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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESCOLA DE ENGENHARIA ELÉTRICA E DE COMPUTAÇÃO

Energia Eólica: Panorama e Estudo de Sensibilidade de um Parque Eólico

FERNANDA VALOES DAS NEVES


THIAGO DE LIMA MUNIZ

Goiânia, Goiás
2009
FERNANDA VALOES DAS NEVES
THIAGO DE LIMA MUNIZ

Energia Eólica: Panorama e Estudo de Sensibilidade de um Parque Eólico

Projeto de Final de Curso apresentado à Escola


de Engenharia Elétrica e de Computação da
Universidade Federal de Goiás para o
preenchimento dos requisitos de obtenção do
título de Bacharel em Engenharia Elétrica.

Área de Concentração: Sistemas de Energia


Elétrica
Orientadora: Profa. Dra. Ana Cláudia Marques
do Valle

Goiânia, Goiás
2009
SÃO PERMITIDAS A REPRODUÇÃO E A DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL
DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO,
PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

MUNIZ, Thiago de L.; NEVES, Fernanda V. das. Energia Eólica: Panorama e Estudo de
Sensibilidade de um Parque Eólico. Trabalho de Final de Curso. Goiânia: Universidade
Federal de Goiás: Escola de Engenharia Elétrica e de Computação, 2009.

Palavras-chave: 1 Energia Eólica. 2 Leilão de Energia. 3 Complementaridade. 4 Viabilidade.


5 Sensibilidade.
FERNANDA VALOES DAS NEVES
THIAGO DE LIMA MUNIZ

Energia Eólica: Panorama e Estudo de Sensibilidade de um Parque Eólico

Projeto de Final de Curso apresentado à Escola


de Engenharia Elétrica e de Computação da
Universidade Federal de Goiás para o
preenchimento dos requisitos de obtenção do
título de Bacharel em Engenharia Elétrica.

Goiânia, 10 de dezembro de 2009.

Banca Examinadora

__________________________________________________
Profª. Drª. Ana Cláudia Marques do Valle
Escola de Engenharia Elétrica e de Computação
Universidade Federal de Goiás

__________________________________________________
Prof. Dr. Antônio César Baleeiro Alves
Escola de Engenharia Elétrica e de Computação
Universidade Federal de Goiás

__________________________________________________
Prof. Dr. Sérgio Granato de Araújo
Escola de Engenharia Elétrica e de Computação
Universidade Federal de Goiás
RESUMO

MUNIZ, Thiago de L.; NEVES, Fernanda V. das. Energia Eólica: Panorama e Estudo de
Sensibilidade de um Parque Eólico. Trabalho de Final de Curso. Goiânia: Universidade
Federal de Goiás: Escola de Engenharia Elétrica e de Computação, 2009.
Mediante o presente trabalho, objetivou-se apresentar um panorama da energia eólica no
mundo, no Brasil e no Estado de Goiás e analisar a exequibilidade de um empreendimento de
geração de energia elétrica procedente da energia eólica por meio de estudos de viabilidade de
implantação de um parque eólico e de sensibilidade dos parâmetros de projeto à vista das
incertezas mercadológicas e da instabilidade dos valores de velocidade e direção do vento.
Com este intuito, analisou-se dados de meteorologia e de nível e vazão natural de
reservatórios de usinas hidrelétricas que compõem a matriz energética do Estado de Goiás,
para as análises de complementaridade eólio-hidrológica, e utilizou-se uma ferramenta de
análise de projetos de energia limpa, o software RETScreen, para as análises de viabilidade e
sensibilidade. As análises de complementaridade comprovaram a característica complementar
dos regimes eólico e hidrológico no Estado de Goiás e contribuíram para a determinação de
parâmetros necessários às demais análises, que mostraram tendência à inviabilidade, sendo o
principal motivo referente às barreiras de mercado impostas pelas precárias políticas públicas
do setor de energia eólica. Em contradição aos benefícios inerentes à utilização deste recurso
renovável, inferiu-se que este se institui como fonte de energia dispendiosa, se comparada às
fontes tradicionais, tais como hidráulica e de biomassa, e que o potencial eólico é
característica determinante para viabilidade de um projeto, sendo os estudos relativos às
medições anemométricas parte a ser minuciosamente apreciada.

Palavras-chave: 1 Energia Eólica. 2 Leilão de Energia. 3 Complementaridade. 4 Viabilidade.


5 Sensibilidade.
SUMÁRIO

LISTA DE ACRÔNIMOS ..................................................................................................... 10


LISTA DE FIGURAS............................................................................................................. 13
LISTA DE TABELAS ............................................................................................................ 16
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 19
1.1 OBJETIVO ..................................................................................................................... 20
1.2 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................... 21
1.3 METODOLOGIA ........................................................................................................... 21
2 RECURSO EÓLICO........................................................................................................... 22
2.1 DEFINIÇÃO ................................................................................................................... 22
2.2 ESTRUTURA DO VENTO............................................................................................ 22
2.2.1 Variação do vento no tempo .................................................................................. 22
2.2.2 Representação espectral de vento ......................................................................... 23
2.2.3 Modelo do vento ..................................................................................................... 24
2.3 VENTO QUASE-ESTACIONÁRIO .............................................................................. 24
2.3.1 Distribuição de Weibull ......................................................................................... 26
2.3.2 Lei de Prandtl ......................................................................................................... 27
2.4 VENTO TURBULENTO ............................................................................................... 28
2.5 POTENCIAL EÓLICO................................................................................................... 29
2.6 CÁLCULO ENERGÉTICO ........................................................................................... 32
2.7 Parque eólico ................................................................................................................... 33
2.7.1 Definição.................................................................................................................. 33
2.7.2 Particularidades de um parque eólico .................................................................. 34
2.7.2.1 Compensação de energia reativa ....................................................................... 34
2.7.2.2 Fatores de cancelamento de picos de potência .................................................. 34
2.7.2.3 Subestações especiais ........................................................................................ 35
2.7.3 Turbinas eólicas ...................................................................................................... 36
2.7.3.1 Conexão elétrica de turbinas eólicas ................................................................. 37
2.7.3.2 Regulação de potência ....................................................................................... 40
2.7.3.3 Sistema de controle............................................................................................ 41
2.7.3.4 Integração com a rede elétrica ........................................................................... 41
2.8 VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DE ENERGIA EÓLICA ....................................... 42
7

2.9 DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DE ENERGIA EÓLICA E MEDIDAS


MITIGADORAS .................................................................................................................. 45
3 ENERGIA EÓLICA ............................................................................................................ 47
3.1 NO MUNDO................................................................................................................... 47
3.1.1 Breve histórico ........................................................................................................ 47
3.1.2 Segurança energética ............................................................................................. 47
3.1.3 Redução da emissão de gases de efeito estufa ...................................................... 48
3.1.4 Fonte de renda e emprego ..................................................................................... 49
3.1.5 Panorama mundial ................................................................................................. 50
3.2 NO BRASIL ................................................................................................................... 53
3.2.1 Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica ................. 53
3.2.2 Atlas do Potencial Eólico Brasileiro ..................................................................... 58
3.2.3 Plano Nacional de Energia 2030 ........................................................................... 64
3.2.4 Segurança energética ............................................................................................. 64
3.2.5 Programa Luz para Todos .................................................................................... 65
3.2.6 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ............................................................... 68
3.2.7 Mercado de Carbono ............................................................................................. 70
3.2.8 Redução da emissão de gases de efeito estufa ...................................................... 73
3.2.9 O Mandato de Bali ................................................................................................. 75
3.2.10 Atendimento da demanda crescente por energia elétrica................................. 76
3.2.11 Panorama nacional............................................................................................... 79
3.2.11.1 América Latina ................................................................................................ 79
3.2.11.2 Matriz energética brasileira ............................................................................. 80
3.2.11.3 Banco de Informações de Geração .................................................................. 84
3.2.11.4 Potencial eólico brasileiro ............................................................................... 86
3.2.11.5 Capacidade instalada ....................................................................................... 87
3.2.11.6 Custos da energia eólica .................................................................................. 91
3.2.11.7 Leilão de energia eólica ................................................................................... 92
3.2.11.7.1 Atividades inerentes ao processo do LER................................................. 93
3.2.11.7.2 Instruções para solicitação de Cadastramento e Habilitação Técnica com
vistas à participação no Leilão para Contração de Energia de Reserva .................. 95
3.2.11.7.3 Projetos cadastrados no LER ................................................................... 96
3.2.11.7.4 Projetos habilitados pela EPE .................................................................. 97
3.2.11.7.5 Contratação de energia de reserva .......................................................... 98
8

3.3 NO ESTADO DE GOIÁS ............................................................................................ 100


3.3.1 Escopo para implantação de empreendimentos eólicos no Estado de Goiás .. 101
3.3.1.1 Diversificação da matriz energética ................................................................ 102
3.3.1.2 Complementaridade eólio-hidrológica ............................................................ 102
3.3.1.3 Atendimento de sistemas isolados ................................................................... 103
3.3.1.4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ......................................................... 104
3.3.2 Panorama estadual ............................................................................................... 104
3.3.2.1 Matriz energética do Estado de Goiás ............................................................. 104
3.3.2.2 Potencial eólico do Estado de Goiás ............................................................... 105
3.3.2.3 Complementaridade eólio-hidrológica no Estado de Goiás ............................ 108
3.3.2.3.1 Usina Hidrelétrica de Itumbiara .............................................................. 111
3.3.2.3.2 Usina Hidrelétrica de São Simão ............................................................. 112
3.3.2.3.3 Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa ....................................................... 113
4 ESTUDO DE SENSIBILIDADE DE UM PARQUE EÓLICO ..................................... 115
4.1 A CURVA DE PERMANÊNCIA ................................................................................ 115
4.2 O SOFTWARE RETSCREEN ...................................................................................... 116
4.3 EXTRAPOLAÇÃO DA VELOCIDADE DO VENTO ............................................... 117
4.4 TURBINA EÓLICA ..................................................................................................... 119
4.5 COMPLEMENTARIDADE EÓLIO-HIDROLÓGICA ............................................... 121
4.6 ANÁLISE UTILIZANDO O SOFTWARE RETSCREEN ........................................... 124
4.6.1 Planilha Iniciar ..................................................................................................... 124
4.6.2 Planilha de Modelo Energético ........................................................................... 126
4.6.3 Planilha de Análise de Custos ............................................................................. 129
4.6.3.1 Custos Iniciais ................................................................................................. 129
4.6.3.2 Custo Anual ..................................................................................................... 132
4.6.4 Planilha de Análise de Emissões ......................................................................... 134
4.6.5 Planilha de Análise Financeira............................................................................ 136
4.6.5.1 Parâmetros Financeiros: Geral ........................................................................ 136
4.6.5.1.1 Reajuste do custo do combustível ............................................................. 137
4.6.5.1.2 Taxa de inflação........................................................................................ 137
4.6.5.1.3 Taxa de desconto ...................................................................................... 137
4.6.5.1.4 Vida do projeto ......................................................................................... 137
4.6.5.2 Parâmetros Financeiros: Financiamento .......................................................... 138
4.6.5.2.1 Incentivos e subsídios ............................................................................... 138
9

4.6.5.2.2 Razão da dívida ........................................................................................ 138


4.6.5.2.3 Taxa de juros da dívida ............................................................................ 139
4.6.5.2.4 Duração da dívida .................................................................................... 140
4.6.5.3 Parâmetros Financeiros: Análise do Imposto de Renda .................................. 140
4.6.5.4 Receita Anual .................................................................................................. 141
4.6.6 Planilha de Análise de Risco: Análise de Sensibilidade .................................... 141
4.7 RESULTADOS E CONCLUSÕES .............................................................................. 141
5 CONCLUSÕES.................................................................................................................. 149
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 152
APÊNDICE A ....................................................................................................................... 157
APÊNDICE B........................................................................................................................ 159
APÊNDICE C ....................................................................................................................... 160
APÊNDICE D ....................................................................................................................... 161
ANEXO A .............................................................................................................................. 162
ANEXO B .............................................................................................................................. 163
ANEXO C .............................................................................................................................. 164
LISTA DE ACRÔNIMOS

AAUs – Assigned Amount Units (Mercado de Unidades Comercializáveis do Protocolo de


Kyoto)
AEGE – Sistema de Acompanhamento de Empreendimentos Geradores de Energia
AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica
AND – Autoridade Nacional Designada
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
BEN – Balanço Energético Nacional
BIG – Banco de Informações de Geração
BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento
CBEE – Centro Brasileiro de Energia Eólica
CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Eólica
CCVE – Contrato de Compra e Venda de Energia
CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
CEPEL – Centro de Pesquisas de Eenrgia Elétrica
CER – Contrato de Energia de Reserva
CGH – Centrais Geradoras Hidrelétricas
CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco
CIMGC – Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima
CMN – Conselho Monetário Nacional
CNPE – Conselho Nacional de Política Energética
CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos
CQNUMC – Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima
CRESESB – Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Brito
DCP – Documento de Concepção de Projeto
DNDE – Departamento Nacional de Desenvolvimento Energético
DWIA – Danish Wind Industry Association (Associação Dinamarquesa de Fabricantes de
Turbinas Eólicas)
ELETROBRÁS – Centrais Elétricas Brasileiras S.A.
EOD – Entidade Operacional Designada
EPE – Empresa de Pesquisa Energética
11

EU ETS – Esquema de Comércio de Emissões Europeu


EWEA – European Wind Energy Association (Associação Européia de Energia Eólica)
Funtec – Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis
GWEC – Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council)
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IC – Implementação Conjunta
ICG – Instalação Compartilhada de Geração
ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
II – Imposto de Importação
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas)
IPI – Imposto sobre Produtos Importados
LER – Leilão de Energia de Reserva
MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia
MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
MME – Ministério de Minas e Energia
NASA – National Aeronautics and Space Administration (Administração Nacional do Espaço
e da Aeronáutica)
NRCan – Natural Resourses Canada (Departamento de Recursos Naturais do Canadá)
OECD – Organisation for Economic Co-Operation and Development (Organização de
Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
OIE – Oferta Interna de Energia
OIEE – Oferta Interna de Energia Elétrica
ONS – Operador Nacional do Sistema
ONU – Organização das Nações Unidas
PAC – Programa de Aceleração do Crescimento
PCF – Prototype Carbon Fund (Fundo Protótipo de Carbono)
PCH – Pequena Central Hidrelétrica
PDE – Plano Decenal de Expansão de Energia
PIB – Produto Interno Bruto
PLD – Preço de Liquidação de Diferenças
PNE – Plano Nacional de Energia
12

PRODEEM – Programa para o Desenvolvimento da Energia nos Estados e Municípios


PROINFA – Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica
RCE – Reduções Certificadas de Emissões
RGGI – Regional Greenhouse Gas Initiative (Iniciativa Regional de Gases de Efeito Estufa da
América do Norte)
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento
SIMEHGO – Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás
SIN – Sistema Interligado Nacional
tep – Tonelada Equivalente de Petróleo
TLJP – Taxa de Juros de Longo Prazo
TIR – Taxa Interna de Retorno
UHE – Usina Hidrelétrica de Energia
UNEP – United Nations Environment Programme (Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente)
URC – UNEP Riso Centre on Energy Climate and Sustainable Development (Centro UNEP
Riso de Energia, Clima e Desenvolvimento Sustentável)
UTE – Usina Termelétrica de Energia
VPL – Valor Presente Líquido
VR – Valor de Referência
WWEA – World Wind Energy Association (Associação Mundial de Energia Eólica)
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Mecanismos de fomação dos ventos. ...................................................................... 22


Figura 2 – Registro gráfico das medições de velocidade média diária do vento...................... 23
Figura 3 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais
(Itumbiara-GO). ........................................................................................................................ 25
Figura 4 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais
(São Simão-GO). ...................................................................................................................... 25
Figura 5 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais
(Minaçu-GO). ........................................................................................................................... 26
Figura 6 – Densidade de potência disponível no vento. ........................................................... 30
Figura 7 – Curva de Potência. .................................................................................................. 32
Figura 8 – Curva de eficiência de conversão eletromecânica. ................................................. 32
Figura 9 - Parque Eólico Osório. .............................................................................................. 34
Figura 10 – Diagrama geral das diferentes formas de conexão de turbinas eólicas em parques
eólicos. ...................................................................................................................................... 35
Figura 11 – Desenho esquemático de uma turbina eólica. ....................................................... 36
Figura 12 – Principais tipos e formas de conexão de turbinas eólicas. .................................... 39
Figura 13 – Regulação de potência por variação do ângulo de passo das pás do rotor. ........... 40
Figura 14 – Regulação de potência por deslocamento do vento. ............................................. 40
Figura 15 – Turbina eólica conectada à rede elétrica. .............................................................. 42
Figura 16 – Custo (EU$/tCO2) resultante da redução das emissões para diferentes fontes de
energia renovável. ..................................................................................................................... 43
Figura 17 – Geração de empregos. ........................................................................................... 50
Figura 18 – Capacidade mundial total instalada....................................................................... 51
Figura 19 – Países com as maiores taxas de crescimento (%). ................................................ 51
Figura 20 – Países com maior capacidade instalada (MW) em 2008. ...................................... 52
Figura 21 – Efeito de sub-escala. ............................................................................................. 60
Figura 22 – Modelo de relevo................................................................................................... 60
Figura 23 – Mosaico SPOT. ..................................................................................................... 61
Figura 24 – Modelo de rugosidade. .......................................................................................... 61
Figura 25 – Velocidades médias anuais (m/s) e fluxo de potência eólica anual (W/m²). ........ 62
Figura 26 – Velocidades médias trimestrais (m/s). .................................................................. 62
14

Figura 27 – Situação da eletrificação no Brasil e regiões......................................................... 66


Figura 28 – Número de atividades de projeto do MDL no Brasil por Estado. ......................... 70
Figura 29 – Estimativa do mercado de MDL (posicionamento da América Latina) . ............. 73
Figura 30 – Estrutura do consumo final energético por fonte (%), para 2008 e 2017. ............ 79
Figura 31 – Capacidade total instalada por continente. ............................................................ 80
Figura 32 – Participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia........................... 82
Figura 33 – Participação das fontes energéticas na Oferta Interna de Energia Elétrica. .......... 83
Figura 34 – Emissões de CO2. .................................................................................................. 84
Figura 35 – Potencial eólico estimado para vento médio anual igual ou superior a 7 m/s....... 87
Figura 36 – Fluxograma das atividades inerentes ao processo do LER. .................................. 94
Figura 37 – Esquema de comercialização de energia de reserva. ............................................ 99
Figura 38 – Centrais elétricas que compõem os Sistemas Isolados (situação em outubro de
2003). ...................................................................................................................................... 103
Figura 39 – Velocidade média anual de vento a 50 m (m/s). ................................................. 106
Figura 40 – Mapa do relevo do Estado de Goiás. ................................................................... 107
Figura 41 – Geração eólica por centrais hipotéticas. .............................................................. 109
Figura 42 - Vazão média mensal do reservatório de Sobradinho. .......................................... 109
Figura 43 - Vazão natural equivalente do reservatório de Sobradinho com a inserção da
energia eólica. ......................................................................................................................... 110
Figura 44 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico. .................................... 112
Figura 45 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico. .................................... 113
Figura 46 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico. .................................... 114
Figura 47 – Curvas de permanência das Usinas Hidrelétricas de Itumbiara, São Simão e Serra
da Mesa. .................................................................................................................................. 116
Figura 48 – Localização do município de Morrinhos-GO. .................................................... 118
Figura 49 – Potencial Eólico do Estado de Goiás. ................................................................. 119
Figura 50 – Gráfico da curva de potência da turbina eólica e interpolação polinomial da curva
(MATLAB)............................................................................................................................. 121
Figura 51 – Curva de permanência da Usina Hidrelétrica de Itumbiara após
complementaridade. ................................................................................................................ 124
Figura 52 – Distribuição dos custos iniciais de um projeto eólico. ........................................ 130
Figura 53 – Custo anual em operação e manutenção de projetos em energia eólica. ............ 133
Figura 54 – Fluxo de caixa cumulativo (0%). ........................................................................ 143
Figura 55 – Fluxo de caixa cumulativo (+5%). ...................................................................... 144
15

Figura 56 – Fluxo de caixa cumulativo (+10%). .................................................................... 145


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Curva de potência calculada (ρ = 1,225 kg/m³). ..................................................... 31


Tabela 2 – Emissões de CO2 (t/TWh) para diferentes tecnologias de geração de energia. ...... 44
Tabela 3 – Emissões evitadas pela energia eólica. ................................................................... 44
Tabela 4 – Energia consumida ao longo das diferentes fases de uma turbina eólica de 600 kW.
.................................................................................................................................................. 45
Tabela 5 – Impactos socioambientais decorrentes de contrução e operação de parques eólicos.
.................................................................................................................................................. 46
Tabela 6 – Empreendimentos relacionados ao PROINFA. ...................................................... 54
Tabela 7 – Empreendimentos relacionados ao PROINFA divididos por região do país. ........ 55
Tabela 8 – Usinas eólicas habilitadas pelo PROINFA (Agosto de 2009). ............................... 57
Tabela 9 – Volumes e valores do Mercado de Carbono. .......................................................... 71
Tabela 10 – Oferta interna de energia elétrica (TWh). ............................................................. 74
Tabela 11 – Consumo de energia elétrica na rede, por subsistema (GWh). ............................. 77
Tabela 12 – Carga de Energia (MWmédio).............................................................................. 77
Tabela 13 – Carga de demanda (MWh/h). ............................................................................... 78
Tabela 14 – Economia e consumo final energético. ................................................................. 78
Tabela 15 – Evolução da capacidade instalada por tipo de fonte (MW). ................................. 79
Tabela 16 – Síntese dos resultados. .......................................................................................... 81
Tabela 17 – Emissões de CO2................................................................................................... 83
Tabela 18 – Empreendimentos em operação, em construção e outorgados entre 1998 e 2009.
.................................................................................................................................................. 85
Tabela 19 – Matriz de energia elétrica brasileira. .................................................................... 86
Tabela 20 – Usinas eólicas em operação. ................................................................................. 88
Tabela 21 – Usinas eólicas em construção. .............................................................................. 89
Tabela 22 – Usinas eólicas em outorga. ................................................................................... 89
Tabela 23 – Cronograma físico de implantação do empreendimento. ..................................... 95
Tabela 24 – Distribuição dos projetos cadastrados por região do país. .................................... 96
Tabela 25 – Distribuição dos projetos cadastrados por Estado. ............................................... 96
Tabela 26 – Distribuição dos projetos cadastrados por tamanho. ............................................ 97
Tabela 27 – Distribuição dos projetos habilitados por Estado. ................................................ 98
Tabela 28 – Consumo de energia elétrica por unidade da federação. .................................... 101
17

Tabela 29 – Empreendimentos em operação, em construção e outorgados entre 1998 e 2004.


................................................................................................................................................ 105
Tabela 30 - Extrapolação da velocidade do vento (m/s). ....................................................... 118
Tabela 31 – Dados da turbina eólica. ..................................................................................... 120
Tabela 32 – Dados da curva de potência e da curva de energia. ............................................ 120
Tabela 33 – Potência gerada pela turbina eólica selecionada. ................................................ 121
Tabela 34 – Complementaridade de 5%, 3%, 2% e 1% (MWmédio). ................................... 122
Tabela 35 – Número de aerogeradores necessários para complementaridade. ...................... 123
Tabela 36 – Planilha Iniciar e dados climáticos referentes à Morrinhos-GO. ........................ 125
Tabela 37 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 8,78 m/s. .............................. 126
Tabela 38 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 9,26 m/s. .............................. 127
Tabela 39 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 9,75 m/s. .............................. 127
Tabela 40 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 10,24 m/s. ............................ 128
Tabela 41 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 10,73 m/s. ............................ 128
Tabela 42 – Resumo dos dados da Planilha de Modelo Energético. ...................................... 129
Tabela 43 – Custos iniciais de projetos em energia eólica. .................................................... 130
Tabela 44 – Estimativa de custo de turbinas eólicas. ............................................................. 131
Tabela 45 – Dados técnicos dos Parques Eólicos de Osório. ................................................. 132
Tabela 46 - Custos adicionais e total de custos de investimento. ........................................... 132
Tabela 47 – Sumário dos custos referentes da energia eólica na Europa. .............................. 133
Tabela 48 – Custos anuais variáveis (R$) de O&M. .............................................................. 134
Tabela 49 – Custos anuais (R$) de O&M. ............................................................................. 134
Tabela 50 – Fator de emissão médio (tCO2/MWh) mensal e anual. ...................................... 135
Tabela 51 – Resumo global das perdas elétricas. ................................................................... 136
Tabela 52 - Redução anual líquida de emissões de gases de efeito estufa. ............................ 136
Tabela 53 – Condições específicas da linha PROESCO para empreendimentos do setor
elétrico. ................................................................................................................................... 139
Tabela 54 – Evolução da TJLP. .............................................................................................. 140
Tabela 55 – Prazo máximo de amortização da dívida. ........................................................... 140
Tabela 56 – Resultados para quando não há variação da velocidade do vento. ..................... 142
Tabela 57 – Resultados para variação da velocidade do vento de +5%. ................................ 144
Tabela 58 – Resultados para variação da velocidade do vento de +10%. .............................. 145
Tabela 59 – Síntese dos resultados. ........................................................................................ 146
Tabela 60 – Variação dos resultados (%). .............................................................................. 146
18

Tabela 61 – Análise de sensibilidade da TIR do capital próprio. ........................................... 147


Tabela 62 – Análise de sensibilidade do retorno do capital próprio. ..................................... 147
Tabela 63 – Análise de sensibilidade do VPL. ....................................................................... 148
1 INTRODUÇÃO

Preocupação antiga e crescente pauta-se na busca por fontes de energia que provejam
as necessidades de iguais proporções de uma sociedade ávida pelos benefícios inerentes do
acesso à energia elétrica. Em discordância, a emersão da conscientização ambiental é fator
que obsta o uso desenfreado dos recursos energéticos em prol de um desenvolvimento em
bases sustentáveis. A sociedade imediata é, portanto, desafiada a planear o crescimento do
setor energético, responsável por 40% das emissões globais de dióxido de carbono (GWEC,
2008), considerando o impacto ambiental e por meio de planejamento adequado e do
reconhecimento da esgotabilidade dos recursos naturais. Ressaltado isso, aponta-se a
inevitabilidade do desenvolvimento de tecnologias que utilizem fontes renováveis.

Em vantagem comparativa, o Brasil dispõe de diversificados recursos energéticos,


podendo seguir por várias vertentes no sentido de ampliar a oferta interna de energia elétrica e
manter o caráter limpo de sua matriz energética. Negligenciada a exploração de outras fontes,
o expressivo predomínio da utilização do recurso hídrico implica em instabilidade sazonal do
abastecimento de energia como resultado da característica estocástica do regime hidrológico e
suas flutuações de amplitude significativa. Neste contexto, a expansão do aproveitamento da
energia eólica, tecnologia que se apresenta em estado de amadurecimento comparável às de
geração tradicionais, dá-se pela preocupação em reduzir os impactos ambientais negativos e
os riscos hidrológicos do suprimento de energia elétrica do país. Em todo o mundo, o
aproveitamento eólio-hidrológico apresenta-se como vantagem sistêmica e opção de
complementação e de consequente fortalecimento energético.

O custo referente à energia eólica, não obstante, apresenta-se superior aos custos das
energias hidráulica e de biomassa, não configurando alternativa viável do ponto de vista
financeiro. Os elevados custos logísticos de implementação dos projetos e o número restrito
de empresas nacionais que ofereçam os equipamentos necessários e condigam com as
especificidades exigidas são, entre outros, fatores que agregam maior valor à energia eólica,
sendo o mercado constituído como barreira significativa ao avanço da utilização dessa
tecnologia. Como forma de minimizar os custos, uma nova política pública deve ser
implantada no Brasil a fim de adaptar os mecanismos aplicados com sucesso em outros países
à realidade do país. Assim sendo, a realização do Leilão de Contratação de Energia de
Reserva específico para a contratação de energia eólica, a realizar-se em 14 de dezembro de
20

2009, configura-se como diretriz para diminuir o custo como consequência da


competitividade.

Definido o preço de mercado da energia eólica, compete ao empreendedor analisar a


exequibilidade de seu projeto mediante estudos de viabilidade de implantação de um parque
eólico e de sensibilidade dos parâmetros à vista das incertezas mercadológicas e da
instabilidade dos valores de velocidade e direção do vento. Estes, conferem o potencial eólico
da localidade definida para implementação do projeto, determinada, em análise preliminar, a
partir de dados do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, de autoria do Centro de Pesquisa de
Energia Elétrica (CEPEL). Segundo este, o potencial eólico brasileiro pode ser estimado em
143,5 GW, compreendendo à geração de 272,2 TWh/ano. O projeto de implementação, a
partir de 2010, do Atlas Dinâmico do Potencial Eólico Brasileiro, garantirá a ampliação desse
potencial e do número de projetos do setor no país.

Representando trinta e seis cometimentos difundidos principalmente pelas regiões


Nordeste e Sul do país e 0,53% da capacidade instalada total, os empreedimentos de energia
eólica no Brasil provêm 602.284 kW, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL). A região Centro-Oeste apresenta potencial eólico comparativamente reduzido,
apesar de compreender regiões propícias para o aproveitamento, como a porção norte do
Estado de Goiás e sudoeste e central do Estado do Mato Grosso do Sul. Contudo, a região não
dispõe de usinas eólicas em nenhuma fase de implementação, como mostrado pelo Banco de
Informações de Geração (BIG). Este abrange todos os emprendimentos em operação,
construção ou outorga no país para todas as fontes energéticas. Relativo ao recurso eólico,
estima-se adição de 256.450 kW de potência instalada ao sistema energético interligado e
procedente de dez projetos que se encontram em fase de construção.

1.1 OBJETIVO

Objetiva-se, mediante este trabalho, apresentar um panorama da energia eólica no


mundo, no Brasil e no Estado de Goiás, abordar os dados preliminares referentes ao Leilão de
Contratação de Energia de Reserva específico para a contratação de energia eólica,
demonstrar a complementaridade eólio-hidrológica inerente ao Estado de Goiás e realizar um
estudo de viabilidade de implantação de um parque eólico no Estado e um estudo de
sensibilidade dos parâmetros técnicos e econômicos de projeto.
21

1.2 JUSTIFICATIVA

A energia eólica configura-se como alternativa às fontes não-renováveis de energia


elétrica, pois, em todo o mundo, fatores como crescimento da demanda por energia elétrica,
escassez de combustíveis fósseis, necessidade de controle ambiental e desenvolvimento
sustentável, sobrevêm de forma generalizada. A taxa de crescimento global da utilização desta
fonte, de 29% a.a., segundo dados da Associação Mundial de Energia Eólica (World Wind
Energy Association – WWEA), demonstra a tendência de expansão de mercado e consequente
aumento de atratividade e competitividade do setor.

No Brasil, a tentativa preliminar de acompanhar esta tendência mundial realizar-se-á


por mediação do leilão de energia eólica. Os empreendedores interessados em participar
devem efetuar estudos de viabilidade de implantação de um parque eólico, objetivando
estabelecer a viabilidade técnica e econômica de seu projeto específico, e de estudos de
sensibilidade dos parâmetros inerentes ao projeto, prognosticando possíveis alterações dos
cenários econômicos atuais à elaboração do mesmo. Torna-se interessante a apresentação de
uma ferramenta para a análise preliminar dos dados de projeto de um empreendimento eólico,
contribuindo para redução dos custos relativos à fase de planejamento.

1.3 METODOLOGIA

As atividades realizadas para o desenvolvimento deste trabalho compreendem


pesquisa bibliográfica; análise de dados meteorológicos cedidos pelo Sistema de
Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (SIMEHGO) e referentes aos municípios de
Itumbiara, São Simão e Minaçu; análise de dados relativos aos níveis e vazões naturais dos
reservatórios das Usinas Hidrelétricas de Itumbiara, São Simão e Serra da Mesa e procedentes
do sítio do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); análise do Atlas do Potencial
Eólico Brasileiro (CEPEL, 2001); e aplicação do software RETScreen para os estudos de
viabilidade e sensibilidade de um parque eólico, visando implantação deste no município de
Morrinhos, no Estado de Goiás.
2 RECURSO EÓLICO

2.1 DEFINIÇÃO

A formação dos ventos deve-se ao aquecimento diferenciado da atmosfera,


decorrente, dentre outros fatores, da orientação dos raios solares e dos movimentos de
translação e rotação da Terra. Os raios solares incidem quase que perpendicularmente sobre as
regiões tropicais, ocasionando o seu maior aquecimento, se comparado às regiões polares. Em
decorrência disto e do gradiente de pressão resultante do aquecimento distinto, ocorre o
deslocamento das massas de ar quente do trópico, que substituem e são substituídas pelas
mais frias dos polos, determinando a formação dos ventos planetários ou constantes. Em
pequena escala, o mecanismo descrito ocasiona a formação dos ventos continentais ou
periódicos, também denominados de monções ou brisas, cujos padrões de fluxo podem ser
midificados por irregularidades da superfície, corpos de água e vegetação. O mecanismo de
formação dos ventos pode ser observado na figura 1.

Figura 1 – Mecanismos de fomação dos ventos.


(Fonte: CEPEL, 2001).

2.2 ESTRUTURA DO VENTO

2.2.1 Variação do vento no tempo

As alterações da velocidade e direção do vento decorrem da localização geográfica e


da altitude, podendo ser instantâneas, diárias, sazonais ou anuais. As flutuações do vento
constituem fenômeno estocástico que pode ser representado por métodos estatísticos, sendo
obtidas funções de distribuição inferidas de medições efetuadas por um determinado período.
23

O potencial eólico é, portanto, estimado a partir de curvas de duração de velocidade do vento.


A título exemplificativo, o registro gráfico das medições efetuadas pelas estações
meteorológicas de Itumbiara, São Simão e Minaçu, no Estado de Goiás, é mostrado na figura
2. Os valores apresentados, reunidos durante o mês de abril de 2009 e disponibilizados pelo
Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (SIMEHGO), referem-se à
velocidade média diária.

6,00

5,00
Velocidade do vento (m/s)

4,00

3,00

2,00

1,00

0,00
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Dia

ITUMBIARA SÃO SIMÃO MINAÇU

Figura 2 – Registro gráfico das medições de velocidade média diária do vento.

2.2.2 Representação espectral de vento

O comportamento das massas de ar em movimento pode ser descrito no domínio da


frequência, resultando em uma representação espectral de vento, que é a medida da energia
cinética associada à componente horizontal da velocidade do vento (CASTRO, 2007). A
densidade espectral de energia é uma função resultante de um registro significativo, para um
período não inferior a um ano, de dados de medições da velocidade do vento de um
determinado local.

A representação espectral de vento deve ser obtida somente para o local onde são
feitas as medições. No entanto, observa-se a conservação de uma forma de onda base. Esta
apresenta três zonas distintas, denominadas de macrometeorológica, micrometeorológica e
vazio espectral. Associada a frequências baixas, a zona macrometeorológica relaciona-se aos
24

movimentos de grandes massas de ar, como depressões ou anti-ciclones; a zona de vazio


espectral corresponde às zonas do espectro que apresentam pouca energia; e a zona
micrometeorológica associa-se a frequências mais elevadas e está relacionada com a
turbulência atmosférica.

A turbulência atmosférica causa impacto a nível dos esforços a que as tubinas eólicas
serão submetidas, sendo parte determinante de um projeto de centrais eólicas, e pode afligir a
conversão de energia, mas de forma indireta, pois a turbina eólica não reage a flutuações
rápidas nos valores de velocidade e direção do vento. Projetos que consideram apenas o valor
de velocidade média do vento de um determinado local apresentam restrições quanto à
estimativa da geração de energia elétrica, visto que as considerações relativas às variações,
lentas ou rápidas, de velocidade e direção são irrefletidas e que a potência gerada de energia é
proporcional ao cubo do valor da velocidade.

2.2.3 Modelo do vento

Em decorrência da existência da zona de vazio espectral, o modelo de vento é


caracterizado por duas componentes características determinadas separadamente. A
turbulência atmosférica é vista como uma perturbação ao escoamento quase-estacionário do
vento, caracterizado por uma velocidade média. A característica velocidade do vento em
função do tempo, u(t), pode ser expressa como mostrado na equação 1, em que u é o valor da
velocidade média do vento e u’(t) é a função que determina a turbulência atmosférica, ambos
dados em m/s. A velocidade média é calculada com base em um período que esteja
compreendido na zona de vazio espectral e representa o regime quase-estacionário de energia
disponível para conversão.

u t = u + u′ (t) (1)

2.3 VENTO QUASE-ESTACIONÁRIO

Para variações lentas dos valores de velocidade e direção do vento, pode se utilizar a
distribuição estatística densidade de probabilidade como resposta ao problema da turbulência
atmosférica, determinando, assim, a probabilidade de a velocidade estar compreendida entre
dois valores, haja vista que os registros são conjuntos de valores discretos. As figuras 3, 4 e 5
ilustram os gráficos de frequência de ocorrência de velocidades médias diárias do vento,
obtidas por medições reais oriundas de estações meteorológicas situadas em Itumbiara e
25

Minaçu, no Estado de Goiás, durante o período de 2003 a 2009, e em São Simão, município
do mesmo Estado, durante o período de 2008 a 2009. Estes resultados, apesar de restritos e
baseados em dados reais, assemelham-se estritamente ao apresentado pela Distribuição de
Weibull, a ser descrita. Define-se 0,5 m/s e 0,1 m/s as larguras de faixa delimitadas ou classe
de vento, diferentes da normalmente encontrada na literatura, de 1 m/s, pois os valores para a
velocidade sofrem pouca variação.

30%

25% 24%
23%
Frequência de ocorrência

20% 19%

15%
15%

10%
10%
7%

5%
2%
1% 0%
0%
2,5 3 3,5 4 4,5 5 5,5 6 7
Velocidade do vento (m/s)

Figura 3 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais (Itumbiara-GO).

60%

50% 48%
Frequência de ocorrência

40%

30% 26%

20%
12% 10%
10%
3%
0% 0% 0% 0% 0% 0%
0%
1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 5,5 6
Velocidade do vento (m/s)

Figura 4 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais (São Simão-GO).
26

25,0%

19,7% 19,7%
20,0%
Frequência de ocorrência

17,5%

15,0% 14,2%

10,0% 8,7%
6,6%
5,2% 4,6%
5,0%
1,9%
0,3% 0,3% 0,5% 0,8%
0,0%
1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5
Velocidade do vento (m/s)

Figura 5 – Frequência de ocorrência da velocidade do vento, obtida a partir de dados reais (Minaçu-GO).

2.3.1 Distribuição de Weibull

Os registros da densidade de probabilidade devem ser interpretados por intermédio


de funções analíticas para se tornarem proveitosos. A distribuição probabilística considerada
mais adequada e, por isso, mais utilizada para descrever o regime dos ventos é a Distribuição
de Weibull. A função densidade de probabilidade de Weibull é expressa pela equação 2, em
que u é a velocidade média do vento, c é o parâmetro de escala, com as dimensões de
velocidade, e k é o parâmetro de forma e adimensional. A velocidade média anual do vento,
expresso por uma, dá-se pelas equações 3 e 4. Esta é utilizada para distribuições discretas da
velocidade média do vento, em determinada classe.

k−1 k
k u u
f u = ∗ ∗ exp − (2)
c c c

uma = u ∗ f u du (3)
0
u máx

uma = u ∗ f(u) (4)


u=0

Os parâmetros c e k da Distribuição de Weibull e as características da velocidade do


vento, relativas à média anual e variância, são relacionados, conforme indicado nas equações
5 e 6, pela função Gamma (Г).
27

1
uma = c ∗ Γ 1 + (5)
k
2
2 1
σ² = c² ∗ Г 1 + − Г 1 + (6)
k k

Nota-se que, adotado um valor invariável de c e valores distintos e crescentes de k, a


velocidade média anual aumenta em concordância com o aumento de k e a variância diminui
de forma pronunciada, podendo ser concluído que o parâmetro k influencia mais
significativamente o desvio padrão. Por este motivo, esse parâmetro é normalmente tomado
como medida da dispersão da velocidade do vento no local. Por outro lado, para valores
constantes de k e variáveis de c, dá-se a relação contrária, sendo que c influencia
principalmente a média anual e, por isso, é tomado como medida do vento disponível no
local. Em adição, o desvio padrão também aumenta na medida em que o parâmetro c
aumenta, traduzindo em maior variação da velocidade do vento e interferência na
confiabilidade dos dados e do projeto.

Para o cálculo dos parâmetros k e c, um dos métodos mais utilizados envolve


regressão linear e deriva da função probabilidade acumulada, que define a probabilidade de
uma variável aleatória qualquer exceder um valor determinado. Esta função, para a aplicação
referente à Distribuição de Weibull, é expressa pela equação 7. Esta equação pode ser
expressa como uma função linear, como mostrado pelas equações 8, 9 e 10. Os parâmetros k e
c estão relacionados com os valores de A e B, através das equações 11 e 12.

k
u
F u = exp − (7)
c
Y= A∗X+B (8)
Y = ln −ln F u (9)
X = ln u (10)
k=A (11)
B
c = exp − (12)
A

2.3.2 Lei de Prandtl

A aproximadamente 2.000 m de altitude, o efeito da força de atrito sobre as massas


de ar é praticamente nulo. Para camadas inferiores, abaixo da camada limite atmosférica,
28

como é denominada, essa interferência é significativa e deve ser considerada. Desta


constatação, concluiu-se que a velocidade do vento varia com a altura relativa ao solo.

A nacele, o rotor e os demais componentes das turbinas eólicas modernas, como


pode ser visto na figura 11, estão localizados a uma altura de cerca de 100 m, designada
camada superficial ou logarítmica. Para este interesse específico, a topografia do terreno e a
rugosidade do solo são condicionantes do perfil de velocidades do vento, representado pela lei
logarítmica de Prandtl, expressa pela equação 13. Na expressão, u z é a velocidade média do
vento a uma altura z, u∗ é a velocidade de atrito, k é a constante de Von Karman, cujo valor é
0,4, e z0 é o comprimento característico da rugosidade do solo, fornecido pela literatura para
diversos tipos de terrenos.

u∗ z
u z = ∗ ln (13)
k z0

Na prática, utiliza-se a equação 14, em que u(zr) é a velocidade média à altura de


referência zr, pois a velocidade de atrito é um parâmetro dificil de ser calculado. Esta equação
aplica-se somente a terrenos planos e homogêneos, não observando os efeitos da topografia,
de obstáculos e das modificações da rugosidade.

z
u z ln z
0
= zr (14)
u zr ln z
0

2.4 VENTO TURBULENTO

O interesse em determinar a turbulência atmosférica, uma componente flutuante do


vento, persiste, pois esta pode conter energia significativa em frequências próximas às de
oscilação da estrutura da turbina eólica, resultando em esforços mecânicos que podem
diminuir a vida útil do equipamento. A turbulência atmosférica é uma característica do
escoamento e não do fluido, sendo, portanto, difícil de ser analisada. Em decorrência de sua
irregularidade, não pode ser descrita por expressões determinísticas, sendo necessário utilizar
técnicas estatísticas. Atualmente, o efeito do vento e da turbulência atmosférica é um assunto
expressamente ponderado, o que permite projetar turbinas eólicas de forma segura, mesmo
para condições extremas de ventos.
29

2.5 POTENCIAL EÓLICO

A geração de energia elétrica pelo emprego de turbinas eólicas dá-se pelo


aproveitamento para a realização de trabalho útil da energia cinética de translação contida nas
massas de ar em movimento, que é convertida em energia cinética de rotação, ao passar pela
seção do rotor transversal ao fluxo de ar. A apropriação da energia eólica decorre de
condições favoráveis, permanentes e razoáveis de vento. Portanto, a energia disponível para a
turbina eólica está, de forma direta, associada a uma velocidade uniforme e constante de vento
u (m/s).

A potência disponível no vento (W) é dada como expresso na equação 15, em que ρ é
a massa específica do ar, normalmente fixada pelos fabricantes em 1,225 kg/m³, e A é a seção
(m²) do rotor da turbina transversal ao fluxo de ar. O cálculo de projeto da massa específica
do ar dá-se pela equação 16, onde P0 é o valor de pressão atmosférica padrão ao nível do mar
(kg/m²), R é a constante específica do ar (J/kmol), z é a altitude (m), T é a temperatura (K) e g
é a aceleração da gravidade (m/s²) locais.

1
Pdisp =∗ ρ ∗ A ∗ u³ (15)
2
P0 g∗z
ρ= ∗ exp − (16)
R∗T R∗T

A equação 15 mostra que a potência eólica disponível é diretamente proporcional ao


cubo da velocidade do vento. Por conseguinte, a variação de uma unidade na velocidade do
vento implica em um aumento do cubo da potência disponível. Devido a isto, a avaliação
técnica do potencial eólico exige um conhecimento pormenorizado do comportamento do
vento, incidindo em viabilidade técnica e econômica do projeto de energia eólica. A figura 6
mostra a curva da potência por unidade de área varrida pelas pás do rotor, denominada
densidade de potência disponível (W/m²), em função da velocidade do vento e não
considerando as características inerentes à turbina eólica.
30

5000
4500

Densidade de potência (W/m²)


4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
Velocidade do vento (m/s)

Figura 6 – Densidade de potência disponível no vento.

Este comportamento da curva de densidade de potência ocorre quando não é


considerada a presença de uma turbina eólica, como citado. A aplicação de conceitos
referentes à mecânica de fluidos possibilitou a conceituação do coeficiente de potência ou
coeficiente de Betz (Cp), que determina a relação entre a potência mecânica disponível no
veio da turbina e a potência disponível no vento, como expresso na equação 17. O máximo
valor teórico para o rendimento da conversão eólio-mecânica é de 16/27, ou 59,3%.

Pm
Cp u = (17)
Pdisp

Em discordância com a definição do coeficiente de potência, muitos fabricantes de


aerogeradores incluem o rendimento do gerador elétrico no valor de Cp, sendo usada, na
prática, a equação 18, em que Pe é a potência elétrica fornecida aos terminais do gerador.
Sendo assim, teoricamente, a potência extraída pela turbina eólica é, então, descrita pela
equação 19.

Pe
Cp u = (18)
Pdisp
1
P= ∗ ρ ∗ Cp ∗ A ∗ u3 (19)
2

Esta equação habilita os fabricantes de turbinas eólicas para determinarem as curvas


de potência dos equipamentos, geralmente mensuradas por órgãos credenciados e
independentes e relacionadas com velocidades médias de vento constatadas em períodos de
31

10 minutos, com a densidade específica do ar a 1,225 kg/m³ e com condições normais de


temperatura e pressão atmosférica. A curva de eficiência de conversão eletromecânica, por
sua vez, define como a turbina converte a energia eólica em elétrica, variando com o valor da
velocidade do vento. A faixa de operação e rendimento adequado da turbina é uma decisão a
ser tomada na fase de projeto. A tabela 1 mostra os valores referentes às curvas de potência e
de eficiência de conversão eletromecânica, correspondentes a um sistema de conversão de
energia eólica com potência nominal de 2.300 kW e mostradas nas figuras 7 e 8.

Tabela 1 – Curva de potência calculada (ρ = 1,225 kg/m³).

Velocidade do vento (m/s) Potência P (MW) Coeficiente de potência Cp

1 0,0 0,00
2 2,0 0,10
3 18,0 0,27
4 56,0 0,36
5 127,0 0,42
6 240,0 0,46
7 400,0 0,48
8 626,0 0,50
9 892,0 0,50
10 1.223,0 0,50
11 1.590,0 0,49
12 1.900,0 0,45
13 2.080,0 0,39
14 2.230,0 0,34
15 2.300,0 0,28
16 2.310,0 0,23
17 2.310,0 0,19
18 2.310,0 0,16
19 2.310,0 0,14
20 2.310,0 0,12
21 2.310,0 0,10
22 2.310,0 0,09
23 2.310,0 0,08
24 2.310,0 0,07
25 2.310,0 0,06
Fonte: Wobben Wind Power.
32

2.500,0

2.000,0
Potência P (MW)

1.500,0

1.000,0

500,0

0,0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25
Velocidade do vento u na altura do cubo (m/s)

Figura 7 – Curva de Potência.


(Fonte: Wobben Wind Power).

0,60

0,50
Coeficiente de Potência Cp

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25
Velocidade do vento u na altura do cubo (m/s)

Figura 8 – Curva de eficiência de conversão eletromecânica.


(Fonte: Wobben Wind Power).

2.6 CÁLCULO ENERGÉTICO

A expressão que descreve o valor esperado para a energia elétrica que pode ser
gerada anualmente a partir do aproveitamento eólico é, em casos gerais, dada pela equação
33

20, em que f u é a densidade de probabilidade da velocidade média do vento, dada em horas,


Pe u é a característica elétrica do sistema de conversão de energia eólica, em W, u0 é a
velocidade de entrada e umáx é a velocidade de corte, ambas em m/s.

u máx

Ea = 8.760 f u ∗ Pe u du (20)
u0

Para distribuções discretas, a expressão é resumida à equação 21, em que fr u é a


frequência relativa de ocorrência da velocidade média do vento, como dado na equação 22.

u máx

Ea = fr u ∗ Pe u (21)
u0

fr u = 8.760 ∗ f u (22)

Se a função probabilidade acumulada, F u , for conhecida, uma forma mais elabora


de calcular a energia consiste em usar esta função para obter a probabilidade de a velocidade
do vento estar compreendida entre dois valores, como mostrado pela equação 23. Neste caso,
deve se utilizar o valor médio da potência fornecido pela característica elétrica do aerogerador
(Pe).

u máx
Pe i + Pe i − 1
Ea = 8.760 F i−1 −F i ∗ (23)
2
i=u 1

2.7 PARQUE EÓLICO

2.7.1 Definição

Parque eólico constitui um agrupamento de turbinas eólicas, dispostas conforme


projeto em um mesmo espaço, terrestre ou marítimo, sob um mesmo ramal de ligação e
medição. Objetiva-se com a implantação de um parque eólico a geração de energia elétrica a
partir da utilização do recurso eólico como matéria-prima. A figura 9 apresenta o Parque
Eólico Osório, localizado em Osório, no Rio Grande do Sul, e que compõe os Parques Eólicos
de Osório, cuja capacidade instalada, de 150 MW, compreende a 25% da capacidade total
eólica instalada no Brasil.
34

Figura 9 - Parque Eólico Osório.


(Fonte: Greenpeace Brasil).

2.7.2 Particularidades de um parque eólico

Segundo documento do Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE), os parques


eólicos apresentam características determinantes para o projeto elétrico da integração eólica.
Dentre estas particularidades, destacam-se a necessidade de compensação de energia reativa,
os fatores de cancelamento de picos de potência e o uso de subestações especiais.

2.7.2.1 Compensação de energia reativa

Os níveis de energia reativa demandada por componentes do parque eólico, como


turbinas eólicas e transformadores, podem apresentar valores superiores aos acordados entre o
produtor independente e a concessionária de energia elétrica, ocasionando a punição do
primeiro com faturamento de consumo de energia e demanda de reativo, e prejudicar o nível
de tensão no ponto de conexão em decorrência do fluxo de potência nas redes elétricas. Por
estes motivos, o consumo de energia reativa é um tópico a ser analisado na fase de projeto de
um empreendimento eólico, sendo que, em alguns casos, deve se idealizar um sistema de
compensação variável que mantenha os níveis de tensão dentro dos padrões especificados.

2.7.2.2 Fatores de cancelamento de picos de potência

O cancelamento de picos de potência, diretamente relacionados com cancelamentos


de variações de tensão dinâmica, é resultado do mau planejamento da disposição espacial de
35

turbinas eólicas dentro de um parque eólico. Este efeito provém da turbulência do vento em
virtude do princípio estocástico das variações do vento e não direcional do mesmo.

2.7.2.3 Subestações especiais

Interligar o parque eólico a uma rede elétrica mais forte e em um nível de tensão
mais elevado é, por vezes, necessário e deriva-se da potência a instalar e da condição da rede
elétrica disponível. Diante deste cenário, é instalado na subestação interna ao parque eólico
um transformador elevador, que pode ter um sistema de regulação de tensão em carga,
denominado de transformador com tap variável. Este é útil para reduzir variações
estacionárias de tensão e melhorar a qualidade da tensão no ponto de conexão, mas não é
compatível com compensação de variações dinâmicas de tensão e variações transitórias de
tensão, em decorrência da elevada frequência que apresentam, do desgaste que introduziriam
no sistema de regulação de tensão e do custo de manutenção do transformador. Um diagrama
geral que apresenta os componentes que podem ser instalados é mostrado na figura 10.

Figura 10 – Diagrama geral das diferentes formas de conexão de turbinas eólicas em parques eólicos.
(Fonte: CBEE, 2003).
36

2.7.3 Turbinas eólicas

As turbinas eólicas configuram-se como as unidades fundamentais para uma central


eólica. Essas são compostas, de forma generalizada, por um gerador elétrico ligado ao rotor
da turbina, um sistema de transmissão, um multiplicador de velocidades em sistemas
convencionais, um sistema de controle, um sistema local de compensação de energia reativa,
um transformador elevador e um sistema de proteção elétrica. Consolidou-se o projeto de
turbinas eólicas com eixo de rotação horizontal, três pás, alinhamento ativo, gerador de
indução e com a utilização ou não do controle de ângulo de passo das pás para limitar a
potência máxima gerada. Na figura 11, apresenta-se o desenho esquemático de uma turbina
eólica.

Figura 11 – Desenho esquemático de uma turbina eólica.


(Fonte: ANEEL, 2003).
37

2.7.3.1 Conexão elétrica de turbinas eólicas

A conexão elétrica de turbinas eólicas pode ser realizada de forma direta ou por meio
de conversores eletrônicos de frequência, também denominados conversores eletrônicos de
potência, conforme apresentado em documento do CBEE. Os conversores possibilitam uma
ampla variação da velocidade no rotor e a regulação do fator de potência, além de permitir
que o gerador seja síncrono ou assíncrono. A conexão direta, por outro lado, é caracterizada
pela presença de geradores assíncronos, multiplicadores de velocidade e bancos de
capacitores para excitação básica da máquina. Essa apresenta-se como uma conexão rígida
com a rede elétrica, pois a ocorrência de uma pequena variação da velocidade de rotação do
eixo mecânico é permitida. Nesta forma de conexão, ocorre a transmissão à rede de energia
elétrica de grande parcela das flutuações do vento sentidas pelo rotor.

A conexão por meio de conversores eletrônicos de frequência aceita maior


flexibilidade ao sistema mecânico, diferencial este que permite a aceleração do conjunto
rotor-gerador, proporcionando, então, a absorção dos picos de potência e as variações bruscas
de torque no rotor, que, em caso contrário, seriam transmitidas à rede elétrica. Ainda assim,
este tipo de conversor é fonte de emissão de componentes harmônicas de corrente. A figura
12 apresenta os principais tipos e formas de conexão de turbinas eólicas, cuja classificação dá-
se pelo tipo de gerador utilizado e de conexão elétrica.

Em decorrência da existência de dois tipos de geradores e a relevância deste dado


para o tipo e forma de conexão de turbinas eólicas, tornam-se apreciadas as principais
características das formas de conexão de acordo com a classificação do gerador. Os geradores
podem ser assíncronos ou de indução ou síncronos.

Os geradores assíncronos podem ser conectados ao sistema elétrico de três formas


distintas. A primeira forma é a conexão direta de geradores assíncronos do tipo gaiola de
esquilo. Nesta conexão o gerador é ligado diretamente à rede de energia e demanda a
utilização de um sistema de compensação reativa. Como praticamente não há flexibilidade no
sistema mecânico devido às características de funcionamento desse tipo de gerador, o sistema
é denominado rígido. Como consequência disto, esta conexão caracteriza-se pela robustez e
pela não inserção de componente harmônica na corrente.

Na conexão através de conversores eletrônicos de potência para geradores


assíncronos do tipo gaiola de esquilo, as dinâmicas da turbina eólica são desligadas da rede
38

elétrica através dos conversores de frequência. A presença destes confere ao conjunto rotor-
gerador a capacidade de acelerar e funcionar em velocidade variável e a possibilidade de
inserção de componente harmônica na corrente do circuito e de potência reativa variável e
programável na rede elétrica. Os conversores eletrônicos podem ser classificados como
AC/DC/AC ou AC/AC.

Na ocorrência de conexão através de conversores eletrônicos de frequência para


rotores bobinados, podem ser feitos dois tipos de configuração. No primeiro, o
escorregamento é controlado através da eletrônica de potência no circuito do rotor e o
segundo é a conexão de um circuito de extração de potência pelo rotor (―double fed
generator‖, em inglês). Neste caso, também, pode ocorrer a inserção de potência reativa e
programável na rede elétrica.

Os geradores síncronos, de mesma forma, podem ser conectados aos sistemas


elétricos por três meios. A conexão direta de geradores síncronos à rede elétrica é comum
para circuitos instalados em sistemas isolados cuja potência não ultrapassa 1 kW. Em
decorrência das características do funcionamento do gerador elétrico, a flexibilidade no
sistema mecânico quase não ocorre, fazendo com que o sistema seja dito extremamente
rígido.

Na conexão através de conversores eletrônicos de frequência para máquinas com


circuito de excitação, o sistema multiplicador de velocidade é utilizado, fazendo com que o
conjunto rotor-gerador possa acelerar e funcionar em velocidade variável, mas podendo
inserir componente harmônica na corrente. Os conversores podem ser AC/DC/AC ou AC/AC.

Na conexão através de conversores eletrônicos de potência para máquinas com


excitação permanente, não é usual a utilização do multiplicador de velocidade e de um
circuito de excitação para a máquina síncrona. Nesta ocorrência, os conversores de potência
podem injetar na rede uma potência reativa variável e programável.
39

Figura 12 – Principais tipos e formas de conexão de turbinas eólicas.


(Fonte: CBEE, 2003).
40

2.7.3.2 Regulação de potência

A regulação de potência dá-se por deslocamento do vento ou estol (stall, em inglês)


ou por variação de ângulo de passo das pás do rotor (pitch, em inglês). A tendência atual é a
combinação das duas técnicas, resultando em um mecanismo de variação do ângulo de passo
para ajustar a potência gerada que não é utilizado continuamente. As curvas de potência
características para cada tipo de regulação de potência são apresentadas nas figuras 13 e 14.

Figura 13 – Regulação de potência por variação do ângulo de passo das pás do rotor.
(Fonte: CBEE, 2003).

Figura 14 – Regulação de potência por deslocamento do vento.


(Fonte: CBEE, 2003).
41

Apesar do comportamento semelhante, turbinas eólicas com regulação de potência


por deslocamento ou por variação de ângulo de pás exibem curvas de potência distintas. A
primeira necessita de um sistema mecânico mais robusto, uma vez que a limitação da
captação da energia do vento é feita de forma passiva por meio de processos aerodinâmicos,
enquanto que a segunda permite um controle mais preciso da potência entregue ao gerador.
As duas opções de regulação podem transmitir ao gerador picos de potência oriundos de
rajadas momentâneas, pois a previsão de rajadas em tempo real não se mostra eficaz no
controle da potência dessas máquinas. A seleção da forma de regulação de potência relaciona-
se com a tecnologia e a relação custo/benefício praticada pelo fabricante, não tendo, a
princípio, nexo com o tipo de gerador.

2.7.3.3 Sistema de controle

Acrescentado para a correta e estável operação da turbina eólica, o sistema de


controle tem como principais funções monitorar e proteger a máquina de operações indevidas,
por meio do controle das principais grandezas mecânicas e elétricas. O sistema é composto
por sistemas de proteção individuais, como para-raios, protetores contra sobre corrente e curto
circuito, protetores contra sub e sobre tensão, protetores contra sub e sobre frequência e
capacitores para compensação de reativo.

2.7.3.4 Integração com a rede elétrica

Em geral, a geração de energia elétrica pelas turbinas eólicas é feita em baixa tensão,
de 380 V a 690 V. Como resultado disto e para a devida integração final à rede elétrica, torna-
se indispensável a utilização de um transformador elevador de tensão. Estes podem apresentar
um sistema de regulação de tensão em carga, conhecidos como transformadores com tap
variável, úteis para reduzir variações estacionárias de tensão, garantindo melhor qualidade da
curva de tensão no ponto de conexão.

A conexão do transformador elevador de tensão dá-se, em casos gerais, ao sistema de


distribuição de energia, ou aos sistemas de transmissão ou sub-transmissão, sendo os níveis
usuais encontrados de tensão compreendidos na faixa de 13,8 kV a 69 kV. Para valores
menores, justifica-se para potências muito reduzidas, abaixo de 500 kW, e, para maiores,
apenas em casos especiais. Na figura 15, um diagrama simplificado da conexão à rede elétrica
de uma tubina eólica é mostrado.
42

Figura 15 – Turbina eólica conectada à rede elétrica.


(Fonte: CBEE, 2003).

2.8 VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DE ENERGIA EÓLICA

Os pricipais fatores que garantem ao aproveitamento da energia eólica vantagem


comparativa são a tecnologia plenamente desenvolvida e em fase comercial e os impactos
ambientais negativos praticamente nulos, mas existentes. Lista-se como impactos negativos os
efeitos sobre a fauna local, a estética visual prejudicada e os ruídos mecânico e aerodinâmico
oriundos dos aerogeradores. Todos estes impactos, contudo, podem ser gerenciados e
reduzidos a níveis aceitáveis.

A tecnologia apresenta a grande vantagem de ser uma fonte renovável, segura,


inesgotável e limpa; não emitir gases de efeito estufa em fase de operação e mínimas
quantidades em fase de construção; não produzir resíduos radioativos ou gasosos; dispensar a
utilização de água como elemento motriz ou como fluido de refrigeração ou de qualquer tipo
de combustível; ser um dos sistemas de geração de energia elétrica mais seguros; admitir a
criação de postos de trabalho com a implantação, operação e manutenção dos parques eólicos;
e destinar 99% da área para a implantação do parque eólico para outras aplicações, como as
atividades de agricultura e a pecuária. Além disto, configura-se como uma opção para o
atendimento a comunidades em regiões isoladas, para a redução da dependência externa de
petróleo e para diversificação e fortalecimento da matriz energética do país.

Em termos da redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), a geração de


energia elétrica a partir da energia eólica configura-se como uma das opções que apresentam
43

menores custos, como mostrado na figura 16, onde pode ser observado que os custos são
reduzidos conforme eleva-se a potência dos aerogeradores.

1400

1200 1152

1000

800

600

400

200 139
15 24 51
1 10
0
Biomassa Eólica - 450 kW Eólica - 225 kW Biogás Eólica - 20 kW PCH Fotovoltaica

Figura 16 – Custo (EU$/tCO2) resultante da redução das emissões para diferentes fontes de energia renovável.
(Fonte: EWEA, 2004).

As tabelas 2 e 3 apresentam as emissões de CO2 por GWh produzidas em cada fase


de implementação de um parque eólico e de demais tecnologias de geração de energia
elétrica, as emissões evitadas pela utilização de energia eólica para geração constatadas em
2003 e as projeções para reduções conforme prognóstico de desenvolvimento da energia
eólica da Associação Europeia de Energia Eólica (European Wind Energy Association –
EWEA), para os anos 2010 e 2020.

Se os objetivos forem alcançados para os períodos propostos, estima-se reduções de


11% das emissões de CO2 no ano de 2020, que podem ser comercializadas no Mercado de
Carbono a benefício do agente redutor. A título exemplificativo, uma turbina eólica moderna
de 600 kW, localizada em uma região cujos ventos são moderados, em comparação com as
fontes convencionais e em função de fatores como o regime dos ventos, evita 20.000 a 36.000
tCO2 durante o período de vida útil, normalmente fixado em 20 anos.
44

Tabela 2 – Emissões de CO2 (t/TWh) para diferentes tecnologias de geração de energia.

Tecnologia Extração do combustível Construção Operação Total


Térmica a carvão 1 1 962 964
Térmica a óleo - - 726 726
Térmica a gás - - 484 484
Geotérmica <1 1 56 57
PCH¹ na 10 na 10
Nuclear 2 1 5 8
Eólica na 7 na 7
Fotovoltaica na 5 na 5
GCH² na 4 na 4
Solar na 3 na 3
Biomassa -1509 3 1346 -160
¹ PCH - Pequena Central Hidrelétrica.
² GCH - Grande Central Hidrelétrica.
na - Não se aplica.
Fonte: IEA, 1998.

Tabela 3 – Emissões evitadas pela energia eólica.

Emissões Evitadas
Emissões Evitadas/kWh
Ano Potência Instalada Produção Acumuladas/kWh
CO2 SO2 NO2 CO2 SO2 NO2
6
GW TWh 10 t 10³ t 10³ t 106 t 10³ t 10³ t
2003 40,3 84,7 50,8 58,4 74,6 50,8 58 74,6
2010 197 537 260 286 364,5 1.065 1.217 1.564
2020 1.245 3.054 1.832 1.805 2.303,3 1.832 2.093 2.690
Fonte: EWEA, 2004.

Outro aspecto positivo relativo à utilização da energia eólica é a rápida reposição de


energia elétrica, consumida nas fases de manufatura, instalação, manutenção e desativação
das centrais. Segundo um estudo, realizado na Dinamarca e elaborado em 2002 pela
associação dinamarquesa de fabricantes de turbinas eólicas (danish wind industry association
– dwia), estima-se que a recuperação da energia despendida na fase de construção de um
parque eólico ocorre em 3 a 4 meses após o início da fase de operação. A tabela 4 apresenta
valores estimados da energia empregada em cada processo realizado durante a vida útil de
uma turbina eólica de 600 kW, esperada que seja de 20 anos.
45

Tabela 4 – Energia consumida ao longo das diferentes fases de uma turbina eólica de 600 kW.

Processo Energia
MWh
Fabricação 528
Instalação 137
Operação e Manutenção 215
Sucata (uso) 145
Sucata (recuperação) -204
TOTAL 821
Fonte: DWIA, 2002.

2.9 DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DE ENERGIA EÓLICA E MEDIDAS


MITIGADORAS

Um dos principais limitadores ambientais do crescimento do aproveitamento do


potencial eólico é o uso do solo, questão levantada geralmente pela população local, que sofre
influência direta dos impactos causados pela implementação das centrais. Apesar de a
densidade energética dos parques eólicos ser baixa, variando entre 0,06 km²/MW e 0,08
km²/MW, e, portanto, demandar extensas áreas para a instalação, sobretudo para evitar os
efeitos de sombreamento que uma turbina pode ocasionar sobre outra, apenas cerca de 1% da
área é ocupada de forma efetiva pelos aerogeradores. Isto ocasiona a possibilidade de
aproveitamento do solo para outros propósitos, como as atividades agrícolas e a pecuária.

Por outro lado, as instalações off-shore, parques eólicos localizados em zonas


marítimas, assim como as construções em terra, podem interferir sobre a fauna,
principalmente durante a fase de construção, em decorrência das instalações das bases
submarinas e da presença antrópica. Outros aspectos negativos relativos às aplicações off-
shore são o maior custo de transporte, instalação e manutenção e a necessidade de adaptação
das turbinas eólicas convencionais e de elaboração de estratégias especiais que propiciem
deslocamento e instalação seguros.

Deve se observar, de mesma forma, outros impactos ambientais e restrições de


parques eólicos, relacionados às áreas circunvizinhas, no que diz respeito à emissão sonora,
proveniente dos acionamentos mecânicos e da aerodinâmica, ao impacto visual e sobre a
propagação de ondas eletromagnéticas de sistemas de navegação e telecomunicação e aos
efeitos sobre a fauna. A tabela 5 apresenta os aspectos e impactos que os parques eólicos
46

podem ocasionar, o tempo de ocorrência e as medidas mitigadoras ou compensatórias que


devem ser tomadas.

Tabela 5 – Impactos socioambientais decorrentes de contrução e operação de parques eólicos.

Medidas mitigadoras ou
Aspectos Impactos TO compensatórias/ Projeto/
Programas
Interferência com população local
Interferência com flora e fauna
Produção de ruído e poeira Compensação monetária ou
Ocupação do solo pelo Erosão do solo permuta de áreas; utilização de
parque eólico e sistemas anti-poeiras; recuperação
subestações (preparação, Alteração do uso do solo C de áreas degradadas; regulagem
terraplenagem, das máquinas utilizadas, evitando
desmatamento, etc) Emissão de gases de efeito estufa e causadores de produção de ruídos e emissões
deposição ácida pelas máquinas e caminhões que desnecessárias.
utilizem derivados de petróleo

Interferência com atividade turística

Poluição sonora Planejamento do sistema de


Transporte de
C tráfego de modo a se evitar os
equipamento pesado
horários de pico.
Perturbação do trânsito local

Aumento da demanda por serviços públicos,


habitação e infra-estrutura de transporte
Apoio na construção do Plano
Movimentos migratórios Diretor do Município; adequação
Alteração da organização sócio-cultural e política
causados pela construção C/O das infra-estruturas de habitação,
da região
do parque educação e transporte; gestão
Aumento das atividades econômicas da região institucional.
com possível e posterior retração após o término
do empreendimento

Projetos paisagísticos e
Distorção estética Poluição visual C/O arquitetônicos para redução do
impacto visual.

Projetos e programas específicos


Produção de ruído Poluição sonora C/O para redução de ruído;
monitoramento de ruídos.
Evitar a construção do parque em
rotas de migração; adotar arranjo
adequado das turbinas no parque
Funcionamento dos
Morte de aves e morcegos por colisão O eólico; utilizar torres de tipos
aerogeradores
apropriados (tubulares); utilizar
sistemas de transmissão
subterrâneos.
Legenda: TO - Tempo de ocorrência; C - Construção; O - Operação.
Fonte: PNE 2030, 2007.
3 ENERGIA EÓLICA

3.1 NO MUNDO

3.1.1 Breve histórico

O exórdio da aplicação da energia eólica era baseado em sistemas de navegação,


bombeamento d’água e moagem de grãos. A utilização para geração elétrica data do final do
século XIX, assinalando o início de grandes desafios em pesquisa e desenvolvimento, e se
intensifica com a crise mundial do petróleo ocorrida na década de setenta e, em decorrência,
com os estudos afincos e projetos desenvolvidos no sentido de ampliar o mercado para o
fortalecimento do setor eólico industrial. Durante este período, mais de 50.000 novos
empregos foram criados e uma sólida indústria de componentes e equipamentos foi
desenvolvida (PNE 2030, 2007).

As décadas de oitenta e noventa são marcadas pelo crescimento significativo da


indústria eólica mundial, com o amadurecimento de suas tecnologias e com a procura de
novos mercados. O desenvolvimento apresentado, desde então, pela tecnologia de conversão
de energia eólica é significativo. Os resultados decorrentes do aprimoramento dos sistemas
eólicos estabeleceram-se por mediação de uma indústria sólida e evoluíram no projeto, na
construção e na operação, resultando em redução dos custos iniciais de projeto, operacionais e
de manutenção.

3.1.2 Segurança energética

Nas próximas décadas, as fontes renováveis terão participação progressivamente


significativa na matriz energética mundial. A realização de pesquisas de desenvolvimento
tecnológico, que incorporam os efeitos da aprendizagem, e a redução dos custos de geração
são incitados pelas questões ambientais sobressaltadas e a tendência mundial de
desenvolvimento em bases sustentáveis.

Um dos motivos que contribuem para a promoção das soluções sustentáveis por meio
de geração de energia elétrica a partir do recurso eólico é a necessidade de diversificação da
matriz energética, que possibilita maior segurança de abastecimento de energia e menor
dependência de combustíveis fósseis. Além disto, pode se citar o fortalecimento dos
investimentos em energia eólica decorrente do baixo risco de aplicação, do caráter social e
48

dos benefícios econômicos adicionais, tais como custos de geração de eletricidade, em grande
parte dos casos, são invariantes durante o tempo de vida útil das turbinas eólicas, a energia
eólica não ocasiona dispêndios com combustível e custos de operação e manutenção são
previsíveis e reduzidos, se comparado ao investimento total.

3.1.3 Redução da emissão de gases de efeito estufa

A primeira reunião voltada para o tema mudanças climáticas ocorreu em 1988 em


Toronto, no Canadá. Descreveu-se, então, o impacto potencial que poderiam ocasionar, sendo
inferior apenas ao resultado de uma guerra nuclear. O Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), em 1990, é
considerado o primeiro informe com base na colaboração científica de nível internacional,
advertindo sobre a necessidade de reduzir as emissões de 1990 em 60% para estabilizar os
crescentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera.

Em 1992, representantes de 160 governos assinaram a Convenção Marco sobre


Mudanças Climáticas na segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, objetivando proteger as fontes alimentares, os ecossistemas e o
desenvolvimento social. Incluiu-se, então, uma meta para os países industrializados, em que
eles deveriam manter as emissões de gases causadores do efeito estufa, em 2000, nos níveis
registrados em 1990.

O Protocolo de Kyoto, um componente da Convenção, é um tratado assinado em


1997 por 189 nações industrializadas comprometidas em reduzir a emissão de gases
causadores do efeito estufa em 5,2%, em relação aos níveis apresentados em 1990, para o
período de 2008 a 2012, considerado o primeiro período de compromisso. O documento
propõe mecanismos para auxiliar os países a cumprirem suas metas, prevendo parcerias entre
países na criação de projetos ambientalmente responsáveis, dando direito aos países de
comprarem créditos diretamente das nações que poluem pouco e possibilitando um mercado
de créditos de carbono. Esses mecanismos são denominados Implementação Conjunta,
Comércio de Emissões e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), respectivamente.

De acordo com relatórios lançados em 2007 pelo IPCC, medidas imediatas e efetivas
devem ser tomadas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, considerada a maior
ameaça socioambiental que o planeta enfrenta. Segundo os relatórios, para impedir que a
temperatura média global suba mais do que 2 °C, em comparação com os valores pré-
49

industriais, as emissões globais devem atingir nível máximo em 2015 e, então, serem
reduzidas em 50% até o ano de 2050. Isto se traduz em restrição das emissões dos países
industrializados em 30% até 2020 e em 80% até 2050.

O baixo rendimento apresentado pelas termelétricas, ofuscado pelo crescimento


populacional e pelo consequente aumento da demanda mundial por energia elétrica, é um dos
fatores que contribuem para que o setor de produção de energia elétrica seja responsável por
40% das emissões globais de dióxido de carbono, gás que mais contribui para as alterações
climáticas (GWEC, 2008). A energia eólica configura-se como uma alternativa para a redução
da emissão de gases de efeito estufa por ser renovável e uma tecnologia de geração
ambientalmente limpa, não produzindo dióxido de carbono durante a fase operacional e
produzindo mínimas quantidades durante a manufatura dos equipamentos e a implementação
dos parques eólicos.

O crescimento anual da utilização do recurso eólico como fonte de energia é


contabilizado a uma taxa de 29% a.a., sendo que, ao final de 2008, a produção total
compreendeu 1,5% de toda energia elétrica consumida. O crescimento da energia eólica, no
mundo, aparece como uma resposta da sociedade por uma melhor qualidade ambiental no
suprimento energético, destacando-se como uma opção imprescindível, de presente e futuro,
para o fornecimento de energia limpa em grande escala. Com mais de 85 mil turbinas em
operação, a capacidade instalada de energia eólica em âmbito mundial é de cerca de 152.000
MW, estimado para 2009 (WWEA, 2009). Estima-se que esse valor pode exceder 1.500 GW
até o ano de 2020, produzindo cerca de 2.600 TWh de energia por ano. Esta capacidade
poupará a emissão de 1.500 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano,
segundo dados apresentados pelo Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy
Councial – GWEC).

3.1.4 Fonte de renda e emprego

Uma vantagem fundamental apresentada pelo uso do recurso eólico para geração de
energia elétrica é a substituição da maioria dos dispêndios com recursos importados por mão-
de-obra e capacidade antrópica. A utilização da energia eólica gera muito mais empregos do
que as fontes de energia centralizadas e não-renováveis, contribuindo para que o setor torne-
se em todo mundo uma importante fonte de renda e emprego, sendo que, em apenas dois anos,
o setor praticamente dobrou o número de empregos oferecidos. Em 2008, os 440.000
50

empregados contribuíram para a geração de 260 TWh de eletricidade. Estima-se que, em


2010, 660.000 empregos serão oferecidos, como mostrado na figura 17, de acordo com dados
do World Wind Energy Report 2008.

700.000 * 660.000

600.000
* 540.000

500.000
440.000

400.000 350.000
300.000
300.000
235.000 * Prognóstico

200.000

100.000

0
2005 2006 2007 2008 2009 2010

Figura 17 – Geração de empregos.


(Fonte: WWEA, 2009).

3.1.5 Panorama mundial

Segundo dados do World Wind Energy Report 2008, a capacidade mundial de


geração de energia elétrica decorrente da utilização de energia eólica ultrapassa 121.188 MW
de potência instalada, representando um aumento de 105,3% com relação aos valores
apresentados em 2005 e sendo que 27.261 MW foram adicionados somente em 2008, como
apresentado na figura 18. Isto retrata 1,5% do consumo de eletricidade global, abrangendo a
geração de 260 TWh/ano, a manutenção de 440.000 empregos e a rotação de € 40 bilhões em
2008.

A energia eólica configura-se como a fonte energética que mostra a maior taxa de
crescimento relativo em 2008, sendo de 29% a.a., como já mostrado. Entre os fatores que
explicam este desempenho, destacam-se o crescimento da demanda de energia elétrica
mundial, a crescente escassez de combustíveis fósseis e não-renováveis, as necessidade de
controle ambiental, a preservação da natureza e o objetivo de crescimento auto-sustentado.
Constata-se, com base na figura 19, que os países que mais contribuiram para este resultado
foram os Estados Unidos, que apresentou 49,7% de aumento, e a China, 106,5%. Estima-se
que, em 2010, a capacidade instalada mundial atinja o valor de 190.000 MW (WWEA, 2009).
51

200.000

180.000
* 38.000
160.000

140.000 * 30.812
120.000
27.261
100.000

80.000 19.776
15.127 * Prognóstico
60.000
11.331
40.000 8.398
8.114
6.859
20.000 6.282
4.339
2.187 4.033
0
1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Capacidade instalada acumulada Nova capacidade instalada

Figura 18 – Capacidade mundial total instalada.


(Fonte: WWEA, 2009).

- Países com mais de 100 MW de potência instalada -

Bulgária 176,7
58,1

China 106,5
127,3

Austrália 82,8
82,8

Polônia 71,0
80,4

Turquia 61,2
220,0

Irlanda 54,6
7,9

Estados Unidos 49,7


45,0

França 38,7
56,7

Reino Unido 37,6


21,7

Itália 37,1
28,4

2008 2007

Figura 19 – Países com as maiores taxas de crescimento (%).


(Fonte: WWEA, 2009).
52

Em 2008, Estados Unidos e China apresentaram as maiores taxas de crescimento do


mercado de energia eólica, sendo que o primeiro ultrapassou a geração alemã e o segundo
superou a produção indiana, até então líder no mercado asiático. Juntos, os dois países
representaram 50,8% da nova capacidade instalada em 2008 e, em conjunto com Índia,
Alemanha, Espanha, Itália, França e Portugal, retratam 76,21%. A tabela apresentada no
APÊNDICE A mostra a posição, as capacidades total instalada e adicional instalada no ano de
2008 e a taxa de crescimento em 2008, com base em dados de 2007, para os países que
possuem empreendimentos eólicos. O Brasil acha-se em 24ª posição, instalados 338,5 MW
até o final de 2008 (WWEA, 2009).

Na Dinamarca, pioneira na implantação de parques eólicos, o suprimento energético


compreende 20% de energia eólica, garantindo ao país a liderança em participação na matriz
energética. Atualmente, 76 países empregam energia eólica com fundamentos comerciais. A
figura 20 mostra a capacidade instalada de dez países e o crescimento apresentado pelo setor
de energia eólica em 2007 e 2008 (WWEA, 2009).

Estados Unidos 25.170


16.819

Alemanha 23.903
22.247

Espanha 16.740
15.145

China 12.210
5.912

Índia 9.587
7.850

Itália 3.736
2.726

França 3.404
2.455

Reino Unido 3.288


2.389

Dinamarca 3.160
3.125

Portugal 2.862
2.130

2008 2007

Figura 20 – Países com maior capacidade instalada (MW) em 2008.


(Fonte: WWEA, 2009).
53

Com base em dados e nas taxas de crescimento dos últimos anos, conjetura-se que a
evolução dinâmica da utilização da energia eólica continuará nos próximos anos. No entanto,
os impactos causados pela crise financeira corrente dificultam prognósticos a curto prazo.
Estima-se que a energia eólica atraíra mais investidores, incluindo governantes preocupados
em garantir a sustentabilidade da matriz energética, com a diminuição dos riscos inerentes ao
empreendimento e com a necessidade crescente de fontes limpas e renováveis de energia.

Cálculos criteriosos que consideram fatores de risco mostram que o mercado de


energia eólica será capaz de oferecer 12% da energia elétrica global consumida, implicando
na instalação de 1.500.000 MW de potência até 2020. Publicações recentes sugerem que, até
2025, 7.500.000 MW de potência instalada proverão 16.400 TWh de energia elétrica, o que se
traduz em 50% da necessidade energética mundial sendo gerada por fontes renováveis. As
energias eólica e solar podem conquistar, até 2019, 50% do mercado relativo aos novos
empreendimentos de energia. As fontes não-renováveis, por sua vez, atingiriam seu ápice de
consumo em 2018 e seriam extintas do setor de geração de energia elétrica em 2037 (WWEA,
2009).

3.2 NO BRASIL

3.2.1 Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica

Com o objetivo de aumentar a participação da energia elétrica gerada por


empreendimentos concebidos com base em fontes eólica, biomassa e pequenas centrais
hidrelétricas (PCH) no Sistema Interligado Nacional (SIN), instituiu-se, conforme descrito no
Decreto nº 5.025, de 2004, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia
Elétrica (PROINFA). A letra da Lei nº 11.943, de 28 de maio de 2009, determina que o
funcionamento desses empreendimentos deve iniciar até 30 de dezembro de 2010. De caráter
estrutural, o programa reforçará os ganhos em escala, a aprendizagem tecnológica, a
competitividade industrial nos mercados interno e externo e a identificação e a apropriação
dos benefícios técnicos, ambientais e socioeconômicos na definição da competitividade
econômico-energética de projetos de geração que utilizem fontes limpas e sustentáveis
(ELETROBRÁS, 2009).

Previa-se a implantação de 144 usinas, totalizando 3.299,40 MW de capacidade


instalada, sendo 1.191,24 MW provenientes de 63 PCHs, 1.422,92 MW de 54 centrais eólicas
e 685,24 MW de 27 usinas a base de biomassa. As Centrais Elétricas Brasileiras S.A.
54

(ELETROBRÁS) garantem a contratação por 20 anos de toda energia gerada por


empreendimentos ligados ao PROINFA. A tabela 6 mostra os empreendimentos relacionados
ao programa divididos por fases de implantação, sendo elas operação comercial pelo
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em construção ou construção não iniciada.
Nota-se que nenhum dos prognósticos relatados foram atingidos.

Tabela 6 – Empreendimentos relacionados ao PROINFA.

Operação Construção não iniciada


Total
Fonte comercial pelo Em construção
Com EPC¹ Sem EPC Total contratado
PAC
Qde 35 70,0% 15 30,0% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 50
PCH
MW² 735,20 74,1% 257,00 25,9% 0,00 0,0% 0,00 0,0% 0,00 0,0% 992,20
Qde 4 100,0% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 4
Biomassa
MW 110,90 100,0% 0,00 0,0% 0,00 0,0% 0,00 0,0% 0,00 0,0% 110,90
Qde 18 39,1% 10 21,7% 16 34,8% 2 4,3% 18 39,1% 46
Eólica
MW 253,55 22,3% 405,00 35,6% 443,75 39,0% 34,30 3,0% 478,05 42,1% 1.136,60

Total Qde 57 57,0% 25 25,0% 16 16,0% 2 2,0% 18 18,0% 100


instalado MW 1.099,65 49,1% 662,00 29,6% 443,75 19,8% 34,30 1,5% 478,05 21,3% 2.239,70

Sub-total Qde 50 100,0% 50


PCH MW 992,20 100,0% 992,20

Sub-total Qde 4 100,0% 4


Biomassa MW 110,90 100,0% 110,90

Sub-total Qde 28 60,9% 46


eólica MW 658,55 57,9% 1.136,60

Sub-total Qde 82 82,0% 100


geral MW 1.761,65 78,7% 2.239,70
¹ Engineering, Procurement and Construction. Modalidade EPC engloba o fornecimento do conjunto de bens e serviços que compõem a
usina a um preço fechado.
² No âmbito do PAC, é considerada a potência instalada.
Fonte: ELETROBRÁS, 2009.

A iniciativa foi elaborada com o intuito de promover a diversificação da matriz


energética brasileira, buscando alternativas para aumentar a segurança no abastecimento de
energia elétrica, além de permitir a valorização das características e potencialidades regionais
e locais (ELETROBRÁS, 2009). Ao Ministério de Minas e Energia (MME) coube definir as
diretrizes, elaborar o planejamento do programa e definir o valor econômico de cada fonte,
enquanto que à ELETROBRÁS, o papel de agente executora, com a celebração de contratos
de compra e venda de energia (CCVE). Estabeleceu-se na letra do programa que o valor pago
pela energia elétrica adquirida por intermédio do PROINFA e os custos administrativos,
financeiros e encargos tributários incorridos pela ELETROBRÁS na contração desses
empreendimentos deveriam ser divididos proporcionalmente entre todas as classes de
55

consumidores finais atendidos pelo SIN com exceção dos consumidores classificados na
subclasse residencial baixa renda, cujo consumo não excede 80 kWh/mês.

Tabela 7 – Empreendimentos relacionados ao PROINFA divididos por região do país.

Concluídas Construção não


iniciada Sub judice/
Operação aguardando Em Total
Região Fonte em recisão
comercial regularização construção contratado
Com Sem contratual
pelo PROINFA Total
EPC EPC
3 50,0% 3 6
PCH
46,80 45,8% 55,40 102,20

Biomassa
Norte
Eólica

3 50,0% 0 3 0 0 0 0 6
Total
46,80 45,8% 0,00 55,40 0,00 0,00 0,00 0,00 102,20
3 100,0% 3
PCH
41,80 100,0% 41,80
5 83,3% 1 6
Biomassa
89,20 74,8% 30,00 119,20
Nordeste
7 19,4% 12 12 4 1 5 36
Eólica
152,95 19,0% 73,43 413,50 160,30 5,40 165,70 805,58
15 33,3% 12 12 4 1 5 1 45
Total
283,95 29,4% 73,43 413,50 160,30 5,40 165,70 30,00 966,58
13 52,0% 2 10 25
PCH
280,44 56,2% 47,10 171,40 498,94
2 33,3% 4 6
Biomassa
Centro- 54,52 42,3% 74,40 128,92
Oeste
Eólica

15 48,4% 2 10 0 0 0 4 31
Total
334,96 53,3% 47,10 171,40 0,00 0,00 0,00 74,40 627,86
8 53,3% 4 2 1 15
PCH
161,00 56,5% 92,00 22,20 10,00 285,20
9 81,8% 1 1 1 11
Biomassa
265,52 80,0% 36,00 30,5 30,50 332,02
Sudeste
1 1 1 2
Eólica
28,05 135,00 135,00 163,05
17 60,7% 4 4 1 1 2 1 28
Total
426,52 54,7% 92,00 86,25 30,50 135,00 165,50 10,00 780,27
12 85,7% 1 1 1 14
PCH
236,90 90,0% 19,50 6,70 6,70 263,10
3 75,0% 1 4
Biomassa
95,10 90,5% 10,00 105,10
Sul
4 25,0% 11 1 12 16
Eólica
159,00 35,0% 225,29 70,00 295,29 454,29
19 55,9% 2 0 11 2 13 0 34
Total
491,00 59,7% 29,50 0,00 225,29 76,70 301,99 0,00 822,49
Fonte: ELETROBRÁS, 2009.
56

Os empreendimentos relacionados ao PROINFA divididos por região do país estão


dispostos na tabela 7. A região Centro-Oeste, como pode observado, não possui
empreendimentos do setor eólico em nenhuma fase de implantação no âmbito do PROINFA.
Dos 31 empreendimentos contratados, 25 estão relacionados com PCHs, mostrando o
interesse em valorizar as características inerentes à região, favoráveis à implementação de
centrais hidrelétricas.

No âmbito do PROINFA, a geração de energia elétrica a partir da energia eólica


merece destaque em decorrência do estímulo dado pelo programa. Em pouco mais de 3 anos,
a geração por essa fonte passou de apenas 22.000 kW de capacidade instalada para os atuais
605.280 kW (ANEEL, 2009). Estima-se que até o final de 2010, 68 empreendimentos do
Programa entarão em fase operacional, representando a inserção de 1.591,77 MW na matriz
energetica nacional, sendo que, deste valor, 1.110,97 MW serão proporcionados por 43
centrais eólicas (ELETROBRÁS, 2009). A tabela 8 apresenta o resultado das chamadas
públicas, designando as usinas eólicas cujos aproveitamentos foram habilitados pelo
PROINFA.

Os benefícios oferecidos pela criação do PROINFA atingem os âmbitos social,


tecnológico, estratégico, ambiental e econômico. Segundo dados divulgados pelo MME,
durante a construção e operação dos empreendimentos, estima-se a criação de 150 mil postos
de trabalho diretos e indiretos e investimentos de R$ 4 bilhões na indústria nacional de
equipamentos e materiais e de cerca de R$ 8,6 bilhões oriundos do setor privado. Do mais, o
programa propõe a complementaridade energética sazonal entre os regimes hidrólogico e
eólico, mais proeminente na região nordeste, e hidrológico e de biomassa, nas regiões sudeste
e sul, e a redução da emissão de 2,5 milhões de tCO2/ano, criando possibilidade para
negociações de reduções certificadas de emissões (RCE), nos termos do Protocolo de Kyoto
(ELETROBRÁS, 2009). Os créditos auferidos dessas negociações podem superar um quarto
dos subsídios necessários à implementação do programa, reduzir os custos de expansão do
programa para uma segunda fase em função de ganhos de escala, impulsionar a produção
local de equipamentos e reduzir os custos de aprendizagem.
57

Tabela 8 – Usinas eólicas habilitadas pelo PROINFA (Agosto de 2009).

Potência
Nº Estado Região Usina Qualificação Situação contratada
(MW)
1 SC S Água Doce (CENAEEL) PIA1 Operação 9,00
2 PB NE Albatroz PIA Operação 4,50
3 RN NE Alegria I PIA Construção não iniciada 51,00
4 RN NE Alegria II PIA Construção não iniciada 100,80
5 PB NE Alhandra PIA Construção não iniciada 5,40
6 SC S Amparo PIA Construção não iniciada 21,40
7 SC S Aquibatã NÃO PIA Construção não iniciada 30,00
8 PB NE Atlântica PIA Operação 4,50
9 CE NE Beberibe PIA Operação 25,20
10 SC S Bom Jardim NÃO PIA Construção não iniciada 30,00
11 CE NE Bons Ventos PIA Construção 50,00
12 SC S Campo Belo PIA Construção não iniciada 9,60
13 PB NE Camurim PIA Operação 4,50
14 CE NE Canoa Quebrada PIA Construção 57,00
15 CE NE Canoa Quebrada Rosa dos Ventos PIA Operação 10,50
16 PB NE Caravela PIA Operação 4,50
17 SC S Cascata NÃO PIA Construção não iniciada 4,80
18 PB NE Coelhos I PIA Operação 4,50
19 PB NE Coelhos II PIA Operação 4,50
20 PB NE Coelhos III PIA Operação 4,50
21 PB NE Coelhos IV PIA Operação 4,50
22 SC S Cruz Alta NÃO PIA Construção não iniciada 30,00
23 RS S Dos Índios NÃO PIA Operação 50,00
24 RS S Elebras Cidreira PIA Construção não iniciada 70,00
25 CE NE Enacel PIA Construção 31,50
26 CE NE Foz do Rio Choró NÃO PIA Operação 25,20
27 RJ SE Gargaú PIA Construção 28,05
28 PE NE Gravatá Fruitrade PIA Construção 4,25
29 CE NE Icaraizinho NÃO PIA Construção 54,00
30 CE NE Lagoa do Mato PIA Operação 3,23
31 PE NE Mandacaru PIA Construção 4,25
32 PB NE Mataraca PIA Operação 4,50
33 PB NE Millennium PIA Operação 10,20
34 RS S Osório NÃO PIA Operação 50,00
35 RS S Palmares NÃO PIA Construção não iniciada 7,56
36 CE NE Paracuru NÃO PIA Operação 23,40
37 PI NE Pedra do Sal PIA Operação 17,85
38 PE NE Pirauá PIA Construção 4,25
39 CE NE Praia do Morgado PIA Construção 28,80
40 CE NE Praia Formosa NÃO PIA Construção 104,40
41 CE NE Praias de Parajuru PIA Construção 28,80
42 PB NE Presidente PIA Operação 4,50
43 SC S Púlpito NÃO PIA Construção não iniciada 30,00

1
Produtor Independente Autônomo de Energia Elétrica: produtor independente de energia elétrica cuja
sociedade, não sendo ela própria concessionária de qualquer espécie, não é controlada ou coligada de
concessionária de serviço público ou de uso de bem público de geração, transmissão ou distribuição de energia
elétrica, nem de seus controladores ou de outra sociedade controlada ou coligada com o controlador comum,
conforme parágrafo 1º, do Artigo 3º da Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002 (ELETROBRÁS).
58

Potência
Nº Estado Região Usina Qualificação Situação contratada
(MW)
44 RJ SE Quintanilha Machado I NÃO PIA Construção não iniciada 135,00
46 RN NE RN 15 - Rio do Fogo NÃO PIA Operação 49,30
45 SC S Rio do Ouro PIA Construção não iniciada 30,00
47 SC S Salto NÃO PIA Construção não iniciada 30,00
48 RS S Sangradouro NÃO PIA Operação 50,00
49 PE NE Santa Maria PIA Construção 4,25
50 SC S Santo Antônio NÃO PIA Construção não iniciada 1,93
51 CE NE Taíba-Albatroz PIA Operação 16,50
52 PB NE Vitória PIA Construção não iniciada 4,25
53 CE NE Volta do Rio PIA Construção 42,00
54 PE NE Xavante PIA Construção 4,25
1.422,92
Fonte: ELETROBRÁS, 2009.

A segunda fase do PROINFA, prevista para iniciar após 2012 e ter prazo de duração
de 20 anos, ambiciona atingir participação de 10% da matriz energética do país pelas fontes
eólica, hidráulica, por PCHs, e de biomassa, supondo contratação anual de no mínimo 15% da
capacidade acrescentada de geração do setor de energia elétrica (CEBDS, 2008). A partir
destes números, estima-se que a potência instalada de centrais eólicas compreenderá entre 9
GW e 13 GW até 2030, considerando a projeção analisada no Plano Nacional de Energia
2030 (PNE 2030), um fator de capacidade de 30% e a divisão equitativa entre as três fontes
citadas.

Apesar do prognóstico estimulante, deve se estudar os critérios de contratação da


segunda fase, pois, se o critério for menor preço da energia gerada, configura-se como
desvantagem para a energia eólica, considerando que as tarifas das outras duas fontes
energéticas são significativamente inferiores, segundo valores apresentados durante a primeira
fase. A tarifa da geração eólica compreendeu ao intervalo de 201,83 R$/MWh e 228,90
R$/MWh, em função do fator de capacidade, enquanto que para a fonte de biomassa os
valores foram estabelecidos entre 105,04 R$/MWh e 113,53 R$/MWh, dependendo do tipo de
matéria prima, e para PCHs a tarifa foi fixada em 131,08 R$/MWh (CEBDS, 2008).

3.2.2 Atlas do Potencial Eólico Brasileiro

O aproveitamento da energia eólica consolida-se como uma alternativa viável e


limpa em todo o mundo. Além de se compor de forma complementar a matriz energética, essa
fonte de energia elétrica oferece opção de suprimento, em conjunto com outras fontes
renováveis, podendo garantir os requisitos de preservação ambiental, aliando-os às
59

necessidades da sociedade industrial moderna. A condução dos esforços para acompanhar esta
tendência e implementar efetivamente a tecnologia de geração de energia eólica dá-se em
consequência das características geográfica e climática do Brasil e da necessidade de expandir
e fortalecer a matriz energética do país. O levantamento do potencial eólico, em virtude do
explicado, torna-se indispensável, apresentando informações que possibilitem a identificação
de áreas adequadas para o aproveitamento eólio-elétrico e que sejam confiáveis a ponto de
multiplicar os investimentos no setor.

A primeira tentativa em estudar o potencial eólico brasileiro obteve resultados com a


publicação, em 1998, do primeiro Atlas Eólico Nacional, caracterizado pelo mapeamento por
isolinhas das velocidades do vento à altura de 10 m do solo. Este indicou a tendência a
velocidades maiores de vento no litoral e em áreas interioranas favorecidas por relevo e baixa
rugosidade (CEPEL, 2001).

As primeiras medições anemométricas voltadas para estudos de viabilidade técnica,


utilizando equipamentos de maior precisão, procedimentos requeridos para a finalidade e
torres de 30 a 50 m de altura, tiveram início com o avanço mundial do aproveitamento da
energia eólica e com a instalação das primeiras centrais no Brasil. Os primeiros Estados a
dispor de torres anemométricas foram Pará, Ceará, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul, que, por serem poucos, ocasionou insuficiente disponibilidade de dados, incitando o
desenvolvimento do software de modelagem dos ventos de superfície, o MesoMap.

O software MesoMap configura-se como um conjunto integrado de modelos de


simulação atmosférica com base de dados meteorológicos e geográficos, que são aferidos por
medições anemométricas de alta qualidade, em uma grande variedade de regimes de ventos
(PNE 2030, 2007). Apesar de ser reconhecido como um dos melhores e mais avançados
métodos para mapeamento de recursos eólicos, o sistema MesoMap apresenta limitações, em
que se destacam erros na base de dados geográficos e metereológicos, efeitos de sub-
resolução e limitações do modelo referentes à formulação das equações. A figura 21 mostra
um exemplo do efeito de sub-escala, em que a forma detalhada da montanha não é mostrada
na resolução 1 km x 1 km, a célula da malha do modelo.

As figuras 22, 23 e 24 apresentam, respectivamente, o modelo de relevo, o mosaico


de imagens de satélite (mosaico SPOT), sobreposto ao relevo sombreado, e o modelo de
rugosidade, também sobreposto ao relevo sombreado. Estes mapas foram usados
60

sistematicamente para a obtenção dos resultados, em que se destacam os mapas que indicam,
para a altura de 50 m, as velocidades médias anuais e o fluxo de potência eólica anual,
mostrado na figura 25, e as velocidades médias trimestrais, apresentado pela figura 26, que
demonstra a sazonalidade do regime eólico.

Figura 21 – Efeito de sub-escala.


(Fonte: CEPEL, 2001).

Figura 22 – Modelo de relevo.


(Fonte: CEPEL, 2001).
61

Figura 23 – Mosaico SPOT.


(Fonte: CEPEL, 2001).

Figura 24 – Modelo de rugosidade.


(Fonte: CEPEL, 2001).
62

Figura 25 – Velocidades médias anuais (m/s) e fluxo de potência eólica anual (W/m²).
(Fonte: CEPEL, 2001).

Figura 26 – Velocidades médias trimestrais (m/s).


(Fonte: CEPEL, 2001).
63

Apesar da grande contribuição a época, o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro


encontra-se obsoleto, pois os resultados apresentados são para a altura de 50 m, mas os
aerogeradores modernos apresentam torres cuja altura ultrapassa esse valor. Em decorrência
disto, diversos Estados da federação, como São Paulo, Bahia, Alagoas e Rio de Janeiro,
realizam novos mapeamentos de seus territórios que condigam com a situação atual de
aproveitamento da energia eólica. Como resultado desses novos estudos, o potencial brasileiro
deve ser consideravelmente aumentado. A título exemplificativo, o potencial eólico do Rio
Grande do Sul obteve um significativo aumento, passando de 15,8 GW, a 50 m de altura, para
115,2 GW, a 100 m de altura (EPE, 2009). O Estado do Ceará, como citado no Atlas do
Potencial Eólico Brasileiro, revela um potencial aproveitável de 12 TWh, a 50 m de altura, e
de 51,9 TWh, a 70 m, para velocidade média anual de vento superior a 7 m/s.

O Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Brito (CRESESB) e o


Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL) iniciarão, a partir de 2010, o projeto de
implementação do Atlas Dinâmico do Potencial Eólico Brasileiro. Este será desenvolvido
para quatro alturas acima do solo (80 m, 100 m, 150 m e 200 m) através do modelo
climatológico de masoescala ETA, que reflete o estado da arte em modelo atmosférico e é
utilizado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para propósitos de pesquisa e operação. Objetiva-se
com o projeto o desenvolvimento de novas fontes de energia elétrica oriundas da energia dos
ventos, apresentando as regiões que dispõem dos melhores fatores de capacidade e
permitindo, portanto, a redução do custo da energia gerada.

Segundo informações oferecidas pelo CRESESB, o Atlas admitirá atualizações


mensais com dados de prognósticos calculados por intermédio do modelo climatológico
global. Com a mesma frequência, os resultados serão corrigidos por meio de comparações
com dados públicos obtidos em estações meteorológicas, nas mesmas datas. Os dados serão
apresentados como no atual Atlas, com cores indicativas para as velocidades médias dos
ventos e para os parâmetros estatísticos de Weibull, e serão disponibilizados para consulta da
sociedade em sítio da Internet destinado a este propósito. Prevê-se resultados preliminares
para o segundo semestre do ano de 2010.
64

3.2.3 Plano Nacional de Energia 2030

Resultado de trabalhos contratados pelo MME e elaborados pela Empresa de


Pesquisa Energética (EPE), o Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) objetiva o
planejamento de longo prazo do setor energético do país e a orientação de tendências e de
alternativas de expansão do segmento de energia. O documento é composto por um conjunto
de estudos, divididos em volumes e elaborados com a pretensão de oferecer meios para a
formulação de políticas energéticas baseadas nos recursos disponíveis. O volume cujo tema é
Outras Fontes Renováveis, focalizado nas fontes eólica, solar e das ondas e marés, é
distribuído em quatro notas técnicas.

A primeira nota técnica, denominada ―Avaliação do potencial de outras fontes como


recurso energético‖, analisa os principais aspectos relativos à produção de energia elétrica
baseada em fontes renováveis, como as energias eólica, solar e do mar, avaliando a
disponibilidade no Brasil e a viabilidade de implementação de empreendimentos voltados
para esses setores. A nota técnica ―Geração de energia elétrica a partir de outras fontes:
caracterização técnico-econômica‖ descreve aspectos técnicos e econômicos da geração de
energia baseada em fontes renováveis, como as características técnicas e operacionais de
centrais de geração, os custos envolvidos nas fases de implementação e a avaliação
econômica da produção. A nota técnica ―Geração de energia elétrica a partir de outras fontes:
potencial de geração‖ apresenta o potencial de geração elétrica a partir de fontes renováveis
de forma a reforçar as análises de viabilidade técnico-econômica de expansão da utilização
desses recursos como opção para o aumento da oferta interna de energia elétrica do país. A
última nota técnica, cujo título é ―Geração de energia elétrica a partir de outras fontes:
avaliação dos impactos socioambientais‖, lista os efeitos socioambientais decorrentes da
utilização dos recursos renováveis para geração de energia elétrica.

3.2.4 Segurança energética

O Brasil, em vantagem comparativa diante de muitos países, dispõe de diversificados


recursos energéticos, podendo, portanto, seguir por vários caminhos para o fortalecimento da
matriz energética, em uma perspectiva de longo prazo. Em diferentes patamares de
viabilidade, o aproveitamento de uma fonte não exclui o aproveitamento de outra,
aumentando a segurança de abastecimento de energia elétrica.
65

Para o aproveitamento do recurso hídrico, que representa 73,1% da oferta interna de


energia elétrica, e manutenção da alta participação, seria necessária a expansão para a região
Norte, detentora de um potencial significativo, mas onde, porém, a questão ambiental é
relevante. Por outro lado, o aproveitamento das fontes fósseis poderia ser feito mediante
grandes investimentos na recuperação de gás natural e carvão mineral. No entanto, neste
sentido, o país perderia a grande vantagem comparativa de possuir uma matriz energética
limpa. Ainda, há a possibilidade de ampliação do programa nuclear, mas exige desregrados
investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em infra-estrutura, para exploração e
processamento de urânio e construção das centrais.

As fontes renováveis também configuram-se como alternativa apreciável pela grande


disponibilidade no país e por parte delas, como a energia eólica, apresentarem tecnologias
cujo amadurecimento é comparável às propostas anteriores. A justificativa para o aumento da
participação das energias renováveis baseia-se na preocupação com a redução dos impactos
ambientais negativos, na promoção da ideia de desenvolvimento sustentável e na diminuição
dos riscos hidrológicos do suprimento de energia elétrica do Brasil.

O acontecimento de 10 de novembro de 2009, quando 18 Estados da Federação,


segundo dados da ONS, ficaram às escuras em decorrência de problemas ocorridos em três
linhas de transmissão que transportam a energia elétrica gerada por 18 unidades da Usina
Hidrelétrica de Itaipu, é exemplo da vulnerabilidade do sistema de transmissão de energia do
país. Diz-se que, nessa data, 28.800 MW de potência foram perdidos, compreendendo
disperdício de 40% da energia consumida em todo o país. Após este incidente, defende-se a
energia eólica como solução complementar para fortalecer o sistema de transmissão, pois
aproxima-se dos centros de consumo de energia elétrica as centrais geradoras.

3.2.5 Programa Luz para Todos

O país, nas últimas décadas, tornou-se incapaz de satisfazer as necessidades de parte


da população, em especial dos moradores de periferia das grandes cidades e das zonas rurais,
ao adotar um modelo de desenvolvimento econômico que priorizou a industrialização,
estimulou o processo de urbanização e orientou o sistema energético nacional para a produção
centralizada de grandes blocos de energia. Como consequência, inibiu o desenvolvimento de
sistemas de produção e uso local de energia elétrica por comunidades isoladas e zonas rurais,
66

impossibilitando a criação de novos empregos, a manutenção da receita da produção e da


comercialização da energia na própria região e o desenvovimento regional auto-sustentável.

Segundo dados do MME, no Brasil, somente 55% dos domicílios rurais e 27,5% das
propriedades rurais têm acesso à energia elétrica, compreendendo 20 milhões de habitantes e
4 milhões de propriedades agrícolas, em todo país, não supridas por esse tipo de energia. Na
região Centro-Oeste, 28,2% dos domicílios rurais são atendidos pelo serviço, não assistindo a
97,6% da população total rural, como mostrado na figura 27. Este cenário decadente pode ser
explicado pelo elevado custo do atendimento, inerente ao modelo tradicional de extensão de
redes elétricas, e os subsídios aos sistemas energéticos convencionais, que inibem o
aproveitamento das fontes locais de energia.

Brasil 27,5%
45,1%
Nordeste 11,1%
51,8%
Sul 61,7%
22,1%
Sudeste 47,0%
13,5%
Norte 1,8%

Centro-Oeste 28,2%
97,6%

Propriedades rurais eletrificadas População rural não eletrificada

Figura 27 – Situação da eletrificação no Brasil e regiões.


(Fonte: PRODEEM).

Consciente da situação e por meio de Decreto Presidencial, o Governo Federal


instituiu, em 1994, a criação do Programa para o Desenvolvimento da Energia nos Estados e
Municípios (PRODEEM). Iniciativa do Departamento Nacional de Desenvolvimento
Energético (DNDE) do MME, o PRODEEM objetiva contribuir para o desenvolvimento
integrado de comunidades não atendidas pelos sitemas convencionais de suprimento de
energia, utilizando as fontes energéticas renováveis, descentralizadas, viáveis e
ambientalmente limpas. O Programa direciona-se pela implementação de sub-programas, em
que se busca desenvolvimento social e econômico, complementação da oferta de energia e
promoção do desenvolvimento das tecnologias não convencionais e dos recursos humanos,
necessários para instalação, operação e manutenção.
67

O Programa Luz para Todos, criado em novembro de 2003 pelo Governo Federal,
engloba todas as atividades do PRODEEM e objetiva dar fim à exclusão elétrica no país. O
Programa é coordenado pelo MME, operacionalizado com a participação da ELETROBRÁS
e das empresas que compõem o Sistema ELETROBRÁS e executado pelas concessionárias de
energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural. Delineia-se o investimento de R$ 12,7
bilhões, partilhado entre os governos estaduais, as empresas de energia elétrica e o próprio
Governo Federal, cujos recursos são provenientes de fundos setoriais de energia,
contemplando a extensão da rede de energia elétrica e a criação de sistemas de geração
descentralizada com redes isoladas e de geração individual.

Em fevereiro de 2009, o MME publicou o Manual de Projetos Especiais, em que se


delineiam os projetos de eletrificação rural destinados ao atendimento por meio de geração de
energia elétrica descentralizada, utilizando-se fontes renováveis compatíveis com a realidade
local e tecnologias amparadas pela legislação vigente, de forma sustentável, priorizando o
emprego de energias renováveis e mitigando o impacto ambiental. Considera-se como opções
tecnológicas para atendimento como sistema de geração descentralizada aerogeradores, mini e
micro centrais hidrelétricas, sistemas hidrocinéticos, usinas termelétricas a biocombustíveis
ou gás natural, usinas solar fotovoltáica e sistemas híbridos, resultantes da combinação das
fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa, hídrica e diesel.

Segundo informe postado no sítio da organização Ecodesenvolvimento, o Governo


Federal, por meio do Programa Luz para Todos e com o objetivo de estimular a utilização de
fontes renováveis de energia elétrica, financiará até 85% dos custos das companhias de
energia na implantação de empreendimentos de geração em comunidades isoladas. Espera-se
que o financiamento oferecido pelo Governo reduza os riscos inerentes a esses cometimentos
e diminua a relutância das empresas em investir no segmento de energias renováveis, além de
testar a aplicabilidade das fontes alternativas sustentáveis e estimular investimentos em
grande escala.

Dados apresentados pelo informativo Luz Para Todos em junho de 2009 mostraram
que mais de 10 milhões de brasileiros do meio rural foram atendidos, sendo 716,1 mil
habitantes na região Centro-Oeste. Estima-se que, na implantação do Programa, foram
gerados cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos e utilizados mais de 4,6 milhões de
postes, 708 mil transformadores e 883 mil quilometros de cabos elétricos nas instalações,
68

incitando, assim, crescimento do setor industrial nacional. A nova proposta do Programa


estabeleceu o atendimento de mais 5 milhões de pessoas até o final de 2010.

Em pesquisa inédita realizada para avaliar e quantificar a extensão do Programa Luz


para Todos, publicada em outubro de 2009, revelou-se mudança de hábitos decorrente do
Programa. Mais de 1,57 milhão de televisores e 1,46 milhão de geladeiras foram adquiridos
pelos beneficiários do programa, sendo que quase metade destes deixaram de utilizar fontes
de energia poluentes, como diesel, gasolina, querosene, gás e pilhas. Incorre-se, portanto,
maior demanda por energia elétrica e necessidade de complementaridade e fortalecimento da
matriz energética nacional.

3.2.6 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

O Protocolo de Kyoto, acordado em 1997, permite que os países desenvolvidos


cumpram os compromissos quantificados de redução e limitação de redução da emissão de
gases de efeito estufa através da política dos mecanismos de flexibilização. Dentre estes,
destacam-se Implementação Conjunta, Comércio de Emissões e MDL. Este é o único
mecanismo que incorpora os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, permitindo
a certificação de projeto de redução de emissões e posterior venda das RCEs, o que reduz o
custo global de redução de emissões e os cortes que deveriam ser feitos nas economias dos
países desenvolvidos.

Os projetos são apresentados pelos países interessados em receber os investimentos e


devem atender a requisitos específicos, nos termos do Protocolo de Kyoto. Requere-se que a
participação do país seja voluntária; o país hospedeiro do projeto aprove a iniciativa; os
objetivos de desenvolvimento sustentável do país hospedeiro sejam atingidos; haja redução
das emissões de gases de efeito estufa de forma adicional ao que ocorreria na ausência da
atividade de projeto; o aumento de emissões que ocorram fora dos limites da atividade de
projeto seja contabilizado; o posicionamento dos agentes que sofrerão os impactos das
atividades do projeto seja ponderado; não sejam causados impactos colaterais negativos ao
meio ambiente; os benefícios mensuráveis, reais e de longo prazo relacionados com a
mitigação da mudança do clima sejam proporcionados; e os projetos estejam relacionados ao
definido no Protocolo de Kyoto ou se refiram às atividades de projetos de reflorestamento e
florestamento.
69

As atividades de projetos do MDL devem passar pelas etapas do ciclo do projeto


para que resultem em RCE. São sete etapas, que consistem em elaboração de documento de
concepção de projeto (DCP), usando metodologia de linha de base e plano de monitoramento
aprovados; validação, em que se verifica se o projeto está em conformidade com a
regulamentação estabelecida no Protocolo de Kyoto; aprovação pela Entidade Operacional
Designada (EOD), que, no Brasil, é representada pela Comissão Interministerial de Mudança
Global do Clima (CIMGC) ou também denominada Autoridade Nacional Designada (AND),
incubida de verificar a contribuição do projeto para o desenvolvimento sustentável; submissão
ao Conselho Executivo para registro; monitoramento; verificação e certificação; e emissão de
unidades segundo o acordo de projeto. Uma atividade de projeto entra no sistema do MDL a
partir do momento em que seu DCP correspondente é submetido para a validação a uma
EOD. Ao completar o ciclo de validação, aprovação e registro, a atividade registrada torna-se
uma atividade de projeto na esfera do MDL.

Com o intuito de registrar o status atual das atividades de projeto no âmbito do MDL
no Brasil e no mundo, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) reúne em documento
dados, que serão explanados, fornecidos no sítio da Convenção Quadro das Nações Unidas
sobre a Mudança do Clima (CQNUMC). Segundo compilação do dia 17 de setembro de 2009,
um total de 5.414 projetos encontram-se em alguma fase do ciclo de projetos do MDL, sendo
que 1.824 já estão registrados pelo Conselho Executivo do MDL e 3.590 estão em outras
fases do ciclo. A China e a Índia encontram-se em primeiro e segundo lugares,
respectivamente, em números de atividades de projetos, com 2.010 e 1.438 projetos,
representando, juntas, 64% do número total. O Brasil ocupa o terceiro lugar, com 416
projetos, que correspondem a 8%.

Segundo documento da CQNUMC, o Brasil ocupa a terceira posição em relação ao


potencial de reduções de emissões associado às atividades de projeto no ciclo do MDL,
responsabilizando-se pela redução de 367.112.979 tCO2e, o que corresponde a 6% do total
mundial para o primeiro período de obtenção de créditos. A China e a Índia ocupam,
novamente, os primeiro e segundo lugares com, respectivamente, 2.956.805.556 tCO2e e
1.373.286.018 tCO2e, correspondendo a 48% e 22% do total mundial de emissões projetadas
para o primeiro período de obtenção de créditos.

Quando distribuidas por escopo setorial, as atividades de projeto do Brasil


apresentam uma predominância do setor energético, em que o maior número de projetos é
70

desenvolvido na área de energia renovável, totalizando 203 projetos, que correspondem a


49% do número total. Para este setor, a redução anual de emissão será de 17.738.677 tCO2e,
que equivale a 38% do total de redução anual de emissão e 35% do total de redução de
emissão no primeiro período de obtenção de crédito. A participação de demais setores
engloba suinocultura, troca de combustível fóssil, aterro sanitário, eficiência energética,
resíduos, processos industriais, redução de N2O, reflorestamento e emissões fugitivas.

A distribuição, por Estados da Federação, das atividades de projeto pode ser


observada na figura 28. Nota-se que apenas 6% dessas correspondem ao Estado de Goiás.

Demais estados SP 23%


18%
GO 6%
MS 6%
MG 16%
MT 7%

PR 7%
RS 9%
SC 8%

Figura 28 – Número de atividades de projeto do MDL no Brasil por Estado.


(Fonte: CQNUMC, 2009).

A capacidade total instalada das atividades de projeto no âmbito do MDL aprovadas


pela CIMGC na área energética foi de 3.557 MW, dos quais 447 MW foram instalados por
intermédio do PROINFA. Da capacidade total, 1.290 MW correspondem a hidrelétricas,
1.211 MW a cogeração com biomassa e 807 MW a PCHs. A energia eólica correspondeu a
apenas 150 MW, representando 4% da capacidade total (CQNUMC, 2009).

3.2.7 Mercado de Carbono

Com a ratificação do Protocolo de Kyoto, o Mercado de Carbono, o segundo


fascículo sobre mudanças climáticas, representa uma contribuição, que se dá pela atribuição
de um valor transacionável para as reduções de emissão, para o atendimento das estratégias
atuais, do ponto de vista dos negócios, sobre as causas e consequências da emissão de gases
poluentes. O MDL, um dos mecanismos de flexibilização estabelecidos na letra do Protocolo,
71

consiste em valorar cada tonelada de CO2 deixada de ser emitida ou retirada da atmosfera por
países em desenvolvimento, podendo ser comercializada no mercado mundial e criando
propensão ao desenvolvimento sustentável. Assim, os países desenvolvidos, listados no
ANEXO A do Protocolo, que não optarem por reduzir as emissões próprias podem negociar
RCEs no Mercado de Carbono e usá-los para executar suas obrigações compactuadas.

O Mercado de Carbono é o resultado mais visível dos recentes esforços para regular
e mitigar os efeitos consequentes das mudanças climáticas. Em 2008, apesar de ter sido um
ano em que a economia mundial sofreu uma desaceleração significativa, o mercado de
carbono, sob uma visão generalizada, continuou em sua tragetória de crescimento. Segundo
dados do Banco Mundial, apresentados na tabela 9, a regulação compelida das emissões de
gases de efeito estufa ocasionou um mercado emergente avaliado em US$ 126 bilhões em
2008, o dobro do valor do ano anterior, cujas transações de concessões e derivados no
Esquema de Comércio de Emissões Europeu (European Union Greenhouse Gas Emission
Trading System – EU ETS), para propósitos de conformidade, risco de gestão, arbitragem
cambial, arrecadação de fundos e tomada de lucro, equivalem a 37,5%.

Tabela 9 – Volumes e valores do Mercado de Carbono.

2007 2008
Volume Valor Volume Valor
6 6 6
10 tCO2e 10 US$ 10 tCO2e 106 US$
Transações de Projetos-base
Mercado Primário do MDL 552 7.433 389 6.519
Mercado Secundário do MDL 240 5.451 1.072 26.277
Implementação Conjunta (IC) 41 499 20 294
Mercado voluntário 43 263 54 397
Sub-Total 876 13.646 1.535 33.487
Concessões
Esquema de Comércio de Emissões Europeu
2.060 49.065 3.093 91.910
(EU ETS)
New South Wales 25 224 31 183
Chicago Climate Exchange 23 72 69 309
Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa na na 65 246
da América do Norte (RGGI)
Mercado de Unidades Comercializáveis do na na 18 211
Protocolo de Quioto (AAUs)
Sub-Total 2.108 49.361 3.276 92.859
TOTAL 2.984 63.007 4.811 126.346
Fonte: Banco Mundial, 2008.
72

Em 2009, cujo início foi tomado por pessimismo econômico, o mercado econômico
exibe sinais de revigoramento e de crescimento. Um relatório divulgado em julho de 2009
pela consultoria Point Carbon mostra que o volume de negociação de créditos de carbono
cresceu 124% no primeiro semestre de 2009 com relação ao mesmo período de 2008. Este
crescimento equivale a 4,1 bilhões tCO2e comercializadas, somando US$ 65 bilhões, que
correspondem a um aumento de 22% em termos de valor. Apesar dos preços baixos, em
virtude da desaceleração econômica citada, os volumes estão altos pois muitos setores
industriais europeus decidiram negociar suas permissões de emissões extras após passarem
por dificuldades decorrentes da crise financeira.

Os volumes gerados no EU ETS, na Iniciativa Regional de Gases de Efeito Estufa da


América do Norte (Regional Greenhouse Gas Initiative – RGGI) e no Mercado de Unidades
Comercializáveis do Protocolo de Kyoto (Assigned Amount Units – AAUs) apresentam
crescimento robusto e os Mercado Primário do MDL e de Implementação Conjunta (IC)
sofrem retrações. O EU ETS, cuja geração atingiu cerca de 75% do volume (3,1 bilhões
tCO2e) e cujo comércio alcançou 84% do valor (€ 39 bilhões) totais do mercado de carbono
global no primeiro semestre de 2009, fixa-se como mercado dominante. O Brasil configura-
se, como já citado, como o terceiro país em geração de RCE, cujo mercado, apesar das
reduções em volume e valor analisadas, é o segundo maior do mundo, apresentando 568
milhões tCO2e negociadas e geração de € 5,4 bilhões.

Em cálculos do IPCC, para os países da Organização de Cooperação e


Desenvolvimento Econômico (Organisation for Economic Co-Operation and Development -
OECD) e do ANEXO A do Protocolo de Kyoto, o custo estimado para adaptação relativa à
redução da emissão dos gases de efeito estufa compreende a 0,2% a 2% do produto interno
bruto (PIB). Esses estudos mostram, ainda, que a utilização dos mecanismos de flexibilização
reduz os custos para 0,1% a 1% do PIB desses mesmos países. Vários estudos internacionais
coincidem em estabelecer US$ 10 a US$ 60 a faixa de remuneração estimada para a tonelada
de redução de emissões obtida através do MDL.

Estudos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)


indicam que, para o caso da América Latina, as faixas de remuneração variam conforme a
aplicação. A remuneração aplicada para redução da emissão da tonelada de CO2 em projetos
de MDL na região está compreendida na faixa de US$ 10 a US$ 60, para projetos associados
73

a sumidouros e resgate de carbono, US$ 10 a US$ 20, e para projetos na área de energia, US$
40 a US$ 60.

Estima-se que, para o primeiro período de cumprimento do Protocolo de Kyoto, de


2008 a 2012, um volume entre 400 e 900 milhões de toneladas de carbono equivalente será
reduzido por meio de mecanismos de flexibilização, sendo que de 8% a 12% será
operacionalizado na América Latina, segundo estudos da CEPAL. Desta projeção, infere-se
que cerca de 100 milhões de toneladas de carbono equivalente serão objeto de projetos de
MDL na região para o período proposto. Na figura 29, apresenta-se a estimativa do mercado
de MDL e o posicionamento da América Latina.

Demais países
8%

Europa Índia 12%


Oriental 6%
China 50%
Ex-URSS 12%

América Latina
12%

Figura 29 – Estimativa do mercado de MDL (posicionamento da América Latina) .


(Fonte: CEBDS, 2008).

3.2.8 Redução da emissão de gases de efeito estufa

Para os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, não foram


estabelecidas metas, no Protocolo de Kyoto, que devessem ser cumpridas. Segundo o
documento, esses países são os que menos contribuem para as mudanças climáticas e que
menos têm responsabilidade histórica como causadores, mas são os que mais são prejudicados
pelos impactos resultantes. No entanto, o cenário atual não admite que os países em
desenvolvimento permeiem o caminho das nações industrializadas que transpuseram seu
avanço através da utilização desenfreada de combustíveis fósseis. Em decorrência disto,
muitos países aderiram ao Protocolo como signatários, devendo relatar à Organização das
Nações Unidas (ONU) os níveis de emissão e apresentar soluções que os atenuem, metas para
74

redução do desmatamento e incentivos para adoção de energias limpas, sustentáveis e


renováveis.

Em 1979, o Brasil atingiu a máxima participação do petróleo e seus derivados na


oferta interna de energia, alcançando, então, 50,4%. A redução desta participação, de 45,6%
para 36,7%, no período de 1973 a 2009, demonstra que o país, seguindo a tendência mundial,
desenvolveu esforços significativos para substituição dessas fontes energéticas, em especial,
pelo aumento da geração hidráulica e pelo uso dos derivados da cana-de-açúcar. No país, são
emitidas 1,48 tCO2 por tonelada equivalente de petróleo (tep), apresentando um valor
relativamente inferior se comparado às emissões apresentadas mundialmente, de 2,38
tCO2/tep, e pela OECD, de 2,32 tCO2/tep.

A tabela 10 mostra a estrutura da oferta interna de energia do Brasil, com expressiva


participação das energias hidráulica e de biomassa, proporcionando indicadores de emissões
de CO2 menores do que a média dos países desenvolvidos e a mundial. Nota-se que a fonte
eólica apresentou uma retração, no comparativo entre os anos de 2007 e 2008, de 0,4%, sendo
responsável por 0,56 TWh de energia, e que o notável crescimento da utilização de gás natural
rendeu um aumento de 37,9%, com relação a 2007, da aplicação de recursos não renováveis,
enquanto a de recursos renováveis teve uma redução de 1,5%.

Tabela 10 – Oferta interna de energia elétrica (TWh).

Fontes 2008 2007 Δ%


Energia Não Renovável 66,2 48,0 37,9%
Gás Natural 29,9 15,5 92,8%
Derivados de Petróleo 15,1 13,4 13,4%
Nuclear 13,9 12,3 12,8%
Carvão e Derivados¹ 7,2 6,8 6,3%
Energia Renovável 431,2 437,9 -1,5%
Hidráulica 363,8 374,0 -2,7%
Importação 42,9 40,9 5,0%
Biomassa² 24,0 22,5 6,7%
Eólica 0,56 0,56 -0,4%
TOTAL 497,4 485,9 2,4%
¹ Inclui gás de coqueria
² Inclui lenha, bagaço de cana, lixivia e outras recuperações
Fonte: BEN, 2009.
75

3.2.9 O Mandato de Bali

Sabe-se que o Protocolo de Kyoto expirará em 2012. Em 2007, em Bali, na


Indonésia, foi acordado, durante a negociação da Convenção das Alterações Climáticas das
Nações Unidas, o Mandato de Bali, que estabelece a ambição, o conteúdo, o processo e o
cronograma para negociação do próximo estágio de ação internacional contra mudanças
climáticas, a ser concluído em 2009 (CORDEIRO, 2007). O documento é indispensável para
garantir, após 2012, a continuidade e ampliação das metas do Protocolo e o fortalecimento das
medidas, dos programas e das iniciativas políticas e econômicas. O Segundo Período do
Protocolo deve perseverar com a utilização dos mecanismos existentes, mantendo as
exigências de reduções internas das emissões de gases de efeito estufa nos países
desenvolvidos.

O Mandato de Bali representa um passo crítico para negociações de acordos


fundamentais sobre o limite de emissões estabelecido para 2015 e corte de 50%, em
comparação com os níveis apresentados em 1990, das emissões para 2050. Além disso,
estabeleceu-se a redução de emissões dos países desenvolvidos de 30% até 2020 e de 60% a
80% até 2050, e a consolidação de um conjunto de áreas associadas, como a transferência de
tecnologia, a capacitação institucional, o apoio à adaptação relativa às alterações climáticas
por parte dos países em desenvolvimento, o financiamento e as questões de florestamento e
desflorestamento.

Discutiu-se, então, a responsabilidade histórica e da equidade dos países


desenvolvidos e o envolvimento dos países em desenvolvimento. Estes países devem adotar
políticas de desenvolvimento sustentável que levem à redução das emissões de gases de efeito
estufa, adicionais aos esforços dos países desenvolvidos, para o próximo período de
compromisso, considerando o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. As
diferenças são avaliadas a partir dos dados de contribuição, recentes e potenciais futuros, com
as mudanças climáticas. Garante-se, portanto, uma distribuição mais justa de custos e
compromissos para lidar com a mitigação das emissões e apoio à implementação de medidas
de adaptação aos impactos das mudanças climáticas. Para isso, a criação de novos
mecanismos de mercado poderiam incentivar a participação desses países no sistema de
comércio de emissões de Kyoto, através de compromissos de limitação e redução de emissões
por setor, como o setor de geração de energia elétrica, por exemplo.
76

O Mandato de Bali propôs a criação de um novo Mecanismo de Desenvolvimento de


Tecnologias Limpas, objetivando a migração dos países em desenvolvimento para tecnologias
renováveis, eficientes e limpas, como o aproveitamento da energia eólica, que devem ser
disponibilizadas pelos países desenvolvidos de forma continuada. Novas e efetivas formas de
cooperação entre países ricos e em desenvolvimento que combinem financiamentos e
transferência de tecnologias limpas com metas e políticas públicas foram apontadas como o
mecanismo inprescindível para o cumprimento das próximas medidas a serem estabelecidas.

3.2.10 Atendimento da demanda crescente por energia elétrica

O aumento da demanda por energia elétrica ocorrido no passado em países


desenvolvidos foi suprido, quase que em sua totalidade, por recursos não renováveis. Sabe-se
que o forte crescimento da demanda terá origem principalmente em países em
desenvolvimento, impulsionados pela economia crescente e pelos aumentos populacionais,
que podem resultar em simultâneo declínio da qualidade do ar urbano e intensa degração do
solo e das águas. Para o suprimento de energia elétrica e manutenção da vantagem
comparativa do Brasil de ter uma matriz energética limpa, deve se analisar a disponibilidade
dos recursos energéticos e tomar iniciativas que permitam o desenvolvimento das tecnologias
renováveis.

O Estado Brasileiro, como agente normativo e regulador da atividade econômica,


exerce, na forma da lei, as funções de planejamento, que, na área de geração de energia, é
incumbido ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) a formulação de políticas e
diretrizes de energia para o equilibrado desenvolvimento nacional. O Plano Decenal de
Expansão de Energia (PDE), para o período de 2008 a 2017, é disponibilizado pelo MME,
responsável pela concepção, articulação e coordenação do planejamento energético nacional,
contendo uma visão integrada da expansão da demanda e da oferta de diversas fontes
energéticas para visões de curto, médio e longo prazos. O Plano contém importantes indícios
com o escopo de orientar as ações e decisões referentes ao equacionamento do equilíbrio entre
as projeções de crescimento econômico do país, em especial da necessidade de expansão da
oferta, em bases técnica, econômica e ambientalmente sustentável.

Em resumo, as principais premissas e os resultados das análises descritas no decorrer


do PDE 2008/2017 são apresentados, podendo ser considerados como Indicadores da
77

Expansão do Sistema Energético. A tabela 11 apresenta o consumo de energia elétrica na


rede, por subsistema do SIN, dado em GWh, e a variação constatada por período.

Tabela 11 – Consumo de energia elétrica na rede, por subsistema (GWh).

Sistemas Subsistemas Interligados


Ano SIN Brasil
Isolados Norte¹ Nordeste Sudeste/CO² Sul
2008 8.268 26.562 54.252 236.614 67.251 384.678 392.946
2012 474 40.285 65.856 288.141 79.799 474.080 474.554
2017 1.512 55.590 85.510 357.653 99.038 597.791 599.303
Período Variação (% ao ano)
2008-2012 -51,1 11,0 5,0 5,0 4,4 5,4 4,8
2012-2017 26,1 6,7 5,4 4,4 4,4 4,7 4,8
2008-2017 -17,2 8,6 5,2 4,7 4,4 5,0 4,8
¹ Inclui a interligação dos sistemas isolados Manaus/Macapá/margem esquerda do Amazonas, em 2012.
² Inclui a Interligação dos sistemas isolados Acre/Rondônia, em 2009
Fonte: PDE 2008/2017.

A tabela 12 mostra a carga de energia, dada em MWmédio, por subsistema


interligado e pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e a variação, dada em % a.a., constatada
por período avaliado.

Tabela 12 – Carga de Energia (MWmédio).

Subsistemas Interligados
Ano SIN
Norte Nordeste Sudeste/CO Sul
2008 3.662 7.557 32.302 8.668 52.189
2012 5.699 9.103 39.159 10.301 64.262
2017 7.636 11.667 48.043 12.765 80.111
Período Variação (% ao ano)
2008-2012 11,7 4,8 4,9 4,4 5,3
2012-2017 6,0 5,1 4,2 4,4 4,5
2008-2017 8,5 4,9 4,5 4,4 4,9
Nota: Inclui a interligação dos sistemas isolados Acre/ Rondônia e Manaus/Macapá/margem esquerda do Amazonas.
Fonte: PDE 2008/2017.

A carga de demanda, dada em MWh/h, é apresentada pela tabela 13 e dada para cada
subsistema e sistema do SIN. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste, em que está envolvido o
Estado de Goiás, apresentará uma taxa de crescimento de 4,6% a.a., para o período de 2008 a
2017.
78

Tabela 13 – Carga de demanda (MWh/h).

Subsistema Sistema
Ano
N NE SE/CO S N/Ne S/SE/CO SIN
2008 4.186 9.485 40.541 11.424 13.504 51.451 64.340
2012 6.537 11.443 49.264 13.628 17.786 62.323 79.043
2017 8.774 14.689 60.564 16.953 23.210 76.815 98.655
Período Variação (% ao ano)
2008-2012 11,8 4,8 5,0 4,5 7,1 4,9 5,3
2012-2017 6,1 5,1 4,2 4,5 5,5 4,3 4,5
2008-2017 8,6 5,0 4,6 4,5 6,2 4,6 4,9
Nota: Inclui a interligação dos sistemas isolados Acre/ Rondônia e Manaus/Macapá/margem esquerda do Amazonas.
Fonte: PDE 2008/2017.

Dados da economia e consumo final energético de 2008 e estimados para os anos de


2012 e 2017 são mostrados na tabela 14. Nota-se que a estimativa para a taxa de crescimento
apresentada pelo setor de energia, no que se refere ao consumo final energético, é de 4,6%
a.a., para o período de 2008 a 2017, acompanhando a tendência de crescimento da economia,
caracterizado pelo aumento do PIB, a uma taxa de 4,9% a.a., e de aumento populacional, de
1,1% a.a., ambas taxas para o mesmo período.

Tabela 14 – Economia e consumo final energético.

Variação (% ao ano)
Discriminação 2008 2012 2017
2008/2012 2012/2017 2008/2017
9
PIB (10 R$ [2006]) 2.571 3.095 3.951 4,70 5,00 4,90
População Residente (10³ habitantes) 184.726 193.953 204.540 1,20 1,10 1,10
PIB per capita (R$ [2006]/hab/ano) 13.919 15.960 19.315 3,50 3,90 3,70
Consumo Final Energético (10³ tep) 207.221 251.393 310.541 4,90 4,30 4,60
Consumo Final de energia per capita (tep/hab/ano) 1,122 1,296 1,518 3,70 3,20 3,40
Intensidade Energética da Economia (tep/10³ R$) 0,081 0,081 0,079 - - -
Elasticidade-renda do consumo de energia - - - 1,04 0,86 0,94
Fonte: PDE 2008/2017.

A figura 30 apresenta o consumo final energético por fonte de energia, dividido entre
derivados do petróleo, que ainda corresponde ao maior consumo, gás natural, eletricidade,
fontes renováveis e outros energéticos. Destaca-se o aumento de 7,9% do consumo de energia
elétrica e de fontes renováveis, entre 2008 e 2017.
79

Outros 2008 2017


Energéticos Outros
11,6% Energéticos
12,1%
Derivados Derivados
Fontes do petróleo Fontes do petróleo
Renováveis 40,5% Renováveis 36,5%
22,8% 24,6%
Eletricidade Eletricidade
19,1% 20,6%

Gás Natural
Gás Natural 6,2%
6,0%

Figura 30 – Estrutura do consumo final energético por fonte (%), para 2008 e 2017.
(Fonte: PDE 2008/2017).

Na tabela 15, a capacidade instalada é distribuida por fonte energética. As fontes


alternativas, que representam energia de biomassa e eólica e apresentaram, em 2008, 1.256
MW de capacidade instalada, compreenderão 6.233 MW, em 2017, segundo esta estimativa,
indicando aumento de quase 400% em apenas 9 anos.

Tabela 15 – Evolução da capacidade instalada por tipo de fonte (MW).

Fontes 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Hidro² 84.374 86.504 89.592 91.480 92.495 95.370 98.231 103.628 110.970 117.506
Nuclear 2.007 2.007 2.007 2.007 2.007 2.007 3.357 3.357 3.357 3.357
Óleo³ 1.984 3.807 5.713 7.153 7.397 10.463 10.463 10.463 10.463 10.463
Gás Natural 8.237 8.237 8.453 8.948 10.527 12.204 12.204 12.204 12.204 12.204
Carvão 1.415 1.415 1.765 2.465 2.815 3.175 3.175 3.175 3.175 3.175
4
Fonte Alternativa 1.256 2.682 5.420 5.479 5.479 5.593 5.593 5.913 6.233 6.233

Gás de Processo e Vapor 469 959 959 959 959 959 959 959 959 959

UTE Indicativa - - - - - - - 900 900 900


Total 99.742 105.611 113.909 118.491 121.679 129.771 133.982 140.599 148.261 154.797
¹ Potência instalada em dezembro de cada ano.
² Inclui PCH.
³ Óleo combustível e óleo diesel.
4
Biomassa e eólica.
Fonte: PDE 2008/2017.

3.2.11 Panorama nacional

3.2.11.1 América Latina

Conforme dados apresentados pelo World Wind Energy Report 2008, muitos
mercados latino-americanos de energia eólica mostraram-se estagnados, podendo representar
80

propensões econômica e social desastrosas, como racionamento de energia e atraso


tecnológico relativo. A capacidade instalada total de 667 MW, em 2008, compreende a apenas
0,6% da capacidade mundial, como mostrado na figura 31. No período, apenas Brasil e
Uruguai instalaram parques eólicos de grande porte. No entanto, muitos países como
Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica e México dispõem de projetos em construção previstos
para 2009.

Austrália 1,5% África 0,5% América Latina


0,6%

Ásia 20,2%

Europa 54,6%
América do Norte
22,7%

Figura 31 – Capacidade total instalada por continente.


(Fonte: WWEA, 2009).

3.2.11.2 Matriz energética brasileira

Desde 2006, a EPE elabora e publica o Balanço Energético Nacional (BEN),


conforme estabelecido na lei que criou a instituição. O BEN apresenta a contabilidade relativa
à oferta e ao consumo de todas as formas de energia no Brasil, contemplando as atividades de
extração de recursos energéticos primários, sua conversão em formas secundárias, a
importação e a exportação, a distribuição e o uso final da energia (EPE, 2009). O BEN
configura-se como fonte de estudos do planejamento energético nacional e como ferramenta
de interesse para os setores produtivos do país por apresentar estatísticas confiáveis e
tendenciosas de oferta e do consumo de energia. Nota-se que os dados apresentados pelo
Balanço são parciais ou preliminares, em especial os referentes ao último trimestre do ano, em
que as estatísticas foram afetadas pelos efeitos da redução da atividade econômica em escala
mundial.
81

Segundo resultados preliminares do BEN 2009, ano base 2008, a oferta interna de
energia (OIE), descrita como sendo a quantidade de energia que se disponibiliza para ser
transformada ou para consumo final, incluindo perdas posteriores na distribuição (EPE,
2009), no Brasil apresenta crescimento de 5,6%, que representa 252,2 milhões de toneladas
equivalentes de petróleo (tep = 10.000 Mcal). Esse crescimento apresenta a mesma ordem de
grandeza da variação do PIB, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). O consumo de eletricidade, incluindo os montantes atendidos
pela autoprodução, cresceu 4,0%. A síntese dos resultados é apresentada na tabela 16.

Tabela 16 – Síntese dos resultados.

Principais Parâmetros Unidade 2008 2007 Δ%


Produção de Petróleo¹ 10³ bbl/dia 1.898,6 1.832,7 3,6%
Produção de Gás Natural 106 m³/dia 59,2 49,7 19,1%
Geração de Energia Elétrica TWh 454,5 444,6 2,2%
Consumo de combustíveis líquidos 106 l/dia 289,5 267,9 8,1%
Consumo de Energia Elétrica TWh 428,7 412,1 4,0%
6
Oferta Interna de Energia 10 tep 252,2 238,8 5,6%
Oferta Interna de Energia Elétrica² TWh 496,4 483,4 2,7%
6
População³ 10 hab 191,9 189,3 1,4%
4 6
PIB 10 US$ 1.572,6 1.496,3 5,1%
Principais Indicadores Unidade 2008 2007 Δ%
PIB per capita US$/hab 8.196 7.903 3,7%
OIE per capita tep/hab 1,314 1,261 4,2%
OIE por PIB [2008] tep/10³ US$ 0,1604 0,1596 0,5%
OIEE per capita kWh/hab 2.587 2.553 1,3%
OIEE por PIB [2008] kWh/10³ US$ 316 323 -2,2%
1
bbl = barril; inclui líquidos de gás natural
2
Inclui autoprodução
3
Estimativa do IBGE para a população residente em 1° de julho de cada ano
4
PIB divulgado pelo IBGE convertido para US$ pela taxa de câmbio média de 2008
(Banco Central: US$ 1,00 = R$ 1,8375)
Fonte: BEN 2009.

A intensidade energética do país, expressa pela relação OIE/PIB, manteve-se estável,


em 0,1604 tep/10³ US$, e a intensidade elétrica, expressa pela relação OIEE/PIB, caiu para
316 kWh/10³ US$. A oferta per capita de energia cresceu 4,2% e o consumo per capita de
eletricidade 1,3%, apresentando valores de 1,314 tep/hab e 2.587 kWh/hab, respectivamente.
O crescimento do consumo final de energia, em termos agregados, foi de 5,2%. Como pode
ser observado, a geração de energia elétrica teve um aumento de 2,2% em 2008 em relação a
2007, passando de 444,6 TWh para 454,5 TWh.
82

Em decorrência das condições hidrológicas observadas no início de 2008, que


determinaram esquemas operativos orientados a manter níveis estratégicos de armazenamento
nos reservatórios do país, a participação da energia hidráulica na matriz energética foi
reduzida em mais de um ponto percentual, caindo para 13,8%. A geração termoelétrica, por
outro lado, aumentou 37,9%, resultando em redução de perdas na rede em decorrência da
maior proximidade das usinas térmicas dos grandes centros de consumo. O consumo de
energia elétrica cresceu 4,0%, valor superior ao crescimento da oferta interna de energia
elétrica (OIEE), de 2,7%. Isto se dá pelo aumento da geração termoelétrica e pela decorrente
redução das perdas na rede, como já citado. A figura 32 mostra a participação de fontes
renováveis na OIE.

2008 45,3% 54,7%

2000 41,0% 59,0%

1990 49,1% 50,9%

1980 45,6% 54,4%

1970 58,4% 41,6%

Renováveis Não Renováveis

Figura 32 – Participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia.


(Fonte: BEN 2009).

Segundo dados do BEN 2009, a matriz energética brasileira distribui-se conforme


desmonstrado na figura 33, em que pode ser observada a participação inexpressiva da energia
eólica, representando apenas 0,1%.
83

Biomassa* Derivados de
4,8% Eólica 0,1%
Petróleo 3,0%
Nuclear 2,8%
Gás
Carvão e
Natural
Derivados 1,6%
Importação 6,0%
8,6%

Hidráulica
73,1%

Figura 33 – Participação das fontes energéticas na Oferta Interna de Energia Elétrica.


(Fonte: BEN 2009).

As emissões de dióxido de carbono, gás de efeito estufa, são mostradas na tabela 17,
onde se faz uma comparação com Estados Unidos, Japão, América Latina e Mundo,
inferindo-se a baixa contribuição relativa do Brasil. A figura 34 apresenta as emissões de CO2
por tep observadas no Brasil de 1985 a 2006.

Tabela 17 – Emissões de CO2.

Indicador Brasil Estados Unidos Japão América Latina Mundo

t CO2/hab 1,78 19 9,49 2,14 4,28


t CO2/tep OIE 1,48 2,45 2,3 1,83 2,39
t CO2/10³ US$ de PIB¹ 0,43 0,51 0,24 0,54 0,74
t CO2/km² de superfície 39 622 3.236 46 136
Nota: ¹ US$ em valores correntes em 2000.
Fonte: BEN 2009.
84

Chart Title
1,70 1,68

1,65 1,64 1,64


1,62
1,61
1,60
1,60 1,58 1,581,58
1,57

1,55 1,54
tCO2 / tep

1,50
1,50 1,49
1,481,48 1,48

1,45 1,44
1,43
1,42 1,42
1,41
1,40
1,36
1,35

1,30
1985 1990 1995 2000 2005

Figura 34 – Emissões de CO2.


(Fonte: BEN 2009).

3.2.11.3 Banco de Informações de Geração

Para fins de divulgação de dados referentes ao parque gerador brasileiro, a Agência


Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) desenvolveu o Banco de Informações de Geração
(BIG). Com esta iniciativa, a Agência busca universalizar e uniformizar as informações,
garantindo conhecimento por partes dos agentes de mercado, investidores estrangeiros e
nacionais, autoridades governamentais e a sociedade em geral sobre a geração de energia
elétrica no país.

Com base no BIG, consultado em 14 de outubro de 2009, o Brasil possui no total


2.121 empreendimentos em operação, gerando 105.585.970 kW de potência. Com a
finalidade de atendimento da demanda crescente por energia elétrica, prevê-se para os
próximos anos a ampliação da capacidade instalada do país, com a adição de 38.034.364 kW,
proveniente de 174 empreendimentos que estão atualmente em fase de construção e de 436
outorgados. A tabela 18 mostra os empreendimentos em operação, em construção e
outorgados entre 1998 e 2009, dividos por tipo de cometimento. Nota-se que, para os
empreendimentos em operação, são apresentados valores de potência outorgada e fiscalizada.
A potência outorgada refere-se à considerada no ato da outorga, enquanto que a fiscalizada é
85

considerada a partir da operação comercial da primeira unidade geradora. O valor percentual é


referente à potência fiscalizada.

Tabela 18 – Empreendimentos em operação, em construção e outorgados entre 1998 e 2009.


Empreendimentos em Operação
Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) Potência Fiscalizada (kW) %
kW kW
CGH 300 170.224 168.623 0,16%
EOL 36 605.280 602.284 0,57%
PCH 352 2.941.464 2.881.712 2,73%
SOL 1 20 20 0%
UHE 162 75.150.827 75.160.709 71,18%
UTE 1.268 27.088.770 24.765.622 23,46%
UTN 2 2.007.000 2.007.000 1,90%
TOTAL 2.121 107.963.585 105.585.970 100%
Empreendimentos em Construção
Tipo Quantidade Potência Outorgada %
kW
CGH 1 848 0,00%
EOL 10 256.450 1,37%
PCH 72 1.027.968 5,48%
UHE 21 10.633.400 56,66%
UTE 70 6.848.413 36,49%
TOTAL 174 18.767.079 100%
Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2009 (não iniciaram sua construção)
Tipo Quantidade Potência Outorgada %
kW
CGH 70 46.660 0,24%
CGU 1 50 0%
EOL 45 2.139.793 11,11%
PCH 153 2.137.548 11,09%
SOL 1 5.000 0%
UHE 11 2.190.000 11,37%
UTE 155 12.748.234 66,17%
TOTAL 436 19.267.285 100%
Legenda
CGH Central Geradora Hidrelétrica
CGU Central Geradora Undi-Elétrica
EOL Central Geradora Eolielétrica
PCH Pequena Central Hidrelétrica
SOL Central Geradores Solar Fotovoltaica
UHE Usina Hidrelétrica de Energia
UTE Usina Termelétrica de Energia
UTN Usina Termonuclear
Fonte: BIG, 14/10/2009.
86

A matriz energética brasileira é apresentada como mostrado na tabela 19. Como pode
ser observado, apenas 0,53% da potência fiscalizada total, representando 602.284 kW de
capacidade instalada, é fornecida por empreendimentos eólicos. Este valor é pouco expressivo
mediante o potencial eólico do país, que compreende 143,5 mil MW, segundo o CEPEL,
volume superior à potência instalada total no país, de pouco menos de 114 mil MW.

Tabela 19 – Matriz de energia elétrica brasileira.

Capacidade Instalada Total


Tipo % %
Número de Usinas Potência Número de Usinas Potência
kW kW
Hidro 814 78.213.049 68,76% 814 78.213.049 68,76%
Natural 91 10.605.802 9,32%
Gás 122 11.850.285 10,42%
Processo 31 1.244.483 1,09%
Óleo Diesel 777 3.894.983 3,42%
Petróleo 798 5.606.177 4,93%
Óleo Residual 21 1.711.194 1,50%
Bagaço de Cana 276 4.337.070 3,81%
Licor Negro 14 1.145.798 1,01%
Biomassa Madeira 33 295.017 0,26% 337 5.851.135 5,14%
Biogás 7 41.842 0,04%
Casca de Arroz 7 31.408 0,03%
Nuclear 2 2.007.000 1,76% 2 2.007.000 1,76%
Carvão Mineral 8 1.455.104 1,28% 8 1.455.104 1,28%
Eólica 36 602.284 0,53% 36 602.284 0,53%
Paraguai - 5.650.000 4,97%
Argentina - 2.250.000 1,98%
Importação - 8.170.000 7,18%
Venezuela - 200.000 0,18%
Uruguai - 70.000 0,06%
TOTAL 2.117 113.755.034 100% 2.117 113.755.034 100%
Fonte: BIG, 14/10/2009.

3.2.11.4 Potencial eólico brasileiro

O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, concebido em 2001 e por meio da integração


das áreas de mapas digitais, utilizando dados georreferenciados, cálculos de desempenho e
geração de energia a partir de curvas de potência de turbinas eólicas existentes, então, no
mercado, apresenta como potencial técnico disponível o valor de 143,5 GW ou 272,2
TWh/ano, como mostrado na figura 35. Outras apreciações feitas para a composição do Atlas
decorrem de densidade média de ocupação do terreno de 2 MW/km², intervalos com
incrementos de 0,5 m/s para as velocidades médias, disponibilidade de 0,98 e desconsideração
das áreas alagadas. Estimativas variadas relatam potenciais compreendidos entre 20 GW e
87

145 GW. No entanto, aceita-se o valor de 60 GW, segundo a Agência Internacional de


Energia Atômica (AIEA), sendo que o MME considera o potencial de apenas 30 GW.

Figura 35 – Potencial eólico estimado para vento médio anual igual ou superior a 7 m/s.
(Fonte: CEPEL, 2001).

3.2.11.5 Capacidade instalada

Segundo dados do BIG, recolhidos em 23 de outubro de 2009, a capacidade instalada


de geração de energia elétrica proveniente da energia eólica está dividida entre 36
empreendimentos, como disposto na tabela 20, resultando em 602.284 kW de potência
instalada até a data de pesquisa.
88

Tabela 20 – Usinas eólicas em operação.

Potência Potência Destino da


Nº Usina Município
Outorgada (kW) Fiscalizada (kW) Energia
1 Eólica de Prainha 10.000 10.000 PIE2 Aquiraz - CE
São Gonçalo do
2 Eólica de Taíba 5.000 5.000 PIE
Amarante - CE
Eólica-Elétrica Experimental do
3 1.000 1.000 REG Gouveia - MG
Morro do Camelinho
4 Eólio-Elétrica de Palmas 2.500 2.500 PIE Palmas - PR
Fernando de
5 Eólica de Fernando de Noronha 225 225 REG
Noronha - PE
6 Parque Eólico de Beberibe 25.600 25.600 PIE Beberibe - CE
7 Mucuripe 2.400 2.400 REG Fortaleza - CE
8 RN 15 - Rio do Fogo 49.300 49.300 PIE Rio do Fogo - RN
Bom Jardim da
9 Eólica de Bom Jardim 600 600 REG
Serra - SC
10 Foz do Rio Choró 25.200 25.200 PIE Beberibe - CE
11 Praia Formosa 104.400 104.400 PIE Camocim - CE
12 Eólica Olinda 225 225 REG Olinda - PE
13 Eólica Canoa Quebrada 10.500 10.500 PIE Aracati - CE
14 Lagoa do Mato 3.230 3.230 PIE Aracati - CE
15 Parque Eólico do Horizonte 4.800 4.800 REG Água Doce - SC
16 Eólica Icaraizinho 54.600 54.600 PIE Amontada - CE
17 Eólica Paracuru 23.400 23.400 PIE Paracuru - CE
18 Eólica Praias de Parajuru 28.800 28.804 PIE Beberibe - CE
19 Pedra do Sal 18.000 18.000 PIE Parnaíba - PI
20 Macau 1.800 1.800 REG Macau - RN
21 Eólica Água Doce 9.000 9.000 PIE Água Doce - SC
22 Parque Eólico de Osório 50.000 50.000 PIE Osório - RS

23 Parque Eólico Sangradouro 50.000 50.000 PIE Osório - RS

São Gonçalo do
24 Taíba Albatroz 16.500 16.500 PIE
Amarante - CE
25 Parque Eólico dos Índios 50.000 50.000 PIE Osório - RS
26 Millennium 10.200 10.200 PIE Mataraca - PB
27 Presidente 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
28 Camurim 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
29 Albatroz 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
30 Coelhos I 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
31 Coelhos III 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
32 Atlântica 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
33 Caravela 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
34 Coelhos II 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB

2
Produtor Independente de Energia Elétrica: pessoa jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebem
concessão ou autorização do poder concedente para produzir energia elétrica destinada ao comércio de toda ou
parte da energia elétrica produzida, por sua conta e risco, conforme disposto no Artigo 11 da Lei nº 9.074, de 07
de julho de 1995, e Decreto nº 2.003, de 11 de setembro de 1996 (ELETROBRÁS).
89

Potência Potência Destino da


Nº Usina Município
Outorgada (kW) Fiscalizada (kW) Energia
35 Coelhos IV 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
36 Mataraca 4.800 4.500 PIE Mataraca - PB
Potência Total 602.284
Legenda
PIE Produtor Independente de Energia
REG Registro
Fonte: BIG, 23/10/2009.

As tabelas 21 e 22 dispõem, respectivamente, os empreendimentos eólicos em


construção e em outorga no Brasil. Segundo estas, quando implementados todos os projetos
eólicos pretendidos, à matriz energética brasileira serão adicionados 2.395.243 kW, o que
corresponderá, comparado aos dados atuais de geração de energia elétrica do país e
considerando os empreendimentos em operação, construção e outorga, a 1,7% da capacidade
total instalada. Nota-se que este valor representa um crescimento de 83% da participação da
energia eólica na OIEE.

Tabela 21 – Usinas eólicas em construção.

Potência Destino da
Nº Usina Município
Outorgada (kW) Energia
1 Praia do Morgado 28.800 PIE Acaraú - CE
2 Volta do Rio 42.000 PIE Acaraú - CE
3 Gargaú 28.050 PIE São Francisco de Itabapoana - RJ
4 Parque Eólico Enacel 31.500 PIE Aracati - CE
5 Canoa Quebrada 57.000 PIE Aracati - CE
6 Bons Ventos 50.000 PIE Aracati - CE
7 Xavante 4.250 PIE Pombos - PE
8 Mandacaru 4.950 PIE Gravatá - PE
9 Santa Maria 4.950 PIE Gravatá - PE
10 Gravatá Fruitrade 4.950 PIE Gravatá - PE
Potência Total 256.450
Fonte: BIG, 23/10/2009.

Tabela 22 – Usinas eólicas em outorga.

Potência Destino da
Nº Usina Município
Outorgada (kW) Energia
1 Quintanilha Machado I 135.000 PIE Arraial do Cabo - RJ
2 BA 3 - Caetité 192.100 PIE Caetité - BA
3 Maceió 235.800 PIE Itapipoca - CE
4 Redonda 300.600 PIE Icapuí - CE
5 Pecém 31.200 PIE Caucaia - CE
6 Alegria II 100.800 PIE Guamaré - RN
90

Potência Destino da
Nº Usina Município
Outorgada (kW) Energia
7 Alegria I 51.000 PIE Guamaré - RN
8 Pirauá 4.250 PIE Macaparana - PE
Fábrica de Wobben Wind Power no
9 600 REG Caucaia - CE
Pecém
10 Parque Eólico Ponta do Mel 50.400 PIE Areia Branca - RN
Parque Eólico Elebrás Santa Vitória
11 126.000 PIE Santa Vitória do Palmar - RS
do Palmar 1
12 Parque Eólico Elebrás Cidreira 1 70.000 PIE Tramandaí - RS
13 Eólica Ariós 16.200 PIE Beberibe - CE
14 Praia do Arrombado 23.400 PIE Luís Correia - PI
15 Parque Eólico de Palmares 7.562 PIE Palmares do Sul - RS
16 Vale da Esperança 29.700 PIE Touros - RN
17 Parque Eólico Tainhas I 15.000 PIE São Francisco de Paula - RS
18 Usina Eólica de Laguna 3.000 REG Laguna - SC
19 Santa Marta 46.531 PIE Laguna - SC
20 Parque Eólico Xangri-lá II 6.000 PIE Capão da Canoa - RS
21 Parque Eólico Giruá 11.050 PIE Giruá - RS
22 Usina Eólica Elétrica UEE Coqueiro 14.400 PIE São João da Barra - RJ
23 Parque Eólico Pinhal 9.350 PIE Palmares do Sul - RS
24 UEE Maravilha 49.600 PIE São Francisco de Itabapoana - RJ
25 UEE Saco Danta 26.400 PIE São João da Barra - RJ
26 UEE Mundéus 23.800 PIE São Francisco de Itabapoana - RJ
27 Púlpito 30.000 PIE Bom Jardim da Serra - SC
28 Aquibatã 30.000 PIE Água Doce - SC
29 Santo Antônio 3.000 PIE Bom Jardim da Serra - SC
30 Cascata 6.000 PIE Água Doce - SC
31 Rio do Ouro 30.000 PIE Bom Jardim da Serra - SC
32 Salto 30.000 PIE Água Doce - SC
33 Bom Jardim 30.000 PIE Bom Jardim da Serra - SC
34 Campo Belo 10.500 PIE Água Doce - SC
35 Amparo 22.500 PIE Água Doce - SC
36 Cruz Alta 30.000 PIE Água Doce - SC
37 Vitória 4.250 PIE Mataraca - PB
38 Salina Diamante Branco 200.000 PIE Galinhos - RN
39 Alhandra 5.400 PIE Alhandra - PB
40 Parque Eólico do Vigia 30.000 PIE Água Doce - SC
41 Piloto de Rio Grande 4.500 REG Rio Grande - RS
42 Eólio-Elétrica São Gonçalo 60.000 PIE São Gonçalo do Amarante - RN
43 Enerce Pindoretama 4.500 REG Pindoretama - CE
44 Aratuá I 14.700 PIE Guamaré - RN
45 Aratuá II 14.700 PIE Guamaré - RN
Potência Total 2.139.793
Fonte: BIG, 23/10/2009.
91

3.2.11.6 Custos da energia eólica

Os benefícios relativos à utilização da energia eólica como fonte energética, seja para
complementaridade da geração por parte de usinas hidrelétricas, seja para manutenção do
caráter limpo e renovável da matriz energética brasileira, são incontestáveis. No entanto, este
recurso intitui-se, ainda, como uma fonte de energia dispendiosa, se comparada, por exemplo,
à hidráulica ou de biomassa. A contratação de grandes montantes de energia eólica pode
ocasionar, portanto, impacto a nível tarifário, contrastando com a necessidade de modicidade
tarifária.

Em outros países, ao contrário do que ocorre no Brasil, a energia eólica configura-se


como uma fonte de energia competitiva. Enquanto os empreendedores brasileiros alegam que
a taxa viabilizadora da energia eólica seria de 0,21 R$/kWh, equivalente a 0,10 US$/kWh,
considerando a taxa de câmbio média de R$ 2,03 verificada no período de setembro de 2005 a
setembro de 2009, em muitos países essa taxa apresenta valor de 0,04 US$/kWh (Dantas &
Leite, 2009). Diante deste cenário, a contratação de energia elétrica proveniente de fonte
eólica por meio do Leilão para Contratação de Energia de Reserva, de que tratam os artigos 3º
e 3º A da Lei nº 10.848 de março de 2004 e a ser realizado em 14 de dezembro de 2009,
definirá o real custo da energia eólica no país. Segundo o Edital do Leilão de Contratação de
Energia de Reserva, o prazo inicial de suprimento foi determinado para 1º de julho de 2012,
na modalidade quantidade de energia e contratos com prazo de duração de 20 anos, e o preço
teto inicial para submissão de lance será de 189,00 R$/MWh.

Como fatores que agregam maior custo à energia eólica no Brasil, pode se citar os
elevados custos logísticos de implementação dos projetos, relativos a, por exemplo,
precariedade das estradas nordestinas, região que apresenta o maior potencial eólico do país, e
o número restrito de empresas nacionais que oferecem equipamentos associado às restrições
de importação destes. No país, apenas duas empresas apresentam vantagens competitivas
adicionais, referentes a imposto de 14% sobre a importação de aerogeradores, importação
apenas de turbinas eólicas cuja potência seja superior a 1,5 MW e financiamento pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somente concedido a
fabricantes nacionais. Nota-se, assim, que o mercado apresenta barreiras significativas para a
entrada de equipamentos, possibilitando a cobrança de preços elevados pelos que são
produzidos em território nacional.
92

A fim de se desenvolver o recurso eólico como fonte de energia elétrica, deve se


estimular a competitividade entre fabricantes nacionais, garantindo um preço de equilíbrio
condizente com a modicidade tarifária, e formar políticas públicas de concessão de crédito a
projetos inovadores. Além disto, a desoneração tributária da cadeia produtiva atrairia outros
fabricantes de túrbinas eólicas, fomentando a concorrência e criando condições de
contestabilidade da indústria de aerogeradores.

3.2.11.7 Leilão de energia eólica

A promoção efetiva das fontes renováveis dar-se-á por mediação de uma nova
política pública que deve ser implantada no Brasil, corrigindo os problemas constatados na
primeira fase do PROINFA e adaptando à realidade brasileira os mecanismos aplicados com
sucesso em outros países. Sendo assim, torna-se indispensável estabelecer medidas legais para
o setor energético condizentes com o desenvolvimento e a estruturação de um mercado
nacional de energias renováveis.

Segundo documento enunciado pelo Greenpeace, um novo projeto de lei que


promova as energias renováveis deve contemplar diretrizes específicas, tais como
internalização no preço da energia dos benefícios sociais e ambientais; desenvolvimento da
pesquisa e inovação tecnológica; adoção de índices de nacionalização somente com a
solidificação de uma indústria nacional; transparência das bases e objetivos das políticas e
programas de incentivo às energias renováveis; direcionamento de investimentos de médio e
longo prazo e priorização do acesso desses à rede; descontos nas tarifas de distribuição a fim
de tornar essas fontes mais atrativas; determinação de modalidades tarifárias diferenciadas;
políticas públicas voltadas exclusivamente para essas fontes; e realização de leilões
específicos para cada fonte como uma medida para melhorar a performance de contratação de
energias renováveis.

A realizar-se em 14 de dezembro de 2009, o primeiro Leilão para Contratação de


Energia de Reserva (LER) específico para contratação de energia elétrica proveniente de fonte
eólica é uma resposta ao crescimento da demanda por energia elétrica, compatibilizando o
setor energético com os desafios globais inerentes às mudanças climáticas. Além disto,
adequa-se à necessidade de diversificação da oferta de energia e de regionalizar as estratégias
de aproveitamento energético, prerrogativas para garantir estabilidade ao fornecimento de
eletricidade e eliminar a dependência de combustíveis fósseis e os riscos de racionamento.
93

3.2.11.7.1 Atividades inerentes ao processo do LER

Com base em leilões anteriores, as atividades realizadas pelo MME seguem um


determinado padrão, em que, inicialmente, publica-se no Diário Oficial os critérios e o
cronograma que nortearão os processos do LER. Os empreendedores interessados em
participar do leilão requerem, até a data determinada, o cadastramento de seus projetos junto à
EPE, que realiza uma análise preliminar da conexão ordenada em projeto, podendo indicar
soluções que apresentem menor custo global, como, a título exemplificativo, as Instalações
Compartilhadas de Geração (ICG). Propostas as conexões, realiza-se um estudo do
dimensionamento da rede elétrica e, a partir deste, estima-se os encargos de conexão e tarifas
de uso do sistema de transmissão.

A EPE expedirá a Habilitação Técnica assim que concluído o processo de análise


técnica do empreendimento e for comprovada sua adequação com os requisitos pré-
estabelecidos. Esse documento indica o empreendimento para compor a lista de referência, a
ser aprovada pelo MME, com vistas à participação no leilão determinado. Monta-se, então, a
base de dados para o Cálculo das Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão, determinado
pela ANEEL, e para o Cálculo dos Encargos de Conexão das Usinas Habilitadas. Estes
resultados são divulgados no Diário Oficial e usados pelos empreendedores como referência
para o cálculo do custo da energia elétrica.

Realiza-se, por fim, o leilão, sob comando da ANEEL e da Câmara de


Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O fluxograma que apresenta as principais
atividades realizadas durante o processo do LER e os responsáveis por cada uma delas é
mostrado na figura 36.
94

Portaria MME

Cadastramento
Responsabilidade: EPE das Usinas

Análise
Responsabilidade: EPE Preliminar das
Conexões

Responsabilidade: Aneel Chamada Pública ICG

Estudos de Planejamento
Responsabilidade: EPE da Transmissão

Habilitação
Responsabilidade: EPE Técnica

Divulgação dos
Responsabilidade: Aneel Encargos e
Tarifas

Leilão de
Responsabilidade: Aneel Energia Eólica

Figura 36 – Fluxograma das atividades inerentes ao processo do LER.

Terminado o leilão, os vencedores devem apresentar um cronograma físico de


implantação do empreendimento, como descrito na tabela 23, formulado por um Responsável
Técnico devidamente habilitado. Além disto, exige-se que cada parque eólico vencedor do
leilão, independentemente da potência instalada ou da área ocupada pelo empreendimento,
hospede dentro da área especificada para implementação do projeto uma estação destinada à
medição, registro e envio de dados anemométricos e climatológicos a EPE em até 180 dias
após a assinatura do Contrato de Energia de Reserva (CER). As medições devem ser
95

contínuas e permanentes durante todo o período de vigência do contrato, formando um banco


de dados de referência para futuros estudos sobre a energia eólica e para o desenvolvimento
de instrumentos voltados para planejamento, operação e integração de parques eólicos ao
sistema elétrico nacional.

Tabela 23 – Cronograma físico de implantação do empreendimento.

Descrição do marco Data


Obtenção da licença de instalação XX/XX/XX
Início da montagem do canteiro de obras XX/XX/XX
Início das obras civis das estruturas XX/XX/XX
Início da concretagem das bases das unidades geradoras XX/XX/XX
Início da montagem eletromecânica das usinas geradoras XX/XX/XX
Início das obras da subestação e/ou linha de transmissão de interesse restrito XX/XX/XX
Conclusão da montagem eletromecânica das unidades geradoras XX/XX/XX
Início da operação de teste (inserir uma linha para cada unidade geradora) XX/XX/XX
Início da operação comercial (inserir uma linha para cada unidade geradora) XX/XX/XX

3.2.11.7.2 Instruções para solicitação de Cadastramento e Habilitação Técnica com vistas à


participação no Leilão para Contração de Energia de Reserva

Em documento emitido em 04 de julho de 2009, a EPE, visando expansão da geração


de energia elétrica do país e focalizando a potencialidade da energia eólica como fonte
energética promissora, instruiu os empreendedores interessados a participar do LER a
solicitação do Cadastramento visando a Habilitação Técnica do projeto. Os parâmetros, dados
e informações fornecidos para o cadastramento são utilizados para o cálculo das Garantias
Físicas dos empreendimentos eólicos e para compor os CERs, na hipótese da energia do
empreendimento vir a ser objeto de contratação como vencedor do LER.

O primeiro requisito para Cadastramento e futura Habilitação Técnica é a inserção


dos dados do projeto no Sistema de Acompanhamento de Empreendimentos Geradores de
Energia (AEGE), implantado pela EPE e destinado a todos os empreendimentos, não sendo
necessária a participação em Leilão de Energia. O sistema é composto por seis etapas, sendo
elas Cadastramento do Empreendedor, Inclusão de Novos Usuários, Inclusão de
Empreendimento, Inscrição do Empreendimento no Leilão, Suplementação dos Dados
Técnicos do Empreendimento Inscrito no Leilão e Cadastramento para Habilitação Técnica no
Leilão. Este dá-se por meio de um requerimento, cujo modelo é apresentado no ANEXO A,
ao qual são anexados os documentos previstos na Portaria MME nº 21/2008 e no documento
96

aqui descrito e apresentados no ANEXO B. No ato do cadastramento, entrega-se a


documentação exigida em arquivo eletrônico.

3.2.11.7.3 Projetos cadastrados no LER

Segundo dados da EPE, 441 projetos foram cadastrados, representando 13.341 MW


de capacidade instalada e correspondendo à participação de onze Estados da Federação. Do
número total de projetos inscritos, 73% compreendem a projetos apresentados por Estados da
região Nordeste do país, sugerindo implantação de 9.549 MW de capacidade. As tabelas 24 e
25 apresentam a distribuição dos projetos por região e por Estado. O número expressivo de
projetos cadastrados indica a possibilidade de forte competição no leilão, propiciando
contratação de energia a preços atrativos ao consumidor e competitivos no âmbito do setor de
geração de energia elétrica.

Tabela 24 – Distribuição dos projetos cadastrados por região do país.

Região Nº de projetos Potência


MW
Nordeste 322 9.549
Sul 111 3.594
Sudeste 8 198
TOTAL 441 13.341
Fonte: EPE, 2009.

Tabela 25 – Distribuição dos projetos cadastrados por Estado.

Estado Nº de projetos Potência


MW
Bahia 51 1.575
Ceará 118 2.743
Espírito Santo 6 153
Paraíba 1 20
Paraná 23 625
Piauí 16 413
Rio de Janeiro 2 45
Rio Grande do Norte 134 4.745
Rio Grande do Sul 86 2.894
Santa Catarina 2 75
Sergipe 2 54
TOTAL 441 13.342
Fonte: EPE, 2009.
97

A distribuição por tamanho do projeto pode ser feita conforme apresentado na tabela
26, em que a maioria dos parques eólicos cadastrados apresenta potência instalada de 25 MW
a 50 MW. As centrais geradores de grande porte, cuja potência instalada excede 100 MW,
compreendem a apenas 1,36% do número total e a 806 MW de capacidade.

Tabela 26 – Distribuição dos projetos cadastrados por tamanho.

Potência Instalada Nº de projetos Potência


MW
> 10 MW 18 139
10 MW - 25 MW 118 2.248
25 MW - 50 MW 262 8.000
50 MW - 100 MW 37 2.149
> 100 MW 6 806
TOTAL 441 13.342
Fonte: EPE, 2009.

O leilão será realizado na modalidade de reserva, em que prevalecerá os menores


preços e que se caracteriza pela contratação de um volume de energia elétrica que excede a
demanda da totalidade do mercado do país. O contrato assinado entre as partes interessadas
garantirá a venda de energia elétrica por 20 anos, a contar a partir de 1º de julho de 2012.

3.2.11.7.4 Projetos habilitados pela EPE

Em informe à imprensa, a EPE divulgou preço teto inicial de 189,00 R$/MWh para o
LER e a habilitação de 339 projetos de geração, 76,8% dos projetos cadastrados. Em
conjunto, os empreendimentos habilitados somam 10.005 MW de capacidade instalada, o que
corresponde a uma vez e meia a potência total do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira,
constituído pelas Usinas Hidrelétricas de Jirau, cuja capacidade instalada é de 3.300 MW, e de
Santo Antônio, de 3.150 MW, instaladas no Estado de Rondônia.

Os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte representam o maior número de


empreendimentos habilitados, totalizando 213 projetos e 6.114 MW de potência instalada. A
tabela 27 lista projeto e potência instalada distribuídos por Estado da Federação.
98

Tabela 27 – Distribuição dos projetos habilitados por Estado.

Estado Nº de projetos Potência


MW
Quantidade % Quantidade %
Bahia 36 10,6% 1.004 10,0%
Ceará 108 31,9% 2.515 25,1%
Espírito Santo 6 1,8% 153 1,5%
Piauí 13 3,8% 336 3,4%
Rio Grande do Norte 105 31,0% 3.629 36,3%
Rio Grande do Sul 67 19,8% 2.238 22,4%
Santa Catarina 2 0,6% 76 0,8%
Sergipe 2 0,6% 54 0,5%
TOTAL 339 100% 10.005 100%
Fonte: EPE, 2009.

3.2.11.7.5 Contratação de energia de reserva

O risco inerente aos empreendimentos eólicos decorre, principalmente, da incerteza


de retorno desta forma de geração, consequência da aleatoriedade de atuação das massas de ar
que constituem os ventos. O modelo de contratação de energia eólica foi elaborado com o
intuito de mitigar essa percepção de risco. Assim, a forma de contrato relevará a produção
média ao longo dos anos, diminuindo possíveis flutuações que possam vir a ocorrer em
determinados períodos.

A Lei nº 10.848/2004 estabelece que a contratação de energia elétrica para o


suprimento do consumo no ambiente regulado e para a formação de uma reserva energética
deve ser realizada por meio de leilões públicos específicos. Os leilões deliberados para a
aquisição de energia provinda de usinas existentes e de usinas novas destinam-se à cobertura
do consumo existente e futuro, cuja demanda é declarada pelos distribuidores.

A contratação de energia de reserva é feita pela CCEE. Aos consumidores são


repassados apenas os custos fixos e variáveis intrínsecos a esta contratação, deduzindo a
receita proveniente da venda no mercado de curto prazo da energia produzida pelos
empreendimentos contratados para suprir a energia de reserva. O esquema desta
comercialiazação é descrito na figura 37.
99

Figura 37 – Esquema de comercialização de energia de reserva.

Em contraposição aos benefícios do fortalecimento da matriz energética nacional e


da redução de custos operacionais do sistema de energia interligado, o custo da energia eólica
praticado ainda se mostra elevado se comparado às fontes mais competitivas, como já citado.
Sendo assim, a aquisição do leilão deve apresentar um valor que minimize o impacto sobre a
tarifa exigida dos usuários finais de energia elétrica do SIN, que, em conformidade com o
Decreto nº 6.353/2008, que regulamenta a contratação de energia de reserva, são responsáveis
pelo custo decorrente da contratação, incluindo custos administrativos, financeiros e
tributários. Efetuado o contrato, para a contabilização e liquidação de diferenças entre a
quantidade de energia contratada e a produção efetiva, subdivide-se o prazo de contrato em
cinco períodos de conciliação quadrienais.
100

O valor da produção anual média será comparado com o valor anual contratado,
obtendo-se, assim, o saldo anual. As componentes dos saldos anuais positivos que excedem
10% o valor anual contratado são valoradas pelo menor valor entre o preço do contrato, o
Valor de Referência (VR) e o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) médio do ano
anterior. O valor obtido é dividido em doze parcelas iguais que devem ser pagas mensalmente
ao empreendedor no ano seguinte. Em contrapartida, as componentes dos saldos anuais
negativos que excederem os 10% são valoradas ao preço do contrato com um acréscimo de
10%. Assim, o valor resultante é dividido em doze parcelas iguais que são pagas mensalmente
pelo empreendedor no ano seguinte.

Ao final de cada quadriênio, o saldo positivo não excedente a 10% pode ser
repassado para o próximo quadriênio, ou, por preferência do empreendedor, ser valorado pelo
menor valor entre o preço do contrato, o VR e o PLD médio do quadriênio que está se
encerrando, e o valor obtido ser dividido em doze parcelas iguais que são pagas mensalmente
ao empreendedor no ano seguinte. De mesma forma, o saldo negativo não excedente a 10% é
valorado ao preço do contrato e o valor resultante é dividido em doze parcelas iguais que
deverão ser pagas mensalmente pelo empreendedor no ano seguinte.

No início de cada quadriênio, a partir do segundo, o valor contratado é ajustado


(reconciliação contratual) para o valor médio anual produzido desde o início do abastecimento
até o último mês do ultimo ano do quadriênio anterior, mas limitando-se a, no máximo, o
montante contratado originalmente. Além disso, há a possibilidade de o empreendedor
pleitear os créditos provenientes do MDL. Caso o faça, deve credenciar o seu
empreendimento no âmbito do mecanismo, para, assim, apropriar-se dos créditos fornecidos.

3.3 NO ESTADO DE GOIÁS

O Estado de Goiás, localizado na região Centro-Oeste do Brasil, é o 7º Estado do


país em extensão territorial, cujo valor é de 340.086,698 km², e possui 3% da população total.
O Estado limita-se ao norte com o Estado do Tocantins, ao sul com Minas Gerais e Mato
Grosso do Sul, a leste com Bahia e Minas Gerais e a oeste com Mato Grosso. Relativo ao
consumo de energia elétrica, o Estado de Goiás, comparado aos demais Estados federados,
ocupa a 11ª posição, como mostrado na tabela 28, apresentando consumo de 8.615 GWh em
2006, segundo documento publicado pela Secretaria de Estado do Planejamento e
Desenvolvimento (SEPLAN) do Governo de Goiás.
101

Tabela 28 – Consumo de energia elétrica por unidade da federação.

Unidade da 2000 2006 Variação


federação Consumo Participação Posição Consumo Participação Posição 2000/2006

GWh GWh
Brasil 307.487 100,00% 357.531 100,00% 16,28%
Centro-Oeste 16.518 5,37% 20.692 5,79% 25,27%
São Paulo 97.419 31,68% 1 109.148 30,53% 1 12,04%
Minas Gerais 39.088 12,71% 2 45.567 12,74% 2 16,58%
Rio de Janeiro 32.280 10,50% 3 32.394 9,06% 3 0,35%
Rio Grande do
19.876 6,46% 4 24.081 6,74% 4 21,16%
Sul
Paraná 17.204 5,60% 5 21.274 5,95% 5 23,66%
Bahia 15.499 5,04% 6 18.264 5,11% 6 17,84%
Santa Catarina 12.645 4,11% 7 15.724 4,40% 7 24,35%
Pará 10.249 3,33% 8 13.652 3,82% 8 33,20%
Maranhão 8.261 2,69% 9 10.130 2,83% 9 22,62%
Pernambuco 7.623 2,48% 10 8.756 2,45% 10 14,86%
Goiás 6.578 2,14% 12 8.615 2,41% 11 30,97%
Espírito Santo 6.729 2,19% 11 8.022 2,24% 12 19,22%
Ceará 5.916 1,92% 13 6.979 1,95% 13 17,97%
Mato Grosso 3.178 1,03% 16 4.399 1,23% 14 38,42%
Distrito Federal 3.785 1,23% 14 4.310 1,21% 15 13,87%
Amazonas 2.862 0,93% 18 3.924 1,10% 16 37,11%
Rio Grande do
2.750 0,89% 19 3.734 1,04% 17 35,78%
Norte
Alagoas 3.400 1,11% 15 3.602 1,01% 18 5,94%
Mato Grosso do
2.977 0,97% 17 3.368 0,94% 19 13,13%
Sul
Paraíba 2.588 0,84% 20 3.279 0,92% 20 26,70%
Sergipe 2.190 0,71% 21 2.663 0,74% 21 21,60%
Piauí 1.506 0,49% 22 1.670 0,47% 22 10,89%
Rondônia 1.067 0,35% 23 1.524 0,43% 23 42,83%
Tocantins 723 0,24% 24 964 0,27% 24 33,33%
Amapá 438 0,14% 25 601 0,17% 25 37,21%
Acre 352 0,11% 26 505 0,14% 26 43,47%
Roraima 304 0,10% 27 382 0,11% 27 25,66%
Elaboração: SEPLAN-GO/ SEPIN/ Gerência de Estatística Socioeconômica – 2008.

3.3.1 Escopo para implantação de empreendimentos eólicos no Estado de Goiás

Para o Estado de Goiás, destacam-se como principais motivos para a implantação de


empreendimentos eólicos a diversificação da matriz energética estadual, a possibilidade de
complementação com a geração de energia elétrica oriunda da energia hidráulica, o
atendimento de sistemas isolados e apresentação de projetos no âmbito do MDL.
102

3.3.1.1 Diversificação da matriz energética

O Brasil apresenta sinais significativos de interesse em expandir o aproveitamento de


fontes renováveis, vislumbrando a manutenção da participação já considerável dessas fontes
na matriz energética nacional. Além de garantir maior sustentabilidade ao setor de energia, as
fontes renováveis contribuem para a criação de emprego e renda, a universalização do serviço
de energia elétrica no país e a diversificação das fontes de geração.

O Estado de Goiás contribui com 8.787.911 kW de potência instalada, produzida por


Centrais Geradores Hidrelétricas (CGH), Usinas Hidrelétricas (UHE), Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCH) e Usinas Termelétricas (UTE) (BIG, 2009). Infere-se desta informação
que a geração de energia elétrica do estado baseia-se em apenas duas fontes de energia, sendo
que a fonte hidráulica corresponde à 8.250.769 kW, equivalendo a 94%. A expansão dos
recursos energéticos, a diversificação dos mesmos e, portanto, da matriz energética estadual
ocasionaria fortalecimento do abastecimento de energia elétrica.

3.3.1.2 Complementaridade eólio-hidrológica

No Brasil e no início da aplicação de energia eólica, assim como demais fontes


renováveis de energia, para a geração de energia elétrica, os investimentos eram mais
comumente dirigidos ao suprimento de comunidades isoladas, em especial às que se
encontravam a uma distância tal da rede convencional de energia elétrica que impossibilitava,
por fatores técnicos e econômicos, a expansão por meio de uma rede de transmissão. Uma
outra visão, mais contemporânea, aborda essas fontes como possibilidade de complementação
energética da rede convencional, predominantemente abastecida por energia elétrica
procedente de energia hidráulica.

A complementaridade entre os regimes eólico e hidrológico é considerada uma


solução para a instabilidade sazonal da oferta de energia elétrica do sistema elétrico
interligado, resultante do simples aproveitamento da ampla disponibilidade dos recursos
naturais energéticos. O Estado de Goiás, assim como a regiões do Nordeste e Sudeste do país,
apresenta esta característica de complementaridade, que será mostrada adiante por meio de
comparações feitas entre dados de velocidade do vento de estações meteorológicas, o nível
dos reservatórios de Usinas Hidrelétricas situadas próximas às estações e os valores de vazão
natural média mensal referentes ao período de 1931 a 2007.
103

3.3.1.3 Atendimento de sistemas isolados

Segundo dados do MME, em 2008, o segmento de transmissão no Brasil era


composto por mais de 90 mil quilômetros de linhas e operado por 64 concessionárias. Às
concessionárias, empresas que obtiveram as concessões por intermédio de leilões públicos
organizados pela ANEEL, são incumbidas as atividades de implantação e operação da rede
que une as centrais geradoras de energia elétrica às instalações das companhias distribuidoras
situadas próximas aos centros de carga.

Figura 38 – Centrais elétricas que compõem os Sistemas Isolados (situação em outubro de 2003).
(Fonte: ANEEL, 2008, apud Atlás de Energia Elétrica do Brasil, 2008).
104

A principal característica desse segmento é a sua divisão em dois sistemas distintos,


formados pelo SIN e pelos Sistemas Isolados, presentes principalmente na região Norte, como
pode ser observado na figura 38. Nota-se que o Estado de Goiás encontra-se incluso no SIN e
não possui nenhum sistema isolado atendido. Para o atendimento desses sistemas, pode se
estudar formas de implementação de sistemas eólicos que contribuam com a comunidade
local não só com o suprimento, mas também com geração de emprego e renda.

3.3.1.4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

No âmbito do MDL, o Estado de Goiás responde por 6% das atividades de projeto


relativas ao Brasil. Dentre os projetos desenvolvidos no sistema de MDL Industrial no Estado,
dá-se destaque à co-geração de energia, em especial à oriunda da utilização de bagaço de cana
nas usinas de álcool e açúcar, sendo a Usina Jalles Machado o principal projeto
implementado. Nenhum projeto relativo à utilização de energia eólica, seja para geração de
energia elétrica ou qualquer outra aplicação, foi apresentado pelo Estado.

3.3.2 Panorama estadual

3.3.2.1 Matriz energética do Estado de Goiás

O BIG, cujos dados são divulgados pela ANEEL, fornece dados relativos à geração
de energia elétrica divididos por Estado da federação. Segundo o Banco, de toda a capacidade
instalada no país, de 105.587.975,15 kW, o Estado de Goiás contribui com 8,31%,
representando 8.787.911,60 kW, dividida entre 62 empreendimentos. Estima-se uma adição
de 2.369.018 kW na capacidade de geração do Estado, proveniente de 17 cometimentos em
construção e 23 outorgados. Estas informações estão expressas na tabela 29. Observa-se que o
Estado de Goiás não dispõe de unidades geradoras e projetos no setor de energia eólica.
105

Tabela 29 – Empreendimentos em operação, em construção e outorgados entre 1998 e 2004.

Empreendimentos em Operação
Tipo Quantidade Potência (kW) %
CGH 11 5.371 0,06%
PCH 15 225.802 2,57%
UHE 11 8.019.596 91,26%
UTE 25 537.142 6,11%
TOTAL 62 8.787.911 100%
Empreendimentos em Construção
Tipo Quantidade Potência (kW) %
PCH 2 48.000 3,54%
UHE 8 780.500 57,51%
UTE 7 528.700 38,96%
TOTAL 17 1.357.200 100%
Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2004 (não iniciaram sua construção)
Tipo Quantidade Potência (kW) %
CGH 4 3.001 0,30%
PCH 8 146.997 14,53%
UHE 3 233.000 23,03%
UTE 8 628.820 62,15%
TOTAL 23 1.011.818 100%
Legenda
CGH Central Geradora Hidrelétrica
PCH Pequena Central Hidrelétrica
UHE Usina Hidrelétrica de Energia
UTE Usina Termelétrica de Energia
Fonte: BIG, 14/10/2009.

3.3.2.2 Potencial eólico do Estado de Goiás

As diferenças em propriedades de superfícies, como geometria e altitude de terrenos,


vegetação e distribuição de superfícies de terra e água, se aplicados em escalas menores,
resultam em condições de vento locais distintas do perfil geral da larga escala da circulação
atmosférica. Em virtude disto, sete regiões geográficas foram organizadas de forma a
sintetizar essas características, sendo que, dentre estas, a região Planalto Central, que se
estende desde a margem esquerda da Bacia do Rio São Francisco até as fronteiras com
Bolívia e Paraguai, destaca-se por incluir o Estado de Goiás e apresentar geografia favorável
e proximidade dos corredores de fluxo viário e da malha do SIN. A velocidade média anual, a
50 m de altura, na região Planalto Central compreende ao intervalo de 4 m/s e 6 m/s, variando
de 3 m/s a 4 m/s ao norte, no limite sul da Bacia Amazônica, para 5 m/s a 6 m/s sobre a
porção sul do extenso planalto.
106

O Estado de Goiás apresenta regiões mais elevadas ao norte onde as velocidades


médias anuais aproximam-se de 7,5 m/s, como resultado do efeito de compressão vertical do
escoamento ao transpor as elevações. As figuras 39 e 40 expõem os valores de velocidade
média anual para a região Centro-Oeste e o mapa do relevo do Estado de Goiás. Infere-se
destas que os locais que apresentam maiores velocidades médias anuais coincidem, em sua
maioria, com os de maior altitude.

Figura 39 – Velocidade média anual de vento a 50 m (m/s).


(Fonte: CEPEL, 2001).
107

Figura 40 – Mapa do relevo do Estado de Goiás.


(Fonte: SEPLAN, 2000).

O Estado de Goiás não dispõe de torres anemométricas direcionadas para o estudo do


potencial eólico do Estado, mas apenas para constatação meteorológica. Sendo assim, para
fim de geração de energia elétrica a partir da energia eólica, deve se pautar no estudo
sistemático da tecnologia, a começar por medições específicas que viabilizem ou não a
implantação de empreendimentos eólicos no Estado, e em incentivos e medidas voltadas para
a atração de investimentos nos setores de geração de energia elétrica e de fabricação de
equipamentos.

O Estado mostra indícios de preocupação em desenvolver-se conforme a tendência


de sustentabilidade mundial e do país. Sinal disto foi a realização, em setembro de 2007 e em
108

Goiânia, do I Seminário do Centro-Oeste de Energias Renováveis. Destacou-se, então, os


investimentos no ano de 2006, impulsionados pelo BNDES, os prognósticos para o ano de
2007 e a participação significativa de projetos voltados para energias renováveis. Destinados à
expansão da utilização de energia eólica, destaca-se o Criatec, fundo de investimentos de
capital semente destinado à aplicação em empresas emergentes inovadoras, e a Fundação de
Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec), entidade de fomento à ciência e tecnologia do
Estado de Goiás, que são programas finaciados pelo BNDES a fundo perdido no caso de
associações entre institutos de pesquisa e centros acadêmicos visando ao desenvolvimento de
inovações tecnológicas (Butterby & Ferreira, 2009).

3.3.2.3 Complementaridade eólio-hidrológica no Estado de Goiás

Definida como desafio histórico ao planejamento da operação dos sistemas


interligados, a estabilização sazonal da oferta de energia elétrica é prejudicada pelo
predomínio, no Brasil, do aproveitamento da energia hidráulica. A geração de energia elétrica
a partir desta fonte é intrinsecamente relacionada com a característica estocástica referente aos
regimes hidrológicos e suas flutuações sazonais de amplitude significativa. Em todo o mundo,
o aproveitamento eólio-elétrico demonstrou contribuição relevante à oferta interna de energia
elétrica de vários países, resultando em complementação e consequente fortalecimento da
matriz energética.

A Região Nordeste do Brasil apresenta o maior potencial para o aproveitamento da


energia eólica, e se comparada às demais regiões, pouca disponibilidade de recursos
potenciais hidrelétricos e diversidade sazonal entre os regimes das fontes energéticas. Em
virtude destas características, a possibilidade de complementaridade das gerações eólica e
hidráulica torna-se relevante. Em estudos realizados pela Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (CHESF) baseados em medições anemométricas referentes a cinco localidades do
litoral do Estado do Ceará durante o período de 1993 a 1995, efetuou-se a simulação da
implantação de empreendimentos eólicos que totalizassem 3.000 MW de capacidade
instalada. Estabeleceu-se que a área destinada à implantação seria de 10% do litoral do
Estado, que os aerogeradores seriam da classe de 500-600 kW, instalados com arranjo de 5x7
diâmetros de espaçamento e que as constantes de eficiência global e de disponibilidade dos
aerogeradores seriam de 90% e 95%, respectivamente. A geração acumulada, que demonstra
forte sazonalidade, constatada para o período de um ano é apresentada na figura 41.
109

Figura 41 – Geração eólica por centrais hipotéticas.


(Fonte: DEWI Magazin, 2001).

As figuras 42 e 43 apresentam o comportamento anual da vazão média natural do


reservatório de Sobradinho, relativo ao período de 1931 a 1992, e o acréscimo hipotético na
vazão do reservatório com a inserção de energia eólica de 14%, 30% e 60% da capacidade
instalada. Os estudos mostram que, para estas inserções, o volume de água economizado seria
de 7,4, 15,5 e 31,0 bilhões de metros cúbicos, respectivamente.

6000
5252
5068
5000 4817

3997
4000
3487
m³/s

3000
2489
1946
2000 1698
1401
1201 1062 1188
1000

0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Figura 42 - Vazão média mensal do reservatório de Sobradinho.


(Fonte: DEWI Magazin, 2001).
110

Figura 43 - Vazão natural equivalente do reservatório de Sobradinho com a inserção da energia eólica.
(Fonte: DEWI Magazin, 2001).

Para o Estado de Goiás, a exploração negligenciada de outras fontes de energia


diversas da fonte hidráulica e a carência de estudos anemométricos referentes à identificação
do potencial eólico do Estado são fatores que contradizem a necessidade de
complementaridade da geração de energia elétrica diante da instabilidade sazonal da oferta. A
fim de mostrar que, assim como as regiões Nordeste e Sudeste do país, o Estado de Goiás
apresenta complementaridade entre os regimes naturais eólico e hidrológico, apresentar-se-á o
fenômeno observado em três localidades do Estado.

Responsáveis por 63,2% da capacidade instalada de usinas hidrelétricas e 57,7% da


capacidade total instalada no Estado de Goiás, incluindo geração oriunda de Centrais
Geradoras Hidrelétricas (CGH), Usinas Hidrelétricas de Energia (UHE), Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCH) e Usinas Termelétricas de Energia (UTE), as Usinas Hidrelétricas de
Itumbiara, São Simão e Serra da Mesa instituem-se como maiores aproveitamentos
hidráulicos do Estado. Em virtude disto, comparar-se-á os regimes eólico, representado por
velocidades médias do vento medidas por estações meteorológicas situadas nos locais das
usinas ou em localidades próximas, e hidrológico, representado por volumes úteis dos
reservatórios e vazões naturais médias mensais3, para o período de 1931 a 2007.

3
Termo adotado pelo setor elétrico para identificar a vazão que ocorreria em uma seção do rio, se não houvesse
as ações antrópicas na sua bacia contribuinte — tais como regularizações de vazões realizadas por reservatórios,
desvios de água, evaporações em reservatórios e usos consuntivos (irrigação, criação animal e abastecimentos
urbano, rural e industrial). A vazão natural é obtida por meio de um processo de reconstituição, que considera a
vazão observada no local e as informações relativas às ações antrópicas na bacia (ONS).
111

3.3.2.3.1 Usina Hidrelétrica de Itumbiara

A Usina Hidrelétrica de Itumbiara, localizada no rio Paranaíba, constitui-se como a


sexta maior usina hidrelétrica do país e como a maior usina do Sistema FURNAS e do Estado
de Goiás. Composta por seis unidades em operação desde 1981, totalizando uma capacidade
instalada de 2.082 MW, a usina compreende a 26,0% da capacidade instalada proveniente de
empreendimentos hidráulicos no Estado (FURNAS).

O reservatório possui um volume total de 17,0 km³, sendo o volume útil de 12,5 km³.
O nível máximo de armazenamento é de 520,00 m, chegando a 521,20 m no período da cheia,
ou maximorum, sendo que, para operação, o nível deve ser de, no mínimo, 495,00 m. Na
estrutura de concreto, a tomada d’água contém seis comportas, apresentando dimensões de
8,83 m de largura e 12,31 m de altura. O vertedouro possui uma vazão máxima de 16.000
m³/s, sendo seis comportas, cujas dimensões apresentam valores de 15,00 m de largura e 9,00
m de altura (FURNAS).

A casa de força da usina, que possui seis unidades de geração, é abrigada,


apresentando dimensões de 25,00 m de largura e 223,00 m de comprimento. A potência
nominal por unidade é de 347 MW, a 60 Hz e tensão nos terminais de 13,8 kV. As turbinas
são do tipo francis de eixo vertical, apresentando diâmetro do rotor de 7,06 m. Os dezenove
transformadores, designados para operação e reserva e cuja relação de transformação é
13,8/525 kV, são monofásicos e possuem capacidade total em operação de 2.399,94 MVA
(FURNAS).

A existência de complementaridade entre os regimes eólico e hidrológico na região é


confirmada na figura 44. A análise fundamenta-se em dados referentes às velocidades médias
do vento, coletadas pela Estação Meteorológica de Itumbiara, que localiza-se no município de
Itumbiara, em Goiás, na bacia do rio Paranaíba, e, geograficamente, na Latitude S 18°25’11‖,
Longitude O 49°13’03‖, à altitude de 449 m, para o período de 14 de julho de 2003 a 31 de
julho de 2009; ao volume útil médio mensal do reservatório da usina, para o período de 2003
a 2009; e às vazões naturais médias mensais, para o período de 1931 a 2007, oferecidos pelo
SIMEHGO e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
112

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Velocidade média do vento Volume útil médio mensal


Vazão natural média mensal
Figura 44 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico.

3.3.2.3.2 Usina Hidrelétrica de São Simão

A Usina Hidrelétrica de São Simão, localizada no rio Paranaíba e composta por seis
unidades em operação desde 1978, compreende a capacidade instalada de 1.710 MW,
correspondendo a 21,3% da capacidade instalada de empreendimentos hidráulicos no Estado.
Em 2008, registrou-se recorde de geração com a produção de 12.598,94 MWh, número que
representa a relevância da usina no cenário energético do país. O seu reservatório possui um
volume útil de 5,54 km³. Conforme a concessão expedida pela ANEEL, o nível máximo
operativo apresentado pela usina é de 401,00 m e o nível mínimo operativo é de 390,50 m,
sendo que constitui terreno desapropriado a faixa compreendida entre estas cotas. A barragem
apresenta comprimento total de 3.600,00 m e altura máxima de 127,00 m (CEMIG, 2009).

A figura 45 apresenta a complementaridade entre os regimes eólico e hidrológico


observada na região analisada. A análise fundamenta-se em dados referentes às velocidades
médias do vento, coletadas pela Estação Meteorológica da Usina Foz do Rio Claro, que
localiza-se no município de São Simão, em Goiás, na bacia do rio Paranaíba, e,
geograficamente, na Latitude S 19°07’20‖, Longitude O 50°38’41‖, à altitude de 367 m, para
o período de 17 de outubro de 2008 a 31 de agosto de 2009; ao volume útil médio mensal do
reservatório, para o período de 2003 a 2009; e às vazões naturais médias mensais, para o
período de 1931 a 2007.
113

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Velocidade média do vento Volume útil médio mensal


Vazão natural média mensal
Figura 45 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico.

3.3.2.3.3 Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa

Localizada na Bacia do Rio Tocantins, a Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa


configura-se como uma unidade geradora de grande importância no panorama energético
brasileiro e como a primeira impressão do capital privado em geração energética. As três
unidades de geração, quando em operação simultânea, produzem 1.275 MW, que
correspondem a mais de 15,9% da geração de energia elétrica total do Estado de Goiás por
usinas hidrelétricas e a 6.300 GW/ano de ganhos energéticos para o sistema interligado. Em
consequência de sua capacidade de geração e localização, a Usina Hidrelétrica de Serra da
Mesa é indispensável ao atendimento do mercado de energia elétrica do Sistema Interligado
Sul/ Sudeste/ Centro-Oeste e responsável pela ligação entre este e o sistema Norte/ Nordeste
(FURNAS).

O reservatório possui um volume total de 54,40 km³, sendo o volume útil de 43,25
km³. O nível máximo de armazenamento é de 460,00 m, chegando a 461,50 m no período da
cheia, ou maximorum, sendo que, para operação, o nível deve ser de, no mínimo, 417,30 m.
Na estrutura de concreto, a tomada d’água apresenta três comportas, cuja altura d’água sobre
a soleira é de 61,18 m, apresentando dimensões de 7,65 m de largura e 9,13 m de altura. O
vertedouro possui uma vazão máxima de 15.000 m³/s, sendo cinco comportas, cujas
dimensões são de 15 m de largura, 20,4 m de altura e 19 m de raio. A casa de força, que
114

possui três unidades de geração, é subterrânea, apresentando dimensões de 29,20 m de


largura, 137,00 m de comprimento e 69,80 m de altura máxima (FURNAS).

A potência nominal é de 1.275 MW, a 60 Hz e tensão de 15 kV. As turbinas são do


tipo francis de eixo vertical, com diâmetros superior e inferior de 5.847,80 mm e 6.460,82
mm, respectivamente. Os dez transformadores, designados para operação e reserva e cuja
relação de transformação é 15/500kV, são monofásicos e possuem capacidade total em
operação de 1.418,40 MVA (FURNAS).

A análise de complementaridade, mostrada na figura 46, entre os regimes eólico e


hidrológico fundamenta-se em dados referentes às velocidades médias do vento, coletadas
pela Estação Meteorológica de Minaçu, que localiza-se no município de Minaçu, em Goiás,
na bacia do rio Tocantins, e, geograficamente, na Latitude S 13°24’00‖ e Longitude O
48°03’00‖, à altitude de 343 m, para o período de 6 de setembro de 2003 a 24 de setembro de
2009; ao volume útil médio mensal do reservatório, para o período de 2003 a 2009; e às
vazões naturais médias mensais, para o período de 1931 a 2007.

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Velocidade média do vento Volume útil médio mensal


Vazão natural média mensal
Figura 46 – Complementaridade entre regimes eólico e hidrológico.
4 ESTUDO DE SENSIBILIDADE DE UM PARQUE EÓLICO

4.1 A CURVA DE PERMANÊNCIA

Para aplicações que envolvem a resolução de problemas de recursos hídricos, a curva


de permanência é um gráfico representativo relativo a uma série histórica e amplamente
utilizado para relacionar a vazão média e a probabilidade de ocorrência de valores de vazões
maiores ou iguais aos apresentados no eixo das ordenadas. Em virtude disto, pode ser
considerada um hidrograma em que as vazões são dispostas em ordem de magnitude,
permitindo a visualização da potencialidade natural do rio e a determinação da vazão mínima
e do grau de permanência de qualquer vazão.

Para fim de geração de energia elétrica, a energia primária de uma usina hidrelétrica
corresponde ao potencial disponível para vazões entre 90% e 100% do tempo. Por outro lado,
para caracterização dos períodos de estiagem, considera-se geralmente a permanência de 95%,
que se institui de mesma forma como estimador de energia firme. Dentre as aplicações da
curva de permanência, destaca-se a avaliação econômica de PCHs, a navegação de rios e as
condições de variabilidade ambiental de um rio.

Fundamentada no princípio descrito de formulação de curvas de permanência e em


dados fornecidos pelo ONS, referentes à vazão natural dos reservatórios das Usinas
Hidrelétricas de Itumbiara, São Simão e Serra da Mesa e determinados para o período de maio
de 1931 a abril de 2005, a figura 47 apresenta as curvas de permanência relativas à geração
média de energia elétrica (MWmédio) em função do valor percentual de frequência de
ocorrência (%).
116

2.500,00

2.000,00
Potência (MWmédio)

1.500,00

1.000,00

500,00

0,00
0 11 23 34 45 56 68 79 90
%

ITUMBIARA SÃO SIMÃO SERRA DA MESA

Figura 47 – Curvas de permanência das Usinas Hidrelétricas de Itumbiara, São Simão e Serra da Mesa.

4.2 O SOFTWARE RETSCREEN

O Centro de Suporte de Decisão de Energia Limpa RETScreen International objetiva


capacitar os empreendedores, os tomadores de decisão e a indústria para a implementação de
projetos de energia renovável e eficiência energética. Amparado por este intuito, desenvolve
ferramentas que possibilitam a redução do custo decorrente dos estudos preliminares de
viabilidade, difunde conhecimento e informações e oferece treinamento e suporte técnico,
melhorando as análises de viabilidade técnica e financeira de projetos.

Disponibilizado aos usuários sem custos, o software RETScreen de análise de


projetos de energia limpa é uma ferramenta designada para suporte à decisão; avaliação da
produção e economia de energia elétrica, dos custos referentes ao tempo de vida útil do
empreendimento e da redução das emissões de gases de efeito estufa; e análise financeira e de
risco para vários tipos de tecnologia eficientes ou renováveis. O software ainda dispõe de um
banco de dados anualmente atualizado, resultado da contribuição de especialistas, empresas e
universidades e que contém informações relativas a produtos, variáveis de custos e dados
meteorológicos oriundos de 1.000 estações de monitoramento terrestres e fornecidos por
satélites da Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (National Aeronautics and
Space Administration – NASA).
117

O software, a fim de elaborar um estudo preliminar de viabilidade de um


empreendimento eólico, requer dados fornecidos pelo próprio empreendedor. Dentre estes,
destacam-se a disponibilidade do recurso energético no local apurado; o desempenho do
equipamento, representado pela curva de potência da turbina eólica; o custo inicial do projeto,
referente a estudos de viabilidade, negociações de desenvolvimento, projeto de engenharia,
equipamentos, instalações e infra-estrutura e demais custos adicionais; os custos regulares e
periódicos do projeto; o preço final da energia gerada pelo empreendimento; os créditos de
carbono do sistema elétrico de referência ou convencional; os créditos ambientais ou
subsídios; os dados do financiamento, como relação e extensão da dívida e a taxa de juros
aplicada; os impostos cobrados sobre equipamentos e receitas; e as definições do tomador de
decisão sobre custo efetivo, como período de retorno, taxa interna de retorno4 (TIR), valor
presente líquido5 (VPL) e custos de produção de energia.

4.3 EXTRAPOLAÇÃO DA VELOCIDADE DO VENTO

Segundo a Nota Técnica PRE 01/2009-r0, resultante de estudos realizados pela EPE
e pelo MME, o valor numérico do potencial eólico brasileiro deve ser consideravelmente
ampliado em virtude do aumento das torres dos aerogeradores e consequente aumento da
velocidade do vento à altura do eixo do rotor da turbina. Um exemplo disto, que não deve ser
generalizado, mas que será utilizado como parâmetro de referência para este estudo, é a
extrapolação do potencial eólico do Rio Grande do Sul de 15,8 GW, a 50 m de altura, para
115,2 GW, a 100 m de altura. Sabe-se que a potência extraída pela turbina eólica, expressa
pela equação 19, corresponde à velocidade do vento por uma relação direta e cúbica. Sendo
assim, o aumento do potencial eólico apresentado pelo Estado de referência implica em
aumento de 93,9% da velocidade do vento a altura de 50 m, considerando que as demais
variáveis permanecem constantes. Nota-se que o coeficiente de Betz deveria ser apreciado,
mas, por falta de dados relativos à velocidade do vento na região de análise, para este estudo,
foi necessário desconsiderá-lo.

Os dados oferecidos pela NASA e pelo software RETScreen apresentam velocidade


média anual do vento de 3,0 m/s, a 10 m de altura, como mostrado na tabela 30, para a cidade
de Morrinhos, em Goiás, apresentada na figura 48, enquanto que o Atlas do Potencial Eólico
Brasileiro (CEPEL, 2001) apresenta o valor de velocidade média anual do vento de,

4
Taxa necessária para igualar o valor de investimento com seus respectivos retornos futuros ou saldos de caixa.
5
Valor, no tempo presente, de qualquer valor futuro ou série de pagamentos ou recebimentos futuros.
118

aproximadamente, 6,5 m/s para uma região compreendida aos limites da cidade, como
mostrado na figura 49. Nota-se que o aumento relativo apresentado pela comparação entre
estes dois valores é de 116,7%. Para este estudo, usar-se-á o fator de multiplicação de 3,25,
considerando, portanto, um aumento de 116,7% da velocidade do vento de 10 m para 50 m de
altura e de apenas 50% da velocidade do vento a 50 m para 100 m de altura.

Tabela 30 - Extrapolação da velocidade do vento (m/s).

RETScreen Atlas do Potencial Eólico Brasileiro Aumento de 50%


Mês
10 m 50 m 100 m
Janeiro 2,96 6,40 9,61
Fevereiro 3,29 7,12 10,68
Março 2,95 6,38 9,57
Abril 2,93 6,34 9,51
Maio 2,93 6,34 9,51
Junho 2,92 6,32 9,48
Julho 2,92 6,32 9,48
Agosto 2,94 6,36 9,54
Setembro 2,99 6,47 9,70
Outubro 3,07 6,64 9,96
Novembro 3,08 6,66 10,00
Dezembro 3,07 6,64 9,96
Média Anual 3,00 6,50 9,75
2,167
1,50
Fator de Multiplicação 3,25

Figura 48 – Localização do município de Morrinhos-GO.


(Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Goias_MesoMicroMunicip.svg).
119

Figura 49 – Potencial Eólico do Estado de Goiás.


(Fonte: CEPEL, 2001).

4.4 TURBINA EÓLICA

Um banco de dados de produtos relativo a fabricantes e modelos variados é


disponibilizado pelo software RETScreen. O modelo selecionado, E-70/2.300 kW, é da
fabricante ENERCON e comercializado, no Brasil, pela empresa Wobben Windpower,
subsidiária da primeira. A escolha do aerogerador fundamenta-se na presença, no Brasil, de
fábricas de turbinas eólicas da empresa ENERCON, que atendem aos índices de
nacionalização acima de 60%; na disponibilidade para o mercado brasileiro de somente três
modelos, E-44/900 kW, E-48/800 kW e E-70/2.300 kW, segundo o Departamento de Vendas
da empresa (Wobben Wind Power, 2009); e na utilização deste modelo específico nos
Parques Eólicos de Osório, referência nacional no setor de energia eólica.

Os dados da turbina eólica são apresentados na tabela 31 e no ANEXO C. A tabela


32 mostra os dados da curva de potência do equipamento, em kW, e os dados da curva de
energia, em MWh, relativos às respectivas velocidades do vento.
120

Tabela 31 – Dados da turbina eólica.

Capacidade de potência por turbina kW 2.000,0


Fabricante Enercon
Modelo ENERCON - 70 - 113m
Altura do centro m 113,0 (9,8 m/s)
Diâmetro do rotor por turbina m 71
Área de varredura por turbina m² 3.959
Dado da curva de energia Padrão
Fator de forma k 2,0
Fonte: RETScreen.

Tabela 32 – Dados da curva de potência e da curva de energia.

Velocidade do Vento Curva de potência Curva de energia


m/s kW MWh
0 0,0
1 0,0
2 2,0
3 18,0 442,1
4 56,0 1.176,8
5 127,0 2.335,1
6 240,0 3.788,4
7 400,0 5.341,1
8 626,0 6.840,3
9 892,0 8.202,6
10 1.223,0 9.392,9
11 1.590,0 10.399,2
12 1.830,0 11.218,0
13 1.950,0 11.851,1
14 2.050,0 12.305,5
15 2.050,0 12.594,3
16 2.050,0
17 2.050,0
18 2.050,0
19 2.050,0
20 2.050,0
21 2.050,0
22 2.050,0
23 2.050,0
24 2.050,0
25 - 30 2.050,0
Fonte: RETScreen.

A partir dos dados da tabela 32, pode, por meio de interpolação polinomial, como
mostrado na figura 50, se encontrar o valor da potência gerada para os valores médios
mensais da velocidade determinados. O polinômio de sétimo grau resultante da interpolação é
121

expresso pela equação 24, onde P é a potência gerada, em kW, e u a velocidade do vento, em
m/s. A tabela 33 apresenta os valores da potência para cada valor de velocidade.

P = 0,000686 ∗ u7 − 0,0306 ∗ u6 + 0,506 ∗ u5 − 3,97 ∗ u4 + 17 ∗ u3 − 30,1 ∗ u2 + 16,8 ∗ u + 0,16 (24)

2500
y = 0.000686*x7 - 0.0306*x6 + 0.506*x5 - 3.97*x4 + 17*x3 - 30.1*x2 + 16.8*x + 0.16

2000

1500

1000

500
Curva de potência
Polinômio de sétimo grau
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Figura 50 – Gráfico da curva de potência da turbina eólica e interpolação polinomial da curva (MATLAB).

Tabela 33 – Potência gerada pela turbina eólica selecionada.

Mês Velocidade do vento a 100 m Potência


m/s kW
Janeiro 9,61 1.171,72
Fevereiro 10,68 1.574,91
Março 9,57 1.159,84
Abril 9,51 1.136,18
Maio 9,51 1.136,18
Junho 9,48 1.124,42
Julho 9,48 1.124,42
Agosto 9,54 1.147,99
Setembro 9,70 1.207,58
Outubro 9,96 1.304,48
Novembro 10,00 1.316,70
Dezembro 9,96 1.304,48

4.5 COMPLEMENTARIDADE EÓLIO-HIDROLÓGICA

Para uma análise inicial, considerar-se-á, no período de estiagem, caracterizado pela


permanência de 95%, complementaridade por energia eólica de 5%, 3%, 2% e 1%. A tabela
34 apresenta a potência, em MWmédio, necessária para complementar cada intervalo
percentual, de 0,11%, para cada usina hidrelétrica e percentual de complementaridade. Os
valores apresentados ao final dessa tabela indicam a potência total, em MWmédio, requisitada
para complementar os percentuais sugeridos, de 5%, 3%, 2% e 1%, para cada central.
122

Tabela 34 – Complementaridade de 5%, 3%, 2% e 1% (MWmédio).

Complementaridade de 5% Complementaridade de 3% Complementaridade de 2% Complementaridade de 1%


% São Serra da São Serra da São Serra da São Serra da
Itumbiara Itumbiara Itumbiara Itumbiara
Simão Mesa Simão Mesa Simão Mesa Simão Mesa
95,05 0,16 0,01 0,14
95,16 0,39 0,14 0,33
95,27 0,54 0,47 0,40
95,38 0,86 0,75 0,43
95,50 1,17 1,02 0,44
95,61 1,29 2,05 0,51
95,72 1,67 3,72 0,60
95,83 2,42 4,67 0,81
95,95 2,94 5,14 1,00
96,06 3,12 6,26 1,10
96,17 3,66 7,29 1,36
96,28 4,30 7,74 1,52
96,40 5,04 8,14 1,56
96,51 6,21 8,39 1,60
96,62 7,11 9,48 1,63
96,73 7,64 10,78 1,66
96,85 8,64 11,03 1,70
96,96 9,93 11,09 1,74
97,07 10,51 11,36 1,78 0,03 0,25 0,01
97,18 10,57 11,65 1,80 0,10 0,54 0,02
97,30 10,66 12,11 1,86 0,19 1,00 0,09
97,41 10,87 12,58 2,06 0,40 1,47 0,29
97,52 11,72 13,86 2,26 1,25 2,75 0,48
97,64 12,44 15,35 2,40 1,97 4,24 0,62
97,75 12,87 16,11 3,02 2,40 4,99 1,24
97,86 13,32 16,94 4,32 2,85 5,83 2,54
97,97 13,77 17,56 5,42 3,30 6,44 3,65
98,09 14,62 18,22 6,33 4,15 7,11 4,55 0,43 0,41 0,58
98,20 15,06 18,68 7,93 4,59 7,57 6,15 0,86 0,87 2,17
98,31 15,18 18,82 8,96 4,71 7,71 7,18 0,99 1,01 3,21
98,42 15,29 19,42 8,97 4,82 8,31 7,20 1,10 1,61 3,22
98,54 15,31 20,00 9,05 4,84 8,89 7,28 1,11 2,19 3,30
98,65 15,49 20,67 9,17 5,02 9,56 7,39 1,30 2,86 3,42
98,76 15,69 22,15 9,22 5,22 11,04 7,45 1,50 4,34 3,47
98,87 15,75 23,05 9,32 5,27 11,94 7,54 1,55 5,24 3,56
98,99 15,78 24,84 9,43 5,31 13,73 7,65 1,59 7,03 3,67
99,10 15,82 26,94 9,64 5,35 15,83 7,86 1,62 9,13 3,88 0,01 0,34 0,18
99,21 15,91 27,37 9,94 5,44 16,26 8,16 1,72 9,56 4,19 0,10 0,77 0,48
99,32 16,13 28,01 10,21 5,66 16,90 8,43 1,93 10,20 4,46 0,32 1,41 0,75
99,44 16,32 29,98 10,55 5,85 18,87 8,77 2,13 12,17 4,80 0,52 3,38 1,09
99,55 16,41 31,50 10,77 5,94 20,39 8,99 2,22 13,68 5,02 0,61 4,90 1,31
99,66 16,54 31,86 11,07 6,07 20,75 9,29 2,34 14,04 5,31 0,73 5,26 1,61
99,77 16,67 34,47 14,77 6,20 23,36 13,00 2,48 16,66 9,02 0,87 7,87 5,31
99,89 16,86 38,66 18,42 6,39 27,55 16,64 2,66 20,85 12,66 1,05 12,06 8,95
100,00 17,01 41,20 25,11 6,54 30,09 23,34 2,82 23,39 19,36 1,20 14,60 15,65
459,68 701,57 242,32 109,86 303,37 175,81 30,35 155,22 95,31 5,42 50,58 35,33
123

A fim de determinar o número de turbinas eólicas necessárias para a


complementaridade, os valores das potências totais devem ser divididos pela potência mínima
gerada por turbinas eólicas submetidas às condições de vento específicas a este estudo.
Considerando os valores de potência gerada para cada velocidade média mensal fornecida,
nota-se que a pior ocorrência dá-se nos meses de junho e julho, apresentando geração de
1.124,42 MW. Assim, variando a velocidade média anual do vento em -10%, -5%, +5% e
+10% e aplicando a equação polinomial de sétimo grau encontrada anteriormente para
determinar a potência mínima gerada (kW) pelo modelo de turbina selecionado, o número de
aerogeradores necessários é apresentado pela tabela 35.

Tabela 35 – Número de aerogeradores necessários para complementaridade.

Potência Número de Turbinas Eólicas


Velocidade
mínima
Variação média 5% 3% 2% 1%
gerada
anual (m/s)
(kW) (1) (2) (3) (1) (2) (3) (1) (2) (3) (1) (2) (3)
-10% 8,78 803,62 572 873 302 137 378 219 38 193 119 7 63 44
-5% 9,26 957,92 480 732 253 115 317 184 32 162 99 6 53 37
0% 9,75 1.125,42 408 623 215 98 270 156 27 138 85 5 45 31
+5% 10,24 1.299,60 354 540 186 85 233 135 23 119 73 4 39 27
+10% 10,73 1.479,05 311 474 164 74 205 119 21 105 64 4 34 24
(1) Itumbiara
(2) São Simão
(3) Serra da Mesa

Nota-se, primeiramente, que variações da velocidade do vento inplicam em variação


do número de turbinas requisitadas e, portanto, dos custos do empreendimento. Esta
observação ressalta a relevância do estudo de viabilidade de um empreendimento eólico,
sendo que às medições anemométricas deve se dar atenção especial. Considerando apenas os
valores para a velocidade média anual de 9,75 m/s, nota-se que, para valores de
complementaridade de 5% e 3%, o número de turbinas eólicas é muito expressivo. Isto
ocasiona a necessidade de grandes áreas que condigam com as especificidades de um parque
eólico e o consequente aumento dos custos de instalação, operação e manutenção, relativos,
por exemplo, ao arrendamento do uso do terreno.

A partir de análise dos dados da tabela 35, determinou-se que o presente estudo
objetivará propor a complementaridade de 2% da geração da Usina Hidrelétrica de Itumbiara,
compreendendo um acréscimo de 60 MW ao sistema interligado nacional de energia elétrica,
com a implementação de trinta turbinas eólicas em região compreendida pelo município de
Morrinhos, em Goiás. A figura 51 mostra a curva de permanência da geração da Usina
124

Hidrelétrica de Itumbiara após a complementaridade. Nota-se que, graficamente, a


complementação da geração da usina pode parecer inexpressiva, mas se for considerado que a
potência a 100% do tempo passará de 181,09 MWmédio para 198,67 MWmédio após a
complementação, compreende a um aumento de 9,71% da geração a 100% do tempo, que é
um valor considerável.

2.500,00

2.000,00
Potência (MWmédio)

1.500,00

1.000,00

500,00

0,00
0 6 11 17 23 28 34 40 45 51 56 62 68 73 79 85 90 96
%

Complementaridade ITUMBIARA

Figura 51 – Curva de permanência da Usina Hidrelétrica de Itumbiara após complementaridade.

4.6 ANÁLISE UTILIZANDO O SOFTWARE RETSCREEN

4.6.1 Planilha Iniciar

A tabela 36, adaptada do software RETScreen, apresenta os dados fornecidos


inicialmente e os dados climáticos referentes ao município determinado para estudo. O
método de análise será o método 2, que, além das análises de emissões e financeira, presentes,
de mesma forma, no método 1, corrobora com as análises de custos e risco, incluindo análise
de sensibilidade.
125

Tabela 36 – Planilha Iniciar e dados climáticos referentes à Morrinhos-GO.

Informações sobre o projeto


Nome do Projeto Parque Eólico de Morrinhos
Localização do Projeto Morrinhos-GO
Preparado para Projeto Final em Engenharia Elétrica
Preparado por Fernanda Valoes das Neves/ Thiago de Lima Muniz
Tipo de projeto Produção de eletricidade
Tecnologia Turbina eólica
Tipo de grid Rede Central
Tipo de análise Método 2
Poder calorífico de referência Poder calorífico superior (PCS)
Idioma Portuguese - Português
Manual do usuário English - Anglais
Moeda Rs
Unidades Unidades métricas
Condições de Referência do site
Localização dos dados climáticos Morrinhos
Localização

Localização
do Projeto
climáticos
dos dados
Unidade

Latitude ˚N -17,7 -17,7


Longitude ˚E -49,1 -49,1
Elevação m 682 682
Temperatura para projeto de aquecimento °C 16,4
Temperatura para projeto de refrigeração °C 32,5
Amplitude da Temperatura do Solo °C 14,2
Temperatura

Temperatura

Refrigeração
solar diária -

aquecimento
Atmosférica

Velocidade

graus-dias
horizontal

Graus-dia
mensal p/
Radiação
Umidade

do Vento
relativa

Pressão

do Solo
do Ar

Mês

°C % kWh/m²/d kPa m/s °C °C-d °C-d


Janeiro 24,1 74,0% 5,50 93,5 3,0 24,9 0 436
Fevereiro 24,2 71,3% 5,68 93,6 3,3 25,2 0 398
Março 24,0 72,3% 5,26 93,6 3,0 24,8 0 433
Abril 24,0 64,2% 5,34 93,7 2,9 24,7 0 419
Maio 22,9 54,2% 4,88 93,8 2,9 23,8 0 400
Junho 22,2 44,5% 4,74 94,0 2,9 23,3 0 366
Julho 23,0 39,7% 4,96 94,0 2,9 24,9 0 404
Agosto 25,2 37,5% 5,52 93,9 2,9 28,0 0 471
Setembro 27,1 42,0% 5,63 93,6 3,0 30,1 0 514
Outubro 26,1 57,7% 5,67 93,5 3,1 28,5 0 499
Novembro 24,4 71,2% 5,48 93,5 3,1 25,8 0 432
Dezembro 24,1 74,5% 5,31 93,5 3,1 25,1 0 437
Anual 24,3 58,5% 5,33 93,7 3,0 25,7 0 5.209
Medido a m 10,0 0,0
Fonte: RETScreen.
126

4.6.2 Planilha de Modelo Energético

Na planilha de Modelo Energético, o software RETScreen oferece três métodos de


avaliação para o modelo energético definido. O método 3 possibilita a variação da velocidade
do vento e a consequente variação da energia elétrica gerada e exportada para a rede central
decorrente do tipo de turbina eólica e sua curva de potência, das perdas relativas ao painel e
ao aerofólio, de perdas diversas e da disponibilidade de vento.

Definido que a turbina eólica será da fabricante ENERCON, modelo E-70, potência
nominal de 2.000 kW e altura da torre de 113 m; que o parque eólico será composto por 30
turbinas, como já citado; e que o fator de utilização será resultante da determinação de 5%
para perdas e de 70% para disponibilidade, a energia elétrica exportada para a rede será como
apresentado pelas tabelas 37, 38, 39, 40 e 41, adaptadas do software RETScreen, em que os
valores de velocidade do vento mensais foram variados conforme apresentado na tabela 35.

Tabela 37 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 8,78 m/s.

Velocidade do Vento Morrinhos Preço eletricidade exportada Eletricidade exportada para rede
Mês
m/s m/s Rs/MWh MWh
Janeiro 8,7 3,0 189,0 12.098
Fevereiro 9,6 3,3 189,0 12.636
Março 8,6 3,0 189,0 12.049
Abril 8,6 2,9 189,0 11.550
Maio 8,6 2,9 189,0 11.997
Junho 8,5 2,9 189,0 11.599
Julho 8,5 2,9 189,0 11.955
Agosto 8,6 2,9 189,0 11.977
Setembro 8,7 3,0 189,0 11.785
Outubro 9,0 3,1 189,0 12.697
Novembro 9,0 3,1 189,0 12.410
Dezembro 9,0 3,1 189,0 12.776
Anual 8,8 3,0 189,0 145.528
Medido a m 100,0 10,0
Fonte: RETScreen.
127

Tabela 38 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 9,26 m/s.

Velocidade do Vento Morrinhos Preço eletricidade exportada Eletricidade exportada para rede
Mês
m/s m/s Rs/MWh MWh
Janeiro 9,1 3,0 189,0 13.086
Fevereiro 10,2 3,3 189,0 13.494
Março 9,1 3,0 189,0 13.042
Abril 9,0 2,9 189,0 12.521
Maio 9,0 2,9 189,0 13.006
Junho 9,0 2,9 189,0 12.585
Julho 9,0 2,9 189,0 12.971
Agosto 9,1 2,9 189,0 12.974
Setembro 9,2 3,0 189,0 12.718
Outubro 9,5 3,1 189,0 13.625
Novembro 9,5 3,1 189,0 13.310
Dezembro 9,5 3,1 189,0 13.710
Anual 9,3 3,0 189,0 157.040
Medido a m 100,0 10,0
Fonte: RETScreen.

Tabela 39 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 9,75 m/s.

Velocidade do Vento Morrinhos Preço eletricidade exportada Eletricidade exportada para rede
Mês
m/s m/s Rs/MWh MWh
Janeiro 9,6 3,0 189,0 13.981
Fevereiro 10,7 3,3 189,0 14.254
Março 9,6 3,0 189,0 13.935
Abril 9,5 2,9 189,0 13.380
Maio 9,5 2,9 189,0 13.898
Junho 9,5 2,9 189,0 13.449
Julho 9,5 2,9 189,0 13.862
Agosto 9,6 2,9 189,0 13.864
Setembro 9,7 3,0 189,0 13.586
Outubro 10,0 3,1 189,0 14.547
Novembro 10,0 3,1 189,0 14.207
Dezembro 10,0 3,1 189,0 14.638
Anual 9,8 3,0 189,0 167.601
Medido a m 100,0 10,0
Fonte: RETScreen.
128

Tabela 40 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 10,24 m/s.

Velocidade do Vento Morrinhos Preço eletricidade exportada Eletricidade exportada para rede
Mês
m/s m/s Rs/MWh MWh
Janeiro 10,1 3,0 189,0 14.847
Fevereiro 11,2 3,3 189,0 14.953
Março 10,1 3,0 189,0 14.809
Abril 10,0 2,9 189,0 14.240
Maio 10,0 2,9 189,0 14.791
Junho 10,0 2,9 189,0 14.314
Julho 10,0 2,9 189,0 14.753
Agosto 10,0 2,9 189,0 14.744
Setembro 10,2 3,0 189,0 14.397
Outubro 10,5 3,1 189,0 15.333
Novembro 10,5 3,1 189,0 14.968
Dezembro 10,5 3,1 189,0 15.429
Anual 10,2 3,0 189,0 177.578
Medido a m 100,0 10,0
Fonte: RETScreen.

Tabela 41 – Avaliação dos recursos para velocidade média de 10,73 m/s.

Velocidade do Vento Morrinhos Preço eletricidade exportada Eletricidade exportada para rede
Mês
m/s m/s Rs/MWh MWh
Janeiro 10,6 3,0 189,0 15.604
Fevereiro 11,8 3,3 189,0 15.572
Março 10,5 3,0 189,0 15.564
Abril 10,5 2,9 189,0 14.966
Maio 10,5 2,9 189,0 15.546
Junho 10,4 2,9 189,0 15.055
Julho 10,4 2,9 189,0 15.517
Agosto 10,5 2,9 189,0 15.496
Setembro 10,7 3,0 189,0 15.131
Outubro 11,0 3,1 189,0 16.113
Novembro 11,0 3,1 189,0 15.726
Dezembro 11,0 3,1 189,0 16.213
Anual 10,7 3,0 189,0 186.503
Medido a m 100,0 10,0
Fonte: RETScreen.

O preço da eletricidade exportada foi fixado em 189,00 R$/MWh, preço teto inicial
para submissão de lance segundo Edital do Leilão de Contratação de Energia de Reserva
publicado pela ANEEL e aprovado em reunião pública em 10 de novembro de 2009, e os
valores de perdas e disponibilidade foram sugeridos de forma a garantir que o fator de
utilização fosse semelhante ao apresentado pelos Parques Eólicos de Osório, de 30%. A
síntese dos dados é mostrada na tabela 42. A partir destes, pode se observar que a variação do
129

valor de eletricidade exportada para a rede diverge da variação da velocidade do vento, não
constituindo, portanto, relação linear. Além disto, infere-se que o sistema é mais sensível às
variações negativas, se comparado a um mesmo valor de variação, mas positiva, como
mostrado. Nota-se que as variáveis fator de utilização, produção de energia bruta por turbina e
rendimento específico por turbina apresentam, de mesma forma, as variações sofridas pelo
valor de eletricidade exportada.

Tabela 42 – Resumo dos dados da Planilha de Modelo Energético.

Produção de Rendimento
Velocidade média Eletricidade Coeficiente de
Fator de Energia Bruta Específico por
anual Exportada para a rede Perdas por
Utilização por Turbina Turbina
Turbina
m/s Variação MWh Variação MWh kWh/m²
8,78 -10% 145.528 -13,17% 27,7% 4.851 0,69 840
9,26 -5% 157.040 -6,30% 29,9% 5.235 0,69 907
9,75 0% 167.601 0,00% 31,9% 5.587 0,69 968
10,24 5% 177.578 5,95% 33,8% 5.919 0,69 1.025
10,73 10% 186.503 11,28% 35,5% 6.217 0,69 1.077

4.6.3 Planilha de Análise de Custos

4.6.3.1 Custos Iniciais

As características intrínsecas a cada empreendimento eólico definem a distribuição


dos custos dos mesmos, sendo que, portanto, cada projeto deve ser averiguado como um
estudo de caso particular. Nota-se que as etapas dos cometimentos apresentam uma faixa
percentual de participação bem definida no custo total de projeto e que a dimensão do parque
eólico exerce forte influência sobre a participação de cada etapa na distribuição dos custos.
Parques eólicos são considerados de pequeno porte se apresentarem de duas a cinco turbinas.
A partir destes valores, descreve-se o parque eólico como sendo de médio/grande porte (Dutra
& Tolmasquim, 2003). Os custos iniciais de projetos em energia eólica são distribuídos
conforme a figura 52, em que cada etapa corrobora com os percentuais apresentados na tabela
43.
130

Estudo de Viabilidade Negociações de


Desenvolvimento Projeto de Engenharia

• Investigação de locais
• Power Purchase • Estudo de micro-siting
• Avaliação do potencial Agreement
eólico • Projeto mecânico
• Permissões e aprovações
• Avaliação ambiental • Projeto elétrico
• Direito ao uso da terra
• Projetos preliminares • Projeto de obras civis
• Projeto de
• Detalhamento dos custos financiamento • Orçamentos e contratos
• Relatórios • Suporte legal e contábil • Supervisão de
• Projeto gerencial • Viagens
construção
• Viagens • Outros
• Outros
• Outros

Custo de Equipamentos Instalações e Infra-estrutura Diversos

• Fundações
• Turbinas eólicas • Instalação
• Reservas de custo • Construção de vias • Treinamento
• Transporte • Construção de linhas de • Contingências
• Outros transmissão • Outros
• Outros

Figura 52 – Distribuição dos custos iniciais de um projeto eólico.


(Fonte: Dutra & Tolmasquim, 2003).

Tabela 43 – Custos iniciais de projetos em energia eólica.

Categoria de custos iniciais do Fazenda eólica de médio/grande porte Fazenda eólica de pequeno porte
projeto (%) (%)
Estudo de viabilidade <2 1-7
Negociações de desenvolvimento 1-8 4 - 10
Projeto de engenharia 1-8 1-5
Custo de equipamentos 67 - 80 47 - 71
Instalações e infra-estrutura 17 - 26 13 - 22
Diversos 1-4 2 - 15
Fonte: RETSCREEN, 2000 apud Dutra & Tolmasquim (2003).

Dutra & Tolmasquim (2003) abordam os custos iniciais de um projeto eólico


considerando os custos das turbinas, que representa o maior percentual de participação e,
logo, a contribuição mais significativa nas despesas do empreendimento; os custos referentes
a importação de equipamentos, como custos de frete e seguro e impostos devidos à transação
comercial; e despesas adicionais iniciais de projeto, como o levantamento do potencial eólico,
a instalação e a infra-estrutura. A tabela 44 apresenta os resultados obtidos relativos aos
custos de turbinas eólicas praticados na Alemanha no final de dezembro de 1999, sendo que
os valores de conversão para as moedas Dólar comercial e Real foram atualizados e
131

conferidos em 20 de novembro de 2009. Considerou-se, então, Imposto de Importação (II) de


3% sobre o custo CIF6 e Imposto sobre Produtos Importados (IPI) de 5% sobre o custo CIF.
Utilizou-se o valor máximo previsto de 18% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS), decorrente da incidência de IPI sobre o equipamento. Nota-se que esses
resultados podem sofrer variações em relação às atuais condições de custos de projeto.

Tabela 44 – Estimativa de custo de turbinas eólicas.

Custo de turbinas eólicas


Potência Nominal (kW) R$/kW
10³ DM 10³ €¹ 10³ US$² 10³ R$³
200 418 214 316,9 550,5 2.753
250 430 220 326,0 566,3 2.265
300 595 304 451,2 783,7 2.612
500 848 434 643,0 1.116,9 2.234
750 1.178 602 893,2 1.551,5 2.069
660 1.140 583 864,4 1.501,5 2.275
1.300 2.110 1.079 1.599,9 2.779,0 2.138
1.500 3.005 1.536 2.278,5 3.957,8 2.639
1.500 2.850 1.457 2.161,0 3.753,7 2.502
¹ DM: Marco Alemão (Deutsche Mark). DM$1,95583 = €1,00 (como determinado em 31/12/1998).
² € 1,00 = US$ 1,483 (20/11/2009).
³ US$ 1,00 = R$ 1,737 (20/11/2009).

Utilizando-se os dados da tabela e por interpolação polinomial, pode se encontrar um


valor para o custo de uma turbina eólica cuja potência nominal é 2.000 kW. Com base nos
dados de custos reais referentes à tabela 44, encontra-se uma função polinomial, cuja
expressão é dada pela equação 25, que descreve o comportamento do custo em função da
potência nominal da turbina. Conclui-se que, para uma turbina eólica de 2.000 kW, o custo
apresentado por cada unidade de potência instalada é de R$ 3.560,00.

2
Cturbina = 0,00118 ∗ Pnominal − 2,08 ∗ Pnominal + 3.000 (25)

O valor apresentado não está em total discordância com dados reais e atuais. O custo
referente aos Parques Eólicos de Osório, cujos dados técnicos são mostrados na tabela 45, é
de 3.573,33 R$/kW se considerado percentual de participação dos custos com equipamentos
de 80%, configurado como pior caso para esta análise. Baseando-se nos valores apresentados,
considerar-se-á o custo referente a equipamentos de 3.573,33 R$/kW. Assim sendo, o custo
total relativo ao sistema de produção de eletricidade e às turbinas eólicas será de R$

6
Custo CIF corresponde à totalidade dos custos da turbina eólica no país de origem e dos custos de seguro
(Dutra & Tolmasquim, 2003).
132

214.399.800,00. O custo referente aos equipamentos, conforme apresentado na tabela 43, para
fazendas eólicas de médio/grande porte, como é o caso do estudo proposto de implantação de
trinta turbinas eólicas, varia de 67% a 80% do custo inicial total do empreendimento. Sendo
assim, considerar-se-á três cenários, apreciando custos adicionais iniciais de 20%, 27% e
33%, mostrados na tabela 46.

Tabela 45 – Dados técnicos dos Parques Eólicos de Osório.

Localização
Localização: Osório, RS (Brasil)
Altitude Média: 20 m.s.n.m
Aerogeradores
Tecnologia: E-70 E4
Altura do rotor: 100 m
Velocidade do rotor: 10-22 r.p.m.
Diâmetro do rotor: 70 m
Peso total do aerogerador: 915 Ton
Área de varredura: 3.960 m²
Potência nominal: 2 MW
Número de máquinas: 75
Potência Total
Parque Eólico Sangradouro: 50 MW
Parque Eólico Osório: 50 MW
Parque Eólico dos Índios: 50 MW
Produção Estimada 425 GW/ano
Emissões e consumos anuais evitados
Toneladas de petróleo (EPT): 36.550 Ton
Volume de Gás Natural: 41.252.889 m³
CO2 (efeito inverno): 148.325 Ton
Contaminantes (Sox, Nox, poeira e cinzas): 28.325 Ton
Inversão Total 670 Milhões
Fonte: Ventos do Sul.

Tabela 46 - Custos adicionais e total de custos de investimento.

Cenário Percentual Custos Adicionais Total de Custos de Investimento


1 20% R$ 53.599.950,00 R$ 267.999.750,00
2 27% R$ 79.298.556,00 R$ 293.698.356,00
3 33% R$ 105.599.901,00 R$ 319.999.701,00

4.6.3.2 Custo Anual

Segundo Dutra & Tolmasquim (2003), os custos anuais referentes à operação e


manutenção de um parque eólico, listados na figura 53, aglomeram, entre outros, despesas
com equipamentos, para reposição e prevenção, e com arrendamento do uso do terreno,
133

seguros e profissionais. Estes custos, que podem ser fornecidos pelos fabricantes de turbinas
eólicas, representam a maior parte dos custos despendidos anualmente para manutenção da
central eólica. A previsão para esses valores é feita para o período de vida útil do
equipamento, sendo este de 20 anos.

Custos em O&M

•Manutenção preventiva nos


equipamentos
•Manutenção nas linhas de transmissão
•Custos de uso da terra
•Custos gerais e administrativos
•Contingências

Figura 53 – Custo anual em operação e manutenção de projetos em energia eólica.


(Fonte: Dutra & Tolmasquim, 2003).

Segundo dados apresentados por Tolmasquim (2004) e reproduzidos no PNE 2030,


como mostrado na tabela 47, os custos anuais fixos (US$/kW) de operação e manutenção
podem ser descritos como uma função linear, expressa pela equação 26, em que são dados em
função do custo de instalação (US$/kW). A partir dessa equação, infere-se que os custos
anuais fixos de O&M requeridos por um empreendimento eólico cujo custo de instalação foi
de 2.057,18 US$/kW (3.573,33 R$/kW) são de 64,93 US$/kW (112,79 R$/kW), sendo,
portanto, US$3.895.800,00 (R$6.767.331,84).

Tabela 47 – Sumário dos custos referentes da energia eólica na Europa.

Categoria do Projeto
Parâmetros de Custo Unidade
Barato Médio Caro
Custo de instalação* US$/kW 800 950 1.130
Período de construção meses 6 6 6
Amortização anos 20 20 20
Custos anuais de O&M
Fixos US$/kW 13,50 20,00 27,00
Variáveis US$/MWh 2,00 3,00 4,00
* Considerando ventos de 7 m/s na altura do rotor.
Fonte: Tolmasquim (2004), apud PNE 2030.

Canuais fixos = 0,0408 ∗ Cinstalação − 19 (26)

Com relação aos custos anuais variáveis de O&M, a equação 27 apresenta a função
linear que os representa. Considerando as gerações anuais referentes às variações de
134

velocidade do vento, como mostrado anteriormente, os custos anuais variáveis serão como
mostrados na tabela 48. Os custos anuais de O&M correspondem aos valores da tabela 49.

Canuais variáveis = 0,00604 ∗ Panual − 2,8 (27)

Tabela 48 – Custos anuais variáveis (R$) de O&M.

Velocidade média anual Eletricidade Exportada para a rede Custo de Instalação Custos anuais variáveis
m/s MWh R$/MWh R$/MWh R$
8,78 145.528 3573,33 16,72 2.433.128,21
9,26 157.040 3573,33 16,72 2.625.600,94
9,75 167.601 3573,33 16,72 2.802.173,61
10,24 177.578 3573,33 16,72 2.968.982,20
10,73 186.503 3573,33 16,72 3.118.202,07

Tabela 49 – Custos anuais (R$) de O&M.

Velocidade média anual Custos anuais fixos Custos anuais variáveis Custos anuais
m/s R$ R$ R$ Variação
8,78 6.767.331,84 2.433.128,21 9.200.460,05 -3,86%
9,26 6.767.331,84 2.625.600,94 9.392.932,78 -1,85%
9,75 6.767.331,84 2.802.173,61 9.569.505,45 0,00%
10,24 6.767.331,84 2.968.982,20 9.736.314,04 1,74%
10,73 6.767.331,84 3.118.202,07 9.885.533,91 3,30%

Nota-se que os custos anuais apresentam menor variação se comparados aos valores
de geração de energia elétrica. Isto dá-se pois os custos anuais fixos, que representam a maior
parcela dos custos anuais, não dependem de valores de geração, mas da capacidade instalada
do parque eólico, de 60.000 kW neste estudo.

4.6.4 Planilha de Análise de Emissões

No que se refere à avaliação financeira de um empreendimento eólico, a Planilha de


Análise de Emissões dispõe a redução das emissões de gases de efeito estufa e a consequente
receita com a venda das RCEs no Mercado de Carbono. Validada por um grupo de
especialistas do Governo e da Indústria, a metodologia padronizada foi desenvolvida pelo
Departamento de Recursos Naturais do Canadá (Natural Resourses Canada – NRCan) com a
colaboração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (United Nations
Environment Programme – UNEP), do Centro UNEP Riso de Energia, Clima e
Desenvolvimento Sustentável (UNEP Riso Centre on Energy Climate and Sustainable
Development – URC) e do Fundo Protótipo de Carbono (Prototype Carbon Fund – PCF) do
Banco Mundial.
135

O software RETScreen calcula a redução anual de emissão de gases de efeito estufa


para um projeto de energia limpa comparado a um sistema de caso de base. O Sistema
Elétrico de Referência para a análise é o sistema brasileiro relativo a todos os tipos de
combustíveis, incluindo gás natural, carvão e óleo vegetal. Para este estudo, em que o tipo de
análise empregada será o padrão, referente ao método 1, utilizar-se-á os valores padrões da
indústria e do IPCC para fatores de equivalência de dióxido de carbono (CO2) para gás
metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Para esta análise, os parâmetros necessários são fator de
emissão de gases de efeito estufa do SIN, desconsiderando as perdas relativas à transmissão e
distribuição da energia elétrica gerada e o percentual de perdas na transmissão e distribuição.
A tabela 50 apresenta o fator de emissão médio (tCO2/MWh) mensal do SIN correspondente
aos anos de 2006 a 2009, até o mês de setembro, segundo dados fornecidos pelo MCT (2009).
O valor médio apresentado nos últimos quatro anos é, portanto, de 0,0341 tCO2/MWh.

Tabela 50 – Fator de emissão médio (tCO2/MWh) mensal e anual.

Ano
Mês
2006 2007 2008 2009
Janeiro 0,0322 0,0229 0,0584 0,0281
Fevereiro 0,0346 0,0195 0,0668 0,0237
Março 0,0337 0,0195 0,0599 0,0247
Abril 0,0275 0,0197 0,0453 0,0245
Maio 0,0317 0,0161 0,0459 0,0405
Junho 0,0306 0,0256 0,0521 0,0369
Julho 0,0351 0,0310 0,0437 0,0241
Agosto 0,0336 0,0324 0,0425 0,0199
Setembro 0,0383 0,0355 0,0411 0,0162
Outubro 0,0360 0,0377 0,0438
Novembro 0,0265 0,0406 0,0334
Dezembro 0,0280 0,0496 0,0477
Média Anual 0,0323 0,0292 0,0484 0,0265
Fonte: MCT, 2009.

De acordo com documento emitido pela ANEEL, as perdas elétricas são descritas
como apresentado na tabela 51. Nota-se que essas representam 21,75% da energia total
injetada na rede do SIN, sendo que 6,34% correspondem a perdas técnicas, referentes às
características físicas e de geração e transporte de energia elétrica pelas redes de transmissão e
distribuição envolvidas; e 15,41% a perdas não-técnicas, também denominadas comerciais,
associadas a erros de medição e leitura e fraudes e furtos relativos à gestão comercial.
136

Tabela 51 – Resumo global das perdas elétricas.

Descrição Montantes de Energia % Sobre Energia Injetada


MWh/ano
Energia Total Injetada 33.129.120,00 100,0000%
Energia Total Mercado 25.923.421,14 78,2497%
Perdas Totais 7.205.698,86 21,7503%
Perdas Técnicas 2.099.425,22 6,3371%
Perdas não-Técnicas 5.106.273,64 15,4132%
Fonte: ANEEL, 2008.

Com base nesses valores e considerando o custo de transação dos créditos de gases
de efeito estufa igual a 0%, a tabela 52 apresenta as reduções anuais líquidas de emissões de
gases de efeito estufa, intrinsecamente ligadas à geração de energia elétrica, e o equivalente
em litros de gasolina não consumidos, a título comparativo. Em dado recente, de 24 de agosto
de 2009, o crédito de carbono, relativo à neutralização de uma tonelada de gás carbônico
equivalente, foi cotado em € 12,00, correspondendo a R$ 31,00, no mercado internacional.

Tabela 52 - Redução anual líquida de emissões de gases de efeito estufa.

Redução anual líquida de emissões de


Velocidade média anual Gasolina não consumida
gases de efeito estufa
m/s tCO2 litros
8,78 4.962,50 2.017.956
9,26 5.355,10 2.177.343
9,75 5.715,20 2.323.719
10,24 6.055,40 2.461.963
10,73 6.360,00 2.585.976
Fonte: RETScreen.

4.6.5 Planilha de Análise Financeira

4.6.5.1 Parâmetros Financeiros: Geral

Os Parâmetros Financeiros requeridos para a Análise Financeira são reajuste do custo


do combustível, taxa de inflação, taxa de desconto, vida do projeto, incentivos e subsídios,
razão da dívida, se o investimento for feito por intermédio de impréstimo, dependendo, por
conseguinte, da taxa de juros incidente da dívida e duração da dívida, imposto de renda e taxa
de depreciação. Todos estes serão calculados e relacionados com base em dados dos últimos
três anos, considerando que o tempo de implementação de um empreendimento eólico não
ultrapasse esse valor.
137

4.6.5.1.1 Reajuste do custo do combustível

Os Relatórios Mensais de Acompanhamento de Mercado de Combustíveis (gasolina


C, álcool hidratado, GLP, GNV e óleo diesel) elaborados pela Coordenadoria de Defesa da
Concorrência, uma das unidades executivas que compõem a Agência Nacional de Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), vinculada ao MME, analisam o comportamento dos
mercados de distribuição e de revenda dos combustíveis objetivando identificar os municípios
com baixos índices de dispersão entre os preços de revenda, que é um dos sinais da
possibilidade de ocorrência de infração à ordem econômica. Referente a dados dos relatórios,
a síntese dos preços praticados em Goiás, para o período de janeiro de 2007 a novembro de
2009 e para três tipos de combustível (óleo diesel, gasolina C e álcool hidratado), é
apresentada no APÊNDICE B. Nota-se que o maior valor da variação dos preços é de 1,65%.
Este valor será utilizado como a taxa de reajuste do custo do combustível.

4.6.5.1.2 Taxa de inflação

O histórico de metas para a inflação no Brasil é mostrado no APÊNDICE C.


Considerando os dados referentes a 2007, 2008 e 2009, a taxa de inflação a ser utilizada será
de 4,5% a.a., relativa à mediana dos valores.

4.6.5.1.3 Taxa de desconto

A taxa de desconto, um importante instrumento da política monetária, pode ser


definida como sendo a taxa de juros cobrada pelos Bancos Centrais nos empréstimos que
concedem aos bancos comerciais através das operações de ―Open Market‖, que consiste em
técnicas de intervenção nos mercados monetários através da compra e venda de títulos. A
partir dessas operações, os Bancos Centrais regulam a oferta de moeda e influenciam as taxas
de juros praticadas pelos bancos comerciais. Utilizar-se-á, para este estudo, taxa de desconto
igual à mediana, de 9,16% a.a., dos valores da taxa Selic, conforme apresentado pelo Banco
Central do Brasil e resumido no APÊNDICE D.

4.6.5.1.4 Vida do projeto

O tempo de vida do projeto considerado será de 20 anos, coincidente com o tempo de


vida útil padrão adotado para os equipamentos de geração.
138

4.6.5.2 Parâmetros Financeiros: Financiamento

4.6.5.2.1 Incentivos e subsídios

O evidente crescimento, de 29% a.a., da utilização do recurso eólico como fonte


energética, contraditório ao alto custo de geração de energia elétrica por centrais eólicas, se
comparado à produção por empreendimentos hidráulicos, dá-se, em outros países, pelos
incentivos e subsídios ou regramentos específicos para o setor. A ausência destes três fatores
impossibilita a competição com outras fontes de energia e o aproveitamento de uma fonte
renovável e limpa, que impulsione desenvolvimento em bases sustentáveis.

No Brasil, o anúncio da realização de leilão específico demonstra o reconhecimento da


importância de incentivar a fonte eólica, por parte do Governo Federal, que, ao mesmo tempo,
não corrobora com incentivos e subsídios ou estabelece um marco regulatório nacional para a
energia eólica. Em virtude do explanado e para a Análise Financeira relativa ao
Financiamento, não serão considerados incentivos e subsídios.

4.6.5.2.2 Razão da dívida

A execução de projetos que exigem longo prazo de desenvolvimento e elevados


volumes de investimento são viabilizados pelas linhas de financiamento. Por meio destas, o
BNDES visa a inplantação, expansão e modernização de empreendimentos no setor de
energia elétrica, garantindo suprimento com qualidade, segurança e tarifas adequadas e
atendendo às necessidades econômicas e sociais. Dentre as linhas de financiamento
ofereciadas pelo BNDES, sobressalta-se a linha PROESCO, destinada ao apoio a projetos de
eficiência energética que comprovadamente contribuam para a economia de energia elétrica,
aumentem a eficiência global do sistema energético ou promovam a substituição de
combustíveis fósseis por fontes renováveis. Evidencia-se, entre outras, as ações de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica, financiando estudos e projetos, obras e
instalações, compra de máquinas e equipamentos, serviços técnicos especializados e sistemas
de Informação, Monitoramento, Controle e Fiscalização.

As condições específicas da linha PROESCO para empreendimentos do setor de


energia elétrica são apresentadas na tabela 53, de onde se infere que a razão máxima da dívida
é de 80%, pois considera-se cometimentos de geração que não incluam centrais térmicas a
carvão ou a óleo. Determina-se, como pode ser observado, o produto BNDES Finem
139

(Financiamento a Empreendimentos), destinado ao financiamento a projetos de investimento


de valor mínimo de R$ 10 milhões. Com base nesses dados, determinar-se-á razões da dívida
de 0%, relativa a aplicação de capital próprio, 40% e 80%.

Tabela 53 – Condições específicas da linha PROESCO para empreendimentos do setor elétrico.

Remuneração do BNDES Custo Financeiro Participação Máxima do BNDES


Linha de Financiamento
BNDES Finem
% a.a. %
Energia Elétrica - Geração (exceto
0,9 TJLP² 80
térmicas a carvão ou a óleo)

Energia Elétrica - Geração 50% TJLP


1,8 60
Térmica a carvão ou a óleo¹ 50% TJ-462³

Energia Elétrica - Transmissão 1,3 TJLP 70

50% TJLP
Energia Elétrica - Distribuição¹ 1,3 60
50% TJ-462
¹ A participação máxima do BNDES poderá ser ampliada em 20 pontos percentuais, sendo que o Custo Financeiro da parcela de crédito
referente a este aumento de participação será TJ-462 acrescido de remuneração básica de 2,5% a.a. Caso a operação seja feita de forma direta
ou indireta não-automática, o Custo Financeiro desta parcela adicional poderá ser Cesta acrescido de Remuneração Básica de 2,5% a.a.
² Taxa de Juros de Longo Prazo.
³ Taxa de Juros Medida Provisória 462 = TJLP + 1,0% a.a.
Fonte: BNDES.

4.6.5.2.3 Taxa de juros da dívida

As operações do produto BNDES Finem podem ocorrer diretamente com o BNDES


ou indiretamente, por intermédio das instituições financeiras credenciadas, fazendo com que
as taxa de juros apresentem variações em decorrência do tipo de apoio. Em ocorrência de
apoio direto, como será considerado no presente estudo, a taxa de juros é calculada em função
do Custo Financeiro, dado pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP); da Remuneração do
BNDES, de 0,9% a.a.; e da Taxa de Risco de Crédito, de até 3,57% a.a., como expresso pela
equação 28.

Taxa de Juros = Custo Financeiro + Remuneração Básica do BNDES + Taxa de Risco de Crédito (28)

Definida como o custo básico dos financiamentos concedidos pelo BNDES, a TJLP é
determinada a partir da meta de inflação calculada proporcionalmente para os doze meses
seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa, baseada nas metas anuais fixadas pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN); e do prêmio de risco. A tabela 54 mostra a evolução
dos valores da TJLP, destacando-se o valor referente ao período de estudo de 6% a.a. A partir
dos valores mostrados, infere-se que a taxa de juros da dívida será de 10,47% a.a.
140

Tabela 54 – Evolução da TJLP.

Ano
Período
2006 2008 2007 2009
% a.a.
Janeiro a Março 9,00 6,50 6,25 6,25
Abril a Junho 8,15 6,50 6,25 6,25
Julho a Setembro 7,50 6,25 6,25 6,00
Outubro a Dezembro 6,85 6,25 6,25 6,00
Fonte: BNDES.

4.6.5.2.4 Duração da dívida

Segundo dados do BNDES, os prazos máximos de amortização da dívida oriunda do


financiamento são apresentados na tabela 55. Nota-se que, para empreendimentos do setor de
energia eólica, a duração da dívida não pode transpor 14 anos. A análise consistirá em avaliar
a influência do tempo de duração da dívida sobre os parâmetros de viabilidade financeira e o
gráfico de fluxo de caixa cumulativo. Para isto, serão utilizados três prazos de duração, de 6
anos, 10 anos e 14 anos, para cada razão da dívida estabelecida, fixadas as demais variáveis.

Tabela 55 – Prazo máximo de amortização da dívida.

Segmentos Distribuição
Geração
Hídrica (UHEs) com capacidade instalada igual ou superior a 1.000 MW 20 anos
Hídrica (UHEs) com capacidade instalada superior a 30 MW e inferior a 1.000 MW 16 anos
Pequenas Centrais Hidrelétricas - PCHs 14 anos
Eólica 14 anos
Termelétrica, Co-geração a Gás e Bioeletricidade 14 anos
Transmissão 14 anos
Distribuição 6 anos
Fonte: BNDES.

4.6.5.3 Parâmetros Financeiros: Análise do Imposto de Renda

Para esta análise, não será considerada a incidência do imposto de renda em virtude
da escassez de dados referentes a tributação deste tipo de empreendimento no Estado de
Goiás. No entanto, para um estudo de viabilidade, esta análise é imprescindível, já que,
dependendo do valor do imposto de renda, este pode inviabilizar a implementação do projeto.
141

4.6.5.4 Receita Anual

A taxa de indexação sobre a eletricidade exportada a ser considerada será igual a taxa
de inflação, de 4,5% a.a., e a receita resultante será calculada com base nos dados de geração,
formulados pelo software, e de custo do MWh, fixado em R$ 189,00, como citado
anteriomente. Para esta análise, não será considerada a receita pela redução de gases de efeito
estufa pois, em decorrência da instabilidade financeira recorrente ao final de 2008 e início de
2009, o custo do crédito de carbono foi consideravelmente reduzido, se comparado ao ano de
2008. No entanto, ressalta-se que esta receita, em função do alto custo com O&M, não
representa grande variação do fluxo de caixa.

4.6.6 Planilha de Análise de Risco: Análise de Sensibilidade

A nível de estudo preliminar de viabilidade de um projeto, existem muitas incertezas


com relação a vários parâmetros de entrada. A Planilha de Análise de Risco destina-se a
avaliar como a lucratividade do projeto pode ser afetada por valores fornecidos pelo usuário
que estejam em discordância com os apresentados na prática. A Análise de Sensibilidade, por
sua vez, mostra a sensibilidade da lucratividade do empreendimento, representada pelo valor
da TIR do capital próprio, do retorno do capital próprio ou do VPL, perante alteração
simultânea de dois parâmetros. Para o presente estudo, a Análise de Sensibilidade, adotada a
faxa de sensibilidade de 10%, será feita para um projeto cujas características são velocidade
média do vento de 9,75 m/s, ou seja, 0% de variação deste parametro; custos adicionais
iniciais de 20% dos custos totais de investimento; e investimento de capital próprio.

4.7 RESULTADOS E CONCLUSÕES

A constatação da viabilidade ou não de um projeto de implantação de um parque


eólico decorre da análise de viabilidade, tão importante quanto a análise técnica. Através da
presente análise, objetivou-se identificar os principais fatores que influenciam os custos
relativos ao projeto e, com a variação destes, as possíveis combinações que tornem o projeto
atrativo do ponto de vista econômico.

Em síntese, a velocidade do vento, os custos adicionais iniciais, a razão da dívida e a


duração da dívida foram os parâmetros variados durante a análise, resultando em 105
combinações diferentes, e se adotou, como parâmetro comparativo e taxa mínima de
atratividade, taxa de 9,16% a.a. Assim, as possibilidades que apresentaram a TIR do capital
142

próprio inferior a este valor foram consideradas inviáveis, apresentando VPL e economia
anual no ciclo de vida negativos e custo de geração superior ao determinado, de 189,00
R$/MWh.

Dos resultados, pode ser concluído que, para estas características de projeto, o
empreendimento não seria viável se a velocidade do vento variasse em -10% e -5%. Em
ambos os casos, os resultados demonstram que, na melhor das hipóteses, em que os custos
adicionais iniciais representam 20% do total de custos de investimento e a aplicação seria
feita com capital próprio, ou seja, a razão da dívida seria 0%, as taxas internas de retorno
mostraram-se inferiores à taxa mínima de atratividade, apresentando valores de 7,8% a.a. e
9% a.a.; os valores dos VPLs seriam negativos, de -R$ 29.056.823 e -R$ 3.167.796; a
economia anual no ciclo de vida também apresentaria valores negativos, de -R$ 3.219.446 e -
R$ 350.986; e os custos de geração de energia elétrica seriam maiores do que o inicialmente
proposto, sendo de 204,30 R$/MWh e 190,55 R$/MWh.

Já, se a velocidade do vento não sofresse variação, concluiu-se que o projeto torna-se
viável se os custos adicionais iniciais representarem 20% do total de custos de investimento,
conforme mostrado na tabela 56. O fluxo de caixa cumulativo (R$) da melhor alternativa, em
que se investe capital próprio, em função do ano, é apresentado na figura 54.

Tabela 56 – Resultados para quando não há variação da velocidade do vento.

Total de Retorno Economia


Custos Razão Duração Total de Custo da
economia e Retorno do anual no
Adicionais da da custos TIR VPL geração
receita Simples capital ciclo de
Iniciais dívida dívida anuais de energia
anual próprio vida
% R$ % ano R$ R$ % a.a. ano ano R$ R$/ano R$/MWh
0 - 9.569.505 10,1 12,1 9,5 20.583.765 2.280.646 179,59
6 34.523.373 10,0 12,1 10,7 16.374.637 1.814.282 181,52
40 10 27.685.616 9,7 12,3 11,6 10.223.559 1.132.753 184,33
20 53.599.950 14 31.676.580 24.812.283 9,7 12,3 11,4 8.475.251 939.043 185,13
6 59.793.269 9,7 12,3 12,0 8.040.105 890.830 185,33
80 10 45.485.697 9,5 12,3 13,5 3.988.755 441.947 187,18
14 39.739.032 9,2 12,3 15,0 492.140 54.528 188,78
143

Figura 54 – Fluxo de caixa cumulativo (0%).


(Fonte: RETScreen).

Algumas observações podem ser feitas a partir dos dados apresentados. Inicialmente,
nota-se que a TIR é muito próxima a taxa de desconto sugerida, variando, no máximo, 1 ponto
percentual. Esta pequena variação pode ocasionar inviabilidade do projeto, pois se deve
analisar se este pequeno retorno recompensa o risco do empreendimento. Pode se observar
também que o tempo de retorno, seja simples ou do capital próprio, compreende a mais da
metade do tempo de vida útil do empreendimento, de 20 anos, e que o custo de geração de
energia elétrica é muito próximo ao determinado. Ressalta-se, então, que o preço sugerido é o
preço teto do leilão de energia eólica, que este deve ser reduzido durante o processo de leilão
e que, em virtude disto, essas opções podem se tornar inviáveis.

Para variação da velocidade do vento em +5%, o software apresenta um número


maior de alternativas de investimento. Estas são mostradas na tabela 57. A figura 55 apresenta
o fluxo de caixa cumulativo (R$) referente à melhor alternativa, em que os custos adicionais
iniciais representam 20% do total de custos de investimento e este é realizado com capital
próprio. De mesma forma, deve se avaliar o projeto, apoiando-se nos riscos inerentes a toda
atividade de empreendedorismo, e analisar sua viabilidade a partir deste ponto de vista.
144

Tabela 57 – Resultados para variação da velocidade do vento de +5%.

Total de Retorno Economia


Custos Razão Duração Total de Custo da
economia e Retorno do anual no
Adicionais da da custos TIR VPL geração
receita Simples capital ciclo de
Iniciais dívida dívida anuais de energia
anual próprio vida
% R$ % ano R$ R$ % a.a. ano ano R$ R$/ano R$/MWh
0 - 9.736.314 11,0 11,2 9,0 43.022.687 4.766.840 170,44
6 34.690.182 11,1 11,2 10,1 38.813.558 4.300.476 172,26
40 10 27.536.396 11,2 11,2 10,8 36.787.884 4.076.035 173,13
20 53.599.950 14 24.663.063 11,2 11,2 10,2 35.039.576 3.882.325 173,88
6 59.644.049 11,3 11,2 11,2 34.604.430 3.834.112 174,07
80 10 45.336.477 11,5 11,2 12,6 30.553.081 3.385.229 175,82
14 33.562.332 39.589.812 11,7 11,2 14,0 27.056.465 2.997.810 177,33
0 - 9.736.314 9,9 12,3 9,7 17.324.081 1.919.478 181,53
6 37.232.238 9,7 12,4 10,9 10.763.436 1.192.570 184,36
40 10 29.392.473 9,6 12,4 11,7 8.543.519 946.607 185,31
27 79.298.556
14 26.243.615 9,5 12,4 11,6 6.627.565 734.323 186,14
6 64.578.943 9,5 12,4 12,1 6.150.692 681.486 186,35
80
10 48.899.411 9,3 12,4 13,6 1.710.858 189.560 188,26

Figura 55 – Fluxo de caixa cumulativo (+5%).


(Fonte: RETScreen).

Em última análise, variou-se a velocidade do vento em +10%. A tabela 58 apresenta


as alternativas que viabilizam a implementação do empreendimento proposto e a figura 56 o
fluxo de caixa cumulativo (R$) referente à melhor alternativa, em que os custos iniciais
representam 20% do total de custos de investimento e a aplicação é feita com capital próprio.
145

Tabela 58 – Resultados para variação da velocidade do vento de +10%.

Total de Retorno Economia


Custos Razão Duração Total de Custo da
economia e Retorno do anual no
Adicionais da da custos TIR VPL geração
receita Simples capital ciclo de
Iniciais dívida dívida anuais de energia
anual próprio vida
% R$ % ano R$ R$ % a.a. ano ano R$ R$/ano R$/MWh
0 - 9.885.534 11,9 10,6 8,5 63.092.977 6.990.594 163,08
6 34.839.402 12,1 10,6 9,6 58.883.848 6.524.230 164,81
40 10 27.685.616 12,2 10,6 10,3 56.858.174 6.299.788 165,65
20 53.599.950 14 24.812.283 12,4 10,6 9,4 55.109.866 6.106.079 166,36
6 56.793.269 12,5 10,6 10,7 54.674.720 6.057.865 166,54
80 10 45.485.697 13,0 10,6 12,0 50.623.371 5.608.983 168,21
14 39.739.032 13,6 10,6 12,1 47.126.756 5.221.564 169,64
0 - 9.885.534 10,6 11,6 9,2 37.394.371 4.143.232 173,64
6 37.232.238 10,7 11,6 10,4 32.781.627 3.632.148 175,54
40 10 35.249.046 29.393.473 10,7 11,6 11,1 30.561.710 3.386.185 176,45
27 79.298.556 14 26.243.615 10,7 11,6 10,6 28.645.756 3.173.901 177,23
6 64.578.943 10,7 11,6 11,5 28.168.883 3.121.064 177,43
80 10 48.899.411 10,8 11,6 12,9 23.729.049 2.629.138 179,25
14 42.601.696 10,9 11,6 14,3 19.897.142 2.204.569 180,83
0 - 9.885.534 9,6 12,6 9,9 11.093.025 1.229.088 184,44
6 39.681.197 9,4 12,6 11,1 6.067.200 672.235 186,51
33 105.599.901 40 10 31.139.363 9,3 12,6 11,9 3.648.484 404.246 187,50
14 27.708.518 9,2 12,6 11,8 1.560.953 172.951 188,36
80 6 69.476.860 9,2 12,6 12,3 1.041.375 115.383 188,57

Figura 56 – Fluxo de caixa cumulativo (+10%).


(Fonte: RETScreen).

A título comparativo, os resultados apresentados para as melhores alternativas são


sintetizados na tabela 59 e a variação desses apresentada na tabela 60. Conclui-se que a
relação entre os valores, em nenhuma das alternativas, é linear e que, com o acréscimo da
146

velocidade, as variações são gradativamente reduzidas, implicando em maior sensibilidade do


sistema à redução da velocidade do vento. Isto pode ser explicado com base na curva de
potência da turbina eólica selecionada, em que o aumento da velocidade ocasiona acréscimo
da potência gerada, que é reduzido de forma gradativa, tornando o valor de potência constante
a partir de um determinado valor de velocidade do vento, e no fato do custo anual de O&M
ser função do valor da potência gerada. Nota-se que o VPL e a economia anual no ciclo de
vida são os parâmetros que apresentam maior sensibilidade à variação da velocidade do vento,
incorrendo em influência no retorno relativo ao investimento.

Tabela 59 – Síntese dos resultados.

Total de Retorno Economia Custo da


Variação Custos Razão Total de
economia e Retorno do anual no geração
da Adicionais da custos TIR VPL
receita Simples capital ciclo de de
velocidade Iniciais dívida anuais
anual próprio vida energia
do vento
% R$ % R$ R$ % a.a. ano ano R$ R$/ano R$/MWh
-10% 27.504.794 9.200.460 7,8 14,6 11,1 -29.056.823 -3.219.446 204,30
-5% 29.680.508 9.393.933 9,0 13,2 10,2 -3.167.796 -350.986 190,55
0 20 53.599.950 0 31.676.580 9.569.505 10,1 12,1 9,5 20.583.765 2.280.646 179,59
+5% 33.562.332 9.736.314 11,0 11,2 9,0 43.022.687 4.766.840 170,44
+10% 35.249.046 9.885.534 11,9 10,6 8,5 63.092.977 6.990.594 163,08

Tabela 60 – Variação dos resultados (%).


Variação Total de Retorno Economia Custo da
Custos Razão Total de
da economia e Retorno do anual no geração
Adicionais da custo TIR VPL
velocidade receita Simples capital ciclo de de
Iniciais dívida anuais
do vento anual próprio vida energia
% R$ % % % % % % % % %
-10% -13,17 -3,86 -22,77 20,66 16,84 -241,16 -241,16 13,76
-5% -6,30 -1,83 -10,89 9,09 7,37 -115,39 -115,39 6,10
0 20 53.599.950 0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
+5% 5,95 1,74 8,91 -7,44 -5,26 109,01 109,01 -5,09
+10% 11,28 3,30 17,82 -12,40 -10,53 206,52 206,52 -9,19

Utilizando o recurso de Análise de Sensibilidade do software RETScreen, avaliou-se


a sensibilidade de três parâmetros mediante alteração dos valores de custos iniciais, de O&M
e do preço da eletricidade exportada. A primeira análise objetivou avaliar a sensibilidade do
valor da TIR do capital próprio, cujo limite é igual a taxa Selic, de 9,16%, como mostrado na
tabela 61. Conclui-se que a viabilidade do projeto é comprometida quando há aumento dos
custos iniciais, em ambas as avaliações. Considerando que estes ocasionam acréscimos tanto
aos custos de O&M quanto ao preço da eletricidade exportada, o projeto torna-se inviável
perante aumento de 10% dos custos iniciais. Por outro lado, a redução destes viabiliza o
investimento em quase totalidade das alterações.
147

Tabela 61 – Análise de sensibilidade da TIR do capital próprio.

Limite 9,16 %
Custos iniciais Rs
O&M 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs -10% -5% 0% 5% 10%
8.612.555 -10% 12,0% 11,3% 10,6% 10,0% 9,4%
9.091.030 -5% 11,7% 11,0% 10,3% 9,7% 9,2%
9.569.505 0% 11,4% 10,7% 10,1% 9,5% 8,9%
10.047.981 5% 11,1% 10,4% 9,8% 9,2% 8,6%
10.526.456 10% 10,8% 10,2% 9,5% 8,9% 8,4%
Custos iniciais Rs
Preço eletricidade exportada 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs/MWh -10% -5% 0% 5% 10%
170,10 -10% 9,5% 8,8% 8,2% 7,6% 7,1%
179,55 -5% 10,5% 9,8% 9,2% 8,6% 8,0%
189,00 0% 11,4% 10,7% 10,1% 9,5% 8,9%
198,45 5% 12,4% 11,6% 10,9% 10,3% 9,7%
207,90 10% 13,3% 12,5% 11,8% 11,2% 10,6%
Fonte: RETScreen.

Analisou-se também a sensibilidade do valor de retorno do capital próprio, cujo


limite foi fixado em 10 anos, como apresentado na tabela 62. Nota-se que, mesmo apreciando
o menor valor para o retorno, de 7,8 anos, que é impraticável, pois se sabe que o preço da
eletricidade exportada, a partir da data do leilão, será de, no mínimo, 189,00 R$/MWh, este
tempo pode ser considerado demasiadamente longo, perante outras aplicações, que muitas
vezes podem apresentar menor risco e maior TIR.

Tabela 62 – Análise de sensibilidade do retorno do capital próprio.

Limite 10 ano
Custos iniciais Rs
O&M 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs -10% -5% 0% 5% 10%
8.612.555 -10% 8,4 8,8 9,2 9,6 10,0
9.091.030 -5% 8,6 9,0 9,4 9,8 10,1
9.569.505 0% 8,7 9,1 9,5 9,9 10,3
10.047.981 5% 8,9 9,3 9,7 10,1 10,5
10.526.456 10% 9,1 9,5 9,9 10,3 10,7
Custos iniciais Rs
Preço eletricidade exportada 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs/MWh -10% -5% 0% 5% 10%
170,10 -10% 9,9 10,4 10,8 11,2 11,6
179,55 -5% 9,3 9,7 10,1 10,5 10,9
189,00 0% 8,7 9,1 9,5 9,9 10,3
198,45 5% 8,3 8,6 9,0 9,4 9,7
207,90 10% 7,8 8,2 8,5 8,9 9,2
Fonte: RETScreen.
148

Por fim, a tabela 63 apresenta a análise de sensibilidade do valor do VPL, fixado o


limite de R$ 0,00. Denota-se projeto viável se o VPL apresentar valor positivo. Assim sendo,
como ocorreu nas demais análises de sensibilidade, os valores tornam-se inviáveis,
considerando os limites pré-fixados, em decorrência do aumento do valor dos custos iniciais e
da redução do preço da eletricidade exportada.

Tabela 63 – Análise de sensibilidade do VPL.

Limite 0 Rs
Custos iniciais Rs
O&M 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs -10% -5% 0% 5% 10%
8.612.555 -10% 59.875.676 46.475.689 33.075.701 19.675.714 6.275.726
9.091.030 -5% 53.629.708 40.229.721 26.829.733 13.429.746 29.758
9.569.505 0% 47.383.740 33.983.753 20.583.765 7.183.778 -6.216.210
10.047.981 5% 41.137.772 27.737.785 14.337.797 937.810 -12.462.178
10.526.456 10% 34.891.804 21.491.817 8.091.829 -5.308.158 -18.708.146
Custos iniciais Rs
Preço eletricidade exportada 241.199.775 254.599.763 267.999.750 281.399.738 294.799.725
Rs/MWh -10% -5% 0% 5% 10%
170,10 -10% 6.033.453 -7.366.535 -20.766.522 -34.166.510 -47.566.497
179,55 -5% 26.708.597 13.308.609 -91.378 -13.491.366 -26.891.353
189,00 0% 47.383.740 33.983.753 20.583.765 7.183.778 -6.216.210
198,45 5% 68.058.884 54.658.896 41.258.909 27.858.921 14.458.934
207,90 10% 88.734.028 75.334.040 61.934.053 48.534.065 35.134.078
Fonte: RETScreen.

Da análise de sensibilidade, infere-se que, se o preço da eletricidade exportada for


fixado em valor não superior a 170,10 R$/MWh, o projeto de implantação do parque eólico
com as características definidas neste estudo torna-se inviável, a menos que os custos iniciais
sejam recalculados e apresentem redução de 10% do valor presente. No entanto, deve se
analisar os dados e, de acordo com os interesses e as necessidades do empreendedor,
determinar a viabilidade do projeto.

Diante dos resultados apresentados, conclui-se que é indispensável a implementação


de um programa de subsídios que corrobore com a implementação de empreendimento de
energia eólica no Brasil. A exemplo do desenvolvimento alemão, pode ser adotado um
esquema de subsídios temporários que se ajustem gradativamente ao longo da evolução do
mercado (Dutra & Tolmasquim, 2003). A elaboração de leis e a viabilização de subsídios por
parte do Governo Federal revelam-se de fundamental importância neste contexto.
5 CONCLUSÕES

Conclui-se que a utilização da energia eólica para geração de energia elétrica


apresenta-se como vantagem comparativa ante outras tecnologias por estar plenamente
desenvolvida e em fase comercial e garantir expansão e diversificação da oferta interna,
compreendendo fortalecimento da matriz energética. Além disto, o emprego do recurso eólico
contribui para a disseminação da ideia de desenvolvimento sustentável; o aproveitamento de
características regionais; a redução dos riscos hidrológicos, inerentes a um sistema elétrico
interligado abastecido em quase sua totalidade por usinas hidrelétricas; a criação de postos de
trabalho com a implantação, operação e manutenção dos parques eólicos; a redução de
emissão de gases de efeito estufa e consequente comercialização das RCEs no Mercado de
Carbono; a manutenção de uma matriz energética limpa; e a complementaridade dos regimes
eólico e hidrológico, atribuindo estabilidade ao abastecimento de energia. Assim sendo, o
aproveitamento eólico dispõe de benefícios que atingem os âmbitos tecnológico, estratégico,
ambiental, social e econômico.

Apesar dos benefícios, o recurso eólico intitui-se como fonte de energia dispendiosa,
podendo ocasionar, em decorrência de contratação de grandes montantes de energia, impacto
a nível tarifário, em contraposição à necessidade de modicidade das tarifas. Infere-se,
portanto, a inevitabilidade da formação de políticas públicas de concessão de crédito a
projetos inovadores e de desoneração tributária da cadeia produtiva. Ainda, deve se fomentar
a concorrência e criar condições de contestabilidade da indústria de aerogeradores, que
representa obstáculo por não se configurar, no Brasil, como setor sólido e, mesmo assim,
atender a índices de nacionalização. Os resultados do Leilão de Contratação de Energia de
Reserva específico para contratação de energia eólica indicarão a tendência do setor eólico no
país e a propensão de expansão do mesmo.

A utilização da ferramenta de análise de projetos de energia limpa, o software


RETScreen, permitiu a elaboração de estudos de viabilidade e sensibilidade de um parque
eólico, definidas as características deste, fundamentadas no resultado da análise de
complementaridade de usinas hidrelétricas do Estado de Goiás. Como citado, a
complementação de 2% da geração da usina Hidrelétrica de Itumbiara, selecionada para o
estudo, implica em adição de 60MW de potência instalada ao SIN. O estudo, apesar da
confiabilidade creditada ao software, apresenta debilidades em decorrência da carência de
150

medições e da consequente estimativa do potencial eólico da localidade determinada. Denota-


se, assim, que esses estudos foram voltados para a análise de sensibilidade das variáveis
naturais e financeiras, sendo a análise de viabilidade deste parque eólico específico definida a
partir deste ponto de vista. Além disso, muitos resultados podem sofrer variações em razão
das atuais condições de custos de projeto.

Conclui-se, com base nos estudos, que a eletricidade exportada para a rede apresenta
variação distinta da efetuada para a velocidade do vento. Mostrou-se que o sistema de geração
é mais sensível às variações negativas da velocidade, compreendendo maior diferenciação
neste sentido. Com relação ao custo anual, referente a operação e manutenção, infere-se que o
custo anual fixo relaciona-se com o valor de potência instalada do parque e que o custo anual
variável refere-se à potência efetiva gerada. Assim sendo, o custo anual apresenta menor
variação, se comparado à variação da velocidade do vento, pois o custo fixo é o mesmo para
todas as possibilidades de velocidade e representa maior percentual do custo total. Por outro
lado, a redução anual líquida de emissões de gases de efeito estufa apresenta mesmas
variações observadas para a eletricidade exportada.

Denota-se que a opção por não considerar incentivos e subsídios para a análise
incorreu em obstáculo para a viabilização do projeto. Sabe-se que, apesar de o Governo
Federal não corroborar de forma efetiva com incentivos e subsídios e não estabelecer um
marco regulatório nacional para o setor de energia eólica, esta deve ser a tendência a ser
adotada até que se constitua um mercado inveterado. O imposto de renda também configura-
se como parâmetro determinante dos estudos de viabilidade, porém, não foi considerado por
falta de dados.

Dos resultados, pode se concluir que, para as características de projeto determinadas,


o empreendimento não seria viável para variações de -10% e -5% da velocidade do vento,
apresentando para estes percentuais taxa interna inferior à taxa mínima de atratividade, VPL e
economia anual no ciclo de vida negativos e custo de geração de energia elétrica acima do
valor mínimo sugerido. Por outro lado, as possibilidades de projeto aumentam conforme é
acrescida a variação de velocidade do vento. Das possibilidades viáveis, conclui-se que as
melhores alternativas advêm da aplicação de capital próprio em razão da não incidência de
taxas. No entanto, para este tipo de projeto, que incorre elevados volumes de investimento, os
financiamentos possibilitam a multiplicação do número de projetos e dos decorrentes
benefícios desta, como o aumento da competitividade e a adequação das tarifas.
151

A partir da análise de sensibilidade dos parâmetros financeiros do projeto, em que


foram modificados os valores de custos iniciais, de custos de operação e manutenção e do
preço da eletricidade exportada, infere-se que o empreendimento torna-se inviável em
decorrência do aumento dos custos iniciais e de operação e manutenção e da redução do preço
da eletricidade exportada. Nota-se que a variação de -10% do preço da eletricidade implica
em inviabilização do projeto, a menos que os custos iniciais também sejam reduzidos a essa
mesma taxa, e que a redução do preço dar-se-á naturalmente com os resultados do leilão de
energia eólica.
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APÊNDICE A

Posição, capacidades total instalada e adicional instalada no ano de 2008 e a taxa de


crescimento em 2008, com base em dados de 2007, para os países que possuem
empreendimentos eólicos

Posição Capacidade Capacidade instalada Taxa de crescimento


País
2008 instalada total 2008 adicionada em 2008 2008 (base 2007)
MW MW
1 Estados Unidos 25.170,0 8.351,2 49,7%
2 Alemanha 23.902,8 1.655,4 7,4%
3 Espanha 16.740,3 1.595,2 10,5%
4 China 12.210,0 6.298,0 106,5%
5 Índia 9.587,0 1.737,0 22,1%
6 Itália 3.736,0 1.009,9 37,0%
7 França 3.404,0 949,0 38,7%
8 Reino Unido 3.287,9 898,9 37,6%
9 Dinamarca 3.160,0 35,0 1,1%
10 Portugal 2.862,0 732,0 34,4%
11 Canadá 2.369,0 523,0 28,3%
12 Holanda 2.225,0 478,0 27,4%
13 Japão 1.880,0 352,0 23,0%
14 Austrália 1.494,0 676,7 82,8%
15 Irlanda 1.244,7 439,7 54,6%
16 Suécia 1.066,9 235,9 28,4%
17 Áustria 994,9 13,4 1,4%
18 Grécia 989,7 116,5 13,3%
19 Polônia 472,0 196,0 71,0%
20 Noruega 428,0 95,1 28,5%
21 Egito 390,0 80,0 25,8%
22 Bélgica 383,6 96,7 33,7%
23 Taiwan 358,2 78,3 28,0%
24 Brasil 338,5 91,5 37,0%
25 Turquia 333,4 126,6 61,2%
26 Nova Zelândia 325,3 3,5 1,1%
27 Coréia do Sul 278,0 85,9 44,7%
28 Bulgária 157,5 100,6 176,7%
29 República Tcheca 150,0 34,0 29,3%
30 Finlândia 140,0 30,0 27,3%
31 Hungria 127,0 62,0 95,4%
32 Marrocos 125,2 0,0 0,0%
33 Ucrânia 90,0 1,0 1,1%
34 México 85,0 0,0 0,0%
35 Irã 82,0 15,5 23,3%
36 Estônia 78,3 19,7 33,6%
37 Costa Rica 74,0 0,0 0,0%
158

Posição Capacidade Capacidade instalada Taxa de crescimento


País
2008 instalada total 2008 adicionada em 2008 2008 (base 2007)
38 Lituânia 54,4 2,1 4,0%
39 Luxemburgo 35,3 0,0 0,0%
40 Letônia 30,0 2,6 9,5%
41 Argentina 29,8 0,0 0,0%
42 Filipinas 25,2 0,0 0,0%
43 África do Sul 21,8 5,2 31,4%
44 Jamaica 20,7 0,0 0,0%
45 Guadalupe 20,5 0,0 0,0%
46 Uruguai 20,5 19,9 3308,3%
47 Chile 20,1 0,0 0,0%
48 Tunísia 20,0 0,0 0,0%
49 Colômbia 19,5 0,0 0,0%
50 Croácia 18,2 1,0 5,8%
51 Rússia 16,5 0,0 0,0%
52 Suíça 13,8 2,2 19,2%
53 Guiana 13,5 0,0 0,0%
54 Curaçao 12,0 0,0 0,0%
55 Romênia 7,8 0,0 0,0%
56 Israel 6,0 0,0 0,0%
57 Paquistão 6,0 6,0 novo
58 Eslováquia 5,1 0,1 2,8%
59 Ilhas Faroe 4,1 0,0 0,0%
60 Equador 4,0 0,9 30,7%
61 Cuba 7,2 5,1 242,9%
62 Cabo Verde 2,8 0,0 0,0%
63 Mongólia 2,4 2,4 novo
64 Nigéria 2,2 0,0 0,0%
65 Jordânia 2,0 0,0 0,0%
66 Indonésia 1,2 0,2 20,0%
67 Martinica 1,1 0,0 0,0%
68 Belarus 1,1 0,0 0,0%
69 Eritréia 0,8 0,0 0,0%
70 Peru 0,7 0,0 0,0%
71 Cazaquistão 0,5 0,0 0,0%
72 Namíbia 0,5 0,0 6,4%
73 Antilhas Holandesas 0,3 0,0 0,0%
74 Síria 0,3 0,0 0,0%
75 Coréia do Norte 0,2 0,2 2010,0%
76 Bolívia 0,01 0,0 0,0%
TOTAL 121.187,9 27.261,1 29,0%
Fonte: WWEA, 2009.
APÊNDICE B

Síntese dos preços praticados em Goiás, para o período de janeiro de 2007 a novembro de
2009 e para três tipos de combustível (óleo diesel, gasolina c e álcool hidratado)

Ano Óleo Diesel Gasolina C Álcool Hidratado


Mês Preço médio ao Preço médio à Preço médio ao Preço médio à Preço médio ao Preço médio à
consumidor distribuidora consumidor distribuidora consumidor distribuidora
R$ R$ R$ R$ R$ R$
Janeiro 1,830 1,684 2,363 2,206 1,446 1,303
Fevereiro 1,831 1,682 2,514 2,221 1,502 1,300
Março 1,830 1,682 2,552 2,249 1,484 1,295
Abril 1,832 1,682 2,587 2,279 1,677 1,433
Maio 1,828 1,680 2,586 2,283 1,578 1,340
Junho 1,824 1,676 2,579 2,230 1,364 1,047
2007
Julho 1,824 1,678 2,549 2,199 1,264 1,046
Agosto 1,824 1,678 2,278 2,136 1,123 0,997
Setembro 1,822 1,672 2,273 2,121 1,131 0,987
Outubro 1,826 1,682 2,535 2,178 1,350 1,029
Novembro 1,830 1,687 2,543 2,198 1,495 1,179
Dezembro 1,831 1,686 2,573 2,221 1,636 1,310
Janeiro 1,839 1,698 2,546 2,221 1,581 1,308
Fevereiro 1,843 1,699 2,513 2,209 1,525 1,249
Março 1,842 1,700 2,508 2,208 1,512 1,274
Abril 1,838 1,701 2,366 2,196 1,383 1,244
Maio 1,988 1,824 2,360 2,186 1,464 1,270
Junho 1,989 1,837 2,355 2,185 1,395 1,194
2008
Julho 2,027 1,872 2,352 2,185 1,384 1,224
Agosto 2,041 1,889 2,463 2,207 1,486 1,225
Setembro 2,042 1,889 2,566 2,237 1,582 1,239
Outubro 2,041 1,889 2,564 2,248 1,579 1,250
Novembro 2,042 1,888 2,567 2,249 1,585 1,238
Dezembro 2,041 1,884 2,569 2,246 1,587 1,257
Janeiro 2,043 1,886 2,571 2,249 1,591 1,304
Fevereiro 2,044 1,884 2,571 2,254 1,591 1,337
Março 2,045 1,882 2,570 2,245 1,590 1,288
Abril 2,044 1,877 2,569 2,223 1,587 1,254
Maio 2,044 1,875 2,566 2,218 1,539 1,178
2009 Junho 1,996 1,800 2,565 2,206 1,488 1,095
Julho 1,927 1,726 2,561 2,210 1,472 1,103
Agosto 1,911 1,728 2,558 2,219 1,420 1,088
Setembro 1,906 1,723 2,562 2,228 1,425 1,113
Outubro 1,916 1,727 2,572 2,267 1,533 1,243
Novembro 1,912 1,725 2,597 2,290 1,606 1,324
Variância 0,90% 0,81% 0,90% 0,13% 1,65% 1,19%
Fonte: ANP, 2009.
APÊNDICE C

Histórico de metas para a inflação no Brasil

Ano Norma Data Meta Banda Limites Inferior e Superior Inflação Efetiva

% p.p. % IPCA² % a.a.


1999 8 2 6-10 8,94
2000 Resolução 2.615 30/06/1999 6 2 4-8 5,97
2001 4 2 2-6 7,67
2002 Resolução 2.744 28/06/2000 3,5 2 1,5-5,5 12,53
Resolução 2.842 28/06/2001 3,25 2 1,25-5,25
2003¹ 9,30
Resolução 2.972 27/06/2002 4 2,5 1,5-6,5
Resolução 2.974 27/06/2002 3,75 2,5 1,25-6,25
2004¹ 7,60
Resolução 3.108 25/06/2003 5,5 2,5 3-8
2005 Resolução 3.108 25/06/2003 4,5 2,5 2-7 5,69
2006 Resolução 3.210 30/06/2004 4,5 2 2,5-6,5 3,14
2007 Resolução 3.291 23/06/2005 4,5 2 2,5-6,6 4,46
2008 Resolução 3.378 29/06/2006 4,5 2 2,5-6,7 5,90
2009 Resolução 3.463 26/06/2007 4,5 2 2,5-6,8 4,50³
2010 Resolução 3.584 01/07/2008 4,5 2 2,5-6,9 -
2011 Resolução 3.748 30/06/2009 4,5 2 2,5-6,10 -
¹ A Carta Aberta, de 21/01/2003, estabeleceu metas ajustadas de 8,5% para 2003 e de 5,5% para 2004.
² Índice de Preços ao Consumidor Amplo.
³ Prognóstico.
Fonte: Banco Central do Brasil, 2009.
APÊNDICE D

Taxa Selic (2009)

Dia Mês
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro
1 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65
2 13,67 12,66 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65
3 12,66 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
4 12,66 12,66 10,16 10,16 8,65 8,65 8,65
5 13,66 12,66 12,66 10,16 10,16 8,65 8,65 8,65
6 13,66 12,66 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
7 13,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65
8 13,66 11,16 10,16 10,16 9,16 8,65 8,65
9 13,66 12,66 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
10 12,66 12,66 10,15 9,16 8,65 8,65 8,65
11 12,66 12,66 10,16 8,65 8,65 8,65
12 13,66 12,66 11,16 10,15 9,16 8,65 8,65
13 13,66 12,66 11,16 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
14 13,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
15 13,66 11,16 10,16 9,16 9,16 8,65 8,65
16 13,66 12,66 11,16 11,16 9,16 9,16 8,65 8,65 8,65
17 12,66 11,16 11,16 9,16 9,16 8,65 8,65 8,65
18 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
19 13,66 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
20 13,65 12,66 11,16 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
21 13,65 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
22 12,65 11,16 10,16 9,16 9,15 8,65 8,65
23 12,66 11,16 11,16 9,16 8,66 8,65 8,65 8,65
24 11,16 11,16 9,16 8,66 8,65 8,65 8,65
25 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
26 12,65 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65
27 12,66 12,66 11,16 11,16 10,16 8,66 8,65 8,65
28 12,66 11,16 10,16 8,65 8,65 8,65 8,65
29 12,66 11,15 10,16 9,16 8,66 8,65 8,65
30 12,66 11,16 10,16 9,16 8,65 8,65 8,65
31 11,16 8,65 8,65
13,66 12,66 11,16 11,16 10,16 9,16 9,16 8,65 8,65 8,65 8,65
Mediana
9,16
Fonte: Banco Central do Brasil (25/11/2009).
ANEXO A

Modelo de Requerimento de Cadastramento e Habilitação Técnica

(Fonte: EPE, 2009).


ANEXO B

Documentos que devem ser anexados ao Requerimento de Cadastramento e Habilitação


Técnica

Nomes Pastas e/ou


Documentos Observações Referência
Arquivos nos CD
Anexo
Requerimento de Cadastramento Conforme o modelo (em duas vias). -
0_Requerimento
Anexo 1_Registro Entrega, se disponível, no ato do Portaria MME
Registro na ANEEL
ANEEL cadastramento na EPE. 21/2008
Entrega obrigatória no ato do Portaria MME
Anexo 2_Memorial Memorial Descritivo do Projeto
cadastramento na EPE. 21/2008

Deverá ser apresentada em até 25 dias


Licença Ambiental
antes da data de realização do Leilão. Portaria MME
Anexo 3_Licença
21/2008
Entrega obrigatória no ato do
Protocolo de Licença
cadastramento na EPE.
Parecer de Acesso ONS (Rede Básica
ou DIT) Deverá ser apresentado em até 35 dias Portaria MME
Anexo 4_Parecer antes da data de realização do Leilão. 21/2008
Parecer de Acesso - Distribuidora
Acesso
Protocolo da solicitação do parecer de Entrega obrigatória no ato do
-
acesso cadastramento na EPE.
Entrega obrigatória no ato do Portaria MME
Anexo 5_Ficha Dados Ficha de Dados
cadastramento na EPE. 21/2008
Portarias MME
Certificado de Consistência das Deverá ser apresentada em até 45 dias
21/2008 e
Medições Anemométricas antes da data de realização do Leilão.
211/2009
Anexo 6_Certificado
Certificado de Consistência das
Deverá ser apresentada em até 25 dias Portaria MME
Medições Anemométricas emitido até
antes da data de realização do Leilão. 21/2008
o mês anterior ao do Leilão

Direito de usar ou dispor do local a ser Entrega obrigatória no ato do Portaria MME
Anexo 7_Direito Uso
destinado à EOL cadastramento na EPE. 21/2008

Deverá ser apresentada em até 45 ou Portarias MME


Anexo 8_Declaração Declaração da quantidade de energia
25 dias antes da data de realização do 92/2008 e
Energia SIN ao SIN
Leilão, conforme o caso. 211/2009

Anexo 9_Declaração - Deverá ser apresentada em até 45 dias Portaria MME


Declaração - Aerogeradores Novos
Aerogeradores antes da data de realização do Leilão. 211/2009

Anexo 10_Declaração Declaração de não Participação da Deverá ser apresentada em até 45 dias Portaria MME
não Participação Entidade Certificadora antes da data de realização do Leilão. 211/2009

Anexo 11_ Declaração Declaração de Interesse Participação


Entrega opcional no ato do cadastramento na EPE.
ICG ICG
Anexo 12_Estudos Estudos e Relatórios de Impacto Entrega obrigatória no ato do Portaria MME
Ambientais Ambiental cadastramento na EPE. 21/2008
Fonte: EPE, 2009.
ANEXO C

Dados técnicos do Aerogerador E-70

Especificações Técnicas

Fabricante Wobben Windpower / ENERCON GmbH

Família E-70

Potência nominal 2.000 a 2.300 kW

Diâmetro do Rotor 71 m

Altura do eixo do Rotor 64-113 m (torre tubular em concreto ou aço e diferentes fundações)

Rotor com controle ativo de ângulo de passo das pás

Tipo De frente para o vento (Upwind)

Sentido de rotação Horário

Número de pás 3 m²

Área varrida pelas pás 3.959 m²


Epoxy (reforçado com fibra de vidro), com proteção total contra descargas
Material das pás
atmosféricas
Velocidade do rotor Variável, 6-21,5 rpm
3 sistemas elétricos de acionamento sincronizado do ângulo de passo das pás,
Controle de potência
com suprimento reserva de energia para emergências
Gerador

Eixo Rígido

Mancais Com dois rolamentos cônicos

Gerador Gerador de anel ENERCON com acionamento direto rotor / gerador

Alimentação da rede elétrica Conversor ENERCON

Sistemas de frenagem

3 Sistemas independentes de controle do ângulo de passo das pás

Freio de rotor

Trava de rotor para serviço e manutenção

Controle de orientação Ativo por engrenagens, amortecimento dependente do esforço

Velocidade do vento - início de produção 2,5 m/s

Velocidade do vento - potência nominal 13,5 m/s

Velocidade do vento - corte de produção 28-34 m/s

Sistema de monitoramento remoto ENERCON SCADA

Fonte: Wobben Wind Power.