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1 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado

Em 1984, ano em que a russa Natasha Campbell-McBride formou-se


em medicina, o autismo era uma disfunção rara. Segundo ela, apenas
um caso era registrado para cada 10 mil crianças nascidas nas nações de
língua inglesa, onde o diagnóstico da doença iniciou apenas em 1999.
Atualmente, na Grã-Bretanha e em alguns países da América como Es-
tados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, Natasha revela que este índice
aumentou 50 vezes e que agora uma criança com autismo é registrada a
cada 66 nascimentos.
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SUMÁRIO
Parte 1 - Apresentação: quem é a
Dr. Natasha Campbell-McBride................................. 07

Parte 2 - Nutrição como ferramenta para


ultrapassar o desafio do autismo................................. 09

Parte 3 - A flora intestinal tóxica e o


dramático aumento de casos de autismo.................... 12

Parte 4 - A epidemia oculta


e a Segunda Guerra Mundial...................................... 15

Parte 5 - As vacinas “comerciais”


e o aumento da epidemia............................................ 20

Parte 6 - Teste simples que


pode mudar a história ................................................ 23

Parte 7 - A prevenção como forma de combater


a epidemia e o tratamento para reversão.................... 27

Parte 8 - A consciência e os hábitos de alimentação


como ferramenta de transformação............................ 30

Parte 9 - Fermentação, bactérias probióticas


e a industrialização de alimentos................................ 36

Parte 10 - O uso dos probióticos na forma de


produtos lácteos.......................................................... 40

Parte 11 - O uso de suplementos de probióticos: lactéos


cultivados X comprimidos de suplementação ........... 41

Parte 12 - Dieta para cura e prevenção................. 46

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Parte 1
Apresentação: quem
é a Dr. Natasha
Campbell-McBride

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DM: Sejam bem-vindos. Sou o Dr. Mercola. Estou aqui com a Dra.
Natasha Campbell-McBride que irá nos esclarecer sobre um interessante
tópico que é intestino e síndrome psicológica. É realmente um tratamen-
to relacionado com o autismo, TDAH, dislexia, dispraxia, depressão e
esquizofrenia. Bem-vinda Dra. Campbell.
DC: Grata pelo convite. Estou encantada por estar aqui.

DM: Da mesma forma, nós também de tê-la aqui conosco. Poderia


nos dar uma pequena ideia sobre sua formação universitária e sua prática
profissional e como adquiriu experiência nesta área?
DC: Tenho formação em medicina. Fiz minha primeira pós-graduação
quando era uma jovem médica e foi em neurologia. Trabalhei nesta área,
como neurologista e neurocirurgiã, por longos anos. Foi então que resol-
vi constituir a minha família. Meu filho primogênito foi diagnosticado,
quando tinha três anos de idade, o que levou a viver um imenso apren-
dizado porque eu precisava encontrar uma solução para este problema
em razão de que a minha profissão não tinha nada a oferecer, o que me
deu um grande choque. Tendo encontrado todas estas soluções, resolvi
retornar à universidade. Assim completei a minha segunda pós-gradua-
ção em nutrição humana e aprendi muitas e muitas outras coisas. Como
resultado, meu filho ficou completamente curado. Não era mais autis-
ta. Começou a viver uma vida totalmente normal. Tenho uma clínica
em Cambridge na Inglaterra, que é muito movimentada com crianças e
adultos com déficits de aprendizado, desordens neurológicas, desordens
psiquiátricas e ainda com desordens imunológicas e problemas digestivos.

DM: Qual foi o país que recebeu seu aprendizado médico?


DC: Sou russa. E fui profissional da medicina na própria Rússia. Pra-
tiquei como médica, neurologista, na Rússia. Mas quando iniciei minha
vida familiar, mudei-me para o Reino Unido. Então, todo o desastre com
meu primeiro filho aconteceu no Reino Unido.

DM: Seu filho então nasceu no Reino Unido?


DC: Sim. Ele nasceu no Reino Unido. Agora tenho vivido há mais
de 20 anos no Reino Unido e tenho exercido minha profissão por
aqui mesmo.

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Parte 2
Nutrição como ferramenta para
ultrapassar o desafio do autismo

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DM: Quanto tempo demandou para que a senhora adquirisse a ex-
periência e o conhecimento para ser capaz de usar a nutrição para seu
filho ultrapassar o desafio do autismo e que pudesse retroceder a ser uma
criança com funcionamento normal?
DC: Bem, muitos pais entendem, e eu também, a mesma coisa, de que
as crianças nos dão oportunidades de aprendizados. A curva do apren-
dizado é usualmente muito rápida e muito sinuosa, particularmente com
uma criança com autismo, porque, quanto mais novo é o filho a começar
com o tratamento, melhor serão os resultados. Quanto mais se deixa
a criança entregue ao autismo, mais difícil é tirá-lo fora dele e menos
impressionantes serão os resultados. Quando começamos o tratamento,
que denominei – GAPS treatment – (nt.: Gut and Psychology Sydrome
– Intestino e Síndrome Psicológica), com a idade de 2, 3, 4 e até 5 anos,
daremos a nosso filho uma oportunidade real para se recuperar comple-
tamente do autismo, do TDAH, da ADD, da dislexia e da dispraxia e
desse grande grupo de crianças que não se encaixam em nenhuma caixi-
nha de diagnósticos convencionais.
Elas podem estar com níveis muito tênues tanto de autismo como de
TDAH, dislexia e dispraxia e mesmo de alguma outra destas síndromes,
mas não o suficiente para se ter uma conclusão precisa para enquadrá-
-la em algum destes diagnósticos claros. Existem crianças com as quais
os médicos sempre estão procrastinando. Pedem que os pais as tragam a
cada seis meses para observá-las no sentido de dar-lhes um diagnóstico
mais exato. Por isso, valioso tempo acaba se perdendo enquanto a crian-
ça poderia ser auxiliada já desde o início.

DM: Quando a senhora se graduou em medicina? Qual o ano?


DC: Formei-me em 1984.

DM: Somos então contemporâneos. Lembra-se qual era a incidência


de autismo naquela época? Era em torno de uma criança para cada 10
mil ou algo assim? Qual é a sua estimativa atual de incidência de autismo
nos dias atuais no Reino Unido?
DC: Era sim, uma em cada 10 mil quando me graduei. Era uma dis-
função muito rara. Mesmo como médica graduada, nunca me deparei
com um paciente autista. Durante o tempo da minha graduação como

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médica nunca tive um paciente autista. Defrontei-me com outras con-
dições psiquiátricas durante o meu curso em psiquiatria, mas nunca com
uma criança com estas condições. Para ser honesta, a primeira criança
autista com quem me defrontei foi com o meu próprio filho. Como disse,
20 anos atrás, a sociedade ocidental e provavelmente em todo o mundo
de fala inglesa, nós diagnosticávamos uma criança em cada 10 mil.
Quinze anos depois, foi que começamos a diagnosticar crianças au-
tistas e, há cinco anos atrás, já era uma em cada 150 o que representa
mais ou menos 40 vezes o aumento de sua incidência. Agora, na Grã-
-Bretanha e em alguns países, estamos diagnosticando uma criança em
cada 66. Como entendo, os números são similares em alguns estados
nos EUA e em algumas áreas em países da América. O mesmo se dá na
Austrália e na Nova Zelândia. Estive recentemente na Hungria e a inci-
dência não está tão alta, mas está chegando perto de uma criança para
cada 150.

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Parte 3
A flora intestinal tóxica e o
dramático aumento de casos de
autismo

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DM: É um dramático aumento. Basicamente 50 vezes desde o tempo
em que começamos a atuar como médicos. A senhora chegou, a alguma
conclusão dentro de sua compreensão em suas crenças de qual poderia
ser a contribuição primária para este dramático aumento?
DC: Com certeza, não tenho nenhuma dúvida de que estas crianças
nascem com seus cérebros perfeitamente normais bem como seus órgãos
sensoriais e, indubitavelmente, têm todas as suas funções normais. O
que acontece a elas, e esta é a minha absoluta crença, é uma anormali-
dade. É isto que esta Síndrome do Intestino e Psicologia (nt.: em inglês
a sigla é GAPS/Gut and Psychology Syndrome) descreve. O próprio nome
desta síndrome já estabelece uma conexão direta entre o funcionamento
do sistema digestivo e o funcionamento cerebral. O que acontece nestas
crianças? Elas não desenvolvem uma flora intestinal normal no próprio
nascimento, desde o início de suas vidas. A flora intestinal é uma parte
extremamente importante para nossa fisiologia humana.
Pesquisas recentes na Escandinávia mostraram que 90% de todas as
células e todo o material genético no corpo humano é nossa própria flora
intestinal. Nós somos como uma concha. Somos somente 10% de nossa
totalidade. Somos um ecossistema, um habitat, para esta massa de mi-
crorganismos dentro de nós. Ignorá-los nos coloca em grande perigo. O
que acontece com estas crianças é que desenvolvem uma flora intestinal
completamente anormal desde o começo de suas vidas. Como resultado,
seu sistema digestivo, em vez de ser uma fonte de nutrição, torna-se a
maior fonte de toxicidade. Os microrganismos patogênicos dentro de
seus tratos digestivos danificam a integridade de suas paredes intestinais.
Assim, toda a sorte de toxinas e micróbios inundam a corrente sanguí-
nea da criança e acabam alcançando o seu cérebro. Isso, normalmente,
ocorre no segundo ano de vida das crianças que foram amamentadas já
que o leite materno providencia uma proteção contra esta flora intesti-
nal anormal.
Nas crianças que não tiveram o leite materno, vejo estes sintomas
de autismo se desenvolverem já no primeiro ano de vida. Por isso, o
aleitamento materno é crucial para proteger estas crianças. Então elas
nascem com seus cérebros normais, seus olhos, ouvidos, tato e papilas
gustativas, todos normais. Todos os órgãos sensoriais fornecem-nos as

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informações coletadas no ambiente. Se observarmos as criancinhas, elas
estão atentas a tudo. Elas ouvem tudo e tocam em todas as coisas. O que
estão fazendo? Coletando informações do ambiente onde estão e estas
informações vindas de seus órgãos sensoriais são passadas para o cérebro
para serem processadas. Assim que o cérebro processa essas informações,
a criança aprende. Esta é a mãe e este é o pai. Isto é um brinquedo. Vou
brincar com este brinquedo desta maneira. Não faço nada com este brin-
quedo. Não vou destruí-lo. Não o jogo fora. Esta é uma colher. Eu como
com ela. Estas pessoas em meu entorno, eu me comunico com elas desta
maneira. No entanto, o que acontece com as crianças que têm esta sín-
drome (GAPS)? Em razão deste rio de toxicidade vindo de seu intestino,
indo em direção ao cérebro da criança, o mesmo é entupido com estes
tóxicos, e assim ele não consegue processar a informação sensorial.
Esta informação se transforma numa massa sem sentido como um ruído
no cérebro da criança e desse ruído ela não consegue aprender nada. Ela
não consegue decifrar em nada útil. É por isso que elas não aprendem
como se comunicar. Elas não aprendem como entender a linguagem, como
empregá-la, como desenvolver todos os comportamentos instintivos natu-
rais e perceberem os comportamentos que as crianças normais desenvol-
vem. O segundo ano de vida é crucial na maturação do cérebro do bebê. É
quando as habilidades de comunicação, os comportamentos instintivos, as
habilidades para brincar e os comportamentos de enfrentamento se desen-
volvem. Se o cérebro da criança, pleno de toxicidade, falha nesta janela de
oportunidade de aprendizado, começa a se desenvolver o autismo, depen-
dendo tanto da mistura das toxinas, de quão severa é toda sua condição,
quanto severamente sua flora intestinal está anormal.
A criança pode apresentar esta condição com um leque de sintomas
que podem se adequar a um diagnóstico de autismo ou de outra gama
de sintomas que podem ser percebidos como um típico déficit de aten-
ção e hiperatividade (nt.: em inglês ‘attention deficit hyperactivity disorder/
ADHD’ ou ‘attention deficit disorder/ADD’) ou só défict de atenção sem
hiperatividade, e até mesmo dislexia, dispraxia e desordem obsessiva
compulsória ou algo mais. Mas acredito que a maioria dos casos, em
torno de 80% destas crianças, tem mais uma mistura de sintomas, não
se enquadrando em nenhum tipo específico de diagnóstico. Estas são
as crianças que perdem anos muito importantes no início de sua vida,

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quando poderiam ser, na verdade, auxiliados.

Parte 4
A epidemia oculta e a
Segunda Guerra Mundial

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DM: Esta é uma observação interessante. Estou seguro que isso aporta
uma oportunidade fenomenal para haver uma intervenção terapêutica
que poderá fazer a diferença. A questão central que tenho é que estou
um pouco confuso porque, sendo a flora intestinal que provoca isso,
deve haver alguma coisa que causou esta mudança nos últimos 30 anos,
a menos que tenha ocorrido uma alteração espontânea para uma flora
diferente. No entanto, algo está levando a que organismos diferentes
contribuam para esta patologia. Qual é a sua suposição quanto às variá-
veis e aos fatores que estão contribuindo para esta mudança que leva os
pacientes a esta síndrome (nt.: GAP syndrome)?
DC: Claro! É uma ótima questão. A epidemia de autismo e do TDAH,
além da dislexia e dispraxia – estamos empregando a expressão ‘epide-
mia’ aqui, apesar do fato de que, classicamente, ela é empregada para
doenças infecciosas – tem uma origem. Assim, estamos usando epidemia
de autismo em razão de, sem dúvida, estarmos vivendo uma situação
epidêmica com esta síndrome. A epidemia oculta que gera todas estas
condições, e mesmo de outras síndromes, é uma epidemia de anorma-
lidades na flora intestinal. Vou explicar como isso ocorre. Desde todo
o sempre, o conhecimento científico reconhece que o bebê dentro do
útero materno, durante os nove meses, é estéril. Ou seja, o intestino do
bebê, por isso, também é estéril.
Então, quando o bebê obtém sua flora intestinal? No momento do
nascimento, quando ele vai através do canal vaginal de sua mãe. Assim,
tudo o que é vivo no canal vaginal da mãe, na vagina materna, torna-se
a flora intestinal do bebê. Então o que vive na vagina materna? Esta é
a área mais rica em vida do corpo da mulher. Sua flora vaginal vem de
seu aparelho digestivo. Assim, se a mãe tem uma flora intestinal anor-
mal, terá consequentemente uma flora anormal em seu canal vaginal de
nascimento. Sua flora vaginal vem de seus intestinos. Então, se a mãe
tem uma flora intestinal anormal, consequentemente o mesmo ocorrerá
em seu canal de nascimento. Os pais não são exceção, em razão de que
eles também têm sua flora intestinal, e ela povoa suas virilhas. Compar-
tilham esta flora com a mãe de forma corriqueira. Na minha clínica, o
que eu antes busco, antes de tudo, é falar sobre a criança. Sempre coleto
a história da mãe, do pai e mesmo pergunto sobre os avós da criança.
O que tenho detectado é que viemos tendo uma epidemia crescente e

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aprofundada de anormalidades na flora intestinal, que iniciou a partir
da Segunda Guerra Mundial, quando os antibióticos foram descobertos.
Cada uso dos antibióticos de amplo espectro elimina as espécies de mi-
cróbios no intestino, que deixa neste local os patógenos incontrolados.
Num sistema digestivo normal saudável, com uma flora intestinal nor-
mal e saudável, as espécies de micróbios benéficos predominam e são
chamados de probióticos. Temos então bactérias probióticas, bem como
vírus e fermentos, além de vermes benéficos, como também protozoá-
rios benéficos. No entanto, os antibióticos de largo espectro eliminam
as bactérias benéficas. Paralelamente, com os microrganismos benéficos
num intestino saudável, os cientistas detectaram agora milhares de dife-
rentes espécies de doença, muito patogênicas causadas por microrganis-
mos; bactéria, vírus, fungos e outros microrganismos. Mas, contanto que
os bons predominem no intestino, eles controlam todos os patógenos e
não permitem que eles causem qualquer problema. Eles os deixam em
pequenas colônias e não permitem que se proliferem. Cada uso destes
antibióticos elimina as bactérias benéficas e dão um espaço de oportuni-
dade para os patogênicos se proliferarem, crescerem incontrolavelmente
e ocuparem novos nichos no intestino. A flora benéfica se recupera no
intestino, mas espécies diferentes dela precisam entre duas semanas a
dois meses para se recuperarem. E esta é a janela de oportunidade para
vários patógenos se expandirem.
O que eu vejo nas famílias de crianças autistas em particular é que a
mãe tem sua flora intestinal 100% anormal e tem problemas de saúde
relacionados a isso. E quando olho para as avós maternas, detecto que
também elas têm sua flora intestinal anormal mas de forma mais suave
devido ao pouco uso de antibióticos que ela recebeu antes de ter tido sua
filha, agora mãe de uma criança autista. Então, ao ter sua filha já lhe pas-
sou alguma desta flora anormal no parto. Mulheres que estão tendo seus
filhos agora – nasceram nos anos 50, 60 e 70, e mesmo foram crianças
neste tempo – época em que amamentar ficou fora de moda. E este foi
o tempo quando os leites formulados surgem no mercado (nt.: lembrar a
corporação Nestlé como a grande manipuladora deste tempo, até na criação
das maternidades com a separação mãe e filho e o uso do leite Nan) e que foi
dito às mulheres que não era moda amamentar e que não havia necessi-
dade disso nunca mais. Agora a gente sabe melhor destas consequências

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disso tudo. Agora sabemos que bebês amamentados desenvolveram flo-
ra intestinal completamente diferente das crianças que mamaram ma-
madeiras. Ambas acabaram desenvolvendo floras intestinais anormais,
que mais tarde as predispuseram a alergias, eczemas e dificuldades de
aprendizado e várias outras desordens. Agora muitas mulheres tentam
amamentar (nt.: lembrar das campanhas da ONU sobre a necessidade
do aleitamento materno).
O que eu descobri é que as mães das crianças autistas que nasceram
neste tempo, quando estas fórmula infantis recém chegaram, uma gran-
de percentagem delas não foi amamentada. Assim, estas mulheres adqui-
riram uma flora intestinal levemente anormal de sua mães no nascimen-
to e então não foram amamentadas e assim a anormalidade em sua flora
intestinal aprofundou-se através de seus filhos, que receberam muitos
antibióticos. Desde então, os antibióticos foram prescritos particular-
mente nos anos 50 e 60, eles foram prescritos como coisa natural para
qualquer tosse ou espirro. Eles realmente foram super-prescritos. E em
cada uma destas super-prescrições de antibióticos, as anormalidades na
flora intestinal foram se aprofundando, se aprofundando nestas jovens
mulheres. E então nas idades de 15, 16 anos foram-lhes administradas
as pílulas anticoncepcionais. Elas tiveram um efeito devastador sobre a
flora intestinal.
Hoje em dia, as mulheres estão ingerindo estas pílulas por um bom
espaço de anos antes de se tornarem aptas para começarem suas famí-
lias. A isso podemos acrescentar o aparecimento da ‘junk food’ (nt.: ver
o texto do artigo de fevereiro de 2013 do New York Times – http://www.
nossofuturoroubado.com.br/portal/corporacoes/a-extraordinaria-ciencia-de-
-viciar-em-junk-food) e todos os carboidratos processados que as pessoas
estão consumindo hoje em dia. Estes tipos de comida são praticamente
o alimento fundamental para os patógenos no sistema digestivo permi-
tindo-os proliferarem. Muitos destes fatores modernos criaram toda uma
profusão de jovens mulheres no mundo moderno que dispõem de uma
flora intestinal profundamente anormal no tempo em que estão prontas
para terem seus primeiros filhos. É esta flora intestinal anormal que elas
estão passando através de si para seus filhos. Assim, estes bebês adqui-
rem sua flora intestinal anormal desde o começo. E enquanto o bebê tem
fatores imunológicos em seu sangue, desenvolvem condições contra suas

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próprias floras intestinais para protegê-los. Estes fatores imunológicos
estarão no leite de suas mães. Enquanto o bebê é amamentado, apesar
do fato de já ter adquirido a flora intestinal anormal de sua mãe, terão
alguma proteção.
No entanto, assim que o aleitamento é interrompido, esta proteção
também se interrompe. Este é o tempo quando as anormalidades na flora
intestinal realmente florescem. É quando a criança começa a deslizar em
direção ao autismo, ao TDAH ou ao TDA ou à alguma outra desordem
de aprendizado ou problema físico, como diabetes tipo 1, por exemplo.
Da mesma forma, pode ser a doença celíaca, uma condição autoimune
ou à outra situação como asma, eczema e outros problemas físicos. É daí
que esta epidemia surge. Infelizmente, a predição é, olhando para o que
está acontecendo no nosso mundo moderno, de que todos os fatores que
tornam a flora intestinal anormal na população, estão se tornando cada
vez mais fortes. Eles não estão apresentando nenhuma fraqueza. Assim,
as novas gerações de jovens mulheres que se dirigem a terem filhos, estão
tendo pior flora intestinal. Assim, a proporção de crianças com a sín-
drome GAPS que estão nascendo destas mães, está crescente em nossa
população. Nossas autoridades necessitam entender isso e precisam estar
aptos para enfrentar este fato.

DM: Isso é fascinante. Imagino que a introdução do xarope de milho,


rico em frutose, na metade dos anos 70 pelos cientistas japoneses, vem
permitindo que a indústria de alimentos produza frutose a taxas muito
menos dispendiosas. Assim, essencialmente é um açúcar mais barato e
aumenta radicalmente a quantidade de frutose no fornecimento deste
açúcar que não traz nada de bom para beneficiar a flora intestinal e pro-
vavelmente contribui para seu aumento.
DC: Com certeza.

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Parte 5
As vacinas “comerciais”
e o aumento da epidemia

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DM: Também estou querendo saber se os que estudaram esta epide-
mia do autismo, mesmo que seja uma área controversa, descobriram a
existência de alguma associação entre o uso de vacinas no aumento da
epidemia. Estou também querendo saber como a senhora pode ligar as
duas situações.
DC: Os bebês estão nascendo não só com os intestinos estéreis, mas
também com seu sistema imunológico imaturo. Estão chegando a este
mundo como uns alienígenas. Seus sistemas imunológicos necessitando
serem educados. O estabelecimento de uma flora intestinal normal se dá
nos primeiros 20 e poucos dias de vida, desempenhando um papel cru-
cial na maturação apropriada do sistema imunológico do bebê. Aqueles
que desenvolvem uma flora intestinal anormal, acabam tendo sua imu-
nidade comprometida. As vacinações foram desenvolvidas para crianças
com o sistema imunológico perfeitamente saudável. As crianças com a
síndrome GAPS não estão adequadas para serem vacinadas com o pro-
cedimento padrão de vacinação. Em meu livro Gut and Psychology Syn-
drome, escrevi todo um capítulo em que defendo uma proposta de que as
autoridades deveriam ter feito uma estratégia de vacinação mostrando o
que este procedimento padrão está causando de danos a estas crianças.
Elas não estão adequadas para serem vacinados desta forma.
Vendo que a proporção de crianças com GAPS na população está
crescendo, ninguém calculou quantas delas hoje estão nascendo com
esta síndrome. Adoraria muito que alguém fizesse este estudo para, na
verdade, verificarmos quantas são e qual a proporção da população é de
crianças com esta síndrome. No entanto, percebo que esta proporção
está crescendo, crescendo, crescendo. Outro problema é que as vaci-
nações são produtos comerciais e o número delas está aumentando e
aumentando em razão de serem altamente lucrativas para a indústria
farmacêutica, para os governos no ocidente e para aqueles que adminis-
tram as vacinas, além é claro da indústria médica. Isso está se tornando
uma indústria de fazer dinheiro (vacinação).
Vejo que a cada ano temos novas vacinas chegando às crianças que
há dez anos recebiam de 14 a 15, todas juntas, pela idade de cinco anos.
Agora estão recebendo de 20 a 22. Onde tudo isso vai parar? O que
também precisamos entender é que a indústria farmacêutica não po-
dendo patentear vírus, bactérias e outros microrganismos naturais que

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foram criados pela natureza, têm que alterá-los geneticamente antes de
patenteá-los. Assim, estas vacinas contêm vírus geneticamente modi-
ficados, microrganismos geneticamente modificados. Ainda não temos
dados suficientes para saber o que exatamente elas estão fazendo ao cor-
po humano e o que exatamente estes genes alterados estão ocasionando
à nossa flora intestinal e a destas crianças. Tenho visto muitas delas em
minha clínica que estão sendo danificadas pelas vacinações. Não precisa
ser a MMR (measles/mumps/rubella) (nt.: sarampo/caxumba/rubéola, co-
nhecida como vacina tríplice). Algumas crianças são danificadas p por ela,
outras pela DPT (diphetheria/pertussis/tetanus), (nt.: difteria/coqueluche/
tétano, conhecida como tríplice bacteriana).
Já outras foram danificadas pelas primeiras vacinas que elas recebe-
ram tão logo nasceram. No bloco leste, eles ainda estão vacinando para
tuberculose. Existem outras para catapora, e vejo crianças danificadas.
Tudo depende de quão pobre é o seu sistema imunológico. Elas já es-
tão com sua imunologia comprometida porque têm a flora intestinal
anormal. Cada aplicação de antibióticos danifica a flora posteriormente.
Cada um deles tem um efeito danoso direto sobre a imunologia em razão
de danificarem os vários fatores das células imunológicas, várias partes
da imunologia. Assim, as crianças tornam-se imunologicamente cada
vez mais comprometidas com cada dose de antibióticos. Isso é como se
fosse a última gota para o vaso transbordar. Assim, se a criança já está
danificada o suficiente, a vacina pode ser a gota final. Mas, se ela não
causar isso numa criança específica, pode colocá-la perto do ponto de
ruptura. Pode ser que não seja danificada pela vacinação, mas um ano
depois pode desenvolver diabetes tipo 1. Quem vai dizer que uma coisa
tem a ver com a outra?

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Parte 6
Teste simples que
pode mudar a história

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DM: Sem dúvida. Tem um número de pesquisadores que comen-
tam sobre isso. Existe um que conseguiu uma evidência epidemiológi-
ca muito boa para mostrar esta associação. Agradeço sua explicação.
Ela realmente traz à consideração que eu nunca havia ouvido de que
existe, na verdade, este grupo, um subgrupo da população normal,
que está em sério risco quanto ao desenvolvimento de lesões origi-
nárias da vacina e que podemos identificá-lo baseados em sua flora
intestinal. Existe algum teste simples ou mesmo um ensaio que possa
ser usado, ou se saber, e que pode identificar este grupo para efetiva-
mente exclui-lo do calendário de vacinação?
DC: Com certeza. Tenho um capítulo completo em meu livro com
a descrição de toda esta situação. A primeira coisa que se deve fa-
zer, é não utilizar nada invasivo. Inicialmente, precisamos conhecer
a história de saúde de seus pais. Se os pais têm uma flora intestinal
normal é o que estão transmitindo para seu filho. Então as fezes da
criança podem ser examinadas quanto à sua flora intestinal nos seus
primeiros dias de vida. Outra forma de se saber sobre o sistema imu-
nológico, pode-se utilizar a urina da criança. Ela pode ser analisada,
novamente um teste não invasivo para os metabólitos da flora in-
testinal. Temos agora excelentes testes que detectam as substâncias
químicas que são produzidas pelas várias espécies de microrganismos
no intestino. Estas substâncias químicas, então, atravessam a parede
intestinal e vão para a corrente sanguínea, circulando por todo o or-
ganismo e deixam o corpo através da urina.
Assim, analisando sua urina, podemos indiretamente dizer que tipo
de espécies de microrganismos estão alojadas no seu intestino e que
tipo de substâncias químicas eles estão produzindo. Em razão do per-
fil destes químicos de uma urina saudável mostrar-se de uma determi-
nada forma, constata-se que, quando for uma criança com a síndro-
me GAPS, este perfil é muito, muito diferente. Então veremos certos
químicos naquela situação que não estarão presentes nesta última.
Assim fazendo estes simples processos não invasivos, podemos muito
mais dizer se esta criança tem ou não uma flora intestinal normal. Se
ela tiver anormal podemos então saber que ela terá sua imunidade
comprometida e que não poderão ser vacinadas dentro do procedi-
mentos padrões de vacinação. Elas simplesmente serão danificadas

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com ela. Elas não podem ser, por isso, vacinadas.
Outro grupo de pacientes são os irmãos destas crianças. Os irmãos
das crianças autistas, das com hiperatividade severa, obesidade com-
pulsiva, diabetes tipo 1 e de outras com condições mental e física se-
veras. Apesar do fato destes irmãos sanguíneos, meninos e meninas,
poderem não ser autistas e talvez tenham tido um desenvolvimento
perfeitamente normal, detectei neles, eventualmente, eczemas, asma
e problemas digestivos. Talvez um pouco de hiperatividade, um pou-
co de dislexia e mesmo algo desastrado com sua dispraxia, instabili-
dade emocional e até alguma outra coisa mais. Estas crianças não são
autistas, mas têm a mesma herança na sua flora intestinal por serem
da mesma mãe. Devido ao fato de que há diferenças genéticas, sem-
pre há, as gravidezes são diferente.
Isso precisa ficar claro, gravidez menos tóxica, gravidez menos es-
tressante, então a criança pode apresentar uma constituição mais
forte e sua flora intestinal anormal não fazer dela autista, mas não
deixa de ser ainda vulnerável. Também elas reagem às vacinações.
Irmãos mais moços de crianças autistas e daquelas com todas estas
desordens e todos estes problemas não devem ser vacinadas dentro
destes procedimentos padrões de vacinação. Os testes imunológicos
que eu falei podem ser repetidos a cada seis meses ou a cada ano ou
quando ela já estiver sendo considerada perfeitamente saudável e seu
sistema imunológico mostrar por si próprio estar perfeitamente bem
e funcionando normalmente. Somente então a vacinação pode ser
considerada para estas crianças, porque simplesmente não podemos
colocá-las em risco.

DM: Considero isso tudo fascinante. Realmente uma descrição


elegante e numa abordagem de como contornar esta epidemia de au-
tismo que está sendo um quebra-cabeça estonteante para a maioria
de nós. Estes testes e ensaios que foram descritos antes e que estão
em seu livro, estão facilmente disponíveis? A maior parte dos clíni-
cos têm acesso a eles ou só em laboratórios especiais? Quanto está
seu custo?
DC: Estão disponíveis na maioria dos laboratório em todo o mun-
do. O teste foi desenvolvido, primeiramente, pelo Great Plains Labo-

25 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


ratory, nos EUA. Isso foi há 25 anos atrás. Agora estão disponíveis na
Europa Ocidental, na Europa Oriental, em todo os EUA e na Ásia.
Tanto quanto eu sei, está disponível em Hong Kong e na Austrália.
Muitos laboratórios absorveram este método e o estão fazendo. Es-
tes testes são completamente não invasivos. Assim não precisa de
nenhuma agulha para aplicá-los para se verificar sua flora intestinal.
Teste as fezes, a urina e terá a própria história de saúde da criança e
de seus pais.

DM: Qual o custo básico para se fazer estes testes?


DC: O teste de ácido orgânico que estou falando, o teste de urina
está em torno de $100 dólares. A análise de fezes está em torno de
80 a 90 dólares.

26 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


Parte 7
A prevenção como forma de combater
a epidemia e o tratamento para
reversão

27 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


DM: Muito razoáveis se considerarmos as dezenas ou centenas de
milhares de dólares despendidos em alguns casos, além de se ter um
filho com um desses transtornos.
DC: É verdade. Quando as autoridades, o Estado, assumem a res-
ponsabilidade para cuidar destes indivíduos, a população autista vive
uma expectativa de vida normal. Podem viver até os seus 70 anos. São
pessoas que apresentam deficiências severas que precisam ser cuidadas
por toda sua vida. Isto exige milhões, centenas de milhões, um custo
para cuidar uma pessoa até seus 70 anos. Seguramente, fazer um par
de testes quando o bebê nasce, prevenindo a lesão, vale muito a pena.

DM: Preciso afirmar de que esta é realmente uma recomendação


extraordinária e relativamente simples e barata. Certamente aces-
sível à grande maioria da população que está tendo filhos. E há um
gasto para se ter filhos, mas isto é muito menor até como um ato de
segurança, se estivermos decidindo a implantação de uma agenda
de vacinas. Parece quase uma imperícia não se fazer este processo
para os filhos.
DC: Nossas crianças estão sendo usadas como mercadoria para a
venda de vacinas. Elas são vacinadas no ocidente, e estou com receio
que seja não pelo amor de salvar uma criança, mas pelo amor de fa-
zer dinheiro. Infelizmente a situação está se encaminhando para isso.
Isso me deixa extremamente triste e a situação é preocupante.

DM: Tenho sempre este princípio, e a maioria das pessoas poderá


concordar, que esta é a melhor estratégia, o princípio da prevenção.
É melhor prevenir do que remediar. Este é um velho ditado padrão,
mas provavelmente é um ou dois graus de magnitude maior do que
isso. Agora que nós identificamos como prevenir esta situação, e esta
é realmente a chave central. A maioria das pessoas que ouviram isso
não vai cair nesta situação. Elas estão escutando porque sabem ou co-
nhecem alguém que sofre este tipo de desordem. Como foi dito antes,
quanto mais cedo se implementar este processo, melhor - pelo sim-
ples fato de que, possivelmente, isso será mais efetivo. Quero saber se
é possível delinear as estratégias e o processo de restabelecimento da
saúde de alguém que sofre este dano, por estar sob o risco do desen-

28 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


volvimento desta deficiência em razão de sua disfunção imunológica,
que acabou desenvolvendo pelo desequilíbrio de sua flora intestinal,
e ainda têm as vacinas.
DC: Existe um tratamento muito efetivo para esta condição que é
chamado de Processo Nutricional GAPS. Está descrito com muitos
detalhes no meu livro, chamado Gut and Psychology Syndrome. É um
livro com a capa amarela. Milhares de pessoas, provavelmente deze-
nas de milhares, neste momento ao redor do mundo, estão salvando
suas crianças que estão com este problema. O livro é um material de
autoajuda. A maioria destas pessoas efetivamente comprou o livro e o
leu e agora segue o seu programa e está tendo resultados fantásticos.
Realmente, eu amo todas essas pessoas. Elas me enviam mensagens
de todo o mundo com suas histórias e seus maravilhosos resultados,
e nunca me pedem nenhuma consulta, nem nenhuma orientação de
como proceder.

29 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


Parte 8
A consciência e os hábitos de
alimentação como ferramenta de
transformação

30 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


DC: Tenho um website de informações (www.doctor-natasha.com/).
Não é um site comercial. Está cheio de informações e se chama www.
gaps.me como foi mencionado. Existem muitos outros sites sobre GAPS
na internet e há muitos grupos de discussão onde os pais e os pacientes
estão tentando auxiliar-se mutuamente, trocando receitas e auxiliando
um ao outro a conhecerem seus procedimentos posteriores e como eles
funcionam. Este procedimento consiste em três elementos. O primeiro
e o mais importante é a dieta. Isso, essencialmente, está ligado a desor-
dens digestivas. O autismo é essencialmente uma desordem digestiva. O
TDAH é essencialmente um transtorno digestivo. A dislexia, a dispra-
xia e outras incapacidades de aprendizado e problemas psicológicos em
crianças e adultos, também são desordens digestivas. Eu ainda amplio
em direção às desordens psicológicas, como aquelas ligadas ao alimen-
tar-se. Anorexia nervosa e a bulimia, além de outras, semelhantes são
desordens digestivas. Da mesma forma, a questão bipolar. E digo mais,
depressão, compulsão obsessiva, esquizofrenia e epilepsia, na maioria dos
casos, também são condições GAPS. O trato digestivo é um longo tubo.
O que colocamos neste tubo tem um efeito direto sobre seu bem estar. É
por isso que a dieta é o tratamento mais importante. A dieta GAPS está
baseada em um carboidrato específico, mas eu fiz uma leve modificação
e expandi a dieta no sentido de adaptá-la para meus pacientes na minha
clínica. Foram meus pacientes que deram este nome.
Mas o que esta dieta faz? Dela se remove todos os alimentos que são
de difícil digestão. São disponibilizados alimentos que são fáceis de se-
rem digeridos e que são muito densos em termos nutricionais. Isto por-
que os pacientes não são capazes de digerir e absorver propriamente os
alimentos, por terem múltiplas deficiências nutricionais. Seus cérebros
estão famintos, bem como seus sistemas imunológicos e o restante de
seus organismos. Devemos dar-lhes alimentos que sejam muito ricos em
nutrição e que sejam facilmente digeridos, já que tiveram seus sistemas
digestivos danificados. Todos os alimentos que são de difícil digestão,
são removidos da dietas. A beleza dela é que não se precisa aderir pelo
resto de nossas vidas. Na média, as pessoas aderem a ela por um certo
número de anos. Leva-se dois anos para se eliminar a flora patogênica e
restabelecer a flora normal no intestino, para curar e recuperar a parede
intestinal lesada e para os intestinos retornarem a ser a maior fonte de

31 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


sustentação de uma pessoa, em vez da fonte de toxicidade. Uma vez que
isso acontece, pode-se começar a introduzir alimentos que não podiam
comer antes. Gradualmente, vão retornando a uma grande variedade
de alimentos.
No entanto, jamais retornar à terrível dieta ‘junk food’ ocidental,
porque esta forma de alimentação é extremamente nefasta. O que as
pessoas estão ingerindo diariamente é algo aterrador. Tendo vindo da
dieta GAPS, elas deverão continuar se alimentando de forma muito mais
saudável. Continuarão a fazer sua própria comida integral, que irá nutri-
-las e sustentá-las para o resto de suas vidas. A dieta é a maior parte dos
procedimentos nutricionais GAPS. A segunda parte está relacionada a
alguns suplementos, muito bem escolhidos. Na verdade, eles não são
suplementos, são alimentos. Um deles são os probióticos. Estes pacientes
precisam de probióticos efetivos em razão de que necessitamos introduzir
bactérias benéficas em seus intestinos, e assim poderão eliminar os para-
sitas, descartando-os e preenche-os com flora benéfica. Os probióticos
são uma importante parte do tratamento. Tenho um capítulo completo
em meu livro explanando o conceito completo dos probióticos. Que tipo
de probióticos escolher e qual dosagem usar para diferentes pacientes. O
segundo suplemento importante para estas pessoas são as vitaminas A e
D na forma de casca de nozes. Recomendo também o óleo de fígado de
bacalhau. A maior fonte de vitamina A nesta dieta está nela mesma. Ela
também é rica em vitamina D porque a recomendação é de alimentos
que sejam ricos nestas vitaminas. Luz solar é uma importante parte no
fornecimento de vitamina D para elas. É por isso que recomendo banho
de sol tanto quanto possível sem usar nenhum tipo de protetor ou outro
creme tóxico sobre a pele.
O óleo de fígado de bacalhau é um importante ingrediente do trata-
mento. Tem uma intervenção temporária, em razão de que a dieta é im-
plementadora para que o paciente tenha toda as vitaminas A e D neces-
sárias da própria dieta. Para uma boa percentagem dos pacientes, óleo de
peixe e óleos com ômega-6 de plantas são auxiliares por um período de
tempo também. Para um grupo de pacientes, suplemento com enzimas
digestivas, particularmente com ácido estomacal, que pode auxiliá-lo da
mesma forma. Não para todos, particularmente em crianças. Nós usual-
mente não necessitamos enzimas digestivas, só nos níveis que poderão

32 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


auxiliar o processo. Estes são os suplementos. Não recomendo nenhum
outro suplemento, especialmente no início do programa, porque não se
quer colocar um grande esforço na dieta e então minar todo o processo
com uma simples pílula. Como todos os suplementos industriais, têm
adjuvantes e complementos, além de outros ingredientes, que podem
danificar a parede intestinal em foco e que se está tentando curar nestas
pessoas. A parede já está irritada e ferida. A terceira parte deste pro-
cedimento nutricional GAPS é a desintoxicação. Todos nós temos um
sistema assim chamado de desintoxicação em nossos organismos, com
sede no fígado e departamentos em cada célula. Este é um sistema de
limpeza de nossos organismos. É um sistema altamente sofisticado. É o
que nos deixa limpos. Isso porque o processo digestivo produz uma série
de substâncias tóxicas que são absorvidas. Nosso metabolismo produz
muitas substâncias que precisam ser recicladas e que podem ser tóxicas
se elas não forem recicladas apropriadamente.
Assim, é isso que o sistema de desintoxicação faz. Nestes pacientes,
em razão que haver um rio de toxicidades chegando do intestino para o
fígado, o sistema de desintoxicação torna-se entupido. Há um acúmulo
aqui, o tráfego se avoluma e ele sozinho não pode lidar com isso. Como
resultado, estes pacientes acumulam toxinas. Eles não as processam nem
as eliminam apropriadamente. Eles acabam as acumulando em vários
tecidos de seus corpos. É por isso que, quando testamos estas crianças
para mercúrio, encontramos mercúrio. Quando se faz com chumbo, de-
tectamos chumbo. O mesmo ocorre com arsênico, fenóis, formaldeído
e centenas de outros químicos tóxicos aos quais somos todos expostos
no ambiente – tanto no ar, como água, alimentos e na própria pele.
Contanto que o sistema de desintoxicação funcione apropriadamente,
ele processa estas coisas e não estamos conscientes delas. Mas nestas
crianças a desintoxicação não funciona. Assim, acumulam estas coisas.
O procedimento nutricional GAPS irá naturalmente limpar estas coisas
eliminando-as para fora. Serão descarregadas ao ligar o sistema de desin-
toxicação, ao restaurá-lo, permitindo-o funcionar novamente. Processa
rapidamente estas coisas, removendo-as normalmente. Não utilizo ne-
nhuma droga ou qualquer químico para remover as toxinas para fora dos
organismos. Não acredito nestas intervenções. Penso que isso é muito
drástico e muito grave, e ainda produz uma série de efeitos colaterais

33 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


prejudiciais. Recomendo sucos, que é um meio muito antigo e efetivo,
além de suave, para remover toda sorte de toxinas para fora. Esta solução
sempre esteve ai, mas agora tem sido empregada por milhões de pessoas
ao redor do mundo. Recomendo também banhos com sal de Epson (nt.:
conhecido como sal amargo) e sal marinho, além de algas marinhas, vina-
gre de sidra e bicarbonato de sódio.
Estas são intervenções muito suaves, que podem ser incrivelmente efi-
cazes na desintoxicação do paciente e na sua suplementação com certos
elementos necessários para sua desintoxicação. Recomendo alimentos
fermentados, provendo-o com uma grande quantidade de bactérias pro-
bióticas. Eles são os maiores limpadores do corpo em razão de seus com-
ponentes solúveis. Tanto os fermentados como os probióticos quelam
os metais pesados e retêm toda sorte de químicos causadores de câncer,
além de outros químicos. Se eles não podem neutralizá-los, os fixarão
até que eles os levem para fora do corpo em razão da maioria das nossas
fezes serem bactérias. Assim eles os expurgam do organismo, através das
nossas fezes. Providenciar uma boa quantidade de probióticos na forma
de alimentos fermentados e de forma suplementar é uma das maneiras
mais poderosas de removermos toda a sorte de toxinas de nosso corpo.
Assim, a desintoxicação é a terceira parte do procedimento nutricio-
nal GAPS. A inteireza do programa passa pela mudança de estilo de
vida. Não só para a criança ou para o adulto, já que existem vários tipos
de GAPS, mas, sim, o programa é dirigido à toda a família. Recomendo,
usualmente, que todos continuem com a dieta e com os procedimentos,
em razão de terem a mãe com a flora intestinal anormal. Mais de 50%
dos casos dos pais também têm flora intestinal anormal e os irmãos ad-
quirem o mesmo tipo de flora por serem originários da mesma mãe. Eles
podem não ser autistas, mas têm outros sintomas que estão relacionados
à anormalidades da flora intestinal. Por isso, é uma boa ideia colocar-se
toda a família dentro do programa, na mesma dieta. Como resultado, há
a recuperação dos pais, e normalmente eles não têm apresentado vigor
ou energia para cuidarem de seus filhos com estes sintomas. E esta re-
cuperação dos irmãos, já que eles muitas vezes têm sintomas de úlcera,
são irritadiços, desagradáveis, e isto tudo é desafiador para os pais. No
entanto, a família recupera-se como um todo, e por completo.

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DM: Existem alguns alimentos fermentados que seriam mais adequa-
dos com respeito às recomendações quanto aos probióticos? Existem al-
gumas cepas que pensa serem mais apropriadas? Acredito que as bifido-
bacterias poderiam ser mais apropriadas para uma criança em oposição
aos lactobacilos.
DC: Todos são adequados. Eles são muito importantes. É fundamental
introduzir leveduras benéficas, tanto quanto bactérias e, com sorte,vírus
benéficos também. Não dispomos de quase nenhuma pesquisa sobre ví-
rus probióticos ainda, mas temos alguma coisa surgindo por agora.

35 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


Parte 9
Fermentação, bactérias probióticas
e a industrialização de alimentos

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DM: Põe como um suplemento? E qual o tipo de levedura - como
os saccharomyces?
DC: Como alimento fermentado. Os fermentados podem ser de dois
grupos: alimentos lácteos, vegetais e frutas fermentados. Percebo que,
para a maioria dos casos em minha clínica, os produtos lácteos fermen-
tados são perfeitamente tolerados pelas crianças. Vejo que os pais ficam
bastante chocados quando eu falo sobre laticínios, particularmente aque-
les que tentaram dietas livres de glúten e de caseína. A dieta GAPS que
é estruturada em três estágios: a parte introdutória, a sua totalidade e a
parte de saída da dieta. Especialmente se alguém está na parte introdutó-
ria, os produtos lácteos fermentados podem ser introduzidos desde o início
e, usualmente, colocamos iogurte. Ele é fermentado com lactobacilos. É
muito mais suave do que as leveduras. Produz uma reação de alteração
muito mais suave (nt.: esta alteração das condições do paciente é conhecida
como reação de Herxheimer como será explicado adiante. É uma reação em que
o paciente ‘piora’ pelas reações que ocorrem pela morte e extinção da flora nega-
tiva que estava até então alojada). Falarei sobre isso num minuto. Uma vez
que o iogurte é bem tolerado, tanto pela criança como pelo adulto, então
começo a introduzir o kéfir. Ele é um grupo de leveduras e bactérias, além
de alguns vírus, que estão presentes nele, como descobrimos há pouco
tempo. Estamos introduzindo um grupo de microrganismos, fortemente
agressivos no trato digestivo.
É por isso que o kéfir produz uma reação mais severa de extinção (nt.:
ou de Herxheimer), uma reação muito maior. Esta é a razão porque usamos
para iniciar esta reação, em primeiro, o iogurte, para então introduzirmos
o kéfir. Se não houver nenhum problema com os lácteos, podemos intro-
duzir os vegetais fermentados com as mesmas culturas. Podemos fermentá-
-los, adicionando iogurte ou a cultura do kéfir para os vegetais. A base
para a fermentação de todos os vegetais é o repolho. Pode-se acrescentar
cebola e cenoura, bem como beterraba e alho, além de outros vegetais. To-
dos podem fermentar juntos. Existem ótimas receitas disponíveis para esta
fermentação na internet e em meu livro. Nele tem uma seção com grande
variedade de receitas onde descrevo todas elas e como fazê-las em casa.
Assim, isso pode ser introduzido com repolho fermentado, o ‘sauerkaut’
em alemão (nt.: no Brasil chamamos este processo de chucrute, palavra de
origem francesa). Esta é uma receita tradicional, onde nenhuma cultura

37 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


de microrganismos é introduzida porque os vegetais, especialmente orgâ-
nicos, tem bactérias naturais que vivem neles e produzem este processo,
naturalmente. É feito simplesmente picando o repolho, amassando-o, até
que um líquido seja liberado. É somente repolho e sal grosso. Pode-se agre-
gar cenoura ou bagas de junípero (também conhecido como zimbro). Estes
são os alimentos produzidos e introduzidos pelos povos tradicionais. O que
se precisa entender é que os probióticos não são algo opcional, porque
a humanidade vem consumindo os mesmos há milênios, desde os tem-
pos imemoriais.
Por que? Devido ao fato que, por milênios, não havia refrigeração. Não
tínhamos congeladores e nem refrigeradores. Como, então, os alimentos fo-
ram preservados, por milhares, provavelmente, milhões de anos? A população
fermentava os alimentos. Quando o repolho amadurece (nt.: situação do he-
misfério norte) no outono, se não fizermos nada, apodrecerão. Assim, ficare-
mos sem repolho para o resto do ano. Por isso as pessoas fazem ‘sauerkraut’.
Fermentavam o repolho. Ele se conserva por cinco anos, sem se estragar. E,
pelo resto do ano, as pessoas ingeriam repolho fermentado e a cada mordida
deste fermentado, consumiam milhões e milhões, possivelmente bilhões de
bactérias probióticas, indo diretamente para seus sistemas digestivos. Quando
matavam um animal e não conseguiam comer toda a carne ao mesmo tempo,
e se não fizessem algo com ela, poderia estragar, dai começaram a fazer presun-
tos, os ‘prosciutto’, da Itália, da Croácia, além de outros tipos de embutidos.
Todos apreciavam carnes fermentadas. Os povos ao redor do mundo, quando
se observa as dietas tradicionais, fermentavam tudo: carne, peixe, vegetais,
produtos lácteos, frutas e grãos. Tudo pode ser fermentado. Na maior parte do
ano as pessoas consumiam seus alimentos no estado fermentado. Assim, eles
consumiam grandes quantidades de bactérias probióticas.
Nas últimas décadas, quando nossa indústria de alimentos se desenvol-
veu, estas práticas foram esquecidas. As pessoas pararam de fermentar seus
alimentos, porque a indústria de alimentos alterou todas as nossas receitas,
obviamente com sua própria agenda da vida na prateleira, e o lucro e coi-
sas deste tipo. As pessoas pararam de fermentar seus alimentos. Assim, nós
privamos nossos organismos desta importante parte de nossa fisiologia – o
consumo diário de bactérias probióticas. As pessoas que querem restaurar
sua flora intestinal, ter seu sistema imunológico saudável e um corpo sa-
dio, devem recuperar esta prática novamente. Ou elas começam a consumir

38 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


alimentos fermentados ou devem consumir as bactérias probióticas na for-
ma de suplementos. Quando falamos sobre probióticos, devemos esclarecer
sobre a ‘extinção’ ou reação Herxheimer mencionada acima. Mas o que é
isso? Como disse, o nome científico para ela é reação Herxheimer que foi
o primeiro cientista a descobri-la com os antibióticos. Isto é, quando eles
são introduzidos no nosso organismo, principiam a eliminar os patógenos e
quando eles morrem, eliminam toxinas. Assim, temporariamente, a pessoa
pode ter uma piora, em razão da grande quantidade de toxinas que podem
ser injetadas no sistema corpóreo. O mesmo acontece com os probióticos.
Se, subitamente, consumimos grandes quantidades de alimento fermenta-
do, e se nunca tivermos consumido antes, momentaneamente comemos
um pratão de ‘sauerkraut’ ou outro alimento fermentado, a quantidade de
bactérias probióticas que colocamos em nosso sistema digestivo pode causar,
fortemente, este tipo de reação. Podem atacar patógenos em nosso intestino.
Estes microrganismos começarão a morrer e liberam toxinas. E estas são as
toxinas que nos fazem autista, dispráxico, emotivo, depressivo, diabético ou
termos artrite reumatóide ou a doença celíaca, e mesmo outras coisas. As-
sim, os sintomas temporariamente serão piores.
No sentido de controlar essa reação, recomendo que as pessoas co-
mecem com uma pequena quantidade de probióticos comerciais ou ali-
mentos fermentados. Lidar com uma pequena reação que poderá produzir,
favorece depois aumentar a dose para novamente lidar de forma menos
intensa e assim continuar desta forma ir aumentando a dose. O aumento
desta dose é um processo extremamente individual. Isso dependerá da se-
veridade da condição de cada um. Depende, quão severa a anormalidade
na flora intestinal é na pessoa. Em uma pessoa moderada, pode transitar
por todo o processo e levar para uma dose terapêutica do probiótico por
algumas semanas. Outras pessoas têm que ir totalmente para os passos de
bebê. Elas devem começar com uma pitada de um probiótico por duas ou
três semanas e então ir para duas pitadas e assim por diante, até tomando
por meses antes de retornar ao nível terapêutico dos probióticos. Algumas
reações têm que ser suportadas, mas você tem que mantê-las controladas
em um nível que seja gerenciável de maneira que se possa viver com elas. E
isso é o mesmo, tanto para crianças como para adultos. Os probióticos vem
em duas formas, na forma complementar e na de alimentos fermentados.
Esta é uma parte muito importante do procedimento nutricional GAPS.

39 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


Parte 10
O uso dos probióticos na forma de
produtos lácteos

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DM: Isso faz sentido. Muitas vezes o desastre está nos detalhes.
Pergunto se poderia comentar sobre o uso dos probióticos na forma
de produtos lácteos. Eu diria que as formas comerciais de produtos
lácteos fermentados que se pode obter em uma mercearia típica não
seriam adequadas porque, em primeiro, o leite é pasteurizado. Se
você pode comentar sobre o leite cru versus o pasteurizado e todos
os outros aditivos que eles colocam neste produtos.Suponho que se
obtêm em qualquer mercearia, mas que não seriam apropriados por
serem todos de leite pasteurizado. E se pudesse comentar sobre o leite
cru versus o pasteurizado e todos os outros aditivos que eles colocam
nestes produtos. Poderia também orientar as pessoas para fazerem
seus próprios alimentos lácteos fermentados com leite cru e orgânico
e como poderia relacionar a potência dos produtos lácteos fermenta-
dos com relação à forma suplementar? É muito mais potente? Ou só
mais potente? E se você está realmente comprometida e se tem acesso
e disponibilidade a estes alimentos fermentados de alta qualidade,
mesmo assim se precisaria de probióticos suplementar?
DC: Com certeza, os produtos lácteos fermentados têm de ser fei-
tos em casa. Não se deve comprar no mercado convencional, porque
eles não são fermentados no tempo apropriado e suficiente para que
toda a lactose seja consumida pelas bactérias fermentadoras. O leite
da vaca contém um açúcar, um duplo açúcar, chamado lactose, que é
um alimento perfeito para microrganismos patogênicos no intestino.
Se bebermos leite, em seguida esses patógenos consumirão a lactose
e proliferarão, produzindo grande quantidade de gases e de muito
desconforto. Quando colocamos as bactérias da fermentação com o
leite, eles consomem toda a lactose. Isso é o que as bactérias gostam
de se fartar. Elas gostam de comer açúcares. Bem fermentado, o leite
fica livre da lactose. Precisa ser fermentado pelo menos por 24 horas
num lugar morno e precisa ser feito em casa. Ao mesmo tempo, como
a lactose está sendo consumida no leite, toda a estrutura dele está
sendo pré-digerida. Estas bactérias farão a pré-digestão das proteína
por nós. Elas as quebrarão para nós. Quebrarão todas suas partes. E
liberarão vitaminas. Elas farão muitas coisas ao leite, assim ele se tor-
na muito facilmente manuseável por nosso próprio sistema digestivo.
Mesmo para as pessoas que são intolerantes à lactose ou aos produtos

41 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


lácteos. Elas detectam que podem ser tolerantes a um leite bem fer-
mentado, perfeitamente bem. É melhor achar produtos lácteos inte-
grais orgânicos, de vacas criadas em pastagens.
Está havendo um crescimento do números de fazendas, efetiva-
mente nos EUA e no RU, onde vivo, e que dispõem deste leite. É um
leite de muita qualidade. É maravilhoso. Mas muitas pessoas não têm
tido acesso a um leite de qualidade. Mas, se não se encontrar leite e
creme de leite crus para fermentar, não tem problema, procure leite
pasteurizado orgânico e fermente. Sim, o leite cru é melhor, mas a
fermentação fará retornar alguma vida de volta no leite pasteurizado,
pré-digerido e fazendo-o mais adequado para o intestino humano.
Tenho muitas e muitas famílias na minha clínica que não podem ob-
ter leite cru e que fermentam o leite orgânico pasteurizado e têm
melhores resultados para suas crianças e para os adultos também.
Normalmente, como eu digo, fazemos iogurte porque ele produz uma
reação de Herxheimer mais suave, para então nos movermos em dire-
ção ao kéfir. Ao mesmo tempo, recomendo o creme de leite fermenta-
do. Quando estamos introduzindo o iogurte, fermentamos o creme de
leite em paralelo com a cultura do iogurte, em jarra diferente, já que
o creme azedo tem um belo perfil de ácidos graxos nele. Perfeito para
o cérebro. Pode-se catalogá-los. Uma vez fermentados, estes produ-
tos ficam no refrigerador por meses e meses. Podem ser introduzidos
muito gradualmente no procedimento do paciente.

42 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


Parte 11
O uso de suplementos de probióticos:
lactéos cultivados X comprimidos de
suplementação

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DM: Grato por ter nos feito esta ampla explanação. Quero saber se
você pode comentar sobre o uso de suplementos de probióticos em sua
eficácia relativa dos produtos lácteos cultivados em casa versus os com-
primidos que se pode ter como suplemento probiótico.
DC: O que precisamos entender é que o mercado está cheio de probi-
óticos suplementares. Existem centenas de marcas comerciais se se vai a
qualquer loja de produtos naturais. A maioria delas são profiláticos. Elas
não são fortes o suficiente para fazer uma diferença. Foram desenvol-
vidas para pessoas saudáveis permanecerem saudáveis e os usarem. Os
pacientes GAPS necessitam um probiótico terapêutico potente. Existem
probióticos potentes que contêm espécies agressivas de bactérias probi-
óticas preferencialmente, com algumas de solo neles também. Este tipo
de probióticos terapêuticos produzirão a reação de Herxheimer. O que
eu recomendo para as pessoas que começam com a dieta introdutória,
primeiro introduzir alimentos fermentados e assim toda esta reação será
através de alimentos fermentados.
Quando elas se adaptam perfeitamente com um boa quantidade de
kefir, iogurte e chucrute, e não há mais a reação de Hersxheimer, então
elas podem começar a introduzir probióticos comerciais, aquele terapêu-
tico potente. Elas precisam começar com uma pequena dose e irem cres-
cendo gradativamente, até o nível terapêutico. Há pessoas que começam
com a dieta GAPS completa, e há uma parte dos pacientes que fazem
isso, que não vão pela dieta introdutória. Existem normalmente adultos
que não têm problemas digestivos severos. Eles podem começar com o
probiótico terapêutico direto mesmo do começo e, em paralelo, podem
introduzir os alimentos fermentados. Em alguns pacientes, especialmen-
te em bebês e em crianças muito novinhas, muitas vezes eu detecto que
alimentos fermentados é suficiente. Elas nunca precisam de probióticos
comerciais. Mas isso depende da severidade das condições e dos sinto-
mas digestivos do paciente. Para os adultos, percebo que precisam de
ambos. Eles precisam alimentos fermentados e probióticos terapêuticos
potentes. As crianças normalmente se recuperam mais rápido e fácil do
que os adultos. Isso tudo depende da …

DM: Que tipo de dose poderia-se qualificar como terapêutico potente?


Que tipo de concentrações ou ‘CFUs’ (nt.: Colony-forming unit=unidade

44 | AUTISMO: A EPIDEMIA OCULTA | Nosso FUturo Roubado


de formação de colônias de microrganismos)?
DC: Tenho minhas próprias fórmulas. Tenho muitas fórmulas que são
usadas como probióticos terapêuticos. Deliberadamente, coloco dois
bilhões por cápsula ou mais. Assim, isso pode ser dosificado para uma
criança. Dependendo da idade da criança, nós começamos com uma pi-
tada - a cápsula deve ser aberta e o pó ser usado somente como iniciador
da pitada, ou um terço da cápsula, ou metade dela, e então ir, gradual-
mente, aumentando. Em meu livro, no capítulo sobre probióticos, tenho
uma tabela completa sobre as doses para as várias idades das crianças.
Que tipo de nível terapêutico deve ter para se chegar onde se quer. Para
um adulto, recomendo oito cápsulas. Alguns pacientes ingerem de 12 a
15 cápsulas por dia. Isso significa 30 bilhões por dia. Isso é normalmente
suficiente. Se tivermos espécies de bactérias humanas suficientemente
fortes nelas e mais algumas bactérias de solo na fórmula, isso já é muito e
suficiente para estes pacientes junto com a dieta em curso.

DM: Acredita que algumas pessoas são incapazes de tolerar orga-


nismos do solo? Eles parecem ser particularmente úteis quando estou
empregando-os, mas eu tenho observado que há um certo número de
pessoas que não os toleram bem ou pode ser que eu esteja confundindo
com a reação de Herxheimer?
DC: Sim, uma série de gente pode se confundir com esta reação, a de
Herxheimer, mas os probióticos, como eu disse, o número um do trata-
mento é a dieta. Não se pode continuar comendo os cheseeburgers e be-
bendo refrigerantes e introduzir os probióticos e ficar aguardando mila-
gres. Se continuar-se trabalhando contra a corrente, não se vai alcançar
o êxito. 80 a 90% do sucesso é a dieta. Essa é a coisa mais importante. Os
probióticos são só uma pequena ajuda que auxilia a dieta.

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Parte 12
Dieta para cura e prevenção

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DM: Poderia destacar alguns dos alimentos que lhe parecem mostrar
ser os mais notórios por causar espasmos e agravamentos? Pareceu ser
relativo à habilidade do organismo de digeri-los. Imagino que os açúcares
estão no topo da lista de agentes agressivos. Que outros alimentos ou
grupo deles considera particularmente problemáticos?
DC: O que temos que remover completamente em 100 por cento são
todos os amidos e açúcares para fora da dieta. Isto significa que todos os
grãos devem ser removidos, se eles forem ou não livres de glúten, isso
não importa. Trigo, centeio, arroz, aveia, painço, quinoa, cuscuz, ama-
ranto, trigo sarraceno e o milho devem estar fora. Todas as leguminosas
com amido que são a maioria dos feijões secos, também devem estar
fora da dieta. Lentilha e feijões que são permitidos devem ser introdu-
zidos muito mais tarde na dieta, porque eles são muito fibrosos e muito
difíceis de serem digeridos, e cozidos num modo muito especial. Todos
os dissacarídios (nt.: por exemplo: lactose, maltose, sacarose = ligação de
dois monossacarídeos) têm de estar fora da dieta, significando sacarose, o
açúcar mais usado. A lactose, pela fermentação, nós removemos da dieta
e também todos os adoçantes sintéticos. Obviamente que o xarope de
milho (nt.: em inglês corn syrup, muito usado nos EUA) também está nesta
lista. Os únicos adoçantes naturais que são permitidos na dieta são o
mel, preferencialmente o mais natural possível, e frutas secas. Recomen-
do que as pessoas utilizem frutas secas torradas.
A dieta consiste de alimentos densos em nutrientes, que possam ser
facilmente digeridos pela fisiologia humana. Isto é, todas as carnes (fres-
ca ou congelada), cozida em casa, todos os peixes e frutos do mar (fresco
ou congelado), todos os vegetais de amido conhecidos, fruta madura,
nozes e sementes oleaginosas, como o girassol, as sementes de abóbora e
gergelim. Apesar do fato de não haver grãos na dieta, não significa que
o paciente deve viver sem pão, biscoitos, cookies, bolos, waffles, pan-
quecas, desde que use nozes e aquelas sementes oleaginosas moídas na
consistência de farinha para substituir a própria farinha de outros grãos
como trigo, etc. Assim, os ingredientes na panificação são muito simples.
É ovo, nozes e sementes, como farinha - e alguma fonte de gordura.
Com estes ingredientes podemos panificar, acrescentando sal. Pode-se
acrescentar tomates secos, ou especiarias. Se queremos adoçar, juntemos
frutas secas na mistura, também tâmaras, damasco seco, uva passa e coi-

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sas deste tipo. Se quisermos torná-lo um pouco mais úmido e suave, as
pessoas adoram colocar abóbora, abobrinha, cenoura ou banana madura
na mistura. E, desta mistura simples, podemos fazer qualquer forma ou
de qualquer tamanho.

DM: Pode-se cozinhar as leveduras quando estivermos preparando


estas comidas?
DC: Não. Eles não aumentam. Nós não usamos fermentos, não em
todos. A dieta introdutória GAPS é diferente. Esta é uma dieta que pro-
duz a cura e o processo de lacrar a membrana do intestino mais rápido
do que, seguindo toda a dieta GAPS. Removemos todo o alimento que
pode irritar a membrana do intestino em razão de que, nestas pessoas,
esta membrana está muito inflamada e danificada. Precisamos remover
tudo o que pode irritá-la. Por isso, removemos toda a fibra. Não há fruta,
vegetais crus, nem nozes e não há nada assado neste estágio. Providen-
ciamos alimentos que promovam a construção das estruturas para que a
membrana intestinal possa se recuperar ela mesma, ou seja, se construa
ela mesma. Tem um caldo de carne e sopa de carne com osso, além de
sopas, ensopados e carnes gelatinosas que produzem e fornecem coláge-
no e gelatina, além de outras boas coisas nelas, e vegetais bem cozidos.
Ao mesmo tempo, nós fornecemos alimentos fermentados e introdu-
zimos bactérias benéficas ao trato digestivo porque não pode acontecer
a cura no intestino sem o envolvimento dos microrganismos probióticos
benéficos. Isso, para as pessoas que têm tanto intolerâncias alimentares,
alergias alimentares, como problemas digestivos graves, como colite ul-
cerativa e doença de Crohn. Ainda têm outras condições inflamatórias
intestinais, bem como têm as pessoas com refluxo e mesmo úlceras no
aparelho digestivo. Para pessoas com sintomas severos particulares, como
epilepsia, tanto crianças como adultos, recomendo começar com a dieta
introdutória. Curará a membrana do intestino mais rápido e permite que
a pessoa se recupere mais rapidamente. A dieta é muito saudável, muito
nutritiva. Mantenho toda minha família com esta dieta, apesar de não
precisarmos mais. 80 a 90% do tempo comemos desta maneira e eu acho
que em torno de 90% dos meus pacientes fazem a mesma coisa, mesmo
que suas crianças ou os adultos já tenham se recuperado na família, eles
continuam com a dieta em razão dela ser muito saudável, uma dieta

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muito benéfica. Ela previne as doenças do coração, diabetes. Previne
toda a sorte de doenças modernas que as pessoas vêm desenvolvendo no
decorrer de suas vidas.

DM: E esteticamente ela previne a obesidade.


DC: Sem dúvida, previne, sim, a obesidade. Mas, falando sobre obe-
sidade, existe uma ideia simplista, curiosamente entre todos os médicos,
autoridades, bem como o público de que a gordura é gordura e está com-
pletamente errada. Isso está muito longe da verdade. As gorduras, par-
ticularmente as gorduras animais são parte muito importante do proce-
dimento nutricional GAPS. A maior parte da gordura que a criança e o
adulto consomem, vem dos alimentos animais. Da gordura do porco, da
ovelha, do gado vacum, do ganso, do pato, da galinha, da manteiga. Por
que? Em razão da composição da gordura humana em nossos próprios
organismos, as camadas saudáveis da gordura que nós temos, é muito
similar à composição dos ácidos graxos destes animais, particularmente
a da ovelha. Se observarmos a composição da gordura do leite humano
é muito similar à composição dos ácidos graxos da gordura da ovelha, do
gado e do pato.
Estas são, fisiologicamente, para nós as gorduras que deveríamos con-
sumir. Os ácidos graxos poli-insaturados - ômega 6, ômega 3 e ômega
9, sim, elas são exigidas e são chamadas de ácidos graxos essenciais .
Mas são exigidas em pequenas quantidades para a fisiologia humana.
Menos do que 1% por dia da gordura consumida deve ser ácidos gra-
xos poli-insaturados. Eles podem vir de óleo de peixe ou de vegetais e
frutas frescas. Nos estágios iniciais, recomendo suplementar com bons
óleos vegetais prensados a frio, tais como misturas de óleo de linhaça,
óleo de cânhamo, óleo de abacate, óleo de prímula por exemplo, ou algo
como um combinado com óleos de peixe para prover de ômega 3 para
estas pessoas. Mas, novamente, estes produtos podem ser ingeridas como
suplemento em pequenas quantidades. O que deve ser completamente
excluído da dieta, são todos os óleos vegetais para cozinhar que são ven-
didos em garrafões de plástico grandes nos nossos supermercados, por-
que estes óleos são muito prejudiciais para a saúde para qualquer pessoa
e não devem ser consumidos por ninguém.

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DM: E eles são empregados na maioria dos alimentos processados e
preparados comercialmente, ou mesmo em restaurantes. Assim, deve-
mos ter muito cuidado quando vamos comer fora de casa.
DC: Realmente. Todos os alimentos processados contêm estes óleos
vegetais feitos para se cozinhar. Eles são extraídos das plantas e estes
óleos são largamente poli-insaturados, que os fazem muito frágeis e vul-
neráveis. Tornam-se facilmente danificados pela luz, pelas altas tempe-
raturas, pela pressão e por outras influências do ambiente. O que faze-
mos em nossas grandes fábricas quando se extrai estes óleos das plantas?
Aplicamos altas temperaturas e alta pressão, além de solventes químicos
e toda a sorte de processos industriais. Assim, quando estes ácidos gra-
xos são extraídos desta maneira, quando eles se transformam definiti-
vamente em óleo, eles já estão danificados e quimicamente mutilados.
Tornam-se extremamente prejudiciais à fisiologia humana. E, então, as
pessoas começam a cozinhar com eles, e quanto mais aquecemos estes
óleos, mais ficam danificados. Assim, ficamos cada vez mais danificando
estes óleos. Mas acima de tudo, quando os consumimos nós anulamos
o equilíbrio da composição de ácidos graxos nos nossos alimentos que
chegam em nossos organismos. Nosso corpo requer que mais de 50% de
todos os ácidos graxos no alimento devem ser saturados. De 30 a 40%
devem ser monoinsaturados, e somente uma pequena percentagem deve
ser poli-insaturado. Mas o que está acontecendo aqui é que as pessoas
estão super dosificando a si mesmas com poli-insaturados quimicamente
alterados, com gorduras quimicamente danificadas destes óleos vegetais
de cozinhar e, como resultado anulando seu equilíbrio, o metabolismo de
seus corpos de forma muito severa. Tão logo estes óleos foram descober-
tos pela primeira vez e foram disponibilizados no mercado, lá pelos anos
20 e 30, pesquisas um tanto preocupantes começaram a surgir. Agora te-
mos centenas de materiais testemunhando e mostrando que estes óleos
causam diabetes, doenças do coração, câncer, infertilidade e até anorma-
lidades fetais se a mulher grávida consumi-los, gerando anormalidades
imunológicas. Qualquer enfermidade, qualquer doença degenerativa –
cem por cento do que nossa população vem sofrendo neste tempo – é
causada, em certo grau pelo consumo de óleos vegetais para cozinhar.
As pessoas substituíram a gordura animal por estes óleos. Cozinha-se no
processo nutricional GAPS com gordura animal. Fritar ou assar é com

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gordura de ovelha, porco, gado, ganso, pato ou manteiga.

DM: E sobre a gordura de coco? Ela é tecnicamente uma planta,


mas parece ser aceitável pela maioria dos especialistas com que te-
nho proximidade.
DC: Sim, a gordura de coco é muito benéfica em razão de ser satura-
da. É uma das gorduras mais saturadas sobre o planeta, mas tem alguns
problemas com o óleo de coco. Primeiro, ele vem dos países tropicais.
Nós vivemos no hemisfério norte, assim temos que confiar em quem
nos traz este óleo até nós. Temos que confiar de como ele é extraído,
como é processado, como se faz com tudo isso. Assim, esta é uma coisa.
A outra é que ele é algo exótico para nós, para as pessoas do hemisfério
norte, tanto da Europa como da América do Norte. Não temos realmen-
te necessidade dele. Mas, pode ser empregado como um suplemento, e
ser utilizado para fazer pão. É muito rico neste processo, mas é melhor
consumi-lo na forma crua, particularmente se ele foi extraído virgem e
não cozido. Tem aquele lindo paladar delicioso de coco, com seu sabor e
cheiro. Mas o coco é melhor se misturado com um pouco de mel e colo-
cado num frasco de vidro e carregado com a gente.
Especialmente para pessoas que têm anormalidades de açúcar no san-
gue, recomendo que faça esta mistura e ingerir de duas a três colheres
de sopa a cada 20 minutos. Isso manterá seu nível de açúcar no sangue.
Desta maneira, evitará o desejo de açúcar e de carboidratos e estabilizará
o nível de açúcar no sangue mais rapidamente. Depois de 20 dias levan-
do este frasco consigo, não se vai mais precisar dele. Se seguiu a dieta, o
açúcar no sangue irá normalizar ao longo do tempo. Esta é uma medida
muito boa de tê-la como um remédio por um período de tempo, particu-
larmente no início do programa. Outra boa gordura de se usar para esta
mistura é manteiga crua. Se encontrar uma manteiga crua orgânica de
boa qualidade, especialmente aquela amarela alaranjada. De novo, fazer
a mistura com mel, colocá-la num frasco e levar consigo com uma colher
e consumir de duas a três colheres de sopa a cada 20 minutos. Da mesma
forma, manterá os níveis de açúcar no sangue e paralisará todo este de-
sequilíbrio de açúcar no sangue, e como resultado, também as emoções e
os comportamentos, além de outros sintomas.

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DM: Este foi o tempo que tínhamos para hoje. Realmente agradeço
todo seu trabalho e o tempo que compartilhou conosco como auxílio
para entendermos alguns destes fatores fundamentais que contribuem
para esta inacreditável epidemia que estamos experimentando ao lon-
go das últimas décadas. Ela realmente está devastando vidas de muitas
pessoas aqui no nosso meio. É realmente trágico, porque é relativamente
simples, barato e uma solução para prevenir toda esta tristeza, este trau-
ma e esta dificuldade desnecessária que ocorre se não fizermos isso.
DC: É exatamente isso. Posso agregar mais uma coisa?

DM: Claro.
DC: Temos uma verdadeira epidemia de GAPS – Gut and Psychology
Syndrome and Gut and Physiology Syndrome (nt.: Síndrome Psicoló-
gica Intestinal e Síndrome Fisiológica Intestinal) e o número dos sofre-
dores está crescendo. Estou completamente inundada pelas demandas
por consultas e pessoas de todo o mundo. Precisamos de praticantes do
GAPS – pessoas que tenham treinamento nestas síndromes. Estou pre-
parando um curso de treinamento para os médicos e profissionais da saú-
de. A primeira leva de treinamentos será em setembro/outubro deste ano
de 2013, em Seattle, Chicago, New York e Dallas. Espero que também
esteja lá. Nós cobriremos os estados dos EUA, com um bom número de
praticantes treinados nas GAPS. Estas serão as pessoas que estarão aptas
de levar as pessoas para a dieta. Com todo o procedimento a mão, leva-
rão os grupos locais GAPS. Será onde todos os pacientes e outras pessoas
ligadas ao protocolo estarão com condições de chegarem semanal ou
quinzenalmente. Trocarão receitas, novidades, auxiliando um ao outro,
dando suporte moral entre si e aprendendo mais sobre as GAPS. Depois
dos EUA, estarei dando estes cursos na Europa. Já tenho planejado em
fevereiro em países que falam francês e então irei para a Europa Oriental
e depois para outras partes do mundo.

DM: Isso é maravilhoso. Realmente a chave é providenciar especialistas.


DC: Perfeito. Precisamos de especialistas porque para muitas pessoas…

DM: Talvez não especialistas, mas instrutores que estejam realmente


capacitados nestes princípios e profissionais que possam realmente guiar

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as pessoas através das dificuldades. Porque mesmo que possa dar todos
os detalhes e fornecer os manuais, os desafios e as receitas de como im-
plementar isso, pela minha experiência, a maioria das pessoas que são
desafiados por esta situação, realmente só encontra a tranquilidade com
um profissional para orientá-los através dos detalhes. Como eles se sen-
tem mais tranquilos, serão capazes de guiá-los através de complicações
específicas que possam encontrar.
DC: As pessoas GAPS não se desesperam se a ajuda estiver a cami-
nho. E será muito em breve.

DM: Temos certeza que podemos fazer um link para isso. Alguém
também pode acessar suas informações através de seu site www.GAPS.
me e, em seguida, você também tem um livro que vamos colocar o link
para que as pessoas possam acessar informações dessa maneira.
DC: Tenho um blog que se chama www.Doctor-Natasha.com onde
coloco todas as novidades também.

DM: Grato por tudo o que está fazendo e por realmente fazer uma
enorme influência positiva nas vidas de tantas pessoas que estão feridas e
danificadas pela industrialização do estilo de vida da sociedade ocidental
que temos vivido ao longo dos últimos 50 a cem anos. Eu lhe agradeço
por isso.
DC: Sou grata por seu trabalho também.

DM: Grato novamente. Nós provavelmente estaremos nos reencon-


trando. Vai estar na conferência de novembro em Dallas?
DC: Sim. Uhuh.

DM: Perfeito. Assim talvez tenha a chance de encontrá-


-la pessoalmente.
DC: Certo. Espero que possamos nos encontrar.

DM: Ok. Grato. Foi um prazer.

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