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CAPÍTULO I

APLICAÇÕES DA TELEVISÃO

A palavra televisão significa ‘ver a distância’. As variações do sinal elétrico que


correspondem às alterações de luminosidade da cena formam o sinal de vídeo. No
receptor o sinal elétrico é utilizado para reconstruir a imagem na tela do tubo de
imagem. Na televisão monocromática, a imagem é reproduzida em preto e branco, e
graduações de cinza. Na televisão à cores, todas as cores são mostradas, a partir da
combinação de vermelho, verde e azul.

1.1- Sinais de Rádio, Televisão, Áudio e Vídeo.

No sistema de áudio, o microfone converte as ondas sonoras em sinal de áudio. O


alto-falante recebe este sinal de áudio em seus terminais, por conexão direta ou
como parte de um sistema de transmissão sem fio. O alto-falante então produz os
sons originais como ouviríamos ao microfone.
O tubo da câmera converte a luz incidente em variações elétricas do sinal de vídeo.
O tubo da câmera está para o vídeo assim como o microfone está para o áudio.
A luminosidade da cena é convertida em sinal elétrico, uma pequena área de cada
vez. Um sistema de varredura é necessário para cobrir totalmente a cena, ponto a
ponto, da esquerda para a direita, linha a linha, de cima para baixo. A varredura
horizontal é mais rápida – uma linha toma apenas 63,5 µs. O mecanismo de
varredura exige que pulsos de sincronismo sejam utilizados com o sinal de vídeo, a
fim de tornar simultâneas a varredura da câmera e a varredura no tubo de imagem.
Em sistemas de áudio, as frequências em banda-base vão de 20 até 20 KHz, embora
50 a 15 KHz são comumente utilizadas em equipamentos de alta fidelidade. Em
sistemas de vídeo as frequências em banda-base variam de 0 Hz até 4 MHz.
Na transmissão de rádio sem fios, o sinal de áudio em banda-base é modula uma
portadora de radiofrequência (RF).

1.2- Radiodifusão de Televisão


Entende-se por difusão o envio em todas as direções. O transmissor de televisão tem
duas funções: transmitir áudio e vídeo. Ambos os sinais de vídeo e áudio são
transmitidos por uma mesma antena.
Para transmissão de vídeo, o tubo da câmera converte a luz da imagem em sinal de
vídeo. O tubo da câmera é um tubo de raios catódicos (TRC) composto por uma
placa de imagem fotoelétrica e um canhão de elétrons, envolvidos em um tubo de
vidro onde se faz vácuo.
A antena receptora capta tanto a portadora de som quanto a de imagem. Os sinais
são amplificados e detectados para recuperar-se a modulação original.

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A faixa de frequência para a transmissão dos sinais de vídeo e áudio é chamada de
canal de televisão. O padrão brasileiro, a cada estação de TV corresponde uma faixa
de 6 MHz.
Canais de faixa baixa de VHF : 2 até 6.
Canais em faixa de alta de VHF: 7 a 13
Canais de UHF: 14 a 83.

Lembre-se que a banda de VHF tem frequências entre 30 e 300 MHz e UHF, de 300
a 3.000 MHz. As portadoras de vídeo e som são sempre separadas de 4,5 MHz em
cada canal.

canais Faixa de frequência MHz Descrição


1 Não utilizado
2 54-60 Canal baixo de VHF
3 60-66 Canal baixo de VHF
4 66-72 Canal baixo de VHF
5 76-82 Canal baixo de VHF
6 82-88 Canal baixo de VHF
88-108 Faixa FM
7 174-180 Canal alto de VHF
8 180-186 Canal alto de VHF
9 186-192 Canal alto de VHF
10 192-198 Canal alto de VHF
11 198-204 Canal alto de VHF
12 204-210 Canal alto de VHF
13 210-216 Canal alto de VHF
14-83 470-890 Canais de UHF

Entre os canais 4 e 5 as frequências de 72 até 76 MHz são utilizadas em serviços de


rádio, e navegação aérea. A faixa de 88 até 108 MHz é usada para FM comercial.
Inicialmente o canal 1 era usado na faixa de 48-54 MHz, mas foi eliminado por
interferir na FI. Os canais de frequências mais baixas atingem maior distância de
propagação do que os canais de mais alta frequência por isso normalmente os canais
de frequência mais baixa são destinados a serviços educativos.
Não se usa canais de frequências adjacentes, tais como, canal 2, canal 3, canal 4,
etc., na mesma cidade, por causar interferência. Os canais 4 e 5 podem ser
transmitido na mesma cidade, pois existe um intervalo de 4 MHz entre estes canais.

Questões

1- Quais são as frequências dos canais 2,6,7,13,14?


2- Que representa os valores 3,58 MHz, 4,5 MHz, 30 quadros, 525 linhas?

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CAPÍTULO 2

A IMAGEM DE TELEVISÃO

2.1- Elementos de Imagem


Uma imagem estática é fundamentalmente um arranjo de pequenas áreas claras e
escuras. Cada pequena área clara ou escura é um detalhe da imagem ou elemento de
imagem, abreviadamente pixel ou pel. Juntos estes elementos contém informações
visuais da cena. Se transmitidos e reproduzidos com o mesmo grau de luz ou sombra
e nas mesmas posições, então a imagem completa pode ser reproduzida.
A Fig abaixo mostra pontos na tela, que podemos chama-los de pixel, cada pixel
possui uma intensidade luminosa que pode variar de 0 até 255, para o caso de um
sistema de 8 bits. Para um sistema de televisão digital uma tela pode apresentar
várias resoluções com uma quantidade pixels relativamente grande, como é o caso
de 1820x1080.

... ....... ..
.....
M pixels
.......... ..
.....

.......... .
..... N pixels
Figura 2.1- Cinescópio com MxN pixels

2.2- Varredura Horizontal e Vertical


A imagem na TV é resultado da varredura de uma série de linhas horizontais, uma
sobre a outra, como mostra a Fig. abaixo.

3
Figura 2.2- Varredura do feixe de elétrons na tela da TV

Linhas por quadro. O número de imagens em um quadro deve ser grande, para que
se tenha uma imagem de elementos de imagem e, portanto, maiores detalhes.
Entretanto, outros fatores limitam a escolha e foi fixado em 525 linhas por quadro
em um sistema de TV preto e branco adotado nos Estados Unidos e em grande
parte da América Latina.

525 linhas

Figura 2.3- Varredura do feixe de elétrons para o sistema NTSC ou PAL com 525
linhas.

Quadros por segundo. Observe que o feixe move-se lentamente para baixo
enquanto é feita a varredura horizontal. O tempo para a varredura completa de um
quadro de 525 linhas é de 1/30. Logo as imagens são repetidas com a frequência de
30 quadros por segundo.

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Informações do Sinal de vídeo. No sinal de vídeo, as amplitudes da tensão e
corrente variam no tempo, da mesma forma que um sinal de áudio, embora as
variações do sinal de vídeo correspondam a informações visuais.

(a)

(b)
Figura 2.4- (a) Sinal da câmera correspondente a uma linha horizontal , (b) imagem na TV.

Persitência visual. A impressão causada nos olhos por uma luz persiste ainda por
uma fração de segundo após a remoção da fonte de luz. Assim se várias vistas são
mostradas aos olhos durante esse intervalo de persistência visual, elas serão
integradas pelo olho e o observador terá a impressão de estar vendo todas as
imagens simultaneamente. Quando a varredura é feita suficientemente rápida , os
elementos de imagens aparecem aos olhos como uma imagem completa. Para se ter
a sensação de movimento, um número suficiente de imagens precisa ser exibido a
cada segundo. Este efeito é obtido tentando-se uma taxa de 16 repetições por
segundo.

2.3- Frequência de Varredura Horizontal e Vertical.

A frequência de varredura vertical é a frequência de campo, ou 60 Hz. É a frequência


que o feixe de elétrons completa seu ciclo de movimento vertical, desde cima até

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embaixo e retornando para cima. Sendo o período para cada campo 1/60(s) e desde que
cada um contém 262,5 linhas, tem-se que o número de linhas por segundo é :

262,5x60 = 15750

Ou, considerando 525 linhas para pares de campos sucessivos, ou seja, um quadro,
pode-se multiplicar a frequência de quadros de 30 por este valor obtendo o mesmo
resultado.

Tempo da linha horizontal. O tempo para varrer cada linha horizontal (H) é
1/15750(s).

Tempo H = 1.000.000/15750 = 63,5(µs).

2.4- Sincronismo Horizontal e Vertical

Para manter a transmissão e recepção sincronizadas, sinais especiais são transmitidos


juntamente com as informações de vídeo para o receptor. Estes sinais são pulsos
retangulares que controlam a varredura na câmera e no receptor. Se não houver pulso de
sincronismo vertical a imagem não fica fixa na tela e rola para cima ou para baixo.

2.5- Apagamento Horizontal e Vertical

A tensão do sinal de vídeo correspondente ao apagamento está no nível de preto,


cortando a corrente de elétrons e evitando a emissão de luz na tela. A função dos pulsos
de retraço é tornar invisíveis os retornos do feixe necessários para a varredura.

O tempo total da varredura horizontal incluindo traço e retraço é de 63,5 µs. O


apagamento horizontal é de 63,5x0,16= 10,2 (µs).

O tempo necessário para apagamento vertical é de aproximadamente 1/60x0,08=


0013(s).

2.6- O sinal de cor 3,58 MHz.

Quando foi idealizada a transmissão de televisão a cores, ainda existia um grande


número de televisores preto e branco, então o sinal a ser transmitido pelo sistema de
televisão a cores precisava conter o sinal monocromático para os televisores preto e
branco. Foi então desenvolvido o novo sistema de televisão a cores que contém o sinal
monocromático ou sinal de luminância(Y) e o sinal que contém as características de
cores ou seja o sinal de crominância (C).

Especificamente, os sinais transmitidos em um sistema de TV a cores são:

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1. Luminância(Y) . Contém somente as variações de brilho da imagem, incluindo
detalhes, como no sinal monocromático. Quando tiramos a cor usando o controle
do televisor a cores a imagem apresenta em níveis de cinza ou seja a imagem se
transforma em uma imagem monocromática, teremos então apenas o sinal Y.
2. Crominância(C ). Contém as informações de cor, este sinal modula uma
subportadora na frequência de 3,58 MHz. Para ser mais preciso, a frequência da
subportadora é de 3,579545 MHz( NTSC) ou 3,575611 MHz(PAL-M).

No receptor os sinais de luminância e Crominância são combinados para recuperar os


sinais originais vermelho, verde e azul.

2.7- Qualidade da Imagem

Brilho. É a intensidade média ou geral de iluminação na imagem reproduzida.


Elementos de imagem individuais podem variar acima ou abaixo deste nível. As Figs.
2.5a 2.5b mostram dois sinais com níveis médio de alta(a) e baixa intensidade(b). Para o
caso de alto nível médio a cena fica mais clara com maior intensidade luminosa.

Sinal de vídeo sinal de vídeo

Nível médio

Nível médio

tempo tempo

(a) (b)

Figura 2.5- (a) alto nível médio, (b) baixo nível médio.

Contraste. É a diferença de intensidade entre as partes pretas e brancas na imagem


reproduzida. Nas Figs 2.6a e mostram dois casos de alto contraste (a) e baixo
contraste(b). Quando o sinal possui alto contraste a cena clara fica mais clara e a cena
escura fica mais escura, isto é há um distanciamento entre o nível máximo e mínimo.

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Sinal de vídeo sinal de vídeo

Nível médio Nível médio

tempo tempo

(a) (b)

Figura 2.6- (a) alto contraste, (b) baixo contraste

Detalhes. A qualidade dos detalhes, também chamada de resolução ou definição,


depende do número de elementos de imagem que podem ser reproduzidos. A resolução
está relacionada com a largura de faixa do sinal de vídeo. Quanto mais detalhes, maior
será a largura de faixa do sinal.

Sinal de vídeo
Sinl de vídeo

Figura 2.7- Imagem na TV e seus correspondentes sinais de vídeo

Nível de cor. Diz respeito a saturação da cor, podendo alterar a imagem desde ausência
das cores até mostrá-las pálidas ou bem vivas e intensas.

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Matiz. O que normalmente chamamos de cor de um objeto. Como por exemplo, a
grama tem matiz verde.

Relação de aspecto. A razão largura-altura de um quadro é chamada de relação de


aspecto. Para televisão analógica foi normalizada em 4:3, ela nos fornece a relação entre
a largura e altura da imagem. Nos sistemas de TV digital esta relação é de 16:9.

Televisão Televisão
3 9
Analógica Digital

4 16

Figura 2.8- Relação de aspecto para TV analógica e TV digital de alta resolução

Distância para assistir. Perto da tela, todos os detalhes podem ser vistos. Entretanto,
as linhas de varredura ficam visíveis. Uma melhor distância para assistir TV é entre
quatro a oito vezes a altura da tela.

2.8- Canais para Rádio Difusão de Sinais de Televisão

Modulação de vídeo. A modulação do sinal de vídeo é feita usando AM-VSB. O sinal


de vídeo em banda-base de 4 MHz modula a portadora correspondente, para ocupar uma
faixa de 6 MHz que é a largura de faixa de um canal de TV. O sinal AM-VSB é uma
modulação que possui uma faixa de largura entre o AM-SSB e o AM-DSB. Para o caso
de televisão se o sistema fosse modulado em AM-DSB a faixa seria de 8 MHz por outro
lado se fosse modulada em AM-SSB teríamos uma faixa de 4 MHz. Como o sistema é
modulado em AM-VSB teremos que a faixa será de 6 MHz.

A modulação AM-SSB possui uma faixa menor do que o sistema AM-DSB, mas por
outro lado exige um filtro de caimento muito rápido. O sistema AM-VSB é um caso
intermediário porque não exige filtros muito seletivos como no caso do AM-SSB, e
possui uma faixa intermediária entre os AM-SSB e AM-DSB.

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Espectro em banda base Espectro sinal AM-DSB

f2 f

4 MHz 8 MHz

(a) (b)

Espectro AM-SSB Espectro sinal AM-VSB

f1 f2 f f3 f1 f2 f

4 MHz 6 MHz

(c) (d)

Figura 2.9 – (a)Largura de faixa do sinal em banda base, (b) Espectro do AM-DSB, (c)
Espectro do AM-SSB, (c) Espectro do AM-VSB

Modulação da Crominância. Na transmissão em cores o sinal em 3,58 MHz contém as


informações de cores.

Som. Também dentro do canal de 6 MHz é incluído a portadora do som para aquela
imagem. A portadora de som é modulada em FM por uma frequência na faixa de 50 Hz
até 15k kHz.

Frequência das Portadoras. A Fig.2.10 mostra como as diferentes portadoras são


posicionadas no canal de 6 MHz. A portadora de vídeo é marcada com a letra P, e a
portadora de som é marcada com a letra S e está a 4,5 MHz acima da portadora de
vídeo.

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Figura 2.10- Posicionamento relativo da portadora de vídeo(P), portadora de som(S) e
subportadora de crominância(C).

Questões

Preencha as lacunas:
1- Os quadros são repetidos à frequência de .......por segundo.
2- O número de linhas de varredura é .......... por quadro.
3- O número de campos é ...........por quadro.
4- O número de linhas de varredura é ........... por campo
5- O número de linhas de varredura é .........por segundo.
6- A frequência de varredura horizontal é .......Hz
7- A frequência de varredura dos campos é .........Hz.
8- A amplitude do sinal de vídeo determina a qualidade de imagem
chamada......
9- A largura de faixa do sinal de TV é ......MHz.
10- O tipo de modulação do sinal de vídeo é .........
11- O tipo do modulação do sinal de som é .......
12- A banda reservada para o canal 3 é ........MHz.
13- A diferença das frequências portadoras de som e imagem par o canal 3 é
.......MHz.
14- Porque a varredura vertical é necessária além da varredura horizontal?
15- A volta do feixe não é visível por causa dos pulsos de ........
16- A frequência da subportadora de cor é aproximadamente .........MHz.
17- Defina razão de aspecto, contraste, brilho e resolução.
18- Por que os pulsos de apagamento são usados no sinal de vídeo?

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CAPÍTULO 3
TUBO DE IMAGEM

O tubo de imagem é um tubo de raios catódicos com um canhão de elétrons e uma tela
de fósforo dentro de um vidro fechado a vácuo. No estreito pescoço do tubo, o canhão
de elétrons produz um feixe de elétrons. Este feixe é acelerado em direção a tela pela
tensão positiva do anodo. Para formar a tela, o lado interno da face frontal do vidro é
revestido com um material luminescente que produz luz quando excitado pelo feixe de
elétrons. Uma deflexão magnética é utilizada com bobinas externas ao redor do pescoço
do tubo para fazer com que o feixe percorra a área inteira da tela.

3.1 Construção do tubo de imagem

O tamanho de um tubo de imagem varia dos menores, com cerca de 1 polegada de tela,
medida diagonalmente, até os maiores tubos de visão direta com uma diagonal de tela
de 30 polegadas ou mais.

O número do tipo de um tubo de imagem começa com uma identificação que fornece o
tamanho da tela no sistema EIA. Para o tipo 19VHBP22, por exemplo, a medida da
diagonal da tela será em torno de 19 polegadas.

Tensão e corrente de filamento

Estes valores não são especificados na identificação do tipo do tubo de imagem. Os


valores de corrente é geralmente 6,3V . Os valores de corrente são de 240 a 600 mA
para tubos monocromáticos e 800 a 1800 mA para tubos coloridos.

Face frontal

O revestimento interior da face de vidro forma a parte visível da tela. O vidro deve ser
espesso o suficiente para resistir a pressão atmosférica que exerce uma força contra o
vácuo dentro do invólucro de vidro.

Ângulo de deflexão

O ângulo de deflexão máximo em que o feixe de elétrons pode ser defletido sem bater
nos lados é chamado de ângulo de deflexão. Os valores típicos são 70,90,110 e 114o.

Alta tensão

O segundo anodo para o canhão de elétrons possui uma alta tensão positiva (MAT ou
Muita Alta Tensão), necessária para acelerar os elétrons em direção a tela, para se obter
o brilho desejado. Os valores típicos são como se segue:

12
12 KV para tubo de imagem monocromático de 12 polegadas

30 KV para tubos de 25 polegadas a cores

Etc.

3.3 Fósforos para telas

Os mais comuns são o fósforo verde, P1, para tubos de osciloscópios, o fósforo P4, para
tubos de imagem monocromáticos e o fósforo P22 para tubos a cores.

Persistência da tela

O tempo que decorre para que a luz emitida da tela diminua até 1% de seu valor
máximo será chamado de persistência da tela. A persistência deve ser menor que 1/30 s,
para que um quadro não se adicione ao seguinte, causando um borrão nos objetos em
movimento.

Deflexão magnética

Todos os tubos de imagens utilizam deflexão magnética com bobinas de varredura V e


H numa unidade defletora (yoke) externa ao redor do pescoço do tubo, em vez de
deflexão eletrostática com placas internas. Na varredura magnética, dois pares de
bobinas de deflexão são utilizados, montados externamente ao redor do pescoço do
tubo, junto ao cone. O par de bobinas abaixo produz uma deflexão horizontal e vertical.

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CAPÍTULO 4
VARREDURA E SINCRONISMO

4.1- Forma de onda dente de serra para varredura linear

Como exemplo de varredura linear, considere a forma de onda dente de serra na Fig.
Abaixo como uma corrente de varredura para um tubo eletromagnético.

Figura 4.1- Forma de onda dente de serra da varredura na deflexão horizontal e vercial.

Figura 4.2- Direções par traço e retraço na forma de onda dente de serra da varredura.

Varredura Horizontal. O aumento linear da corrente nas bobinas de deflexão


horizontal deflete o feixe através da esquerda para a direita.

Varredura Vertical. A corrente dente de serra nas bobinas de deflexão vertical faz
com que o feixe de elétrons se mova do topo para baixo do quadro.

Tempo de Retraço. Durante o retraço horizontal e vertical, toda a informação da


imagem é apagada. Portanto, a parte do retraço da onda dente de serra deve ser feita tão
curta quanto possível, pois o retraço perdido em termos de informação de imagem.
14
4.2- Padrão de Varredura Entrelaçada.

O procedimento de varredura universalmente adotado emprega varredura horizontal


linear em padrão entrelaçado de linhas ímpares.

Procedimento de Entrelaçamento. A varredura entrelaçada pode ser comparada com


a leitura de linhas entrelaçadas escritas na Fig. 4.4 onde a informação na página é
contínua se você ler todas as linhas ímpares do topo para baixo e então retornar ao topo
para ler as linhas pares do topo para baixo.

As linhas de varredura horizontal estão entrelaçadas no

As linhas ímpares são varridas, omitindo-se as linhas pares.

Sistema de televisão para dar duas

Em seguida as linhas pares são varridas para completar o

Visões da imagem para cada quadro de imagem. Todas

Quadro inteiro sem perder qualquer informação da imagem.

Entrelaçamento de linhas ímpares. A geometria da varredura entrelaçada de linhas


ímpares está ilustrada na Fig. 4.5.

Figura 4.5- Varredura entrelaçada

4.3- Quadro com Varredura Entrelaçada

O padrão de varredura completo está mostrado na Fig. 4.6, onde as formas de onda
dente de serra horizontal e vertical ilustram a varredura entrelaçada de linhas ímpares.

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Figura 4.6- Uma amostra do padrão de varredura para 21 linhas de entrelaçamento.

4.4- Cintilação

A varredura entrelaçada é utilizada porque o efeito de cintilação é desprezível quando


60 vistas da imagem são apresentadas por segundo. Se as varreduras progressivas
fossem utilizadas em lugar da varredura entrelaçada todas as linhas de um mesmo
quadro sendo varridas em ordem progressiva de cima para baixo, teríamos somente 30
quadros por segundo e resultaria em uma cintilação desagradável.

4.5- Distorção de Quadro

Relação de aspecto incorreta. Dois casos de distorção de quadro estão ilustrados na


Fig. 4.7.

Figura 4.7- Distorções do sinal na tela: relação e aspecto e trapezoidal

16
Distorções em Barril e em Almofada. Se a deflexão não for uniforme nas bordas do
quadro comparada com seu centro, o quadro não terá bordas retas como mostra a Fig.
4.8(a), este é conhecido como efeito almofada. A distorção barril é mostrada na Fig.
4.8(b).

Figura 4.8: Distorção (a) almofada (b) barril

Distorção Trapezoidal. A Fig. 4.9a, as linhas de varredura serão maiores no topo do


que embaixo.

Figura 4.9- Distorção trapezoidal

Varredura não Linear. A forma de onda dente de serra com sua elevação linear para
o tempo do traço produz a varredura linear, já que faz com que o feixe se mova com
velocidade constante. Contudo com a varredura não linear, o feixe se move ou muito
lento ou muito rápido. Se o ponto em varredura mover muito devagar o receptor,
comparado com a varredura da câmera, então a informação é comprimida. Ou, se a
varredura é muito rápida, então a informação da imagem é reproduzida espalhada.

17
i(t)

I/2

t1 t2 t

Figura 4.10 – Espalhamento na parte inferior causada pela varredura vertical não linear.

Varredura com Mau Entrelaçada. Em cada campo, o traço vertical deve iniciar
exatamente na metade da linha de início do campo anterior para o entrelaçamento das
linhas ímpares. Se o movimento para baixo for deslocado um pouco de sua posição
correta, o feixe começa a varrer muito próximo da linha anterior, em lugar de varrer
exatamente entre as linhas.

4.6- Pulso de Sincronismo

No tubo de imagem, o feixe de varredura dever reproduzir os elementos de imagem em


cada linha horizontal com a mesma posição da imagem no tubo da câmera.

18
Figura 4.11 – pulsos de sincronismo.

Figura 4.12- Imagem rolando para cima e para baixo sem sincronismo V

Figura 4.13- Imagem desfeita em segmentos diagonais sem sincronismo H.

19
Questões

1- Para as seguintes imagens, desenhe o sinal composto de vídeo de duas linhas


consecutivas (a) estrutura toda branca (b) duas barras brancas verticais e duas
barras pretas espaçadas igualmente, (c) Qual a frequência da primeira harmônica
para um sinal de 10 barras pretas e 10 brancas verticais?
2- Qual a função dos pulsos de apagamento horizontal? E dos pulsos de
apagamento vertical?
3- No padrão em tabuleiro de xadrez, se houver 3000 quadrados numa linha, qual é
a frequência das variações do sinal correspondente? Utilize 53,3µs para o tempo
do traço visual.
4- Com uma relação de utilização de 0,7 qual é o número máximo de detalhes
verticais para um tempo de apagamento de 0,08V?

20
CAPITULO 5
ANÁLISE DOS SINAIS DE VÍDEO

As três partes do sinal composto de vídeo, ilustradas na Fig. 5.1 são:

- O sinal da câmera correspondendo às variações de luz na cena;

- Os pulsos de sincronismo para sincronizar a varredura ;

- Os pulsos de apagamento para fazer os retraços invisíveis.

Figura 5.1- Os três sinais componentes do sinal de vídeo composto: (a) sinal da câmera,
(b) sinal de apagamento e sinal da câmera, (c) sinal da câmera, sinal de apagamento
horizontal e sinal de sincronismo horizontal

5.1- Constituição do Sinal Composto de Vídeo

Na Fig. 5.2, valores sucessivos de amplitude de tensão ou corrente são mostrados para a
varredura de duas linhas na imagem.

Figura 5.2- Sinal composto de vídeo para uma linha horizontal.

21
Polaridade dos Pulsos de Sincronismo no Sinal Composto de Vídeo.

O sinal de vídeo pode ter duas polaridades :

1- Uma polaridade de sincronismo positiva, com os pulsos de sincronismo na


posição para cima, como na Fig. 5.2,
2- Uma polaridade de sincronismo negativa, com os pulsos de sincronismo na
posição para baixo, como mostrado na Fig. 5.3.

Figura 5.3- O sinal de vídeo composto com polaridade negativa.

Apagamento

O sinal composto de vídeo contém pulsos de apagamento para fazer as linhas de retraço
invisíveis, pela mudança da amplitude do sinal para preto quando os circuitos de
varredura produzem o retraço, como é ilustrado na Fig. 5.4.

Figura 5. 4- Pulsos de apagamento V e H.

22
5.2 Escala IRE das Amplitudes do Sinal de Vídeo

Amplitude do Pulso de Sincronismo.

Das 140 unidades IRE totais, 40 serão para o pulso de sincronismo.

Figura 5.5- Fotografia da imagem de osciloscópio mostrando uma linha horizontal do


sinal de vídeo composto.

Set-up do Preto.

Note que os picos pretos das variações dos sinais da câmera são separados do nível de
apagamento de 7,5 unidades IRE, que aproximadamente 5% do total.

Amplitudes do Sinal de Câmera. O pico branco corresponde aproximadamente a 100


unidades IRE.

Tempo de Apagamento Horizontal. Os detalhes do período de apagamento horizontal


estão ilustrados na Fig. 5.6. O intervalo marcado H é o tempo necessário para varrer
uma linha completa o traço e retraço. Portanto, o tempo para H será 1/15750 ou 63,5 µs.
O pulso de apagamento horizontal tem a largura de apenas 0,14H até 0,18H. Vamos
tomar uma média de 16% como típico. Portanto, o tempo de apagamento horizontal é:

0,16x63,5 = 10,2 µs

O tempo do traço ativo será:

63,5 – 10,2 = 53,3 µs

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Então, 53,3 µs é o tempo necessário para o a varredura sem apagamento em cada linha.
Para o apagamento horizontal será necessário 10,2 µs.

Figura 5.6- Detalhes do apagamento horizontal e pulsos de sincronismo.

Pórtico Anterior e Pórtico Posterior

A parte antes do pulso de sincronismo é chamado de pórtico anterior e o pórtico


posterior vem logo após o pulso de sincronismo horizontal. O valor do pórtico anterior é
de 0,02 H = 1,27 µs e o valor do pórtico posterior é de 0,06H = 3,81 µs.

Apagamento H e Varredura H.

O tempo de apagamento após o pórtico anterior é de 8,93 µs, calculado de

10,2 – 1,27 = 8,93 µs

Agora subtraia o tempo de retraço de 7 µs para

8,93 – 7,00 = 1,93 µs

Então 1,93 µs é o tempo de apagamento que ainda resta após o retraço até a borda
esquerda ter sido completado.

24
Período Tempo
Linha total H 63,5 µs
Apagamento H 9,5-11,5µs
Pulso de sincronismo H 4,75 ±0,5µs
Pórtico anterior 1,27µs
Pórtico posterior 3,81µs
Tempo de linha visível 52-54µs

Amplitude do Sinal de Câmera.

5.4- Tempo de Apagamento Vertical

Os pulsos de apagamento vertical levam a amplitude do sinal de vídeo para o nível de


preto de maneira que o feixe de varredura esteja apagado durante os retraços verticais.
A largura do pulso de apagamento vertical é 0,05V onde V=1/60. Se tomarmos 8%
como o máximo, o tempo de apagamento vertical é:

0,08x1/60 = 1333µs

Linhas H Apagadas V.

O tempo de 1333 µs é suficiente para incluir linhas de varredura horizontal completas.


Pelos cálculos podemos ter

1333/63,5 = 21 linhas apagadas no apagamento vertical.

Assim teremos 42 linhas no apagamento dos dois campos.

25
Pulsos de Sincronismo no Tempo de apagamento.

Os pulsos de sincronismo horizontal inseridos no sinal composto de vídeo durante o


pulso de apagamento vertical são mostrados na Fig. abaixo. Incluem os pulsos de
sincronização vertical e alguns pulsos de sincronização horizontal.

Figura 5.7- Detalhes dos pulsos de sincronismo e apagamento para campos sucessivos
na varredura vertical.

Apagamento V e Varredura V.

Os pulsos de sincronismo vertical força os circuitos de deflexão vertical a começarem o


retraço. Contudo o retraço não começa com o início do pulso de sincronismo vertical,
pois o pulso deve carregar um capacitor para gatilhar os circuitos de varredura. O tempo
necessário para o retraço depende dos circuitos de varredura, mas um tempo típico de
retraço vertical é de cinco linhas.

Detalhes do apagamento vertical

período Tempo
Campo total(V) 0,0167(s)
Apagamento 0,05 V – 0,08 V

26
Cada pulso de sincronismo V 27,35 µs
Total de seis pulsos de sincronismo V 3H = 190,5 (µs)
Cada pulso E 0,04 H = 2,54 (µs)
Cada pulso serrrilhado 0,07H = 4,4 (µs)
Tempo de campo visível 0,92V- 0,95V ou 0,015- 0,016s

5.5- Informação de Imagem e Amplitudes de Sinal de Vídeo

Os dois exemplos mostrados na Fig. 5.8 ilustram como o sinal composto de vídeo
corresponde a informação visual. Na Fig. 5.8a, o sinal de vídeo corresponde a uma linha
preta no centro de um quadro branco. Na Fig. 5.8b, os valores preto e branco na imagem
são invertidos em relação aos da Fig. 5.8a.

Figura 5.8- Sinal composto de vídeo e sua informação de imagem.

5.7- Informação de Imagem e Frequências do Sinal de Vídeo

As frequências do sinal da câmera variam de aproximadamente de 30 Hz até 4 MHz.

Frequências de Vídeo associadas com a Varredura Horizontal

No padrão xadrez da Fig. 5.11 o sinal de onda quadrada no topo representa as variações
do sinal da câmera do sinal composto de vídeo obtido em uma linha da varredura
horizontal. Os 12 quadros numa linha serão varridos em 53,3 µs. Um tempo T menor
será necessário para varrer dois quadrados 1/6 de 53,3 µs:
27
T= 1/6x53,3 = 8,8 µs

O período para um ciclo completo do sinal de onda quadrada é T, e a frequência


f=1/T=1/8,8µs=0,11 MHz.

Figura 5.11- Padrão xadrez de 12 barras quadrados pretos e brancos.

Frequências de Vídeo e Informação de Imagem

A Fig. 5.12 mostra como o tamanho da informação de imagem se relaciona com as


frequências de vídeo. O corpo principal da imagem na Fig. 5.12a é mostrado na
Fig.5.12b com somente as grandes áreas preto e branco. Estas frequências d vídeo se
estendem até 100 kHz. Contudo os detalhes com bordas e contornos nítidos de 0,1 a 4
MHz mostradas na Fig. 5.12c.

28
Figura 5.12- Efeito das frequências de vídeo na reprodução da imagem: (a) imagem
normal, (b) somente grandes áreas na imagem reproduzidas com baixas frequências de
vídeo até 0,1 MHz, (c) somente bordas e contornos reproduzidos com altas frequências
entre 0,1 e 4 MHz.

Número Máximo de Elementos de Imagem

Se considerarmos o padrão em tabuleiro de xadrez da Fig. 5.11 com muito mais


quadrados, o número máximo de elementos de imagem pode ser calculado considerando
cada quadrado como um elemento de imagem.

Detalhe Horizontal Máximo

Procedendo da mesma maneira como na seção anterior, podemos encontrar o número de


elementos correspondentes a 4 MHz é

1/(4x106)s = 0,25 µs

29
Desde que dois elementos podem ser varridos em 0,25 µs, oito elementos poderão ser
varridos em 1µs. Finalmente, 8x53,3 = 426 elementos de imagem podem ser varridos
durante o período de uma linha ativa inteira de 53,3 µs.

Relação de Utilização e Detalhe Vertical

Cada linha de varredura pode representar somente um detalhe na direção vertical.


Contudo uma linha de varredura pode deixar de representar um detalhe vertical
completamente. Além disso, duas linhas podem ficar sobrepostas num elemento de
imagem . O problema no estabelecimento de detalhes verticais úteis, então, é determinar
quantos elementos de imagem podem ser reproduzidos para um dado número de linhas.

O número de linhas úteis na representação dos detalhes verticais divididos pelo número
total de linhas de varredura visíveis é a relação de utilização. Cálculos teóricos e testes
experimentais mostram que a relação de utilização varia de 0,6 a 0,8. O número de
linhas úteis é dado por:

(525-42)x0,7 = 338

5.9-Componente Contínua do Sinal de Vídeo

Em adição as contínuas variações de amplitude para elementos de imagem individuais,


o valor médio do sinal de vídeo deve corresponder ao brilho médio na cena. O nível
médio de um sinal é a média aritmética de todos os valores instantâneos medidos de
eixo zero. Quando o nível médio, ou componente contínua do sinal está próximo do
nível de preto como na Fig. abaixo(a), o brilho da cena é escuro. As mesmas variações
de sinal na Fig. abaixo(b) possuem um fundo mais iluminado porque o nível médio está
mais longe do nível de preto.

Figura 5.13- Sinais de vídeo com as mesmas variações AC, mas com diferentes níveis
de brilho médio

30
Gama e Contraste na Imagem

Gama é um fator numérico em televisão e reprodução para indicar como valores de luz
são expandidos ou comprimidos. Com respeito a Fig. 5.15 o expoente das equações para
as curvas é chamado de gama. O valor numérico de gama é igual a inclinação da curva
onde ela cresce mais rapidamente. Uma curva com uma menor do que 1 é curvada para
baixo, como na Fig. 5.15a. com a maior inclinação ocorrendo no final. Quando gama for
maior do que 1, a curva está curvada para cima como na Fig. 5.15b, e a curva no início é
relativamente plana enquanto no final inclinada. Com um gama de 1, o resultado é uma
linha reta.

Figura 5.15- Característica gama: (a) resposta visual do olho, o gama será menor do que
1, (b) característica da grade de controle do tubo de imagem com gama maior do que 1,
(c) característica linear de um amplificador igual a 1.

Informação da Cor no Sinal de Vídeo

Para a televisão a cores, a composição do vídeo inclui um sinal de crominância de 3,58


MHz. A Fig. 5.16 mostra o sinal de vídeo com e sem cor.

31
Figura 5. 16- Sinal de vídeo com e sem cor: (a) sinal monocromático, (b) sinal
combinado de crominância e sinal de luminância.

Questões

Responda Verdadeira ou Falsa.

1. As três componentes do sinal de vídeo composto são o sinal de câmera, os


pulsos de apagamento e os pulsos de sincronismo, considerando que não há
informação de cor.
2. Os pulsos de sincronismo transmitidos durante o tempo de apagamento vertical
incluem os pulsos de equalização o pulso de sincronismo vertical com
serrilhado, e pulsos de sincronismo horizontal.
3. Para cada uma das seguintes imagens, desenhe o sinal composto de vídeo de
duas linhas consecutivas: (a) estrutura toda branca, (b) duas barras brancas
verticais e duas barras pretas espaçadas igualmente, (c) 10 pares de barras
verticais.
4. Por que os pulsos de sincronismo são inseridos durante o tempo de apagamento?
5. Qual a função dos pulsos de apagamento horizontal? E dos pulsos de
apagamento vertical?
6. No padrão em tabuleiro xadrez, se houver 300 quadrados numa linha, qual é a
frequência das variações correspondente?
7. Com uma ralação de utilização de 0,7, qual é o número máximo de detalhes
verticais para um tempo de apagamento de 0,08V?
8. Calcule o comprimento de cada detalhe horizontal uma tela de 20 polegadas,
para uma frequência de sinal de vídeo de 0,5 MHz.

32
CAPÍTUL0 6
Sinais de Televisão a Cor

OS SINAIS DA TELEVISÃO A CORES

Uma imagem colorida é, na realidade uma imagem monocromática mas com cores
adicionadas às partes principais da cena. A informação de cor exigida está no sinal de
crominância C de 3,58 MHz.

6.1-Sinais de vídeo Vermelho, Verde e Azul

Os sistemas de televisão a cores começam e terminam com vermelho, verde e azul para
informação de cores as cenas. Como mostra a Fig. 6.1, temos três tubos separados de
câmera vidicon são utilizados para o vermelho, verde e azul. Estes tubos separam a cor
em suas três componentes(R,G,B).

filtros
Tubos de
câmeras vidicon

R Sinal de video
vermelho

Sinal de video
imagem G verde

Sinal de video
B
Luz azul

Figura 6.1 – Três tubos da câmera vidicon produzindo os sinais R, G e B.

33
No receptor, o tubo de imagem possui três canhões de elétrons para os pontos de
fósforo, vermelho, verde e azul na tela.

Tela de fósforo

R
G
G
B
B
Trio de
pontos

Figura 6.2 – Canhão eletrônico com as cores com os três fósforos.

Os sinais R,G,B são compatíveis com a televisão preto e branca pois contém apenas
uma informação da imagem. Os sinais de vídeo (R,G,B) são combinados para formar
dois outros sinais – o sinal de crominância ( C ) e o sinal de luminância(Y). Na Fig. 6.3
os sinais de vídeo separados R,G,B são mostrados para uma linha de varredura
horizontal através da imagem com barras vermelhas, verdes e azuis.

34
Vermelho Verde Azul

Sinal R

Sinal G

Sinal B

Tempo

Fig. 6.3- Os sinais de vídeo para as barras R,G e B.

35
Cor de Cor de
vermelho
rosa rosa
pálido

Componente de
R

Tempo

Fig. 6.4- Amplitude decrescente do sinal de vídeo da cor R para as barras vermelha, cor
de rosa e cor de rosa pálido.

Na Fig.6.5 mostra barras coloridas vermelhas, mas com larguras diferentes e se


estreitando. Isto resulta em frequências maiores para barras mais estreitas.

tempo

Figura 6.5- Exemplo do aumento das frequências do sinal de vídeo para barras de cores
com largura menor, indicando detalhes de menores de informações.

6.2- Adição de Cores

Quase todas as cores podem ser reproduzidas pela adição do vermelho, verde e azul em
diferentes proporções. O efeito aditivo é obtido pela superposição de cores individuais

36
Adição de Mistura de Cores

A ideia da adição de cores é apresentada na Prancha colorida VII. Os círculos vermelho,


verde e azul são sobrepostos, a cor mostra a adição das cores primárias. No centro, os
três círculos sobrepõem-se, resultando no branco.

Vermelho

Magenta
R+B

Amarelo
R+G

Azull

Turquesa
Verde G+B

Figura 6.6 – Círculo de cores mostrando as cores primárias vermelha, verde e azul com
as cores complementares turquesa, magenta e amarelo.

Cores Complementares

A cor que produz luz branca quando adicionada a uma primária será chamada de seu
complemento. Por exemplo, amarelo quando somado ao azul, produz o branco. Portanto
o amarelo é complemento do azul.

Cores primárias Cores complementares


Vermelho Turquesa
Verde Magenta
Azul Amarelo

Turquesa = azul + verde

37
Magenta = vermelho + azul

Amarelo = vermelho + verde

Adição de Sinais para Cores

O que se vê na tela é a sobreposição combinada do vermelho, verde e azul.

Definição de Termos de Televisão a Cores

Branco. Na realidade, a luz branca pode ser considerada como uma mistura do
vermelho, verde e azul nas proporções adequadas. O branco e referência para televisão é
especificado como uma cor de temperatura de 6500 K. Este é o branco azulado como a
luz do dia.

Matiz. A própria cor será o seu matiz ou tonalidade. O verde deverá possuir um matiz
verde, uma maça vermelha possui matiz vermelha.

Saturação. Cores saturadas são vivas, intensas ou fortes. A cores fracas ou pálidas
possuem pouca saturação. A saturação indica a graduação de como estão diluídas pelo
branco. Por exemplo o vermelho diluído pelo branco torna-se cor-de-rosa.

Crominância. Este termo é utilizado pra combinar o matiz e a saturação. Na televisão a


cores o sinal de cor de 3,58 MHz, especificamente, é o sinal de crominância. Em
resumo o sinal de crominância inclui todas as informações de cores sem brilho.

Luminância. A luminância indica a quantidade de intensidade de luz, que é percebida


pelos olhos como brilho. Na imagem preto-branco, as partes luminosas possuem mais
liminância do que as áreas escuras. Todavia cores diferentes possuem graus de
luminância diferentes já que as cores possuem brilhos diferentes. Esta ideia é mostrada
pela curva de luminosidade mostrada na Prancha VIIIb.

Compatibilidade. A compatibilidade da TV a cores com a TV preto-e-branco significa,


essencialmente que os mesmos padrões de varredura são utilizados, e o sinal de
luminância possibilita aos receptores monocromáticos reproduzirem em preto-e-branco
uma imagem gerada a cores.

Subportadora. Um sinal da subportadora modula outra onda portadora de frequência


maior. Na televisão a cores a informação de cor é modula o sinal da subportadora de cor
de 3,58 MHz que modula o sinal principal da portadora de imagem no canal de
transmissão.

38
Multiplexação. A técnica da utilização de uma onda portadora para dois sinais
separados é chamada multiplexação. Na televisão a cor o sinal C de 3,58 MHz será
multiplexado com o sinal Y como uma portadora de imagem principal modulada.

Questões

1- As variações de brilho da informação de imagem estão em qual sinal (a) I, (b) Q,


(c) Y, (d) R-Y.
2- A matiz com 180o defasado do vermelho é : (a) turquesa, (b) amarelo, (c) verde,
(d) azul.
3- Uma amplitude p-p maior do sinal de crominância de 3,58 MHz indica : (a) mais
branco, (b) amarelo, (c) matiz, (c) saturação.
4- Que sinal a informação de cor de largura de faixa de 1,3 MHz ? (a) I, (b) Y, (c)
R-Y, (d) B-Y.
5- A cor com mais luminância é : (a) vermelho, (b) amarela, (c) verde, (d) azul.
6- Qual será o matiz de uma cor com 90o de fase adiante do burst? (a) amarela, (b)
turquesa, (c) azul, (d) laranja?

39
CAPÍTULO 7

FUNDAMENTOS DO SISTEMA NTSC

Em 1954 os Estados Unidos adotaram como sistema de televisão a cores o Sistema


NTSC. Estas são iniciais de National Television System Commitee, grupo de estudos
que, a pedido da associação local de indústria eletrônicas, propôs o sistema.

vermelho verde azul amarelo branco

Vídeo R
100 %

tempo
Vídeo G
100 %

tempo

Vídeo B
100 %

tempo

7.1- Codificando a Informação de Imagem

Os sinais de vídeo das cores primárias. A câmera recebe a luz com as componentes
vermelha, verde e azul, correspondendo à informação de cor na cena, produzindo os
sinais de vídeo das cores primárias, representadas na Fig. 7.1.

40
Matriz. Um circuito matriz forma novas tensões de saída a partir do sinal de entrada. A
matriz no transmissor combina as tensões R, G, B em proporções específicas para
formar as três sinais de vídeo que forem mais convenientes para a transmissão. Um sinal
conterá a informação de brilho. Os outros dois sinais conterão a cor.

Y=0,30R+0,59G+0,11B
R

Matriz I=0,60R-0,28G-0,32B
G

Q=0,21R-0,52G+0,31B
B

Figura 7.2- Constituição dos sinais Y,I e Q.

Os dois sinais de cor que saem da matriz devem ser misturas de cores, significando que
eles contem R,G e B. Exemplos importantes de pares de misturas de cores para
codificação de cor RGB são:

IeQ

Ou,

(R-Y) e ( B-Y)

No sistema NTSC o sinal C é formado pela modulação em quadratura de uma


subportadora em 3,58MHz pelos sinais I e Q. Pela Figura 7.2 os sinais

𝑂𝑠𝑐. 𝑄 = 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡),


𝑂𝑠𝑐. 𝐼 = 𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑜 𝑡)

𝑄𝑚 = 𝑄𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡)

41
𝐼𝑚 = 𝐼𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑜 𝑡)

𝐶 = 𝑄𝑚 + 𝐼𝑚 = 𝑄𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡) + 𝐼𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑜 𝑡) = |𝐶|𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡 + 𝜃)

|C|=√𝐼 2 + 𝑄 2

𝐼
𝜃 = arctan⁡( )
𝑄

Sendo 𝜔𝑜 = 2πfo, fo = 3,58 MHz

Sinal Q

Modulador
Q

Osc. Q Qm

90
Sinal C de 3.58 MHz

Sincronismo de cor

Oscilador de cor
Osc. I Im
3,58 MHz
Modulador
I

Sinal I

Figura 7.2 – Constituição do sinal de crominância C.

Nos sistema que usam os sinais B-Y e R-Y o processo é semelhante ao caso do sistema
que usa os sinais I e Q, bastando para isso substituir o sinal Q por B-Y e I por R-Y,
ficando a expressão para o sinal C,

[(𝑅 − 𝑌) cos(𝜔𝑜 𝑡) + (𝐵 − 𝑌)𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡)]=|𝐶|𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡 + 𝜃)

42
O sinal de vídeo composto é formado da soma dos sinais: sinal da luminância +sinal de
crominância + sinal burst +sinal de sincronismo e apagamento ou seja,

Sinal de vídeo composto = Y + C + Burst + pulsos de sinc. e apagamento.

antena

Somador de Transmissor
C cor
Sinc
de
cor

burst Sinc. +Y+C +burst

Figura 7.3 – Constituição do sinal de vídeo composto.

Os sinais R-Y e B-Y possuem ângulos de fase de matiz que são separados de 90o, assim
como os sinais de vídeo I e Q. Em outras palavras o sinal Q está em posição de
quadratura de fase com relação ao sinal I. A diferença de fase é usada para facilitar a
operação dos dois sinais no processo de decodificação no receptor.

Para a codificação na Fig. 7.2a, os três sinais de saída da matriz são como segue:

1. Sinal de luminância ou Y. Esta combinação de RBG, contém as variações de


brilho, correspondendo ao sinal de vídeo monocromático.
2. Uma mistura de cores designada como sinal I. A polaridade positiva do sinal I é
laranja; a polaridade negativa é turquesa. Estas cores foram escolhidas como as
melhores para o sinal I, para mostrar pequenos detalhes de cor.
3. Uma mistura de cores designada como sinal Q. A polaridade positiva do sinal Q
é púrpura ; a polaridade negativa é o amarelo-verde.

Razões para os Sinais I e Q do Sistema.

A maior largura de faixa é usada para o sinal I(1,3 MHz) comparada ao sinal Q(
0,5MHz).

43
Desvantagens dos Sinais I e Q. A largura de faixa extra do sinal I é um problema para
o receptor. Na modulação de crominância de 3,58 MHz, as frequências laterais
superiores podem interferir com o sinal de som de 4,5 MHz. Além disso, as frequências
laterais inferiores do sinal I podem se estender dentro da faixa do sinal de luminância Y.
Uma filtragem extra deveria ser necessária para reduzir a interferência. Como resultado
os receptores raramente utilizariam a largura de faixa adicional do sinal I. Os circuitos
são muito simples quando todos os sinais de vídeo a cores possuem a mesma faixa de
0,5 MHz.

Sem largura de faixa extra do sinal I, a informação de cores no sinal modulado C poderá
ser detectada em diferentes ângulos de fase para diferentes matizes.

Modulação de Crominância no Sistema NTSC.

Os sinais I e Q são transmitidos como as faixas laterais de um sinal de subportadora de


3,58 MHz, que por sua vez modula a onda portadora principal de uma imagem. Como
por exemplo, a portadora de imagem em 67,25 MHz, para o canal 4 é modulada pelo
sinal da subportadora de cor da frequência de vídeo de 3,58 MHz, o sinal de
crominância está em 67,25 + 3,58 MHz = 70,83 MHz como uma frequência lateral de
RF do sinal da portadora de imagem modulada.

Figura 7.3- Sinal de vídeo composto em um osciloscópio.

44
Burst para Sincronização de Cor. Com a transmissão com portadora suprimida o
receptor deve possuir um circuito oscilador em 3,58 MHz que gere o sinal da
subportadora, para detectar o sinal de crominância. A sincronização de cores para os
matizes corretos na imagem será conseguida pelo burst ( ou salva) de 8 a 11 ciclos do
sinal de subportadora de 3,58 MHz no pórtico posterior de cada pulso de apagamento
horizontal. Este burst de sincronização controla a frequência e fase do oscilador de 3,58
MHz do receptor.

Sinal de Vídeo Composto. O sinal C com a informação de cor com o sinal de


luminância Y são acoplados ao circuito somador. Este estágio combina o sinal Y com o
sinal C de 3,58MHz para formar o sinal de vídeo composto. Veja Fig. 7.2c. A forma de
onda do sinal de vídeo composto é mostrada na Fig. 7.3. As áreas sombreadas
correspondem ao sinal C de 3,58 MHz, correspondente as barras coloridas.

Sinal de Luminância. Em adição às amplitudes p-p para as barras a cores note que o
nível médio é diferente para cada barra. Especificamente a distância do nível de
apagamento até o nível médio do sinal C será uma medida de quanto clara é a
informação da cena.

Matiz e Saturação no Sinal C. A modulação segundo duas fases do sinal da


subportadora de 3,58 MHz possui o efeito de concentrar todas as informações de cor em
um sinal de crominância. Considere o exemplo de um sinal I forte com um pequeno
sinal Q. O sinal C resultante possui um ângulo de fase próximo do matiz laranja do sinal
I.

Por outro lado com um sinal Q forte e um pequeno I o sinal modulado C possui um
ângulo de fase próximo do matiz púrpura do sinal Q.

Decodificação da Informação de Imagem. Começando com a antena de recepção o


sinal da portadora de imagem modulada do canal selecionado é amplificado nos estágios
de RF e de frequência intermediária.

A saída do amplificador de vídeo Y na Fig. 7.4 é o sinal de luminância sem o sinal de


cor de 3,58 MHz. A razão é que o amplificador tem uma resposta limitada para
frequências abaixo de 3,2 MHz, aproximadamente. Desde que o sinal C está em 3,58
MHz ele é pouco amplificado no amplificador de vídeo Y.

45
antena
Sinal de vídeo
composto

Circuito do Amplificador de
receptor vídeo Y
monocromático 0-3,2 MHz
Sinal Y

Amplificador
sintonizado de
crominância de
3.58 MHz Sinal C

Figura 7.4- Separação dos sinais de luminância e crominância.

Alguns receptores NTSC possuem filtros especiais para melhorar a resolução do sinal
Y. Os chamados comb filters ( filtros pente) separam o sinal de croma mas deixam
intactos, os componentes Y na faixa de 3,58 MHz. Como resultado a largura de faixa
completa de 4 MHz do sinal Y pode ser utilizada para uma resolução máxima
luminância.

Demodulação Síncrona. Quando um sinal modulado for transmitido sem sua


portadora ou onda subportadora a onda portadora original deve ser reinserida no
receptor para se detectar a modulação. Como mostrado na Fig. 7.5, o oscilador de cores
de 3,58MHz fornece o sinal da subportadora que é acoplado aos demoduladores para o
sinal C.

A demodulação síncrona em quadratura do sinal C pode ser feita pelo circuito da Fig.
7.5.

C
Demodulador Integrador
R-Y = x (0-T) (R-Y)T/2
C B
A
sen(ωot)

Sen(ωot)

Figura 7.5 – Demodulador (R-Y)

46
Considerando a entrada do sinal C, no ponto A o sinal será,

𝐶𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡) = [(𝑅 − 𝑌) cos(𝜔𝑜 𝑡) + (𝐵 − 𝑌)𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡)] cos(𝜔𝑜 𝑡)=

= [(𝑅 − 𝑌)𝑐𝑜𝑠 2 (𝜔𝑜 𝑡) + (𝐵 − 𝑌)𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑜 𝑡) cos(𝜔𝑜 𝑡)] =


1+cos(2𝜔𝑜 𝑡)
= (𝑅 − 𝑌) + (𝐵 − 𝑌)𝑠𝑒𝑛(2𝜔𝑜 𝑡)
2

O sinal no ponto B, após o integrador será,

𝑇 1+cos(2𝜔𝑜 𝑡)
∫0 [(𝑅 − 𝑌) + (𝐵 − 𝑌)𝑠𝑒𝑛(2𝜔𝑜 𝑡)] 𝑑𝑡 =
2

𝑇
= (𝑅 − 𝑌)
2
T é o valor do período. Lembrando que a integral das funções seno e cosseno em um
período é igual a zero.

Este sinal é proporcional ao sinal (R-Y), indicando que podemos obter o sinal (R-Y)
pela demodulação síncrona. Da mesma maneira poderemos obter o sinal (B-Y).

O diagrama completo para o demodulador síncrono é mostrado na Fig. 7.6. O sinal G-Y
poderá se obtido a partir dos sinais (R-Y) e (B-Y), usando a expressão:

G-Y =- -[0,51(R-Y) +0,19(B-Y)]

Sinal C
Demodulador
R-Y
Vídeo R-Y
90 osc

Amplificador
G-Y
Video G-Y
Oscilador
De cor
Sincronismo 3,58MHz Osc.
de cor
Demodulador
B-Y
Vídeo B-Y
Sinal C

Figura 7.6- Detecção do sinal B-Y, R-Y e G-Y.

47
Demoduladores B-Y e R-Y.

Muitos receptores decodificam o sinal de croma de 3,58 MHz em sinais de vídeo B-Y e
R-Y em vez de I e Q. A largura de faixa da faixa passante de croma é geralmente
limitada a 3,58 MHz ± 0,5 MHz. Então a largura de faixa do sinal I não é mesmo
utilizada.

O sinal B-Y é uma mistura de cores que está próximo do azul. O ângulo de fase para a
matiz B-Y é exatamente de 180o oposto a fase do burst de sincronização do sinal NTSC.

O sinal R-Y é uma mistura de cores próxima do vermelho. O ângulo de fase para o
matiz R-Y é exatamente 900 da fase do B-Y.

O tubo de imagem como um Misturador.

Quando a decodificação no receptor dá os sinais de vídeo R-Y, B-Y e G-Y, eles podem
ser convertidos nos sinais R, B e G pela adição do sinal de vídeo +Y. A adição algébrica
para o vermelho, por exemplo, será:

(R-Y) + Y = R( vermelho)

Vídeo R Tela de fósforo

R-Y
R
G-Y
R G
G
B
B-Y
B
Trio de
pontos

Vídeo Vídeo
G B

Figura 7.7- Tubo de imagem a cores com os três fósforos R,G,B.

48
O sinal de Luminância.

Consideramos agora em maiores detalhes o sinal de luminância que contém as variações


de brilho da informação de imagem. O sinal Y é formado pela adição dos sinais de
vídeo primárias, vermelho, verde e azul.

Y = 0,30R + 0,59G + 0,11B

Estas porcentagens correspondem ao brilho relativo das três cores primárias.

Valores de Tensão para o Sinal Y.

A Fig. 7.8 ilustra como a tensão do sinal Y é formada a partir das proporções
especificadas das tensões R,G e B para o padrão de barras coloridas. O valor do Y para
o branco é ,

Y = 0,30x1 + 0,59x1 + 0,11x1 = 1,00

O valor de Y para a turquesa é :

Y = 0 + 0,59 +0,11 = 0,70

O valor de Y para a verde

R=B=0; G=1

Y = 0+ 0,59 + 0 = 0,59

Valor de Y para o magenta

R=B=1 ; G=0

Y =0,30 + 0 + 0,11 = 041

Valor de Y para o vermelho

R=1; G=B=0

Y= 0,30

Valor de Y para o azul

R=G=0; B=1

Y = 0,11

49
Varredura horizontgal

Magenta

Vermelho
Turquesa
Amarelo
branco

Verde

Azul
1 Vídeo R

Vídeo G
1

t
Vídeo B
1

Vídeo Y 1,0
0,89
0,70
0,59
0,41
0,30
0,11

Figura 7.8- Sinais R, G, B e Y das barras coloridas.

50
51
52
53
54
Matriz para o Sinal Y.

Uma matriz possui a função de adicionar várias tensões de entrada nas proporções
desejadas para formar novas combinações de tensão de saída. O exemplo de formação é
ilustrado na Fig.7.9.

70 KΩ
R

20 KΩ Sinal Y
G

240 KΩ
B
30 KΩ
=0,30R+0,59G
+0,11B

Figura 7. 9- Circuito de um divisor de tensão resistivo.

Largura de Faixa do Sinal Y

Este sinal é transmitido com a largura de faixa da frequência de vídeo completa 0-


4MHz, como na transmissão monocromática. Contudo a maioria dos receptores corta a
resposta para a frequência de vídeo em 3,2 MHz, aproximadamente. O propósito é
minimizar a interferência com o sinal C em 3,58MHz.

7.5 - Tipos de Sinais de Vídeo a Cores.

Sinal I. Esta tensão de vídeo é produzida na matriz do transmissor como a seguinte


combinação de vermelho, verde e azul:

I = 0,60R -0,28G -0,32B

55
Sinal Q. As tensões primárias são combinadas na matriz do transmissor nas seguintes
proporções para o sinal Q:

Q = 0,21R – 0,52G +0,31B

Como resultado, polaridade opostas do sinal Q representam as cores complementares


púrpura e verde amarelado. Veja Prancha IX.

O sinal B-Y. O matiz deste sinal é principalmente azul, mas é mistura de cores por
causa da componente –Y.

B-Y = 1,00B – ( 0,30R + 0,59G +0,11B) = -0,30R -0,59G + 0,89B

O sinal R-Y. O matiz B-Y é um vermelho-púrpura. A combinação do vermelho com as


componentes primárias do sinal Y resulta em:

R-Y = 1,00R –( 0,30R + 0,59B +0.,11B) = 0,70R-0,59G – 0,11B

O sinal G-Y. A combinação do sinal-Y com 100% do sinal G resulta em :

G-Y = 1,00G –(0,30R + 0,59G + 0,11B) = -0,30R +0,41G – 0,11B

Resumo dos Sinais de Vídeo.

Os sinais I e Q podem ser representados pelos sinais B-Y e R-Y pelas equações :

Tabela de sinais coloridos de vídeo

Nome Matiz Largura da Notas


faixa(MHz)
B-Y Azul 0-0,5 Fase oposta do
sincronismo
R-Y Vermelho 0-0,5 Em quadratura com
B-Y
G-Y Verde 0-0,5 Combina R-Y e B-
Y
I Laranja 0-1,3 Largura de faixa
máxima de cores
Q Púrpura 0-0,5 Em quadratura com
I

56
I = -0,27(B-Y) + 0,74(R-Y)

Q = 0,42(B-Y) + 0,48(R-Y)

Podemos determinar (B-Y) e (R-Y) em função de I e Q.

B-Y = -1,1085I + 1,7090Q

R-Y = 0,9469I + 0,6236Q

Burst de Sincronismo

A Fig. 7.10 mostra detalhes do burst de sincronismo de cor em 3,58 MHz transmitido
como parte do sinal composto de vídeo. O burst de cor sincroniza a fase do oscilador de
cor de 3,58 MHz no receptor.

Figura 7.10 – (a) Burst de sincronismo de cor no pórtico posterior ; (b) comparação de
burst e do sinal C, ambos em 3,58 MHz.

57
Ângulos de Fase do Matiz.

A Fig. 7.11 mostra como os matizes do sinal modulado C são determinados pela sua
variação do ângulo de fase com relação ao ângulo de fase constante do burst de
sincronismo de cor. Note se que o matiz do burst de sincronismo de cor do sistema
NTSC corresponde ao amarelo-verde. A relação entre os dois sistemas de coordenadas
IxQ e (R-Y)x(B-Y) é mostrado na Figura 7.11.

Figura 7.11 – Ângulos de fase de diferentes matizes.

Eixo I e Q .

Estes sinais de cor de vídeo são utilizados para modular a subportadora de 3,58 MHz
para transmissão. Como mostrado na Fig. 7.10, o eixo I está a 570 defasado do burst de
sincronismo de cor.

O ângulo entre os eixos Q e (B-Y) é dado por,

atan(1,1085/1,7090) = 32,9684o ~ 33o

Eixos B-Y e R-Y.

O receptor pode também reconhecer os matizes na demodulação do sinal C pela


reinserção do sinal da subportadora de cor de 3,58 MHz nos ângulos de fase segundo B-
Y e R-Y. Como mostrado na Fig. 7.11b, a fase B-Y está 180o da fase do burst e a fase
R-Y está em quadratura com ela.
58
7.8 – Sinal Composto de Vídeo NTSC

A formação do sinal de vídeo total combinando luminância e crominância é ilustrado na


Fig. 7.12 em passo sucessivos. Começando com as cores primárias as tensões de vídeo
R,G e B na Fig. 7.12a, b e c são mostradas para o tempo de varredura de uma linha
horizontal através de barras coloridas.

Amplitudes do Sinal Y.

Para o magenta ( R=B=1, G=0)

Y = 0,30R + 0 + 011B = 0,41

Amplitudes dos Sinais I e Q

Para o amarelo que contém vermelho e verde, e sem azul,

I = 0,60R -0,28G – 0,00B = 032

Q = 0,21R – 0,52G + 0,00B = -0,31

Adição do Fasor para o Sinal C.

A forma de onda na Fig. 7.12g mostra o sinal da subportadora de cor de 3,58 MHz
modulada pelos sinais I e Q em quadratura.

|𝐶| = √𝐼 2 + 𝑄 2

Por exemplo para o amarelo com valores de 0,32 par I e -0,31 para Q :

|𝐶| = √0,322 + (−0,31)2 = 0,45

Ângulo dos Sinais Y e C.

O ângulo de fase θ para a matiz é dado por:

θ = artan(I/Q)

59
Resumidamente podemos construir a tabela abaixo para as barras.

branco amarelo turquesa verde magenta vermelho azul


R 1 1 0 0 1 1 0
G 1 1 1 1 0 0 0
B 1 0 1 0 1 0 1
Y 1,0 0,89 0,70 0,59 0,41 0,30 0,11
I 0 0,32 -0,60 -0,28 0,28 0,60 -0,32
Q 0 -0,31 -0,21 -0,52 0,52 0,21 0,31
|C| 0 0,45 0,63 0,59 0,59 0,63 0,45
α 0 134o -109o -1510 28.3o 70.7o -45o

Adição dos Sinais Y e C

Para a forma de onda do sinal total de vídeo na Fig. 7.12h, as amplitudes Y para
luminância ( Fig. 7.12d), são combinadas com o sinal C ( Fig. 8.B.12g).

60
Varredura horizontgal

Magenta
Turquesa

Vermelho
Amarelo
branco

Verde

Azul
1 Vídeo R

t
Vídeo G
1

t
Vídeo B
1

Vídeo Y 1,0
0,89
0,70 0,59
0,41
0,30
0,11
t

Q
0,52
0,31
0,21
t
0,31 0,21
I 0,52 0,60
0,32 0,28

t
0,28 0,32
C
0,60
0,63 0,63
0,45 0,59 0,59 0,45
Sub portadora

Sinal vídeo
composto
1,34 1,33
1,0 1,18
1,00
0,93
0,56
0,44
0,07 Pulso de
0 apagamento
-0,18 Burst de
Burst de -0,34 -0,34 3,58
3,58 MHz MHz
Pulso de Pulso de
apagamento sinc. Pulso de
sinc

Figura 7.12- Sinal de vídeo composto para TV a cores

61
7.9 – Cores não Saturadas com o Branco

Os valores de tensão relativa mostrada na Fig. 7.12 são para cores vivas que estão 100%
saturadas. Neste caso, poderá não haver componente em cores primárias. Por exemplo,
o R saturado possui tensões de vídeo zero para o B e o G; o amarelo saturado ( verde-
vermelho) possui tensão de vídeo B igual a zero . Isto acontece devido ao fato de que
com entrada de luz zero para um tubo de câmera de cor não haverá sinal de saída.

Em cenas naturais, contudo, a maioria das cores não é 100% saturada. Portando,
qualquer cor diluída pela luz branca possuirá todas as três primárias. O seguinte
exemplo ilustra como identificar a quantidade de dessaturação para cores mais fracas.
Consideremos o amarelo puro e 20% de branco. Os cálculos para os sinais de vídeo R,
G e B serão como se segue:

80% de amarelo ( 0,80R 0,8G 0,00B


vermelho-verde)
20 % branco( 0,20R 0,20G 0,20B
vermelho-verde-
azul)
Saída total da 1,00R 1,00G 0,20B
câmera

Estas porcentagens relativas de tensões de vídeo para cores primárias podem ser
utilizadas para calcular as amplitudes relativas do sinal Y e dos sinais de vídeo para
80% de saturação de amarelo.

7.10-Resolução de Cores e Largura de Faixa

O sinal Y é transmitido com largura de faixa completa de frequência de vídeo de 4 MHz


para máximo detalhe horizontal para preto-branco. Contudo, esta largura não é
necessária para os sinais de vídeo a cores, pois, para detalhes muito pequenos, o olho
pode perceber somente o brilho, ao invés da cor. Portando a informação de cor pode ser
transmitida com uma largura de faixa muito menor do que 4MHz.

O sinal I para o laranja e o turquesa possui mais largura de faixa, pois pequenos
detalhes podem ser percebidos para estas cores. Contudo, para as frequências entre 0,5-
1,3 MHz, somente as frequências laterais inferiores são transmitidas. Este método de
transmissão faixa lateral vestigial numa subportadora de cor de 3,58 MHz é utilizada

62
para dar a máxima largura de faixa para o sinal I sem se estender até as frequências do
sinal da portadora de som, que dista 4,5 MHz do sinal de portadora de imagem. As
larguras de faixa para os sinais Y,I e Q são ilustradas pelos gráficos da Fig. 7.13.

A largura de faixa do sinal I geralmente não é usada em receptores a cores. A razão é


que os circuitos de cores são muito mais simples quando todos os sinais de cores são de
vídeo possuem a mesma largura de faixa de 0,5 MHz, que é a banda base prática para os
sinais de cores.

63
Sinal de video Y

4,0 Frequência em
MHz
Sinal Q

Frequência em
0,5
MHz

Sinal Q modulado

3,1 3,58 4,08 Frequência em


MHz

Sinal I

1,3 Frequência em
MHz

Sinal I modulado

2,28 3,58 4,2 Frequência em


MHz

Sinal I e Q

3,58 Frequência em
4,5 MHz MHz

Subportadora
de som

67 67,25 70,83 72 Frequência em


MHz
Subprtadora de cor

Fig. 7.13- Largura de faixa para o sinal Y e sinais de cor.

64
Como resultado, podemos considera as frequências de vídeo de 0-0,5 MHz como a
largura de faixa prática para o sinal de informação de cores. A maneira como a
informação de imagem é reproduzida pode ser ilustrada pelo desenho da Fig. 7.14.

Fig. 7.14 - Largura das áreas de cor na imagem com largura de faixa de vídeo para a
informação de cor até 0,5MHz. As distâncias marcadas para uma largura horizontal de
20 polegadas para a tela do tubo de imagem.

8B.11- Frequência da subportadora de cores

Este valor deve ser uma alta frequência de vídeo, entre 2-4MHz.

Frequência de varredura horizontal

Especificamente, a frequência da portadora de som de 4,5 MHz é tomada a 286a


harmônica da frequência horizontal. Portanto,

f H = 4,5 MHz/286 = 15.734,27 Hz

Frequência de varredura vertical

A frequência de varredura vertical também é um pouco modificada, pois devemos ter


262,5 linhas por campo. Então a frequência de varredura do campo vertical é:

fH = 15.734,27Hz/262,5 = 59,94 Hz

65
Frequência de cor

Com a frequência de varredura horizontal escolhida, agora a subportadora de cor pode


ser determinada. Este valor será tornado a 455ª harmônica de fH /2:

C = 455x15.734,27 = 3,579545 MHz

Questões

1- Por que são convertidas as tensões de vídeo das cores primárias para os sinais Y
e C na transmissão?
2- Defina matiz, saturação, luminância e crominância.
3- Qual a largura de faixa do sinal Y?
4- Que partes da imagem são reproduzidas em preto e branco pelo sinal Y? Que
partes são reproduzidas em cores como mistura de vermelho, verde e azul?
5- Descreva o sinal de burst e dê seu papel.
6- Uma cena mostra uma barra amarela contra um fundo preto. Como esta imagem
aparecerá numa reprodução monocromática ?
7- Calcule os valores para o sinal de luminância do azul, verde, amarelo e branco.
8- Calcule o valor da tensão C quando I= 0,4 e Q = 0,3? Qual é a matiz aproximada
destra cor?

Múltipla escolha

1- As variações de brilho da informação de imagem estão em qual sinal?


a- I
b- Q
c- Y
d- R-Y
2- O matiz de 180o defasado do vermelho é:
a- Turquesa
b- Amarelo
c- Verde
d- Azul
3- Que sinal a informação de cor de largura de 1,3 MHz ?
a- I
b- Y
c- R
d- B-Y
4- A cor com mais luminância é:
a- Vermelha
b- Amarela
c- Verde

66
d- Azul

5- Defina matiz, luminância, e saturação.


6- Qual o valor do sinal Y para as seguintes barras?
a- Branca
b- Vermelha
c- Verde
7- Uma cena mostra uma barra vertical amarela com fundo preto. Desenhe o sinal Y
correspondente a uma linha.

67
CAPÍTULO 8

FUNDAMENTOS DO SISTEMA PAL

O ângulo de fase do sinal de crominância determina o matiz da cor que se deseja


reproduzir, então qualquer perturbação indesejável sobre este ângulo tem influência
direta na qualidade das cores na tela. Esta distorção pode ser originada no equipamento
transmissor no canal de transmissão ou no próprio receptor. Diversas tentativas foram
feitas para a solução desse problema, mas uma das mais satisfatórias foi, na verdade, o
desenvolvimento na Alemanha de um novo sistema que deriva do NTSC, porém através
de um artifício, consegue praticamente anular os efeitos da distorção de fase. Este
artifício consiste na inversão, na frequência do sincronismo das linhas horizontais, da
componente R-Y do sinal transmitido ( daí o nome do sistema: Phase Alternating Line ).

Conceito do Sistema PAL

No sistema NTSC, o matiz de uma cor qualquer é definido pelo ângulo de fase de um
sinal de crominância C , quando medido em relação ao ângulo de fase, de um sinal de
referência, denominado de burst, conforme vimos no Cap. 7. Este sinal de burst tem no
sistema NTSC um ângulo de fase fixo de 180o em relação à referência zero para os
ângulos que se convenciona ser a direção da componente B-Y.

A Fig. 8.1 reproduz o vetor correspondente a um sinal C qualquer que tem uma fase α
em relação a referência. Se como na Fig. 8.1b, o ângulo for alterado para β, a
componente B-Y aumentará e a componente R-Y diminuirá.

O recurso que o sistema PAL utiliza na transmissão para minimização dos efeitos dessa
distorção pode ser descrito da seguinte forma:

1- Inversão de fase da componente (R-Y) do sinal de cor, uma linha sim, outra não.
2- Defasagem no sinal de burst, alternando-se a cada linha entre + 45o e -45o da
direção –(B-Y).

68
Figura 8.1- (a) Representação de um sinal no sistema (B-Y)x(R-Y ) com fase α; (b) o
mesmo sinal considerando um erro de fase β.

A Fig.8.2a, mostra a configuração quando se deseja transmitir uma cor A.

Figura 8.2- Sinais transmitidos no sistema PAL, em linhas sucessivas

69
8.2 – Correção dos Erros de Fase

O propósito em se fazer essa inversão ficará claro que quando, na Fig. 8.3, supormos
que a cor A sofreu uma distorção de fase representada pelo ângulo α. A cor que chegará
ao demoduladores será A´ ( nas linhas n, n+2, etc.) e B´ ( nas linhas n+1, n+3, etc.). Ver
Fig. 8.3a e b.

A componente (R-Y) de B’ é reinvertida no receptor e o resultado se vê na Fig. 8.3c,


que mostra as linhas consecutivas com as cores A’ e B’.

Se for efetuada a média entre A´ e B´ , teremos uma cor resultante com o mesmo ângulo
de fase da cor original A, compensando-se o efeito da distorção de fase.

Figura 8.3 – Efeitos de uma distorção de fase α; (a) linhas n, n+2,n+4, etc .;(b) nas
linhas n, n+1, n+3, etc., (c) a resultante da média tem a mesma fase da cor original A.

8.3 – A frequência de Subportadora para PAL-M.

As frequências de sincronismo horizontal e vertical foram escolhidas para que fossem as


mais próximas possíveis dos valores 15.750 Hz, e 60 Hz, respectivamente, que eram
utilizadas em sistemas de transmissão preto-e-branco. Decidiu-se usar para as
transmissões NTSC :

FH = 15.734,27 Hz

Fv = 59,94 Hz

70
Fsp (NTSC) = 455xfH/2 = 3,579545 MHz

Fsp(PAL-M) = 909xfH/4= 909x15.734,27/4 = 3,575611 MHz

8.4- Diferenças entre Sistemas

São utilizados no nosso continente três sistemas de TV a cores:

- PAL-M (Brasil)

- NTSC( EUA, México, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá, Canadá)

- PAL-N (Argentina, Paraguai, Uruguai)

A diferença entre o sinal transmitido NTSC e PAL-M estão somente nas características
do sinal de crominância.

A diferença entre o sinal transmitido PAL-M e PAL-N reside nas frequências de


sincronismo e na frequência da subportadora.

Questões

1- A frequência de subportadora do sistema PAL-M é: (a) 3,579545 MHz ;


(b) 3,579545 MHz; (c) 3,575611 MHz.
2- A frequência da subportadora do sistema PAL-M é (a) múltiplo ímpar de
fH/2; (b) múltiplo par de fH/2; (c) múltiplo ímpar de fH/4.
3- Em relação ao NTSC no que se refere a distorções de fase do sinal
recebido, o sistema é: (a) mais tolerante; (b) menos tolerante; (c)
indiferente.
4- A componente R-Y do sinal de crominância no sistema PAL é invertida :
(a) a cada linha; (b) a cada campo; (c) quando há distorção de fase.
5- O burst APL está a : (a) 180o em relação ao eixo –(B_Y); (b) 90o do eixo
B-Y; (c) 45o do eixo –(B-Y).
6- Para transformar um receptor NTSC em um PAL-M, basta: (a) trocar o
seletor por um feito no Brasil; (b) um pequeno reajuste na frequência de
subportadora; (c) uma alteração na parte de decodificador de cor.
7- A frequência fH para um PAL-M é: (a) 15.734,25 MHz; (b) 15.750 Hz;
(c) 15.625 Hz.

71
CAPÍTULO 9
TRANSMISSÃO DE TV

9.1- Transmissão com Polaridade Negativa

Como se vê na Fig.9.1, o pico de branco, no sinal de vídeo, produz as menores


amplitudes do sinal AM de imagem. Isto é obtido através de modulação com
polarização negativa, caso em que o sinal modulador é aplicado na polaridade em que
reduz a amplitude da portadora de RF nos picos de branco do sinal de vídeo.

Observe as seguintes amplitudes relativas ao sinal de imagem modulado em amplitude


da Fig. 9.1:

Topo do sincronismo = 100%

Nível de apagamento = 75%

Nível de preto = 67,50%

Máximo de branco = 10 -15 % , ou 12,50%

Os pulsos de sincronismo ocupam 25% superiores da amplitude da portadora.

Figura 10.1- Portadora da imagem transmitida, modulada em amplitude pelo sinal de


vídeo composto.

Uma das vantagens da transmissão negativa é a de que os pulsos de ruído presentes no


sinal de RF transmitido tendem a aumentar a amplitude da portadora em direção ao
72
preto, e não ao branco. Além disso, o transmissor emprega menos energia na
transmissão negativa. Como as imagens típicas tem predominância de branco, a
portadora é baixa durante a maior parte do tempo de transmissão. Mas talvez a mais
importante seja a vantagem prática de se ter o topo de sincronismo como referência para
a intensidade da portadora, independente da informação da imagem.

O IRE e as Amplitudes da Portadora.

No sinal vídeo composto utilizado como sinal de banda-base para modulação,


normalmente as amplitudes relativas são indicadas pela escala do IRE( Institute of
Radio Engineers).

Nível Níveis de vídeo, unidades Nível da portadora de RF,


IRE em porcentagem
Topo do Sincronismo -40 100
Apagamento 0 75
Preto 10 67,5
Pico de brando 100 12,5
Não utilizado 120 0

9.2- Transmissão por Banda Lateral Vestigial

O sinal AM de imagem não é transmitido como um sinal comum com duas bandas
laterais. Ao invés disso, uma parte da transmissão, permanecendo apenas um vestígio
das bandas laterais. O objetivo é reduzir a faixa de frequência necessária para a
modulação de vídeo no sinal de imagem. Assim sendo, empregam-se canais de 6 MHz
para transmissão de TV, no lugar dos 8 MHz ou mais que seriam preciso com banda
lateral dupla com modulação de 4 MHz.

Modulação em Amplitude. O exemplo da Fig. 9.2 ilustra como um sinal AM é


produzido, para que se possa analisar as bandas laterais.

73
Figura 9.2- Circuito para produção da modulação em amplitude.

9.3- Canais de Transmissão de TV

A cada estação é designado um canal de 6 MHz para a transmissão do sinal AM de


imagem e do sinal FM do sinal de Som.

Canais da Banda Inferior de VHF. Essa faixa inclui os canais 2,3,4,5,6 entre 54-88
MHz. A banda localizada entre 44-50 MHz costumava ser o canal 1 , mas foi designada
para outros serviços de rádio, devido a problemas de interferência.

Canais da Banda Superior de VHF. Aqui estão incluídos os canais, 7,8,9,10,11,12 e


13, abrangendo de 174-216 MHz.

Canais de VHF

canal Frequência
1 -
2 54-60
3 60-66
4 66-72
5 76-82
6 82-88
7 174-180
8 180-186
9 186-192

74
10 192-198
11 198-204
12 204-210
13 210-216

Canais de UHF. Esta faixa inclui os canais 14 a 83 com frequências de 470-890 MHz.

Canais de UHF

canal Faixa de frequência


14 470-476
15 476-482
16 482-488
17 488-494
18 494-500
19 506-512
20 512-518
21 518-524
22 524-530
- -
- -
83 884-890

Estações com Mesmo Canal. Um mesmo canal pode ser usado por várias estações
transmissoras desde que estas fiquem suficientemente separadas, para não provocar
interferências. O afastamento necessário, em geral, é de 274-354 Km, para estações de
VHF, e 241-330 Km para as estações de UHF.

Canais Adjacentes. Um canal é adjacente a outro quando lhe está próximo em


frequência, e não apenas no número do canal. Assim por exemplo os canais 4 e 5 não
são adjacentes, porque existe um saldo de 4 MHz entre 72 e 76 MHz. Os canais 2 , 3 e
4, por outro lado são realmente adjacentes. Os canais 7 até o canal 13 são adjacentes.

75
Figura 9.3- Canais 2 e 4 como adjacentes quando está sintonizado o canal 3

Canais Adjacente Inferiores. No caso do exemplo da Fig. 9.3, para os canais 2,3,e 4,
o canal 2 é considerado o canal adjacente inferior, estando o receptor sintonizado no
canal 3. Se estiver sintonizado no canal 4, o canal 3 passará a ser o canal adjacente
inferior.

Canal Adjacente Superior. Com o receptor ainda sintonizado no canal 3, o canal 4, é


adjacente superior. O canal 5 não é considerado adjacente superior quando o canal 4
esta sintonizado pelo receptor.

Interferência entre Canais. As estações que partilham o mesmo canal podem


provocar interferências mútuas nas áreas fronteiriças entre os dois transmissores. Ocorre
neste caso uma interferência de barras horizontais conhecido como efeito veneziana,
como se vê na Fig. 9.4.

Com a interferência provocada por um canal adjacente, algumas das barras laterais do
sinal de imagem podem entrar em batimento com a portadora desejada de imagem.
Bastante óbvia é a barra negra vertical produzida pelo apagamento vertical, como se vê
na Fig. 9.4, conhecido como efeito limpador de para brisa.

(a) (b)

Figura 9.4- (a) Efeito veneziana, (b) efeito limpador de para brisa.

76
9.4- O Canal Padrão de TV

A Fig.9.5a, ilustra como os sinais de imagem e som ficam alojados no canal de 6 MHz.
A frequência da portadora de imagem não está situada no centro do canal, devido a
transmissão por banda lateral vestigial.

1- A portadora de imagem P está 1,25MHz acima do extremo inferior do canal.


2- A portadora de som S encontra-se 4,5 MHz acima da portadora de imagem, ou
0,25 abaixo do extremo superior do canal.
3- A subportadora de cor C está 3,58 MHz acima da portadora de imagem, sob a
forma de modulação de vídeo na banda lateral.

Exemplos de frequências RF dos Canais.


Vamos considerar o canal 3 cobrindo a faixa entre 60-66 MHz.
P = 60 + 1,25 = 61,25 MHz
S = 61,25 + 4,5 = 65,75 MHz
C = 61,25 + 3,58 = 64,83 MHz

Figura 9.5- Espectro de um canal de TV( canal 3) de 6MHz, P é a portadora de vídeo, S


é a portadora de som, C é a subportadora de croma.

77
9.5- O Sinal de Som FM

A modulação em frequência é adotada para o sinal associado de áudio, a fim de tirar


proveito das vantagens de menor ruído , e interferência.

Modulação em Freqüência
A modulação em freqüência é a única forma de modulação analógica em
comunicações via satélite. Como veremos a relação ruído de um sistema FM é
proporcional ao quadrado da largura de faixa do sinal modulado ou do índice de
modulação Eq. 9.8. Isto possibilita um aumento da relação sinal-ruído por meio do
aumento da largura de faixa.

A relação sinal-ruído (S/N) na saída do demodulador de FM é muito maior


do que a relação portadora-ruído (C/N) na entrada do mesmo. Isto não acontece com a
modulação em amplitude, em que a relação sinal-ruído na saída do demodulador é igual
a relação portadora-ruído na entrada do mesmo.

Em comunicações via satélite a potência disponível é normalmente pequena,


pois a energia é proveniente das fotocélulas. Então para melhorar a relação sinal ruído
do sinal no receptor faz se opção pela modulação FM onde podemos aumentar S/N
aumentando se a faixa de transmissão do sinal aumentar. Em comunicações via satélite
existe maior disponibilidade de banda, pois os sinais são transmitidos em frequências
normalmente acima de 1 GHz.

Um sinal modulado em frequência tendo como sinal modulador uma senoide é dado
por,

    
v(t )  A cos  c t    sen  mod t  (9.1)
   mod  

onde:

c = freqüência da portadora


= m = índice de modulação (9.2)
 mod

 = desvio máximo da freqüência.

mod = frequência do sinal modulador

A equação acima pode ser escrita como,

v(t) = A cos[c t + m sen(mod t)] (9.3)

78
A equação (6.2) pode ser desenvolvida em série de Fourier,


 


v( t )  AJ 0 (m) cos c t   J m (m) cosc  nmodt   (1) n cosc  nmodt   (9.4)
 n 1 

Onde J0, J1, . . . Jn são funções de Bessel de primeira espécie e ordem 0, 1,2,3 . . . que
representam as harmônicas de ordem 1,2,3,...., nas frequências c + mod , c -mod ,
c+ 2mod , c-+2mod ....

A largura de faixa que contém 99%, da energia do sinal(ou seja 0,99.A2 ) é dada pela
fórmula de Carson,

B = 2fmod (m + 1) = 2(f + fmod) = 2(mfmod + fmod)=2fmod(m+1) (6.5)

Onde f é o desvio máximo da freqüência.

O espectro do sinal FM dado na Eq. 9.4 foi calculado quando o sinal


modulador é uma senoide pura. Para o caso do sinal modulador ser um sinal que não
seja senoide pura mas a voz ou imagem a fórmula de Carson continua sendo válida.
Neste caso precisamos apenas substituir fmod por fmax.

B = 2(f+fmax) (6.7)

Onde fmax é a frequência máxima do sinal modulador.

A relação sinal/ruído na entrada e saída de um demodulador de FM, é dada por,

S / N0   C  x 3(1  m) m 2 (9.8)


 N i

Sendo,

(C/N)i = relação sinal/ruído na entrada do demodulador

(S/N)o = relação sinal/ruído na saída do demodulador

m = índice de modulação do sinal

Nota-se que para valores grandes do índice de modulação a relação sinal/ruído aumenta
com m. Quando aumentamos o índice de modulação temos como consequência um
aumento na largura da banda do sinal. Para aumentar potência recebida de um sinal
entre as variáveis disponíveis, temos: a potência do sinal transmitido e a largura de
banda. Em comunicações que usa FM podemos então fazer uma troca entre potência e
banda. Isto acontece em Comunicações via satélite, onde a potência disponível é

79
limitada, mas por outro lado temos uma largura de faixa muito grande como é o caso da
banda Ka( 2500 MHz de banda para comunicações via satélite).

Um detector de FM produz na sua saída uma tensão que é proporcional a diferença


entre a freqüência instantânea e a freqüência de referência, chamada de freqüência de
repouso. A freqüência de referência corresponde a freqüência da portadora.

Assumindo que um sinal FM tem uma amplitude rms igual a A, ocupa uma
largura de faixa BFI, e é senoidalmente modulada com um valor rms do desvio da
freqüência frms.

Seja um ruído branco com o valor rms da densidade espectral de potência


na banda de FI igual a  (W/Hz), a potência na faixa BFI será  BFI. Para uma portadora
de amplitude A, a potência média na entrada do demodulador é A2/2 e a relação sinal
ruído será:

A2 / 2
(C / N )i  (9.9)
 BFI

Seja a característica do demodulador K. Isto significa que um desvio de


freqüência f na portadora produz uma tensão de Kf na saída demodulador. O valor
rms da potência disponível na saída do demodulador é proporcional a (Kfrms)2. A
densidade espectral de potência do ruído na saída do demodulador de FM quando a
entrada for W(W/Hz) é proporcional a f2 conforme a Fig. 9.6 e é dada por,

o=(K/A)2f2 (9.10)

O ruído em alta frequência é demodulada com maior intensidade do que os sinais em


baixa frequência. A Fig.9.6 ilustra este efeito que mostra a saída é função de f2.

80
Figura 9.6- Potência na saída de um demodulador FM

Este efeito poderá ser minimizado se usarmos um filtro pré-ênfase na transmissão e um


filtro de-ênfase na saída do demodulador de FM, conforme Fig. abaixo.

Figura 9.7- Transmissor usando pre-ênfase e receptor usando de-ênfase.

Os filtros de de-ênfase e de-ênfase apresenta possui a configuração dada na Fig.9.8. O


filtro pré-ênfase amplifica os sinais de alta frequência na transmissão e o filtro de-ênfase
faz a operação inversa atenuando os mesmos sinais de alta frequência, fazendo com que
os sinais de alta frequência retornem ao valor original.

O filtro de-ênfase atenua os ruídos de alta frequência que foram amplificados pelo
demodulador, fazendo com que os efeitos destes ruídos de alta frequência produzidos
pelo demodulador sejam minimizados.

81
Figura9.8- Circuito do filtro pre-ênfase e de-ênfase, com suas características de
transferência.

As altas freqüências do sinal são amplificados na transmissão pelo filtro pré-


ênfase, este efeito precisa ser compensado na recepção atenuando o sinal com o filtro
de-ênfase. Para sistemas de transmissão de rádio FM comercial; m=5, fmax = 15 kHz, f1
= 2,1 kHz, f2 = 25 kHz, então ,

f = 5x15 = 75 kHz

Pela fórmula de Carson,

B = 2fmod (m + 1) = 2(f + fmod) = 2(mfmod + fmod)=2fmod(m+1)

B = 2( 75 + 15) = 180 kHz

A largura de faixa usada comercialmente é de 200 kHz, prevendo a banda de guarda.

O efeito de usar pré-ênfase e de-ênfase produz uma melhoria na relação


sinal ruído de 4 dB. A resposta em freqüência do ouvido humano não é uniforme e
supondo de maneira diferente para cada freqüência. Alguns ruídos que aparecem na

82
faixa não serão notados e tudo se passa como a relação sinal-ruído dada pela equação
(6.15) será maior, este valor na prática é dado por p = 1,78 ou 2,5 dB, este efeito é
chamado de ponderação psofométrica.

Reunindo os dois efeitos a equação (6.15) fica,

2
 B   f 
S / N c  C / N i  FI   rms  p.
 b   f max 

ou na forma de decibel

 f rms 
S / Nc  C / Ni  10 log 10  BFI   20 log 10    P  W(dB)
 b   f max 

onde P = 2,5 dB e W = 4 dB que são os efeitos da resposta do ouvido e da pré-ênfase.

9.6- Padrões de Transmissão de TV

Os padrões são especificados pelo órgão de normalização de cada país. Nas normas
devem estar incluídos os requisitos de amplitude dos sinais de potência de saída e de
tolerância para as frequências das portadoras.

9.7- Transmissão por Linha de Visada

Nas faixas de VHF e UHF, o rádio se propaga por ondas próximas à superfície terrestre,
e não por ondas espaciais provenientes da ionosfera. A distância de propagação é
limitada, portanto à linha do horizonte. Tal processo é denominado transmissão por
linha de visada. Entretanto, a distância do horizonte para as ondas de rádio é um pouco
maior devido aos efeitos da refração.

Reflexões.

Em seu percurso, as ondas terrestres encontram edifícios, torres, pontes, colinas e


outros obstáculos. Quando um objeto é um bom condutor e seu tamanho é uma parcela
apreciável do comprimento de onda do sinal, o obstáculo reflete a onda. Na prática, o
condutor intercepta a onda do sinal de rádio, que gera uma corrente na obstrução ( como
se fosse uma antena) e esta re- irradia o sinal. As reflexões de ondas de rádio podem
ocorrer em qualquer frequência, mas é um problema mais comum das faixas de UHF e
VHF.

83
9.8- Televisão via Satélite

A melhor maneira de contornar as limitações por linha de visada consiste em instalar a


antena transmissora sobre um satélite em órbita. O satélite atua como onda transmissora
entre estações terrestres situadas em diferentes locais.

As comunicações via satélite tem crescido pelos principais motivos descritos:

 É um meio de atingir lugares isolados na terra


 É uma alternativa para os cabos submarinos
 Uso em lugares distantes para telefonia e televisão
 Rádio difusão de televisão, música etc.
 Facilidade de interligar terminais de computadores para transmissão de dados
 Facilidade de múltiplo acesso

 Órbita Geoestacinária (GEOS)


. Uma altitude de posicionamento do satélite de 35.887 km é usada ser o raio da órbita
geoestacionária ou síncrona. O período de órbita é de 24 horas. Como resultante o
satélite fica estacionário com respeito a qualquer ponto na superfície da terra.

Os satélites artificiais colocados em órbitas terrestres provendo meios de


comunicação representam, até hoje, o resultado econômico mais importante da
tecnologia espacial, sendo atualmente utilizados para transmissão de voz, vídeo e dados
e possibilitando a prestação de uma série de serviços como difusão de rádio e televisão,
telefonia, comunicação de dados, fax e novos serviços como radiolocalização, telefonia
celular, videoconferência, etc., em cobertura mundial.

Os satélites de comunicação são repetidores de microondas que, na


transmissão terrestre, ficam situados no topo de torres. O satélite é como uma torre
extremamente alta e, desta forma, “visível” simultaneamente em muitos pontos da
Terra.

Para funcionar fixo como uma torre, o satélite tem que estar se movendo à
mesma velocidade angular que a superfície da Terra, numa situação geoestacionária
que, por motivos físicos, só pode ocorre à altitude de 36 mil quilômetros, numa órbita
em torno do equador. 1 O satélite do tipo geoestacionário é também conhecido pela
sigla GEOS (Geostationary Orbit Satellite).

Essa grande altitude implica um perceptível retardo na transmissão. À


velocidade da luz, o tempo para o sinal viajar esses 72 mil quilômetros é de cerca de

1
Isto significa que o satélite geoestacionário fica a uma distância superior a cinco vezes o raio da Terra.
Essa atitude é a mesma, não importando a massa do satélite. Para maiores explicações, ver Halliday e
Resnick (1991. P. 59, exemplo 9).

84
270 milissegundos, podendo variar um pouco em função da localização das estações
terrenas. Por isso, o usuário pode ter que aguardar 540 milissegundos para receber uma
resposta do interlocutor. Essa duração é ainda suportável, mas, se a ligação tiver que
passar por um segundo satélite, o retardo atingirá 1.080 milissegundos, o que é alto
demais. Quando o satélite complementa uma rede terrena, é comum usá-lo para a
comunicação numa direção e a rede terrena para a direção oposta. Em ligações
transoceânicas, o retorno pode ser efetuado por cabo submarino [cf. Martin (1990. P.
402)].

Devido à atuação de diversas forças, o satélite não fica parado, bem


comportado, no mesmo ponto em que foi colocado. As principais forças agindo sobre
ele são a atração variável exercida pelo Sol e pela Lua, bem como a radiação solar e a
atmosfera residual.2 Determinam-se para o satélite intervalos de tolerância dentro dos
quais ele pode se deslocar, o que envolve sua posição (altitude, latitude e longitude) e
atitude. Para mantê-lo dentro dessa “caixa” ou “box” no espaço, ele é dotado de jatos
que permitem aplicar forças corretivas. Toda vez que o satélite se aproxima da face do
box, um pulso de jato é disparado para movê-lo na direção oposta.

Esses jatos são comandados da Terra. O controle do satélite é feito a partir


de uma estação terrena altamente informatizada (o centro de controle), que mede e
processa todos os dados relevantes à posição e atitude do satélite, transmitindo de volta
os comandos necessários para disparar os jatos e mantê-lo no lugar, dentro das
tolerâncias permitidas.

O disparo dos jatos consome o combustível disponível numa quantidade


limitada no satélite, cuja sobrevida é determinada, em primeiro lugar, pela quantidade
de combustível remanescente, em segundo, pela duração dos componentes eletrônicos.
Por esse motivo, é necessário otimizar os disparos, de modo que as manobras
necessárias para manter o satélite em posição sejam tais que minimizem o consumo de
combustível, o que exige uma complexa modelagem e muita computação.

Quando o combustível atinge um nível mínimo, e antes que ele se esgote


completamente, é necessário lançar um satélite de reposição. O termo geração é usado
para definir cada reposição. O Brasilsat, que é o satélite doméstico brasileiro, será
reposto em junho de 1994. No Brasil, a primeira geração é designada pela letra A e a
Segunda pela letra B. Em geral, põe-se um satélite de reversa na frota para que a perda
de um deles não provoque interrupção nas comunicações. Usa-se o algarismo 1 para o
primeiro satélite lançado e o 2 para o segundo. A frota Brasilsat compõe-se de dois
satélites, o A1 e o A2, que serão substituídos pelos Brasilsat B1 e B2.3

Após a reposição, usa-se combustível residual do satélite antigo para


descartá-lo, lançando-o ao espaço. Pode-se também vendê-lo para empresas que
compram satélites usados e os utilizam durante sua sobrevida, em outra posição orbital,
para o qual ele é deslocado usando parte do combustível remanescente.

2
Há também uma força derivada da não-circularidade do campo gravitacional terrestre que faz com que o
satélite tenda a se deslocar para leste ou oeste.
3
a) Não é necessário ter um satélite de reserva para cada um da frota. Geralmente, frotas de vários
satélites possuem apenas um backup em órbita. Algumas vezes, mantém-se um satélite de reposição
pronto em terra para reposição de um backup que tenha assumido o lugar de um permanente.
b) Em outras frotas, os algarismos representam a geração; as letras, as unidades.

85
Outro motivo para a necessidade de duplicar o satélite está nos eclipses.
Quando o satélite passa pela sombra da Terra ou da Lua, as células solares param de
funcionar. Atualmente, as baterias dos satélites fornecem energia durante esses
eclipses. Outra situação é quando o sol fica exatamente atrás do satélite, provocando
um ruído eletromagnético tão alto que virtualmente desabilita a comunicação. É uma
espécie de eclipse que acontece durante uns 10 minutos em cinco dias consecutivos,
duas vezes por ano. A existência do satélite reserva assegura que a comunicação
continue sem interrupção durante esses episódios.

Para manter a estabilidade, o satélite, como o Brasilsat, gira em torno de seu


próprio eixo. Esse tipo de satélite, chamado spinner, se parece com uma enorme lata
de conservas com uma das tampas aberta. A tampa é a antena, e um mancal especial
permite que ele fique sempre apontada na mesma direção enquanto o corpo do satélite
gira. O corpo do satélite é coberto de células solares. Atualmente, estão sendo
desenvolvidos satélites, chamados body-stabilized, que possuem giroscópios internos e
não precisam permanecer em rotação. Dentre esses, cabe mencionar o Hughes HS-601,
um satélite grande projetado especialmente para difusão de televisão e cujo corpo é um
cubo de cerca de 4.25 metros de lado (14 pés). As células solares estendem-se
lateralmente fazendo a envergadura de 26.2 metros (86 pés), equivalente a um edifício
de oito andares. A massa do satélite é de 2.7 toneladas (seis mil libras), e a potência
do sinal chega a 120 watts por transpônder, comparado com 10 watts no caso dos
spinners. O HS-601 permitirá que se receba televisão de alta qualidade, direto do
satélite, com antenas de 46 centímetros de diâmetro (18 polegadas) [cf. Kupfer (1993)].

Frequências de Enlaces. As microondas são utilizadas na comunicação via satélite, a


fim de permitir direcionamento dos sinais de rádio.

Enlace de subida usa frequências entre 5,9 – 6,4 GHz na banda C. Os enlaces de descida
utilizam frequências na faixa de 3,7-4,2 GHz.

O satélite normalmente dispõem de transponders , cada satélite possui um determinado


número de transponders, mas normamente este número varia de 24 até 27.

Cada transponder na banda C dispõe de 500 MHz de largura de faixa que inicialmente
era usada para transmitir um canal de TV em FM.

No Brasilsat, o sinal de subida para satélites comerciais é transmitido em freqüências


que vão de 5.925 a 6.425 gigahertz, enquanto o sinal de descida é retransmitido na faixa
de 3.700 a 4.200 gigahertz [cf. Embratel (1984, p. 13)]. Estas faixas específicas de
frequência para subida e descida são chamadas de banda C.4 Para simplificar, diz-se
que a banda C é 6/4, significando 6 gigahertz na subida e 4 na descida. A largura total
de cada faixa na banda C é de 500 megahertz. Cada transpônder do Brasilsat tem a
largura de 36 megahertz, tanto na primeira quanto na Segunda geração.

4
A direção satélite-terra utiliza as freqüências mais baixas da comunicação porque nelas a atenuação
sofrida na propagação é menor, proporcionando um sinal mais potente na recepção.

86
A alocação do espectro eletromagnético no mundo é coordenada pela União
Internacional de Telecomunicações (UIT),5 que promove a World Administrative
Radio Conference (WARC), nome que mudou, em dezembro de 1992, para World
Radiocomunications Conference. As mais recentes dessas conferências, que
convencionam a alocação de faixas conforme o uso, foram realizadas em Torremolinos
(Espanha), em fevereiro de 1992, e em Genebra, de 15 a 19 de novembro de 1993.

A banda C foi a primeira a ser alocada para transmissão comercial por


satélites, mas alguns problemas ainda persistem:

 Sua faixa de freqüência total de 500 megahertz revelou-se estreita


demais para acomodar a demanda, provocando congestionamento na
alocação: e
 a mesma freqüência é usada por sistemas terrestres de microondas,
obrigando as estações a se localizarem longe dos circuitos terrestres para
evitar interferência, inclusive fora dos centros urbanos.

Por isso, foram alocadas duas outras bandas para satélites comerciais, Ku e
Ka, que são muito mais largas e exclusivas para comunicações via satélite, eliminando o
problema da interferência com circuitos terrestres. As antenas para operação nessas
bandas podem ser instaladas nos topos de edifícios em grandes centros urbanos e, além
disso, as freqüências são mais altas, o que permite que as antenas usadas sejam bem
menores. Nos Estados Unidos, a banda Ku tende a ser tornar a freqüência mais usada
nas comunicações corporativas. A maior parte dos satélites contemporâneos tem
transpônderes para banda C e/ou Ku.

A banda Ka opera com freqüências ainda maiores (30 gigahertz na subida e


20 na descida), e sua largura é de 2.500 megahertz, a maior já concedida pela UIT para
esse uso, proporcionando às operadoras amplo espaço para expansão. Como as
tecnologias que permitirão sua utilização eficaz ainda estão em desenvolvimento, ela
ainda é considerada experimental. Não obstante, há pelo menos um satélite operando
na banda Ka, o Olympus I, lançado em 1989.

A banda C exige antenas terrenas grandes, de cerca de 10 metros de


diâmetro. Freqüências mais altas, como as das bandas Ku e Ka, permitem o uso de
estações mais baratas. Os diâmetros das antenas reduzem-se a 1,5 metro para a banda
Ku e 1,0 metro para a banda Ka.

Outras bandas de freqüência alocadas pela UIT para uso em satélites estão
na tabela a seguir [cf. Fonseca (1991, p. 38), Martin (1990, p. 393) e Davidson (1992, p.
066)].

Nome da Faixa Freqüência (GHz) Largura (MHz) Uso


L 1,6/1,5 15 Móvel
C 6/4 500 Fixo

5
O nome original da UIT é International Telecommunications Union (ITU), organização baseada na
Suiça que, em outubro de 1992, congregava 174 países e é responsável por: a) regulação e planejamento
das telecomunicações: b) normalização de equipamentos e sistemas: e c) coordenação e distribuição da
informação no mundo. Cf. Como ficou...(1992).

87
X 8/7 Militar
Ku 14/11 500 Fixo
Ka 30/20 2.500 Experimental

Como mencionado anteriormente, as bandas comerciais mais usadas no


mundo são a C e a Ku, sendo que a banda Ka é a que oferece maior potencial para
expansão dos sistemas via satélite [cf. Martin (1990, p. 395)]. O Brasil adotou a banda
C, enquanto os Estados Unidos usam as bandas C e Ku e, para seu sistema doméstico de
comunicação via satélite, chamado Nahuel, a Argentina também escolheu uma
configuração com as bandas C e Ku [cf. Maas (1993)].

A opção do Brasil por satélites sem banda Ku é atribuída á incidência


pluviométrica, principalmente na Amazônia, pois a chuva tropical atenua o sinal. Não
obstante, os satélites mais recentes possuem potência para amplificar o sinal de forma a
vencer essas barreiras, como, por exemplo, o PAS-3, da empresa privada PanAmSat,
que será um HS-601 que emitirá um forte sinal em banda Ku para toda a América do
Sul.

Consta da tabela anterior uma faixa chamada banda X, para uso militar.
Um dos transpônderes do Brasilsat operará nessa faixa, que ficará à disposição do
Estado-Marior das Forças Armadas (Emfa). Portanto, dos 28 transpônderes do
Brasilsat B, 27 estarão disponíveis para aplicações civis.

A transmissão via satélite usa modulação FM em transmissão analógica, usando uma


faixa de um transponder (36 MHz) ou meio transponder( 18 MHz).

Transmissão por linha de visada

Nas faixas de VHF e UHF, o rádio se propaga por ondas próximas a superfície da terra e
não por ondas espaciais provenientes da ionosfera. A distância de transmissão é
limitada, portanto , a linha do horizonte. Tal processo é denominado transmissão por
linha de visão. Entretanto, a distância do horizonte para as ondas de rádio é um pouco
maior, devido ao efeito de refração.

A altura acima do solo é importante para as antenas transmissoras e receptoras. Assim


por exemplo, a distância do horizonte gira em torno de 32 km, para a antena situada a
60m , e de 80km se ela estiver a 300m.

A distância por linha de visada deve também acrescentar também a distância de


horizonte da antena receptora. A potência recebida por uma antena é dado pela fórmula
de Friis,

PR ( dBm)  PT ( dBm)  GT ( dBi)  G R ( dBi) - 20 Log(rkm ) – 20 logfMHz – 32,44

PR(dBm) = potência do sinal recebido em dBm

88
PT(dBm) = potência do sinal transmitido em dBm

GT(dBi) = ganho da antena transmissora em dBi

GR(dBi) = ganho da antena receptora em dBi

Dipolo Horizontal de meia onda

A antena básica para transmissores e receptores, na faixa de VHF, é o dipolo de meia


onda. Esse tipo de antena é chamado de ressonante, significa que um comprimento
específico é o melhor para uma determinada frequência. A extensão total de dipolo de
meia onda pode ser calculada por L=1500/f, onde L é dado em metros e f, em MHz.

A título de exemplo, para uma frequência de 100 MHz, a extensão de uma meia onda é
de 1,5m.

Polarização da antena

A direção de polarização das ondas de rádio é definida como o plano do campo elétrico
com um magnético perpendicular. E m termos práticos, uma antena horizontal irradia
uma onda eletromagnética com polarização horizontal e uma antena vertical produz um
campo de polarização vertical.

No passado, as normas para os transmissores de TV recomendavam a polarização


horizontal. Ela está substituída, porém pela polarização circular.

 Antenas e Transpônderes

As antenas podem ser onidirecionais, quando transmitem em todas as


direções, ou direcionais, quando concentram a transmissão num feixe cônico dirigido
numa direção. Geralmente, a concentração do feixe é conseguida dando à antena um
formato parabólico. Tanto os satélites quanto as estações terrenas possuem antenas
direcionais, geralmente parabólicas.6 A antena terrena é apontada para o lugar no
espaço onde se encontra o satélite, cuja antena é apontada para a área da terra que se
deseja cobrir.

Em teoria das antenas pode se demonstrar que ,

4Ae
Gr 
2

6
A parábola possui a propriedade de refletir em linhas paralelas todos os raios emitidos a partir de seu
foco geométrico. Da mesma forma, ela reflete e concentra no foco todos os raios paralelos recebidos.
Toda a energia transmitida por uma antena parabólica fica concentrada num feixe (em contraste com a
antena onidirecional, que transmite em todas as direções). Por isso, a antena parabólica é usada para
transmissões direcionais.

89
2
4 D 2  D 
Gr  2 .   
 4   

Substituindo em (5.6),

  
2

Pr  Pt Gt G r  
 4R 

Definimos como perda no espaço livre Lp que á dada por,

2
 4R 
Lp   
  

As antenas das estações terrenas são muito maiores que as dos satélites.
Como em terra a energia é abundante, nas estações terrenas colocam-se equipamentos
de alta potência e antenas de grande diâmetro, tanto para transmissão quanto para
recepção, o que permite, em contrapartida, que no satélite sejam colocados
equipamentos de potência bem mais baixa e antenas bem menores. A antena tem que
ser fabricada com grandes precisão dimensional.

Os satélites possuem repetidores, chamados transpônderes, cuja função é


simplesmente de receber o sinal transmitido numa freqüência, amplificá-lo, convertê-lo
para outra freqüência e retransmiti-lo. Um satélite de comunicação pode ter de 12 a 50
transpônderes, dependendo do tamanho. O sinal é recebido numa faixa de freqüência,
chamada uplink, e retransmitido noutra, chamada downlink, para evitar interferência
entre os sinais de subida e descida.

A primeira geração do satélite doméstico brasileiro, o Brasilsat A, tem 24


transpônderes, enquanto a Segunda, o Brasilsat B, terá 28 transpônderes. Em ambas as
gerações, cada um desses transpônderes corresponde a uma largura de faixa de 36
megahertz.

Em geral, nos satélites contemporâneos, a faixa de freqüência dos


transpônderes varia entre 36 e 75 megahertz. Em princípio, quanto maior a largura de
faixa, maior a quantidade de informação que se pode transmitir simultaneamente.
Como a imagem contém mais informação, por exemplo, que a voz, um sinal de TV
consome mais espaço (largura de faixa) no transpônderes que um sinal de som. No
estágio tecnológico de 1984, um transpônder de 36 megahertz dava para 1.200 canais de
telefonia ou um canal de TV. Hoje, a evolução tecnológica na compressão de sinais
analógicos e digitais, bem como na digitalização de sinais analógicos, permite que num
transpônder de 36 megahertz se transmitam até 10 canais de TV.

Portanto, os 28 transpônderes do Brasilsat B representam um enorme


aumento de capacidade de comunicação simultânea. Até 1997, a Embratel deverá ter
digitalizado um total de 21.120 canais de suas estações de satélite dedicadas à telefonia
pública [cf. A Embratel ... (1993)].

90
Os transpônderes disponíveis para uso pela Embratel não se limitam ao seu
satélite próprio, o Brasilsat, pois a empresa também aluga transpônderes em satélites
cooperativos multinacionais, como o Inmarsat e o Intelsat. Portanto, para saber a
capacidade total brasileira seria necessário somar os transpônderes usados pela Embratel
em todos esses satélites.

Há uma tendência de aumento da potência dos satélites, o que pode ser


ilustrado pela frota Intelsat. As células solares do Intelsat VIII fornecem potência de
quatro quilowatts, 54% mais que o Intelsat VI e quatro vezes mais que o antigo Intelsat
V.

Figura 9.9- Enlace de subida e descida de uma comunicação via satélite.

A Estação receptora terrestre

O principal problema com as estações receptoras terrestres é a pequena intensidade do


sinal enviado pelo satélite, q quase 36 mil quilômetros de distância. A potência de saída
de um satélite é normalmente de 5 W; entretanto a antena tem ganho de mil, gerando
uma potência efetivamente irradiada de 5000 W. Considerando uma perda de -196 dB
durante a transmissão, o sinal do receptor será apenas de 1,2x10-16 W. Empregando uma
grande antena parabólica com um ganho de 10 mil, porém, e um amplificador de baixo

91
ruído(LNA), especial para receber de microondas, a estação receptora é capaz de
receber sem problemas os sinais provenientes do satélite.

Questões

Múltipla escolha

Escolha entre as alternativas, (a), (b), (c) e (d).

1. A portadora modulada de imagem inclui o sinal composto de vídeo como (a) o


nível médio da portadora; (b) a envoltória simétrica das variações de amplitude;
(c) a banda lateral inferior, sem a banda superior, (d) a envoltória superior sem a
inferior.
2. Qual das seguintes afirmações é correta ? (a) Transmissão negativa significa que
a amplitude da portadora diminui no preto; (b) transmissão negativa significa
que a amplitude da portadora diminui no branco;(c) transmissão por banda
lateral vestigial significa que tanto a banda lateral superior como a inferior são
transmitidas em todas as frequências moduladoras; (d) transmissão por banda
lateral vestigial significa que o sinal da portadora de imagem possui apenas a
envoltória superior.
3. Em todos os canais de TV, a diferença entre as portadoras de som e imagem é
de: (a) 0,25 MHz; (b) 1,25 MHz; (c) 4,5 MHz; (d) 6 MHz.
4. A diferença entre as portadoras de som entre dois canais adjacentes é de : (a)
0,25 MHz; (b) 1,25 MHz; (c) 4,5 MHz; (d) 6 MHz.
5. Com um sinal de vídeo de 0,5 MHz modulando uma portadora de imagem a)
tanto as frequências lateral superior como a inferior são transmitidas; (b)
somente a frequência lateral superior transmitida;(c) somente a frequência lateral
inferior é transmitida; (d) não é transmitida nenhuma frequência lateral.
6. Defina transmissão negativa e cite uma vantagem.
7. Cite uma vantagem e uma desvantagem da transmissão por banda lateral
vestigial.
8. Para cada um dos seguintes canais dê as frequências das portadoras de imagem e
som, além de sua separação em frequências : 2,5,7,13,14,83.
Problemas

9. Calcular o ganho do demodulador FM de um sistema de transmissão de TV via


satélite modulada em FM, supondo que a banda usada é de 18 MHz e a largura
de faixa em banda base é de 4 MHz.
10. Calcular o ganho do demodulador FM de um sistema de transmissão de voz via
satélite modulada em FM, supondo que a banda usada é de 30 KHz e a largura
de faixa em banda base é de 4 KHz.
11. Um satélite emite uma onda CW de11,7 GHz e está localizado à 38 000 km de
distância da estação terrena. A potência de saída é de 200 W, e alimenta uma
antena com 18,9 dB de ganho. A estação terrena possui uma antena de 12 pés de
diâmetro e tem uma abertura com eficiência de 50 %.

92
CAPITULO 10

RECEPTORES DE TV PRETO-E-BRANCO

Os receptores de Comunicações usados em rádio, televisão, satélite, etc. são do tipo


heteródino. Estes receptores sempre convertem o sinal para uma frequência
itermediária(FI), para depois fazer a demodulação. Normalmente estes receptores são
constituídos dos blocos mostrados na Fig. 10.1.

Figura 10.1- Receptor super heteródino.

- Amplificador de rádio frequência (RF)

O sinal recebido pela antena é amplificado pelo amplificador de RF, que possui as
características de ganho elevado e baixo ruído. Isto se explica pelo fato de que se o
mesmo é ruidoso, o seu ruído interno irá se amplificar ao passar pelos outros
amplificadores.

- Misturador

O misturador desloca a informação para a frequência intermediária(FI). Este dispositivo


em geral produz uma atenuação no sinal e introduz ruído, sendo assim a parte que mais
produz ruído em um receptor super heteródino.

Considerando o sinal de entrada no misturador f(t), a saída do mesmo será:

93
𝑓(𝑡) ∗ cos ωo t

Se a transformada de Fourier for F(ω), então ,

f(t) -------------- F(ω)

𝑓(𝑡) ∗ cos ωo t ---------------- F(ω-ωo ) + F(ω+ωo )

O sinal depois do misturador será transladado de ± ωo . Supondo inicialmente que o

sinal f(t) esteja na faixa (f1,f2), o mesmo irá para faixa ( f1+fo,f2+fo) e (f1-fo,f2-fo).

Sendo assim uma frequência f1 irá para f1+fo e f1-fo. Se a frequência fo for maior do que
f1, a translação de frequência será para f1+fo e fo-f1.

Normalmente em sistemas de televisão fo é maior do que f1, como por exemplo para o
canal 7, a portadora de vídeo f1=175,25 MHz e fo = 221 MHz e a relação abaixo é
sempre estabelecida,

fo-f1 = 45,75 MHz

A frequência fo é a frequência do oscilador local. Quando sintonizamos um canal,


alteramos fo, de tal modo que iremos captar o canal em que a frequência da portadora
de vídeo (f1) obedeça a relação fo-f1 = 45,75 MHz.

A frequência de 45,75 MHz é chamada de frequência intermediária (FI) para os


sistemas de transmissão de televisão terrestre.

Vários outras frequência intermediárias são usadas na prática:

Rádio AM - 455 kHz

Rádio FM - 10,8 MHz

Receptor de satélite - 70 MHz

- Amplificador de frequência intermediária (FI)

O amplificador de FI é um amplificador sintonizado na frequência intermediária mas


que atua em toda a faixa do sinal informação, sendo então um amplificador faixa larga.
No caso da televisão terrestre ele possui uma resposta em uma faixa de 6 MHz, variando
de 41 até 47 MHz.

- Demodulador

O demodulador converte o sinal para a banda base para ser aplicado no amplificador de
potência, no caso de TV, o amplificador de vídeo. Em sistema de rádio AM-DSB o
demodulador é um detector de envoltória. No caso do sinal de vídeo de TV a modulação
é do tipo AM-VSB e o demodulador é constituído de um diodo que faz um batimento

94
produzindo um sinal de vídeo transladado para a banda base. No caso do som o
demodulador é um circuito mais complexo como será visto mais adiante.

- Amplificador de potência (som, imagem, etc.)

O amplificador de potência é o último amplificador do sistema de recepção, no caso de


TV ele normalmente é chamado de amplificador de vídeo. Este amplificador amplifica o
sinal em banda base para alimentar o cinescópio da TV, produzindo a imagem na tela.
No caso de equipamento de som este amplificador é um amplificador que produz uma
corrente necessária para alimentar a caixa de som.

- Temperatura de Ruído de um receptor

A temperatura de ruído de um receptor até o demodulador é dada por:

T = TRF + Tin + TM/GRF + TFI/(GRFGM)

T=temperatura de ruído do sistema até o demodulador,

TRF = temperatura de ruído interno do amplificador de RF,

TM = temperatura de ruído do misturador( normalmente alta),

TFI = temperatura de ruído do amplificador de FI.

Tin = temperatura de ruído externo ou temperatura da antena.

Podemos observar que a temperatura de ruído do sistema de recepção é altamente dependente da


temperatura de ruído do amplificador de RF e do ganho do mesmo. Um bom receptor precisa
ter um amplificador de RF com baixa temperatura de ruído( TRF<20K) e alto ganho (
normalmente G>1000).

Vamos agora analisar o receptor de um sistema de televisão preto-branco. Hoje não se


usa mais este tipo de televisor, mas por motivos didáticos estudaremos o funcionamento
do mesmo para depois com um pequeno up-grade explicarmos o receptor de TV a cores
analógico e digital.

A Fig. 10.2 mostra o diagrama de um receptor monocromático. Os blocos contidos na


área sombreada indicam os circuitos dos sinais de RF e FI. O receptor é, basicamente,
um circuito super-heteródino; um oscilador local existente no sintonizador de RF faz
batimento com o sinal de RF, convertendo-o ao nível das frequências intermediárias,
para o amplificador de FI; assim todos os sinais de RF das diferentes estações são
convertidas para os mesmos valores de FI do receptor. Os valores padronizados de FI

95
96
Alto falante

Amplificador Detector de Amplificador


De som Amplificador
De áudio
som de 4,5
De 4,5 MHz de áudio
MHz

CRT

Amplificador
Amplificador Detector Amplificador anodo
De Mixer
Mixer De video De video
de FI
RF

CAG
Oscila
dor
local

Oscilador de
deflexão Amplificador
vertical

Separador
de sinc

Amplificador
CAF Oscilador H

Retificador AT

Figura 10.2- Diagrama em bloco de um receptor de TV preto e branco

97
para receptores de TV são, para o nosso sistema: 45,75 MHz para a portadora de FI de
imagem e 41,25 MHz para a portadora de FI de som.

O sinal de Som. Na saída do detector de vídeo está incluído o sinal de som de 4,5
MHz. Este sinal é produzido por um segundo processo de heterodinagem no qual o sinal
de FI de som, em 41,25 MHz, faz batimento com a portadora de FI de imagem situada
em 45,75MHz. A diferença de frequência é de 45,75 – 41,25 = 4,5 MHz.

O sinal de som é extraído por uma armadilha de 4,5 MHz e entregue a um amplificador
FI de banda estreita, sintonizado nessa frequência. Em seguida a modulação original de
frequência é recuperada por um detector de FM, como por exemplo, o detector de
relação , a fim de produzir a desejada saída de áudio.

Saída do Detector de Vídeo. O detector não passa de um pequeno diodo


semicondutor, mas devido ao processo de retificação são obtidos dois sinais:

1- O sinal de vídeo composto para o amplificador de vídeo que excita o tubo de


imagem.
a- O separador de sincronismo,
b- O controle automático de ganho.
2- O sinal FM de som de 4,5 MHz .

O trajeto do sinal de vídeo. O sinal de vídeo dirigido ao tubo de imagem controla a


corrente de feixe e, portando, o brilho do ponto de varredura.

Trajeto do Sinal de Sincronismo. O separador de sincronismo é um circuito


amplificador mantido no corte, mas levando-o `a condução sempre que os pulsos de
sincronismo estão presentes. Os pulsos de sincronismo separados é enviado aos
osciladores de varredura horizontal e vertical.

10.2- Blocos Funcionais de Sincronismo e Deflexão.

Podemos considerar os osciladores de deflexão horizontal e vertical como o ponto de


partida no processo de deflexão. Ambos são constituídos por um circuito de oscilação
livre, que gera uma saída com ou sem sinais de entrada. Utiliza-se, porém, uma entrada
de sincronismo para controlar a frequência do oscilador. A saída do oscilador excita um
amplificador de potência, que atua como gerador de varredura, produzindo o nível
adequado de corrente dente de serra nas bobinas da unidade defletora.

Por que utilizar oscilador de deflexão ?

Na prática, os pulsos de sincronismo separados poderiam ser usados para produzir


diretamente a necessária corrente de varredura. Essa ideia está ilustrada na Fig. 10.3 que
mostra um gerador dente de serra acionado por pulsos. O capacitor C é carregado
98
através do resistor R a partir da tensão DC de alimentação enquanto o transistor Q1 está
cortado. Esse transistor não conduz porque não dispõe de polarização direta. Assim um
pulso positivo de sincronismo leva Q1 a condução porém C descarrega –se rapidamente
pelo transistor. Esse é o método mais genérico para se gera tensão dente de serra, sendo
uma constante de temo RC de carga longa, quando comparada com o intervalo ente os
pulsos.

Entretanto, um circuito como o da Fig. 10.3 não iria produzir nenhuma corrente de
varredura na ausência de sinal. Mesmo uma perda momentânea de sincronismo poderia
provocar o colapso da deflexão. A solução, portanto é desenvolver as correntes de
varredura a partir de sinais de deflexão que estejam sempre presentes, como ou sem
sincronismo. Isto requer o uso de osciladores de deflexão de oscilação livre que sejam
presos pelos pulsos separados de sincronismo , a fim de controlar a frequência.

Figura 10.3- Circuito de um gerador dente de serra excitado.

Sincronizando os Osciladores de Deflexão. Utiliza-se o disparo direto no oscilador


vertical.

Figura 10.5- Perda de sincronismo vertical.

99
Figura 10.6- Circuito PLL.

Corrente de Varredura no Yoke. A saída do oscilador deve ser amplificada, a fim de


produzir corrente suficiente nas de deflexão. Produzir a potência de saída necessária é
função dos amplificadores vertical e horizontal de deflexão, conforme está indicado no
diagrama de blocos do receptor da Fig. 10.2.

Corrente de Varredura Vertical. A reatância indutiva das bobinas de deflexão


vertical é pequena em 60 Hz, se comparada à resistência efetiva.

Figura 10.7- A perda de sincronismo horizontal faz com que a imagem desfaça em
barras diagonais.

Corrente de Varredura Horizontal. A forma de dente de serra apresenta um


problema diferente neste caso, devido à elevada reatância indutiva da bobina defletora,
em consequência da variação muito rápida da corrente de deflexão.

100
Figura 10.8- Problemas na deflexão vertical, (a) pouca amplitude da varredura, (b) falta
de linearidade vertical.

10.3 – Controle Automático de Ganho.

Este circuito produz uma polarização DC para o controle automático de ganho nos
amplificadores de RF e FI.

Figura 10.9- Circuito CAG ( controle automático de ganho)

10.4 – Requisitos de Alimentação DC

10.5- Seção de RF

O sintonizador de RF é parte conversora de frequência do receptor super-heteródino. O


sintonizador recebe os sinais da antena em todas as frequências. Tais sinais são
convertidos em uma única faixa de frequências, na banda passante de FI, para o

101
amplificador de FI com sintonia fia. A saída do sintonizador de RF é o início da secção
de FI.

Canais de VHF e UHF. O sintonizador em geral é composto, na prática por duas


unidade : uma delas cobre os canais de faixa de VHF de 2 a 13, enquanto a outra
sintoniza os canais entre 14 e 83, da banda de UHF. As duas unidades são montadas
num único bloco como se pode ver no receptor da Fig. 10.2. Este conjunto fica montado
na parte frontal do gabinete do receptor. Deve se ter em mente que nos sintonizadores
por varicap, dotados de seletor com botões de pressão pode-se ter uma única unidade
sintonizadora para as duas bandas, e qualquer posição pode ser adotada para um canal
de VHF e UHF.

Diagrama de Blocos do Sintonizador de VHF

Observe a Fig. 10.10. O primeiro estágio do sintonizador de VHF é o amplificador de


RF, ou pré-seletor. Sua entrada é o próprio sinal de RF para os canais de TV, seja a
partir da antena ou de um cabo. O sinal do canal desejado é então amplificado, a fim de
excitar o estágio misturador.

Para o
Rede Amplificador
Misturador amplificador
casadora de RF
de FI

Oscilador
local

Do CAG

Figura 10.10- Diagrama de blocos do sintonizador de VHF

O pré-seletor é um amplificador de rádio frequência sintonizado. Seus circuitos


sintonizados são trocados cada vez que um novo canal é selecionado. A largura de faixa
é ampla o suficiente para cobrir 6 MHz exigidos em cada canal, a fim de conter
portadoras de imagem e som. Tais sinais foram assinalados por P e S na curva de
resposta de RF.

O ganho do amplificador de RF varia com o nível do sinal de entrada, devido ao


controle exercido pela polarização do CAG. Em níveis baixos de sinal o amplificador de

102
RF opera com ganho máximo. Esse ganho é muito importante para se obter uma boa
relação sinal/ruído no misturador. Nos receptores super-heteródino o misturador é fonte
principal de ruído, responsável pelo chuvisco na imagem. O nível de sinal de RF
aplicado ao misturador é , portanto, o principal fator n a relação sinal/ruído do receptor.
Assim sendo, o estágio de RF deve funcionar como um amplificador de baixo ruído
para os sinais fracos.

O estágio misturador recebe dois sinais de entrada : um deles é o sinal amplificado do


canal, vindo do estágio pré-seletor, e o outro, o sinal sem modulação enviado pelo
oscilador local. O oscilador é sintonizado em uma frequência específica para cada canal
e em geral, produz batimento acima das frequências dos canais de RF; a diferença entre
as frequências é o valor de FI. Assim, por exemplo , para o sinal da portadora de
imagem do canal 7 ( 175,25MHz) a frequência do oscilador é de 175,25 + 45,75 = 221
MHz. É a frequência do oscilador que determina qual dos sinais de canal irá passar pela
seção de FI. Um controle de sintonia fina proporcional um ajuste preciso do oscilador,
a fim de se obter a melhor imagem possível.

Inversão de Frequência da Saída de FI do Misturador

Quando o oscilador local faz batimento acima das frequências de RF as portadoras de


imagem e som resultam invertidas em termos de valor. Essa atuação está ilustrada na
Fig. 10.11, com os valores numéricos do canal 7( entre 174 e 180 MHz) . Sua portadora
de imagem é de 175,25 MHz, (P) enquanto a de som (S) fica em 179,75 MHz. A
frequência do oscilador local é de

175,25 + 45,75 = 221 MHz

179,75 +41,25 = 221 MHz

Os valores de FI são produzidos com frequências diferença, resultantes do batimento de


P e S com o oscilador , a 221 MHz. O valor de S na saída de DI é menor porque a
frequência fica próxima a do oscilador, o que significa menos diferença. As frequências
portadoras de RF e FI podem ser tabuladas da seguinte forma:

103
Canal 7

175,25 MHz 179,75 MHz


P s

Mistu
rador
Oscilador
Local
221MHz

FI de 4,5
FI de
som MHz
imagem
41,25 45,75
MHz MHz

Figura 10.11- O processo de heterodinagem inverte as posições relativas das portadoras


de imagem e som, dentro do canal de 6 MHz.

RF(MHz) Oscilador local FI(MHz)


Imagem 175,25 221 MHz 221-175,25=
45,75
Som 179,75 221 MHz 221-179,75=
41,25

Isolação pelo Amplificador de RF

Nesta importante função, o estágio de RF separa o misturador do circuito de antena. O


motivo dessa separação reside no fato de que o pré-seletor é sintonizado apenas com as
radiofrequências contidas no canal selecionado. Com isso dois problemas são
resolvidos: primeiro, qualquer interferência de RF exterior ao canal que possa existir no
circuito de antena é atenuada pelo estágio de RF.

O segundo problema refere-se a atenuação do sinal estágio de RF no sentido oposto, ou


seja, do misturador para a antena. Essa característica é muito importante no sentido de
evitar que o sinal do oscilador local, que está localizado na entrada do misturador venha
a alcançar a antena. Qualquer irradiação a partir da antena é uma fonte de interferência
para os outros circuitos elétricos.

104
10.6 – Seção de FI

O amplificador de FI aceita apenas as frequências intermediária entregues pelo estágio


misturador porque fica sintonizado nessas frequências.

O amplificador de FI aceita apenas as frequências intermediárias entregues pelo estágio


misturador porque fica sintonizado nessa frequências. Não há praticamente ganho para a
entrada original de RF e as frequências de soma. Somente o sinal de FI é amplificado.

A principal função da seção de FI é a de elevar o nível do sinal até o ponto em que a


envoltória de AM possa ser detectada. Um diodo semi condutor é normalmente usado
como retificador de meia onda com a finalidade de detectar o sinal de FI.

Faixa de passagem de FI

Nos primeiros receptores de TV utilizava-se um sistema de sintonia do tipo escalonado(


vários estágios sintonizados em diferente frequências) , a fim de obter a necessária faixa
de passagem. Atualmente, o formato da curva global de resposta em FI é determinado
principalmente pelo circuito de FI que acopla a saída do misturador, no sintonizador, ao
primeiro amplificador de FI. Dessa forma, os sinais indesejáveis são rejeitados antes de
serem amplificados, evitando o problema de modulação cruzada nos estágios
posteriores. Além disso, armadilhas de onda são utilizadas para rejeitar interferências
provenientes de canais indesejáveis.

O circuito de saída do misturador costuma ser um transformador duplamente


sintonizado com sobre acoplamento. Armadilhas são inseridas no circuito secundário.
Essa parte da seção de FI é indicada como sendo o filtro de entrada, à esquerda da Fig.
10.12.

Armadilhas de Onda de FI

Além de proporcionar ganho para o sinal desejado, o amplificador de FI confere ao


receptor a necessária seletividade ente canais adjacentes, a fim de rejeitar interferências.
A resposta de FI nos limites da faixa de passagem é determinada por circuitos armadilha
LC. Tais circuitos promovem um corte nas extremidade da curva de resposta , pela
redução do ganho de FI nessa frequências.

105
Figura 10.12- Diagrama de blocos de uma secção amplificadora de FI, juntamente com
sua resposta.

10.7- Detector de Vídeo

O sinal entregue pelo amplificador final de FI excita o detector de vídeo, como se vê na


Fig. 10.14. O detector é , normalmente um diodo retificador de altas frequências, com
um filtro na saída para desviar os componentes da modulação de FI.

Resposta em frequência do detector

Um filtro passa-baixas é usado na saída, a fim de remover a ondulação de FI, mas deixar
passar o sinal de vídeo da banda-base. Além disso, o segundo sinal de FI de som (4,5
MHz) é tomado do detector de vídeo , no caso dos receptores preto-branco.

106
10.8- Seção Amplificadora de Vídeo

A principal função do amplificador de vídeo é proporcionar a necessária excursão de


tensão para excitar o tubo de imagem desde o corte, para o apagamento, até
praticamente uma tensão nula entre grade e catodo, para o pico de branco.

Largura de faixa do amplificador de vídeo

A amplitude relativa e as relações de fase dos componentes de frequência existentes no


sinal de vídeo devem ser preservadas. Teoricamente a plena faixa de 4,2 MHz para a
modulação de vídeo pode ser utilizada com o canal comercial de 6 MHz. Na imagem os
menores detalhes horizontais correspondem as maiores frequências

10.9- Componente DC do Sinal de Vídeo

O componente contínuo do sinal de vídeo indica o brilho relativo da cena, em relação ao


nível de apagamento. Na saída do detector de vídeo, o componente DC do sinal ainda
está intacto, como foi transmitido. Isto porque o sinal de vídeo está presente apenas na
envoltória de modulação do sinal AM de imagem, nos amplificadores de RF e FI.

Figura 10.13- Perda do componente DC afeta o sinal de vídeo, (a) pulsos de


sincronismo e apagamento alinhados com o componente DC, (b) o componente DC
bloqueado por um circuito de acoplamento RC.

107
Figura 10.14- Efeitos visuais do componente DC, (a) brilho correto,(b) perda do
componente DC.

10.10 – A seção FI de Som de 4,5 MHz

Figura 10.15- O sistema de som por interportadora de 4,5 MHz, em um receptor


monocromático.

10.11- Consertos dos Circuitos de Sinal

Uma interrupção no percurso do sinal, entre os terminais da antena e o tubo de imagem,


resulta em ausência de imagem com um quadro branco apenas. Lembre-se que a trama é
produzida pelos circuitos de deflexão horizontal e vertical.

108
Algumas observações porém podem limitar o problema às maiores seções de sinal.
Assim por exemplo a presença apenas da trama com som norma aponta para uma
interrupção no percurso do sinal após o detector de vídeo, onde o sinal de som de 4,5
MHz, é obtido. Esse problema está localizado no amplificador de vídeo.

Veja no entanto que o som pode não estar normal devido à perda de excitação no
sistema de CAG. A ausência de polarização de CAG provoca a sobrecarga da FI,
produzindo um forte zumbido no som.

Figura 10.16- Imagem sobrecarregada

Questões

Problemas

1. Calcule as frequências do oscilador ao sintonizar os canais : (a) 6,(b) 7,(c) 13, (d)
14.
2. Combine as funções.

1- Contraste da imagem a- Misturador


2- Saída do sinal de áudio b- CAG
3- Controle de ganho em RF e FI c- Detector de FM
4- Conversor de FI d- Amplificador de vídeo
5- Sincronização da imagem e- Fonte de alta tensão
6- Brilho do quadro f- Fonte de baixa tensão
7- Tensões DC do eletrodo g- Amplificador de RF
8- Imagem com chuvisco h- Armadilhas de FI
9- Seletividade entre canais adjacentes i- Separador de sincronismo
10- Sinal de vídeo da banda-base j- Detector de vídeo

109
3. Porque o componente DC do sinal de vídeo é importante na reprodução da imagem?
4. Explique a função da armadilha de onda. Por que se utiliza um circuito LC?

Problemas

5. Um satélite emite uma onda CW de11,7 GHz e está localizado à 38 000 km de


distância da estação terrena. A potência de saída é de 200 W, e alimenta uma
antena com 18,9 dB de ganho. A estação terrena possui uma antena de 12 pés de
diâmetro e tem uma abertura com eficiência de 50 %.
a- calcular a EIRP do satélite em W, dBW, e dBm
b- Calcular o ganho da antena receptora em dB
c- Calcular a perda no percurso em dB
d- Calcular a potência do sinal recebido em W,nW e dBm.

6. Se a temperatura de ruído da estação terrena do problema 1 é 1250 K ,


determinar:
a – O valor de G/T da estação terrena em dBK-1

b – A potência de ruído em de ruído em uma banda de 100 MHz em dBm

c- A relação portadora ruído em dB na banda de ruído de 100 MHz

7. Uma estação terrena entrega ao sistema de recepção uma potência de -119 dBm.
A antena possui uma temperatura de ruído de 68 K. Seguindo a antena há um guia
de onda com perda de 1 dB e temperatura física de 295 k. a saída do guia de onda
é conectado ao um amplificador GaAsFET com uma figura de ruído de 4 dB e ganho
de 25 dB. Seguindo o amplificador há um mixer com figura de ruído de 12 dB.
Calcular:
a- A temperatura de ruído do amplificador GaAsFET
b- A temperatura de ruído do misturador
c- O efeito da temperatura de ruído do guia
d- A temperatura de ruído total do receptor referenciada à saída da antena
e- A temperatura total de ruído do receptor referenciada à entrada do GaAsFET
f- A relação portadora-ruído para uma faixa de 200 MHz.

8. Um satélite transmite um sinal de TV em FM na faixa de 36 MHz com uma portador


de 34 dBW de EIRP. Assumindo uma distância de 40 000 km e a freqüência central
de 3 700 GHz, determinar a relação (C/N) em decibels para todos as combinações
do parâmetros C
a- Diâmetro das antenas 3;4,5 e 6m ( todas tendo uma eficiência de 55 %)
b- A temperatura de ruído – 90 K
c- A temperatura de ruído 120, 150 e 170 K. Desprezar a perda nos guias de onda.
com um backoff na entrada e saída do satélite de 4 dB. Determine o seguinte:

110
a- A EIRP do transmissor do enlace de subida e descida do satélite em W e dBW.

b- A relação portadora-ruído do enlace de subida em dB (C/N)ts

d- A relação portadora-ruído do enlace de subida (C/N)es em dB


e- A relação portadora-ruído total (C/N)e em dB

CAPÍTULO 11

CIRCUITOS DE VARREDURA E SINCRONISMO

Separação de Amplitude e Forma de Onda do Sincronismo

Os pulsos de sincronismo utilizam as amplitudes de pico do sinal composto de vídeo


transmitido e incluem os pulso H, V e de equalização. As formas de onda de
sincronismo são descritos com mais detalhes no Cap. 7, mas podemos resumir seus
pontos principais:

1. Os pulsos de sincronismo H são estreitos, exibindo uma largura de 4,75 µs.


2. Os pulsos de sincronismo V são bem mais largos. São de forma serrilhada e
cada um deles inclui seis pulsos de meia linha, totalizando três linhas de largura,
equivalente a 190,5µs.
3. Os pulsos equalizadores são repetidos a intervalos de meia linha (31500 Hz),
como o serrilhado dos pulsos de sincronismo vertical. Um grupo de seis ocorre
imediatamente antes de cada um desses pulso V, para igualar a sincronização
vertical nos campos pares e ímpares e garantir um bom entrelaçamento. O
integrador é um filtro RC cuja função é remover tudo, exceto os pulsos de
sincronismo vertical. Uma longa constante de tempo RC permite que C seja
carregado somente durante o período de pulso de sincronismo vertical. A saída
do integrador fornece pulso de gatilho que mantem o oscilador vertical em 60
Hz. Sem a presença da sincronização vertical, a imagem rola para cima ou para
baixo ou para cima.

O circuito CAF horizontal é um PLL que fornece uma tensão DC de controle que
mantém o oscilador horizontal na frequência dos pulsos de sincronização horizontal.

Separação de Sincronismo

Normalmente, esse estágio é mantido no corte. Entretanto, o sinal composto de vídeo é


aplicado com uma polaridade específica de modo que apenas as amplitudes de

111
sincronismo levem o amplificador a conduzir. Como resultado, a saída é o pulso de
sincronismo separado do sinal composto de vídeo.

A entrada de vídeo em um típico separador de sincronismo aparece na Fig. 11.1.

Figura 11.1- Atuação do separador de sincronismo visualizada em um osciloscópio,

11.3 Integrador do Sincronismo Vertical

Os pulsos de sincronismo vertical são separados do sincronismo total usando-se a


diferença de duração existente entre os pulsos V e H. A filtragem é então efetuada por
um circuito integrador que é basicamente um filtro RC, como se vê na Fig.11.2. A
forma de onda de entrada vista no alto da Fig. 11.3, é o pulso completo de sincronismo.

112
Figura 11.2- Efeito do circuito RC na filtragem por um integrador.

11.4 Deflexão Vertical

O circuito de varredura vertical tem início no oscilador vertical, como se vê na Fig.


11.3a. . O oscilador produz uma saída, independente de estar sincronizado ou não. Para
todo o circuito de deflexão o oscilador aciona um amplificador de potencia, que é o
estágio de saída vertical.

O oscilador de deflexão é de relaxação, utilizando tanto o oscilador de bloqueio como o


circuito multivibrador.

113
Figura 11.3- Diagrama em blocos da deflexão vertical.

11.5 Problemas na Varredura Vertical

A perda de corrente de deflexão nas bobinas verticais resulta na ausência de varredura


vertical. O quadro então se reduz a uma única linha horizontal brilhante na tela.

11.5 Sincronismo e Deflexão Horizontal

O diagrama de blocos de um típico sistema de deflexão horizontal pode ser visto na Fig.
11.4. Então aí incluídos o oscilador de deflexão horizontal, um excitador e um
amplificador de potência no estágio de saída para varredura. O oscilador usa um
oscilador de bloqueio ou um circuito multivibrador produzindo um sinal de 15.700 Hz
para a deflexão que produz as linhas de varredura horizontal. A ideia é basicamente
similar a do circuito de varredura vertical, mas devido a maior frequência da varredura
H, existem importantes diferenças.

1. A frequência do oscilador horizontal é sincronizada por controle automático de


frequência e não por sincronismo gatilhado.
2. O estágio de saída horizontal assemelha-se mais a um gerador de sinais classe C
que produz pulsos de saída para a varredura horizontal em cada linha.
3. A saída horizontal é utilizada no retificador de alta tensão que produz a tensão
de anodo para o tubo de imagem.
4. A saída horizontal exige uma diodo de amortecimento para minimizar oscilações
na corrente de varredura. H.

114
Figura 11.4- Diagrama em blocos da deflexão horizontal

CAFH

A frequência do oscilador horizontal é controlada por uma tensão DC de correção,


gerada por um comparador de fase ou de temporização como se vê no lado esquerdo da
Fig. 11.4. Em geral se usa dois diodos no circuito comparador, que recebe pulso
complementares de sincronismo horizontal de um estágio separador de fase de
sincronismo. Além disso, outra entrada necessária para o comparador é uma onda dente
de serra, como amostra da frequência de oscilação. Essa realimentação provém, do
circuito de saída horizontal, na forma de um pulso que é convertido em um dente de
serra por uma rede RC incluída no elo de realimentação.

A saída do comparador é a tensão de correção DC que indica se o oscilador se encontra


na frequência correta. Quando o sincronismo horizontal chega no instante do centro do
retraço, nenhuma tensão DC de correção será produzida, levando o oscilador à
frequência de sincronismo. Isto é, na verdade, um sistema PLL( laço fechado por fase)
denominado controle automático de frequência horizontal nesta aplicação
específica(CAFH).

A função do CAFH é manter a integridade da imagem horizontalmente. O oscilador


horizontal, no entanto, é capaz de produzir varredura com ou sem o AFC.

115
Excitação Horizontal

A saída do oscilador é um pulso retangular que é novamente formatado no excitador, a


fim de proporcionar entrada da pulsada ao estágio de saída. Ele atua como chave, cujo
tempo de condução determina por quanto tempo a tensão DC de alimentação determina
por quanto tempo a tensão permanece ligada às bobinas horizontais da unidade defletora
para cada varredura horizontal.

Saída Horizontal

Através dos transistores deste estágio, a corrente de varredura horizontal é fornecida


diretamente às bobinas da unidade defletora.

Transformador Flyback

Ele aparece como T, no lado direito da Fg. 11.5. Seu primário está em paralelo com a
unidade defletora, a fim de conduzir a corrente de varredura horizontal. O secundário é
um enrolamento elevador, que produz a alta tensão a partir da brusca queda de corrente
durante o retraço. Esta tensão elevada é retificada, produzindo assim a tensão de anodo
para o tubo de imagem. O retificador de alta tensão pode ser um único diodo ou um
circuito multiplicador de tensão.

11.7 Sistema GEN-Lock de Sincronismo e Deflexão

Figura 11.5- Diagrama em blocos simplificado do circuito gen lock para deflexão
horizontal e vertical.

116
11.8 Porque a imagem Rola Verticalmente

A explicação da imagem que se desloca na vertical está na Fig. 11.7, para o caso de uma
frequência muito elevada no oscilador vertical. Observe a situação relativa no tempo do
apagamento vertical no sinal composto de vídeo e no retraço vertical sobre a corrente de
deflexão vertical. Quando ambos se encontram na mesma frequência de cada retraço
vertical ocorre dentro do período de apagamento vertical. Neste caso o apagamento
vertical não aparece nas partes superior e inferior do quadro. Entretanto, quando a
frequência vertical é muito elevada, os ciclos dente de serra avançam no tempo, em
relação ao pulso de apagamento de 60 Hz. O apagamento vertical ocorre então durante o
tempo de traço e não no retraço. Ademais cada dente de serra avança pelo período de
traço nos sucessivos pulso de apagamento. Como resultado, a barra negra produzida ao
longo da tela pelo pulso de apagamento vertical cai gradativamente pela tela para ciclos
sucessivos.

Figura 11.6- A imagem parece rolar para baixo sempre que a varredura vertical está
mais rápida em relação os pulsos de apagamento vertical.

11.9 Barras Negras Diagonais na Imagem

Quando o oscilador horizontal está preso na frequência de sincronismo de 15750 Hz, a


estrutura de linhas mantém sua integridade mostrando uma imagem completa enquanto
o apagamento horizontal permanece invisível tanto à direita como na esquerda da tela .
Mas se o oscilador não estiver na frequência correta, a imagem se desfará em segmentos
diagonais. As barras negras em diagonal são produzidas pelos pulsos de apagamento
horizontal. A imagem se segmenta porque o circuito do CAF horizontal impede que
linhas horizontais isoladas se desfaçam já que a frequência não pode variar de uma linha
para outra .Quando o número de barras diagonais está mudando continuamente, fica
evidente que o circuito do CAFH não está controlando o oscilador. Mas quando as
barras estão imóveis isto significa que o CAFH está conseguindo estabilizar o oscilador
porém na frequência incorreta.

117
Figura 11.7- A imagem se desfaz em barras diagonais quando a varredura horizontal é
muito rápida em relação aos pulsos de apagamento horizontal.

11.10 Fontes de Alimentação

Fonte para a Alta Tensão de Flyback

Figura 11.8- Fontes de alta e baixa tensão em um receptor de TV.

118
11.11 Problemas na Varredura Horizontal e no CAFH

Devido a alta tensão de flyback os problemas de brilho podem estar relacionados com
os circuitos de deflexão horizontal. Sem a presença de varredura horizontal não há
tensão de anodo para o tubo de imagem e nenhum brilho na tela. Erros de frequência no
oscilador horizontal fazem a imagem desfazer-se em segmentos diagonais.

Ausência de saída horizontal.

Esse problema pode ser causado por um defeito no oscilador, excitador ou saída
horizontal. Não é possível ver, porém, uma única linha vertical correspondente à linha
horizontal sem deflexão vertical.

Figura 11..9- Efeitos visuais dos erros de frequência ao oscilador horizontal, (a) erro de
grande magnitude, (b) erro de pequena magnitude.

Questões

Responda Verdadeiro ou Falso

119
1. Os pulso de sincronismo fazem parte do sinal composto de vídeo
2. Os osciladores V e H podem operar com ou sem sincronismo
3. A frequência dos pulsos equalizadores é de 120 Hz.
4. A alta tensão de flyback é obtida no circuito de saída horizontal.
5. A ausência de deflexão vertical resulta em uma única linha horizontal ao longo
do centro da tela.
6. A ausência de deflexão horizontal resulta em falta de alta tensão e perda de
brilho.
7. A falta de sincronismo resulta em ausência de brilho e de quadro.
8. O circuito RC é usado no sincronismo H e V?
9. O controle de estabilidade vertical fica no oscilador ou no amplificador?
10. O que faz a imagem deslocar-se para cima ou para baixo?
11. O que faz a imagem desfazer-se em segmentos com barras diagonais?

120
CAPÍTULO 12

CIRCUITOS PARA RECEPTORES DE TV A CORES

A principal diferença entre os receptores a cores e os monocromáticos, além do


cinescópio está na seção de croma de 3,58 MHz, que os receptores a cores possuem.
Conforme ilustra a Fg. 12.1, o detector de vídeo fornece o sinal composto de vídeo a um
amplificador buffer, ou adaptador. Em seguida, o sinal de croma de 3,58 MHz vai para
os circuitos de cor, que proporcionam os sinais do vermelho, verde e azul para o tubo de
imagem a cores. A imagem reproduzida aparece na prancha colorida I. ( todas a
pranchas estão no Cap. 8).

Na seção de croma, a subportadora modulada de 3,58 MHz é selecionada e amplificada


em um amplificador de cor, cuja função é acionar os circuitos demoduladores de cor.
No demodulador, o sinal de croma modulado faz batimento com a sida senoidal de 3,58
MHz do oscilador de cor, a fim de recuperar a informação correspondente ao vermelho,
verde e azul para o tubo de imagem. A seção de croma regenera a subportadora de
3,58MHz necessária à demodulação.

Figura 12.1- Trajeto do sinal Y que produz imagens em branco e preto no receptor de
TV a cores.

121
O sinal de luminância (Y) também é necessário para proporcionar a informação em
branco e preto. Os sinais de vídeo em cores sobrepõem, então uma imagem colorida
sobre a imagem monocromática. Os requisitos especiais para o sinal de luminância em
um receptor a cores e os circuitos da seção de croma de 3,58 MHz são explicados nas
seguintes seções.

12.1 Produzindo a Imagem de Luminância

A imagem colorida fundamenta-se na imagem monocromática, também chamada de


imagem de luminância, ou em branco e preto. De fato a cor é adicionada a essa imagem
de luminância. Além disso, ela é adicionada somente em grandes áreas da imagem,
aquelas que correspondem a frequência de vídeo de 0,5 MHz que correspondem a
frequência de vídeo de 0,5 MHz ou menos.

Controles de Excitação R,G,B.

Caso a eficiência de emissão da luz fosse a mesma para os três fósforos, a relação entre
as tensões excitadoras de vídeo seria de 1:1:1 para os três canhões. Não confunda esses
valores com a proporção 30:59:11 entre R, G e B que compõem o sinal Y. As relações
de Y produzem uma escala de cinzas que aparece natural, de acordo com o que é
determinado pela resposta do olho humano. Contudo, os fósforos do tubo de imagem
não exibem a mesma eficiência de emissão da luz.

Controle de Contraste

O controle de contraste fica no amplificador Y de vídeo, como se vê na Fig.12.1. Ele


está situado no painel frontal da maioria dos receptores, de forma que possa ser
ajustado pelo telespectador.

Largura de Faixa de Vídeo

Para se obter toda a resolução de luminância de que o sistema é capaz, o amplificador Y


deve possuir uma resposta em altas frequência que se estenda, plana até os 4,2 MHz.
Essa resposta raramente é encontrada nos receptores a cores, no entanto.

Devido à presença dessa armadilha a largura de faixa do sinal Y é limitada em 3,2 MHz.
Essa frequência de vídeo possibilita uma resolução horizontal, máxima de 250 linhas
aproximadamente.

Nos receptores NTSC para melhorar a resolução pode se utilizar um filtro pente em
receptores mais sofisticados, tais como os modelos tipo telão e de projeção. O filtro
pente remove as bandas laterais da subportadora de cor, mas deixa ficar as harmônicas
mais elevadas de luminância. Como resultado a resposta Y de vídeo pode ser estendida
122
até 4,2 MHz, sem interferência de croma. Tal resposta em frequência corresponde a uma
resolução de 325 linhas. O mesmo filtro pente que elimina componentes de croma da
cadeira de luminância é usado para retirar o sinal de cor de 3,58 MHz para alimentar a
seção de croma. Nos receptores PAL a aplicação do filtro pente é mais complexa,
devido às características diferentes do entrelaço de frequências no espectro de vídeo.

Figura 12.2- Sinais necessários para a reprodução da imagem.

14.11 Necessidade da Linha de Retardo

Os sinais de luminância e crominância tomam caminhos diferentes após o detector de


vídeo. Eles se juntam novamente com o sinal Y e os sinais diferença de cor, nos
estágios somadores de saída, como se ve na Fig. 12.1. o trajeto da luminância é de
banda larga, com uma faixa de frequência aproximada de 0 a 3,2 MHz. O sinal de
croma porém tem uma banda bem menor de apenas 0,5 MHz. Esse valor é a largura de
faixa prática de cada uma das bandas lateral do sinal de croma modulado e das
frequências de vídeo, nos sinais de cor demodulados. Filtros passa baixa são colocados
aos os demoduladores de cor, a fim de restringir a largura de faixa a 0,5 MHz.

Como resultado da banda reduzida, os sinais de vídeo de faixa estreita exibem maior
retardo que o sinal de luminância. Os sinais de cor alcançam o tubo de imagem
atrasados, em comparação com o sinal de luminância. Ou, em outras palavras o sinal Y
chega cedo demais. Assim sendo, o sinal Y deve sofrer um retardo de modo que as
informações de luminância e cor sejam reproduzidas simultaneamente. O tempo de
atraso do sinal Y é de 0,8 micro segundos. A Fig. 12. 3 mostra um exemplo de retardo
de fase e o resultante atraso de tempo com uma onda quadrada aplicada a um simples
filtro RC passa baixas.

Esse mesmo tipo de retardo ocorre nos circuitos banda estreita de cor, fazendo com que
o sinal banda larga de luminância alcance cedo demais o tubo de imagem. Se essa

123
discrepância não for corrigida as áreas coloridas da imagem não irão encaixar nos
contornos fornecidos pelos sinais de luminância. Como a cor demora mais a chegar e a
varredura é feita da esquerda para a direita, as áreas coloridas da imagem ficarão
deslocadas para a direita. Além disso, as laterais anteriores dos objetos na imagem não
terão cor alguma. Tal combinação faz com que a cor vaze ao longo das laterais da
direita um efeito bastante evidente em letras e números coloridos, como os usados em
títulos de programas O resultado aparece ilustrado na Fig. 12.4 para o caso letra X.

A solução para os problemas consiste em introduzir um retardo de tempo na cadeia dos


amplificadores do sinal Y. O atraso inserido nesse sinal é equivalente a 0,8 micro
segundos.

O atraso necessário é proporcionado por uma linha de retardo como a da Fig. 12.5.
Corresponde a uma linha de transmissão onde o atraso é o tempo de propagação da
extremidade de entrada até a de saída. Além do tempo de retardo requerido, a linha deve
exibir uma impedância característica relativamente elevada entre 1000 a 2000 Ohms.
Essa impedância deve ser alta para evitar perdas de tensão do sinal, na entrada e na
saída. O ideal é que a impedância seja casada nas duas extremidades da linha. Na Fig.
12.5 a linha de retardo é confeccionada com muitas espiras de condutor fino, em torno
de um cilindro isolante.

Figura 12.3- Efeito de retardo de um simples filtro RC passa baixas.

Figura 12.4- Efeito visual do retardo na crominância.

124
12.4 Recursos Especiais dos Circuitos de FI

Nos receptores a cores, a parte do espectro de FI que inclui a frequência da subportadora


de cor é muito importante. O valor dessa FI de cor é de 45,75 – 3,58 = 42,17 MHz. As
bandas laterais de croma se estendem 0,50 MHz acima e abaixo dos 42,17 MHz com
toda a informação de cor. Na extremidade inferior, 42,17 – 0,5 =41,67 MHz., o que é
bastante próximo da portadora de FI de som de 41,25 MHz.

Ganho de FI Reduzido para Cor

É difícil estender, de forma plana, a faixa de FI até os 41,25 MHz porque iria se formar
flanco brusco no ponto em que a armadilha de som associada atuasse sobre a curva de
resposta. Tais variações abruptas na resposta em amplitude são acompanhadas por um
deslocamento não linear de fase. A distorção de fase provoca tonalidades incorretas em
pequenas áreas da imagem e em bordas verticais. A solução é proporcionar uma queda
gradual na resposta em amplitude, com subportadora FI de cor de 41,17 MHz com 50%
de resposta em relação ao topo, como se vê na Fig. 12.9a .

Figura 12.5- Localização da linha de retardo Y nos circuitos de vídeo.

125
Figura 12.6- Modo pelo qual o primeiro amplificador passa banda complementa a
resposta de FI, a fim de proporcionar um ganho uniforme , 0,5 MHz de cada lado da
subportadora de cor,(a) curva de resposta de FI, (b) entrada do amplificador, (c)
resposta do sinal de croma de 3,58 MHz.

Compensação da Frequência de Croma

O circuito de tomada de croma excita a seção de croma exibe um efeito de acentuação


que complementa os efeitos do amplificador de FI. Como se vê na Fig. 12.10, o sinal de
croma é aplicado no amplificador passa banda e um circuito de sintonia simples na
entrada, possui uma frequência de ressonância de 4,1 MHz. Este efeito de ressonância
coloca a subportadora de cor de 3,58 MHz na parte de inclinação da curva de resposta
da Fig. 12.9b. Aqui a banda lateral superior ao sinal de croma de 3,58 MHz está
próxima do pico, enquanto a banda lateral inferior é atenuada. É a mesma inclinação,
embora no sentido oposto, da curva de resposta de FI. Consequentemente o efeito global
para os sinal de croma é a resposta uniforme que se vê na Fig. 12.9c. Agora, o ponto de

126
3,58 MHz está no centro da curva com uma resposta simétrica de 0,5 MHz acima e
abaixo da subportadora.

Figura 12.7- O amplificador passa-banda é o início da secção de croma de 3,58 MHz.

Batimento de Som de 920 kHz

Outro problema encontrado em receptores a cores é o batimento de 920 kHz entre as


portadoras de cor e som. A separação entre elas : 4,5 – 3,58 = 0,92 MHz.

Esse batimento de som de 920 kHz pode ocasionar interferências na imagem.

Caso as portadoras de som e cor esteja ambas presentes no detector de vídeo o


batimento de 920 kHz tende a aparecer. O efeito de heterodinagem é essencialmente o
mesmo que produz o sinal de áudio de 4,5 MHz. O efeito visual desse batimento pode
ser observado desajustando-se o controle de sintonia fina do receptor. A interferência
aparece como um traçado em espinha de peixe em áreas colorida da imagem. A
frequência de 920 kHz corresponde a 58 barras diagonais e o desenho de espinha de
peixe é o efeito visual da modulação de áudio.

127
Detector de Som Separado de 4,5 MHz.

A eliminação do som associado da entrada do detector de vídeo significa que ele não
pode fornecer o batimento de 4,5 MHz para o sinal de áudio. Então outro detector a
diodo é necessário apenas para o som. Os dois detectores estão representados na Fig.
12.8. O detector de vídeo fornece o sinal composto de vídeo incluindo luminância e
crominância. O outro diodo, geralmente denominado detector de FI de som, produz o
sinal de áudio de 4,5 MHz.

Figura 12.8- Os receptores a cores exigem um detector de FI separado para excitar o


sistema de áudio de 3,58 MHz.

A entrada de FI para o detector de som de 4,5 MHz é tomada antes da armadilha de


41,25 MHz. Tanto a portadora de som como a de imagem são necessárias para o
batimento de 4,5 MHz. A resposta de FI na entrada do detector de som é semelhante a
resposta global de FI no detector de vídeo dos receptores monocromáticos.

12.5 Seção de Croma de 3,58 MHz

Uma vista geral da seção de croma de 3,58 MHz utilizada nos receptores PAL-M
aparece na Fig. 12.9 e seguintes. O sinal de croma de 3,58 MHz fica no vídeo composto
normalmente obtido a partir de um estágio adaptador de impedância tipo seguidor de
emissor, colocado logo após o detector de vídeo.

128
Figura 12.9- Diagrama de blocos da secção de croma de um receptor PAL-M.

Controle de Cor

Um controle de ganho no amplificador passa banda, comanda a amplitude do sinal de


croma enviado aos demoduladores. O controle varia a saturação especificamente de
cores fracas a intensas mas é normalmente chamado de controle de saturação ou
intensidade de cor.

Controle Automático de Cor

Esta função pode ser considerada um controle automático de ganho (CAG) do


amplificador de cor . Na Fig. 12.12 observe que o controle automático de cor (CAC)
comanda o primeiro amplificador passa banda. O controle manual de cor.

O CAC é necessário para compensar variações de sinal de croma de 3,58 MHz que
podem ser provocadas pelo seguinte:

1. Diferente respostas de RF no sintonizador pra diferentes canais.


2. Resposta em frequência não uniforme da antena.
3. Diferentes intensidade de sinal na antena para os vários canais.

O circuito CAC ajusta o ganho amplificador passa banda pela monitoração da amplitude
do burst de cor. Esse nível é o único fator do sinal de croma que não é afetado pelo
conteúdo da imagem.

129
A Linha de Atraso PAL e a Chave PAL.

Cada demodulador exige dois sinais de entrada (Fig. 12.12)

1. O sinal de croma de 3,58 MHz, cujas bandas laterais carregam a informação de


cor.
2. O sinal não modulado de uma subportadora de 3,58 MHz proveniente do
oscilador de cor. Esse sinal é reinserido para tomar o lugar da subportadora
suprimida na transmissão.

Os demoduladores de cor são detectores síncronos de amplitude. Podem ser chamados


de síncronos porque o nível de saída detectado depende da fase do sinal sem modulação
reinserido quando comparada com a fase do sinal de croma.

Regeneração da Subportadora

A parte inferior da Fig. 12.12 mostra o regenerador de subportadora que inclui um


oscilador de cor de 3,58 MHz. Também está incluído o sistema de controle automático
de frequência e fase da cor (CAFF). O objetivo do regenerador de subportadora é o de
gerar um sinal de 3,58 MHz sem modulação para os demoduladores de cor.

O oscilador de cor é controlado por um cristal que tem ressonância a 3,575611 MHz.
Além disso, o CAFF prende o oscilador na frequência e na fase da referência do sistema
que é o burst de cor.

12.7 O Amplificador Passa Banda de Cor

Dois estágios de amplificação estão ilustrados na Fig. 12.14, ambos sintonizados em


3,58 MHz. O primeiro estágio inclui circuito de acentuação com sintonia simples que
corrige a inclinação da curva de resposta de FI.

Como o sinal de croma que deixa o primeiro amplificador tem uma amplitude
relativamente baixa pode-se aplicar aí o CAG para o nível de cor. Vários métodos
diferentes podem ser aplicados no CAC, mas os requisitos básicos são os seguintes:

1. Tensão DC e controle para polarização a fim de controlar o ganho


automaticamente.
2. Tensão de polarização variável para o CAC proporcional à amplitude de burst
do sinal recebido.

130
Figura 12.10- Detalhes do amplificador passa-banda de cor.

12.8 Circuitos da Linha de Atraso PAL e a Chave PAL

Através da linha de atraso de 1H (período horizontal ou 64,5 micro segundos) pode se


separar as componentes U(ou B-Y) e V( ou R-Y) do sinal de croma modulado de 3,58
MHz. O circuito básico está na Fig. 12.15.

131
Figura 12.11- Linha de retardo PAL.

A partir do circuito acima podemos tirar as relações:

VB - VA = VL1

VB = VL1 + VA

VC = VL2 + VA

O sinal de croma é injetado no transmissor T1, cujo coletor aciona o circuito da linha de
atraso. No emissor está o sinal de croma com a mesma fase do sinal de entrada (sinal
direto) que é ligado ao ponto A na saída da linha de atraso. Esse sinal direto é somado
as tensões VL1 e VL2 que são retardadas de 1H em relação ao sinal de entrada da linha de
atraso.

Sabemos do Cap. 8 que o sinal de croma transmitido tem sua componente V invertida
em linhas alternadas. A Fig. 12.13a mostra a representação vetorial dessa situação do
sinal de croma direto recebido e detectado pelo receptor. Quatro linhas consecutivas são
representadas, a partir de uma linha X qualquer. As Figs. 14.13b e 14.13c mostram,
respectivamente a representação das tensões VL1 e VL2. A tensão VL2 é defasada a 180o
em relação a VL1 , tendo portanto suas duas componentes invertidas em relação aquela.

A tensão do sinal direto vai se somar às tensões VL1 e VL2 em B e C.

As Figs. 14.13d e 14.13e mostram as tensões em B e C obtidas através da soma das


componentes das tensões do ponto A com VL1 e VL2, respectivamente. Assim quando a
componente V se soa com –V, por exemplo, elas se cancelam.

132
Notamos que em B somente as componentes V e –V ( com amplitude dupla) que devem
ser aplicadas à chave PAL para refazer a inversão linha a linha antes de aplicar o sinal
ao demodulador V ( ou T).

Na Fig. 12.12 você tem mais detalhes sobre a operação da chave PAL e do circuito que
permite a identificação das linhas para sua correta operação.

Figura 12.12- O circuito da chave PAL e o eliminador de cor.

O controle da chave PAL origina-se da inversão de fase do sinal de burst linha a linha.
Vimos no Cap. 8 que o sinal de burst tem numa linha fase de 135º em relação a B-Y e
na linha seguinte -135 o. Portanto, o CAF do burst da um sinal alternado de frequência
fH/2 e de forma aproximadamente retangular (veja Fig. 12.14a). A parte positiva desse
sinal corresponde digamos a linha x para a qual o sinal V não deve ser invertido, e a

133
Figura 12.13- (a) O sinal direto, (b) sinais retardados de H na saída da linha de atraso,
(d) e (e) sinais separados segundo U e V.

parte negativa corresponde à linha x+1, para a qual o sinal –V deve ser invertido. O
sinal alternado vai ao identificador PAL, um circuito sintonizado em fH/2( 7,8kHz) .
Veja fig. 12.18b.

134
Figura 12.14- Formas de onda correspondente aos circuitos da chave PAL e eliminador
de cor, (a) saída do CAFF, (b) saída do identificador PAL, (c) saída do multivibrador.

A senóide de saída identificador é superposta aos pulso do transformador de saída


horizontal (fH). Se a senóide de identificação está na fase correta o multivibrador opera
também na fase correta e faz com que a chave PAL inverta a componente V na linha x
e não a inverta na linha x+1.

12.9 Circuito Eliminador de Cor

Em todos os receptores a cores, o circuito eliminador de cor desativa completamente o


amplificador passa banda de cor quando um sinal monocromático está sendo recebido.
Esse método utiliza a presença ou ausência do sinal de burst para determinar se o
programa é ou não em cores. A ausência de burst significa ausência de cor. Para cortar
o sinal de croma de 3,58 MHz, o circuito eliminador de cor polariza o segundo
amplificador passa banda de forma a deixa-lo fora de operação . Mais especificamente,
esse circuito utiliza um detector a diodo para proporcionar a polarização necessária ao
amplificador de cor. A sequência de operação pode ser resumida da seguinte maneira:

Para imagens a cores: o burst está presente. O diodo eliminador de cor fornece
polarização normal do amplificador passa banda. Seu sinal de croma de 3,58 MHz vai
para os demoduladores de cor.

Para imagens monocromáticas : não há burst de cor, os amplificadores são cortados.

135
Nos receptores PAL, o eliminador de cor opera a partir da senóide formada pelo
identificador PAL. Não havendo burst, não existe essa senóide ea tensão de polarização
leva o amplificador ao corte bloqueando o canal de crominância.

12.10 Demodulador de Cor

12.11 Sistema CAFF para o Sincronismo de Cor

O sistema CAFF do sincronismo de cor visa travar o oscilador de cor em frequência e


fase através do burst de sincronismo de cor. Lembre-se que o sincronismo de cor é uma
slava de 8 a11 ciclos em 3,58 MHz, no patamar posterior de cada pulso de apagamento.
O oscilador de cor regenera a subportadora de 3,58 MHz para a detecção dos sinais de
croma nos demoduladores. Utiliza-se para isso um oscilador senoidal a cristal, do qual
pode-se variar a frequência e fase , por meio de uma tensão DC de controle. O termo
VCO designa um oscilador controlado por tensão. Geralmente, a tensão DC variz a
capacitância de um diodo de capacitância variável( varactor), a fim de controlar esse
oscilador.

A tensão DC de controle é normalmente produzida por um comparador ou detector de


fase com dois diodos. O circuito compara a saída sem modulação de 3,58 MHz
produzida pelo oscilador com o burst de sincronismo de cor também, de 3,58 MHz. A
tensão DC de controle gerada pelo comparador pode então manter o oscilador de cor na
frequência e fase corretas. Um típico circuito CAFF pode ser visto na Fig. 12.22.

Detector de Fase

Os detalhes do detector de fase da Fig. 12.22 aparecem no circuito da Fig. 12.23. Os


diodos D1 e D2 comparam a fase de uma amostra da saída sem modulação gerada pelo
VXCO com o burst de cor separado vinda do amplificador do burst. Os dois diodos são
balanceados de modo a produzir uma saída nula na junção de R1 e R2 sempre que os
dois sinais de entrada estiverem defasados de 90o. Faz-se então de modo que ambos os
diodos tenham porções iguais do sinal de entrada. Qualquer relação de fase entre os dois
sinais de entrada que seja diferente de 90o resulta numa saída DC positiva ou negativa..

136
Figura 12.15- Sistema CAFF do tipo PLL para o sincronismo de cor

Separando o Burst de Sincronismo de Cor

O amplificador de burst da Fig. 12.16 é na verdade um separador de burst. Sua entrada


tanto pode ser o sinal composto de vídeo como o sinal de croma de 3,58 MHz que
também inclui o burst. Em muitos casos, a excitação para o amplificador de burst é
retirada da saída do primeiro amplificador passa banda, como se vê na Fig.. 12.10

O Receptor NTSC

A diferença básica entre um receptor NTSC e um receptor PAL está na seção de croma,
onde se faz o processamento do sinal de cor.

No sistema NTSC :

1. Não é usada uma linha de atraso para separação das componentes de sinal
modulado de 3,58 MHz para a demodulação e não existe chave inversora.
2. O circuito CAC detector de fase do burst NTSC dá um sinal praticamente
contínuo em vez de alternado.
3. Podem-se usar demoduladores de cor com bandas passantes distintas, embora
normalmente se utiliza demoduladores de mesma banda.
4. Existe uma maior criticidade quanto a tolerância referente a erros de fase no
sinal de cor, assim como erros diferenciais de amplitude do sinal em função da
frequência.

O diagrama de blocos da seção de croma de um receptor NTSC está na Fig. 12.16.

137
Figura 12.16- Diagrama em blocos da seção de croma de um receptor NTSC.

Demoduladores I e Q

A cor do sinal de vídeo detectado vai depender da fase do sinal sem modulação entregue
pelo oscilador , que serve como subportadora de 3,58 MHz para a demodulação. Um
método bastante óbvio consiste em fazer com que os dois demoduladores do receptor
atuem com os mesmos eixos de fase utilizados para os sinais I e Q na codificação da
câmera.

Os problemas existentes em um sistema de demodulação I-Q podem ser vistos no


diagrama da Fig. 12.17. Observe se a diferença nas larguras de faixa. O sinal Q exibe
duas bandas laterais de 600 kHz a partir de 3,58 MHz, ao passo que o sinal I possui
bandas laterais nessa faixa, mas dispõe apenas a banda inferior para frequências entre
600 kHz e 1,3 MHz. Assim sendo são necessários dois amplificadores passa banda
separados, um para aplicar o sinal ao demodulador Q e outro inserido na linha de sinal
de demodulador I. Sua resposta não é plana, mas enfatiza as frequências para as quais só
existe a banda lateral inferior.

138
12.17- Requisitos básicos do sistema demodulador I-Q

Demoduladores R-Y e B-Y (NTSC)

Um deslocamento de 33 o nos eixos de demodulação permite que os sinais de cor R-Y e


B-Y sejam decodificados diretamente em um receptor NTSC. Para saber como isto é
feito, vamos considerar os diagramas de fase da Fig. 12.18. Na Fig. 12.18a, por
exemplo, temos um vetor de cor magenta totalmente saturado, seus componentes em
termos de sinais I e Q são indicados pela extensão dos vetores correspondentes. Tais
valores são produzidos pelos demoduladores I e Q. Note que o vetor magenta está
definido em termos de componentes em quadratura.

Na Fig. 12.18b, vemos o mesmo vetor magenta porém desta vez definido em relação
aos comonentes R-Y e B-Y. A extensão desses dois vetores indica os valores do sinal de
vídeo produzido pelos demoduladores R-Y e B-Y . A diferença entre os vetores das
Figs. 12.18 a e 12.18b reside na fase do sinal do oscilador, que é deslocada em 33 o de Q
, para casar com a fase de B-Y. Além disso, B-Y está defasado em relação a R-Y. Pela
seleção adequada dos eixos do demodulador, é possível decodificar qualquer conjunto
desejado de valores de cor.

139
Figura 112.18- O tom magenta do sinal de croma NTSC, demodulado por duas formas
diferentes,(a) o magenta decomposto em seus componentes I-Q, (b) o magenta
decomposto em seus componentes (R-Y) e (B-Y).

A fig. 12.19 mostra um diagrama de blocos de um sistema desses, que demodula


diretamente os sinais de vídeo B-Y e R-Y de maneira similar à utilizada nos
recepotoeres PAL-M. A fase do sinal entregue pelo oscilador sestá deslocada de 90o
para o demodulador R-Y. Este é um método bem mais simples que o da demodulação
I-Q. A largura de faixa do amplificador de cor é de 0,5 ou 0,6 MHz em ambos os canais
de cor e não há nexcessidaded de um retardo de cor para balancear os canais. O sinalG-
Y é gerado pormio do divisoer formanado por R1 e R2. O coruito resolve a equação
mencionda para –(G-Y e em seguida o inversor altera a fase para G-Y.

140
Figura 12.19- Diagrama em blocos do sistema demodulador NTSC baseado nos sinais
R-Y e B-Y

Questões

1. Qual é a função do circuito eliminador de cor?


2. Qua é a função do estágio CAFF no oscilador de cor?
3. Explique com poucas palavras como um batimento de interferência de 920 KHz
pode ser produzido.
4. Quantas barras podem ser produzidas por um sinal de vídeo de 920 KHz?
5. Qual a função da linha de retardo Y?

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Curso: Sistemas de Televisão


Prof. Gilberto Arantes Carrijo

Referências:

1- Bernard Grob, Televisão e Sistemas de Vídeo, Guanabara


2- Hervé Benoit, Digital Television, Eselvier, 2008.
3- Charles Poynton, Digital Vídeo and HDTV, Morgan Kaufmann Publishers-
Eselvier, 2007.
4- Gerald W. Collins, Fundamentals of Digital Television, John Wiley and Sons,
N. Y., 2001.
5- Marcelo, S. de Alencar, Televisão Digital, Érica, 2010,São Paulo.

Avaliação:

Provas: 3 provas( 85 pontos)

1- 28 de setembro 2015 ( 30 pontos)


2- 26 outubro de 2015 (30 pontos)
3- 14 de dezembro de 2015 (25 pontos)

Trabalhos: 15 pontos

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