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Relatório Processual de Construção das Diretrizes para o Plano Diretor da Zona Cultural Praça da Estação

ZONA CULTURAL PRAÇA DA ESTAÇÃO


DOCUMENTO DE DIRETRIZES E RECOMENDAÇÕES PARA O PLANO DIRETOR

Autores Data Revisão

José Oliveira Junior 13/12/2016 1.0

Caroline Craveiro 13/12/2016 1.0

Felipe Bernardo Furtado Soares 13/12/2016 1.0

Evandro Fagner da Silva 15/12/2016 1.1

Autores Data Revisão

José Oliveira Junior 02/06/2017 2.0

Débora de Almeida Dias 02/06/2017 2.0

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Relatório Processual de Construção das Diretrizes para o Plano Diretor da Zona Cultural Praça da Estação

BELO HORIZONTE, Fundação Municipal de Cultura e Conselho Consultivo Zona Cultural Praça da
Estação. Relatório processual de construção das diretrizes para o plano diretor. Belo Horizonte:
Fundação Municipal de Cultural, 2017 (manuscrito)

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Zona Cultural Praça da Estação


Relatório processual de construção das diretrizes para o plano diretor

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Tarde de trabalho do conselho consultivo Setembro 2016 - Sala de reuniões FMC


Da esquerda para direita: Felipe Soares (UFMG), Matheus Cotta (Iphan), Tarcísio Morais (População de rua), Maria Thereza (Políticas Sociais), Débora Dias (Cultura),
Evandro (Cultura), Laura Renno (Planejamento Urbano), Izabel Dias (Planejamento Urbano), Marília Chaves (UFMG), Caroline Craveiro (Cultura)

Tarde de trabalho - Mutirão andante


Da esquerda para direita: Marília Chaves (UFMG), Tarcísio Morais (População de rua), Hely Rodrigues (Morador), Felipe Soares (UFMG), Antônio Eustáquio (Edifício
Central), Reginaldo Dória (Meio Ambiente), Laura Rennó (Planejamento Urbano)

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Apresentação

Em 1895, a estação foi marco do início da construção nova capital do estado que viria a
se instalar no antigo arraial. A praça propriamente dita teve sua construção entre 1904 e 1914.
Simbolicamente, estes quase vinte anos presenciaram o nascente movimento do que viria a ser
Belo Horizonte, pois ali chegavam pessoas e matérias primas para a construção da cidade e dali
saíam as pessoas que vinham conhecer o ambiente da nascente capital, constituindo o centro
do núcleo urbano inicial. Partindo disto compreende-se porque, nos dias de hoje, a região da
praça da estação tem um papel fundamental na compreensão dos processos urbanos históricos
de Belo Horizonte.

A comissão de acompanhamento criada para discutir o espaço pontua desta forma a


importância da praça e seu entorno e a importância de se criar um programa específico
territorialmente localizado: “A Praça da Estação é uma região de importância histórica,
arquitetônica, cultural e simbólica. O objetivo do programa é potencializar a região da Praça da
Estação culturalmente, mantendo suas características identitárias”. (BELO HORIZONTE, 2013,
p.2)

Cultura e o planejamento urbano

Em 2014, em meio ao processo de constituição do grupo que iria acompanhar a


implantação de um programa específico para a região da praça, Belo Horizonte torna-se cidade
piloto da Agenda 21 da Cultura, sendo signatária do documento “Compromissos relativos ao
papel da cultura em cidades sustentáveis”. Esta conjunção reforçava a importância da
constituição da proposta. Organizada em nove eixos, a Agenda 21 da Cultura é como uma
plataforma de atuação para as políticas públicas locais. No eixo “Cultura, ordenamento urbano
e espaço público” o documento aponta a necessidade de orientar o planejamento urbano
tendo explicitamente os fatores culturais como base;

O território é o resultado da interação entre o ambiente e as atividades humanas. Ao


receber a marca da ocupação humana e da sua visão do mundo, o território
transforma-se num veículo para a transmissão da história, de sentido e de significado
às populações que o habitam. Por esta razão, o território encerra uma dimensão
cultural que se manifesta, designadamente, nas práticas e nos hábitos de cidadania, no
património, na arquitetura, no design, na arte pública, na paisagem, no
relacionamento com o meio natural e no ordenamento do espaço. Os fatores culturais
são meios poderosos para construir ambientes vitais nos quais a cidadania se

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reconhece, se identifica e pode livremente realizar os seus projetos de vida. A cultura é


uma dimensão básica para reimaginar o mundo (CGLU, 2015, p. 30)

É importante que a sociedade e o Estado em suas políticas públicas e os cidadãos nas


suas micropolíticas coloquem nas suas pautas conciliar conquistas materiais (resultados
escolares, qualificação técnica, melhoria de condição econômica, de moradia, de saúde) com
conquistas subjetivas (capacidade relacional, valores, modelos de conduta, sensibilidade,
criatividade). Na ausência de condições materiais, a cultura é recurso que o sujeito sempre terá,
diferente das conquistas materiais, que podem mudar de acordo com a condição geral do país.

Conceitualmente, é importante que se defina um conjunto de referenciais que balizem


o planejamento da cidade e que levem em consideração seus aspectos históricos, culturais e de
desenvolvimento humano. Outra questão que vem se colocando na pauta do planejamento das
cidades, com o aumento da aglomeração urbana e o interesse do mercado imobiliário é como
se lida com o planejamento urbano e a recuperação de áreas da cidade sem provocar exclusão
e segregação social. Rena, Berquó e Chagas (2014) alertam para a questão:

Observa-se que, na ponta dos processos de segregação social em áreas urbanas de


interesse do mercado, vem sendo utilizado o discurso da revitalização ou
requalificação espacial, que, na prática, representa uma política que visa à substituição
do público que frequenta, habita e utiliza determinadas regiões por outros públicos, de
classes mais abastadas. Nos grandes centros urbanos, a construção de equipamentos
culturais como Museus, Bibliotecas, Óperas e Teatros tem sido determinante para o
início desse processo de enobrecimento ou, também denominado, gentrificação.
(RENA; BERQUÓ; CHAGAS, 2014, p.71)

É necessária uma atenção redobrada para o monitoramento das propostas chamadas de


“revitalização” urbana. Mas, mesmo não havendo tombamento, quando há determinada
intervenção de grande impacto em uma região, temos outro quadro que também deveria exigir
atenção dos conselhos de patrimônio, uma vez que interfere na própria perspectiva da
memória social e do ser humano.

Identificar o caráter de uma revitalização/requalificação de edifícios, monumentos, vias


urbanas, etc., pode ajudar a compreender o real impacto das intervenções. Caso o objetivo seja
higienização ou estetização para facilitar o “consumo visual”, pode ser um movimento
excludente, no qual populações que moram no local ou transitam ali, pertencentes a classes
sociais mais baixas, podem ser classificadas como “inadequadas” para estes processos e
afastadas daquelas intervenções/empreendimentos.

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É neste ponto que se situam diversos conflitos sociais no ambiente urbano. A disputa
pela ocupação da cidade é uma disputa de poder, de inclusão e exclusão e vem ocupando cada
vez mais a pauta de grandes cidades e até cidades de médio porte e exige referenciais de
regulação urbana que pensem a cidade de modo mais democrático.

Em algumas situações cabe perguntar até mesmo, se as intervenções arquitetônicas e


urbanísticas em edificações de importância histórica têm efetivamente interesse cultural,
estabelecendo um vínculo com o conjunto da sociedade local e de sua memória, ou são mais
estratégias de higienização e preparação para o consumo visual, o mercado turístico e/ou o
investimento imobiliário. Da mesma forma, cabe a análise do impacto dos deslocamentos
forçados de grupos populacionais em virtude de grandes empreendimentos imobiliários ou
grandes obras públicas, que podem marcar e reforçar nas cidades a característica excludente
ou “apagar” da memória local aspectos daquelas populações deslocadas (ZUKIN, 2000, p.83-
87).

Lopes Passos e Garcia (2011) reforçam como o caráter por vezes excludente desses
processos chamados de “revitalização” pode até mesmo enfraquecer a esfera pública sob a
roupagem de um “embelezamento” a qual, via de regra, interessa mais à valorização e
especulação imobiliária e deve ser levada em conta pelos conselhos quando chamados a emitir
opinião técnica sobre empreendimentos dessa natureza:

Governos locais e coalizões de “desenvolvimento” apostaram na “revitalização”,


combinando atividades diversas como habitação, lazer, cultura, consumo e reciclagem
de prédios históricos, criando um pano de fundo forjadamente democrático [...] essas
intervenções urbano-culturais se distanciam do reconhecimento da experiência urbana
do cotidiano, das trocas sociais e levam à valorização imobiliária e à fragmentação e
segregação socioespacial na cidade. Além disso, engendram “um processo de
enfraquecimento da esfera pública (LOPES PASSOS; GARCIA, 2011, p.4-5)

A memória é fundamental para a definição de identidade social, sendo também palco


de disputas de narrativas, de conflitos de poder, como aponta Rolnik (2000) quando diz que o
movimento pela reforma urbana, durante a elaboração da constituição de 1988, propõe “novos
instrumentos urbanísticos, que partem da ideia de ser a cidade um palco de conflitos,
pressupondo a construção permanente de um espaço público de mediação e negociação”.

A mesma autora coloca que o processo de constituição destes instrumentos


urbanísticos, com definições muito técnicas e complexas, desde índices, coeficientes, taxas,

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zonas, adensamento, proibições e permissões, entre tantos outros elementos, torna a


apropriação e uso muito difíceis pelo conjunto da população, chegando a afirmar que “possui a
função histórica de distanciar as regras de produção da cidade legal do conhecimento da
população” (ROLNIK, 2000, p.12). Ora, se este panorama impacta na percepção das pessoas
sobre o entorno, também impacta diretamente sobre o que se valoriza como patrimônio
cultural e nas referências que se utiliza para valorizar e registrar os bens de interesse cultural e
sua ambiência.

A criação da Zona Cultural Praça da Estação tem um papel importante no processo de


democratização das decisões sobre a região, mas não é solução completa, uma vez que ainda
comporta um processo de construção tensa e conflitante, mas contribui sim com o a busca de
soluções com maior participação nas decisões. Os instrumentos de regulação urbana são
fundamentais na composição de uma consistente política de preservação e proteção do
patrimônio cultural, pois direcionam procedimentos e podem impedir a preponderância do
fator econômico e do mercado imobiliário no ordenamento urbano. Sem restrições específicas
da regulação urbana e a ocupação da cidade acontecendo livremente pode acontecer de o
mercado não ter interesse de manter certos exemplares da arquitetura representativos de um
período local e buscar apenas construir novas unidades habitacionais ou “higienizar” certos
espaços da cidade.

O Conselho Consultivo da Zona Cultural Praça da Estação funcionou como uma espécie
de laboratório de experimentação das políticas de concertação sobre usos do espaço público. O
formato, a alternância de coordenação dos trabalhos entre sociedade civil e poder público, o
modo de funcionamento, os encaminhamentos práticos e a definição preliminar de uma
agenda de trabalho, cumprida pelo grupo podem ser apontados como os aspectos mais
positivos dos trabalhos do conselho. Como desafios ainda sem resolução que se colocavam
para os próximos anos podemos apontar as dificuldades em dar encaminhamentos concretos
em outros órgãos da Prefeitura de Belo Horizonte, a não resolução da questão dos banheiros
públicos na região e a alteração da lei 10.277/2011 e do decreto 14.589/2011, que tratam da
realização de atividades artísticas e culturais em praça pública.

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HISTÓRICO DO PROCESSO
ANTECEDENTES

2012 – Programa Corredor Cultural Praça da Estação


Inventário BH Estação das Artes – Corredor Cultural Praça da Estação

ETAPA 1 | 2013 / 2015

Janeiro de 2013 - PAC Cidades Históricas


Fevereiro de 2013 - Apresentação da proposta ao Conselho Municipal de Política Cultural - COMUC
Março de 2013 - Realização das reuniões públicas e Criação da comissão de acompanhamento (Portaria FMC nº
023/2013)

Comissão de Acompanhamento do Programa Corredor Cultural Estação das Artes (Posteriormente denominado
Zona Cultural Praça da Estação):
- Representante da Fundação Municipal de Cultura: Álvaro Américo Moreira Sales
- Representante do Conselho Municipal de Cultura: Rafael Barros Gomes
- Representante dos equipamentos e espaços culturais: Gustavo Baptista Bones Teixeira
- Representante dos movimentos sociais: Thiago Antônio Costa de Almeida
- Representante da classe artística: Henrique Alexandre de Sena
- Representante dos comerciantes: Antônio Eustáquio Pereira dos Santos
- Representante dos moradores do entorno: Andréia Costa
- Representante dos arquitetos e urbanistas: Flávio de Lemos Carsalade
- Representante dos esportes urbanos: João Francisco Emmermacher Seixas
- Representante da população em situação de rua: Jadir de Assis
- Representante da mobilidade e acessibilidade: João Paulo Alves Fonseca

Maio de 2013 - Reunião Pública de apresentação do projeto arquitetônico urbanístico de intervenção na praça
da estação e entorno

13 reuniões da comissão de acompanhamento (de 04 de abril de 2013 a 06 de maio de 2014)

Maio de 2014 - Recomendações do documento da comissão de acompanhamento

● Criação de um decreto com a definição de uso cultural da região da Praça da Estação


● Implantação de políticas públicas para o atendimento à População de Rua;
● Instalação de iluminação pública onde não há;
● Transferência dos pontos de ônibus da Praça da Estação para a Rua Aarão Reis, próximo ao Viaduto da
Floresta e Centro de Referência da Juventude;
● Melhoria dos abrigos de ônibus;
● Construção de banheiros públicos;
● Desburocratização de uso do espaço público;
● Reformulação do decreto que regulamenta o uso da Praça da Estação;
● Ampliação do horário de funcionamento do Parque Municipal;
● Definição de Ações Culturais/Edital para o Corredor Cultural;
● Aprovação do projeto de lei que garantirá o uso cultural;
● Realização de Plano Diretor Participativo;
● Instalação da Escola Livre de Artes no prédio da Antiga Hospedaria;
● Instalação da quadra de esportes no baixio do Viaduto da Floresta;
● Instalação de ciclovia e bicicletário;
● Viabilização do Parque Urbano definido no projeto;

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● Ações de melhoria da Rua Sapucaí, a saber: alargamento das calçadas, embutimento da rede elétrica e
diminuição da velocidade do tráfego;
● Definição de ocupação ou uso para prédio/terreno onde havia a Igreja Evangélica, próximo a o Viaduto
da Floresta;
● Alargamento das calçadas da Rua Aarão Reis e inclusão de piso para a prática do skate;
● Destinação do estacionamento da Rua Aarão Reis para mercado de uso popular;
● Destinação do estacionamento do Museu de Artes e Ofícios para o Arena da Cultura;
● Instalação de praça infantil na Rua Sapucaí.
(Para maior detalhamento verificar o “RELATÓRIO COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO”, de Junho de 2014)

Junho de 2014 - Publicação do Decreto 15.587/2014, que Institui a Zona Cultural Praça da Estação

Delimitação original 06/2014)

“... Art. 4º. Fica criado o Conselho Consultivo da Zona Cultural Praça da Estação, órgão colegiado de caráter
consultivo e de assessoramento, vinculado à Fundação Municipal de Cultura, composto por 6 (seis) membros e
respectivos suplentes a serem designados por portaria do Prefeito, sendo 3 (três) representantes do Poder
Executivo Municipal e 3 (três) representantes da Sociedade Civil organizada com reconhecida atuação na área
cultural
Art. 5º - A Zona Cultural Praça da Estação contará com um plano diretor participativo a ser elaborado em até 1
(um) ano após a publicação deste Decreto, sob a coordenação da Fundação Municipal de Cultura, assegurada a
participação da Sociedade Civil…”

21 de Agosto de 2014 - Reunião Pública para indicação de 3 representantes da sociedade civil - não houve
indicação de representações, pois os presentes definiram condições para que isto ocorresse.

Agosto de 2014 a Abril de 2015 - A FMC tomou as providências relativas às condições levantadas pela sociedade
civil na reunião de 21/08/14 na qual foram apontados as seguintes pendências: a) Edital para a região; b)
BHTrans e pontos de ônibus; c) Grupo de servidores efetivos para acompanhar a Zona Cultural Praça da Estação.
Estes encaminhamentos cabiam à FMC e BHTrans. A BHTrans retornou com pontos de ônibus para o local, e a
FMC justificou por cortes no orçamento a não realização do edital e criou grupo de técnicos para acompanhar a
Zona Cultural. No âmbito do COMUC não houve discussões específicas sobre a Zona Cultural.

15 de Abril de 2015 - Reunião Pública para indicação de 3 representantes da sociedade civil. Houve deliberação
para o aumento de número de representantes do poder público e da sociedade civil e eleição de representantes
da sociedade civil. Indicativo de alteração do decreto.

Junho de 2015 - Publicação do Decreto nº 16.001, de 15 de junho de 2015, com a ampliação do número de

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membros do conselho consultivo (passou para dez, sendo cinco do poder público e cinco da sociedade civil) e
prorrogação de prazo para a entrega do plano diretor.

Julho de 2015 - Portaria nº 6.667, Designa os integrantes do Conselho Consultivo.

Integrantes designados:
I - representantes do Poder Executivo Municipal:
Fundação Municipal de Cultura: Leônidas José de Oliveira, titular, e Carlos Henrique Bicalho, suplente
(substituído por José Oliveira Júnior em Setembro de 2015).
Secretaria Municipal de Políticas Sociais: Maria Gláucia Costa Brandão, titular, e Reginaldo Jorge Dória, suplente.
Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte S/A – BHTrans: Eveline Prado Trevisan, titular, e Luis
Fernando Libânio, suplente.
Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano: Izabel Dias de Oliveira Melo, titular, e Laura Rennó
Tenenwurcel, suplente.
Secretaria de Administração Regional Municipal Centro-Sul: Marcelo de Souza e Silva, titular, e Cláudia Márcia
de Lima, suplente.
II - representantes da Sociedade Civil:
Natacha Rena, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, titular, e Flávio de Lemos
Carsalade, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, suplente.
Vítor Diniz, do Baixo Centro Cultural, titular, e Ana Zuleima Castro Luscher, da Amigos da Rua Goitacazes,
suplente.
Antônio Eustáquio Pereira dos Santos, do Edifício Central, titular, e Hely Rodrigues Vieira de Souza, da Rede
Catitu, suplente.
Matheus Guerra Cotta, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, titular, e Andrea Nunes Gaspar,
Moradora do Centro, suplente.
Marco Aurélio Arruda Teixeira, Morador do Centro, titular, e Denison Dene Veloso, do Edifício Central, suplente.

Discussões do Regimento interno - o jurídico avaliou a proposta de regimento, mas a instituição deliberou pela
articulação do Conselho Consultivo Zona Cultural Praça junto ao COMUC

Discussão decretos atividades artísticas na rua

Realização de manifestações culturais na Praça da Estação - Proposta FMC


Que a Praça da Estação possa ser liberada para a realização das Manifestações Interesse do Patrimônio Cultural
do Município, gratuitamente, mediante comunicação à regional correspondente:
• manifestações culturais reconhecidas pelo executivo municipal, estadual ou federal como patrimônio
cultural.
• manifestações da cultura popular e tradicional, tais como folguedos, festas folclóricas, festas do
calendário religioso e capoeira.
• manifestações da cultura urbana, isto é, expressões de artistas, solo ou em grupos, que desenvolvem
sua arte nas ruas, em espaços públicos que são democratizados, criando novas formas de
sociabilidades.
Classificação: a avaliação das demandas para fim de classificação das manifestações artísticas e culturais de
interesse do patrimônio cultural do Município seria feita pela FMC.
Gratuidade: as realizações das manifestações artísticas e culturais de Interesse do Patrimônio Cultural do
Município ficam dispensadas do pagamento de preços públicos em função do seu interesse público cultural.
Comunicação à Secretaria Municipal Adjunta de Administração Regional correspondente, com antecedência
mínima de 05 dias úteis.
Devem ser concluídas até as 22h00 (vinte e duas horas).
A concentração de artistas e de público no local da atividade não obstrua a circulação de pedestres ou veículos,
não havendo necessidade de desvio de trânsito.
Não promova espetáculo pirotécnico.
Não utilizem gás liquefeito de petróleo.
Em caso de montagem de palco ou congênere o artista ou promotor deverá apresentar a respectiva

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documentação técnica. Esta exigência fica dispensada na hipótese de montagem de palco ou congêneres, com
área até 16 m² e 80 cm de altura em relação ao piso.

ETAPA 2 | 2015 / 2016

Nova composição do Conselho Consultivo

I - representantes do Poder Executivo Municipal:


Fundação Municipal de Cultura: Leônidas José de Oliveira, titular, e José Oliveira Júnior, suplente;
Secretaria Municipal de Políticas Sociais: Maria Thereza Nunes Martins Fonseca, titular, e Reginaldo Jorge Dória,
suplente;
Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte S/A – BHTrans: Eveline Prado Trevisan, titular, e Luis
Fernando Libânio, suplente;
Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano: Izabel Dias de Oliveira Melo, titular, e Laura Rennó
Tenenwurcel, suplente;
Secretaria de Administração Regional Municipal Centro-Sul: Marcelo de Souza e Silva, titular (vago atualmente),
e Cláudia Márcia de Lima, suplente;
II - representantes da Sociedade Civil:
Felipe Bernardo Furtado Soares, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, titular, e
Tarcísio da Costa Morais, suplente ;
Patrícia Fonseca de Alencar, titular, e Ramon Wesley Paixão Ferreira, suplente;
Antônio Eustáquio Pereira dos Santos, do Edifício Central, titular, e Hely Rodrigues Vieira de Souza, da Rede
Catitu, suplente;
Matheus Guerra Cotta, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, titular, e Marília Pimenta
Chaves, suplente;
Evandro José de Oliveira, titular, e Silas Santos Fernandes, suplente.

Principais discussões do período

Definição da Metodologia do Plano Diretor e Plano de Trabalho a partir de propostas preliminares dos
Conselheiros (Indisciplinar UFMG e SMAPU) e organização dos Grupos de Trabalho; interface entre os Conselhos
(COMUC e CDMPCBH).
Definição de rotatividade na presidência do conselho entre o poder público e a sociedade civil:
- Anos pares - Presidência da sociedade civil e Secretaria Geral do poder público;
- Anos ímpares - Presidência do poder público e Secretaria Geral da sociedade civil;
Discussões sobre as demandas do “Real da Rua”, que continuam sem retorno institucional. Os integrantes do
Real da Rua solicitaram a presença do presidente da Fundação e não apenas de representantes, para que haja
decisão técnica e política;
Sinalização da praça da estação, que não foi aprovada pelo IEPHA;
Definições acerca dos banheiros na região do viaduto, demanda central dos membros do conselho e dos
movimentos, que ainda dependem de retorno da regional centro sul;
Redefinição de atribuições do conselho consultivo;
Estudo relativo aos limites da Zona Cultural Praça da Estação;
Decreto de fechamento da rua Sapucaí entre Assis Chateaubriand e Avenida Francisco Salles, sem
encaminhamento por parecer negativo da BHTrans;

Agosto de 2016 - DECRETO Nº 16.405

Inserções no artigo 2º (Redefinição das atribuições)

II - diligenciar pela preservação do conjunto arquitetônico, histórico e paisagístico;


III - estimular a realização de atividades culturais, artísticas, de lazer e entretenimento;
IV - estimular a integração entre a comunidade local e o público visitante; [...]
VI - contribuir para a regulamentação cidadã do uso do espaço público.”.

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Alterações no artigo 4º (vinculação das decisões ao plenário do COMUC e criação da mesa diretora)

VII - acompanhar o calendário de eventos da área cultural e propor ao Conselho Municipal de Política Cultural
encaminhamentos relativos à área; [...]
X - sugerir ao Conselho Municipal de Política Cultural questões relativas à utilização do espaço urbano.
§ 1º - A coordenação dos trabalhos do presente Conselho será realizada por uma Mesa Diretora, composta por
01 (um) membro representante do Poder Público e 01 (um) membro representante da Sociedade Civil.
§ 2º - O Conselho elaborará, semestralmente, relatório de suas atividades para apreciação no Conselho
Municipal de Política Cultural.
§ 3º - Faculta-se à Mesa Diretora, quando decidido pela maioria simples dos membros do Conselho, o
encaminhamento formal de pedido de deliberação sobre temas específicos ao Conselho Municipal de Política
Cultural.

Instituição de novos limites

Um dos principais avanços do grupo de membros do conselho consultivo foi a definição dos novos limites da
Zona Cultural Praça da Estação, consolidada no Decreto 16.405/2016. Foram incluídos três novas áreas, após
discussões e ajustes promovidos pelo Conselho Consultivo: a) O trecho entre Rua Paraíba, dos Timbiras e
Avenida Professor Alfredo Balena; b) o trecho compreendido entre a Avenida Francisco Sales, Avenida dos
Andradas e Avenida Assis Chateaubriand; c) o trecho compreendido pelo quarteirão entre a rua da Bahia e a Rua
Espírito Santo, Avenida Santos Dumont, rua Rio de Janeiro e Avenida dos Andradas.

Redefinição de documento final a ser entregue pelo Conselho Consultivo

Art. 5º - A Zona Cultural Praça da Estação contará com um plano diretor participativo a ser elaborado com base
em documento reunindo um conjunto de diretrizes desenvolvido pelo Conselho previsto no art. 4º deste
Decreto.”

Definição de agenda para a entrega do conjunto de diretrizes

Por meio do procedimento cartográfico, conhecer os agentes e as ações que têm e tiveram impacto no território

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da Zona Cultural a partir do ano de 2009 para subsidiar a construção de um Plano Diretor para região. A
realização dessa cartografia permitirá conhecer o processo de produção social do espaço em que pretende
interferir esse Conselho ao final de seus trabalhos com a proposição de um plano diretor para a região.
Como marco temporal inicial dessa cartografia, propõe-se o ano de 2009, em que foi promulgado o Decreto
13.798/09, que restringia o uso da Praça da Estação a grandes eventos e acabou por desencadear
movimentação social e discussões políticas sobre os usos desejáveis para a região ao redor da Praça, que, em
grande medida, coincide com o território da Zona Cultural.
Em um primeiro momento, propõe-se a realização de um resgate histórico das ações tomadas pelos agentes que
atuam na região. Para tanto, sugere-se a formação de dois grupos de trabalho entre os conselheiros que
ficariam responsáveis por realizar o procedimento cartográfico. Para este trabalho, propõe-se que o Grupo 1
faça a investigação a partir das ações protagonizadas pelo Poder Público e o Grupo 2 pelas ações protagonizadas
pela sociedade civil.
Em relação ao poder público, por exemplo, a proposta é que sejam compilados todos os atos políticos e
legislativos que tenham influência no território da Zona Cultural. Assim, seria preciso conhecer atos normativos
(decretos, portarias, leis), políticas públicas, contratos, propostas de operações urbanas simplificadas, etc, que
incidam na região.
Em relação à sociedade civil, propõe-se o resgate dos movimentos sociais, ocupações culturais e outras
organizações cujas ações tiveram e têm relação com aquele território. O processo de cartografia deve envolver
o histórico de atuação desses grupos, bem como suas pautas, demandas, conflitos levantados, como também
estimular sua participação nas atividades do Conselho, por meio de consultas públicas e convites para
exposições por figuras importantes. Sugere-se a realização de um evento aberto para apresentação e debate
dos relatórios de cada Grupo do Conselho.

Grupo 01 - Uso dos espaços públicos > Questões: ambulantes; invasões; população de rua; usos e abusos do
espaço público; patrimônio; grafismos urbanos; diversidade cultural; culturas de rua; banheiros
Evandro José de Oliveira (Evandro Emeci); Felipe Soares; Hely Rodrigues; Izabel Dias; Reginaldo Dória; Tarcísio
Costa
Grupo 02 - Uso das Edificações > Questões: relação com espaço público; estacionamentos; vazios; usos
desejáveis; vias; viadutos; transportes; banheiros; sinalizações
Antônio Eustáquio; Laura Rennó; Luis Fernando Libânio; Marília Pimenta;

- Mutirões andantes de reconhecimento;


- Reuniões temáticas (Ambulantes, População de rua);
- Sinalização Indicativa da Zona Cultural Praça da Estação;
- Sinalização Interpretativa da rua da Bahia;
- Plano Diretor e suas configurações - SMAPU;
- Plano Diretor do Parque Municipal - DIPC/FMC;
- Cotejamento das especificidades previstas nas ADEs do Plano Diretor;
- Atualização do inventário de equipamentos de cultura e arte, sugerido para ser feito por meio da DIPC;
- Linha do tempo com Histórico dos usos de equipamentos e espaços, pelo INDISCIPLINAR/UFMG;
- Construção coletiva por meio virtual do documento de diretrizes;

Junho de 2016 - Reunião pública para apresentação das atividades do conselho consultivo e recomposição do
conselho.

Dezembro de 2016 - Reunião pública com apresentação do documento de diretrizes e recomendações

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DOCUMENTO DE DIRETRIZES E RECOMENDAÇÕES


CONJUNTO DE PROPOSTAS DE DIRETRIZES PARA A ZONA CULTURAL PRAÇA DA ESTAÇÃO ELABORADAS PELOS
GRUPOS DE TRABALHO E DISCUTIDAS E APROVADAS PELO CONSELHO CONSULTIVO.

INFRAESTRUTURA

a) iluminação
- Medidas para diminuir o furto dos equipamentos públicos.
- Instalação de iluminação pública onde não há; uma iluminação pública voltada para os transeuntes do
espaço: baixio do Viaduto; quadra de basquete; Centro e Quatro; Guaicurus; Espírito Santo; Itambé;
Bahia; Escadas do Viaduto.
b) transporte público/mobilidade
- Melhoria dos abrigos de ônibus - Instalação de abrigos com segurança, iluminação, conforto, nos
pontos de ônibus na Praça da Estação e Rua Aarão Reis.
- Instalação de ciclovias e bicicletários, à exemplo da Zona 30 e Zona 30 Hospitalar – tráfego
compartilhado de veículos e bicicletas - “Zona 30 Cultural”.
- Projeto especial para embarque e desembarque de passageiros de trem, para reduzir impactos na
circulação local em horários de chegada e saída.
c) banheiros públicos
- Construção de banheiros públicos fixos: gratuitos e com funcionamento 24 horas; banheiros com
vestiário e chuveiro.
- Prever banheiros públicos na via férrea no início da Rua Sapucaí.
- Banheiros químicos não comprometendo os usos dos espaços públicos.
- Finalizar a obra do Viaduto Santa Tereza e liberar os banheiros.
- Mapa de banheiros públicos na região e banheiros pagos com acesso aberto ao público.
- Banheiros temporários: Estudo para inclusão no orçamento de 2017 para contratação de banheiros
químicos para eventos.
- Parcerias para gestão dos banheiros públicos: sensibilizar os equipamentos privados para a
implantação/manutenção/ gestão de banheiros.
- Incentivos e Isenção fiscal aos equipamentos que disponibilizarem banheiros ao público.
- Novo empreendimento a serem licenciado, com impacto na Zona Cultural, deverá analisar como
contrapartida a implantação e manutenção de banheiro público.
- Indicação de Contrapartida dos grandes eventos: parte da taxa paga no licenciamento destinada a um
Caixa para manutenção dos banheiros públicos.
- Licenciamento dos grandes equipamentos culturais, em especial os privados.
- Manutenção e conservação periódica da Praça da Estação.
d) Manutenção/conservação e incentivos
- Manutenção e conservação periódica da Praça da Estação.
- Disponibilização de água potável com acesso público e gratuito.

ESPAÇO PÚBLICO

a) segurança
- Incentivo a outros métodos de segurança que não sejam ostensivos – proibição de mecanismos como
pedras pontiagudas, arames, arbustos espinhosos e etc.
- Reforçar a necessidade de agentes públicos instruídos a uma abordagem humanizada. – GMBH e
PMMG não-armada; canal de diálogo com as forças de segurança.
- Incluir a proteção animal na política de cuidados da região

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b) vias e viadutos
- Manutenção das premissas do concurso nacional para valorização da Rua Sapucaí da Associação
Brasileira de Cimento Portland – concurso nacional Ousadia para estudantes de Arquitetura.
- Utilização da rua paralela entre Sapucaí e linha férrea para eventos e atividades culturais.
- Amadurecer a possibilidade de Parceria Público-Comum, com movimentos (ex: Espaço Luiz Estrela e
Tina Martins)
- Reformulação do decreto que regulamenta o uso da Praça da Estação de acordo com as diretrizes do
Conselho.
- Colocar faixa de segurança e sinal para travessia de pedestres no lado esquerdo da Rua da Bahia –
Viaduto Santa Tereza
- Aumentar a largura dos passeios para pedestres no Viaduto da Floresta
- Aumentar o tempo que os sinais de pedestres ficam abertos, especialmente os da Av. dos Andradas e
ruas próximas.
c) eventos
- Necessidade de valorização dos eventos que já acontecem- qualquer edital para a Zona Cultural deve
incluir como critério de seleção um histórico de vínculo com o território – os movimentos que já atuam
de alguma maneira teriam bônus nos editais de seleção.
- Não cobrar alvará de eventos com histórico na região e que sejam gratuitos, diante da impossibilidade
de pagamento
- Reconhecer a organização autônoma de eventos/eventos espontâneos – valorização dessas
manifestações.
- Palco, iluminação, bebedouro e banheiros disponíveis, independente do alvará, para esse tipo de
evento.
- Calendário/ inventário de eventos (eventos no espaço público, eventos em edificações, eventos
temporários, eventos fixos como a Feira Hippie, eventos espontâneos, eventos programados, diários,
semanais, mensais, anuais). eventos citados: transborda, duelo de MCs (antigamente tinha o BH Canta
e Dança, rap na praça), o Eletrônica, Carnaval de Rua de Belo Horizonte, Bloco Corte Devassa.
- Divulgação/espaço no blog para a exposição desse histórico/calendário - ter espaço para que possa ser
livremente preenchido. Incentivar um site oficial com essa programação e abertura de edital para
ocupação por eventos.
- Gratuidade e funcionamento do metrô até 2 horas da madrugada quando tiver grandes eventos na
região
- Proibição de eventos em espaços públicos com cobrança de ingresso para entrada e uso de grades para
controle de entrada. Incentivar eventos gratuitos.
- Rediscutir conceitos legais de “evento” e “manifestação cultural”.
- Submeter eventos grandes ao conselho. Estabelecer alguns critérios (gratuidade, ausência de cercas,
forma de financiamento histórico, periodicidade, impacto em outros eventos espontâneos) para
manutenção dos eventos da Zona Cultural.
- Promover discussões públicas sobre os eventos fixos do município.
d) vendedores ambulantes
- Medidas para a melhor estruturação da condição de trabalho da classe, bem como a promoção da
cultura de rua. Consultar a Associação de Vendedores Ambulantes de Belo Horizonte – AVA—BH para
incorporação das medidas
- Manifestar contrariamente à apreensão dos materiais, ainda que dos vendedores não regulamentados
(se o produto for lícito); promover edital semelhante ao do carnaval, dando preferência a pessoas com
menos condições.
- Cadastro temporário e provisório que possibilitaria o trabalho dos ambulantes, numa forma de
“licenciamento provisório”.
- Promover ações tendo em vista coibir o uso de mão de obra de crianças e adolescentes junto ao
trabalho de ambulantes.
e) cultura urbana/pixo/grafite
- Reconhecer as culturas urbanas da Zona Cultural Praça da Estação
- Construir um inventário dos registros dos bens imateriais/materiais da Zona Cultural. (ex: pichação,

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grafite, catuçaí, duelo de mcs, tira o queijo, etc).


- Estimular a criação de murais por meio de oficinas realizadas por artistas da cidade para crianças,
adolescentes e jovens, visando a conscientização da necessidade de políticas sociais de proteção a
crianças e adolescentes.

PATRIMÔNIO CULTURAL

a) águas
- Sinalização que resgate os fluxos existentes, principalmente Rios que saem de outros pontos da cidade
e chegam a Zona Cultural devem constar no Plano Diretor
b) sinalização
- Realocação da placa do viaduto Santa Tereza que interfere na visibilidade a partir do edifício Sulacap
c) patrimônio histórico
- Incentivar a abertura das grades de acesso ao Edifício Sulacap.
- Parque aberto 24 horas com acesso fácil e flexibilizado - Retirada do gradil de ferro
d) comércio
- Destacar a diversidade dos comércios existentes e também fazem parte da cultura local e o caráter
popular desse comércio.
a) Ambulantes
- Apoiar o reconhecimento dos ambulantes como Patrimônio Cultural Imaterial de acordo com a
demanda oriunda da AVA-BH.
- Reconhecer a importância dos trabalhadores ambulantes para as culturas de rua da Zona Cultural Praça
da Estação.

EDIFICAÇÕES

a) equipamentos
- Carências da região levaram a ocupações em 2016: Tina Martins, CRJ e Funarte com a população em
situação de rua
- Rediscutir a locação da Escola Livre de Artes (ELA) na Zona Cultural, melhorar sua relação com o espaço,
visto que o equipamento é escondido, bem como para incluir espaços de apresentação
- Destinação do estacionamento do Museu de Artes e Ofícios para a ELA.
- Discutir editais de ocupação para atividades no Museu de Artes e Ofícios (MAO) e Serraria Souza Pinto.
- Implantação de Equipamento destinado à mulher (Centro de Referência) na região da Rua Guaicurus.
-
b) imóveis e lotes vazios/subutilizados
- Mapear todos os imóveis vazios e subutilizados;
- Propor / registrar outras possibilidades de uso, mesmo reconhecendo a cessão em andamento
- Sugerir possíveis usos imóveis vagos da RFFSA, no contexto da Zona Cultural, mesmo para aqueles com
processo concessão/ destinação em andamento - consulta aberta sobre os usos desejáveis para essa
área.
- Sugerir a aplicação de instrumentos como o IPTU progressivo nos imóveis vazios e subutilizados e
aluguel social nos vazios sem proposta existente de para equipamento de uso público e tipologia
adequada para habitação.
- Promover um debate público sobre a destinação dos imóveis públicos vazios, de acordo com as
diretrizes da Zona Cultural.
c) estacionamentos
- Levantamento sobre o número de vagas de estacionamentos
- Manifestar contrariamente ao uso de espaços públicos como estacionamentos privados (TJMG, DER,
PCMG)
d) espaço público privatizado

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- Área de estacionamento da Clinica Coopeder sob o viaduto Francisco Sales é de propriedade do


município
- Área de estacionamento próximo a FUMARC sob o viaduto Francisco Sales é usada pelo poder
municipal como estacionamento

POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

- Incentivar construção de estruturas físicas para a população em situação de rua na Zona Cultural e
posicionamento contrário a medidas higienistas.
- Definir possíveis áreas / terrenos públicos para esse fim na área central / Zona Cultural.
- Construção de albergues na área central. É necessária a construção de mais albergues e banheiros.
- Incluir em licenciamentos (contrapartidas)
- Cessão de espaços para atividades artísticas
- Incluir no Plano Diretor uma lista de possibilidades de investimentos e ações (de vários portes) para
serem consultadas nos processos de licenciamento.
- Projeto para que as pessoas em situação de rua se tornaram guias turísticos remunerados
adequadamente mediante diretrizes e capacitação fornecida pelo fórum de população de rua.

GENTRIFICAÇÃO

- Premissa ética: “melhorar sem expulsar”.


- A zona de impacto do hotel e TRT deve estar nas diretrizes.
- Impulsionar espaços de valorização desses segmentos nos territórios onde há processos de
Gentrificação, como a instalação do Centro de Referência da Pessoa em situação de rua.
- Incorporar o entorno desses empreendimentos como área de amortecimento.
- Prever instrumentos ou incentivos de monitoramento do valor dos imóveis e mudança do perfil de
moradores e comércio.
- Priorizar terrenos públicos no entorno para implantar equipamentos de apoio às populações mais
fragilizadas nesses processos (população em situação de rua).
- Pensar estratégias de proteção do comércio local, em especial de atendimento à população de baixa
renda.

DEMANDAS ANTIGAS

- Instalação da Escola Livre de Artes no prédio da Antiga Hospedaria.


- Instalação da quadra de esportes no baixio do Viaduto da Floresta.
- Ações de melhoria da Rua Sapucaí, a saber: alargamento das calçadas, embutimento da rede elétrica e
diminuição da velocidade do tráfego.
- Instalação de praça infantil na Rua Sapucaí.
- Alargamento das calçadas da Rua Aarão Reis e inclusão de piso para a prática do skate.
- Destinação do estacionamento da Rua Aarão Reis para mercado de uso popular.

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REFERÊNCIAS
BELO HORIZONTE, Fundação Municipal de Cultura. Relatório Comissão de Acompanhamento
Zona Cultural Praça da Estação, 2013 (manuscrito)
CGLU. Cultura 21 Ações: Compromissos sobre o papel da cultura nas cidades sustentáveis.
Barcelona: CGLU, 2015.
LOPES PASSOS, Flora D’El Rei e GARCIA, Fernanda Ester Sánchez. Por um porto (in)corporado:
políticas urbanas e territórios culturais na zona portuária do Rio de Janeiro. In.: Revista
Geográfica de América Central: Número especial EGAL 2011. Vol. 2, Núm. 47E (2011).
Disponível em <http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/3091/2955>.
Acesso em: 15 jul. 2013.
OLIVEIRA Jr, José. Políticas de Patrimônio Cultural. Belo Horizonte: UTRAMIG/SEC-MG/MinC,
2016 (Extrato da apostila do curso de formação de conselheiros de cultura em Minas Gerais).
RENA, Natacha, BERQUÒ, Paula, CHAGAS, Fernanda. Biopolíticas espaciais gentrificadoras e as
resistências estéticas biopotentes. In.: Lugar Comum – Estudos de Mídia, Cultura e
Democracia. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Laboratório Território e Comunicação –
LABTeC/ESS/UFRJ – Vol 1, n. 1, (1997) – Rio de Janeiro: UFRJ, n. 41 – set-dez 2013.
ROLNIK, Raquel. Regulação urbanística no brasil: conquistas e desafios de um modelo em
construção. In: Anais do Seminário Internacional - Gestão da terra urbana e habitações de
interesse social. Campinas: FAU-PUC Campinas - Laboratório do Habitat/Instituto Polis/Lincoln
Institute of land policy, 2000. (CD Rom)

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FICHA TÉCNICA
Prefeitura de Belo Horizonte

Secretaria Municipal de Cultura

Fundação Municipal de Cultura

Secretaria Municipal de Política Urbana

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS PELO MATERIAL

Elaboração: José Oliveira Junior, Caroline Craveiro, Débora de Almeida Dias, Evandro Fagner da Silva.

Colaboraram na elaboração: Laura Rennó Tenenwurcel, Izabel Dias de Oliveira Melo, Felipe Bernardo Furtado
Soares, Marília Pimenta Chaves.

Revisão e finalização: José Oliveira Junior e Débora Dias.

INTEGRANTES COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO (em ordem alfabética | 2012-2014)

Álvaro Américo Moreira Sales, Andréia Costa, Antônio Eustáquio Pereira dos Santos, Flávio de Lemos Carsalade,
Gustavo Baptista Bones Teixeira, Henrique Alexandre de Sena, Jadir de Assis, João Francisco Emmermacher Seixas,
João Paulo Alves Fonseca, Karime Gonçalves Kajazeiro, Rafael Barros Gomes, Thiago Antônio Costa de Almeida.

INTEGRANTES CONSELHO CONSULTIVO ZONA CULTURAL PRAÇA DA ESTAÇÃO (em ordem alfabética | 2014-2017)

Ana Zuleima Castro Luscher, Andrea Nunes Gaspar, Antônio Eustáquio Pereira dos Santos, Carlos Henrique Bicalho,
Cláudia Márcia de Lima, Denison Dene Veloso, Evandro José de Oliveira, Eveline Prado Trevisan, Felipe Bernardo
Furtado Soares, Flávio de Lemos Carsalade, Gabriela Teixeira Vieira, Hely Rodrigues Vieira de Souza, Izabel Dias de
Oliveira Melo, José da Conceição Barroso, José Oliveira Júnior, Júlia Ávila Franzoni, Karime Gonçalves Kajazeiro,
Laura Rennó Tenenwurcel, Leonardo Tolentino Lima, Leônidas José de Oliveira, Liana Valle, Liliane Neves do
Carmo, Luis Fernando Libânio, Luiz Fernando Starling, Marcelo de Souza e Silva, Marco Aurélio Arruda Teixeira,
Maria Gláucia Costa Brandão, Maria Thereza Nunes Martins Fonseca, Marília Pimenta Chaves, Matheus Guerra
Cotta, Natacha Rena, Patrícia Fonseca de Alencar, Rafael Donato de Andrade, Ramon Wesley Paixão Ferreira,
Ramon Wesley Paixão Ferreira, Reginaldo Jorge Dória, Rosana Maria Nogueira Manso, Silas Santos Fernandes,
Tarcísio da Costa Morais, Vítor Diniz, Watson Câncio da Silva Junior, Wilson Henrique dos Santos.

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