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Sumário

SUMÁRIO....................................................................................................................................................2
0 – INTRODUÇÃO......................................................................................................................................3
1 - O QUE SÃO RESÍDUOS.......................................................................................................................5
2 - CLASSES DE RESÍDUOS:...................................................................................................................6
3 - RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS .....................................................................................................7
3.1 - TIPOS DE RESÍDUOS...............................................................................................................................8
4 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS...................................................................................................................9
5 - RESÍDUOS HOSPITALARES............................................................................................................10
5.1: AGRUPAMENTO DOS RESÍDUOS HOSPITALARES............................................................................................10
6 – TRIAGEM, RECOLHA E TRATAMENTO DE RESÍDUOS HOSPITALARES.........................14
6.1 – TRIAGEM E ARMAZENAMENTO DOS RESÍDUOS HOSPITALARES.....................................................................14
6.2 – RECOLHA DOS RESÍDUOS HOSPITALARES................................................................................................15
6.3 – TRATAMENTO DOS RESÍDUOS HOSPITALARES...........................................................................................15
6.3.1 - Incineração.............................................................................................................................15
6.3.2 - Desinfecção ...........................................................................................................................16
6.3.3 - Desinfecção química...............................................................................................................17
6.3.4 - Desinfecção térmica ..............................................................................................................17
Autoclavagem.....................................................................................................................................17
Microondas........................................................................................................................................18
Incineração versus autoclavagem......................................................................................................18
7 - PROCESSOS DE TRATAMENTO VANTAGENS E INCONVENIENTES .................................19
7.3 - UMA QUESTÃO DE BOM SENSO...............................................................................................................20
7.4 - UMA QUESTÃO LEGAL..........................................................................................................................20
7.5 - UMA QUESTÃO TÉCNICA1......................................................................................................................21
7.6 - UMA QUESTÃO ECONÓMICA...................................................................................................................22
8 – CONCLUSÃO......................................................................................................................................23
9 - BIBLIOGRAFIA..................................................................................................................................25

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0 – Introdução

Este trabalho tem o objectivo de responder a um momento de avaliação da


disciplina de Enfermagem Comunitária, integrada no 1º ano do curso de
Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa,
cujo tema se centra no tratamento de lixos hospitalares e no seu efeito no
aquecimento global.

O aquecimento global é um fenómeno natural que, devido à libertação de


gases resultantes da actividade humana, tem vindo a aumentar.

Da radiação solar que incide na terra uma parte é reflectida pela atmosfera
enquanto que outra é absorvida pela superfície terrestre gerando calor, que é
irradiado sob a forma de radiação infravermelha. Os gases de estufa absorvem
parte desta radiação infravermelha de maior comprimento de onda.

Os principais gases de estufa libertados pelas actividades humanas são o CO2


(resulta da queima de combustíveis fosseis, da queima de florestas para
obtenção de terrenos agrícolas); o metano (tem origem em plantações de arroz
e pecuária); óxido nitroso (deriva de combustíveis fosseis e fertilizantes
químicos); clorofluorcarbonetos (utilizados como propulsores em aerossóis e
em gases de refrigeração).

Além do referido acima, podemos encontrar no tratamento dos lixos


hospitalares mais um factor que contribui para o aquecimento do planeta.
Assim, iremos fazer uma pequena abordagem sobre o que estes são, ao tipo
de separação utilizada entre outros.

3
Com o excesso de produção de lixo, e posterior tratamento dos resíduos,
verifica-se um aumento dos gases libertados para a atmosfera o que promove
o agravamento do aquecimento global do planeta, tendo como consequências
a subida do nível dos oceanos, alterações climatéricas, que afectam a
disponibilidade dos recursos hídricos e alimentares, devido a secas
prolongadas, vagas de calor, inundações e tempestades rigorosas.

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1 - O que são resíduos

Segundo o Decreto-Lei n.º 152/2002 de 23 de Maio, entendem-se por resíduos


quaisquer substâncias ou objectos de que o detentor se desfaz ou tem intenção
ou obrigação de se desfazer, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 239/97,
de 9 de Setembro, e em conformidade com a Lista de Resíduos da União
Europeia.1

1
http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm
5
2 - Classes de Resíduos:

Classe 1 - Resíduos Perigosos: são aqueles que apresentam riscos à saúde


pública e ao meio ambiente, exigindo tratamento e disposição especiais em
função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reactividade,
toxicidade e patogenicidade.

Classe 2 - Resíduos Não Perigosos: são os resíduos que não apresentam


periculosidade, porém não são inertes; podem ter propriedades tais como:
combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. São
basicamente os resíduos com as características do lixo doméstico.

Classe 3 - Resíduos Inertes: são aqueles que, ao serem submetidos aos


testes de solubilização (NBR-10.007 da ABNT), não têm nenhum de seus
constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de
potabilidade da água. Isto significa que a água permanecerá potável quando
em contacto com o resíduo. Muitos destes resíduos são recicláveis. Estes
resíduos não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo
(se degradam muito lentamente). Estão nesta classificação, por exemplo, os
entulhos de demolição, pedras e areias retirados de escavações.2

2
http://www.inresiduos.pt

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3 - Resíduos Sólidos Urbanos

Definição: Segundo o Decreto-Lei n.º 239/97, de 9 de Setembro, são os


resíduos domésticos ou outros resíduos semelhantes, em razão da sua
natureza ou composição, nomeadamente os provenientes do sector de
serviços ou de estabelecimentos comerciais ou industriais e de unidades
prestadoras de cuidados de saúde, desde que, em qualquer dos casos, a
produção diária não exceda 1.100 litros por produtor.

Origem: Dentro de qualquer espaço urbano podem considerar-se como


fontes principais de resíduos o sector doméstico (habitações), o comércio e
serviços (hotéis, lojas, escritórios) e a indústria (verifica-se uma tendência de
afastamento deste sector para a periferia dos espaços urbanos). Outros
resíduos com origem definida são os provenientes da limpeza pública
originados, quer pela actividade humana (mercados, derrames de veículos ou
contentores e objecto rejeitados directamente para a via pública), quer por
causas naturais (folhas de árvores, excrementos de animais). Podem ainda ser
considerados como resíduos da limpeza pública os resultantes do tratamento
de jardins públicos e outras áreas verdes.3

3
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lixo

7
3.1 - Tipos de Resíduos

- Vidros;

- Plásticos;

- Matéria orgânica;

- Papel e Cartão.

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4 - Resíduos Industriais

Definição: Segundo o Decreto-Lei n.º 239/97, de 9 de Setembro são os


resíduos gerados em actividades industriais, bem como os que resultem das
actividades de produção e distribuição de electricidade, gás e água.

Origem: Originado nas actividades dos diversos ramos da indústria, tais


como: o metalúrgico, o químico, o petroquímico, o de papelaria, da indústria
alimentícia, etc.

O lixo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas,


lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras,
borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se grande
quantidade de lixo tóxico. Esse tipo de lixo necessita de tratamento especial
pelo seu potencial de envenenamento.4

4
http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm
9
5 - Resíduos Hospitalares

Definição: Segundo o Decreto-Lei n.º 239/97, de 9 de Setembro são os


resíduos produzidos em unidades de prestação de cuidados de saúde,
incluindo as actividades médicas de diagnóstico, prevenção e tratamento da
doença, em seres humanos ou em animais, e ainda as actividades de
investigação relacionadas.

Origem: descartados por hospitais, farmácias, clínicas veterinárias (algodão,


seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, curativos, sangue coagulado,
órgãos e tecidos removidos, meios de cultura e animais utilizados em testes,
resina sintética, filmes fotográficos de raios X). Em função das suas
características, merece um cuidado especial no seu acondicionamento,
manipulação e disposição final. Deve ser incinerado e os resíduos levados para
um aterro sanitário.5

5.1: Agrupamento dos resíduos hospitalares

Os resíduos hospitalares agrupam-se da seguinte forma:

Grupo I: não exigem cuidados especiais no seu tratamento, dado que são
equiparados a resíduos sólidos urbanos.

Exemplos:

-Resíduos provenientes de gabinetes, salas de reunião, salas de convívio,


instalações sanitárias e outros;

-Resíduos provenientes de oficinas, jardins, armazéns e outros;


5
http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm
10
-Embalagens e invólucros comuns;

-Resíduos provenientes das actividades de restauração e hotelaria, resultantes


de confecção e restos de alimentos servidos a doentes não incluídos no grupo
III.

-Embalagens e invólucros comuns;

-Resíduos provenientes das actividades de restauração e hotelaria, resultantes


de confecção e restos de alimentos servidos a doentes não incluídos no grupo
III.

Grupo II: Não exigem cuidados especiais no seu tratamento, dado que são
equiparados a resíduos sólidos urbanos.

Exemplos:

-Material ortopédico não contaminado e sem vestígios de sangue;

-Fraldas e resguardos descartáveis não contaminados e sem vestígios de


sangue;

-Material de protecção individual utilizado nos serviços gerais de apoio, com


excepção do utilizado na recolha de resíduos;

-Embalagens vazias de medicamentos ou de produtos de uso clínico ou


comum, com excepção dos incluídos no grupo III e no grupo IV;

-Frascos de soros não contaminados, com excepção dos do grupo IV.

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Grupo III: Resíduos que se prevêem contaminados, e com risco biológico.
Nestes casos é exigente o uso de tratamentos mais eficazes (incineração ou
pré-tratamento).
Exemplos:

-Resíduos provenientes de quartos ou enfermarias de doentes (ou suspeitos)


infecciosos, unidades de hemodiálise, de blocos operatórios, de salas de
tratamento, de salas de autópsia, entre outros;

-Todo o material utilizado em diálise;

-Peças anatómicas não identificáveis;

-Resíduos que resultam da administração de sangue e derivados;

-Sistemas utilizados na administração de soros e medicamentos, com


excepção dos do grupo IV;

-Sacos colectores de fluidos orgânicos e respectivos sistemas;

-Material ortopédico contaminado;

-Fraldas e resguardos descartáveis contaminados;

-Material de protecção individual utilizado em cuidados de saúde e serviços de


apoio geral em que haja contacto com produtos contaminados.

Grupo IV: Resíduos hospitalares específicos - resíduos de vários tipos de


incineração obrigatória.

Exemplos:

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-Peças anatómicas identificáveis, fetos e placentas, até publicação de
legislação específica;

-Cadáveres de animais (experiências laboratoriais);

-Materiais cortantes e perfurantes: agulhas, cateteres e todo o material


invasivo;

-Produtos químicos e fármacos rejeitados, quando não sujeitos a legislação


específica;

-Citostáticos e todo o material utilizado na sua manipulação e administração.

Dos quatro grupos de resíduos hospitalares, apenas os grupos III e IV são


considerados perigosos. Os primeiros são lixo de risco biológico, contaminado,
como material usado em diálise, fraldas e restos de sangue, e podem ser
incinerados ou receber pré-tratamento para posterior eliminação como resíduos
urbanos. Os do grupo IV são resíduos hospitalares específicos, nomeadamente
fetos e placentas, agulhas, medicamentos fora do prazo, e é obrigatória a
incineração, bem como tratamento.

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6 – Triagem, Recolha e Tratamento de Resíduos
Hospitalares

6.1 – Triagem e armazenamento dos Resíduos Hospitalares

A triagem e acondicionamento dos resíduos hospitalares deve ser feita junto do


local onde se deu a sua produção, e acondicionados de forma a ser clara a sua
origem e grupo: Nem todos os resíduos produzidos apresentam a mesma
perigosidade, sendo por isso classificados segundo o maior ou menor risco que
a sua presença implica

 Grupo I e II - recipientes de cor preta.

 Grupo III - branca com indicação de risco biológico

 Grupo IV – vermelha (excepto materiais cortantes e perfurantes, que


devem ser armazenados em recipientes ou contentores imperfuráveis).

Saliente-se ainda, que os contentores usados no grupo III e IV devem ser


facilmente manuseáveis, resistentes e estanques, mantendo-se
hermeticamente fechados, laváveis e desinfectáveis, se forem de uso múltiplo

O armazenamento dos resíduos hospitalares deve ser efectuado num local


específico e sinalizado, de modo a separar os do Grupo I e II dos III e IV. O
local de armazenamento deve ser dimensionado em função da periodicidade
de recolha e/ou da eliminação, devendo a sua capacidade mínima
corresponder a três dias de produção. Caso este prazo seja ultrapassado, até
um máximo de 7 dias, deverão existir condições de refrigeração no local de
armazenamento. 6
6
http://www.netresiduos.com/cir/rhosp/introrhosp.htm
14
O destino a dar aos resíduos hospitalares levanta sérios problemas atendendo
à sua natureza - uma parte considerável está contaminada por via biológica ou
é química e radioactivamente perigosa.

6.2 – Recolha dos Resíduos Hospitalares

São também responsabilizados os órgãos de gestão de cada unidade de saúde


pelas seguintes acções: sensibilização e formação do pessoal em geral e
daquele afecto ao
sector em particular, nomeadamente nos aspectos relacionados com a
protecção individual e os correctos procedimentos; celebração de protocolos
com outras unidades de saúde ou recurso a entidades devidamente
licenciadas, quando não dispuserem de capacidade de tratamento dos seus
resíduos; registo actualizado dos resíduos produzidos. 7

6.3 – Tratamento dos Resíduos Hospitalares


6.3.1 - Incineração

Actualmente, os resíduos hospitalares produzidos são, na sua maioria,


submetidos a um tratamento por incineração. A incineração é um processo de
tratamento industrial de resíduos sólidos, que se define como a reacção
química em que os materiais orgânicos combustíveis são gaseificados, num
período de tempo pré-fixado, dando-se uma oxidação dos resíduos com a
ajuda do oxigénio contido no ar que é fornecido em excesso em relação às
necessidades estequiométricas.

Este processo de decomposição térmica dos resíduos sofreu, ao longo dos


últimos anos, progressos tecnológicos, sendo os modernos incineradores de
concepção pirolítica de dois estágios regidos pelos seguintes princípios:
temperatura, tempo de residência e turbulência. No primeiro estágio, designado
7
http://www.netresiduos.com/cir/rhosp/introrhosp.htm
15
por pirólise, os resíduos são submetidos a temperaturas de 650-800 ºC, num
ambiente com carência de oxigénio onde se dá a combustão completa, com
formação de gases combustíveis. No segundo estágio (termo reactor),
processa-se a combustão dos gases de pirólise à temperatura de 1100 ºC,
durante 2 segundos no mínimo, na presença de oxigénio em excesso, para
garantir a combustão completa.

A operação de uma central de incineração só pode ser considerada correcta se


os detritos sólidos resultantes da combustão - cinzas e escórias - e os gases
emitidos na atmosfera forem estéreis e não contribuírem para a poluição
ambiental do solo e do ar, facilitando assim as soluções de destino final. Por
isso, é necessário tratar as emissões gasosas, devido ao tipo de resíduos
(clorados) provenientes dos materiais incinerados.

A energia térmica, originada na queima dos resíduos, pode ser aproveitada


para aquecimento, através da produção de vapor, ou ser utilizada na produção
de energia eléctrica, podendo-se recuperar o equivalente a metade da energia
dissipada.

Devido aos seus riscos ambientais e custos de exploração, o processo de


incineração só deve ser utilizado quando não existem outras tecnologias
alternativas para o tratamento de determinados tipos de resíduos.8

6.3.2 - Desinfecção

A desinfecção, química ou térmica, aparece como uma alternativa de


tratamento à incineração. As tecnologias de desinfecção mais conhecidas são
o tratamento químico, a autoclavagem e o microondas. Estas tecnologias
alternativas de tratamento de resíduos hospitalares permitem um
encaminhamento dos resíduos tratados para o circuito normal de resíduos

8
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/361/2/Corpo+da+tese.pdf

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sólidos urbanos (RSU) sem qualquer perigo para a saúde pública, podendo
representar custos inferiores para as instituições sem unidades de incineração
própria. A principal desvantagem desta tecnologia consiste no facto de apenas
se desinfectarem os resíduos, o que torna a sua aplicação ineficiente
relativamente a produtos químicos e radioactivos.

6.3.3 - Desinfecção química

O tratamento químico consiste numa série de processos em que os resíduos


são envolvidos e/ou injectados com soluções desinfectantes e germicidas, tais
como hipoclorito de sódio, óxido de etileno e formaldeído, embora
recentemente estejam a ser desenvolvidos esforços para utilizar desinfectantes
menos poluentes. Os processos podem ser complementados com uma
trituração, prévia ou posterior, e/ou com compactação, necessitando sempre de
tratamento dos efluentes líquidos e gasosos. Este tratamento é utilizado
principalmente na descontaminação de resíduos de laboratórios de
microbiologia, de resíduos com sangue e líquidos orgânicos, assim como de
cortantes e perfurantes. 9

6.3.4 - Desinfecção térmica

Autoclavagem

A autoclavagem (desinfecção com calor húmido) é um tratamento bastante


usual que consiste em manter o material contaminado a uma temperatura
elevada e em contacto com vapor de água, durante um período de tempo
suficiente para destruir potenciais agentes patogénicos ou reduzi-los a um nível
que não constitua risco.

O processo de autoclavagem inclui ciclos de compressão e de descompressão


de forma a facilitar o contacto entre o vapor e os resíduos.
9
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/361/2/Corpo+da+tese.pdf

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Os valores usuais de pressão são da ordem dos 3 a 3,5 bar e a temperatura
atinge valores os 135ºC. Este processo tem a vantagem de ser familiar aos
técnicos de saúde, que o utilizam para esterilizar diversos tipos de material
hospitalar.

Microondas

A irradiação por microondas é uma tecnologia mais recente de tratamento de


resíduos hospitalares e consiste na desinfecção dos resíduos a uma
temperatura elevada (entre 95 e 105ºC), os quais são triturados antes ou
depois desta operação. O aquecimento de todas as superfícies é assegurado
pela criação de uma mistura água e resíduos .10

Incineração versus autoclavagem

Os resíduos hospitalares de risco biológico pertencentes ao grupo III poderão


ser incinerados ou sujeitos a um tratamento eficaz que permita a sua
eliminação como resíduos urbanos, enquanto que o grupo IV integra resíduos
hospitalares específicos de incineração obrigatória. Neste estudo registou-se
um domínio da incineração sobre a autoclavagem como tratamento final dos
resíduos do grupo III, existindo, ainda dois casos em que é utilizada a
desinfecção química. Visto a incineração e a autoclavagem serem os
tratamentos mais utilizados no nosso país para tratamento do grupo III,
apresenta-se no Quadro 1 uma síntese das vantagens e inconvenientes de
cada um deles.

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https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/361/2/Corpo+da+tese.pdf -

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7 - Processos de tratamento vantagens e
inconvenientes

7.1 - Incineração - eficaz no tratamento de todos os resíduos;

- Redução de peso para 10%;

- Redução de volume para 3%;

- Recuperação e/ou produção de energia;

- Ausência de odores;

- Elevados custos de investimento e exploração;

- Significativa necessidade de tratamento dos efluentes gasosos;

- Opinião negativa da população.

7.2 - Autoclavegem - custo de operação baixo;

- Redução de volume (até 20%);

- Processo considerado limpo, não necessitando de avaliação de impacte


ambiental;

- Utilização restrita a resíduos de risco biológico;

- Produção de efluentes líquidos e gasosos, embora pouco significativa

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7.3 - Uma questão de bom senso11

A separação dos resíduos sólidos hospitalares é fundamentalmente uma


questão de bom senso, de responsabilidade e de hábito.

O sucesso da triagem dos resíduos sólidos hospitalares depende de todos os


profissionais de saúde, que como produtores de resíduos sólidos hospitalares
tem a formação necessária para identificar e separar correcta e eficazmente
resíduos em:

- Não perigosos ou equiparados a urbanos;

- Perigosos do ponto de vista microbiológico e/ou químico;

Os resíduos susceptíveis de causar repugnância e sensibilidade negativas na


opinião pública, deverão ser objecto de criteriosa separação e
acondicionamento.

7.4 - Uma questão legal12

Os resíduos sólidos hospitalares são objecto de regulamentação especifica


publicada em Diário da Republica. Os despachos do Diário da Republica
nº242/96, de 13 de Agosto e nº 761/99, de 31 de Agosto, estabelecem regras
para a gestão dos resíduos sólidos hospitalares nas vertentes da triagem,
acondicionamento selectivo, recolha, armazenamento, transporte e tratamento.

Os resíduos sólidos hospitalares devem ser separados por grupos.

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12
Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar do Hospital Padre Américo - Penafiel

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7.5 - Uma questão técnica1

Para a implementação de uma triagem eficiente e operacional, é necessário


dotar os serviços clínicos e instituições dos respectivos meios de
acondicionamento de resíduos sólidos hospitalares indispensáveis para o
desempenho desta actividade.

Os recipientes para acondicionamento de resíduos sólidos hospitalares


actualmente nas Instituições de Saúde, são:

- Sacos plásticos;

- Caixas de cartão e contentores de polietileno de alta densidade reutilizáveis;

- Contentores de plástico de uso único;

Os recipientes para acondicionamento de resíduos sólidos hospitalares,


deverão possuir características de modo a permitir a identificação clara da sua
origem (serviço e data) e grupo de resíduos, por parte dos intervenientes. A
adopção de códigos de cor para os recipientes é fundamental para este
propósito, segundo o despacho 242/96, de 13 de Agosto.

21
7.6 - Uma questão económica13

Ao separar criteriosamente os resíduos produzidos, alcançamos economias


devido a:

- Redução da quantidade de resíduos susceptíveis de tratamento especifico;

- Redução dos custos de tratamento;

- Recolha selectiva de resíduos recicláveis;

- Promoção da imagem ecológica da Instituição de Saúde;

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Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar do Hospital Padre Américo - Penafiel

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8 – Conclusão
A elaboração deste trabalho proporcionou uma explicitação sobre os resíduos
hospitalares, o tratamento a que são sujeitos e o seu efeito no ambiente.

O tratamento de resíduos hospitalares acarreta para alem de uma prévia


disponibilidade por parte dos profissionais para uma triagem eficiente, custos
elevados e um impacto ambiental negativo.

A consciência de que determinados resíduos hospitalares (sangue, secreções,


material ionizado, produtos químicos e tecidos humanos), enquanto focos de
contaminação, constituem perigo para a saúde pública, tornou-se mais aguda a
partir do desenvolvimento de graves doenças transmissíveis, como a SIDA e a
hepatite B. Esta situação levou ao aumento das preocupações com os
cuidados a ter com os resíduos hospitalares. Com efeito, a heterogeneidade da
massa dos resíduos hospitalares e a falta de preparação das unidades de
incineração para o tratamento de quantidades crescentes de resíduos têm
levado à impossibilidade do cumprimento dos limites de emissão de gases
cada vez mais estritos.

Os esforços feitos para remediar esta situação e que incluem a instalação de


unidades de incineração de maiores dimensões e o tratamento adequado das
emissões gasosas geram custos que contribuem presentemente para um
significativo aumento das despesas das entidades hospitalares.

Assim, tem-se tornado necessário o desenvolvimento de diferentes práticas de


gestão de resíduos hospitalares que permitam a redução da quantidade de
resíduos a tratar e a introdução de processos de tratamento alternativos à
incineração.

23
A evolução que se verificou nos conceitos que suportam a gestão dos resíduos
hospitalares determinou a necessidade de uma classificação que garantisse
uma separação mais selectiva na origem e permitisse o recurso a tecnologias
diversificadas de tratamento. Classificou-se os resíduos hospitalares em quatro
grupos distintos, sendo os resíduos objecto de tratamento apropriado
diferenciado consoante o grupo a que pertençam.

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9 - Bibliografia

 http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm

 http://www.inresiduos.pt

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Lixo

 http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm

 http://www.aguaonline.co.pt/aguasresid/sobre.htm

 http://www.netresiduos.com/cir/rhosp/introrhosp.htm

 http://www.netresiduos.com/cir/rhosp/introrhosp.htm

 https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/361/2/Corpo+da+tes
e.pdf

 Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar do Hospital Padre Américo


– Penafiel

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