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AM Advogados Associados

Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juíz(a) de Direito do __ Juizado


Especial da Fazenda Pública da Comarca de Goiânia/GO.

MANOEL MESSIAS PEREIRA LIMA, brasileiro, solteiro, agricultor,


inscrito no RG nº 0905707583, sob o CPF 02752812132, não possuindo
endereço eletrônico, com endereço residencial na Rua 40, QD 120 LT 23,
Jardim Tiradentes, Aparecida de Goiânia-GO, vem por meio de seus
advogados (procuração em anexo), com fulcro na Constituição Federal, no
Código Civil e na lei 8078/90 propor AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS C/C TUTELA DE URGÊNCIA em face de CONSÓRCIO DA REDE
METROPOLITANA DE TRANSPORTES COLETIVOS (REDEMOB
CONSÓRCIO LTDA), pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº
10.636.142/0001-01, com sede na Av. Independência, 4533 - St. Central,
Goiânia - GO, 74055-055, ESTADO DE GOIÁS, representado pela(o)
Excelentíssimo(a) Senhor(a) Procurador(a) Geral do Estado de Goiás,
encontradiço na Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira, n.º 26, Centro, Goiânia –
GO, CEP – 74003-010, GRUPO ESCUDO, pessoa jurídica de direito privado,
inscrita no CNPJ n°01.165.357/0001-92 Av. Bela Vista, Qd. 68, Lt. 01 - St.
Antônio, Aparecida de Goiânia, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir:

1-DOS FATOS

No 27 de outubro de 2018, por volta das 9:00 horas da manhã o


requerente durante um dia normal em sua jornada de trabalho, estava
aguardando no terminal Cruzeiro em Aparecida de Goiânia para embarcar em
um ônibus.
Durante a espera do embarque, o requerente foi surpreendido por um
fato que chamou sua atenção, quando se deparou com um vigilante do
GRUPO ESCUDO, que faz a segurança do terminal, eles estavam ofendendo
verbalmente um vendedor ambulante para se retirar das instalações do
terminal.
Indignada com a situação vexatória acontecendo, uma senhora
começou a reclamar da conduta do guarda, como qualquer cidadão sensato
faria, momento em que o requerente começou SOMENTE a concordar com os
questionamentos da mesma, gerando então uma resistência contra a atitude do
vigilante, momento em que foi covardemente agredido fisicamente pelo guarda
supramencionado, gerando um enorme constrangimento e como se não
bastasse as lesões físicas no requerente, foi jogado spray de pimenta no olho
do autor (vide laudo anexo).

Rua RPS 4, Quadra 04, Lote 14, Residencial Porto Seguro, Goiânia-GO.
Fone: (062) 99429-7875/ 982501959 - CEP – 74366-150 -
Email : ademar.iuris@gmail.com/brunnomoreira.adv@gmail.com
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Inconformado excelência, com a situação de extrema vergonha e


procurando fazer justiça, o requerente se dirigiu a Central de Flagrantes em
Goiânia no mesmo dia, porém não conseguiu o registro do mesmo por falta de
instrução, registrando no dia seguinte o boletim de ocorrência n° 8149693 e
entrada no exame de corpo de delito n° 22097 (vide boletim e laudo anexo).
Insta salientar que em contato telefônico com a concessionária de
serviços públicos (RedeMob) no dia 01/11/2018, conversando no departamento
jurídico com a Srª Marribi para saber como resgatar as gravações internas do
terminal, sendo informado que deveria ser protocolado um oficio requisitório, e
demoraria cerca de 1 mês e meio para ter um parecer. No dia 05/11/2018 foi
protocolado a solicitação das filmagens, e posteriormente, no dia 07/12/2018,
quando indagada sobre a resposta do mesmo, Marribi informou que a retirada
das gravações só seria efetuada mediante ordem judicial.

2- DO DIREITO

2.1 DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

O autor sofre de insuficiência de recursos, requer que seja concedido o


benefício da assistência judiciária gratuita, visto que não conseguem prover as
custas processuais sem o prejuízo do próprio sustento. Sendo assim, é um
direito previsto na CRFB 5º, LXXIV, artigo 98 e seguintes do NCPC e da lei
1.060/50.

Art. 98 A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as
custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma
da lei (grifo nosso).

Ressalte-se que o autor necessita da gratuidade da justiça, sem a qual


o mesmo não conseguirá dar continuidade processual, visto que é atualmente
trabalha de capinar lote, e não possui condições para arcar com as despesas
processuais sem prejudicar o próprio sustento.

2.2 DA EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMOE DA


RESPONSABILIDADE OBJETIVA

É indiscutível a existência de uma relação de consumo, pois há um


consumidor e um fornecedor. A Redemob Consórcio é a fornecedora, visto que
é uma pessoa jurídica de direito privado e que desenvolve a prestação de
serviços à população delegada pelo Estado de Goiás, que no caso concreto foi
a prestação do serviço constitucional de transporte. Conforme prevê o art. 3º
§ 2° do CDC:

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Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica,


pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os
entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de
produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização
de produtos ou prestação de serviços
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado
de consumo, mediante remuneração, inclusive as de
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
(grifo nosso).

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a


alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer,
a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.(grifo nosso)

Por outro lado, o autor é o consumidor final, visto que é uma pessoa
física e adquiriu a passagem para se locomover, nos termos do art. 2º do CDC:
“Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final”.
Importante frisar que a relação jurídica existente foi inteiramente
pactuada na localidade do terminal, no momento em que o requerente
encontrava-se dentro da estação de embarque. Não restam dúvidas que o
negócio jurídico tem respaldo na Lei 8078/90 (Código de Defesa do
Consumidor).
Partindo desse entendimento, presume-se que há uma relação de
consumo entre a prestação de serviço público oferecida mediante remuneração
e aquele que dela se utiliza. Nesse sentido, o consumidor-usuário do serviço
público de transporte coletivo, que é um direito do cidadão como visto acima,
porém prestado sob condição de pagamento de tarifa, estão protegidos pelas
normas do código consumerista.
Neste sentido, vale ressaltar que o CDC possui dentre seus princípios
o da continuidade dos serviços públicos, inserto no art. 22 do mesmo plano
material segue no ponto de vista da relação de consumo efetivado e adequado,
quando menciona que o acesso a utilização do serviço público não advém de
um simples pagamento da tarifa, mas de uma garantia constitucional como da
dignidade da pessoa humana, previsto no art. 5º,III da CRFB, assim vejamos:

Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas,


concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra
forma de empreendimento, são obrigados a fornecer
serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos
essenciais, contínuos.

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Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total


ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as
pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar
os danos causados, na forma prevista neste código.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela


união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana (grifo nosso).

Todas as pessoas devem receber um tratamento digno, e humanizado,


sendo vedada qualquer forma de supressão desse tratamento como acima
vimos, o que não foi o caso narrado, onde ouve uma afronta aos direitos
humanos previstos na Carta Maior da federação.
No caso concreto, é nítido que a concessionária de serviço público e a
empresa de segurança privada agiu de forma negligente e dolosa ao agredir
fisicamente o autor, que apenas discordava verbalmente da atitude anterior do
guarda, tendo o Estado e as duas companhias prestadoras de serviços
públicos (RedeMob e Escudo) responsabilidade civil objetiva e obrigação de
reparar os danos danos que seus agentes, nessa qualidade causarem a
terceiros assegurando ainda, o direito de regresso contra o responsável no
caso de dolo ou culpa, como assim descreve novamente a CF/88 em seu art.
37 § 6°:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de


qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito


privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa

Ora excelência, vislumbramos que está mais que claro que o Estado,
juntamente com as empresas delegadas devem responder objetivamente pelo
dano causado ao requerente, independente de dolo ou culpa. No mesmo
sentido delonga o ilustre doutrinador Bandeira de Mello (2005), “[...] incube a
ele responder perante terceiros pelas obrigações contraídas ou por danos
causados” (cf. 709).

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De plano, outro artigo de importante relevância com o mesmo


raciocínio da responsabilidade das concessionárias deve ser mencionado,
Senão vejamos a letra do artigo 25 da Lei 8987/95:

Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço


concedido, cabendo-lhe responder por todos os prejuízos
causados ao poder concedente, aos usuários ou a
terceiros, sem que a fiscalização exercida pelo órgão
competente exclua ou atenue essa responsabilidade.

Excelência, fica então enfatizada e comprovada o ônus das


concessionárias delegadas do Estado, não somente para reparar a integridade
física ou mental da requerida, mas para que sirva de modelo para que
situações vexatórias como essas não se repitam.

2.4 DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Conforme ensina Renato Afonso Gonçalves (Direito do consumidor,


2015, 6ª edição, p. 56) “ao magistrado que presta jurisdição em contenda de
consumo caberá a análise probatória e caso persista dúvida deverá avaliar a
existência de pelo menos um dos dois requisitos exigidos para a inversão do
ônus”.

2.4.1 Da verossimilhança da alegação

A alegação é verossímil pois o autor tem o Boletim de Ocorrência (n°


8149693), o Exame de corpo de Delito , laudo feito no Instituto Medico Legal-
IML (n° 22097 )onde o laudo afirma ter ofensa à integridade corporal/saúde
causada por terceiro.
Excelência, há também as gravações do circuito interno de segurança
do terminal, solicitada através do oficio anexo protocolado junto a RedeMob
Consórcio, que será essencial para dar ênfase a verdade dos fatos.

2.4.2 Da Hipossuficiência

O autor é hipossuficiente técnico visto que não tem experiência em


relação aos procedimentos da demandada, é inocente, fácil se fazer ludibriar.
Portanto, não há como o mesmo saber dos procedimentos feitos pela
demandada, sobre sua resguardada integridade física durante o serviço
prestado ou outros direitos/obrigações empresariais e administrativas que a
RedeMob tem perante seus passageiros.
Portanto, conforme prevê a lei 8078/90 é um direito básico do
consumidor a inversão do ônus da prova:

Art. 6º.São direitos básicos do consumidor:

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VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive


com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no
processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, seguindo as
regras ordinárias de expectativas.

Portanto, não segue um só requisito, mas sim os dois visto que é


verossímil a alegação e sofre de hipossuficiência técnica. Sendo assim, requer
a inversão do ônus da prova para que caso falte alguma prova, ou diante de
alguma eventual dúvida faça a inversão, para que o ônus de provar recaia para
a parte ré.

2.6 DO DEVER DE REPASSE DAS GRAVAÇÕES

Excelência, é evidente que quando alguém da sociedade sofra uma


lesão nítida (seja ela um dano ao patrimônio, como roubo, furto, algum dano
físico injusto, provar algo que possa privilegiar tal situação) e está lesão foi
capturada por um circuito interno de câmeras, é direito do cidadão ter as
imagens reveladas, por questões de justiça e boa fé.
Salientando este raciocínio, vislumbramos que o caso concreto merece
todo respaldo jurídico necessário para se fazer JUSTIÇA, e se confirma com
uma prova essencial para o deslinde do processo em questão, as gravações do
circuito interno do terminal cruzeiro em Aparecida de Goiânia.
Neste interim, podemos notar um julgado interessante, em que em uma
relação de consumo, a inversão do ônus da prova está atrelada a apresentação
das gravações do circuito interno. Senão vejamos um julgado do TJ-SE:

APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO - AÇÃO DE


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - ABORDAGEM
DE CONSUMIDOR, POR SEGURANÇAS DE
ESTABELECIMENTO COMERCIAL, SOB SUSPEITA DE
FURTO - RELAÇÃO DE CONSUMO -
RESPONSABILIDADE OBJETIVA - INVERSÃO DO
ÔNUS PROBATÓRIO - NÃO APRESENTAÇÃO DE
GRAVAÇÃO DO CIRCUITO INTERNO - EXERCÍCIO
ABUSIVO DO DIREITO DE VIGILÂNCIA E PROTEÇÃO
DO PATRIMÔNIO - DEVER DE INDENIZAR - QUANTUM
INDENIZATÓRIO QUE DEVE SER MANTIDO POIS
GUARDA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
COM O FATO - RECURSOS CONHECIDOS E
IMPROVIDOS.

(TJ-SE - AC: 2007211298 SE, Relator: DES. JOSÉ


ALVES NETO, Data de Julgamento: 18/02/2008,
1ª.CÂMARA CÍVEL)

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Como visto, o não fornecimento das gravações configura um exercício


abusivo do direito de vigilância e proteção do patrimônio, existindo as câmeras
para resguardar a integridade dos cidadãos, e não para ofuscar ilícitos. Com
base no princípio da boa fé elencada no Código Civil, os requerentes pugnam
pelas gravações do circuito interno do terminal, conforme solicitação feita (em
anexo).

2.5 DO DANO MORAL

A Constituição da República assegura em seu art. 5º, V e X a


indenização por danos morais:

Art. 5º:
V- é assegurado o direito de resposta, proporcional ao
agravo, além da indenização por dano material, moral
ou à imagem;
X- são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

O requerente, apesar de ser pessoa humilde e simples, sempre foi


honesto, sempre preservou sua índole, jamais passando por qualquer situação
que lhe pudesse causar algum alvoroço físico ou vergonhoso, porém dolo do
guarda do terminal, representando as reclamadas naquele momento, ofendeu
sua integridade física NA FRENTE DAS PESSOAS sem qualquer tipo de
receio, ensejando então dano moral, que deve ser reparado. Visto que, a
integridade corporal do autor NUNCA foi alvo de ofensa grave por terceiro.
Consagra ainda, nesta linha de raciocínio que o Código Civil, em seus
arts. 186 e 927 p. único, a obrigação civil de reparação do dano, como
salientado acima nos parágrafos anteriores que a pessoa jurídica também se
enquadra no ato ilícito. Senão vejamos:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em
lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.

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Após o fato descrito acima, e indignadas com a situação alarmante,


várias pessoas do próprio terminal incentivaram o requerente a procurar por
JUSTIÇA. Deste modo, com o objetivo de colocar termo em tal situação e não
deixar o caso se tornar apenas mais um procura a tutela jurisdicional para
tanto.
É visível que o autor sofreu grande prejuízo e abalo emocional, visto
que nunca foi agredido fisicamente e ainda sofreu humilhação ao ser
vergonhosamente agredido em público, além de ter seus olhos prejudicados
pelo spray de pimenta.
Lamentavelmente o autor da ação sofreu grande desgosto,
humilhação, sentiu-se extremamente prejudicado, conforme já demonstrado.
Portanto, requer o autor indenização por danos morais no valor de R$ 15.000
(quinze mil reais). Há constrangimentos que dinheiro nenhum consegue pagar,
porém, deve a parte ré sofrer as consequências de seus atos praticados.
Os nossos Tribunais, bem como o TJ-GO entende da seguinte forma:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELO CÍVEL.


AÇÃO INDENIZATÓRIA. ACIDENTE DE TRÂNSITO
ENVOLVENDO VEÍCULO DE CONCESSIONÁRIA DO
TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. CULPA DA VÍTIMA
NÃO DEMONSTRADA (EXCLUSIVA OU
CONCORRENTE). INCAPACIDADE PARCIAL E
PERMANENTE. PENSÃO MENSAL DEVIDA. DANOS
MORAIS E ESTÉTICOS COMPROVADOS. VALORES
COMPENSATÓRIOS MANTIDOS. PEDIDO DE
ABATIMENTO DO SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT)
DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. INDEFERIMENTO.
JUROS DE MORA. VÍCIOS CATALOGADOS NO ART.
1.022 DO CPC NÃO DETECTADOS. 1. Os aclaratórios
têm por objetivo precípuo esclarecer obscuridade, eliminar
contradição, suprir omissão ou corrigir erro material. 2. A
ré, como concessionária do serviço público de
transporte coletivo, responde objetivamente pelos
prejuízos que causar (art. 37, § 6º, CF). Logo, para a
caracterização do dever de indenizar, é suficiente a
demonstração do nexo causal entre o evento danoso
e a conduta administrativa, salvo se provada
excludente de responsabilidade. 3. In casu, não há
indícios de que o acidente ocorrera por culpa exclusiva ou
concorrente da vítima, pelo contrário, tudo aponta no
sentido de que o autor conduzia sua bicicleta em
observância às regras de trânsito, e que o motorista do
ônibus da ré, não, eis que transitava muito próximo ao
meio-fio, invadindo o bordo da pista de rolamento,

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deixando de observar, quando da ultrapassagem, a


distância lateral de segurança, bem assim de dar
preferência de uso da via ao recorrido (inteligência dos
arts. 29, XI, ?b?, 58, caput, e 201, todos do CTB), o que
evidencia a sua imprudência. 4. Como o acidente de
trânsito incapacitou o autor, ainda na infância, de forma
parcial e permanente, correta foi a condenação da ré ao
pagamento de pensão mensal a ele, devendo as
prestações vencidas ser adimplidas de uma só vez,
conforme autoriza o art. 950, caput e parágrafo único, do
Código Civil. 5. Restando evidenciado que o autor, em
razão do sinistro, sofreu profundo abalo psicológico e
emocional, este, agravado pelo fato de o evento ter
ocorrido na infância, bem assim que ele carrega em seu
corpo cicatrizes severas e permanentes, deve ser mantida
a condenação da empresa ré ao pagamento das
indenizações por danos morais e estéticos, nos valores
constantes da sentença (R$30.000,00 e R$25.000,00,
respectivamente), eis que foram fixados em consonância
com os ditames da razoabilidade e da proporcionalidade.
6. Não prospera o pedido de compensação entre a verba
indenizatória e a eventual quantia recebida pelo recorrido
a título de seguro obrigatório (DPVAT), pois não restou
demonstrado nos autos o recebimento desta indenização,
o que era necessário, para fins de abatimento. 7. Quando
da fixação do termo inicial dos juros de mora, houve
equívoco relativamente à indenização por dano estético,
pois o Juiz a quo, em vez de determinar a fluência de tal
encargo legal desde a data do sinistro, como orienta a
Súmula n. 54 do STJ, fixou como termo inicial a data da
citação, o que deve ser corrigido agora, de ofício, por se
tratar de matéria de ordem pública, passível de ser
conhecida em qualquer grau de jurisdição, enquanto o
processo estiver pendente, sem que isso implique
reformatio in pejus. 8. Ausentes quaisquer dos vícios
catalogados no art. 1.022, I a III, do CPC, ficam rejeitados
os aclaratórios opostos.
0034331-08.2016.8.09.0006 - Apelação (CPC)

Então, conforme jurisprudência acima do TJ-GO, bem como do STJ, é


um direito ter a responsabilização da parte ré por danos morais, que deve ser
revertida em favor do autor e que para a caracterização do dever de indenizar,
é suficiente a demonstração do nexo causal entre o evento danoso e a conduta
administrativa, salvo se provada excludente de responsabilidade, conforme
demonstrado na mesma jurisprudência e que hoje é pacífico.

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2.6 DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

Para fixar o valor indenizatório do dano moral, deve o juiz observar às


funções ressarcitórias e putativas da indenização, bem como a repercussão do
dano, a possibilidade econômica do ofensor e o princípio de que o dano não
pode servir de fonte de lucro. Nesse sentido, esclarece Sérgio Cavalieri Filho
que:

“(...) o juiz, ao valor do dano moral, deve arbitrar uma


quantia que, de acordo com seu prudente arbítrio, seja
compatível com a reprovabilidade da conduta ilícita, a
intensidade e duração do sofrimento experimentado pela
vítima, a capacidade econômica do causador do dano,
as condições sociais do ofendido, e outras circunstâncias
mais que se fizerem presentes”.

A parte ré tem uma enorme possibilidade econômica, esse valor é o


que corresponde com o dano sofrido pelo autor, mas para o demandado esse
valor não é NADA. Considerando que a mesma tem um capital social
exorbitante ( pois é a atual concessionária de transporte do estado de Goiás) ,
tem sim comprovado uma descomunal capacidade econômica.
Assim, o montante de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) equivale a uma
justa indenização por danos morais no presente caso. Tendo em vista que, não
enriquece a parte autora e adverte a parte ré.

3-DA TUTELA CAUTELAR

O pedido liminar é um direito do autor, pois ele deve ser concedido


quando preenche os requisitos fumus boni iuris e periculum in mora, conforme
dispõe o artigo 300 do NCPC.
Fumus boni iuris: O autor sofreu a lesão pela parte ré, porém tem direito ao
acesso das filmagens, conforme jurisprudência dos Tribunais ensinam, o não
fornecimento configura abuso do direito de vigilância. Além de que é uma
responsabilidade objetiva, independe de dolo ou culpa. O requerente tem
direito de ter os fatos esclarecidos e fazer justiça, visto que houve um ato de
covardia da parte ré quanto aos direitos lesados acima mencionados.
Periculum in mora: Os procuradores da requerente foram informados através
de uma ligação no jurídico da empresa RedeMob Consórcio que as gravações
ficam em um HD, e que com o tempo podem perecer, e caso não seja deferida
a cautelar, o autor poderá perder a chance de ter uma prova essencial para o
processo, pois até o resultado final da instrução a imagem pode se perecer,
trazendo então um risco ao resultado útil do processo. Portanto, caso necessite
ter uma prova mais contundente sobre os fatos narrados nos autos, não
poderá, causando assim um risco a um dos objetos da ação.

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Portanto, por meio dessa cautelar requer a parte autora o fornecimento


urgente das gravações do circuito interno do terminal Cruzeiro do dia 27 de
outubro de 2018, por volta das 9h da manhã conforme oficio descrito anexo.

4-DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer à Vossa Excelência:

a) Seja concedida, LIMINAR inaudita altera pars, para que seja fornecida
as filmagens da agressão sofrida pelo autor, no circuito interno da
RedeMob Consórcio ou outra empresa responsável pelas gravações
(Art. 300 NCPC);

b) Sejam concedidos os benefícios da assistência judiciária gratuita ao


autor, na medida em que o mesmo não tem condições de acorrer ao
judiciário sem o comprometimento do sustento próprio e o de sua
família, como se prova na declaração de insuficiência financeira anexa,
nos termos do art. 5°, LXXIV da CF/88 e da Lei n° 1.060/50;

c) Que se julgue procedente a ação, com a condenação da parte ré a


pagar os danos morais no montante justo de R$ 15.000,00 (quinze mil
reais);

d) Citação da parte ré para que, querendo, apresente contestação no prazo


legal, bem como provas que achar pertinente para presente caso, sob
pena de revelia;

e) O autor pugna pela inversão do ônus da prova, visto que é


hipossuficiente;

A parte requerente alega interesse na audiência de conciliação.

Provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em Direito.

Dá-se a causa o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Goiânia, 18 de dezembro de 2018.

Brunno Yago Moreira Arriel


OAB/GO 54.314

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12

Ademar Carlos de Araújo Júnior


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