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Superior Tribunal de Justiça

HABEAS CORPUS Nº 509.012 - SP (2019/0128731-6)

RELATOR : MINISTRO FELIX FISCHER


IMPETRANTE : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ
ADVOGADO : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ - SP246533
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
PACIENTE : LUÍSA FERNANDA CORTES HERRERA
EMENTA

PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO


DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. FURTO TENTADO.
DOSIMETRIA. PENA-BASE. EXASPERAÇÃO. MAUS ANTECEDENTES.
PROCESSO EM CURSO. VIOLAÇÃO À SÚMULA 444/STJ. REGIME INICIAL
SEMIABERTO. POSSIBILIDADE. APENADO REINCIDENTE. INTELIGÊNCIA
DO ART. 33, § 3º, DO CÓDIGO PENAL E SÚMULA 269 DO STJ. HABEAS
CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
I - A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira
Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a
impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que
implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que,
configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a
concessão da ordem de ofício.
II - Inquéritos ou ações penais em andamento não maculam o réu como
detentor de maus antecedentes, tampouco com má conduta social e personalidade
desvirtuada. Essa é a inteligência do enunciado sumular n.º 444/STJ, in verbis: "É
vedada a utilização de inquéritos policiais e de ações penais em curso para agravar
a pena-base".
III - Em relação ao regime inicial de cumprimento de pena, conforme o
disposto no artigo 33, parágrafo 3º, do Código Penal, a sua fixação pressupõe a análise
do quantum da pena, bem como das circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do
mesmo diploma legal.
IV - Na hipótese, inexiste constrangimento ilegal a ser sanado, eis que a
paciente é reincidente, sendo aplicável, destarte, o regime mais gravoso sequente, qual
seja, o semiaberto, no termos do art. 33, parágrafo 2º, alínea b, do Código Penal.
Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício.

ACÓRDÃO

Documento: 1834335 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 11/06/2019 Página 1 de 4
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Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não
conhecer do pedido e conceder "Habeas Corpus" de ofício, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Jorge Mussi, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e
Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 04 de junho de 2019 (Data do Julgamento).

Ministro Felix Fischer


Relator

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HABEAS CORPUS Nº 509.012 - SP (2019/0128731-6)
IMPETRANTE : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ
ADVOGADO : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ - SP246533
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
PACIENTE : LUÍSA FERNANDA CORTES HERRERA

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO FELIX FISCHER: Trata-se de habeas


corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de LUÍSA FERNANDA CORTES
HERRERA contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Depreende-se dos autos que a paciente foi condenada às penas de 7 (sete)


meses e 15 (quinze) dias de reclusão, em regime semiaberto, e 6 (seis) dias-multa, como
incursa nas sanções do art. 155, caput, c.c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.

Irresignados, a defesa e a acusação interpuseram recurso de apelação ao


Tribunal de origem, que deu provimento somente ao apelo ministerial, para elevar a pena ao
patamar de 9 (nove) meses e 11 (onze) dias reclusão, e 7 (sete) dias-multa, nos termos
do acórdão juntado às fls. 236-247.

No presente writ, o impetrante aduz que houve violação ao enunciado da


súmula 444/STJ, ao argumento de que a exasperação da pena-base foi lasterada em ação
penal em curso.

Além disso, sustenta a afronta aos enunciados das Súmulas n. 718 e n. 719 do
Supremo Tribunal Federal e Súmula n. 440 desta Corte Superior, ao argumento de que o
regime inicial de cumprimento de pena foi fixado com base na gravidade abstrata do crime.

Requer, ao final, a concessão da ordem, para reduzir a reprimenda, bem como


readequar o regime inicial de cumprimento da sanção (fls. 3-9).

O pedido liminar foi indeferido (fls. 261-262).

As informações foram prestadas às fls. 266-289.

O Ministério Público Federal, às fls. 291-293, manifestou-se pela concessão


parcial da ordem, para fixar a pena-base no mínimo legal.
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É o relatório.

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RELATOR : MINISTRO FELIX FISCHER
IMPETRANTE : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ
ADVOGADO : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ - SP246533
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
PACIENTE : LUÍSA FERNANDA CORTES HERRERA
EMENTA

PENAL E PROCESSUAL PENAL.


HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE
RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO.
FURTO TENTADO. DOSIMETRIA.
PENA-BASE. EXASPERAÇÃO. MAUS
ANTECEDENTES. PROCESSO EM CURSO.
VIOLAÇÃO À SÚMULA 444/STJ. REGIME
INICIAL SEMIABERTO. POSSIBILIDADE.
APENADO REINCIDENTE. INTELIGÊNCIA DO
ART. 33, § 3º, DO CÓDIGO PENAL E SÚMULA
269 DO STJ. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE
OFÍCIO.
I - A Terceira Seção desta Corte, seguindo
entendimento firmado pela Primeira Turma do col.
Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não
admitir a impetração de habeas corpus em substituição
ao recurso adequado, situação que implica o não
conhecimento da impetração, ressalvados casos
excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade
apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a
concessão da ordem de ofício.
II - Inquéritos ou ações penais em andamento
não maculam o réu como detentor de maus
antecedentes, tampouco com má conduta social e
personalidade desvirtuada. Essa é a inteligência do
enunciado sumular n.º 444/STJ, in verbis: "É vedada a
utilização de inquéritos policiais e de ações penais
em curso para agravar a pena-base".
III - Em relação ao regime inicial de
cumprimento de pena, conforme o disposto no artigo
33, parágrafo 3º, do Código Penal, a sua fixação
pressupõe a análise do quantum da pena, bem como
das circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do
mesmo diploma legal.
IV - Na hipótese, inexiste constrangimento ilegal
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a ser sanado, eis que a paciente é reincidente, sendo
aplicável, destarte, o regime mais gravoso sequente,
qual seja, o semiaberto, no termos do art. 33,
parágrafo 2º, alínea b, do Código Penal.
Habeas corpus não conhecido. Ordem
concedida de ofício.

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO FELIX FISCHER: A Terceira Seção desta


Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou
orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao
recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos
excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja
possível a concessão da ordem de ofício.

Dessarte, passo ao exames das razões veiculadas no mandamus.

O impetrante alega a ocorrência de constrangimento ilegal na dosimetria da


pena, ao fundamento de que o Tribunal de origem teria utilizado ação penal em curso para
desabonar os antecedentes criminais do paciente, em afronta à Súmula n. 444/STJ.

Quanto ao punctum saliens, o Tribunal de origem, quando do julgamento do


recurso de apelação, assim se pronunciou, in verbis:

"No entanto, respeitado o posicionamento adotado, neste ponto cabe


acolhimento do inconformismo Ministerial, operando-se a exasperação da pena-base na
fração de 1/4 acima do mínimo legal, o que perfaz 01 ano e 03 meses de reclusão e 12
dias-multa, no mínimo legal, diante do registro de maus antecedentes e da personalidade
deturpada da ré2 , voltada à prática de crimes patrimoniais."

Na hipótese, ao contrário do que entendeu o Tribunal de origem, inquéritos ou


ações penais em andamento não maculam o réu como detentor de maus antecedentes,
tampouco com má conduta social e personalidade desvirtuada. Essa é a inteligência do
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enunciado sumular n.º 444/STJ, in verbis: "É vedada a utilização de inquéritos policiais e
de ações penais em curso para agravar a pena-base".

Sobre o tema:
"HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO
PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO. TRÁFICO DE DROGAS. PENA-BASE.
EXASPERAÇÃO. MAUS ANTECEDENTES. PROCESSO EM CURSO.
SÚMULA 444/STJ. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DO ART. 33, § 4º, DA LEI
N. 11.343/2006. INAPLICABILIDADE. RÉU QUE OSTENTA OUTRA
CONDENAÇÃO, SEM TRÂNSITO EM JULGADO, POR CRIME DA
MESMA NATUREZA. DEDICAÇÃO À ATIVIDADE CRIMINOSA.
REGIME PRISIONAL. PENA SUPERIOR A 4 ANOS DE RECLUSÃO.
VALORAÇÃO NEGATIVA DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS.
MODO FECHADO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE
LIBERDADE POR RESTRITIVAS DE DIREITO. FALTA DO
PREENCHIMENTO DO REQUISITO OBJETIVO.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL VERIFICADO. ORDEM NÃO
CONHECIDA. WRIT CONCEDIDO DE OFÍCIO.
[...]
3. É vedada e exasperação da pena-base, a título de
maus antecedentes, com fundamento em ações penais anteriores sem
notícias de trânsito em julgado, a teor da Súmula 444 do STJ.
Manifesta ilegalidade verificada.
[...]
8. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de
ofício, para afastar a valoração negativa de processos em curso, na
primeira fase da dosimetria, nos termos da Súmula n. 444/STJ,
tornando a pena definitiva do paciente em 5 anos de reclusão mais o
pagamento de 500 dias-multa" (HC n. 364.765/MG, Quinta Turma, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, DJe de 19/12/2016, grifei).

"HABEAS CORPUS. FURTO DUPLAMENTE


QUALIFICADO. WRIT SUBSTITUTIVO. DOSIMETRIA. PENA-BASE.
VALORAÇÃO NEGATIVA DA CULPABILIDADE. ELEMENTO
INERENTE AO CRIME CONSUMADO. ILEGALIDADE. MAUS
ANTECEDENTES. CONSIDERAÇÃO DE PROCESSO EM CURSO E
ATOS INFRACIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS DO
CRIME. EXPRESSIVO PREJUÍZO À VÍTIMA. FUNDAMENTO VÁLIDO.
REGIME PRISIONAL. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL.
SEMIABERTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO EM
PARTE. CONCESSÃO DE OFÍCIO.
1. É ilegal a exasperação da pena-base na parte em que o
julgador considerou "expressivo o grau de culpabilidade" - o qual se
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refere à maior ou menor reprovabilidade da conduta delituosa - porque os
pacientes percorreram "longo iter", elemento inerente à forma consumada
do furto, já analisado na tipificação da conduta dos agentes.
2. A "reprovável conduta social" dos pacientes diante da
notícia da prática de atos infracionais e de processo em curso também não
configura fundamento válido para o agravamento da pena-base,
consoante reiterada jurisprudência desta Corte.
3. Inquéritos e ações penais em curso não podem
evidenciar maus antecedentes, conduta social inadequada ou
personalidade desfavorável do agente, sob pena de malferimento ao
princípio da não culpabilidade. Súmula n. 444 do STJ.
[...]
7. Ordem não conhecida. Habeas corpus concedido, de
ofício, para reduzir a pena dos pacientes a 2 anos e 6 meses de reclusão"
(HC n. 224.037/MS, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de
27/04/2015).

"HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO.


DESCABIMENTO. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. AUMENTO DA
PENA-BASE. AÇÕES PENAIS AINDA EM CURSO. FUNDAMENTAÇÃO
INIDÔNEA. SÚMULA N. 444/STJ. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS
JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. REGIME INICIAL SEMIABERTO. WRIT
NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
[...]
2. Inquéritos policiais, ações penais em andamento e até
mesmo condenações ainda não transitadas em julgado, não podem ser
considerados como maus antecedentes, má conduta social ou
personalidade desajustada, e servir de supedâneo para justificar o
afastamento da reprimenda básica do mínimo legalmente previsto em
lei, sob pena de malferir o princípio constitucional da presunção de
não-culpabilidade. Nesse diapasão, a Súmula n. 444/STJ.
3. Fixada a pena-base no mínimo legal e ausente
circunstâncias judicias desfavoráveis, cabível a imposição do regime
inicial semiaberto, à luz do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal - CP.
Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício
para redimensionar a pena do paciente, que se torna definitiva em 5 anos e
4 meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente no regime semiaberto,
mais o pagamento de 13 dias-multa" (HC n. 374.928/SP, Quinta Turma,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 21/11/2016).

"PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 12, CAPUT, DA LEI


Nº 6.368/76 (ANTIGA LEI DE TÓXICOS). DOSIMETRIA DA PENA.
PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL.
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FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. ART. 33, § 4º, DA LEI Nº
11.343/2006. VEDAÇÃO À COMBINAÇÃO DE LEIS. MINORANTE
(TEXTO LEGAL VINCULADO). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA
LEI PENAL MAIS BENÉFICA (ART. 5º, INCISO XL DA CF/88).
SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR
RESTRITIVA DE DIREITOS. POSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO
ART. 44, CAPUT, DA LEI Nº 11.343/2006 (NOVATIO LEGIS IN
PEJUS). NECESSIDADE DE EXAME DE QUAL LEI, EM SUA
INTEGRALIDADE, SERIA MAIS FAVORÁVEL AO PACIENTE.
I - A pena deve ser fixada com fundamentação concreta e
vinculada, tal como exige o próprio princípio do livre convencimento
fundamentado (arts. 157, 381 e 387 do CPP c/c o art. 93, inciso IX,
segunda parte da Lex Maxima). Considerações genéricas, abstrações ou
dados integrantes da própria conduta tipificada não podem supedanear a
elevação da reprimenda. (Precedentes).
II - Em respeito ao princípio da presunção de inocência,
inquéritos e processos em andamento não podem ser considerados como
maus antecedentes para exacerbação da pena-base (Precedentes do
Pretório Excelso e do STJ).
III - Não havendo elementos suficientes para a aferição da
personalidade do agente, bem como de sua conduta social, mostra-se
incorreta sua valoração negativa a fim de justificar o aumento da
pena-base (Precedente).
IV - In casu, verifica-se que a r. decisão de primeiro grau,
mantida pelo e. Tribunal a quo, apresenta em sua fundamentação
incerteza denotativa ou vagueza, carecendo, na fixação da resposta
penal, de fundamentação objetiva imprescindível. Não existem
argumentos suficientes a justificar, assim, a fixação da pena-base acima
do mínimo legal.
[...]
Ordem parcialmente concedida para reduzir a pena-base ao
mínimo legal e, reconhecida a vedação à combinação de leis, determinar
que o Juízo da Vara de Execuções analise qual lei apresenta-se mais
favorável ao paciente" (HC n. 126.543/RJ, Quinta Turma, de minha
relatoria, DJU de 14/9/2009).

Diante dessas considerações, afasto as circunstâncias judiciais desfavoráveis à


paciente, e fixo a pena-base no mínimo legal, ao passo em que, presentes as demais causas
modificadoras da pena, torno-a definitiva em 7 (sete) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, e 6
(seis) dias-multa.

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Superior Tribunal de Justiça
Em relação ao regime inicial de cumprimento de pena, conforme o disposto
no artigo 33, parágrafo 3º, do Código Penal, a sua fixação pressupõe a análise do quantum
da pena, bem como das circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do mesmo diploma legal.

Na hipótese, inexiste constrangimento ilegal a ser sanado, eis que a paciente é


reincidente, sendo aplicável, destarte, o regime mais gravoso sequente, qual seja, o
semiaberto, no termos do art. 33, parágrafo 2º, alínea b, do Código Penal.

Sobre o tema, colaciono os seguintes arestos:

"HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO


A RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. IMPROPRIEDADE DA VIA
ELEITA. FALSIDADE IDEOLÓGICA E USO DE DOCUMENTO FALSO.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. DELITOS
AUTÔNOMOS. TESE DE INOCORRÊNCIA DO DELITO DE USO DE
DOCUMENTO FALSO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO.
INVIABILIDADE DE ANÁLISE NA VIA ELEITA. DOSIMETRIA.
PENAS-BASE. VALORAÇÃO DESFAVORÁVEL DOS VETORES DA
CULPABILIDADE E CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO.
FUNDAMENTOS INIDÔNEOS. PENAS REDUZIDAS. REGIME
FECHADO. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS FAVORÁVEIS E
REINCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 269/STJ.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. HABEAS CORPUS
NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
- O Superior Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento
firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, não tem
admitido a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso
próprio, prestigiando o sistema recursal ao tempo que preserva a
importância e a utilidade do habeas corpus, visto permitir a concessão da
ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade.
- Tratando o caso de delitos autônomos, não se aplica o
princípio da consunção na hipótese vertente, pois as instâncias de
origem consideraram que a falsidade ideológica não se encontrou na linha
de desdobramento causal do delito de uso de documento falso. Ademais, a
tese defensiva de que inexistiu a ocorrência do delito de uso de
documento falso importa revolvimento fático-probatório, inviável na
estreita via do habeas corpus, de cognição sumária. Precedentes.
- A dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo
de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do
caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta
Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante
desproporcionalidade.
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- A premeditação constitui elemento idôneo a justificar o
desvalor da ação, pois denota maior gravidade da infração penal.
Contudo, na espécie, ao vincular a premeditação com o fato de o paciente
ter um histórico criminal, o qual já foi valorado na segunda fase da
dosimetria, as instâncias de origem impuseram constrangimento ilegal ao
paciente, de modo que deve ser excluída a valoração negativa do vetor da
culpabilidade.
- Quanto às circunstâncias do delito, observa-se que é
inidôneo o argumento utilizado para considerar dito vetor
desfavorável ao paciente, uma vez que o fato de ter praticado o crime
com o fim de ludibriar as autoridades de segurança pública integra os
tipos penais violados, já sendo punido pela própria tipicidade dos crimes
contra a fé pública. Precedentes.
- Quanto ao regime de cumprimento, a jurisprudência deste
Superior Tribunal firmou-se no sentido de que é necessária, para a fixação
de regime mais gravoso, a apresentação de motivação concreta, fundada
nas circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal ou na
reincidência.
- Consoante a Súmula n. 269 desta Corte, é admissível a
adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a
pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias
judiciais.
- No caso, embora as circunstâncias judiciais sejam
favoráveis e o novo montante da pena (3 anos e 6 meses de reclusão)
comporte, em princípio, o regime inicial aberto, a reincidência do
paciente justifica o estabelecimento do regime intermediário, nos
termos do art. 33, § 3º, do CP e da Súmula n. 269 desta Corte.
Precedentes.
- Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de
ofício, para reduzir as penas do paciente para 3 anos e 6 meses de
reclusão, no regime inicial semiaberto, e 22 dias-multa, mantidos os
demais termos da condenação" (HC n. 322.702/RJ, Quinta Turma, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 30/06/2017).

"HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO


PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE.
ALEGAÇÃO DE ERRO NA ANÁLISE DA CERTIDÃO DE
ANTECEDENTES CRIMINAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PENA
INFERIOR A QUATRO ANOS DE RECLUSÃO. REGIME INICIAL
SEMIABERTO. POSSIBILIDADE. APENADO REINCIDENTE.
INTELIGÊNCIA DO ART. 33, § 3º, DO CÓDIGO PENAL E SÚMULA
269 DO STJ. SUBSTITUIÇÃO DA REPRIMENDA POR RESTRITIVAS DE
DIREITO. INVIABILIDADE. REQUISITOS LEGAIS NÃO
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ATENDIDOS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO.
HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.
[...]
2. A questão atinente à nulidade da sentença quanto à
dosimetria da pena, pois teria tido erro na análise da certidão de
antecedentes criminais, não foi submetida ou apreciada pelo Tribunal de
origem, o que obsta a sua análise por esta Corte Superior, sob risco de
se incorrer em indesejável supressão de instância.
3. Embora a reprimenda tenha sido estabelecida em
patamar inferior a 4 anos de reclusão (7 meses e 5 dias de
detenção) e as circunstâncias judiciais serem favoráveis, o regime
inicial semiaberto foi fixado em razão de tratar-se de paciente
reincidente, em observância ao enunciado da Súmula n. 269 desta
Corte Superior, segundo o qual dispõe que "é admissível a adoção do
regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual
ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.
4. A substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos exige o preenchimento dos requisitos objetivos e
subjetivos previstos no art. 44 do Código Penal - CP. A Corte estadual
negou a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos por entender que a substituição não seria recomendável, nos
termos do que dispõe o art. 44, inciso II, e § 3º, do CP.
Habeas corpus não conhecido" (HC n. 379.554/SP, Quinta
Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 18/05/2017).

Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. Contudo, concedo


a ordem de ofício, para fixar a pena final em 7 (sete) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, e 6
(seis) dias-multa, mantidos os demais termos da condenação.

É o voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUINTA TURMA

Número Registro: 2019/0128731-6 PROCESSO ELETRÔNICO HC 509.012 / SP


MATÉRIA CRIMINAL

Números Origem: 0100223152017 01002231520178260050 100223152017 1002231520178260050


20190000255074 23482017

EM MESA JULGADO: 04/06/2019

Relator
Exmo. Sr. Ministro FELIX FISCHER
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro RIBEIRO DANTAS
Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. ÁUREA M. E. N. LUSTOSA PIERRE
Secretário
Me. MARCELO PEREIRA CRUVINEL

AUTUAÇÃO
IMPETRANTE : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ
ADVOGADO : ROGER AUGUSTO DE CAMPOS CRUZ - SP246533
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
PACIENTE : LUÍSA FERNANDA CORTES HERRERA

ASSUNTO: DIREITO PENAL - Crimes contra o Patrimônio - Furto

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUINTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
"A Turma, por unanimidade, não conheceu do pedido e concedeu "Habeas Corpus" de
ofício, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator."
Os Srs. Ministros Jorge Mussi, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan
Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator.

Documento: 1834335 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 11/06/2019 Página 13 de 4