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O ambiente epistemológico e a credibildiade da pesquisa no

campo da educação: questões em debate


RAIMUNDA MARIA CUNHA RIBEIRO*

Resumo
Este artigo de cunho teórico traz em seu contexto algumas reflexões sobre o
processo de transformação da ciência, na perspectiva da Filosofia da Ciência e os
respectivos paradigmas pelos quais deram e continuam dando suporte ao campo
científico. A educação é um campo de pesquisa que recebe uma série de críticas,
alegadas a partir do fato que este campo não tem sustentação própria, no sentido de
responder as inúmeras indagações da ciência. O objetivo deste estudo é fazer uma
reflexão acerca da educação enquanto campo científico e sua respectiva
credibilidade no contexto da pesquisa. A metodologia seguida foi do tipo qualitativa,
fundamentada pela análise da literatura de filósofos da ciência (Kunh, Latuour,
Bourdieu, Severino, Japiassú, Esteban) e também, de pesquisadores da área da
educação (Charlot, Malta, Lüdke e André, Moreira e Caleffe). As reflexões apontam
a educação para um campo científico que, como qualquer outro campo, requer rigor
metodológico, fundamentos epistemológicos, credibilidade e legitimidade.
Palavras-chave: ciência; investigação; credibilidade.
Abstract
This theoretical article brings in context some reflections on the process of
transformation of science from the perspective of philosophy of science and its
paradigms by which gave and continue to give support to the scientific field.
Education is a field of research that receives a lot of criticism, allegedly from the
fact that this field does not own support, to answer the numerous questions of
science. The aim of this study is to reflect about education as a scientific field and
accompanying credibility in the context of research. The methodology was the
qualitative type, based the analysis of the literature of philosophers of science (Kunh,
Latuour, Bourdieu, Severino, Japiassú, Esteban) and also of researchers from the
field of education (Charlot, Malta, Lüdke and Andrew Moreira and Caleffe).
Reflections pointed education for a scientific field that, like any other field, requires
methodological rigor, epistemological foundations, credibility and legitimacy.
Key words: science; research; credibility.

*
RAIMUNDA MARIA CUNHA RIBEIRO é Doutora em Educação. Professora Adjunta da
Universidade Estadual do Piauí (UEPI).

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Introdução da literatura de filósofos da ciência
(Kunh, Latuour, Bourdieu, Severino,
A pesquisa científica já foi considerada
Japiassú, Esteban) e também, de
uma atividade exclusiva das “ciências
pesquisadores da área da educação
duras”, ou seja, aquelas áreas do
(Charlot, Malta, Lüdke e André,
conhecimento científico, as quais
Moreira e Caleffe). Portanto, pode-se
exigem observação, testagem de
dizer que foi utilizado o parâmetro da
hipóteses, experimentação e
análise e interpretação de fundamentos
comprovação matemática. Por assim
teóricos acerca da pesquisa no campo da
dizer, são campos de pesquisa que
educação.
adotam o paradigma tradicional de
investigação. 1. O campo científico
O processo histórico do modo de Em sentido amplo, o termo ciência
concepção do conhecimento científico significa conhecimento advindo de uma
evoluiu conforme a necessidade de se prática sistemática. Na perspectiva de
aprofundar investigações acerca do campo científico, esta se refere a um
campo social e humano. Assim, os modo de adquirir conhecimento baseado
pesquisadores das áreas sociais no rigor do método, atrelado às
entenderam que outros paradigmas de exigências internas da comunidade
pesquisa também poderiam ser científica. Na história da cultura
considerados válidos e dotados de ocidental anterior ao século XVII
credibilidade no campo científico. Este predominou uma determinada ideia de
fenômeno revela que o conhecimento ciência, herdada em grande parte do
científico existe para além das ciência pensamento grego e, em parte mais
naturais, fazendo-se perceptível nas tarde, dos pensadores da Idade Média
ciências sociais. (ESTEBAN, 2010). A ciência era,
portanto, um saber seguro. Por assim
A educação, por exemplo, uma ciência
dizer, fazer ciência é fazer investigação
social, adota o paradigma interpretativo
racional (pesquisas) remetendo-se à
no processo de construção do
ideia de descobrir a “verdade”, levando-
conhecimento científico. É fundamental
se em consideração os paradigmas
que se reconheça a identidade, a
válidos. A ciência nasceu na
importância e a utilidade dos estudos de
modernidade, quando se fez uma crítica
ordem experimental, embora no
cerrada ao modo metafísico de pensar e
contexto atual do campo científico,
de, supostamente, conhecer. Esse modo
estudos interpretativos têm ganhado
metafísico era fundado na crença de que
espaço significativo, uma vez que
se podia, sob as luzes da razão, chegar à
reconhecem que não podem abrir mão
essência (conjunto de características
do rigor metodológico e epistemológico
permanentes que realizavam a
no processo investigativo.
identidade de cada ser) das coisas, dos
Este artigo parte da seguinte entes e dos objetos (SEVERINO, 2007).
problemática: o que constitui o campo
Neste contexto, a Sociologia e a
cientifico e suas implicações na
Filosofia da Ciência repousavam no
pesquisa na área da educação. Assim, o
postulado de que a verdade científica
objetivo deste estudo é fazer uma
residia numa espécie particular de
reflexão acerca da educação enquanto
condições sociais de produção e
campo científico e sua respectiva
estudavam a influência de fatores
credibilidade no contexto da pesquisa. A
externos no desenvolvimento da ciência.
metodologia seguida foi do tipo
Assim, Severino (2007) e Japiassú
qualitativa, fundamentada pela análise
(2001), por exemplo, explicam que na

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modernidade, a ciência tornou-se A partir do Renascimento, os modernos
instância hegemônica de conhecimento, começaram a questionar o paradigma
ao se propor como substituta da dominante, da racionalidade científica,
metafísica. No pensamento moderno, a de conhecer a essência das coisas.
metafísica perde, em grande parte, seu Argumentavam que não era possível se
lugar central no sistema filosófico, uma conhecer a essência, mas era possível
vez que as questões sobre o conhecer os fatos e os fenômenos. “A
conhecimento passavam a ser tratadas ciência apreende seus objetos como
como logicamente anteriores à questão fenômenos – ela se atém a essa
do ser, ao problema ontológico. Dessa fenomenalidade” (SEVERINO, 2007, p.
forma, os modernos conceberam a 110). Com as vantagens do
ciência como sendo a única modalidade conhecimento científico para a
de conhecimento válido, portanto, explicação dos fenômenos naturais e em
também universal e verdadeiro. Assim decorrência dos seus pressupostos
sendo, para os modernos, só existiria um filosóficos, a ciência passou a perceber
único método: o método científico também o homem como objeto de seu
sustentado na observação, conhecimento, a ser abordado da mesma
experimentação e mensuração. Foi sob forma que os outros fenômenos naturais.
essa perspectiva de unicidade Como pretendia Comte, percebia-se a
metodológica que se formou e se possibilidade de constituir uma física
desenvolveu o sistema das Ciências social, análoga à física natural.
Naturais; e também, sob essa inspiração Os paradigmas da ciência indicam que o
que vingou a proposta de se criar, a processo da pesquisa científica acontece
partir do século XVIII, o sistema das num contexto social, numa comunidade
Ciências Humanas. de pesquisadores que partilha de
Depois de conhecer o mundo físico com concepções similares em determinadas
base na metodologia experimental- questões, métodos, técnicas e formas de
matemática, a ciência se propôs explicações (SPARKERS, 1992). Essas
conhecer também o mundo humano, concepções similares foram, aos poucos,
segundo o mesmo paradigma. Nascia sendo utilizadas no campo da ciência
ideia da epistemologia positivista. O com a denominação de paradigma, ou
positivismo caracterizava-se pela seja, aquilo que os membros de uma
valorização de um método empirista e comunidade científica partilham e,
quantitativo e pela defesa da experiência inversamente, uma comunidade
sensível como fonte principal do científica consiste em indivíduos que
conhecimento. O positivismo, na partilham um paradigma (JAPIASSÚ,
concepção de Severino (2007, p 109), é 2001).
uma expressão da filosofia moderna que O pensamento de Thomas Kuhn (2006)
entende que o sujeito “põe” (grifos do ocupou-se, principalmente, do estudo da
autor) o conhecimento a respeito do ciência, esclarecendo o contraste entre
mundo, mas o faz a partir da experiência duas concepções: a ciência entendida
que tem da manifestação dos fenômenos. como uma atividade puramente racional
Na perspectiva desse paradigma e controlada; a ciência entendida como
epistemológico, a única forma segura de uma atividade concreta que se dá ao
conhecimento é aquela praticada pela longo do tempo e que em cada época
ciência, que dispõe de instrumentos histórica apresenta peculiaridades e
técnicos aptos a superar as limitações características próprias. Em sua opinião,
subjetivas da percepção. a ciência está encharcada de aspectos
históricos e sociológicos que rodeiam a

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atividade científica, e não só de aspectos “verdade” (não absoluta), sendo esta a
lógicos e empíricos (formalistas). razão de ser da ciência. Neste sentido,
Percebe-se aqui, a emergência de um Latour (2001) chega a firmar que se os
novo paradigma no mundo da ciência. estudos científicos lograram alguma
A ciência como um campo social, com coisa, certamente foi acrescentar
suas relações de força e monopólio, suas realidade à ciência, não o contrário.
lutas e estratégias, seus interesses e Pode-se perceber, no entanto, que
lucros é o que sustenta a teoria de Pierre Latour quer retratar a relação da ciência
Bourdieu. Este admite que existe no com o ser humano, porque apesar da
mundo social, estruturas objetivas que objetividade desta, a prática laboratorial
podem dirigir, ou melhor, coagir a ação tem história, flexibilidade, cultura e
e a representação dos indivíduos. No sangue. Há que se remeter à ideia da
entanto, tais estruturas são construídas relação existente entre o cientista e o
socialmente, assim como os esquemas filósofo da ciência, considerando que o
de ação e pensamento, chamados de filósofo da ciência não quer acabar com
habitus (BOURDIEU, 1997). Seus a ciência, mas, sobretudo compreendê-la.
estudos se fortalecem na ideia de que a A ciência é, portanto, em grande medida,
luta pelo monopólio da competência da impulsionada pelas motivações pessoais
ciência configura-se no espaço de jogo dos cientistas e suas inserções externas
de uma luta correlacional, que ele aos laboratórios. Somente os interesses
denomina de campo científico. Este expressos nas motivações pessoais e nos
espaço admite duas formas diferentes de condicionamentos sociais explicariam
capital: o capital político e o capital os consensos que se formam em torno
científico. de certas crenças científicas (LATOUR,
Bourdieu (1997) elenca algumas 2001). Mas, se as ciências não falam do
questões-chave no desenvolvimento de mundo, apenas constroem
sua teoria: Quais os usos sociais da representações, é porque, certamente,
ciência? É possível fazer uma ciência da explicam a natureza em todas as suas
ciência? É possível descrever e orientar dimensões e não um mundo restrito pré-
os usos sociais das ciências? O campo construído pelo cientista. Acredita-se
científico está em constante movimento que o mundo científico é construído
com outros campos, inclusive com o tomando como base a contribuição de
mundo social e econômico: “É preciso áreas diversas, pelo fato da prática
escapar à alternativa da ‘ciência pura’, científica partir de diferentes formas de
totalmente livre de qualquer necessidade olhar, entender e representar o mundo.
social, e da ‘ciência escrava’, sujeita a Aqui destacamos a educação como um
todas as demandas político-econômicas” campo com suas peculiaridades
(p. 21 – grifos do autor). Esta relação é científicas, metodológicas e
configurada com certo grau de epistemológicas.
autonomia, isto é, uma autonomia 2. A pesquisa no campo da educação
parcial, no sentido de estabelecer o
A pesquisa educacional costuma situar-
equilíbrio entre o campo científico e o
se na segunda metade do século XIX,
campo social. No mundo científico há
começando estreitamente vinculada com
sempre a marca das lutas, num jogo de
a pesquisa em Psicologia, coincidindo
força pelo reconhecimento e pelo
com o grande desenvolvimento das
prestígio, num contexto de relações de
ciências naturais e suas repercussões nas
dominação.
demais áreas do conhecimento humano.
O campo científico tem a pretensão de Tradicionalmente, no contexto da
produzir algo, ou seja, produzir pesquisa educacional, o conceito de

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paradigma veio identificar inicialmente A função social da ciência é estar a
duas tendências que foram denominadas, serviço da vida e, nesse sentido, a
por um lado, como empírico-analítica, pesquisa em educação tem como
positivista e, por outro lado, como finalidade primeira reconhecer a relação
hermenêutica e interpretativa. Esta existente entre educação e sociedade
classificação representa dois paradigmas para um projeto de transformação e
contrapostos: paradigma clássico, emancipação, observando os
racionalista e quantitativo; paradigma compromissos sociais e políticos.
emergente, interpretativo e qualitativo Severino (2007), Charlot (2006), André
(ESTEBAN, 2010). (2001), Malta (2009) consideram que
um dos desafios para a instauração da
Como, então produzir conhecimento
cientificidade da pesquisa no campo da
rigoroso no campo da educação? É
educação parte da necessidade de
possível fazer ciência da educação, por
compreender a especificidade da própria
caminhos e parâmetros de cientificidade
educação.
nesse contexto de crise de paradigma
das ciências? A priori, pode-se dizer, A educação, então, não se configura
que não há uma resposta totalizadora, como uma ciência? Charlot (2006, p. 7)
mas existem diferentes proposições ou chama a atenção dos pesquisadores
recomendações, para que se possa deste campo: “[...] somos nós,
compreender o lugar da educação no pesquisadores debruçados em estudos
mundo da ciência, muito embora, a em educação ou sobre educação?”
pesquisa neste campo, seja dotada de (grifos nossos). Aqui, trata-se da
características e fragilidades que lhes especificidade da educação como um
são peculiares campo de conhecimento e de pesquisa e
os muitos desafios na instauração desta
Em análise às proposições de Severino
como uma disciplina específica. É,
(2007), embora, aqui apresentadas numa
portanto, nesta perspectiva, um campo
perspectiva mais técnica que crítica,
de saber fundamentalmente mestiço em
acerca da pesquisa em educação, é
que se cruzam e se fecundam, por um
possível extrair três vertentes de seu
lado, conhecimentos, conceitos e
entendimento sobre este assunto:
métodos originários de campos
pressupostos condicionantes, desafios
disciplinares múltiplos, e, de outro lado,
epistemológicos e posturas dialógicas.
saberes, práticas e realidade social e
Os pressupostos condicionantes são: a política (p. 9). A ciência da educação se
relevância social do conhecimento, a desenvolveu e vem se desenvolvendo
natureza construtiva do processo do fundada numa certa
conhecer e a pós-graduação como lugar pluridisciplinaridade, tanto pela
de pesquisa. Os desafios para a diversificação da ciência pedagógica
instauração da cientificidade do quanto pelo contato desta com outras
campo educacional são: como tornar o ciências (Ex: Sociologia, Filosofia,
sujeito objeto do conhecimento, como Psicologia, Antropolgia). Esteban (2010)
tornar científico o conhecimento concordando com esta perspectiva,
educacional, como superar o explica que a pesquisa educacional está
enviesamento ideológico no campo integrada no conjunto das Ciências da
educacional. As atitudes dialógicas do Educação, as quais se inserem no
pós-graduando pesquisador são: conjunto das Ciências Humanas e
dialogar com seu objeto, diálogo com Sociais. A relação entre ambas se deve
seus pares, expandir a vida científica e ao fato de compartilharem o objeto de
mergulhar na cultura humana (grifos do
autor).

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estudo, que é o ser humano em suas três perspectivas: empírico-analítica –
distintas dimensões sociais e culturais. de base positivista; humanista-
interpretativa, de base
A pesquisa no campo da educação é
fenomenológica/hermenêutica; crítica –
importante e necessária, mas não é uma
com base na tradição sociocrítica.
tarefa fácil, dada a complexidade do
processo investigativo. Para Moreira e Opiniões divididas. De um lado, o
Caleffe (2008), tanto o processo quanto reconhecimento da pesquisa em
os resultados da pesquisa devem ser educação, a qual passou a ser
vistos criticamente e com certo grau de amplamente inserida no currículo
precaução. A pesquisa educacional é um vigente das faculdades de educação,
processo que exige rigor científico, como fruto de seu forte enraizamento e
epistemológico e metodológico, embora suas valiosas contribuições,
seja um campo em que os considerando um status da pesquisa em
investigadores adotam quase sempre o educação em alto nível de qualidade
paradigma interpretativo e subjetivo e, comparado ao de outras disciplinas
portanto, sua credibilidade depende da (ESTEBAN, 2010). De outro lado,
seriedade do processo e da finalidade da menos otimismo: a pesquisa em
investigação. educação apresenta alguns problemas
quanto à cientificidade, assim apontados
A alternativa não é o retorno ao
por Malta (2009): é pouco objetiva, é
paradigma tradicional da ciência, no
fragmentada e distanciada dos
qual adotava critérios “duros” de
problemas educacionais considerados
cientificidade: validade, fidedignidade e
mais urgentes. O debate sobre a
generalização. Mas, é necessário adotar
cientificidade da pesquisa em educação
critérios de rigor em nome da qualidade.
gira em torno da falta de rigor no
Marli André (2001) chama a atenção
processo e de aportes teóricos e
para o ideal de cientificidade da
metodológicos mais consistentes. A
pesquisa em educação: planejamento,
crise da ciência da educação coloca a
coleta de dados mediante procedimentos
pesquisa nesta área como pouco
rigorosos, análise densa e fundamentada
utilitária e pouco científica,
e relatório descrevendo claramente o
corroborando com a crise da ciência, já
processo e os resultados alcançados
consolidada como uma crise de
3. A credibilidade da pesquisa no paradigma.
campo da educação
A pesquisa no campo da educação
Estéban (2010), Severino (2007), apresenta diante de novos desafios, dada
Charlot (2006), Lüdke e André (1986), às mudanças de esferas de vida, de
André (2001), Malta (2009) reconhecem comportamentos da sociedade e, assim,
que foi e continua sendo realizado um o surgimento de novos delineamentos
grande esforço para sintetizar a das políticas educacionais, para dar
variedade epistemológica e conta de tais desafios. Para Lüdke e
metodológica da pesquisa educacional. André (1986), para responder às
A variedade de enfoques, a articulação questões propostas pelos atuais desafios
de métodos e a emergência de novas da pesquisa educacional, começaram a
realidades que demandam uma surgir novos métodos de investigação e
aproximação multidisciplinar à abordagens diferentes dos enfoques
realidade revelaram a dificuldade de metodológicos empregados
sintetizá-la em poucas linhas tradicionalmente. Tais questões vêm
paradigmáticas. A pesquisa educacional fortemente influenciadas por uma nova
pode ser agrupada, de modo geral, em atitude de pesquisa, a qual coloca o

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pesquisador no meio de uma cena BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência:
investigada, participando dela e por uma sociologia clínica do campo científico.
Tradução de Denise Barbara Catani.
tomando partido na trama da peça. Conferência e debate organizados pelo grupo
Ainda argumentam as autoras, que na Sciences em Questions. Paris, INRA, 1997.
base das tendências atuais da pesquisa
CHARLOT, Bernard. A pesquisa educacional
em educação se encontra a legítima e entre conhecimentos políticos e práticas:
dominante preocupação com os especificidades e desafios de uma área do saber.
problemas do ensino. E é nesse sentido Revista Brasileira de Educação, v.11, nº 31,
que a pesquisa deve atacar mais jan/abr, 2006, p. 6-95.
frontalmente, com o objetivo de prestar ESTEBAN, Maria Paz Sandin. Pesquisa
a contribuição que sempre deveu à qualitativa em educação: fundamentos e
educação. tradições. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Considerações finais
JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo.
O conhecimento é elemento específico Dicionário básico de Filosofia. Rio de Janeiro:
fundamental na construção do destino Jorge Zahar Editor, 2001.
da humanidade, argumenta Severino
(2007). Para o autor, daí nasce a
LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora:
relevância e a importância da educação,
ensaios sobre a realidade dos estudos científicos.
pois sua legitimidade advém exatamente Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa.
de seu vínculo íntimo com o Bauru-SP: EDUPSC, 2001.
conhecimento. LÜDKE, Menga e ANDRÉ, Marli. Pesquisa em
De modo geral, a educação pode ser educação: abordagens qualitativas. São Paulo:
EPU, 1986 (Temas Básicos de Educação e
conceituada como o processo mediante
Ensino).
o qual o conhecimento se produz, se
reproduz, se conserva, se sistematiza, se KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções
científicas. Tradução de Beatriz Vianna Boeira
organiza, se transmite e se universaliza. e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 2006.
Pode-se dizer que a pesquisa supõe a MALTA CAMPOS, Maria. Para que serve a
investigação científica, sistemática e pesquisa em educação? São Paulo: Cadernos
crítica, com a finalidade de contribuir de Pesquisa, vol. 39, n. 136, jan/2009, p. 269-
com o avanço do conhecimento para 283.
fins de desenvolvimento da humanidade, MOREIRA, Herivelton e CALEFFE, Luiz
em suas múltiplas dimensões: social, Gonzaga. Metodologia de pesquisa para o
política, ambiental, cultural e econômica. professor pesquisador. Rio de Janeiro:
Lamparina, 2008.
Para tanto, a educação enquanto campo
científico, apesar das críticas e entraves SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do
Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2007.
que encontra pelo caminho, não poderá
abrir mão do rigor metodológico, dos SPARKES, A. The pardigm debate: na extended
fundamentos epistemológicos, da review and a celebration of deference. In:
SPARKES, A. Research in physical education:
credibilidade e da legitimidade. exploring alternative visiona. Lewes: Falmer
Press, 1992, p. 9-60.

Referências
ANDRÉ, Marli. Pesquisa em educação: Recebido em 2015-09-29
buscando rigor e qualidade. São Paulo: Publicado em 2016-04-15
Cadernos de Pesquisa, n. 113, p. 51-64,
julho/2001.

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