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Tornearia Mecânica

Torno Mecânico
Torneamento
• Torneamento é o processo mecânico de
usinagem destinado à obtenção de
superfícies de revolução com auxílio de
uma ou mais ferramentas monocortantes.
Importância do torneamento na
usinagem
O torneamento se baseia em um dos princípios de
fabricação mais antigos, usado pelo homem desde a
remota antiguidade, quando servia para a fabricação de
vasilhas de cerâmicas;
Esse princípio baseia-se na rotação da peça sobre seu
próprio eixo para a produção de superfícies cilíndricas
ou cônicas;
O princípio em questão só foi efetivamente usado para o
trabalho de metais no começo do século passado. A
partir de então, tornou-se um dos processos mais
completos de fabricação mecânica.
Torno a pedal 1498
Torneamento - introdução
O torneamento acontece mediante a retirada progressiva do cavaco da peça a
ser trabalhada. O cavaco é gerado por uma ferramenta de um só gume
cortante, que deve ter uma dureza superior à do material a ser cortado;
Torneamento - Introdução

A norma NBR 6175:1971 classifica torneamento como o


processo mecânico de usinagem destinado à obtenção
de superfícies de revolução com auxílio de uma ou mais
ferramentas monocortantes. Para tanto, a peça gira em
torno do eixo principal de rotação da máquina e a
ferramenta se desloca simultaneamente segundo uma
trajetória coplanar com o referido eixo;
O torno é considerado também a máquina ferramenta
fundamental porque dele derivou-se todas as outras
máquinas (J. M. Freire, 1978).
Operações fundamentais
Cilindrar (Carrear) – obtida pelo deslocamento da
ferramenta paralelamente ao eixo da peça. O
deslocamento retilíneo da ferramenta pode ter qualquer
dos dois sentidos, do mesmo modo a rotação da peça;
Operações fundamentais
Rosquear – é a operação que consiste em abrir rosca em
uma superfície externa de um cilindro ou cone e no
interior de um furo do mesmo tipo. Dois movimentos são
necessários para isso: rotação da obra e translação da
ferramenta (avanço);
Operações fundamentais

Facear – operação que se obtém pelo deslocamento da


ferramenta, normalmente ao eixo da ferramenta ao eixo
de rotação;
Operações fundamentais
Sangrar (cortar) – operação que consiste em cortar uma
peça, no torno, com uma ferramenta especial chamada
bedame;
Operações fundamentais
Tornear cônico – operação obtida pelo deslocamento da
ferramenta obliquamente ao eixo da peça;
Operações fundamentais
Perfilar – é o torneado de superfície de revolução de
qualquer perfil. A ferramenta executa um movimento
retilíneo de translação paralelo ao eixo da peça e
simultaneamente um movimento de translação retilíneo
normal. O perfil resulta da trajetória de ambos os
movimentos;
Operações fundamentais
Broquear – é o a operação de tornear internamente;

Mandrilar – operação de alargar ou broquear um furo em


peças pesadas no torno;
Classificação dos tornos
mecânicos
Para atender às numerosas necessidades modernas, a
técnica de torneamento põe à disposição uma grande
variedade de tornos que diferem ente si pelas dimensões,
características e formas construtivas;
A escolha do tipo de torno baseia-se nos seguintes fatores:
 dimensões da peça a produzir;
 forma dessas peças;
 quantidade a produzir;
 possibilidade de obter as peças de vergalhões e barras;
 grau de precisão exigido.
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos universais – podem ser também chamados de
horizontais. São os mais comuns e mais utilizados. Por
apresentar dificuldades na mudança de ferramentas não
oferecem grandes possibilidades na fabricação em série;
Pode executar operações que normalmente são feitas por
outras máquinas como a furadeira, a fresadora e a
retificadora, com adaptações relativamente simples;
Esse torno possui eixo e barramento horizontal e tem
capacidade de realizar todas as operações: faceamento,
torneamento de superfícies cilíndricas e cônicas (interna
e externa), abrir rosca (interna e externa), furação e corte.
Torno Mecânico Universal
Torno Mecânico Universal
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos de placa – são
empregados para
tornear peças curtas e
de grandes diâmetros,
tais como polias,
volantes, rodas, etc;
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos verticais – com eixo de
rotação vertical, são empregados
para tornear peças de grande
tamanho, como volantes, polias,
rodas dentadas, etc; as quais por
seu grande peso, podem ser
montadas mais facilmente sobre a
plataforma redonda horizontal que
sobre uma plataforma vertical;
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos revólver – tem a
característica fundamental de
empregar várias ferramentas
convenientemente dispostas e
preparadas para realizar as
operações em forma ordenada
e sucessiva, com o emprego
da torre revólver (castelo)
como porta-ferramenta
múltiplo;
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos copiadores – permitem obter peças com forma de sólidos de
revolução de perfil qualquer. A ferramenta opera com dois
movimentos simultâneos, translação longitudinal e translação
transversal em relação à peça;
Substituindo o avanço transversal do carro porta-ferramenta do torno
comum por um mecanismo apropriado pode-se obter um torno
copiador;
No copiador hidráulico, um apalpador, em contato com o modelo,
transmite o movimento através de um amplificador hidráulico que
movimenta o carro porta ferramentas.
Torno copiador
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos de produção (corte múltiplo) – são providos de dois carros, um
anterior com movimento longitudinal e outro posterior, com
movimento transversal, que trabalham simultaneamente com avanço
automático. Os dois carros são providos de porta-ferramentas;
Classificação dos tornos
mecânicos
Tornos CNC’s – os tornos automáticos, muito utilizados na fabricação de
grandes séries de peças, são comandados por meio de cames,
excêntricos e fim de curso.
O seu alto tempo de preparação e ajuste, para início de nova série de
Peças, faz com que ele não seja viável para médios e pequenos
lotes, daí o surgimento das máquinas CNC (comando numérico
computadorizado);
O objetivo do CNC é fazer com que as ferramentas de corte ou
usinagem sigam, automaticamente, uma trajetória pré-programada
através de instruções codificadas, com a velocidade da trajetória e a
rotação da ferramenta ou peça também pré- programadas.
Torno CNC
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Todos os tornos, respeitadas suas variações de dispositivos ou
dimensões exigidas em cada caso, apresentam as seguintes partes
principais; no que se denomina corpo de máquina: barramento,
cabeçote fixo ou árvore e móvel, caixas de mudança de velocidade;
As partes que compõem o corpo da máquina e as que fazem parte do
torno são as responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas
destacados a seguir:
Sistema de transmissão de movimento do eixo:motor, polia,
engrenagens, redutores;
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Sistema de deslocamento da ferramenta e de
movimentação da peça em diferentes velocidades:
engrenagens, caixa de câmbio, inversores de marcha,
fusos, vara etc;
Sistema de fixação da ferramenta: torre, carro porta-
ferramenta, carro transversal, carro principal ou
longitudinal;
Sistema de fixação da peça: placas e cabeçote móvel;
Sistema de comandos dos movimentos e das velocidades:
manivelas e alavancas;
Sistema de frenagem.
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Barramento – suporta as partes principais do torno e está
situado sobre os pés da máquina-ferramenta. O carro
longitudinal e o cabeçote móvel se deslocam sobre ele. O
barramento serve de referência para indicar os
movimentos longitudinal e transversal;
O barramento é uma peça de ferro fundido resistente. Os
trilhos prismáticos em V têm-se mostrado os mais úteis e
rigorosos pois resistem melhor à força resultante
originada pelas forças principal e de corte;
Barramento
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Cabeçote fixo – os tornos mais antigos utilizavam o cone de polias para
produzir e variar as velocidades do movimento principal da árvore;
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Nas máquinas modernas, o cabeçote fixo possui, em seu interior,
conjuntos de engrenagens que servem para a mudança de
velocidade e do avanço automático do carro longitudinal. A mudança
da velocidade é feita pelas alavancas externas.
O cabeçote fixo recebe movimento de um motor elétrico, através da
transmissão do movimento, feito por polias e correias;
O movimento de avanço se relaciona com os elementos presentes no
cabeçote fixo através da caixa Norton, onde localiza-se uma caixa de
engrenagens com dois eixos;
Caixa Norton
Principais componentes dos
tornos mecânicos
O mecanismo Norton também desempenha papel importante nas
operações de abrir roscas.
Cabeçote móvel – esta parte serve para prender a contraponta, a broca
de haste cônica, os mandris etc. O cabeçote móvel deve trabalhar
alinhado com a placa. O alinhamento é feito com um parafuso em
sua base.
Carro longitudinal - Esta parte trabalha ao longo do barramento. Seu
movimento pode ser feito manualmente, por meio do volante, ou
automaticamente;
Neste carro observa-se a presença de outros elementos como o fuso, a
vara, o carro transversal, a espera e os anéis graduados.
Carro longitudinal
Carro longitudinal
Principais componentes dos
tornos mecânicos
O fuso tem por função controlar o movimento do carro longitudinal. É
usado para abertura de rosca;
A vara é a parte que movimenta o carro longitudinal e transversal para
desbastar a peça (automático);
O carro transversal trabalha transversalmente ao barramento, sobre o
carro longitudinal. Seu movimento pode ser manual, por meio de
manivela, ou automático, engatando-se a alavanca. É usado para dar
profundidade de corte no torneamento longitudinal ou para facear;
A espera trabalha sobre o carro transversal. Nela está o porta-
ferramenta. Seu movimento é feito por meio da manivela;
Principais componentes dos
tornos mecânicos
A espera é usada ainda para dar profundidade de corte, manualmente,
principalmente no faceamento de peças, ou para o torneamento
cônico de peças pequenas, através da inclinação da espera;
Principais componentes dos
tornos mecânicos
O fuso tem por função controlar o movimento do carro longitudinal. É
usado para abertura de rosca;
O anel graduado tem como função controlar o movimento dos carros.
Para remover com precisão certa espessura de material, ou seja, “dar
um passe”, o torneiro necessita fazer avançar a ferramenta contra a
peça, na medida determinada;
Nos tornos há uma alavanca de avanço que pode ter três posições: em
uma delas engrena o movimento de avanço longitudinal, em outra o
transversal. Na terceira posição desengrena ambos os movimentos
automáticos;
Alavanca de avanço
Principais componentes dos
tornos mecânicos
Os avanços longitudinal e transversal não podem ser engrenados
enquanto a porca partida estiver trabalhando na abertura de rosca;
As guias não são meros suportes, são também um dispositivo que
permite o deslocamento do carro com precisão, sendo
cuidadosamente usinadas no mais alto grau de precisão.
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Contraponto (fixo) e ponto rotativo - Utilizados nas operações de
torneamento que requerem fixação entre pontos de torno. O ponto
rotativo é fixado no cabeçote móvel, assim como o contraponto. A
diferença é que o contraponto fixo é usado para torneamento em
baixas rotações e com lubrificantes.
Trabalho entre pontas
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Placa de arrasto - é usado no torneamento de peças fixadas entre
pontas, em que se pretende manter a maior concentricidade no
comprimento total torneado;
Placa plana (ou lisa) - utilizada na fixação de peças irregulares com
auxílio de alguns dispositivos. A placa plana amplia as possibilidades
de fixação de peças de formato irregular que necessitam ser
torneadas;
Placa de castanhas independentes – podem ter 3 ou 4 castanhas.
Utilizada na fixação de peças de perfis irregulares, pois suas
castanhas de aperto podem ser acionadas separadamente,
oferecendo condições de centragem da região que se pretende
usinar;
Placa de castanhas independentes
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Placa universal - apesar de ser uma parte do torno, a placa
universal é um equipamento muito comum e importante
nos trabalhos de torneamento, sendo a mais utilizada das
placas;
Possui três castanhas que efetuam o aperto da peça
simultaneamente e sua consequente centralização. Pode
efetuar fixação em diâmetros internos e externos;
essas placas se apóiam à árvore por intermédio de um
flange ao qual se prende por meio de parafusos.
Placa universal
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Luneta fixa - tem grande utilidade quando pretendemos
tornear eixos longos de pequenos diâmetros. Atua como
mancal, e evita que a peça saia de centro ou vibre com a
ação da ferramenta;
Luneta móvel - é utilizada em eixos de pequenos diâmetros,
os quais são sujeitos a flexões e vibrações na usinagem.
Funciona como mancal e deve ser montada junto da
ferramenta, para evitar vibrações e flexões, pois tais
movimentos anulam as forças de penetração da
ferramenta;
Lunetas fixa e móvel
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Mandril expansivo - é utilizado na fixação de peças que terão seu
diâmetro externo totalmente torneado. Visa manter uniformidade na
superfície;
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Mandril pinça - este acessório de fixação é amplamente utilizado quando
se pretende tornear eixos de diâmetros pequenos, por oferecer
grande precisão na concentricidade. Ele permite rápidas trocas de
peças e é comumente encontrado em tornos automáticos;
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Mandril paralelo de aperto com porca – utilizado na fixação de várias
peças por vez;
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Mandril porta broca – é utilizado para fixar brocas no trabalho de
furação. Ele é fixado, geralmente, no cabeçote móvel;
Principais acessórios dos tornos
mecânicos
Grampos ou arrastadores – são mordaças especiais que se aplicam à
extremidade de uma peça cilíndrica, para torná-la solidária à árvore
de trabalho assegurando a rotação da obra durante o torneamento;
Principais acessórios dos tornos
mecânicos

Recartilhas – para tornar


uma superfície áspera,
como cabos de
algumas ferramentas,
usa-se um dispositivo
que possa imprimir na
superfície da obra o
desejado. A velocidade
usada é a mais baixa
possível;