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SUMÁRIO

1. A VERDADE CAPACITA.........................................................3
2. GASTAR NOSSA HERANÇA ................................................ 12
3. ENCONTRAR A MISERICÓRDIA DE DEUS ................... 31
4. GUARDAR O TESTEMUNHO ............................................ 48
5. LEMBRANÇAS QUE DÃO VIDA ........................................ 66
6. CORAGEM PARA DEIXAR UM LEGADO ........................ 75
7. VIVER SOB A INFLUÊNCIA ............................................... 93
8. O PODER DA TRANSFORMAÇÃO .................................. 103
9. LIBERAR A PRESENÇA DE DEUS .................................. 117

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CAPÍTULO 1

A VERDADE
CAPACITA
Um dia, eu estava em meu escritório lendo Apocalipse, quando
senti algo inconfundível — a sensação que tenho quando as palavras
parecem saltar da página e sei que estou ouvindo uma palavra atual do
Senhor. Pensei: “Puxa! Isso é tão poderoso! Não tenho a mínima ideia do que
significa, mas é poderoso!” (Como sempre, meu espírito estava indo muito
mais rápido que minha mente.)

O versículo que tinha acabado de ler estava em Apocalipse 19.10.

Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não faça isso!
Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao teste-
munho de Jesus. Adore a Deus! O testemunho de Jesus é o espírito de
profecia”.

Foi particularmente essa última frase que irrompeu no meu cora-


ção, e eu soube que tinhas implicações poderosas que se estendiam bem
além do contexto do encontro de João.

Nos momentos que se seguiram, meditei sobre essa frase, pedindo


ao Espírito Santo que me ajudasse a entender o que Ele queria dizer.
Algumas horas depois, a resposta veio caminhando e entrou pela porta
do meu escritório. Um dos homens da igreja, a quem vou chamar de
Jim, parou para dar o testemunho de que Deus tinha restaurado pode-
rosamente o seu casamento. Depois de terminar a história, ele disse:
“Bill, você tem minha autorização para contar esse testemunho a qualquer pessoa
que esteja precisando ouvi-lo”.

Essa declaração repentinamente clareou as coisas em minha

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mente. Testemunho e profecia sempre foram elementos importantes
da vida cristã, mas, nesse momento, percebi que aquele homem estava
me dizendo que podia usar seu testemunho para profetizar para as pessoas.
(A profecia ou prediz o futuro, ou provoca uma mudança no presente.

O testemunho então passa a ser um catalisador com sua capaci-


dade de provocar uma mudança na atmosfera no presente, abrindo es-
paço para um livramento sobrenatural.)

Jim tinha intuitivamente pensado em duas hipóteses.

A primeira: se Deus havia feito essa obra excelente para ele, com
certeza faria para outros; a segunda: declarar o testemunho era um meio
pelo qual essa promessa seria transmitida a outros que dela necessitam.

A primeira hipótese tem apoio claro nas Escrituras, que afirmam


que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre e não faz acepção de
pessoas (v. Hebreus 13.8; Atos 10.34).

A segunda hipótese, reconheci naquele momento: foi uma apli-


cação prática da verdade de que o testemunho de Jesus é o espírito de
profecia. Os testemunhos profetizam a intenção e a Natureza de Deus
a todos quantos os ouçam.

REAÇÃO EM CADEIA
A experiência a seguir ocorreu há vinte e cinco anos. Desde então,
tenho contado testemunhos intencionalmente quando ministro e tenho
observado de perto as consequências, o que tem sido sempre impressi-
onante.

Uma das minhas histórias favoritas é a de um garotinho que foi


curado certa noite, na reunião regional de reavivamento numa das cida-

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des do litoral norte da Califórnia, onde eu havia servido em muitas oca-
siões. Na época, o menino contava 3 anos de idade e tinha os pés com-
pletamente tortos.

Eu havia trazido à reunião alguns alunos da escola de ministério


da Bethel Church, e eles oraram pelo menino. Quando o sentaram no
chão, seus pés estavam perfeitamente alinhados pela primeira vez. Um
amiguinho desse garoto chegou até ele e disse: “Corra!”. Ele saiu cor-
rendo imediatamente.

Minha esposa gravou tudo em vídeo. Na semana seguinte, pude-


mos mostrar a todos em Bethel as imagens desse garotinho correndo
num grande círculo, voltando até a câmera e dizendo: “Posso correr!”. Foi
maravilhoso. Duas semanas depois, os vizinhos dele viajaram três horas
de carro para assistir à nossa reunião de domingo de manhã. Quando
lhes perguntei como estava o menininho, contaram-me que ele estava
correndo há duas semanas.

No dia seguinte, dois alunos da Escola de Ministério foram ao


centro de compras local atrás de pessoas a quem iriam mostrar o amor
de Deus por meio da oração. Era uma atividade normal para eles. Dois
deles observaram uma mulher idosa caminhando com uma bengala e
uma atadura nas pernas e acharam que ela seria uma boa candidata.
Aproximaram-se da mulher e lhe perguntaram se podiam orar por ela.
Ela respondeu firme e claramente: “Não”.

Destemidos, eles persistiram e explicaram que tinham acabado de


ver um garotinho de pés tortos ser curado.

Depois de terem dado o testemunho, a mulher mudou de ideia e disse


que podiam orar por ela. Primeiro, eles oraram pelo joelho da mulher,
que tinha um tumor. O tumor desapareceu, e ela removeu a atadura.

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Em seguida, o Senhor mostrou a um dos alunos, por meio de uma pa-
lavra de conhecimento, que Ele também estava Curando as costas da
mulher e que o Fogo da Presença Divina estava tocando determinada
região das costas dela.

Quando o aluno mostrou o ponto exato, a mulher descobriu que


o outro tumor havia desaparecido também.

Ela não havia dito nada sobre esse tumor aos rapazes. Logo depois
que isso aconteceu, a família dela veio para fora da loja e viu que a avó
tinha sido curada. A mulher saiu da galeria carregando a bengala e as
ataduras.

Algum tempo depois, contei essas duas histórias num culto de do-
mingo de manhã, como exemplo da palavra profética de um testemu-
nho. Uma visitante que viera do estado de Montana tinha uma menini-
nha de 2 anos de idade cujos pés eram voltados para dentro tão grave-
mente que ela sempre tropeçava neles quando tentava correr. Depois
de ouvir os testemunhos e o ensinamento, a mulher disse no seu cora-
ção: “Quero isso para minha filha”. Quando foi buscar sua filhinha em
nosso berçário, descobriu que os pés da menina já estavam
perfeitamente retos. Ninguém havia imposto as mãos nem orado. Tão
somente ocorreu com a intervenção natural de Deus quando a Fé da
mãe se acendeu com o poder de um relato.

Mais recentemente, dei testemunho desses três Milagres em uma


conferência na igreja de Mahesh e Bonnie Chavda na Carolina do
Norte. O motorista que me levava do hotel para a igreja e da igreja para
o hotel era brasileiro. Quando ele estava me levando de volta para o
hotel, depois de uma reunião, contou-me que tinha acabado de receber
um telefonema de sua cunhada no Brasil. Ela havia assistido ao culto
daquela noite pelo computador. Quando ouviu a história dos pés tortos
do menino serem curados e depois ficou sabendo dos pés da menininha

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que se endireitaram também, ela chamou a filha.

A menina tinha cerca de 10 anos. Os pés dela eram tão voltados


para dentro que na verdade eram deformados. É uma garota bonita,
mas, quando as pessoas olham para seus pés, ela fica constrangida. De-
pois de ouvir o ensinamento sobre o testemunho e os relatos que se
seguiram, a cunhada do meu motorista chamou a filhinha, que estava
em outro cômodo da casa. A menina respondeu: “Sim, mamãe” e veio
até o corredor. A mãe mandou que tirasse os sapatos. A menina tirou
o calçado e foi até a mãe. Quando caminhou até a mulher, os pés se
endireitaram e foram completamente curados. Mais uma vez, a ré foi
liberada pelo poder de um relato.

Não tenho dúvida de que cada um desses indivíduos experimen-


tou o poder profético do testemunho. Quando ouviram o testemunho
do que Deus fez, a Unção sobre o testemunho abriu um reino de pos-
sibilidades. A atmosfera encheu-se de oportunidade para que o Milagre
relatado no testemunho se duplicasse. Quando se comprometeram com
sua Fé e aproveitaram completamente a oportunidade de essa possibi-
lidade se concretizar, isso se tornou realidade.

Em dois desses casos, ninguém nem sequer orou, não impôs as


mãos, tampouco estava presente no ambiente com a pessoa que foi cu-
rada. Essa é apenas uma das muitas histórias que se relacionam com um
feito miraculoso específico. Eu e outros membros de minha equipe de
liderança e da igreja vimos essa lista de Intervenções Sobrenaturais de
Deus continuar crescendo à medida que Milagres determinados são
multiplicados pela declaração de um testemunho.

Uma série em particular é tão fecunda e o resultado do testemu-


nho é tão claro que isso é surpreendente. Começou há alguns anos
quando eu estava orando pelas pessoas de uma conferência em Minne-

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sotta. Estava lá presente uma moça que havia sofrido um terrível aci-
dente e teve a perna quebrada. Tinha pinos, sentia dor, os movimentos
foram restringidos, além de outras complicações.

Quando oramos por ela, os depósitos de cálcio começaram a se


dissolver, ela ganhou mais movimento e deixou de sentir dor. Quando
se levantou na manhã seguinte e se vestiu para vir à reunião do dia, o
marido olhou para a perna dela e disse: “Ei, isso não estava aí antes!”. Cada
parte de sua panturrilha que havia sido destruída no acidente tinha sido
regenerada da, noite para o dia. Na reunião, ela deu o testemunho, e
todos nós louvamos a Deus por esse Milagre Criativo.

Depois do testemunho dessa moça, uma mulher veio imediata-


mente até mim e disse: “Se Deus fez isso para ela, sem dúvida faria para mim
também”. Ela compreendeu o que o testemunho acabara de fazer por
todos que o tinham ouvido, embora eu não tenha ensinado sobre o
princípio. Essa mulher tinha ferido gravemente o tendão de Aquiles
havia cinco anos.

O tendão nunca sarou completamente, e parte do músculo da


panturrilha atrofiou e se recolheu para dentro da perna.

Então, a jovem senhora que havia sido Curada e a mulher do pas-


tor vieram e oraram por essa outra mulher. Eu disse àquela que havia
sido curada recentemente: “De graça você recebeu, de graça dê”. As duas im-
puseram as mãos sobre a que necessitava do Milagre e observaram
quando Deus religou perfeitamente o tendão e recuperou o músculo
bem diante dos olhos delas.

Em seguida, enquanto essa mulher saía, outra chegou e disse: “Ei,


eu levei um coice de cavalo na perna, o que me destruiu parte da panturrilha. No
lugar, nasceu um tumor”.

As duas senhoras que haviam sido Curadas e a mulher do pastor


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impuseram as mãos sobre ela. Elas viram o tumor se dissolver e o mús-
culo se formar diante de seus olhos. Outra senhora veio à frente. Acho
que houve uma epidemia de lesões na panturrilha em Rochester, Min-
nesota. Ela também foi Curada. O mesmo Milagre se reproduziu três
vezes em poucos momentos.

Voei de Rochester para ministrar em Crossville, no Tennessee, e


contei a história dessas quatro mulheres. No auditório havia um médico
que tinha quebrado a perna um ano antes. Ele sentia dor, teve os mo-
vimentos restringidos e a panturrilha atrofiada. Mandei alguns alunos ir
orar por ele e, cerca de vinte minutos depois, perguntei: “Como o senhor
está?”. Ele me informou que não sentia mais nenhuma dor e que reco-
brara os movimentos. Depois perguntei: “E o músculo, como está?”. Res-
pondeu: “Estou sentindo a pele se esticar”.

Quando cheguei das reuniões de Crossville a Redding, contei o


testemunho dessas cinco pessoas. Havia uma mulher no auditório que
tinha quebrado a perna um ano antes. Tinha dores, movimentos res-
tringidos e o músculo da panturrilha atrofiado. Umas duas semanas de-
pois, ela veio até mim e disse: “Quando o senhor relatou aquele testemunho,
minha perna esquentou. A dor cessou completamente, recuperei os movimentos por
completo e o músculo se regenerou”.

Algum tempo depois, contei essas histórias num encontro de for-


mação de um ministério de Sinais e Prodígios no Brasil.

Eu tinha ido para lá a fim de ajudar Randy Clark nas cruzadas.


Uma mulher da equipe do ministério dos Estados Unidos estava per-
dendo parte do músculo da barriga da perna em consequência de um
acidente automobilístico. Depois que terminei minha mensagem, ela foi
ao banheiro examinar a perna. Descobriu que o músculo havia se rege-
nerado enquanto eu estava ensinando.

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Mais recentemente, contei essas histórias em outra reunião com
Mahesh e Bonnie Chavda. Uma mulher do auditório interrompeu-me
enquanto eu estava falando e me disse: “Estou perdendo parte do músculo da
panturrilha”. Respondi-lhe que teríamos prazer em orar por ela depois
da reunião. Ela acrescentou: “E sou de Minnesota”.

Percebendo que coincidências incomuns são em geral a linguagem


do Espírito, entendi que isso era um Plano Divino. Desse modo, pedi-
lhe que corresse até o fundo do salão e depois voltasse para o lugar em
que estava sentada — a Fé precisa de atividade, seja por pronunciar
discretamente: “Minha filha é um exemplo disso”, seja por chamá-la no sa-
lão e pedir que ela ande. O músculo foi criado durante seu ato de obe-
diência a uma ordem incomum.

Eu jamais percebera que havia tanta gente com falta do músculo


da panturrilha. O Espírito Santo usou essas experiências incomuns para
me informar que eu precisava me sentar e prestar toda a atenção ao que
Ele estava dizendo sobre o testemunho. Ao aprender como Deus fala
conosco, também aprendi que, além de coincidências incomuns, Ele
também fala por meio de registro falado ou escrito (testemunho) de
qualquer ato que Deus tenha realizado.

É como Deus em geral fala a seu povo. Enquanto tudo isso se


desenrolava, eu não conseguia perceber outra coisa senão que Deus es-
tava querendo que eu entendesse isso; por esse motivo, estava tornando
tudo bem evidente.

A NATUREZA DE DEUS REVELADA


No início, pareceu-me que o principal aspecto do testemunho que
Deus queria que eu entendesse era seu valor de ministrar a pessoas que
necessitavam de um Milagre. Como sempre, porém, os atos de Deus

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Revelam seus meios, e seus meios revelam Sua Natureza. Assim, a re-
velação do Poder do testemunho se manifestou para mim além do con-
texto imediato do ministério e me levou a descobrir que ele é um prin-
cípio fundamental do Reino com implicações para todas as áreas de
nossa vida como cristãos. É um princípio que deve ser ensinado, com-
preendido e aplicado nível individual e coletivo para que a igreja cumpra
seu mandato de fazer discípulos das nações pela pregação e Demons-
tração do Evangelho do Reino.

Descobri que nossa capacidade de cumprir esse chamado e essa


ordem depende em grande parte de algo essencial — lembrar. Nossa
capacidade de lembrar o que Deus disse e fez em nossa vida e em nossa
história — o testemunho — é um dos principais fatores que determi-
nam nosso sucesso ou fracasso na manutenção de um estilo de vida do
Reino de Poder para Milagres.

Acredito que, à medida que estudamos a natureza do testemunho


e a primazia do lembrar, vamos perceber que a igreja precisa começar a
demonstrar verdades e práticas nucleares de nossa cultura a fim de
destravar recursos celestiais que Deus pôs no testemunho. Precisamos
ter esses recursos para realizar tudo quanto fomos chamados para ser e
fazer, liberar o Poder de Deus para o Milagre em nosso mundo.

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CAPÍTULO 2

GASTAR NOSSA
HERANÇA
Uma das minhas tarefas principais é ensinar cristãos a descobrir e
fazer uso da herança deles. Isso significa em essência que aprendemos
a usar as promessas ilimitadas que Deus nos fez para produzir uma Ma-
nifestação do Domínio dEle em favor da humanidade. É sempre reco-
nhecido por meio da pureza e do Poder e é motivado pelo Amor de
Deus.

Estou convencido de que, na maior parte, a igreja deixou as Ri-


quezas do Céu depositadas num banco, achando que somente vamos
tê-las quando morrermos e formos para lá. A crença de que o Céu é
uma realidade completamente futura reduziu demais muitas declarações
de Deus na Bíblia a respeito da identidade do cristão e do chamado para
verdades “posicionais” reconhecidas, mas jamais vivenciadas.

É hora de mudar isso.

O conhecimento de nossa herança começa com a descoberta do


propósito mais profundo de nossa salvação. Muitos cristãos novos per-
manecem imaturos porque jamais vão além da revelação de que são
pecadores salvos pela graça. Com Progresso, eu não quero dizer “deixar
para trás”, mas “construir sobra o que já existe”. Os que progridem são aque-
les que entendem que o propósito mais elevado de Deus com a cruz
não era simplesmente perdoar nosso pecado. Era para que, perdoando-
nos com base no Sangue de Cristo, ele pudesse nos convidar a restabe-
lecer a Relação Familiar Íntima com Ele, nosso Rei Celestial. João
afirma: “Aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de
se tornarem filhos de Deus” (1.12). A capacidade jurídica de relação com

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Deus como filhos dEle é exatamente o que nos dá a herança. O livro
de Romanos explica de forma simples:

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de
Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para nova-
mente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por
meio do qual clamamos: “Aba, Pai”. O próprio Espírito testemunha
ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, então somos
herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato parti-
cipamos dos seus sofrimentos, paia que também participemos da sua
Glória (Rm. 8.14-17).

O fato de sermos herdeiros de Deus é difícil de compreender. Nós,


porém, não nos devemos contentar em ler esses versículos e nos mara-
vilhar com eles. Eles profetizam nosso potencial, potencial que deve-
mos seguir durante toda a vida.

Em João 1.12, aprendemos que temos o direito de ser filhos de


Deus. Quando Deus nos convida para nos Relacionarmos com Ele,
está convidando para um processo de transformação. Essa transfor-
mação pode ser medida em nossa vida porque em Jesus Cristo temos o
modelo em quem nos devemos transformar como filhos de Deus. Ve-
mos isso depois em Romanos: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também
os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos” (Rm. 8.29). Temos o direito de nos tornar
semelhantes a Cristo, nosso irmão mais velho. Estamos destinados a
ser plenamente restaurados à imagem e semelhança de Deus, como fo-
mos criados originalmente.

Por meio da Salvação, também somos Restaurados ao nosso pro-


pósito original o propósito que flui naturalmente da nossa identidade
restaurada e de nossa relação com Deus. Efésios afirma: “Porque somos
criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus

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preparou antes para nós as praticarmos” (Ef. 2.10). Obras não nos salvam,
mas, sem o fruto de boas obras em nossa vida, faltam-nos as evidências
que nos identificam como novas criaturas em Cristo. Assim como a
Natureza de Deus é Revelada no que Ele faz, as evidências de que so-
mos seres transformados na Sua semelhança é que revelam a Natureza
dEle no que fazemos.

Que boas obras são essas? É muito fácil reduzir os ensinamentos


de Jesus ao que é humanamente possível. Embora gostemos de alimen-
tar os pobres, vestir os despidos e visitar os necessitados (esses atos de
bondade são expressões essenciais da vida cristã), recusamo-nos a
deixá-los satisfazer a necessidade interna de serviço eficiente. Ele em-
pregou especificamente a expressão “boas obras” para se referir aos Mi-
lagres, Sinais E Prodígios que realizou.

Jesus deu exemplo dessas obras para nós. Ele não projetou um
novo dispositivo para auxiliar a audição nem treinou nenhum cão-guia.
Ele Curou o surdo e o cego. Essa conclusão impressionante sobre as
“boas obras” provém de um estudo detalhado do Evangelho de João.
Essas boas obras não só revelam que Jesus é o Ungido, o Cristo, mas
também revelam a natureza específica de Sua Relação com seu Pai, con-
forme explicou em João:

Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Jesus res-
pondeu:” Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado
com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode
dizer: 'Mostra-nos o Pai'? Você não crê que eu estou no Pai e que o
Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas.
Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.
Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim;
ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras. Digo-lhes a verdade:
Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado.
Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o
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Pai (Jo. 14.8-12).

Não poderia ser dito de forma mais simples. Aqueles que creem
em Jesus demonstrarão Sinais e Prodígios. Ainda mais, porém, sua de-
claração implica que os que crêem vão ter o mesmo tipo de Relação
com o Pai e terão a mesma Unção do Espírito que ele. Isto é, somos
chamados para ministrar como Jesus ministrou porque, pela Sua morte
e ressurreição, temos acesso a tudo o que Ele teve à disposição para
realizar boas obras. Ele professou isso a seus discípulos e a nós, quando
disse: “[...] Assim como o Pai me enviou, eu os envio” (João 20.21).

COMISSIONADOS PARA FAZER O IMPOSSÍVEL


Quando Jesus comissionou os 12 discípulos para irem pelo
mundo e fazerem discípulos de todas as nações, Ele os estava man-
dando fazer o impossível. Muitos cristãos acreditam equivocadamente
que algumas ordens de Cristo, como o mandamento de amar o próximo
como a si mesmo, são possíveis de ser praticados, enquanto outros,
como ressuscitar mortos, são impossíveis. A verdade é que todos os
mandamentos de Cristo são impossíveis de realizar sem a Sua Graça E
Seu Poder Sobrenatural por meio do Espírito Santo. Nossa disposição
para obedecer a tudo quanto Ele ordena deixa-nos em posição de viver
pela Promessa: “[...] Tudo é possível àquele que crê” (v. Marcos 9.23). Nossa
Fé nos dá acesso a todos os Recursos do Céu. É por isso que Cristo
nos mandou fazer o impossível!

Nós, como filhos de Deus, somos destinados a revelar nosso Pai


ao mundo sendo portadores da Semelhança dEle. Fazemos isso como
Cristo fez, tendo comunhão com o Pai, andando na Unção do Espírito
Santo e trazendo o Reino do Céu até nós com demonstrações de Poder
e Autoridade, tudo no contexto de mostrar o Amor de Deus.

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Por esse motivo, precisamos aprender a gastar nossa Herança fa-
zendo uso das grandes Promessas de Deus para o benefício das pessoas
à nossa volta. Não nos podemos esquecer de que foi a morte de Jesus
que permitiu ser liberada a essência da vontade de Deus para o resto de
sua família, os santos (“na terra como no Céu”). Não devemos esperar até
morrer para usar nossa Herança porque nosso propósito na terra ne-
cessita dos Recursos dos Céus para se cumprir.

A Unção para Curar e trazer Livramento não terá nenhuma utili-


dade no Céu. Essas graças devem ser usadas aqui e agora como parte
do pacote de Ferramentas usadas para trazer as nações a Jesus. Afinal,
Ele é chamado de “o desejado das nações”. Todos desejam Jesus. Apenas
não sabem disso. Precisamos nos tornar mais plenamente Semelhantes
a Cristo a fim de que a colheita venha a ser tudo o que Deus quer e para
a qual tomou providências.

Portanto, se nosso direito de ser feitos filhos de Deus nos dá acesso


ao mesmo tipo de Relação que Jesus tem com o Pai, como aprendere-
mos a crescer nessa Relação? Felizmente, Jesus também deu o exemplo
disso para nós. Jesus não saiu do ventre de sua mãe com uma mentali-
dade adulta, plenamente consciente de sua identidade e de seu destino.
Ele teve de passar pelo processo de amadurecimento por que todos
passamos. As Escrituras dizem: “[...]ele aprendeu a obedecer [...]” (Hebreus
5.8). Ele, porém, foi educado na Relação com Deus pelo menos em três
aspectos.

Primeiro, ele foi formado pelo registro das atividades de Deus


entre os homens conforme condia nas Escrituras. Hebreus relata que
Jesus descobriu a vontade de Deus e seu destino neste mundo:

Por isso, quando veio ao mundo, sacrifício e oferta não quiseste, mas um
corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agra-
daste. Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito;

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vim para fazer a tua vontade, ó Deus.” (Hb. 10.5-7).

Segundo, é altamente provável que Jesus tenha sido criado sob a


influência do testemunho de seus pais, particularmente de Maria, que
havia “guardado” cada palavra que fora falada e cada sonho e aconteci-
mento que tenham ocorrido no que diz respeito à concepção e ao nas-
cimento de Jesus. A Bíblia diz que “Maria, porém, guardava todas essas coisas
e sobre elas refletia em seu coração” (Lucas 2.19).

Terceiro, Jesus tinha o testemunho do Espírito Santo, que facili-


tava a comunicação dEle com o Pai: “[...J ele [o Espírito) os guiará a toda a
verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que
está por vir” (João 16.13). Ao dar instruções sobre o papel do Espírito
Santo em nos guiar a toda a verdade, Ele de fato está nos Revelando o
modo em que viveu. Esses três recursos são todos testemunhos. Teste-
munhos são o que nos preparam para andar em Relacionamento com
o Pai e cumprir nosso propósito como bons filhos.

O salmista disse: “Os teus testemunhos são a minha herança permanente;


são a alegria do meu coração” (Salmos 119.111). Os testemunhos do Senhor
são a nossa Herança.

E o que é um testemunho? Testemunho é o registro escrito ou falado do


tudo quanto Deus fez na história. Tudo o que Deus disse e fez na história
pertence eternamente a você, e esse registro tem todos os Recursos de
que você precisa para ser Transformado à imagem de Cristo e se tornar
um transformador demonstrando as Boas Obras dEle.

O objetivo deste livro é procurar estudar um pouco do Peso e do


Poder dessa Herança e mostrá-la pelo que ela é, a saber, liberar o Poder
do Milagre.

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O TESTEMUNHO REVELA DEUS
A primeira coisa a ser vista na definição é que testemunho se re-
fere ao que Deus fez. Quando os cristãos ouvem a palavra “testemunho”,
em geral a associam com o relato de como eles vieram a conhecer
Cristo, ou talvez a uma história sobre alguém que experimentou um
Milagre. Entretanto, nós não somos nunca as personagens de um tes-
temunho. Nossos relatos são testemunhos porque eles dizem o que
Deus fez.

O contrário dessa afirmação também é verdadeiro, que não temos


testemunho se não tivermos experimentado uma Invasão Divina de
Deus em nossa vida! Somos testemunhas dEle somente na medida em
que encontramos Seu Poder. Como assinala Atos 1.8, é depois que re-
cebemos o Poder e o Espírito Santo sobre nós que somos testemunhas.
Testemunha significa “alguém com um testemunho”; é exatamente a palavra
que Jesus usa para definir seus discípulos verdadeiros.

Os testemunhos de Deus são uma herança de valor inestimável


porque em cada história sobre o que Deus fez há uma revelação da
natureza dEle. Todavia, dar nos uma teologia melhor não é o objetivo
principal dessa Revelação. Uma Revelação de Deus por meio de um
testemunho e sempre um convite a conhecer Deus pela experiência dessa
Revelação.

Esses encontros nos transformam. E pessoas transformadas


transformam pessoas. Davi conhecia o coração do Pai como lemos em
Salmos 40.6-8 — a passagem citada nos versículos que acabamos de
ver em Hebreus 10 — e entendemos que eles tiveram uma Revelação
da Natureza de Deus. Jesus veio ao mundo sabendo que Deus não
queria sacrifício de animais nem ofertas queimadas. Queria um homem
que fizesse a Sua Vontade. Jesus assumiu sua tarefa, e isso o fez
experimentar o prazer de Seu Pai ao cumprir a Vontade dEle.

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Jesus explicou a origem do Poder de seu ministério ao dizer:

Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si


mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o
Filho também faz. Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que
faz (João 5. 19,20).

Essa realidade é a mesma origem da Vida e do Poder para todo


cristão. Conhecer os testemunhos de Deus é parte vital de “ver o que o
Pai faz”. Experimentar Deus pelo que Ele fez no passado nos predispõe
corretamente a experimentar Deus naquilo que Ele está fazendo no
presente. Quanto mais conhecemos Deus pela experiência, respon-
dendo aos convites de Seus Testemunhos, mais podemos ser seme-
lhantes a Ele. E, quanto mais ficamos Semelhantes a Ele, mais podemos
fazer o que Ele faz e Manifestar Sua Natureza e Seu Poder ao mundo à
nossa volta.

RECURSOS CELESTIAIS
j Poder é provavelmente um dos primeiros Recursos Celestiais que
O
vem à mente quando você pensa no que precisa cumprir em seu destino
de realizar o impossível.

O Poder é uma parte enorme de Sua Herança, mas o meio para


caminhar no Poder não pode ser separado de encontrar Pessoalmente
o Deus do Poder. Você crescerá na sua Relação com Deus por meio
dessa Experiência.

Os Testemunhos de Deus são a chave para andar no Poder, por-


que, na Revelação de quem é Deus, eles ensinam os cristãos a buscar o
Relacionamento com Deus mais do que dádivas ou respostas a orações.
Deus almeja que Seu povo O ame junto com Suas dádivas. Ele anseia
que os seus encontrem Seu Incrível Amor para que sejam motivados
mais pela Paixão que por obrigação. Assim, Ele poderá confiar Poder a
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eles numa medida nunca vista.

A Unção que nos capacita a ser Semelhantes a Cristo e a fazer


Boas Obras não é uma força impessoal. A Unção é uma Pessoa. É o
próprio Espírito Santo, que está apaixonado por realizar algo muito es-
pecífico em nós — para nos conformar à Imagem de Cristo. Quanto
mais espaço dermos para Ele em nossa vida, mais Ele fará Seu Poder E
Sua Revelação agir para esse fim. É Ele que Revela o que o Pai está
fazendo e dizendo e, então, prepara-nos para fazer e dizer isso.

A Comunicação com o Espírito era o segredo do ministério de


Cristo e também e o segredo do nosso, Os Testemunhos de Deus nos
ensinam como é o Espírito Santo e como agir com Ele. Eles nos man-
têm conscientes do Deus que invade o impossível quando a perspectiva
daqueles que nos cercam está voltada para as circurstâncias temporais,
físicas.

Sem a constante Consciência de Deus e dos Testemunhos que fa-


lam de Sua Natureza, inevitavelmente reduziremos nossa visão e nosso
ministério ao que podemos realizar com nossos Dons e nossa torça.
Deus é evidentemente aquele que nos dá esses Dons, mas estes são
semelhantes às velas de um barco; são projetados para receber o Vento
de Deus. Sem o Vento do Espírito Santo soprando neles, não há ne-
nhum Propósito Eterno. O Espírito vem para orientar o curso dos
Dons além do alcance da possibilidade humana. Sem Deus, essas Ca-
pacidades não têm efeito na Eternidade.

A HISTÓRIA DO PONTO DE VISTA DE DEUS


O estudo do testemunho é um estudo de história, porque o teste-
munho é o registro do que Deus fez no passado. A fim de compreender
o Poder do testemunho, precisamos saber o que a história contém.

A história é mais do que uma série de acontecimentos aleatórios.


20
É uma narrativa com uma trama, personagens, um tema e um resultado.
Tem começo, meio e fim. Sabemos que a história é uma narrativa por-
que ela tem um Autor. Assim, pode haver milhares de opiniões diferen-
tes sobre o que a história significa, ou para onde ela caminha, mas há
só uma opinião que é verdadeira. É por isso que a perspectiva Divina é
absolutamente necessária para entendermos a história, bem como
nosso propósito no presente.

Como testemunho, a história trata mais verdadeiramente sobre


Deus, o Autor da sua e da minha história. Embora Ele não tenha escrito
para que nossa vida fosse cheia de tragédia e crises, tomou providências,
sem dúvida, para que suas soluções estejam sempre à mão. Por esse
motivo, a própria história é um testemunho, composto dos testemu-
nhos coletivos de Deus.

A família de Deus herda seus testemunhos da mesma maneira que


os membros de uma família real herdam sua história familiar. Os mem-
bros da realeza estudam e repetem o registro de seus antepassados por-
que ele é a sua ligação com esse passado que lhes dá a identidade e o
propósito para a vida toda. Repousa sobre eles a responsabilidade de
fazer algo importante durante seu reinado a fim de transmitirem o le-
gado à geração seguinte. Se uma geração deixar de viver de forma que
honre sua história familiar, ou deixar de transmitir essa história à gera-
ção seguinte, essa linha de sucessão se rompe, e a herança corre o risco
de se perder.

Essa realidade não é menos verdadeira para nós, que fomos ado-
tados na família real de Deus. Quando Cristo Jesus nos comprou por
preço de Sangue e nos trouxe da morte para a vida, nossa história mu-
dou. Nossa trajetória estava nos levando para o inferno. Mas, depois
que respondemos “sim” a Jesus, todo o nosso passado, presente e futuro
foram inseridos na história de Deus e de seu povo.

21
A cruz tem o poder de nos transformar e redimir de forma tão
completa que nosso passado pecaminoso se transforma num testemu-
nho do Poder de Deus, o que lhe dá Glória. Não podemos, porém,
obter essa transformação se não aprendermos a viver a nossa história
familiar. Não estou falando simplesmente sobre estudar a vida de cris-
tãos do passado, nem mesmo de estudar as Escrituras, embora essas
atividades sejam, sem dúvida, importantes. Elas são importantes, po-
rém, porque nos ensinam a versão de Deus da história e nos ajudam a
ter vislumbres da realidade da perspectiva dEle, o que nos capacita a
viver de forma Sobrenatural. A Bíblia chama esse processo de
aprendizagem de renovação da mente.

NOSSO PROPÓSITO ORIGINAL


Muitos de nós somos bem conscientes de que vivemos num
mundo em guerra. A guerra, contudo, não é por poder, terra, dinheiro,
tampouco pelo bem ou pelo mal. É por algo ainda mais essencial. A
guerra é pela verdade, e o campo de batalha é a mente de cada
indivíduo.

Essa guerra começou no Céu, quando Satanás foi expulso, mas


fomos envolvidos nela por meio de Adão e Eva — não somente
quando eles comeram o fruto proibido, mas também quando eles
preferiram confiar em uma mentira a confiar na Verdade de Deus.

Comer o fruto foi pura e simplesmente a evidência de que eles


tinham acreditado na mentira do inimigo. Quando se acredita em uma
mentira, dá-se poder ao mentiroso.

Concordar com o Diabo confere-lhe poder — dá licença a ele para


matar, roubar e destruir. Quando Adão e Eva fizeram isso, eles negaram
a Verdade Divina, o que acabou implicando o corte do ramo sobre o
qual eles estavam postos. Adão e Eva caíram literalmente quando

22
decidiram abandonar a perspectiva de Deus por uma distorção.
Romanos refere-se à queda do homem explicitamente como a queda
dele da verdade:

Toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela


injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles,
porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos
invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza Divina, têm sido
vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de
forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a
Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os
seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscure-
ceu-se (Rm. 1.18-21).

Paulo diz que a realidade do Poder e da Natureza Eterna de Deus


são “vistos claramente” no reino visível. Essa expressão significa ao pé da
letra “visto de cima”. Quando Adão e Eva caíram, caíram da perspectiva
de Deus na realidade. Antes de “suprir[irem] a verdade”, eles tinham
acesso ininterrupto à verdade da Natureza de Deus e das intenções dEle
para a história.

Paulo também diz: “O que de Deus se pode conhecer é [foi] manifesto entre
eles”. Isso implica que, pelo fato de terem sido criados à Imagem de
Deus, eles podiam olhar um para o outro e ver como Deus é. Quando,
porém, suprimiram a Verdade de quem é Deus, a imagem deles pró-
prios foi distorcida, separando-os de sua identidade e seu propósito. A
partir daí, a raça humana herdou uma perspectiva distorcida da reali-
dade e da história.

Agora que a fratura do pecado foi curada pela cruz, os cristãos


devem deixar que os testemunhos de Deus lhes ensinem a Verdade que
se perdeu para Adão e Eva — tanto o plano de Deus para a história —
Como nosso papel e nossa identidade nela. O Plano de Deus para a

23
humanidade jamais mudou, porque Ele não mudou. A igreja, porém,
ainda não entendeu esse Plano no nível que nós começamos a caminhar
nele em conjunto, creio, porque nossa mente ainda não tinha sido Re-
novada o bastante pelos Testemunhos de Deus.

Como mencionei, a maioria dos cristãos entende que Deus lhe


perdoou o pecado, mas muitos não entraram no propósito desse per-
dão. Quando Adão e Eva pecaram, Deus não ficou chocado. Ele tinha
plena consciência do risco que tinha assumido ao lhes dar o Livre-
Arbítrio. Ele queria filhos que O amassem, e Amor implica escolha.

Sabemos que Ele não foi surpreendido porque já tinha um Plano


para redimir o homem se este decidisse usar seu Livre-Arbítrio para
algo diferente do Amor. Apocalipse afirma que Jesus é o “Cordeiro que
foi morto desde a criação do mundo” (Ap. 13.8).

Mão quero diminuir os efeitos desastrosos do pecado nem a


imensa dívida que Deus pagou ao sacrificar seu próprio Filho por nós.
Nós temos verdadeiramente uma grande e excelente Salvação. É tão
grande e tão completa, porque, ao nos perdoar. Deus planejou para que
Seu Plano Original na história se realizasse.

Aprendemos isso com o testemunho das Escrituras. Quando


Deus pôs Adão e Eva no jardim do Éden, Ele lhes mandou ser produ-
tivos, multiplicar-se, encher a terra e sujeitá-la (v. Génesis 1.28). Duas
pessoas não eram suficientes para governar o Planeta. Deus queria que
a terra se enchesse com aqueles criados à Sua Imagem, que poriam a
terra sob a influência do Rei e de Seu Reino.

Quando o pecado entrou no mundo, a humanidade perdeu o di-


reito a essa autoridade para o inimigo. Durante séculos, essa escravidão
durou, mas Deus preparou o mundo para a Libertação que viria por
meio do Messias com uma série de Revelações (Testemunhos).

24
Praticamente todas essas Revelações, a Noé, Abraão, Isaque, Jacó
e ao povo de Israel, implicaram Pactos. No capítulo seguinte, vou ex-
plicar a relação fundamental entre o Testemunho e o Pacto; neste, po-
rém, quero assinalar um tema recorrente em todas essas Revelações.

A Noé, Deus disse; “[...] sejam férteis e se multipliquem” (Gênesis


8.17). A Abraão, disse: “[...] multiplicarei muitíssimo a sua descendência [...].
Eu o tomarei extremamente prolífero [...]” (Gênesis 17.2,6). A Isaque, Deus
disse: “Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do Céu. [...]”
(Gênesis 26.4). A Jacó, disse: “[...] seja prolífero e multiplique-se [...]” (Gê-
nesis 35.11). E, finalmente, ao povo de Israel, Deus disse:

Eu me voltarei para vocês e os farei prolíferos; e os multiplicarei e guar-


darei a minha aliança com vocês. Vocês ainda estarão comendo da co-
lheita armazenada no ano anterior, quando terão que se livrar dela para
dar espaço para a nova colheita. Estabelecerei a minha habitação entre
vocês e não os rejeitarei. Andarei entre vocês e serei seu Deus, e vocês
serão o meu povo. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês, que os tirou da
terra do Egito para que não mais fossem escravos deles; quebrei as traves
do jugo que o prendia e os fiz andar de cabeça erguida. (Levítico 26:9-
13)

Essas Alianças reiteram a mesma Promessa e o mesmo Manda-


mento que Deus deu a Adão e Eva. Por que Deus ainda iria querer sua
terra cheia de pessoas se Ele sabia que elas eram pecadoras e estavam
escravizadas pelo inimigo? Só pode ser porque Ele sabia que, pelo San-
gue de Cristo, poderia chamar de todas as nações um povo para Si
mesmo a fim de seguir a Ordem de Cristo — do Último Adão — de
viver em Intimidade com Deus e sujeitar a terra.

Esses testemunhos demonstram que a queda do homem não conse-


guiu diminuir o interesse de Deus em ter uma terra cheia de pessoas que
vivessem uma Relação com Ele, gente no meio da qual Ele habitaria e

25
andaria, como Ele andava com Adão no jardim do Éden. Esses teste-
munhos nos relatam que a Natureza de Deus e Seus Propósitos para a
humanidade não mudaram! Afinal, a história é a narrativa dEle.

Deus está fazendo que seu povo seja “fecundo e se multiplique”, mas
está fazendo isso mediante o novo nascimento em seu Espírito, cri-
ando, como diz João: “filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência
natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasce-
ram de Deus” (1.12,13).

Deus ainda pretende fundar Seu Reino na terra colaborando com


seus filhos. Ele poderia facilmente assumir o domínio da terra num se-
gundo, mas Sua Glória e Seu Amor são mais plenamente manifestos
quando Seu Governo se estende por meio de Sua Relação pactual com
aqueles que Ele fez à Sua Imagem, que o adoram por escolha própria.

NOSSO DESTINO — DE GLÓRIA EM GLÓRIA


Se a cruz nos tomou possível ter a mesma Relação com Deus que
Cristo teve e produzir os mesmos frutos, então, por que não vemos
uma igreja gloriosa governar e reinar com Cristo já? Creio que isso te-
nha a ver em parte com o fato de a igreja ter deixado de usar sua He-
rança, o testemunho, para liberar o Poder de Deus na terra.

Quando se deixa de “manter o testemunho”, a Revelação da Natureza


e da Vontade de Deus não pode se sustentar de geração a geração. Pe-
riodicamente, têm surgido avivamentos quando, como no reinado de
Josias, o testemunho foi encontrado novamente e os crentes foram cha-
mados de volta à verdade da Natureza e de Deus e do seu chamado.

Não tenho conhecimento, porém, de que alguma geração, desde


o século I, tenha-se incendiado com a convicção de que o testemunho
das atividades de Deus entre os homens do passado foi sua Herança

26
para prepará-los para o presente. Não somente para o propósito de re-
ceber incentivo das experiências dos outros, mas também paia apreen-
der plenamente a experiência e a fecundidade do que é dado, por meio
dessa Herança, e transmiti-la à geração seguinte. Portanto, esses Movi-
mentos de Deus não foram sustentados além de uma única geração.

Em reação a isso, alguns propuseram uma versão da história com


base na incapacidade da humanidade, e não na Natureza de Deus! Mui-
tos seminaristas e historiadores aprendem que os avivamentos cristãos
normalmente duram de dois a seis anos. Os reavivamentos, como dá a
entender essa opinião, ocorrem principalmente para dar um estímulo à
igreja, depois da qual todos devem esperar que os negócios recomecem
como de costume.

Historicamente, isso é correto, mas a conclusão de que esse é o


objetivo do Reavivamento é incorreto. A Vontade de Deus, então, fica
clara pelo que a igreja fez, e não pelo que Deus pôs à disposição.

Essa interpretação da história é absolutamente errada porque se


baseia em definições falsas da natureza do reavivamento e em última
análise da Natureza de Deus. Deus é abundantemente Bom o tempo
todo, e seu Pacto de Amor dura para sempre. Por causa dessas qualida-
des, Ele propôs em Seu Coração encher a sua terra com pessoas feitas
à Sua Imagem andando em reta Relação com Ele e exercendo a Auto-
ridade Delegada sobre a terra. É assim que é o Reino de Deus. É esta-
belecido no Céu e está sendo estabelecido na terra com a colaboração
de Sua igreja e de Seu Espírito.

Isaías profetizou que o Reino está em progresso constante: “Ele


estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o Seu
Reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O
zelo do SENHOR dos Exércitos fará isso” (Isaías 9.7).

27
Quando subiu ao Céu, Cristo assentou-se no trono de Davi. No
dia de Féntecoste, o Pai enviou o prometido Espírito Santo para capa-
citar os discípulos a estabelecer o Reino de Deus na terra e cumprir o
mandamento de Cristo de fazer discípulos de todas as nações.

O que a maioria não percebe em relação ao dia de Pentecoste é


que a colheita de 3 mil convertidos não foi apenas fruto da pregação de
Pedro. Certamente, o Evangelho foi proclamado om ousadia, mas as
pessoas o ouviram e foram convencidas porque havia ocorrido uma
mudança na atmosfera espiritual causada pelo Derramamento do Espí-
rito.

Em outras palavras, quando os cristãos deixam que o Espírito


Santo atue, a atmosfera é transformada, facilitando para as pessoas che-
garem a Deus. Essa mudança de mente não acontece simplesmente. É
o impacto da Presença de Deus agindo como Lhe agrada com Seu
povo. O papel de colaboração dá crescimento exponencial ao impacto
das atividades do Espírito Santo entre os seres humanos. O texto de 2
Coríntios explica que a atmosfera espiritual influencia a capacidade do
indivíduo de receber o Evangelho:

Mas, se o nosso Evangelho está encoberto, para os que estão perecendo


é que está encoberto. O deus desta era cegou o entendimento dos descren-
tes, para que não vejam a luz do Evangelho da Glória de Cristo, que é
a imagem de Deus (2 Co. 4.3,4).

No Pentecoste, o “deus desta era” estava amarrado, e a Luz de Cristo


penetrou as trevas espirituais de Jerusalém, onde as multidões o haviam
crucificado algumas semanas antes. Era como se o Sopro de Deus que
encheu o cenáculo tivesse feito um som diferente quando soprou atra-
vés do coração das pessoas que se renderam.

O som atraiu as pessoas. Era um trovão, um som do Céu que

28
prendeu o coração daqueles que tinham anteriormente comemorado a
morte de Cristo. Agora estavam perguntando o que deveriam fazer para
serem salvos. O Som do Céu liberou a atmosfera do Céu até que os
poderes dominantes das trevas dessem lugar à superioridade da luz.

Essa é a vida cristã normal. Qualquer coisa menos que isso é re-
troceder. Essa mudança espiritual é exatamente o que acontece no rea-
vivamento verdadeiro. No reavivamento, o Derramamento do Espírito
Santo provoca uma invasão da Presença do Rei do Céu, o que desaloja
o príncipe das trevas.

A consequência desse desalojamento é que o indivíduo experi-


menta a Vida e o Poder do Reino. Corpos são Curados, almas são Sal-
vas e Libertas, os cristãos crescem em unidade e, por fim, a sociedade
e a terra se transformam.

O avivamento verdadeiro não só convida as pessoas a buscar


Deus, mas também a buscar o propósito dEle na história e ser parceiro
dEle no estabelecimento de Seu Domínio sobre todas as coisas. O Es-
pírito Santo não vem para nos dar uma sacudida; Ele vem para nos
ajudar a correr a corrida até o final e passar o bastão à geração seguinte
com o propósito de que o impulso do Reino cresça a cada geração que
se sucede.

O reavivamento genuíno é um Derramar do Espírito que traz o


Reino até que haja transformação em reforma. A natureza do Reino é
progresso constante. Segue, portanto, que o reavivamento deve ser sus-
tentado por todas as gerações, até que o “o conhecimento da Glória do Se-
nhor” cubra a terra “como as águas enchem o mar” (Habacuque 2.14).

Redefinir a Natureza de Deus e a natureza do reavivamento não é


de forma alguma uma opção para o corpo de Cristo responder à per-

29
gunta de por que a igreja não assumiu seu destino. O problema na equa-
ção jamais está no lado de Deus; está sempre do nosso.

Não renovamos nossa mente definindo-nos de acordo com a ver-


dade Divina. Desse modo, vivemos com limitações que Ele não nos
impôs. Você e eu temos a oportunidade em nossa geração de nos arre-
pender de observar a história de um ponto de vista finito e aumentar-
mos nossa experiência com o Poder Transformador dos testemunhos
de Deus, nossa Herança. Esses testemunhos foram dados à igreja para
que ela sustente a ação do Espírito Santo entre seu povo e nos leve de
“Glória em Glória” (2 Coríntios 3.18).

Nossa história familiar em Deus é um dos principais fatores que


Ele criou para nos preparar para caminhar em nosso destino nesta hora.
Se aceitarmos o desafio de estudar, ensinar e vivê-lo, vamos capacitar
esta geração a assumir sua identidade e propósito de filhos de Deus.

30
CAPÍTULO 3

ENCONTRAR A
MISERICÓRDIA DE DEUS
O testemunho das Escrituras é essencial para dar formação ao
povo de Deus de se comprometer plenamente com o propósito divino.
Essas histórias até podem ter tido influência na formação de Jesus para
cumprir seu destino. Embora Jesus fosse a Palavra (Deus), ele, sem dú-
vida, estudou as Escrituras, una vez que também era totalmente ho-
mem. Ele sabia por experiência própria que Deus é maior que seu Livro
— como o próprio Livro testifica. Deus escondeu os mistérios de Seu
Reino nas páginas desse Livro, mas apenas um coração com sede de
Intimidade com Deus terá acesso a desvendar esses mistérios.

Isso é muito diferente do que tão somente saber sobre Ele. Desse
modo, muitos leem a Bíblia, mas nem todos seguem os passos de Cristo
nem entram na vida que ela indica. Precisamos reconhecer que é nossa
reação às Escrituras que revela se compreendemos o que Deus disse e o
propósito que Ele visa ao dizer isso

No capítulo 5 de João, Jesus repreendeu os fariseus pela reação


errada deles às Escrituras com uma declaração que também tratou da
questão do testemunho referente à Sua identidade como o Messias:

“Se testifico acerca de mim mesmo, o meu testemunho não é válido. Há


outro que testemunha em meu favor, e sei que o seu testemunho a meu
respeito é válido. Vocês enviaram representantes a João, e ele testemu-
nhou da verdade. Não que eu busque testemunho humano, mas menci-
ono isso para que vocês sejam salvos. João era uma candeia que quei-
mava e irradiava luz, e durante certo tempo vocês quiseram alegrar-se
com a sua luz.

31
Eu tenho um testemunho maior que o de João; a própria obra que o Pai
me deu para concluir, e que estou realizando, testemunha que o Pai me
enviou. E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou a meu respeito.
Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma, nem a sua
palavra habita em vocês, pois não creem naquele que ele enviou. Vocês
estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês
têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito;
contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida” (João 5.31-40).

Observe primeiro o discurso de Jesus referente às testemunhas de


quem ele é. Sem sombra de dúvida, aqui Ele está recorrendo a um prin-
cípio essencial do testemunho reiterado por toda a Bíblia: “[...] toda ques-
tão precisa ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas” (2 Corín-
tios 13.1).

Jesus está alegando que Sua maior testemunha consiste em dois


elementos: Suas Obras Miraculosas e o testemunho de Seu Pai, Reve-
lado pelas Escrituras. Posteriormente, Jesus declarou: “Você não crê que
eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são
apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra”
(João 14.10), o que confirma a dedução dessa passagem, de que o Pai é
Aquele que provê tanto essas testemunhas, que agem em conjunto para
confirmar a questão da identidade de Jesus como o Messias. Isso é um
exemplo claro de que Deus pretende que as Escrituras funcionem em
conjunto com suas obras ao Revelar quem Ele é. Precisamos de ambos
para conhecê-lo.

O discurso de Jesus também sublinha algo fundamental a respeito


do que ocorre quando Deus dá um testemunho, algo que mostra quanto
Deus como testemunha é maior que qualquer testemunha humana.

A Palavra de Deus e suas Obras não se podem separar. Tudo que


há no mundo existe porque Ele mandou existir. Uma das principais

32
razões por que Deus é chamado santo é que Suas Palavras são tão
perfeitamente integradas com sua Pessoa que liberam a Força e a reali-
dade de Seu Ser para efetuar o que Ele disse.

AS ESCRITURAS CONDUZEM AO ENCONTRO


Por causa da Natureza de Sua Palavra, o principal objetivo de
Deus ao nos entregar as Escrituras, como Jesus destacou nessa passa-
gem, é preparar-nos para esperar e reconhecê-lO quando Ele se Revelasse por
meio de Seus Atos Divinos.

Jesus disse que as evidências de que os fariseus não tinham a Pa-


lavra habitando neles era o fato de não crerem em Jesus nem chegarem
a Ele para receberem Vida. Isso implica que o principal propósito da
habitação da Palavra em nós é preparar-nos e predispor-nos a situações
de ter Encontros Divinos e reagir com Fé. A Fé é a principal evidência
de que a Palavra habita em nós.

É triste descobrir que, se temos incredulidade no coração, pode-


mos ler as Escrituras, mas não vamos conseguir ouvir no seu texto a
voz do Pai dando testemunho de quem ele é.

A incredulidade cega e ensurdece nosso coração para a voz de


Deus, impedindo desse modo a coisa mais poderosa do Universo de
ser ativa em nós e por meio de nós.

Se não ouvirmos a voz de Deus, não há dúvida de que não conse-


guiremos responder a ele do modo que ele deseja, com Fé que vem a
conhecer pela experiência do Deus revelado no testemunho, f isso que de-
monstra o exemplo dos fariseus. Sem a Fé, que nos dá entendimento
de como funciona o testemunho divino, não vamos enxergá-lo, mesmo
que ele esteja bem na nossa frente!

A questão de como reagimos às Escrituras está presente toda vez

33
que as lemos. Todo o testemunho das Escrituras reverberam este tema:
Deus se revela à humanidade, e nós respondemos com Fé ou com incredulidade,
gerando condições que influenciam a maneira com que Deus vai se Relacionar co-
nosco.

Vamos ver como essa verdade permeia o que a Bíblia tem a dizer
no que diz respeito ao testemunho voltando agora nossa atenção aos
textos das Escrituras em que a palavra “testemunho” aparece pela pri-
meira vez.

A ARCA DO TESTEMUNHO
Ao fazer um estudo da palavra “testemunho” na Bíblia, vale notar
que na primeira vez que ela aparece, em Êxodo 16.34 (ARA), refere-se
não simplesmente a um testemunho, mas ao Testemunho.

A segunda vez em que a palavra ocorre é na expressão “a arca do


Testemunho” (v. Êxodo 25.16, ARA). Depois de apenas duas referências,
portanto, fica claro que precisamos voltar e rever os destaques da his-
tória do êxodo a fim de obter o contexto em que surgem o Testemunho
e a arca do Testemunho.

A narrativa de como Deus livrou o povo de Israel do Egito é, sem


dúvida, uma das mais impressionantes e miraculosas em toda a história
humana. Deus removeu todos os impedimentos quando livrou Israel
— primeiro devastando os egípcios com as dez pragas, em seguida, di-
vidindo as águas do mar Vermelho e, depois, suprindo toda a multidão
no deserto com água miraculosamente transformada em potável e com
o pão misterioso do Céu.

Todas essas demonstrações, contudo, levavam a algo. Quando o


povo chegou ao monte Sinai, Deus lhe fez uma oferta:

Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e

34
vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz
e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade pecu-
liar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha; vós me sereis
reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos
filhos de Israel (Êxodo 19.4-6).

Depois que o povo concordou com essa oferta, Deus ditou os


primeiros aspectos desse pacto a Moisés, começando com os Dez Man-
damentos. Moisés leu para o povo, e todos responderam que
obedeceriam Em seguida, Deus se encontrou com Moisés durante qua-
renta dias no monte Sinai e passou todo o tempo especificando como
construir sua casa e como realizar o ministério ali. É significativo que
Deus tenha passado duas vezes mais tempo falando sobre o lugar que
iria habitar entre seu povo e como esse povo deveria se aproximar dEle
do que passou falando sobre as leis segundo as quais ele queria que seu
povo vivesse. Daqui um instante, vamos estudar isso um pouco mais.

Também é importante o fato de que a arca foi o primeiro item que


Deus especificou para Moisés no seu projeto do tabernáculo. A arca
deveria ser a peça principal dos móveis e objetos da casa de Deus, por
um motivo que fica claro na passagem a seguir:

Também farão uma arca de madeixa de acácia; de dois côvados e meio


será o seu comprimento, de um côvado de meio, a largura, e de um côvado
e meio, a altura. De ouro puro a cobrirás; por dentro e por fora a cobri-
rás e farás sobre ela uma bordadura de ouro ao redor. Fundirás para
ela quatro argolas de ouro e as porás nos quatro cantos da arca: duas
argolas num lado dela e duas argolas noutro lado. Farás também varais
de madeira de acácia e os cobrirás de ouro; meterás os varais nas argolas
aos lados da arca, para se levar por meio deles a arca. Os varais ficaram
nas argolas da arca e não se tirarão dela.
E porás na arca o Testemunho, que eu te darei. Farás também um

35
propiciatório de ouro puro; de dois côvados e meio será o seu compri-
mento, e a largura, de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro;
de ouro batido os farás, extremidades do propiciatório; um querubim,
na extremidade de uma parte, e outro, na extremidade da outra parte;
de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extre-
midades dele. Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com
cias o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra,
olhando para o propiciatório. Rirás o propiciatório em cima de arca; e
dentro dela porás o Testemunho, que eu te darei. Ali, virei a ti e, de
cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca
do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para
os filhos do Israel. (Êxodo 25.10-22, ARA).

A arca era o elemento mais santo do tabernáculo porque era pre-


cisamente sobre essa peça que a nuvem da Presença de Deus repousa-
ria. Era chamada arca do Testemunho [ARA] porque, como acabamos
de ler, o Testemunho ficava no interior dessa caixa sobre a qual Deus
permanecia.

Por fim, vemos que o Testemunho está no versículo conclusivo


do encontro de Moisés com Deus: “E, tendo acabado de falar com ele no
monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas
pelos dedos de Deus” (Êxodo 31.18, ARA). (As tábuas que de fato foram
guardadas na arca eram as cópias que Moisés fizera depois de ter que-
brado as originais por raiva do pecado dos israelitas.) Entretanto, mais
dois ítens de testemunho acabaram por ser guardados na arca do Tes-
temunho junto cum essas tábuas de pedra. O escritor de Hebreus fala
sucintamente do conteúdo da arca:

Por trás do segundo havia a parte chamada Santo dos Santos, onde
encontravam o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, total-
mente revestida de ouro. Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o
maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança. Acima da
36
arca estavam os querubins cia Glória, que com sua sombra cobriam a
tampa da arca. A respeito dessas coisas não cabe agora falar detalha-
damente (Hebreus 9.3-5)

Antes de ver a importância desses itens, vamos observar que, de-


pois que Moisés os colocou na arca, eles não foram tirados. O povo
jamais os viu novamente.

Evidentemente, Deus não ordenou isso para manter o povo na


ignorância dos mandamentos escritos nas tábuas, uma vez que fez Moi-
sés registrar tudo no Livro da Lei para ensinar ao povo. Portanto, a
questão é: por que Deus insistiria em que o povo de Israel carregasse
essa tenda com todos esses objetos pelo deserto se possuía o Livro que
lhe dizia tudo quanto Deus queria que fizesse? Afinal, isso era tudo que
os próprios israelitas estavam interessados em ter, uma vez que eles se
assustaram com a Presença de Deus. Enquanto continuavam os pros-
seguimentos no monte, Deus demonstrava seu poder com tanta força,
com trovões, relâmpagos e outros sinais, que o povo insistiu para Moi-
sés falar com Deus em favor dele. No entanto, apesar de permitir que
Moisés fosse o mediador entre ele e o povo, Deus não ficou contente
em apenas lhe dar as leis segundo as quais deveria viver e depois sentar-
se para aplicá-las. O povo de Deus não era para ser conhecido pelo
código jurídico perfeito que ele possuía, mas pelo fato de o próprio
Deus estar presente entre eles.

É por isso que Deus passou mais tempo informando os israelitas


de como esperava que eles se comportassem. Tudo nessa casa tinha um
aspecto profético, simbólico, que revelava uma faceta da Natureza de
Deus e de sua relação com o povo.

Tudo que foi feito nessa casa tinha como foco o zelo por essa
relação mediante a aproximação de Deus em oração e adoração.

37
E, para garantir que o povo não confundisse a casa de Deus com
o próprio Deus, ele fez seu povo seguir sua nuvem no deserto durante
anos e montar o tabernáculo onde quer que Deus parasse. Muitas vezes,
o povo “o” via visitar Moisés na tenda do encontro. Mais que sua casa
ou que suas leis, era a Presença de Deus que dava ao povo sua identi-
dade, seu propósito e sua auto definição.

Por isso, devemos gravar na mente que o Testemunho não era


simplesmente palavras numa tábua, nem uma coleção de relíquias sa-
gradas. As palavras escritas só tinham significado por causa daquele que
as proferiu. E ele insistiu que, junto com essas palavras, o povo guar-
dasse evidências palpáveis de que ele é capaz de cumprir o que prome-
teu.

Cada elemento do Testemunho guardado na arca era uma reali-


dade física que incorporava uma revelação dada por Deus a seu povo
por meio de atos miraculosos específicos.

As tábuas de pedra expressavam seu encontro com o povo no


monte Sinai. Eram uma lembrança do fato de que uma Aliança fôra
firmada entre um Deus vivo e seu povo e que os mandamentos desse
Deus esboçavam como o povo devia se relacionar com ele e entre si

O jarro com o maná incorporava a revelação da provisão sobre-


natural de Deus para os israelitas. É interessante que essa provisão não
era apenas para o corpo, mas também para a alma deles, pois, ao dar o
maná a eles, Deus também prescreveu o shabat, o dia de descanso e
recreação, e provia maná suficiente no sexto dia de modo que ninguém
teria de trabalhar para colher o maná no sétimo dia da semana.

A vara de Arão representa a revelação da marca da autoridade de-


legada de Deus entre o povo. Em determinado ponto, os israelitas ques-
tionaram a autoridade de Arão. Por isso, eles deixaram as doze varas de

38
amendoeira mortas, uma de cada líder de tribo, da noite para o dia no
tabernáculo. Quando foram reaver as varas no dia seguinte, a vara de
Arão tinha brotado e florescido miraculosamente e dado amêndoas ma-
duras (Números 17.8). Isso revelou que o líder indicado de Deus deve
sempre ser identificado pela manifestação da vida ressurreta. Pois, da
mesma maneira que a vara morta de amendoeira de Arão teve nova
vida, manifesta em brotos, flores e amêndoas maduras, assim também é es-
sencial que os líderes cresçam em todas as áreas da vida. Vale a pena
notar que há vida, mas não necessariamente maturidade (amêndoas ma-
duras) em todas as arcas.

OS TESTEMUNHOS REVELAM O PACTO


Como vimos na passagem anterior, o propiciatório que ficava
acima desses ítens de testemunho era o lugar em que Deus habitaria.
Não devemos perder de vista a importância disso — a misericórdia Di-
vina repousa sobre o testemunho. Isso faz sentido se considerarmos
que o Testemunho era empregado de forma intercambiável com a aliança.

Todo foco de uma aliança está na relação entre as partes que a


fizeram. É evidente que, sem orientação para a relação sobre a qual es-
sas pastes concordam, não pode haver relação alguma. O Testemunho
cumpre a tarefa essencial de definir a natureza da relação pactuai (que
Deus estabeleceu com seu povo, e o povo, com Ele e determinar o
contexto em que ela devia ser praticada.

As diretrizes que Deus deu ao povo, porém, só tinham sentido


porque ele pretendia ter uma relação verdadeira com o povo. Rira nós,
seria um absurdo pensar em casar apenas para agir como se o que nosso
cônjuge mais desejasse fosse estudar nossos votos diariamente e pro-
curar nos comportar fazendo o que dissemos que faríamos sem ter con-
tato pessoal. Isso não produziria um casamento bem-sucedido.

39
Infelizmente, a reação que acabei de relatar, junto com uma profu-
são de outras respostas que resultam da ignorância e da incredulidade
que o homem herdou da Queda, caracterizou essa geração de israelitas
e tem caracterizado gerações ao longo da História.

Assim, esse Testemunho e a Antiga Aliança refletem a consciência


plena de Deus da condição pecaminosa de Israel. Deus tinha de esta-
belecer limites fortes para que o homem pecador pudesse aproximar-se
dele sem morrer instantaneamente. Esses limites não eram para manter
o povo longe, mas pura ensinar-lhe o que Deus exige de quem se apre-
senta perante ele.

Quando as israelitas ilnalmente chegaram ao monte Sinai, eles já


haviam demonstrado um comportamento nada exemplar, desde se
queixar da água e do alimento, passando por pedir paca voltar para o
Egito, até recolher mais maná que deveriam e depois sair para colhe-lo
no sábado, quando não havia maná.

Deus sabia que esses antigos escravos estavam longe de entender


como se aproximar dEle, por isso estabeleceu parâmetros rígidos para
seus primeiros encontros. Ordenou-lhes que se consagrassem e ficas-
sem longe do monte, “senão, o Senhor os fulminará” (Êxodo 19.24). É
nesse ponto que Deus começou com os fogos de artifício, e o povo
entendeu direito — Deus é absolutamente santo e tremendo. O povo
ficou assustado, mas não conseguiu entender o que Moisés entendeu,
ou seja, por que Deus estava mostrando seu poder e sua santidade:

Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da


trombeta e do monte fumegando, todos tremeram assustados. Ficaram à
distância e disseram a Moisés: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos.
Mas que Deus não fale conosco, para que não monamos”. Moisés disse
ao povo: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de
Deus esteja em vocês e os livre de pecar”.

40
Mas o povo permaneceu à distância, ao passo que Moisés aproximou-
se da nuvem escura em que Deus se encontrava (Êxodo 20.18-21).

O povo pensou que precisava se afastar de Deus, em vez de


aprender a se aproximar dele, como Moisés fazia. Essa escolha, junto
com outras que o povo fez, como, por exemplo, a decisão de adorar
um bezerro de ouro pouco depois de fazer Aliança com Deus, levou
Deus a estabelecer um ritual de culto que era totalmente realizado pelos
sacerdotes em nome do povo.

Lembre-se que no início Deus propôs fazer de Israel um reino de


sacerdotes. Ele acabaram sendo uma tribo de sacerdotes, e somente o
sumo sacerdote podia ficar diante da arca uma vez por ano, no Dia da
Expiação.

Na sua misericórdia, Deus escondeu-se daqueles que, por causa


do coração endurecido, seriam destruídos se entrassem num lugar de
acesso livre à sua Glória Manifesta, Ele não os rejeitou porque O ti-
nham rejeitado. Ele fez Provisão, na maneira que o tabernáculo foi es-
tabelecido e por meio de sacrifícios (principalmente o cordeiro sacrifi-
cado pelo pecado no Dia da Expiação), para que Sua Natureza Justa
fosse honrada, pelo menos provisoriamente, para que ele pudesse per-
manecer no meio do povo.

Essas diretrizes para proteger o povo da santidade Divina valiam


para todos. Contudo, tanto Moisés quanto Davi tinham sido de tal
forma separados para Deus que era como se ele lhes tivesse dado isen-
ção da Lei para que pudessem chegar mais perto de Sua Presença.

Afirmei anteriormente que nossa reação de Fé ou de incredulidade


à Revelação de Deus cria as condições que influenciam a maneira de
Deus se relacionar conosco. Isso e retratado de forma clara na história

41
que cerca o Testemunho. Isso significa que a vontade de Deus tem vá-
rias medidas, ou dimensões em diferentes circunstâncias de acordo com
essas condições.

A Bíblia é confusa e o contraditória se acharmos que tudo que


Deus diz e faz é uma expressão de sua soberana vontade. Por exemplo,
no Antigo Testamento, lemos: “Pois todos me pertentem. Tanto o pai como
filho me pertencem. Aquele que pecar é que morrerá.” (Ezequiel 18.4). No Novo
Testamento, lemos: “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como
julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém
pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3.9). Esta segunda
expressão da vontade de Deus é mais elevada que a primeira, e Deus a
revelou quando as condições de sua relação conosco mudaram por
causa do que Cristo realizou na cruz.

UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS


Mesmo antes de Cristo vir, havia alguém que seguia os passos de
Moisés e preferiu “se aproximar das densas trevas onde Deus estivesse”.

Davi é um indivíduo singular no Antigo Testamento porque ele


descobriu aspectos escondidos da vontade mais elevada de Deus para
o relacionamento com seu povo. Ele descobriu que Deus não queria o
sangue de touros e bodes, mas o sacrifício de um coração contrito e
grato. Essa descoberta o levou a fazer algo inimaginável.

Davi tomou a Arca da Aliança, a arca que somente o sumo sacer-


dote podia ver uma vez por ano, e a colocou num tabernáculo que ele
próprio concebera, onde havia sacerdotes adorando vinte e quatro ho-
ras por dia, durante anos. Ele não fez isso por acaso, principalmente
depois que um homem morreu na primefra tentativa de carregar a arca
para Jerusalém numa carroça. Entretanto, o coração de Davi, voltado
para a Presença de Deus, o levou a criar uma expressão de culto pessoal

42
apaixonada, perante a arca, que teoricamente devia ter sido ilegal para
ser um homem que não fosse sacerdote, ou mesmo qualquer um que
vivia antes do sangue de Jesus ser derramado.

O salmista disse: “Sim, os teus testemunhos são o meu prazer; eles são os
meus conselheiros” e “Tenho mais discernimento que tojos os meus mestres, pois
medito nos teus testemunhos” (Salmos 119.24,99). Sabedoria, discernimento
e paixão por Deus se obtêm por meio de testemunhos.

Também é provável que o coração de Davi voltado para Deus se


expressasse num estudo constante do Testemunho (v. Salmos 139.8,14
e Salmos 145.4,5,9) que desvendasse a revelação de sua natureza como
contexto para se encontrar com Deus (o propiciatório) e como um guia
para se aproximar de Deus. Por conseguinte, Deus lhe permitiu entrar
em Sua Presença e experimentar uma dose de comunhão e adoração
que estaria disponível a todo cristão do Novo Testamento. Isso, mais o
fato de que Deus chamou Davi de ancestral de seu Filho, o Messias,
revela que Davi entendia que o Testemunho era o essencial.

Afinal, a questão levantada em toda a história de Deus entregando


o Testemunho a Israel é: Por que Deus iria querer firmar uma aliança com
pessoas pecadoras? Por que ele iria querer um sistema de culto que não
solucionasse o problema do pecado, principalmente porque já sabia
como iria lidar com esse problema com a cruz?

Aludi a isso, e nós á vimos a resposta a essas perguntas na repre-


ensão de Jesus aos fariseus. Deus deu o Testemunho para instruir e
preparar seu povo para o Messias vindouro. Gálatas explica: “Assim, a
Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela Fé. Agora,
porém, tendo chegado a Fé, já não estamos mais sob o controle do tutor” (3.24).
Davi percebeu que o Testemunho e a Antiga Aliança não refletiam o
desejo mais elevado de Deus e que eles se destinavam a preparar o povo
para clamar pelo Messias e o reconhecer.

43
JESUS: O TESTEMUNHO VIVO
Jesus afirmou que ele viera para cumprir a Lei e os Profetas (v.
Mateus 3.17) ou, em outras palavras, as exigências da Antiga Aliança.
Esse cumprimento tem aspectos muito ricos, os quais os escritores do
Novo Testamento e muitos outros investigaram.

O livro de Hebreus em particular funciona como apoio para o


relato do Êxodo da concessão do Testemunho e da construção do
tabernáculo, especificando como cada aspecto do mobiliário do
tabernáculo e o ministério no seu interior profetizavam o ministério
espiritual superior realizado por Cristo na sua morte e ressurreição.

Hebreus define Jesus como nosso Sumo Sacerdote, representando


o homem diante de Deus, e Deus, diante do homem. Ao nos represen-
tar diante de Deus, ele entrou no verdadeiro e espiritual Santo dos San-
tos no Céu e apresentou seu próprio sangue no propiciatório para ex-
piar nossos pecados (v. Hebreus 9.11,12). Mas, ao representar Deus di-
ante do homem, Cristo foi ao Tabernáculo de Deus entre os homens,
como diz João: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e vive [tabemaculou]
entre nós [...]” (1.14).

Portanto Jesus incorporou as realidades que a arca e o Testemu-


nho indicaram. A caixa de madeira de acácia (o mesmo material que
Noé usou para construir sua arca) falava da redenção que Jesus ofereceu
ao mundo. O ouro falava da Glória de Deus que estava sobre ele. O
querubim falava da presença de anjos que o rodeavam. O propiciatório,
onde o sangue do cordeiro era aspergido e onde Deus se encontrava
com Moisés, falava do acesso livre e do perdão que Jesus estendeu do
Pai à humanidade. Finalmente, Jesus incorporava os elementos do
Testemunho do interior da arca — as tábuas, o maná e a vara de Arão
— por ter cumprido a Lei, criado provisões miraculosas e andar na
Unção e autoridade do Céu, evidenciadas pela libertação da vida

44
ressurreta.

Cristo é o Testemunho vivo de Deus para o mundo. Tudo que ele


foi, disse e fez revelou a natureza do pacto que Deus desejava ter com
todos os seus filhos. Com a vida e a morte de Jesus, Deus criou o
contexto para nos aproximarmos de Deus, conhece lo e andar com ele.

Estar “em Cristo” significa que, de fato, participamos das duas di-
mensões do ministério sacerdotal de Cristo. Em Cristo, também
ministramos para Deus com culto espiritual no Santo dos Santos, onde
entramos mediante o “novo e vivo caminho” que o próprio Cristo abriu
para nós:

Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos


Santos.pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho aue ele nos
abriu por meio do véu, isto é, do sem corpo.Temos, poia, um grande
sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de Deus
com um coraçãosincero e com plena convicção de Fé, tendo os corações
aspergidas para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os
nossos corpos lavados com água pura (Hebreus 10.19-22)

Por outro lado, estar em Cristo significa que experimentamos a


habitação do Espírito Santo. Assim, o Santo dos Santos agora reside
em nós. Paulo perguntou: “Vocês não sabem que sào santuário de Deus e que
o Espírito de Deus habita em vocês?” (l Coríntios 3.16). Isso significa que
agora somos portadores do Testemunho — portadores das realidades
da Nova Aliança de Deus com o homem por meio de seu Filho, como
ele afirmou pelo profeta Jeremias:

“Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, “quando farei uma nova


aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não
será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei
pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança,

45
apesar de eu ser o SENHOR deles”, diz o SENHOR.

“Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles


dias”, declara o SENHOR; “Porei a minha lei no íntimo deles e a
escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo.

Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo:


Conheça o Senhor”, porque todos me conhecerão, desde o menor até o
maior”, diz o Senhor. “Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me
lembrarei mais dos seus pecados” (Jeremias 31.31-34).

Nossa tarefa é aprender a liberar a realidade e o poder do Teste-


munho da mesma maneira que Jesus fez. Jesus representou Deus de
modo muito diferente que a arca do Testemunho o representava, Existe
uma diferença importante entre uma caixa de objetos inanimados que
indicam realidades espirituais e um testemunho vivo que se relaciona
com essas realidades e as manifesta.

Enquanto a caixa só podia conservar as relíquias do que Deus fi-


zera, Jesus declarava e demonstrava as obras de Deus para todos verem,
Ele revelou o segredo do seu ministério liberalmente para seus discípu-
los, reiterando sempre que ele fazia somente o que vira seu Pai fazer e
dizia somente o que ouvira seu Pai dizer. Isto é, ele e seu Pai eram exa-
tamente iguais, estavam em perfeita concordância.

Semelhança e acordo são o cerne da aliança. Foi esse perfeito


acordo com Deus que capacitou Jesus a liberar o Espírito de Deus toda
vez que falava. Em suas palavras e obras, ele representava o Deus do Tes-
temunho.

Como vimos no capítulo anterior, Cristo nos deu acesso a essa


relação pactual superior com Deus e nos chamou para representá-lo da
mesma maneira. Assim, guardar o testemunho não é uma questão de
preservar na memória o que Deus fez, mas revelar como Deus é para
46
aqueles à nossa volta declarando e demonstrando.

A própria palavra “testemunho” em hebraico vem de uma raiz que


significa “repetir, fazer de novo”. Observe que essa repetição tem em si as
duas dimensões de dizer e fazer.

O testemunho é algo a ser repetido, tanto em palavra quanto em


ação. Isso deriva diretamente da natureza da Palavra de Deus que vimos
anteriormente. As palavras de Deus não podem se separar de suas
obras. Também deriva de sua natureza de um Deus que faz aliança e a
cumpre. Quando declaramos os testemunhos do Senhor, estamos na
verdade definindo quem ele prometeu ser na relação conosco; e mais,
estamos apresentando uma petição ao Céu para que essa aliança se re-
nove e se demonstre no presente como foi no passado.

Como veremos mais adiante, apresentar essa petição ao Céu é exa-


tamente o que Deus quer que façamos, Ele nos manda repetir seus tes-
temunhos porque, ao fazer isso, criamos atmosfera e oportunidade para
que ele realize novamente o que realizou. Assim como Jesus, devemos
criar dentro de nós ambiente para que Sua Presença seja liberada pela
declaração do testemunho àqueles que nos cercam. Levamos o
propiciatório de Cristo aonde quer que vamos. Quando declaramos os
testemunhos de Deus às pessoas, estamos preparando-as para encontrar
Deus da mesma maneira que estamos declarando. Trata-se de uma po-
derosa realidade, mas uma realidade que só podemos prever e ter acesso
regular quando aprendemos a seguir as pegadas de Davi e fazer dos
testemunhos do Senhor nosso prazer e nossos conselheiros. Para
cumprir nosso papel nessa relação pactual, devemos aprender a guardar
o testemunho e, ao fazer isso, aprender a liberar o Poder de Deus para
o mundo à nossa volta.

47
CAPÍTULO 4

GUARDAR O
TESTEMUNHO
Deuteronômio é o livro que todo judeu devoto tinha de saber de
trás para a frente e de frente para trás ao crescer, por um simples mo-
tivo: é um dos livros mais práticos da Bíblia. Tem instruções práticas
para todos os aspectos da vida comunitária, de relacionamentos, famí-
lia, trabalho e culto. Pelo fato de ter sido tão essencial para o êxito de
Israel como povo da aliança de Deus, uma das primeiras instruções prá-
ticas do livro é como aprender o que ele diz:

Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.
Ensine as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando
estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando
se deitar e uuando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e
prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em
seus portões (Deuteronômio 6.6-9).

Resumindo, Deus queria que seu povo tivesse três atitudes essen-
ciais em ralação a Deuteronômio. Ele deveria ser o assunto principal da
educação dos filhos. Também era para ser o principal assunto da con-
versa durante todo o dia, uma vez que o povo devia cercar-se de lem-
bretes visíveis do que o livro diz. Essas três disciplinas eram vitais para
guardar com êxito os três primeiros aspectos das palavras que Deus fa-
lara ao povo. “Diligentemente, guardarás os mandamentos do SENHOR teu Deus,
e os seus testemunhos, e os seus estatutos que te ordenou” (Deuteronômio 6.17,
ARA).

Guardar os mandamentos do Senhor é muito fácil de entender.

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Significa simplesmente fazer o que eles ordenam. Se Deus diz para hon-
rar pai e mãe, temos de honrar nossos pais. Guardar os estatutos do
Senhor é um pouco diferente.

Os estatutos de Deus são os Princípios e Valores Supremos sub-


jacentes a Seus Mandamentos e normas para nossa vida. Por exemplo,
ele promete que teremos vida longa por cumprir o mandamento de
honrar nossos pais. Isso revela um estatuto da natureza e do Reino de
Deus — que a vida flui através da honra. Deus nos manda guardar seus
estatutos porque ele não quer que façamos somente o que ele diz; quer
que entendamos por que ele nos manda fazer determinadas coisas. Ele
quer que compreendamos os Princípios que regem Seu mundo a fim
de criarmos filhos que pensem como Ele e vivermos com êxito organi-
zando nossa vida do modo dEle.

O que, porém, significa guardar os testemunhos do Senhor? Para


responder a essa pergunta, precisamos voltar e observar a importância
das disciplinas prescritas em Deuteronômio 6.6-9, Esses versículos in-
dicam que, junto com os mandamentos e os estatutos, temos de falar
aos nossos filhos sobre os testemunhos, contar a eles as histórias das
Deus na História. Temos de guarda-los em nossas conversas diárias e
devemos construir memoriais, ou monumentos, para nos lembrarmos
deles. Em resumo, temos de lembrar deles e declará-los constantemente.

A palavra “guardar” significa “observar” ou “preservar”. A ideia é clara:


manter os olhos focalizados naquilo que Deus fez, o testemunho, e
proteger isso da obscuridade. Gosto de pensar no testemunho de Jesus
como as lentes através das quais enxergamos a vida. A história sobrenatural é
fácil de ser esquecida, principalmente quando queremos nos sentir bem
com nós mesmos na ausência de Milagres. Quando não há Milagres, e
somos seguidores de Jesus, instintivamente queremos criar um motivo
para explicar sua ausência e assim continuar a viver em nosso estado
atual sem fazer mudanças radicais. É muito fácil criar razões teológicas
49
para a ausência de Milagres. Ao contrário, temos de descobrir por que
eles não acontecem e buscar Aquele que exige de nós o Sobrenatural.

DECLARAÇÃO CHEIA DE PODER


O testemunho do Senhor tem de ser dito, uma vez que existe um
elo nítido entre a declaração e a Liberação de Poder.

A começar de Gênesis 1, a Bíblia nos prepara para entender que


nada ocorre no Reino sem que antes haja uma declaração. Isso vale quer
Deus fale diretamente, que Ele ponha suas palavras na boca de seu
povo.

O primeiro mandado de Deus a Adão para ajudar a esclarecer a


natureza do mundo em que iria viver, dando nome aos animais, fala do
poder da declaração que Deus investiu na humanidade desde o início.
Depois da Queda, apenas um punhado de gente respondeu ao chamado
de Deus para ser profeta dEle. Muitos desses indivíduos, porém, aces-
saram o coração de Deus e seu propósito de restaurar seu povo para
uma posição de Pureza e Intimidade, em que todos, não apenas alguns,
pudessem ouvir o que Deus estava dizendo e declarar essa mensagem,
liberando a realidade do que foi declarado para o mundo à sua volta.
Moisés disse: “Você está com ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do Senhor
fosse profeta e que o Senhor pusesse o seu Espírito sobre eles!” (Números 11.29).

O profeta Joel declara: “Depois disso, derramarei do meu Espírito sobre


todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os
jovens terão visões” (Joel 2.28). Isaías referiu-se à razão por que Deus que-
ria que todos tivessem acesso à Unção profética quando Deus falou por
meio do profeta, dizendo: “Ponho as minhas palavras na tua boca e te protejo
com a sombra da minha mão, para que eu estenda novos céus, funde nova terra e
diga a Sião: 'Eu és o meu povo” (lsaías 51.16, ARA).

Onde os céus deviam ser estendidos? No mesmo lugar que Deus


50
tinha lançado os alicerces: na terra. Essa ideia de “estender os céus” tem
ressonância na declaração que Jesus nos ensinou: “Venha o teu Reino; seja
feita a tua vontade, assim na terra como no Céu” (Mateus 6.10). Essa é uma
declaração profética que não é muito centrada na previsão de um acon-
tecimento futuro, mas em chamar algo â existência.

Jesus nos deu exemplo desses dois aspectos do ministério profé-


tico. Ele não só previa acontecimentos, mas também suas palavras fa-
ziam realmente acontecer as coisas no momento em que saíam de sua
boca. Ele se referiu a isso assim: “O Espírito dá vida; a carne não produz
nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida” (João
6.63).

Quando ele falava, liberava o Espírito de Deu no ambiente, e a


realidade superior do Reino de Deus, que está no Espírito, começava a
transformar a realidade terrena.

É essencial lembrar que Jesus fazia tudo no ministério terreno


como um homem que havia deixado à parte seu poder e seus privilégios
divinos a fim de dar-nos o exemplo de vida cristã. Ele demonstrou que
nós também, falando com a presença e o poder do Espírito Santo,
liberaríamos o Espírito Santo para “estender os céus”, transformando o
mundo à nossa volta.

Uma palavra profética verdadeira muda o ambiente e age como


um catalisador que põe em ação uma cadeia de eventos para transmitir
a palavra. É por isso que Paulo nos exortou a “S[eguir] o caminho do amor
e bus[car] com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia” (1
Corintios 14.1). Todos nós devemos ser possuídos do desejo não
necessariamente de ter o ofício de profeta, mas de crescer na graça do
Espírito para ouvir e declarar o que Deus está dizendo. É isso qur abro
os céus e atrai o reino dos anjos paia nossas circunstâncias, porque a
principal tarefa dos anjos é aplicar e comprovar a Palavra de Deus

51
quando ela é declarada.

Essa verdade é o princípio orientador por trás da prioridade de


declarar o testemunho. Lembre-se, como vimos no capítulo 1:“[...]
Adore a Deus! O testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse
19.10)! Quando declaramos as obras de Deus, liberamos uma Unção
profética criativa que muda a atmosfera. De fato, o testemunho declarado
cria acesso paru a própria Unção que realiza o testemunho em primeiro lugar —
que também foi librado fxrr uma declaração — pata produzi-lo novamente.

Essa é a realidade incorporada na própria palavra “testemunho” —


“fazer novamente”. Vi isso ocorrer muitas vezes para duvidar de que,
quando declaramos o testemunho do Senhor, Deus libera sua autori-
dade para aplicar a palavra e duplicar o Milagre.

Declarar o testemunho não precisa ser parecido com pregar. As


declarações podem ser simplesmente proferidas em voz alta. Por isso,
Deuteronômio diz que o testemunho deve estar em nossas conversos.
Certa vez, eu estava conversando com um homem, e aconteceu de ele
mencionar que tinha um tumor na clavícula. Ele explicou que o osso
jamais se curou adequadamente depois de tê-lo quebrado alguns anos
atrás. Eu respondi dizendo que via ossos quebrados serem curados o
tempo todo. A mulher dele pegou-lhe a mão, colocou-a no tumor e
disse: “Você está Curado!”. Logo em seguida, o osso estava perfeitamente
liso. Foi o poder do testemunho.

Essa mesma dinâmica explica por que eu acho que uma das ma-
neiras mais rápidas de iniciar as pessoas numa vida de Milagres é
mandá-las numa viagem “Global Awakening” [Despertamento mundial],
no Brasil, com Randy Clark. Em qualquer uma dessas virgens, há a pos-
sibilidade de testemunhar a ocorrência de milhares de Milagres. Esses
Milagres acontecem por meio de cristãos comuns, que deixam o ambi-

52
ente muitas vezes “opressivo” da igreja norte-americana para serem usa-
dos num país que não tem problemas com o Deus de Milagres.

O que ocorre depois das reuniões é importante: quando as equipes


estão juntas nas refeições ou passeando, elas conversam sobre os Mila-
gres. Não querem conversar sobre assuntos de seus próprios países —
as contas a pagar ou os conflitos denominacionais que estão enfren-
tando. As pessoas querem conversar sobre o fato que acabaram de pre-
senciar: alguém sem pupilas que de repente as cria e recebe a visão, ou
os tumores que desapareceram, ou os tetraplégicos que saíram da ca-
deira de rodas e andaram.

Quando voltam ao seu país, essas conversas impulsionam a vida


delas e as estabelecem em reinos de poder que jamais imaginariam ex-
perimentar, lassam a ter uma arrancada para um estilo de vida de Mila-
gres constantes declarando o testemunho.

Preciso agora assinalar que, ao viajar e ministrar durante muitos


anos, descobri que esse entendimento da natureza profética do teste-
munho chega como novidade para muita gente.

Em muitos lugares, as pessoas tem um valor para o testemunho


igual ao que eu tinha durante minha criação.

Eu gostava de ouvir a história sobre Deus ter encontrado e mu-


dado a vida de determinadas pessoas para sempre. Sempre foi estimu-
lante e me fazia dar Glória e honra a Deus. Não me lembro, porém, de
nem um exemplo sequer de que o Milagre específico declarado nesses
testemunhos tenha sido reproduzido instante-neamente entre os que
ouviam esses testemunhos Não estou dizendo que não aconteceu, mas
nunca tive conhecimento disso (além da resposta ao apelo de receber
Cristo depois do testemunho da conversão de alguém).

A verdade é que a Unção sobre o testemunho sempre existiu, mas


53
nossa insignificância nos impediu de receber o que jamais notamos que
estava acessível. Como dizem as Escrituras: “Meu povo foi destruído por
falta de conhecimento” (Oséias 4.6). Sem a revelação de como Deus opera,
não podemos estender a mão com Fé e nos apossar do potencial celeste
que está na atmosfera à nossa volta. É isso que observamos na história
da mulher com o fluxo hemorrágico (v. Marcos 5). Jesus estava sendo
tocado e pressionado por todos os lados por uma multidão de gente.
Mas só uma pessoa percebeu que podia de fato receber algo se apenas
o tocasse. Ela teve uma revelação do que estava à disposição e, por-
tanto, teve Fé para estender a mão e sentir.

ADMINISTRAÇÃO PELA MEDITAÇÃO


A administração começa com o entendimento do que recebemos
e por quê.

Temos muito por que agradecer nessa hora. O Espírito Santo está
restaurando a revelação do poder do testemunho para liberar Milagres
a seu povo, poder este acessível a todos nós. Está a nosso alcance. Deus
está nos tirando de nossa ignorância com misericórdia, de Fé em Fé e
de Glória em Glória.

Contudo, também quero ressaltar outra verdade acerca do Reino.


Reabrindo à conversa de seus discípulos sobre se o Reino iria aparecer
fia terra de repente, Jesus lhes contou uma parábola sobre um homem
que confiou a seus servos com determinada quantia de dinheiro a ser
administrada. Com base na fidelidade de cada um em relação ao di-
nheiro, servos foram por fim estabelecidos com determinado grau de
autoridade sobre cidades (v. Lucas 19.11-27). A parábola das minas nos
ensina que, quando Deus abre as riquezas de Seu Reino para nós, ele
nos está confiando algo que temos de administrar. É nossa mordomia fiel
que nos habilita para lidar com o peso do poder e da autoridade que
está sobre alguém que pode transformar a paisagem com uma

54
declaração.

Ao Revelar o Poder do testemunho, Deus não está apenas nos


dando acesso a um princípio que funciona de Seu Reino. Ele está na
verdade nos dando acesso ao conhecimento dele. Lembre-se que, em todo
relato do que Deus fez, há uma revelação da natureza dele e um convite
para conhecê-lo também pela experiência.

E para isso que sen o a Unção sobre o testemunho, porque o


testemunho é parte da aliança. Todo o seu propósito é nos levar ao
Relacionamento com Deus. Mas a Revelação de Deus é algo pesado.
Quando enxergamos quem Deus realmente é revelado em seus
testemunhos, não conseguimos fugir disso sem reagir a Deus de uma
maneira, entre duas: ou deixamos que a Revelação de quem Ele é
transforme nosso modo de conceber e perceber a realidade, ou
resistimos à verdade e ficamos de coração endurecido. Resumidamente,
ou entramos em um Relacionamento com Deus, ou nos afastamos dele.

Deuteronômio nos ensina que, se desejamos ter Relacionamento


com Deus, precisamos ser proativos nesse sentido. Acomodasse e
apenas aplaudir o que Deus fez na verdade nos põe num engodo em
que pensamos ter recebido a revelação do testemunho e reagido a Deus
da forma que ele deseja.

Não há duvida de que devemos dar louvor a Deus pelo que ele
fez, mas não podemos para por aí. Se o testemunho não transformar
de fato o resto de nosso pensamento e de nosso comportamento, não
o estamos verdadeiramente guardando.

A Revelação de Deus no testemunho deve nos formar para ver a


realidade da perspectiva de Deus a fim de podermos caminhar na Fé.
Qualquer tipo de formação, seja militar, seja o aprendizado de um ins-
trumento, exige prática. A única maneira de absorver realmente todos

55
os nutrientes, por assim dizer, do testemunho é tomando uma decisão
conscienciosa de cultivar um estilo de vida de conversar o tempo todo
sobre as obras maravilhosas de Deus.

Jesus declarou: “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus
é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele” (Mateus 11.12). Ele
também disse: “Aquele que não está comigo é contra mim, e aquele que comigo
não ajunta, espalha” (Lucas 11.23). Não existe território neutro em nosso
mundo. Ou buscamos de forma proativa e vigorosa o Reino de Deus,
ou estamos permitindo, quer ativa, quer passivamente, que o reino das
trevas imponha sua influência, ganhando um lugar em nosso coração
— o lugar de onde observamos a realidade.

Nosso coração está cheio de tudo quanto prende nossos pensa-


mentos e afetos. As Escrituras chamam isso do meditação do nosso co-
ração. Note que a meditação no sentido bíblico refere-se, a encher o
coração e a mente, ao contrário da meditação oriental, que procura es-
vaziar a mente.

Tudo quanto nos enche o coração e a mente em última análise


leva-nos a criar um tipo de confiança ou acordo com isso. Se nossos
pensamentos são constantemente preenchidos com a imaginação de
que coisas ruins podem acontecer a nós ou àqueles que amamos, vamos
estabelecer um acordo com o espírito de ansiedade. Se preferirmos nos
concentrar no que Deus não está fazendo, é mais provável que depare-
mos com perguntas como: “Por que essa pessoa não foi curada?” ou “Por que
há tanto mal no mundo?”. Assim, vamos firmar um acordo com o espírito
de amargura, criando a atmosfera favorável ao espírito de ofensa, o que
nos leva ao pecado principal da incredulidade. Se enchemos a mente
com aquilo que Deus está fazendo e o que ele fez, fazemos um acordo
com o espírito de Fé. Tudo aquilo com que concordamos é o que vai
encher nosso pensamento e nossa boca e, desse modo, o que vamos
liberar para o mundo à nossa volta.
56
De fato, a realidade espiritual com a qual comungamos no coração
é exatamente o poder liberado em nossas declarações. Por esse motivo,
as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração estão intima-
mente associadas. É por isso que Davi orou: “Que as palavras da minha
boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e
meu Resgatador!” (Salmos 19.14). Deus expôs a Josué a relação entre me-
ditação e declaração ao dizer:

“Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas


de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está
escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido”
(Josué 1.8)

A conclusão dessa passagem tem dois aspectos que dizem respeito


a guardar o testemunho. Primeiro, não temos de declarar o testemunho
como uma repetição irrefletida. Temos de comprometer nossa mente e
imaginação com o que estamos dizendo.

Por sua vez, nossa meditação no que Deus disse implica falar. A
palavra hebraica para “meditação” aqui significa literalmente “gemer, res-
mungar, proferir, refletir sobre, murmurar, ou falar”. Essa mesma palavra foi
empregada para designar um leão rugindo para a presa. Nossa medita-
ção não deve ser uma atividade relaxada. Temos de perseguir e com
alegria consumir com voracidade o testemunho de Deus. É assim que
nosso corpo e nossa mente são preparados “para estar de acordo com tudo
o que está escrito”.

Essas atividades devem evidentemente ser práticas para nós,


quando passamos pela experiência de como o aprendizado acontece.
Os níveis mais elevados de aprendizado são normalmente atingidos
quando estão presentes no processo de aprendizado, a repetição, o
compromisso físico e mental, o pensamento crítico e a expressão (pôr
a ideia em palavras).

57
Quando fazemos isso com o testemunho, há duas consequências
fundamentais. Primeira, quando enchemos o coração e a mente com o
registro do que Deus fez por meio do diálogo e da meditação, mante-
mos uma consciência constante do Deus que invade o impossível. Essa
postura de consciência e expectativa cria a esperança, a Fé, a coragem
e a sede de que necessitamos para reagir as impossibilidades à nossa
volta.

A segunda consequência é que, profetizando com eficácia sobre


nós com o testemunho, liberamos algo no reino que realmente nos atrai
para experiências reais em que enxergamos impossibilidades à nossa
volta, transformadas pelo Deus do testemunho. É isso que o Senhor
prometeu a Josué — guardando o testemunho, nós realmente prosperar-
mos e termos êxito.

A vida de Davi, um dos homens mais bem-sucedidos do Antigo


Testamento e, como vimos, o exemplo mais profundo de guardar o
testemunho, sem dúvida fala da verdade dessa promessa. Em todos os
seus salmos, ele fala em declarar e proclamar as obras de Deus: “Grandes
são as obras do SENHOR; nelas meditam todos os que as apreciam” (Salmos
111.2).

O salmo 66 nos dá uma ideia maravilhosa de quanto Davi estu-


dava e meditava sobre as obras de Deus. Ele diz:

Venham e vejam o que Deus tem feito; como são impressionantes as


suas obras em favor dos homens! Ele transformou o mar em terra seca,
e o povo atravessou as águas a pé; e ali nos alegramos nele (Salmos
66.5,6).

Os fatos a que Davi se refere nesse salmo — a travessia miraculosa


do mar Vermelho e do rio Jordão — aconteceram centenas de anos
antes de ele nascer. Contudo, ele fala como se nos estivesse convidando

58
para uma festa em que observaríamos esses fatos acontecerem e então
celebraríamos a Deus juntos.

O que Davi descobriu ao estudar as obras do Senhor é que elas


têm vida própria e não são afetadas pelo tempo. O Deus que as realizou
existe além do tempo, e, quando estudamos o que ele fez, não podemos
evitar deparar com o fato de que esses também são os feitos que Deus
está realizando e realizará.

A palavra hebraica traduzida por “meditam” em Salmos também


significa “buscam”. Se temos prazer nos testemunhos o meditamos ne-
les, na verdade procuramos e achamos encontros pessoais com essas obras
de Deus. Seria melhor dizer que buscamos de fato esses encontros com
as obras de Deus como verdadeiras “presas” que estamos perseguindo
quando meditamos. É isso exatamente que devemos fazer para experi-
mentara plenitude de nossa herança no testemunho.

LEMBRAR
Criar um estilo de vida de declarar o testemunho é o primeiro as-
pecto de guardar o testemunho. O segundo aspecto é criar um estilo de
vida de lembrar desses aspectos são dois lados da mesma moeda.

Não faz muito tempo, descobri algo interessante acerca da palavra


hebraica para a nossa palavra “lembrar”. Ela é o radical da palavra “ma-
cho”. Pode parecer uma correlação obscura, mas aqui significa que o
macho carrega as sementes de reprodução Quando nos lembramos das
intervenções sobrenaturais de Deus nas situações impossíveis, carrega-
mos em nosso coração as sementes de mais um Milagre.

Já vimos que declarar o testemunho dá acesso à Unção pela qual


ele se duplica. Agora vemos que isso também é um ato de lembrança.
Quando nos lembramos do que Deus fez, é como se tomássemos as

59
sementes de determinado Milagre, transportássemos para um novo am-
biente e outro Milagre acontecesse.

O fato de os seres humanos terem a capacidade de todos sabemos.


Também temos a impressionante capacidade de esquecer. As conse-
quências de esquecer podem ser pequenas ou grandes, dependendo do
que se esquece. Os desdobramentos de esquecer onde se pôs o gram-
peador são muito diferentes de esquecer a data do aniversário de casa-
mento, por exemplo.

O que é tão impressionante em relação à nossa capacidade de es-


quecer é que somos capazes do esquecer coisas que pareciam absoluta-
mente inesquecíveis quando ocorreram.

Por outro lado, quase sempre descobrimos que esquecemos coisas


que não pareciam grandiosas na ocasião, mas, olhando para trás, foram
na verdade importantíssimas. Ambos os casos revelam nossa necessi-
dade de uma espécie de mecanismo externo que nos ajude a lembrar.

Quando Israel entrou na terra prometida pelo rio Jordão, Josué


ordenou que os mais velhos das tribos voltassem ao rio e pegassem 12
pedras do leito para fazer uma pilha delas na margem. Josué explicou o
objetivo:

Elas servirão de sinal para vocês. No futuro, quando os seus filhos lhes
perguntarem: “Que significam essas pedras?”, respondam que as águas
do Jordão foram interrompidas diante da arca da aliança do SENHOR.
Quando a arca atravessou o Jordão, as águas foram interrompidas. Es-
sas pedras serão um memorial perpétuo para o povo de Israel” (Josué
4.6,7).

A pilha de pedras deveria ser um sinal e memorial, que têm natureza


semelhante. Os sinais, ou signos, são realidades que indicam realidades
maiores. Os memoriais são objetos que se destinam a nos lembrar de
60
outras coisas. Nesse caso, a pilha de pedras, lembrava o povo de Israel
do testemunho de que Deus reteve as águas do Jordão e fez seu povo
entrar na terra prometida.

As intervenções sobrenaturais de Deus na história humana, po-


rém, são em si mesmas sinais, porque são realidades que indicam a re-
velação maior do próprio Deus. Desse modo, a pilha de pedras era um
memorial e um sinal que indicava outro sinal, o sinal que indicava a
realidade.

Quando o Jacozinho e seu pai encontrassem essa pilha de pedras


no caminho do rio, não ouviriam apenas a história; ouviriam o que a
história indica: “É assim que o Deus de seus pais é, e Ele é seu Deus também!”
Jamais devia ser uma lição de história chata. Na cultura de Israel, está
incorporada a noção de que a história deles como povo da aliança con-
tinha as promessas de quem Deus seria para cada geração futura.

Devemos criar elementos que estimulem nossas lembranças, coi-


sas que nos lembrem do que Deus fez em nossa vida e de quem ele é.
Um memorial de pedra em minha vida é um clássico rifle Winchester
pré-1964 que ganhei há muitos anos, quando meu pai foi pastor da
Bethel Church, e eu fazia parte da equipe que ele liderava.

Nessa época, eu não tinha rifle de caça, mas estava economizando


dinheiro para adquirir um, porque eu adorava caçar. Depois de ler jun-
tado o suficiente, achei que seria mais sábio pagar algumas contas com
o dinheiro, em vez de comprar a arma, e fiz isso. No domingo seguinte
à noite, fui à igreja, e um dos principais presbíteros chegou até mim de
forma bem inesperada e perguntou: “Bill, você precisa de uma arma?” Res-
pondi: “Sim, preciso”. “Venha à minha casa depois da igreja”. Eu fui. Fiquei
perplexo quando ele trouxe a Winchester, não só porque a arma era
muito valiosa, mas também porque era mais que isso. Era uma pilha de
pedras.

61
Referia-se a algo maior que ela mesma, uma lição que Deus me
ensinou naquele momento para muitos anos: se obedeço nas pequenas
coisas, ele me recompensa nas grandes.

Algum tempo mais tarde, depois que nos mudamos para Weaver-
ville, acabei acumulando quatro armas, que guardávamos num armário
(antes de se exigir segurança para as armas). Num fim de semana, saí-
mos da cidade, e, quando voltamos, alguém tinha invadido a casa e rou-
bado minhas armas — exceto a mais valiosa. Não sei por qual motivo,
mas acho que o Senhor deve ter cegado os olhos do ladrão para a arma
mais cara das quatro.

Imaginei que eu me ofenderia com o fato de o ladrão ter pegado


as outras três armas. Mas isso jamais me passou pela mente. Fiquei
muito agradecido com o fato de o assaltante não ter levado o bem mais
valioso para mim. Eu precisava ter uma pilha de pedras na minha vida
para nunca me esquecer de como Deus verdadeiramente é.

Quais as consequências eternas de ter um rifle? Nenhuma. Mas ele


me lembra da revelação de quem é Deus na minha vida. Não caço mais
com esse rifle, mas nunca me desfaria dele se Deus não ordenasse fazer
isso, porque ele é minha pilha de pedras. Fala de quanto Deus honra a
sabedoria (de eu ter pagado minhas contas) e profetiza da aliança que
tenho com Deus durante minha vida, que se baseia completamente na
gloriosa natureza Divina.

Os memoriais são um grande negócio para Deus. Não precisam


ser extravagantes. No Antigo Testamento, eram coisas como pilhas de
pedras, palavras gravadas em portas e borlas em vestimentas. No Novo
Testamento, Jesus nos deu o memorial da ceia do Senhor, o pão e o
vinho, com os quais lembramos sua morte e ressurreição.

Podemos ter também um diário, um álbum de fotografias ou um

62
simples objeto que nos lembre de ocasiões determinadas em que en-
contramos Deus e Ele se Revelou.

A mim, Ele deu uma arma. Pode ser qualquer coisa, mas a questão
é que devem ser elementos em que investimos com sentido de modo
que sejam sinais que indiquem o testemunho — elementos que vemos
regularmente e refletimos sobre eles sempre. Os memoriais são elemen-
tos essenciais de guardar o testemunho porque agem para nos proteger
de nossa suscetibilidade a esquecer aquilo que Deus diz que é impor-
tante. Funcionam como um alarme. Não ligamos o despertador depois
que já saímos da cama. Nós o ligamos antes para que desencadeie em
nós uma determinada reação quando chega o momento certo — em
geral, inesperadamente.

Os cristãos não se podem dar ao luxo de esquecer seu próprio


testemunho de conversão. Esse era um dos segredos do ministério do
apóstolo Paulo. Não importava o que estivesse ocorrendo no lugar em
que ele falava, ele sempre podia referir-se novamente à sua história pes-
soal, seu testemunho. Muitos líderes religiosos tinham conflito cons-
tante com ele porque não podiam tirar-lhe sua experiência, e sua experi
ência era contrária à concepção que tinham sobre Deus.

Quer tenha visto milhares de Milagres, quer tenha visto poucos,


se você respondeu “sim” a Jesus, tem um testemunho que deve guardar
bem junto de você. Há um motivo por que encontramos Deus lem-
brando seu povo em todo o Antigo Testamento de que ele era ninguém,
escravo no Egito, e Deus o salvara e o levara para a terra prometida.
Ele não se vangloriava nem esfregava o nariz do povo nisso. Deus o
lembrava de quem eles eram e como haviam chegado lá a fim de que
tivessem a perspectiva correta do presente e do futuro.

O seu testemunho, como todos os testemunhos, é uma história

63
acerca de quem é Deus e do que ele fez. Os escritores do Novo Testa-
mento gastaram um bom tempo explicando o significado de conversão
a fim de que formemos nossa mente para lembrar essa história de
acordo com a versão de Deus. Entretanto, se revisitarmos os aconteci-
mentos de nosso passado de uma perspectiva que não tenha base na
obra da cruz e na eficácia do sangue de Cristo, estaremos, na verdade,
abrindo-nos a um espírito de engano.

As Escrituras nos dizem que nosso velho homem (a velha natu-


reza) morreu com Cristo. A pessoa que você e os outros pensavam que
você era não existe mais. Não estou dizendo que não vamos ter expe-
riências na vida que sejam consequência de nossas escolhas passadas.
Entretanto, sua importância mudou consideravelmente. Certa vez, ouvi
uma palavra profética em que o Senhor dizia: “Eu não vou remover as cica-
trizes de sua vida. Em vez disso, vou dispô-las de uma maneira que parecerão ter
sido cinzeladas numa peça de cristal requintada”. O que antes parecia irreme-
diavelmente destrutivo transformou-se em algo que revela a Glória e a
bondade de Deus.

Lembrar-se, sempre e corretamente, de sua conversão leva-o de


volta à pedra fundamental da vida cristã. A verdade da história de todos
nós é que Deus veio até nós quando estávamos fracos e quebrantados
e fez o que não poderíamos fazer por nós mesmos. Por mais que ama-
dureçamos em Deus, o tema de nossa completa dependência dele e de
sua perfeita capacidade de agir em nossa vida flui por meio da nossa
história.

Do contrário, se você sabia que aquela pessoa com uma aflição


terrível iria melhorar, inclua isso na história, porque eu também preciso
ver que é possível operar no dom da Fé e saber com certeza que Deus
está prestes a realizar um Milagre. Não precisamos ignorar os elementos
humanos da história, nem precisamos exagerar os elementos divinos,
porque os dois aspectos contêm a palavra profética que todo cristão
64
precisa.

Precisamos ser lembrados constantemente de quem somos em


Deus e quem é Deus em nossa vida, porque é isso que nos situa para
andar com Ele novamente hoje enquanto Ele demonstra Seu Poder em
nós e por meio de nós. Nossa diferença mais marcante como povo de
Deus é que ele está presente e ativo em nosso meio. Ele é nossa herança
verdadeira e nossa recompensa mais que excelente.

Paulo nos diz que vemos Deus “parcialmente” enquanto fazemos


parte da corrida de nossa vida na terra. Guardar o testemunho, porém,
prepara-nos para olhar a vida através das lentes de nossa história de
invasões sobrenaturais de Deus. Guardar o testemunho o mantém no
centro de nossa vida.

65
CAPÍTULO 5

LEMBRANÇAS
QUE DÃO VIDA
Jesus constantemente punha seus discípulos em contato com o
Milagre. Toda oportunidade visava a prepará-los para o próximo desa-
fio inesperado que teriam de enfrentar e a ensinar-lhes os meios do
mundo divino, um mundo que não podiam ver sem ajuda.

Numa dessas ocasiões, os Doze estavam enfrentando uma tem-


pestade que lhes ameaçava a vida. O Evangelho de Marcos ressalta que
a tempestade era avassaladora para eles, somente porque seu coração
estava endurecido para as lições do Milagre anterior da multiplicação
dos pães e dos peixes (v. Marcos 6.52).

Isso é surpreendente, porque nessa situação anterior eles foram


perfeitamente obedientes. De fato, sua obediência ajudou a liberar o
Milagre; contudo, a dureza de coração impediu-os de viver do testemu-
nho dessa conquista no desafio de uma tempestade!

A conclusão disso é um pouco preocupante. Podemos obedecer,


obter o Milagre, ser gratos, dar toda a Glória a Deus e ainda assim estar
mal preparados para o próximo desafio se o testemunho não for a lente
através da qual enxergamos a realidade.

Quando os discípulos falaram da necessidade de alimento da mul-


tidão, Jesus respondeu com uma ordem: “Deem-lhes vocês algo para comer”
(Marcos 6.37). Ao perceber que eles não sabiam como fazer isso. Jesus
não retirou a ordem. Ele tão somente os capacitou para fazerem o im-
possível. Pelo fato de nunca terem percebido que o alimento não se

66
multiplicou nas mãos de Jesus, mas nas deles, eles jamais aprenderam a
lição que lhes daria coragem na tempestade.

Sem essa consciência, eles jamais saberiam que, quando Jesus lhes
ordenou ir para o outro lado do mar, era como se estivesse no barco
com eles. A ordem nos capacita da mesma maneira que a presença física
de Jesus. A ordem é dada quando estamos submissos a missão dele, o
que resulta na autoridade necessária para realizar a missão:

Então se afastou deles, voltou para o barco e foi para o outro lado. Os
discípulos haviam se esquecido de levar pão, a não ser um pão que ti-
nham consigo no barco. Advertiu-os Jesus: “Estejam atentos e tenham
cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”. E
eles discutiam entre si, dizendo: “É porque não temos pão. Percebendo
a discussão, Jesus lhes perguntou: “Por que vocês estão discutindo sobre
não terem pão? Ainda não compreendem nem percebem? O coração de
vocês está endurecido? Vocês têm olhos, mas não veem? Têm ouvidos,
mas não ouvem? Não se lembram? Quando aos cinco mil, quantos ces-
tos recolheram?”
“Doze”, responderam eles.
“E quando eu parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos
cheios de pedaços vocês recolheram?”
“Sete”, responderam eles.
Ele lhes disse: “Vocês ainda não entendem?” (Marcos 8. 13-21)

OS MILAGRES MUDAM NOSSO JEITO DE “ENXERGAR”


A Renovação da mente permite que o Espírito de Deus molde
nossa percepção, e nossa mente torna-se um instrumento de Justiça.

Nossa história com Deus deve moldar nossa percepção. Em Mar-


cos 8.13-21, Jesus advertiu os discípulos acerca do fermento de Hero-
des e o dos fariseus. Fermento é a influência sutil na mente para moldar

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nosso modo de perceber a realidade. Quando procuraram comida no
barco, Jesus lhes perguntou: “Por que vocês estão discutindo sobre não terem
pão?”. Jesus se referia ao fato de a discussão dos discípulos não se haver
influenciado pela história deles com Ele. As experiências com Deus são
ao mesmo tempo maravilhosas e caras. Em seguida, Ele os levou de
volta a duas experiências que tinham tido na multiplicação de alimento
e perguntou-lhes se eles sé lembravam do que acontecera quando ali-
mentaram as multidões.

Volto a essa narrativa regularmente para observar as perguntas


que Jesus fez, porque preciso mudar e acho que há muitas respostas
para mim nesse acontecimento. As questões com que Ele lidou são es-
senciais no seguir Cristo — principalmente para quem anseia Liberar
seu Poder Miraculoso e Sua Gloria no mundo.

“Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão?”. É como se Jesus
perguntasse a seus discípulos: “Por que a discussão de vocês começa com o que
vocês não têm?” Uma vez que eu os coloquei no Milagre da multiplicação dos pães,
vocês perderam o direito de iniciar qualquer padrão de pensamento com o que vocês
não têm”.

Os Milagres eliminam as opções para o cristão. É assim que é a


mente renovada. Ela não parte mais da ideia de falta. Um Milagre con-
tém os nutrientes espirituais que devem ser liberados em nosso sistema
para nos fazer pensar como Cristo. Nesse caso, eles nos fortalecem com
graça para jamais iniciarmos uma sequência de pensamento com o que
não temos. No entanto, como vimos nos Doze, é possível não ser in-
fluenciado pela experiência de um Milagre.

Estou muito animado com uma tremenda mudança na perspec-


tiva da igreja. Mas ainda estou condenado por essa narrativa de Marcos.
Muitas vezes, deparo com um problema e penso: “Não tenho o que é ne-

68
cessário nessa situação” Imediatamente, começo a olhar para os meus re-
cursos como se eu fosse a resposta para o meu problema.

Então, Jesus lhes fez uma série de perguntas. “Como vocês não per-
cebem? O coração de vocês ainda está endurecido. (paráfrase). Quando ele nos
leva para o reino dos Milagres e entramos em contato com o sobrena-
tural, isso altera o modo de enxergamos a realidade — se nosso coração
não for duro. Entretanto, se nossa visão da realidade não está ajustada
para se adaptar aos Milagres constantes em nossa vida, então nosso co-
ração está impedindo o pleno efeito dos nutrientes que estão sendo li-
berados em nosso sistema. Esses nutrientes chamam-se “Graça”, que é
a Capacitação Divina.

Jesus perguntou a seus discípulos quantas vezes eles tinham de


experimentar o Milagre da provisão sobrenatural para enxergar do
ponto de vista divino. Jesus eslava falando da percepção do acesso ju-
rídico ao Reino que não tem fim nem limitação de recursos. Eles ha-
viam recebido um lugar de Fé para ver os recursos ilimitados aos quais
recorrer em qualquer situação. Talvez eles soubessem que o seu dom
era para os outros, mas não percebiam que também era para eles. Os
Milagres devem mudar nosso modo de ver a realidade.

Jesus perguntou-lhes: “Vocês têm olhos e não veem? Têm ouvidos e não
ouvem? E não se lembram?”. É aqui que podemos aprender o máximo, e
recuperar nossas perdas, para enxergarmos a verdade e nos arrepender
verdadeiramente.

A forma mais clara de percepção espiritual é ver, a segunda é ouvir


e a última é lembrar. Lembrar é algo que alguém pode aprender por op-
ção e que, por sua vez, ajuda a desenvolver sensibilidades espirituais. É
como se pudéssemos decidir nos submeter à influência do miraculoso
pela meditação bíblica e depois nos rnrtalecer para o resultado sobre-
natural!

69
Estou constantemente olhando ao meu redor para ver o que Deus
está fazendo. Há ocasiões em que consigo enxergar claramente, mas há
vezes em que não tenho nenhuma pista.

Uma vez, eu estava na Alemanha orando com os líderes antes de


uma reunião, e me veio à mente uma fotografia. É o equivalente visual
da vozinha calma. Na foto, eu vi alguém à minha direita com artrite na
coluna. Eu disse a ela: “O Senhor Jesus a Cura.”. Ninguém a tocou — ela
foi curada com a ordem.

Quando reunião começou, tive a ardente convicção de procurar


por essa imagem. Começei dizendo: “Alguém aqui tem artrite na coluna”.
A pessoa se levantou e, assim como vi na reunião de oração, ela estava
do meu lado direito. Declarei a ela: “O Senhor Jesus a Cura”. Ela começou
a tremer assim que o fogo da Presença de Deus estava nela, e eu per-
guntei onde estava a dor que ela sentia. Ela respondeu: “Impossível. Im-
possível. A dor sumiu”. A mulher foi curada bem diante de nossos olhos.
Aconteceu porque consegui ver. É mais frequente, porém, eu não en-
xergar com tanta clareza assim. Se não consigo enxergar, normalmente
ainda consigo ouvir.

Quando fui a uma reunião em Dallas há alguns anos, ouvi a pala-


vra “surdez” assim que entrei no salão. Perto do fim da reunião, o Espí-
rito me lembrou do que eu ouvira. Em seguida, uma Unção incomum
de Cura encheu o salão, e 83 pessoas foram ermidas de algum grau de
surdez — da surdez total causada por grave lesão de nervo auditivo a
vários níveis de surdez. Eu jamais tinha visto tanta gente ser curada de
surdez num só encontro.

E tudo isso ocorreu em cerca de quinze minutos.

ENXERGAR POR MEIO DA NOSSA HISTÓRIA


O que nos anima é que, se não consigo ver e não consigo ouvir,
70
sempre posso lembrar-me. É aí que “guardar o testemunho” entra em ação
— tenho de começar a pensar no que vi Deus realizar. As atividades
dele devem ser valiosas o suficiente para nós de modo que as guarde-
mos nos pensamentos, já que, provavelmente, vamos ter momentos em
que avisaremos reavivar nossa capacidade de ouvir e ver. (Meus exem-
plos são singulares porque têm a ver com liderança de reuniões públi-
cas, o que nem todos são incumbidos de fazer, mas os princípios po-
dem ser transferidos para qualquer cargo na vida.)

Em geral, encontro-me numa situação em que preciso de um ca-


minho para uma reunião e não consigo ver ou ouví-lO. Automatica-
mente, volto minha atenção para o que vi o Senhor fazer no passado.
Quase sempre, Ele repete exatamente os Milagres que me vieram à
mente. Uma vez que os declaro com base em minha história com Deus,
eles se transformam em realidades do tempo presente influenciando si-
tuações, assim como as histórias revelam a Natureza de Deus e Seus
Caminhos.

Sondo meu coração, e tudo quanto vem à superfície em primeiro


lugar, quer surdez, quer ossos fraturados, quer lesões de acidentes, vou
ter pessoas que se apresentarão. O que estou fazendo? Estou me lem-
brando e atuando de acordo com minha história com Deus. Ela me dá
uma nova maneira de ver minha situação presente. Isso aconteceu tan-
tas vezes que agora acho que tenho permissão para convocar certas do-
enças e males a qualquer momento, e Jesus virá curá-las. Isso flui de
minha história com Deus.

Todo cristão viveu pelo menos um Milagre: sua conversão. Você


viu a transformação que ocorreu na sua vida de dentro para fora. Co-
mece a se alimentar do que Deus fez. Isso define o quadro em que você
vai enxergar os problemas futuros. Frequentemente, perguntam-me:
“Você já viu alguém ser curado de...............?” — e dão o nome da doença.
Por que essa gente me pergunta isso. Porque essas pessoas sabem que,
71
se Deus fez uma vez, fará de novo. Com muitas palavras, elas estão
pedindo para ver se há um testemunho que moldou minha perspectiva
sobre o problema delas.

Um homem chegou e me perguntou se eu tinha visto uma perna


atrofiada. Ele a quebrara vinte e cinco anos atrás, e, quando o osso se
regenerou, a perna crescera quase 4 centímetros a mais que a outra. Ele
havia ouvido relatos de que um osso perdido tinha sido substituído e
de pernas que cresceram, mas estava interessado em saber se nós já
tínhamos visto alguma encolher. (Se eu não tivesse visto, deve haver
uma primeira vez, por isso eu iria procurá-la de qualquer forma.)

Entretanto, parando para pensar, lembrei me de que eu tinha visto


isso ocorrer com um pastor que havia sofrido um acidente com um
veículo de andar na neve. Depois de curado, esse pastor também ficou
com uma perna maior que a outra. Num restaurante italiano em Sacra-
mento, Califórnia, pedi ao pastor que posicionasse sua cadeira de lado.
Segurei-lhe as pernas e ordenei à perna mais comprida que encolhesse.
Ha obedeceu. Quando ele voltou ao fisioterapeuta, este lhe disse que
suas pernas estavam perfeitas.

Ter lembrado esse relato capacitou-me a dizer àquele homem que


eu tinha visto Deus fazer isso. O homem era empreiteiro, e sua perna
vinha lhe causando dores nas costas havia muitos anos. Pedi-lhe que se
sentasse enquanto eu segurava com minhas mãos as pernas dele. Em
seguida, parei por uai instante, e me ocorreu uma ideia: “Devo encolher a
perna mais comprida ou alongar a mais curta? Muita gente não se preocuparia de
ser um pouquinho mais alto”. Surpreendi-o (e a mim também) ao dizer:
”Perna direita, cresça em nome de Jesus”.

A perna direita começou a crescer lentamente. Em seguida, de


uma vez, ultrapassou a outra perna em uns 7,5 a 10 centímetros, e o
homem gritou de dor! Foi como se anos de dores do crescimento o

72
estivessem afetando, tudo de uma vez. Tenho certeza de que, por fora,
eu parecia calmo, mas, por dentro, perguntava-me: “O que eu fiz! Esse
homem acha que mancava... espere até ele tentar sair!”.

Comecei a vasculhar meu coração para imaginar como orar,


quando me lembrei de ter estudado a palavra shalom.

Essa palavra significa “paz”. Ela tinha de ser uma das palavras mais
abundantes de toda a Bíblia — cheia de vida e sentido. Significa solidez
de mente, saúde, prosperidade — e a maior parte de tudo por quanto temos
orado é abrangido por essa palavra. Pensei: “Essa palavra também será útil
nesta situação”. Então, orei: ”E agora, Senhor, deixe que o shalom do Céu, a tua
paz, venha sobre esse homem”. Então, a perna direita dele encolheu
novamente até ficar perfeitamente do tamanho da outra. No dia
seguinte, ele chegou até mim e disse: “Bill, eu medi minhas pernas de todas
as formas possíveis; estão absolutamente perfeitas”. Comemorei com ele.

Seis meses depois, eu estava em Rochester, em Minnesota, onde


encontrei uma moça que tinha tido câncer na perna.

Os médicos tiveram de remover uma grande parte do osso e o


substituíiam com um pedaço de metal. O pedaço de metal empregado
tinha cerca de 4 centímetros porque a menina só tinha 15 anos de Idade
na época, e os especialistas estimaram que ela cresceria áfé esse
comprimento. Quando conheci a moça, ela estava com 27 anos. Por
não ter crescido nenhum centímetro sequer nuqieles liMeiffios, tinha
problemas nas costas. Pediu-me que orasse por ela.

Em razão de minha experiência recente, para a qual Deus me deu


cobertura, segurei a perna dela e ordenei à que tinha a peça de metal que
encolhesse. No dia seguinte, a moça me procurou e contou que a perna
ficara perfeita. Depois disse que estava feliz de eu ter ordenado que a
perna com o metal encolhesse, porque, se a outra crescesse no tamanho

73
que os médicos estimaram, eles lhe diriam: “Viu, nós dissemos que você cres-
ceria esse tanto”. Quando ouvimos Deus, ficamos bem, mesmo quando
não merecemos.

MANTER UM REGISTRO PESSOAL


Por que relato essas histórias? É importante que lembremos nossa
história com Deus. Qual é a sua história? Medite sobre ela Registre os
Milagres que vê. Deixe que essa disciplina o ajude a desenvolver a ha-
bilidade de ouvir e ver. Registrar a história e revivê-la proposita-
damente são passos em direção à maturidade nos dons e na Liberação
do Poder de Milagre.

Eu só quero pôr essa ferramenta em suas mãos. Se você vai usá-


la, permanecerá animado todos os dias de sua vida e terá uma impor-
tante chave para renovar sua mente.

A ferramenta e o testemunho. Associe tudo a um lembrete das


intervenções sobrenaturais de Deus. Sua história Divina precisa ser uma
sequência de monumentos que tornam-se pontos de referência para o
resto de sua vida. Se os discípulos tivessem parado para meditar sobre
as maravilhas da capacidade de Jesus de multiplicar o alimento, quando
ele lhes falou sobre o fermento de Herodes e dos fariseus, eles não
teriam ficado com medo em relação ao almoço.

74
CAPÍTULO 6

CORAGEM PARA
DEIXAR UM LEGADO
Quando Deus introduziu os filhos de Israel na terra prometida,
Ele lhes deu uma obrigação bem clara: uma obrigação que ilustra pro-
feticamente a obrigação que temos como filhos dEle da Nova Aliança.

Os israelitas tinham de expulsar os povos pagãos que moravam


no território que lhes fora prometido, estender suas tribos por toda
aquela terra e, por fim, fundar cidades de refúgio em cada região.

Da mesma maneira, Cristo nos comissionou a ir ao nosso territó-


rio prometido — todas as nações — e fazer discípulos dessas nações,
expulsando a influência do reino das trevas e liberando a realidade do
Reino dos céus.

Semelhantemente a nós, o êxito dos israelitas no cumprimento de


cada parte da obrigação era a dependência total na capacidade deles de
fazer aquilo para o que Deus os preparara no deserto: seguir Sua Pre-
sença manifesta e fazer o que ele ordena

E do que depende a capacidade deles de seguir a Presença de Deus


e obedecer à voz dele? Deus deixou clara a resposta a essa pergunta
para Josué quando o comissionou a guiar os israelitas na tarefa deles:

“Ninguém conseguirá resistir a você todos os dias da sua vida. Assim


como estive com Moisés, estarei com você; nunca o deixarei, nunca o
abandonarei.
Seja forte e corajoso, porque você conduzirá este povo para herdar a terra
que prometi sob juramento aos seus antepassados. Somente seja forte e
muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo

75
Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a
esquerda, para que você seja bem-sucedido por onde quer que andar.
Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas
de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está
escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido.
Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem
desanime, pois o SENHOR, o seu Deus, estará com você por onde você
andar” (Josué 1.5-9).

O MANDADO PARA A CORAGEM


Já vimos o que Deus pretendia quando mandou Josué meditar no
Livro da Lei, mas quando olhamos as ordens no contexto, podemos
perceber o significado maior de por que guardar o testemunho era a
chave para o sucesso de Israel no cumprimento de seu mandado como
nação.

Curiosamente, Deus estabeleceu a comissão de Josué com a


mesma promessa que fez a Moisés quando este perguntou: “Quem sou
eu para apresentar-me ao faraó e tirar os israelitas do Egito?”. Deus simples-
mente respondeu: “Eu estarei com você” (Êxodo 3.11,12).

Do mesmo modo, as últimas palavras de Jesus na Grande Comis-


são a nós foram: “Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Marcos
28.20). A inferência dessa promessa tem dois aspectos, porque a Pre-
sença de Deus entre nós determina nossa identidade e, consequente-
mente, aquilo que temos capacidade de realizar.

Nós também temos de desenvolver uma consciência cada vez


maior da Presença de Deus entre nós para recorrer a essa Presença e
cumprir a obrigação que Deus nos deu. Nosso conhecimento de Deus
é o que determina como reagimos a ele, como percebemos a realidade
e como vivemos. E um elemento importantíssimo, obrigatório, para

76
sermos bem-sucedidos em obedecer a Deus e seguí-lO.

O rei Davi falava dessa provisão quando disse: “Sempre tenho [posto]
o SENHOR diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado” (Salmos
16.8). “Pôr”, nesse versículo, significa o mesmo que “dar destaque”. Nós,
de fato, desempenhamos uma função ao pôr Deus em destaque, ü avi-
valista Duncan Campbell definia o elemento da irresistível presença
como a essência do avivamento que viveu nas Ilhas Hébridas na década
de 1950. Ele disse que “uma consciência de Deus” encheu a atmosfera da
região, criando um ambiente em que arrependimento, conversão, ora-
ção e adoração passaram naturalmente a ser as principais atividades.

Quando aumentamos nova consciência da Presença de Deus, as


ordens que Ele nos dá passam a ser mais executáveis. “Deus conosco”
deve se transformar na plataforma para toda a vida. Josué recebeu um
princípio fundamental de vitória na exortação para “ser forte e corajoso”.
Essa exortação foi, sem dúvida, importante, uma vez que Deus a repe-
tiu três vezes nas poucas frases que lemos em Josué 1.5-9. Muita cora-
gem e muita força é o que seria necessário para “obedecer toda a lei” e “não
se desviar dela” (Josué 1.7).

A última repetição, entretanto, é a mais importante, porque Deus


estabelece uma ligação entre ela e a promessa. “Não fui eu que lhe ordenei?
Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus,
estará com você por onde você andar” (Josué 1.9). A verdade que Deus revelou
a Josué e a nós nessa exortação é simples, porém profunda: Nossa força
e nossa coragem para realizar o que Deus nos mandou realizar fluem diretamente
de nossa consciência de que Deus está conosco.

Uma parte integrante desse modo de vida é a obrigação de meditar


na Palavra de Deus — a Lei. No caso de Josué, o Livro da Lei continha
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio: os livros de Moi-
sés. Ele continha os mandamentos do Senhor e toda a história de sua

77
relação sobrenatural com Israel. Em nosso caso, devemos meditar no
registro dos mandamentos de Deus e em suas intervenções miraculosas
na história humana, o que inclui as Escrituras, em primeiro lugar, junto
com os testemunhos dos santos ao longo da História e nossa listo» ia
individual com Deus.

No contexto imediato da ordem dada em Josué 1.5-9. Deus não


deu a Josué uma explicação completa de como e por que essa meditação
funciona. O que Deus queria frisar é que funciona. Ele diz que nós, de
fato, percorremos nosso caminho para o sucesso e a prosperidade fa-
zendo isso. Vimos que o poder profético do testemunho é um aspecto
de que ele nos faz prosperarem nosso chamado. Todavia, do contexto
maior das Escrituras, acredito que também podemos estabelecer uma
relação entre os três elementos que vimos nessa passagem e a ideia de
que nossa meditação nos testemunhos do Senhor é o principal elemento que Deus
nos deu para sustentar nossa consciência da Sua Presença conosco. Quando lem-
bramos quem ele é e o que fez, a Unção profética sobre o testemunho
cria a consciência de que ele está conosco agora e pronto para realizá-
lo novamente. Essa consciência é a fonte de nossa coragem e força.

A ordem para meditar nos testemunhos do Senhor também escla-


rece como Deus define nosso sucesso no cumprimento de nossa co-
missão como seu povo. Nosso êxito é nada mais que uma questão de
obediência radical. Não tem a ver com realizar coisas sobrenaturais: tem a
ver com realizar o que ele nos pediu que realizássemos. Tem a ver com
nossa resposta relacional a Deus.

Nossa ligação com Deus é, sem dúvida, a origem de todas as bên-


çãos, da prosperidade e da bondade em nossa vida. Tornamos nosso
caminho próspero pela obediência porque, quando fazemos o que
Deus nos pede que façamos, fortalecemos nossa relação com a fonte
da vida. Quanto mais completamente nossa vida estiver de acordo com
Deus, mais sua natureza o Seu Reino se manifestarão em nós.
78
A obediência radical, por ser uma questão de Relacionamento, e
sempre uma questão essencial. Assim, guardar o testemunho, o segredo
da obediência radical, destina-se em primeiro lugar a realizar algo um
nosso coração. Moisés disse aos israelitas: “Apenas tenham cuidado. Te-
nham muito cuidado para que vocês nunca se esqueçam das coisas que os seus olhos
viram; conservem-nas por toda a sua vida na memória. Contem-nas a seus filhos
e a seus netos” (Deuteronômio 4.9).

Mais tarde, Salomão disse: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois
dele depende toda a sua vida” (Provérbios 4.23). O que quer que nos encha
o coração será nosso pensamento e nossa conduta. Quando guardamos
o testemunho, enchemos nosso coração com a verdade — a verdade so-
bre quem é Deus, a verdade sobre quem somos e a verdade sobre nossa
origem e para onde vamos em Deus. É responsabilidade nossa, entretanto,
encher nosso coração com a verdade, porque, se não fizermos isso,
como vimos no capítulo anterior, deixamos que nosso coração seja pre-
enchido com as mentiras do inimigo.

Em todo o livro de Deuteronômio, Moisés ressaltou aos israelitas


que, do ponto de vista de Deus, a verdadeira ameaça ao sucesso deles
não estava entre as tribos inimigas na terra prometida, nem em ne-
nhuma realidade externa. A principal ameaça era a realidade interior do
coração deles. A respeito deles, Deus disse: “É um povo que erra de coração,
e não conhece os meus caminhos” (Salmos 95.10). As palavras traduzidas por
“erra de coração” nesse versículo significam “desviar-se” ou “vaguear”. A va-
gueação dos israelitas pelo deserto foi, na verdade, a manifestação ex-
terna do que já estava no coração deles. Em outras palavras, nossa rea-
lidade interior transforma-se em nossa realidade exterior. Como esse
versículo explica, o que estava no coração deles relacionava-se com o
fato de não conhecerem os caminhos de Deus.

A Escrituras assinalam que conhecer os caminhos de Deus é mais


do que conhecer os atos de Deus. Salmos diz: “Ele [Deus] manifestou os
79
seus caminhos a Moisés, os seus feitos aos israelitas” (103.7). A revelação dos
caminhos de Deus é algo que somente ocorre a pessoas que, como
Moisés, têm um coração que quer conhecer Deus, porque somente um
coração assim está disposto a buscar o Deus por trás dos atos dele.

Sabemos que seus atos revelam seus caminhos, ftira conhecer os


seus caminhos, entretanto, temos de olhar os atos de Deus como sinais
que indicam algo maior que eles próprios — a verdadeira natureza do
próprio Deus. Se não fizermos isso, nossa ignorância dos caminhos de
Deus não pode fazer nada, a não ser deixar-nos suscetíveis de ser
desviados por nosso próprio coração.

Meditar sobre os testemunhos tem tudo a ver com seguir os sinais


para Aquele que eles indicam. É essa responsabilidade, essa disciplina e
essa paixão por conhecer Deus pelo testemunho que alimentam e
desenvolvem nossa consciência da presença Divina. É realidade ine-
gável que ele é um Deus sobrenatural que invade e supera as impossibi-
lidades. Sem a consciência da Presença Dele conosco e sem o conhe-
cimento de Seus Caminhos Revelados no testemunho, não podemos
andar regularmente na obediência radical.

O PREÇO ALTO DA POUCA CORAGEM


O resto da historia de Israel registrada nas Escrituras demonstra
essa verdade. O povo de Israel de fato quebrou a aliança com Deus pela
desobediência. Os versículos a seguir narram como isso aconteceu:

O povo prestou culto ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes
que sobreviveram a Josué e que tinham visto todos os grandes feitos do
SENHOR em favor de Israel. (...) Depois que toda aquela geração foi
reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia
o Senhor e o que ele havia feito por Israel. [...] Abandonaram o SE-
NHOR, O Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e

80
seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando
a ira do SENHOR (Juízes 2.7,10,12).

Não é errado entender que o escritor de Juízes relaciona a fideli-


dade de Israel ao Senhor com a lembrança de seus grandes feitos. Asafe
fez a mesma correlação em Salmos:

Os homens de Efraim, flecheiros armados, viraram as costas no dia da


batalha; não guardaram a aliança de Deus e se recusaram a viver de
acordo com a sua lei.
Esqueceram o que ele tinha feito, as maravilhas que lhes havia mostrado
(Sl. 78.9-11).

Por que os filhos de Efraim deixaram de ir para a batalha? O


salmista relata que eles estavam preparados externamente para enfren-
tar o inimigo. O que lhes faltava era interior. Eu poderia supor que o
salmista organiza sua narrativa para remontar ao que lhes faltava até a
origem disso. A origem do problema foi o fato de haverem se esquecido
das obras e maravilhas de Deus. Deixaram de guardar o testemunho.
Quando deixaram de guardar o testemunho, esqueceram-se de quem
eram, de quem era Deus e o que ele exigia deles. Faltou-lhes consciência
da presença Divina e coragem de manter a aliança e andar em obediên-
cia radical.

Quando andamos em obediência radical, temos confiança susten-


tada para enfrentar as dificuldades da vida. A obediência radical nos põe
em condições de ter vitória atrás de vitória porque ela conserva e
aumenta nossa confiança no Deus que nos faz vitoriosos e nossa
Intimidade com Ele. Quando, porém, andamos em desobediência, é
praticamente impossível reunir coragem para enfrentar as batalhas à
nossa volta.

As batalhas à nossa volta certamente são diferentes das que Israel

81
enfrentou. Nosso inimigo é espiritual, e nossas estratégias e armas são
espirituais. A natureza da batalha, contudo, é semelhante. Outro povo
estava habitando na terra que Deus prometera a seu povo. As circuns-
tâncias estavam em direta contradição com a palavra que Deus falara.

Diariamente, cada um de nós também depara com circunstâncias


em nosso mundo que contradizem o que Deus disse sobre quem somos
e o que podemos e devemos fazer como colaboradores no estabele-
cimento do Céu na terra. A realidade maior para nós, contudo, assim
como era para Israel, é que Deus nos preparou e nos posicionou para a
vitoria nessas contrariedades.

Por causa disso. Deus nos dirige verdadeiramente nessas circuns-


tâncias! Na vida, não estamos jogando na defesa; estamos jogando no
ataque. Em outras palavras, não estamos simplesmente protegendo o
que Deus nos deu; estamos procurando avançar em cada área,Te mos
poder superior, estratégias superiores e armas superiores. No entanto,
embora Deus nos prepare e nos posicione, ele não nos força a avançar
contra o inimigo, porque somente quando somos colaboradores é que
podemos ser co-proprietários das vitórias e dos despojos. É responsa-
bilidade e privilégio nosso usar o que Deus nos deu para tomar posse
do que ele nos prometeu.

Entretanto, nosso sucesso na batalha é determinado pelo que


fazemos antes de começar a batalha. Dito de outra forma, nosso su-
cesso nas batalhas à nossa volta é determinado por nosso sucesso nas
batalhas que todos enfrentamos para submeter nossa vida a Deus. A
palavra “radical” significa “ir à raiz ou origem”. Obediência radical a Deus
significa recusar-se a transigir ou redefinir o que ele originariamente nos
mandou fazer para nos enquadrar no paradigma da possibilidade hu-
mana.

Por exemplo, é comum os cristãos lerem o mandamento de Jesus

82
de pregar o Evangelho do Reino, curar os doentes, ressuscitar os mor-
tos, purificar os leprosos, expulsar demônios e pensarem: “Bom, talvez
eu seja capaz de pregar o Evangelho. Mas Deus é o único que faz todos esses outros
Milagres. Vou orar pelos doentes, mas não posso curá-los”.

Jesus porém, não disse para orar pelos doentes. Ele disse para
curá-los. A obediência radical recusa-se a mudar o que Deus diz e, em
vez disso, tratar das áreas em que nossa vida ainda não se expressa no
padrão de Deus lutando com oração e caminhando pela Fé para realizar
o que Deus ordenou.

A obediência radical é o que traz a vitória dentro de nós, porque


ela substitui o padrão não renovado de pensamento e comprimento pe-
los pensamentos e comportamentos do Reino. Determina nossa pers-
pectiva e estilo de vida na premissa de que tudo m vida cristã é de fato
impossível para aqueles que não furam ressuscitados pelo Espírito de
Deus, mas é possível sobrenaturalmente para aqueles que o foram. Ela
nos prepara para ver e crer que nada é impossível.

É esse ponto de vista que nos capacita a não esconder nada de


Deus, a viver nossa vida diária apaixonada e sacrificialmente. Se ainda
não adotamos esse estilo de vida sacrificial perante Deus, não vamos
ser capazes de suportar e vencer as contrariedades às quais ele nos leva.

Se não andarmos em obediência radical, não faremos um empre-


endimento radical na batalha. Vamos nos retirar.

Certa noite, trouxeram um adolescente a uma reunião de nossa


igreja com uma fratura óssea grave. Fui chamado para orar e, quando
vi a gravidade, fiz uma escolha. Disse que o levassem ao pronto-so-
corro. Agora, se eu jamais tivesse visto uma fratura ser Curada em
minha vida, essa reação teria sido razoável. Mas eu tinha visto muitas
fraturas serem consolidadas.

83
Minha reação a essa circunstância foi ilegítima pelo que eu sabia.
Eu me esqueci do que tinha visto, por isso perdi de vista a Presença de
Deus e me faltou coragem para enfrentar essa impossibilidade. Como
demonstra essa situação, esquecer-se do que Deus fez custa caro não
só para nós, mas também para os que nos cercam. As vitórias que Deus
quer que alcancemos não são apenas para nosso benefício. Se nos
retiramos da batalha, estamos na verdade tirando das pessoas as
bênçãos que Deus lhes quer dar.

O peso dessa responsabilidade deve nos impressionar com a


importância de guardar o testemunho como estilo de vida. Se não
formos regulares e coerentes em guardar na memória e conservar en
nossas conversas o que Deus fez em nossa vida, começará em nossa
vida uma espiral descendente. Quanto menos falamos das intervenções
miraculosas de Deus, menores serão nossas expectativas de ve-las
ocorrer em nosso meio. Quanto menos expectativas, menos avançamos
para a oportunidade de ministrar às pessoas. Quanto menos ministra-
mos às pessoas, com menos frequência temos contatos com ns Milagres
de Deus à nossa volta. Quanto menos contato com os Milagres, menos
falamos sobre os Milagres... e a espiral poderá conti-nuar até que, por
fim, ficaremos sem Fé para ver a Intervenção Divina em nossas cir-
cunstâncias, mesmo quando já vimos as mesmís-simas impossibilidades
serem vencidas pelo Poder de Deus Acabaremos como os filhos de
Efraim, que, estando completamente armados, retiraram-se da batalha.
E o povo que Deus desejava beneficiar com nossa intervenção, as pes-
soas a quem devemos uma autêntica re-representação de Jesus, são pri-
vadas de seus encontros.

VIVER NÃO AFRONTADO


Como vimos no capítulo anterior, guardar o testemunho como
estilo de vida implica lembrar-se, particularmente lembrar-se das coisas
certas. Nossa memória nos torna covardes ou corajosos. Descobri que
84
nossas lembranças ou se concentram no que Deus tez e está fazendo,
ou se concentram no que ele não fez.

Várias e várias vezes, encontro cristãos que carregam consigo as


lembranças do que Deus não fez. Muitos deles lutam com uma enfer-
midade por muito tempo. Quando vêm me pedir oração, dizem: “Já
oraram por mim centenas de vezes. Fulano e beltrano já impuseram as mãos sobre
mim e profetizaram minha Cura. Eu ainda não estou curado”.

A primeira coisa de que trato é o fato de, guardando o registro do


que Deus não fez por elas, na verdade elas elaboraram uma acusação
contra Deus. Isso funciona para justificar sua própria incredulidade e
deixa-as em posição de se encherem de ofensas contra outra oração não
respondida.

Incredulidade e ofensa são dois dos maiores empecilhos para os


Milagres. Então, eu digo a essas pessoas: “Só vou orar por você se concordar
em pensar nisso como a primeira vez que recebeu oração por sua enfermidade”. A
Bíblia diz “hoje é o dia da salvação” (2 Coríntios 6.2), Se consigo que elas
esqueçam o que Deus não fez e as faço lembrar de quem Ele é, pode-
se criar uma abertura para receberem o que Deus quer fazer por elas.

Outros cristãos estão pondo Deus à prova, não por sua própria
Cura nem por uma intervenção, mas por um Milagre na vida de outro
indivíduo. Estão submetendo a Fé a um único acontecimento, em vez
de submetê-la a Deus, que já comprou todos os Milagres que cada um
neste planeta precisa. Fazer o que esses cristãos fazem não só impede e
lhes enfraquece a Fé, mas também, de novo, furta de fato uma verda-
deira representação de Deus àqueles que os cercam.

A essas pessoas, eu incentivo a parar de orar por um Milagre ape-


nas para que comecem a caminhar para ver o que Deus quer fazer em
todo o seu redor. Digo-lhes que comecem a coletar testemunhos de

85
outras intervenções. O que ocorre é que, ao depositar a confiança no
Senhor e ao andar em obediência radical em outras áreas, esses cristãos
recebem uma Unção maior; que, em última análise, beneficia a situação
em que originariamente estavam fixos.

Mais uma vez, a Unção que flui por intermédio de nossa vida é
sempre determinada por nosso coração. Negociaremos com o mundo
em que nosso coração está ancorado. Se nosso coração está ancorado
ao problema do que Deus não fez, se é isso que alimentamos, então
vamos concordar com esse mundo, não importa quanto tentemos ser
religiosos em público. Vamos transmitir o dom da ofensa às pessoas à
nossa volta.

Se, porém, dedicamo-nos a alimentar nosso coração com o que


Deus fez, a gratidão de nosso coração vai nos dar a graça de suportar
aquilo para que não temos resposta. Quando as pessoas nos perguntam
por que isso e aquilo não aconteceram, a graça que vem de celebrar
Deus nos capacita a responder: “Não sei. Tudo que sei é que, enquanto ali-
mento meu coração com o que ele fez, fico muito bem”.

Não nos permitimos tropeçar numa pergunta que Deus não está
respondendo no momento. A decepção com Deus é uma armadilha
que suga com eficiência nossa força e coragem e um convite para a
destruição de nossa vida. Quando deixamos o que não está ocorrendo
prender nossa atenção, a decepção sempre ganha espaço.

Por esse motivo, se estou orando por alguém com problema de


articulação, por exemplo, e essa pessoa ainda tem dor quando se loco-
move, não me permito me concentrar nisso. Ajo para me pôr em con-
dições de descobrir o que Deus está fazendo nessa situação. Tomo pro-
vidências para me lembrar do testemunho, porque ele me ajuda a ela-
borar uma tese a favor da Cura, e não a elaborar uma tese contra ela.

86
Tenho consciência de que pode ser duro para as pessoas elaborar
uma tese a lavor da Cura antes de terem experimentado sua própria
intervenção. A verdade, porém, é que nossas maiores vitórias em Deus
são normalmente construídas com o entulho de nossos maiores fracas-
sos e decepções. Na Bethel, reunimos vários testemunhos de bebês
com morte uterina confirmada pelos médicos. A história que nem sem-
pre contamos é que, alguns anos atrás, o bebê da esposa de um de nos-
sos presbíteros morrera ainda no útero.

Oramos e achamos que tínhamos uma palavra do Senhor de que


o bebê viveria. Profetizamos vida sobre o bebê, e não houve ressur-
reição. Isso sacudiu toda a igreja.

Também vimos Cura de câncer o tempo todo em Redding e


tivemos uma promessa de Deus de que estávamos procurando apaixo-
nadamente criar uma área isenta de câncer. Com o passar dos anos,
porém, alguns de nossos amigos mais queridos e suas famílias, até
mesmo meu próprio pai, morreram de câncer. Nessas situações,
fizemos de tudo que sabíamos fazer. Oramos, jejuamos, profetizamos
e declaramos a Palavra do Senhor.

No fim, tivemos de fazer uma escolha quanto ao que creríamos


em relação a Deus diante dessa contradição. Temos de voltar à verdade
de que o problema ainda estava do nosso lado. O problema jamais está
no lado de Deus. Ele é bom e não mudou. E assim temos de decidir
como vamos reagir a essa verdade. O inimigo tentará usar essa verdade
para nos convencer a de istir. No entanto tomamos nossa dor, nossa
frustração com nossa própria falta e nossa convicção de que Deus ainda
tinha mais para nós e deixou qua essas coisas nos acontecessem para
nos levar na direção dEle com um clamor desesperado por intervenção
Montamos novamente no cavalo e, diante da derrota, continuamos e
apressamos o passo e oramos por pessoas que precisam nessas mesmas
intervenções. Se não tivéssemos resolvido seguir em frente com
87
obediência radical à vontade de Deus revelada no testemunho, sei que
jamais teríamos obtido as grandes vitórias que por fim chegaram para
nós.

Para esclarecimento, quando digo que o problema está no nosso


lado, isso não implica que Deus ficou decepcionado conosco ou de al-
guma forma está de mal conosco. Isso não implica que não entendemos
o que Deus disse, que fomos desobedientes, nem que o que fizemos foi
totalmente ineficaz. Significa apenas que o problema faz parte da reali-
dade de viver num mundo que ainda não manifesta a vontade de Deus
na terra assim como no Céu.

Em última análise, nós não entendemos todas as razões por que


as coisas aconteceram do jeito que aconteceram. Responder correta-
mente a esse tipo de mistério é um dos desafios mais difíceis da vida
cristã. É nesse lugar que o acusador dos irmãos sempre encontra uma
porta aberta para tentar nos convencer de que o que Deus disse sobre
quem somos e para o que fomos chamados a realizar não é verdade e é
impossível. Nessas situações, temos de lembrar do que diz Apocalipse:

Então ouvi uma forte voz dos céus que dizia: “Agora veio a salvação,
o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi
lançado fora o acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso
Deus, dia e noite. Eles o venceram pelo sangue do cordeiro e pela palavra
do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida
(Ap. 12.10,11).

Vencemos o acusador pela palavra de nosso testemunho. Dito de


outra forma, não vencemos o acusador nos concentrando no que não
sabemos. Nós o vencemos permanecendo no que de lato sabemos. O
cego de João 9 demonstra isso de forma admirável:

Pela segunda vez, chamaram o homem que fora cego e lhe disseram:

88
“Para a Glória de Deus, diga a verdade. Sabemos que esse homem e
pecador”. Ele respondeu:
“Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora
vejo!” Então lhe perguntaram: “O que lhe fez ele? Como lhe abriu os
olhos?” Ele respondeu:
“Eu já lhes disse, e vocês não me deram ouvidos. Por que querem ouvir
outra vez? Acaso vocês também querem ser discípulos dele?” Então o
insultaram e disseram: “Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de
Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse, nem
sabemos de onde ele vem”. O homem respondeu: “Ora, isso é extraordi-
nário! Vocês não sabem de onde ele vem, contudo ele me abriu os olhos.
Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que o teme
e pratica a sua vontade. Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego
de nascença tivessem sido abertos.
Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma”.
Diante disso, eles responderam: “Você nasceu cheio de pecado; como tem
a ousadia de nos ensinar?” E o expulsaram (João 9.24-34).

Por essa passagem, fica claro que esse homem, antes cego, era al-
guém que guardava o testemunho. Seu conhecimento histórico lhe dera
uma tamanha revelação dos caminhos de Deus que imediatamente per-
cebeu o que o sinal de seu Milagre indicava: a identidade de Jesus Cristo.
Ele também conseguiu ignorar as acusações dos líderes religiosos tão
somente porque eles ultrapassaram os limites do que ele sabia. A reali-
dade do que ele de fato sabia — que era cego e agora enxergava — era
inegável e ofuscava todo o resto. Permanecendo no que ele de fato sa-
bia, seu testemunho, ele resistiu com êxito aos acusadores e, como re-
lata o restante do texto, acabou em outro encontro face a face com
Cristo, que o introduziu mais plenamente no que Deus fizera por ele.

89
“DEUS CONOSCO”
Encher-nos de força e coragem, sustentar e aumentar nosso co-
nhecimento de Deus e nos guiar constantemente para mais encontros
com Deus, guardando o testemunho, põe-nos numa espiral ascendente
em relação a Deus, tão certo como deixar de guardar o testemunho nos
põe numa espiral descendente.

A verdade é que estamos indo numa ou noutra dessas direções


diariamente. Pode levar apenas alguns instantes para que notícias ruins
ou uma contrariedade de algum tipo prenda nossa atenção e diminua
nossa força. Da mesma forma, podemos nos encher de coragem e força
passando alguns momentos para lembrar um testemunho

Guardar o testemunho está no âmago de nossa saúde espiritual.


Da mesma maneira que nos alimentamos, vestimo-nos e exercitamos
nosso corpo, guardar o testemunho é algo que temos de fazer como
estilo de vida para nos conservar em constante estado de prontidão —
prontidão para entrar na parte seguinte da obrigação de toda a vida que
Deus nos deu. Nossa prontidão, como vimos, é determinada pela nossa
consciência da Presença de Deus conosco. Quando guardamos o teste-
munho, nossa consciência sustentada da presença Divina nos capacita
a reagir a nossas circunstâncias de um ponto de vista renovado.

Faz algum tempo, eu estava ministrando em uma igreja de cerca


de 250 membros. Umas 40 pessoas foram curadas na reunião, por isso
pedi que dessem o testemunho da Cura. Fui ao auditório e as entrevistei
na fila. No fim da fila, havia um homem que apontou o nariz e começou
a explicar que os pólipos que tinha haviam desaparecido. Assim que ele
mostrou o nariz, a expressão “desvio de septo” me veio como um flash na
mente, junto com alguns testemunhos da Cura dessa enfermidade que
eu presenciara.

90
Por ter reconhecido a Unção presente naquele testemunho, reagi
imediatamente interrompendo o homem e dizendo a todos que tives-
sem desvio de septo que se levantassem, pusessem o dedo no nariz e
recebessem a Cura. Assim que fiz isso, umas seis ou oito pessoas foram
instantaneamente curadas. Uma mulher chorava copiosamente porque
tinha cirurgia mercada para a semana seguinte para corrigir o desvio.

Uma semana depois, eu estava em outra reunião contando esse


testemunho, e havia uma mulher sentada na fileira da frente cuja filha
teve problemas de desvio de septo e nos seios nasais. Ela começou a
orar pela filha enquanto eu estava falando. Não sabia que, assim que eu
disse a expressão “desvio de septo”, sua filha tinha entrado na reunião. A
filha não ouvira nada do que ensinei sobre o poder profético do teste-
munho, mas, quando ouviu a expressão, seu mal foi instantâneamente
curado.

Gosto muito dessas histórias e fico impressionado com das, por-


que é tão óbvio que Deus merece todo o crédito pela realização desses
Milagres. Por outro lado, porém, se eu não me tivesse apoiado no que
me passou pela mente e declarado uma simples expressão, acredito que
a Unção sobre esse testemunho, para essa doença em particular, não
teria sido liberada da forma que foi. Aconteceu tão rápido que eu
poderia muito facilmente ter perdido a oportunidade.

É por causa de momentos como esses que Deus deseja que apren-
damos a administrar nossa herança do testemunho. Ele nos deu esse
amplo recurso de forma que possamos viver cada dia estimulados e para
que reajamos a qualquer situação de nossa vida com a forte consciência
dAquele que está conosco, Aquele que invade o impossível. Quando
nós, como povo, começamos a viver pela convicção de que nada é im-
possível, sei que vamos começar a enxergar o fruto da vitória em nossas
batalhas interiores e exteriores.

91
O verdadeiro fruto da vitória é a transformação, a realidade do céu
vindo à terra. No capítulo seguinte, vamos ver que o testemunho não é
apenas o segredo para a vitória, mas também para ocupar o território
que Deus nos prometeu e trazer a realidade transformadora do Reino
de Deus para todos os segmentos de nossas cidades e nações.1

CAPÍTULO 7

1 Sermão intitulado “When the Heavens Flowed Down” [Quando os céus desceraml em: <http:/www.openhea-
ven.com/library/history/lewishtml>.
92
VIVER SOB
A INFLUÊNCIA
O propósito das maravilhosas narrativas divinas é nos carregar
para a busca apaixonada de mais da Presença de Deus. A intenção dEle
é nos levar a viver sob a influência de Sua Presença, em vez de tão
somente obedecer aos Seus Princípios. Ele nos chamou para isso pela
sua bondade, assim como e a Bondade de Deus que nos leva ao arre-
pendimento. Experimentar o perdão completo e ter nossa mente Re-
novada resulta em profundo apreço e Intimidade. Esse é o alicerce para
experiências constantes do Reino.

O Reino de Deus e a Presença de Deus são inseparáveis. Ele opera


para ancorar seu afeto por ele na realidade de sua lei. Esse é o seu con-
ceito de maturidade verdadeira, e nós devemos busca-la. Ele tornou
isso possível com ensino excelente, comunhão em oração e oportuni-
dades desafiadoras para ver o grande impacto do Evangelho do Reino
em nosso mundo.

Temos muitos dons espirituais, mas, para a maior parte, eles per-
manecem em forma embrionária. Não é que eles não tenham propósito
ou efeito presente. Eles têm. Uma pessoa tem a mesma probabilidade
de ver uma Cura de câncer em seu primeiro Milagre quanta a Cura de
uma dor de cabeça.

As coisas inexploradas no Reino ainda têm a vida do Rei nelas.


Lembre-se, as migalhas da mesa a que se referiu a mulher siro fenícia
são poderosas o bastante para produzir Cura e livramento (v. Mateus
7.28). O menor grau de Fé pode mover uma montanha. Ao dizer “em-
brionários”, apenas refiro-me ao fato de que esses dons estão vivos, mas
são pequenos e não plenamente formados. O Senhor deseja que os aba-
nemos para que se incendeiem e amadureçam.

93
Os dons são gratuitos, mas a maturidade é cara. Há momentos em
que os dons de Deus explodem e vêm em profusão num simples ato de
coragem e ousadia. Em outras palavras, o que pensávamos que iria de-
morar anos para crescer às vezes cresce num instante. Contudo, o clima
deve ser correto — o clima de muita Fé, coragem e ousadia. É isso que
ocorreu ao apóstolo Paulo.

Antes, Deus trocou o nome de Paulo, que se chamara Saulo. Ao


escrever o livro de Atos, Lucas sempre o mencionava depois de Bar-
nabé, dizendo “Barnabé e Saulo”. Chegou, porém, o dia em que seria
preciso coragem extraordinária. Um ocultista chamado Elimas investiu
contra os dois para minar a obra do Evangelho e enganar potenciais
convertidos. A ousadia do Espírito Santo veio sobre Paulo para que
este enfrentasse o Diabo.

Mas Elimas, o mágico (esse é o significado do seu nome), opôs-se a eles


e tentava desviar da Fé o procônsul. Então Saulo, também chamado
Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse:
“Filho do Diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda
espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os
retos caminhos do Senhor? Saiba agora que mão do Senhor está contra
você, e você ficará cego e incapaz de ver a luz do sol durante algum
tempo”. Imediatamente vieram sobre ele névoa e escuridão, e ele, tate-
ando, procurava quem o guiasse pela mão (Atos 13.8-11).

Com um ato de ousadia, Saulo ajudou a criar a atmosfera em que


o crescimento foi liberado sobre sua vida. Logo depois, ele recebeu um
nome mudado para Paulo, bem como uma promoção. Desse momento
em diante, Lucas menciona essa dupla apostólica como Paulo e Bar-
nabé.

A coragem no momento foi tudo o que era necessário para liberar


o potencial que estava latente em Paulo. A ousadia veio a ser o ingredi-
94
ente catalisador que liberou a promoção imediata. Não é impressio-
nante que Paulo tenha tirado proveito de seu próprio testemunho para
essa manifestação do Reino? Ele próprio tinha recebido uma repreen-
são de Jesus que resultou em cegueira temporária. Ele tinha visto esse
Milagre e sabia que Deus o realizaria novamente.

Muitos de nós esperamos durante anos que determinados dons se


manifestem, quando o próprio dom está esperando a mudança na at-
mosfera para acontecer no coração do cristão. Isso ocorre quando o
mundo interior de nosso espírito se levanta para encontrar o desafio do
mundo exterior. O ato de ousadia de Paulo foi esse momento que rea-
lizou a mudança necessária. A Fé ousada pode fazer o mesmo por nós.

TODO MUNDO É UM LÍDER


O papel de todo o cristão é a liderança. Nem toda pessoa tem um
cargo com um título, mas todos lideram. De fato, está chegando o dia
em que as nações do mundo vão correr para o povo de Deus a fim de
ouvir o que Deus está dizendo (v. Miqueias 4.2 e Isaías 2.2,3).

Jesus nos ensinou que é natural a todos os cristãos conhecer a voz


dele; assim, é igualmente natural ser capaz de dizer aos outros o que ele
diz. O autor de Hebreus procurou confirmar a liderança atribuída a to-
dos os cristãos, ao dizer: “Embora a esta altura já devessem ser mestres”
(Hebreus 5.12). O Espírito Santo foi dado a todo cristão, tornando pos-
sível a cada um ter um papel importante na promoção de transformação
de indivíduos, cidades e nações.

Sempre haverá generais no exército, mas um soldado raso no exér-


cito do Novo Testamento tem acesso a mais que os generais do exército
do Antigo Testamento tinham. Jesus fez questão de dizer que “o menor
no Reino dos céus é maior do que ele [João]” (Mateus 11.11).

A menor pessoa com a vida cheia do Espírito Santo tem em Deus


95
mais acesso que os maiores prontas do Antigo Testamento. É por isso
que cada cristão deve pensar em si como alguém que tem influência
como líder. Fazer isso altera nossas prioridades e muda nosso modo de
aprender, o que pensamos que precisamos aprender e como proces-
samos os desafios diante de nós.

RESPONSABILIDADE NOSSA
É curioso observar que a nossa maior responsabilidade como lí-
deres não tem nada a ver com liderar. Tem a ver com seguir. Fui proje-
tado para viver sob a influência do Rei e de Seu Reino e devo garantir
que as coisas certas me causam impacto a fim de que meu impacto no
mundo ao meu redor seja o que Deus planejou. Ao fazer isso, preciso
garantir que são as obras cio Senhor que causam mais impacto, pois a
história testemunha que o efeito contínuo é uma Invasão Sobrenatural
cada vez maior do Reino de Deus.

O povo prestou culto ao SENHOR durante toda a vida de Josué e dos


líderes que sobreviveram a Josué e que tinham visto todos os grandes
feitos do SENHOR em favor de Israel [...] Depois que toda aquela ge-
ração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não
conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel. [...] Abandona-
ram o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do
Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, pro-
vocando a ira do SENHOR (Juízes 2.7,10,12).

Isto é muito simples e, contudo, muito profundo: toda vez que


Israel teve líderes que tiveram contato com as obras de Deus, a nação
teve o coração voltado para conhecer e seguir Deus. O mesmo princí-
pio, que não devemos jamais esquecer, repete-se em Josué 24.31.

Há uma nítida influência sobre os que testemunharam o sobre-

96
natural — influência que não podem controlar, explicar nem compre-
ender. O efeito é maravilhoso, atrai-os Àquele que faz maravilhas.
Existe mais uma inferência nesse versículo, igualmente marcante:
quando seus líderes não permaneceram conscientes das Intervenções
Sobrenaturais de Deus, ou, pior ainda, jamais as viram, o povo a que
serviam não seguiu Deus. As consequências de ambas as atitudes foram
devastadoras.

É improvável que a geração de líderes que veio depois de Josué e


seu grupo de anciãos tenham tido um plano calculado de conduzir Is-
rael para longe de Deus. A frieza de coração e a rebeldia normalmente
não chegam de súbito. Contudo, a ausência de Milagres raramente pro-
duz uma vida de obediência radical a Deus.

Além do mais, reflita sobre isto: praticamente todo grande líder da


Bíblia viveu Milagres e/ou o sobrenatural — contudo, muitos cristãos
tentam viver sem eles. O contato com as obras sobrenaturais de Deus
muda a capacidade dos líderes de comandar, mudando com isso a ten-
dência do povo de Deus para buscá-lo.

Esse contato é o equivalente a uma alteração espiritual de DNA.


Algo é alterado nessa pessoa que a capacita a liderar de forma tal que o
povo de Deus herde um coração voltado para o Senhor pela influência
dos líderes. A liderança verdadeiramente apostólica sempre capacita
mais que qualquer controle, e aumentar a paixão por Deus é uma das
habilidades mais necessárias, porém menos cultivadas, que um líder es-
piritual possui.

Na ausência de Milagres, algo mais ocorria no Antigo Testamento


que ia além da frieza de coração. Os israelitas faziam pior. Juízes 2.12
diz que eles “abandonaram” Deus. Isso implica que Israel se desviava de
Deus deliberadamente.

97
Os líderes geiavam uma atmosfera boa ou ruim. Os líderes espiri-
tuais verdadeiros são aqueles que têm consigo seu próprio sistema mete-
orológico espiritual que permeia seu domínio de influência e autoridade.
Quando os líderes vivem na Atmosfera do Céu, seu contato com Mila-
gres (que é a Atmosfera Celestial na terra) muda-lhes a capacidade de
levar o povo de Deus a seu Potencial Sobrenatural.

TODA ORDEM EXISTE PARA PROMOVER A VIDA


Acredito que o modelo de governo bíblico encontre-se na família.
Quando os pais e mães têm tendência a uma forma de religião sem
poder, seus descendentes raramente têm motivação para pagar o preço
necessário a conservar o legado de retidão de sua família.

Quando, porém, o modelo de propósito, paixão e poder constitui


a natureza desse lar ou igreja, é mais provável que a geração seguinte
cresça em meio às trevas das circunstâncias do mundo com uma tocha
que proclame os propósitos de Deus na terra. Os pais e as mães, tanto
naturais quanto espirituais, devem levantar-se com propósito, paixão e
coragem a fim de ser parceiros na maravilha das atividades sobrena-
turais de Deus na terra.

A culpa pela falta de manifestações sobrenaturais de Israel não


está apenas na geração que não teve contato com Milagres. Na verdade,
a culpa recai diretamente sobre os ombros dos pais que tinham visto os
Milagres eles mesmos, mas não pagaram o preço necessário para que
esses Milagres continuassem.

Josué recebeu como herança o estilo de vida sobrenatural de Moi-


sés. Herança é o que recebemos de graça por alguém que pagou um
preço por isso. Se, porém, não pagamos o preço para aumentar o que
recebemos de graça, não haverá nada que deixar para a geração se-
guinte.

98
É irônico que a geração de Josué teve influência suficiente para
perpetuar a retidão sem a experiência constante de Milagres. Mas as
gerações não puderam sustentar a retidão sem entrar no reino de poder
em que o testemunho as introduzia. Isso revela a responsabilidade de
fazer mais que memorizar histórias pelas histórias em si. Elas devem
nos levar a ter maiores encontros pessoais com o Deus de maravilhas
enquanto essas maravilhas acontecem à nossa volta. O testemunho
deve nos fazer ter fome de mais testemunho, deve nos dar a licença
para procurar intervenções sobrenaturais.

Uma vida sem poder acaba sendo desastrosa. Na ausência de in-


vasões sobrenaturais de Deus, surgia uma geração sem bússola. A pe-
rambulação e a consequente rebeldia dessa geração resultaram em au-
sência de contato com o Deus de maravilhas. Cada um de nós tem de
viver de maneira tal que Deus deve manifestar-se para nos suster. A
redução do cristianismo ao que é humanamente possível é responsável
pela condição de frieza de coração de muitas gerações ao longo da His-
tória. O ensino moral, apesar de absolutamente necessário, raramente
acende uma fogueira no coração de uma geração que nasceu para assu-
mir a responsabilidade por um propósito. As pessoas prosperam natu-
ralmente com causa e propósito. A igreja jamais foi concebida para ser
conhecida por suas disciplinas. Temos de ser conhecidos por nossas
paixões. Temos de arder com paixão renovada por Cristo e somente
por ele!

MILAGRES
A responsabilidade de todo líder da igreja é ter contato, e permane-
cer em contato, com os Milagres de Deus e com o Deus de Milagres.
Sinceridade e preocupação genuína com o povo de Deus são importan-
tes, mas não podem tomar o lugar desse contato.

A transformação que ocorre na igreja e por meio dela, em virtude

99
do aumento de atividades sobrenaturais, não ocorre apenas porque os
líderes espirituais estão lendo algum livro excelente sobre liderança
cristã. Não se pode encontrar o necessário apenas com a leitura. O ne-
cessário deve vir pelo contato com o domínio do Milagre. Tampouco
essa mudança ocorre meramente pelo aperfeiçoamento das prioridades
da liderança de ajudar a extrair o melhor dos outros. Nada pode subs-
tituir a transformação possibilitada pelo contato com a Glória de Deus
por meio dos Milagres. As recompensas não têm preço. O custo da
negligência nesse caso é eterno.

Nos últimos anos, muitos de meus amigos viajavam para a África


e a América latina regularmente apenas para ter contato com o Deus
que ainda faz maravilhas. (Que os Milagres eram mais fáceis e mais co-
muns nessas culturas, não é segredo.) Esses meus amigos se recusaram
a viver na pequenez da cultura religiosa norte americana que agia para
criar uma imagem de um Deus passível de ser controlado e reduzido a
palavras. Essa mentalidade o reduz gradativamente até que chegue ao
nosso tamanho. A consequência é a quase ausência de Milagre.

Felizmente, isso está mudando. Agora vemos com mais frequên-


cia Milagres extraordinários na América do Norte. Gostaria de insinuar
que pelo menos parte do motivo disso foi o empenho constante de um
grande número de líderes que fizeram tudo quanto foi necessário para
ter contato, e ter o impacto, com o Deus de maravilhas. A consequência
é a paixão cada vez maior da igreja por “mais” do Evangelho do Reino.

Quando eu trabalhava para declarar os testemunhos das interven-


ções sobrenaturais de Deus, os Milagres ocorriam. Também observei
que muitos cristãos que davam pouca importância a uma vida de Mila-
gres tinham dado meia-volta. Eles foram infectados pela paixão por mais
de Deus quando nem sequer pareciam prováveis candidatos a esse es-
tilo de vida. Depois de ter contato com o Deus que faz somente
maravalhas, meus amigos disseram-me que agora sabem por que estão
100
vi vos. Trata-se de uma declaração bem forte de alguém que momentos
antes não tinha paixão nenhuma por coisa alguma.

O contato é o segredo. Quando as pessoas que verdadeiramente


nasceram de novo têm contato com uma obra genuína do Espírito de
Deus, elas, de repente, levantam-se para um propósito e chamado que
jamais achavam ser possível. Essa é a vida cristã normal. Os líderes que
têm contato fazem que seus liderados tenham contato. Assim, a natu-
reza da vida da Igreja E modificada.

O que é ainda mais emocionante é o fato de não cristãos também


encontrarem seu chamado e propósito de encontrar o Deus de
maravalhas. Alguns do nosso pessoal ouviram uma conversa na mesa
vizinha à deles num restaurante local. A mulher desta mesa estava com
câncer e tinha vindo a Redding para ser Curada. Nossos colegas ofere-
ceram-se para orar por ela ali mesmo. Quando fizeram isso, um demô-
nio manifestou- se, criando uma cena. Eles controlaram a situação bem
discretamente, agindo para proteger a dignidade da mulher que Jesus
estava libertando.

Apesar disso, as pessoas notaram, já que estavam no meio do res-


taurante. O gerente viu que um de seus garçons estava explicando aos
outros o que estava acontecendo.

Em seguida, perguntou à mulher se ela frequentava a Bethel


Church, de onde eram as pessoas que oraram por ela. Quando ela res-
pondeu que sim, ele começou a confessar seus pecados a ela. O poder
e a compaixão que se manifestaram no seu restaurante deram um ulti-
mato que o obrigou a tomar uma decisão. Ele teve contato com o po-
der, e seu coração foi revelado.

Se eu não estiver cheio da maravilha, será que estarei em condições


de dizer que Deus é maravilhoso? Se não estou cheio de poder, será que

101
tenho condições de dizer que ele é poderoso? Onde quer que estejam
os olhos do meu coração, isso determinará a realidade do que libero à
minha volta.

O Céu está cheio da perfeita confiança em Deus, e a terra está


cheia de desconfiança. Nós sempre refletimos a natureza do mundo de
que temos mais conhecimento.

Os sinais que nos causam admiração ajudam a realizar uma mu-


dança no coração na disposição da igreja. O contato com o Deus de
Milagres não é o único elemento necessário para realizar a reforma.
Tampouco é opcional. É isso que faz aperfeiçoar uma cultura quo se
alimenta do testemunho tão necessário.

102
CAPÍTULO 8

O PODER DA
TRANSFORMAÇÃO
Acredito sinceramente que o derramar sustentado do Milagre de
que tivemos o privilégio de participar tem relação direta com o valor
que damos ao testemunho. Ajuda-nos a conservar a consciência das
intervenções sobrenaturais de Deus, que, por sua vez, influencia nossas
conversas. O sucesso de Israel estava ligado ao que esse povo pensava
e ao que conversava (v. Josué 1.8). Reproduzimos naturalmente tudo
quanto em que habitamos.

Criamos o costume de iniciar cada reunião semanal de nossa


equipe e cada reunião mensal da diretoria com um tempo de relato de
testemunhos do que Deus fez nos dias anteriores. Pelo menos metade
de nosso tempo de reunião é dedicado a contar histórias de Milagres, o
que normalmente representa uma ou duas hous apenas de testemunhos.
Entre esses relatos, há Milagres de Cura, libertação, conversões, encon-
tros e até de que Deus está agindo em nossos filhos e restaurando fa-
mílias e casamentos. Eu até contratei uma pessoa para registras os tes-
temunhos a fim de nos ajudar a dar o devido valor às intervenções entre
nós. Entendemos que isso é da nossa “conta” tanto quanto as outras
coisas por que somos responsáveis.

Os testemunhos nos mantêm animados e conscientes. É simples-


mente impossível sentar durante uma hora e meia ouvindo que o céu
invadiu a nossa cidade e o mundo e depois sair desanimado. Quando
contamos esses relatos, estamos liberando a Unção do espírito de pro-
fecia uns sobre os outros e dizendo: “Esse é o nosso Deus. Ele é assim. É
isso que ele está fazendo e é isso que ele vai fazer”. Isso nos dá graça para
enfrentar seja qual for a impossibilidade que estejamos enfrentando no

103
momento.

Infelizmente! é possível perder o senso de consciência e gratidão


pelo Milagre. É quase impossível imaginar, mas os israelitas murmura-
vam freqüentemente com Deus no deserto, apesar do fato de todo dia,
durante os quarenta anos, eles terem experimentado a Cura Divina, o
maná e os sapatos que não se gastavam — além do sinal visível da Pre-
sença de Deus entre eles na Nuvem e na Coluna de Fogo.

Corremos o risco de incidir nessa mesma complacência quando


não cultivamos o coração de expectativa e gratidão.

Se não nos impressionamos com os Milagres, é um sinal de adver-


tência de que estamos deixando que a amargura, a incredulidade ou en-
durecimento tomem nosso coração em relação a Deus. Ou simples-
mente paramos de ser gratos pelo que Deus está fazendo e permitimos
que nosso coração se volte para o que Deus não está fazendo.

Outro erro comum é deixar-se envolver mais com os Sinais do


que com Aquele que os sinais indicam. Quando isso acontece, começa-
mos a avaliar os Milagres de acordo com critérios humanos, nós os
classificamos de acordo com a dificuldade, esquecendo que não temos
em nós mesmos mais poder para curar uma dor de cabeça que para
curar leucemia.

Com tal afinidade pelo valor de entretenimento diretamente ligado


à gravidade de uma doença, são necessárias situações cada vez mais
difíceis para nos tornar gratos e contentes. Nesse caso, os Milagres de
Cura de câncer e de aids produzem um grito de louvor, mas a Cura do
nervo pinçado nas costas é tratado como corriqueiro e provoca pouca
reação.

Nossa alegria não deve depender do tamanho do problema, mas


da verdadeira invasão do Céu. Já vi centenas de Milagres em minha vida,
104
e alguns deles foram mais sensacionais que outros. A verdade, porém,
é que sou responsável por celebrair a bondade de Deus em todos eles.

Enquanto zelarmos pelo nosso coração perante o Senhor e


deixarmos que suas obras o revelem para nós, vamos descobrir que suas
obras não podem deixar de inspirar admiração, gratidão e celebração.
E. quando posso ser confiado a zelar por meu coração em coisas apa-
rentemente simples, eu me capacito para as mais críticas.

Guardar o testemunho em nossas conversas também nos enche o


coração e a mente com a Revelação de Deus, o que cria elevada
consciência de presença e de seus caminhos. Essa revelação prepara-
nos o coração e a mente para perceber nossas circunstâncias do ponto
de vista do Céu.

Quando concentro minha atenção naquilo que Deus fez e está


fazendo, perraneço ou venho a ser fiel. Essa minha atitude de coração
muda o impacto que causo no mundo à minha volta, talvez mais que
qualquer outra. É essa característica que me capacita a viver consciente
de Deus.

Sem a consciência constante do Deus que invade o impossível,


reduzo o ministério ao que posso realizar com meus dons ministeriais.
Esses dons são como as velas de um barco — sem o vento, são inúteis.
Todos nós precisamos do vento de Deus para respirar o que recebemos
e fazer que esses dons sejam eficientes do ponto de vista da eternidade.
Se deixamos de nos lembrar regularmente de quem é Deus, do que ele
fez e do que vai fazer, tomaremos decisões com base naquilo que pode-
mos realizar sem ele, o que nos restringe a uma vida do “possível”. Isso
provoca desânimo, visão curta, mediocridade, esgotamento e toda sorte
de problemas que acometem os líderes cristãos que peidem contato
com o que Deus está realizando.

105
O PERÍODO DOURADO
A abordagem de criar uma cultura do Reino não é novidade. Es-
tamos tirando a ideia de dois dos líderes mais bem-sucedidos da histó-
ria: Davi e Salomão.

Na minha opinião, houve apenas uma vez em toda a história de


Israel em que um líder temente a Deus foi sucedido por outro líder
temente a Deus (apesar deste, em parte por falta de contato constante
com o poder sobrenatural, depois ter feito escolhas desastrosas) que
edificou sobre o legado do pai e trouxe a nação a tal grau de bênção e
paz que inspirou temor e honra dos líderes das nações vizinhas.

O que esses homens tinham que os capacitava a dirigir Israel para


os seus anos dourados? O relato de Salomão em Provérbios revela uma
das paixões de seu pai — algo em que ele preparou o filho desde a
infância a buscar mais que qualquer outra coisa: sabedoria. Mas de onde
vinha a paixão de Davi pela sabedoria? Como ele descobriu essa chave
para a liderança bem-sucedida? Analise estas declarações:

Os testemunhos do SENHOR são dignos de confiança e tornam sábios


os inexperientes (Salmos 19.7).

A sabedoria era a parte de Davi no testemunho. Outro salmista


acrescentou a essa reflexão o seguinte pensamento sobre a influência
do testemunho.

Sim, os tens testemunhes são o meu prazer; eles são os meus conselheiros
(Salmos 119.24).

Tenho mais discernimento que todos os meus mestres, pois medito nos
teus testemunhos (Salmos 119.99).

106
OS TESTEMUNHOS ACONSELHAM O CORAÇÃO
A paixão de Davi pelo testemunhe de Deus levava-o a uma posi-
ção de acesso a encontros e revelações extraordinários. Sua sabedoria
para governar vinha da mesma origem. Davi tomou conselho nos tes-
temunhos do Senhor e descobriu que eles lhe davam acesso a sabedoria
e conhecimento mais profundos que os conselheiros “madu-ros” que o
cercavam.

Da mesma maneira, os testemenunhos servem para nos aconse-


lhar. Todo dia, ocorrem situações que nos exigem tomar decisões.
Como cristãos, nosso foco e nosso desejo devem se voltar para realizar
o que Deus está fazendo nessas situações. Os testemunhos nos ajudam
a tomar essas decisões revelando-nos as intervenções sobrenaturais an-
teriores de Deus. Pelo fato de o testemunho ser por natureza algo que
Deus está pronto a “fazer de novo”, podemos tomar nossa decisão com
base na intenção dele de repetir o Milagre. Nós já o vimos curar câncer
muitas vezes. Esses testemunhos nos aconselham a mandar que o cân-
cer diante de nós saia e o corpo seja curado.

Os testemunhos também nos aconselham revelando a Natureza


de Deus e os Princípios de Seu modo de agir. Esses Princípios abrigam
Verdades em nosso pensar de modo que enxerguemos, do ponto de
vista do Céu com convicção, as situações impossíveis.

O segredo da sabedoria é a nossa decisão de crescer no conheci-


mento de Deus e de seus caminhos. A verdadeira sabedoria não se pode
separar da relação com Deus. A sabedoria hebraica não era de caráter
teórico. Pelo contrário, era a capacidade de fazer escolhas devotas. O
homem sábio deseja viver para agradar a Deus. Salomão declarou: “[...]
O Senhor á quem dá sabedoria [...]” (Provérbios 2.6). É possível honrar
determinados Princípios do Reino e experimentar alguma medida dos
resultados que Deus prometeu, mas, sem descobrir a Sabedoria da Deus

107
contida na Relação com Ele, ninguém pode viver a vida que Deus pla-
nejou.

“Por sua sabedoria o SENHOR lançou os alicerces da terra, por seu entendi-
mento fixou no lugar os céus” (Provérbios 3.19). O domínio da sabedoria
de Deus contém a planta e o projeto de cada aspecto da criação, como
a vida na terra deveria ser. Não se pode separar a sabedoria de Deus do
próprio Deus. Sua sabedoria é a expressão do seu caráter, de Sua natu-
reza, de sua vontade e de seus desejos.

Salomão descobriu a natureza da sabedoria e a associou com uma


pessoa. Escreveu sobre essa Pessoa que fala várias ve/.es por meio do
livro de Provérbios. Veja no capítulo 8 o que a Sabedoria tem a dizer.

O Senhor me criou como o princípio de seu caminho, antes das suas


obras mais antigas; fui formada desde a eternidade, desde o princípio,
antes de existir a terra [...] Quando determinou as fronteiras do mar
para que as águas não violassem a sua ordem, quando marcou os limites
dos alicerces da terra, eu estava ao seu lado, e era o seu arquiteto; dia a
dia eu era o seu prazer e me alegrava continuamente com a Sua Pre-
sença. Eu me alegrava com o mundo que ele criou, e a humanidade me
dava alegria (Provérbios 8.22,23,29-31).

Vemos aqui as múltiplas dimensões da Personalidade de Deus se


relacionando umas com as outras na intimidade deles e agradando se
mutuamente, por criar todo o Universo. Vemos que a pessoa sabia,
conforme define 1 Coríntios 1.30, criou-nos e ao nosso mundo. Ele foi
guiado pela expressão de alegria.

Viemos da alegria e fornos feitos para a alegria. Qualquer plano


para a vida que não implique sermos perpetuamente felizes está em
contradição com o plano de Deus para nós. Nas últimas quatro frases
da passagem, há um paralelismo que compara a relação de Deus com a

108
Sabedoria e a nossa relação com a Sabedoria. As duas mesmas palavras
são empregadas para definir ambas as relações — “prazer” e “alegria”.
Deus nos projetou para ter o mesmo tipo de relação que ele tem com a
Sabedoria — uma relação de alegria e prazer mútuos e, portanto, uma
relação de co-criação.

CRIAR
A era dourada de Davi e a de Salomão é uma sombra de nosso
papel de co-criadores com Deus. Salomão fruiu e demonstrou muito
do que seu pai lhe ensinara. Fez isso com nada mais que a sabedoria
que foi orientado a buscar no Senhor.

Salomão afirmou: “Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento


se consolida” (Provérbios 24.3). À luz de Provérbios 8, poderíamos rees-
crever esse versículo para dizer que é pela co-criação com o Espírito de
Sabedoria que se estabelece uma casa. A palavra hebraica traduzida por
“casa” pode referir-se a uma família, um lar, um templo, uma cidade ou
até uma nação.

Salomão, que escreveu sobre a relação de prazer e co-criação com


a Sabedoria e a experienciou ele mesmo, é mais conhecido pelas casas
que construiu e estabeleceu, o templo do Senhor, o palácio do rei (tanto
o lar quanto a família) e a casa de Israel.

A sabedoria Divina não se caracteriza pelos traços estoicos, secos


e conservadores que muitos associam a ela. Em Provérbios 8, a sabe-
doria Divina tem em seu âmago comemoração e alegria, é intrinseca-
mente expressiva, feliz e, acima de tudo, criativa. No versículo 12, a
Sabedoria declara: “Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conheci-
mento que vem do bom senso” (Provérbios 8.12).

As soluções religiosas para os problemas do mundo em geral são

109
tudo, menos criativas. Em geral, elas enrijecem toda expressão de cria-
tividade e alegria, mas as expressões de sabedoria Divina que somos
chamados a demonstrar são de natureza criativa e geradora de vida. Elas
não se concentram em controlar o mundo, mas em libertá-lo da escra-
vidão para poder experimentar a bênção e a prosperidade do Céu.

Sob o comando de Salomão, Israel não ficou conhecido pelo


grande exército que tinha, nem pela sofisticação de seus sistemas penal
e bélico. Tampouco ficou conhecido meramente pelo que lhe faltava
— a falta de inimigos ou a falta de doenças —, mas pela presença de
paz e abundância entre o povo. As soluções que a sabedoria Divina
produz não somente livram dos problemas, mas também criam exce-
lência, bênção e as aumentam onde não existiam.

Não é simplesmente a grandeza e o esplendor do templo e do pa-


lácio real, mas também a prosperidade e a piedade que impregnam toda
a sociedade sob o governo de Salomão. O texto de 1 Reis 4 narra: “O
povo de Judá e de Israel era tão numeroso como a ateia da praia; eles comiam,
bebiam e eram felizes [...]” (1Reis 4.20). “[O povo] tinha paz em todas as fron-
teiras [...] e viveram em segurança, cada homem debaixo da sua videira e da sua
figueira” (1 Reis 4.24,25).

Apesar de muitos judeus ainda olharem para o passado, para o


tempo que Davi e Salomão, como a idade de ouro de Israel, nós, como
cristãos achamos que esse período é na verdade uma espera com ansi-
edade do vindouro Reino do Deus em Cristo. Ao governar com a sa-
bedoria Divina, Salomão pôs a nação em sintonia com o governo do
Céu. A paz, a prosperidade, a alegria e a segurança que Israel viveu são
evidências de que a nação estava em harmonia com o Reino que é “jus-
tiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14.17).

A relação entre Davi e Salomão — a transferência de sabedoria e


propósito de uma geração a outra — é uma figura profética de Cristo e

110
a igreja. Davi começou a lançar no reino de Israel o alicerce que impli-
cava uma abordagem totalmente diferente da presença Divina. Salomão
edificou sobre a fundação de seu pai e levou esse reino a uma expressão
madura de adoração e vida social. Da mesma maneira, Cristo, o 1 ilho
de Davi, inaugurou o Reino de Deus e confiou à igreja a missão de
colaborar e criar em conjunto com o Espírito Santo para estabelecer
esse Reino na terra assim come) no Céu.

Essa é a responsabilidade de todo cristão. Deus nos deu um papel


que nos põe em linha direta com Salomão; e isso respeito à prioridade
de buscar a sabedoria Divina. Ele nos chamou para ser reis e sacerdotes
(v. Apocalipse 1.5.) Esse papel é para representar o Rei e Seu Reino e, ao
fazer isso, pôr a realidade terrena em sintonia com o Céu.

O Reino que represente nos expressa perfeitamente a sabedoria


de Deus. O Espírito com quem colaboramos é o Espanto de Sabedoria.
Isso significa que nós, como cristãos, temos acesso exclusivo ao projeto
original para nosso mundo, assim como ao poder que o criou e sustenta.

Desse modo, somos portadores das respostas a todos os proble-


mas do mundo — de todas as formas que a criação se desviou da in-
tensão original de Deus. Cristo declarou: “[...] o Reino de Deus está entre
vocês” (Lucas 17.21). Nossa tarefa é estabelecer esse Reino à nossa volta
liberando o que está em nós pela demonstração da sabedoria Divina. O
apóstolo Paulo, em Efésios, refere-se à comissão da igreja de demons-
trar a sabedoria de Deus:

Embora eu seja o menor dos menores de todos os santos, foi-me concedida


esta graça de anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo e
esclarecer a todos a administração deste mistério que, durante as épocas
passadas, foi mantido oculto em Deus, que criou todas as coisas. A
intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sa-
bedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas

111
regiões celestiais, de acordo com o seu eterno plano que ele realizou em
Cristo Jesus, nosso Senhor, por intermédio de quem temos livre acesso a
Deus em confiança, pela Fé nele (Ef. 3.8-12).

Qual era o propósito eterno de Deus que ele realizou por meio de
Cristo? Foi restaurar a humanidade à condição de filhos e filhas e ao
nosso papel pretendido de governar em conjunto com Ele sobre a cri-
ação. À medida que nós tomamos filhas e filhos amadurecidos do Pai e
exemplos vivos do que Deus planejou, isto é, de sua sabedoria, pomos
em prática a vitória que Cristo conquistou sobre os principados e as
potestades nos lugares celestiais.

O testemunho da vida de Israel no reinado de Salomão deve me-


xer com algo em nós. Davi e Salomão podiam ter acesso ao poder e a
sabedoria liberados pela guarda do testemunho que levou a nação a um
grau de transformação que nenhum de nós já viu.

Por certo, nós, que fomos trazidos para a aliança, pela qual o Es-
pírito de Sabedoria de fato nos habita, devemos esperar que Deus seja
bem capaz de e disposto a promover essa transformação do mundo ao
redor por nosso intermédio. O testemunho de Davi e Salomão expõe a
perversão de pensamento de que nossa responsabilidade como cristãos
na sociedade não é nada mais que nos consolar com quanto o mundo
está ficando mau, porque isso é sinal de que Jesus está voltando.

Se Deus não se preocupasse com a qualidade de vida neste pla-


neta, então todos os Milagres de Jesus teriam sido absurdos. Jesus não
consolou o cego dizendo-lhe como seria maravilhoso quando ele por
fim chegasse ao Céu e pudesse enxergar. As instruções de Jesus para
relacionamentos, finanças e autoridade têm todas a ver com a vida in-
fluenciada pelo Céu aqui e agora.

O testemunho de Davi e Salomão, mais o testemunho de Jesus e

112
de sua igreja, demonstra claramente que nossa responsabilidade de pro-
mover transformação não é algo que ocorre somente em uma geração.
Nós todos fomos chamados para ter uma visão de transformação que
se estende alem de nosso tempo de vida. Essa visão de geração para
geração está embutida nas ordens originais de Deus relativas ao teste-
munho. O mandamento de Deuteronômio 6.6,7, dá ensinar os teste-
munhos aos nossos filhos, é o primeiro de uma lista do que temos de
fazer para guardar o testemunho.

Isso demonstrou ser um dos pilares da vida para a nação de Israel.


Nós também vimos que o escritor do salmo 78 entendeu a importância
desse mandamento e seu poder de unir as gerações numa relação dura-
doura com Deus:

Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e ordenou


aos nossos antepassados que a ensinassem aos seus filhos, de modo que
a geração seguinte a conhecesse, e também os filhos que ainda nasceriam,
e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos.
Então eles porão a confiança em Deus; não esquecerão os seus feitos e
obedecerão aos seus mandamentos (Salmos 78.5-7).

No legado de Davi e Salomão, gerações se uniram pelo testemu-


nho. Quando uma geração recebe a herança da revelação nos testemu-
nhos e edifica sobre o alicerce posto por seus pais, buscando se relaci-
onar ela própria com Deus e cumprir suas responsabilidades perante
ele, há uma taxa exponencial de crescimento na demonstração dessa
revelação.

Acreditamos em investir na geração seguinte para que nosso teto


venha a ser o piso dela. O que vimos com Davi e Salomão é que,
quando Salomão edificou seu piso sobre o teto de seu pai, deixou de
ser um edifício de apenas um andar para ser uma construção elevada.
Ele pôde fazer isso porque o testemunho que revela a Natureza de

113
Deus foi estabelecido e se tornou o alicerce necessário para a transfor-
mação social. Quando esse alicerce está no lugar, há um potencial irres-
trito de edificação, como se não houvesse maior fundamento para a
sociedade do que a Natureza de Deus.

O PODER DE CONCORDÂNCIA
Toda a estratégia de Deus para a transformação do mundo con-
centra-se no poder de concordância liberado quando as famílias produ-
zem descendência comprometida com Deus e andam em aliança. Essa
estratégia baseia-se na sabedoria Divina. Nossa visão da História deve
fundamentar-se nos Princípios de quem é Deus e de como ele age. Es-
ses Princípios são Revelados no testemunho quando lutamos para ver
a transferência duradoura de Revelação, comunhão e influência para
gerações sucessivas da igreja.

O reavivamento e a transformação multigeracional exigem


intencionalidade. No salmo 78, o salmista fala de pais, filhos, avós e
netos que guardam o testemunho. De modo geral, isso corresponde a
um século da vida de uma família.

Decidi viver com uma visão de cem anos para o reavivamento e


transformação do Reino, criando uma cultura em que o testemunho
influencia todos com nossas decisões e estratégias à medida que nos
lembramos, registramos, falamos, ensinamos e estudamos a respeito
das obras de Deus.

Em nossa família, nossa meta é formar a geração seguinte para ser


despertada paia as intervenções sobrenaturais de Deus. Reservamos
tempo para contar a nossos filhos as narrativas dos Milagres a fim de
gerar neles fome e expectativa. Nós lhes ensinamos as promessas do
que Deus quer fazer por eles. Em consequência, temos crianças que

114
estão profetizando, curando os doentes, experimentando visitações ce-
lestiais e geralmente entrando em tudo que os testemunhos contem —
agora, em vez de esperar até que sejam adultos.

O testemunho transforma os encontros de Deus também em


nossa cidade. Por exemplo, vemos regularmente o poder profético do
testemunho liberado quando as pessoas encontram indivíduos que pre-
cisam de Milagres e ministram a eles falando das intervenções que ou-
tros receberam em situações semelhantes.

Se tivermos conhecimento de estatísticas referentes à alta taxa de


divórcios ou de pobreza em nossa comunidade, recolhemos intencio-
nalmente testemunhos de casamentos restaurados e intervenções finan-
ceiras. Ao fazer isso, armamo- nos de maneira tal que, quando inevita-
velmente encontramos as “estatísticas” à nossa volta, estamos preparados
com histórias feitas sob medida para essas circunstâncias.

Também reservamos tempo para declarar esses testemunhos so-


bre nossa cidade. Ao liberara Unção profética dessa forma, estamos
ajudando a realizar uma mudança na atmosfera. Fazemos dos locais de
maior fraqueza e quebrantamento alvos de uma invasão celestial.

Atualmente, temos visto uma mudança econômica significativa


ocorrer um Redding. Achamos que o Senhor nos mostrou que devía-
mos alvejar o espírito de pobreza de nossa cidade envolvendo-nos com
atos de generosidade radical até que isso se transformasse num estilo
de vida. Isso inclui tudo, desde gorjeta a garçons a tirar ofertas para
outras igrejas da cidade.

Em outras palavras, Deus queria que gerássemos histórias dignas


de ser contadas. É excelente quando se tem não cristãos para profetizar
sobre sua cidade tão somente por dar a eles um testemunho de que eles
não conseguirão ajudar, mas falar a respeito.

115
Atualmente, estamos assistindo ao crescimento econômico de
nossa cidade de uma forma realmente marcante e sabemos que é por
causa da sabedoria de Deus ter sido demonstrada e o testemunho libe-
rado nesse domínio específico da vida.

O reavivamento multigeracional, junto com a transformação so-


cial (o Reino vindo “à terra assim como é no Céu”), é o ponto alto da pro-
gramação de Deus. Deve ser o que orienta tudo que eu faço. Guardar
o testemunho libera a revelação da Natureza de Deus na terra, o que,
por sua vez, libera o Poder de Deus nas calamidades específicas da hu-
manidade, é isso que ajuda a conservar o reavivamento, destravando os
recursos celestiais da Unção profética e da sabedoria Divina. Ele deve
ser o foco intencional da igreja em todo o mundo.

Essas convicções são o motor para este livro. Eu acredito verda-


deiramente que, quando a revelação do poder do testemunho for libe-
rado em toda essa geração, teremos o potencial para moldar o curso da
história do mundo.

Vamos voltar nossa atenção do que está errado ou do que não está
acontecendo para o que Deus quer fazer, quando profetizarmos ade-
quadamente sobre indivíduos, cidades e nações. Esse propósito divino
nos capacita para unir os braços e o coração com nossos filhos numa
busca apaixonada do Deus revelado pela nossa herança, o testemunho.

116
CAPÍTULO 9

LIBERAR A
PRESENÇA DE DEUS
Nossa maior responsabilidade para com Deus e as pessoas é não
buscar nem prover demonstrações mais eloquentes do Evangelho ou
mesmo Milagres. Não se trata de meramente falar a verdade no sentido
de pregar nem de testemunhar do Evangelho de pessoa para pessoa.
Nossa grande responsabilidade é conhecer Deus e tomá-lo conhecido.
Aprender a fazer isso deve prender eficientemente nosso coração e
atenção durante a vida toda.

Durante pelo menos vinte anos, uma força motriz dentro de mim
foi a convicção de que devo às pessoas um encontro com Deus. Devo-lhes
mais que apenas uma mensagem cheia de verdade. Seja o que for que
faço pelas pessoas, isso deve conter a oportunidade para um encontro
divino. Se estou cheio do Espírito, minha pregação, meu serviço e vá-
rias formas de ministério vão mais provavelmente introduzir as pessoas
nesse encontro.

Em parte, é isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando declarou:


“Minha mensagem e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de
sabedoria, mas consistiram em demonstração do poder do Espírito” (1 Coríntios
2.4). As pessoas não têm de ser convencidas de nossas reflexões, nossos
dons nem de nossa capacidade de transmitir a verdade Essas coisas são
de importância secundária, na melhor das hipóteses. O que elas preci-
sam é de Deus. Encontrar o Poder de Deus é encontrar se com Ele.
Paulo estava tão convencido disso que desejava que as pessoas deposi-
tassem a Fé no Poder de Deus (v. 1 Coríntios 2.5).

117
APRENDER A LIBERAR
Nosso Deus é um Deus de aliança, Ele é confiável e soberano o
bastante para se obrigar em acordos com seus filhos. Não gosto de pen-
sar nisso como contratos — o que é estéril demais. Prefiro falar em
termos de limites relacionais. Quando nos tornamos semelhantes a Je-
sus pela obediência, descobrimos que a obediência libera a Presença, o
Poder e a Glória dEle. E, embora eu não compreenda completamente,
ele tem interesse em nossas opiniões e sugestões. É ele quem promete:
“Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês,
pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (v. João 15.7). É tolice pensar
que Deus nos faz primeiro criaturas robotizadas e depois nos faça a
promessas: “Peça o que desejar”. Ele confia de fato naqueles que se tornam
semelhantes a seu Filho. Diante disso, portanto, e normal ansiarmos
que o Poder de Deus seja demonstrado na vida dos quebrantados.

Deus não pode ser adequadamente nem mesmo corretamente re-


presentado sem poder. Os Milagres são absolutamente necessários para
que as pessoas o vejam claramente. Testemunhar sobre esses Milagres
faz parte da dívida que nós temos com o mundo. Quando falamos, ele
vem confirmar o que falamos.

Ele preferiu revelar-se por meio de gente que se rende a Ele. Suas
aparições em geral são espetaculares e impressionantes, como se vê em
toda a História. Suas manifestações no meio de seu povo podem, às
vezes, ser igualmente maravilhosas, contudo em geral são práticas e
normais.

Em geral, eu aprendo deparando acidentalmente com uma ver-


dade. Normalmente, começa com a observação do fruto de algo antes
de eu entender. Se vivemos apenas para obedecer, não importa o que,
isso se transformará num método de aprendizado para nós também.
Significa que não precisamos entender para obedecer.

118
Essa obediência sempre produz fruto, mas o fruto destina-se a nos
atrair para a busca do mistério por trás dele. É justo não compreender
os Princípios do Reino, uma vez que seu poder e efeito são liberados
pela obediência. Mas, se eu não os compreender, terei menos oportu-
nidade de liberar conscientemente a presença Divina e serei incapaz de
preparar outros para fazer, o mesmo.

A liberação da Presença de Deus, que contém o Reino de Deus,


faz-se por meio de cinco atividades das quais tenho conhecimento:

IMPOSIÇÃO DE MÃOS: É uma ordem bíblica e uma das dou-


trinas básicas de Cristo (v. Hebreus 6:1,2). Pelo fato de o Reino estar
dentro de nós, ele é liberado pelo toque de Fé. É um ato intencional
para curar, abençoar ou comunicar (Marcos 16.18; l Tm. 4.14). É o
princípio de tocar e liberar.

PROXIMIDADE DA UNÇÃO: Esse princípio funcionava com


o apóstolo Pedro quando os doentes eram colocados num local em que
a sombra de Pedro pairasse sobre eles quando ele passava.

Seja o que for que o obscureça, você será libertado por sua som-
bra. A túnica de Jesus enquadra-se nessa categoria, porque ele não im-
pôs as mãos de propósito sobre a mulher com a hemorragia (Marcos
5.28,29) nem sobre as multidões (Marcos 6.56), que, mesmo assim, fo-
ram curadas. O mesmo vale para “os lenços e aventais” levados do apóstolo
Paulo (Atos 19.11,12). Em cada caso, a Unção estava sobre eles em tal
grau que mesmo suas roupas estavam saturadas do poder de Milagre
divino.

O princípio da localização física, no que diz respeito à Unção é


essencial para a liberação do Reino. Não faz muito tempo, tivemos um
homem com surdez num dos ouvidos em nossos salões de Cura. Seu
ouvido abriu-se no momento em que ele entrou na sala. Outro homem

119
surdo teve os ouvidos abertos ao passar tão somente pelo salão. Ele
entrou na atmosfera celestial na terra. Essa liberação de Poder não é ób-
via como as outras quatro da lista, uma vez que sua verdadeira intenção
está em abrigar a presença Divina, mais do que liberar seu poder. Mas não
se pode ter uma sem a outra.

ATOS DE FÉ: Liberam o Reino, uma vez que a Fé exige uma


atividade. Esse é um dos Princípios mais fáceis de provar nas Escritu-
ras, Jesus era muitas vezes levado a uma impossibilidade por causa da
Fé de outra pessoa.

Em Mateus 8.10, é registrada uma história em que Jesus ficou per-


plexo com o incrível grau de Fé do centurião. Ele era um soldado ro-
mano de alto escalão, não era judeu, contudo sua Fé deixou Jesus total-
mente perplexo. Adoro a ideia de ter uma Fé que chame a atenção de
Deus, que o atrai para um problema. É necessário Fé para agradar a
Deus, e eu quero realmente agradar-lhe.

ATOS PROFÉTICOS: São incomuns porque a ação não se rela-


ciona com o resultado desejado, uma vez que é ato de Fé. Por exemplo,
Eliseu ouviu os clamores dos filhos dos profetas quando eles perderam
a cabeça de um machado emprestado (v. 2 Reis 6). Tinha caído na água.
Eliseu então os fez lançar um galho na água, e a cabeça do machado
aflorou na superfície.

A madeira não tem esse efeito sobre a lâmina do machado natu-


ralmente. O galho foi poderoso porque era um ato de obediência. Não
havia relação lógica para recuperar a cabeça do machado; contudo, sem
isso, não haveria a recuperação do machado. A obediência física produz
libertação espiritual.

A DECLARAÇÃO: É a última área que tem o foco principal deste


livro, pois nada ocorre no Reino sem uma declaração. Contudo, quando

120
dizemos que o Pai está dizendo, todo o Céu entra na equação. Quando
essa declaração é um testemunho, capturamos o impulso da história dos
negócios de Deus com a humanidade. Então, um poder profético cria-
tivo é liberado na atmosfera para estabelecer a Revelação de Deus na
terra.

É imperativo que não façamos mais isso sem intenção nem espo-
radicamente. Em vez flissa deve vir a ser a estratégia proposital de um
exército dos últimos dias. Temos de nos inflamar com a convicção de
que portamos a Revelação da Natureza e da Presença de Deus para
todos verem. Possuímos essas Revelações extraordinárias de Sua Natu-
reza em nossos testemunhos. O que se está tornando lugar-comum
para nós o mundo está sedento para ouvir.

Precisamos nos concentrar no coração de Deus pelas nações. O


testemunho e a Unção profética que ele libera produzirão uma volta
das nações aos propósitos designados por Deus. Esse é o motivo de
Ele ter nos dado tudo como herança (João 16.15; 1 Coríntios 3.21).
Vamos precisar de tudo para realizar nossa tarefa.

MANDADOS CELESTIAIS
Há pelos menos quatro prioridades que a igreja deve adotar para
cumprir o propósito de Deus para nós na terra. São mandados do Céu,
prioridades que influenciam nossos pensamentos, orações e buscas. São
ao mesmo tempo fruto e dons — resultados de estar em sintonia cor-
reta com Deus e as conquistas recebidas apenas pela obediência.

AMOR - Enquanto a Fé é necessária para agradar a Deus, é o amor


que permanece como a maior de todas as virtudes. O amor jamais falha.
Ele á perfeito, é altruísta a ponto do sacrifício supremo, ele nos leva
aonde apenas Jesus foi. Ele amou o mundo de tal maneira que deu... e
é a Fé que age por meio do amor. Assim, eles continuam sendo os dois

121
absolutos que dão evidências de ser um cristão verdadeiro.

PUREZA - A tragédia do pecado dentro da igreja causa um efeito


dominó fora da igreja. A santidade é evidência absoluta do efeito do
Evangelho numa vida. Sem ela, nossas boas intenções entram em co-
lapso diante do peso dos propósitos de Deus na terra. Ele abala tudo
quanto tem alicerces defeituosos. E o pecado é o mais fraco de todos
os alicerces. O chamado para fazer discípulos das nações tem a santi-
dade no seu fundamento.

PODER - É impossível representar Deus sem poder. Ele não é


uma ideia, uma filosofia nem um credo. Ele é o Deus tremendo e todo-
poderoso. E nós fomos escolhidos como agentes desse poder, para en-
frentar e destruir as obras das trevas da mesma maneira que Jesus as
destruiu. Pois Jesus é a mais clara Revelação de Deus na terra — ele é
teologia perfeita. O Pai quer que essa representação se multiplique mi-
lhares de vezes por nosso intermédio.

GLÓRIA - Esse é outro elemento obrigatório de que se falará


cada vez mais nestes últimos dias. É a presença manifesta de Jesus —
que se irradia do Pai (v. Hebreus 1.3). É o peso da Presença de Deus
que repousa sobre seu povo em grau cada vez maior à medida que lhe
damos lugar Quando a Glória de Deus vem ao ambiente, há muito
pouco que se pode fazer, a não ser adorar. Devemos ansiar por essas
oportunidades, buscar esses momentos e guardá-los, pois eles nos são
acessíveis em doses cada vez maiores.

O problema da administração entra em cena aqui, uma vez que


aos que são fiéis no pouco será confiado muito. Por que a Glória é tão
importante? Porque ela é o domínio de Deus que ele criou pira nós
habitarmos.

122
NOSSA MAIOR RESPONSABILIDADE
Nosso maior tesouro é o próprio Deus. Nosso maior privilégio é
manifestá-lo. O povo de Deus em todo o mundo está clamando para
que Deus se manifeste de modo mais significativo. E um clamor sau-
dável. Tragicamente, porém, a História está cheia daqueles que fizeram
essa oração durante anos sem jamais ver uma visitação verdadeira de
Deus. Muitos livros altamente respeitados sobre avivamento foram es-
critos por gente que jamais participou de um avivamento.

É tão difícil assim fazer que Deus se manifeste? Jesus nasceu numa
estrebaria — ele não é assim tão difícil. Essa ausência de Sua Presença
manifesta foi atribuída à sua soberania. Mas acho que é injusto varrer
as promessas ainda não cumpridas para a categoria soberania de Deus, em
que Deus leva a culpa por qualquer falta de experiência nossa por sim-
plesmente dizermos que foi por causa de seus métodos misteriosos.

A única vez em que os discípulos não puderam proporcionar li-


vramento a uma criança atormentada, eles não se contentaram corri a
ausência de Milagre, supondo que era a vontade soberana de Deus. Por
isso, perguntaram a Jesus.

Ele demonstrou como, e eles perguntaram sobre o motivo, e a


criança foi libertada. Em outras palavras, não culpe o Pai. A falta está
sempre do nosso lado da equação. A aliança é completa e eficiente para
todos.

Deus nos permite carregar tanto de Sua Presença quanto estiver-


mos dispostos a guardar zelosamente. Jamais nos passou pela mente.'
quanto ela é acessível a nós. Moisés, quando ainda nem sequer era nas-
cido de novo (porque Jesus ainda não tinha morrido por nossos peca-
dos), portava uma medida da presença de Jesus que é incomum hoje.
Não deveria ser assim. Alianças inferiores não deveriam prover bênçãos

123
superiores. O sangue de Jesus nos dá acesso a uma Glória muito maior
que a experimentada por Moisés (v. 2 Coríntios 3.7-11).

ECONOMIA CELESTIAL
Como dito anteriormente, os recursos do Céu são liberados pela
declaração, É um dos motivos pelos quais o testemunho é tão eficiente.
Cada relato carrega a revelação da Natureza de Deus e de sua aliança
com a humanidade. Quando se verbalizam os testemunhos, algo é
liberado e criado. Os recursos do mundo divino são liberados neste
mundo.

Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne. Quando Jesus falava,


suas palavras eram espírito (João 6.63). Somos chamados para dizer
palavras que causem impacto na realidade à nossa volta. Quando dize-
mos que o Pai está dizendo, fazemos que o Céu influencie aqueles que
ouvem. Nossas palavras se tornaram espírito, assim como as palavras
de Jesus se tornaram, de modo que causam impacto no mundo à nossa
volta. Jamais houve uma oportunidade mais importante para nós de
ouvir de Deus que podemos falar o que ele fala e alterar a natureza do
mundo em que vivemos.

Por favor, observe que Deus se manifesta por meio de palavras.


Não somente há vida e morte no poder de nossa fala, mas ele próprio
também caminha por meio das nossas palavras quando elas se or|rinam
no coração do Pai. Ouvir as palavras que vêm do Coração Divino deve
ser a paixão de todo o cristão. Pois, ao ouvir a voz de Deus, a Fé nasce,
e a liberação da Presença e Deus é iminente. Não posso imaginar
responsabilidade e privilégio maiores.

PROMESSA MULTIGERACIONAL
Um dos salmos mencionados anteriormente neste livro tem uma

124
revelação singular para nós. É o salmo 78. Ele contém promessas e ad-
vertências das mais surpreendentes da Bíblia. Nesses versículos, inclui-
se a reflexão necessária para guardar uma geração da rebeldia ao mesmo
tempo e cultivar nela um coração de lealdade a Deus.

Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima ge-


ração os louváveis feitos do SENHOR o seu poder e as maravilhas que
fez.
Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e
ordenou aos nossos antepassados que a ensinassem aos seus filhos, de
modo que a geração seguinte a conhecesse, e também os filhos que ainda
nasceriam, e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos.
Então eles porão a confiança em Deus; não esquecerão os seus
feitos e obedecerão aos seus mandamentos.
Eles não serão como os seus antepassados, obstinados e rebeldes,
povo de coração desleal para com Deus, gente de espírito infiel (Salmos
78.4-8).

Esse salmo contém reflexões maravilhosas do propósito e da con-


sequência de abraçar o testemunho — aquele que libera a realidade de
Deus numa geração. A consequência da negação também é assusta-
doramente óbvia.

O registro das atividades de Deus entre os homens não deve ser


escondido nem esquecido. Tem de ser declarado à geração mais nova,
que, por sua vez, deve ser formada para fazer o mesmo com seus filhos.
A corrente não pode ser quebrada. É uma corrente de revelação
progressiva da natureza e da Presença de Deus na terra. Cada geração
é privilegiada para edificar sobre a anterior até que a manifestação da
natureza e da Presença de Deus fique cada vez mais evidente.

As nações que cercavam Israel no deserto viram a presença e a


Glória de Deus no povo escolhido. Isso não deve ser a mirai de maré alta,

125
pois Deus manifesta-se sobre seu povo. O sangue de Jesus nos capacita
para mais!

O resultado prometido é o clamor de toda família que crê — que


nossa juventude deve pôr sua esperança em Deus! Observe o papel que
lembrar as obras de Deus desempenha na criação de um fundamento
para toda uma geração, Esse ato molda mais a cultura do que a maior
parte das coisas em que nos derramamos; coisas que têm resultado
pouco duradouro.

Contudo, esse antigo limite — guardar o testemunho — de fato


causa impacto na consciência, nas prioridades e na mentalidade do uma
geração inteira. As obras de Deus passam a ser o maior e exclusivo
elemento formador de cultura do Reino. Há muito poucas coisas nas
Escrituras que portam esse tipo de impacto prometido. O salmista dá
um passo adiante: se o povo de Deus abraçar sua responsabilidade com
o testemunho, poderá evitar a rebeldia e destruir a obstinação.

Por não guardar o testemunho como obrigação Divina, Israel aca-


bou no pecado máximo da incredulidade. “A despeito disso tudo, continua-
ram pecando; não creram nos seus prodígios” (Salmos 78.32). A Fé é natural
para aqueles que adotam o registro das atividades de Deus entre a hu-
manidade. É o equivalente ao comentário de Jesus aos fariseus quando
disse: “nem a sua palavra habita em vocês, pois não creem naquele que ele enviou.”
(João 5.38).

Quando guardamos no coração o que é precioso para Deus, esta-


mos preparados para crer quando Jesus entra em cena. O testemunho
tem essa função. O pecado era inevitável quando o povo perdeu con-
tato com as obras divinas e endureceu o coração.

Deus não gosta de ser restringido. “Repetidas vezes puseram Deus à


prova; irritaram o Santo de Israel” (Salmos 78.41). Impôr restrições à revelação

126
da Natureza de Deus é tolice, na melhor das hipóteses. Israel criara o hábito de
limitar Deus. Ele foi novamente restringido em Nazaré e não gostou.
Nazaré foi o único lugar em que a Natureza de Deus não esteve pre-
sente como o Pai pretendeu (v. Marcos 6.6).

A Fé agrada a Deus; a incredulidade lhe causa tristeza e está na


raiz da traição, como se viu no espírito de Judas (v. João 6.64). A versão
Almeida Revista e Atualizada traduz a palavra hebraica para “limitar” as-
sim: “agravaram o Santo de Israel”, que é bastante parecida com a ordem
do Novo Testamento: “Não entristeçam o Espírito Santo [...]” (Efésios
4.30). Todo ato de obediência deve proceder de nossa relação com o
Espírito Santo.

Não se lembravam da sua mão poderosa, do dia em que os redimiu do


opressor, do dia em que mostrou os seus prodígios no Egito, as suas
maravilhas na região de Zoa (Salmos 78.42,43).

Mas eles puseram Deus à prova e foram rebeldes contra o Altíssimo;


não obedeceram aos seus testemunhos (Salmos 78.56).

Quando deixamos de lembrar as obras de Deus, o desastre é imi-


nente. Muitos lembram histórias de intervenções de Deus quando per-
guntados. Poucos, porém, as mantêm no primeiro plano de seus pen-
samentos e de suas conversas. A negligência dessa verdade está no
cerne do colapso de poder na igreja. O registro da Liberação do Poder
de Deus na terra é uma âncora para nossa alma. Com ele no primeiro
plano de nossa mente, nossas ambições e buscas adquirem efeito
eterno.

Sem ele, somos barcos empurrados pelas ondas de ambientes es-


pirituais caóticos.

A promessa feita no início desse salmo era de que a geração se-


guinte poderia ser poupada da rebeldia se seus pais cumprissem seu
127
papel de guardar o testemunho, falando o testemunho a formando a
geração seguinte no que fazer com essa grande Herança que revela a
natureza e a Presença de Deus.

No versículo 56 do salmo 78, vemos a alternativa: “pôr Deus à


prova” ou rebeldia resulta na ausência de um ponto de vista superior
para a vida — a Natureza de Deus. Essa natureza é revelada no teste-
munho. Ignorá-lo é velejar sem bússola.

Existe um impulso poderoso quando comunidades inteiras


edificam uma cultura voltada para guardar o testemunho, assim como
as consequências terríveis que surgem quando o testemunho é esque-
cido na mesma escala.

Ao contrário, escolheu a tribo de Judá e o monte Sião, o qual amou.


Construiu o seu santuário como as alturas; como a terra o firmou para
sempre. Escolheu o seu servo Davi e o tirou do aprisco das ovelhas, do
pastoreio de ovelhas para ser o pastor de Jacó, seu povo, de Israel, sua
herança. E de coração íntegro Davi os pastoreou; com mãos experientes
os conduziu (Salmos 78.68-72).

Trata-se de um final incomum para um salmo que contém esse


aviso tão veemente sobre negligenciar as obras de Deus. Como que do
nada, Davi é trazido à cena. Pode parecer estranho a princípio, até nos
lembrarmos de que ninguém nas Escrituras adotou o valor fonnador de
cultura do testemunho como Davi. Ele era seu conselheiro, sua medi-
tação noturna, sua busca no estudo e sua herança. Os testemunhos
eram tão importantes que ele garantiu que Salomão, o filho que seria
rei, fosse educado nesse regime.

Também não é nenhum equívoco que aquele conhecido por uma


vida de adoração fosse tão extremamente dedicado a viver sob a in-
fluência das obras de Deus. Quando se vê a maravilha de Deus por

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meio de suas obras, não se pode evitar não se transformar em oferenda
viva em adoração.

O que podemos aprender com a conclusão desse salmo? Israel


teve sucesso ocasional e muito fracasso. Parece que o sucesso desse
povo dependia da integridade dos que estavam na liderança. Embora
tenha havido outros líderes justos na história de Israel além de Davi,
nenhum causou o impacto, de acordo com os Princípios de Graça en-
contrados no Novo Testamento, que ele causou.

A introdução de Davi nesse salmo nos lembra que, mais que


qualquer outro líder na História, ele representa uma cultura celestial —
o tipo pelo qual os grandes reinos são conhecidos. Seu exemplo foi a
resposta para os constantes fracassos de um povo que em todo esse
salmo perdera o senso de propósito e direção, ambos aplicados na sua
história das intervenções sobrenaturais de Deus.

A naturalidade de Davi na adoração representava sua afinidade


com as realidades do Céu que permeavam sua vida. Essa é a natureza
da vida de alguém que vive para liberar o poder deste mundo em que
vivemos.

A HISTORIA PROFETIZA
Em 17 de julho de 1859, Charles Spurgeon apresentou uma men-
sagem intitulada “A história dos atos poderosos de Deus”. Cento e cinquenta
anos atrás, ele declarou essa verdade que teve o poder de moldar a cul-
tura da igreja até que houve uma restauração plena das intervenções
históricas de Deus entre os homens. Ouça seu brado profético;

Quando as pessoas ouvem a respeito do que Deus fazia, uma das coisas
que dizem é: “Oh, isso foi há muito tempo”. [...] Eu achava que era
Deus que fez isso. Será que Deus mudou? Ele não é um Deus imutá-
vel... o mesmo ontem, hoje e sempre? Isso não provê um argumento para
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provar que o que Deus fez uma vez pode fazer outra? Não, acho que
eu posso forçar isso um pouco mais e dizer que o que Ele fez uma vez é
uma profecia do que pretende fazer outra vez [...] Tudo quanto Deus
fez [...] deve ser considerado como um precedente [...] [Vamos] buscar
com seriedade que Deus nos restaure a Fé dos homens do passado, que
possamos desfrutar ricamente de sua graça como nos dias do passado.

Em 1859, por meio desse extraordinário pregador profético, foi


dada a oportunidade de se iniciar uma recuperação plena de tudo que
se perdera. A história nos conta que a igreja fez pouco com essa ver-
dade, a não ser talvez aplaudir outro grande sermão. Hoje, estamos di-
ante de uma oportunidade semelhante.

Numa corrida verdadeira, há quatro corredores. Os três primeiros


não deixam a pista para pegar o chuveiro antes que o último termine a
corrida, porque eles todos recebem um prêmio de acordo com a ma-
neira que o último termina a corrida. Nesse momento, a nuvem de teste-
munhas está esperando para ver o que vamos fazer com aquilo que re-
cebemos (v. Hebreus 12.1). Não vamos perder nossa oportunidade de
ver uma restauração plena das obras de Deus com a humanidade até
que Jesus seja representado com precisão e sua Glória encha a terra. Isso
deve acontecer pela obediência de uma geração que capte o impulso da
História guardando o testemunho, pelo qual vão liberar plenamente o poder de
Jesus.” 2

2 <http://www.spurgeon.org/sermons/0263.htm>
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