Você está na página 1de 8

Os teólogos contemporâneos

Yuri de Almeida Gonçalves

INTRODUÇÃO

Será discutido nesse pequeno trabalho de forma bem resumida sobre os principais
teólogos contemporâneos. Quem foram esses teólogos que são tão estudados Nas
faculdades teológicas.

Vivemos numa época onde o homem não se preocupa em olhar para a história, a
ansiedade leva a humanidade a ter olhos somente para o futuro, porém não se pode
construir o futuro se não tivermos o passado como base; o mesmo acontece com a
teologia, por isso vamos estudar sobre esses teólogos, e na conclusão darei de forma
bem sintetizada o que eu acho sobre esses teólogos.

“A vida só pode ser compreendida,


olhando-se para trás; mas só pode
ser vivida, olhando-se para a frente.”(Soren Kierkegaard)

DESENVOLVIMENTO

A Igreja desde sua edificação passou por grandes mudas e transformações, provando
assim ser dinâmica(dinamich) e não estática(statich) como muitos tentam mostrar, ou
seja, a Igreja foi mudada pela história e transformada pelos homens.

Antes de vermos um “pouquinho” sobre os teólogos contemporâneos devemos entender


algo historicamente importante para esse estudo: a igreja romana se achava imbatível no
seu trono, ela dominou parte do mundo praticamente toda a idade média, até que ela foi
surpreendida pelo movimento humanista que iniciou o abalo estrutural de sua base
política e religiosa, vindo em seguida o renascimento e a reforma que resultou no
surgimento do protestantismo.

No protestantismo a teologia ganha uma “cara” nova com as idéias de Lutero, Calvino e
outros; e novas reflexões teológicas começam a surgir com maior intensidade daí para
frente. Além de teólogos que continuaram a filosofar, a teologia bíblica ganhou novas
formas, se desenvolveu melhor a hermenêutica, a exegese, o estudo dos originais, e
mais no futuro a teologia sistemática conseguiu seu espaço.

O meio protestante era um meio de grandes pensadores, surgindo ainda novos


pensamentos que não parou na reforma protestante. Os reformadores abriram novos
caminhos para os pensadores teológicos que até hoje continuam teologizando, surgindo
assim na história novas teologias como: arminianismo, liberalismo, neo-ortodoxia,
fundamentalismo, existencialismo religioso e outras como teologia da libertação,
teologia da esperança, etc...

Da reforma até hoje vemos uma riqueza teológica quase imensurável devida a sua
diversidade, e a teologia contemporânea conta com nomes realmente marcantes para a
história da teologia.

Vejamos quais eram esses teólogos:

1) Karl Barth.

Nasceu em 1886, em Basel, na Suíça. Era um teólogo reformado, porém também era
pastor. Em 1911 pastoreou em Safenwyl. Em 1921 foi professor de teologia reformada
em Goettingen, em 1925 foi professor em Muenster-in-Westphalia e em 1930 foi
professor em Bonn. Em 1935 os nazistas o exilaram, e então ele foi professor em Basel
até 1968, ano de seu falecimento.

Ele foi aluno de Harnack, e foi influenciado pelo neokantianismo e por Kierkegaard e
também pelo socialismo de Ragaz e Kutter. Quando a teologia liberal estava no auge,
ele se rebelou contra seus professores e em 1919 escreveu seu comentário sobre o livro
de Romanos, onde praticamente começou a surgir uma nova ortodoxia. Teve influência
do reformador Calvino, principalmente por volta de 1925. Enfatizava a teologia bíblica,
porém com conclusões racionais. Era um homem de caráter forte e de propósitos e
entrou em conflito contra a igreja do estado nazista. Muitos acham que Karl Barth era
liberal, mas na realidade ele não gostava do liberalismo religioso e até se manifestava
contra. Ele tinha o desejo de retornar a teologia à bíblia e aos princípios reformados.
Enfatizou a transcendência de Deus e a realidade do pecado, como também a soberania
de Deus, a graça e a revelação. Reconhecia que as escrituras têm imperfeições, mas que
a bíblia é a fonte da revelação de Deus como também veículo. Rejeitava o misticismo
cristão, e dizia que os liberais falharam, sendo a solução para o mundo o retorno aos
antigos princípios religiosos. Barth foi treinado no liberalismo alemão, talvez isso fez
ele desapontar com o nazismo. Ele foi um grande expoente da teologia da crise,
pregando que a Palavra de Deus é o registro da revelação do Transcendente. Sua
teologia propriamente dita é interessante, pois ele achava que as idéias humanas sobre
Deus eram meras especulações. A verdade se manifesta pela graça e não pela razão
como era defendido por muitos na época. Dizia que a religião têm tendências idólatras,
ou seja, revelação era diferente de religião. As experiências místicas devem ser apoiadas
nas escrituras e na tradição cristã. O ponto de partido da teologia de Barth era Deus e
não o homem, sendo assim aceitava a cristologia clássica e o dogma da trindade, ou
seja, suas análises teológicas partia de cima, da trindade, da revelação, da graça, e não
das necessidades do homem. Suas principais obras foram: Epistle to the Romans,1919;
Word of God and Word of Man, 1928; Anselm, 1931; Church Dogmatics, 4 volumes,
1923-1935; Credo,1935; Dogmatics in Outiline,1947; Evangelical Theology, an
Introduction,1962.

2) Emil Brunner.

Nasceu em 1899 e morreu em 1966. Foi um teólogo protestante suíço, sendo que sua
formação acadêmica foi em Berlim e Zurique. Foi professor também em Zurique.
Brunner não se encaixava no liberalismo protestante e também não se encaixava
totalmente na neo-ortodoxia e teologia da crise, ficando assim num estágio “transitório”
entre as duas correntes. Defendia que o livre arbítrio é uma verdade soteriológica,
porém não é o homem que provê a si próprio a salvação, ou seja, a salvação é dada por
Deus, mas o homem possui características naturais para corresponder a Deus, isso em
nível soteriológico. Ele, assim como Barth, rejeitou o misticismo cristão, porém
afirmava que a razão não pode solucionar todos os problemas da vida, idéia que
vai(bate) de encontro a muitos filósofos racionalistas. Afirmava também que há no
mundo muitos mistérios e que a teologia não têm o poder de resolver todas as questões,
por isso ela possui tantas contradições e seria presunção dela querer resolver esses
mistérios. Abordou algo importante para a sociologia ao dizer que a política e a
tecnologia podem despersonalizar o homem, e é nesse ponto que entra a teologia,
pregando que a revelação cristã visa o homem. Brunner afirmava que a revelação não é
proposicional, ou seja, a bíblia é simplesmente o registro da revelação de Deus aos
homens e não foi ditado por Deus no processo de escrituração. Brunner era um homem
que não discutia tópicos que diziam respeito a milagres ou nascimento virginal, mas seu
conceito de espiritualidade era mais em nível de práxis e não de experiências místicas.
Sua teologia era formada tendo Cristo como centro de qualquer idéia, assim sendo opôs-
se ao intelectualismo teológico. A ética era um assunto a ser vivido no cotidiano, ou
seja, combinava a crítica de Kant com o realismo do luteranismo. Apoiou idéias de
filósofos como Ebner e Buber que enfatizavam a relação entre o homem e Deus. Apesar
de defender o livre arbítrio indiretamente , dizia que o homem é pecador e sempre se
revoltará contra Deus, porém se o homem reagir a essa revolta, ele terá o auxílio do
Espírito Santo que o tornará uma “nova criatura”. Um dos pontos mais interessante de
sua teologia é que ele ensinava que à vontade de Deus se manifesta através da família,
do trabalho, da igreja, da cultura, do estado..., sendo assim o relacionamento com a
sociedade nos ajuda a identificar como a vontade de Deus opera. Suas obras foram: The
Symbolical in Religious Knowledge; The Mystic and The Word; The Fhilosophy of
Religion of Evangelical Theology; The Mediator; The Divine Imperative; Man in
Revolt; Chritianity and Civilization.

3) Rudolf Bultmann.

Nasceu em 1884 em Wiefelsted e faleceu em 1976. Teólogo protestante alemão,


estudou em Marburgo, Tubingen e Berlim. Foi professor em Marburgo. Foi
influenciado pelo existencialista Heidegger, por isso Butmann tornou-se um teólogo
existencialista. Questões como o nascimento virginal de Cristo, os milagres do Novo
Testamento, a ressurreição e a ascensão de Cristo, a existência de demônios, anjos, etc...
, Butmann eliminava de sua teologia pelo o processo de demitização, pois achava que
muitos dos relatos neotestamentários são frutos da imaginação do homem ou de
elementos mitológicos presentes na cultura. Ele dizia que a bíblia fora escrito em
linguagem mitológica, que é absoleta para os nossos dias. O teólogo moderno tem então
a tarefa de demitizar a bíblia despindo-a de seus trajes lendários, mitológicos e tentando
descobrir as verdades existenciais que se encontram nos textos. As pessoas só podem
encontrar a mensagem do amor de Cristo mediante a demitização da bíblia. A bíblia em
si mesma não é revelação, mas uma expressão primitiva pelo qual Deus se revela
pessoalmente, mas não se esquecendo que antes temos que demitizá-la corretamente.
Como já disse, Bultmann era existencialista, e um vocábulo bem usado neste meio era
“angst”. Angst significa “angústia”, e era usada para descrever a situação básica do
homem, ou seja, os existencialistas diziam que devido às situações trágicas que os
homens enfrentam nesta vida, todos têm um sentimento de pavor e angústia dentro de
si, porém o homem, ou melhor, a existência humana é boa e otimista; o existencialismo
acaba entrando no campo do humanismo e às vezes até no ateísmo, como aconteceu
com Sartre. Bultmann usa a teologia no meio existencialista, porém ensinando que o
khrugma(proclamação do evangelho) como sendo o meio de levar salvação aos homens,
deve ser reinterpretada segundo a ótica existencialista, levando em conta a liberdade do
homem e sua angústia. O khrugma seria determinadas idéias fundamentais religiosas e
morais, seria uma ética idealista. Em se tratando de ética, ele explicava que o homem
pode ser dominado por questões carnais, isso gera uma angústia que oprime o homem e
o torna escravo, ou seja, nesse ponto ele é totalmente existencialista. Apesar dessas
idéias existencialistas, Bultmann afirmava que Deus falou ao mundo através de Cristo e
continua falando até hoje. A fé também em certo sentido foi defendida por esse teólogo
ao dizer que a fé liberta os indivíduos do passado, trazendo liberdade para viver um
bom futuro. O amor também teve espaço em sua teologia como sendo o imperativo
fundamental de toda ética. Dizia que o homem precisa ter fé no espírito do evangelho
cristão e não precisa de base histórica. Seus escritos foram: Jesus and the Word; Belief
and Understanding; Theology of the New Testament; The Question of
Demythologizing; History and Eschatology; Jesus Christ and Mytology.

4) Paul Tillich.

Suas datas foram de 1886-1965. Nasceu na Alemanha, mas viveu boa parte de sua vida
nos Estados Unidos, onde foi professor no Seminário Teológico União, em Harvard e na
Universidade de Chicago. Foi um teólogo-filófoso e representante do existencialismo
religioso. Tillich abordava questões humanas com a teologia e as correlacionava até
com a economia, as ciências e outros campos de estudo. Usava também a história para
construir teologia. Ensinava que a teologia deve unir-se ao empreendimento humano,
pois isso a completa e a livra de erros já cometidos na história. É portanto necessário
que a teologia correlacione com a política, a ciência, a sociologia, a ética, a antropologia
e etc. . Devido sua visão existencialista, dizia que a teologia sistemática deve ter
também caráter apologético, analisando a situação do homem em geral, trazendo uma
aplicação do evangelho. Usava muita linguagem simbólica, pois cria que o símbolo
pode ter mais resultado que a mensagem direta. Os símbolos apontam para a realidade,
mas a realidade não resolve os mistérios da vida. Nossos conhecimentos são sempre
fragmentados e nunca trará a nós uma resposta de todos os mistérios da vida. Questões
como ”céu e inferno” não podem ser literalmente interpretados, pois essas questões
apontam para uma realidade mais concreta. Para Tillich, fé é a coragem de existir, essa é
uma definição bem existencialista, e redenção é o homem ser um novo ser. A explicação
tillichiana de Deus está no campo do existencialismo, pois afirma que Deus é o ser em
si mesmo, sendo a resposta para o homem e para a história. Deus também, ao ser o ser
em si mesmo, ele passa a ser o fundamento infinito e inesgotável da história. O homem
vive alienado, sendo o pecado uma alienação, e sendo a resposta ou solução para essa
alienação existencial o Novo Ser em Cristo. Esse teólogo não via a filosofia como
inimiga da teologia, pelo contrário, Tillich não é somente um teólogo ou filósofo, mas é
um teólogo-filósofo, isso é claramente percebido em suas obras; em seu livro intitulado
“Perspectivas Da Teologia Protestante Nos Séculos XIX e XX”, o casamento entre o
discurso teológico e a visão filosófica faz dessa obra um livro rico em conhecimento e
que aguça no leitor um desejo de conhecer mais. Apesar de Tillich falar muito sobre os
símbolos e as linguagens antropomórficas, ele também dizia sobre a morte dos
símbolos, ou seja, de acordo que nosso conhecimento cresce e amplia, os símbolos vão
perdendo força e a realidade se aproxima mais de nossas concepções. Tillich era um
pouco cético em relação às definições de Deus, pois cria que o homem nunca terá a
definição verdadeira de Deus, o máximo que pode acontecer é termos uma definição
expansiva, mas não completa. Suas obras principais foram: The courage to be, The
protestant era, Dynamics of faith, A history of Christian thought, Perspectives on 19th
and 20th century protestant theology, Systematic theology

5) Dietrich Bonhoeffer.

Nasceu em 1906 e morreu novo, em 1945 num campo de concentração, isso porque se
opunha a Hitler ativamente, até o chamou de anticristo. Enquanto vivia era
desconhecido, mas após sua morte ficou conhecido por suas idéias sobre discipulado
onde escreveu um livro chamado ”O Custo do Discipulado” onde ele mostra princípios
morais e espirituais para o cristão; enfatizava também a disciplina dos crentes. Levava
uma vida dedicada e piedosa, e claro com disciplina, combatendo a vida vivida sobre o
âmbito do sagrado e do profano ao mesmo tempo, ou seja, ele percebia que em nossa
vida devemos viver o que é sagrado. Pelo visto, a vida cristã de Bonhoeffer era vivida
com piedade e práxis, por isso se opôs a Hitler. Esse teólogo via Deus como uma
realidade única e que essa realidade opera em nós. Bonhoeffer enfatizava o evento
histórico da revelação de Jesus Cristo, ou seja, ele via Deus atuando na história, indo
contra idéias filosóficas e ateístas da época. Sua idéia sobre a filosofia não era muito
concreta, pois por um lado asseverava que a filosofia coopera com o homem ajudando-o
a obter a autonomia sobre si mesmo e sobre o mundo, mas por outro lado achava melhor
o crente deixar as idéias filosóficas de lado, inclusive o que está inserido na ética e na
ontologia. Apesar de ter vivido pouquíssimo tempo, Bonhoeffer escreveu algumas
obras, que foram: The Communion of Saints; Act and Being; The Cost of Discipleship;
Ethics; Resistance and Submission.

6) Reinhold Niebuhr.

Nasceu em Wright City, no Missouri (USA), 1892. Estudou no Elmhurst College, no


Seminário Teológico Éden e na Escola de Divindade de Yale. Foi um destacado pastor e
trabalhou na faculdade do Seminário Teológico União. Morreu em 1971. Ficou
conhecido por ser envolvente nas questões públicas e por seu pensamento sobre a ética e
apologética. Ensinava o pecado original e a posição caída do homem, fazendo parte da
escola da neo-ortodoxia. Dizia que apesar do homem estar caído, ele é responsável
pelos seus atos, ou seja, o homem é livre. Não era fascinado pela história como Tillich,
cria que os conflitos vividos pelo homem vão além do processo histórico, é claro que
sua crença na queda do homem e do pecado original, influencia diretamente esse
pensamento pendente para a ortodoxia. Sabemos que foi no século XX que a
pneumatologia começou a se desenvolver com mais intensidade, porém Niebuhr não
salientou o estudo do Espírito Santo, mas na cristologia ele referia-se a Cristo como a
“chave” do mistério da existência humana, o “símbolo” do amor eterno. Com apoio em
seu pensamento ético ele rejeitou o liberalismo religioso. Gostava dos escritos
agostinianos sobre a natureza humana, mas negava a doutrina da total depravação do
homem, ou seja, ele rejeitava a concepção calvinista de depravação total, porém não
negava a trágica posição do ser humano. Esse teólogo via a verdade apresentada na
bíblia, e não a encarava como elemento metafísico. Certa época de sua vida apoiou o
marxismo e o pacifismo, mas depois rejeitou essas idéias justamente devido à visão
amartiológica marxista, isto é, falta ao marxismo uma compreensão sobre a
pecaminosidade do homem, e automaticamente um importante ponto da questão de
como o homem pode ser aprimorado. Na política ele reconhecia as irracionalidades do
homem, mas buscava meios de dar racionalidade e direção a ele. As mudanças
institucionais eram mais importantes do que as mudanças no coração do homem.
Niebuhr achava o capitalismo adequado para o meio político, sendo que este sistema
pode trazer boas modificações para sociedade. Seus escritos foram: Moral Man and
Immortal Society; An Interpretation of Christian Ethics; Beyond Tragedy; Christianity
and Power Politics; The Nature and Destiny of Man; The Children of Light and The
Children of Darkness; Christian Realism and Political Problems; Pious and Secular
America.

Essas personalidades foram os principais teólogos contemporâneos, mas teve inúmeros


outros como: Oscar Cullman, Serghiei Bugakov, Ghiorghiou Florovsky, Wladimir
Lossky, Jurgen Moltmann..., esse último é conhecido devido à “teologia da esperança”.

Conclusão

É claro que os pensamentos desses teólogos vão muito além desse trabalho, mas é bom
notarmos algumas coisas importantes: muitas pessoas criticam os teólogos
contemporâneos chamando-os de “liberais”, “incrédulos”, etc., principalmente no meio
fundamentalista, mas isso acontece, ao meu ver, por três motivos: primeiro, eles são mal
compreendidos, muitos de seus livros são de difícil compreensão, portanto muitos não
entendem suas mensagens e idéias; segundo, os teólogos contemporâneos não ficaram
presos ao sistema e a paradigmas ou padrões como acontece no meio fundamentalista,
ou seja, esses teólogos não desprezavam a teologia, a filosofia, a sociologia, nem a
política, foram teólogos que não ficaram preso ao sacro e religioso; terceiro, alguns de
seus pensamentos foram de encontro a todos os ramos teológicos e filosóficos da época,
qualquer teólogo contemporâneo que você ler, notará ataques à concepção ética da
época, ou ataques tanto ao liberalismo como ao fundamentalismo e assim por diante,
esses teólogos marcaram suas épocas com novas idéias.

Devemos tomar cuidado quando vamos criticar de forma negativa qualquer um desses
teólogos, pois suas contribuições foram muitas. Viveram numa época de negritude;
muitos, como Bonhoeffer deram a vida em prol da humanidade, esse morreu num
campo de concentração por protestar contra o grande dominador da época, Hitler.
Admiro Bonhoeffer por isso, pois a grande maioria da Igreja se calou diante do
nazismo, sendo que houve alguns que ainda o apoiou(o nazismo).

Viveram numa época onde muitos criam que Deus havia morrido; no meio acadêmico,
devido o iluminismo, estava infectado com o “vírus” do racionalismo e intelectualismo,
levando muitos ao ateísmo filosófico. Porém esses teólogos proporam teologias
apologéticas que defendia de alguma maneira o cristianismo. Homens como Paul Tillich
estavam mergulhados em movimentos “não cristãos” como o existencialismo, mesmo
assim usaram seus conhecimentos para defender a “fé” cristã.

Na minha opinião, esses teólogos eram equilibrados; vejamos por exemplo a questão da
inspiração bíblica: enquanto o fundamentalismo defendia que a bíblia é a palavra de
Deus, porém de forma não exegética (mas sim eixegética) e totalmente sem reflexão
teológica e o liberalismo defendia que a bíblia contém a palavra de Deus, usando a
história, a filosofia e até a alta crítica para desvalorizar as escrituras, alguns dos neo-
ortodoxos, como Barth, trouxeram uma concepção racional sobre inspiração que não
tira a autenticidade da revelação.

Interessante também a forma de Tillich fazer teologia usando a história. Talvez você
possa dizer: ”_ mas muitos deles não acreditavam em milagres”, concordo com você,
porém aqueles que assim se posicionaram tiveram que teologizar além disso, levando o
cristianismo a ser ético e a demonstrar vida; Bultmann por exemplo, via a bíblia de
forma mitológica, porém quando se tratava de cristologia, ele afirmava com toda certeza
que Deus continua atuando na história por meio de Cristo.

Esses teólogos foram levantados na história por Deus de forma esplêndida, pois se isso
não acontecesse ficaria uma lacuna na história da teologia, e hoje nossa teologia estaria
mais arcaica do que está. Teríamos também que optar ou pelo liberalismo religioso que
era extremista em algumas áreas ou pelo fundamentalismo que é teologicamente uma
corrente medíocre, aliás, o fundamentalismo está abaixo da média. Não estou afirmando
que todos os teólogos contemporâneos são equilibrados, mas em termos gerais eles
contribuíram para que o equilíbrio encontre descanso na teologia.

Para mim Paul Tillich, Rudolf Bultmann e Emil Brunner se destacaram na teologia em
geral. A explicação de livre arbítrio de Brunner conseguiu definir a soteriologia bíblica,
mas dentro de uma linguagem humanista e racionalista, encaixando bem a teologia na
história. Muito interessante também a contribuição deste para a sociologia ao afirmar
que a tecnologia e a política podem despersonalizar o homem, essa AFIRMAÇÃO é
digna de análise em nossos dias, onde o homem se perdeu muito em relação a
personalidade. Achei muito importante também Brunner ter falado sobre mistério, onde
ele afirmava que há coisas nesse mundo que não podem ser explicado pela teologia;
Paul Tillich também teve uma postura parecida quando afirmava que não podemos
definir Deus devido sua grandeza e transcedência; Rudolf Bultmann também dizia algo
parecido ao mistério de Brunner, quando afirmava que questões como anjos, inferno,
milagres, etc eram assuntos de difícil análise visto que não podem ser provados por
análise científica e que os autores de tais escritos canônicos tinham uma mente mítica e
não científica. Resumindo isso que eu disse sobre esses três teólogos, todos eram céticos
em algumas questões teológicas, e em minha opinião, é impossível em certo nível
desconectar o ceticismo da teologia, pois muitas questões não têm como ser provadas
racionalmente, sendo assim, o ceticismo é uma saída equilibrada para o teólogo pós
moderno, pois não podemos continuar afirmando as mesmas idéias da ortodoxia, pois
ela fora formada num período onde o homem ainda não tinha uma mente científica, e
também lidamos hoje com assuntos que estão sendo analisados de forma relativa e não
absoluta, como é o caso da ética por exemplo.

Não sejamos medíocres, mesmo que não concordemos com muitos aspectos teológicos
desses pensadores, eles são exemplos de perseverança e de atitude em prol da teologia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAMPLIN, Russel e BENTES, João Marques. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e


Filosofia. 4 ed.São Paulo: Candeia, 1997. V1-V6.
TILLICH, Paul. Perspectivas Da Teologia Protestante Nos Séculos XIX e XX. São
Paulo:ASTE, 1986. p.9-226.
LANDERS, John. Teologia Contemporânea. Rio de Janeiro:JUERP, 1941. p.5-88.
GEISLER, Norman e NIX, William. Introdução Bíblica. Vida, 1997. p.15-19.
MONDIN, Battista. Os grandes Teólogos Do Século Vinte. 2ed. Tradução de José
Fernandes. São Paulo: Edições Paulinas, 1980. V2. p.5-274.
HÄGGLUND, Bengt. História Da Teologia. 3ed. Tradução de Mário Rehfeldt e Gládis
Rehfeldt. São Paulo: Concórdia, 1986. p.337-355.
TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. 2ed. Tradução de Jaci Maraschin. São
Paulo: ASTE, 2000. 293p.
BONHOEFFER, Dietrich. Ética. 4ed. Tradução de Helberto Michel. São Leopoldo:
Sinodal, 2000. 217p.
BULTMANN, Rudolf. Demitologização. Tradução de Walter Altmann e Luís Marcos
Sander. São Leopoldo: Sinodal, 1999. 119p.