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DIREITO EMPRESARIAL III

Contratos Interempresariais e
Títulos de Crédito
Prof. Raphael Fraemam

Graduação: 2018.1
Direito - UFPE
DIREITO EMPRESARIAL III
Contratos Interempresariais e Títulos de Crédito

SUMÁRIO

01. História do Direito Contratual e Introdução aos Contratos Interempresariais...................03

02. Teoria Geral dos Contratos Interempresariais .......................................................................06

03. Compra e Venda Mercantil .............. ........................................................................................10

04. Arrendamento Mercantil (Leasing)..........................................................................................13

05. Locação Comercial e Contrato de Shopping Center...............................................................18

06. Contratos de Colaboração e Contrato de Comissão Mercantil .............................................24

07. Representação Comercial, Distribuição Mercantil e Concessão Mercantil..........................28

08. Contrato de Franquia.................................................................................................................34

09. Contratos Eletrônicos.................................................................................................................37

10. Primeiro Exercício de Avaliação...............................................................................................38

11. Teoria Geral dos Títulos de Crédito............................................. ............................................38

12. Letra de Câmbio................................. ........................................................................................40

13. Nota Promissória e Cheque.......................... .............................................................................43

14. Duplicata ....................................................................... .............................................................49

15. Segundo Exercício de Avaliação ................................................... ...........................................53


Contratos Interempresariais
 
AULA 01 - HISTÓRIA DO DIREITO CONTRATUAL E
INTRODUÇÃO AOS CONTRATOS INTEREMPRESARIAIS

I. Do Dualismo ao Trialismo Contratual


- Código Comercial e Código Civil
- Art. 121 do Código Comercial

Art. 121 - As regras e disposições do direito civil para os contratos em geral são
aplicáveis aos contratos comerciais, com as modificações e restrições
estabelecidas neste Código.

- Critério subjetivo
- Código de Defesa do Consumidor (1990)
- Como aplicar/definir o regime contratual?
- Enfraquecimento do critério subjetivo
- Unificação do Direito Privado (Código Civil de 2002)
- Ainda existem contratos empresariais?
- Se sim, qual o sentido?
- Para quê servem?

II. A evolução do Direito Contratual


- O contrato e a Alexandrita
- O modelo liberal de contrato
i) Código Comercial de 1850 e Código Civil de 1916
ii) Igualdade formal
iii) Pacta sunt servanda
iv) Problemas: a) desigualdades; b) burguesia
- Transição (Estado Social)
i) Constituição de 1934
ii) Função social e relativização
iii) Equivalência material
iv) Vinculação ético-social
v) Recuo do formalismo
- Modelo solidarista de contrato
i) Código Civil (1916) x Constituição Federal e CDC
ii) Código Civil de 2002
a) Lesão
b) Abuso de direito
c) Onerosidade excessiva
d) Boa-fé objetiva
e) Eticidade e socialidade
- “Morte” do Contrato
- Crise do Estado Social
- Ferramentas defeituosas?
- O direito civil constitucional x o direito civil contemporâneo
- Os desafios do direito contratual

III. O Trialismo Contratual


- O que é um contrato empresarial?
- Empresarial ou interempresarial?
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Contratos Interempresariais
 
- Contrato consumerista
- Art. 2o, caput, do CDC

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza


produto ou serviço como destinatário final.

- Destinatário final
i) Finalistas
ii) Maximalistas
iii) Finalismo aprofundado
- Redefinição do conceito
i) Leigo x Leigo (civil)
ii) Leigo x Comerciante (consumerista)
iii) Comerciante x Comerciante (?)
- O objeto do contrato importa?
- Considerações gerais acerca do tratamento contratual
- Tendência de produção de contratos atípicos
- Enunciados 20 e 21 da I Jornada de Direito Comercial

“20. Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos contratos celebrados


entre empresários em que um dos contratantes tenha por objetivo suprir-se de
insumos para sua atividade de produção, comércio ou prestação de serviços.”

“21. Nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser mitigado, tendo
em vista a simetria natural das relações interempresariais.”

- Desafios de uma Teoria Geral dos Contratos (inter)empresariais


- Constitucionalização dos contratos

IV. Interpretação contratual


- Práticas e usos
- Causa contratual
- Mercado

V. Peculiaridades dos contratos empresariais


- Extensão da autonomia privada
- Função econômica
- Escopo de lucro
- A tutela da confiança
- Relevância dos usos e costumes
- Dependência econômica
- Usos internacionais

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

BENJAMIM, Antônio Herman V.; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo


Roscoe. Manual de Direito do Consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2012, p. 85-115.

FORGIONI, Paula. A. Contratos Empresariais: teoria geral e aplicação. São


Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 23-44.

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Contratos Interempresariais
 

FORGIONI, Paula. A. Contratos Empresariais: teoria geral e aplicação. São


Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 233-265.

LEAL, Larissa Maria de Moraes; ALBUQUERQUE JR. Roberto Paulino de. A


Resolução do Contrato por Onerosidade Excessiva no Código Civil
Brasileiro de 2002 e sua Aplicação no Superior Tribunal de Justiça. Em:
CAMPOS. Alyson Rodrigo Correia e CASTRO JÚNIOR, Torquato da Silva. Dos
Contratos; Recife. Ed: Nossa Livraria, 2012, p. 559-583.

TIMM, Luciano Benetti. Direito Contratual Brasileiro: críticas e alternativas ao


solidarismo jurídico. São Paulo: Atlas, 2015, p. 34-138.

VIANA, Raphael Fraemam Braga; e CARNEIRO FILHO, Humberto João. Breve


ensaio sobre a autonomia dos contratos interempresariais. Revista de
Direito Privado. vol. 63. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015.

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Contratos Interempresariais
 
AULA 02 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
INTEREMPRESARIAIS

I. Formação dos Contratos Interempresariais


- Elemento subjetivo e elemento objetivo
- Experts
- Escopo de lucro
- Risco empresarial
- Usos e costumes
- Game of Contracts
- Intervenção estatal: níveis de interferência (consumerista, civil, empresarial)
- Relação de desigualdade por natureza
- Princípios contratuais do direito empresarial (liberdade de iniciativa e livre
concorrência)
- A ótica pensada para os princípios contratuais sociais
- Necessidade de segurança no tráfico comercial
- Flexibilidade e Agilidade
- Enunciados 20 e 21 da I Jornada de Direito Comercial

“20. Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos contratos celebrados


entre empresários em que um dos contratantes tenha por objetivo suprir-se de
insumos para sua atividade de produção, comércio ou prestação de serviços.”

“21. Nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser mitigado, tendo
em vista a simetria natural das relações interempresariais.”

- Análise do REsp 1025472/SP e do REsp 932.557/SP

RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ÁGUA. CONSUMIDOR.


DESTINATÁRIO FINAL. RELAÇÃO DE CONSUMO. DEVOLUÇÃO EM
DOBRO DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE. APLICAÇÃO DOS
ARTIGOS 2º E 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 8.078/90. I - "O conceito de
"destinatário final", do Código de Defesa do Consumidor, alcança a empresa ou
o profissional que adquire bens ou serviços e os utiliza em benefício próprio"
(AgRg no Ag nº 807159/SP, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, DJ de
25/10/2008). II - No caso em exame, a recorrente enquadra-se em tal
conceituação, visto ser empresa prestadora de serviços médico-hospitalares, que
utiliza a água para a manutenção predial e o desenvolvimento de suas
atividades, ou seja, seu consumo é em benefício próprio. III - A empresa por ser
destinatária final do fornecimento de água e, portanto, por se enquadrar no
conceito de consumidora, mantém com a recorrida relação de consumo, o que
torna aplicável o disposto no artigo 42, parágrafo único, da Lei 8.078/90. IV -
Recurso especial conhecido e provido

(STJ - REsp: 1025472 SP 2008/0013316-6, Relator: Ministro FRANCISCO


FALCÃO, Data de Julgamento: 03/04/2008, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de
Publicação: DJ 30.04.2008 p. 1)

DIREITO DO CONSUMIDOR. PESSOA JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA DE


VIOLAÇÃOAO ART. 535 DO CPC. UTILIZAÇÃO DOS PRODUTOS E
SERVIÇOS ADQUIRIDOS COMO INSUMOS. AUSÊNCIA DE
VULNERABILIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DAS NORMASCONSUMERISTAS.
1. Inexiste violação ao art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem, embora
sucintamente, pronuncia-se de forma suficiente sobre a questão posta nos autos,
sendo certo que o magistrado não está obrigado a rebater um a um os
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Contratos Interempresariais
 
argumentos trazidos pela parte se os fundamentos utilizados tenham sido
suficientes para embasar a decisão. 2. O art. 2º do Código de Defesa do
Consumidor abarca expressamente a possibilidade de as pessoas jurídicas
figurarem como consumidores, sendo relevante saber se a pessoa - física ou
jurídica – é "destinatária final" do produto ou serviço. Nesse passo, somente se
desnatura a relação consumerista se o bem ou serviço passa a integrar a cadeia
produtiva do adquirente, ou seja, torna-se objeto de revenda ou de
transformação por meio de beneficiamento ou montagem, ou, ainda, quando
demonstrada sua vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica frente à outra
parte. 3. No caso em julgamento, trata-se de sociedade empresária do ramo de
indústria, comércio, importação e exportação de cordas para instrumentos
musicais e afins, acessórios para veículos, ferragens e ferramentas, serralheria
em geral e trefilação de arames, sendo certo que não utiliza os produtos e
serviços prestados pela recorrente como destinatária final, mas como insumos
dos produtos que manufatura, não se verificando, outrossim, situação de
vulnerabilidade a ensejar a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. 4.
Recurso especial provido.

(STJ - REsp: 932557 SP 2007/0052266-7, Relator: Ministro LUIS FELIPE


SALOMÃO, Data de Julgamento: 07/02/2012, T4 - QUARTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 23/02/2012)

II. Boa-Fé nos Contratos Interempresariais


- Mercado juridicamente organizado
- Comportamento estabelecido pelo mercado
- Inexistência de excessiva proteção
- Regras do jogo
- Dever de prestar informações

III. Pacta Sunt Servanda

IV. Autonomia da Vontade


- Os princípios contratuais sociais não foram formulados pensando na ótica dos
contratos empresariais

V. Função social do contrato


- Inexistência de prejuízo para terceiros
- Enunciado 26 da I Jornada de Direito Comercial

“26. O contrato empresarial cumpre sua função social quando não acarreta
prejuízo a direitos ou interesses, difusos ou coletivos, de titularidade de
sujeitos não participantes da relação negocial.”

VI. Teoria da Onerosidade Excessiva


- Arts. 478 a 480 do Código Civil

Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de


uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a
outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o
devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar
retroagirão à data da citação.

Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar


eqüitativamente as condições do contrato.

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Contratos Interempresariais
 
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá
ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la,
a fim de evitar a onerosidade excessiva.

- O que é extraordinário e imprevisível para profissionais?


- Análise casuística
- Enunciado 25 da I Jornada de Direito Comercial

“25. A revisão do contrato por onerosidade excessiva fundada no Código


Civil deve levar em conta a natureza do objeto do contrato. Nas relações
empresariais, deve-se presumir a sofisticação dos contratantes e observar a
alocação de riscos por eles acordada.”

- Análise do REsp 936.741

DIREITO EMPRESARIAL. CONTRATOS. COMPRA E VENDA DE COISA


FUTURA (SOJA). TEORIA DA IMPREVISÃO. ONEROSIDADE EXCESSIVA.
INAPLICABILIDADE. 1. Contratos empresariais não devem ser tratados da
mesma forma que contratos cíveis em geral ou contratos de consumo. Nestes
admite-se o dirigismo contratual. Naqueles devem prevalecer os princípios da
autonomia da vontade e da força obrigatória das avenças. 2. Direito Civil e
Direito Empresarial, ainda que ramos do Direito Privado, submetem-se a regras
e princípios próprios. O fato de o Código Civil de 2002 ter submetido os
contratos cíveis e empresariais às mesmas regras gerais não significa que estes
contratos sejam essencialmente iguais. 3. O caso dos autos tem peculiaridades
que impedem a aplicação da teoria da imprevisão, de que trata o art. 478 do
CC/2002: (i) os contratos em discussão não são de execução continuada ou
diferida, mas contratos de compra e venda de coisa futura, a preço fixo, (ii) a alta
do preço da soja não tornou a prestação de uma das partes excessivamente
onerosa, mas apenas reduziu o lucro esperado pelo produtor rural e (iii) a
variação cambial que alterou a cotação da soja não configurou um acontecimento
extraordinário e imprevisível, porque ambas as partes contratantes conhecem o
mercado em que atuam, pois são profissionais do ramo e sabem que tais
flutuações sãopossíveis.5. Recurso especial conhecido e provido.

(STJ - REsp: 936741 GO 2007/0065852-6, Relator: Ministro ANTONIO CARLOS


FERREIRA, Data de Julgamento: 03/11/2011, T4 - QUARTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 08/03/2012)

VII. Lesão
- Art. 157 do Código Civil

Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta.

§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao


tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.

§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento


suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.

- “Lesão por inexperiência”


- Prejuízo por inexperiência

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Contratos Interempresariais
 
- Enunciado 28 da I Jornada de Direito Comercial

“28. Em razão do profissionalismo com que os empresários devem exercer sua


atividade, os contratos empresariais não podem ser anulados pelo vício da
lesão fundada na inexperiência.”

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

BENJAMIM, Antônio Herman V.; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo


Roscoe. Manual de Direito do Consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2012, p. 85-115.

FORGIONI, Paula. A. Contratos Empresariais: teoria geral e aplicação. São


Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 23-44.

FORGIONI, Paula. A. Contratos Empresariais: teoria geral e aplicação. São


Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 233-265.

LEAL, Larissa Maria de Moraes; ALBUQUERQUE JR. Roberto Paulino de. A


Resolução do Contrato por Onerosidade Excessiva no Código Civil
Brasileiro de 2002 e sua Aplicação no Superior Tribunal de Justiça. Em:
CAMPOS. Alyson Rodrigo Correia e CASTRO JÚNIOR, Torquato da Silva. Dos
Contratos; Recife. Ed: Nossa Livraria, 2012, p. 559-583.

TIMM, Luciano Benetti. Direito Contratual Brasileiro: críticas e alternativas


ao solidarismo jurídico. São Paulo: Atlas, 2015, p. 34-138.

VIANA, Raphael Fraemam Braga; e CARNEIRO FILHO, Humberto João. Breve


ensaio sobre a autonomia dos contratos interempresariais. Revista de
Direito Privado. vol. 63. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015.

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Contratos Interempresariais
 
AULA 03 – COMPRA E VENDA MERCANTIL

I. A Compra e Venda Mercantil no Código Comercial de 1850


- Era regulada pelos arts. 191 a 220

Art. 191 - O contrato de compra e venda mercantil é perfeito e acabado logo que
o comprador e o vendedor se acordam na coisa, no preço e nas condições; e
desde esse momento nenhuma das partes pode arrepender-se sem
consentimento da outra, ainda que a coisa se não ache entregue nem o preço
pago. Fica entendido que nas vendas condicionais não se reputa o contrato
perfeito senão depois de verificada a condição (artigo nº. 127).

É unicamente considerada mercantil a compra e venda de efeitos móveis ou


semoventes, para os revender por grosso ou a retalho, na mesma espécie ou
manufaturados, ou para alugar o seu uso; compreendendo-se na classe dos
primeiros a moeda metálica e o papel moeda, títulos de fundos públicos, ações
de companhias e papéis de crédito comerciais, contanto que nas referidas
transações o comprador ou vendedor seja comerciante.

- Móveis ou semovente
- Comerciante
- Objetos revendidos ou alugados

II. A Compra e Venda Mercantil após o Código Civil de 2002


- Nova concepção de contrato interempresarial
- Superação da ideia de bens destinados à circulação
- Superação da limitação de bens
- Ainda faz sentido falar em Compra e Venda Mercantil?

III. Peculiaridades próprias da Compra e Venda Mercantil

III.1 Coisa
- Bem utilizado no exercício da atividade empresarial
- Mercadoria
- Coisa viciada

III.2 Prova do contrato


- Prova exclusivamente testemunhal

III.3 Formação do Contrato


- Análise do negócio mais demorada antes da proposta inicial
- Proposta inicial e contraproposta em valores e condições acrescidas de margens que
possam ser descartadas
- Alteração por mudança de comportamento (?)

III.4 Venda complexa


- Venda a termo
- Contrato inicial se desdobra em vários outros que lhe são dependentes
- Fase executiva em diversas operações

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Contratos Interempresariais
 
III.5 Contrato de Fornecimento
- Fornecimento de mercadorias em entregas parciais em preço fixado
antecipadamente
- Frequência e estabilidade

III.6 Incoterms
- CCI (Câmara de Comércio Internacional)
- Siglas
- Padrões de distribuição
- Do mínimo ao máximo de obrigações no transporte e na entrega da coisa

III.7 Compra e Venda de Empresas


- Participação societária
- Fase preliminar: demonstrações contábeis, atos constitutivos e projeções genéricas
de performance; cláusula de exclusividade; cláusula de não vinculação
- Fase da Auditoria: verificação da consistência das primeiras informações
- Fase negocial: o plano do negócio
- Fechamento: pré-contrato ou contrato

III.8 Startups
- Acordo de confidencialidade
- Contrato social
- Investimento anjo (arts. 61-A, 61-B, 61-C. 61-D da Lei Complementar 123/06)

Art. 61-A. Para incentivar as atividades de inovação e os investimentos


produtivos, a sociedade enquadrada como microempresa ou empresa de
pequeno porte, nos termos desta Lei Complementar, poderá admitir o aporte de
capital, que não integrará o capital social da empresa.
§ 1º As finalidades de fomento a inovação e investimentos produtivos deverão
constar do contrato de participação, com vigência não superior a sete anos.
§ 2º O aporte de capital poderá ser realizado por pessoa física ou por pessoa
jurídica, denominadas investidor-anjo.
§ 3º A atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente por sócios
regulares, em seu nome individual e sob sua exclusiva responsabilidade.
§ 4º O investidor-anjo:
I - não será considerado sócio nem terá qualquer direito a gerência ou voto na
administração da empresa;
II - não responderá por qualquer dívida da empresa, inclusive em recuperação
judicial, não se aplicando a ele o art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002
- Código Civil;
III - será remunerado por seus aportes, nos termos do contrato de participação,
pelo prazo máximo de cinco anos.
§ 5º Para fins de enquadramento da sociedade como microempresa ou empresa
de pequeno porte, os valores de capital aportado não são considerados receitas
da sociedade.
§ 6º Ao final de cada período, o investidor-anjo fará jus à remuneração
correspondente aos resultados distribuídos, conforme contrato de participação,
não superior a 50% (cinquenta por cento) dos lucros da sociedade enquadrada
como microempresa ou empresa de pequeno porte.
§ 7º O investidor-anjo somente poderá exercer o direito de resgate depois de
decorridos, no mínimo, dois anos do aporte de capital, ou prazo superior
estabelecido no contrato de participação, e seus haveres serão pagos na forma do
art. 1.031 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, não podendo
ultrapassar o valor investido devidamente corrigido.

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Contratos Interempresariais
 
§ 8º O disposto no § 7º deste artigo não impede a transferência da titularidade do
aporte para terceiros.
§ 9ºA transferência da titularidade do aporte para terceiro alheio à sociedade
dependerá do consentimento dos sócios, salvo estipulação contratual expressa
em contrário.
§ 10. O Ministério da Fazenda poderá regulamentar a tributação sobre retirada
do capital investido. (Artigo acrescido pela Lei Complementar nº 155, de 27/10/2016,
produzindo efeitos a partir de 1/1/2017)

Art. 61-B. A emissão e a titularidade de aportes especiais não impedem a fruição


do Simples Nacional. (Artigo acrescido pela Lei Complementar nº 155, de 27/10/2016,
produzindo efeitos a partir de 1/1/2017)

Art. 61-C. Caso os sócios decidam pela venda da empresa, o investidor-anjo terá
direito de preferência na aquisição, bem como direito de venda conjunta da
titularidade do aporte de capital, nos mesmos termos e condições que forem
ofertados aos sócios regulares. (Artigo acrescido pela Lei Complementar nº 155, de
27/10/2016, produzindo efeitos a partir de 1/1/2017)

Art. 61-D. Os fundos de investimento poderão aportar capital como


investidores-anjos em microempresas e empresas de pequeno porte. (Artigo
acrescido pela Lei Complementar nº 155, de 27/10/2016, produzindo efeitos a partir de
1/1/2017)

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Contratos Interempresariais
 
AULA 04 – ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING)

I. Noções iniciais
- Indicação de um bem para ser adquirido
- Arrendamento
- Opção de aquisição
- Operação financeira
- Intuitu personae
- Tempo determinado

II. Natureza Jurídica


- Negócio jurídico complexo
- Locação
- Promessa unilateral de venda
- Mandato (opcional)

II. Origem
- P. Boothe Jr. (U.S. Leasing)

III. Brasil
- Carlos Maria Monteiro (Rent-a-Maq) - 1967
- ABEL
- Lei n. 6.099/74

IV. Leasing financeiro


- Empresa arrendadora não é a produtora ou proprietária primitiva
- Opção irrevogável de compra do bem
- Cálculo das prestações (regra geral)
- Obrigatoriedade das prestações pactuadas
- Antecipação do valor residual e valor residual garantido
- Súmula 293 do STJ

“A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o


contrato de arrendamento mercantil.”

- Súmula 564 do STJ

"No caso de reintegração de posse em arrendamento mercantil financeiro,


quando a soma da importância antecipada a título de valor residual garantido
(VRG) com o valor da venda do bem ultrapassar o total do VRG previsto
contratualmente, o arrendatário terá direito de receber a respectiva diferença,
cabendo, porém, se estipulado no contrato, o prévio desconto de outras
despesas ou encargos pactuados"

- Análise do art. 5o da Resolução n. 2.309/96

Art. 5o Considera-se arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que:


I - as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela
arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o
custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e,

  13  
 
Contratos Interempresariais
 
adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos;
II - as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à
operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária;
III - o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado,
podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado.

V. Lease-back/Leasing de retorno
- A arrendatária vende os bens para a arrendadora
- Empresas que possuem grande parte do ativo imobilizado
- Gerar capital de giro sem perder os bens

VI. Leasing operacional/Renting


- A arrendatária é proprietária dos bens
- Prestação de serviços (assistência)
- Opção de compra é prescindível
- Renting
- Não é regulado pela Lei n. 6.099/74 (art. 2o)

Art 2º Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrendamento de bens


contratado entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou
interdependentes, assim como o contratado com o próprio fabricante.

- Art. 6o da Resolução do Banco Central n. 2.309/96

Art. 6o Considera-se arrendamento mercantil operacional a modalidade em que:


I - as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de
arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da
arren podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por
cento) do "custo do bem;"
II - o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de
vida útil econômica do bem arrendado;
III - o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem
IV - não haja previsão de pagamento de valor residual garantido.
Parágrafo 1o As operações de que trata este artigo são privativas dos bancos
múltiplos com carteira de arrendamento mercantil e das sociedades de
arrendamento mercantil.
Parágrafo 2o No cálculo do valor presente dos pagamentos deverá ser utilizada
taxa equivalente aos encargos financeiros constantes do contrato.
Parágrafo 3o A manutenção, a assistência técnica e os serviços correlatos à
operacionalidade do bem arrendado podem ser de responsabilidade da
arrendadora ou da arrendatária.

VII. Fases do Leasing


- Preliminar (Arrendadora, Arrendatário e Vendedor)
- Compra (Arrendatário e Vendedor)
- Contrato de Arrendamento Mercantil
- Aquisição pelo valor residual, restituição do bem ou renovação do contrato

VIII. Considerações finais

- Prática da atividade de arrendamento mercantil: operações privativas da pessoas


jurídicas registradas no Banco Central que tenham como objeto exclusivo a prática de
operações dessa natureza (art. 1o da Resolução 2.309/96)

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Contratos Interempresariais
 
Art. 1o As operações de arrendamento mercantil com o tratamento tributário
previsto na Lei no. 6.099, de 12.09.74, alterada pela Lei no. 7.132, de 26.10.83,
somente podem ser realizadas por pessoas jurídicas que tenham como objeto
principal de sua atividade a prática de operações de arrendamento mercantil,
pelos bancos múltiplos com carteira de arrendamento mercantil e pelas
instituições financeiras que, nos termos do art. 13 deste Regulamento, estejam
autorizadas a contratar operações de arrendamento com o próprio vendedor do
bem ou com pessoas jurídicas a ele coligadas ou interdependentes.

Parágrafo único. As operações previstas neste artigo podem ser dos tipos
financeiro e operacional.

- Sociedades Anônimas e denominação

Art. 3o A constituição e o funcionamento das pessoas jurídicas que tenham como


objeto principal de sua atividade a prática de operações de arrendamento
mercantil, denominadas sociedades de arrendamento mercantil, dependem de
autorização do Banco Central do Brasil.

Art. 4o As sociedades de arrendamento mercantil devem adotar a forma jurídica


de sociedades anônimas e a elas se aplicam, no que couber, as mesmas condições
estabelecidas para o funcionamento de instituições financeiras na Lei no. 4.595,
de 31.12.64, e legislação posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional,
devendo constar obrigatoriamente de sua denominação social a expressão
"Arrendamento Mercantil".

Parágrafo único. A expressão "Arrendamento Mercantil" na denominação ou


razão social é privativa das sociedades de que trata este artigo.

- Cláusulas obrigatórias
- Arts. 5o a 7o da Resolução n. 2.309/96

Art. 5º Considera-se arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que:


I - as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela
arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o
custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e,
adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos;
II - as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à
operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária;
III - o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado,
podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado.

Art. 6º Considera-se arrendamento mercantil operacional a modalidade em que:


I - as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de
arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da
arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90%
(noventa por cento) do custo do bem;
II - o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de
vida útil econômica do bem;
III - o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem
arrendado;
IV - não haja previsão de pagamento de valor residual garantido.
§ 1º As operações de que trata este artigo são privativas dos bancos múltiplos
com carteira de arrendamento mercantil e das sociedades de arrendamento
mercantil.
§ 2º No cálculo do valor presente dos pagamentos deverá ser utilizada taxa
equivalente aos encargos financeiros constantes do contrato.

  15  
 
Contratos Interempresariais
 
§ 3º A manutenção, a assistência técnica e os serviços correlatos à
operacionalidade do bem arrendado podem ser de responsabilidade da
arrendadora ou da arrendatária.

Art. 7º Os contratos de arrendamento mercantil devem ser formalizados por


instrumento público ou particular, devendo conter, no mínimo, as especificações
abaixo relacionadas:
I - a descrição dos bens que constituem o objeto do contrato, com todas as
características que permitam sua perfeita identificação;
II - o prazo de arrendamento;
III - o valor das contraprestações ou a fórmula de cálculo das contraprestações,
bem como o critério para seu reajuste;
IV - a forma de pagamento das contraprestações por períodos determinados, não
superiores a 1 (um) semestre, salvo no caso de operações que beneficiem
atividades rurais, quando o pagamento pode ser fixado por períodos não
superiores a 1 (um) ano;
V - as condições para o exercício por parte da arrendatária do direito de optar
pela renovação do contrato, pela devolução dos bens ou pela aquisição dos bens
arrendados;
VI - a concessão à arrendatária de opção de compra dos bens arrendados,
devendo ser estabelecido o preço para seu exercício ou critério utilizável na sua
fixação;
VII - as despesas e os encargos adicionais, inclusive despesas de assistência
técnica, manutenção e serviços inerentes à operacionalidade dos bens
arrendados, admitindo-se, ainda, para o arrendamento mercantil financeiro: a) a
previsão de a arrendatária pagar valor residual garantido em qualquer momento
durante a vigência do contrato, não caracterizando o pagamento do valor
residual garantido o exercício da opção de compra; b) o reajuste do preço
estabelecido para a opção de compra e o valor residual garantido;
VIII - as condições para eventual substituição dos bens arrendados, inclusive na
ocorrência de sinistro, por outros da mesma natureza, que melhor atendam às
conveniências da arrendatária, devendo a substituição ser formalizada por
intermédio de aditivo contratual;
IX - as demais responsabilidades que vierem a ser convencionadas, em
decorrência de: a) uso indevido ou impróprio dos bens arrendados; b) seguro
previsto para cobertura de risco dos bens arrendados; c) danos causados a
terceiros pelo uso dos bens; d) ônus advindos de vícios dos bens arrendados;
X - a faculdade de a arrendadora vistoriar os bens objeto de arrendamento e de
exigir da arrendatária a adoção de providências indispensáveis à preservação da
integridade dos referidos bens;
XI - as obrigações da arrendatária, nas hipóteses de inadimplemento, destruição,
perecimento ou desaparecimento dos bens arrendados;
XII - a faculdade de a arrendatária transferir a terceiros no País, desde que haja
anuência expressa da entidade arrendadora, os seus direitos e obrigações
decorrentes do contrato, com ou sem co-responsabilidade solidária.

- Self-leasing
- Empresas coligadas
- Art. 27 da Resolução n. 2.309/96

Art. 27. Para os fins do art. 2º, parágrafo 1º, da Lei nº. 6.099, de 12.09.74, e deste
Regulamento, considera-se coligada ou interdependente a pessoa:
I - em que a entidade arrendadora participe, direta "ou indiretamente, com 10%
(dez por cento) ou mais do capital;"
II - em que administradores da entidade arrendadora, seus cônjuges e
respectivos parentes até o 2º (segundo) grau participem, em conjunto ou

  16  
 
Contratos Interempresariais
 
isoladamente, com 10% (dez por cento) ou mais do "capital, direta ou
indiretamente;"
III - em que acionistas com 10% (dez por cento) ou mais do capital da entidade
arrendadora participem com 10% (dez por cento) "ou mais do capital, direta ou
indiretamente;"
IV - que participar com 10% (dez por cento) ou mais do "capital da entidade
arrendadora, direta ou indiretamente;"
V - cujos administradores, seus cônjuges e respectivos parentes até o segundo
grau participem, em conjunto ou isoladamente, com 10% (dez por cento) ou mais
do capital da entidade arrendadora, direta ou indiretamente;"
VI - cujos sócios, quotistas ou acionistas com 10% (dez por cento) ou mais do
capital participem também do capital da entidade arrendadora com 10% (dez
por cento) ou mais de seu capital, "direta ou indiretamente;"
VII - cujos administradores, no todo ou em parte, sejam os mesmos da entidade
arrendadora.

- Vedação (art. 28, I, da Resolução n. 2.309/96)

Art. 28. Às sociedades de arrendamento mercantil e às instituições financeiras


citadas no art. 13 deste Regulamento é vedada a contratação de operações de
arrendamento mercantil com:
I - pessoas físicas e jurídicas coligadas ou interdependentes;
II - administradores da entidade e seus respectivos cônjuges e parentes até o
segundo grau;
III - o próprio fabricante do bem arrendado.

Art. 29. É vedada às sociedades de arrendamento mercantil a celebração de


contratos de mútuo com pessoas físicas e jurídicas não financeiras.

- Riscos da coisa
- Regra geral
- Perda do bem
- Inadimplemento

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

MARTINS, Fran. Contratos e Obrigações Mercantis. Rio de Janeiro: Forense,


2017, p. 365-378.

  17  
 
Contratos Interempresariais
 
AULA 05 – LOCAÇÃO COMERCIAL
E CONTRATO DE SHOPPING CENTER

LOCAÇÃO DE IMÓVEL URBANO COM NATUREZA COMERCIAL

I. Noções iniciais
- Lei n. 8.245/91
- O que é imóvel urbano?

Art. 1º A locação de imóvel urbano regula-se pelo disposto nesta lei:

- Locação não residencial (art. 55)

Art. 55. Considera - se locação não residencial quando o locatário for pessoa
jurídica e o imóvel, destinar - se ao uso de seus titulares, diretores, sócios,
gerentes, executivos ou empregados.

- A peculiaridade da locação não residencial


- Contrato por prazo determinado e indeterminado

Art. 56. Nos demais casos de locação não residencial, o contrato por prazo
determinado cessa, de pleno direito, findo o prazo estipulado,
independentemente de notificação ou aviso.
Parágrafo único. Findo o prazo estipulado, se o locatário permanecer no imóvel
por mais de trinta dias sem oposição do locador, presumir - se - á prorrogada a
locação nas condições ajustadas, mas sem prazo determinado.

Art. 57. O contrato de locação por prazo indeterminado pode ser denunciado por
escrito, pelo locador, concedidos ao locatário trinta dias para a desocupação.

- Qual o regime contratual aplicado?

II. Ação Renovatória de Aluguel


- Arts. 51 e 71 da Lei n. 8.245/91

Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito
a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente:
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo
determinado;
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos
dos contratos escritos seja de cinco anos;
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo
mínimo e ininterrupto de três anos.
§ 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários ou
sucessores da locação; no caso de sublocação total do imóvel, o direito a
renovação somente poderá ser exercido pelo sublocatário.
§ 2º Quando o contrato autorizar que o locatário utilize o imóvel para as
atividades de sociedade de que faça parte e que a esta passe a pertencer o fundo
de comércio, o direito a renovação poderá ser exercido pelo locatário ou pela
sociedade.
§ 3º Dissolvida a sociedade comercial por morte de um dos sócios, o sócio
sobrevivente fica sub - rogado no direito a renovação, desde que continue no
mesmo ramo.

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Contratos Interempresariais
 
§ 4º O direito a renovação do contrato estende - se às locações celebradas por
indústrias e sociedades civis com fim lucrativo, regularmente constituídas, desde
que ocorrentes os pressupostos previstos neste artigo.
§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno
de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da
finalização do prazo do contrato em vigor.

Art. 71. Além dos demais requisitos exigidos no art. 282 do Código de Processo
Civil, a petição inicial da ação renovatória deverá ser instruída com:
I - prova do preenchimento dos requisitos dos incisos I, II e III do art. 51;
II - prova do exato cumprimento do contrato em curso;
III - prova da quitação dos impostos e taxas que incidiram sobre o imóvel e cujo
pagamento lhe incumbia;
IV - indicação clara e precisa das condições oferecidas para a renovação da
locação;
V – indicação do fiador quando houver no contrato a renovar e, quando não for
o mesmo, com indicação do nome ou denominação completa, número de sua
inscrição no Ministério da Fazenda, endereço e, tratando-se de pessoa natural, a
nacionalidade, o estado civil, a profissão e o número da carteira de identidade,
comprovando, desde logo, mesmo que não haja alteração do fiador, a atual
idoneidade financeira;
VI - prova de que o fiador do contrato ou o que o substituir na renovação aceita
os encargos da fiança, autorizado por seu cônjuge, se casado for;
VII - prova, quando for o caso, de ser cessionário ou sucessor, em virtude de
título oponível ao proprietário.
Parágrafo único. Proposta a ação pelo sublocatário do imóvel ou de parte dele,
serão citados o sublocador e o locador, como litisconsortes, salvo se, em virtude
de locação originária ou renovada, o sublocador dispuser de prazo que admita
renovar a sublocação; na primeira hipótese, procedente a ação, o proprietário
ficará diretamente obrigado à renovação.

- Súmula 482 do STF:

“O locatário, que não for sucessor ou cessionário do que o precedeu, não pode
somar os prazos concedidos a este, para pedir renovação, nos termos do Decreto
n. 24.150.”

III. Oposição à Renovação


- Análise do art. 52 da Lei n. 8.245/91

Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:


I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que
importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal
natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade;
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo
de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o
locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente.
1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do mesmo
ramo do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de comércio, com
as instalações e pertences.
2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador não poderá recusar a
renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo.
3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos
lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e
desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não ocorrer em razão de
proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, no prazo de três
meses da entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não iniciar as obras
determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar.
  19  
 
Contratos Interempresariais
 

- Súmula 486 do STF

Admite-se a retomada para sociedade da qual o locador, ou seu cônjuge, seja


sócio, com participação predominante no capital social.

- Matéria da Contestação (art. 72 da Lei n. 8.245/91)

Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber,
ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte:
I - não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei;
II - não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na época
da renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar;
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores;
IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52).
1° No caso do inciso II, o locador deverá apresentar, em contraproposta, as
condições de locação que repute compatíveis com o valor locativo real e atual do
imóvel.
2° No caso do inciso III, o locador deverá juntar prova documental da proposta
do terceiro, subscrita por este e por duas testemunhas, com clara indicação do
ramo a ser explorado, que não poderá ser o mesmo do locatário. Nessa hipótese,
o locatário poderá, em réplica, aceitar tais condições para obter a renovação
pretendida.
3° No caso do inciso I do art. 52, a contestação deverá trazer prova da
determinação do Poder Público ou relatório pormenorizado das obras a serem
realizadas e da estimativa de valorização que sofrerá o imóvel, assinado por
engenheiro devidamente habilitado.
4° Na contestação, o locador, ou sublocador, poderá pedir, ainda, a fixação de
aluguel provisório, para vigorar a partir do primeiro mês do prazo do contrato a
ser renovado, não excedente a oitenta por cento do pedido, desde que
apresentados elementos hábeis para aferição do justo valor do aluguel.
5° Se pedido pelo locador, ou sublocador, a sentença poderá estabelecer
periodicidade de reajustamento do aluguel diversa daquela prevista no contrato
renovando, bem como adotar outro indexador para reajustamento do aluguel.

IV. Hospitais, Estabelecimentos de Saúde e Ensino

Art. 53 - Nas locações de imóveis utilizados por hospitais, unidades sanitárias


oficiais, asilos, estabelecimentos de saúde e de ensino autorizados e fiscalizados
pelo Poder Público, bem como por entidades religiosas devidamente registradas,
o contrato somente poderá ser rescindido.
I - nas hipóteses do art. 9º;
II - se o proprietário, promissário comprador ou promissário cessionário, em
caráter irrevogável e imitido na posse, com título registrado, que haja quitado o
preço da promessa ou que, não o tendo feito, seja autorizado pelo proprietário,
pedir o imóvel para demolição, edificação, licenciada ou reforma que venha a
resultar em aumento mínimo de cinqüenta por cento da área útil.

Art. 9º A locação também poderá ser desfeita:


I - por mútuo acordo;
II - em decorrência da prática de infração legal ou contratual;
III - em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos;
IV - para a realização de reparações urgentes determinadas pelo Poder Público,
que não possam ser normalmente executadas com a permanência do locatário no
imóvel ou, podendo, ele se recuse a consenti-las.

  20  
 
Contratos Interempresariais
 
V. Considerações Finais
- Procedimento ordinário
- Locação mista

- REsp 1323410/MG

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RENOVATÓRIA DE CONTRATO. LOCAÇÃO


COMERCIAL. ACCESSIO TEMPORIS. PRAZO DA RENOVAÇÃO. ARTIGOS
ANALISADOS: ART. 51 da Lei 8.245/91. 1.
Ação renovatória de contrato de locação comercial ajuizada em 09.06.2003.
Recurso especial concluso ao Gabinete em 07.12.2011. 2. Discussão relativa ao
prazo da renovação do contrato de locação comercial nas hipóteses de
"accessio temporis". 3. A Lei 8.245/91 acolheu expressamente a possibilidade
de "accessio temporis", ou seja, a soma dos períodos ininterruptos dos
contratos de locação para se alcançar o prazo mínimo de 5 (cinco) anos exigido
para o pedido de renovação, o que já era amplamente reconhecido pela
jurisprudência, embora não constasse do Decreto n.º 24.150/1934. 4. A
renovatória, embora vise garantir os direitos do locatário face às pretensões
ilegítimas do locador de se apropriar patrimônio imaterial, que foi agregado ao
seu imóvel pela atividade exercida pelo locatário, notadamente o fundo de
comércio, o ponto comercial, também não pode se tornar uma forma de
eternizar o contrato de locação, restringindo os direitos de propriedade do
locador, e violando a própria natureza bilateral e consensual da avença
locatícia. 5. O prazo 5 (cinco) anos mostra-se razoável para a renovação do
contrato, a qual pode ser requerida novamente pelo locatário ao final do
período, pois a lei não limita essa possibilidade. Mas permitir a renovação
por prazos maiores, de 10, 15, 20 anos, poderia acabar contrariando a própria
finalidade do instituto, dadas as sensíveis mudanças de conjuntura econômica,
passíveis de ocorrer em tão longo período de tempo, além de outros fatores
que possam ter influência na decisão das partes em renovar, ou não, o
contrato. 6. Quando o art. 51, caput, da Lei 8.2145 dispõe que o locatário terá
direito à renovação do contrato "por igual prazo", ele está se referido ao
prazo mínimo exigido pela legislação, previsto no inciso II do art.51, da
Lei 8.245/91, para a renovação, qual seja, de 5 (cinco) anos, e não ao prazo do
último contrato celebrado pelas partes. 7. A interpretação do art. 51, caput, da
Lei 8.245/91, portanto, deverá se afastar da literalidade do texto, para
considerar o aspecto teleológico e sistemático da norma, que prevê, no
próprio inciso II do referido dispositivo, o prazo de 5 (cinco) anos para que
haja direito à renovação, a qual, por conseguinte, deverá ocorrer, no mínimo,
por esse mesmo prazo. 8. A renovação do contrato de locação não residencial,
nas hipóteses de "accessio temporis", dar-se-á pelo prazo de 5 (cinco) anos,
independentemente do prazo do último contrato que completou o
quinquênio necessário ao ajuizamento da ação. O prazo máximo da
renovação também será de 5 (cinco) anos, mesmo que a vigência da avença
locatícia, considerada em sua totalidade, supere esse período. 9. Se, no curso
do processo, decorrer tempo suficiente para que se complete novo interregno
de 5 (cinco) anos, ao locatário cumpre ajuizar outra ação renovatória, a qual,
segundo a doutrina, é recomendável que seja distribuída por dependência para
que possam ser aproveitados os atos processuais como a perícia. 10. Conforme
a jurisprudência pacífica desta Corte, havendo sucumbência recíproca, devem-
se compensar os honorários advocatícios. Inteligência do art. 21 do CPC c/c a
Súmula 306/STJ. 11. Recurso especial parcialmente provido.

(STJ – REsp: 1323410 MG 2011/0219578-3, Relatora: Ministra Nancy Andrighi,


Data de Julgamento: 07/11/2013, T3 – TERCEIRA TURMA, Data de
Publicação: DJe 20/11/2013).

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Contratos Interempresariais
 
CONTRATO DE SHOPPING CENTER

I. Considerações Iniciais
- Um estabelecimento para estabelecimentos
- Contrato atípico
- Contrato de adesão
- Remuneração do empreendedor
i) contrato de reserva de localização
ii) luvas iniciais e aluguel
- Administrador
i) estrutura organizacional
ii) remuneração
- Regimento interno
- Fundo de promoção e publicidade
- Responsabilidade do Empreendedor/Administrador

II. Reserva de localização


- Construção
- Direito de reserva
- Tenant mix
- Participar de uma futura concorrência controlada

III. Locação
- Aluguel mínimo
- De acordo com o metro quadrado/localização
- Prestação de serviços
- Art. 54 da Lei n. 8.245/91

Art. 54. Nas relações entre lojistas e empreendedores de shopping center ,


prevalecerão as condições livremente pactuadas nos contratos de locação
respectivos e as disposições procedimentais previstas nesta lei.

- Aluguel dobrado em dezembro


- Aluguel de desempenho (75%)
- Taxa de síndico ou administrador das partes comuns
- 2 relações jurídicas
i) locação do imóvel
ii) prestação de serviços mercadológicos
- Art. 52, parágrafo 2o, da Lei n. 8.245/91

Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:


I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que
importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal
natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade;
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo
de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o
locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente.
2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador não poderá recusar a
renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo.

- Coeficiente de Rateio de Despesas (CRD)


- Art. 54, parágrafo 2o, da Lei n. 8.245/91
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Contratos Interempresariais
 

Art. 54 [...]
2º As despesas cobradas do locatário devem ser previstas em orçamento, salvo
casos de urgência ou força maior, devidamente demonstradas, podendo o
locatário, a cada sessenta dias, por si ou entidade de classe exigir a comprovação
das mesmas.

- Art. 54, parágrafo 1o, da Lei n. 8.245/91

Art. 54 [...]
1º O empreendedor não poderá cobrar do locatário em shopping center :
a) as despesas referidas nas alíneas a , b e d do parágrafo único do art. 22; e
b) as despesas com obras ou substituições de equipamentos, que impliquem
modificar o projeto ou o memorial descritivo da data do habite - se e obras de
paisagismo nas partes de uso comum.

Art. 22 [...]
Parágrafo único. Por despesas extraordinárias de condomínio se entendem
aquelas que não se refiram aos gastos rotineiros de manutenção do edifício,
especialmente:
a) obras de reformas ou acréscimos que interessem à estrutura integral do
imóvel;
b) pintura das fachadas, empenas, poços de aeração e iluminação, bem como das
esquadrias externas;
d) indenizações trabalhistas e previdenciárias pela dispensa de empregados,
ocorridas em data anterior ao início da locação;

IV. Prestação de Serviços de Administração


- Simbiose empreendedor/administrador x lojista
- Remuneração - aluguel percentual (5%)

V. Acesso à contabilidade
- Proteção aos interesses da administração
- Acesso à contabilidade do lojista
- Dever de sigilo

VI. Associação dos lojistas


- Administração ou fiscalização do fundo de promoção e publicidade

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro: Empresa e Atuação


Empresarial. vol. 01. São Paulo: Atlas, 2016, p. 317-345.

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Contratos Interempresariais
 
AULA 06 – CONTRATOS DE COLABORAÇÃO
E CONTRATO DE COMISSÃO MERCANTIL

CONTRATOS DE COLABORAÇÃO

I. Contratos de intercâmbio
- Interesses contrapostos

II. Sociedades mercantis


- Colaboração/reunião de esforços

III. Noções iniciais dos contratos de colaboração


- Colaboração entre empresas
- Forma híbrida
- Áleas distintas e interdependentes
- Razões para o seu surgimento

IV. Principais Características


- Prazo indeterminado
- Termos amplos
- Projetados para o futuro
- Dependência recíproca e investimentos recíprocos
- Expectativa de reciprocidade e iteração contínua
- Incompletos
- Subordinação

V. Intermediação x Aproximação
- Posição na cadeia de circulação (Intermediação)
- Diminuição da distância entre as partes com interesses em comum (Aproximação)

COMISSÃO MERCANTIL

I. Conceito
- Art. 693 do Código Civil

Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens
pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente.

II. Comissão e Mandato


- Extensão
- Vínculo obrigacional
- Representação
- Vantagens da comissão:
i) Dispensa de exibição de documento formal;
ii) Afastamento do risco pelo excesso de poderes;
iii) Segredo das operações do mandante;
iv) Utilização do crédito e capital do comissário;
v) Facilidade de informações, remessa e guarda de mercadorias em praças
distintas;

  24  
 
Contratos Interempresariais
 

III. Características
- Aquisição ou venda de bens pelo comissário;
- Em nome do comissário;
- À conta do comitente

Art. 694. O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem
contratar, sem que estas tenham ação contra o comitente, nem este contra elas,
salvo se o comissário ceder seus direitos a qualquer das partes.

IV. Classificação
- Bilateral, consensual, típico e oneroso

V. Forma e prova do contrato


- A lei não requer modos especiais para a formação e a prova do contrato de comissão
mercantil.

VI. Relação Comissário x Terceiro


- Só o comissário fica obrigado com as pessoas com quem contrata;
- Comitente não figura no contrato e nem se obriga
- Comissário age em nome próprio

VII. Relação Comissário x Comitente


- Comissário age por conta do comitente
- Alteração de instruções (art. 704 do Código Civil)

Art. 704. Salvo disposição em contrário, pode o comitente, a qualquer tempo,


alterar as instruções dadas ao comissário, entendendo-se por elas regidos
também os negócios pendentes.

- Situação de dúvida pelo comissário (art. 695 do Código Civil)

Art. 695. O comissário é obrigado a agir de conformidade com as ordens e


instruções do comitente, devendo, na falta destas, não podendo pedi-las a
tempo, proceder segundo os usos em casos semelhantes.
Parágrafo único. Ter-se-ão por justificados os atos do comissário, se deles houver
resultado vantagem para o comitente, e ainda no caso em que, não admitindo
demora a realização do negócio, o comissário agiu de acordo com os usos.

- Diligência do comissário e responsabilidade pelos prejuízos (art. 696 do Código


Civil)

Art. 696. No desempenho das suas incumbências o comissário é obrigado a agir


com cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas
ainda para lhe proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do
negócio.
Parágrafo único. Responderá o comissário, salvo motivo de força maior, por
qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, ocasionar ao comitente.

- Dilação de prazo para pagamento (art. 699 e 700 do Código Civil)

  25  
 
Contratos Interempresariais
 
Art. 699. Presume-se o comissário autorizado a conceder dilação do prazo para
pagamento, na conformidade dos usos do lugar onde se realizar o negócio, se
não houver instruções diversas do comitente.

Art. 700. Se houver instruções do comitente proibindo prorrogação de prazos


para pagamento, ou se esta não for conforme os usos locais, poderá o comitente
exigir que o comissário pague incontinenti ou responda pelas conseqüências da
dilação concedida, procedendo-se de igual modo se o comissário não der ciência
ao comitente dos prazos concedidos e de quem é seu beneficiário.

- Dos Juros (art. 706 do Código Civil)

Art. 706. O comitente e o comissário são obrigados a pagar juros um ao outro; o


primeiro pelo que o comissário houver adiantado para cumprimento de suas
ordens; e o segundo pela mora na entrega dos fundos que pertencerem ao
comitente.

- Direito de retenção (art. 708 do Código Civil)

Art. 708. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das
comissões devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores
em seu poder em virtude da comissão.

- Prestação de contas

VIII. Remuneração do comissário


- Livre estipulação
- Art. 701 do Código Civil

Art. 701. Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada
segundo os usos correntes no lugar.

- Remuneração proporcional (art. 702 do Código Civil)

Art. 702. No caso de morte do comissário, ou, quando, por motivo de força
maior, não puder concluir o negócio, será devida pelo comitente uma
remuneração proporcional aos trabalhos realizados.

- Dispensa motivada e Dispensa imotivada do comissário (art. 703 e 705 do Código


Civil)

Art. 703. Ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário direito a ser
remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o
direito de exigir daquele os prejuízos sofridos.

Art. 705. Se o comissário for despedido sem justa causa, terá direito a ser
remunerado pelos trabalhos prestados, bem como a ser ressarcido pelas perdas e
danos resultantes de sua dispensa.

IX. Cláusula del credere


- Conceito
- Não se presume (art. 697 do Código Civil)

  26  
 
Contratos Interempresariais
 
Art. 697. O comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem
tratar, exceto em caso de culpa e no do artigo seguinte.

- Remuneração mais elevada (art. 698 do Código Civil)

Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere, responderá o


comissário solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do
comitente, caso em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito
a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. vol. 03. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2016, p. 103-129.

FORGIONI, Paula. A. Contratos Empresariais: teoria geral e aplicação. São


Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, p. 177-204.

NEGRÃO, Ricardo. Curso de Direito Comercial e de Empresa. vol. 02. São


Paulo: Saraiva, 2017, p. 349-358.

  27  
 
Contratos Interempresariais
 
AULA 07 – REPRESENTAÇÃO COMERCIAL (AGÊNCIA),
DISTRIBUIÇÃO MERCANTIL E
CONCESSÃO MERCANTIL

REPRESENTAÇÃO COMERCIAL

I. Conceito
- Art. 1o da Lei n. 4.886/65 e art. 710 do Código Civil

Art. 1º Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa


física, sem relação de emprêgo, que desempenha, em caráter não eventual por
conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios
mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmití-los aos
representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos
negócios.

Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual
e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra,
mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada,
caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a
ser negociada.
Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o
represente na conclusão dos contratos.

- Negócios em favor de outrem em zona determinada


- Lei n. 4.886 e Código Civil (Arts. 710 a 721)
- Art. 34 da Lei n. 4.886/65 x art. 720 do Código Civil

Art. 34. A denúncia, por qualquer das partes, sem causa justificada, do contrato
de representação, ajustado por tempo indeterminado e que haja vigorado por
mais de seis meses, obriga o denunciante, salvo outra garantia prevista no
contrato, à concessão de pré-aviso, com antecedência mínima de trinta dias, ou
ao pagamento de importância igual a um têrço (1/3) das comissões auferidas
pelo representante, nos três meses anteriores.

Art. 720. Se o contrato for por tempo indeterminado, qualquer das partes poderá
resolvê-lo, mediante aviso prévio de noventa dias, desde que transcorrido prazo
compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente.
Parágrafo único. No caso de divergência entre as partes, o juiz decidirá da
razoabilidade do prazo e do valor devido.

- O representante não precisa representar

II. Representação x Mandato x Comissão


- Mandato x Representação
- Comissão x Representação

III. Características
- Profissionalidade (art. 2o e art. 4o de Lei n. 4.886/65)

Art. 2º É obrigatório o registro dos que exerçam a representação comercial


autônoma nos Conselhos Regionais criados pelo art. 6º desta Lei.

Art. 4º Não pode ser representante comercial:


a) o que não pode ser comerciante;

  28  
 
Contratos Interempresariais
 
b) o falido não reabilitado;
c) o que tenha sido condenado por infração penal de natureza infamante, tais
como falsidade, estelionato, apropriação indébita, contrabando, roubo, furto,
lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público;
d) o que estiver com seu registro comercial cancelado como penalidade.

- Autonomia
- Habitualidade
- Mercantilidade dos negócios
- Delimitação geográfica das atividades dos representantes (Art. 711 do Código Civil e
art. 27, alínea “d”, da Lei n. 4.886/65)

Art. 711. Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais
de um agente, na mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente
assumir o encargo de nela tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de
outros proponentes.

Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e


outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: (Redação
dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992) [...]
d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação;

- Exclusividade de representação (art. 31 da Lei n. 4.886/65)

Art. 31. Prevendo o contrato de representação a exclusividade de zona ou zonas,


ou quando este for omisso, fará jus o representante à comissão pelos negócios aí
realizados, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de
terceiros.
Parágrafo único. A exclusividade de representação não se presume na ausência
de ajustes expressos.

- Onerosidade

IV. Classificação
- Consensual, bilateral e oneroso

V. Forma e prova do contrato

VI. Obrigações do representante


- Angariar negócios em favor do representado;
- Seguir instruções e agir com diligência (art. 712 do Código Civil)

Art. 712. O agente, no desempenho que lhe foi cometido, deve agir com toda
diligência, atendo-se às instruções recebidas do proponente.

- Fornecer informações (art. 28 da Lei n. 4.886)

Art. 28. O representante comercial fica obrigado a fornecer ao representado,


segundo as disposições do contrato ou, sendo êste omisso, quando lhe fôr
solicitado, informações detalhadas sôbre o andamento dos negócios a seu cargo,
devendo dedicar-se à representação, de modo a expandir os negócios do
representado e promover os seus produtos.

  29  
 
Contratos Interempresariais
 
- Dever de sigilo (Art. 19, alínea d, da Lei n. 4.886/65)

Art. 19. Constituem faltas no exercício da profissão de representante comercial:


d) violar o sigilo profissional;

- Prestação de contas (art. 19, alínea e, da Lei n. 4.886/65)

Art. 19. Constituem faltas no exercício da profissão de representante comercial:


e) negar ao representado as competentes prestações de contas, recibos de
quantias ou documentos que lhe tiverem sido entregues, para qualquer fim;

- Arcar com próprios custos e despesas (art. 713 do Código Civil)

Art. 713. Salvo estipulação diversa, todas as despesas com a agência ou


distribuição correm a cargo do agente ou distribuidor.

VII. Obrigações do representado

- Pagar a remuneração do representante

Art. 714. Salvo ajuste, o agente ou distribuidor terá direito à remuneração


correspondente aos negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a
sua interferência.

Art. 716. A remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar
de ser realizado por fato imputável ao proponente.

- Vedação da cláusula del credere (art. 43 da Lei n. 4.886)

Art. 43. É vedada no contrato de representação comercial a inclusão de cláusulas


del credere.

- Vedação à fixação abusiva de preços (art. 36, c, Lei n. 4.886/65)

Art. 36. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação


comercial, pelo representante:
c) a fixação abusiva de preços em relação à zona do representante, com o
exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ação regular.

- Vedação à redução da esfera de atividade em desacordo com o contrato (art. 36, a,


Lei n. 4.886/65)

Art. 36. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação


comercial, pelo representante:
a) redução de esfera de atividade do representante em desacôrdo com as
cláusulas do contrato;

VIII. Extinção do contrato


- Dispensa por justa causa alegada pelo representado (art. 717 do Código Civil e art.
35 da Lei n. 4.886/65)

Art. 717. Ainda que dispensado por justa causa, terá o agente direito a ser
remunerado pelos serviços úteis prestados ao proponente, sem embargo de
haver este perdas e danos pelos prejuízos sofridos.

  30  
 
Contratos Interempresariais
 
Art. 35. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação
comercial, pelo representado:
a) a desídia do representante no cumprimento das obrigações decorrentes do
contrato;
b) a prática de atos que importem em descrédito comercial do representado;
c) a falta de cumprimento de quaisquer obrigações inerentes ao contrato de
representação comercial;
d) a condenação definitiva por crime considerado infamante;
e) fôrça maior.

- Dispensa por justa causa alegada pelo agente (art. 716 do Código Civil e art. 36 da
Lei n. 4.886/65)

Art. 36. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação


comercial, pelo representante:
a) redução de esfera de atividade do representante em desacôrdo com as
cláusulas do contrato;
b) a quebra, direta ou indireta, da exclusividade, se prevista no contrato;
c) a fixação abusiva de preços em relação à zona do representante, com o
exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ação regular;
d) o não-pagamento de sua retribuição na época devida;
e) fôrça maior.

Art. 716. A remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar
de ser realizado por fato imputável ao proponente.

- Dispensa sem justa causa (art. 718 do Código Civil, art. 27, j, e art. 27, § 1o)

Art. 718. Se a dispensa se der sem culpa do agente, terá ele direito à remuneração
até então devida, inclusive sobre os negócios pendentes, além das indenizações
previstas em lei especial.

Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e


outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente:
j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos
previstos no art. 35, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 (um doze avos)
do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a
representação.
§ 1° Na hipótese de contrato a prazo certo, a indenização corresponderá à
importância equivalente à média mensal da retribuição auferida até a data da
rescisão, multiplicada pela metade dos meses resultantes do prazo contratual.

DISTRIBUIÇÃO MERCANTIL

- Conceito
- Distribuição x Agência

CONCESSÃO MERCANTIL

- Conceito
  31  
 
Contratos Interempresariais
 
- A classificação de Fábio de Ulhoa
- Exclusividade de zona

CONCESSÃO MERCANTIL DE AUTOMOTORES TERRESTRES

- Contrato típico
- Lei n. 6.729/79 (Lei Ferrari)
- A regra do primeiro contrato (art. 21, parágrafo único, da Lei n. 6.729/79)

Art. 21. A concessão comercial entre produtor e distribuidor de veículos


automotores será de prazo indeterminando e somente cessará nos termos desta
Lei.
Parágrafo único. O contrato poderá ser inicialmente ajustado por prazo
determinado, não inferior a cinco anos, e se tornará automaticamente de prazo
indeterminado se nenhuma das partes manifestar à outra a intenção de não
prorrogá-lo, antes de cento e oitenta dias do seu termo final e mediante
notificação por escrito devidamente comprovada.

- Análise dos arts. 22 a 27 da Lei n. 6.729/79

Art. 22. Dar-se-á a resolução do contrato:


I - por acordo das partes ou força maior;
Il - pela expiração do prazo determinado, estabelecido no início da concesseão,
salvo se prorrogado nos termos do artigo 21, parágrafo único;
III - por iniciativa da parte inocente, em virtude de infração a dispositivo desta
Lei, das convenções ou do próprio contrato, considerada infração também a
cessação das atividades do contraente.
§ 1º A resolução prevista neste artigo, inciso III, deverá ser precedida da
aplicação de penalidades gradativas.
§ 2º Em qualquer caso de resolução contratual, as partes disporão do prazo
necessário à extinção das suas relações e das operações do concessionário, nunca
inferior a cento e vinte dias, contados da data da resolução.

Art. 23. O concedente que não prorrogar o contrato ajustado nos termos do art.
21, parágrafo único, ficará obrigado perante o concessionário a:
I - readquirir-lhe o estoque de veículos automotores e componentes novos, estes
em sua embalagem original, pelo preço de venda à rede de distribuição, vigente
na data de reaquisição:
II - comprar-lhe os equipamentos, máquinas, ferramental e instalações à
concessão, pelo preço de mercado correspondente ao estado em que se
encontrarem e cuja aquisição o concedente determinara ou dela tivera ciência
por escrito sem lhe fazer oposição imediata e documentada, excluídos desta
obrigação os imóveis do concessionário.
Parágrafo único. Cabendo ao concessionário a iniciativa de não prorrogar o
contrato, ficará desobrigado de qualquer indenização ao concedente.

Art. 24. Se o concedente der causa à rescisão do contrato de prazo


indeterminado, deverá reparar o concessionário:
I - readquirindo-lhe o estoque de veículos automotores, implementos e
componentes novos, pelo preço de venda ao consumidor, vigente na data da
rescisão contratual;
II - efetuando-lhe a compra prevista no art. 23, inciso II;
III - pagando-lhe perdas e danos, à razão de quatro por cento do faturamento
projetado para um período correspondente à soma de uma parte fixa de dezoito
meses e uma variável de três meses por quinqüênio de vigência da concessão,
devendo a projeção tomar por base o valor corrigido monetariamente do

  32  
 
Contratos Interempresariais
 
faturamento de bens e serviços concernentes a concessão, que o concessionário
tiver realizado nos dois anos anteriores à rescisão;
IV - satisfazendo-lhe outras reparações que forem eventualmente ajustadas entre
o produtor e sua rede de distribuição.

Art. 25. Se a infração do concedente motivar a rescisão do contrato de prazo


determinado, previsto no art. 21, parágrafo único, o concessionário fará jus às
mesmas reparações estabelecidas no artigo anterior, sendo que:
I - quanto ao inciso III, será a indenização calculada sobre o faturamento
projetado até o término do contrato e, se a concessão não tiver alcançado dois
anos de vigência, a projeção tomará por base o faturamento até então realizado;
Il - quanto ao inciso IV, serão satisfeitas as obrigações vicendas até o termo final
do contrato rescindido.

Art. 26. Se o concessionário der causa à rescisão do contrato, pagará ao


concedente a indenização correspondente a cinco por cento do valor total das
mercadorias que dele tiver adquirido nos últimos quatro meses de contrato.

Art. 27. Os valores devidos nas hipóteses dos artigos 23, 24, 25 e 26 deverão ser
pagos dentro de sessenta dias da data da extinção da concessão e, no caso de
mora, ficarão sujeitos a correção monetária e juros legais, a partir do vencimento
do débito.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. vol. 03. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2016, p. 103-129.

MARTINS, Fran. Contratos e Obrigações Mercantis. Rio de Janeiro: Forense,


2017, p. 222-233.

NEGRÃO, Ricardo. Curso de Direito Comercial e de Empresa. vol. 02. São


Paulo: Saraiva, 2017, p. 288-308.

  33  
 
Contratos Interempresariais
 
AULA 08 – CONTRATO DE FRANQUIA

I. Noções Iniciais
- Origem
- Conceito
- Dominação do mercado e controle de distribuidores
- Lei n. 8.955/94
- Art. 2o da Lei n. 8.955/94

Art. 2º Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao


franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de
distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e,
eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e
administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo
franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto,
fique caracterizado vínculo empregatício.

II. Classificação
- Contrato bilateral, consensual, comutativo e oneroso, de execução sucessiva
- Entre empresas
- Com exclusividade ou delimitação territorial

III. Objeto
- Uso da marca
- Título de estabelecimento ou nome comercial
- Assistência técnica
- Remuneração por royalties

IV. Forma escrita


- Art. 6o da Lei n. 8.955/94

Art. 6º O contrato de franquia deve ser sempre escrito e assinado na presença de


2 (duas) testemunhas e terá validade independentemente de ser levado a
registro perante cartório ou órgão público.

V. Subordinação ou independência?

VI. Como se opera a franquia?

VII. Pré-contrato e contrato de pilotagem

VIII. Circular de oferta de franquia


- 10 dias antes da assinatura do contrato ou pré-contrato ou de qualquer pagamento
(art. 4o da Lei n. 8.955/94)

Art. 4º A circular oferta de franquia deverá ser entregue ao candidato a


franqueado no mínimo 10 (dez) dias antes da assinatura do contrato ou pré-
contrato de franquia ou ainda do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo
franqueado ao franqueador ou a empresa ou pessoa ligada a este.
Parágrafo único. Na hipótese do não cumprimento do disposto no caput deste
artigo, o franqueado poderá argüir a anulabilidade do contrato e exigir

  34  
 
Contratos Interempresariais
 
devolução de todas as quantias que já houver pago ao franqueador ou a terceiros
por ele indicados, a título de taxa de filiação e royalties, devidamente corrigidas,
pela variação da remuneração básica dos depósitos de poupança mais perdas e
danos.

- Causa de anulabilidade
- Conteúdo da COF (art. 3o da Lei n. 8.955/94)

Art. 3º Sempre que o franqueador tiver interesse na implantação de sistema de


franquia empresarial, deverá fornecer ao interessado em tornar-se franqueado
uma circular de oferta de franquia, por escrito e em linguagem clara e acessível,
contendo obrigatoriamente as seguintes informações:
I - histórico resumido, forma societária e nome completo ou razão social do
franqueador e de todas as empresas a que esteja diretamente ligado, bem como
os respectivos nomes de fantasia e endereços;
II - balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora relativos aos
dois últimos exercícios;
III - indicação precisa de todas as pendências judiciais em que estejam
envolvidos o franqueador, as empresas controladoras e titulares de marcas,
patentes e direitos autorais relativos à operação, e seus subfranqueadores,
questionando especificamente o sistema da franquia ou que possam diretamente
vir a impossibilitar o funcionamento da franquia;
IV - descrição detalhada da franquia, descrição geral do negócio e das atividades
que serão desempenhadas pelo franqueado;
V - perfil do franqueado ideal no que se refere a experiência anterior, nível de
escolaridade e outras características que deve ter, obrigatória ou
preferencialmente;
VI - requisitos quanto ao envolvimento direto do franqueado na operação e na
administração do negócio;
VII - especificações quanto ao:
a) total estimado do investimento inicial necessário à aquisição, implantação e
entrada em operação da franquia;
b) valor da taxa inicial de filiação ou taxa de franquia e de caução; e
c) valor estimado das instalações, equipamentos e do estoque inicial e suas
condições de pagamento;
VIII - informações claras quanto a taxas periódicas e outros valores a serem
pagos pelo franqueado ao franqueador ou a terceiros por este indicados,
detalhando as respectivas bases de cálculo e o que as mesmas remuneram ou o
fim a que se destinam, indicando, especificamente, o seguinte:
a) remuneração periódica pelo uso do sistema, da marca ou em troca dos
serviços efetivamente prestados pelo franqueador ao franqueado (royalties);
b) aluguel de equipamentos ou ponto comercial;
c) taxa de publicidade ou semelhante;
d) seguro mínimo; e
e) outros valores devidos ao franqueador ou a terceiros que a ele sejam ligados;
IX - relação completa de todos os franqueados, subfranqueados e
subfranqueadores da rede, bem como dos que se desligaram nos últimos doze
meses, com nome, endereço e telefone;
X - em relação ao território, deve ser especificado o seguinte:
a) se é garantida ao franqueado exclusividade ou preferência sobre determinado
território de atuação e, caso positivo, em que condições o faz; e
b) possibilidade de o franqueado realizar vendas ou prestar serviços fora de seu
território ou realizar exportações;
XI - informações claras e detalhadas quanto à obrigação do franqueado de
adquirir quaisquer bens, serviços ou insumos necessários à implantação,
operação ou administração de sua franquia, apenas de fornecedores indicados e
aprovados pelo franqueador, oferecendo ao franqueado relação completa desses
fornecedores;
  35  
 
Contratos Interempresariais
 
XII - indicação do que é efetivamente oferecido ao franqueado pelo franqueador,
no que se refere a:
a) supervisão de rede;
b) serviços de orientação e outros prestados ao franqueado;
c) treinamento do franqueado, especificando duração, conteúdo e custos;
d) treinamento dos funcionários do franqueado;
e) manuais de franquia;
f) auxílio na análise e escolha do ponto onde será instalada a franquia; e
g) layout e padrões arquitetônicos nas instalações do franqueado;
XIII - situação perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - (INPI)
das marcas ou patentes cujo uso estará sendo autorizado pelo franqueador;
XIV - situação do franqueado, após a expiração do contrato de franquia, em
relação a:
a) know how ou segredo de indústria a que venha a ter acesso em função da
franquia; e
b) implantação de atividade concorrente da atividade do franqueador;
XV - modelo do contrato-padrão e, se for o caso, também do pré-contrato-padrão
de franquia adotado pelo franqueador, com texto completo, inclusive dos
respectivos anexos e prazo de validade.

- Informações falsas na COF (art. 7o da Lei n. 8.955/94)

Art. 7º A sanção prevista no parágrafo único do art. 4º desta lei aplica-se,


também, ao franqueador que veicular informações falsas na sua circular de
oferta de franquia, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

- Prescrição: 2 anos (art. 179 do Código Civil)

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer
prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da
conclusão do ato.

IX. Engineering, management e marketing

X. Extinção do contrato

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

BULGARELLI, Waldirio. Contratos Mercantis. São Paulo: Atlas, 1999, p. 529-541.

MARTINS, Fran. Contratos e Obrigações Mercantis. Rio de Janeiro: Forense,


2017, p. 393-404.

  36  
 
Contratos Interempresariais
 
AULA 09 – CONTRATOS ELETRÔNICOS

I. Noções Iniciais
- Comércio Eletrônico
- Estabelecimento virtual
- Estabelecimentos virtuais e Ação Renovatória
- Franquia e comércio eletrônico

II. Contrato Eletrônico


- Noção
- Princípio da equivalência funcional
- Intervenção estatal x autorregulação
i) corrente ontológica
ii) corrente instrumental
- A despersonalização do contrato

III. Aplicação da Teoria Geral dos Contratos Interempresariais

- Momento da contratação: reanálise dos arts. 427, 428 e 433 do Código Civil.
Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar
dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.

Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:


I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita.
Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio
de comunicação semelhante;
II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para
chegar a resposta ao conhecimento do proponente;
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo
dado;
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a
retratação do proponente.

Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao
proponente a retratação do aceitante.

- Local do contrato
i) estipulação pelas partes
ii) art. 435 do Código Civil

Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.

- A contratação eletrônica está implícita no profissionalismo da atividade


empresarial?
- Como tratar o dever de informação?
- Análise de casos: i) Estante Virtual; ii) Fórmula de Lançamento; iii) Hotmart; iv)
Afiliado da Hotmart; v) Redes sociais; vi) Youtube.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

AQUINO JÚNIOR, Geraldo Frazão de. Contratos Eletrônicos. Curitiba: Juruá,


2012, p. 65-95.

COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. vol. 03. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2016, p. 50-67.
  37  
 
Títulos de Crédito
 
AULA 10 – PRIMEIRO EXERCÍCIO DE AVALIAÇÃO

AULA 11 – TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO

I. Noções Iniciais
- Conceito de Título de Crédito
“Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e
autônomo, nele mencionado.” (Vivante)
- Considerações de Fábio Ulhoa
- Título de crédito e demais documentos que representam direitos e obrigações:
i) relações creditícias;
ii) facilidade de cobrança;
iii) disciplina jurídica própria;

Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:


I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque;

II. Princípios do Direito Cambiário

II.1 Cartularidade
i) posse da cártula
ii) a questão do PJE
iii) títulos de crédito eletrônicos

II.2 Literalidade
i) atos lançados no títulos
ii) a questão dos atos documentados em instrumentos apartados

II.3 Autonomia
i) quando há pluralidade de relações
ii) a questão da relação fundamental/negócio originário
iii) desnecessidade de investigação da origem da relação fundamental
iv) a questão da má-fé;

- Abstração: desvinculação da relação fundamental quando posto em circulação


- Inoponibilidade: das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé

III. A questão da solidariedade cambial


- Conceito de solidariedade passiva

IV. Classificação dos Títulos de Crédito

IV.1 Quanto à forma de transferência ou circulação


i) ao portador
ii) nominal (à ordem – endosso/não à ordem – cessão civil de crédito)
iii) nominativo (registro específico mantido com o emitente)

  38  
Títulos de Crédito
 

IV.2 Quanto ao modelo


i) livre (letra de câmbio e nota promissória)
ii) vinculado (cheque e duplicata)

IV.3 Quanto à estrutura


i) ordem de pagamento
ii) promessa de pagamento

IV.4 Quanto às hipóteses de emissão


i) título causal
ii) título abstrato

V. Títulos de Crédito no Código Civil de 2002

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Títulos de Crédito
 
AULA 12 – LETRA DE CÂMBIO

I. Contextualização Histórica
- Idade Média
- Os 4 períodos históricos
i) italiano (até 1650)
ii) francês (até 1848)
iii) alemão (até 1930)
iv) uniforme (1930)

- Caso do Brasil (Decreto n. 57.663/1966)

II. Saque da Letra de Câmbio


- 3 personagens
i) sacador
ii) tomador
iii) sacado

- Requisitos da Letra de Câmbio (arts. 1o e 2o da Lei Uniforme de Genebra)

Art. 1º. A letra contém:


1. a palavra "letra" inserta no próprio texto do título e expressa na língua
empregada para a redação desse título;
2. o mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada;
3. o nome daquele que deve pagar (sacado);
4. a época do pagamento;
5. a indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento;
6. o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
7. a indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada;
8. a assinatura de quem passa a letra (sacador).
Art. 2º. O escrito em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior
não produzirá efeito como letra, salvo nos casos determinados nas alíneas
seguintes:
A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista.
Na falta de indicação especial, o lugar designado ao lado do nome do sacado
considera-se como sendo o lugar do pagamento, e, ao mesmo tempo, o lugar do
domicilio do sacado.
A letra sem indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido
no lugar designado, ao lado do nome do sacador.

- Identificação do título – “Cláusula Cambiária”


- Título em branco ou incompleto
- Súmula 387 do STF

“A cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco, pode ser completada


pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.”

III. Aceite da letra de câmbio


- Introdução a nova situação jurídica
- Recusa do aceite: vencimento antecipado do título
- Recusa parcial do Aceite

  40  
Títulos de Crédito
 
i) aceite limitativo
ii) aceite modificativo

- Cláusula não aceitável

IV. Endosso da Letra de Câmbio


- Nova situação jurídica
i) endossante
ii) endossatário
- Primeiro endossante: o tomador
- Cláusula não à ordem
- Dois efeitos
i) transferência do título
ii) vinculação do endossante ao pagamento
- Endosso sem garantia;
- Endosso em branco e em preto
- Endosso impróprio (não opera a transferência da titularidade)
i) mandato
ii) caução
- Endosso e cessão civil de crédito
a) enquanto o endossante, em regra, responde pela solvência do devedor, o cedente,
em regra, responde apenas pela existência do crédito
b) o devedor não pode alegar contra o endossatário de boa-fé exceções pessoais, mas
as pode alegar contra o cessionário.

V. Aval da Letra de Câmbio


- Garantia suplementar
- Nova situação jurídica
i) avalista
ii) avalizado
- Características
i) autonomia
ii) obrigação equivalente a do avalizado
- Aval em branco e em preto
- Avais simultâneos e sucessivos
- Aval e fiança
i) autonomia
ii) inoponibilidade das exceções

VII. Vencimento
- Vencimento ordinário e extraordinário
- Vencimento extraordinário
i) recusa do aceite
ii) falência do aceitante
- Classificação das letras segundo o vencimento
i) letra com vencimento em dia certo
ii) letra à vista
iii) letra a certo termo da vista

  41  
Títulos de Crédito
 
iv) letra a certo termo da data

VII. Pagamento
- Extinção de obrigações cambiais (uma, algumas ou todas)
- Se o devedor principal paga
- Se o codevedor paga
- Prazo para apresentação (dia do vencimento)

VIII. Protesto
- Ato para formalizar a prova de fato jurídico
- Necessidade do protesto (executar os codevedores)
- 2 dias úteis seguintes ao vencimento
- Letra de câmbio sem aceite – protesto por falta de aceite (contra o sacador)

IX. Ação Cambial


- Limita as matérias de defesa do devedor quando o credor é terceiro de boa-fé
- Prescrição
i) 3 anos contra devedor principal e seu avalista contado do vencimento
ii) 1 ano contra codevedores contado do protesto
iii) 6 meses para direito de regresso a partir do pagamento ou ajuizamento da
execução
- Possibilidade de ação de conhecimento ou ação monitória (ação causal)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

  42  
Títulos de Crédito
 
AULA 13 – NOTA PROMISSÓRIA E CHEQUE

NOTA PROMISSÓRIA

I. Noção Inicial
- 2 personagens
i) subscritor (ou sacador)
ii) tomador
- Sistemática

II. Requisitos da Nota Promissória


- Estão nos arts. 75 e 76 da Lei Uniforme.

Art. 75. A nota promissória contém:


1. denominação "nota promissória" inserta no próprio texto do título e expressa
na língua empregada para a redação desse título;
2. a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada;
3. a época do pagamento;
4. a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento;
5. o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
6. a indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada;
7. a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor).

Art. 76. O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior
não produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das
alíneas seguintes.
A nota promissória em que se não indique a época do pagamento será
considerada à vista.
Na falta de indicação especial, o lugar onde o título foi passado considera-se
como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do
subscritor da nota promissória.
A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada
considera-se como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do
subscritor.

III. Regime Jurídico da Nota Promissória


- Mesmo da Letra de Câmbio
- Não aplicação das regras incompatíveis coma natureza do título
- Ao sacador da nota promissória se aplica as regras referentes ao aceitante da Letra
de Câmbio (art. 78 da LU)

Art. 78. O subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma


que o aceitante de uma letra.

- Súmula 504 do STJ

O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota


promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao
vencimento do título.

  43  
Títulos de Crédito
 
CHEQUE

I. Noção Inicial
- É regulado pela Lei n. 7.357/85
- Modelo vinculado
- Ordem de pagamento à vista
- Não há prazo de apresentação
- O banco é o sacado, mas ele não é o devedor

II. Requisitos do Cheque


- Arts. 1o e 2o da Lei do Cheque (Lei n. 7.357/85)

Art. 1º O cheque contêm:


I - a denominação ‘’cheque’’ inscrita no contexto do título e expressa na língua
em que este é redigido;
II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
III - o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado);
IV - a indicação do lugar de pagamento;
V - a indicação da data e do lugar de emissão;
VI - a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes
especiais.
Parágrafo único - A assinatura do emitente ou a de seu mandatário com poderes
especiais pode ser constituída, na forma de legislação específica, por chancela
mecânica ou processo equivalente.
Art. 2º O título, a que falte qualquer dos requisitos enumerados no artigo
precedente não vale como cheque, salvo nos casos determinados a seguir:
I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar
designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é
pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável
no lugar de sua emissão;
II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar
indicado junto ao nome do emitente.

- Indicação do valor por extenso e em algarismos (art. 12 da LC)

Art. 12 Feita a indicação da quantia em algarismos e por extenso, prevalece esta


no caso de divergência. lndicada a quantia mais de uma vez, quer por extenso,
quer por algarismos, prevalece, no caso de divergência, a indicação da menor
quantia.

- Cheque ao portador (até R$100,00)

III. Circulação do cheque


- Cláusula “à ordem” implícita
- É possível endosso com cláusula “sem garantia”

IV. Modalidades de Cheque


IV.1 Cheque visado
- Visto do banco a pedido do emitente (art. 7o da LC)
- Cheque nominativo e não endossado

  44  
Títulos de Crédito
 
Art. 7º Pode o sacado, a pedido do emitente ou do portador legitimado, lançar e
assinar, no verso do cheque não ao portador e ainda não endossado, visto,
certificação ou outra declaração equivalente, datada e por quantia igual à
indicada no título.
§ 1º A aposição de visto, certificação ou outra declaração equivalente obriga o
sacado a debitar à conta do emitente a quantia indicada no cheque e a reservá-la
em benefício do portador legitimado, durante o prazo de apresentação, sem que
fiquem exonerados o emitente, endossantes e demais coobrigados.
§ 2º - O sacado creditará à conta do emitente a quantia reservada, uma vez
vencido o prazo de apresentação; e, antes disso, se o cheque lhe for entregue
para inutilização.

IV.2 Cheque administrativo


- O próprio Banco é o emitente
- Não pode ser emitido ao portador

IV.3 Cheque cruzado


- Cruzamento em branco e em preto (art. 44 da LC)
- Só pode ser pago a um banco

Art. 44 O emitente ou o portador podem cruzar o cheque, mediante a aposição


de dois traços paralelos no anverso do título.
§ 1º O cruzamento é geral se entre os dois traços não houver nenhuma indicação
ou existir apenas a indicação ‘’banco’’, ou outra equivalente. O cruzamento é
especial se entre os dois traços existir a indicação do nome do banco.
§ 2º O cruzamento geral pode ser convertida em especial, mas este não pode
converter-se naquele.
§ 3º A inutilização do cruzamento ou a do nome do banco é reputada como não
existente.

Art. 45 O cheque com cruzamento geral só pode ser pago pelo sacado a banco ou
a cliente do sacado, mediante crédito em conta. O cheque com cruzamento
especial só pode ser pago pelo sacado ao banco indicado, ou, se este for o sacado,
a cliente seu, mediante crédito em conta. Pode, entretanto, o banco designado
incumbir outro da cobrança.
§ 1º O banco só pode adquirir cheque cruzado de cliente seu ou de outro banco.
Só pode cobrá-lo por conta de tais pessoas.
§ 2º O cheque com vários cruzamentos especiais só pode ser pago pelo sacado no
caso de dois cruzamentos, um dos quais para cobrança por câmara de
compensação.
§ 3º Responde pelo dano, até a concorrência do montante do cheque, o sacado ou
o banco portador que não observar as disposições precedentes.

IV.4 Cheque para se levar em conta


- Art. 46 da LC

Art. 46 O emitente ou o portador podem proibir que o cheque seja pago em


dinheiro mediante a inscrição transversal, no anverso do título, da cláusula
‘’para ser creditado em conta’’, ou outra equivalente. Nesse caso, o sacado só
pode proceder a Iançamento contábil (crédito em conta, transferência ou
compensação), que vale como pagamento. O depósito do cheque em conta de
seu beneficiário dispensa o respectivo endosso.
§ 1º A inutilização da cláusula é considerada como não existente.

  45  
Títulos de Crédito
 
§ 2º Responde pelo dano, até a concorrência do montante do cheque, o sacado
que não observar as disposições precedentes.

V. Prazo de apresentação
- Mesma praça – 30 dias
- Praças diferentes – 60 dias
- Art. 33 da LC

Art. 33 O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da


emissão, no prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de
ser pago; e de 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no
exterior.
Parágrafo único - Quando o cheque é emitido entre lugares com calendários
diferentes, considera-se como de emissão o dia correspondente do calendário do
lugar de pagamento.

- Inobservância do prazo – Perda do direito de executar os endossantes e seus


avalistas (art. 47, II, da LC)

Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque:


I - contra o emitente e seu avalista;
II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo
hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do
sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação,
ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação.
§ 1º Qualquer das declarações previstas neste artigo dispensa o protesto e
produz os efeitos deste.
§ 2º Os signatários respondem pelos danos causados por declarações inexatas.
§ 3º O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil, ou não comprovar
a recusa de pagamento pela forma indicada neste artigo, perde o direito de
execução contra o emitente, se este tinha fundos disponíveis durante o prazo de
apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável.
§ 4º A execução independe do protesto e das declarações previstas neste artigo,
se a apresentação ou o pagamento do cheque são obstados pelo fato de o sacado
ter sido submetido a intervenção, liquidação extrajudicial ou falência.

- Súmula 600 do STF

“Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que não
apresentado o cheque o sacado no prazo legal, desde que não prescrita a ação
cambiária.”

- Apresentação após o prazo de apresentação (é possível, desde que dentro do prazo


prescricional – 6 meses) – Art. 35, parágrafo único

Art. 35. O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo, mercê de


contra-ordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com
as razões motivadoras do ato.
Parágrafo único - A revogação ou contra-ordem só produz efeito depois de
expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o sacado pagar
o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta Lei.

  46  
Títulos de Crédito
 

VI. Cheque Pós-Datado


- Cheque é ordem de pagamento à vista (art. 32 da Lei do Cheque)

Art. 32 O cheque é pagável à vista. Considera-se não-estrita qualquer menção em


contrário.

- Banco não pode se negar a liquidar o cheque pós-datado


- Apresentação gera o dever de indenização (descumprimento de obrigação de não
fazer)

- Súmula 370 do STJ

“Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.”

VII. Sustação do Cheque


- Revogação (contra-ordem) ou oposição (arts. 35 e 36 da LC)

Art. 35 O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo, mercê de contra-


ordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as
razões motivadoras do ato.
Parágrafo único - A revogação ou contra-ordem só produz efeito depois de
expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o sacado pagar
o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta Lei.

Art. 36 Mesmo durante o prazo de apresentação, o emitente e o portador


legitimado podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por
escrito, oposição fundada em relevante razão de direito.
§ 1º A oposição do emitente e a revogação ou contra-ordem se excluem
reciprocamente.
§ 2º Não cabe ao sacado julgar da relevância da razão invocada pelo oponente.

- Ao banco não cabe apreciar o motivo


- A questão do descumprimento de obrigação pelo portador do cheque
- Revogação (ato exclusivo do emitente e só produz efeitos após o prazo de
apresentação)
- Oposição pode ser feita pelo emitente e pelo tomador

VIII. Cheque sem Fundos


- Dois ou mais cheques apresentados simultaneamente (art. 40 da LC)

Art. 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados os cheques e


se 2 (dois) ou mais forem apresentados simultaneamente, sem que os fundos
disponíveis bastem para o pagamento de todos, terão preferência os de emissão
mais antiga e, se da mesma data, os de número inferior.

- Limite de 2 apresentações (não há obrigação do tomador)


- Prazo para protesto (mesmo prazo para a apresentação), entretanto termina sendo
inócuo

  47  
Títulos de Crédito
 

- Repressão ao uso do cheque sem fundos

IX. Execução

- Prazo prescricional – 6 meses do fim do prazo de apresentação

Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de


apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador.
Parágrafo único - A ação de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque
contra outro prescreve em 6 (seis) meses, contados do dia em que o obrigado
pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.

- Ação de enriquecimento indevido (art. 61 da LC) – 2 anos

Art. 61 A ação de enriquecimento contra o emitente ou outros obrigados, que se


locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque, prescreve em 2
(dois) anos, contados do dia em que se consumar a prescrição prevista no art. 59
e seu parágrafo desta Lei.

- Súmula 503 do STJ

“O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque


sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão
estampada na cártula.”

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Títulos de Crédito
 

AULA 14 – DUPLICATA

I. Noção Inicial
- A duplicata é regulada pela Lei n. 5.474/68 (Lei da Duplicata)
- A questão do aceite obrigatório
- Requisitos (art. 2o e 3o da LD)

Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para
circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de
título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância
faturada ao comprador.
§ 1º A duplicata conterá:
I - a denominação "duplicata", a data de sua emissão e o número de ordem;
II - o número da fatura;
III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista;
IV - o nome e domicílio do ven dedor e do comprador;
V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso;
VI - a praça de pagamento;
VII - a cláusula à ordem;
VIII - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la,
a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial;
IX - a assinatura do emitente.
§ 2º Uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura.
§ 3º Nos casos de venda para pagamento em parcelas, poderá ser emitida
duplicata única, em que se discriminarão tôdas as prestações e seus
vencimentos, ou série de duplicatas, uma para cada prestação distinguindo-se a
numeração a que se refere o item I do § 1º dêste artigo, pelo acréscimo de letra
do alfabeto, em seqüência.

Art. 3º A duplicata indicará sempre o valor total da fatura, ainda que o


comprador tenha direito a qualquer rebate, mencionando o vendedor o valor
líquido que o comprador deverá reconhecer como obrigação de pagar.
§ 1º Não se incluirão no valor total da duplicata os abatimentos de preços das
mercadorias feitas pelo vendedor até o ato do faturamento, desde que constem
da fatura.
§ 2º A venda mercantil para pagamento contra a entrega da mercadoria ou do
conhecimento de transporte, sejam ou não da mesma praça vendedor e
comprador, ou para pagamento em prazo inferior a 30 (trinta) dias, contado da
entrega ou despacho das mercadorias, poderá representar-se, também, por
duplicata, em que se declarará que o pagamento será feito nessas condições.

- Os dois tipos de duplicata: a mercantil e a de prestação de serviços

II. Causalidade da duplicata


- Apesar da causalidade, aplica-se as mesmas normas da emissão, circulação e
pagamento da Letra de Câmbio (art. 25 da LD)

Art. 25. Aplicam-se à duplicata e à triplicata, no que couber, os dispositivos da


legislação sôbre emissão, circulação e pagamento das Letras de Câmbio.

- Emissão não é obrigatória


-Dever de escrituração (art. 19 da LD)

  49  
Títulos de Crédito
 
Art. 19. A adoção do regime de vendas de que trata o art. 2º desta Lei obriga o
vendedor a ter e a escriturar o Livro de Registro de Duplicatas.
§ 1º No Registro de Duplicatas serão escrituradas, cronològicamente, tôdas as
duplicatas emitidas, com o número de ordem, data e valor das faturas
originárias e data de sua expedição; nome e domicílio do comprador; anotações
das reformas; prorrogações e outras circunstâncias necessárias.
§ 2º Os Registros de Duplicatas, que não poderão conter emendas, borrões,
rasuras ou entrelinhas, deverão ser conservados nos próprios estabelecimentos.
§ 3º O Registro de Duplicatas poderá ser substituído por qualquer sistema
mecanizado, desde que os requesitos dêste artigo sejam observados.

III. Aceite da duplicata mercantil


- Extração da fatura ou nota fiscal-fatura
- Res. BC n. 102/68 – Estabelece o modelo padrão
- Duplicata remetida ao sacado – 30 dias (art. 6o da LD)

Art. 6º A remessa de duplicata poderá ser feita diretamente pelo vendedor ou


por seus representantes, por intermédio de instituições financeiras, procuradores
ou, correspondentes que se incumbam de apresentá-la ao comprador na praça
ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os intermediários devolvê-la,
depois de assinada, ou conservá-la em seu poder até o momento do resgate,
segundo as instruções de quem lhes cometeu o encargo.
§ 1º O prazo para remessa da duplicata será de 30 (trinta) dias, contado da data
de sua emissão.
§ 2º Se a remessa fôr feita por intermédio de representantes instituições
financeiras, procuradores ou correspondentes êstes deverão apresentar o título,
ao comprador dentro de 10 (dez) dias, contados da data de seu recebimento na
praça de pagamento.

- Título de pagamento à vista – sacado recebe e paga


- Título de pagamento à prazo – sacado recebe e tem 10 dias para devolver com o
aceite (art. 7o da LD)

Art. 7º A duplicata, quando não fôr à vista, deverá ser devolvida pelo comprador
ao apresentante dentro do prazo de 10 (dez) dias, contado da data de sua
apresentação, devidamente assinada ou acompanhada de declaração, por escrito,
contendo as razões da falta do aceite.
§ 1º Havendo expressa concordância da instituição financeira cobradora, o
sacado poderá reter a duplicata em seu poder até a data do vencimento, desde
que comunique, por escrito, à apresentante o aceite e a retenção.
§ 2º - A comunicação de que trata o parágrafo anterior substituirá, quando
necessário, no ato do protesto ou na execução judicial, a duplicata a que se
refere.

- A recusa pode existir se for motivada (art. 8o da LD)

Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de:


I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não
entregues por sua conta e risco;
II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias,
devidamente comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.

  50  
Títulos de Crédito
 

- Modalidades de aceite
i) Ordinário
ii) Por presunção (tipo mais comum)
iii) Aceite por comunicação

IV. Protesto da duplicata mercantil


- Falta de aceite, devolução ou pagamento (art. 13 da LD)

Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou


pagamento.
§ 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado,
conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata, ou, ainda,
por simples indicações do portador, na falta de devolução do título.
§ 2º O fato de não ter sido exercida a faculdade de protestar o título, por falta de
aceite ou de devolução, não elide a possibilidade de protesto por falta de
pagamento.
§ 3º O protesto será tirado na praça de pagamento constante do título.
§ 4º O portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro
do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o
direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas.

- Falta de aceite
- Falta de devolução
- Falta de pagamento
- Protesto – 30 dias seguintes ao vencimento (art. 13, § 4º, da LD)

Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou


pagamento.
§ 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado,
conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata, ou, ainda,
por simples indicações do portador, na falta de devolução do título.
§ 2º O fato de não ter sido exercida a faculdade de protestar o título, por falta de
aceite ou de devolução, não elide a possibilidade de protesto por falta de
pagamento.
§ 3º O protesto será tirado na praça de pagamento constante do título.
§ 4º O portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro
do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o
direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas.

- Protesto obrigatório quando há aceite presumido (art. 15, II, da LD)


Art 15 - A cobrança judicial de duplicata ou triplicata será efetuada de
conformidade com o processo aplicável aos títulos executivos extrajudiciais, de
que cogita o Livro II do Código de Processo Civil ,quando se tratar:
l - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não;
II - de duplicata ou triplicata não aceita, contanto que,
cumulativamente:
a) haja sido protestada;
b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e
recebimento da mercadoria; e
c) o sacado não tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas
condições e pelos motivos previstos nos arts. 7º e 8º desta Lei.

  51  
Títulos de Crédito
 
§ 1º - Contra o sacador, os endossantes e respectivos avalistas caberá o processo
de execução referido neste artigo, quaisquer que sejam a forma e as condições do
protesto.
§ 2º - Processar-se-á também da mesma maneira a execução de duplicata ou
triplicata não aceita e não devolvida, desde que haja sido protestada mediante
indicações do credor ou do apresentante do título, nos termos do art. 14,
preenchidas as condições do inciso II deste artigo.

- Protesto por indicações – É feito com base nas informações do registro do vendedor
- Sistemática moderna – registro em meio eletrônico/ banco expede a guia de
compensação/ com não pagamento, o banco remete as indicações para o cartório
para o protesto por indicações
- Triplicata (2a via da duplicata para apresentar no cartório)

V. Execução da Duplicata Mercantil


- Título executivo extrajudicial
- Cobrança do sacado:
i) aceite ordinário – basta apresentar a duplicata
ii) aceite presumido – duplicata protestada e/ou instrumento de protesto por
indicações/comprovante de entrega das mercadorias
- Cobrança do avalista do sacado: título com o aval
- Endossante ou avalista de endossante – título com o aval ou endosso acompanhado
do protesto antes do prazo de 30 dias do vencimento
- Prescrição
i) 3 anos, a contar do vencimento, contra o sacado e seu avalista
ii) 1 ano, a contar do protesto, contra endossante e seus avalistas
iii) 1 ano, a partir do pagamento, para o direito de regresso
- Executividade da Duplicata em Meio Eletrônico

VI. Títulos de Crédito por Prestação de Serviços


- Arts. 20 e 21 da LD

Art. 20. As emprêsas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis,


que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei,
emitir fatura e duplicata.
§ 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados.
§ 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.
§ 3º Aplicam-se à fatura e à duplicata ou triplicata de prestação de serviços, com
as adaptações cabíveis, as disposições referentes à fatura e à duplicata ou
triplicata de venda mercantil, constituindo documento hábil, para transcrição do
instrumento de protesto, qualquer documento que comprove a efetiva prestação,
dos serviços e o vínculo contratual que a autorizou.

Art . 21. O sacado poderá deixar de aceitar a duplicata de prestação de serviços


por motivo de:
I - não correspondência com os serviços efetivamente contratados;
II - vícios ou defeitos na qualidade dos serviços prestados, devidamente
comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.

- É necessário apresentar documento comprobatório do vínculo contratual e da


efetiva prestação dos serviços

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Títulos de Crédito
 
AULA 15 – SEGUNDO EXERCÍCIO DE AVALIAÇÃO

  53