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SÊNECA

Lúcio Aneu Sêneca


4 a.C (Corduba) – 65 (Roma)

Um dos advogados, escritores e intelectuais do Império Romano.


Conhecido como O moço, O Filósofo ou o Jovem (já que o pai era conhecido como
Sêneca, o Velho)
Foi ao mesmo tempo dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma,
estadista famoso e conselheiro do imperador.
ESTADISTA: na definição de Houaiss, é pessoa versada nos princípios ou na arte de
governar, ativamente envolvida em conduzir os negócios de um governoe em moldar a sua política; ou
ainda pessoa que exerce liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias.
Sua obra literária e filósofa, tida como modelo do pensador estoico durante o
Renascimento.

ESTOICISMO: O estoicismo foi uma escola de filosofia helenística fundada em Atenas por Zenão de
Cítio no início do século III a.C. e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por
uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as
marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade [O estoicismo
exerceu profunda influência na ética cristã.].

Nasceu em Corduba, mas foi para Roma com três anos de idade para estudar oratória e
filosofia. Por conta da saúde debilitada devido ao rigor pelos estudos, foi para o Egito se
cuidar e voltou no ano 31, iniciando sua carreira como orador e advogado, logo
chegando ao Senado. Em 41, foi acusado por Messalina, esposa do imperador Cláudio,
de ter cometido adultério com Júlia Livila, sobrinha do imperador. Como consequência,
foi exilado para a Córsega. No exílio, em meio a grandes privações materiais, Séneca
dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos. Entre
eles, os três intitulados Consolationes ("Consolos"), em que expõe os ideais estoicos
clássicos de renúncia aos bens materiais em busca da tranquilidade da alma mediante o
conhecimento e a contemplação.
Por influência de Agripina, a Jovem, sobrinha do imperador e uma das mulheres com
quem este se casou, Séneca retornou a Roma em 49. Agripina tornou-o preceptor de seu
filho, o jovem Nero,[3] e elevou-o a pretor em 50. Séneca contraiu matrimônio
com Pompeia Paulina e organizou um poderoso grupo de amigos.
Logo após a morte de Cláudio, ocorrida em 54, o escritor vingou-se com um escrito que
foi considerado obra-prima das sátiras romanas, Apocolocyntosis divi
Claudii("Transformação em abóbora do divino Cláudio").[4] Nessa obra, Séneca critica
o autoritarismo do imperador e narra como ele é recusado pelos deuses.
Quando Nero, aos dezessete anos, tornou-se imperador, Séneca continuou a seu lado,
porém não mais como pedagogo e sim como seu principal conselheiro. Sêneca procurou
orientar para uma política justa e humanitária. A índole de Nero foi mitigada, corrigida,
freada. Mais tarde, porém, a malvadez de Nero teve o predomínio. Séneca, durante
algum tempo, exerceu influência benéfica sobre o jovem, mas, aos poucos, foi forçado a
adotar atitudes de complacência.
FILOSOFIA
Lúcio Aneu Sêneca distingue o corpo da alma, o corpo é o que prende a alma e a
alma é onde está o verdadeiro homem. Para que a alma se torne pura, ela tem que se
libertar do corpo que é um peso que prende a alma nas coisas materiais. A alma tem
uma parte racional e outra irracional. A parte irracional é dividida em duas, uma das
paixões que é irascível e ambiciosa e outra humilde que é branda e que busca o prazer.
Na filosofia de Sêneca a consciência é a capacidade de conhecimento que o
homem tem de distinguir entre o bem e o mal. As pessoas não podem livrar-se dessa
capacidade, não conseguem esconder-se dela porque as pessoas não podem esconder-se
de si mesmas. O criminoso pode evitar a punição da lei, mas não evita a punição de sua
consciência que é um juiz que não perdoa ninguém.
O pecado está na estrutura e na fundamentação do homem. Para sermos homens
precisamos pecar, se alguém nunca pecar, não é homem, mesmo o sábio é um pecador.
Existe um constante contraste entre aquilo que o homem é e aquilo que o homem
deveria ser. Essa hesitação entre ser uma coisa ou ser outra, em escolher entre o bem e o
mal é algo exclusivo dos seres humanos.
Sêneca era contra a escravidão e contra as diferenciações sociais entre as
pessoas. O que pode dar valor e nobreza a uma pessoa é somente a virtude e essa todos
podem ter. Na sociedade o que define se alguém vai ser escravo ou um nobre é somente
a sorte do nascimento. Em sua origem todos os homens eram iguais. A nobreza é uma
construção de cada homem no desenvolvimento do seu espírito.
Devemos nos comportar com os nossos inferiores como gostaríamos que nossos
superiores se comportassem conosco. O amor e a fraternidade é que deve fundamentar a
relação entre as pessoas. Para ele a filosofia tem uma finalidade prática. O homem tem
que conhecer a natureza e os seus fenômenos para perder o temor do mundo. Acreditava
na predestinação dos homens que podem aceitar ou rejeitar seu destino, se aceitarem,
podem viver em liberdade, se rejeitarem não terão uma vida livre.

Cartas[editar | editar código-fonte]

 Epistulae morales ad Lucilium ("Cartas morais a Lucílio", também traduzindo como


"Cartas de um Estoico") - coleção de 124 cartas tratando de questões morais. Versão
completa em nova tradução em português[9]
Diálogos[editar | editar código-fonte]

 (40) Ad Marciam, De consolatione


 (41) De Ira ("Sobre a Ira") - Estudo sobre as consequências e sobre o controle
da ira.[10]
 (42) Ad Helviam matrem, De consolatione ("Consolação a Minha Mãe Hélvia") -
Carta para sua mãe consolando-a em sua ausência durante o exílio.[11]
 (44) De Consolatione ad Polybium
 (49) De Brevitate Vitae ("Sobre a brevidade da vida") - princípios estoicos sobre a
natureza do tempo e seu desperdício perseguindo objetivos sem valor ou sentido.[12]
 (55) De Constantia Sapientis ("A constância do sábio")
 (56) De Clementia ("Da Clemência" / "Tratado sobre a Clemência") escrito
a Nero sobre a virtude da Clemência em um imperador[13].
 (58) De Vita Beata ("A Vida Feliz") A busca da felicidade é a busca da razão.
Destinado ao seu irmão mais velho, Gálio.[14]
 (62) De Otio ("Do ócio")
 (63) De Tranquillitate Animi ("Sobre a tranquilidade da alma")
 (64) De Providentia ("Sobre a Providência")
Tragédias[editar | editar código-fonte]

 Hercules furens (Hércules furioso)


 Troades (As Troianas)
 Phoenissae (As Fenícias)
 Medea (Medeia)
 Phaedra (Fedra)
 Oedipus (Édipo)
 Agamemnon
 Thyestes (Tiestes)
 Hercules Oetaeus (Hércules no Eta)

FRASES

Mesmo que apenas eu saiba o que estou fazendo, agirei como se todos estivessem me
vendo.

Talentos forçados respondem mal. Se a natureza é relutante, o trabalho é infrutífero.

Seguimos a nós mesmos e não conseguimos jamais nos desembaraçar de nossa


própria companhia. Assim, devemos saber que o mal contra o qual trabalhamos não
vem dos lugares, mas de nós mesmos.

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