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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

WILLIAM TADEU DA CONCEIÇÃO

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL PARA MICROGERAÇÃO


DISTRIBUIDA ATRAVÉS DE SISTEMAS EÓLICOS E
FOTOVOLTAICOS NO MUNICÍPIO DE
IGUABA GRANDE/RJ

CABO FRIO
2018
UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA
WILLIAM TADEU DA CONCEIÇÃO

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL PARA MICROGERAÇÃO


DISTRIBUIDA ATRAVÉS DE SISTEMAS EÓLICOS E
FOTOVOLTAICOS NO MUNICÍPIO DE
IGUABA GRANDE/RJ

Monografia apresentada ao curso de


Engenharia Ambiental da Universidade Veiga
de Almeida – Campus Cabo Frio, como
requisito parcial para obtenção do título de
Engenheiro Ambiental.

Professora Orientadora: Flávia Targa Martins

CABO FRIO
2018
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL PARA MICROGERAÇÃO
DISTRIBUIDA ATRAVÉS DE SISTEMAS EÓLICOS E
FOTOVOLTAICOS NO MUNICÍPIO DE
IGUABA GRANDE/RJ

WILLIAM TADEU DA CONCEIÇÃO

___________________________________________
Professora Mestra Flávia Targa Martins
Orientadora

___________________________________________
Professor Doutor Wilson Ferreira de Mendonça Filho
Professor do curso de Engenharia Ambiental

_____________________________________________
Professora Doutora Gisela Kloc Lopes
Professora do curso de Engenharia Ambiental
Dedico este trabalho aos meus amados pais
Duilio (in memoriam) e Regina, a minha
querida esposa Valdinea e as minhas filhas
Elizabeth e Estefani.
AGRADECIMENTOS

A Deus por reafirmar sua existência em sua magnífica Criação.

À minha orientadora, Professora Ma. Flávia Targa Martins, pela orientação e apoio.

Aos professores do curso de Engenharia Ambiental pelos ensinamentos que enriqueceram a


minha formação ética e profissional.

Ao Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas da Universidade


Federal do Pará (GEDAE) por ceder o programa AVES-H, o qual foi fundamental para
conclusão deste trabalho.

Ao professor Dr. Luis Carlos Macedo Blasques pelas instruções de uso e instalação do
programa AVES-H.

Ao professor Dr. Duilio Tadeu da Conceição Junior pela ajuda na construção e aferição da
estação meteorológica experimental utilizada neste trabalho.

Aos meus amigos do curso, pelo apoio em todos os desafios vividos durante o curso.
RESUMO

A geração de energia elétrica, a partir de recursos eólicos e solares, passou por diversos
aprimoramentos técnicos, que possibilitaram o seu uso em residências. Isso possibilitou o
surgimento da modalidade de geração chamada microgeração distribuída, em que o cliente
pode gerar a própria energia e enviar o excedente para a rede elétrica, gerando assim créditos
para o consumidor e contribuindo para o aumento da oferta de energia para o sistema elétrico
brasileiro. Apesar dos benefícios trazidos pelos sistemas de microgeração distribuída, o seu
uso ainda é muito limitado, pois o elevado custo destes sistemas e a carência de informações
sobre o potencial deles acabam desestimulando a instalação de novos sistemas. O presente
trabalho tem como objetivo analisar o potencial para geração de energia através de micro
sistemas eólicos e fotovoltaicos no município de Iguaba Grande. Para realizar tal análise,
foram necessárias três etapas: a) obtenção de dados sobre a velocidade do vento e radiação
solar, por intermédio de uma estação meteorológica instalada no local; b) simulação do
desempenho dos sistemas eólicos e fotovoltaicos com o auxílio do programa AVES-H; e c)
estudo de viabilidade econômica destes sistemas, apontando qual sistema é mais viável para a
cidade. Constatou-se que os sistemas fotovoltaicos são perfeitamente viáveis para serem
instalados nos domicílios da cidade, já os sistemas eólicos foram considerados inviáveis
devido ao baixo desempenho e ao alto custo para instalação.

Palavras - chave: Energia eólica, energia solar, microgeração distribuída, sistemas


conectados à rede.
ABSTRACT

The generation of electric energy, from wind and solar resources, underwent several technical
improvements, which made possible its use in homes. This enabled the emergence of the
generation mode called distributed microgeneration, in which the customer can generate the
own energy and send the surplus to the electricity grid, thus generating credits for the
consumer and also contributing to the increase of the supply of energy to the Brazilian electric
system. Despite the benefits of distributed microgeneration systems, their use is still very
limited because the high cost of these systems and the lack of information about their
potential endup discouraging the installation of new systems. The present work has the
objective of analyzing the potential for power generation through micro wind and
photovoltaic systems in Iguaba Grande. In order to carry out this analysis, three steps were
necessary: a) obtaining data on wind speed and solar radiation, through a meteorological
station installed in the place; b) simulation of the performance of wind and photovoltaic
systems with the aid of the AVES-H program; and c) economic feasibility study of these
systems, pointing out which system is most feasible for the city. It was found that
photovoltaic systems are perfectly viable to be installed in the city's homes; already the wind
systems were considered infeasible due to the low performance and the high cost for
installation.

Key words: wind energy, solar energy, distributed microgeneration, systems connected to the
grid.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A Área (m²)

ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica

C Fator de escala da função de Weibull

Cp Coeficiente de potência da turbina

EPE Empresa de Pesquisa Energética

INMET Instituto Nacional de Meteorologia

K Fator de forma da função de Weibull

P Potência (w)

PCH Pequenas Centrais Hidrelétricas

PROINFA Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica

SIN Sistema Elétrico Interligado Nacional

TMA Taxa mínima de atratividade

V Velocidade do vento (m/s)

VPL Valor Presente Líquido

ρ Densidade do ar (kg/m³)
SUMÁRIO

1. CONTEXTUALIZAÇÃO TEMÁTICA...........................................................................9
2. PROBLEMA......................................................................................................................10
3. OBJETIVO GERAL.........................................................................................................11
3.1 Objetivos Específicos...................................................................................................11
4. REVISÃO DE LITERATURA........................................................................................11
4.1 Energia Solar Fotovoltaica.........................................................................................11
4.2 Energia eólica...............................................................................................................13
4.3 Microgeração distribuída...........................................................................................15
4.4 Potencial solar e eólico................................................................................................15
4.5 Programas para avaliação do potencial solar e eólico.............................................17
4.6 Estações meteorológicas automáticas........................................................................17
4.7 Avaliação econômica...................................................................................................17
5. METODOLOGIA...............................................................................................................18
5.1 Coleta de dados............................................................................................................18
5.2 Simulação.....................................................................................................................20
5.3 Avaliação econômica...................................................................................................21
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................................21
6.1 Analise dos dados coletados........................................................................................21
6.1.1 Radiação solar global..........................................................................................22
6.1.2 Velocidade média do vento.................................................................................23
6.1.3 Descrição das variações da velocidade do vento pela distribuição de Weibull
.........................................................................................................................................25
6.2 Energia gerada.............................................................................................................26
6.3 Avaliação econômica...................................................................................................27
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................29
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................31
9

1. CONTEXTUALIZAÇÃO TEMÁTICA

Com o crescimento da população mundial e das atividades econômicas que


impulsionam o consumo de produtos e serviços, o mundo necessita cada vez mais de energia,
tornando-se necessária a busca de novas fontes para suprir a demanda, neste contexto se
insere as energias renováveis como ótima alternativa aos finitos e poluidores combustíveis
fósseis.
Segundo estudos da Empresa de Pesquisa Energética, o consumo de energia elétrica
no Brasil deverá triplicar até 2050, passando dos atuais 513 TWh para 1.624 TWh (Terawatt-
hora), sendo necessário um expressivo aumento na demanda, ampliando a capacidade
instalada no país e diversificando ainda mais a matriz energética brasileira (EPE, 2016).
A principal característica do sistema elétrico brasileiro é a geração de energia por
grandes usinas hidrelétricas que centralizam a geração de energia em pontos específicos do
país exigindo uma complexa rede de transmissão e de distribuição de energia, ocasionando
custos elevados com a instalação e a manutenção de longas linhas de transmissão. Apesar das
hidrelétricas serem consideradas uma fonte de energia renovável e limpa, elas acabam
causando grande impacto ambiental e social devido ao alagamento de grandes áreas, outro
problema das usinas hidrelétricas está relacionado ao seu potencial de geração que é
dependente das condições climáticas, quanto mais chuva mais energia (SANTOS, 2009).
Para suprir a crescente demanda de energia e dar mais estabilidade ao sistema elétrico
brasileiro o governo lançou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia
Elétrica (Proinfa), instituído pela Lei nº 10.438/2002 e regulamentado pelo Decreto nº
5.025/2004. O programa teve o objetivo de promover a diversificação da matriz energética
brasileira através da participação de empreendimentos concebidos com base em fontes eólica,
biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCH) no Sistema Elétrico Interligado Nacional
(SIN).
Além dos pequenos empreendimentos voltados à geração de energia renovável, existe
outra vertente ainda mais promissora que é a microgeração distribuída, regulamentada pela
Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012, onde consumidor brasileiro pode gerar sua
própria energia elétrica a partir de fontes renováveis e fornecer o excedente para a rede de
distribuição de sua localidade. Ou seja, o consumidor que era o principal causador do
aumento da demanda de energia agora se torna uma das soluções.
A energia eólica e solar são as principais fontes utilizadas na microgeração distribuída,
na eólica a energia cinética do vento é transformada em energia elétrica através de geradores
10

eólicos, já na geração solar a energia luminosa do sol é transformada em energia elétrica


através de painéis fotovoltaicos. Porém, a tecnologia empregada na geração de energia eólica
e solar ainda tem um custo elevado para a maioria dos brasileiros, tendo um prazo de retorno
de investimento relacionado a intensidade dos recursos renováveis disponíveis no local, ou
seja, velocidade do vento ou luminosidade do sol, quanto maior a intensidade do recurso
menor o prazo de retorno. Por isso, a melhor forma de incentivar e viabilizar a instalação
destes sistemas é a avaliação do potencial eólico e solar do local ou da região através de dados
sobre a velocidade do vento e intensidade luminosa.
Existem diversas maneiras de se obter estes dados, a mais comum é o Atlas do
Potencial Eólico e o Atlas Solarimétrico, que são documentos baseados em estudos de dados
históricos e que contém informações detalhadas sobre os regimes dos ventos e a intensidade
da radiação solar em uma determinada região em diferentes épocas do ano.
No entanto, as construções de uma cidade causam alterações na direção e na
velocidade do vento, que não são indicadas no Atlas do Potencial Eólico, sendo necessário
realizar correções ou estudos no local.
Considerando todo contexto exposto verifica-se a necessidade de mais pesquisas sobre
o potencial eólico e solar das cidades brasileiras, a fim de incentivar a implantação dos
sistemas de microgeração distribuída nas residências do nosso país.

2. PROBLEMA

A microgeração distribuída a partir de energia eólica ou solar já é uma realidade


consolidada em muitos lares brasileiros, apesar de seu alto custo e do processo requerido para
homologar o sistema junto à distribuidora, outra barreira para a popularização destes sistemas
é a falta de informação sobre o potencial eólico e solar nas cidades brasileiras, dentre elas, a
cidade de Iguaba Grande, objeto de estudo deste trabalho.
Desta forma, é viável instalar estes sistemas nas residências de Iguaba Grande? Qual é
o sistema mais eficiente para a cidade?
11

3. OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste trabalho é avaliar o potencial eólico e solar para microgeração
distribuída no município de Iguaba Grande-RJ, indicando a viabilidade técnica e econômica
destes dois sistemas.

3.1 Objetivos Específicos

• Coletar dados sobre a velocidade do vento e radiação solar durante o período de um


ano;
• Importar os dados coletados para o programa simulador de potência AVES-H;
• Simular o funcionamento dos sistemas eólico e solar;
• Comparar o desempenho dos sistemas eólico e solar; e
• Analisar a viabilidade econômica dos sistemas eólico e fotovoltaico.

4. REVISÃO DE LITERATURA

4.1 Energia Solar Fotovoltaica.

O efeito fotovoltaico é o processo de converter diretamente a luz em eletricidade, foi


descoberto em 1839, pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel, que verificou que
quando placas metálicas, de prata ou platina, são mergulhadas em um eletrólito e expostas à
luz, geram uma diferença de potencial, mas foi somente em 1953 que apareceu a primeira
célula fotovoltaica de silício, criada pelo químico Calvin Fuller (VALLÊRA; BRITO, 2006).
A produção industrial de células fotovoltaicas foi iniciada em 1956 e foi o fator
decisivo para o progresso dos programas espaciais, favorecendo significativos avanços na
tecnologia fotovoltaica. Porém, com a crise mundial de energia de 1973, a tecnologia
fotovoltaica deixou de ser somente uma fonte de energia para locais remotos e passou a ser
considerada uma das principais alternativas para geração de energia (DE LOYS, 2012).
Atualmente são utilizados três tipos de células fotovoltaicas: as de silício
monocristalino, policristalino e de silício amorfo. As células de silício monocristalino
apresentam a maior eficiência, convertendo de 12 a 18% da energia luminosa do sol em
12

eletricidade, já as células de silício policristalino têm entre 11 e 14% de eficiência, enquanto


que as de silício amorfo têm entre 6 e 7% (MACHADO; MIRANDA, 2014).
Um painel solar é um conjunto de células fotovoltaicas interligadas e dispostas dentro
de um compartimento a prova d'água e que permite a passagem da luz até as células, a
potência gerada por um painel solar é obtida através do produto da área coberta pelas células
fotovoltaicas, pela sua eficiência e pela radiação solar que incide sobre as células no
momento, sendo assim, se 1m² de células solares de 15% de eficiência recebe 1000 W/m² de
radiação solar irá gerar 150 W de potência.
A potência de um painel solar comercializado no mercado é definida, em condições de
referência, Standard Test Conditions (STC), que é a potência de saída quando o painel é
submetido a uma radiação solar de 1.000 W/m², a 25°C de temperatura.
De acordo com Pinheiro (2016), o rendimento de um painel solar é influenciado pela
variação da temperatura, quanto maior a temperatura menor o rendimento, conforme mostra a
Figura 1.

Figura 1: Eficiência de um painel solar em função da irradiância em diferentes temperaturas


Fonte: Pinheiro (2016)
13

O Brasil possui grande potencial para geração de energia solar fotovoltaica, apesar das
diferentes características climáticas, a irradiação solar global incidente em qualquer região do
território brasileiro é superior ao da maioria dos países da União Européia, como Alemanha,
França e Espanha, onde já ocorre grande utilização de recursos solares na geração de energia
elétrica. Mesmo com todas as condições favoráveis, o Brasil ainda tem uma capacidade
instalada muito pequena (EPE, 2012).
A radiação solar no Brasil varia entre 8 a 22 MJ/m².dia, sendo que as menores
variações ocorrem nos meses de maio a julho, quando a radiação varia de 8 a 18 MJ/m²
(TIBA et al.,2000).

4.2 Energia eólica

Há 3000 anos, o homem já utiliza a força dos ventos na moagem de grãos,


bombeamento de água e na navegação, porém a aplicação que tem ganhado mais importância
atualmente é o aproveitamento da energia eólica como fonte alternativa de energia para
produção de eletricidade (MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008).
O vento é gerado pelas diferenças de temperatura na superfície do planeta que são
oriundas, principalmente, dos diferentes ângulos de incidência dos raios solares na superfície,
onde as regiões próximas da linha do Equador recebem mais energia do que regiões próximas
aos pólos. Esta desigualdade de temperatura gera diferenças na pressão atmosférica que
provocam movimentos de massas de ar da área de maior pressão para a de menor pressão.
(AMARAL, 2011).
A geração de eletricidade a partir de recursos eólicos ocorre através da conversão da
energia cinética de translação das massas de ar em energia mecânica por turbinas eólicas,
também denominadas aerogeradores. Dentro dos aerogeradores a energia mecânica é
transformada em eletricidade (LIMA, 2010).
Os principais componentes de um aerogerador são os seguintes: rotor (constituído
pelas pás), sistema de transmissão, gerador elétrico e sistema de controle. O rotor tem a
função de absorver a energia cinética do vento e transformar em energia mecânica que é
transmitida pelo mecanismo de transmissão ao gerador elétrico que converte a energia
mecânica em eletricidade (JUNIOR, 2006).
14

De acordo com Ferreira (2012), a potência extraída do vento em uma dada corrente de
ar é proporcional ao cubo da velocidade do vento, conforme a equação:

1
= ∗ ∗ ∗ ∗
2

Onde (P) é a potência extraída do vento em watts, (ρ) a densidade do ar em kg/m³, (A)
área da turbina em m², (V) a velocidade do vento em m/s e Cp o coeficiente de potência da
turbina.
A potência elétrica gerada por um aerogerador é determinada por um gráfico chamado
curva de potência, que indica a potência gerada em diferentes velocidades do vento conforme
exemplificado na Figura 2 (MACHADO, 2008).

Figura 2: Curva de potência de um aerogerador genérico de 1000w.


Fonte: autor

De acordo com Freitas (2011), o Brasil tem um grande potencial eólico,


principalmente nas regiões litorâneas do Ceará, Rio Grande do Norte e semiárido Nordestino.
Freitas também afirma que estudos indicam que o Brasil tem um potencial de 300 GW a ser
explorado, e que apesar deste grande potencial, ainda ocupa o 21° lugar no ranking de países
que exploram a energia eólica, ficando atrás da China, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e
outros países.
15

4.3 Microgeração distribuída

A Resolução Normativa nº 482 de 2012 da ANEEL define microgeração distribuída


como a geração de energia elétrica com potência instalada menor ou igual a 75 kW, e que
utilize cogeração qualificada ou fontes renováveis de energia elétrica conectada na rede de
distribuição. Esta resolução foi o documento que permitiu que consumidores instalassem
pequenos geradores em suas residências e injetassem a energia excedente na rede em troca de
créditos.
A microgeração distribuída surgiu com o advento de novas tecnologias como os
sistemas conectados à rede, também chamados de grid-tie ou on-grid. Segundo Alves (2016),
nos sistemas grid-tie a rede funciona de forma semelhante a um grande banco de baterias,
pois quando a geração é maior que consumo a energia excedente é enviada para a rede, e
quando a geração é menor que o consumo a rede supre a demanda.
O equipamento que caracteriza o sistema conectado à rede é o inversor grid-tie, este
equipamento é responsável por integrar a energia gerada pelo gerador a rede elétrica, ele
converte a corrente elétrica gerada pelo gerador em corrente alternada, na mesma frequência e
tensão da rede (FIGUEIRA, 2014).

4.4 Potencial solar e eólico

De acordo com Debastiani (2013), a determinação do potencial solar de uma


localidade pode ser feita de diversas maneiras: por meio de dados de um Atlas solarimétrico,
através de cálculos que interpolam dados de estações próximas ao local, ou pela medição da
radiação solar no próprio local utilizando um piranômetro1 para medir a radiação solar global,
normalmente medida em watt-hora por metro quadrado (Wh/m2) ou quilojoules por metro
quadrado (KJ/m2).
A determinação do potencial eólico de uma localidade sé dá de forma semelhante a
solar, ou seja, por meio de atlas do potencial eólico, através de dados de estações próximas,
ou pela medição da velocidade do vento no próprio local utilizando um anemômetro2 para
medir a velocidade do vento.

1
Piranômetro é um sensor utilizado em estações meteorológicas para medir o fluxo de radiação solar.
2
Anemômetro é um sensor utilizado para medir a velocidade do vento.
16

De acordo com Gonçalves (2008), a determinação do potencial


potencial eólico em edificações
situadas em áreas urbanas não pode ser feita através do atlas do potencial eólico, pois estes
não conseguem representar dados de turbulência numa resolução suficientemente alta para
determinar o potencial, sendo mais indicada a medição da velocidade do vento no próprio
local.
As variações anuais da velocidade do vento podem ser representadas
representadas num histograma
de frequências
ncias de intervalos de velocidade cuja distribuição é bem caracterizada pela
distribuição de Weibull 3 , constituindo-se
constituindo se uma ferramenta importante para a análise de
potencial eólico (SOARES, 2009).
A função densidade de probabilidade de Weibull consiste numa distribuição estatística
que depende de dois parâmetros, fator forma (k) e parâmetro da escala (c), conforme a
equação:

= ∗ ∗

Na equação, (V) representa a velocidade de vento, o fator de forma (k) é um número


adimensional relacionado com a forma da curva e o fator de escala (c) está relacionado com a
velocidade média do vento. A Figura
Figura 3 representa uma distribuição típica de velocidades de
vento e o melhor ajuste através da distribuição de Weibull.

Figura 3: Ajuste da distribuicao de Weibull.


Fonte: Rocha (2010)

3
Distribuição de Weibull é uma distribuição de probabilidade contínua, sendo muito utilizada na modelagem de
dados.
17

4.5 Programas para avaliação do potencial solar e eólico

Para Carvalho (2016), os programas computacionais ou softwares para simulação


constituem uma importante ferramenta na modelagem de recursos solares e eólicos, sendo
mais ágeis e menos fatigantes que métodos matemáticos e analíticos.
Os programas computacionais funcionam com modelos pré definidos ou a partir de
dados meteorológicos do local a ser estudado, sendo necessária a importação destes dados
para o programa, também é necessário determinar o tipo e a potência do aerogerador ou do
painel solar fotovoltaico a ser simulado.
Existem alguns programas que realizam simulações mais específicas e utilizam
também outros dados do local como: tipo de relevo, topografia, equipamentos utilizados na
residência e tarifa de energia.

4.6 Estações meteorológicas automáticas

Segundo a nota técnica nº. 001/2011 do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET),


estações meteorológicas automáticas são compostas de uma unidade central ligada a sensores
meteorológicos que tem a função de coletar e registrar, a cada minuto, dados sobre a
temperatura do ar, ponto de orvalho, umidade, pressão atmosférica, precipitação, radiação
solar, direção e velocidade do vento da área em que está localizada.
A unidade central é o principal componente de uma estação meteorológica automática
e tem a função de integralizar, registrar e enviar automaticamente os dados meteorológicos
colhidos pelos sensores para a sede de um banco de dados meteorológicos.

4.7 Avaliação econômica

Para Figueira (2014), qualquer investimento em projetos de energia alternativa, deve,


obrigatoriamente, vir acompanhado de uma avaliação econômica.
Os métodos mais utilizados para avaliação econômica de pequenos projetos de
geração de energia eólica e fotovoltaica são os seguintes: o tempo de retorno de capital
(payback) e o valor presente líquido (VPL).
O Payback é o método mais básico para avaliar a viabilidade de um investimento. Ele
determina qual é o tempo necessário para se recuperar um investimento inicial. Existem dois
tipos de Payback, o simples e o descontado. No método simples, o resultado é obtido
18

dividindo-se o investimento inicial pelo fluxo de caixa de um ano. Já no Payback descontado


se considera também o valor do dinheiro no tempo, utilizando nos cálculos uma taxa de
desconto anual, a qual é chamada de taxa mínima de atratividade (TMA) que é normalmente
fixada pelo investidor ou dono do empreendimento.
O VPL é um método de análise mais moderno o qual também considera o valor do
dinheiro no tempo, podendo ser aplicado a qualquer tipo de rendimento. O método consiste
em trazer para a data zero todos os fluxos de caixa do projeto e somá-los ao valor do
investimento inicial, utilizando também a TMA como taxa de desconto.

5. METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado em três etapas distintas. A primeira etapa consistiu na
coleta de dados meteorológicos sobre o vento e radiação solar do local no período de um ano.
A segunda etapa ocorreu a simulação da energia gerada pelo sistema eólico e solar de 1000 w
de potência. E na terceira e última etapa por uma avaliação econômica.

5.1 Coleta de dados

Os dados sobre a velocidade do vento e intensidade de radiação solar utilizados neste


trabalho foram obtidos a partir de uma estação meteorológica automática de construção
artesanal com técnicas construtivas semelhantes as citadas nos trabalhos de Tenfen (2013) e
Rosito (2014).
A estação meteorológica foi instalada em uma casa situada no bairro Boa Vista no
município de Iguaba Grande, um bairro residencial, localizado próximo ao centro da cidade, o
qual possui casas de um e dois pavimentos e um relevo relativamente plano.
Os principais componentes da estação são os seguintes: o anemômetro de conchas que
tem a função de medir a velocidade do vento, o piranômetro fotovoltaico que mede a
intensidade da radiação solar e o microcontrolador Arduino 4 que recebe os dados, realiza
cálculos e registra os dados em um cartão de memória.
O anemômetro fabricado pela empresa WRFCOMERCIAL foi instalado em um
mastro fixado na lateral da casa, localizando-se a cinco metros de altura em relação ao telhado

4
O microcontrolador Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre, sendo muito
utilizado em projetos de automação.
19

e 10 metros de altura em relação ao solo, deixando o anemômetro livre de qualquer obstáculo


que pudesse interferir diretamente na direção e velocidade do vento, como pode ser
visualizado na Figura 4 .

Figura 4: Localização do anemomêtro e piranômetro.


Fonte: autor

O piranômetro fotovoltaico foi construído de acordo com o projeto desenvolvido por


Fernández (2012) e instalado no topo do mesmo mastro, conforme a Figura 4, ficando livre de
qualquer obstáculo que pudesse gerar sombra, sendo aferido por comparação através de dados
referentes à radiação solar da estação meteorológica do INMET no município de Arraial do
Cabo em um dia sem nenhuma nuvem sobre os municípios de Iguaba Grande e Arraial do
Cabo.
O microcontrolador Arduino foi montado em uma caixa acrílica, ilustrada na Figura 5,
e estava localizado na parte interior da casa, sendo programado para receber dos sensores, a
cada minuto, a velocidade instantânea do vento e a radiação solar, registrando no cartão de
memória, a cada hora, a velocidade média do vento em metros por segundo (m/s) e a radiação
solar global em quilojoules por metro quadrado (KJ/m2), de maneira semelhante à adotada nas
estações meteorológicas do INMET.
20

Figura 5: Microcontrolador Arduino montado na caixa acrílica.


Fonte: autor

5.2 Simulação

Para facilitar a identificação dos resultados deste trabalho, optou-se por simular um
sistema eólico e um sistema solar de 1000 w de potência nominal, ambos do tipo conectado à
rede, o qual dispensa baterias e envia o excedente a rede elétrica em troca de créditos,
conforme a resolução n°482/2012 da ANEEL.
A simulação da energia gerada por estes sistemas foi realizada com o auxílio do
Programa para Análise de Viabilidade Técnico-Econômica de Sistemas Híbridos para
Geração de Eletricidade (AVES-H) desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento
de Alternativas Energéticas da Universidade Federal do Pará (GEDAE), sendo cedido de
forma gratuita para elaboração deste trabalho.
O programa AVES-H, descrito detalhadamente por Blasques (2005), funciona a partir
de um arquivo de extensão ‘.dat’ contendo 8.760 dados horários sobre radiação solar global e
velocidade média do vento, referentes à coleta de dados de um ano do local a ser estudado.
Para a construção do arquivo utilizou-se dois softwares: o programa Microsoft Excel
para formatar os dados para o padrão requerido pelo programa AVES-H e a ferramenta Bloco
de Notas do sistema operacional Windows para criar um arquivo de extensão ‘.dat’ com os
dados já formatados pelo Excel.
21

5.3 Avaliação econômica

A viabilidade econômica de ambos os sistemas foi realizada pelo método Payback,


onde se considerou o investimento inicial e o fluxo de caixa de um ano composto pela
economia com a geração de energia, os custos com a manutenção e a depreciação do material,
calculado através seguinte fórmula:

!" #$%& !$' %!% % (


=
)é+%$'# '& , ) çã' − 0#$'# '& & !0$ !çã' − + 1) % çã'

Apesar do método Payback não ser um método sofisticado, ele atende plenamente aos
projetos de pequenos sistemas domésticos de geração de energia renovável pois o incentivo
não é apenas econômico, mas também ambiental e social.
O valor do investimento inicial foi obtido por orçamentos de empresas especializadas
na venda e instalação de sistemas de geração eólico e solar.
Os créditos com a geração, que é resultado do produto da energia gerada pela tarifa de
energia, foram obtidos pela simulação da energia gerada através do programa AVES-H e pelo
valor da tarifa de energia cobrada pela distribuidora local.
Para os custos com manutenção do sistema, utilizou-se os valores indicados por
Blasques (2005) considerando-se o valor anual de 1% sobre o investimento inicial para o
sistema de geração fotovoltaico e 2% para o sistema eólico.
Já para os custos com depreciação, que variam de acordo com a vida útil de cada
sistema, utilizou-se os valores citados por Silva (2013) para o sistema fotovoltaico e Trapp
(2009) para o sistema eólico, adotando a taxa anual de depreciação de 3,33% sobre o
investimento inicial para o sistema fotovoltaico e 5% para o eólico.

6. RESULTADOS E DISCUSSÕES

6.1 Análise dos dados coletados

A estação meteorológica automática funcionou perfeitamente e forneceu os 8.760


dados horários sobre radiação solar global e velocidade média do vento relativos ao período
de 01/01/2017 a 31/12/2017.
22

6.1.1 Radiação solar global

Oss dados sobre a radiação solar global no local coincidem


incidem com o Atlas Solarimétrico
do Estado do Rio de Janeiro, fato que já era esperado,
esperado, de modo geral observou-se
observou uma queda
relevante da incidência da radiação solar sobre a cidade no inverno e em meses mais chuvosos
conforme observado na Figura
igura 6.

Figura 6: Gráfico da irradiação solar diária no município de Iguaba Grande.


Fonte: autor

Na Tabela 1, é possível comparar a irradiação solar diária do município de Iguaba


Grande com os seguintes municípios: Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre. Verifica-se
Verifica
que apesar do Rio de Janeiro localizar-se a somente 100 km de distância de Iguaba Grande a
irradiação
radiação solar apresentou uma diferença de 9%, o que provavelmente é ocasionado pela
maior concentração de nuvens e poluentes na atmosfera do município do Rio de Janeiro.
Também é possível notar, na Tabela 1, o efeito da latitude na intensidade de irradiação solar,
onde o município de Rio Grande, por se localizar mais ao sul, possui uma menor irradiação
solar e o município de Fortaleza uma maior irradiação solar,, por se localizar mais próximo da
linha do equador
23

Tabela 1 - Irradiação solar diária (Wh/m².dia) nas diferentes cidades do Brasil

Mês Iguaba Grande Rio de Janeiro* Fortaleza* Porto Alegre*

Janeiro 7017 5847 5326 6203

Fevereiro 6822 5589 5111 5461

Março 5860 5224 4679 4646

Abril 4557 4054 4536 3416

Maio 3754 3837 5040 2503

Junho 3546 3216 4991 2059

Julho 3817 3790 5687 2192

Agosto 3847 4056 6191 2902

Setembro 5650 4223 6239 3740

Outubro 5134 4867 6479 4960

Novembro 5338 5277 6358 5785

Dezembro 5687 5608 6070 6407

Média 5085,7 4632,3 5558,9 4189,5

* Valores obtidos da base de dados do programa AVES-H


Fonte: Autor

6.1.2 Velocidade média do vento

A velocidade média do vento incidente sobre a cidade de Iguaba Grande esteve entre
2,2 a 4,8 m/s, conforme o gráfico da Figura 7, ficando abaixo das velocidades médias
indicadas por Nogueira et al. (2013) para a geração de energia eólica, que é entre 5,5 e 7,0
m/s, fato que já era esperado, pois a rugosidade da superfície criada pelas edificações de uma
cidade causam turbulências que reduzem de forma muito significativa a velocidade do vento.
24

Figura 7: Gráfico da velocidade média mensal do vento no município de Iguaba Grande.


Fonte: autor

A velocidade reduzida do vento dentro das cidades foi relatado por Moreira (2010)
que atribui este efeito ao atrito do vento com a superfície da cidade que é composta por várias
construções que formam um relevo muito rugoso,
rugoso o qual diminui significativamente a
velocidade do vento. Moreira salienta ainda, que para evitar prejuízos na instalação de novos
sistemas eólicos, é necessário pesquisas minuciosas
minu do vento no local onde será instalada a
turbina eólica.
O efeito do atrito, citado por Moreira (2010), pode ser evidenciado na Tabela
T 2,
comparando as velocidades médias do vento do Município de Iguaba Grande com Arraial do
Cabo, cidade vizinha localizada
lizada a 25 km de distância, onde verifica-se
se velocidades do vento
bem superiores as encontradas em Iguaba Grande.
A principal causa desta diferença é o local onde a velocidade foi medida, pois os dados
de Arraial do Cabo foram obtidos pela estação meteorológica
meteorológica do INMET localizada na praia
dos Anjos, que por localizar-se
localizar em frente ao mar, o qual tem uma rugosidade menor, favorece
maiores velocidades do vento.
25

Tabela 2 - Velocidade média do vento (m/s) em Iguaba Grande e Arraial do Cabo

Mês Iguaba Grande Arraial do Cabo *

Janeiro 3,36 4,53

Fevereiro 3,60 4,07

Março 3,07 4,17

Abril 2,67 4,02

Maio 2,72 3,67

Junho 2,21 4,12

Julho 2,60 4,77

Agosto 3,12 4,57

Setembro 4,83 3,95

Outubro 3,97 5,51

Novembro 3,29 4,88

Dezembro 2,95 5,16

Média anual 3,20 4,45

* Valores obtidos da base de dados do INMET


Fonte: Autor

6.1.3 Descrição das variações da velocidade do vento pela distribuição de Weibull

A Tabela 3 apresenta os parâmetros da função de distribuição de probabilidade de


Weilbull, a qual representa a variação de velocidade do vento no local, estes parâmetros foram
gerados pelo programa AVES-H com base nas velocidades do vento obtidas a 10 metros de
altura em relação ao solo e 18 metros em relação ao mar, no município de Iguaba Grande -
RJ, especificamente nas coordenadas geográficas: S 22°49'43"/ W 042°13'41".
A função de Weilbull, identificada na equação abaixo, juntamente com os parâmetros
representados na Tabela 3, são muito úteis para futuras simulações envolvendo outros
modelos de aerogeradores, pois concentra em uma única função, toda a variação das
velocidades do vento no período de um ano, substituindo todos os 8.760 dados sobre a
velocidade do vento.
26

= ∗ ∗

Tabela 3 - Parâmetros da função de distribuição de probabilidade de Weilbull

Mês Fator de escala (c) Fator de forma (k)

Janeiro 3,791 2,272

Fevereiro 4,060 2,545

Março 3,470 2,098

Abril 3,008 1,992

Maio 3,065 1,838

Junho 2,481 1,746

Julho 2,941 2,087

Agosto 3,529 2,131

Setembro 5,399 3,078

Outubro 4,480 2,205

Novembro 3,713 2,019

Dezembro 3,329 2,159

Fonte: Autor

6.2 Energia gerada

A simulação da energia gerada pelos sistemas eólico e fotovoltaico, a qual é


representada na Tabela 4, foi realizada pelo programa AVES-H com base no 8760 dados
sobre velocidade do vento e intensidade de radiação solar no local.
Verificou-se um bom desempenho do sistema fotovoltaico no período do verão e uma
redução significativa no período do inverno devido a inclinação do sol neste período.
Já o sistema eólico teve um desempenho pouco satisfatório na maioria dos meses,
exceto nos meses de setembro e outubro, onde a velocidade do vento foi bem maior, esta
deficiência foi causada pela inconstância do vento na região e pelo atrito do ar com as
construções que reduzem a velocidade do vento em baixas altitudes.
27

Tabela 4 - Energia gerada pelos sistemas eólico e fotovoltaico de 1000 W de potência.

Mês Sistema eólico (kWh) Sistema fotovoltaico (kWh)

Janeiro 38,1 174,0

Fevereiro 39,3 152,8

Março 31,3 145,3

Abril 20,5 109,4

Maio 24,6 93,1

Junho 13,1 85,1

Julho 18,6 94,7

Agosto 32,2 95,4

Setembro 86,1 135,6

Outubro 62,0 127,3

Novembro 38,0 128,1

Dezembro 26,8 141,0

Total 430,6 1481,8

Fonte: Autor

6.3 Avaliação econômica

A Tabela 5 indica o investimento inicial, os custos com manutenção, a depreciação, os


créditos com a geração de energia e o payback de ambos os sistemas. O payback de ambos os
sistemas foi calculado através da fórmula:

!" #$%& !$' %!% % (


=
)é+%$'# '& , ) çã' − 0#$'# '& & !0$ !çã' − + 1) % çã'
28

Tabela 5: Payback dos sistemas eólico e fotovoltaico

Sistema eólico Sistema fotovoltaico

Investimento inicial (R$) * 23.850,00 10.124,55

Custos com manutenção (R$) ** 477,00 101,24

Depreciação (R$) *** 1192,50 337,15

Créditos com geração de energia (R$)**** 366,01 1259,61

Payback (anos) Não há 12


* Valores fornecidos pela Enersud e pela Alphasolar.
** Custo anual de 2% do investimento inicial para sistemas eólicos e de 1% para sistemas
fotovoltaicos (BLASQUES, 2005).
*** Depreciação anual de 5% do valor do investimento inicial para sistemas eólicos (TRAPP,
2009) e de 3,33% para sistemas fotovoltaicos (SILVA, 2013).
**** Créditos com a energia gerada pelo sistema considerando a tarifa de R$ 0,85 por kWh.
Fonte: Autor

Considerando-se os resultados apontados na Tabela 5, é possível afirmar que o sistema


fotovoltaico é viável e tem um tempo de retorno de investimento de 12 anos, com uma leve
tendência a redução deste tempo, pois a popularidade deste sistema e o surgimento de novas
tecnologias tendem a reduzir o investimento inicial.
Já o sistema eólico não foi considerado economicamente viável, pois requer um maior
investimento inicial e custos maiores com manutenção e depreciação, os quais não conseguem
ser cobertos pelos pequenos créditos obtidos com a geração.
Cabe ressaltar que a baixa geração de energia do sistema eólico se deve a velocidade
do vento, a qual não foi suficiente para impulsionar o aerogerador para uma geração
satisfatória.
29

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As conclusões deste trabalho foram fundamentadas nas análises dos resultados


encontrados e pela consulta de bibliografias relacionadas ao assunto, o que foi indispensável
para alcançar o objetivo geral: avaliar o potencial eólico e solar no município de Iguaba
Grande, sendo alcançado através do cumprimento dos objetivos específicos.
A coleta de dados realizada pela estação meteorológica montada no local de estudo foi
o alicerce deste trabalho, visto que não há, até a presente data, nenhuma estação
meteorológica inserida no meio urbano da cidade. A estação forneceu todos os dados
necessários para finalização deste trabalho, cumprindo a primeira etapa de forma satisfatória.
É importante ressaltar que todos os sensores da estação meteorológica foram aferidos
estaticamente e dinamicamente, por ser uma estação do tipo experimental pode-se atribuir
uma precisão de 10%.
O programa AVES-H, criado pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento de
Alternativas Energéticas da Universidade Federal do Pará (GEDAE), foi de fácil manuseio e
facilitou muito a etapa de simulação dos sistemas, reafirmando a indicação de softwares para
simulação de sistemas eólicos e fotovoltaicos.
O estudo de viabilidade econômica foi baseado nos valores fornecidos pelas empresas
e nos parâmetros utilizados nas bibliografias consultadas para calcular os custos com
manutenção e depreciação, porém houve dificuldade em conseguir orçamentos para sistemas
eólicos conectados a rede pois ainda não é uma tecnologia comum no país.
Com base nos resultados apresentados, é possível afirmar que na modalidade
microgeração distribuída, o sistema fotovoltaico é o sistema mais indicado para a cidade de
Iguaba Grande, este fato se deve às condições meteorológicas do local que favorecem mais o
sistema fotovoltaico do que o eólico.
O outro fator que acabou tornando o sistema eólico inviável para o local são as
despesas, pois o investimento inicial, os custos com a manutenção e a depreciação do sistema
eólico foram maiores que os créditos obtidos com a geração, não ocorrendo o retorno do
investimento.
Apesar do sistema eólico ser considerado economicamente inviável para local, não se
pode afirmar que este sistema é inviável para todos os locais da cidade, pois a velocidade do
vento varia com a altura, com o relevo e com a disposição das edificações de uma cidade que
podem amplificar ou reduzir a velocidade do vento.
30

Considerando todos os dados e informações apresentadas é possível afirmar que a


geração de energia a partir de fontes eólicas são mais indicadas para grandes geradores
preferencialmente localizados em sítios eólicos pelo fato destes geradores estarem dispostos a
alturas superiores a 70 metros, região em que o vento não sofre redução de velocidade
causada pelo atrito com a superfície, há também outros pontos que pesam contra a instalação
destes pequenos aerogeradores em cidades que são a estética, o ruído e perigo de colisão dos
pássaros nas pás dos geradores.
Já o sistema fotovoltaico é perfeitamente adaptável em qualquer telhado, não afeta a
estética, não emite ruídos e nem oferece riscos a fauna. Além de ser um sistema funcional em
qualquer cidade do brasileira, sendo assim um sistema com grande potencial de crescimento.
Este trabalho termina reafirmando que a microgeração distribuída é uma das soluções
mais promissoras e sustentáveis para suprir a demanda cada vez maior de energia no país e no
mundo, evitando a construção de usinas hidrelétricas que agridem o meio ambiente e das
usinas termoelétricas e nucleares, que além agredirem o meio ambiente, acabam utilizando os
escassos recursos não renováveis do planeta.
Cabe aos governantes fomentar o uso dos sistemas de micro sistemas de geração
eólico e solar através de políticas para reduzir os custos e desburocratizar a instalação destes
sistemas.
31

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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