim houve o desenvolvimento do
estudo de, por exemplo: geografia, vegetal e mineral.Na Medicina,
também, surgiu a oportunidade de renovação. A velha teoria de
Galeno foi interrompida e, na área de anatomia o (/////) apontou o
erro de Galeno e desenvolveu extraordinariamente a medicina
cirúrgica; na época, ele lutou heroicamente contra doenças
epidêmicas, como peste violenta e sífilis. O que não posso deixar
passar desapercebidamente neste momento são as afirmações de
(/////), o gênio da Medicina: ―A filosofia é o único meio de buscar
profundamente os fenômenos da Natureza, portanto, os médicos
que desconhecem a filosofia são ladrões que entram pelas portas
do fundo e assassinam as pessoas‖ e ―Eu entrei o portão da ampla
Natureza, porém, quem ilumina o meu caminho, sem ser a tênue luz
de uma farmácia, é uma esplêndida luz da Natureza‖ e ele
prosseguiu: ―Todas as coisas são formadas a partir de um elemento
e esse elemento não tem forma,cor e voz e é imensurável; a ele
denomino ser misterioso. E no interior desse ser estão contidos
vários poderes, uma espécie de poder misterioso, ou seja, trata-se
da Vontade de Deus. Através dela, todas as coisas sofrem
transformações, portanto, a origem de tudo é uma só, diferindo
apenas na forma e no estilo de se manifestar‖. Ele disse: denomino
esse poder (/////) e considero-o como a origem da vida de todas as
coisas e o corpo humano é a cópia do Grande Universo; portanto,
devemos considerá-lo Pequeno Universo. Ainda, ele denominou de
(/////) o Poder Divino de cura no tratamento de doença, e pensou
que o mesmo estava contido em algum remédio e que o dever
premente do médico era a sua descoberta. Assim, iniciou uma
meticulosa manufatura de medicamentos e, ainda considerando os
demais métodos e a natureza como a melhor medicina, propagou
amplamente o tratamento natural.No séc. XIX, quando houve a
fusão da origem da medicina moderna, filosofia e ciência, foi
iniciada pela escola de experiências (/////) e completada pela (/////)
considerando a Inglaterra como base, e a escola racional nomeou
Descartes como seu fundador, e ao mesmo tempo que estabeleceu
influência à França e à Holanda, Descartes sustentou o
vitalismo.Ele afirmou: ―Para comparar a matéria e o espírito, o
primeiro manifesta o movimento, a forma grande ou pequena, etc. e
o segundo, a vontade, o sentimento, o desejo, etc. Assim, apesar
de um ser completamente diferente do outro, desde os tempos
antigos vêm sendo praticadas as duas teorias: a do corpo e a do
espírito.Conseqüentemente, a criação de todas as coisas deve ser
buscada em Deus, que é a sua origem, e não se deve procurar
explicações por meios mecânicos baseado na matemática ou na
física.‖Assim, considerando que todas as coisas são eternas,
imutáveis e versáteis e que o movimento, a quantidade maior ou
menor ficam à mercê da lei e, ainda, achando que o Universo era
uma máquina, tentou buscar profundamente a lei que rege esse
fenômeno por meios matemáticos e mecânicos.Também ele
retornou à diferença de reunião de matérias que constituem as
matérias orgânicas e inorgânicas e, achando que o corpo era uma
máquina e que a vida era um ponto de retorno, estabeleceu o
vitalismo animal. Desta feita, disse que o vitalismo animal assume
como fenômeno material, por exemplo, na nutrição, reprodução,
desenvolvimento, etc. e que a mente, sendo imaterial, assume o
pensamento.Ele achou que o corpo animal era uma máquina
automática e o vitalismo animal estava no aquecimento do sangue
no coração e, indo ao cérebro, ocorria o esfriamento e, em seguida,
a filtração.Depois, entrava nos nervos e percorria o interior do
corpo. Quando estimula o nervo, devido ao vitalismo, ocorre a
vibração do mesmo que se transmite ao cérebro, então mudando de
direção essa vibração transmite-se nos nervos que se distribuem
pelos músculos e, de forma reflexiva e mecânica, provocam
movimentos nos músculos. Ele disse também que o espírito se
posiciona na glândula pineal. As partes do corpo além do cérebro,
de modo geral, são constituídas de pares; a única que foge à regra
é a glândula pineal, ou seja, sendo único o espírito do homem, não
se pode pensar que ele se aloja ao mesmo tempo em dois órgãos,
portanto, quando recebe estímulo externo, ocorre uma vibração no
nervo que se transmite à glândula pineal.Logo após a confirmação
disso pelo espírito, por intermédio do vitalismo animal, a vibração do
nervo muda de direção e se dirige para os músculos, onde provoca
movimento de forma voluntária.O que achei interessante é o fato de
―Star‖ ter dado o seu primeiro passo na pesquisa da vida, no
primeiro período do séc. XVIII, na época da escola de linhagem
médica. Ele se viu diante da seguinte questão, isto é, o corpo
animal, que deveria deteriorar imediatamente após a morte, por que
será que durante a vida, apesar de possuir calor constante que
estimula a deterioração, não ocorria nenhuma deterioração? Ele
acreditou que tanto a física como a química não teriam condições
de solucionar essa questão.Sendo assim, por fim, procurou retornar
isso à sua própria vida. Isto é, ele concluiu que há uma completa
diferença entre a máquina, que move através da força externa, e o
corpo que se move devido ao impulso interno; o segundo possui
uma força que não se vê no primeiro, o que considero vitalismo, e
denominei-a de anima.Ele afirma que a anima é a origem da vida e,
como se relaciona com cada parte do corpo físico, ela, além de
realizar um processo contínuo de preservação do próprio corpo e da
harmonia, controla tudo. E é o nervo que intermedia a anima, o
primordial, e o corpo físico, o secundário. O bebê vive no ventre da
mãe graças à anima e, de acordo com o objetivo próprio, forma os
órgãos. E, ao desenvolver-se, protege o corpo físico contra a força
de destruição e de deterioração. Portanto, quando a força de
destruição ultrapassa certo limite, a força da anima se extingue e
ocorre a morte.Também para manter a saúde a anima toma
emprestada a força do nervo e elimina os resíduos produzidos pelo
consumo do corpo. Através da alimentação, realiza o abastecimento
e, por meio dos nervos, obtém a sensação e realiza movimentos
voluntários. O que importa, principalmente, é o movimento do
coração e a tensão do corpo. Assim sendo, a causa da
anormalidade, como a tensão, está no encolhimento da anima,
portanto, trata-se do fenômeno de movimento diverso que o anima
realiza para reduzir e exterminar o mal que penetra no interior do
corpo quando ocorre a doença. Dessa maneira, mesmo no método
de tratamento de doença, ele deu importância à capacidade natural
de cura; no entanto, a Medicina considera isso apenas como
suplemento.Igualmente ao (/////) considerou inválida a anatomia.No
mundo da Medicina que havia sido oprimido pela teoria mecânica
desde a época de (/////) em relação à teoria acima não conseguiram
obter grande número de interessados, mas finalmente houve a
renovação da tendência e, a partir do final do século XVIII até o
início do séc. XIX, ocasionou o vitalismo.Posteriormente, surgiu o
(/////), que pregou a teoria do estímulo. Fez com que a fisiologia
experimental se desenvolvesse e tentou aplicar a sua teoria de
forma forçada. O que não podemos deixar passar
desapercebidamente é o fato de terem surgido, a partir desta, as
teorias da neuropatologia e do vitalismo. Esta última foi concluída
por Bordeaux e (/////).Bordeaux pregou a teoria de Natura,
reconhecendo uma espécie de força misteriosa, e através dela o
sistema e o equilíbrio do corpo serão mantidos e o movimento, a
sensação, etc. tudo é supervisionado pela natura. Nesse caso, a
natura se posiciona na cabeça e no plexo solar e, por intermédio
dos nervos, controla várias partes do corpo. Também controla cada
parte em consenso mútuo e, se houver alteração em alguma parte
do corpo, de acordo com ela, outras partes também sofrem
alterações. Podemos dizer que a natura foi influenciada pela teoria
anima de Star e pela teoria do estímulo de (/////).Como resultado de
sua pesquisa, Bordeaux afirma que tanto a Física como a Ciência
não têm capacidade de explicar a estrutura da linha e o seu
processo de secreção, pois a linha possui uma espécie de força
misteriosa que, através do sangue, é estimulada. E do sangue
extrai-se o material necessário e põe-se para fora. Portanto, em
cada parte do corpo ocorre, através da sua própria energia vital, um
fenômeno de vida específico, e com isso foi possível descobrir a
base da histologia do corpo humano, que se tornou também em
precursor da teoria da citologia.Em 1786, o italiano Galvani
começou a pregar a teoria da energia elétrica animal.Ele descobriu
que, ao retirar o nervo ciático de um sapo e assim que cortar uma
ponta tocar no músculo dessa parte cortada, instantaneamente o
músculo ficava (/////) p. 390/////). Essa é a teoria da energia elétrica
animal, que se coaduna com a teoria de patologia do nervo e de
vitalismo. Conseqüentemente, ele acreditava que a energia elétrica
era a base de todos os fenômenos da vida e que, sendo o cérebro o
gerador dessa energia, transmitia-a através dos nervos para cada
parte do corpo, e assim era mantida a vida do corpo humano.
Dessa maneira, o (/////) achava que a energia elétrica animal era a
causa do estímulo e sensação e Brandith pregou a energia elétrica,
ou seja, o poder de vida.Humboldt afirmou que a origem da ação do
nervo era a energia elétrica ou uma outra força semelhante a
ela.Posteriormente, no início do séc. XIX, surgiu a teoria do
magnetismo animal.Enquanto Mesmer aplicava o magnetismo no
tratamento de doenças, descobriu que o mesmo poderia ser
transmitido através da palma da mão e que a causa dessa força
estava no pensamento-vontade do praticante, que se concentrava
no paciente. No entanto, essa teoria foi contestada por um período,
mas com o aparecimento de seguidores ardorosos, finalmente,
tornou-se alvo de atenção do mundo e, como resultado disso,
começaram a aparecer também pessoas influentes que se
ofereciam em apoiar, chegando-se a estender essa influência à
toda França. Também apareceu, por exemplo, a teoria mística de
Suedenborg (???) e o hipnotismo também tornou-se popular.O
governo da Prússia enviou o médico Welfart (???) junto de Mesmer
para que ele aprendesse o referido método e, uma vez introduzido
na Alemanha, fez com que o filósofo Schelling e seus discípulos o
apoiassem, fazendo acreditar que todos os praticantes realizavam o
tratamento liberando matéria semelhante ao éter de cada parte do
corpo, sendo grande o número de médicos notáveis que aprovava.
Ou seja, o mesmerismo oprimiu toda a Alemanha e foi possível
observar o estabelecimento de consultórios de tratamento por meio
de magnetismo.Em meados do séc. XIX, (/////) criou a teoria
revolucionária que vem a ser o atual hipnotismo, e a teoria do
magnetismo animal foi totalmente abandonada. Em 1841,
inesperadamente ele descobriu que a pessoa ficava hipnotizada ao
olhar fixamente por algum tempo um material brilhante. Aplicando
isso, realizou intensamente tratamentos de doenças nervosas.O
surpreendente progresso da Ciência Natural ocorrida no séc. XIX
favoreceu a criação da medicina atual e a pesquisa médica
baseada na fisiologia experimental se empenhou na aplicação da
Ciência Física a fim de esclarecer o fenômeno da vida, mas quanto
mais aprofundava a pesquisa, mais dúvidas apareciam. Acredito
que foi por isso que apareceu o novo vitalismo. Isto é, não será
possível explicar o fenômeno da vida senão através da força da
ciência física.Portanto, não podemos deixar de reconhecer a
existência de uma força peculiar apenas nos seres vivos. Por
exemplo, o (/////) é um dos filósofos eminentes entre os do novo
vitalismo. E no novo vitalismo, o ponto que diz que controla o
fenômeno da vida através da certa regra além da Ciência Natural é
igual ao antigo vitalismo, mas devemos afirmar que houve um
progresso no fato deste último ter adotado a vitalidade, a força
misteriosa.

A Medicina do Amanhã vol. 2, 5 de outubro de 1943

ESPIRITUALISMO

Em relação ao vitalismo a que me referi no artigo precedente, o


nosso tratamento é espiritualismo. E não posso deixar de
reconhecer que, entre as várias teorias de numerosos filósofos do
Ocidente citadas no artigo anterior, existem muitas que devemos
levar em consideração. Gostaria de enumerar, a seguir, algumas
teorias mais relevantes.Em primeiro lugar, o Heráclitos disse:
―Todas as coisas têm uma origem única e o seu desenvolvimento
está no poder do fogo‖ e que ―A alma dos seres vivos origina-se do
espírito de fogo e, através da vitalidade que se propaga no espaço,
penetra no interior do corpo físico e passa a existir. E a alma possui
grande quantidade de espírito de fogo e quanto mais seca, mais
preparada ela se torna e mais se eleva a sua inteligência‖, e
prosseguiu: ―Quando há muita umidade e pouco fogo, torna-se
vagarosa‖ e ―Para mantê-la sempre ativa deve, através dos cinco
sentidos ou do processo de respiração, assimilar os raios do mundo
externo e a vitalidade da atmosfera‖.Essas teorias coincidem de
modo geral com as minhas teorias: A essência da alma é
constituída pelo elemento fogo; o Johrei possui elemento fogo em
grande quantidade e o espírito impuro possui grande quantidade de
umidade. Porém, a teoria de que através do processo de respiração
assimila os raios e a vitalidade é equivocada. Isto porque o
processo de respiração é a ação dos pulmões, mas de acordo com
a minha teoria, essa assimilação é feita através do processo de
pulsação do coração.A seguir, Paratheusus afirmou: ―O Universo
está constituído a partir de um único elemento e este não pode ser
medido por não ter a forma, a cor e a voz e podemos denominá-lo
de Ser misterioso. E esse Ser oculta no seu interior vários poderes;
trata-se de uma espécie de poder misterioso, ou seja, Vontade
Divina. Através dele, todas as coisas se desenvolvem. A origem de
todas as coisas é a mesma, só difere no que se refere à forma e ao
estilo‖. Ele denominou esse poder de ―arkeus‖ e prosseguiu
afirmando: ―O corpo humano é a cópia reduzida do Grande
Universo, portanto, devemos considerá-lo como Pequeno
Universo.‖Naquela época, essa era uma teoria avançada, mas
infelizmente acabaram denominando o Poder Divino de cura de
doença de ―alkana‖, e pensaram que esse poder estava contido nos
medicamentos.Essa observação é que, obviamente, estava
equivocada.A teoria de vitalismo de Descartes também possui a
distinção no que se refere à inconsistência, mas devemos admirar o
seu ponto de reconhecimento da vitalidade animal.A seguir, trata-se
da teoria ―anima‖ de Star que surgiu no início do Séc. XVIII. Ele
disse: ―Trata-se de fenômenos de movimento para eliminar e
extinguir o mal que o anima faz penetrar no interior do corpo físico
através da doença‖. Podemos dizer que essa teoria está a um
passo do processo de purificação que descobri.Também é uma
teoria que, em relação ao método de tratamento, merece
reconhecimento nos pontos em que enfatiza a capacidade natural
de cura e que considera sem valor a anatomia.Prosseguindo, temos
a teoria da eletricidade animal do italiano Galvani. A sua
contribuição eterna está, não propriamente na sua idéia, mas por ter
possibilitado aos estudiosos que surgiram posteriormente chegar à
teoria da eletricidade vegetal com o desenvolvimento gradativo de
sua teoria.No início do Séc. XIX surgiu a teoria do magnetismo
animal, e o francês Mesmer que tentou utilizá-la na cura de
doenças, descobriu que poderia emitir o magnetismo pelas palmas
das mãos; ele foi realmente um grande descobridor. Mas
infelizmente, devido à Ciência materialista que surgiu
posteriormente, essa teoria foi liquidada, e acho que foi uma grande
pena. No entanto, quanto mais pesquisas a Medicina realizava
através da fisiologia experimental, mais dúvidas apareciam e
motivaram o surgimento da teoria do novo vitalismo. Até hoje ela é
insignificante, mas a força esmagadora da Ciência materialista
continuou influenciando ainda mais o povo culto e, como é do
conhecimento de todos, essa situação persiste até hoje.Como
vimos, no Ocidente também, até o início do séc. XIX, houve várias
descobertas que merecem a nossa atenção e não podemos negar
que, mesmo em meio ao entrecruzamento entre o Bem e o Mal,
veio galgando os degraus do progresso. Isto aconteceu porque se
tratava do progresso de ambas as partes: a espiritual e a material.
Assim, a humanidade ficou ofuscada pelo brilhante aspecto da
civilização mecânica que começou a desenvolver rápida e
repentinamente, por volta de meados do séc. XIX. Finalmente,
passaram a pensar firmemente que todas as coisas podiam ser
solucionadas através da Ciência material, mas isso também deve
ser uma conseqüência natural. Como resultado disso, até mesmo o
homem passou a ser tratado como matéria, como animal e acabou
tornando-se no plano da atual Medicina. Em suma, a Medicina
ocidental saiu do seu curso verdadeiro e, perdida, acabou entrando
no caminho do Mal.Podemos dizer que, até hoje, ela veio
avançando em frente sem olhar para os lados. Portanto, enquanto
não despertar e não voltar para o verdadeiro caminho, o povo culto
não terá outro destino a não ser cair na extinção. A respeito disso,
há um exemplo muito ilustrativo e atual.Trata-se de um artigo do
jornal Mainichi Shinbum, publicado no dia 18 de abril de 1943:―De
acordo com o relatório da Comissão de Investigação Populacional
da Inglaterra, enquanto aquele país não elaborar um plano
adequado para elevar ainda mais o nível de aumento populacional,
ao invés de reduzi-lo gradativamente, daqui a sessenta anos, a
população de England e de Wales, que formam o centro da
Inglaterra, ficará reduzida para menos de 20 milhões de habitantes
dos atuais números que ultrapassam a casa dos 41 milhões. Esse
relatório tem o aval de William Vivaridt (???), autoridade na questão
populacional e do mundo científico da Inglaterra.‖No jornal Yomiuru
Hochi do dia 3 de junho de 1943, havia o seguinte artigo: ―O
Harvard Morrison, prewar Home Minister, disse francamente, na
ocasião da recente abertura de Exposição do Instituto de Educação
Infantil de Londres ―O sinal da queda do Império Britânico está
ligada ao índice de natalidade‖. O que ele disse é o seguinte. A
atual população de England e de Wales é de 41 milhões, dos quais
24 milhões são crianças, e esse número é igual ao número de
crianças que existiam em 1876. Mesmo na época da Guerra Boer, o
número de crianças era 1,5 milhão a mais que hoje nesses dois
Estados. Se essa situação continuar como está, no fim deste século
a população da Inglaterra se reduzirá pela metade e, além disso, a
metade da população serão idosos com mais de 16 anos de idade.
Assim, a Inglaterra acabará por desaparecer aos poucos. Se essa
situação não for revertida agora, de nada adiantará a reabilitação de
vários planos que vêm de longas datas, e ultimamente tem
anunciado insistentemente.‖Podemos dizer que a aflição de
Morrison em relação à redução do índice de natalidade se deve à
sua previsão no que se refere ao destino do seu país. Isto porque,
por intermédio da última Guerra Mundial, a redução do índice de
natalidade revelou o fim histórico da Inglaterra, e isso já é uma
realidade decisiva.Mesmo observando com base nesse prognóstico,
acho que o meu cálculo de desaparecimento do povo culto daqui a
duzentos ou trezentos anos, referido no prefácio deste livro, não
está equivocado.Por que será que está ocorrendo a redução
populacional na Inglaterra? Não há nenhuma dúvida de que isso é o
resultado do progresso da medicina pervertida. Isto porque dizem
que a Inglaterra é um dos países que, recentemente, tem menos
doenças contagiosas entre os países civilizados.Mesmo que um
cientista inglês tenha o desejo de realizar pesquisas sobre o tifo,
não existem pacientes com esse mal; por isso, parece que é muito
difícil obter esse tipo de bactérias. Também o número de
tuberculosos é tão baixo e o índice de mortalidade infantil é
reduzido a ponto de ser incomparável no mundo. Como vimos,
apesar de ter um número tão reduzido de doenças contagiosas e de
tuberculose, o fato de encontrar-se diante de uma redução
populacional tão crítica, o que será que está mostrando?
Realmente, se isso não for o resultado de regressão do estado
físico e do enfraquecimento do poder de purificação dos ingleses, o
que será?Assim sendo, é bom que observem a estratégia de
higiene médica que está sendo adotada atualmente no Japão.Estão
querendo diminuir gradativamente as doenças contagiosas e a
tuberculose através de vários métodos baseados totalmente na
medicina ocidental. É como se estivesse seguindo o método
adotado pelos ingleses e nada mais. Portanto, se continuar dessa
maneira, daqui a algumas décadas a situação do Japão será
evidentemente semelhante à da atual Inglaterra com redução de
doenças contagiosas, de tuberculoses, de índice de mortalidade
infantil baixa e igualmente àquele país defrontará com problemas de
redução populacional e isso está mais do que claro. Obviamente,
como disse anteriormente, o fato do número das doenças
contagiosas e da tuberculose ser alto no atual Japão significa que o
físico dos japoneses é vigoroso e também por ter-se atrasado
algumas décadas no uso de vacinas, em comparação com a
Inglaterra.Ao ler o presente artigo, qual será a impressão que vão
nos apresentar as pessoas sensatas que se empenham em tornar o
Japão a segunda Inglaterra?
A Medicina do Amanhã vol. 2, 5 de outubro de 1943

CAPÍTULO II – CIÊNCIA DAS PARTÍCULAS

A COINCIDÊNCIA ENTRE RELIGIÃO, FILOSOFIA E CIÊNCIA

O conteúdo desse texto é diversas vezes mais avançado do que o


nível da Religião, da Filosofia e da Ciência existentes atualmente, e
à medida que o lerem poderão compreender isso perfeitamente.
Em primeiro lugar, a atualidade do mundo da Ciência, que, como
todos sabem, progrediu até a era do àtomo, o que levou à
escoberta do nêutron do cientista Dr. Yugawa, e como é de
conhecimento, chegou a tomar a iniciativa na teoria física da
ciência atômica.
Entretanto, os cientistas do mundo inteiro, objetivando uma
descoberta maior, estão empregando um esforço muito grande,
mas a maioria chegou ao limite e estão encurralados contra a
parede; esta é a situação atual.

E o interessante é que acontece o mesmo com a Filosofia,e a


Filosofia Existencial, que é a coisa mais nova, também está
encurralada contra a parede como a Ciência, sem ter como se
mexer. E os filósofos atuais obscurecem a ponta da teoria das
palavras do Absoluto e isso é realmente engraçado. Absoluto é o
pronome pessoal de Deus. Ao usar a palavra de Deus, entra-se
no campo da religião, por isso creio que não tem outro jeito a não
ser falar dessa maneira.

A religião também, sem fugir à regra de exceção, chegou ao limite e


não tem jeito. Isso porquê a situação real do milagre, que é a
característica da religião, acontece muito pouco. Então, sem
alternativa, tentam remediar através de teorias e, por meio de
diversos tipos de atividades sociais, tentam colocar um sentido de
valor existencial, mas em relação ao maior sofrimento da
humanidade, que é a doença, o crime, a guerra e outros, não
consegue realizar atividades que surtam efeito, o que está contando
realmente que chegou ao limite.

O que estará mostrando essa realidade? Sem dúvida que todos os


intelectuais estão em conflito sob a mesma idéia. A essa altura, vou
mostrar a solução de todos esses limites e, para dar a grande
indicação, estou agora escrevendo esse texto.
Sendo assim, vou escrever agora apenas a noção geral, como, por
exemplo, que a ciência atômica, ao avançar mais um passo, entrará
no mundo inorgânico. Nesse mundo inorgânico, é impossível a
medição através de instrumentos, por isso é completamente difícil
agarrar. Não é preciso dizer que esse mundo é o próprio mundo
Espiritual Divino, é a origem de todas as coisas existentes e,
falando cientificamente, é um mundo constituído de partículas
infinitamente minúsculas, sendo que essa partícula é também a
origem da luz que pode ser aplicada como radioatividade. Além
disso, essa força radioativa consegue manifestar uma força jamais
experimentada pela humanidade.

Em termos científicos, trata-se da tese do Espírito Divino. E


também, do mesmo modo que a física experimental da ciência, é
a observação do Espírito Divino.
Como manifestação da observação desse Espírito Divino,
o último relatório que veio em relação à Luz do Espírito Divino, o
Raio-X que não podia ser transmitido, a estante da casa de um
vizinho não membro que quase caiu fazendo um tremendo barulho
e sem ninguém estar em casa, esses milagres mostram claramente.
Portanto, a luz da bomba atômica, que é o alvo de maior medo da
humanidade atualmente, provavelmente é impossível a sua
transmissividade. Sendo assim, através da força desse Espírito
Divino, creio que não é impossível trazer uma época sem guerras.
Mais uma coisa, a origem do nascimento das bactérias,
consideradas pela medicina como a principal origem da doença,
pode ser claramente apreendida através da teoria do Espírito
Divino; portanto, não será tão difícil assim a concretização do
mundo sem doenças.

Em poucas palavras, desde que a Religião, a Filosofia e a Ciência


chegaram ao seu limite, estando a um passo do mundo do Espírito
Divino, nos encontramos nessa era de plena escuridão como a de
hoje. Então, Deus me colocou para transpor esse obstáculo, ou
melhor, para abrir essa porta de pedra e encaminhar para o mundo
de luz; esse grande amor é que fez surgir a nossa Igreja. No final
das contas, pode-se dizer que é o abridor da porta de pedra do
mundo.

Jornal Eiko nº 91, 14 de fevereiro de 1951

SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO

Se eu, um religioso, disser que sou também cientista,


todos estranharão, mas estou certo de que, ao término desta
leitura, hão de concordar comigo.

Sempre digo que a Ciência atual ainda está num nível


muito baixo, nem podendo ser considerada como Ciência. Sua
importância reside, sem dúvida, na descoberta e no estudo de
corpos microscópicos. É claro que isso se deve ao
aperfeiçoamento do microscópio, graças ao qual o avanço nesse
estudo é impressionante. Conseguem-se distinguir corpúsculos
extremamente pequenos, frações da ordem de um milésimo,
milionésimo ou bilionésimo. Trata-se de um avanço contínuo,
chegando-se ao extremo do microscópico; atualmente se está
quase prestes a entrar no mundo do infinito. A palavra espírito,
muito empregada ultimamente, deve estar indicando esse
mundo.

É evidente que o conhecimento do mundo do infinito não


se deve a experiências de natureza científica; entretanto, ao
aprofundar-se nos estudos científicos, o homem levantou uma
tese hipotética sobre ele, baseada na dedução. Se não fosse
assim, acabar-se-ia num beco-sem-saída. Ora, o mundo a que
nos referimos é justamente o Mundo Espiritual, o que significa
que a Ciência, finalmente, está chegando ao lugar certo. Dessa
maneira, deixando de lado os subterfúgios, ela, que por tanto
tempo insistiu em negar a existência do espírito, acabou
derrotada. Caso venha a apreendê-la com precisão, elevar-se-á
a um nível mais alto e terá dado mais um passo em busca da
Verdade. Sendo assim, tomará como objeto de seus estudos o
espírito e não mais a matéria, de modo que a Ciência, que até
agora raciocinava com base na matéria, será considerada como
Ciência da primeira fase, e a Ciência baseada no espírito, como
Ciência da segunda fase. Com isso haverá uma mudança de
cento e oitenta graus no rumo da Ciência. Em termos mais
claros, será traçada uma linha demarcatória no mundo científico:
a Ciência da matéria ficará situada abaixo, e a Ciência do espírito
acima. Esta é uma visão no sentido vertical; no sentido
horizontal, a primeira seria a parte externa, e a segunda, a
interna ou conteúdo. Em outras palavras, significa que haverá
uma evolução da Ciência do concreto para a Ciência do abstrato,
o que é realmente motivo de alegria.

Mas aqui se apresenta um problema: não adianta apenas


conhecer a existência do Mundo Espiritual; é necessário
apreender sua natureza e colocá-lo a serviço da humanidade. A
Ciência da matéria não tem meios para isso, pois, para o espírito,
o meio deve ser o espírito; todavia, é possível superar esta
dificuldade. Aliás, ela já foi superada: tenho obtido resultados
admiráveis na resolução de problemas espirituais através do
espírito. Refiro-me justamente à questão das doenças.
Explicando de forma sucinta, a causa de todas as doenças são
as impurezas acumuladas no espírito, tornando-se evidente que,
se eliminarmos tais impurezas, as doenças serão erradicadas, de
acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Meu método
consiste na irradiação de um espírito específico que pode ser
considerado como a bomba atômica espiritual para queimar as
impurezas. Esse método, denominado JOHREI, constitui uma
fórmula científica de alto nível. Não se limitando apenas ao
campo da Medicina, ele consegue resolver problemas que
nenhuma religião ou ciência conseguiu. Se isso não é uma
superciência, o que será?

Vou explicar a respeito disso, de um outro ângulo.


Como todos sabem, a teoria estabelecida pela Medicina
diz que a origem de todas as doenças está nas bactérias. Graças
à descoberta da bactéria, a medicina atual alcançou um
progresso memorável. Mas é um progresso material, portanto, é
parcial. Ou seja, o fato de apenas exterminar as bactérias
significa que não atingiu o alvo. Do meu ponto de vista, isso é a
mesma coisa que pegar a água com a peneira, pois as bactérias
são apenas o efeito e não a causa. Elas também nascem como
filhotes e depois crescem; vírus é a denominação dada a esses
filhotes. Parece que, ultimamente, os cientistas estão discutindo
sobre a natureza do vírus: se eles são orgânicos ou inorgânicos.
Realmente isso é muito engraçado! Isto porque os vírus são
partículas que se encontram em transformação entre o
inorgânico e o orgânico, por isso, defini-los é algo simplesmente
impossível. O importante é saber que eles surgem num ambiente
inorgânico chamado Mundo Espiritual. Se compreenderem isso,
torna-se dispensável o microscópio.

A Ciência que trata da matéria ainda se encontra em baixo


nível, evidenciando-se que, através dela, é impossível resolver
problemas vitais de um ser de tão elevado nível como o homem.
Isso se torna claro ao observarmos que doenças graves,
consideradas incuráveis pela Medicina, estão sendo vencidas
facilmente, por meio do JOHREI. Dessa forma, a Ciência do
espírito pode ser considerada como o suporte da Ciência da
matéria.

A natureza do Mundo Espiritual é constituída pela


essência do Sol, da Lua e da Terra, que, na Ciência,
correspondem, respectivamente, ao oxigênio, ao hidrogênio e ao
nitrogênio. O Mundo Espiritual, segundo a Doutrina Messiânica, é
a junção do elemento fogo, do elemento água e do elemento
terra. A Terra é a natureza da matéria; o Sol é a natureza do
espírito, e a Lua é a natureza do ar. O elemento fogo e o
elemento água controlam a atmosfera que preenche o espaço
terrestre. Embora o elemento fogo seja o mais forte, por ser
extremamente rarefeito, não foi possível detectar, através da
Ciência da matéria, a não ser suas propriedades de luz e calor,
razão pela qual sua natureza como espírito ainda não é
conhecida. Assim, a Ciência tomou como objeto de estudo
apenas os elementos água e terra, e por isso a cultura está
baseada nesses dois elementos, o que constitui a maior falha da
civilização atual.

Agora devo falar sobre um acontecimento extraordinário.


Como já explicamos, os fenômenos do Mundo Material são
produzidos pela união dos elementos Sol, Lua e Terra. A
distinção entre o dia e a noite é decorrente da alternância do Sol
e da Lua. Acontece que no Mundo Espiritual também existe dia e
noite. Evidentemente, a Ciência da matéria não consegue
compreender isso, mas a Ciência espiritual o consegue. O
acontecimento extraordinário a que me refiro é a grande
mudança que está para ter início no mundo. Um acontecimento
surpreendente, jamais imaginado pela humanidade, isto é, um
fenômeno histórico: a Transição da Noite para o Dia. Para
entendê-lo, torna-se necessário um estudo do ponto de vista
Tempo.

No Mundo Espiritual, há Transição da Noite para o Dia em


períodos de dez, cem, mil ou milhões de anos. Portanto, assim
como a Terra é formada pelos três elementos fundamentais – o
fogo, a água e a terra – o número três é a base de todo o
Universo. Isso constitui uma lei imutável. Mesmo o dia e a noite
são formados de três, trinta, trezentos, três mil anos e assim por
diante. É claro que, dependendo do caráter das coisas e da sua
grandeza – maior, média ou menor – elas se refletem do espírito
para a matéria com maior ou menor rapidez, mas o essencial
move-se com precisão. Agora está justamente ocorrendo a
Transição de um período de três mil anos; estamos no alvorecer
de um novo período. Já me referi a isso antes, e até a data acha-
se bem definida. Foi a 15 de junho de 1931 que o Mundo
Espiritual começou a se transformar em dia. A mudança se
processará até certo tempo e gradualmente se refletirá no Mundo
Material. Gostaria de dar uma explicação mais profunda, mas vou
abreviá-la, porque teria de entrar no campo da Religião.
Entretanto, é preciso acreditar no que estou dizendo, pois se
trata da verdade absoluta.
O fato de o Mundo Espiritual estar se tornando dia significa
que há uma intensificação do elemento fogo. Apesar de ser uma
mudança gradativa, já está se projetando no Mundo Material.
Assim, o mundo em que a água predominava sobre o fogo
tornar-se-á o mundo em que o fogo predominará sobre a água.
Através da Ciência da matéria, não se pode perceber tal
fenômeno, mas as pessoas dotadas de alta espiritualidade
conseguem percebê-lo plenamente. Com essa mudança, todos
os problemas para os quais não se encontrava solução serão
resolvidos de maneira clara e precisa. Com base no que acabo
de expor, vou criar a Verdadeira Civilização, elevando o nível da
Ciência atual.

Jornal Eiko nº 255, 7 de abril de 1954

A ULTRACIÊNCIA

Há alguns dias atrás, ouvi pelo rádio a gravação de uma


mesa redonda feita com a participação do Dr. Yukawa(1) que
havia acabado de retornar ao Japão. Fiquei muito feliz, pois
segundo aquela mesa redonda, parece que, ultimamente,
também a Ciência vem se aproximando cada vez mais das
minhas teorias.

Na mesa-redonda, falou-se sobre uma nova teoria: a


Teoria das Propriedades Físicas relacionada à Teoria de
Partículas Elementares. Segundo essa teoria, as partículas

(1)
Dr. Hideki Yukawa, físico (1907-1981)
elementares são visíveis e a Teoria das Propriedades Físicas se
refere aos átomos invisíveis. Obviamente, a primeira vem a ser a
física experimental, e a segunda, física teórica. Portanto, de
acordo com a minha proposição, a primeira equivale à matéria e
a segunda, ao espírito. Isso mostra que finalmente a Ciência
também está se identificando com o nosso pensamento.

A respeito disso, até agora, os cientistas da física teórica,


ao apresentar uma teoria nova, baseavam-se primeiramente na
imaginação, na dedução e na hipótese, para depois realizarem
experiências. No caso do Dr. Yukawa, aconteceu também a
mesma coisa. Como todos sabem, na ocasião em que ele
descobriu o méson, felizmente os cientistas americanos
realizavam experiências fotografando os raios cósmicos e
casualmente descobriram e confirmaram a sua existência.
Graças ao mérito dessa descoberta, o Dr. Yukawa pôde receber
o Prêmio Nobel. Mas a Teoria das Propriedades Físicas acima
citada encontra-se a um passo dessa teoria e parece que
atualmente a prioridade está na sua pesquisa. Porém, até que
seja confirmada a sua existência através de experiências, creio
que ainda será necessário percorrer caminhos sinuosos por
muito tempo e, ao mesmo tempo, estará sujeito a encontrar
obstáculos inesperados. Isso porque não será nada fácil os
microscópios atuais alcançarem progresso a esse nível.

Por outro lado, mesmo que porventura sejam descobertas


as partículas de propriedades físicas através das experiências,
se se limitar a isso, não terá nenhum significado. A sua
importância está no quanto isso vai contribuir para o bem-estar
da humanidade. Porém, relacionado a isso, existe um ponto
muito importante que a Ciência sequer imagina. Se ela vier a
progredir mais, acabará entrando na esfera espiritual a que
sempre nos referimos. Esfera espiritual, obviamente, vem a ser a
Religião, mas se isso acontecer é natural que acabará se
distanciando da área científica e se subordinando à Religião.
Portanto, a atual Ciência Material está chegando ao ápice do seu
progresso e, no momento, encontra-se a um passo do beco sem
saída. Assim, para poder sair desta situação, creio que é preciso
desenvolver um microscópio dezenas ou centenas de vezes mais
potente, mas isso é praticamente impossível. Mesmo que seja
possível, não se sabe quantos séculos serão necessários.

Pensando desta forma, não podemos deixar de admitir


que, no doravante mundo, será extremamente difícil à Ciência, à
Filosofia ou mesmo às Religiões tradicionais alcançarem maior
progresso. Nesse sentido, significa que, finalmente, chegou o
momento de manifestação do ―X‖, que transcende o nível da
cultura atual. Com o grande salto do ―X‖, a atual civilização, que
se encontra num beco sem saída, poderá ultrapassar essa
grande crise e criar uma nova e surpreendente Civilização, e
essa é a minha missão.

A seguir, gostaria de me aprofundar mais nas teorias de


partículas elementares e de propriedades físicas.

As partículas elementares propostas por mim são como as


células que constituem a matéria e são formadas pela união de
partículas materiais e espirituais. Em outras palavras, a primeira
vem a ser o próton e a segunda, o nêutron. Elas são a essência
de toda e qualquer matéria, mas ainda não foram descobertas
pela Ciência.

Então, porque uma pessoa como eu, de pouca formação


catedrática, conseguiu descobrir essa Teoria Científica de alto
nível como esta? Obviamente, pela Sua necessidade, o Supremo
Deus concedeu-me revelação. Por isso, pude apreender a
Verdade sobre todas as coisas que, até hoje, durante toda a
História da humanidade, ninguém conseguiu saber. Também Ele
concedeu-me a força necessária para poder comprovar isso
cientificamente. E essa comprovação está no apêndice do
presente livro sob o título ―Relatório dos Resultados de Curas de
Doenças‖ (omitido nesta edição) que evidentemente foram
enviados pelos membros da nossa Igreja, de várias partes do
país.

O que gostaria de afirmar é que, independentemente de


Religião ou de Ciência, se ela tiver a capacidade de salvar a vida
humana, que é de extrema preciosidade, acho que não há
evangelho superior a ela. A seguir, gostaria de explicar
detalhadamente sobre esse princípio.

Sem dúvida, o homem é o senhor de todas as coisas; ele


é o rei e o mandatário do Globo Terrestre. Todas as coisas entre
o Céu e a Terra existem em função do homem. Em primeiro
lugar, elas estão preservando a vida do ser humano e, em
segundo, auxiliando a missão de cada pessoa. Portanto, o corpo
humano foi criado de forma que tenha muita vitalidade e que
possa atuar com saúde.

Assim sendo, quando casualmente a saúde sofre danos e


a vida fica ameaçada pelo surgimento de alguma doença, é
natural que ocorra um processo para eliminá-la e não há nada de
extraordinário nisso. Isto porque, por mais que todas as
condições estejam preenchidas, se o ser humano não for
saudável, ele não conseguirá cumprir a sua missão. Partindo
desse princípio, seja ela Ciência ou Religião, se conseguir
resolver os problemas de doenças, esta sim será a verdadeira
Ciência ou a verdadeira Religião. Porém, tanto a Ciência como a
Religião atuais infelizmente não possuem tal capacidade; por
isso, está mais do que claro que elas não são verdadeiras. Para
ser sincero, está bem claro que a civilização de até hoje era
provisória e não era verdadeira.

Jornal Eiko nº 222, 19 de agosto de 1953


O MÉRITO DO DR. YUKAWA VISTO ESPIRITUALMENTE

Recentemente, o Dr. Yukawa recebeu o Prêmio Nobel de


Ciência Teórica. Relacionado ao seu mérito como o primeiro e
único japonês a receber esse prêmio, sinto que podemos nos
orgulhar perante o mundo inteiro. Realmente, não consigo conter
a minha felicidade diante deste fato, uma vez que os japoneses
puderam recuperar, por pouco que seja, o crédito perdido
durante a Segunda Guerra Mundial.

Dizem que o Dr. Yukawa recebeu o referido prêmio graças


ao fruto obtido pela sua descoberta, aos apenas 28 anos de
idade, sobre a Teoria Básica da Ciência Atômica; portanto, acho
a sua inteligência surpreendente.

O princípio acima refere-se à descoberta do méson que,


com a fusão com o elétron, gera a força. Posteriormente, os
físicos americanos Anderson e Neddermeyer descobriram por
acaso, nas fotografias tiradas durante a observação dos raios
cósmicos, os rastros das partículas identificadas como Partícula
Yukawa. Assim, a Teoria Yukawa foi comprovada por meio de
experiências. Vou explanar, a seguir, a minha opinião a seu
respeito.

Originariamente, o méson é um elemento que resultou da


fusão dos elementos fogo e água, ou seja, obviamente ele é uma
micropartícula formada pelas energias do Sol e da Lua.
Atualmente, são reconhecidos cinco tipos de mésons: µ-méson,
positivo e negativo; p-méson, positivo e negativo e o méson
neutro. Nesses cinco tipos, o µ-méson e o p-méson, positivos e
negativos, possuem as duas energias que são a do Sol e a da
Luz; p-méson, que possui energias do Sol e da Lua; o méson
neutro possui as partículas fundidas de Sol e Lua e os dois
mésons restantes possuem as energias da terra e das estrelas, e
essa força, evidentemente, se posiciona no nêutron.
Preciso dizer sobre a importância desta descoberta,
principalmente no que se relaciona à minha teoria. A partícula
Yukawa é o elemento intermediário entre a matéria e o espírito e
já estamos na iminência de descobrir, graças ao avanço ainda
maior da Ciência, a partícula espiritual extremamente minúscula.

Talvez ainda seja um pouco cedo para apresentar a minha


teoria sobre a partícula espiritual, mas posso afirmar que esta
divide-se em três níveis: a que ocupa o terceiro nível é a partícula
que será descoberta após o méson. Depois desta, será
descoberta a do segundo nível e, por último, a do primeiro nível.
Conforme a minha proposição, esta última é a partícula espiritual
emitida pelo Supremo Deus, e também, a força que atualmente
estou utilizando e manifestando milagres sem precedentes,
conhecida também como Poder Kannon. Logo, esta manifesta
um poder de cura dezenas ou centenas de vezes maior do que o
apresentado pela Medicina atual. É por esse motivo que tenho
me referido sempre que o nosso tratamento é a Medicina do
Século XXI. Conseqüentemente, é grande a minha satisfação em
relação à recente descoberta do méson, pois isso significa que a
Ciência Teórica alcançou finalmente o nível de descobrir o
méson.

A respeito disso, até hoje, foi sempre considerado difícil


obter a união entre a Religião e a Ciência. Por isso, é uma
realidade indiscutível que ambas as partes vieram sempre se
criticando mutuamente. Obviamente, isto acontece porque existe
uma lacuna entre elas e não conseguem encontrar um ponto
comum. A sua causa, como já disse anteriormente, se
assemelha, obviamente, ao fato da Ciência não ter alcançado
ainda o progresso até o nível de descobrir as partículas
espirituais. Da mesma forma, na Religião, também, devido à
prematuridade do tempo, não houve a manifestação do supremo
Poder Divino.
Gostaria de falar aqui sobre a realidade em que o méson
existente nos raios cósmicos foi comprovado através do registro
fotográfico. Conforme já expliquei sobre os raios cósmicos na
Coletânea ―Assuntos sobre Fé‖, os raios cósmicos são os elos
espirituais que partem de inúmeros corpos celestes e que,
exercendo uma força de atração sobre o Globo Terrestre, envia-
lhe normalmente o nutriente, que nada mais é do que sua
energia vital.

O Dr. Yukawa também diz na sua descoberta que o méson


é uma energia; portanto, é óbvio encontrá-lo em abundância nos
raios cósmicos, e a força que torna pleno o méson não é senão a
radioatividade das partículas espirituais divinas.

Às vezes, as pessoas indagam-me: ―Por que o senhor não


apresenta a medicina que descobriu, já que ela é digna de
prêmio Nobel?‖ Então, respondo-lhes que é impossível devido ao
nível de formação acadêmica dos juízes que presidem o prêmio
Nobel e se fundamentam na Medicina atual. No futuro, quando
chegar a época em que tiver alcançado um grande progresso,
acho que a minha teoria será compreendida; portanto, não há
outra alternativa senão esperar pela chegada dessa época, e dou
as minhas gargalhadas.

Jornal Hikari nº 38, 3 de dezembro de 1949

DEUS E A “LENTE DE VIDRO”

Sem dúvida nenhuma, o ponto fundamental do equívoco


da Medicina que tenho apontado foi ela ter sido colocada dentro
do campo da Ciência. Originariamente, o princípio da constituição
de todas as coisas separa fundamentalmente os seres humanos
e as demais coisas e criaturas e, logicamente, a sua essência
também é diferente.
Isto porque, originariamente, o homem é o rei do Globo
Terrestre, é o seu mandatário. Com base nisso, todas as outras
existências materiais estão subordinadas a ele. Elas são movidas
à mercê da própria vontade do homem; para proteção do seu
corpo carnal e pela sua necessidade de sobrevivência, cada
coisa está desempenhando uma função. Falando de forma mais
compreensiva, a diferença é a mesma que existe entre o senhor
e o súdito. De acordo com esse princípio, naturalmente, através
da ciência criada pelo homem, é possível, dependendo da sua
vontade, a transformação e o progresso de todas as coisas - com
exceção do próprio homem. Graças a isso é que se alcançou a
maravilhosa civilização atual.

Além disso, houve, recentemente, entre outras coisas,


uma assustadora descoberta chamada Ciência atômica, e as
pessoas que vêem essa realidade acabam aderindo
completamente à Ciência, e dizem que tudo que não é possível
perceber pelos cinco sentidos é ―anti-ciência‖. Em relação às
pessoas da atualidade, utilizando-se de palavras convenientes e
fascinantes, obliteram-no. Esse é o pensamento geral da
sociedade. Isso se acentua principalmente entre os intelectuais, a
ponto de ser uma ―marca registrada‖ das pessoas cultas. A forma
difere, mas eles não são nem um pouco diferentes dos fiéis de
uma religião herética e supersticiosa.
Conseqüentemente, isso acabou interferindo até mesmo
na questão da vida dos seres humanos, que não tem nenhuma
ligação com o campo da Ciência, o qual se denomina ―Medicina‖;
por isso podemos dizer que se trata de uma ação audaciosa. É
lógico que não podemos considerar como ―verdadeira‖ uma
Medicina que é uma invasora cultural, e o fato de desejar
desvelar o mistério da vida por meio de uma ―anti-medicina‖
como essa assemelha-se à procura de peixe em árvores.

Nesse sentido, como contraposição aos equívocos da


Medicina, eu abro os olhos daqueles indivíduos através de fatos
verídicos, ensinando a verdadeira Medicina; essa é a Vontade
Divina. Em resumo, no que se refere à doença, não existe na
face da Terra outra força capaz de curar a doença a não ser o
Poder de Deus.

Falando de uma forma mais minuciosa, atualmente a


Medicina considera o micróbio como a causa das doenças. Como
é do conhecimento de todos, com a descoberta do micróbio, a
medicina apresentou um progresso histórico. Depois disto,
durante longo tempo, ela veio realizando experiências, mas os
resultados têm sido infrutíferos, fora da expectativa. Mesmo
assim, a Medicina age como um cego, portando-se como os fiéis
de uma religião herética que, uma vez acreditando em algo,
mesmo sendo os resultados contraditórios, não conseguem
admitir isso.

Como já disse, consideram que a causa das doenças são


os micróbios e que basta exterminá-los para que todos os tipos
de enfermidades sejam solucionadas. E continuam realizando
pesquisas voltados apenas para esse ponto. Portanto, quem se
apodera da chave da Medicina é a lente de vidro, denominado
microscópio. Assim, podemos dizer que a ―lente de vidro‖ possui
uma existência superior a Deus e controla livremente a vida do
ser humano. Pobre homem, senhor de todas as coisas!
É natural que, quando eles olham a religião com essa
visão, neguem a existência de Deus. Além disso, através desse
fato, entende-se também que é natural que a Medicina proceda
assim, cortando e dilacerando a esmo o tão precioso corpo
humano. Nesse sentido, a Obra de Salvação que estou
desenvolvendo atualmente vem a ser uma batalha entre Deus e
a ―lente de vidro‖, e deixo por conta do leitor saber quem será o
vencedor.

A seguir, um outro ponto muito importante é que a


capacidade do microscópio atualmente limita-se ao aumento
máximo de 200.000 vezes. Se observarmos baseados nisso, a
Medicina empenha-se somente nos métodos de extermínio dos
micróbios, que são visíveis dentro do limite máximo de 200.000
vezes. Entretanto, na verdade devem existir micróbios cuja
detecção não é possível numa ampliação de 200.000 vezes, mas
sim em um milhão, ou talvez, dez milhões de vezes. Ou melhor,
deduzo que o seu tamanho seja infinitamente minúsculo. Pois,
por exemplo, o Universo é o macroinfinito e o seu oposto é o
microinfinito. Conseqüentemente, como as bactérias patogênicas
podem ser infinitamente minúsculas, não será suficiente a força
finita criada pela Ciência. Somente uma força infinita poderá
combater a origem das doenças, que também é infinita. Força
infinita é, obviamente, a de Deus, a Sua Luz.

O instrumento que usa livremente essa Luz é uma pessoa


especial. E essa pessoa sou eu. Poderão compreender isso se
observarem o atual poder de cura de doenças que tenho
manifestado. Além disso, não terão motivos para nenhuma
dúvida ao verificarem a tendência, cada vez maior, de aumento
das pessoas que acreditam em mim. Não me sinto bem ao falar
de mim mesmo, mas como todos sabem, desde os tempos
antigos até hoje, nunca apareceu uma pessoa que, como eu,
possuísse um poder ultra-humano. Isso vem a ser o ―Estado de
união com Deus‖, citado desde antigamente. Por conseguinte, ao
ler este livro, poderão compreender que trata-se da dissecação
do Espírito Divino, da origem da vida humana e da elucidação da
Verdade extremamente profunda que nenhum homem sagrado, a
começar por Cristo, Sakyamuni e Maomé, jamais conseguiu.
Trata-se , também, do ―Evangelho do Paraíso‖.

Jornal Eiko nº 225, 9 de setembro de 1953

RELIGIÃO E CIÊNCIA
Até hoje, a Religião e a Ciência vêm sendo tratadas como
existências distintas, o que é um grande erro. Na realidade,
assim como nada escapa à Ciência, tudo se relaciona à Religião,
pois a existência da Ciência é inseparável da Religião. O fato de
as religiões não terem percebido isso significa que a sua forma
de ensino era muito superficial. Há centenas ou milhares de
anos, não havia o desenvolvimento cultural como na atualidade,
por isso, mesmo que tivessem sido expostas teorias arrojadas
para o homem daquela época, certamente, ele não iria
compreendê-las. Assim, em tudo, a Vontade de Deus não
permite que o homem aja de forma improdutiva.

Desde que a Ciência atual progrediu a ponto de estar


prestes a alcançar o campo do espírito, não é, de maneira
alguma, difícil fazer com que o homem atual compreenda, por
meio de explicações científicas, as questões relacionadas ao
espírito. Nesse sentido, gostaria de abrir a porta do mistério, que,
durante muito tempo, esteve trancada a sete chaves.

Não sou um cientista, sou apenas um amador, e é essa


pessoa que vai falar sobre Ciência. Portanto, talvez eu cometa
falhas, mas ficarei feliz se, de alguma forma, essa explicação for
útil.

Creio que não há nada que esteja proporcionando tantos


benefícios à cultura humana quanto a energia elétrica. Não é
preciso mencionar o benefício que ela trouxe a todos. Caso fosse
interrompido o seu fornecimento, seria o mesmo que interromper
a cultura. Realmente, estamos em plena era da eletrônica.

Quando a Segunda Guerra Mundial estava chegando ao


seu fim, os Estados Unidos inventaram a bomba atômica. Nem é
necessário dizer o quanto o mundo ficou atônito diante dessa
pavorosa invenção, que, obviamente, acelerou o desfecho da
guerra. O poder de desintegração do átomo foi apresentado,
primeiramente, como poder de exterminar milhares de vidas em
frações de segundos. Por outro lado, podemos imaginar quão útil
será para a cultura humana quando esta grandiosa descoberta
avançar mais. Creio que a desintegração do átomo surgiu com a
missão de projetar a geração seguinte na era da eletrônica. E o
que virá depois da era atômica? Podemos imaginar que seja a
Era da Cultura mais elevada de todas: a Era do Espírito ou Era
Divina que venho pregando.

Primeiramente, gostaria de referir-me ao princípio do fogo


e da água. Falando mais detalhadamente, o fogo arde pela ação
da água e a água se move pela ação do fogo. Se não houvesse o
fogo, tudo congelaria instantaneamente. Ao contrário, se restar
apenas o elemento fogo e o elemento água se reduzisse a zero,
ocorreria uma explosão instantânea do Globo Terrestre. Este
princípio e o da bomba atômica são os mesmos, ou seja, quando
se irradiam elementos químicos, como urânio ou plutônio, no
núcleo do átomo, o elemento água, contido no núcleo, torna-se
zero e ocorre a explosão. Essa pequena explosão induz
explosões sucessivas dos elementos químicos ao redor e essa
ampliação produz uma grande explosão. De acordo com esse
princípio, mesmo não sendo a irradiação de urânio, desde que
seja uma irradiação capaz de reduzir o elemento água a zero, é
evidente que produza o mesmo efeito.

Afirma-se que o atual princípio da desintegração do núcleo


do átomo baseia-se na irradiação e destruição dos elétrons. Mas,
pelo meu raciocínio, essa desintegração está na redução a zero
do elemento água existente no núcleo do átomo. Porém, com o
avanço ininterrupto da Ciência, esse princípio, recentemente,
alcançou a Teoria do Próton e evoluiu à descoberta da partícula
alfa.
A seguir, falarei sobre a Era Espiritual, da qual a religião
deve ser o elemento central. Mesmo no campo da eletricidade,
existem espírito e matéria. A matéria é a luz elétrica, por
exemplo, a luz da lâmpada, e o espírito seriam as ondas do
rádio. A televisão e o rádio são exemplos disso. O fato de a voz
humana alcançar milhares de quilômetros de distância em forma
de ondas representa a atuação do Mundo Espiritual das
Palavras.

A parte material do Mundo das Partículas Atômicas foi


detectada através da descoberta da desintegração do núcleo do
átomo; todavia, a parte espiritual, que no campo religioso
corresponde ao Mundo do Pensamento, é desconhecida pela
Ciência.

Vejamos, agora, o Mundo das Partículas Espirituais. Sua


parte material equivale ao local onde atuam os espíritos divinos e
espíritos de níveis inferiores. As religiões tradicionais surgiram
naquele mundo, e a existência de diferentes níveis de religiões
se deve ao fato de as divindades e demais espíritos terem níveis.

Na parte espiritual do Mundo das Partículas Espirituais


(que denomino de Mundo Oculto), estão as divindades mais
elevadas que desenvolvem a Providência Divina propriamente
dita. Acima destes três planos, posiciona-se o Deus Onipotente,
Senhor e Criador do Universo. Não existem palavras que possam
descrevê-Lo. Só se pode afirmar que se trata do centro do Poder
Absoluto e Misericordioso, fonte de todas as coisas.

Passarei a explicar cientificamente sobre a essência da


salvação divina e dos pecados. Originariamente, existem no
mundo várias religiões de porte grande, médio e pequeno. Em
todas elas, suas divindades e espíritos, calcados no propósito de
salvação da humanidade, têm estendido suas mãos do Mundo
Espiritual, para realizar a obra da salvação deste mundo por
intermédio das pessoas que têm afinidade com eles.
Naturalmente, o seu fundamento está no Plano do Deus
Supremo, que atribui a obra de salvação de acordo com a época,
povo, local e tempo.
Isso acontece quando, em determinada região, verifica-se
o acúmulo de pecados que chega a interferir no progresso da
cultura. Desde a Antigüidade, a religião vem atuando na
eliminação dos pecados, causa da infelicidade do ser humano.
Mas o que vem a ser o pecado? Espiritualmente, a nível
individual, são as máculas do espírito; a nível coletivo, são as
máculas do Mundo Espiritual dessa região.

E o que vêm a ser máculas? Tratam-se de uma espécie de


microrganismos nocivos que surgem e vivem no elemento água.
São partículas extremamente minúsculas, invisíveis mesmo
através dos microscópios. Essas partículas surgem e aumentam
através dos maus pensamentos e más ações, tornando-se a
causa dos sofrimentos humanos. Por outro lado, elas são
destruídas pelos bons pensamentos e boas ações.

Quando as máculas aumentam e atingem certo limite,


ocorre naturalmente um processo natural de purificação. Quando
esse processo é de pequena escala, manifesta-se no indivíduo
em forma de doenças e infortúnios; numa escala maior, em forma
das três pequenas calamidades: fome, doença e guerra. Quando
a purificação atinge uma proporção maior, toma a forma das três
grandes calamidades, que são a tempestade, a inundação e o
incêndio. No entanto, a atividade que reduz o máximo possível
ou até mesmo elimina os infortúnios minimizando a infelicidade é
a Luz espiritual que se origina no grande amor das divindades.
Os santos, os mártires e os fundadores de religiões surgiram
como seus mediadores; abaixo deles, estão os divulgadores, que
são os religiosos de cada religião, propagadores de Deus. Dessa
forma, no caso de realizar a salvação, Deus utiliza doutrinas e
métodos adequados ao ser humano de cada época.
Conforme foi explicado, a partícula que destrói as
partículas tóxicas é o elemento Fogo, uma Luz invisível aos olhos
humanos. O processo de purificação ocorre através dele, num
princípio idêntico ao que ocorre na esterilização dos micróbios
através da luz solar. Se aprofundarmos ainda mais esse fato, o
que ocorre é o seguinte: a alma da pessoa, que até então estava
adormecida, desperta ao receber a Luz através dos
Ensinamentos e das orações e, ao arrepender-se, passa a
pensar e a praticar o Bem, e a resplandescência de sua alma
enfraquecerá e exterminará as partículas.

Acima apresentei uma explicação científica sobre a


Religião, que, nesse ponto, não se trata nem de Ciência Material
nem de Ciência Espiritual, mas sim de Ciência de Identidade
Espírito-Matéria. Creio que tenha conseguido explicar de forma
simples sobre o verdadeiro aspecto da Ciência da Era da Cultura
que surgirá brevemente.

Coletânea Assuntos sobre fé, 5 de setembro de 1948

CAPÍTULO III – O MUNDO ESPIRITUAL

A EXISTÊNCIA DO MUNDO ESPIRITUAL

Em primeiro lugar, é preciso entender a finalidade do


nascimento do homem. Deus criou o homem para construir o
Mundo Ideal, que é o objetivo do Seu governo na Terra,
concedendo-lhe missões específicas e utilizando-o conforme
Sua vontade. A evolução da era primitiva para a brilhante era
cultural de hoje e também o desenvolvimento da inteligência
humana até chegar ao estágio atual foram dirigidos
exclusivamente para esse fim. Não só o homem - criatura de
nível mais elevado - mas todas as outras criaturas, inclusive
os vegetais e minerais, enfim tudo aquilo que tem forma, está
constituído de dois elementos fundamentais: espírito e corpo.
Havendo separação desses elementos, o ser deixa de existir,
seja ele qual for. Mas pretendo falar apenas sobre o homem.
Quando o corpo carnal se torna inútil, por velhice, doença,
perda de sangue, etc., o espírito o abandona e dirige-se ao
Mundo Espiritual, onde passa a viver. Esse fenômeno é
idêntico no mundo inteiro, seja qual for a raça. Há muitas
obras de autores famosos tratando do assunto, entre elas a
que se intitula "Raymond", da autoria de Sir Oliver Lodge
(1851-1940), editada na Inglaterra logo após a Primeira Guerra
Mundial. Ele registra as mensagens que lhe foram enviadas do
Mundo Espiritual por um filho seu que falecera na Bélgica,
durante uma batalha daquela guerra. Na época, o livro foi lido
por muitas pessoas de diversos países, surgindo daí inusitado
movimento de pesquisa do Mundo Espiritual e também grandes
médiuns. Também o famoso autor de "O Pássaro Azul", o
belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), tornou-se um estudioso
dos fenômenos sobrenaturais após reconhecer a existência do
espírito. Com a publicação, logo a seguir, do livro "Exploration
in the Spiritual World", do Dr. Ward, as pesquisas tomaram um
impulso ainda mais extraordinário. Nesta obra ele descreve
minuciosamente o Mundo Espiritual. Conta que, uma vez por
semana, entra em estado de transe, sentado numa cadeira, e
se transporta para lá. Nessas ocasiões, o espírito de um tio
seu acompanha-o para mostrar-lhe todos os aspectos daquele
mundo, orientando-o sobre a sua verdadeira natureza. Também
os espíritos de seus amigos e conhecidos desempenham
papel de instrutores, enriquecendo sobremaneira os
conhecimentos que lhe são ministrados. Trata-se de uma obra
muito interessante, que pode ser de grande validade para o
conhecimento da vida no Mundo Espiritual, razão pela qual
espero que os leitores a leiam. Inegavelmente há alguns
aspectos diferentes entre o Mundo Espiritual do Ocidente e o
do Japão. Pretendo posteriormente, através de diversos
exemplos, explicar os fenômenos de um e de outro. Notícias
procedentes da Inglaterra há mais de dez anos dizem que
surgiram naquele país centenas de sociedades de pesquisas
psíquicas desenvolvendo intensas atividades, e que até foi
fundada uma universidade para esse fim, mas eu gostaria de
saber a situação presente, porque, com a eclosão da Segunda
Guerra Mundial, não tive mais notícias a respeito.
Coletânea Série Jikan volume 3, 25 de agosto de 1949

INCORPORAÇÃO

Desde épocas remotas são muito numerosos os casos de


incorporação, cujos tipos também variam bastante. Atualmente,
as pessoas consideradas intelectuais julgam que se trata de
superstição; além de não darem atenção ao fato, dão à
palavra um sentido pejorativo. Entretanto, segundo meus
estudos, a incorporação não é absolutamente superstição,
podendo ser de espírito do Bem ou de espírito do Mal. O
importante é distinguir exatamente quando se trata de um caso
ou de outro. Há três tipos de incorporação: de divindades de
nível elevado, médio ou baixo; de espíritos de animais, que
fingem ser divindades, e de espíritos de seres humanos. No
primeiro tipo, inclui-se, por exemplo, o espírito dos fundadores
de religiões, como a Sra. Miki Nakayama, da religião Tenri-
Kyo, a Sra. Naoko Deguti, da religião Oomoto-Kyo, os
fundadores das seitas Reimyo-Kyo, Konko-Kyo, Kurozumi-Kyo e
Hito-no-Miti, e, ainda, os iniciados Kobo, Nitiren, Honen e En-
no Gyodja, dos velhos tempos. No segundo tipo, situam-se as
incorporações observadas em muitas crenças vulgares,
existentes em grande número na sociedade, tais como "Inari
Kudashi no Gyodja", "Iizuna-Tsukai" e outras. O terceiro tipo,
isto é, a incorporação de espíritos de seres humanos, refere-se
principalmente aos espíritos dos ancestrais e de parentes mais
próximos e recémfalecidos. Se desenvolvêssemos a capacidade
de discernir os tipos de incorporação e soubéssemos
dispensar-lhe as devidas cautelas e orientações, a incorporação
seria muito útil à sociedade humana. Mas deixo claro que,
além desse discernimento ser quase impossível, se o
conhecimento sobre o assunto for apenas superficial, as
conseqüências poderão ser desastrosas.

Na Europa e na América, estão realizando ativas pesquisas de


Parapsicologia. Na Inglaterra e em vários outros países, já
existe até Faculdade de Estudos Parapsicológicos, e também
estão se desenvolvendo pessoas de alto potencial mediúnico.
Como transmissoras de mensagens emitidas do Mundo
Espiritual, são dignas de nota as obras do americano Woodrow
Wilson (1856-1924) e de Sir Northcliffe (1868-1940), ex-editor
do "The London Times". Entretanto, em todos os lugares a
situação é idêntica, e na verdade, mesmo na Europa ou nos
Estados Unidos, aqueles que se dedicam a esse tipo de
pesquisas estão sempre lutando contra o ceticismo das
pessoas obstinadas, intituladas intelectuais, e contra a
descrença dos cientistas bitolados no materialismo. Mas a
vantagem é que, como naqueles países as leis não são
medievais, a pesquisa é livre. Se fizermos uma comparação,
concluiremos que, pela opressão do governo e pela descrença
dos cientistas, até hoje, lamentavelmente, ainda não foram
realizadas pesquisas consideráveis no Japão.

O Evangelho do Paraíso, 5 de fevereiro de 1947

VIDA E MORTE

Para a vida humana, talvez não haja problema tão premente


quanto o da morte. Não será, pois, uma grande felicidade se
o homem tiver esclarecimentos comprobatórios, e não
fantásticos, a respeito dessa questão? Desejo esclarecer as
dúvidas existentes transmitindo a todas as pessoas o resultado
dos meus estudos sobre os fenômenos espirituais. Com
relação ao problema da vida após a morte, existem no
Ocidente muitas obras famosas, tais como as de Sir Oliver
Joseph Lodge (18511940) e do Dr. Ward, que são autoridades
no assunto. No Japão, temos Wazaburo Assano, um profundo
pesquisador com quem eu tive certo relacionamento e que
deixou vários trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns
anos. Falando sobre os fenômenos espirituais, no entanto,
quero deixar bem claro que, na medida do possível, me
basearei apenas na minha própria experiência. Agirei assim
para garantir a exatidão do que digo, pois, como esses
fenômenos são invisíveis, é difícil apresentá-los de forma
concreta, sem cair em dogmas. Desprendido do corpo, que se
tornou inútil, o espírito retorna ao Mundo Espiritual, onde passa
a habitar, começando uma nova vida. Descreverei, inicialmente,
como se processa o instante da morte, observado do Mundo
Espiritual. Geralmente o espírito se desprende do corpo pela
testa, pela região umbilical ou pela ponta dos dedos do pé. O
espírito puro sai pela testa; o que tem muitas máculas, pela
ponta dos dedos do pé; o mediano, pela região umbilical. Isso
se explica porque o espírito puro praticou o bem enquanto
vivia, somou méritos e foi purificado; o que tem muitas
máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se entre
os tipos mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da
Concordância.

O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira


que "viu" a morte de um doente; sua descrição é tão perfeita
que serve de ilustração. É um exemplo ocidental, porém, tanto
no Ocidente como no Japão, existem pessoas que têm a
faculdade de ver espíritos. Não guardei os pormenores da
descrição, mas vou reproduzir as partes mais importantes.
"Certa vez - disse ela - fitando um doente prestes a morrer,
notei que de sua testa subia algo branco, uma espécie de
névoa que, espalhando-se lentamente pelo espaço, tornou-se
uma massa disforme, semelhante a uma nuvem. Pouco a
pouco, entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos
depois, apresentou-se exatamente com as mesmas
características físicas da pessoa. De pé, no espaço, olhava
atentamente seu corpo inerte, junto do qual os familiares
choravam. Parecia que desejava mostrar-lhes sua presença,
mas desistiu, por saber que estava em dimensão diferente;
mudou, então, de posição, dirigiuse para a janela e saiu
suavemente". Realmente, a descrição acima retrata muito bem
os instantes da morte, que os budistas designam pela
expressão "vir para nascer". De fato, se analisarmos do Mundo
Material, é "ir para morrer", mas, se o fizermos do Mundo
Espiritual, é "vir para nascer". Da mesma forma, ao invés de
dizerem "antes de morrer", eles dizem "antes de nascer".
Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado
tempo, às vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para
nascer novamente. Desse modo, o homem nasce e morre
muitas vezes. Para se referirem a esse nascer e renascer, os
budistas usam a expressão "Rin-ne Tensho". Qual a relação
entre o Mundo Espiritual e o homem? O homem vem ao
Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada
por Deus, tenha ou não tenha consciência disso. No
cumprimento dessa missão, acumula máculas no seu corpo
espiritual. Chega, porém, um momento em que, por doença,
velhice ou outros motivos, torna-se-lhe difícil continuar a
cumpri-la. Quando isso ocorre, o espírito abandona o corpo e
retorna ao Mundo Espiritual. Nesse sentido, desde tempos
remotos chama-se "Nakigara" (invólucro vazio) ao corpo sem
espírito, e "Karada" (invólucro) ao corpo carnal de uma pessoa
viva. Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual,
inicia-se, na maioria deles, o processo purificador das máculas.
Dependendo do peso e da quantidade destas, logicamente ele
vai ocupar um nível mais elevado ou mais baixo. O período
de purificação é variável. Os períodos mais curtos duram
poucos anos, às vezes dezenas, e os mais prolongados,
centenas ou milhares de anos. Os espíritos que foram
purificados até certo ponto reencarnam, por determinação de
Deus. Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a
pessoa, há situações em que não se obedece a ela. Isso
acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm forte
apego à vida. Eles reencarnam antes de terem sido
suficientemente purificados no Mundo Espiritual. Geralmente têm
destino infeliz, porque lhes restam consideráveis máculas da
vida anterior, que precisam ser eliminadas. Por essa razão é
que muitos praticam o bem mas vivem perseguidos pelos
infortúnios. São pessoas que na vida anterior cometeram
muitos pecados e, quando morreram, arrependeram-se
seriamente, tomando a firme decisão de não persistir no erro.
Esse propósito ficou impregnado em seu espírito, mas, como
reencarnaram sem terem sido suficientemente purificadas, vivem
sempre cercadas de sofrimento, apesar de detestarem o Mal e
praticarem o Bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de
pessoas que, passando um período de infelicidade e tendo
redimido os seus pecados, tornam-se subitamente felizes.

Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher


além de sua esposa, e outros que não desejam casar-se,
terminando a vida solteiros. São indivíduos a quem as
mulheres causaram muita infelicidade na vida anterior, e por
esse motivo morreram com uma espécie de temor ao sexo
feminino, sentimento que deixou marcas em seu espírito.
Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves,
insetos ou outros bichos. Isso tem origem na morte que
tiveram, causada por um desses animais. O mesmo pode ser
dito em relação àqueles que temem a água, o fogo ou os
lugares altos. Outros têm medo de lugares onde se aglomera
muita gente. Quando alguém sente isso, é porque em outra
vida morreu pisoteado pela multidão. É interessante o pavor
que certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei
numa pessoa assim. Ela não podia ficar sozinha dentro de
casa. Nessas ocasiões, saía para a rua e ficava esperando
alguém chegar. Provavelmente, na vida anterior, tais pessoas
faleceram de um mal súbito, quando estavam sozinhas. Pelos
diversos exemplos mencionados, concluímos que, no dia-a-dia
da sua vida, o homem deve se esforçar para morrer em paz,
sem apegos, temores e outras preocupações. Quando uma
pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque
reencarnou antes de estar suficientemente purificada no Mundo
Espiritual. Por exemplo: antes de ser curada de fratura nas
mãos ou nas pernas, provocada pela queda de um lugar alto.
Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a
reencarnação prematura: a influência do apego dos familiares.
É comum o caso de mulheres que engravidam logo após o
falecimento de um filho querido. Esse novo filho é aquele que
morreu e reencarnou prematuramente, em virtude do apego da
mãe. Geralmente essas crianças não são muito felizes.

Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por quê? Pela


diferença de idade entre suas almas: as primeiras têm alma
velha; as segundas têm alma nova. A alma velha, por ter
reencarnado muitas vezes, possui uma larga experiência do
mundo, ao passo que a nova, por ter sido criada
recentemente no Mundo Espiritual, tem pouca experiência,
motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há
um processo de procriação no Mundo Espiritual. Ainda podemos
citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram.
Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm
a impressão de tratar-se de pessoa já conhecida. Sentem uma
grande emoção, como se fossem pai e filho, ou irmãos;
podem até experimentar um sentimento mais profundo. A
razão é que na vida anterior eram parentes bem próximos ou
tinham laços de estreita amizade; a isso se convencionou
chamar de INNEN (afinidade espiritual). Também, por ocasião
de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos
especial simpatia ou atração e onde desejaríamos residir. É
porque em outra vida residimos ou passamos muito tempo
nesse locais. No relacionamento entre homem e mulher, há
casos em que ambos ficam em idílio ardente, que progride até
se tornar um amor cego. A explicação é que na vida anterior,
apesar de enamorados, eles não conseguiram unir-se.
Entretanto, na vida atual, apresentando-se essa oportunidade,
cria-se entre os dois um amor apaixonado. Ao lermos ou
ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos
históricos, podemos sentir simpatia ou até ódio. Isso acontece
porque já vivemos na época em que aqueles fatos ocorreram,
ou porque tivemos algum relacionamento com aqueles
personagens.
O Evangelho do Paraíso, 5 de fevereiro de 1947

ELO ESPIRITUAL

Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque


ainda se desconhece a sua importância. Entretanto, embora os
elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos que a
atmosfera, através deles todos os seres são influenciados
consideravelmente. No homem, eles tornam-se o veículo
transmissor da causa da felicidade e da infelicidade. Em
sentido amplo, exercem influência até sobre a História.
Portanto, o homem deve conhecer o seu significado.
Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e
também preparação para o futuro. O princípio da relatividade,
os raios cósmicos e os problemas referentes à sociedade ou
ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais.
Vejamos a relação existente entre eles e o homem. Tomemos
como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor.
Ele não sabe quantos elos espirituais estão ligados a ele;
podem ser poucos, dezenas, centenas ou milhares. Há elos
espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e maus,
e constantemente causam influência e transformação no
homem. Portanto, não é absurdo dizer que este se mantém
vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais forte é o
que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e
filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos,
amigos, conhecidos, etc. Creio que as expressões "laços de
afinidade" e "ter afinidade com alguém", usadas desde a
Antigüidade, referem-se aos elos espirituais. Os elos espirituais
sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando
há harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando
os cônjuges estão em conflito, ele torna-se mais fino e perde
o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc., dá-se a mesma
coisa. Também podem ser formados novos elos quando uma
pessoa trava conhecimento com outra, quando inicia uma
amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o namoro
ao clímax, o elo torna-se infinitamente grosso e transmite
intensas vibrações de um para o outro. São trocadas não só
sensações agradáveis e sutis, mas também de tristeza e
solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se
extremamente forte e é impossível a separação. Nesse caso,
mesmo que uma terceira pessoa tente interferir no romance,
não só não obterá nenhum resultado mas, ao contrário, fará
aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas pessoas
se amam, é como o pólo positivo e o pólo negativo em
eletricidade, que se tocam e geram a energia elétrica; nesse
caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás,
extinguindo espiritualmente o pólo positivo, salvei duas
estudantes que, envolvidas num amor lésbico, estavam a um
passo de duplo suicídio. Consegui que a moça que
representava o pólo positivo voltasse à normalidade em cerca
de uma semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo
espiritual, e a outra, automaticamente, também voltou à
normalidade. O elo espiritual entre pessoas que não têm laços
de consangüinidade pode ser rompido, mas é impossível
romper o que existe entre parentes consangüíneos. No caso
de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles
sempre estão pensando uns nos outros, o caráter dos filhos
sofre a influência do caráter dos pais, através do elo espiritual.
Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro
lugar devem melhorar a si mesmos. Freqüentemente eles
fazem coisas erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso
não dá muito resultado, e o motivo é o que acabamos de
expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver pais
maravilhosos com um filho transviado.

apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso


se reflete no filho. Pode também acontecer que, entre dois
irmãos, um seja bom e outro seja corrupto. A causa está na
vida anterior e nas máculas dos pais. Para que possam
compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação. Após
a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce
nesse mundo. Referindo-se à morte, os budistas usam a
expressão "Odyo", que significa "vir para nascer". Analisando
do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que
acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas
no Mundo Material, e os espíritos que atingiram certo grau de
purificação voltam a nascer neste mundo, ou melhor,
reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se
arrependem ao morrer, seja por medo do castigo, seja por
outros motivos. Tendo compreendido que o homem nunca deve
praticar o mal, fazem o firme propósito de se tornarem
virtuosas na próxima vida e, quando reencarnam, praticam
realmente o bem. Vemos, pois, que, embora alguém seja muito
bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um
grande perverso. Muitos homens, enquanto estão vivos, não
acreditam na vida após a morte e, depois que morrem, não
conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida,
reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e
sofrem várias purificações no Mundo Material, pelas máculas
que ainda restam em seu espírito. Como o sofrimento é uma
ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de ter
sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença,
como por exemplo cegos, mudos e aleijados, são pessoas que
tiveram morte violenta na encarnação anterior e reencarnaram
antes de concluída a purificação.

Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de


crianças que nascem com feições de velho. Isso acontece
porque essas pessoas morreram idosas na vida anterior, e
reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o
nascimento é que tomam feições de bebê. Ocorre, ainda, o
caso do reflexo das más características dos pais sobre um
dos filhos, o qual se torna perverso, ao passo que num outro
se reflete a consciência, ou melhor, o lado bom dos pais, e
por isso este filho se torna bondoso. Acontece também com
freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho
se torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar
com a fortuna da família. Como se trata de riqueza ilícita, os
ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa
riqueza, na verdade está trabalhando para salvar a família.
Desconhecendo essa verdade, as pessoas acham que tal filho
é desprezível; por isso, ele é digno de pena. Estamos ligados
por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas
também àqueles que se encontram no Mundo Espiritual. Existe,
ainda, o elo espiritual que nos liga a Deus e também o que
nos liga a Satanás. Deus nos estimula para o Bem, e Satanás
para o Mal. O homem é manejado constantemente por uma
força ou por outra. Assim, o espírito que foi purificado até
certo ponto no Mundo Espiritual é escolhido como Espírito
Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda,
através do elo espiritual que os une. Quando ela está sujeita
a um perigo iminente, o Espírito Guardião transmite-lhe um
aviso e tenta salvá-la. Como exemplo disso, podemos citar o
caso de uma pessoa que vai pegar um trem mas que, por
ter se atrasado ou por algum outro problema, não o pega,
tomando o trem seguinte. Aí, acontece um desastre com o
trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam feridos. A
pessoa foi salva graças ao trabalho do Espírito Guardião, que
conhece antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado
no Mundo Material. A quantidade de elos espirituais varia de
acordo com a posição que o homem ocupa. Numa família,
quem os possui em maior número é o chefe, ligando-o com
os familiares, com os empregados, com os amigos, etc.
Tratando-se do presidente de uma firma, possui elos com
todos os funcionários; se for homem público, como prefeito de
uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente,
imperador, etc., tem elos espirituais com todos aqueles que
estão sob sua administração ou governo. Quanto mais elevada
a posição do homem, maior se torna o número de seus elos
espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem que
ser nobre, porque, se no seu espírito houver impurezas, isso
se refletirá nocivamente sobre grande número de pessoas,
atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um
país, por exemplo, deve ser um homem de grande
personalidade; além de muita sabedoria, deve ter muita
sinceridade. Caso contrário, o pensamento do povo se
deteriora, a moral relaxa, e o número de criminosos torna-se
cada vez maior. Principalmente os educadores, se soubessem
que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos elos
espirituais, deveriam tornar-se pessoas dignas de exercerem
essa profissão, procurando constantemente aperfeiçoar o próprio
espírito. Os religiosos - especialmente os fundadores,
presidentes ou ministros de uma religião - sendo venerados
por grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter
muito cuidado, pois exercem uma influência notável. Se
praticarem atos condenáveis, aproveitando-se de sua posição,
isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e essa religião acabará
por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento
de todos. Mas não é só o homem que tem elos espirituais.
Também Deus tem elos que O ligam aos homens. A diferença
é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem,
mesmo dos mais elevados, possuem luz tênue; em geral são
como linhas branco-acinzentadas. Quanto mais perversa for a
pessoa, mais escuros serão os seus elos espirituais.
Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam
pessoas boas, pois, misturando-se com o Bem, o homem
torna-se bom, e misturando -se com o Mal, torna-se mau,
graças às influências transmitidas pelos elos espirituais. Mesmo
entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem
sempre venerar as divindades, seu espírito será purificado,
porque elas têm elos espirituais intensamente luminosos. Se
venerar as entidades satânicas, ao invés de luz, receberá
fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se
tornará infeliz. Portanto, para seguir uma Fé, é essencial o
homem discernir o Bem e o Mal. A intensidade da luz varia
conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for,
maior número de milagres promoverá, porque a luz dos seus
elos espirituais é muito mais forte. Existe atividade dos elos
espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por
exemplo: a casa onde residimos, os objetos que sempre
usamos, entre os quais roupas e jóias, e principalmente as
coisas de que mais gostamos, possuem conosco um elo
espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos
Estados Unidos, foi publicada uma reportagem sobre uma
senhora que tinha um poder misterioso: pelos objetos, ela
identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do
seu dono. Quando contemplava atentamente um objeto, tinha
a impressão de estar diante da fotografia da pessoa. Isso
ocorria por causa do elo espiritual existente entre a pessoa e
o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é
sutil e profunda a atuação dos elos espirituais. Recentemente,
começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados
raios cósmicos, os quais, a meu ver, são os elos espirituais
que unem a Terra aos outros astros. Desde que foi criada, a
Terra mantém o equilíbrio no espaço graças aos elos
espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos,
cujo número é incalculável - milhões ou bilhões - penetram
até o centro da Terra. Aproveitando a oportunidade, vou
explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço
sideral).

Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No


espaço sideral há dois tipos de astros: os luminosos e os
opacos. Por não ter luz, o astro opaco não se torna visível
aos olhos humanos, mas, com o passar do tempo, vai se
transformando em astro luminoso, pelo endurecimento de
matérias cósmicas; ao atingir o máximo de endurecimento,
começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro
existente na Terra - o diamante - é o que mais brilha. Na
época da criação do nosso planeta, o número de astros
visíveis era tão pequeno como o das estrelas durante a
madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente ao
aumento da população; portanto, assim como é impossível
calcular o aumento da população humana no futuro, é
impossível calcular o aumento do número de astros.
Freqüentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o
que realmente acontece é a transformação de um astro opaco
em astro luminoso, o qual passa a ser percebido pelos olhos
humanos. Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de
desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento
delas. Todos os astros exercem influência sobre a humanidade:
não só os grandes planetas, como Júpiter, Marte, Saturno,
Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis
estrelas - grandes, médias e pequenas. Assim como se
destacam os cinco grandes planetas citados, em cada época
existem cinco personalidades mundiais. Também acho
interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se
a personalidades renomadas, falarem em "passagem de uma
grande estrela", ou "queda de uma estrela". A História registra
que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava
muita importância à Astrologia, e os mestres religiosos
consultavam os astros para ver a sorte ou o infortúnio, a
felicidade ou a infelicidade do homem, para analisar as
doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial.
Na China, a ciência da adivinhação também tomava por base
os nove planetas. Para mim, não é sem cabimento o interesse
que os antigos tinham pelo estudo dos astros.

Coletânea Assuntos sobre a fé, 5 de setembro de 1948

MISTÉRIO DO MUNDO ESPIRITUAL

O Mundo Espiritual é algo realmente extraordinário e


misterioso, e pelo senso comum do homem da atualidade, é
difícil compreendê-lo. Vejamos como o pensamento do homem
se reflete nele. O Mundo Espiritual é o mundo do pensamento;
ali, as existências surgem do nada e voltam ao nada. Tudo é
extremamente mutável. Imaginemos, por exemplo, que dois
escultores façam imagens da mesma divindade. De acordo
com a personalidade de cada um, haverá diferenças entre as
divindades que assentam nessas imagens. Se a personalidade
de um deles for elevada, descerá um espírito Divino de alto
nível, coerente com o autor. Entretanto, mesmo que o formato
da outra imagem seja igual, se a personalidade do escultor for
baixa, virá um espírito representante daquela divindade, ou
uma partícula sua. Outro exemplo: a divindade diante de cuja
imagem as pessoas oram com sinceridade, manifesta seu
poder, isto é, sua luz, com força total; ao contrário, se o
pensamento das pessoas for apenas formal, faltando a elas
respeito e convicção dos sentimentos, o poder do espírito
divino será reduzido proporcionalmente. Além disso, quanto
mais gente estiver orando, mais aumentará esse poder, mais
intensa se tornará a luz. Há um antigo provérbio que diz: "Se
houver espírito de fé, até cabeça de sardinha fará milagres".
Expliquemos o sentido dessas palavras. Suponhamos que uma
pessoa vulgar, que não possui nenhuma qualificação, faça a
imagem de uma divindade e comece a promovê-la utilizando-se
de hábeis métodos de propaganda. Se durante algum tempo
muitas pessoas a adorarem, por esse ato de fé criar-se-á uma
imagem dessa divindade no Mundo Espiritual, manifestando-se,
então, considerável poder, através da concessão de muitas
bênçãos. É realmente espantoso, mas as coisas só irão bem
durante algum tempo, pois não se trata de poder verdadeiro, e
sim de produto da força do pensamento humano; é um poder
temporário, que um dia acabará. O fato acontece
freqüentemente, todos o sabem. Assim é que surgem os
chamados "deuses da moda". Eu me referi aos espíritos
divinos, agora falarei sobre os espíritos satânicos. O que mais
existe no mundo são pessoas corruptas que, por ambição
desmedida, aborrecem, fazem sofrer e levam os outros à
desgraça. Isso é produto das idéias materialistas, que negam o
invisível, mas, analisando do ponto de vista espiritual, é algo
realmente terrível. Como tais pessoas fazem os outros sofrer,
os que são atingidos ficam cheios de rancor, de ódio por elas
e procuram retribuir-lhes o mal que receberam. Esses
pensamentos são transmitidos à pessoa visada através do elo
espiritual. A imagem espiritual do ódio e do rancor é tão
pavorosa, que, se pudesse enxergá-la, qualquer perverso
morreria instantaneamente. Entretanto, se as pessoas atingidas
não são apenas uma ou duas, mas milhares ou milhões,
forma-se um monstro ainda mais horripilante, que circunda
esse perverso de diversas maneiras e tenta destruí-lo. A
situação dele, portanto, é insuportável. Mesmo sendo um bravo
ou um grande herói, terá um fim miserável. Relembrando os
grandes personagens da História, desde a Antigüidade, vemos
que todos eles, sem exceção, tiveram esse destino.
Observando, também, o drama dos políticos perversos, a ruína
dos que se tornaram ricos repentinamente e, ainda, o fim dos
que seduziram e enganaram muitas mulheres, poderemos
compreender muito bem por que tiveram tal destino. Ao
contrário, se a pessoa praticar um grande número de boas
ações e despertar em muita gente gratidão e alegria, estes
sentimentos a envolverão em forma de luz, e ela, então, se
tornará cada vez mais virtuosa. Como Satanás e os maus
espíritos, amedrontados por essa luz, também não poderão se
aproximar, a pessoa será muito feliz. A auréola que se vê
nas imagens das divindades simboliza essa luz. Com o que
acabo de dizer, poderão compreender quanta importância o
homem deve atribuir ao pensamento.

Revista Tijyo Tengoku nº 9, 25 de outubro de 1949

FORÇA ESPIRITUAL

Como as pessoas não conhecem em profundidade o que é


força, vou explicar sobre ela. Se tentarmos definir
cientificamente, a força visível - que possui forma - é mais
fraca; quanto menos visível ela for, mais forte será. Isto é, no
primeiro caso existe um limite, ou seja, ela é medida, por
exemplo, em unidade de cavalo-vapor, quilograma-força, etc.
No segundo caso, ela é ilimitada. É como o pensamento do
homem; mesmo invisível, tem força extraordinária. É do
conhecimento de todos que, com a força do pensamento, uma
só pessoa consegue mover o mundo. Essa explicação se
relaciona apenas ao homem; a força de Deus, porém, vem a
ser a sua ampliação. Isso também pode ser explicado
cientificamente. É o caso da teoria das partículas, proposta
pela Ciência. Aplicando-se essa teoria, o espírito do homem
seria constituído de partículas elementares, e o espírito das
divindades, de partículas subatômicas. Naturalmente, quanto
mais elevado é o nível da divindade, o tamanho da partícula
subatômica diminui proporcionalmente, tornando-se infinitesimal.
Em termos de espírito, ele vai se tornando rarefeito. Desse
modo, devemos saber que, mesmo em termos de Física,
quanto menor é a massa da partícula subatômica, maior é a
energia por ela liberada. De acordo com este princípio, o
Xintoísmo se refere à divindade de mais alto nível como
"Oculto dos Ocultos" ou "Misterioso Oculto", expressões que
retratam exatamente a teoria acima. Assim, a força divina a
mim atribuída é a do Espírito de Mais Alto Nível; é, portanto,
a força absoluta, jamais concedida a nenhum outro homem. É
constrangedor dizer, mas até mesmo Cristo, os fatos mostram
que sua força não era tão potente. Ou seja, os milagres de
Cristo eram realizados apenas por ele, não conseguindo
partilhar esse poder com os seus discípulos. Mesmo outros
santos tinham força limitada, como mostram as evidências.
Escreverei um pouco a meu respeito. A grandeza e o vigor da
força a mim outorgada são absolutamente infinitos; a força que
estou empregando atualmente é apenas uma parte mas,
mesmo assim, aqueles que chegarem a conhecê-la ficarão
surpresos. Naturalmente, mesmo os mais devotados membros
só conseguem entender uma pequena parte. Chegará,
logicamente, a época em que essa força realmente se
manifestará; nessa ocasião, todos ficarão boquiabertos.
Portanto, é preciso que se preparem firmemente, desde já.
Manifestando, atualmente, apenas uma pequena parcela do
meu poder, consigo criar pessoas capazes de solucionar os
problemas de doenças, de ensinar o método de aumentar a
produção agrícola e de levar os homens a apreender
concretamente a existência de Deus através dos milagres.
Além disso, ela está construindo o Paraíso Terrestre e Museus
de Arte de grande escala. Porém, isso é apenas o começo.
Com o decorrer do tempo, essa força irá se ampliando de
forma gradativa e, finalmente, tornar-se-á possível a construção
do Paraíso Terrestre em escala mundial. Portanto, a verdadeira
força divina atuará daqui em diante. Por estas razões, gostaria
de dar explicações mais detalhadas mas; mesmo que eu o
fizesse agora, a maioria das pessoas não conseguiria acreditar;
além disso, tudo ainda seria um mistério. Por isso, irei
levantando o véu que o encobre pouco a pouco, à medida
que o tempo certo for sendo alcançado. Em resumo, isso seria
a construção do Mundo Ideal citado na oração "Zenguen-Sanji".
Em especial, quero deixar claro que possuo a força capaz de
acabar de uma só vez com a guerra, conflito maior entre os
países, quando chegar o tempo certo. Por isso, quero que
fiquem tranqüilos.

Jornal Eiko nº 151, 09 de abril de 1952

EXISTEM FANTASMAS ?

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de


fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma
realidade que ninguém pode negar. Creio que a tese do
Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do
Inferno, Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante
Alighieri (12651321), não são teses sem fundamento, absurdas
ou ilusórias. Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo
Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o
empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no
Mundo Material. O espírito pode ir aonde quiser, e mais
rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras
"Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço",
proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um espírito
pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou
até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move
depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é,
aqueles que conseguiram atingir os níveis de hierarquia Divina,
são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia
Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de
tempo menor do que a milionésima parte de um segundo, mas
o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos
para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível
do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar
ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com
mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem
tomar assento várias centenas de espíritos. Nessa
oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada
um ocupa a posição adequada ao seu nível, dentro da maior
disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles
assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de
madeira ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam
num espelho, numa pedra, numa letra ou no "Himorogui" (cruz
feita de fibras de linho). Logicamente, os espíritos ficam muito
satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos de coração,
mas o mesmo não acontece se são atos apenas formais.
Assim, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o
máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal, de acordo
com as condições materiais do momento. Desde épocas
remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem
fantasmas, mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com
poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das
células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela
qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas.
Nada há de estranho, portanto, no fato de muitos terem visto
a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o espírito
de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o
passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso,
e, assim, mais difícil de ser visto. Um fantasma pode entrar e
sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma
agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a
passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo
Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas
não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas
rigorosamente, e a liberdade é limitada. Agora falarei
rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos. Os
fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial
dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer do tempo,
a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se
à índole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os pessimistas e
os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os
possuidores de natureza diabólica e animalesca, tomam a
aparência do próprio demônio; os de pensamento vil ficam
com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem
uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível
encobrir o pensamento, pela configuração chamada corpo
carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado, aparecendo
exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou
menos um ano após a morte. Num livro da autoria de um
grande religioso, há mais ou menos esta referência: "Quando o
homem falece, seu espírito se extingue. O espírito não é
eterno, nem tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já
estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram
atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um expoente
do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.

O Evangelho do Paraíso, 5 de fevereiro de 1947


O CLIMA E O TEMPO

Vou dar uma explicação espiritual sobre o clima e o tempo,


mas para as pessoas da atualidade, habituadas a explicações
científicas, talvez minha explicação seja pouco convincente.
Entretanto, como se trata de Revelação de Deus, vou
explaná-la com toda a convicção. Primeiramente, tanto as
mudanças climáticas como o bom ou mau tempo são
provocados pelo homem. Talvez achem estranha essa
afirmativa, mas gostaria que a levassem em consideração.
Creio que os leitores devem ter se conscientizado também da
influência do Mundo Espiritual, além do Mundo Material, que
podemos perceber através de nossos cinco sentidos. A esse
respeito, escreverei inicialmente sobre a causa das mudanças
do clima. Do frio do inverno ao calor do verão, o ano está
dividido em quatro estações. Todavia, embora as mudanças
climáticas devam transcorrer ordenadamente, de acordo com
cada época, às vezes acontecem mudanças estranhas. Por
que isso ocorre? É porque o pensamento do homem se reflete
no Mundo Espiritual. Por exemplo: se o pensamento da grande
maioria dos homens for correto e tranqüilo, o clima também o
será. Mas quando é grande o número de pessoas que se
desviam do ritmo normal, ou seja, que carecem de amor, esse
pensamento frio produz um frio mais intenso do que seria
natural. Por outro lado, se houver exaltação por algum
acontecimento e for preciso refrear os ânimos, o resultado será
um calor além do normal em relação ao clima da época. Além
disso, quando o ser humano tem pensamentos voltados para o
Mal, ou seja, quando há muita lamúria, insatisfação, maldições,
mentiras, etc., isso se reflete no Mundo Espiritual e paira uma
atmosfera um tanto negativa. A seguir, falarei sobre o espírito
das palavras proferidas pelo ser humano, as quais também
exercem uma influência muito grande. São numerosas as
palavras que pertencem ao Mal, como, por exemplo, as
maldições, as lamentações, as reclamações, as mentiras, etc.,
as quais maculam o Mundo Espiritual. Tempos atrás, um
religioso amigo meu, que enxerga o espírito das palavras
proferidas pelas pessoas, disse-me que, quando alguém emite
palavras pertencentes ao Mal, ele vê algo preto como fuligem
sair em forma de fumaça pela sua boca; no caso do espírito
de palavras pertencentes ao Bem, ele vê algo semelhante a
uma luz fraca, de cor branca. Essa coisa parecida com
fuligem, emitida do espírito das palavras do Mal, é que macula
o Mundo Espiritual. Quando as máculas aumentam e
ultrapassam determinado limite, surge uma ação purificadora
natural, a fim de limpá-las e eliminá-las. É o mesmo princípio
da limpeza feita pelo homem quando se acumula sujeira no
interior e no exterior de uma casa. Chuvas fortes, tufões,
trovoada, enchentes, grandes incêndios, terremotos, etc.
também são ações purificadoras. Eles varrem, lavam e
incineram as impurezas. Existem divindades encarregadas
dessas atividades. Eles realizam a obra de purificação do
mundo todo; para isso, cada qual usa numerosos dragões
divinos. Vou falar aqui sobre o Awa-no-naruto. De que maneira
são extintas as sujeiras acumuladas através da purificação do
vento, da água e do fogo, às quais me referi? Elas são
levadas para o mar, através dos rios, e depositadas no fundo
do mar da região do Canal de Awa-no-naruto. Naturalmente,
como se trata de sujeiras do mundo todo, sua quantidade
provavelmente é assustadora. Entretanto, como dizem os
cientistas, o centro da Terra é uma gigantesca bola de calor,
e por isso as sujeiras depositadas no fundo do mar da região
do Canal de Naruto são constantemente queimadas por esse
calor da terra. Por conseguinte, podemos dizer que o Japão é
o incinerador das sujeiras do mundo. Quando compreender o
princípio acima, o homem se preocupará em evitar o máximo
possível os pensamentos e as palavras malignas.

Coletânea Assuntos sobre a fé, 5 de setembro de 1948


CAPÍTULO IV – O FUTURO

SE ACASO O MAL FOSSE EXTINTO DESSE MUNDO

Provavelmente, se investigarmos a causa de toda a infelicidade do


homem, descobriremos que tem origem no Mal, o que nem é
preciso dizer, e escreverei baseado na suposição de que, se caso o
Mal fosse extinto desse mundo, como seria.

Em primeiro lugar, não existiriam doentes; qualquer pessoa seria


abençoada com a saúde e acabariam as faltas ao trabalho. Como
sempre digo, a causa de se terem doentes está no erro da
medicina; é o chamado crime de boa intenção. Por isso, pelo
resultado, sem dúvida, pertence ao Mal. Sem dúvida, desde
antigamente a medicina é considerada um ato benevolente,
acreditando-se que é um trabalho maravilhoso do Bem que salva a
vida humana; mas, na realidade, isso não passa de uma grande
ilusão.

Portanto, compreendendo claramente esse fato, se ele for corrigido,


é natural que aqui será construído um mundo sem doenças; o
homem poderá trabalhar ativamente o ano inteiro, por isso a
pobreza e as intrigas acabariam e não haveria dúvida de que
teríamos um lar feliz e uma sociedade pacífica. Falando assim, é
uma conversa boa demais, mas existe aqui um problema. Para se
chegar a esse estado, seria temporariamente, mas todas as
instalações e equipamentos relacionados com a doença se
tornariam desnecessários; na parte de pessoal também, os médicos
e enfermeiras, as pessoas que os acompanham relacionadas com a
fabricação de remédios, e todos os trabalhadores ligados a cada
área, ficariam desempregados, por isso é um problema de solução
difícil.

Entretanto, se pensarmos que esse resultado vai proporcionar um


benefício eterno para a nação e seus habitantes, creio que não
temos como deixar de tolerar a qualquer custo.

Nesse caso, ao acabar a preocupação com a doença humana,


todas as coisas problemáticas, que existem atualmente, como não
fique gripado, não se esfrie, tome cuidado com a alimentação, as
vitaminas são importantes, faça gargarejo ao voltar da rua, lave as
mãos antes das refeições, tome cuidado com a higiene, previna as
bactérias, etc., vão acabar, e o homem não terá nenhum tipo de
preocupação, podendo ficar à vontade mesmo no meio de muitas
pessoas, ou em local de ar impuro, com roupas leves
tranqüilamente e vivendo sorridente; essa sim é a vida de uma
pessoa verdadeiramente livre. Além disso, só de eliminar as
despesas médicas do orçamento de todos nós, dá para saber o
quanto ficar-se-á aliviado.

E também não haverá necessidade de trancar as portas da casa; ao


entrar em trens e metrôs não terá preocupações com batedores de
carteira ou troca de bagagens, podendo fazer uma viagem
extremamente relaxante. Se vierem pedir um empréstimo, é certo
que iria devolver, por isso, se tiver uma reserva, dá para emprestar
com boa vontade; então, é natural que ambas as partes se sintam
bem. Na troca de qualquer coisa, não serão necessários
comprovantes de troca e recebimento, o que dispensa mão-de-obra
e evita sofrimentos e processos legais, e como a família inteira tem
saúde, as coisas materiais são abundantes, formando um lar
harmonioso, e poderão se divertir bastante num passeio às
montanhas com toda a família. O marido, por sua vez, não vai mais
beber exageradamente e nem dormir fora de casa, por isso acabará
a preocupação da esposa e as discussões do lar se apagarão como
um sonho antigo. E também as crianças irão aprender com a
postura dos pais, por isso, mesmo sem ensinar, serão obedientes e
devotadas aos pais, e ficando assim não precisa existir a
democracia nem o pensamento feudal. Isso porque acaba-se
esquecendo dessas complicações.

E policiais e tribunais de justiça serão suficientes com apenas 1/10


do número existente hoje. Isso porque, mesmo tratando-se do Mal,
não se acabará com tanta rapidez e, sem dúvida, até certo ponto,
haverá intrigas e criminosos, mas será tão pouco que não poderá
ser comparado com o de hoje; a maioria não passará de crimes
leves. Além disso, os policiais e também os juízes não se prenderão
às aparências e aos sentimentos, fazendo um julgamento com
extrema imparcialidade, e o acusado também não irá mentir, nem
trapacear, por isso não haverá necessidade de advogados, sendo
natural que tudo transcorra com rapidez e facilidade. As corrupções
também acabarão, por isso os funcionários públicos, os auxiliares
de escritório e os professores escolares não terão o que recriminar
e estarão sempre alegres, então aumentará a eficiência,
terminando-se o serviço em menos tempo do que até agora.

E a felicidade maior é que a guerra irá terminar. A guerra, sem


dúvida, é o mal maior, por isso, se essa for extinta, em todos os
setores, mundialmente, ocorrerá uma mudança para melhor tão
grande que nem sequer podemos imaginar. Primeiramente, os
custos econômicos de cada país diminuirão para tantas frações do
custo de hoje, e mesmo sem querer, o homem se tornará feliz;
indubitavelmente, a sociedade será melhor de ser vivida.

Assim, tentei descrever um mundo onde o Mal não existe, mas


ainda esqueci de alguns pontos. Antes de mais nada, todos os tipos
de trabalhos serão diminuídos para tantas frações do trabalho de
hoje. Não é preciso nem pensar, mas ninguém percebe o
desperdício da força de trabalho que se origina do Mal na
sociedade atual, e na verdade é uma coisa grandiosa.
Portanto, mesmo que o Mal tenha diminuído em apenas 10%, a
nação ficará aliviada esse tanto. Dizem que o orçamento do
governo desse ano é de 9,960 bilhões, e só de ter diminuído em
10%, mais ou menos 1 bilhão, se tornará positivo, então com essa
porcentagem o imposto será diminuído e será salvo do inferno de
impostos. Além disso, se ficar em 20%, e depois 30%, dinheiro e
coisas materiais sobrarão em grande quantidade e o trabalho do
homem será suficiente com apenas menos da metade do trabalho
realizado até hoje, por isso só precisará trabalhar 3 horas por dia. O
resto do tempo pode ser aproveitado para hobby e estudo de cada
um, e aí pela primeira vez será uma vida digna de ser vivida pelo
homem. Desde que o mundo se tornará uma perfeita felicidade, em
todos os locais serão construídas magníficas construções, teatros
exuberantes, serão desenvolvidos todos os tipos de máquinas de
diversão, paraísos repletos de flores, parques nacionais e jardins
botânicos, jardins particulares especiais e outros indubitavelmente
serão construídos uns após outros; avenidas com forma de meio
jardim surgirão em todos os locais e, misturando-se com o
progresso dos meios de transporte, dobrará o prazer dos viajantes.
O palácio da arte suntuosa será construído em concorrência em
cada país, fazendo com que a luz da cultura inunde a face da Terra.

E o homem, visando o incremento da saúde e da beleza corporal e


para satisfazer a consciência de disputa, o esporte se tornará cada
vez mais ativo, sendo instalados grandes campos em cada região.
Se acaso o mundo ficar assim como foi dito acima, o homem não
precisará ser utilizado mecanicamente como hoje e tratará
conforme a sua própria vontade, o que se tornará muito mais
interessante. E também a vida gastronômica terá um progresso
maravilhoso; os alimentos em abundância, juntos com o avanço da
culinária, irão renovar a vida gastronômica do povo em geral, a
ponto de não poder ser comparada com a da atualidade.

Escrevi assim por cima, e a pessoa que ler vai concordar que, se
ficar assim, não há dúvida de que será muito bom, mas poderá
dizer que isso não passa de um simples sonho, não existe a
possibilidade de se concretizar, por isso é como se fosse um
banquete desenhado! No entanto, eu afirmo que existe essa
possibilidade. Para que isso aconteça, a condição básica é a
eliminação absoluta do Mal, como escrevi anteriormente; portanto,
tudo depende disso. Entretanto, o que vem para corrigir isso agora
é o Juízo Final e, através disso, o Mal será completamente
erradicado.

Contudo, para chegar a esse ponto, existe um grande obstáculo, e


conseguindo ultrapassá-lo é que conseguir-se-á tornar uma pessoa
verdadeiramente feliz. E como meio de salvação, surgiu a nossa
Igreja Messiânica Mundial. Portanto, a nossa Igreja é, sem dúvida, a
chave que abrirá a porta da felicidade.

Jornal Eiko nº 197, 25 de fevereiro de 1953

O SÉCULO XXI

Costumam me perguntar como seria o Paraíso Terrestre de que eu


sempre falo. Tantas vezes eu pensei em escrever sobre como seria
a situação do mundo um século depois, que eu pude conhecer pela
Revelação Divina de 1926, mas sentia que não era chegada a hora
e acabei não o fazendo até hoje. Porém, nos últimos tempos, passei
a ser instigado pela sensação de que estava na hora de escrever, e
é por isso que me pus a escrever. Fica por conta da imaginação do
leitor se as descrições do futuro desta revelação divina se tornarão
realidade ou não, mas eu tenho a convicção de que se
concretizarão infalivelmente.
Quero deixá-lo ciente de que isto foi escrito supondo que eu fiquei
adormecido durante cem anos e, ao acordar, fiquei surpreso com a
tamanha transformação do mundo.

Acordei às seis horas da manhã, ao som de uma música bem


baixinha, que parecia sair do travesseiro. Ela foi ficando cada vez
mais alta, e, como eu não conseguia dormir, levanteime. ―Que
interessante! Um despertador acionado dentro do travesseiro!‖ -
pensei eu. Lavei o rosto e tomei a refeição matinal, uma mescla dos
hábitos japoneses e ocidentais: sopa de ―misso‖ (4), pão de arroz,
um pouco de peixe e carne, verdura, café, chá verde etc.

Em primeiro lugar, li o jornal. Numa manchete da primeira página,


anunciava-se a eleição do Presidente Mundial. O dia da eleição
estava próximo. Publicavam-se os nomes e as fotos dos candidatos
de diversos países: Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha,
Vietnã, Japão, União Soviética (cujo nome era outro) e países da
América do Sul. Parece que o candidato dos Estados Unidos era o
preferido.

Na página três, deparei com algo inesperado: quase não existiam


artigos sobre crimes. Dava-se grande destaque à parte relativa às
diversões; os artigos principais versavam sobre esporte, turismo,
música, belas-artes, teatro, cinema e outras artes cênicas etc. A
composição estava realmente muito bem feita. Os artigos não eram
complexos e mal elaborados como acontecia nos jornais do
passado, mas redigidos numa linguagem simples e precisa,
restringindo-se unicamente ao necessário. Assim, gastava-se pouco
tempo na leitura; percebiase que havia cuidado para não cansar o
leitor.

Outra nota diferente em relação aos tempos antigos era a grande


quantidade de fotos: cinqüenta por cento de textos e cinqüenta por
cento de fotos. A página de anúncios e classificados também era
muito diferente. Quase não havia propaganda de remédios, e a de
cosméticos era mínima. O que havia em abundância era
propaganda de livros e artigos relacionados às vestimentas,
alimentação, moradia, maquinaria, novos lançamentos etc. A parte
escrita era bem reduzida, por isso eu li o jornal todo em
aproximadamente quinze minutos. Terminei a leitura com muito boa
disposição. E não era para menos, pois a janela era ampla e a sala
estava bem clara. Não havia nenhuma instalação de segurança:
explicaram-me que assaltantes e ladrões eram histórias do
passado. Por isso, achei que, de fato, aquele era um mundo
maravilhoso.

Terminada a leitura do jornal, peguei o carro e saí. Estava muito


bem vestido, mas fiquei surpreso com a beleza da cidade. Parecia
um jardim. Engraçado é que, além dos automóveis, não se via
nenhum outro tipo de condução, o que não era de se admirar, pois
os trens e os bondes trafegavam pelo subsolo; as ruas eram só
para os automóveis. Além disso, estes não faziam nenhum barulho.
Achando estranho, olhei bem e notei que a rua parecia estar forrada
com cortiça. Observando melhor, percebi tratar-se de um material
elástico e bastante macio, que parecia ter sido preparado com a
mistura de borracha e pó de serra. Os carros trafegavam com
pneus de borracha, e existiam dispositivos para isolar o som em
volta das janelas e em toda parte, não havendo, pois, motivos para
poluição sonora. Além do mais, se chovia, a água se infiltrava e por
isso não se formavam poças. A força motora que movimentava os
carros era um minério do tamanho da ponta de um dedo. Algo
realmente extraordinário, porque conseguia fazer com que um carro
percorresse várias dezenas de milhas. Esse minério assemelhava-
se ao urânio e ao plutônio, sendo uma aplicação do princípio da
desintegração do átomo.

Assim que entrei no carro, vi que não havia motorista. Nem era
preciso, pois bastava o passageiro segurar uma barra com uma das
mãos para o carro movimentar-se. É claro, porém, que algumas
pessoas se davam o luxo de ter motorista.

Comecei a visita da cidade. Como era bela! Fiquei surpreendido ao


ver árvores frutíferas enfileiradas entre a rua e a calçada, como
acontecia antigamente com a avenca-cabelo-devênus e os
plátanos. Havia figueiras, caquizeiros, ameixeiras e árvores mais
baixas, como laranjeiras, pessegueiros e pereiras. No meio da rua
existiam canteiros semelhantes aos de outrora, separando as duas
mãos do trânsito; neles se enfileiravam árvores frondosas, cobertas
de belas flores, e as bordas eram coloridas por todos os tipos de
flores e plantas. Enquanto eu passava por elas, chegava a mim o
perfume de uma flor que não consegui identificar.

O que me pareceu mais bonito no passeio foi um caminho cheio de


hortênsias, em determinado bairro, na extensão de uma milha. A
segunda coisa mais bela foi o caminho que vinha em seguida, todo
florido de dálias. Existia, também, um local onde se viam cachos de
uvas pendurados nas duas calçadas das ruas, e latadas de glicínias
cujas flores já haviam caído e que só tinham folhas. Em diversos
pontos da cidade, havia pequenas casas de chá com mesas e
cadeiras enfileiradas na beira das calçadas, a fim de que os
transeuntes pudessem tomar bebidas simples apreciando as flores.
Cada bairro possuía um ou dois pequenos parques públicos, onde
as crianças brincavam alegremente, e por isso a cidade também era
o Paraíso das Crianças. Alguns jardins de flores tinham um lago
artificial bem no centro, e o interessante é que, em sua superfície,
boiavam nenúfares. Todas as plantas eram regadas várias vezes
por dia, numa hora determinada. Havia um encanamento instalado
em volta dos jardins: era um cinturão quadrado, de cimento, com
um número infinito de orifícios. Bastava abrir a torneira para que,
desses orifícios, saíssem jatos d’água, como os de um chafariz,
molhando todo o jardim.
Outro aspecto que me surpreendeu foi o tempo, que também era
controlável, podendo-se fazer sol ou chuva. Assim, se na manhã ou
na tarde de certo dia da semana chovia, depois fazia bom tempo
até determinado dia. O vento também estava controlado para soprar
na proporção adequada, em dias espaçados, sendo que, de vez em
quando, soprava um vento forte. Isso era inevitável, para que as
árvores fortificassem suas raízes. A antiga expressão ―de cinco em
cinco dias ventar, de dez em dez chover‖ deve referir-se a essa
época. Naturalmente, tudo decorria do progresso da Ciência.

Nesse meu passeio pela cidade, vi algo interessante. Em diversos


locais havia umas casinhas de vidro, semelhantes a caixas, onde se
podiam ver desde árvores com folhas aciculiformes até árvores que
apresentam sempre o mesmo aspecto, como pinheiros, cedros,
ciprestes, lariços e outras. Nessas casas conservava-se a
temperatura de mais ou menos dez graus centígrados;
naturalmente, havia um aparelho de ar condicionado em cada uma.
Era oásis artificiais para aqueles que transitavam pelos arredores,
sob o sol quente do verão. Em todos esses locais vi jovens
realizando diversas atividades sob a orientação de um responsável,
que tinha vasto conhecimento de botânica e fora selecionado entre
os componentes da comissão de cada bairro.

Do carro, eu via as lojas da cidade, enfileiradas. Eram construções


bem planejadas, cheias de beleza e altivez, proporcionando uma
impressão muito agradável. As lojas um pouco maiores pareciam
museus de artes. Aliás, não se via construções de mau gosto, de
cores berrantes, pequenas como caixinhas de fósforo. Todas
tinham janelas bem amplas e iluminação suave. A beleza da pintura
e da escultura estava aplicada ao máximo.

Enquanto eu fazia isso e aquilo, parece que ia anoitecendo, mas


não se sentia que já era noite. Aliás, não era para menos, pois nas
ruas, em determinados espaços, existiam postes de iluminação a
mercúrio. Os raios de luz eram diferentes dos que são emitidos
pelas lâmpadas: muito mais claros, um brilho surpreendente.
Parecia estar-se recebendo a luz do Sol em plena tarde, e nenhuma
das cores sofria modificação.

Caros leitores, gostaria que imaginassem o aspecto da cidade que


acabei de descrever. As mais diversas flores, todas abertas,
exalavam um perfume agradável por toda parte, e as árvores
estavam carregadas de todos os tipos de frutas. O silêncio era tão
grande que não parecia estar-se numa metrópole. Que passeio
agradável! Olhando as vitrines das lojas, eu tinha a impressão de
estar vendo uma exposição de belasartes. Naquela cidade, até as
lojas bem grandes conseguiam suprir as suas necessidades com
apenas um ou dois funcionários, visto que as mercadorias tinham
os preços marcados e qualquer pessoa podia pegá-las e examiná-
las. Se os fregueses ficavam satisfeitos com o preço e o folheto de
explicação, depositavam o dinheiro na caixa coletora, colocada à
entrada da loja; o embrulho era feito automaticamente por uma
máquina e, de acordo com o tamanho do objeto, era amarrado com
um barbante, tornando-se fácil de carregar. Dessa forma, era
realmente muito fácil fazer compras.

Como sentisse fome, entrei num restaurante. Não se avistava


nenhum garçom. De um lado da entrada estavam enfileirados
pratos apetitosos, todos com uma identificação: A, B, C... Sentei-me
num lugar desocupado e, olhando para a mesa, vi que era
numerada. Depois, apertei um dos botões instalados no canto.
Naturalmente, apertando o botão correspondente ao número da
mesa e à identificação do prato, este aparecia imediatamente.
Olhando com mais atenção, notei que no meio da mesa havia uma
abertura mais ou menos do tamanho do prato, que por ali saía
automaticamente. Assim, tudo que eu pedia subia logo em seguida.
Não havia necessidade de nenhuma explicação; o serviço era muito
rápido, muito agradável. Eu tinha ouvido falar que esse método já
existia no século XX, mas me parecia inconcebível que estivesse
tão aperfeiçoado. Obviamente, todas as bebidas saíam pela mesma
abertura, mas as alcoólicas só apareciam até certo limite.
Observando melhor, vi que havia mais um botão. Nele estava
escrito: ―Conta‖. ―Ah, então aperta-se esse botão...‖ Apertei.
Imediatamente surgiu a notinha. Coloquei a quantia estipulada, e
logo apareceu o recibo. Que facilidade! Fiquei satisfeito e não gastei
muito tempo. Por isso, resolvi ir a um teatro.

A quantidade de teatros era surpreendente. Qualquer cidade os


possuía em tudo quanto é lugar, e, para meu espanto, o ingresso
era muito barato. Imaginando que não haveria nenhum lucro,
interpelei o gerente. Ele respondeu que todos os teatros eram
administrados por milionários como obras sociais, e assim nem
seria preciso cobrar ingresso. Não obstante, a construção e as
instalações eram luxuosas, ostentando a maior beleza e boa
qualidade. Não se permitia a entrada de espectadores além da
quantidade de cadeiras, de modo que se podia assistir muito bem
às representações.

Quando entrei, estava havendo uma exibição cinematográfica


curiosíssima. Exibiram-se dois filmes produzidos por uma
companhia nipo-americana - um sobre os Estados Unidos e outro
sobre o Japão. O primeiro era um filme histórico que retratava o
período transcorrido desde a época em que os puritanos da
Inglaterra foram para os Estados Unidos e começaram a desbravar
a terra, até a Guerra da Independência. O segundo mostrava um
personagem que poderíamos chamar de cientista religioso, o qual
revolucionou a medicina e teve uma vida de lutas incessantes
buscando solução para o problema da doença. Ambos os filmes
eram muito interessantes. Ainda houve outro espetáculo,
transmitido pela televisão, mas parecia uma peça representada em
algum teatro.
Como estava exausto, voltei para casa e fui dormir. Refletindo sobre
o que vira nesse dia, concluí que realmente o sonho da humanidade
havia sido concretizado. Fiquei bastante comovido, achando que
era a Utopia há tanto tempo idealizada por ela, e meu espírito de
pesquisa aumentou de forma irrefreável, pois eu sentia necessidade
de conhecer todos os aspectos da cultura da Nova Era.
Primeiramente, resolvi pesquisar em silêncio. Acreditando,
entretanto, que os leitores também desejam conhecer tudo sobre
esse novo mundo, relatarei, pela ordem dos fatos, aquilo que fiquei
sabendo.

O caso que se segue aconteceu no dia seguinte ao daquele


passeio.

Um vizinho meu convidou-me para ir a um lugar muito agradável, e


eu o acompanhei sem hesitar. Mais ou menos no centro de certa
cidade, existia um edifício surpreendentemente suntuoso. Dirigimo-
nos para lá. Nele, havia teatro, restaurante, locais de diversão etc.
Eu quis saber que edifício era aquele, e meu amigo me disse que
era o centro comunitário, acrescentando que todas as cidades
tinham um ou dois desses centros. Em seguida ele falou que uma
vez por semana os membros se reuniam para trocar idéias.
Naturalmente avaliavam propostas sobre o plano de expansão da
cidade, higiene, diversões e outros setores, objetivando aumentar o
bem-estar dos cidadãos.

Primeiramente nos encaminhamos ao restaurante, onde


saboreamos pratos deliciosos; a refeição era excelente, muito
melhor que as do século anterior, em termos de beleza, sabor da
comida e aroma das bebidas alcoólicas. Pelo que meu amigo
contou, uma vez por semana havia o Dia da Felicidade, em que os
membros se reuniam e passavam momentos aprazíveis,
saboreando pratos apetitosos, ouvindo música e assistindo a
representações teatrais e exibições de dança. Nessa ocasião, as
danças e as músicas eram apresentadas, com grande altivez, por
moças de todas as famílias da cidade, as quais treinavam estas
artes habitualmente. Artistas profissionais e amadores faziam
apresentações conjuntas. Todas as despesas com essa e outras
atividades eram feitas pelos milionários da cidade, através das
instituições sociais.

Nesse novo mundo, era surpreendente a intensidade do turismo.


Nos parques nacionais, nas regiões montanhosas, nas praias e em
ilhas pitorescas de várias regiões havia um grande número de
visitantes, provenientes de todos os países. Conseqüentemente,
por mais afastado que fosse um lugar, o progresso cobria todas as
distâncias com trens elétricos, bondinhos aéreos e outros meios de
transporte. As ferrovias e os meios de navegação eram magníficos
e luxuosos; os preços, no entanto, eram bem baratos. Chegava a
ser quase de graça. E não era de se admirar, pois tudo isso
também se tornava possível graças à contribuição social dos
milionários.

Ouvi todas essas explicações durante o período de descanso, e


nem preciso dizer que fiquei surpreso, não obstante tudo aquilo que
já tinha visto.

Há coisas muito importantes das quais o leitor precisa estar ciente,


em relação à composição da sociedade, política, economia etc., e
que passo a escrever agora. É que, até os meados do século XX, o
mal sempre predominava sobre o bem, mas hoje a situação se
inverteu, predominando o bem sobre o mal. O leitor retrucará
dizendo que isso é um absurdo, mas eu digo que o leitor tem muita
razão para dizer isto, e portanto irei explicar.

Por que nas épocas anteriores ao século XX o mal predominou? É


porque foi necessário muito tempo para expor o mal à Luz do Dia.
Suponhamos que há um criminoso aqui. Mesmo que ele cometa o
crime, demora dez, vinte anos, às vezes até mais, para ser
descoberto. E ele vai subindo na vida. Como ele não é facilmente
descoberto mesmo cometendo o crime, torna-se ousado e vai
cometendo mais crimes e subindo cada vez mais na vida. O povo
que assiste a isso tenta imitá-lo. É esta a razão de o mal
predominar. Para evitar que isso aconteça, tornam as leis mais
rigorosas, e a polícia e a justiça lançam mão de todos os meios e
estabelecimentos possíveis, mas o crime não diminui como
esperado. Não apenas não diminui como também tende até a
aumentar. Eu descobri que, para tanto, há muita causa grave
latente, e descobri também o que vem a ser essa causa.

Na verdade, o que foi mais decisivo que a descoberta foi a


mudança dos tempos.

Uma das coisas importantes que surgem ao escrever sobre política


é o modo de ser do partido. Logicamente a democracia, praticada
há cem anos, serviu de referência e, após o progresso gradativo,
passou a ser adotado o sistema de classes. Podemos chamá-la de
democracia classista. Em tal sociedade, o povo se divide em três
classes: primeira classe, segunda classe e terceira classe, e cada
uma delas se divide em três níveis, totalizando nove níveis. Em
termos concretos, nas reuniões oficiais e cerimônias, os assentos a
serem ocupados dividem-se em três níveis, e a moradia, roupas etc.
também se dividem em níveis alto, médio e baixo. Por isso, não
acontece mais de buscarem somente o benefício de sua própria
classe, atacarem outras classes e provocarem lutas, e o povo está
satisfeito dentro de sua própria classe e deseja que as demais
classes também sejam cada vez mais prósperas. Mesmo assim, se
as pessoas tiverem mérito, elas subirão de classe, acontecendo o
contrário, logicamente, se não fizer jus. O rebaixamento de classe
constitui uma espécie de penalidade. E os deputados escolhidos da
primeira classe serão os da câmara alta, os da segunda classe
serão os da câmara média e os da terceira classe serão os da
câmara baixa. O Congresso Nacional só se reúne duas vezes ao
ano, na primavera e no outono, e dura cerca de vinte dias. Abro
parênteses aqui para acrescentar que os dias de descanso, que
antigamente eram semanais, agora são a cada dez dias, ou seja,
três vezes ao mês, sendo escolhido um número final — 3, 5 etc. Os
descansos semanais não eram nada práticos. Principalmente entre
os japoneses, devem ser poucas as pessoas que conseguem
responder prontamente quando perguntado em que dia da semana
estamos. Se for a cada dez dias, é facílimo de memorizar e muito
prático. Deve ser por isso que a duração do trabalho do Congresso
Nacional também é de vinte dias e não três semanas. Apesar de
serem apenas quarenta dias ao ano de trabalho, são votados
numerosos projetos, por onde pode-se ver como são eficientes. Os
partidos políticos do século XX muitas vezes se opunham por se
opor, relegando ao segundo plano o bem-estar do povo e
priorizando os interesses do seu próprio partido, ao examinar os
projetos, por isso havia muitas discussões inúteis e conluios. Por
conseguinte, gastavam tempo tentando derrubar projetos ou adiar a
votação, e a duração dos trabalhos também se prolongava, o que o
povo sempre via com desgosto.

Geralmente, são os dois maiores partidos políticos que assumem o


poder alternadamente — não digo tomar o poder, pois esta
expressão tem uma conotação desagradável. Isto é, eles cedem o
poder um ao outro pacificamente. Como o principal objetivo da
política é aumentar o bem-estar da humanidade, eles o têm como
meta única, e sequer se importam com os interesses do partido.
Assim, mesmo havendo dois grandes partidos políticos, há muitos
pontos coincidentes entre suas políticas, nem existindo a expressão
―colapso do Gabinete‖ como antigamente. O que acontece é a
alternância de Gabinetes. É claro que a instituição das leis acontece
com a concordância de três câmaras — alta, média e baixa, mas o
número de leis é muito pequeno hoje, não chegando nem a um
décimo do que havia no século XX, e tende a diminuir a cada ano.
Neste sentido, o Congresso Nacional deveria ser chamado de poder
abolitivo e não de poder legislativo. Portanto, o número de
repartições públicas e de funcionários públicos está diminuindo aos
poucos desde que entramos neste século, e principalmente os
trabalhos administrativos relativos à justiça, tais como os de polícia,
fórum etc. se tornaram comparavelmente enxutos em relação aos
tempos antigos.

Agora vou falar sobre a eleição geral. Que forma mais simples de
se eleger é esta! Primeiramente, os candidatos anunciam sua
candidatura e o boletim de eleição é publicado. Pense como era na
época do século XX: o custo da campanha era de um milhão, dois
milhões de ienes. Um absurdo!. Ela requeria dezenas de pessoas,
chamadas de cabos eleitorais, e se somasse as despesas de
condução, refeição, remuneração, cartazes, correio, impressão etc.,
chegaria à soma acima. Mas nem sempre os candidatos a deputado
eram ricos. Pelo contrário, muitos dos políticos tinham pouca
afinidade com o dinheiro e acabavam sendo levados a angariar
fundo para a campanha eleitoral por meios escusos. Isso dava
origem a diversos incidentes abomináveis, que acabavam levando-
os ao tribunal. Acontece que hoje, cem anos depois, basta um
anúncio no jornal, de modo que o custo não deve chegar a dez mil
ienes, mesmo somando diversas despesas. Além disso, evita-se o
desperdício de tempo dos candidatos e cabos eleitorais,
contribuindo enormemente para a economia nacional.

Depois eu ouvi a explicação sobre o sistema econômico e fiquei


novamente admirado. Veja que surpresa, leitor, ―o povo é
totalmente isento de impostos‖. Como o povo sofreu com os
impostos no século XX! Quando pensamos nisso, podemos
perceber como é grande a felicidade do povo, mesmo considerando
apenas este aspecto. Mas se não há imposto, como o governo
consegue se manter? A pergunta é bastante pertinente, mas a
explicação abaixo sobre a organização econômica deverá ser
suficiente para tirar esta dúvida.
Vamos dividir a organização econômica em dois tipos. O primeiro é
formado por grandes empresas, cujo lucro é dividido em três e
distribuído da seguinte forma: uma parte vai para o governo, a outra
vai constituir a renda dos capitalistas e a última parte é distribuída
entre os profissionais, técnicos e operários. Por outro lado, os
médios e pequenos comerciantes e industriários estão organizados
em cooperativas, e o lucro deles é unificado por cooperativa e
dividido em três, da mesma forma que no grupo de grandes
empresas.

Relações internacionais entrarão em um estágio completamente


novo. Fronteiras internacionais permanecerão mais ou menos como
estão, mas perderão todo o significado prático, já que as
discrepâncias de poder entre os países desaparecerão. Tem havido
dois tipos de invasão na história – aquelas inevitáveis, se não
justificáveis, e aquelas cometidas por questões territoriais ou outras
ambições. De vez em quando, um país é compelido a procurar
saídas para sua excessiva população, recorrendo à força militar,
caso não consiga encontrar outro meio. Isto produziu guerras de
agressão. Na Era do Dia, ou Mundo de Miroku, nenhum país
ocasionará guerras de agressão contra outro, já que não haverá
nem necessidade nem razão para invasão. No paraíso vindouro,
nenhum conflito ocorrerá por causa de superpopulação. Por um
lado, o ajuste pacífico na distribuição da população resolverá os
problemas de países pequenos e povoados como o Japão. Uma
Assembléia Mundial usará os mais justos e racionais meios para
realocar o excesso de população para áreas menos povoadas. A
Assembléia também encontrará soluções para outros problemas
que poderão surgir. Seus representantes serão impassíveis frente a
interesses nacionais ou particulares restritos, mas serão guiados
exclusivamente por um perfeito senso de justiça. À parte da
Assembléia Mundial, cada país continuará a ter algum tipo de
Parlamento Nacional, cujos membros atuarão não na base de
interesses pessoais ou partidários, mas no princípio do
universalismo e amor pela humanidade. Ao invés de gastarem seu
tempo com politicagem ou discussões sem sentido, ou, como
vemos às vezes nos dias de hoje, lutando, eles trabalharão na
eficiência e harmonia dos interesses que são importantes. O tempo
que eles gastam em um debate será reduzido a uma fração do que
é em muitos países atualmente. Um Parlamento Nacional na Era do
Dia se reunirá somente uma vez a cada três meses para 3 sessões
de meio dia. Menos tempo de reunião será necessário, já que
haverá menos problemas políticos para resolver e menos leis para
serem decretadas. Leis são necessárias apenas para restringir a
conduta dos homens maus, mas em um mundo livre do Mal e
repleto de boas pessoas, a necessidade de um sistema de leis será
mínima. Conflitos de interesse também serão muito menos intensos
do que hoje. Um Parlamento, então, terá a função apenas de tomar
decisões nacionais em interesses que são essenciais para o
funcionamento da sociedade.

A idéia de um governo mundial, tal como de vez em quando


ouvimos falar hoje em dia, é, em si mesma, um passo à frente em
direção ao Paraíso Terrestre. A Assembléia Mundial escolherá o
presidente do governo mundial, cujo tempo de mandato será de 3
anos. Representantes para a Assembléia serão selecionados entre
os membros de cada Assembléia Nacional na proporção da
população do país.

Finalmente, o segundo tipo de invasão – como serão resolvidos os


problemas das violentas guerras por ambições territoriais? Elas
serão categoricamente finalizadas. Nenhum país terá nada parecido
com forças armadas ou armamentos com os quais invadirá outro.
Disputas internacionais, caso haja alguma, serão resolvidas
pacificamente, bem como desequilíbrios populacionais, distribuição
desigual de recursos ou riquezas e outras iniqüidades serão
resolvidas com imparcialidade e justiça. Assim, não há mais
necessidade de escrever sobre essa questão.

Meishu Sama, escrito em 1948