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Controle e Avaliação

da Qualidade do Ar
Osmane Pessanha Ribeiro
Presidência da República Federativa do Brasil

Ministério da Educação

Secretaria de Educação a Distância

Este caderno foi elaborado pelo Instituto Federal Fluminense, a partir do modelo disponiblizado,
tendo sido elaborado em parceria entre o Ministério da Educação e Universidade Federal de Santa
Catarina para o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil e disponibilizado pela UFSC.

Equipe de Elaboração Diagramação


Instituto Federal de Educação, Ciência e Thalita Rosário de Oliveira Moreira / IFF
Tecnologia Fluminense
Revisão
Professor-autor Regina Muniz / IFF
Osmane Pessanha Ribeiro / IFF Enilce Maria Coelho / IFF
Kátia Maria Miranda / IFF
Coordenadora do e-Tec / IFF
Gilmara Teixeira Barcelos Peixoto / IFF Projeto Gráfico
e-Tec/MEC
Coordenador adjunto do e-Tec / IFF
Anderson Alex de Souza Alves / IFF

Coordenação do Curso Técnico em


Segurança do Trabalho na modalidade
a distância
Enilce Maria Coelho / IFF

R484c Ribeiro, Osmane Pessanha


Controle e avaliação da qualidade do ar / Osmane Pessanha
Ribeiro. - Campos dos Goytacazes (RJ): Essentia Editora, 2012.

110 p. : il.
Desenvolvido para o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil.

ISBN 85-99968-28-4

1. Ar - Qualidade. 2. Ar - Avaliação. Educação de jovens. 3.


Ensino profissional. I. Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia Fluminense. II. Escola Técnica Aberta do Brasil. III.
Título.

CDD - 551.4
Apresentação e-Tec Brasil

Prezado estudante,

Bem-vindo ao e-Tec Brasil!

Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola Técnica
Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro
2007, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico
público, na modalidade a distância. O programa é resultado de uma
parceria entre o Ministério da Educação, por meio das Secretarias de
Educação a Distancia (SEED) e de Educação Profissional e Tecnológica
(SETEC), as universidades e escolas técnicas estaduais e federais.

A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e


grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as
pessoas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o
fortalecimento da formação de jovens moradores de regiões distantes,
geograficamente ou economicamente, dos grandes centros.

O e-Tec Brasil leva os cursos técnicos a locais distantes das instituições


de ensino e para a periferia das grandes cidades, incentivando os jovens
a concluir o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas instituições
públicas de ensino e o atendimento ao estudante é realizado em
escolas-polo integrantes das redes públicas municipais e estaduais.

O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino técnico,


seus servidores técnicos e professores acreditam que uma educação
profissional qualificada integradora do ensino médio e educação
técnica, é capaz de promover o cidadão com capacidades para
produzir, mas também com autonomia diante das diferentes
dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e
ética.

Nós acreditamos em você!

Desejamos sucesso na sua formação profissional!

Ministério da Educação
Janeiro de 2010

Nosso contato
etecbrasil@mec.gov.br

05
Sumário

Palavra do professor-autor................................................09

Aula 1 - O ecossistema atmosférico...................................13

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana...........29

Aula 3 - Qualidade do ar.....................................................45

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes.............


atmosféricos........................................................57

Aula 5 - Metodologias de controle da qualidade do ar.....79

07
Palavra do professor-autor

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não


para a sua ambição .

Mahatma Gandhi

O ser humano tem se manifestado, ao longo dos últimos séculos, de maneira


pouco cuidadosa em relação ao seu lar o planeta Terra. As atividades
industriais e outras, como a agropecuária, a mineração e a expansão urbana
proporcionaram a busca constante de recursos no ambiente, ao passo que os
resíduos gerados eram lançados no meio sem quaisquer preocupações em
relação à capacidade de suporte e depuração dos sistemas ecológicos.

Em meados da década de 70 do século XX, movimentos ambientalistas


internacionais organizados e a realização de conferências das Organizações
das Nações Unidas (ONU) a partir de 1972, traçaram novos rumos em direção
ao desenvolvimento sustentável. Desde então, os investimentos no
aprimoramento de novas tecnologias mais limpas e menos degradantes
tiveram um grande impulso, acompanhado lado a lado do aumento da
conscientização ambiental das sociedades modernas.

A nossa atmosfera, que vem sofrendo agressões com as emissões de


poluentes desde a Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII, passou a
ser objeto de estudos científicos voltados para o conhecimento de sua
estrutura química e das interferências quando das adições de substâncias
diferentes, considerando-se sua composição original.

Nesse contexto, o monitoramento da qualidade do ar e a aplicação de


tecnologias no controle dos processos poluidores assumem importantes
papéis, visando-se compatibilizar as necessidades de proteção dos recursos
atmosféricos com a produção de bens de consumo em bases racionais e
sustentáveis, a caminho de uma sociedade mais justa, menos consumista e
mais cuidadosa com a nossa casa o belo planeta azul.

Professor Osmane Pessanha Ribeiro/IFF

09
1ª Etapa
Aula 1 - O ecossistema atmosférico

Objetivos
 Identificar os componentes atmosféricos e suas dinâmicas
que atuam sobre a poluição do ar;

 Adquirir noções sobre como se desenvolveram


historicamente os processos de contaminação atmosférica
por substâncias geradas em atividades humanas;

 Identificar os tipos de ecossistemas classificados em função


do grau de interferência humana;

 Fixar o conceito de poluição atmosférica;

 Identificar os tipos de poluentes do ar quanto à composição


química e às fontes geradoras;

 Aprender a lidar com as unidades de medida dos


contaminantes atmosféricos;

 Trabalhar a questão dos efeitos dos contaminantes do ar à


saúde humana e ao ambiente.

1.1. Importância da atmosfera para a Terra


O nosso planeta é constituído, basicamente, de porções que compõem a
biosfera, fina camada que recobre a superfície terrestre, representando o
conjunto de todos os biomas existentes.

Para que possamos ter um melhor entendimento acerca das relações entre os
seres vivos e o meio que os abriga e permite seu desenvolvimento, trataremos,
conceitualmente, os biomas como o grupamento de ecossistemas de
características ecológicas semelhantes proporcionadas pelas condições
biológicas, climáticas e geomorfológicas. Já ecossistemas são definidos como
coleções de comunidades de organismos que interagem trocando matéria e
energia em determinados espaços geográficos.

As porções da biosfera nas quais as manifestações dos ecossistemas


acontecem, com ocupação parcial, são a litosfera, a hidrosfera e a atmosfera.
A litosfera é a camada sólida da superfície planetária, formada de rochas e
solos, sendo estes essencialmente produtos de decomposição histórica de
rochas pela ação erosiva das águas de chuvas e dos ventos. A hidrosfera é a

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 13 e-Tec Brasil


parcela líquida composta de rios, lagos, mares e oceanos, ocupando cerca de
dois terços do globo terrestre. Por fim, a atmosfera é a camada gasosa que
envolve e penetra, em parte, os dois outros ambientes.

Os seres vivos, tanto terrestres como aquáticos, dependem do ambiente


atmosférico, sejam na forma de respiração direta do ar ou através da
utilização dos gases dissolvidos na água. Além do fornecimento de
componentes indispensáveis à sua sobrevivência, o ar também se caracteriza
como importante meio de locomoção e de disseminação dos seres vivos.

O oxigênio do ar, essencial para manter a vida no planeta, é gerado, por meio
do processo de fotossíntese, pelas plantas e algas verdes e é consumido no
processo de respiração. Muitos outros gases que são emitidos para a
atmosfera têm papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas
quando retornam às formas essenciais à vida.

Não é possível afirmar se a vida sustenta a atmosfera, ou se a atmosfera a


sustenta. Quando comparamos a atual composição do ar com a de eras
passadas em que ainda não havia vida, percebemos o quanto hoje nosso
planeta depende das relações vida/ atmosfera/ litosfera/ hidrosfera. O
cientista inglês James Lovelock propôs a Teoria de Gaia nos
anos 70; nela, os ecossistemas desempenham papel
funcional ao criar e manter as condições ambientais do
planeta, representando, portanto, a capacidade dos seres
vivos de modificar e transformar o planeta sempre em busca
das condições ambientais ideais à sustentação de suas
existências em dados momentos. A Teoria de Gaia, por
exemplo, prevê que fatores do ambiente como a
temperatura média da superfície terrestre, ou seja, o
conforto térmico, são controlados por mecanismos
construídos e administrados pelos organismos vivos.

1.2. Componentes do
ar atmosférico
A atmosfera pode ser dividida em camadas: a baixa
atmosfera ou troposfera, que se estende desde o contato
superficial com a litosfera ou hidrosfera até, aproxima-
damente, 12 a 20 quilômetros de altitude, vencendo, assim,
o alcance máximo atingido pelas formas de vida. Nela, a
temperatura diminui com o aumento da altitude, resultado
do calor emanado da superfície do solo que se dissipa na
atmosfera. Logo acima da troposfera, existe uma camada de
temperatura constante denominada tropopausa. A partir
desta, inicia-se a estratosfera, podendo atingir 50
quilômetros de altitude. Figura 1.1 A atmosfera
Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Mesosfera
Acessado em 23/11/2011.

e-Tec Brasil 14 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


A estratosfera caracteriza-se pela elevação da temperatura com o aumento da
altitude, fenômeno causado pela absorção de radiação ultravioleta pelo
ozônio. Os níveis mais altos da atmosfera são a mesosfera e termosfera. O
espaço sideral é comumente chamado de exosfera (vide Tabela 1.1).

Em termos de contato direto com a crosta terrestre e, por conseguinte, com os


organismos vivos, apenas a troposfera apresenta essa condição. A maioria dos
estudos sobre poluição do ar está relacionada a essa camada, pois é nela que
ocorre a intensa movimentação e transformação dos componentes gasosos e
das partículas emitidas pela litosfera e pela hidrosfera de forma natural ou
antrópica. A porção do ar apresenta a seguinte composição química em
estado puro:

Tabela 1.1: Composição da atmosfera


Componente % de participação Estado Físico
Nitrogênio (N2) 78 Gasoso

Oxigênio (O2) 21 Gasoso

Gases nobres
(argônio - Ar, neônio - Ne, hélio - He, 0,93 Gasoso
criptônio - Kr e xenônio - Xe)

Gás Carbônico (CO2) 0,03 Gasoso

Metano (CH4), hidrogênio (H2),


0,04 Gasoso
óxido nitroso (NO2) e ozônio (O3)

Gás Carbônico (CO2) 100 Gasoso

Fonte: do autor.

Ao contrário do que se imagina, a atmosfera não é composta apenas por


gases. Há porções sólidas (material particulado) e líquidas, formadas por
poeiras e fragmentos diversos em suspensão, gotículas de vapor d'água em
forma de nuvens, neblinas e outros fenômenos meteorológicos. Ambas as
porções variam em concentrações em função do nível de intervenção humana
no ambiente e das distintas características das variadas regiões do planeta.

Embora a constituição média da atmosfera se mantenha desde o


aparecimento do ser humano, principalmente quanto à concentração de
nitrogênio e oxigênio, alterações na composição ocorrem nos minoritários,
como o gás carbônico, por exemplo. Mesmo os minoritários possuem funções
relevantes na atmosfera, tanto quanto os macroconstituintes.

1.2. Poluição do ar
O ser humano, ao longo se sua jornada, conhecia as dificuldades de carência
de alimentos, de água potável, mas julgava que o ar utilizado para a sua
respiração e de outros seres vivos nunca deixaria de estar disponível. Sabe-se,
de fato, que sempre existirá na atmosfera, independente da localização, uma
mistura de gases. No entanto, quando o ar está poluído, contendo substâncias

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 15 e-Tec Brasil


estranhas e em quantidades elevadas com relação à composição em estado
puro, essa mistura pode não ser adequada às condições de manutenção da
vida.

Entende-se por poluição do ar a mudança da sua composição ou de suas


propriedades causada pela emissão de poluentes, de forma natural ou
antrópica, tornando-o impróprio, nocivo ou inconveniente à saúde, ao bem-
estar público, à vida animal e vegetal e, também, a alguns materiais. Já
poluentes são compostos ou substâncias que se apresentam no ar em dado
local e intervalo de tempo, cujas concentrações estão acima dos padrões de
segurança preestabelecidos em normatizações.

Nos últimos séculos, o ser humano tem interferido cada vez mais no equilíbrio
da mistura de gases atmosféricos, sem conhecer as consequências ou
desprezando em parte as que já são conhecidas. Em tempos modernos, o
marco da grande interferência antropogênica na composição atmosférica foi
a Revolução Industrial, quando teve início o sistema de aglomerações urbanas
que presenciamos atualmente. Nos séculos XVIII e XIX, desenvolveu-se a
tecnologia industrial, inicialmente, na Inglaterra, expandindo para outros
países. Essa tecnologia tomou impulso de grande monta quando da invenção
da máquina a vapor em 1769. Dessa maneira, o homem consegue, por fim,
obter energia mecânica concentrada para mover os mais variados artefatos.
Passou-se a utilizar a queima de grandes quantidades de carvão mineral,
lenha e, no século XX, de óleo combustível.

Os centros aglomerados urbanos, que normalmente eram situados próximos


a indústrias, passaram a lançar poluentes para o ar e a desenvolver uma
atmosfera insalubre, perigosa para a saúde humana. Com o surgimento da
locomotiva em 1829 e, com ela, as estradas de ferro e, mais adiante, quando
aparecem os veículos automotores, com disseminação de tecnologia para
vários países no mundo, a questão assumiu proporções descomunais. A
crescente demanda por bens de consumo pressionada pelo aumento
populacional no século XX e a industrialização em massa em nível quase
global, por outro lado, agravou a pressão por descarte de massa e energia na
atmosfera.

Diante do quadro levantado, surgiram e ainda surgem pontos de


questionamento que necessitam de respostas urgentes. Não contamos com
respostas para muitas interrogações. No entanto, precisamos prever e
predizer o futuro para poder garantir a sobrevivência não só da espécie
humana como dos demais indivíduos que, conosco, compartilham nosso belo
planeta. Temos vagas noções sobre como diversificados mecanismos atuam
para manter a estabilidade da atmosfera. Todos os mecanismos do sistema
atmosférico responsáveis pela sua autodepuração, distribuindo compostos
essenciais à vida, ou aqueles atuantes no controle térmico, hoje sofrem
intensas interferências negativas da mão humana. Necessitamos, sem dúvida
nenhuma, minimizar ou estancar as mudanças por nós impostas ao ambiente
do ar no planeta. Possivelmente, assim, como recompensa, Gaia ,
gratificada, nos permitirá habitar a sua superfície por muito tempo.

e-Tec Brasil 16 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


1.3. Os tipos de ecossistema
O conhecimento dos tipos básicos de ecossistemas, classificados de acordo
com o nível de intervenção humana, é de suma importância para nosso
estudo, pois são os ambientes que sofrem com a poluição atmosférica, seja ela
causada por fatores naturais ou pela ação antrópica.

Ecossistemas são definidos como o conjunto de comunidades de entidades


vivas que interagem entre si e com o meio físico no qual estão inseridos. O
conjunto de ecossistemas é denominado de bioma.

Figura 1.2 Tipos de ecossistemas.


Fonte: Boletim do Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego, Campos dos Goytacazes/RJ, v. 3 n. 1, p. 51-106, jan. / jun.
2009, Arthur Soffiati.

Os ecossistemas nativos (e não naturais) são construídos pela natureza não


humana e dominaram a quase totalidade da história da vida.

Os ecossistemas transformados são os nativos que sofreram modificações


perturbadoras ou degradadoras da ação humana coletiva.

Os ecossistemas antrópicos são aqueles construídos pela atividade do ser


humano sobre os ecossistemas nativos ou transformados, sem jamais perder,
contudo, sua raiz natural. Examine-se o caso de uma cidade. Nela, tem-se a
impressão de que a natureza foi expulsa e que, em seu lugar, implantou-se o
artificial. Todavia a matéria e a energia para construí-la provêm da natureza
(de onde mais poderiam vir?).

No que concerne à posição dos ecossistemas no planeta, podemos também


identificar três grandes conjuntos:

 Epinossistemas: são os ecossistemas fundamentalmente terrestres, como as

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 17 e-Tec Brasil


formações vegetais nativas, por exemplo.

 Limnossistemas: constituem-se dos ecossistemas aquáticos continentais,


que podem ser lóticos (cursos d'água como os rios) e lênticos (lagos).

 Talassossistemas: englobam os ecossistemas oceânicos.

1.4. As fontes de poluição atmosférica


As nossas atividades do dia-a-dia nas grandes cidades e no campo geram
poluição da atmosfera, mas as pessoas, de modo geral, não se dão conta
dessas situações. Pensa-se muito na contribuição das atividades industriais
esquecendo-se que nós, enquanto indivíduos, não tenhamos participação tão
importante. Entretanto, ao refletirmos que em uma grande metrópole
existem alguns milhões de veículos para centenas ou milhares de complexos
industriais, julgamos que pequenas e numerosas fontes de poluição podem
assumir a relevância das fontes de maiores magnitudes. Os veículos
concentram-se nos locais de maior densidade populacional enquanto que as
indústrias se fixam em áreas mais periféricas e isoladas.

As fontes podem ser classificadas de acordo com a mobilidade, como:

 Estacionárias ou fixas: como os complexos industriais e as áreas agrícolas que


sofrem queimadas periódicas, etc.

Móveis: como os meios de transportes aéreos, marítimos e terrestres, em


especial os veículos automotores.

No que se refere à terminologia aplicada à poluição do ar, a Associação


Brasileira de Normas Técnicas ABNT publicou a Norma Técnica NBR 8.969,
em julho de 1985, sendo fonte de consulta permanente e obrigatória aos que
se dedicam ao tema.

1.5. A expressão da composição de materiais


A maneira de se exprimir a composição de substâncias é uma etapa
importante na química atmosférica, pois algumas confusões podem
acontecer se tais composições não forem devidamente expressas. Por
exemplo, em uma indústria, erros de unidades de medida podem significar
perdas de matérias-primas, reagentes e produtos obtidos fora dos padrões
desejados pelo mercado consumidor. Nos laboratórios de medicamentos,
erros dessa ordem podem originar remédios inócuos ou até vir a custar vidas
humanas.

A composição de materiais serve para conhecermos as quantidades de cada


componente de um determinado produto ou substância. Exemplificando, a
gasolina vendida em postos de abastecimento contém 22 % de álcool. Isso

e-Tec Brasil 18 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


significa que para cada litro de gasolina comprada, 220 mililitros são de álcool
anidro. Porém dúvidas podem surgir. Será que para cada quilo de gasolina
temos 220 gramas de álcool anidro? Para se evitar interpretações dúbias,
nesse caso, devemos expressar a composição da gasolina como 22 % (v/v), ou
seja, uma relação entre volumes.

A dificuldade de expressar unidades aumenta quando tratamos de pequenas


quantidades, como é o caso dos poluentes atmosféricos, sendo inconveniente
expressar em percentagem (parte por cem). Sendo assim, empregamos para
tais composições, partes por milhão (ppm ou miligrama por quilo), partes por
bilhão (ppb) e partes por trilhão (ppt). Essas unidades facilitam o
entendimento dos resultados. Para melhor esclarecimento, faremos agora
uma breve discussão sobre unidades de medida, visando o emprego correto
das mesmas.

Um exemplo pode elucidar essa questão: a quantidade de dióxido de


nitrogênio geralmente encontrada em uma atmosfera poluída é de
aproximadamente 0,000000012 % (v/v). Essa quantidade é muito pequena e
expressá-la em percentagem traz dificuldades de entendimento e nos parece
um meio pouco elegante. Se usarmos 109 (um bilhão de unidades por
volume), o resultado poderá ser dado em partes por bilhão, isto é, 12 ppbv
(partes por bilhão por relação a volume), representando uma maneira mais
polida e conveniente para expressar a composição do poluente em
determinado ambiente.

Em alguns casos, costumamos fazer referência à milésima parte do miligrama


para massa, ou seja, o micrograma (símbolo µg). Em termos de tamanho, a
milésima parte do milímetro é chamada de mícron (µm). Para a relação entre
massa e volume, consideramos também o miligrama por litro (mg/ ).

1.6. A combustão de materiais e a poluição


atmosférica
Os processos de combustão geradores de energia constituem as grandes
contribuições para as emissões de compostos para a atmosfera no mundo
contemporâneo. Na intenção de obter energia e realizar trabalho para as
atividades diárias, a sociedade moderna queima combustíveis com diversos
propósitos: cozimento de alimentos, transporte em veículos, produção
industrial, preparo de terrenos para agricultura, etc. Porém, como já
destacamos, é nos grandes centros urbanos e nos países mais ricos que se
consome a maior parte da energia produzida no mundo. É justamente nesses
países que se vive a grande contradição, pois conforme se usa alta tecnologia
para satisfazer as necessidades humanas, ocorre a deterioração das condições
ambientais e, no caso do ar, tem resultado na mudança de sua composição
original para pior.

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 19 e-Tec Brasil


Os combustíveis, que, ao serem queimados, geram contaminantes do ar,
podem ser de origem não renovável, como os derivados de petróleo, o gás
natural e o carvão mineral, ou de origem renovável, como a lenha e o álcool.
Qualquer que seja o combustível orgânico utilizado no processo, gera-se
energia térmica que é convertida em energia mecânica, bem como produtos
finais gasosos, como dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de
enxofre, monóxido de nitrogênio, também material particulado e vapor
d'água, entre outros. A combustão é a queima de um material com
características específicas na presença do oxigênio gasoso.

A queima total de alguma substância exige condições ideais, como a


disponibilidade de oxigênio atmosférico, o que ocorre na prática nas
indústrias e nos motores dos veículos. Não havendo a combustão completa,
sobram alguns subprodutos que constituem perigosos poluentes

As partículas ou material particulado produzido apresentam vários tamanhos.


As maiores são visíveis na forma de fumaça. Outras menores são impossíveis
de visualização pelo olho humano. Já os gases não têm cheiro ou se acham em
concentrações baixas e insuficientes para serem detectados pelo odor, sendo
também não visíveis ao olho humano.

1.7. Classificação dos poluentes


A classificação dos poluentes é necessária quando as finalidades são a
aquisição de conhecimentos das fontes geradoras voltada para o
monitoramento e para a implementação de medidas de controle ambiental,
bem como estudar o efeito desses poluentes sobre pessoas e/ou meio
ambiente.

Poluente é definido como toda e qualquer forma de matéria e/ou energia,


segundo suas características, concentração e tempo de permanência no ar,
capaz de causar danos aos materiais, à fauna e à flora e que seja prejudicial à
segurança, ao uso e ao gozo da propriedade, à economia e ao bem-estar da
comunidade (NBR 8.969/85).

Consideramos poluente primário aquele que atinge o corpo receptor, ou seja,


a atmosfera na forma em que foi emitido (NBR 8.969/85).

Os secundários são aqueles resultantes da interação entre dois ou mais


poluentes primários entre si e/ ou com os constituintes normais da atmosfera,
com ou sem reação fotoquímica (NBR 8.969/85).

A seguir, daremos informações básicas sobre os principais compostos


químicos presentes no ar das cidades mais comprometidas pelas atividades
industriais e pelos veículos automotivos, deixando para capítulo posterior a
análise dos efeitos nocivos dessas substâncias no meio ambiente, como é o
caso do aumento do efeito estufa, das chuvas ácidas e da destruição da cama
de ozônio.

e-Tec Brasil 20 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


1.7.1. Compostos nitrogenados
Os óxidos de nitrogênio são encontrados na atmosfera em diferentes
combinações, sendo que somente N2O, NO e NO2 aparecem em quantidades
significativas e têm papel considerável na química da atmosfera.

O óxido de dinitrogênio (N2O) é um gás incolor emitido por fontes naturais,


por meio de ação bacteriana sobre a matéria orgânica e por reações químicas
entre o N2 e O2 na atmosfera. É considerado um gás estufa, ou seja, que atua
retendo calor na atmosfera terrestre.

O óxido nítrico ou monóxido de nitrogênio (NO) é um gás incolor e inodoro,


produzido naturalmente pelos microrganismos e também pela ação
antropogênica através dos processos de combustão a altas temperaturas. No
ar, reage com o ozônio por efeito de intensa radiação solar gerando NO2.

O dióxido de nitrogênio (NO2) em altas concentrações é um gás avermelhado,


de odor irritante, e um dos principais poluentes secundários presente na
atmosfera dos grandes centros urbanos. Embora seja emitido como primário
em pequenas quantidades, tem como principal fonte a rápida oxidação do NO
no ar. Denomina-se de NOx a soma de NO2 e NO.

A amônia (NH3) é um gás incolor à temperatura ambiente, possuindo um odor


extremamente forte, consideravelmente mais leve que o ar. Ela é considerada
um constituinte básico da atmosfera por estar presente em quantidades
significativas. As diversas fontes de amônia são as decomposições de matéria
orgânica, a utilização de fertilizantes e a queima de biomassa.

1.7.2. Compostos sulfurosos


Os compostos sulfurosos podem ser originados pela queima de combustíveis
fósseis, formando-se óxidos de enxofre, principalmente o dióxido de enxofre
(SO2). Este gás, ao ser ativado ao absorver radiação solar, transforma-se em
trióxido de enxofre (SO3), que, por sua vez, em ambientes de alta umidade,
passa a ácido sulfúrico (H2SO4), que é fortemente corrosivo e tóxico, um dos
principais formadores da chuva ácida.

O gás sulfídrico (H2S) tem origem na decomposição da matéria orgânica por


microrganismos anaeróbicos (que retiram o oxigênio que necessitam de
compostos). Uma vez na atmosfera, o H2S, em combinação com o O3 (ozônio),
pode ser oxidado a SO2, constituindo uma fonte desse poluente.

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 21 e-Tec Brasil


1.7.3. Compostos carbônicos
O dióxido de carbono (CO2) é um gás comum produzido na maior parte das
combustões. É formado quando se queima materiais que contêm carbono em
sua composição. Ressalta-se que quase todos os combustíveis empregados
possuem esse elemento em suas cadeias químicas. O CO2 é incolor, inodoro e
não faz mal à saúde humana nas concentrações originais na atmosfera. Por
ser um composto final já oxidado, é inerte às reações químicas,
permanecendo por longos períodos na atmosfera, aumentando o efeito
estufa.

Um dos principais mecanismos naturais de remoção do CO2 ocorre via


fotossíntese, realizada pelos organismos verdes detentores de clorofila,
presentes na superfície dos oceanos e nos continentes.

Quando as combustões em motores e dispositivos industriais acontecem na


presença de quantidades insuficientes de oxigênio, o resultado é a geração de
monóxido de carbono (CO). Além de ser um dos mais perigosos tóxicos
respiratórios, é um dos poluentes gasosos mais comumente encontrados nos
grandes centros urbanos.

1.7.4. Compostos orgânicos


Os compostos orgânicos são genericamente os hidrocarbonetos, os álcoois,
os aldeídos, os ácidos orgânicos e diversas outras substâncias que possuem
carbono como elemento básico de suas cadeias moleculares.

A queima de combustíveis é responsável por uma importante parcela de


lançamento desses compostos no ar. A evaporação de combustíveis e
solventes, subprodutos da indústria química e farmacêutica e a decomposição
de resíduos orgânicos em depósitos de lixos ou em ecossistemas aquáticos,
leva à formação de gás metano (CH4), hidrocarboneto pouco tóxico, mas que
participa na formação de poluentes secundários, sem falar que é um gás
estufa.

1.7.5. Oxidantes fotoquímicos


Compostos oxidantes são espécimes químicas ávidas por elétrons, as quais,
em uma reação, retiram elétrons de outro reagente. O que perde elétrons
sofre uma oxidação. O aumento de átomos de oxigênio em dada molécula
indica que houve oxidação. Os oxidantes são de grande relevância para a
química atmosférica, pois mudam sua composição química, interferindo na
qualidade do ar.

No ar, com a presença de luz solar em elevada intensidade e, principalmente,


de radiações ultravioletas, há condições para a ocorrência de reações

e-Tec Brasil 22 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


denominadas de fotoquímicas, responsáveis pela transformação de alguns
poluentes em oxidantes.

Vários oxidantes podem ser encontrados no ar ambiente, sendo os principais


o ozônio (O3 ), o peróxido de hidrogênio (H2O2) e o radical hidroxila (HO-).

1.7.6. Materiais particulados


Denominam-se materiais particulados as partículas sólidas ou líquidas
presentes no ar ambiente. A quantificação de todas essas partículas é
conhecida como Material Particulado Total em Suspensão (MPTS),
constituindo medida de massas total por unidade de volume (µg/m³).

Muitas dessas partículas são visíveis a olho nu, como poeira, cinzas e fumaça.
Outras não o são, mas não deixam de ser significativas para o ambiente.
Partículas menores que 10 µm, chamadas de PM10, são inaláveis e ficam
retidas no trato respiratório superior. Já aquelas menores que 2,5 µm atingem
os pulmões e ficam retidas, causando sérios danos à saúde humana.

O tamanho das partículas também influi nas propriedades atmosféricas. As


partículas de tamanho entre 0,1 a 10 µm atuam como núcleos de
condensação do vapor d'água, ajudando a formar nuvens.

Aerossol é o sistema disperso em um meio gasoso, composto de partículas


sólidas e/ou líquidas de tamanhos inferiores a 100 µm. Poeiras são entendidas
como aerossóis constituídos por partículas sólidas formadas por ruptura
mecânica de uma superfície. Fumaça é o aerossol constituído por partículas
resultantes da combustão incompleta de materiais orgânicos, geralmente
essas partículas têm diâmetros inferiores a 1 µm (NBR 8.969/85).

Partículas menores do que 2,5 µm de diâmetro são classificadas como finas e


as maiores do que 2,5 µm são grossas. As finas tendem a ficar por mais tempo,
dias ou até semanas em suspensão, com deposição distante das fontes
emissoras. As grossas possuem tempo de permanência curto na atmosfera,
com tendência a depositar-se não muito distante das fontes de emissão.

O material particulado pode ser lançado no ar através de fontes naturais como


é o caso do aporte de cinzas e poeiras oriundas de vulcões ativos, do vento
sobre o continente que suspende material sólido e do vento em superfícies
líquidas que transporta pequenas gotículas d'água (sprays). Os vegetais são
grandes emissores de material particulado, na forma direta de lançamento de
pólen, de outras estruturas físicas e de compostos orgânicos voláteis como
efeito da atividade fisiológica das plantas. Microrganismos em suspensão,
como bactérias, fungos (esporos) e vírus, também são considerados como
material particulado atmosférico.

As fontes antrópicas incluem processos industriais, como: produção de


cimento, de fertilizantes e siderúrgicas, combustão com o emprego de óleo e

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 23 e-Tec Brasil


carvão mineral ou vegetal, tráfego de veículos em estradas não pavimentadas,
aplicações aéreas de agrotóxicos em plantações, manejo de solos nas
atividades agropecuária e florestal, etc.

Links interessantes
 

www.inpe.br
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

www.inmet.gov.br
(Instituto Nacional de Meteorologia)

www.mma.gov.br
(Ministério do Meio Ambiente)

www.cetesb.sp.gov.br
(CETESB)

www.inea.rj.gov.br
(INEA)

www.ibama.gov.br
(IBAMA)

www.weather.com/brasil
(Weather Brasil)

www.cptec.inpe.br
(Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos - CPTEC)

www.abnt.org.br
(Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT)

www.ens.ufsc.br/ppgea/grade/ens3126.html
(Controle da Poluição Atmosférica UFSC)

e-Tec Brasil 24 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


Atividades Propostas

1. Fale, resumidamente, sobre as camadas da atmosfera.

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2. Considerando-se a contextualização histórica, como o ser humano


contribuiu para o aumento das concentrações de substâncias poluentes na
atmosfera?

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3. Comente as principais diferenças entre os tipos de ecossistemas,


classificados de acordo com o nível de intervenção humana:

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Aula 1 - O ecossistema atmosférico 25 e-Tec Brasil


4. Sabemos que as concentrações de poluentes na atmosfera alcançam
valores muito pequenos, mas, mesmo assim, causam inúmeros danos à
saúde humana e ao ambiente. Quais são as unidades de medida usadas
para se aferir a concentração dos poluentes lançados no ar?

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5. Marque a alternativa correta:

a) Os combustíveis de origem não renovável geram, ao serem queimados,


poucos poluentes atmosféricos.

b) Poluentes primários são aqueles que sofrem transformações químicas na


atmosfera após serem lançados no ar.

c) O gás carbônico (CO2) pode ser considerado como uma substância terminal
e não reativa, mas sua presença no ar em concentrações além das originais
pode levar ao aumento do efeito estufa.

d) O gás carbônico (CO2) é uma substância que não absorve a radiação solar
difusa.

6. Marque a alternativa correta:

a) Materiais particulados se caracterizam apenas pelas poeiras, cinzas e


fumaça que são visíveis a olho nu.

b) Oxidantes são doadores de elétrons em reações químicas, como é o caso


do ozônio (O3).

c) A queima de combustíveis fósseis pode promover o lançamento de alguns


compostos orgânicos na atmosfera.

d) Não existem evidências científicas, comprovando que o metano (CH4) seja


um gás estufa.

e-Tec Brasil 26 Aula 1 - O ecossistema atmosférico


Referências Bibliográficas

BRANCO, S. M. & MURGEL, E. Poluição do Ar. São Paulo: Moderna, 2006.


112 p.

DEMILLO, R. Como Funciona o Clima. São Paulo: Quarks Books, 1998. 226
p.

DERISIO, J. C. Introdução ao Controle da Poluição Ambiental. São Paulo:


Editora Signus, 2007. 192 p.

LISBOA, H. de M. (Coord.) Controle da Poluição Atmosférica. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro Tecnológico/ Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2007. 390 p.

SUGUIO, K. Mudanças Ambientais da Terra. São Paulo: Instituto Geológico,


2008. 336 p.

TOMINAGA, L. K. (Org.) Desastres Naturais: Conhecer para Prevenir. São


Paulo: Instituto Geológico, 2011. 196 p.

Aula 1 - O ecossistema atmosférico 27 e-Tec Brasil


Aula 2 - Efeitos da poluição do ar
à saúde humana

Os efeitos à saúde humana da presença de poluentes na atmosfera na forma


de gases ou partículas são classificados basicamente, como estéticos,
irritantes e tóxicos. Em capítulo posterior, falaremos sobre os efeitos da
poluição do ar no ambiente.

2.1. Efeitos estéticos


Efeitos estéticos são as alterações simples da aparência do ar que nos envolve,
provocadas por vapores, fumaças, poeiras ou aerossóis emitidos por fontes
naturais ou humanas. Estão incluídos outros efeitos que nos causam
incômodos, como o mau odor produzido por certas substâncias.

Pressupondo que nós desejamos um ar transparente e inodoro, os fatores


meteorológicos, com certa frequência, deixam de proporcionar essas
condições desejáveis. A visão de uma paisagem enfumaçada ou com presença
de vapor d'água, neblinas ou com nuvens densas, para alguns, não trazem
sensação de conforto e leveza. Porém, normalmente, odores fortes e
desagradáveis nos causam desconforto.

O fato dos efeitos estéticos acionarem de imediato nossos sentidos faz com
que as pessoas lhes deem um valor maior do que aqueles mais nocivos. Nem
sempre a parte visível da fumaça, principalmente obscurecida por partículas
inertes, é mais prejudicial à saúde e ao ambiente do que os gases que não
enxergamos, como o CO. Logicamente que as fontes que expelem fumaças
negras devem ser controladas no intuito de eliminarmos as condições que
fazem do ambiente um local desagradável e sujo.

2.2. Efeitos irritantes


Os efeitos irritantes são proporcionados por agentes químicos e físicos que
atingem dado tecido orgânico, provocando reações alérgicas, ardências,
coceiras e outras manifestações de caráter passageiro.

Dentre as substâncias que ocasionam esses efeitos está o aldeído fórmico,


originado na queima de lenha com alto teor de umidade e no preparo de
carnes defumadas; o aldeído proveniente de motores de combustão a álcool;
materiais particulados inaláveis de fontes diferentes em suspensão no ar;
grãos de pólen, esporos fúngicos, ácaros, etc.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 29 e-Tec Brasil


Cabe ressalvar que o efeito irritante causa reações fortes para indivíduos
predispostos ao desencadeamento de processos alérgicos, bem como
crianças e pessoas idosas, agravando rinites, bronquites e outras doenças
respiratórias mais sérias.

2.3. Efeitos tóxicos


A presença de substâncias nocivas em baixas concentrações no ar que
respiramos representa grande risco para a saúde humana e dos animais. A
intoxicação causada por substâncias dispersas no meio ar, para os seres
terrestres, e água para os organismos aquáticos difere da causada pela
inalação de venenos em doses maiores. No caso dos poluentes, a
concentração é relevante, assim como o tempo de contato com o ser vivo.
Uma substância tóxica, mesmo que esteja em pequenas proporções no ar,
pode tornar-se extremamente perigosa com a sua inalação constante.

Um dos tóxicos atmosféricos mais comuns é o monóxido de carbono (CO)


que, como já foi dito, é gerado pela queima incompleta de combustíveis.
Observe a tabela em sequência para maiores detalhes sobre os efeitos no
corpo humano:

Tabela 2.1: Efeito tóxico do Monóxido de Carbono (CO)


Percentual de
Tempo de
participação do CO Efeitos Orgânicos
exposição
em um ar ambiente
0,01% Grande Sintomas iniciais de intoxicação

0,02% Poucas horas Sintomas iniciais de intoxicação

0,04% 02 - 03 horas Fortes dores de cabeça

> 0,04% 02 horas Palpitações cardíacas, confusão mental


e náuseas

0,20 a 0,25% 30 minutos Perda da consciência e morte

Fonte: do autor

Outros exemplos: os gases expelidos de um alto-forno siderúrgico podem


conter de 24 a 30 % de CO antes de se dissipar no ar externo. Um motor
movido a gasolina em marcha lenta pode lançar de 1 a 7 % de CO,
dependendo da mistura de combustível com oxigênio no carburador. Nos
grandes centros urbanos, em ruas congestionadas, a concentração de CO
pode alcançar 0,01 %, que, como já vimos acima, produz dores de cabeça e
outros incômodos para quem o respira nessas condições ambientais. O CO
ocupa os locais de troca gasosa nos alvéolos pulmonares, tomando o lugar do
oxigênio que deveria ser transportado pelos glóbulos vermelhos até as células
no processo de respiração celular.

e-Tec Brasil 30 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


A destilação do carvão mineral, utilizado em vários processos industriais, leva
à liberação de hidrocarbonetos aromáticos pertencentes à série do benzeno.
O desprendimento desses compostos no ar ambiente causa graves problemas
de intoxicações. A inalação de altas concentrações de benzeno leva à rápida
perda de sensibilidade seguida de morte por asfixia. No caso de inalação em
concentrações mais baixas continuamente, acontecem situações crônicas,
como a falência de órgãos produtores de sangue (medulas ósseas e baço),
causando anemias (perda de glóbulos vermelhos), redução da resistência às
enfermidades em geral (perda de glóbulos brancos) e hemorragias (perda de
plaquetas).

O benzeno é empregado como matéria-prima em um sem número de


operações (solventes de resinas, graxas, misturas de combustíveis, tintas para
aviões, fabricação de couros sintéticos, etc.). Trata-se de composto altamente
volátil, com desprendimento de vapores no ar.

O dióxido de enxofre (SO2), mesmo em concentrações muito baixas, ocasiona


espasmos transitórios de musculatura lisa do aparelho respiratório. Em
concentrações mais altas, provoca inflamações de mucosas e outras
enfermidades respiratórias.

O gás sulfídrico (H2S) tem a capacidade de anestesiar o nosso olfato,


impedindo que sintamos seu cheiro quando em altas concentrações. Atua da
mesma forma que o CO no organismo humano, no que se refere à respiração
celular.

O dióxido de nitrogênio (NO2) promove irritações nos olhos e nas mucosas em


geral, podendo acarretar, no desenvolvimento de enfisema pulmonar, séria
doença. Pode também estimular a produção de substâncias cancerígenas,
como as nitrosaminas.

O ozônio (O3) liberado por reações fotoquímicas na atmosfera a partir da


combinação de hidrocarbonetos com os óxidos de nitrogênio é muito mais
ativo que o oxigênio (O2), reagindo com vários compostos o que resulta em
uma série de substâncias tóxicas.

O contato com ambientes possuindo altas concentrações de O3 pode causar


doenças como o câncer. O O3 possui alta ação oxidante, que, além de asfixiar
pessoas, degrada materiais resistentes, como o couro e a borracha.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 31 e-Tec Brasil


2.4. Efeitos dos poluentes atmosféricos no
meio ambiente
Nesta etapa, trataremos das questões que envolvem a emissão de poluentes
primários e a formação de secundários no ar e os seus efeitos no meio ambien-
te, sejam no ecossistema atmosférico, como na litosfera e na hidrosfera.

Teceremos considerações inicialmente sobre o balanço térmico do planeta


para depois discorrermos sobre o aumento do efeito estufa, o aquecimento
global, a modificação na camada de ozônio na estratosfera e as chuvas ácidas.

2.4.1. Balanço Térmico da Terra, efeito estufa e


aquecimento global.
A Terra recebe cerca de 0,002 % da energia emitida pelo sol, isto é, cerca de
5,4 x 1.024 Joules/ano. Entretanto, só parte dessa energia chega à sua
superfície, a saber:

Tabela 2.2: Distribuição da energia solar incidente sobre a Terra

Forma de Distribuição % de participação


Aquecimento da atmosfera 26%

Reflexão e espalhamento pelas nuvens e pelo 30%


material em suspensão

Radiação que chega à superfície 44%

Total 100%

Fonte: do autor

Chamamos de albedo a relação entre a radiação refletida e a incidente total


em uma superfície. O albedo da Terra é de 0,30.

A radiação que alcança a superfície planetária é composta por energia


eletromagnética em vários comprimentos de onda (ultravioleta, luz visível e
infravermelho), e parte desta é refletida da superfície para o ar na forma de
radiação infravermelha, responsável pelo calor que sentimos. Se não houvesse
a atmosfera, essa energia seria integralmente perdida para o espaço e o
planeta teria uma temperatura média que inviabilizaria a existência de vida
como a conhecemos.

Os principais agentes responsáveis pela minimização dessas perdas estão


relacionados à presença de vapor d'água e de CO2 na atmosfera. Para que
possamos entender um pouco da dinâmica térmica do ar, necessitamos fazer
algumas considerações. Tanto a água como o CO2 possuem movimentos

e-Tec Brasil 32 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


vibratórios em suas moléculas que são típicos para cada substância. A
radiação eletromagnética, quando interage com essas moléculas em modo
vibracional, é absorvida e altera o padrão de vibração da ligação química entre
os átomos constituintes. Quando a molécula deixa de receber radiação, ela
acaba voltando ao estado inicial e libera a energia absorvida, obedecendo ao
princípio de conservação de energia. Por exemplo, a molécula de CO2 absorve
fortemente a radiação infravermelha proveniente da superfície terrestre e a
reemite novamente em forma de calor em todas as direções. Parte dessa
energia retorna à superfície da Terra e, como resultado, a sua temperatura
média é de 14 a 18 ºC.

Os gases que possuem a capacidade de absorver infravermelho e depois


devolvê-lo ao ambiente são conhecidos como gases estufa, responsáveis pelo
efeito estufa. O efeito estufa mantém o planeta permanentemente aquecido,
ocorrendo naturalmente segundo os princípios explanados no parágrafo
anterior. O vapor d'água é o principal atuante no sentido de absorver radiação
infravermelha e remiti-la para o ambiente, sendo responsável por cerca de
80% do efeito estufa. É fácil perceber a sua importância no equilíbrio térmico.
Verificamos com alguma facilidade que regiões com alta umidade relativa do
ar apresentam poucas variações entre as temperaturas diurna e noturna. Já os
desertos e regiões continentais distantes do oceano têm características de ar
seco, isto é, com baixa umidade relativa, apresentando alta amplitude térmica
(dias com temperaturas altíssimas e noites muito frias).

O efeito estufa sempre existiu no planeta desde o início da evolução e é


considerado um dos fatores primordiais para o desenvolvimento e
manutenção da vida no seu seio. Trata-se de um fenômeno natural.
Entrementes, nos últimos 250 anos, estamos vivendo momentos de
acréscimos de gases estufa concomitantemente à industrialização e ao
aumento populacional em todo globo.

A tabela a seguir elucida que o CO2, segundo na hierarquia depois do vapor


d'água, na medida em que aumenta em concentração na atmosfera, pode
contribuir no aumento do efeito estufa. O Potencial de Aquecimento Global
(PAG) indica qual é o potencial com que cada substância participa no efeito
estufa. Convencionou-se que o CO2 tem PAG = 1. O CFC-12
(Clorofluorcarboneto-12) tem PAG = 7.100, o que significa que 1 molécula de
CFC-12 produz o mesmo efeito que 7.100 moléculas de CO2.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 33 e-Tec Brasil


Tabela 2.3: : Principais Gases Estufa e Seus Potenciais de
Aquecimento Global Estimativas de Contribuição ao
Aumento do Efeito Estufa

Gás Principais fontes PAG* Estimativa de


antrópicas constribuição
CO2 Queima de combustíveis fósseis e 1 55%
de biomassa

CH4 Campos de produção de arroz, pe- 11 15%


cuária e produção de petróleo

NO2 Fertilizantes, queima de biomassa, 270 6%


atividades industriais

CFC-12 Gás para refrigeração 7.100 10%

* PAG = Potencial de Aquecimento Global


Fonte: do autor

O problema é que a sociedade moderna está emitindo para a atmosfera uma


quantidade muito grande de gases estufa. Como produto, existe uma
tendência em acreditar que o efeito estufa vá se intensificar por esses
acréscimos em futuro próximo (se é que já não está acontecendo). Por
conseguinte, a temperatura média planetária deverá aumentar.

Porém, ainda não existe um consenso entre cientistas atmosféricos sobre as


mudanças climáticas provocadas pelo ser humano. As pesquisas científicas
continuadas nos darão melhor clareza a respeito de nossa influência na
atmosfera.

O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional estabelecido em 1997, na


cidade de Kyoto (Japão), cuja proposta foi estabelecer condições para que os
países industrializados pudessem reduzir as emissões de gases estufa e
garantir um suposto modelo de desenvolvimento limpo aos países não tão
industrializados.

Como o tema emissão de CO2 tem alcance e efeito globais, o controle e até a
diminuição dependem de entendimentos entre nações. O documento final
previa que, entre 2008 e 2012, os países industrializados reduziriam suas
emissões em 5,2%, caindo aos níveis de 1990. O acordo previa tratamento
diferenciado para os 38 países considerados os principais emissores de CO2 e
outros 05 gases estufa importantes. Para a União Europeia, foi estabelecida
uma redução de 8 % em relação aos níveis de 1990; 7 % para os EUA e 6 %
para o Japão. Países em desenvolvimento, como o Brasil, Índia e México
inicialmente, não tiveram níveis de redução considerados.

Você sabia que os EUA são os maiores emissores de CO2 no mundo? Sozinhos,
eles são responsáveis pela contribuição de 25 % do total anual, com
aproximadamente 1,49 bilhões de toneladas por ano. O Brasil está em 17º
lugar na lista negra, com 0,079 bilhões de toneladas anuais. Apesar disso, os
EUA recusaram-se a assinar o acordo internacional de Kyoto, assim como a
Rússia.

e-Tec Brasil 34 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


O Brasil promulgou a Lei Federal nº. 12.187, em 29 de dezembro de 2009, que
instituiu a Política Nacional sobre Mudanças do Clima, regulamentada pelo
Decreto Federal nº. 7.390, de 09 de dezembro de 2010, na qual diretrizes
foram traçadas visando atingir os seguintes objetivos:

 compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a proteção do


sistema climático;

 redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às


suas diferentes fontes;

 fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito


estufa no território nacional;

 implementação de medidas para promover a adaptação à mudança do


clima pelas 03 (três) esferas da Federação, com a participação e a
colaboração dos agentes econômicos e sociais interessados ou
beneficiários, em particular aqueles especialmente vulneráveis aos seus
efeitos adversos;

 preservação, conservação e recuperação dos recursos ambientais, com


particular atenção aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio
Nacional;

 consolidação e expansão das áreas legalmente protegidas e ao incentivo aos


reflorestamentos e à recomposição da cobertura vegetal em áreas
degradadas;

 estímulo ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emis-


sões - MBRE.

Os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão estar em


consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o
crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das
desigualdades sociais, segundo a legislação em apreço.

Voltando para a questão do aumento do efeito estufa, as suas principais


consequências no planeta decorrerão da elevação de sua temperatura média,
o que, segundo alguns cientistas, poderá acarretar nas seguintes mudanças:

a. Elevação do nível do mar: face ao derretimento parcial de enormes massas


de gelo e aumento do volume e nível de água oceânica. Calcula-se um
aumento de, no máximo, 88 cm até o ano de 2100, fazendo com que ilhas
e áreas litorâneas de baixa altitude possam submergir.

b. Mudança global no padrão climático: o aumento na temperatura média


global implicaria sérias anomalias climáticas, como tempestades e
inundações em algumas regiões, aumento de ocorrência de furacões e
tufões, secas em regiões de climas amenos, etc.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 35 e-Tec Brasil


c. Incidência de doenças: o equilíbrio existente das populações de insetos e
microrganismos poderia ser quebrado, com deslocamento de doenças
limitadas às regiões tropicais para outras ora temperadas e que se
tornariam mais quentes, bem como o aparecimento de antigas e novas
enfermidades que já foram erradicadas pela ciência.

2.4.2. Modificações na camada de Ozônio


O ozônio (O3) é um gás altamente oxidante, de cor azul escura, que se
concentra na estratosfera, em uma porção a 30-50 quilômetros de altitude. A
camada de O3 possui cerca de 15 quilômetros de espessura, funcionando
como um escudo protetor contra os efeitos nocivos dos raios solares.

A radiação eletromagnética proveniente do sol abrange um espectro


eletromagnético definido em função do comprimento de onda da radiação
( ), que é inversamente proporcional à sua frequência ( ), expressos
normalmente em metros e hertz, respectivamente (01 hertz = 1 ciclo a cada
segundo). Quanto maior o comprimento de onda, menor será a frequência e
vice-versa (vide ilustração a seguir).

Figura 2.1: Espectro visível ao homem.


Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_vis%C3%ADvel
Acessado em 05/10/2011.

A radiação ultravioleta (UV) tem comprimento de onda variando entre 0,1 a


0,4 µm. Subdivide-se em UVA (0,4 a 0,32 µm), uma forma de radiação que
pode causar algum dano às células vivas e que não é absorvida pelo O3; em
UVB (0,32 a 0,28 µm), que causa danos às células vivas e é absorvida pelo O3; e
em UVC (0,28 a 0,1 µm), que é altamente energética e prejudicial aos seres
vivos, ainda que absorvida quase que totalmente pela atmosfera. A
estratosfera absorve aproximadamente 99 % de toda a radiação UV, sendo o
O3 responsável por reter principalmente a radiação UVB.

Para que possamos entender como acontece a fragilização da camada de


ozônio na estratosfera, é necessária a apresentação da reação de sua
formação e consumo:

e-Tec Brasil 36 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


O2 + (hv) O+O (I)

O + O2 O3 ( II )

O3 + (hv) O + O2 ( III )

O + O3 O2 + O2 ( IV )

Na estratosfera, as reações II e III são muito rápidas e era de se esperar que a


concentração de O3 deveria ser relativamente constante. Mas alguns
compostos com tempo de residência longo não sofrem reações secundárias
na troposfera, podendo chegar à estratosfera através de mecanismos de
dispersão. Outros compostos podem ingressar na estratosfera via trilhas de
condensação formadas por aviões comerciais, podendo interferir no equilíbrio
das reações acima descritas.

Acontece que os compostos orgânicos contendo cloro, utilizados como gás


refrigerante na indústria e em equipamentos domésticos e conhecidos como
CFC (Clorofluorcarbonetos), atuam na decomposição do O3 estratosférico. A
luz ultravioleta quebra as ligações dos CFC, liberando cloro iônico (Cl-), que vai
reagir com O3, originando óxido de cloro e O2.

Os compostos orgânicos halogenados (CFC), quando corretamente


utilizados, mantêm o gás enclausurado em circuito fechado no equipamento,
sem que este vaze para o ar. Entretanto, quando são desmontados para
manutenção ou descartados, o gás é expelido atingindo a estratosfera onde
promove a destruição da camada de O3, de acordo com as reações químicas
explicitadas. A redução da camada de O3 foi detectada por cientistas na
década de 70. Em 1987, a ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu
um programa de ação internacional para identificação das medidas de
controle das substâncias que destroem a camada de O3 (Protocolo de
Montreal). As nações signatárias assumiram compromissos para proibição da
produção e comercialização desses produtos.

Em 1995, o governo brasileiro instituiu o Comitê Executivo Interministerial


para Proteção da Camada de Ozônio (PROZON), que coordena todas as
iniciativas reativas à questão de banimento da produção e utilização dessas
substâncias em solo nacional. Entretanto, ainda existem aproximadamente 36
milhões de refrigeradores em funcionamento à base de CFC no país. Tratam-
se de aparelhos fabricados até 1999, ano em que o Brasil proibiu a produção
desses equipamentos com CFC, quando, então, as indústrias os substituíram
por outras menos agressivas à camada de O3.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 37 e-Tec Brasil


2.4.3. As Chuvas Ácidas
Como já sabemos, a queima de combustíveis fósseis e outros processos
industriais emitem para o ar partículas e gases, dentre eles o dióxido de
nitrogênio (NO2) e o dióxido de enxofre (SO2). O tempo de residência desses
óxidos na atmosfera é normalmente curto, sugerindo a existência de
sorvedouros desses compostos. Durante o dia, na presença de luz solar, o NO2
reage com radicais HO-, formando ácido nítrico:

NO2 + HO- HNO3

De forma semelhante, o SO2 também reage com HO-, gerando ácido sulfúrico
(H2SO4):

SO2 + HO- HSO3

HSO3 + O2 HO2 + SO3

SO3 + H2O H2SO4

Algumas vezes, a presença de gotículas de água no ar serve de recipiente para


a reação.

SO2 + H2O H2SO3

2 H2SO3 + O3 2 H2SO4

A presença de material particulado acelera essas reações químicas de 10 a 100


vezes. Por exemplo, o tempo médio para a transformação do SO2 em H2SO4
em condições favoráveis é de 02 dias. Em decorrência disso, o composto
formado pode ser levado pelo vento e aportar em regiões distantes das fontes
de emissão primária, descendo para o solo pela ação das neblinas e chuvas
ácidas. Os ecossistemas afetados pela ação englobam desde florestas nativas,
passando pelos transformados e antropizados, como as áreas de exploração
agropecuária e o ambiente urbano.

A chuva ácida é um fenômeno decorrente da poluição atmosférica, sendo que


os seus efeitos podem ser locais, mas podem atingir também outros países
que não são os responsáveis pela emissão de NO2 e SO2. Requer o
desenvolvimento de estudos que envolvam a identificação e controle das
fontes primárias de emissões gasosas, como também a avaliação dos danos e
a implementação de técnicas para recuperação dos ambientes afetados pela
ação de poluentes ácidos.

e-Tec Brasil 38 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


Atividades Propostas

1. O que são efeitos irritantes de substâncias químicas poluentes?

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2. Quais são os efeitos tóxicos do monóxido de carbono (CO) no organismo


humano?

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3. O que é albedo?

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4. Marque a alternativa errada:

a. A radiação solar que alcança a superfície planetária é composta de energia


eletromagnética de várias frequências e comprimentos de onda.

b. A molécula do gás carbônico (CO2) absorve fortemente a radiação infra-


vermelha, reemitindo-a para o ambiente sob forma de calor (efeito estufa).

c. A camada de ozônio (O3) situa-se a 30-50 km de altitude e funciona como


um escudo contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta.

d. O governo brasileiro liberou a produção de equipamentos com CFC em


1999.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 39 e-Tec Brasil


5. Marque a alternativa errada:

a. As chuvas ácidas são originadas a partir do lançamento de monóxido de


carbono (CO) na atmosfera.

b. A recuperação dos ecossistemas terrestres degradados pelos agentes das


chuvas ácidas é de vital importância para as sociedades.

c. Uma das preocupações em nível mundial da intensificação do efeito estufa


seria a elevação da temperatura média planetária.

d. As mudanças climáticas são objetos de regulamentação específica no


Brasil.

e-Tec Brasil 40 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


Referências Bibliográficas

BRANCO, S. M. & MURGEL, E. Poluição do Ar. São Paulo: Editora Moderna,


2006. 112 p.

DEMILLO, R. Como funciona o clima. São Paulo: Quarks Books, 1998. 226p.

DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. São Paulo:


Signus, 2007. 192 p.

LISBOA, H. de M. (Coord.) Controle da poluição atmosférica. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro Tecnológico/ Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2007. 390 p.

SUGUIO, K. Mudanças ambientais da Terra. São Paulo: Instituto Geológico,


2008. 336 p.

TOMINAGA, L. K. (Org.) Desastres naturais: conhecer para prevenir. São


Paulo: Instituto Geológico, 2011. 196 p.

Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana 41 e-Tec Brasil


Saiba mais...

Para pesquisa, alguns links interessantes:

www.inpe.br (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

www.inmet.gov.br (Instituto Nacional de Meteorologia)

www.mma.gov.br (Ministério do Meio Ambiente)

www.cetesb.sp.gov.br (CETESB)

www.inea.rj.gov.br (INEA)

www.ibama.gov.br (IBAMA)

www.weather.com/brasil (Weather Brasil)

www.cptec.inpe.br (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos -


CPTEC)

www.abnt.org.br (Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT)

http://www.ens.ufsc.br/ppgea/grade/ens3126.html (Controle da Poluição


Atmosférica UFSC)

e-Tec Brasil 42 Aula 2 - Efeitos da poluição do ar à saúde humana


2ª Etapa
Aula 3 - Qualidade do ar

Objetivos
 Adquirir conhecimentos sobre os Padrões Nacionais de
Qualidade do Ar em nível técnico e de normatização legal;

 Conhecer os mecanismos de autodepuração da atmosfera


com relação aos contaminantes físicos e químicos;

 Conhecer as variáveis meteorológicas e os fenômenos


climáticos que atuam sobre a dispersão de substâncias
poluentes na atmosfera;

 Identificar os tipos de plumas geradas em chaminés (fontes


estacionárias).

3.1. Padrões Nacionais e Níveis de


Qualidade do Ar
Os episódios críticos de poluição atmosférica em várias partes do mundo
tornaram claro aos governos e à comunidade científica que a contaminação
do ar por poluentes tratava-se de um problema concreto, podendo trazer
efeitos extremamente nefastos ao ser humano e ao ambiente. Em termos
proporcionais, sabemos que um veículo automotor ou uma única indústria
não são suficientes para proporcionar danos ambientais. Surge, então, uma
pergunta: Que quantidades de substâncias podem ser lançadas no ar, sem
que se caracterizem poluentes?

No intuito de solucionar essa questão, diversos estudos toxicológicos foram


levados a cabo com seres humanos e organismos que compõem a biota, com
determinação dos variados níveis de exposição aos diversos poluentes e seus
respectivos efeitos para a saúde e no ambiente.

Sendo assim, para cada circunstância em especial, conseguiu-se estabelecer


os padrões de qualidade do ar. Um padrão de qualidade do ar define
legalmente um limite máximo de determinado componente atmosférico que
garanta a saúde e o bem-estar das pessoas, bem como a integridade dos
ecossistemas.

Aula 3 - Qualidade do ar 45 e-Tec Brasil


O nível de contaminação do ar é medido pela quantificação das substâncias
consideradas poluentes. Relembramos que poluente pode ser entendido
como qualquer substância ou forma de energia presente no ar e que, pela sua
concentração, possa torná-lo impróprio, nocivo, ou ofensivo à saúde,
inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à flora, à fauna,
ou prejudicial ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da
sociedade (Resolução CONAMA nº. 03, de 28 de junho de 1990, que dispõe
sobre os padrões de qualidade do ar no Brasil).

O efeito que um poluente provoca depende de sua concentração, ou seja,


pela proporção em que se apresenta no ar que respiramos. Como já vimos, a
concentração do poluente é expressa em µg/ m³ (micrograma por metro
cúbico) ou ppm (partes por milhão).

Tão importante como a concentração é o tempo de exposição ao poluente, ou


seja, o intervalo de tempo no qual ficamos a respirar um ar com determinados
níveis de toxidade. Podemos suportar níveis relativamente altos de
determinando poluente por intervalo de tempo curto. Porém, valores até mais
baixos suportados por um tempo maior podem causar complicações à saúde
humana.

Assim sendo, os padrões de qualidade do ar estão sempre atrelados às


concentrações máximas de poluentes suportáveis em um dado intervalo de
tempo.

A determinação sistemática da qualidade do ar, por questões prática e face à


frequência de ocorrência e também aos efeitos negativos que provocam no
ambiente, recai sobre um grupo de substâncias que servem de indicadores,
internacionalmente consagrados, a saber: dióxido de enxofre (SO2), material
particulado em suspensão, monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio
(NO2) e ozônio (O3).

O Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão ligado ao


Ministério do Meio Ambiente, decidiu, em 1989, promulgar através da
Resolução CONAMA n°. 05, de 15 de junho de 1989, o Programa Nacional de
Controle da Qualidade do Ar. O PRONAR como é conhecido, passou a servir
como um dos instrumentos básicos da gestão ambiental para a proteção da
saúde e do bem-estar das populações, e melhorias da qualidade de vida com
objetivo de permitir o desenvolvimento econômico e social do país de forma
ambientalmente segura, pela limitação dos níveis de emissão de poluentes
por fontes de poluição atmosférica, com vistas:

 A uma melhoria na qualidade do ar;

 Ao atendimento aos padrões estabelecidos;

 Ao não comprometimento da qualidade do ar em áreas não degradadas.

e-Tec Brasil 46 Aula 3 - Qualidade do ar


O PRONAR prevê também o estabelecimento de estratégias básicas a fim de
limitar, em nível nacional, as emissões por tipologia de fontes e poluentes
prioritários, reservando o uso dos padrões de qualidade do ar como ação
complementar de controle.

De acordo Resolução CONAMA nº. 03, de 28 de junho de 1990, que dispõe


sobre os padrões de qualidade do ar previstos no PRONAR, ficaram
estabelecidos os seguintes conceitos:

 Padrões Primários de Qualidade do Ar são as concentrações de poluentes


que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser
entendidos como os níveis máximos toleráveis de concentração de
poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de controle de curto e
médio prazos.

 Padrões Secundários de Qualidade do Ar são as concentrações de poluentes


abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da
população, assim como o mínimo dano a fauna, a flora, aos materiais e ao
meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como os níveis desejados
de concentração de poluentes, constituindo-se em metas de controle de
longo prazo.

Para a implementação de uma política de não deterioração significativa da


qualidade do ar em todo o território nacional, suas áreas serão enquadradas
de acordo com a seguinte classificação de usos pretendidos:

 Classe I: Áreas de preservação, lazer e turismo, tais como Parques Nacionais


e Estaduais, Reservas e Estações Ecológicas, Estâncias Hidrominerais e
Hidrotermais (Unidades de Conservação da Natureza). Nestas áreas deverá
ser mantida a qualidade do ar em nível o mais próximo possível do verificado
sem a intervenção antropogênica.

 Classe II: Áreas onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja limitado


pelo padrão secundário de qualidade.

 Classe III: Áreas de desenvolvimento onde o nível de deterioração da quali-


dade do ar seja limitado pelo padrão primário de qualidade.

Cabe salientar que o monitoramento da qualidade do ar, objeto de nosso


estudo em capítulo mais adiante, faz parte das avaliações de controle
previstas no PRONAR, considerando-se conhecer e acompanhar os níveis de
qualidade do ar em várias regiões do país. O monitoramento permite que
possamos comparar sistematicamente os níveis de qualidade do ar obtidos
com os respectivos padrões estabelecidos.

Falando um pouco sobre o estabelecimento de padrões, as pesquisas


científicas realizadas nesse campo levam a cabo os efeitos que os poluentes
possam ter sobre a saúde humana, incluindo-se os danos ambientais; fatores,
tais como valores culturais e pesquisas científicas anteriores, assim como a
viabilidade econômica de implantação das medidas de correção.

Aula 3 - Qualidade do ar 47 e-Tec Brasil


A Resolução CONAMA nº. 03/1990 nos apresenta os padrões dos principais
poluentes que devem ser obedecidos em nível nacional, a saber:

(1) --> Não deve ser excedido mais de uma vez ao ano / (2) MGA = média geométrica anual / (3) MMA = média aritmética
anual / (4) A condição de referência para as concentrações é a temperatura do ar de 25°C e pressão atmosférica de
760 mm Hg (1.013,2 milibares).

Fonte: Resolução CONAMA n°. 03/1990.

e-Tec Brasil 48 Aula 3 - Qualidade do ar


Os métodos de amostragem e de análise dos poluentes atmosféricos devem
ter a aprovação do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial), sendo que poderão ser utilizados métodos
alternativos, desde que aprovados pelo IBAMA.

Segundo a Resolução CONAMA n° 03/1990, o monitoramento da qualidade


do ar é uma atribuição dos estados da União, sendo que, no estado do Rio de
Janeiro, cabe ao INEA (Instituto Estadual do Ambiente) a responsabilidade de
efetuar coletas e análises sistemáticas do ar em ambiente urbano e não
urbano para efeito de acompanhamento da qualidade.

A Resolução CONAMA n° 03/1990 estabelece também os níveis de qualidade


do ar para elaboração de Planos de Emergência para Episódios Críticos de
Poluição do Ar, visando à tomada de providências dos governos estaduais,
assim como de entidades privadas e comunidade em geral, com objetivo de
prevenir graves e iminentes riscos à saúde da população.

Os níveis de qualidade do ar são de extrema importância caso os limites


definidos na Tabela 5 sejam ultrapassados, pois caso isso aconteça, à medida
que a concentração de contaminantes aumenta além dos limites
estabelecidos, lentamente os sintomas de toxidade atingirão em primeiro
lugar as pessoas mais sensíveis, como doentes, crianças e idosos. Segundo as
diversas escalas de gravidade da contaminação, as demais não tão sensíveis e
sãs passam a adquirir sintomas de enfermidades específicas para cada tipo de
poluente que estiver acima dos limites legais.

Até os limites admissíveis, a qualificação do ar pode ser “boa”, normalmente


até metade da concentração limite, ou “aceitável”, da metade até o máximo
permitido. A partir de determinadas concentrações de poluentes, os órgãos
governamentais decretam estados de atenção, de alerta ou de emergência
(estados inadequados). No estado de atenção, a qualificação da atmosfera é
“má”. O de alerta recebe qualificação “péssima” e a qualificação do estado
de emergência é considerada “crítica”. Os estados ou níveis são definidos
prevendo-se a manutenção das emissões, bem como condições
meteorológicas desfavoráveis à dispersão dos poluentes nas 24 horas
subsequentes, quando for alcançada uma ou mais das situações a seguir
elencadas:

Aula 3 - Qualidade do ar 49 e-Tec Brasil


Fonte: Resolução CONAMA n° 03/1990.
É importante frisar que os padrões de qualidade atmosférica são regidos por
leis, decretos e outras normatizações federais e estaduais. Alguns estados,
como São Paulo, onde os níveis de poluentes podem ultrapassar os limites
previstos com certa constância, produto da intensa atividade industrial e da
grande frota automotiva, a legislação assume uma condição mais restritiva,
ou seja, admitem menores valores de concentração associados aos problemas
originados por um determinado poluente, quando comparada à legislação
federal.

e-Tec Brasil 50 Aula 3 - Qualidade do ar


No estado do Rio de Janeiro, a extinta Fundação Estadual de Engenharia do
Meio Ambiente (FEEMA), hoje incorporada ao INEA, elaborou em 15 de
março de 1978 a NT (Norma Técnica) n° 603 R.4, constando os critérios e
padrões de qualidade do ar ambiente de referência para as áreas abrangidas
pelo estado.

3.2. Índices de Qualidade do Ar


Os dados de qualidade do ar obtidos pelo INEA são divulgados diariamente
através do portal do órgão (www.inea.rj.gov.br) e também são informados
para os meios de comunicação em massa. Para simplificar o processo de
divulgação dos dados, transformando-os em uma linguagem mais direta,
emprega-se um Índice de Qualidade do Ar – IQA.

O IQA adotado foi concebido com base em experiências acumuladas de vários


anos nos Estados Unidos e Canadá principalmente. A estrutura do IQA
contempla a Resolução CONAMA n° 03/1990 nos seguintes parâmetros:
dióxido de enxofre, partículas totais em suspensão, partículas inaláveis,
fumaça, monóxido de carbono, ozônio e dióxido de nitrogênio.

Para cada poluente medido, é calculado um valor que serve de índice que é
correlacionado com a qualidade do ar. Para efeito de divulgação, é utilizado o
índice mais elevado, apurado em determinada estação de monitoramento, ou
seja, a qualidade do ar de uma estação é determinada pelo pior caso.

A partir dos dados obtidos nas estações de monitoramento da qualidade do


ar, é montada a tabela de IQA. A metodologia adotada para cálculo do IQA
leva em conta equações matemáticas e funções lineares cuja demonstração
foge ao propósito do nosso curso.

No caso do INEA (RJ), foi elaborada a seguinte Tabela:

Aula 3 - Qualidade do ar 51 e-Tec Brasil


Tabela 3.3: Padrões Nacionais de Qualidade do Ar

Fonte: INEA (www.inea.rj.gov.br)


Acessado em 27/09/2011.

e-Tec Brasil 52 Aula 3 - Qualidade do ar


Atividades Propostas
Vamos verificar os seus conhecimentos? Tente resolver as questões.

1. O que é o padrão de qualidade do ar referente à determinada substância?

________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

2. O efeito de um poluente na atmosfera se caracteriza pela interação dos


seguintes parâmetros:

a. Concentração do poluente e sua capacidade de dispersão;

b. Padrão de qualidade do ar e concentração do poluente;

c. Concentração do poluente no ar e o tempo de exposição de organismos


vivos a esse poluente;

d. O tempo de exposição dos seres humanos ao poluente e o padrão de


qualidade do ar.

3. Assinale o grupamento de substâncias internacionalmente consagradas


como indicadores de poluição do ar.

a. Dióxido de Nitrogênio, Dióxido de Enxofre, Amônia, Gases Nobres e


Ozônio.

b. Amônia, Material Particulado, Dióxido de Carbono, Vapor d'água e


Ozônio.

c. Dióxido de Carbono, Dióxido de Nitrogênio, Dióxido de Enxofre, Material


Particulado e Ozônio.

d. Monóxido de Carbono, Dióxido de Nitrogênio, Dióxido de Enxofre,


Material Particulado e Ozônio.

Aula 3 - Qualidade do ar 53 e-Tec Brasil


4. O que são padrões primários e secundários de qualidade do ar?

________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

5. Qual é a importância de se definir os critérios dos níveis de qualidade do ar?

________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

e-Tec Brasil 54 Aula 3 - Qualidade do ar


Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT NBR 8.969 –


Poluição do Ar – Terminologia. Julho/ 1985.

BRANCO, S. M. & MURGEL, E. Poluição do Ar. São Paulo: Editora Moderna,


2006. 112 p.

DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. São Paulo:


Editora Signus, 2007. 192 p.

LISBOA, H. de M. (Coord.). Controle da poluição atmosférica. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro Tecnológico/ Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2007. 390 p.

SUGUIO, K. Mudanças ambientais da Terra. São Paulo: Instituto Geológico,


2008. 336 p.

Aula 3 - Qualidade do ar 55 e-Tec Brasil


Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de
poluentes atmosféricos

A autodepuração e neutralização dos poluentes no ar são processos naturais


nos quais ocorre a diluição ou eliminação dessas substâncias com a
participação dos sorvedouros que se encarregam de tentar ou dar um fim ao
problema. A dispersão atmosférica se dá, basicamente, pela dissipação dos
poluentes cujos principais agentes atuantes são os ventos, as chuvas, as
transformações químicas e/ou fotoquímicas e a assimilação biológica.

A concentração de determinada substância na atmosfera varia no tempo e no


espaço em função de fatores como ocorrência de reações químicas e/ ou
fotoquímicas, dos fenômenos de transporte, de condicionantes
meteorológicos (ventos, turbulências, etc) e do tipo de relevo. Destacamos
que a análise dos dados meteorológicos assume vital importância quando da
necessidade de avaliação da dissipação de poluentes atmosféricos, pois a
qualidade do ar pode piorar ou melhorar dependendo de as condições do
tempo estarem desfavoráveis ou favoráveis à dispersão dessas substâncias.
Usar os recursos meteorológicos de equipamentos e informação como aliados
à dispersão de poluentes pode significar mais do que se imagina. Vamos então
entender melhor esse ramo da ciência.

4.1. Tempo e Clima


Ao leitor serão apresentadas, neste tópico, algumas considerações a respeito
de meteorologia: ciência que estuda os fenômenos físicos que influenciam
nas diversas manifestações da atmosfera, objetivando-se efetuar a previsão
do tempo. Antes de abordarmos a autodepuração de substâncias poluentes
atmosféricas, é oportuno tratarmos das diferentes formas de comportamento
da atmosfera em função de determinadas condicionantes climáticas.

Podemos dizer que duas palavras-chave tornam-se relevantes: tempo e clima.


O que é o tempo? O que é o clima? Quais as diferenças entre esses termos? O
tempo pode ser definido como o estado da atmosfera em determinado
instante e lugar (ex.: Hoje está chovendo.). O clima tem sido frequentemente
definido como um tempo médio , ou seja, a média das condições de tempo
ao longo do período de algumas décadas. Resumidamente, tempo é o que
vemos acontecer na atmosfera em dado momento. Já clima é aquilo que
esperamos que aconteça no ar ambiente. Mas, como entender melhor as
sutilezas entre tempo e clima? E como a atmosfera pode influir na dispersão
de poluentes?

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 57 e-Tec Brasil


No dia-a-dia, observamos os sistemas de tempo provocando as variações que
afetam as atividades dos seres vivos. Como sabemos, em sua órbita ao redor
do sol, a Terra passa por diferentes exposições à radiação solar ao longo do
ano. Seu clima é definido por dois fluidos: o ar e a água. Ambos possuem
dinâmicas próprias e interagem entre si e com a litosfera e seus ecossistemas.
O combustível fundamental para a dinâmica da atmosfera e dos oceanos é a
energia recebida do Sol.

O aquecimento da superfície terrestre se dá pela incidência dos raios solares.


Quanto mais próximos de uma incidência vertical, maior a taxa de
aquecimento da superfície, representando em média 342 Watts por m².
Quando o ângulo de incidência é de 45°, esse valor desce para 242 Watts por
m². O watt, ou vátio (símbolo: W), é a unidade de potência do Sistema
Internacional de Unidades (SI). É equivalente a um joule por segundo (1 J/s).

Equações: W = J·s-1

1W = 1J
s

J = kg.m2.s-2

1J = 1kg . m2
s2
As regiões equatoriais têm um excesso de energia, ao passo que, à medida
que caminhamos para norte ou para sul a partir da linha do Equador, a energia
torna-se escassa, culminando no máximo de carência nos pólos. Os fluidos
entram em ação, encarregando-se de redistribuir o calor das regiões com
excesso para aquelas deficitárias. A atmosfera promove essa redistribuição
através de movimentos de massas de ar. O excedente de energia nas regiões
equatoriais faz com que o ar aquecido, úmido e instável se eleve, induzindo a
formação de nuvens profundas que atingem o final da troposfera, a cerca de
15-18 km de altitude. Esse ar é então resfriado, seco e estável, descendo nos
subtrópicos, a 30° de latitude norte e sul, formando uma célula de circulação
denominada de célula de Hadley. Entre as latitudes 30° e 60° e entre 60° e os
polos, fenômenos semelhantes e com menos energia também ocorrem,
compondo as células de latitudes médias e as polares, respectivamente (Figura
4.1, no final deste item).

As frentes são outras formas de redistribuição de calor. Quando o ar frio vindo


dos polos avança para zonas subtropocais e tropicais, temos as frentes frias. O
inverso, ou seja, o avanço do ar quente para regiões frias definem as frentes
quentes.

Trabalhemos agora alguns termos em Meteorologia, adotados pelo Instituto


Nacional de Meteorologia (INMET www.inmet.org.br), visando reforçar
certos conceitos:

e-Tec Brasil 58 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


 Ventos: são movimentos horizontais e, às vezes, verticais do ar, efeitos das
diferenças de pressão de um local para outro. Isso faz com que o ar esteja
sempre se movimentando, sendo que as zonas de baixas pressões atraem
zonas de altas pressões. Podemos afirmar que o vento é o ar em
movimento. A velocidade do vento de superfície é medida pelo
anemômetro e registrada pelo anemógrafo. O vento flui, em geral,
horizontalmente sobre a superfície da Terra. Os ventos apresentam
características como direção, velocidade e tipologia (rajadas e ventanias).
Os ventos de altitude são detectados por balões dirigidos, aeronaves e
sondas meteorológicas.

 Pressão Atmosférica: é a pressão exercida pela atmosfera sobre qualquer


superfície, em virtude de seu peso. Equivale ao peso de uma coluna de ar de
corte transversal unitário, que se estende desde um dado nível até o limite
superior da atmosfera. Sua medida pode ser expressa em milibares, em
polegadas ou em milímetros de mercúrio (Hg). É também conhecida como
pressão barométrica. A pressão atmosférica varia de lugar para lugar. Essa
variação é causada pela altitude e pela temperatura do ar.

 Umidade Relativa do Ar: é a quantidade de vapor de água contida na


atmosfera. Ao subirem para a atmosfera, as gotículas de água se
concentram, formando nuvens, ao se resfriar, a água se precipita, em forma
de chuva. A chuva é um tipo de precipitação chamada de pluvial. O
instrumento que mede a umidade do ar é o higrotermômetro e o que
registra é o higrotermógrafo.

 Temperatura do Ar: é a quantidade de calor que existe no ar. Ela é medida


pelo termômetro meteorológico, que é diferente do termômetro clínico. A
diferença entre a maior e a menor temperatura chama-se amplitude
térmica.

 Frentes: faixa de nuvens geralmente bem definidas em imagens de satélites


e cartas meteorológicas que ocorre entre duas massas de ar diferentes.
Trata-se do limite entre duas massas de ar diferentes que tenham se
encontrado. Temos dois tipos de frentes: as frias e as quentes, todas
associadas com chuvas.

 Frente Fria: é a extremidade principal de uma massa de ar fria que avança


deslocando o ar quente de seu caminho. Geralmente, com a passagem de
uma frente fria, a temperatura e a umidade diminuem e o vento muda de
direção (normalmente do noroeste para o sudeste no Hemisfério Sul).
Precipitação, geralmente, antecede ou sucede à frente fria e, de forma
muito rápida, uma linha de tormenta pode antecipar ao sistema frontal.

 Frente Quente: é a extremidade principal de uma massa de ar quente que,


ao avançar, substitui uma massa de ar relativamente fria que está em
processo de dissipação. Geralmente, com a passagem de uma frente
quente, a temperatura e a umidade aumentam, e, embora os ventos

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 59 e-Tec Brasil


troquem de direção (em geral, do sudeste para o noroeste no Hemisfério
Sul), a passagem de uma frente quente não é tão pronunciada quanto a
passagem de uma frente fria. Precipitação em forma de chuva ou garoa,
geralmente, antecede à frente na superfície, assim como chuvas
convectivas. Sob temperaturas mais frias, nevoeiros também podem
anteceder a entrada da frente quente. Em geral, o ar fica mais claro depois
da passagem da frente, mas algumas condições para nevoeiro também
podem ser produzidas pelo ar quente.

 Estabilidade Atmosférica: ocorre quando há ausência de movimentos


convectivos ascendentes. Pode gerar névoas e nevoeiros; pode ocorrer
precipitação leve e contínua e haver restrição de visibilidade e dificuldades
de dispersão de poluentes presentes no ar.

 Instabilidade Atmosférica: ocorre quando predominam os movimentos


convectivos ascendentes. Produz nuvens profundas e pesadas, que
podem gerar precipitação em forma de pancadas e, com exceção dos
períodos de precipitação, boa visibilidade e dispersão de poluentes.

 Turbulência: são movimentos irregulares e instantâneos do ar, compostos


de redemoinhos. A turbulência atmosférica é causada por flutuações
fortuitas no fluxo do vento. Pode decorrer de uma corrente térmica ou de
correntes convectivas, diferenças de tipos de superfícies e na velocidade
do vento ao longo de uma zona fronteiriça, bem como variação de
temperatura e pressão.

 Camada Limite Planetária (CLP): a CLP pode ser definida como a parte
da troposfera que é diretamente influenciada pela superfície terrestre e
que responde aos agentes de modificação superficiais em uma escala
curta de tempo.

 Precipitação Pluviométrica: consideram-se precipitação todas as formas


de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo, como
garoa, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e
partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em milímetros
(litros/ m²).

e-Tec Brasil 60 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


Figura 4.1: Circulação geral da Atmosfera.
Fonte: pt.encydia.com/gl/Circula%C3%A7%C3%A3o_geral_atmosf%C3%A9rica.
Acessado em 27/09/2011.

4.2. Inversão térmica


As áreas onde ocorre pouca ou nenhuma ascensão de correntes de ar quente
e descenso de ar frio se caracterizam pela calmaria e pela estabilidade do ar
(centros de alta pressão). O ar que sobe em determinado ponto acaba
descendo em algum outro lugar. Ao descer, o ar é comprimido e, desta forma,
aquecido, formando camadas de inversão térmica, em que o ar mais quente
fica por cima de uma camada de ar mais frio. As inversões térmicas formam
tampões que não permitem a ascensão de correntes de ar quentes a partir da
superfície terrestre, razão pela qual inibem a formação de nuvens. Além disso,
as inversões térmicas quando ocorrem em baixa altitude (100 a 300 metros)
impedem a dispersão vertical de substâncias poluentes emitidos pelas diversas
atividades humanas (industriais, transportes individuais/coletivos e
queimadas de áreas agrícolas e de florestas), o que é visualizado por meio da
coloração marrom da camada de retenção na baixa atmosfera.

É importante destacar que a inversão térmica é um fenômeno natural, sendo


registrada em áreas urbanizadas e também em áreas rurais com baixo grau de
industrialização. Esse fenômeno se intensifica durante o inverno, pois nessa

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 61 e-Tec Brasil


época do ano, em virtude da perda do calor diurno, o ar próximo à superfície
do solo fica mais frio do que o da camada logo acima. As raras chuvas durante
o inverno pouco contribuem para a 'limpeza' do ar, o que acaba também
agravando a situação.

4.3. Circulação de brisas


A circulação de brisa é um fenômeno local devido essencialmente a um
aquecimento diferente do solo. No caso de brisa terra-mar, o aquecimento
diferente da água do mar em relação ao solo provoca, durante o dia (água do
mar mais fria que a superfície terrestre), um fluxo, nas proximidades do solo,
do mar para a terra.

Pela noite (terra mais fria que a água do mar), o ciclo é o mesmo com o fluxo
invertido, do solo para o mar. Durante o dia, o ar proveniente do mar é mais
estável que o da terra. Por este motivo, na terra, elevando-se em altura,
encontra-se primeiro uma camada instável e depois uma estável.

A brisa de vale-montanha é provocada pelas diferentes exposições das


paredes à radiação solar. Durante o ciclo diurno se instaura uma circulação
que afeta o fundo do vale e os cumes. Em particular, a circulação no vale pode
ser subdividida em fluxos que afetam a inclinação lateral, o fluxo ao longo do
vale e, naturalmente, os dois fenômenos ao mesmo tempo. Depois do
poente, o ar próximo ao terreno nos lugares mais altos se resfria mais que o do
fundo do vale. O terreno nas proximidades dos topos e dos cumes se resfria
através de processo radioativo e, como consequência, resfria o ar restante. Em
seguida, o ar se torna mais frio e denso e desce pela inclinação do vale, dando
origem aos chamados ventos catabáticos.

Do fundo do vale, parte um fluxo que atinge as partes mais elevadas,


fechando a circulação. Com o tempo, o fluxo catabático tende a resfriar o ar
do fundo do vale e, como consequência, cria uma inversão no perfil de
temperatura. Depois do amanhecer, o sol começa a aquecer as paredes do
vale e, como consequência, o ar nas proximidades do terreno se aquece,
tornando-se menos denso, e então se eleva com um fluxo através de alturas
mais elevadas chamado de vento anabático.

Tal fluxo tende a romper a inversão de temperatura nas alturas e instaura uma
zona de mistura no fundo do vale que cresce no tempo, afetando as camadas
da atmosfera mais elevadas. A noite é caracterizada por um fluxo que desce
ao longo do fundo do vale em direção à boca do vale (vento de drenagem)
com um fluxo de retorno que sobe do vale em alturas elevadas. Durante o dia,
ocorre um fluxo que sobe do vale (vento de vale) com um fluxo em direção
contrária em alturas mais elevadas.

e-Tec Brasil 62 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


Figura 4.2: Inversão térmica.
Fonte: CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) S.P.

4.4. Dispersão de poluentes do ar


4.4.1. Estabilidade, Instabilidade e Dispersão
Atmosférica de Poluentes
Os gases, por definição, tendem a adquirir o máximo de volume pela
expansão, pois suas moléculas possuem grande mobilidade e capacidade de
se afastar umas das outras. A dissipação depende de fatores ambientais, tais
como temperatura do ar, pressão atmosférica, ventos, tipo de relevo, dentre
outros.

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 63 e-Tec Brasil


As chuvas podem contribuir significativamente no processo de limpeza do ar,
pois quando caem acabam arrastando consigo os poluentes, levando-os para
a superfície. As partículas de origem natural ou antropogênica presentes na
em suspensão na atmosfera podem se constituir de núcleos de condensação
de vapor d'água. Para haver a formação de nuvens, é preciso que o ar quente e
úmido se levante, se resfrie com a ascensão e se condense para formar as
gotas que, segundo condições específicas, caem como chuva.

As condições que favorecem a acumulação e concentração de poluentes no ar


são contrabalanceadas pelos processos naturais de limpeza e remoção de
poluentes. Alguns aerossóis são removidos do ar quando se chocam com
estruturas e construções e a elas aderem. Aerossóis pesados e largos possuem
grandes velocidades terminais e depositam-se mais rapidamente do que os
menores. Por essa razão, aerossóis maiores tendem a depositar-se na
superfície, enquanto os menores podem ser transportados por muitos
quilômetros e atingir grandes altitudes antes de depositar-se. A deposição de
determinados poluentes em superfícies pelo processo de sedimentação é
denominada de imissão atmosférica. A maioria da remoção natural da
poluição é feita pela chuva. Através de uma observação atenta, nós sabemos
que o ar parece limpo apenas depois de uma chuva. De fato, nas regiões que
possuem uma precipitação moderada, essa varredura através da chuva é
responsável pela remoção de 90% dos aerossóis. Embora os gases poluentes
sejam menos susceptíveis a essa varredura que os aerossóis, eles também se
dissolvem nas gotas de chuva ou nas nuvens.

Outros fatores meteorológicos vão fazer com que esses gases, aerossóis e
poeiras sejam diluídos no ambiente, como é o caso das células de convecção
de colunas de ar quente e úmido formadas em horas mais favoráveis de
instabilidade atmosférica. Nesses casos, ocorre o arraste das substâncias
indesejáveis para cima, onde são dispersos pelos ventos de camadas de ar
superiores ou pelas chuvas que, normalmente, ocorrem como consequência
da ascensão dessas massas de ar.

A fim de facilitar a caracterização do nível de estabilidade do ar, foram criadas


classes vinculadas aos parâmetros climatológicos, a saber:

e-Tec Brasil 64 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


Classes de Estabilidade de Pasquill

Fonte: do autor.

Através de equipamentos simples como anemômetro (ventos) e piranômetro


(radiação solar), e pelo índice de cobertura de nuvens, enquadramos as
distintas classes de estabilidade atmosférica. A determinação da cobertura de
nuvens pode ser feita através da observação visual, quando dividimos o céu
em 8 partes, desprezando as partes próximas do horizonte onde, por efeito de
perspectiva, a quantidade de nuvens pode ser confundida com poeiras em
suspensão. A quantidade parcial ou total de nuvens é expressa por uma fração
proporcional à área encoberta em relação ao total da abóbada celeste.

Em ambientes industriais contaminados, chaminés, lançando constantemen-


te fumaça composta de gases e aerossóis para o ar, geram uma massa de
poluentes em forma de pluma. O comportamento da pluma em processo de
dissipação é bastante variável, influenciado pelo tipo de geração e das
condições meteorológicas reinantes no local da emissão.

Em Meteorologia, denominamos de mudanças adiabáticas quando um


determinado gás ou vapor se expande ou se comprime no ar sem extrair ou
ceder calor para o meio. A energia para execução destes trabalhos é extraída/
cedida pelo próprio gás. Sabemos que o estudo da variação vertical de
temperatura no ar apresenta grande importância, pois condicionam a
possibilidade de ocorrência dos movimentos de ascensão e descenso das
colunas de ar, determinando os níveis de estabilidade atmosférica e a
dispersão de poluentes.

Considerando a NBR 8.969/1985, atmosfera estável é aquela que ocorrem


quando há restrições do movimento de ascensão do ar, apresentando
condições precárias para a dispersão vertical. Já a instável é quando ocorrem
intensificações na turbulência do ar, com condições satisfatórias à dissipação
de poluentes. É cabível destacar que as colunas ascendentes de ar quente e
seco, ao se elevarem, se resfriam com a expansão. Normalmente, a cada 100
metros de altitude a temperatura cai de 0,98 a 1°C.

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 65 e-Tec Brasil


As características das condições atmosféricas para efeito da determinação
prática da estabilidade do ar podem ser resumidas no quadro a seguir:

Estabilidade e Instabilidade Atmosférica

Aml bgÌ Ï mb_ Aml bgÌ ¸ cq Djs vmbc a_jmp L atureza da


Atmosfera Típicas do Turbulência
Tempo

Gl qrÁt cj Meio dia / céu Ascendente Horizontal e


limpo ou com vertical
nuvens de chuva
em formação /
ventos leves

Neutro Ventos/ nublado Inexistente Baixo alcance


ou em transição

Estável Noite/ céu limpo/ Descendente Vertical


ventos leves

Fonte: Meteorologia e Dispersão Atmosférica - Henrique de Melo Lisboa (2007).

A escala de Beaufort é utilizada para avaliar-se a intensidade dos ventos e suas


consequências em função da velocidade do ar em movimento.

Escala de Beaufort para avaliação da velocidade do vento


DmpÌ _ Intensidade Velocidade Efeitos
(Km/h)

0 Calmo 0 A fumaça sobe verticalmente .

1 Ar leve 1+ A fumaça se dispersa lentamente .

2 Brisa leve 6+ As folhas farfalham .

3 Brisa suave 12+ Gravetos movem-se, bandeiras


desfraldam-se .

4 Brisa moderada 20+ A poeira levanta-se .

5 Brisa viva 30+ Pequenas árvores movem-se .

6 Brisa forte 40+ Galhos grandes balançam .

7 Quase vendaval 51+ Árvores balançam, é difícil caminhar


ao vento.

8 Vendaval 62+ Galhos caem, é muito difícil caminhar


ao vento .

Fonte: do autor.

e-Tec Brasil 66 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


4.4.2. Modelos de dispersão atmosférica
As atividades industriais, em geral, são movidas pela queima de algum tipo de
combustível, gerando plumas gasosas, sendo necessário o emprego de
dispositivos de liberação dessas emissões para o ambiente. As chaminés são
dutos destinados à remessa de gases, vapores e material particulado para o ar.
As chaminés, fontes fixas de emissão, podem ter acoplados a ela equipamen-
tos de controle e de monitoramento de poluentes emitidos pela indústria,
assuntos que serão oportunamente estudados em capítulos posteriores.

A difusão livre horizontal de uma emissão em uma atmosfera totalmente


estável e calma é tal que sua intensidade diminui inversamente proporcional
ao quadrado da distância em relação à fonte de geração. Deve-se ressaltar
que poluentes em difusão horizontal numa área aberta podem ser mitigados
mediante zonas de bloqueio ou cortinas vegetais semipermeáveis, pois a
diluição será bem maior ao passar por estes obstáculos.

Para uma avaliação completa, é necessário caracterizar os tipos de estabili-


dade atmosférica, calcular a altura efetiva de lançamento da chaminé, definir
as condições de emissão (taxa, dimensão e forma da saída, localização
geográfica, etc), levantar as condições meteorológicas locais e utilizar um
modelo teórico de dispersão adequado ao caso.

Os modelos de dispersão possuem limitações visto que são cartesianos, porém


servem para, em linhas gerais, traçar diretrizes para solucionar um problema
de grande complexidade. O tratamento clássico assume que a nuvem de
emissões se move a favor do vento e vai se misturando e diluindo com o ar
devido à turbulência. Os modelos matemáticos procuram simular o que
acontece no mudo real. Sabemos que a turbulência está correlacionada a um
grande número de fatores de instabilidade os quais não podem ser previstos
pelas equações matemáticas, e ainda hoje temos um conhecimento
incompleto dos fenômenos envolvidos no transporte, dissipação e deposição
de substâncias emitidas para o ar.

A elaboração de modelos matemáticos foi iniciada em 1932, por P. Sutton, na


Inglaterra. F. Pasquill idealizou em 1960 um tratamento modificado que é um
dos mais empregados na prática. Mais recentemente (1994), D. B. Turner
desenvolveu novas aplicações e apresentou algumas soluções para questões
específicas.

Existem 03 grandes grupos de modelos de dispersão atmosférica:

 Modelos de Pluma Gaussiana;

 Modelos para Gases Pesados;

 Modelos Numéricos a Três Dimensões.

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 67 e-Tec Brasil


Os modelos Gaussianos nos permitem calcular, em qualquer ponto do espaço
tridimensional, o valor da concentração de poluentes em função da
quantidade emitida, da altura de liberação, da velocidade do vento e da
estabilidade do ar. Os modelos são bem adequados para avaliações
preliminares e simplificadas nos casos de emissões tóxicas de pequenas
concentrações.

As hipóteses teóricas de aplicação dos modelos Gaussianos são relativamente


restritivas, a saber:

 Condições meteorológicas não extremas, com velocidade do vento entre 1


e 10 m/s;

 Ausência do efeito da densidade do gás na fase inicial da liberação;

 Terreno plano com ausência de obstáculos;

 Distância de observação superior a 100 metros.

4.4.3. Tipos de Plumas de Chaminés


As plumas representam o fluxo da emissão atmosférica de uma fonte
específica como uma chaminé. O impacto ambiental dos poluentes presentes
no fluxo que está sendo lançado não depende somente do tipo de fonte e das
suas concentrações, mas também da forma de lançamento e das condições
do meio para a dispersão. Após a emissão, é necessário avaliar a dispersão da
nuvem de gás ou vapor, considerando seu deslocamento e transporte pelos
agentes atmosféricos.

Ao ser emitida a pluma, esta assume uma tendência ascensional e, logo em


seguida, adquire um movimento transversal acompanhado de difusão a partir
da linha do centro. A pluma com comportamento ideal é caracterizada pela
queda das partículas de maior peso sobre o solo e pela ascensão das partículas
mais finas até perderem energia cinética e caírem na superfície, bem como
pela dissipação de substâncias e gases tóxicos.

Os tipos de plumas mais comuns são os seguintes:

4.4.3.1. Pluma serpenteante


Ocorre em dias de atmosfera instável, em dias típicos de verão (ensolarado) e
com ventos fracos.

Figura 4.3: Condição serpenteante (alta instabilidade).


Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

e-Tec Brasil 68 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


4.4.3.2. Pluma cônica
Ocorre em dias ensolarados, com tendência a ficarem nublados (dias com
tempestades de verão), com ventos de intensidade média. Perfeitamente
visível ao final do dia, quando a atmosfera fica neutra.

Figura 4.4: Condição cônica (neutra).


Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

4.4.3.3. Pluma tubular


Ocorre em dias de grande estabilidade atmosférica, com ausência de efeitos
mecânicos de movimentos de colunas de ar. Manifestação típica do fim de
tarde, à noite e ao amanhecer.

Figura 4.5: Condição tubular (inversão térmica).


Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

4.4.3.4. Pluma fumegante


Ocorrendo quando a pluma fica aprisionada em uma capa de inversão a qual
sofre um rompimento na parte inferior, ocasionando elevadas concentrações
de poluentes ao nível do solo. É típico nas primeiras horas após a saída do sol,
que provoca instabilidade junto ao solo, após uma noite com inversão térmica
ou de grande estabilidade do ar.

Figura 4.6: Condição fumegante (rompimento da inversão térmica).


Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 69 e-Tec Brasil


4.4.3.5. Pluma antifumegante
Ocorrendo quando a pluma possui energia suficiente para atravessar a capa
superior de inversão.

Figura 4.7: Condição antifumegante (rompimento da capa superior de inver-


são térmica).
Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

4.4.3.6. Pluma Trapping


Ocorre em condição de neutralidade atmosférica ou levemente instável
abaixo da inversão.

Figura 4.8: Condição trapping (instabilidade parcial da inversão térmica).


Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

4.4.4. Cálculo da altura efetiva de uma chaminé


A dispersão de gases e vapores se inicia em uma altura fictícia, superior à
altura física da chaminé construída, chamada de altura efetiva da chaminé, o
que é promovido pela tendência ascensional da pluma ao sair da chaminé.

Logo, a altura efetiva da estrutura (hef) leva em conta um acréscimo em relação


à sua altura física:

hef = hg + h, onde:

hg => altura física da chaminé

h => altura de elevação da pluma em relação ao topo da chaminé

e-Tec Brasil 70 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


Figura 4.9: Altura efetiva da chaminé.
Fonte: www.ens.ufsc.br/grade/disciplinas/ens5235/Dispers%E3o%20atmosf%E9rica1.pdf
Acessado em 27/09/2011.

A altura efetiva da chaminé constitui a altura a partir da qual a pluma torna-se


passiva e passa a seguir o movimento do ar predominante. Existem várias
equações formuladas para cálculo de h, considerando parâmetros de
projeto de estruturas e variáveis ambientais, prevendo um acréscimo de 10 a
20 % referente à sua altura física.

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 71 e-Tec Brasil


Atividades Propostas
Vamos verificar os seus conhecimentos? Tente resolver as questões.

1. Diferencie os conceitos de tempo e clima.

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2. Como é realizada a distribuição de energia solar na atmosfera planetária a


partir das regiões equatoriais na direção dos polos norte e sul?

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3. Quais são as diferenças entre frentes frias e frentes quentes?

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4. Como ocorre a inversão térmica na atmosfera e qual a relação existente


entre esse fenômeno e a dispersão de poluentes?

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e-Tec Brasil 72 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


5. O que é imissão atmosférica?

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6. Marque o conjunto de fatores/fenômenos climatológicos responsáveis


pela dispersão e/ou diluição natural de gases poluentes e aerossóis na
atmosfera:

a. chuvas, ventos, radiação solar, temperatura do ar e umidade relativa do ar.

b. chuvas, insolação, inversão térmica, umidade relativa do ar e neblina.

c. chuvas, ventos, turbulência, insolação e ascensão vertical do ar.

d. temperatura do ar, insolação, nebulosidade, turbulência e descenso de


massas de ar.

7. Escolha e explique 03 tipos de plumas de chaminés:

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8. Comente a respeito da forma de dispersão da pluma e sua relação com o


cálculo da altura efetiva de uma chaminé:

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Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 73 e-Tec Brasil


Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT NBR 8.969


Poluição do Ar Terminologia. Julho/ 1985.

BRANCO, S. M. & MURGEL, E. Poluição do ar. São Paulo: Moderna, 2006.


112 p.

DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. São Paulo:


Signus, 2007. 192 p.

LISBOA, H. de M. (Coord.) Controle da poluição atmosférica. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro Tecnológico/ Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2007. 390 p.

SUGUIO, K. Mudanças ambientais da Terra. São Paulo: Instituto Geológico,


2008. 336 p.

e-Tec Brasil 74 Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos


Saiba mais...

Para pesquisa, alguns links interessantes:

www.inpe.br (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

www.inmet.gov.br (Instituto Nacional de Meteorologia)

www.mma.gov.br (Ministério do Meio Ambiente)

www.cetesb.sp.gov.br (CETESB)

www.inea.rj.gov.br (INEA)

www.ibama.gov.br (IBAMA)

www.weather.com/brasil (Weather Brasil)

www.cptec.inpe.br (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos -


CPTEC)

www.abnt.org.br (Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT)

http://www.ens.ufsc.br/ppgea/grade/ens3126.html (Controle da Poluição


Atmosférica UFSC)

Aula 4 - Mecanismos de autocontrole de poluentes atmosféricos 75 e-Tec Brasil


3ª Etapa
Aula 5 - Metodologias de controle da
poluição do ar

Objetivos
 Conhecer as metodologias de controle da poluição do ar das
fontes de geração;

 Conhecer os principais equipamentos e seus princípios de


funcionamento no controle de cargas poluidoras do ar;

 Conhecer os principais critérios para a instalação de indústrias


poluentes levando-se em consideração os controles adotados
pelas empresas e sua localização em função de zoneamentos
econômico-ecológicos regionais.

De acordo com vários autores, o processo de poluição do ar se resume a três


momentos: (1) emissão de poluentes para a atmosfera a partir de uma fonte;
(2) transporte, diluição e modificação química ou física dos poluentes na
atmosfera; (3) imissão ou decaimento dos poluentes para superfícies. Vide
Figura 5.1:

Figura 5.1: Fases da Poluição do Ar.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 79 e-Tec Brasil


Os problemas de minimização e/ou eliminação da poluição atmosférica
englobam a adoção isolada ou conjunta de métodos técnico-científicos
conhecidos, tais como:

 Planejamento Territorial e Zoneamento, relacionado às limitações no


número de fontes em função dos padrões de emissão e de qualidade do
ar; proibição de tipos de indústrias em certas áreas, localização seletiva da
empresa segundo zoneamento econômico-ecológico definido pela
legislação ambiental em vigor, etc.;

 Eliminação e minimização de poluentes, considerando a utilização de


combustíveis e matérias-primas de baixo potencial poluidor, o emprego de
processos de produção com menor emissão de poluentes, a adequação e
manutenção de equipamentos industriais, redução da quantidade de
poluentes gerados através do funcionamento de máquinas e
equipamento nas suas capacidades nominais de trabalho, trocas de
combustíveis sólidos e líquidos por gasosos, etc.;

 Concentração dos poluentes na fonte para tratamento antes do


lançamento, relacionado à necessidade de se juntar os poluentes que
serão tratados antes de serem lançados na atmosfera;

 Diluição e mascaramento de poluentes, referente basicamente ao uso de


chaminés elevadas e ao emprego de substâncias que possibilitem reduzir a
emissão de compostos indesejáveis. Chaminés elevadas poderão eliminar
o problema na área de influência direta da indústria, mas acarretará o
lançamento de substâncias contaminantes e partículas na atmosfera se
não houver mecanismo de controle associado;

 Equipamentos de controle de poluentes, através da adoção de dispositivos


e equipamentos que removem os poluentes antes do lançamento para o
ar.

De um modo geral, há dois métodos básicos pelos quais se pode controlar a


emissão de poluentes atmosféricos (e odores) nos processos industriais, que
estão divididos em dois grupos:

1. Métodos indiretos, tais como modificação do processo e/ou equipamento;

2. Métodos diretos ou técnicas de tratamento ou controle das fontes


poluidoras, tais como a implantação de dispositivos e equipamentos de
remoção de cargas poluidoras.

Os métodos indiretos aliados aos diretos de controle visam unicamente


reduzir ou remover completamente as cargas poluidoras existentes na maior
parte das emissões gasosas industriais ou não industriais.

Daremos destaque nas próximas páginas aos métodos diretos e indiretos de


controle nas atividades industriais e não industriais, trabalhando nos
contextos das fontes fixas ou estacionárias e das fontes móveis.

e-Tec Brasil 80 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


5.1. Técnicas de controle ambiental de
fontes fixas e móveis.
As fontes fixas englobam tanto aquelas de origem industrial como as de
origem não industrial (lavanderias, hotéis, hospitais, unidades de tratamento
de resíduos sólidos, etc.). As técnicas de controle devem considerar as
modificações no processo produtivo como o uso de equipamentos de
controle.

Os equipamentos e dispositivos de controle devem ser escolhidos de acordo


com o estado físico do poluente, com o percentual de limpeza desejada do
fluxo contaminado, com as propriedades do gás de transporte e do
contaminante e em função do nível de investimento (relação custo/ benefício).

As fontes móveis, principalmente o controle de emissões de veículos


automotivos, serão tratadas quando da explanação do funcionamento dos
incineradores catalíticos.

5.1.1. Controle de material particulado


A retenção de partículas originadas de gases residuais é um dos problemas de
maior importância dentro do contexto da limitação da emissão de
contaminantes gasosos. Estes são responsáveis por elevado número de
fenômenos que depende da concentração e tempo de exposição.

Do ponto de vista meteorológico, as partículas se comportam como núcleos


de condensação, favorecendo a formação de neblinas que modificam o
microclima nas zonas altamente contaminadas. Do ponto de vista sanitário, as
partículas em suspensão representam um grave perigo para pessoas afetadas
por enfermidades, como bronquites crônicas e outros males.

Por outra parte, é grande a influência na vegetação, pois, uma vez depositado
em tecidos como folhas e ramos, obstruem a superfície foliar, dificultando o
desenvolvimento de muitas das atividades biológicas, como a fotossíntese.

A retenção das partículas é um problema bastante complicado que carece de


uma solução única. Junto ao aspecto da separação em si, encontram-se
fenômenos, tais como: perda de carga, resfriamento da corrente gasosa e
outros, que nos obrigam a estudar os casos em particular, elegendo o sistema
mais adequado em cada circunstância.

5.1.1.1. Coletores Secos


A coleta de partículas em coletores secos envolve uma série de fenômenos,
tais como:

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 81 e-Tec Brasil


a. Sedimentação gravitacional

A sedimentação gravitacional é um mecanismo de deposição importante


somente para partículas grandes (maiores que 40 micra). A eficiência de
coleta de partículas através de sedimentação gravitacional é função da
velocidade terminal das mesmas. O equipamento empregado nesse caso é um
coletor seco tipo câmara de sedimentação, possuindo dimensões grandes o
suficiente para reduzir a velocidade do fluxo gasoso, de forma que as
partículas maiores em suspensão tenham tempo para se depositar.

A câmara de sedimentação apresenta importância relativa em termos de


controle da poluição do ar, pois não separa as frações menores que 40 micra.
O seu uso mais comum é como pré-coletor com finalidade de retirar partículas
grossas diminuindo a sobrecarga do equipamento de controle final. Uma
forma de aumentar a eficiência de uma câmara de sedimentação
gravitacional é a adição de chicanas ou anteparos. Outros mecanismos vêm a
somar-se à gravitação, como a impactação e a inércia.

Figura 5.2: Câmara de sedimentação gravitacional com chicanas.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

b. Força centrífuga

A força centrífuga age sobre partículas que estejam em movimento em uma


trajetória circular, fazendo com que a partícula se afaste do centro do círculo e,
no caso de ciclones, se dirija às suas paredes. A força centrífuga é dada por:

Fc = m X Vn2/ r

Sendo, m = massa da partícula; r = raio da trajetória; Vn = velocidade


tangencial da partícula.

e-Tec Brasil 82 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


Da expressão dada, verifica-se que a coleta através do mecanismo da força
centrífuga será tanto maior quanto maiores forem o tamanho da partícula e
sua velocidade tangencial e quanto menor o diâmetro do coletor. A coleta por
força centrífuga, na prática, é limitada às fontes de poluição do ar que emitem
quantidades razoáveis de partículas maiores que 5 a 10 micra. Em geral, os
coletores centrífugos (ciclones) são utilizados como pré-coletores.

Os ciclones podem ter entrada tangencial ou radial. São compostos por um


corpo cônico-cilíndrico, ao qual entram tangencialmente os gases a depurar,
por uma abertura na parte superior do equipamento. As partículas,
submetidas à força centrífuga no final de certo número de voltas chocam-se
com a parede e terminam depositando-se na parte inferior do cone.

Os ciclones são de grande uso em controle de poluição do ar, principalmente


como pré-coletores. Devido a sua eficiência baixa para partículas pequenas, o
seu uso, nesses casos, apresenta restrições face à impossibilidade de atender
normas de emissão mais exigentes. Em geral, são utilizados para a coleta de
material particulado com diâmetro maior que 5 micra.

Ciclones de pequeno diâmetro com entrada axial são utilizados em conjunto,


trabalhando em paralelo, formando os multiciclones.

A seguir, apresentamos um quadro comparativo entre câmaras de


sedimentação e ciclones (Figuras 5.3, 5.4, 5.5 e Tabela 1).

Figura 5.3: Detalhes de construção de um ciclone.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 83 e-Tec Brasil


Figura 5.4: Funcionamento de um ciclone .
Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Figura 5.5: Multiciclone.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

e-Tec Brasil 84 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


Tabela 5.1: Comparação entre coletores gravitacionais e ciclônicos.

AÀK ? P ? DE SEDIMENTAÇÃO AGAJ MLC


S QM USO
pr»-coletor de partículas grandes (> 40 . pré-coletor de partículas médias
micra) a grandes (> 10 micra)
. reduz a carga poluidora . coletor final em alguns casos

VANTAGENS VANTAGENS
. baixa perda de carga . baixa perda de carga
projeto, construção e instalação simples baixo custo de construção
baixo custo de instala∆¬o e de opera∆¬o simplificada
manutenção pouca manuten∆¬o
n¬o tem limita∆¬o de temperatura projeto relativamente simples
coleta a seco: permite recupera∆¬o mais espa∆o relativamente pequeno
facilitada para instalação
n¬o tem limita∆¬o de
temperatura e pressão, exceto
para o material de construção
DESVANTAGENS DESVANTAGENS
. baixa eficiência para pequenas partículas . baixa eficiência de partículas
(<10micra) pequenas
requer espa∆o relativamente grande para possibilidades de entupimento
a instalação no caso de partículas adesivas ou
higroscópicas
possibilidade de abrasão para
determinadas partículas e
determinada velocidade
n¬o deve ser utilizado para
partículas adesivas
em geral, necessita do segundo
coletor para atender o padrão de
emissão exigido

Fonte: do autor.

c. Impactação inercial e intercepção

A impactação representa a "batida" da partícula contra um obstáculo


fazendo com que sua energia diminua e ocorra a separação da partícula
presente no fluxo gasoso.

O controle de partículas por impactação é geralmente conseguido através de


pequenos obstáculos secos ou úmidos. O obstáculo úmido, em geral, são as
gotas do líquido de lavagem do gás. Os obstáculos secos são de várias formas,
como, por exemplo, cilíndricos, esféricos, chatos, elipsóidicos, etc. A
impactação inercial é um importante mecanismo de coleta, mas se restringe a
partículas maiores que 1 mícron de diâmetro.

A intercepção é um mecanismo de coleta que pode ser considerado como um

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 85 e-Tec Brasil


caso limite da impactação, caracterizado pela remoção de partículas pela
raspagem assim que essas estiverem a uma distância igual ao seu diâmetro em
relação ao obstáculo durante o fluxo gasoso.

d. Difusão

O mecanismo de difusão torna-se mais importante à medida que o tamanho


das partículas diminui. Esse mecanismo de coleta não apresenta importância
para as partículas maiores que 1 mícron de diâmetro. Aproveita-se para
separar as partículas menores em função da sua energia térmica, visto que
estão em constante movimento, similarmente ao que ocorre com as
moléculas de um gás, através do fenômeno chamado de movimento
Browniano.

Nesses casos, os filtros de tecido são os sistemas de filtragem mais


comumente utilizados. Sua utilização se dá não só para o controle de poluição
do ar, mas também como parte integrante do processo industrial.

O princípio de funcionamento de um filtro de tecido é simples. Trata-se da


passagem da mistura gasosa que contém partículas através de um tecido,
sendo que o gás atravessa os poros do tecido e as partículas, na sua maioria,
ficam retidas na sua superfície, que, de tempos em tempos, têm que ser
retiradas para evitar uma camada muito espessa, o que dificultará a passagem
do gás e o aumento da perda de carga.

No começo do processo de filtragem, a coleta se inicia com a colisão das


partículas contra as fibras do meio filtrante e sua posterior aderência a elas. À
medida que o processo continua, a camada de partículas coletadas vai
aumentando tornando-se, então, o meio de coleta. Em determinado
momento, faz-se necessária a remoção das partículas coletadas, a fim de
impedir a redução da eficiência do processo.

Os mecanismos envolvidos na coleta de partículas em filtros de tecido são


principalmente a impactação inercial, a interceptação, a difusão, a atração
eletrostática e a força gravitacional. O filtro de tecido é um equipamento
enquadrado na categoria dos de alta eficiência de coleta, chegando, por
vezes, a valores maiores que 90%.

Os filtros de tecidos são classificados, primeiramente, segundo o formato do


meio filtrante ou seja: tipo de mangas ou tipo envelope.

 Filtro Tipo de Mangas: Tem a forma de saco alongado, tubular. De acordo


com o mecanismo de limpeza das mangas, os filtros de manga podem ser
classificados da seguinte maneira:

1. Sacudimento Mecânico: neste método, o pó é removido por agitação


mecânica, horizontal ou vertical. O sacudimento mecânico não tem
muito êxito quando o material particulado consiste de partículas
aderentes, pois a agitação excessiva pode fazer com que as mangas
girem ou se soltem dos ganchos de sustentação.

e-Tec Brasil 86 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


2. Ar Reverso: neste caso, as partículas se desprendem do tecido pela
inversão no sentido do fluxo de ar. É mais utilizado quando operado com
baixas vazões.

3. Jato Pulsante de Ar Comprimido: é o sistema mais utilizado em relação


aos demais. Comumente, um tubo de Venturi acoplado ao topo de cada
manga gera um jato de ar que percorre toda a extensão da manga,
expandindo-a e fazendo com que a camada aderida ao tecido se
desprenda do mesmo. Nesse tipo de filtro, o ar normalmente penetra
pela parte interna e o ar poluído é empurrado de fora para dentro,
deixando o material particulado aderido à parede externa do
dispositivo. Para que não ocorra estrangulamento dos sacos, estes
possuem uma estrutura metálica de suporte.

Esse último tipo de limpeza é o que tem sido mais utilizado atualmente, pois
apresenta a vantagem de exigir uma área de filtragem menor que a dos que
utilizam sistema por sacudimento mecânico ou ar reverso, possibilitando
limpeza contínua e automática das mangas.

Figura 5.6: Filtro de mangas com sistema de limpeza por sacudimento .


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 87 e-Tec Brasil


Figura 5.7: Filtro de mangas com sistema de limpeza por sacudimento.
Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Figura 5.8: Filtro de mangas com sistema de limpeza por jato pulsante.
Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

e-Tec Brasil 88 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


 Filtro tipo envelope: quando a concentração de partículas é muito elevada,
usa-se, antes do filtro, um separador do tipo inercial para retenção das
partículas maiores.

Figura 5.9: Filtro de tecido tipo de envelope.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Figura 5.10: Filtro de tecido tipo de envelope .


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 89 e-Tec Brasil


A escolha do meio filtrante a ser utilizado dependerá das características do gás
transportador (temperatura, umidade, alcalinidade e acidez), das
características das partículas a serem filtradas (concentração, distribuição de
tamanhos, abrasividade), do tipo de limpeza a ser utilizado, do custo e da
disponibilidade do mercado.

Os filtros de tecido são de elevada eficiência para fumos e poeiras acima de 0,1
mícron e são usados na captação de poeira de moagem; mistura e pesagem
de grãos de cereais; moagem de pedra, argila e minerais; trituração de
cimento; limpeza por abrasão; pesagem e peneiramento de produtos
químicos em grãos; trabalhos em madeira, curtumes, fertilizantes, papel, etc.

Os materiais tradicionalmente usados na fabricação de pano são o algodão e a


lã, desde que utilizados em temperaturas de até 82 e 90 °C, respectivamente,
e para correntes de ar sem umidade.

Para temperaturas mais elevadas e poluentes agressivos a esses materiais, é


necessário recorrer a tecidos de outros materiais, como poliamida, poliéster,
polipropileno, fios metálicos, fibras de vidro, etc. Os filtros com feltro de
poliéster duram cerca de 3 vezes mais do que os de algodão, e por isto são
também muito empregados.

e. Força eletrostática

A força eletrostática é um mecanismo de coleta predominante em


precipitadores eletrostáticos. De acordo com a lei de Coulomb, a força
eletrostática é expressa por:

Fe = q.E

Sendo: q = carga elétrica da partícula; E = intensidade do campo elétrico

O carregamento elétrico de partículas ocorre não só por ação do campo


elétrico, o qual é importante para partículas de tamanhos maiores que 0,5
mícron de diâmetro, mas também por difusão, a qual age mais intensamente
em partículas pequenas (menores que 0,2 mícron). Para as partículas com
diâmetro entre 0,2 mícron e 0,5 mícron, o carregamento elétrico ocorre tanto
por ação do campo elétrico como por difusão.

O processo de precipitação eletrostática se inicia com a formação de íons


gasosos pela descarga do corona de alta voltagem no eletrodo de descarga. A
seguir, as partículas sólidas e/ou líquidas são carregadas eletricamente pelo
bombardeamento dos íons gasosos ou elétrons.

O campo elétrico existente entre o eletrodo de descarga e o eletrodo de coleta


faz com que a partícula carregada migre para o eletrodo de polaridade
oposta, descarregue a sua carga, ficando coletada.

De tempos em tempos a camada de partícula se desprende do eletrodo de


coleta, pela ação do sistema de "limpeza", e, por gravidade, se deposita no

e-Tec Brasil 90 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


dispositivo de recolhimento, de onde, então, é transportada para o local de
armazenamento para posterior descarte ou reaproveitamento.

Figura 5.11: Processo de purificação do ar em um precipitador eletrostático e


disposição final do descartado.
Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Um sumário das vantagens e desvantagens do precipitador eletrostático é


demonstrado abaixo:

Vantagens:

 Alta eficiência de coleta. Pode exceder a 90%;

 Coleta partículas muito pequenas. Teoricamente não há limite inferior do


tamanho de partícula possível de ser coletado;

 Baixo custo operacional;

 Baixa perda de carga;

 Existem poucas partes móveis, o que implica redução de manutenção;

 Podem coletar partículas sólidas ou líquidas que são difíceis de coletar por
outros equipamentos;

 Podem operar a temperaturas de até 650 °C;

 A eficiência de coleta pode ser aumentada pela inclusão de novos módulos;

 Coleta o material a seco;

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 91 e-Tec Brasil


 Podem ser operado continuamente com pouca manutenção em períodos
de tempo longos;

 Pode processar altas vazões de gases e com uma faixa ampla de concen-
trações;

 Pode ser utilizado para gases a pressões medianas e também em condições


de vácuo;

 Vida útil longa, podendo alcançar mais de vinte anos.

Desvantagens:

 Investimento inicial alto;

 Exige grandes espaços para sua instalação, principalmente para


precipitadores quentes;

 Apresenta riscos de explosões quando processa gases ou partículas


combustíveis;

 Exige medidas especiais de segurança para evitar acidentes com alta


voltagem;

 Alguns materiais são extremamente difíceis de coletar por apresentarem


resistividade muito baixa ou muito alta.

5.1.2. Coletores úmidos


Os principais coletores úmidos utilizados são os lavadores. Estes
equipamentos têm, basicamente, como princípio fundamental de
funcionamento, a absorção do material particulado presente em fluxo gasoso
por meio de um líquido absorvente, mediante contato (mistura entre essas
duas fases), o qual pode ocorrer de diferentes maneiras, dependendo do tipo
de lavador. O líquido retém o material particulado que, posteriormente, tem
essa parte sólida separada, retornando ao processo para dar continuidade à
lavagem da corrente gasosa.

Existe um número grande de tipos de lavadores disponíveis no mercado. A


seguir, são citados os mais usuais:

 câmara de spray (borrifo) gravitacional;

 coletores dinâmicos úmidos;

 lavadores ciclones de spray;

 lavadores de impactação;

e-Tec Brasil 92 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


 lavadores autoinduzidos (de orifício);

 lavador Venturi.

Os lavadores Venturi e de orifício são também chamados de lavadores gás-


atomizador . Nesses casos, o contato entre o gás e o líquido dá-se por meio
de nebulização da água no caminho do fluxo de ar contaminado. Sendo
assim, funcionam apenas como aglutinadores do material particulado,
necessitando, portanto, de um equipamento em série que colete este
material.

O lavador Venturi é um equipamento que necessita ter em série um


equipamento que coletará as partículas que tiveram o seu tamanho
aumentado ao passar pela garganta do Venturi. O equipamento de coleta
final em geral é um coletor ciclônico que separará as gotas e as partículas do
fluxo gasoso. O Venturi é um equipamento de coleta de uso bastante
difundido pela alta eficiência de coleta que ele pode atingir, pela sua
simplicidade operacional e por ser um sistema compacto.

Figura 5.12: Lavador Venturi acoplado a um separador ciclônico.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 93 e-Tec Brasil


Vantagens e desvantagens dos lavadores em geral:

Vantagens:

 Podem ser utilizados em gases a altas temperaturas;

 Podem ser utilizados para coleta de partículas adesivas;

 Não há restrições de utilização quanto à umidade do efluente a ser tratado;

 Em geral, podem controlar tanto gases como partículas;

 Podem ser conseguidas altas eficiências de coleta.

Desvantagens:

 Apresentam alta perda de carga quando se necessita alta eficiência de


coleta, o que implica custo operacional mais alto;

 Descarregam gases tratados úmidos o que implica uso de materiais re-


sistentes à corrosão;

 Necessitam do uso de materiais resistentes à corrosão no lavador;

 Podem apresentar formação de pluma visível proveniente da condensação


da umida-de contida nos gases;

 O material coletado (resíduo sólido) está na forma úmida e, em geral,


necessita tratamento adequado para sua reutilização e/ou sua correta
disposição ;

 Necessitam tratamento dos efluentes líquidos gerados;

 Apresentam elevado custo operacional decorrente de itens, como a neces-


sidade de um sistema de ventilação mais potente para vencer as perdas de
carga do sistema; exigência de materiais estruturais mais nobres
capazes de resistir à umidade (corrosão) e sistema de tratamento para o
líquido absorvente, bem como para o material particulado coletado.

5.1.3. Controle de Gases e Vapores


Os equipamentos de controle de gases e vapores funcionam segundo
princípios que serão detalhados nas apresentações dos seus dispositivos.

e-Tec Brasil 94 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


5.1.3.1. Absorvedores
A absorção é um fenômeno que envolve a transferência de massa de uma fase
gasosa para uma fase líquida. Mais especificamente, no controle de poluição
do ar, a absorção envolve a remoção de um contaminante gasoso de uma
corrente gasosa (absorbato) por sua dissolução em um líquido (absorvente). A
absorção é um processo de transferência de massa que se dá devido a uma
diferença de concentração entre os meios presentes. Essa transferência ocorre
até que continue havendo diferença de concentração nos meios envolvidos.

A absorção efetiva do gás depende do contato íntimo entre as fases gasosa e


líquida. Assim, a solubilidade do contaminante no solvente é um parâmetro
muito importante a ser avaliado. Se o soluto é bastante solúvel em água,
então altas taxas de absorção podem ser conseguidas. Entretanto, em alguns
casos, um reagente químico pode ser adicionado ao líquido absorvente a fim
de elevar o percentual de eficiência na remoção do soluto. Esses reagentes
podem aumentar a solubilidade física do contaminante ou podem ainda
reagir quimicamente com esse contaminante.

É o que ocorre, por exemplo, com os chamados neutralizadores de odor que,


aumentando a eficiência de absorção dos gases, acabam por eliminar gases
odorantes da corrente gasosa. Nesse caso, comumente aplica-se a solução
(água+neutralizador) via nebulização. Recomenda-se, por isso, trabalhar-se
com gotículas de solução na saída dos aspersores com diâmetro médio
inferior a 25 micra, visando aumentar a eficiência do processo. A absorção
necessita de um tratamento secundário, uma vez que apenas recupera o
contaminante gasoso.

a. Tipos de Reatores

O processo de absorção pode dar-se ainda em equipamentos específicos: os


absorvedores ou lavadores. Trata-se de dispositivos nos quais se realiza a
separação de um poluente gasoso por intermédio da lavagem do mesmo com
água (ou uma solução química conveniente), que na maioria dos casos é
nebulizada para formar pequenas gotículas. A faixa usual de eficiência de
absorvedores é de 80% a 98% para equipamentos adequadamente
projetados. Os lavadores são equipamentos de controle de poluição do ar que
podem ser utilizados tanto para o controle de material particulado como para
o controle de gases e vapores. Os lavadores utilizados para o controle de gases
e vapores recebem a denominação de absorvedores. Assim, os absorvedores
são uma categoria especial de lavador úmido.

1. Torres de absorção com enchimento

Constituem-se de um cilindro preenchido com material de enchimento


(suporte) sustentado tanto no topo quanto na base, de modo a permitir a

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 95 e-Tec Brasil


separação das fases. O preenchimento é geralmente feito de carbono,
cerâmica, vidro, plástico, teflon, aço inoxidável e outros materiais.

2. Torres de Pratos

Este tipo de absorvedor não apresenta grelhas (suportes) ou qualquer tipo de


enchimento, mas furos distribuídos uniformemente nos pratos que o
constituem. O número de furos, sua forma e arranjo variam de acordo com a
coluna gasosa. Nesse caso, o gás em ascensão promove uma resistência à
passagem do líquido (descendente) de forma a manter um acúmulo em cada
prato no qual há um contato entre as fases. O nível de líquido no prato é
função tanto do fluxo da fase líquida quanto da gasosa.

Figura 5.13: Torres de Prato.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

3. Lavador Venturi

Embora os lavadores Venturi sejam comumente utilizados para o controle de


particulados, podem também ser utilizados como absorvedores. A absorção
do gás ocorre em velocidades de contato mais baixas do que no caso de
remoção de particulados. No caso do lavador Venturi, o contato entre o gás e
o líquido é feito na superfície das gotas formadas, sendo recomendados
apenas para gases altamente reativos em relação ao absorvente escolhido.

O Venturi é um equipamento de coleta de uso bastante difundido pela alta


eficiência de coleta que o mesmo pode atingir; também pela sua simplicidade
operacional e por ser um sistema compacto. Tem como desvantagem
principal a perda de carga vinculada ao seu funcionamento.

e-Tec Brasil 96 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


4. Lavador de Aspersão

Tal como o lavador Venturi, as torres de aspersão também são utilizadas tanto
para particulados como para gases. Ainda a exemplo do Venturi, o contato
entre o gás e o líquido é feito através de superfície de gotas formadas
(atomização). Aqui, os parâmetros mais importantes são granulometria do
particulado, velocidade do gás, razão líquido-gás e o comprimento do
lavador. Esses parâmetros podem variar dependendo do regime de fluxo.

Considerações finais sobre absorvedores:

Os absorvedores podem ser utilizados para a remoção de enxofre (SO2),


sulfeto de hidrogênio (H2S), gás clorídrico (HCl), amônia (NH3), gás fluorídrico
(HF) e hidrocarbonetos leves.

Inicialmente, deve ser escolhido aquele que propicie a maior área de


transferência de massa, de funcionamento simples e de menor custo. A
eficiência de controle de absorvedores dependente do projeto específico. O
dimensionamento é feito em função da emissão residual desejada, definida,
inicialmente, no projeto.

Os absorvedores, em geral, apresentam as seguintes limitações: corrosão;


trabalham com temperatura inferior a 100 °C e saturação do material
absorvente com o gás efluente. Devido ao fato do gás de saída possuir alto
teor de umidade, um dos problemas associados aos lavadores, em geral, é a
pluma visível, produto da emissão, sobretudo, de água condensada.

Figura 5.14: Problema estético dos absorvedores (pluma visível).


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 97 e-Tec Brasil


5.1.3.2. Adsorvedores
A adsorção é um processo seletivo e bastante apropriado para a remoção de
gases e vapores presentes em baixas concentrações, principalmente de
substâncias causadoras de odor. No entanto, a adsorção também é
empregada para a recuperação de solventes.

Ela leva significativa vantagem em relação aos incineradores de gases pela não
necessidade de uso de combustível auxiliar, além de possibilitar a recuperação
de solventes, quando se utiliza o processo regenerativo. A presença de
material particulado no fluxo de gás a ser tratado prejudica o material
adsorvente, encurtando o seu tempo de vida. O mesmo pode ocorrer com a
condensação de líquidos.

O processo de adsorção envolve a remoção de um ou mais componentes


gasosos do fluxo de gás através de aderência dos mesmos na superfície de um
sólido. As moléculas de gás removidas denominam-se adsorbato, e o sólido
que as retém, adsorvente.

O mecanismo de adsorção ocorre em 3 etapas:

 Os contaminantes se propagam sobre a superfície da partícula do adsorvente;

 A molécula do contaminante migra para os poros da partícula do adsorvente;

 A molécula do contaminante adere na superfície do poro.

O movimento de gases/vapores através de um leito adsorvente é


frequentemente referido como um processo dinâmico. O termo dinâmico,
neste caso, refere-se tanto ao movimento da corrente gasosa através do leito
quanto às alterações de concentração da corrente, à medida que o adsorbato
vai ficando retido no adsorvente.

Figura 5.15: Mecanismos de adsorção.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

e-Tec Brasil 98 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


Principais substâncias adsorventes

O adsorvente apresenta a característica de ser um material sólido, poroso e de


grande área superficial específica.

Os principais adsorventes utilizados em poluição do ar são o carvão ativado, a


alumina ativada, a sílica gel e as peneiras moleculares.

Os três primeiros são substâncias amorfas, enquanto as peneiras moleculares


são substâncias cristalinas constituídas, basicamente, de alumino-silicato de
metais (potássio, magnésio, sódio ou cálcio).

O carvão ativado é produzido pelo aquecimento de sólidos orgânicos (carvão,


madeira dura, coco, etc.) a aproximadamente 900 °C em atmosferas
redutoras. Esse adsorvente é um dos mais antigos e é muito utilizado face à
sua versatilidade, disponibilidade e custo. A densidade está na faixa de 0,08 a
0,5 g/cm3.

Os adsorventes, em geral, têm tamanhos na faixa de 4 a 20 mesh (4,76 mm a


841 micra) e são descritos como "pellets" ou "beads". Outra característica
importante de um adsorvente é a sua alta temperatura de oxidação para
prevenir oxidação e adequada resistência de forma a manter-se
estruturalmente estável.

Os adsorvedores podem operar com sistema de regeneração. A regeneração é


conseguida, em geral, pela passagem em fluxo contrário de vapor a baixa
pressão, o qual será condensado, juntamente com o adsorbato (substância
adsorvida) em um sistema de condensação adequado.

Caso o adsorbato não seja de fácil condensação, o mesmo deverá ser


incinerado ou controlado por outro meio. A regeneração é importante para
reduzir os custos do sistema quando o produto possui valor comercial e está
presente em concentrações satisfatórias ao reaproveitamento no fluxo
gasoso.

Principais equipamentos adsorvedores

Os equipamentos que fazem uso de substâncias adsorventes são os seguintes:


adsorvedores de leitos múltiplos, adsorvedores de leitos fixos de carvão
ativado e adsorvedores de leitos móveis.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 99 e-Tec Brasil


5.1.3.3. Incineradores de Gases e Vapores
A incineração é um método bastante eficaz para a eliminação de gases e
vapores de origem orgânica. A combustão, que é o processo utilizado na
incineração, transforma os contaminantes combustíveis em dióxido de
carbono e vapor d'água, que não são considerados poluentes.

Para se ter uma ideia da importância do controle de compostos orgânicos


combustíveis, é bastante citar que milhares de diferentes tipos destes
compostos são emitidos para a atmosfera os quais são provenientes de
diferentes operações em diversos tipos de indústrias.

Muitas emissões industriais têm sido controladas com sucesso pelo uso da
incineração, especialmente quando poluentes orgânicos estão envolvidos
seja como gás, vapor ou aerossol. Algumas dessas operações envolvem
atividades dotadas de secadores de sangue animal; digestores utilizados na
produção de farinha de carne, farinha de osso, farinha de penas e farinha de
peixe; torrefações de café; secagem de pintura de veículos e outros artefatos;
secagem de chapas envernizadas, defumação de carne, etc.

A combustão também tem sido utilizada na redução das emissões de


monóxido de carbono e hidrocarbonetos por fontes móveis (veículos
automotivos).

Combustão é uma oxidação conseguida através do mecanismo de rápidas


reações em cadeia. As reações em cadeia ou passos envolvidos em reduzir
substâncias combustíveis indesejáveis a dióxido de carbono e a vapor d'água
são numerosas e variam para cada composto presente no efluente gasoso.
Entretanto, a existência de numerosas reações em cadeia não é prejudicial
para a combustão controlada, pois esta é mais influenciada por fatores
externos, tais como concentração, temperatura inicial do gás, volume ou
vazão e turbulência.

O processo de combustão transforma os contaminantes em dióxido de


carbono (CO2), vapor d'água e em outros compostos que não são
considerados poluentes atmosféricos.

Para que ocorra uma combustão eficiente, deve haver um contato íntimo
entre oxigênio e combustível. Para tanto, as seguintes condições devem ser
satisfeitas:

 temperatura alta o bastante para o início e o desenrolar do processo;

 tempo de residência suficiente entre oxigênio e combustível;

 turbulência na mistura ar-combustível.

A velocidade e a eficiência da reação de combustão estão diretamente ligadas


a esses três fatores, pelo fato de que o oxigênio precisa entrar em íntimo
contato com a molécula combustível a uma temperatura e tempo suficientes
para que a reação se realize completamente. A ocorrência de combustão

e-Tec Brasil 100 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


incompleta pode resultar na formação de aldeídos, ácidos orgânicos,
partículas de carbono (fuligem), monóxido de carbono ou outros produtos
menos desejáveis que aqueles inicialmente existentes no efluente gasoso.

No caso de fontes de poluição do ar, os poluentes, geralmente, estão


presentes a baixas concentrações e necessitam do fornecimento de energia
suplementar. A energia adicional ou suplementar pode ser suprida na forma
de pré-aquecedores, queimadores alimentados a óleos ou gás, ou "flares .

 Equipamentos Incineradores de Gases e Vapores

Os processos de incineração abrangem, basicamente, três dispositivos de


controle: incinerador de chama direta ou térmica, incinerador catalítico e
flares , que permitem o tratamento eficaz de compostos orgânicos de
maneira relativamente econômica. Os incineradores conseguem eficiências
de remoção de orgânicos na faixa de 90 a 98%.

 Incinerador Térmico ou de Chama Direta

O incinerador de chama direta consiste de uma câmara de combustão com


paredes revestidas com material refratário, um ou mais queimadores,
indicador-controlador de temperatura, equipamento de segurança. Algumas
vezes contém equipamento para recuperação do calor, como os trocadores de
calor. A secção transversal desse tipo de equipamento é em geral cilíndrica ou
retangular.

O funcionamento do incinerador de chama direta depende do contato da


chama e de temperaturas relativamente altas para queimar os contaminantes.
Em princípio, qualquer tipo de combustível pode ser utilizado, contudo, para
propósitos de controle de poluição do ar, o combustível mais indicado é
gasoso, mais 'limpo', sendo que o combustível líquido também tem sido
empregado em indústrias.

As câmaras de combustão de caldeiras podem ser utilizadas, sob certas


condições, como incineradores de chama direta. Essa é uma condição
singular, pelo fato de que uma fonte de poluição do ar é utilizada para
controlar poluentes emitidos por outra fonte.

As condições da câmara de combustão de caldeiras aproximam-se daquelas


de um incinerador bem projetado. A adaptação completamente satisfatória
de caldeiras, como incineradores de gases e vapores, não é comum, mas
possível. Ressalta-se que todos os aspectos de operação devem ser
exaustivamente avaliados antes de utilizá-la como equipamento de controle
de poluição do ar.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 101 e-Tec Brasil


Figura 5.16: Caldeira adaptada como incinerador térmico.
Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

 Incinerador Catalítico

Um incinerador catalítico consiste, basicamente, de uma câmara que contém


uma camada de catalisador promovedora da oxidação do poluente. A
incineração catalítica necessita de temperaturas mais baixas quando
comparada com a da incineração com chama direta, mas, na maioria dos
casos, há necessidade de uma câmara de pré-aquecimento. O incinerador
catalítico também deve possuir dispositivos indicadores-controladores de
temperatura, dispositivos de segurança e sistema de recuperação de calor. A
combustão catalítica tem sido usada nas indústrias e nos veículos
automotores.

O catalisador é uma substância que aumenta a taxa de combustão e,


teoricamente, não é modificado pelo processo. A combustão catalítica ocorre
na superfície do catalisador, sem chama, e à temperatura mais baixa que a
temperatura de combustão com chama. O sistema de combustão com chama
utiliza oxidação à alta temperatura. Já o sistema de combustão catalítica,
utiliza oxidação a temperaturas reduzidas.

A combustão catalítica é um fenômeno de superfície que envolve os seguintes


passos:

 Difusão dos reagentes para a superfície do catalisador e difusão dos


produtos da superfície do mesmo;

 Difusão de reagentes e produtos dentro dos poros do suporte do cata-


lisador;

 Adsorção de reagentes na superfície do catalisador;

 Reação na superfície do catalisador, envolvendo os reagentes adsorvidos.

e-Tec Brasil 102 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


A eficiência do incinerador catalítico deteriora com o tempo de uso e,
portanto, deve ser feita a reposição periódica dos elementos. Essa reposição
varia largamente, desde alguns meses até dois anos.

Em adição, o seu desempenho é seriamente afetado por materiais que


envenenam o catalisador, como, por exemplo, mercúrio, arsênio, zinco e
chumbo. Substâncias que o cobrem, tais como resinas sólidas e óxidos sólidos,
necessitam serem evitadas, sendo, portanto, uma limitação de uso.

A principal vantagem do incinerador catalítico sobre o incinerador de chama


direta é o baixo custo operacional devido à menor quantidade de combustível
auxiliar requerida (pelo uso de temperaturas inferiores). Temperaturas mais
baixas também reduzem os custos de construção do equipamento.

Como desvantagem, podemos citar a eficiência geralmente mais baixa e o


problema da disponibilidade de aquisição de catalisadores no mercado
interno.

O incinerador catalítico apresenta ainda o problema da redução ou mesmo


perda da atividade catalítica, além de não poder ser utilizado no controle de
material particulado, que se deposita na superfície do catalisador, impedindo
a adsorção do composto orgânico.

Figura 5.17: Incinerador catalítico de uso industrial.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

 Uso da combustão catalítica nos veículos automotores:

No automóvel, o catalisador, também conhecido por conversor catalítico, age


sobre os gases poluentes promovendo reações químicas entre eles que os
transformam em produtos inofensivos à saúde. Os produtos da combustão no
motor automotivo são os seguintes:

 Gás carbônico (CO2)

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 103 e-Tec Brasil


 Água;

 Poluentes (aproximadamente 1% do volume), tais como monóxido de


carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx), etc.

Utilizando-se o oxigênio extraído dos NOx, o catalisador queima o CO e os HC,


produzindo N2, CO2 e H2O, que não se constituem como substâncias tóxicas.

Figura 5.18: Combustão catalítica nos veículos automotores


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

 "Flares"

Flares são equipamentos instalados no ponto de emissão dos poluentes e


que promovem a queima desses em espaço aberto. Esse tipo de equipamento
é utilizado quando os poluentes combustíveis estão em concentrações
próximas ou acima do limite inferior de inflamabilidade.

Dois são os tipos de flares : os elevados, localizados na chaminé de saída dos


poluentes, e os ao nível do solo. Os flares elevados são os mais comumente
utilizados e devem ser preferidos devido à melhor condição para dispersão dos
poluentes.

Basicamente, o flare elevado consiste de um comprimento adicional de


chaminé que tem, na sua saída, um queimador de gases, uma chama-piloto,
um sistema de ignição e, em alguns casos, um anel de pré-aquecimento e um
sistema de injeção de vapor.

O anel de pré-aquecimento é utilizado quando o gás está abaixo do limite


inferior de inflamabilidade. A injeção de vapor é utilizada para eliminar a
fumaça preta, um dos principais problemas no funcionamento de flares .

A injeção de vapor melhora a turbulência e faz com que o ar atinja a região de


combustão. Também, o vapor d'água reage com os hidrocarbonetos
formando compostos oxigenados que queimam a temperaturas mais baixas.

e-Tec Brasil 104 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


Os flares são utilizados principalmente pelas refinarias de petróleo e outras
indústrias petroquímicas. Algumas indústrias, que lidam com compostos
combustíveis tóxicos ou perigosos, podem utilizar este equipamento como
dispositivo de segurança quando aqueles necessitam ser lançados na
atmosfera devido a condições de anormalidade no processo produtivo.

Figura 5.19: Flares em funcionamento.


Fonte: www.lcqar.ufsc.br/adm/aula/Cap%207%20MetControle%20PATM.pdf
Acessado em 16/10/2011.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 105 e-Tec Brasil


Atividades Propostas

1. Quais são os 03 processos relacionados à poluição da atmosfera?

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2. Quais são as diferenças entre os métodos diretos e os indiretos de controle


da poluição do ar?

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3. Apresente, de forma resumida, o princípio de funcionamento do coletor


seco de material particulado ciclone:

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e-Tec Brasil 106 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


4. Descreva resumidamente o processo de operação de um filtro de mangas
por jato pulsante de ar comprimido, equipamento muito empregado em
usinas de fabricação de concreto betuminoso e asfalto, existentes na nossa
região:

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5. O coletor úmido denominado de lavador Venturi é um excelente


equipamento de retirada de material particulado, pois o fluxo gasoso é
forçado a passar por um meio estreito (garganta) no qual é bombardeado
por água em alta pressão oriunda de bicos injetores, ocorrendo a absorção
do particulado pelo líquido com liberação de gás limpo. A partir dessa
afirmativa, podemos sugerir a aplicação do lavador Venturi em:

a. chaminés de usinas de fabricação de açúcar e álcool.

b. unidades de beneficiamento de argila e fabricação de telhas e tijolos.

c. unidades de fabricação de asfalto.

d. siderúrgicas.

e. plantas de refino de petróleo.

6. Quando necessitamos remover substâncias tóxicas contaminantes de um


fluxo gasoso, fazemos uso de equipamentos que adotam princípios
operacionais baseados em fenômenos físico-químicos, como a absorção e
a adsorção. Apresente, resumidamente, os conceitos de absorção e de
adsorção, enfatizando as principais diferenças e a aplicabilidade no
controle da poluição do ar:

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Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 107 e-Tec Brasil


7. Considerando que a combustão controlada é uma reação em cadeia na
qual ocorre a oxidação de substâncias contaminantes, transformando-os
em dióxido de carbono (CO2), vapor d'água e outros compostos não
poluentes, explique como funciona o catalisador ou incinerador catalítico
de um automóvel:

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8. O que são os flares e de que modo são aplicados no controle ambiental?

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e-Tec Brasil 108 Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar


Referências Bibliográficas

BRANCO, S. M. & MURGEL, E. Poluição do ar. São Paulo: Moderna, 2006.


112p.

DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. São Paulo:


Signus, 2007. 192 p.

LISBOA, H. de M. (Coord.) Controle da poluição atmosférica. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro Tecnológico/ Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2007. 390 p.

Aula 5 - Metodologias de controle da poluição do ar 109 e-Tec Brasil