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SUMÁRIO

Dedicatória
Prefácio
Capítulo 1
A Dimensão Mais Profunda
Capítulo 2
A Dupla Dinâmica
Capítulo 3
Um Relacionamento Íntimo e Pessoal Com o
Espírito Santo
Capítulo 4
O Segredo da Força Duradoura
Capítulo 5
Jesus Fez Uma Promessa
Capítulo 6
O Espírito Santo, Nosso Consolador
Capítulo 7
O Treinador Celestial
Capítulo 8
Guiado Pelo Espírito Santo
Capítulo 9
Aventuras Diárias Com O Espírito Santo
Capítulo 10
O Espírito Santo Nos Consola e Habita Dentro
de Nós
Capítulo 11
O Espírito Santo Ensina, Lembra e Testifica
Capítulo 12
O Espírito Santo Convence e Traz Convicção
Capítulo 13
O Espírito Santo Guia, Revela e Nos Ajuda a
Adorar
Capítulo 14
O Ciúme do Espírito Santo
Capítulo 15
O Espírito Santo Pode se Entristecer
Capítulo 16
Um Inquilino Permanente
Capítulo 17
O Amante Divino
Capítulo 18
O Desejo do Espírito Santo
Oração Para ser Cheio Com o Espírito Santo
Lista de Livros de Referência
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por Rhema Brasil Publicações.

Direção: Samir Ferreira de Souza Supervisão:


Ministério Verbo da Vida Tradução: Maria Lucia
Godde Cortez Revisão e copidesque: Idiomas &
Cia Prova de revisão: Idiomas & Cia Capa: Filipi
Rodrigues Diagramação: DIAG Editorial Publicado
no Brasil por Rhema Brasil Publicações com a
devida autorização de Harrison House Tulsa, OK
74133
Esta é uma tradução da 1a edição do título original e
a primeira edição em língua portuguesa Título
original: The Holy Spirit and You: Working Together
as Heaven’s Dynamic Duo (anteriormente The
Dynamic Duo) Copyright © 2017 por Rick Renner

Copyright © 2018 Rhema Brasil Publicações


Todos os direitos reservados

As citações bíblicas, exceto quando indicado em


contrário, foram extraídas da Bíblia Sagrada,
Almeida Edição Revista e Atualizada, © 1993,
Sociedade Bíblica do Brasil. Outras versões
utilizadas: Almeida Corrigida Fiel (ACF).
Proibida a reprodução, de quaisquer formas ou
meios, eletrônicos ou mecânicos, sem a permissão
da editora, salvo em breve citações, com indicação
da fonte.

1a Edição
DEDICATÓRIA
Dedico este livro com carinho a todos aqueles
que o Senhor usou para me conduzir a um
entendimento mais pleno do Espírito Santo.
PREFÁCIO
O livro que você tem em mãos traz a chave para
os mistérios de Deus, o poder de Deus, a revelação
da Palavra e a comunhão do Espírito Santo. O
poder que transformará você não está nas palavras
que escrevi neste livro, mas sim Naquele sobre
quem escrevi. Este livro é sobre o Espírito Santo e o
Seu relacionamento com você.
A maioria dos cristãos vive e morre sem conhecer
a comunhão e o companheirismo do Espírito Santo.
Eles ouviram falar sobre o Espírito Santo e podem
até conhecer respostas doutrinárias sobre a Terceira
Pessoa da Divindade. Mas saber sobre o Espírito
Santo e conhecê-lo pessoalmente na comunhão
diária são duas coisas muito diferentes.
Na Igreja Primitiva, não havia um Novo
Testamento ao qual os cristãos pudessem recorrer
em busca de direção, orientação e respostas.
Quando os cristãos se reuniam, podia haver
ensinamento ou leituras do Antigo Testamento ou de
uma epístola apostólica. Mas, em sua maior parte,
os primeiros crentes dependiam completamente do
Espírito Santo. No primeiro século, a Igreja
vivenciou demonstrações do poder de Deus, dos
milagres, das curas, do evangelismo em massa, da
ampla operação dos dons dos cinco ministérios e dos
dons do Espírito com uma abundância
impressionante.
Todos nós olhamos para trás, para a Igreja
Primitiva, com admiração, ansiando ver o poder de
Deus se manifestar naquele mesmo nível — e além
daquele nível — na nossa geração.
Hoje, somos privilegiados por termos
continuamente à disposição não apenas a presença
do Espírito Santo habitando em nós, bem como a
Palavra de Deus — uma combinação invencível no
arsenal que a Bíblia chama de “as armas da nossa
milícia” (ver 2 Coríntios 10:4-5). Então, por que
não vemos o mesmo nível de poder de Deus de
ressurreição e de glória que a Igreja Primitiva
experimentou manifestos de forma consistente na
nossa época?
Embora possa haver muitas respostas a essa
pergunta, ao menos uma é certa: muitos cristãos
hoje passaram a depender do próprio entendimento
e das suas capacidades intelectuais deixando de
consultar o Espírito Santo para ter a Sua direção na
vida. Eles presumem que já sabem o que Ele quer
que eles façam. E por não dependerem da liderança
do Espírito Santo e não se renderem a ela como a
Igreja Primitiva fazia, eles perdem uma
oportunidade atrás da outra de ver Seu poder ser
liberado em suas vidas.
Não existe substituto para a Palavra de Deus —
para o verdadeiro poder do Evangelho (ver
Romanos 1:16). Mas também não existe substituto
para a obra sobrenatural do Espírito Santo na Igreja.
Na verdade, esses dois andam juntos como um só.
Se a presença e o poder do Espírito forem
removidos, tudo o que resta são ortodoxia e obras
religiosas. Mas a religião nunca ressuscitará os
mortos, nunca expulsará demônios, nunca curará os
enfermos, nem fará cidades e nações se voltarem
para Jesus Cristo!
Na minha vida e no meu ministério continuo a
aprender mais claramente todos os dias o quanto é
imperativo manter a intimidade e a comunicação
com o Espírito Santo a cada momento, por mais
conhecimento que eu tenha da Palavra de Deus. Se
eu não tivesse cultivado um relacionamento
profundo e sólido com o Espírito Santo durante os
primeiros anos de ministério viajando pelos Estados
Unidos, eu teria sido extremamente cético e poderia
ter desobedecido quando Ele me chamou para me
mudar com a minha família para a antiga União
Soviética.
Sem a ajuda, a orientação e o consolo do Espírito
Santo, Denise e eu não temos dúvidas de que
seríamos vítimas das crises da nossa jornada durante
aqueles primeiros anos na Letônia e nas viagens pela
União Soviética, atual Rússia. Além do mais,
observamos perplexos Seu poder se movendo
através do nosso ministério para impactar
eternamente a vida de milhões de pessoas —
salvando-as, curando-as, realizando milagres e
libertando-as do cativeiro de Satanás.
O Espírito Santo se manifestou de maneiras que
apenas havíamos sonhado antes da nossa aventura
na antiga União Soviética começar. Por exemplo,
desde que chegamos aqui, em 1991, Ele nos
permitiu alcançar milhões de almas através de um
programa de televisão semanal; fundar três igrejas
na Letônia, na Rússia e na Ucrânia; lançar uma
escola bíblica para treinar líderes para uma multidão
de igrejas; e fazer cruzadas e reuniões nas várias
regiões para edificar e fortalecer as obras locais.
A chave para mim foi aprender a trabalhar com a
Palavra de Deus enquanto fluía simultaneamente
com o Espírito Santo. Esse é um processo de
aprendizado que cada um de nós precisa buscar a
fim de crescer em Deus e cumprir Seu propósito
para nossa vida. E podemos confiar no Espírito
Santo nesse processo. Ele nunca nos direciona
contrariamente à Palavra de Deus; em vez disso, Ele
a confirma e apoia. Afinal, Ele é Aquele que
inspirou a Palavra a ser escrita (ver 2 Timóteo 3:16)!
Com a Bíblia em nossas mãos e em nosso coração
— e com os ouvidos espirituais abertos para ouvir o
que o Espírito Santo está dizendo — estamos
equipados com o que precisamos para nunca
fracassar. Nenhum povo e nenhuma geração foram
tão abençoados quanto os que vivem nesta gloriosa
Era da Igreja!
Estou feliz por você ter este livro em suas mãos
hoje. Creio que lê-lo dará início a uma maravilhosa
nova aventura e jornada espiritual para você.
O cumprimento dos desejos concebidos por Deus
com os quais você tem sonhado e que o seu coração
tem ansiado está diante de você, escondido nas
chaves que estão dentro destas páginas. Leia este
livro com o coração aberto, e peça ao Pai Celestial
para revelar a você o ministério do Espírito Santo. À
medida que você agir com base no que aprendeu e
se render à Sua obra transformadora, você se
colocará diretamente no caminho que leva à
realização dos seus sonhos!
— Rick Renner
CAPÍTULO 1
A DIMENSÃO MAIS PROFUNDA

Q uando eu era adolescente, meu coração


começou a buscar uma caminhada mais
profunda com Cristo. Fui criado em uma igreja
denominacional e havia sido salvo ainda muito
pequeno. Viver a vida cristã não era novo para mim
ou para minha família. E cada vez mais, eu
começava a pensar: Certamente deve haver mais na
vida cristã do que estou experimentando! Era como
se houvesse um buraco no meu estômago e eu
ansiava preenchê-lo com Deus. Eu procurava aqui e
ali, em busca de alguém que pudesse me ajudar a
encontrar esse lugar mais profundo em Deus pelo
qual meu coração ansiava.
Um momento fundamental nessa jornada ocorreu
em 1973, quando ouvi um pregador, na mensagem
gravada que minha tia estava ouvindo, falando sobre
o ministério do Espírito Santo. Eu já havia
começado a buscar antes daquele dia, mas nos dias e
semanas que se seguiram, comecei a fazer mais
perguntas sobre ser cheio com o Espírito Santo. Eu
estava ficando cada vez mais faminto.
Então, em janeiro de 1974, quando fui batizado no
Espírito Santo, fui apresentado ao poder de Deus de
uma forma maravilhosa; uma experiência
verdadeiramente gloriosa. Mas mesmo depois
daquele momento marcante, eu soube no meu
coração que existia algo mais do que o que eu já
havia descoberto sobre o Espírito Santo e uma
dimensão mais profunda na minha caminhada com
Deus.
Meses depois, nessa busca por mais de Deus,
enquanto eu percorria as estações de rádio encontrei
um programa inusitado que cativou minha atenção.
Ouvi uma mulher chamada Kathryn Kuhlman
falando sobre milagres e sobre um relacionamento
com o Espírito Santo. Ela prendeu minha atenção.
Eu havia ouvido falar de Kathryn anteriormente
durante essa busca contínua. Mas naquele dia,
sentado na cozinha perto do rádio, meus ouvidos
estavam sintonizados com cada palavra enquanto ela
descrevia um relacionamento íntimo e sempre
crescente com o Espírito Santo. Meu coração batia
tão forte que quase saiu do meu peito! Fiquei muito
empolgado ao ouvir alguém falar sobre aquele lugar
mais profundo em Deus pelo qual eu ansiava tão
desesperadamente.
Nas semanas seguintes, eu sintonizava no
programa de rádio de Kathryn Kuhlman todos os
dias. Ela falava tão naturalmente sobre o Espírito
Santo e seu relacionamento com Ele! Kathryn falava
dele como se fosse uma Pessoa real — um Amigo
íntimo com quem ela compartilhava suas manhãs,
suas tardes e suas noites. Ela testificava sobre
milagres que ocorriam nos cultos que dirigia pelos
Estados Unidos. Toda sexta-feira, resumos reais
desses cultos de milagres eram transmitidos no seu
programa de rádio.

FOME ESPIRITUAL E ENCONTROS COM


DEUS
Todos os que estão destinados a crescer em Deus
acabam chegando a um lugar de insatisfação na vida
espiritual. Esse é o ponto onde um novo nível de
intimidade com Deus pode começar. Como Jesus
disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de
justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). Essas
pessoas são bem-aventuradas porque sua fome e sua
sede espiritual as levam a trilhar um caminho que
leva a um novo encontro com Deus — e à medida
que elas se rendem a esse encontro, Ele as enche.
Entretanto, o período de fome e sede espiritual que
precede esse enchimento pode ser um dos períodos
mais desconfortáveis e insatisfatórios que uma
pessoa pode experimentar. Surpreendentemente, é
esse estado de miséria espiritual que leva uma pessoa
a uma posição na qual Deus pode se revelar a ela de
uma maneira mais significativa, pessoal e poderosa.
Doutrinária e intelectualmente, entendo muito
sobre a obra do Espírito Santo neste momento da
minha vida. Na nossa igreja, aprendemos a verdade
sobre o trabalho dele para produzir o caráter de
Deus e o fruto do Espírito em nós, nos
conformando à imagem de Jesus Cristo. Esse
ensinamento foi excelente, mas ele foi ensinado e
recebido principalmente na esfera da mente. Ele
nunca me colocou em contato com o poder do
Espírito Santo de uma maneira real.
Enquanto eu ouvia o programa de rádio de
Kathryn Kuhlman soube que essa mulher tinha um
relacionamento com o Espírito Santo que eu jamais
havia experimentado. Fiquei completamente
hipnotizado com o que estava ouvindo da srta.
Kuhlman. Eu nunca havia ouvido ninguém falar
com o Espírito Santo como ela falava. Eu falava
com Jesus e com o Pai Celestial regularmente, tendo
comunhão com Eles de todo o coração. Mas agora
um novo pensamento atingiu meu coração com a
força de um raio: Eu devia me relacionar com a
Terceira Pessoa da Trindade da mesma maneira
que essa mulher de Deus se relacionava?
Meu coração foi capturado pelo que eu estava
ouvindo sobre realmente ter a experiência de um
relacionamento com o Espírito Santo. Eu queria
experimentar a intimidade com Ele que Kathryn
Kuhlman obviamente conhecia e vivia.
O DESEJO MAIS PROFUNDO DO CORAÇÃO
HUMANO
A maioria dos crentes anseia por conhecer um
lugar mais profundo em Deus. Há multidões de
cristãos que realmente amam a Deus, mas não têm
alegria porque não experimentaram esse lugar mais
profundo nele. Esforçando-se por agradar a Deus e
por fazer o que é certo, eles vão à igreja semana
após semana se perguntando por que se sentem tão
impotentes e tão vazios como cristãos. Mas eles
mantêm o ritmo fielmente, esperando que de algum
modo, algum dia, tudo comece a dar certo para eles.
Enquanto isso, esses cristãos se sentem culpados
pela maneira como se sentem e não ousam
compartilhar isso com ninguém. Eles guardam suas
frustrações para si mesmos e se agarram à esperança
de que talvez, um dia, tudo comece a fazer sentido.
Se já está nesse estado, você sabe que não há nada
que nos faça sentir mais infelizes e derrotados que
ser um cristão que está tentando sinceramente viver
uma vida cristã sem realmente conhecer a alegria e o
poder do Espírito Santo. Por isso que escrevi este
livro. Não pretendo que seja uma obra profunda e
erudita. Em vez disso, é um livro destinado a
conduzir pessoas espiritualmente famintas como
você a um novo lugar em Deus, a um lugar secreto
que Ele tem esperado que você encontre há muito,
muito tempo. Esse é o mesmo lugar nele que os
primeiros cristãos descobriram — e essa foi a razão
pela qual eles puderam experimentar uma profunda
alegria, mesmo em meio às horas terrivelmente
escuras da perseguição.
Mas agora Deus está nos chamando à frente para
desenvolver um relacionamento prático de atuação
com o Espírito Santo. Eventualmente chegamos a
esse momento de decisão — um momento em que o
coração não está mais satisfeito e busca por mais. É
então que o Espírito de Deus nos chama para nos
aproximarmos, para entrarmos em um lugar mais
profundo de intimidade com Ele.
Nos capítulos que estão por vir, você verá que
durante os dias que Jesus viveu como homem na
terra, Ele vivia em comunhão constante com o
Espírito Santo. Jesus conhecia a intimidade, a
parceria e a responsabilidade do Espírito Santo não
meramente como doutrina teórica, mas como
realidades constantes e diárias. O relacionamento
dele com o Espírito Santo era Sua fonte de poder,
Seu veículo de revelação divina e Sua força para
lidar com as multidões de pessoas que o procuravam
para serem ministradas por Ele.
Se o clamor do seu coração é andar como Jesus
andou e conhecer o poder do Espírito Santo como
os discípulos conheciam no livro de Atos, você
escolheu o livro certo. Agora continue lendo e veja
como você também pode passar a conhecer
pessoalmente a intimidade, a parceria e a
responsabilidade do Espírito Santo.
Uma dimensão totalmente nova em Deus espera
por você!
PENSE NISTO
Que voz na terra é mais familiar a você? Como
você descreveria a jornada que levou essa voz
humana a se tornar tão familiar? O Espírito Santo
quer que você passe a conhecer a voz Dele melhor
do que você conhece qualquer voz humana. E Ele
sempre tem um novo nível ou uma nova dimensão
espiritual para a qual Ele o está chamando à medida
que você cresce na sua caminhada com Deus. Para
o coração faminto nunca há um lugar nele que seja
“longe o bastante”.
À medida que você reflete sobre o padrão único
dos caminhos do Espírito Santo na sua vida, você
pode identificar o que o ajuda a continuar
prosseguindo mais fundo e para mais adiante no seu
relacionamento com Ele? Onde você está atualmente
na sua jornada com o Espírito Santo? Quais são
algumas das distrações que podem tirar você da rota
nessa busca se você não tomar cuidado ao lidar com
elas corretamente?
CAPÍTULO 2
A DUPLA DINÂMICA

J amais esquecerei o dia em que eu estava


sintonizando o rádio esperando encontrar alguém
que pudesse responder às minhas perguntas. De
repente, ouvi um lindo som de piano. A música me
atraiu e parei para ouvir.
O anunciante disse: “E aqui está ela, aquela que
vocês estão esperando — Kathryn Kuhlman!”.
Então ouvi as primeiras palavras de Kathryn: “Olá!
Vocês estavam esperando por mim?”. Embora essa
fosse sua maneira usual de se dirigir aos ouvintes
todos os dias, parecia que aquela mulher estava
falando comigo pessoalmente.
Ela continuou: “Hoje quero falar com vocês sobre
a comunhão do Espírito Santo”.
Enquanto eu ficava ali sentado ouvindo o ensino
de Kathryn, percebi que finalmente havia
encontrado a pessoa que eu estava procurando para
me ajudar em uma caminhada mais profunda com o
Espírito de Deus.
Fiquei cativado com o ensino dessa mulher e com
a maneira como ela falava sobre o Espírito Santo. E
quando ela anunciou que estaria dirigindo um culto
de milagres em Tulsa, eu soube que tinha de estar lá.
Uma nova esperança agitou-se em meu coração.

“POR FAVOR, NÃO PERMITA QUE ELES SE


DECEPCIONEM”
A reunião seria realizada no auditório Mabee
Center, no campus da Universidade Oral Roberts
(UOR). Naquele domingo eu pedi licença para sair
um pouco mais cedo da escola dominical da nossa
igreja e atravessei a cidade de Tulsa de carro até a
UOR para me preparar para o culto de milagres
daquela noite.
Quando cheguei, não pude acreditar no que meus
olhos viam! As pessoas estavam de pé ao redor do
enorme Mabee Center. As ruas e os estacionamentos
estavam lotados de ônibus e carros cheios de
pessoas que haviam dirigido centenas e até milhares
de quilômetros para chegar àquele culto.
Eu nunca havia visto nada igual. Fiquei grato por
minha tia ter me convencido a cantar no coral de
Kathryn Kuhlman, porque os membros do coro
eram levados diretamente para o auditório através de
uma entrada nos fundos para podermos começar a
ensaiar para o culto. Quando entrei, eu me
perguntei: Por que todas essas pessoas vieram de
tão longe para ouvir esta mulher pregar? Não
demoraria muito para que eu entendesse a razão.
A metade final do andar térreo do auditório havia
sido dividida para as pessoas com doenças graves e
doentes terminais. Uma enorme multidão estava de
pé do lado de fora, mas os introdutores estavam
permitindo que os que estavam debilitados
entrassem nessa área especial para que não tivessem
de lutar para serem vistos em meio a tantas pessoas.
De onde estava sentado eu podia ver cadeiras de
rodas, balões de oxigênio, soros intravenosos,
muletas, pessoas deitadas em macas, assim como
médicos e enfermeiras sentados atendendo aos que
estavam enfermos. Parecia que uma ala de hospital
inteira havia sido esvaziada e levada ao culto!
Alguns dos que estavam gravemente enfermos
foram transportados pelos membros da família.
Outros estavam tão perto da morte que haviam sido
levados à reunião de ambulância.
Uma hora antes de o culto começar, as portas
principais do auditório foram abertas. A multidão
entrou tão depressa quanto seus pés conseguiam
levá-la. Parecia que um mar de pessoas havia sido
liberado de uma só vez! Elas procuravam aqui e ali,
cada uma tentando conseguir um bom lugar, o mais
próximo possível da frente do palco.
Logo o auditório estava cheio, de modo que as
pessoas que permaneceram do lado de fora foram
encaminhadas para uma sala anexa onde podiam
assistir ao culto pela transmissão de tevê que estava
sendo feita. Um ar de empolgação e fé inundava o
auditório.
Eu não podia evitar olhar para a seção reservada às
cadeiras de rodas e macas. As pessoas ali estavam
muito enfermas. Eu sabia que muitas delas haviam
ido à reunião devido ao desespero. Aquela era a
última esperança delas. Eu me vi orando
silenciosamente: “Oh, Senhor, por favor, não
permita que eles se decepcionem hoje”.
Os introdutores andavam para cima e para baixo
nos corredores oferecendo pequenos livretos que
continham testemunhos daqueles que haviam
recebido milagres confirmados medicamente em
outros cultos de milagres com Kathryn Kuhlman.
Estendi a mão e escolhi três dos livretos e os li
enquanto esperava que o diretor do coro subisse ao
palco.
Que testemunhos impressionantes! Quando
terminei de ler o terceiro livreto, pude sentir minha
fé aumentando a um ponto que eu nunca havia
sentido antes.

MILAGRES REALMENTE ACONTECEM!


Momentos antes de o culto começar, um porta-voz
da cruzada foi até o microfone e anunciou que já
haviam ocorrido milagres mesmo enquanto as
pessoas estavam sentadas ali, esperando que o culto
começasse. Mais uma vez pude sentir minha fé e a
fé coletiva daquela enorme congregação crescer
ainda mais. A expectativa naquele lugar era tão forte
que parecia poder tirar o prédio do chão!
Então o diretor do coro apareceu diante de nós
pedindo que ficássemos de pé para cantar. A enorme
multidão de pessoas levantou-se conosco enquanto
cantávamos e adorávamos o Senhor. Milhares de
vozes — batistas do sul, metodistas, católicos,
episcopais, presbiterianos, luteranos, ortodoxos
gregos, pentecostais e carismáticos — todos estavam
se unindo em louvor e adoração.
Todos começaram a cantar o hino “Quão Grande
És Tu”. Enquanto cantávamos, Kathryn Kuhlman
apareceu na plataforma para se juntar a nós. Era a
primeira vez que eu a via. Em um longo vestido
branco, ela se movia graciosamente de um lado para
o outro no palco. Em sua voz profunda de contralto,
cantava: “Então minha alma canta a Ti Senhor; quão
grande és Tu, quão grande és Tu!”.1
Quando a música e os instrumentos pararam, a
senhorita Kuhlman deu as boas-vindas às pessoas e
depois nos conduziu enquanto cantávamos:
“Aleluia”. Lembro-me de pensar: O céu deve ser
assim.
Depois de mais algumas músicas, Kathryn
Kuhlman aproximou-se do púlpito e disse: “Vou lhes
falar apenas por alguns minutos hoje”.
Uma hora depois Kathryn ainda estava falando, e
a multidão estava tão concentrada no que ela estava
dizendo que ninguém percebeu quanto tempo havia
se passado. Era como se todos tivéssemos sido
convidados a observar publicamente o
relacionamento particular, dinâmico e íntimo entre
essa mulher e o Espírito de Deus.
Ali estava um ser humano em comunhão íntima
com o Espírito Santo bem diante de nós. Embora eu
tivesse crescido na igreja a vida inteira e tivesse sido
salvo quando criança, eu nunca havia visto,
experimentado ou mesmo ouvido sobre o que estava
testemunhando naquele dia.
A mensagem foi boa, mas vê-la se relacionar com
o Espírito Santo foi mais impactante que qualquer
mensagem que jamais pudesse ser pregada. Foi a
coisa mais comovente que eu já havia visto em toda
a minha vida. Era tão maravilhoso que não havia
palavras para descrever.
Interrompendo a própria pregação, Kathryn
atravessou o palco, apontou o dedo para uma sessão
de assentos na parte de cima do auditório e disse:
“Alguém lá em cima acaba de receber um milagre.
Levante-se e reivindique seu milagre!”.
Um redemoinho de poder passou pelo auditório, e
milagres de cura começaram a acontecer naquele
recinto. Logo as pessoas estavam fazendo fila
próximo ao palco para testemunhar sobre o que
havia acontecido em seu corpo. Cadeiras de rodas
eram esvaziadas; pessoas paralíticas se levantavam
das macas e andavam; olhos cegos eram abertos;
ouvidos surdos ouviam; e os mudos agora estavam
falando.
Durante cerca de três horas, observei perplexo
enquanto o poder sobrenatural de Deus continuava
em plena demonstração. Tudo o que eu já havia
sonhado, tudo em que eu havia desejado crer, estava
acontecendo bem diante dos meus olhos.
VENDO UM RELACIONAMENTO VIVO
Minhas perguntas sobre o poder de Deus na
operação de milagres se dissolveram completamente
enquanto eu observava aquelas cadeiras de rodas
sendo esvaziadas e as pessoas que haviam sido
levadas em macas andando e até correndo de uma
extremidade do palco à outra. Logo, toda a parte da
frente do auditório e os corredores do andar térreo
estavam lotados de pessoas que haviam ido à frente
para entregar sua vida a Cristo.
Que reunião poderosa foi aquela! Não apenas vi
múltiplos milagres no corpo humano, como também
vi milagres de salvação do espírito humano! Todo o
ensinamento batista que tive sobre milagres não
ocorrerem mais havia desaparecido até o final
daquele culto. E ninguém podia acusar Kathryn
Kuhlman de receber a glória para si mesma.
Ninguém recebeu a glória naquele dia a não ser
Jesus Cristo.
Mas o que abalou meu coração mais do que
qualquer coisa, ainda mais que as curas e os
milagres, foi o relacionamento vibrante e íntimo
entre o Espírito Santo e um ser humano que
testemunhei durante aquelas três horas. Era algo que
eu havia apenas sonhado ser possível. Como era
notável ver Kathryn fluir nos dons do Espírito e
responder à direção graciosa e suave do Espírito
Santo. Sem dúvida Deus havia me levado àquele
lugar para ver o tipo de relacionamento que Ele
queria que eu tivesse com o Espírito Santo.
Quando o culto terminou, olhei para o relógio e
fiquei chocado ao ver como era tarde. Quando
estava dirigindo para casa depois da reunião naquela
noite, uma coisa havia se tornado muito clara para
mim: Aquela mulher conhecia um lugar em Deus
que eu não conhecia. Não foi sua mensagem ou seu
estilo que produziu aquele poder. Aquele poder era
um resultado — um transbordamento, um
derramamento — do seu relacionamento diário com
o Espírito Santo.
Comecei a entender: Se é possível para Kathryn
Kuhlman conhecer o Espírito Santo desse modo,
deve ser possível para mim também, já que Deus
declarou que Ele não faz acepção de pessoas (ver
Atos 10:34). Naquela tarde, minha perspectiva
acerca das coisas espirituais mudou e entrou em um
foco mais claro.
Daquele momento em diante, a paixão do meu
coração era que o Espírito Santo e eu nos
tornássemos amigos íntimos, cheios de afeição. Meu
coração e minha alma ansiavam por descobrir o
lugar secreto em Deus que eu havia testemunhado
naquele domingo à tarde no campus da
Universidade Oral Roberts. Eu queria conhecer a
comunhão do Espírito Santo na vida real.
PENSE NISTO
A demonstração inegável do poder de Deus de
operar milagres destrói as dúvidas e os
questionamentos. Mas há uma lei espiritual que
precisa ser ativada para que esse poder seja liberado
no seu pleno potencial — e essa lei é uma
comunhão pessoal cada vez mais profunda com o
Espírito Santo.
E quanto a você? Você tem o desejo de se
aproximar mais do Espírito Santo em íntima
comunhão? Os milagres por si só poderiam
eventualmente deixar uma pessoa se sentindo oca e
vazia. Mas a comunhão com o Espírito Santo
produz uma realização profunda que permanece.
Considere os passos específicos que você pode dar,
a partir de hoje, para cultivar essa caminhada mais
profunda com o Espírito.
1 Hino original “How Great Thou Art”, de Stuart K. Copyright ©
1953. Renovado em 1981 por Manna Music Inc., 35255 Brooten
Rd., Pacific City, OR97135. Direitos autorais internacionais
garantidos. Todos os direitos reservados. Uso mediante permissão.
CAPÍTULO 3
UM RELACIONAMENTO ÍNTIMO E
PESSOAL COM O ESPÍRITO SANTO

Q uando se referia ao Espírito Santo, Jesus


sempre usava um pronome pessoal. Ele
chamava o Espírito Santo de “Ele”. Jesus nunca se
referia ao Espírito Santo como “isso” ou “isto” ou
como “um sentimento” (ver João 14-16). Por
exemplo, em João 14:26, Jesus disse: “Mas o
Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, Ele lhes ensinará todas as coisas”.
Jesus se referia ao Espírito Santo com um
pronome pessoal porque Ele se relacionava com o
Espírito Santo como uma Pessoa real, e não como
uma entidade invisível, intangível, misteriosa e
desconhecida.
Por que isso é tão importante? Porque isso nos diz
que como a Terceira Pessoa da Divindade, o
Espírito Santo possui os atributos de personalidade,
assim como o Pai e o Filho.
Fomos criados à imagem de Deus e, portanto,
compartilhamos desses atributos. Isso significa que
somos capazes de nos relacionar com a
personalidade do Espírito Santo. Se ele fosse uma
“coisa”, seria difícil desenvolver um relacionamento
com Ele. Mas o Espírito Santo veio para habitar
dentro de nós, e Ele compartilha das mesmas
características de personalidade com as quais já
estamos familiarizados. Ele está trabalhando em nós
para nos ajudar a entendê-lo, a conhecê-lo e a nos
relacionarmos e a cooperarmos com Ele,
desfrutando de comunhão com Ele.
Que tipos de características de personalidade o
Espírito Santo tem? Ele tem todas as características
que nós temos, mas sem a natureza pecaminosa. O
Espírito Santo sente e dá alegria (ver Atos 8:8;
Gálatas 5:22), amor (ver Romanos 5:5; Gálatas
5:22) e Ele sente tristeza (ver Efésios 4:30). E em
João 14 a 16, lemos sobre uma série de coisas que
Ele faz que qualquer pessoa poderia fazer, como
ajudar, encorajar, consolar, treinar, etc. Você verá
mais dessas coisas nos últimos capítulos deste livro.
Ninguém que nasceu nesta terra conhecia o
Espírito Santo melhor que Jesus. Afinal, Jesus:
• Estava com o Espírito Santo na criação do
universo.
• Foi concebido pelo Espírito Santo no ventre da
virgem Maria.
• Foi batizado pelo Espírito Santo no rio Jordão.
• Foi revestido de poder para ministrar pelo
Espírito Santo.
• Foi crucificado no poder do Espírito Santo.
• Foi ressuscitado dos mortos pelo poder do
Espírito Santo.

Quando Jesus ressuscitou dos mortos e subiu ao


céu, a primeira coisa que Ele fez foi derramar o
Espírito Santo sobre a Igreja. Jesus conhecia o
Espírito Santo por dentro e por fora, e se
relacionava com o Espírito Santo de uma maneira
pessoal. É imperativo que aprendamos a fazer o
mesmo.
É crucial para nós entendermos que o Espírito
Santo tem os atributos de uma personalidade. Esses
atributos são a base para todos os aspectos da
comunhão e do relacionamento que podemos
desfrutar com Ele.
A liderança da Igreja Primitiva estava muito
familiarizada com a personalidade do Espírito Santo.
Quando eles precisaram tomar uma decisão crucial
com relação aos convertidos gentios, eles disseram:
“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos
impor maior encargo além destas coisas essenciais”
(Atos 15:28).
Os primeiros cristãos conheciam o Espírito Santo
tão bem que ainda que eles não recebessem uma
palavra específica dele, eles eram capazes de tomar
decisões acertadas porque sabiam pessoalmente o
que “parecia bem” a Ele porque eles tinham mais do
que um conhecimento intelectual sobre Ele. Aqueles
cristãos compartilhavam uma comunhão real com o
Espírito Santo.
Quando conhece bem certas pessoas na sua vida
— cônjuge, filhos, amigos íntimos —você nem
sempre tem de perguntar a eles o que eles pensam.
Algumas vezes você já sabe! Você pode saber o que
pensam simplesmente olhando para eles. Você
andou com eles por tempo suficiente para conhecer
sua personalidade e suas reações a diferentes
situações.
Se eu fico irritado, minha mulher sabe disso sem
que eu diga a ela, porque ela me conhece. Se eu fico
empolgado com alguma coisa, não preciso dizer a
Denise porque ela me conhece bem o suficiente para
saber quando estou empolgado. Ela me conhece
porque passou tempo comigo, viveu comigo, falou
comigo, orou comigo. Denise me conhece melhor
do que ninguém. Do mesmo modo, ninguém
conhece Denise como eu.
Reconhecemos facilmente os relacionamentos
humanos porque podemos ver as pessoas que fazem
parte de nossa vida com nossos olhos e tocá-las com
nossas mãos. Naturalmente, esses relacionamentos
parecem mais palpáveis para nós que o nosso
relacionamento com o Espírito Santo porque Ele é
invisível aos nossos olhos naturais e é impossível de
ser tocado com as mãos.
Não obstante, o convite do Espírito Santo de nos
tornarmos intimamente familiarizados com Sua
personalidade nos garante que essa é uma
possibilidade muito real. Mas cabe a nós aceitar esse
convite divino — assim como os primeiros cristãos
fizeram— e então começar a buscar de todo o
coração um novo nível de comunhão com o Espírito
de Deus. Precisamos fazer com que nossa maior
prioridade seja conhecer o Espírito Santo da mesma
maneira profunda que Jesus conhecia.

DESENVOLVENDO O ROMANCE DIVINO


Para conhecer mais intimamente o Espírito Santo,
não podemos ignorar o que Jesus disse em Mateus
6:6: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto
e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te
recompensará”.
O que Jesus quis dizer com “entra no teu quarto”?
A palavra “quarto” foi extraída da palavra grega
tameion, uma antiga palavra que era usada
primeiramente para descrever um lugar secreto
onde uma pessoa esconderia seus bens mais
valiosos. O que você faria com um quarto assim?
Você o manteria a portas fechadas. Você não
deixaria um quarto como esse aberto para qualquer
um entrar e perambular em meio aos seus bens mais
preciosos.
Com o tempo, a palavra tameion passou a
significar um lugar seguro para se colocar dinheiro
ou tesouro. Em nosso contexto moderno, essa
palavra poderia descrever algo como um depósito
feito em um banco.
Na época do Novo Testamento, porém, a palavra
guardava um significado ainda mais profundo. Ela
era usada para descrever um quarto de dormir. O
quarto de dormir é um lugar privado onde acontece
a intimidade do relacionamento precioso entre
marido e mulher. Por trás das portas fechadas, seus
momentos mais íntimos são compartilhados somente
um com o outro.
Você poderia realmente traduzir esse versículo
deste modo: “Quando orares, entra no teu quarto
de dormir”.
Jesus usou a palavra tameion para transmitir a
ideia de intimidade com o Espírito Santo.
Simbolicamente, Jesus estava dizendo: “Assim
como o marido e a esposa entram no seu quarto de
dormir e fecham a porta para poderem desnudar
seus corações e suas almas um com o outro em
intimidade, você também deve ter um
relacionamento com o Espírito Santo que é tão
terno, tão especial e tão íntimo que seja
compartilhado somente entre você e Ele — e
ninguém mais.”
Isso, é claro, não significa literalmente que você
precisa orar no seu quarto. O conceito de quarto é
usado apenas para transmitir a ideia de um lugar
separado, isolado e solitário. Jesus estava
descrevendo a atitude e o ambiente adequados para
a oração.
Quando entramos em oração, isso deve ser feito
em um lugar e em um momento no qual não
sejamos interrompidos para que o Espírito Santo
possa falar aos nossos corações e possamos
desnudar nosso coração para Ele. Deve ser uma
fusão do espírito humano com o Espírito divino em
doce comunhão.
Nossa prioridade máxima diária deve ser garantir
que separemos tempo na nossa agenda para
desfrutar uma íntima comunhão com a Divindade
através do Espírito Santo. Não importa onde
façamos isso, mas deve ser em particular. Durante
esse tempo especial todos os dias, devemos deixar
tudo o mais de lado e nos concentrarmos somente
nele. Esse é um momento sagrado.
Os evangelhos relatam que Jesus costumava orar
cedo pela manhã quando os outros discípulos
estavam dormindo, muitas vezes no alto de uma
montanha ou no deserto (ver Mateus 14:23; Lucas
6:12). Não havia nada de santo na hora do dia ou
nesses locais em particular. Mas naquelas primeiras
horas da manhã, Jesus encontrava o isolamento e a
tranquilidade com Deus, e em uma montanha ou no
deserto Ele podia orar sem interferência ou
interrupção por parte de outros.
Seu lugar secreto pode ser no seu carro quando
você está dirigindo para o trabalho sozinho todas as
manhãs. Pode ser cedo pela manhã quando todos os
outros na casa ainda estão dormindo. Talvez seja
tarde da noite, depois que os outros foram dormir. O
ponto é que você precisa ter um lugar e um
momento tranquilo quando você possa se dedicar
inteiramente à comunhão com o Espírito Santo.

UMA QUESTÃO DE ESCOLHA


Você poderia dizer: “Sim, sei que preciso passar
um tempo de qualidade com o Senhor. Mas minha
agenda é tão ocupada que é difícil eu encontrar um
tempo para fazer isso”. Por favor, seja sincero
consigo mesmo. Você sabe no seu coração que
encontrará tempo para o que é importante para
você.
• Você tem tempo para entrar na internet?
• Você tem tempo para assistir ao noticiário?
• Você tem tempo para ir ao cinema?
• Você tem tempo para outras formas de lazer?

Você sempre encontrará tempo para o que é


importante para você. Se você realmente deseja ter
um relacionamento íntimo e pessoal com o Espírito
Santo, você separará tempo para isso. Isso deve se
tornar uma prioridade bem como uma questão de
escolha.
Minha esposa e eu temos viajado e ensinado a
Bíblia juntos há anos. Quando nossos filhos eram
muito pequenos, eu sempre achava um desafio
encontrar um lugar tranquilo para orar e estudar.
Quando chegávamos ao nosso quarto de hotel, as
crianças estavam sempre tão ávidas por sair do carro
que parecia que elas tinham virado o quarto do hotel
de cabeça para baixo em cinco minutos! Eram
crianças comuns, cheias de energia que se cansavam
de andar dentro de um carro por horas seguidas.
Enquanto estávamos arrumando o quarto de um
lado, eles o estavam bagunçando de novo do outro!
Denise e eu tínhamos uma rotina típica que
seguíamos nessas viagens ministeriais com nossos
pequenos. Depois do café da manhã, era hora de
colocá-los para tirar uma soneca. Denise e eu
usávamos esse tempo para estudar e meditar na
Palavra de Deus. Depois, tínhamos uma reunião
com o pastor no final da manhã, e então íamos
almoçar.
Logo depois era hora de colocar as crianças para
tirar outra soneca. Enquanto eles estavam dormindo,
estudávamos novamente, e nos preparávamos para o
culto da noite. A essa altura, estávamos tão
esgotados por administrar o ministério e o tempo em
família com nossos filhos que nós mesmos também
tentávamos descansar um pouco.
Depois da reunião da noite, jantávamos tarde e
caíamos na cama, esperando que as crianças
dormissem a noite inteira sem problemas. Depois de
um longo tempo nessa rotina na estrada, tanto
Denise quanto eu ficávamos desesperados por ter
algum tempo de verdade a sós com o Senhor.
Tentávamos nos levantar cedo, mas tinha de ser
muito cedo porque crianças pequenas tendem a se
levantar com o nascer do sol. Nós nos revezávamos
usando o banheiro do hotel como nosso quarto de
oração. Às vezes orávamos tão baixinho para não
acordar as crianças que nos perguntávamos se Deus
podia nos ouvir! E quando orávamos com
autoridade contra os ataques de Satanás em nossa
vida, nossa oração era tão suave e calma que parecia
que estávamos apenas sussurrando para o diabo.
Finalmente, Denise e eu tomamos uma decisão
difícil. Nós decidimos tornar nossa comunhão com o
Espírito Santo a prioridade máxima em nossa vida,
independentemente de qualquer circunstância
externa. Isso exigiu que fizéssemos mudanças na
nossa agenda com relação ao itinerário de pregações
que eram difíceis de lidar financeiramente. Mas ao
fazer essas mudanças, estávamos garantindo que nós
dois pudéssemos ter um tempo diário de qualidade
com o Senhor. E nos anos seguintes, vimos grandes
recompensas em todas as áreas da nossa vida e do
nosso ministério por causa da nossa obediência em
manter as prioridades em ordem.
Muita coisa se passou desde aqueles primeiros dias
de ministério itinerante pelos Estados Unidos. Nossa
família se mudou para a antiga União Soviética logo
depois da queda da Cortina de Ferro,2 e um
conjunto de circunstâncias externas totalmente novas
começou a competir pela nossa atenção e pelo nosso
tempo.
Hoje, nossa vida é muito mais produtiva com a
missão global. Ainda estamos nos movendo na
velocidade da luz! E agora, além de três filhos
maravilhosos, somos privilegiados por ter três noras
russas adoráveis e nossos netos! Assim, mesmo
depois de todos esses anos, Denise e eu ainda temos
de reservar tempo para estar com o Senhor — como
uma questão de escolha — ou isso simplesmente
não aconteceria.
Geralmente separamos tempo para fazer o que
queremos na vida. Em outras palavras, se alguma
coisa é importante para nós, encontramos tempo
para isso.
Nosso relacionamento com o Espírito Santo é o
relacionamento mais importante deste mundo.
Aprendi que se meu relacionamento com Ele for
forte, isso torna o relacionamento com minha esposa
e com meus filhos bom e forte. Por outro lado, se eu
não passar tempo tendo comunhão com o Espírito
Santo, isso afeta todos os meus outros
relacionamentos. Aprendi que sem Ele, eu realmente
não tenho nada a oferecer.
Também aprendi que quando estou tendo uma
comunhão íntima com o Espírito Santo, Ele
compensa as fraquezas em minha vida. No próximo
capítulo, veremos como o Espírito Santo fazia isso
na vida de Jesus também.
PENSE NISTO
Você pode conhecer o Espírito Santo tão bem
quanto deseja. É sua escolha aceitar o convite dele e
tomar a decisão de colocar tudo o mais que possa
distraí-lo de lado para poder entrar em um tempo
diário de comunhão com Ele. Ao avaliar sua agenda
diária, que ajustes você pode fazer para separar um
tempo específico que seja focado unicamente em
cultivar um nível mais profundo de intimidade com
o Espírito Santo?
2 Cortina de Ferro foi uma expressão usada para designar a
divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e a Europa
Ocidental como áreas de influência político-econômica distintas,
no pós-Segunda Guerra Mundial, conhecido como Guerra Fria.
Fonte: Wikipedia. (N. da T.)
CAPÍTULO 4
O SEGREDO DA FORÇA DURADOURA

M uitas vezes me perguntei: “Como Jesus tinha


força física para ministrar a multidões de
pessoas sem desmoronar de tanto estresse e
pressão?”. Creio que a resposta está na consistência
de Jesus em se afastar e iniciar Suas manhãs sozinho
com o Pai em oração, quando Ele podia adquirir e
sustentar a força espiritual e física que necessitava
para ministrar às massas.
Esse tipo de força duradoura também era evidente
na vida do apóstolo Paulo. Ele enfrentava um ataque
contínuo de duras provas, mas nunca parecia
esmorecer na sua força ao enfrentar cada uma delas
com coragem e sair vitorioso. Qual era o segredo
desse poder prolongado?
Paulo nos dá a resposta em Filipenses 1:19:
“Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa
súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo,
me redundará em libertação” (grifo nosso).
A frase “pela provisão do Espírito de Jesus Cristo”
é um dos segredos da força inquebrantável de Paulo.
A palavra “provisão” foi extraída da palavra grega
epichoregeo. A primeira parte da palavra, epi,
significa “em favor de”; e a segunda, choregeo, é a
palavra grega para coro ou apresentação de um
coral. É de onde tiramos a palavra “coreografia”.
Assim, epichoregeo é uma palavra antiga que
significa literalmente em favor do coro. Que palavra
importante para entendermos!
Há milhares de anos, na Grécia clássica, um
imenso coral e uma companhia dramática ensaiavam
interminavelmente para uma apresentação teatral
imensa e importante. Depois de dedicarem tempo,
esforço, energia e treino, finalmente chegou a hora
de o show ir para a estrada. Mas havia um
problema: eles ficaram sem dinheiro!
Aquelas pessoas haviam dedicado a vida a essa
produção. Entregaram tudo o que tinham para
garantir que a apresentação fosse bem-sucedida.
Mas por terem esgotado seus recursos, o show havia
terminado — era o fim! Eles foram derrotados antes
mesmo de o show começar oficialmente. Em todos
os aspectos, era o fim da estrada para eles e seu
sonho.
Você já se sentiu assim? Você já se dedicou a
alguma coisa tão completamente que achou que não
tinha nada mais para dar? Você já se dedicou tanto,
e tão profundamente, que no fim achou que não
tinha força humana para terminar seu compromisso
embora seu desejo fosse cumpri-lo?
Todos nós chegamos a um momento em nossa
vida espiritual em que parece que não temos mais
nada para dar. Começamos a esmorecer física e
mentalmente. Até as pessoas que têm boas intenções
e um desejo forte eventualmente chegam a um
desses becos sem saída em sua vida.
Foi isso que aconteceu com o coro nesse relato
grego clássico; eles haviam chegado a essa situação.
Se não havia dinheiro, não havia show! Parecia que
toda aquela energia, aqueles ensaios, e todo aquele
comprometimento haviam sido gastos em vão. Ao
que tudo indicava, era o fim do sonho deles. Mas,
na verdade, esse beco sem saída na vida deles era o
começo de uma parte ainda não escrita da sua
história.
Naquele exato momento, um homem rico entrou
em cena. Ele ouviu falar do comprometimento deles.
Ele ouviu dizer o quanto eles haviam trabalhado
nesse projeto por tanto tempo. E pelo fato de esse
homem rico ter ficado tão impressionado com a
dedicação deles, interveio na situação e fez uma
contribuição enorme em benefício do coro.
Essa contribuição “proveu” tudo o que o coro
necessitava para voltar à ativa! Na verdade, a oferta
que o homem fez era tão imensa que era mais do
que eles necessitavam ou sabiam como gastar! A
contribuição daquele homem foi enorme,
abundante, transbordante e avassaladora.
É daqui que tiramos a palavra “provisão” em
Filipenses 1:19: “Porque estou certo de que isto
mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do
Espírito de Jesus Cristo, me redundará em
libertação”. Com base nisso, Filipenses 1:19 poderia
ser interpretado deste modo: “Estou certo de que
esta situação finalmente sofrerá uma reviravolta e
resultará na minha libertação. Estou certo disso —
primeiramente, porque vocês estão orando por
mim e, em segundo lugar, por causa da
contribuição especial do Espírito que Jesus Cristo
está doando para a minha causa atual”.
Isso significa que quando sua energia se esgota,
quando você empregou seus melhores esforços e
não sente que tem mais nenhuma gota de energia
para dar, quando parece que seus recursos se
esgotaram e você é incapaz de dar mais um passo a
não ser que alguém entre em cena para ajudá-lo —
esse é exatamente o momento em que Jesus Cristo
se torna seu Benfeitor pessoal! Como o homem rico
da história mencionada, Jesus entra na sua vida
nesse momento para doar uma enorme quantia,
avassaladora e generosa da graça e do poder do
Espírito para sua causa!

TEMPO DE RECEBER
Todos nós passamos por esses momentos em que
parece que chegamos a um beco sem saída em
algumas áreas de nossa vida. Em geral, esse é o
momento em que temos a oportunidade de
realmente aprender a viver.
Quando não nos resta mais nada para dar, Jesus
Cristo começa de onde paramos através do
ministério e do poder do Espírito Santo. À medida
que contamos com Ele com uma fé simples, Ele faz
uma contribuição avassaladora do Espírito em nosso
favor, preparando o caminho para terminar o que
Ele começou em nós. Filipenses 1:6 diz: “Estou
plenamente certo de que aquele que começou boa
obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo
Jesus”. Entretanto, podemos eliminar essa
contribuição sobrenatural deixando de separar
tempo de qualidade regularmente para estar com o
Senhor para podermos receber Sua infusão divina
de poder como um suprimento contínuo.
Se você se comprometer a separar tempo todos os
dias para ter comunhão com o Espírito Santo e
permitir que Ele se torne seu Parceiro e Amigo
valioso, Ele o encherá com a força que você
necessita em todas as situações. É por isso que seu
tempo diário com o Senhor é tão vital. Você precisa
aprender a desfrutar a comunhão com o Espírito
Santo a fim de que Seu poder esteja livre para
operar em você e através de você, sustentando-o em
meio aos momentos mais difíceis.
Eu o encorajo a reavaliar seu relacionamento com
o Espírito Santo. Ele é uma “coisa” para você —
apenas uma parte invisível e desconhecida de Deus?
Você se relaciona com o Espírito Santo de acordo
com a maneira como Ele faz você se sentir ou como
seus sentidos físicos são afetados pela Sua presença?
Enquanto sua resposta a qualquer dessas perguntas
for sim, você achará difícil desfrutar Sua parceria.
Mas sua maneira de ver o Espírito Santo pode
mudar; os atributos e a personalidade dele são
revelados na Palavra.
Nos capítulos a seguir, você aprenderá mais sobre
como desenvolver sua comunhão com o Espírito
Santo para que Ele possa se tornar seu Parceiro de
confiança. Quando essa verdade básica for
estabelecida em sua vida, você experimentará uma
vida sobrenatural no poder de Deus!
PENSE NISTO
Naqueles momentos em que parece que você
despendeu toda a sua energia e os seus recursos para
realizar o que lhe cabe fazer, é útil avaliar seu
relacionamento com o Espírito Santo. Ele foi
designado para sua vida como seu Mestre,
Ajudador, Fortalecedor e Guia contínuo. Então, é
bom avaliar: você tem estado aberto e disponível ao
Espírito Santo para receber a plenitude da Sua
provisão quando mais precisa dela? Ou você tem
contato, pelo menos até certo ponto, com a própria
força, experiência e recursos naturais para realizar o
trabalho?
A maneira como você reajusta suas prioridades e
sua “maneira de fazer as coisas” é a chave para
garantir que você esteja em posição de receber o
suprimento sobrenatural de sabedoria, força e
provisão do Espírito em todas as situações.
CAPÍTULO 5
JESUS FEZ UMA PROMESSA

S e alguém entendia de parceria com o Espírito


Santo, esse alguém era o Senhor Jesus Cristo. O
ministério terreno de Jesus dependia completamente
do Espírito Santo. Desde o nascimento de Jesus,
nada que Ele fazia e nada que acontecia em linha
com o propósito divino em Sua vida ocorria
separado do poder do Espírito Santo. Além do mais,
a primeira coisa que Jesus fez quando se sentou à
destra do Pai no céu foi enviar aos cristãos o dom
do Espírito Santo. O ministério de Jesus e o
ministério do Espírito Santo são inseparáveis.
Considere estes fatos importantes sobre Jesus e o
Espírito Santo:
• Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no ventre
da virgem Maria (ver Mateus 1:18, 20; Lucas
1:35).
• A concepção de Jesus no ventre de Maria foi
confirmada por Isabel, irmã de Maria, quando
Isabel foi cheia do Espírito Santo (ver Lucas
1:41-45).
• A dedicação de Jesus quando bebê no templo foi
acompanhada pela manifestação sobrenatural do
Espírito Santo quando Simeão, o sacerdote, e
Ana, a profetiza, profetizaram sobre Ele (ver
Lucas 2:25-38).
• A chegada de Jesus em Israel como o Messias foi
anunciada por João Batista. Sob a unção do
Espírito Santo, João declarou que Jesus era
Aquele que batizaria com o Espírito Santo e com
fogo (ver Mateus 3:11; Lucas 3:16; João 1:33;
Atos 11:16).
• Jesus falou sobre o batismo no Espírito Santo e
ordenou que Seus discípulos ficassem em
Jerusalém até que tivessem recebido esse
revestimento especial de poder (ver Lucas 24:49;
Atos 1:4-5).
• Jesus foi revestido de poder pelo Espírito Santo
no rio Jordão quando foi batizado nas águas por
João Batista (ver Mateus 3:16; Marcos 1:10;
Lucas 3:22; João 1:32).
• Jesus recebeu a plenitude do Espírito sem
medida (ver João 3:34).
• Jesus era dirigido pelo Espírito Santo (ver
Mateus 4:1; Marcos 1:12; Lucas 4:1).
• Jesus retornou do deserto no poder do Espírito
Santo (ver Lucas 4:14).
• Jesus afirmou publicamente que Seu ministério
era resultado do poder do Espírito Santo (ver
Lucas 4:18).
• Jesus advertiu sobre o perigo de blasfemar contra
o Espírito Santo (ver Mateus 12:31-32; Marcos
3:28-29; Lucas 12:10).
• Jesus ensinou sobre a obra e o ministério do
Espírito Santo (ver Mateus 10:20; Marcos 13:11;
Lucas 11:13, 12:12; João 7:39; 14:16-17; 15:26;
16:7-15).
• Jesus proclamou que precisamos nascer de novo
pelo Espírito Santo (ver João 3:5-8).
• Jesus, o Cordeiro de Deus sem mancha ou
mácula ofereceu-se sobre a cruz pelo poder do
Espírito Santo (ver Hebreus 9:14).
• Jesus foi ressuscitado dentre os mortos pelo
poder do Espírito Santo (ver Romanos 8:11).
• Jesus soprou o Espírito Santo sobre os discípulos
depois da Sua ressurreição (ver João 20:22).
• Depois que Jesus foi exaltado à destra de Deus,
Ele derramou o Espírito Santo sobre a Igreja no
Dia de Pentecostes (ver Atos 2:1-4, 33).
• Jesus instruiu os discípulos através do ministério
do Espírito Santo (ver Atos 1:2).

Jesus e o Espírito Santo estavam sempre juntos


enquanto Jesus esteve na terra. Se Jesus precisava
desse tipo de parceria contínua com o Espírito Santo
para exercer Seu papel divino na terra, você precisa
ter essa parceria também. Jesus enviou o Espírito
Santo para dar a você tudo o que precisa para ser
um filho de Deus vitorioso, bem-sucedido, cheio de
fé e vencedor neste mundo. Com o Espírito Santo
ao seu lado, você está equipado para todas as
situações na vida.
Pelo fato de ninguém jamais ter conhecido o
Espírito Santo melhor que Jesus, precisamos
procurar conhecer o que Jesus tinha a dizer sobre a
personalidade, o poder, os dons e o caráter do
Espírito Santo Em João 14-16, Jesus nos deu
instruções importantes sobre como desenvolver
nossa própria parceria com o Espírito Santo.

JESUS NOS FEZ UMA PROMESSA


Imagine como deve ter sido difícil para os
discípulos descobrir que Jesus iria deixá-los,
principalmente depois de andarem com Ele por mais
de três anos e de vê-lo realizar um milagre após o
outro. Era natural que eles se sentissem pesarosos
quando Jesus anunciou que em breve estaria
voltando para o céu.
Para os discípulos, deve ter parecido que eles
estavam enfrentando o fim do seu maravilhoso
encontro com o Senhor e com o poder de Deus.
Viver e andar com Jesus era mais do que eles
haviam esperado neste mundo. Com Ele ao seu
lado, suas vidas haviam sido cheias de aventura,
empolgação, alegria, vitória, poder, curas e milagres.
Como seria a vida sem Jesus? Ela poderia voltar
a ser a mesma? Seria esse o fim do sonho deles?
Ter sentimentos de insegurança e incerteza teria
sido uma reação normal para qualquer pessoa na
posição dos discípulos. Eles haviam se tornado
dependentes da presença física e visível de Jesus,
algo que nunca experimentamos e, portanto, não
podemos compreender totalmente. Depois que Jesus
partiu, eles provavelmente foram tentados a se
sentirem abandonados espiritualmente.
Em meio a esses temores, Jesus prometeu aos
Seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos...” (João
14:18, ACF). A palavra “órfãos” foi extraída da
palavra grega orphanos. Na época do Novo
Testamento, a palavra orphanos descrevia os filhos
que eram deixados sem pai; ou podia descrever
alunos abandonados pelo seu professor. Em ambos
os casos, é a imagem de pessoas mais jovens, menos
instruídas, menos sábias sentindo-se abandonadas
por aqueles em quem confiavam e com quem
contavam para ter orientação.
Jesus era um pai espiritual para os discípulos e
sabia que eles dependiam totalmente dele. Eles não
podiam vencer sozinhos no mundo sem Jesus. Foi
por isso que Ele lhes prometeu: “Não os deixarei
como órfãos”. Dois versículos antes, Jesus disse: “E
Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a
fim de que esteja para sempre convosco” (João
14:16).
A palavra “rogar” é a palavra grega erotao, uma
palavra do vocabulário jurídico que geralmente é
usada nos evangelhos para descrever a vida de
oração de Jesus. Essa palavra específica de oração
indica que o envio do Consolador era tão crucial
para a sobrevivência dos discípulos que Jesus ia ao
Pai para apresentar Sua causa por eles, quase como
se Ele estivesse defendendo-os e os seus direitos
legalmente. Essa causa era tão concreta, clara e
inconfundível que o Pai atenderia o forte pedido de
Jesus enviando o Consolador, ou o Espírito Santo,
para ajudar a todos aqueles que clamassem pelo
nome de Jesus.
Também é importante observar que Jesus disse: “E
Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará...”. O Espírito
Santo era o presente do Pai à Igreja. Pedro falou
sobre o “dom do Espírito Santo” em Atos 2:38. Esse
foi o presente do Pai, gratuito e sem custo, a todos
os que declaram Jesus Cristo como o Senhor de sua
vida. Mas o Espírito Santo foi dado em resposta ao
pedido de Jesus pelos discípulos e por nós.

OUTRO CONSOLADOR
Era óbvio para os discípulos que este Consolador
não era uma pessoa normal que eles poderiam ver,
ouvir e tocar com suas mãos. Você pode imaginar as
perguntas que devem ter passado pela mente deles
naquele momento?
Foi por isso que Jesus tomou tanto cuidado para
usar palavras-chave quando falou com eles sobre a
vinda do Espírito Santo. Observe especialmente que
Jesus usou a palavra “outro” neste versículo. Ele
disse: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro
Consolador”.
Essa palavra grega transmite uma forte mensagem
sobre o Espírito Santo. O versículo poderia ser
traduzido deste modo: “Eu rogarei ao Pai, e Ele
vos enviará Alguém que é exatamente como Eu de
todas as maneiras. Ele será idêntico a Mim na
maneira de falar, na maneira de pensar, na
maneira de atuar, na maneira de ver as coisas, e
na maneira de fazer as coisas. Quando Ele estiver
presente, será exatamente como se Eu estivesse
presente porque nós pensamos, nos comportamos e
agimos de modo igual”.
Anteriormente em João 14, vemos esse mesmo
conceito refletido no relacionamento entre o Filho e
o Pai. Filipe disse a Jesus: “Mostra-nos o Pai, e isto
nos basta” (João 14:8). A resposta de Jesus a Filipe
foi essencial: “Filipe, há tanto tempo estou
convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a
mim vê o Pai; como dizes tu: ‘Mostra-nos o Pai?’”
(João 14:9).
Jesus é a imagem exata de Deus Pai. Hebreus 1:3
declara: “Ele, que é o resplendor da glória e a
expressão exata do seu Ser...”. Jesus reflete o caráter
de Seu Pai celestial em todos os aspectos. Assim, se
você visse Jesus quando Ele andava por esta terra,
você via o Pai. Jesus deu este testemunho sobre Si
mesmo: “Em verdade, em verdade vos digo que o
Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente
aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este
fizer, o Filho também semelhantemente o faz.
Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que
faz...” (João 5:19-20).
Isso significa que Jesus fazia somente o que Ele via
o Pai Celestial fazer. Consequentemente, uma das
melhores maneiras de discernir a vontade de Deus
para certas situações é olhar para como Jesus reagia
a situações similares.
As pessoas costumam perguntar: “Como posso
saber se Deus quer curar os enfermos hoje?”. Olhe
para Jesus para ter sua resposta, porque Ele é a
perfeita expressão da natureza e vontade do Pai.
Quando Jesus curava alguém, isso era uma
demonstração da vontade do Pai de curar. Ele nunca
teria agido sozinho ou em desacordo com a vontade
do Pai.
Quando Jesus expulsava demônios e libertava os
oprimidos por demônios, isso era mais uma vez uma
demonstração da vontade do Pai de libertar os
cativos. Todas as pessoas oprimidas por demônios
que iam a Jesus encontravam libertação. E Jesus
jamais teria agido por Si mesmo ou feito algo
contrário à vontade de Deus.
A vida, as palavras, as atitudes e os atos de Jesus
durante Sua caminhada terrena eram a manifestação
absoluta da vontade e da natureza de Deus. O Pai e
o Filho estão em unidade na natureza, no caráter, no
pensamento e na ação. Foi por isso que Jesus disse:
“Quem me vê a Mim, vê o Pai” (João 14:9).
Quando Jesus estava ensinando aos discípulos
sobre o Espírito Santo, Ele levou essa verdade um
passo além e usou a palavra allos para defender esse
ponto. A palavra allos significa um da mesma
espécie. Assim como Jesus é a expressão perfeita e a
própria imagem da natureza do Pai, a palavra allos
nos diz que o Espírito Santo representa
perfeitamente a vida e a natureza de Jesus Cristo.
No ministério terreno de Jesus, Ele não apenas
fazia o que via o Pai Celestial fazer. Do mesmo
modo, o Espírito Santo, como representante de
Cristo na terra, faz somente o que Ele vê Jesus
fazer. O Espírito Santo nunca agirá por Si mesmo
ou em desacordo com a vontade de Jesus Cristo.
Muitas vezes ouvi cristãos perguntarem: “Eu
gostaria de saber como deve ter sido andar com
Jesus. Não seria maravilhoso andar com Ele, falar
com Ele e ouvir a Sua voz?”. Mas, ao fazerem essa
pergunta, eles estão deixando de considerar a razão
pela qual Jesus enviou o Espírito Santo em primeiro
lugar. Sua missão é ser o Ajudador que nos traz a
vida de Jesus Cristo. Jesus disse a Filipe: “Quem
me vê a Mim, vê o Pai”. Do mesmo modo, Jesus
nos diz: “Apresentei Minha causa ao Pai, e Ele lhes
deu outro Ajudador que é exatamente como Eu em
todos os aspectos possíveis. Se vocês o têm, vocês
têm a Mim”.
Recebemos a presença do Espírito Santo
habitando dentro de nós no novo nascimento. Agora
cabe a nós abrir o coração para o Espírito Santo e
permitir que Ele seja nosso Ajudador e traga a vida
de Jesus a todas as áreas de nossa vida diariamente e
de forma progressiva.
Além da presença do Espírito Santo habitando
dentro de nós, vemos a demonstração da Sua obra
de encher vidas no livro de Atos. É evidente que
aqueles primeiros cristãos operavam em grande
poder porque eram batizados no Espírito Santo.
A ausência física de Jesus não impediu a Igreja
Primitiva de realizar milagres, de ressuscitar os
mortos, de expulsar demônios, de curar enfermos ou
de levar multidões ao conhecimento de Jesus Cristo
para salvação. Na verdade, o ministério de Jesus foi
multiplicado através da Igreja porque o Espírito
Santo estava com eles, dentro deles e operando
através deles. O Espírito Santo representava Jesus
perfeitamente para a Igreja Primitiva em todos os
aspectos.
Portanto, não olhe para trás, para o que você
perdeu, porque você não vivia há dois mil anos
quando Jesus andou sobre a terra. Comece a abrir
seu coração para a obra do Espírito Santo agora. Ele
quer representar Jesus para você, sua igreja, sua
família e sua cidade — assim como Ele fez no livro
de Atos.
O Espírito Santo e Sua missão nunca mudaram.
Fomos nós que mudamos. Nós o limitamos com
nossa incredulidade e nossa falta de entendimento.
Que hoje seja o dia em que você começará a
permitir que o Espírito Santo faça o que Ele foi
enviado para fazer: ajudar você em todas as áreas da
sua vida enquanto Ele lhe traz a vida de Jesus Cristo
na sua dimensão mais completa.
PENSE NISTO
Algumas coisas no nosso passado e no nosso
presente provavelmente seriam diferentes se
tivéssemos conhecido o Espírito Santo mais
intimamente e nos rendido à Sua direção mais
completamente ao longo dos anos. Nós nos
alinhamos para receber o melhor plano do Pai para
nossa vida quando aprendemos a permitir que o
Espírito Santo nos guie a cada passo do caminho
sem limitá-lo com nossas concepções prévias, com
nossas escolhas erradas e com nossas preferências
equivocadas.
De que formas você pode ajudar seu futuro a se
parecer com o plano do Pai para sua vida? Que
passos você pode dar para aprender a se render mais
completamente à condução do Espírito Santo
quando Ele fala ao seu espírito?
CAPÍTULO 6
O ESPÍRITO SANTO, NOSSO
CONSOLADOR

J esus chamou o Espírito Santo de Consolador


(ver João 14:16). Ele também usou esse nome
em João 14:26; 15:26 e 16:7. É significativo o fato
de Jesus chamar o Espírito Santo repetidamente de
Consolador por quatro vezes no curto espaço de
três capítulos. Está bem evidente que esse aspecto
do ministério do Espírito Santo a nós era muito
importante para Jesus.
A palavra “consolar” pode ter muitas nuances de
significado nos momentos individuais e únicos
dependendo da época que enfrentamos em nossa
vida.
Por exemplo, se você está cansado de trabalhar
por longas horas, consolo para você pode ser a
oportunidade de relaxar por um tempo no seu sofá
todas as noites depois do trabalho.
Se seu coração está partido por causa da desilusão
em um relacionamento, consolo pode significar falar
com um amigo que ouvirá suas mágoas sem julgar
ou dar conselhos que você já conhece.
Talvez você se sinta como se as pressões da vida
estejam se acumulando em cima de você e você não
sabe o que fazer ou a quem recorrer. Consolo pode
significar ter um amigo que observe sua situação
para orar com você e ajudá-lo a pensar em meio a
essa dificuldade a fim de determinar os passos
necessários que Deus gostaria que você desse em
seguida.
Se alguém que você amava acaba de morrer,
consolo pode ser algo tão simples quanto alguém
abraçá-lo e talvez ficar com você em meio a esse
tempo tão difícil de adaptação.
O ponto é este: o que “consolo” significa para cada
um de nós muitas vezes depende do que estamos
passando na vida em dado momento. Isso torna
ainda mais importante descobrirmos exatamente o
que a palavra “consolo” realmente significa na
Bíblia. Não devemos cometer o erro de interpretar o
que Jesus disse sobre o Espírito Santo à luz da nossa
experiência humana, que varia de pessoa para
pessoa.
Em João 14:16, a palavra “consolador” é extraída
da palavra grega parakletos. Ela era usada
primeiramente no sentido jurídico a fim de denotar
alguém que defendia uma causa em favor de outra
pessoa em um tribunal. Ela descrevia um ajudador
ou um assistente que estava sempre pronto e em
espera para ajudar, assistir e fortalecer.
Parakletos também era usada de tempos em
tempos para denotar um conselheiro ou consultor
pessoal. Essa é a imagem de um treinador que
instrui seus alunos e aprendizes nos assuntos da
educação, dos negócios ou da vida. Assim como o
treinador interage com seus alunos, o parakletos se
aproxima dos que estão sob seus cuidados para
encorajá-los, exortá-los, incentivá-los, aconselhá-
los e ensiná-los a fazer um trabalho melhor.
A Amplified Bible pode traduzir melhor a palavra
“consolador” com suas nuances variadas de
significado. João 14:16 diz: “E Eu pedirei ao Pai, e
Ele lhes dará outro Consolador (Conselheiro,
Ajudador, Intercessor, Advogado e Fortalecedor),
para que Ele possa permanecer com vocês para
sempre”.

O ESPÍRITO SANTO FICA AO NOSSO LADO


AGORA QUE VIMOS O SIGNIFICADO DA
PALAVRA GREGA PARAKLETOS, TRADUZIDA

POR “CONSOLADOR”, VAMOS VER AS PARTES

QUE COMPÕEM ESSA PALAVRA: PARA E

KALEO.

A palavra para significa simplesmente ao lado de.


Ela também traz consigo a ideia de proximidade ou
localização geográfica. Ela fala especificamente de
estar muito próximo de ou ao lado de alguém ou de
alguma coisa.
O uso da palavra para nesse versículo traz consigo
a ideia de se aproximar tanto quanto possível de
alguém. Você nunca usaria essa palavra para
descrever sua proximidade com um estranho. A
palavra para seria usada para descrever seus
relacionamentos mais íntimos.
Por exemplo, minha esposa Denise está para de
mim. Ela vive comigo, fala comigo, faz compras
comigo, viaja comigo, prega na nossa igreja comigo
e ora comigo. Ela está sempre para de mim.
Estamos lado a lado, muito próximos e ao lado um
do outro o tempo todo.
Quando as pessoas estão próximas umas das
outras desse modo, elas afetam uma à outra. Elas
podem até começar a assumir algumas das atitudes,
dos sentimentos, das características de
personalidade, dos hábitos e dos gestos da outra
pessoa. Depois de algum tempo, elas se conhecem
tão bem que quase não precisam perguntar à outra
pessoa o que ela está pensando.
Agora que vimos o que a palavra para significa,
vamos ver como isso se aplica à primeira parte da
palavra grega parakletos, traduzida como
“Consolador” em João 14:16. A primeira coisa que
isso nos diz sobre o Espírito Santo é que Ele está
perto de nós e ao nosso lado em todo o tempo. Não
há nada distante no relacionamento dele conosco, de
modo que nunca temos de pedir ou suplicar para
que Ele nos ajude. O Espírito Santo está sempre
conosco, onde quer que estejamos.
No momento da nossa salvação, o Espírito Santo
vem morar em nós (ver Efésios 1:13). Embora Ele
viva dentro de nós, nossa experiência é a de que o
Espírito Santo fica ao nosso lado para nos ajudar
nos assuntos da vida e para trazer a realidade de
Jesus Cristo para cada situação que encontramos —
se crermos e estivermos abertos para isso.
Praticamente falando, desde o momento em que
nascemos de novo até o restante de nossa vida nesta
terra, o Espírito Santo está disponível a nós para
recorrermos à Sua parceria a cada minuto do dia.

O ESPÍRITO SANTO TEM UMA MISSÃO


ESPECÍFICA A SEGUNDA PARTE DA PALAVRA
“CONSOLADOR” É A PALAVRA KALEO, QUE
SIGNIFICA CONVOCAR OU CHAMAR. POR
EXEMPLO, PAULO USOU UMA FORMA DESSA
PALAVRA EM ROMANOS 1:1 QUANDO ELE

DISSE QUE ERA “... CHAMADO PARA SER

APÓSTOLO, SEPARADO PARA O EVANGELHO

DE DEUS”.

Essa não é a imagem de alguém gritando ou


chamando para fins de comunicação verbal. O tipo
kaleo de chamado tem propósito, intenção e um
senso de direção.
Por exemplo, Deus nos chama à comunhão com
Ele, e Ele chama os incrédulos ao arrependimento e
à salvação (Mateus 9:13). Além disso, tanto Paulo
quanto Pedro usaram a palavra kaleo para descrever
o chamado de Deus à salvação e para ministrar a
eles mesmos e a outros (ver Romanos 1:1; 8:30;
9:11, 24; 1 Coríntios 1:9; 7:15; Efésios 4:1, 4; 1
Tessalonicenses 2:12; Hebreus 9:15; 1 Pedro 1:15;
2:9).
Paulo usou especificamente a palavra kaleo para
descrever seu chamado ao ministério apostólico (ver
1 Coríntios 15:9; Gálatas 1:15; 2 Timóteo 2:9).
Quando ele ouviu o chamado do céu, esse chamado
divino lhe deu um senso de direção, propósito e
definição para sua vida.
Assim, vemos que a palavra kaleo traz consigo a
ideia de uma convocação para fazer alguma coisa
muito específica com relação a propósito ou
destino. Por exemplo, somos chamados à salvação.
Somos chamados ao serviço na igreja local. E
podemos até ser chamados ao ministério. O
chamado é sempre para alguma coisa que aponta
para uma intenção específica.
O chamado de Deus com relação ao rumo
específico de uma pessoa na vida dá a esse indivíduo
discernimento do propósito, do plano e do projeto
divino para sua existência. Quando uma pessoa sabe
em seu coração que o Pai a convocou para executar
uma missão específica a Seu pedido, isso muda
tudo.
Pelo fato de a palavra kaleo ser a segunda parte da
palavra grega traduzida por “Consolador” também
podemos saber que o Espírito Santo não assumiu
acidentalmente Seu papel em nossa vida. Assim
como Deus chamou Paulo e Pedro para serem
apóstolos — e assim como cada um de nós recebeu
uma atribuição específica — Ele chamou o Espírito
Santo para fazer algo muito específico neste mundo.
Esse chamado divino deu ao Espírito Santo
propósito e direção. Poderíamos dizer que deu a Ele
uma descrição de cargo.
Além do mais, o Espírito Santo precisa fazer Seu
trabalho fielmente, sabendo que Ele responderá ao
Pai que lhe deu a missão. Então o que o Pai chamou
o Espírito Santo para fazer? O Espírito de Deus foi
chamado para ser nosso Ajudador neste mundo.
Esse é o propósito principal e a responsabilidade do
Espírito Santo nesta terra.

TRÊS CARACTERÍSTICAS DO CONSOLADOR


ESTE CAPÍTULO DESCREVEU TRÊS VERDADES
IMPORTANTES QUE PODEMOS EXTRAIR DA

PALAVRA “CONSOLADOR” (PARAKLETOS).


PODERÍAMOS RESUMIR ESSAS VERDADES
COMO A SEGUIR.
1.O Espírito Santo permanece perto de nós
Doutrinariamente entendemos que o Espírito
Santo habita dentro de nós e sela cada cristão
no momento da salvação (ver Efésios 1:13).
Mas quando Jesus se referiu ao Espírito Santo
como “Consolador” em João 14:16, Ele não
estava falando teologicamente. Jesus estava se
referindo ao relacionamento prático que
podemos desfrutar diariamente com o Espírito
Santo.
Não precisamos suplicar e implorar para que o
Espírito Santo se aproxime porque Ele está
sempre por perto. Na verdade, Seu lugar ao
nosso lado é tão permanente que Jesus disse
que Ele permaneceria conosco para sempre (ver
João 14:16).
Finalmente, aprendendo a aceitar essa
maravilhosa comunhão com o Espírito de Deus
e a participar dela seremos continuamente
impactados e transformados de uma forma
poderosa pela Sua presença em nossa vida.
Começaremos a adquirir e a produzir o fruto do
Espírito Santo em nós.
2.O Espírito Santo tem um chamado Assim
como Paulo e Pedro foram chamados
especificamente para serem apóstolos no Corpo
de Cristo, o Espírito Santo recebeu um
“chamado” específico de Deus Pai para realizar
um trabalho específico neste mundo. O
Espírito de Deus foi “chamado” (kaleo)
especificamente para estar “ao lado” (para) de
cada cristão a todo o tempo.
• Ele está com você quando você está no fundo
do poço e Ele está com você quando as coisas
estão indo bem.
• Ele está com você quando você vai se deitar à
noite e Ele está com você quando você se
levanta de manhã.
• Ele está com você ao longo do dia.
• Ele está com você quando você ora e Ele está
com você quando você não ora.
• Ele está com você quando você se comporta de
forma madura e Ele está com você nos seus
momentos de imaturidade.
• Ele está com você quando você vai trabalhar,
vai à igreja, vai ao mercado, vai ao salão de
beleza, vai ao jogo de bola, vai ao cinema, etc.
— onde quer que você vá!
Onde quer que você vá, o Espírito Santo vai
também. Se você é um filho de Deus, Ele está
com você a todo o tempo, em todas as
circunstâncias. Esse é o chamado dele!
3.O Espírito Santo tem um trabalho a fazer O
trabalho do Espírito Santo é nos ajudar! Essa
ajuda pode incluir nos convencer do pecado,
nos revestir de poder para a obra do ministério,
transferir dons espirituais, curar outras pessoas
através de nós e assim por diante. Mas essas
operações do Espírito em nossa vida, por mais
maravilhosas que sejam, representam partes de
um quadro maior. O quadro maior é o Espírito
Santo cumprindo Seu papel como nosso
Ajudador. Todas as outras funções
mencionadas são simplesmente diferentes
manifestações da Sua ajuda.
O Espírito Santo é responsável por executar
Sua missão celestial, não de acordo com nossas
exigências, nossos desejos, nossas preferências
ou nossas necessidades humanas, mas de
acordo com a vontade de Deus — Aquele que
nos chamou e enviou o Espírito Santo a nós em
primeiro lugar.
Isso significa que você e eu podemos ter certeza
de que o Espírito Santo nunca falhará no Seu
trabalho no que diz respeito a nossa vida. Seja
qual for a forma de ajuda que precisemos em
qualquer momento, o Espírito de Deus está
sempre dentro de nós e ao nosso lado para ser a
ajuda que precisamos, bem na hora que
precisamos dela!
PENSE NISTO
Você tem acesso à riqueza interminável do Espírito
Santo para ajudá-lo em seus momentos de
necessidade. Há muito mais disponível a você do
que você já teve acesso, e tudo o que é preciso para
você receber esse “mais” é que você diga de
coração: “Sim, Espírito Santo”. Considere como
poderia ser a “ajuda” do Consolador para você em
uma série de situações ou desafios. Pergunte ao
Senhor que ajustes você precisa fazer em meio a
essas situações para poder receber o que você
precisa do Espírito Santo mais livremente.
CAPÍTULO 7
O TREINADOR CELESTIAL

C reio que a melhor maneira de traduzir a oração


de Jesus em João 14:16 é esta: “E Eu orarei
ao Pai e Ele lhes dará outro TREINADOR”.
Por que a palavra “treinador” é a minha tradução
favorita para a palavra “Consolador”?
Imagine-se como um dos discípulos. Você acabou
de ver Jesus subir de volta ao céu, e você está
parado ali, olhando para o céu, pensando em como
era andar com Ele na terra durante os três últimos
anos. Jesus era seu Líder, Professor, Mentor,
Revelador, Profeta, Operador de Milagres,
Operador de Curas, Pastor e Senhor. Você não fazia
nada sem Ele, e Ele lhe mostrou como fazer tudo.
Ele foi o centro da sua vida e o ponto central da sua
atenção.
Jesus foi Aquele que enviou você para pregar e o
instruiu sobre que matéria pregar. Ele lhe deu
autoridade para expulsar demônios. Ele lhe disse
como falar aos demônios— e quando não falar aos
demônios. Ele lhe ensinou como impor as mãos
sobre os enfermos.
Jesus lhe mostrou como lidar com líderes
religiosos e como se conduzir como um ministro do
Evangelho. Ele lhe ensinou a fazer cruzadas e como
construir um ministério. Ele até o ensinou a lidar
com dinheiro no ministério (ver Mateus 10:5-14).
Durante três anos, você seguiu atentamente as
ordens do Mestre e não ousou dar um passo sem
consultá-lo primeiro. No sentido literal da palavra,
Jesus foi o seu Treinador.
Mas depois da ascensão ao céu, de repente Jesus
se foi.
• Quem vai direcionar você agora?
• Quem vai guiar você agora?
• Quem vai lhe mostrar como orar?
• Quem vai lhe mostrar como ministrar?
• Quem vai conduzi-lo como Jesus o conduzia?
• Quem vai treinar você nas suas decisões
diárias?

Estamos na mesma situação com relação a Jesus


que os discípulos estavam quando Ele subiu ao céu.
Não temos Jesus aqui fisicamente para recorrermos
a Ele. Não podemos buscá-lo face a face para que
Ele nos aconselhe.
É claro que temos o benefício da Palavra de Deus,
que revela a vida e o caráter de Jesus; Seus
caminhos e Seu modo de pensar; Suas verdades e
ordens básicas. Entretanto, com relação aos detalhes
da vida — por exemplo, como orar por determinada
situação ou que emprego aceitar — não podemos
marcar uma reunião para discutir com Ele face a
face. Uma razão pela qual ansiamos pelo céu com
tanta expectativa é o nosso desejo de finalmente
olhar nos olhos do nosso Salvador. Mas, graças a
Deus, podemos nos encontrar com Jesus a qualquer
momento que quisermos nesta vida através do
Espírito Santo em oração!

CRISTÃOS RECÉM-NASCIDOS PRECISAM DE


RESPOSTAS
Quando chegamos a Cristo como bebês recém-
nascidos, vindos diretamente de um mundo de
pecado e morte espiritual, sabemos muito pouco
espiritualmente — se é que sabemos alguma coisa
(ver 1 Pedro 2:2). Alguns de nós nascemos no
Reino de Deus em tamanha ignorância que nem
sequer sabíamos que anteriormente fazíamos parte
do reino de Satanás! Independentemente do quanto
sejamos instruídos em questões naturais e
intelectuais, somos imaturos espiritualmente quando
nascemos de novo. A verdadeira maturidade
espiritual leva tempo para se desenvolver em nossa
vida.
A Igreja Primitiva era composta de pessoas que
haviam sido pagãs. Elas também sabiam muito
pouco sobre a obra de Cristo e as coisas do Espírito.
Não obstante, a ignorância delas não as impedia de
encontrar seu lugar em Cristo e se tornarem
membros fiéis da igreja as quais Deus podia usar. O
resultado foi que a Igreja Primitiva se tornou
rapidamente uma usina geradora espiritual que
iluminou aquele período sombrio da história
humana.
A boa notícia é que o Espírito Santo veio para nos
ensinar tudo o que precisamos saber. Uma provisão
ilimitada de sabedoria e revelação está disponível
com relação ao plano de Deus para nossa vida e a
como nos encaixamos no Seu plano maior para o
homem — se ouvirmos o Espírito Santo, se
cooperarmos com Ele, e se permitirmos que Ele faça
o que foi enviado para fazer por nós.
Não importa realmente o que você sabe ou não
sabe quando recebe Cristo. Você acaba de receber
um Parceiro que reside no seu coração e sabe todas
as respostas para suas perguntas. O “Treinador
Celestial” do seu time tem tanto o plano vencedor
para o jogo quanto a provisão de força e coragem
que você necessitará para alcançar a vitória.
Agora, você precisa aprender a cooperar com a
Terceira Pessoa da Divindade. Essa cooperação é o
início da parceria com o Espírito Santo sobre a qual
escrevi anteriormente. Infelizmente, muitas pessoas
que têm conhecido o Senhor há anos não sabem
disso. Elas têm a presença do Espírito Santo
habitando dentro delas há muito tempo, mas não
sabem como desenvolver esse relacionamento
dinâmico em sua vida.
Deus quer que você conheça o Espírito Santo de
uma maneira pessoal. Ele quer que você comece a
depender desse relacionamento do mesmo modo
que Jesus dependia quando Ele andou nesta terra.
Se Jesus precisava da parceria do Espírito Santo,
você pode ter certeza de que você certamente
precisa dela também. Mas como você pode
desenvolver esse relacionamento?
Como um ser humano começa a se relacionar com
o Espírito Santo?
Lembre-se, o Espírito Santo é como um treinador
para nós. Então, o que um treinador faz? Se for um
treinador de beisebol, ele ensina a correr de uma
base à outra, a usar a luva para pegar a bola e
manejar o bastão e a fazer contato com a bola. O
treinador diz: “Segure o bastão na base com as mãos
ao redor dele assim, e quando aquela bola se
aproximar, você bate o mais forte que puder!”.
Se for um treinador de atores, essa pessoa ensina a
se tornar um ator ou a ser um ator melhor. Ele o
ensinará como se tornar mais convincente, mais
dramático e mais cômico. Ele até ensina a chorar
quando as lágrimas forem necessárias para
determinada cena.
Se for um treinador vocal, essa pessoa ensinará a
cantar — a fazer cada respiração durar mais tempo e
a empurrar o diafragma para fazer o som sair mais
forte, a cantar no tom, e a cantar de uma maneira
que realmente represente o conteúdo emocional da
música.
Um treinador ensina, aconselha, corrige, instruiu,
treina, monitora, guia, dirige e prepara você para sua
missão futura. Se você é novo no que está fazendo,
o treinador poderá incluir um pouco de persuasão
enquanto você desenvolve sua confiança. Um
treinador irá encorajá-lo enquanto mostra o que
você fez de errado da última vez e depois diz como
fazer certo da próxima vez: “Faça um pouco
diferente aqui; pressione um pouco mais ali; não use
tanta força ali; esforce-se mais aqui”, e assim por
diante.
Um treinador não está lá para rebater a bola para
você, fazer a cena por você ou cantar aquela nota
por você. Ele está ali para treiná-lo a fim de que
você possa rebater a bola, fazer a cena ou cantar a
nota da melhor maneira possível.
Como um mestre artesão ensinando a um aprendiz
uma nova habilidade, o Espírito Santo o direcionará
e o guiará. Ele lhe mostrará o que é necessário. Ele
abrirá seus olhos, trará uma impressão à sua mente
com uma direção sobrenatural e o levantará quando
você tropeçar. Ele desenvolverá você, promoverá
seu crescimento, cultivará seus dons, e lhe ensinará
sobre as coisas de Deus e sobre a vida.
Em 1 João 2:27 lemos: “Quanto a vós outros, a
unção que dele recebestes permanece em vós, e não
tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas,
como sua unção vos ensina a respeito de todas as
coisas...”. Esse versículo não está nos encorajando a
rejeitar a instrução de bons líderes. Mas ele está nos
dizendo alegremente que embora seja importante
receber instrução dos líderes e pastores que Deus
coloca sobre nós, antes de qualquer coisa
precisamos ter o Espírito Santo para nos ensinar.
Nunca somos deixamos na ignorância!
Foi por isso que Paulo pôde deixar a Igreja de
Tessalônica com o coração descansado depois de ter
estado com a congregação por apenas três semanas
ministrando a eles. Ele sabia que o Espírito Santo
começaria a ensiná-los de onde ele havia parado e
que eles continuariam a crescer sem ele.

O ESPÍRITO DA VERDADE
Precisamos aprender a manter nossos ouvidos
espirituais continuamente sintonizados com o
conselho do Espírito Santo e segui-lo
implicitamente, ouvindo as dicas que vêm dele. Ele
deve se tornar o nosso Treinador Celestial, e
precisamos aprender a aceitar a Sua liderança. Isso
significa que a partir do momento em que sabemos
que ouvimos a voz do Espírito Santo, precisamos
estar dispostos a nos render e a aceitar Sua
orientação divina sem objeções.
Você pode estar pensando: Mas espere um
instante! Seguir a direção do Espírito Santo é algo
totalmente novo para mim. Parece-me um pouco
assustador me entregar completamente à liderança
do Espírito Santo. Não posso sequer vê-lo, por isso
parece difícil me render totalmente à Sua direção.
Qual é a minha garantia de que o Espírito Santo
não irá me guiar de forma errada ou me fazer
desviar?
Foi por isso que Jesus chamou o Espírito Santo de
“o Espírito da verdade” por três vezes (ver João
14:17; 15:26; 16:13). Em outras palavras, Ele estava
dizendo: “Você pode confiar na liderança do
Espírito Santo. Ele não foi enviado para conduzir
você pelo caminho errado, para fazer você tomar
uma decisão errada, ou para lhe dar uma orientação
que seja demoníaca ou má. Ele é santo. E Ele é o
Espírito da verdade”.
Você pode ter certeza de que quando o Espírito
Santo coloca um pensamento na sua mente, é um
pensamento certo. Quando Ele planta uma ideia no
seu coração, é uma ideia correta. Quando Ele
incomoda você no seu espírito para fazer isso ou
aquilo, Ele tem sempre uma razão correta para isso.
Ele vê e sabe alguma coisa que você não sabe e está
tentando guiar e direcionar você de acordo com a
sabedoria. Ele é sempre o Espírito da verdade, e
como o Espírito da verdade, você pode contar com
o fato de que Ele nunca o conduzirá mal.
Pense no que Jesus ensinou em Sua última
mensagem aos Seus discípulos antes de morrer na
Cruz. Durante três capítulos inteiros — João 14, 15
e 16 — Jesus ensinou sobre o Espírito Santo a fim
de aliviar os temores dos discípulos sobre confiar
nele. Jesus considerava o relacionamento com o
Espírito Santo importante o bastante para dedicar
Seu último tempo de comunhão com eles falando
em detalhes sobre esse assunto.
A questão principal aqui é esta: se quisermos ir
além do nosso medo do desconhecido e
experimentar uma vida cristã real e sobrenatural,
precisamos chegar ao ponto de nos rendermos ao
Espírito Santo. Nesse ato de entrega, damos a Ele
permissão para ser nosso Treinador Celestial.
A verdade é que o Espírito Santo está sempre
tentando nos treinar e dirigir, mesmo quando não
estamos ouvindo. Ele está sempre ao nosso lado. Ele
está sempre falando conosco, nos direcionando, nos
encorajando e tentando nos ajudar a tomar as
decisões corretas e a fazer as escolhas corretas na
vida. Quer o ouçamos ou não, Ele está ali porque
essa é a atribuição que Ele recebeu de Deus Pai. Se
vamos nos beneficiar desse Treinador Celestial ou
não, isso depende de nós. Temos de escolher ouvi-
lo e seguir Seu conselho.
Um treinador de beisebol não pode ajudar um
atleta a menos que o atleta escolha seguir suas
instruções. Um treinador de atores pode falar até
ficar rouco, mas isso não terá utilidade alguma a não
ser que o ator esteja disposto a ouvir e executar as
instruções do treinador. Um treinador vocal pode ver
potencial na voz de uma pessoa e tentar instruir esse
vocalista de várias formas que o façam cantar
melhor. Entretanto, se o aluno se recusar a ouvir e
escolher cantar como deseja, o treinador não poderá
gerar os melhores resultados.
Do mesmo modo, precisamos dar ao Espírito
Santo a autoridade suprema em nossa vida, aprender
a confiar na Sua liderança e fazer o que Ele nos
instrui a fazer. Ele é o Consolador enviado por Deus
para ajudar a tornar a plenitude da vida de Jesus
uma realidade na nossa experiência diária.
Entretanto, para que o auxílio divino do Espírito
Santo em nossa vida seja eficaz, Ele requer nossos
ouvidos, nossos corações, nossa confiança e nossa
obediência. Qualquer coisa menos que isso
produzirá resultados inferiores à vida sobrenatural
que realmente desejamos. Ele está ali para nos
ajudar, mas precisamos deixar que Ele nos ajude.

A INADEQUAÇÃO QUALIFICA VOCÊ PARA A


AJUDA DO ESPÍRITO
Vamos falar sobre contar aos incrédulos acerca de
Jesus. A maioria dos cristãos fica aterrorizada em
testemunhar. A própria ideia de compartilhar Cristo
com alguém os faz tremer internamente. Muitas
vezes eles têm medo de dizer alguma coisa errada ou
de não saber como responder a uma pergunta.
O Espírito Santo foi enviado para testemunhar
sobre Jesus, o que significa que Ele sabe como fazer
esse trabalho (ver João 15:26; Atos 1:8). Se
permitirmos que o Espírito Santo nos guie, Ele nos
mostrará como testemunhar aos nossos amigos e
vizinhos. Ele sabe como testemunhar!
Orar pelos enfermos é outra tarefa difícil para a
maioria dos cristãos. Muitos sabem muito pouco
sobre cura, o que muitas vezes se torna uma
desculpa para explicar por que eles nunca fazem
nada a respeito. “Não posso orar pelos enfermos
porque não sei como fazer isso”. Quando o pastor
os exorta a se envolverem mais no ministério aos
enfermos, eles pensam: O que você quer dizer,
pastor? Pensei que VOCÊ devesse fazer esse tipo de
coisa. Eu não sabia quando vim para esta igreja
que você iria me pedir para orar pelos enfermos.
Eu não sei fazer isso! Sinto-me totalmente
inadequado.
Mas o Espírito Santo sabe. Ele sabe exatamente
por que as pessoas estão enfermas e por que elas
não estão sendo curadas. Ele sabe se há amargura ou
falta de perdão no coração delas, impedindo-as de
serem curadas. Ele vê e sabe tudo. Assim, Ele
precisa simplesmente de um vaso disposto através
do qual Ele possa liberar Seu poder curador. O
Espírito Santo sabe como curar os enfermos!
A inadequação não é desculpa no Reino de Deus.
A inadequação simplesmente qualifica você para
receber a ajuda do Espírito Santo. Quanto mais cedo
você entender suas fraquezas e inadequações, mais
cedo você buscará a ajuda sobrenatural que o
Espírito Santo quer lhe dar. Esse reconhecimento
leva à próxima revelação: o Espírito Santo precisa se
tornar seu Fortalecedor e seu Guia.
Não importa se você é treinado ou não. Você tem
um Treinador celestial na sua vida que sabe como
testemunhar e como curar. Se ouvi-lo, ler Sua
Palavra e permitir que Ele ocupe Seu lugar de direito
na sua vida, você descobrirá que Ele é um Parceiro
ao seu lado, mostrando como testemunhar e como
orar pelos enfermos.
Quando ainda era um jovem em minha igreja,
antes de ser batizado no Espírito Santo, eu não sabia
como testemunhar. Eu ficava aterrorizado diante da
ideia de fazer isso. “Como assim, bater nas portas?
Oh não, o que vou dizer se alguém abrir a porta?”.
De acordo com Atos 1:8, eu sabia que o Espírito
Santo devia nos dar poder para sermos testemunhas,
mas eu raramente havia experimentado esse poder
pessoalmente, se é que já havia feito isso, sempre
que eu tentava testemunhar de Cristo. Cada semana
eu ia de porta em porta com uma frustração interior
maior, sempre dando um enorme suspiro de alívio
quando nossa tarefa estava concluída até a próxima
semana.
Na nossa igreja, era nosso desejo sermos as
melhores testemunhas do mundo inteiro. O
problema era que queríamos o poder para
testemunhar, mas não queríamos que o Espírito
Santo nos desse uma experiência como a de Atos
2:1-4! Na essência, estávamos dizendo: “Sim,
queremos o poder do Espírito Santo, mas nos
nossos termos”.
Como cristãos, deveríamos treinar, estudar e nos
preparar tanto quanto possível para nos instruirmos
melhor a fim de testemunhar. Mas é tudo em vão a
não ser que o Espírito Santo esteja trabalhando ao
nosso lado. Jesus nos disse: “Recebereis poder,
depois que descer sobre vós o Espírito Santo, e
sereis minhas testemunhas...” (Atos 1:8, NKJV,
tradução livre). Em João 15:26, Jesus também disse:
“... o Espírito da verdade, que dele [do Pai] procede,
esse dará testemunho de mim” (grifo nosso).
Na verdade, o assunto favorito do Espírito Santo é
Jesus Cristo. Testemunhar do fundo do coração é
algo natural para o Espírito Santo. Se isso é algo
natural e fácil para o Espírito Santo, por que quando
o fizemos algumas vezes nos pareceu tão difícil, tão
trabalhoso e tão destituído de alegria?
A resposta óbvia é porque estamos fazendo isso
sem a parceria do Espírito Santo. Quando Ele é
capaz de trabalhar através de vasos rendidos —
cristãos que abriram o coração para Ele — o
Espírito Santo derrama Sua alegria, Seu entusiasmo,
Sua vitalidade e o poder da Sua ressurreição sobre
os perdidos, e eles são salvos. Se estivermos
realmente ouvindo o Treinador Celestial,
testemunhar é fácil!
Por outro lado, testemunhar sem reconhecer a
ajuda do Espírito Santo pode não resultar em nada
além de um exercício de frustração. Quando não
estamos rendidos a Ele para que Ele possa
testemunhar sobrenaturalmente através de nós,
costumamos nos voltar para programas pré-
planejados de evangelismo que podem acabar
impedindo a plena liberação do poder do Espírito —
e nos colocar em cativeiro enquanto testemunhamos.
Entretanto, creio que aqueles não são cheios do
Espírito Santo e não pretendem aprender como fluir
na Sua vida sobrenatural, provavelmente deveriam
trabalhar com esses programas pré-planejados de
evangelismo. E a verdade é que esses programas
podem ser úteis para aqueles que testemunham
sobre Jesus aos outros, inclusive aqueles que são
cheios do Espírito. Eles ajudam a formar uma
estrutura na mente das pessoas para ajudá-las a dar
início ao assunto quando estão testemunhando.
Mas, sem a ajuda do Espírito Santo, a pessoa é
deixada completamente à mercê das próprias
habilidades para realizar o trabalho. E ela descobrirá
que é muito difícil, se não impossível, suas
habilidades e seus talentos mentais despertarem
aqueles que estão espiritualmente mortos.
Não é de admirar que as pessoas se sintam tão
derrotadas quando testemunham sem recorrer à
direção e ao poder do Espírito Santo. Graças a
Deus, há um caminho mais elevado e melhor.
Encontramos esse caminho mais elevado no livro
de Atos. Esse relato registra o tipo de testemunho e
de testificação que transformou cidades e abalou
nações! Os primeiros cristãos não tinham programas
ou cursos de evangelismo para aprender a
testemunhar, mas eles mudaram a história. Por quê?
Porque eles tinham um relacionamento vital com o
Espírito Santo, que é a maior Testemunha e o maior
Testificador de Jesus na terra! O resultado foi um
grande sucesso.
O Espírito Santo ainda quer falar ao mundo sobre
Jesus hoje. Ele ainda anseia por liberar Seu poder
através da Igreja para virar o mundo de cabeça para
baixo com o Evangelho de Jesus Cristo. Esse é o
tipo de poder que o Espírito Santo, nosso Treinador,
pode liberar através de nós se pegarmos as dicas que
Ele nos dá e fizermos o que Ele nos disser para
fazer!
PENSE NISTO
O Espírito Santo não nos dá uma pedra quando
pedimos pão (ver Lucas 11:11-13). Seja o que for
que necessitemos — consolo, sabedoria, descanso,
força sobrenatural, conselho, etc. — está disponível
para recebermos a qualquer momento. Todos os
dias, em todas as situações, o Pai espera que
confiemos nele para Sua provisão através do
ministério do Espírito Santo a nós. Devemos
recorrer à força e à sabedoria do Espírito Santo,
ouvir Sua direção e nos rendermos imediatamente a
fazer o que Ele nos impulsiona a fazer.
Procure situações na sua vida em que uma maneira
de pensar limitada dominou você e o manteve longe
de uma parceria vital com o Espírito Santo. Você
precisa parar e passar tempo com o Espírito Santo
para descobrir Suas “formas mais elevadas” de fazer
as coisas nessas situações?
CAPÍTULO 8
GUIADO PELO ESPÍRITO SANTO

À s vezes apenas seguimos a programação do dia


e perdemos o que o Espírito Santo está
tentando dizer e fazer através de nós. Parece que
nos tornamos tão programados em todas as esferas
da vida que é impressionante que Ele sequer seja
capaz de falar conosco!
Muitas vozes falam conosco através de livros,
gravações de áudio, da internet, de pregações, etc.
Com tudo isso enchendo nossa mente, podemos ser
tentados a viver com toda a informação que
acumulamos sem consultar o Senhor a respeito. Essa
informação, porém, pode não conter uma única
palavra com a qual o Espírito Santo quer que
corramos nossa corrida pessoal!
Informação não é o mesmo que revelação divina.
Pode ser difícil aceitarmos a afirmação a seguir,
mas ela ainda assim é verdadeira: grande parte do
que realizamos na vida, na verdade, foi iniciado por
nós e não pelo Espírito Santo. Depois que já
estamos com a bola rolando “do nosso jeito”,
oramos e pedimos a Deus para abençoar o que nós
iniciamos, supondo que era a vontade dele porque
foi uma boa ideia. Não é de admirar que tenhamos
resultados tão ruins!
Precisamos aprender a pisar no freio, a parar por
um tempo e a esperar diante do Senhor até que o
Espírito Santo fale claramente ao nosso coração
sobre as decisões que devemos tomar ou a direção
que devemos seguir. Embora possa parecer que essa
maneira de fazer as coisas demora mais, os
resultados serão mais recompensadores e
duradouros quando Ele fala e nós obedecemos.
Além do mais, evitaremos ciladas que poderiam nos
custar muito tempo e esforço mais cedo ou mais
tarde.

APRENDA QUANDO ESPERAR


Precisamos permitir que o Espírito Santo nos
direcione em todas as áreas da vida. Veja o assunto
de ministrar cura, por exemplo. Talvez você tenha
dito em algum momento na sua caminhada com
Deus: “Vou orar pela próxima pessoa que eu
encontrar em uma cadeira de rodas, e essa pessoa
não vai precisar dessa cadeira de rodas quando eu
terminar de orar!”. Quando você terminou de orar,
nada mudou no estado da pessoa. Se você passou
por esse tipo de situação, ou por uma experiência
semelhante, você pode ter se sentido constrangido,
impotente e derrotado.
Mas espere um instante. Deus não queria curar
aquela pessoa? É claro que sim. Porém a unção
pode não ter estado presente naquele exato
momento para curar daquela maneira específica. Ou
aquela pessoa poderia não estar pronta para receber
a cura com a própria fé.
Ser sensível ao Espírito Santo o ajudará a saber
quando orar e quando esperar — e como orar em
particular sobre uma situação enquanto você espera.
Um exemplo clássico de “esperar versus não
esperar” pode ser encontrado no relato dos dois
mendigos cegos em Mateus 9:27-31. Aqueles dois
mendigos ouviram Jesus passar, mas Ele não parou
para curá-los. A Bíblia diz que eles “... seguiram-
no... clamando: ‘Tem compaixão de nós, Filho de
Davi!’”.
A palavra “seguiram” é a palavra grega
akoloutheo, que significa seguir alguém ou alguma
coisa de uma maneira muito determinada e
resoluta. Embora aqueles mendigos fossem cegos e
não pudessem ver para onde estavam indo, eles
estavam decididos a seguir Jesus até ter a Sua
atenção.
Veja o que esses mendigos cegos fizeram para
chamar a atenção de Jesus. O versículo diz que eles
estavam “clamando”. A palavra clamar é a palavra
krazo, e significa gritar, bradar, exclamar ou
clamar. Em outras palavras, eles estavam gritando
em alta voz para chamar a atenção de Jesus!
Esse é um quadro muito dramático. Pense nisso.
Eis dois homens cegos, querendo desesperadamente
ser curados, que estavam gritando e bradando para
chamar a atenção de Jesus. Mas Ele simplesmente
continuou andando como se eles não estivessem ali.
Perseguindo Jesus incansavelmente, os mendigos
tateavam pelo caminho, em meio às trevas de sua
cegueira, ainda gritando, bradando e clamando para
que Ele os curasse. Ele não poderia ter deixado de
ouvi-los por que eles estavam gritando muito alto.
Mas Jesus não parou. Enquanto isso, eles estavam
gritando o mais alto que podiam, insistentemente:
“Tem compaixão de nós! Tem compaixão de nós!
Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de nós!”.
Durante anos, essa passagem da Bíblia me deixou
perplexo. Por que Jesus não se dirigiu àqueles dois
mendigos cegos? Por que Ele não os curou? Eles
estavam tão determinados a chamar a atenção dele
que o seguiram por todo o caminho até a casa onde
Ele estava hospedado, clamando “Filho de Davi, tem
compaixão de nós!”.
Finalmente, Jesus voltou-se e perguntou a eles:
“Credes que Eu posso fazer isto?” (v. 28).
Eles responderam: “Sim, Senhor”.
Então Jesus tocou os olhos dos dois mendigos e
disse: “Faça-se conforme a vossa fé”. (v. 29). Por
que Jesus não parou e os curou quando os viu pela
primeira vez? Por que Ele não se voltou
imediatamente para curá-los quando soube do
estado de cegueira deles? E por que Ele lhes
respondeu: “Faça-se conforme a vossa fé”?
Evidentemente Jesus não sentiu a unção de cura
naquele momento; do contrário, Ele teria parado
para fazer isso. Entretanto, isso não impediu os
mendigos de receberem a cura pela qual seus
corações estavam clamando. Foi como se Jesus
dissesse: “Não sinto a unção do Espírito Santo para
curar agora, então vocês terão de receber isso pela
própria fé! Faça-se conforme a sua fé”.
A única razão pela qual Jesus não quis parar para
curar aqueles dois homens cegos foi porque o
Espírito Santo não o estava direcionando para curar
naquele momento. A boa notícia é que eles podiam
usar a própria fé para serem curados mesmo assim.
E eles o fizeram — e foram curados!
Quando o Espírito Santo direcionava Jesus a
pessoas que desejavam ser curadas, Jesus as curava
com cem por cento de sucesso. Vemos isso em
Lucas 6:19: “E todos da multidão procuravam tocá-
lo, porque dele saía poder; e curava todos” (grifo
nosso).
Outro exemplo está em Lucas 5:17, quando Jesus
estava ensinando a Palavra de Deus e Ele sentiu que
“... o poder do Senhor estava com Ele para curar”.
Seguindo a direção do Espírito Santo, Ele ministrou
à multidão e curou um paralítico.
Esta era a chave do sucesso de Jesus no ministério:
Ele seguia a direção do Espírito Santo — sempre.
Não podemos fazer nada menos que isso se
quisermos ser a mão de amor de Jesus estendida nas
situações que encontramos na vida.

APRENDA A SEGUIR O LÍDER


Lucas 4:1 diz que Jesus foi “guiado pelo mesmo
Espírito, no deserto”. Lucas 4:14 diz que Ele “no
poder do Espírito, regressou [do deserto]” (grifo
nosso). Jesus era guiado pelo Espírito em tudo o que
fazia. Ele dependia totalmente do Espírito para guiá-
lo.
Quando eu era pequeno, minhas duas irmãs e eu
costumávamos brincar de um jogo chamado “Siga o
Líder”. Eu queria ser o líder, mas minha irmã mais
velha sempre acabava ficando com esse papel tão
cobiçado.
O líder nos dizia o que fazer, as brincadeiras que
faríamos, quem limparia a casa e assim por diante.
Basicamente, tínhamos de fazer tudo o que o líder
nos dissesse para fazer. Não é de admirar que
minha irmã mais velha quisesse sempre ser a líder!
Sempre penso nisso quando leio Romanos 8:14.
Ali diz: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito
de Deus são filhos de Deus”. Em grego, a estrutura
da frase é ao contrário, de modo que diz: “Pois
todos os que pelo Espírito de Deus estão sendo
guiados, são eles os filhos de Deus”. Essa forma
coloca o Espírito Santo em primeiro lugar no
versículo, e nós somos colocados atrás dele — como
as crianças que brincam de Siga o Líder!
A palavra grega para “guiar” é ago, que significa
simplesmente conduzir. Essa palavra também forma
a raiz da palavra grega agon, que descreve um
conflito intenso, como uma luta em um campeonato
ou um esforço da vontade humana. Essa descrição
enfatiza que o Espírito Santo deseja nos guiar
continuamente, mas nossa vontade humana não
gosta da ideia de ser guiada.
Assim, quando escolhemos andar no Espírito e
deixar que Ele dite os passos da nossa vida, Sua
liderança sobre nós gera uma luta na nossa vontade
— a escolha entre ouvir nosso homem espiritual ou
nos rendermos à carne. Se formos mais orientados
pela carne, muitas vezes teremos medo de confiar
no Espírito Santo. É da natureza da carne querer
seguir o próprio caminho e não confiar na instrução
de outro.
Quando brincávamos de Siga o Líder, eu não
gostava de ser guiado pela minha irmã nem que me
dissessem o que fazer. Eu preferia estar no comando
da minha vida e tomar as próprias decisões!
Entretanto, como filhos de Deus, precisamos ficar
no nosso lugar com Ele, o que nunca é o papel do
líder, mas sempre o papel do seguidor. Não
devemos estar na frente direcionando o Espírito
Santo! É sempre nosso lugar nos posicionarmos
atrás dele, seguindo Sua liderança, Sua direção e
Sua orientação. A marca de um cristão maduro é a
sua capacidade de sentir para onde o Senhor o está
direcionando e depois seguir essa direção — ainda
que a direção seja ficar parado!
O simples fato de saber que a palavra grega para
“guiar” é a mesma raiz da palavra “luta” nos enche
de sabedoria para a batalha que se seguirá! Deus
está nos preparando para lidarmos com a carne à
medida que prosseguimos em direção a uma vida
guiada pelo Espírito. A carne quer ter o controle, de
modo que precisamos mortificar (ou derrotar) a
carne e permitir que o Espírito Santo faça as coisas
do Seu modo (ver Romanos 8:13; Colossenses 3:5).
Independentemente de o quanto a luta pareça
grande, o processo de mortificação e a confiança na
direção do Espírito Santo são as únicas formas de
viver uma vida cristã sobrenatural.
Em certo sentido, deveríamos ter como alvo
sermos seguidores inseparáveis do Espírito Santo.
Deveríamos estar sempre buscando entender o que
o Espírito Santo está fazendo, onde Ele está indo e
como Ele está direcionando. Então, uma vez que
saibamos o que Ele quer que façamos, devemos
seguir Sua direção cegamente.
Era assim que Jesus se relacionava com o Pai.
Tudo que Jesus via o Pai fazer era isso que Ele
fazia. Do mesmo modo, precisamos ser sensíveis
para ver o que o Espírito Santo está fazendo, e para
onde Ele está nos direcionando e depois seguirmos
Suas pistas. Isso é ser “guiado pelo Espírito”, que é
tanto nossa responsabilidade quanto o beneficio de
que desfrutamos como filhos de Deus. Para nos
tornarmos os cristãos maduros que Deus quer que
sejamos, precisamos ter esse relacionamento prático
e vital com o Espírito Santo.
Muitas vezes o Espírito Santo dirige sua vida lhe
dando uma percepção ou mesmo um cutucão para
tomar determinada atitude. A direção dele também
pode ser mais dramática, como através de uma
profecia ou visão; ou simplesmente como uma voz
mansa e suave falando ao seu ser interior com uma
clareza que muitas vezes permite que você realmente
repita o que Ele disse.
Independentemente da maneira como o Espírito
Santo escolha guiar você em determinada situação,
sua busca por Ele deve permanecer constante.
Como um filho de Deus, aprender a conhecer Sua
voz e a ser guiado por Ele deve ser um dos objetivos
principais da sua vida como filho de Deus.
PENSE NISTO
Às vezes a coisa mais espiritual que você pode
fazer acerca de uma situação é “nada” — pelo
menos, nada que seja discernível exteriormente.
Esse “nada” pode ser um ato de sabedoria enquanto
você espera diante do Senhor e o busca ativamente
para saber qual é a Sua direção, para receber a Sua
sabedoria, etc.
Olhe para todas as áreas da sua vida e avalie o
quanto você tem seguido a direção do Espírito Santo
em cada uma delas. Pense nas situações em que
você saiu na frente e seguiu um plano projetado por
você mesmo. Compare os resultados dessas
situações com os das vezes em que você sabia ter
recebido a direção do Espírito Santo e seguiu em
frente fazendo o que Ele lhe disse para fazer.
CAPÍTULO 9
AVENTURAS DIÁRIAS COM O
ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo vê o que não podemos ver e sabe


o que não podemos saber naturalmente, e Ele
pode estar em todos os lugares o tempo todo. Como
seres humanos, estamos limitados ao que podemos
ver, ouvir e saber. Assim, para ministrarmos com
êxito, precisamos ouvir o Espírito Santo e permitir
que Ele direcione nossos pensamentos, nossas
palavras e nossos atos.
Tenho um exemplo simples da maneira como o
Espírito Santo nos treina e nos guia. Denise e eu
estávamos fazendo compras em um grande
supermercado. Quando passamos pela seção das
frutas, minha esposa ficou com um olhar inquisidor.
— Rick — ela disse — o Espírito Santo acaba de
colocar no meu coração que eu vá testemunhar
àquela mulher ali. Creio que Ele me deu algo
específico que devo dizer a ela.
— Então é melhor obedecer ao Senhor — falei.
— Voltarei em um instante — ela disse.
Denise foi até a mulher:
— Senhora, entendo que não me conhece, mas o
Espírito de Deus me disse para vir até aqui e lhe
dizer uma coisa. Ele disse que você pode pensar que
Deus não a ama mais e que Ele jamais poderia amá-
la novamente. Mas Ele a ama e quer que você saiba
disso.
A mulher olhou para Denise como se fosse
esbofeteá-la ali mesmo. Sua expressão facial dizia:
“Saia do meu caminho, sua fanática religiosa!”.
Depois dessa reação, Denise voltou sentindo-se
um fracasso total, como se houvesse entendido mal
o que deveria fazer.
— Rick, talvez eu estivesse errada sobre a palavra
que dei àquela mulher — ela me disse. — Ela não
pareceu ficar muito feliz em ouvir aquilo.
— Querida, vire-se. Aquela mulher está andando
na sua direção agora.
Quando Denise se virou, ela viu a mulher andando
em direção a ela com lágrimas descendo pelo seu
rosto. A mulher disse:
— Acabo de passar por um divórcio, e alguém me
disse que Deus nunca mais me amaria. Eu nem
conheço Deus! Você poderia orar comigo para que
eu o conheça?
Ali mesmo, na seção de frutas do supermercado,
minha esposa conduziu aquela mulher preciosa a
receber Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. A
salvação dela foi o resultado da parceria da minha
esposa com o Espírito Santo! Ele é o Treinador
Celestial que foi chamado para estar ao nosso lado
para ajudar-nos no nosso testemunho ao mundo.

A HORA DO TREINADOR
Posso ver por que o Espírito Santo é chamado de
Consolador, porque é tão consolador saber que Ele
está sempre ao nosso lado, principalmente quando
Ele nos pede para fazermos alguma coisa que é
diferente do que estamos acostumados a fazer.
Por exemplo, foi uma revelação quando descobri
que os dons do Espírito Santo não estavam limitados
aos cultos da igreja! Os dons do Espírito devem
operar em qualquer lugar, assim como eles
operavam no livro de Atos. O dom de milagres deve
estar operando através dos cristãos nas ruas das
nossas cidades. Os cristãos devem levar as pessoas a
serem curadas e libertas, assim como em Atos 3:1-8
quando o aleijado foi curado nas escadarias do
templo!
Se ouvirmos nosso Treinador Celestial, Ele nos
tocará para testemunharmos quando for a hora
certa. Ele colocará uma palavra em nosso coração,
uma “palavra de conhecimento” (ver 1 Coríntios
12:8), que falará sobrenaturalmente ao coração de
alguém necessitado.
Certo dia, enquanto eu estava comendo em um
restaurante, uma garçonete foi até a minha mesa
para pegar o pedido. O Espírito Santo me
impulsionou em meu espírito para que ministrasse a
ela, de modo que quando ela saiu, perguntei:
“Senhor, o que Tu queres que eu diga a esta mulher
quando ela voltar?”. Enquanto eu estava ali, sentado
tranquilamente, pensamentos se formaram no meu
espírito. Comecei a entender o que Ele queria que
eu dissesse à garçonete. Em meu espírito, ouvi o
Espírito Santo — meu Parceiro e meu Treinador
celestial — me dar uma palavra de conhecimento
muito específica sobre a situação que aquela mulher
estava vivendo. Ela era tão específica que pensei:
Ou isto está muito certo ou está muito errado!
Ouvi o Espírito Santo me dizer: “Esta mulher é
uma mãe solteira que se mudou para cá há três
semanas. Ela tem três filhos, e não sabe como vai
pagar as contas. Ela está muito preocupada. Quero
que você diga a ela que estou com ela todos os
dias, principalmente agora, e que tudo vai dar
certo para ela. Ela precisa que a Minha paz seja
ministrada à sua mente perturbada, portanto fale
com ela agora”.
Quando aquela mulher retornou para colocar mais
café na minha xícara, eu disse:
— Perdoe-me, posso ter uma palavrinha com
você?
— Sim, o que é?
— Quando você se afastou há alguns minutos,
Deus falou ao meu coração para lhe dizer uma
coisa. Há três semanas você se mudou para esta
cidade com muito pouco dinheiro. Você tem três
filhos e não sabe como vai pagar as contas. Você
está se sentindo como se estivesse completamente só
neste mundo, mas, como você pode ver, Deus está
trabalhando na sua vida. Ele está com você,
principalmente agora, e disse que tudo vai dar certo
para você. Ele a conhece tão bem que me pediu para
dizer isso a você justo hoje, para que você tenha
consciência do fato de que Ele está ao seu lado.
Então fique em paz, você não está só!
Lágrimas começaram a descer pelo rosto da
garçonete. Cada palavra estava correta. O Espírito
de Deus havia suprido a necessidade dela porque Ele
encontrou em mim um vaso através de quem podia
falar. Naquele dia, a parceria com o Espírito Santo
ajudou uma mulher que estava sofrendo a ter uma
experiência com a vida de Jesus Cristo. (E você
pode apostar que deixei uma gorjeta substancial para
aquela garçonete naquele dia! Deus estava deixando
muito claro o quanto Ele a amava.)

DEVEMOS NOS RENDER E COOPERAR


Se ouvirmos, o Espírito Santo também falará
conosco de formas talvez menos espetaculares, mais
ainda assim, transformadoras. Por exemplo, Ele nos
dirá quando ficar quietos em casa e pararmos de
implicar com nossos cônjuges! Ele nos dirá para
sermos mais encorajadores. Ele nos exortará a amar
nossos cônjuges de formas mais expressivas. Ele nos
mostrará como sermos melhores pais e avós. Ele nos
mostrará como sermos fiéis no pagamento das
nossas contas.
Se você está pensando: nunca vivi nada assim
antes, seu problema pode ser o fato de você não
estar ouvindo o Espírito Santo. Ele provavelmente
está falando com você o tempo todo, tentando
orientá-lo a fazer certas coisas. Talvez você
ignorasse quem estava lhe falando, ou talvez você
não estivesse ouvindo. Provavelmente Ele está
constantemente plantando pensamentos e ideias no
seu coração, mas você não está consciente de que é
o Espírito Santo tentando guiar e direcionar você.
O Espírito Santo o moldará à imagem de Jesus
Cristo à medida que você ler Sua Palavra e procurar
desenvolver Sua parceria divina na sua vida. Ele já
habita em você. Agora você precisa aprender a
desfrutá-lo e a cooperar com Ele na sua vida prática
diária. Ele quer usar você para ministrar a outros e
falar com você sobre sua vida.
Mas lembre-se: um treinador de nada adianta a
não ser que você o ouça!
Os seres humanos geralmente têm medo do
desconhecido. Como já vimos, foi por isso que
Jesus nos disse por três vezes que o Consolador era
o “Espírito da verdade” (ver João 14:17; 15:26;
16:13).
O Senhor sabia que poderíamos ficar assustados
em seguir alguém que não podemos ver. Afinal, se
fizermos papel de bobos, não podemos dizer: “A
culpa é dele”, e apontar para alguém que está ao
nosso lado e que ninguém pode ver! Além de ter
esse obstáculo para vencer, também temos de lidar
com o medo natural de sairmos do normal e nos
tornarmos fanáticos religiosos que vivem em um
mundo imaginário.
Mas o Espírito Santo é o “Espírito da verdade” —
e não o espírito do erro ou do engano! Ele não vai
guiar você de forma errada. Nem irá guiá-lo a
alguma coisa errada ou que seja destrutiva para seu
testemunho como um pensador e um cristão sadio.
Você pode manter uma mente equilibrada e ser
guiado sobrenaturalmente ao mesmo tempo.
Se o Espírito Santo colocar um pensamento na sua
mente de fazer alguma coisa, há uma razão pela qual
Ele quer que você faça isso. Se Ele lhe disser que
alguma coisa vai funcionar, ela vai funcionar. Se Ele
lhe der instruções, o objetivo dele é ajudar você. Ele
não foi enviado para magoá-lo ou para que você
faça papel de bobo. Ele foi enviado para tornar você
melhor e mais produtivo — uma testemunha
poderosa e estável de Jesus Cristo.
Ao ler isso, você pode estar dizendo no seu
coração: Quero conhecer o Espírito Santo deste
modo. Eu realmente desejo vencer meus medos e
minhas lutas internas e deixar que Ele se torne o
meu Líder. Nesse caso, eu o encorajo a fazer esta
oração:
“Espírito Santo, quero aprender a confiar mais
em Ti. Quero discernir Tua direção em minha
vida e permitir que Tu me guies, me dirijas e
me direcione. Isso é novo para mim, então, por
favor, continua falando comigo, me instruindo,
me tocando e me impulsionando até que eu me
liberte dos meus temores e aprenda a confiar
em Ti”.
PENSE NISTO
Em um sentido muito real, o Espírito Santo atua
como o Oleiro divino, nos moldando e formando até
nos conformarmos à imagem de Jesus pela vontade
e pelo desejo do Pai. Mas para que esse processo
seja totalmente eficaz, temos primeiro de confiar nas
mãos do Oleiro sobre nossa vida. Nossa confiança é
o requisito para nos rendermos à Sua obra de nos
moldar e formar, mesmo quando isso é
desconfortável e não familiar. Por confiarmos nele,
podemos descansar, sabendo que Ele está
trabalhando somente para o nosso bem e para o
cumprimento do propósito que foi ordenado por
Deus para nós na terra.
Você confia suficientemente no Espírito Santo
para se render ao processo de mudança que Ele
precisa fazer em você, por mais desconfortável que
esse processo possa ser algumas vezes?
CAPÍTULO 10
O ESPÍRITO SANTO NOS CONSOLA E
HABITA DENTRO DE NÓS

N os próximos capítulos, vamos considerar dez


aspectos da obra do Espírito Santo em nossa
vida que Ele faz por nós pessoalmente. Elas podem
ser resumidas como se segue:
1.O Espírito Santo nos consola (João 14:16).
2.O Espírito Santo habita dentro de nós (João
14:17)
3.O Espírito Santo nos ensina (João 14:26).
4.O Espírito Santo nos faz lembrar (João 14:26).
5.O Espírito Santo testifica conosco (João
15:26).
6.O Espírito Santo nos traz convicção (João
16:9).
7.O Espírito Santo nos convence (João 16:10).
8.O Espírito Santo nos guia (João 16:3).
9.O Espírito Santo nos revela (João 16:13).
10.
O Espírito Santo nos ajuda a adorar (João
16:14).

As duas primeiras responsabilidades listadas


representam a obra que o Espírito Santo faz no
nosso coração. Começaremos revendo o que Jesus
ensinou sobre o Espírito Santo como Consolador.
1.O Espírito Santo nos Consola

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a


fim de que esteja para sempre convosco.
— João 14:16

Jesus usou o nome “Consolador” quatro vezes


para descrever o Espírito Santo — mais que
qualquer outro nome dado ao Espírito de Deus.
Quando uma verdade é repetida vez após vez na
Bíblia, isso é feito para enfatizar uma ideia.
A palavra “Consolador” vem da palavra
parakletos, que descreve alguém que vem para
ajudar, assistir, exortar, encorajar, aconselhar,
avisar e fortalecer. Ela também transmite a ideia de
um amigo que entra em uma situação difícil para
defender você de algo ruim ou nocivo.
Jesus ensinou tão extensamente sobre o Espírito
Santo porque Ele queria atenuar quaisquer temores
ou preocupações que os discípulos pudessem ter
sobre Aquele a quem eles não podiam ver. Acima de
tudo, Jesus queria que eles soubessem que podiam
confiar no Espírito Santo.
Nos anos que estavam por vir, os discípulos
descobriram que as palavras de Jesus haviam sido
bastante precisas. O Espírito Santo se tornou o
Amigo mais precioso e o Conselheiro pessoal mais
próximo.
O Espírito Santo também é o nosso Consolador
hoje. Tudo o que Ele fazia por Jesus — e tudo o
que Ele fazia pelos discípulos e a Igreja Primitiva —
Ele ainda deseja fazer hoje. Dois mil anos depois,
Seu nome, Seu comportamento, Sua obra e Seu
ministério não mudaram.
Enquanto você passa pelas circunstâncias da vida,
o Espírito Santo está bem ao seu lado (para) para
ajudá-lo, assisti-lo, defendê-lo, ensiná-lo, aconselhá-
lo e fortalecê-lo a cada passo que você der.
(Recomendo enfaticamente que você releia o
Capítulo 6 a fim de garantir o entendimento da obra
do Espírito Santo como nosso Consolador.)
2.O Espírito Santo Habita Dentro de Nós

O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber,


porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis,
porque ele habita convosco e estará em vós.
— João 14:17

Em João 20:22, Jesus soprou sobre os discípulos e


lhe disse: “Recebei o Espírito Santo”. A palavra
“receber” vem da palavra grega lambano, que
significa receber alguma coisa agora. O fato de a
palavra lambano ser usada aqui nos diz algo muito
importante.
A palavra lambano significa que Jesus estava
transmitindo o dom do Espírito Santo aos discípulos
naquele exato momento.
O Antigo Testamento estava chegando ao fim
forçadamente, e o Novo Testamento estava sendo
iniciado quando o Espírito de Deus veio para morar
dentro dos corações dos homens pela primeira vez
na história humana. Até aquele momento, somente
Jesus havia conhecido a habitação permanente do
Espírito Santo dentro dele.
No passado, o Espírito Santo viera
temporariamente sobre as pessoas para revesti-las de
poder para o ministério e o serviço, mas Ele nunca
havia vivido permanentemente dentro de um ser
humano. Até os profetas, os sacerdotes e os reis do
Antigo Testamento nunca tiveram esse privilégio
glorioso. Eles conheciam a presença do Espírito
Santo apenas de uma forma temporária. Quando
necessário, Ele vinha sobre eles para fazer alguma
coisa especial, mas depois Ele se elevava deles até a
próxima vez que eles precisassem ser especialmente
revestidos de poder para o serviço.
Assim, quando Jesus disse que o Espírito Santo
habitaria dentro dos discípulos (ver João 14:17), Ele
estava fazendo a declaração mais radical que
qualquer judeu poderia fazer. Ele estava declarando
que pela primeira vez na história, o Espírito de Deus
estaria presente no coração do povo de Deus
permanentemente.
Em grego, a palavra “habitar” é a palavra meno.
Ela significa ficar ou permanecer. Essa é a imagem
de uma pessoa que decidiu que nunca mais vai se
mudar. Ela encontrou o lar dos seus sonhos e está
decidida a ficar ali. Ela não vai se mexer, se mover,
recuar ou ser obrigada a se mudar.
Jesus nos disse que a vinda do Espírito Santo
marcaria um novo tempo para a humanidade
quando o Espírito Santo viria para habitar
permanentemente no coração de todos os cristãos.
Habitar no coração dos homens não seria algo
temporário ou passageiro como Sua presença no
Antigo Testamento. Seria uma nova aliança,
fundamentada em melhores promessas (ver Hebreus
8:6). O Espírito Santo nunca se mudaria, nunca
hesitaria e nunca faria as malas para ser transferido
para outro local.
Seu coração não foi feito para ser um hotel! Deus
nunca pretendeu que o Espírito Santo fosse apenas
um hóspede. Se o Espírito Santo fosse apenas um
visitante, você não poderia desenvolver uma parceria
íntima com Ele — um relacionamento de
intimidade, de conhecimento e de confiança
profundos.
Mas porque o Espírito Santo veio para ficar como
um Inquilino permanente no seu coração, esse é um
relacionamento que vale muito o seu tempo e a sua
energia. Esse Parceiro está com você pelo resto da
sua vida. Essa é outra maravilhosa razão pela qual
você deve decidir levar a sério a decisão de cultivar
sua parceria com o Espírito Santo a partir de hoje!
PENSE NISTO
Desenvolver uma parceria com o Espírito de Deus
não é uma questão banal, e isso não pode ser feito
de vez em quando de acordo com nosso horário
preferido ou com o que consideramos ser
conveniente. O Espírito Santo é o selo do nosso
relacionamento de aliança com o Deus Todo-
Poderoso. Essa é uma transação eterna que fizemos
voluntariamente sem devolução. O Espírito Santo se
mudou para o nosso “templo” e Ele não tem planos
de se mudar. Mas às vezes é possível entristecê-lo e
deixá-lo desconfortável com as escolhas que
fazemos.
Quando você olha para trás, para seu
relacionamento passado com o Espírito Santo, que
tipo de “anfitrião” da Sua presença você diria que
tem sido? O quanto você tem deixado esse Parceiro
divino confortável na Sua casa, que é você? Você
muitas vezes o tem relegado a uma “sala de estar nos
fundos”, onde Ele tem esperado que você venha e
desfrute de momentos de intimidade e de íntima
comunhão com Ele? Ou o Espírito Santo tem
recebido o melhor de tudo que você poderia
oferecer a Ele — inclusive sua busca por conhecer
Seu coração, por dar a Ele as primícias do seu
tempo e por agradá-lo em tudo o que você faz?
CAPÍTULO 11
O ESPÍRITO SANTO ENSINA, LEMBRA
E TESTIFICA

N
hoje:
o último capítulo, estudamos duas obras do
Espírito Santo na vida dos cristãos na terra

1.O Espírito Santo nos consola


2.O Espírito Santo habita dentro de nós

Os três próximos pontos que veremos são coisas


que o Espírito Santo faz para nos ajudar a
amadurecer espiritualmente e a ministrar com mais
eficácia aos outros. O Espírito Santo permanece na
terra para os propósitos que já enumerei. Mas essa
obra do Espírito Santo de dentro para fora inclui
transformar nossa vida se nos rendermos enquanto
Ele nos ensina, nos faz lembrar e testifica conosco.
3.O Espírito Santo nos Ensina
Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas
e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.
— João 14:26

Jesus nos dá mestres humanos que são muito úteis


para nos equipar com a verdade de que
necessitamos para crescer nas coisas de Deus. Antes
de mais nada, Ele nos dá o Mestre que nunca
falhará conosco nem nos fará desviar — o Espírito
Santo.
Jesus disse: “não falará por si mesmo, mas dirá
tudo o que tiver ouvido... há de receber do que é
Meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:13, 15). O
papel do Espírito Santo como Mestre é falar por
Jesus Cristo e não falar em nome de si mesmo.
Assim como Jesus não fazia nada a não ser o que
via o Pai fazer, do mesmo modo o Espírito Santo
faz o que Ele vê Jesus fazer. Ele executa o senhorio
de Jesus Cristo na Igreja.
Até os dons do Espírito Santo declaram o
testemunho de Jesus Cristo. Foi isto o que Paulo
disse aos Coríntios: “Porque, em tudo, fostes
enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o
conhecimento; assim como o testemunho de Cristo
tem sido confirmado em vós” (1 Coríntios 1:5-6).
A Igreja de Corinto era grandemente cheia de dons
espirituais (ver 1 Coríntios 1:7). Paulo diz que eles
eram “enriquecidos” por eles. A palavra
“enriquecido” é a palavra grega ploutizo, que
significa tornar extremamente rico. No vocabulário
de hoje, poderíamos chamar isso de “trilhardário”.
Paulo disse que os cristãos de Corinto eram
particularmente ricos em “palavra e conhecimento”
— e, realmente, eles não ficavam para trás em
nenhum dom (ver 1 Coríntios 1:5-7). Paulo afirmou
que a abundância desses dons confirmava o
testemunho de Cristo entre eles.
Antes de seguirmos em frente, vamos ver as
palavras “confirmado” e “testemunho”.
A palavra “confirmado” é a palavra grega bebaioo,
que significa tornar firme, concreto, estável ou
sólido. A palavra “testemunho” é a palavra grega
marturion, que descreve uma testemunha ou um
testemunho pessoal tão forte e válido que poderia
resistir ao escrutínio em um tribunal de justiça e
passar no teste com louvor.
A Igreja de Corinto conhecia Jesus Cristo como
um Fazedor de Milagres e um Agente de Cura
porque eles haviam visto o Espírito Santo ministrar
Seu poder milagroso no meio deles. Esse
testemunho em primeira mão confirmava e tornava
esse aspecto de Jesus concreto no coração e na
mente dos cristãos de Corinto. O testemunho de
Jesus como Profeta não era difícil de ser captado
por eles também porque eles haviam tido
experiência com o dom de profecia — palavras do
céu ditas pelo Espírito para encorajar, exortar e
edificar — muito regularmente no meio deles.
Os dons do Espírito Santo confirmam a Pessoa e a
obra de Jesus Cristo. Esses dons dão testemunho do
fato de que Ele ainda está vivo, ainda está curando e
ainda está operando milagres hoje. Por esses dons
maravilhosos, o Espírito Santo ensina sobre Jesus
Cristo e fala em nome dele.
O Espírito Santo também nos traz a mente de
Cristo e a vontade de Deus. Com relação a essa
responsabilidade divina, Paulo escreveu: “... nem
olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano o que Deus tem
preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-
lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as
coisas perscruta, até mesmo as profundezas de
Deus... Pois quem conheceu a mente do Senhor,
que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de
Cristo” (1 Coríntios 2:9-10, 16).
Paulo iniciou esse versículo falando sobre a
incapacidade do homem de entender as coisas
profundas de Deus por si mesmo. Podemos traduzir
esse versículo deste modo: “O coração do homem
nunca poderia sonhar, imaginar ou trazer à mente
as coisas que Deus preparou para aqueles que o
amam”. O coração humano não poderia imaginar
— ainda que nos seus sonhos mais loucos — a
maravilha das bênçãos a serem experimentadas ao
longo do caminho que Deus preparou para Seus
filhos.
Então como podemos conhecer e experimentar
essas bênçãos? Paulo respondeu a essa pergunta
assim: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito...” (1
Coríntios 2:10). A palavra “revelou” é a palavra
apokalupto, que significa desvendar, revelar ou
descobrir. Essa é realmente uma imagem de alguma
coisa que está velada ou escondida, e então de
repente seu véu — ou cobertura — é removido. Em
resultado, o que estava oculto por tanto tempo agora
passa a ser totalmente visto. E Deus faz tudo isso
pelo Seu Espírito.
O Espírito Santo levanta a cobertura e remove o
véu que bloqueia nossa visão das promessas de Deus
para nós. À medida que Ele abre os olhos do nosso
espírito para verdades anteriormente veladas, Ele
continua a nos ensinar a Palavra de Deus, que no
final das contas testifica do senhorio de Jesus Cristo
em nossa vida.
Além do mais, o Espírito Santo é Aquele que
inspirou a Bíblia. Em 2 Timóteo 3:16 lemos: “Toda
a Escritura é inspirada por Deus...”. A palavra grega
para “inspirada” é theopneustos, que significa
literalmente soprado por Deus, inspirado por Deus
ou soprado para dentro por Deus. O Espírito Santo
foi o Agente divino que proporcionou o
pronunciamento inspirado do coração do Pai aos
corações daqueles que foram chamados para
escrever as palavras.
A obra do Espírito Santo de inspirar e direcionar a
escrita da Bíblia não diz respeito somente ao Novo
Testamento. Em 2 Pedro 1:21 vemos que o Espírito
Santo ungiu e inspirou os escritores do Antigo
Testamento também: “Porque nunca jamais
qualquer profecia foi dada por vontade humana;
entretanto, homens [santos] falaram da parte de
Deus, movidos pelo Espírito Santo” (grifo nosso).
Como o Inspirador e Autor do Antigo e do Novo
Testamento, o Espírito Santo também se torna o
Mestre por excelência. Ninguém conhece melhor a
Bíblia. Ninguém pode ensiná-la melhor que Aquele
que a inspirou e a transmitiu aos corações e às
mentes dos homens para que ela pudesse ser
registrada ou escrita. E Ele ainda a está transmitindo
aos corações e às mentes dos homens hoje. Esse é o
Espírito Santo, nosso grande Mestre!
4.O Espírito Santo nos Faz Lembrar

Esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de


tudo o que vos tenho dito.
— João 14:26

Você já se perguntou: Como os discípulos se


lembravam de tudo o que Jesus lhes ensinou?
Pense nisso! Com todas as milhares e até milhões
de palavras que os discípulos ouviam Jesus dizer,
como eles se lembravam de todas elas corretamente?
Isso exigiria um intelecto incrível e uma memória
notável — ou alguém que gravasse tudo que Jesus
dizia, da maneira que Ele dizia, quando Ele estava
nesta terra.
Isso nos leva à quarta responsabilidade que Deus
deu ao Espírito Santo — trazer à nossa memória
todas as coisas que Jesus dizia, fazia e ensinava.
A Bíblia dá um exemplo da obra do Espírito Santo
de nos lembrar das coisas na entrada triunfal de
Jesus em Jerusalém quando o povo estava
proclamando alegremente: “... Hosana! Bendito o
que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel!”
(João 12:13).
No momento em que isso estava acontecendo, os
discípulos não perceberam que aquela passagem do
Antigo Testamento estava sendo cumprida diante
dos olhos deles. João 12:16 continua dizendo: “Seus
discípulos a princípio não compreenderam isto;
quando, porém, Jesus foi glorificado, então, eles se
lembraram de que estas coisas estavam escritas a
respeito dele e também de que isso lhe fizeram”.
Assim, quando João mais tarde sentou-se para
escrever este evangelho, ele teve a inspiração e o
discernimento de citar Zacarias 9:9: “Alegra-te
muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém:
eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde,
montado em jumento, num jumentinho, cria de
jumenta” (João 12:14-15).
Depois que o Espírito Santo foi derramado sobre
os apóstolos e os outros no Pentecostes, uma das
maneiras como ele os ensinava sobre Jesus era
ligando a passagem do Antigo Testamento aos
eventos que eles haviam vivenciado com Jesus.
Muitas coisas que não estavam claras ou que não
haviam feito sentido para eles enquanto Jesus estava
na terra estavam sendo explicadas e definidas
enquanto o Espírito Santo os levava aos versículos
do Antigo Testamento. E à medida que Ele inspirava
os apóstolos a escrever o Novo Testamento, Ele
esclarecia e revelava a eles o significado do Antigo
Testamento com relação ao que estava acontecendo
diante dos olhos deles.
Hoje tudo já está escrito, e, de acordo com
Apocalipse 22:18-19, não há nada que possamos
acrescentar à Palavra de Deus. Não haverá novas
revelações sobre a vida de Cristo. Tudo que o
Espírito Santo quer que saibamos sobre isso Ele já
nos disse. Isso não significa que esgotamos e
entendemos tudo da Bíblia que há para captar.
Significa simplesmente que a Sagrada Escritura nos
foi apresentada na sua totalidade. Não haverá
“novas” revelações na vida de Cristo fora dos limites
do que foi escrito.
Uma das coisas mais notáveis sobre a Igreja
Primitiva foi a fantástica capacidade dos quatro
escritores dos evangelhos de lembrar o que Jesus
disse e fez. Mas alguns estudiosos eruditos
modernos tentam desacreditar os evangelhos
declarando que eles são meramente um produto da
memória imperfeita dos discípulos. Eles argumentam
que os evangelhos não contêm as verdadeiras
palavras de Jesus. Eles esqueceram que um aspecto
da obra do Espírito Santo era e ainda é lembrar aos
seguidores de Jesus tudo o que Jesus disse e fez.
O que temos nos evangelhos é exatamente o que
Jesus disse e fez. Eles foram escritos enquanto o
Espírito Santo fazia os escritores dos evangelhos se
lembrarem. Como é verdadeiramente maravilhoso e
fantástico ver como o Espírito Santo iluminou a
mente deles para se lembrarem dos detalhes vívidos
da vida e do ministério de Jesus! É por causa desta
maravilhosa obra do Espírito Santo que temos os
livros de Mateus, Marcos, Lucas e João em nossa
Bíblia hoje.
Nunca podemos dar como desculpa a ignorância
para fazermos o que é errado, esquecermos o que
devemos fazer ou não conhecermos as Escrituras. O
Espírito Santo habita dentro de nós, e Seu propósito
é nos dar exatamente o que precisamos quando
precisamos. Ele está sempre pronto para nos ajudar
a pensar e a fazer o que é certo o tempo todo.
Quando nossa parceria com o Espírito Santo é forte,
podemos contar com Ele no momento em que nossa
memória falha porque é responsabilidade dele nos
lembrar da Palavra de Deus.
Poderíamos estar no meio de uma situação na qual
não sabemos o que fazer. Mas o Espírito Santo está
sempre ao nosso lado para buscar na Palavra de
Deus, iluminar o versículo exato ou a verdade exata
de que necessitamos ou para fazer lembrar-nos dele
no momento exato.
Talvez essa responsabilidade do Espírito Santo seja
mais bem ilustrada nas partes do mundo onde a
Bíblia é proibida. Os governos comunistas proibiram
estritamente a impressão e distribuição da Palavra de
Deus por anos, mas os cristãos escondidos naquelas
nações conhecem bem as Escrituras. Em muitas
nações do mundo, a Bíblia ainda é ilegal, mas você
também pode ter certeza de que os cristãos daquelas
nações conhecem a Palavra de Deus.
Durante mais de um quarto de século, minha
família e eu temos vivido na antiga União Soviética,
que atualmente é a Rússia. Até a queda da Cortina
de Ferro, a Bíblia havia sido proibida ali por mais de
setenta anos. Quando passei a viver nesta região do
mundo, fiquei perplexo com líderes e congregações
inteiras que conheci que sobreviveram à União
Soviética e que só haviam possuído uma Bíblia ao
longo dos anos. Às vezes era uma versão copiada a
mão com páginas rasgadas e danificadas devido a
décadas de uso. Aquelas páginas amareladas e
esfarrapadas da Palavra de Deus significavam tudo
para eles.
Que respeito aqueles cristãos tinham pela Palavra
de Deus! Não ter a Bíblia os fez valorizá-la ainda
mais. Aqueles que realmente possuíam Bíblia as
mantinham perto do seu coração. Eles nunca
colocavam uma Bíblia no chão, nunca colocavam
algo em cima dela, como uma xícara de café — e
nem mesmo as deixavam sobre uma cadeira sem
proteção.
É algo tremendamente incrível ver pessoas que
tiveram acesso limitado à Bíblia e, no entanto, a
conhecem tão bem. Elas podem citá-la e se
lembrarem dela melhor que as pessoas nos países
livres que possuem diversas Bíblias em casa e têm a
oportunidade de lê-las todas as manhãs e todas as
noites! (A partir disso, creio que aqueles que foram
abençoados com inúmeras Bíblias em suas casas,
mas não conhecem a Palavra de Deus precisam
refletir seriamente sobre sua vida.)
Há somente uma explicação para essa incrível
retenção da Palavra de Deus no coração dos cristãos
nos países fechados: o Espírito Santo. Ele está
fazendo exatamente o que Jesus disse que Ele faria
— fazendo aqueles cristãos lembrarem a Palavra de
Deus. Essa é uma das responsabilidades do Espírito
Santo como nosso Parceiro neste mundo.
5.O Espírito Santo Testifica Conosco

Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei


da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede,
esse dará testemunho de mim.
— João 15:26

Como mencionei anteriormente, quando eu era


jovem, não gostava de testemunhar. Eu amava Jesus
de todo o coração, mas sair e bater nas portas para
falar com pessoas que eu nunca havia visto antes na
minha vida — e depois ler para elas um folheto de
dez páginas que elas não estavam interessadas em
ouvir — não era a minha ideia de diversão! Outros
membros da igreja devem ter tido o mesmo
problema, porque nosso pastor tinha constantemente
de implorar e insistir com nossa congregação para
participarem das visitas e do evangelismo na escola
dominical.
Ainda assim, eu sabia que devia testemunhar sobre
Cristo. O problema era que ser uma testemunha não
era o que eu era — era um trabalho que eu fazia.
Lembro-me de que nos amontoávamos no carro do
meu professor da escola dominical para procurar a
lista de nomes que devíamos visitar. Lembro-me
claramente da sensação de desânimo que eu tinha
por dentro enquanto pensava em bater em todas
aquelas portas. Eu me sentia tão impotente,
derrotado e sem alegria quando íamos cumprir o
dever de testemunhar...
Embora muitos cristãos jamais queiram admitir
isso, eles se sentiram da mesma maneira com relação
a testemunhar. A verdade é que não existe
testemunho sem a obra do Espírito Santo. Os
cristãos devem ter a ajuda do Espírito Santo
enquanto testemunham. Foi por isso que Jesus nos
deu o quinto ponto sobre a responsabilidade do
Espírito Santo: “... este dará testemunho de Mim...”
(João 15:26).
O testemunho do Espírito Santo pode ser uma
maneira de lhe dar uma nova revelação de Jesus
Cristo para seu próprio crescimento espiritual e para
ministrar à necessidade específica de outra pessoa
enquanto Ele o guia. Ou Ele pode direcionar você a
pessoas que estão perdidas e depois dar as palavras
de que você necessita para compartilhar com elas
sobre a obra redentora de Jesus. De uma forma ou
outra, o Espírito Santo ama testemunhar sobre Jesus
por causa do Seu profundo amor, Sua adoração e
Sua afeição por Ele.
Quando Jesus disse aos discípulos para ficarem em
Jerusalém, Ele estava dando a eles a estratégia divina
a ser seguida que os equiparia para servirem a Ele.
Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre
vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas
tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e
Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8).
Observe que Jesus disse que os discípulos seriam
testemunhas “depois” que o Espírito Santo descesse
sobre eles. Para testemunhar e testificar
poderosamente sobre o Cristo ressurreto é preciso
ter poder sobrenatural. Por conseguinte, sem a
assistência do Espírito Santo, é quase impossível
testemunhar com essa confiança sobrenatural sobre
Jesus Cristo.
Antes do Dia de Pentecostes, os discípulos eram
semelhantes a muitos cristãos hoje. Em vez de
avançarem de modo poderoso sobre o mundo, eles
estavam se escondendo atrás de portas fechadas.
Diferentemente do grande exército espiritual que
eles deveriam ser, eles estavam simplesmente
existindo e “hibernando” no Cenáculo.
Jesus disse que o Espírito Santo veio para
testificar, mas até Atos 2 os discípulos não
compreenderam a grandeza da capacidade do
Espírito para fazer isso. O testemunho de Jesus
Cristo literalmente explodiu de suas bocas quando
eles ganharam as ruas de Jerusalém, totalmente
rendidos à Pessoa do Espírito Santo. Além de
declararem sobrenaturalmente “as obras
maravilhosas de Deus” em outras línguas (Atos
2:11), os cento e vinte proclamaram a Palavra de
Deus inteligentemente na própria língua a um povo
de quem eles haviam tido medo no dia anterior!
Depois que Pedro foi cheio com o Espírito Santo,
ele proclamou com ousadia: “Varões israelitas,
atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão
aprovado por Deus diante de vós com milagres,
prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou
por intermédio dele entre vós... como vós mesmos
sabeis; sendo este entregue pelo determinado
desígnio e presciência de Deus, vós o matastes,
crucificando-o por mãos de iníquos... Exaltado,
pois, à destra de Deus...” (Atos 2:22-23, 33).
Essa foi uma proclamação sobrenatural! Isso foi
evangelismo sobrenatural!
Ora, não há nada de errado no evangelismo
programado, com visitação de porta em porta ou
com os programas evangelísticos que ensinam os
princípios básicos do testemunho. Mas quando esses
programas substituem a presença e o poder do
Espírito Santo, eles negam o que Deus pretendeu
que o testemunho fosse.
O verdadeiro testemunho bíblico envolve nos
rendermos à direção e ao poder do Espírito Santo
para impactar eternamente uma vida com a verdade
de Jesus Cristo. Assim, o testemunho que ocorre
separadamente desse poder se torna uma obra
religiosa seca e não gratificante.
O verdadeiro testemunho ou testificação de Jesus
Cristo só pode ser feito em relação ao poder da
ressurreição. É a isso que Atos 4:33 se refere
quando diz: “Com grande poder, os apóstolos
davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus,
e em todos eles havia abundante graça”. Mesmo sob
a Velha Aliança, o povo de Deus entendia que eles
não podiam cumprir tarefas espirituais por meios
naturais. Por exemplo, Zacarias 4:6 diz: “Não por
força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o
SENHOR dos Exércitos”.
Então por que depender do próprio entendimento
no que se refere a testemunhar? Por que reduzir o
poder da ressurreição a um mero programa? O
Espírito Santo foi enviado para testificar de Jesus.
Ninguém sabe como testificar melhor que Ele!
Se você tem medo de testemunhar como eu tinha,
abra seu coração para a parceria com o Espírito
Santo e deixe que Ele assuma a responsabilidade por
testemunhar sobre Jesus através de você. À medida
que você rende seu coração e sua mente ao controle
do Espírito, testemunhar passará de um trabalho
penoso e estressante para uma aventura alegre,
recompensadora e empolgante!
PENSE NISTO
Quando Jesus deu aos discípulos o mandato deles,
deu a eles uma sequência divina a seguir (ver Atos
1:4, 8): eles deveriam aguardar em oração em
Jerusalém; o Espírito Santo viria sobre eles; eles
receberiam poder; e depois seriam Suas
testemunhas. Os caminhos mais altos de Deus
muitas vezes não fazem sentido para a mente natural
do homem. Ele é um Deus estratégico que vê o fim
desde o começo e ordena nossos passos para nos
encaixarmos no quadro maior do Seu grande plano
para a humanidade. Então Ele dá ao Espírito Santo a
incumbência de revelar Seus caminhos mais
elevados a nós.
Isso significa que você receberá orientação do
Espírito de Deus em momentos que parecem
ilógicos ou pelo menos “fora de sequência” de
acordo com seu modo de pensar. Esses em geral são
os momentos-chave em que você precisa dar
ouvidos ao direcionamento do Espírito Santo e
simplesmente obedecer. Pense em um exemplo
desses momentos na sua vida e considere sua reação
ao “direcionamento ilógico” do Espírito Santo.
Como sua reação afetou o resultado dessa situação?
CAPÍTULO 12
O ESPÍRITO SANTO CONVENCE E
TRAZ CONVICÇÃO

O Espírito Santo tem um ministério complementar à


nossa consciência, tanto nos trazendo convicção
de pecado quanto nos convencendo da justiça (ver
João 16:8-10). Neste capítulo, veremos esses dois
aspectos cruciais da obra do Espírito Santo e da Sua
responsabilidade para conosco.
6.O Espírito Santo nos Traz Convicção

Quando ele vier, convencerá o mundo [...] do pecado,


porque não creem em Mim.
— João 16:8-9

Você se lembra de quando era criança e fazia algo


errado, mas pensava que ninguém estava vendo?
Então você era apanhado. Você se lembra de como
se sentiu, ao perceber que alguém estava observando
você o tempo todo? Que sensação horrível ser
apanhado com a boca na botija!
Você não podia mentir para se safar da situação,
porque alguém estava observando você o tempo
todo. Você era inconfundivelmente culpado e não
podia escapar de encarar seu pecado. Você se
lembra de como foi sentir-se tão exposto?
É isso que os pecadores sentem na primeira vez
que o Espírito Santo os convence do pecado. É
impressionante por quanto tempo os pecadores
podem viver sem convicção ou tristeza pelo seu
comportamento — quase anestesiados para seus atos
errados. A Bíblia diz que o pecado os tornou
endurecidos de coração, espiritualmente cegos e
insensíveis (ver Efésios 4:18-19). Some-se a isso o
fato de que eles estão espiritualmente mortos e,
portanto, insensíveis e não receptivos a Deus, e você
então descobre por que as pessoas perdidas podem
fazer algumas das coisas terríveis que fazem
insistentemente.
Mas aquele estado espiritual entorpecido e
endurecido de coração pode mudar
instantaneamente quando o Espírito Santo toca a
alma humana e expõe sua condição pecaminosa.
Despertado pelo Espírito para ver seu verdadeiro
estado espiritual, o pecador sente-se exposto, nu,
constrangido e confrontado.
Jesus disse que o Espírito Santo convenceria as
pessoas no mundo do pecado deste modo a fim de
levá-las ao conhecimento da salvação em Jesus
Cristo. A palavra “reprovar” é a palavra grega
elegcho. Ela significa expor, convencer ou
investigar com o propósito de trazer convicção,
como se faz com alguém que transgride a lei em um
tribunal.
Quando o Espírito Santo capacita o pecador para
verdadeiramente ouvir a Palavra de Deus pela
primeira vez, essa Palavra é tão afiada que penetra
sua alma até que ele se sinta como se estivesse sendo
interrogado em um banco de testemunhas.
Finalmente, a sessão é encerrada, o veredicto é
anunciado e ele é declarado culpado. Essa é a
manifestação da obra do Espírito Santo
convencendo pecadores do seu estado de perdição.
O mundo inteiro é culpado diante de Deus (ver
Romanos 3:19), mas o mundo inteiro não percebe
que é culpado. Jesus ensinou: “Ninguém pode vir a
mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (ver
João 6:44). Essa atração em direção ao Pai é
alcançada através da obra do Espírito Santo. Jesus
nos lembrou dessa verdade quando disse: “Quando
ele vier, convencerá o mundo do pecado...” (João
16:8). Sem a obra do Espírito Santo para expor
nossa condição pecaminosa, ainda estaríamos em
trevas hoje, eternamente perdidos e sem Deus.
É frustrante compartilhar Cristo com a família e os
amigos e nos sentirmos como se estivéssemos
“batendo em uma parede de tijolos”. Você
compartilha, fala e implora para que eles recebam
Cristo, mas parece que eles simplesmente não
conseguem ouvir o que você está dizendo. Embora
saibam que são pecadores, eles não parecem ter
convicção de seus pecados em resultado desse
conhecimento. Ignorando o resultado do seu estado
espiritual perigoso, eles seguem em frente — ou
entorpecidos ou ignorando o grau de decadência
espiritual de sua vida.
A Bíblia diz que a pessoa perdida está morta em
“... delitos e pecados” (Efésios 2:1). Pessoas mortas
não sentem nada! Elas não sentem principalmente a
convicção de pecado. É preciso uma obra especial e
sobrenatural do Espírito Santo para despertar a
consciência humana para a realidade do seu estado
pecaminoso.
Como se pode fazer um homem cego ver? É
impossível, pois ele está morto. Como se pode fazer
um homem morto sentir? Como se pode convencer
um homem espiritualmente morto de que ele precisa
mudar?
É impossível um homem morto reagir. Mas o que
é impossível ao homem é possível para Deus (ver
Lucas 18:27)! Graças ao chamado do Espírito
Santo, que tocou nossa alma, fomos despertados
para nossa pecaminosidade e o Espírito nos chamou
a Cristo. A partir do momento em que fomos
trazidos a este lugar de convicção inegável e
reconhecemos que éramos pecadores, o Espírito
Santo então nos convidou para virmos a Deus.
Naquele momento divino, nossa alma o ouviu dizer,
com efeito: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te
de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Efésios
5:14).
Que milagre o fato de Deus ter ressuscitado nossos
espíritos da morte espiritual para a vida espiritual!
Não existe milagre maior! Essa obra de convicção
do Espírito Santo é a primeira coisa que o Espírito
Santo faz em nossa vida — mas certamente não é a
última.
O Espírito Santo continua Sua obra de convicção
em nossa vida como cristãos, nos fazendo saber
quando erramos o alvo. Então cabe a nós como
responder a Ele.
E precisamos saber o quanto é importante
respondermos ao Espírito Santo quando Ele nos
convence. É possível violarmos nossa voz interior da
consciência em certas áreas e anularmos a voz do
Espírito Santo em nosso coração a ponto de não
sermos mais sensíveis à Sua obra de convicção
nessas áreas.
Mas as coisas não têm de ser assim em nossa vida
como cristãos. É sempre uma questão de escolha.
7.O Espírito Santo nos convence
Quando ele vier, convencerá [...] da justiça [...] porque
vou para o Pai, e não me vereis mais.
— João 16:8, 10

Antes de prosseguirmos com o ministério do


Espírito Santo de nos convencer, vamos rever os
seis aspectos preciosos da obra do Espírito Santo em
nossa vida que já abordamos:
1.O Espírito Santo nos consola.
2.O Espírito Santo habita dentro de nós.
3.O Espírito Santo nos ensina.
4.O Espírito Santo nos faz lembrar.
5.O Espírito Santo testifica conosco.
6.O Espírito Santo nos traz convicção.

Nos versículos de João 8 e 10, Jesus disse sobre o


Espírito Santo: “Quando ele vier, convencerá... da
justiça... porque vou para o Pai, e não me vereis
mais”. Nesta seção, vamos falar sobre o poder de
convencimento e o ministério do Espírito Santo.
Você já elogiou alguém que depois discutiu com
você, rejeitando seu elogio e questionando o que
você disse? Por exemplo, em vez de lhe agradecer
depois de você ter dito que a pessoa parecia ter
perdido peso, ela respondeu lhe dizendo o quanto
está gorda. “Bem, ganhei muito peso e estou muito
gorda agora. Eu gostaria que você tivesse me visto
há três meses quando eu estava muito bem! Não
estou tão bem agora”.
Isso equivale a jogar o elogio de volta no seu rosto.
Seria muito mais educado ser gentil e dizer:
“Obrigada. Fico feliz por você ter observado.
Aprecio que você diga que minha aparência está
melhor”.
Eis outro exemplo. Alguém canta um solo durante
um culto na igreja que mexe profundamente com
seu coração. No final do culto, você abre caminho
em meio à congregação para encontrar a solista e
dizer o quanto aquela música ministrou ao seu
coração. Ela responde: “Obrigada pelo elogio, mas
acho que fiz um péssimo trabalho esta noite. Não
posso acreditar que cantei tão mal. Não sei como
você conseguiu receber alguma coisa disso”.
É rude responder desse modo a um elogio. É
rejeitar o amor, a admiração e a apreciação que
Deus está expressando através de outra pessoa para
encorajar você. É o mesmo que dizer: “Aprecio seu
elogio, mas você e eu sabemos que isso não é
verdade, de modo que você não precisa dizer isso”.
Na verdade, você está dizendo à pessoa que o está
elogiando que ela é uma mentirosa!
É claro que se você já fez isso, provavelmente não
pretendia ser mal educado. Ainda assim, você
precisa aprender a aceitar um elogio. Quando
alguém elogiar você, não tente convencê-lo do
quanto sua aparência ou seu desempenho é ruim.
E eis a parte irônica: fazemos isso com Deus todos
os dias! Foi por isso que Jesus nos falou sobre uma
responsabilidade muito especial que o Espírito Santo
tem com relação a nossa vida: o Espírito Santo veio
para nos convencer da justiça.
Em 2 Coríntios 5:21 lemos: “Aquele que não
conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para
que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Que
obra maravilhosa Deus fez por nós! Ele enviou Jesus
para morrer no nosso lugar e para levar nosso
pecado sobre Si. Ele exerceu todo o Seu grandioso
poder para ressuscitar Jesus dentre os mortos e
depois o fez sentar-se à Sua destra. Então Ele enviou
o Espírito Santo para viver dentro de nós para que
pudéssemos nos tornar “a justiça de Deus nele” (2
Coríntios 5:21)!
Mas se existe um assunto na Bíblia que os cristãos
gostam de discutir, é a questão da justiça. A maioria
dos cristãos é tão consciente da sua velha natureza
pecaminosa (que ainda habita na carne deles, mas
não no seu espírito recriado e inteiramente novo)
que eles não conseguem abraçar a verdade de que
foram declarados justos. Diga a eles que eles são
bons, e eles respondem lhe dizendo o quanto são
maus.
A natureza pecaminosa sempre se apega ao que é
pior e mais negativo. Ela sempre gravitará no sentido
descendente e nunca no ascendente. Essa é a
natureza da mente que não está sob o controle do
Espírito Santo.
É por isso que as pessoas perdidas podem fazer
coisas tão desumanas. Mesmo para o incrédulo, a
carne pecaminosa — se não for mortificada pelo
poder santificador do Espírito Santo — finalmente
seguirá suas inclinações negativas até o túmulo.
Se você se entregar à carne, nunca acreditará em
uma boa notícia, nunca acreditará que Deus está
fazendo uma boa obra em você e sem dúvida nunca
acreditará que se tornou “a justiça de Deus em
Cristo”.
O modo de pensar negativo, de baixo nível e
pecaminoso tem feito parte da nossa humanidade
por tanto tempo que é necessário uma obra especial
de convencimento por parte do Espírito Santo para
nos fazer entender a obra maravilhosa que Deus
forjou em nós. Essa obra especial do Espírito Santo
de nos convencer da nossa posição como
justificados diante de Deus é crucial. Do contrário,
quando Deus diz: “Você é Meu filho. Eu o tornei
justo. Você é lindo para Mim”, nossa mente e nossas
emoções carregadas negativamente retrucarão: “Não
é assim! Sou indigno. Não sou santo. Sou digno de
pena!”.
Isso é como jogar o “elogio” de volta na face de
Deus! Imagine: Ele fez Sua melhor obra para nos
redimir e para fazer de nós “novas criaturas”, mas
nós frequentemente não temos nada de bom a dizer
sobre nós mesmos em honra a essa obra (ver 2
Coríntios 5:17).
A Bíblia nos diz que somos “feitura dele, criados
em Cristo Jesus” (Efésios 2:10). Outra tradução
desse versículo poderia ser: “Somos um produto
exclusivamente Seu, maravilhosamente criados em
Cristo Jesus — isto é, criados sob a influência e o
controle do Seu divino poder”.
Essa é uma verdade poderosa e transformadora,
mas é necessário o Espírito Santo para levá-la da
mente do cristão para o seu coração. Assim como o
Espírito Santo precisa trazer convicção ao pecador
sobre seu estado de perdição, Ele também precisa
convencer o cristão da sua nova posição como
justificado diante de Deus.
Somos tão negativos sobre nossa velha natureza
carnal que é preciso uma obra sobrenatural de Deus
para fazer com que verdadeiramente
compreendamos nossa nova condição em Cristo
Jesus. Esse entendimento é simplesmente tão
sobrenatural quanto o momento em que nosso
homem espiritual não regenerado reconheceu que
estava perdido. Com a diferença de que, desta vez,
estamos sendo despertados para o fato de que somos
justos!
Lembro-me de quando o Espírito Santo me
despertou para essa verdade há muitos anos.
Dirigindo pela rua, sentindo-me totalmente injusto,
eu estava ouvindo um ensino em áudio sobre a
justiça. De repente, minha mente começou a captar
o que eu estava ouvindo. Foi como se alguém tirasse
as vendas dos meus olhos e os tampões dos meus
ouvidos.
Pela primeira vez, eu estava vendo e ouvindo a
verdade sobre minha nova justiça em Cristo Jesus.
Essa verdade estava indo diretamente ao meu
coração pelo poder do Espírito Santo! Eu a estava
ouvindo. Eu a estava entendendo. Meu homem
interior saltou de alegria quando o Espírito de Deus
iluminou meu entendimento sobre a justiça. Ele me
convenceu da verdade e fui liberto!
Se está lutando contra sua autoimagem e contra
sentimentos de condenação, você precisa que o
Espírito Santo faça uma obra de convencimento na
sua vida. Somente Ele pode abrir seus olhos para ver
quem você se tornou eternamente em Cristo Jesus.
Quando seus olhos forem abertos e você realmente
entender o fato de que Deus o vê como justo, você
nunca mais lançará a verdade de volta na face dele
ou discutirá com Ele. Daquele momento em diante,
quando o Espírito Santo lembrar-lhe de que você foi
declarado justo, você gritará de alegria: “Obrigado!
É exatamente isso que sou!”.
Você não tem de continuar sendo negativo sobre si
mesmo o tempo todo. Você não precisa bater na
cabeça, dizendo constantemente a si mesmo o
quanto você é indigno. Na verdade, você insulta o
poder da obra redentora de Jesus quando faz isso!
Jesus Cristo o tornou digno quando Ele foi para a
Cruz em seu favor e derramou o próprio sangue
precioso. Ele o tornou justo! Ele o tornou uma nova
criatura nele.
Por que isso é tão importante? Porque se você não
entender essa justiça dada por Deus, que é a única
base para uma boa autoimagem, você nunca saberá
quem você realmente é nele e qual é o seu
verdadeiro propósito na vida.
Além do mais, uma autoimagem negativa inibirá
sua capacidade de orar com confiança e confiar que
Deus lhe responderá. Isso o impedirá de viver uma
vida livre de culpa e de condenação.
Um falso entendimento da justiça é o de que ela só
é concedida depois que você for para o céu, mas
que ela não tem parte na sua vida na terra. Esse
entendimento errôneo faz com que uma nuvem de
culpa e condenação paire sobre você pelo restante
de sua vida, impedindo sua capacidade de andar na
alegria e na vitória do Senhor.
Talvez você possa ver melhor agora por que a obra
de convencimento do Espírito Santo não é uma
opção para aqueles que querem progredir como
cristãos maduros. O Espírito Santo leva essa
responsabilidade a sério por uma boa razão. Ela é
uma necessidade absoluta.
PENSE NISTO
Muitas vezes nós nos permitimos ficar presos em
um padrão familiar de pensamentos de insegurança
e autocondenação sem considerar como isso afeta o
Espírito Santo, que habita dentro de nós. O próprio
Salvador, que Ele foi enviado para exaltar em nossa
vida, é Aquele cuja obra redentora estamos
insultando quando permitimos que o inimigo nos
atormente com esse padrão de pensamento
destrutivo.
Você consegue pensar em momentos na sua vida
em que pensamentos assim bombardearam sua
mente? Você tomou a decisão consciente de reservar
tempo para ter comunhão com o Espírito Santo e
com a Palavra de Deus? Toda vez que você escolher
fazer disso a sua resposta ao ataque do inimigo
sobre sua mente, o Espírito Santo o ajudará a
substituir esses pensamentos fundados no medo
pelos pensamentos do Pai a seu respeito. E à medida
que decidir fazer dessa a sua resposta contínua toda
vez que pensamentos de insegurança e
autocondenação tentarem vir à tona novamente,
você abrirá caminho para o Espírito Santo
convencê-lo totalmente de quem você é em Cristo, a
fim de que possa andar na plenitude de tudo o que
Ele o criou para ser.
CAPÍTULO 13
O ESPÍRITO SANTO GUIA, REVELA E
NOS AJUDA A ADORAR

N o Capítulo 10, apresentei dez aspectos do


ministério do Espírito Santo que estão
disponíveis a nós como cristãos. Nos últimos três
capítulos abordaremos a obra do Espírito Santo
através dos nossos atos, com base em João 14 a 16.
Vamos estudá-los com atenção, pois eles são
aspectos específicos da obra do Espírito Santo em
nossa vida e elementos-chave para cultivar a
intimidade com Ele enquanto Ele trabalha em nós
para nos ajudar a cumprir o nosso destino ordenado
por Deus.
8. O Espírito Santo nos Guia
Você já se perguntou: O que devo fazer com a
minha vida? Que direção devo tomar? Como posso
saber com certeza que estou fazendo o que Deus
quer que eu faça?
Essas às vezes são perguntas difíceis de responder,
e todos nós já as fizemos vez ou outra. Embora a
Bíblia contenha a revelação de Deus acerca de Si
mesmo para o homem, ela nem sempre responde às
perguntas específicas sobre os detalhes da vida diária
— por exemplo, que emprego devemos aceitar ou
com quem devemos nos casar.
A Bíblia nos dá princípios orientadores para as
escolhas na vida, como nos abstermos da aparência
do mal (ver 1 Tessalonicenses 5:22) ou não
entrarmos em jugo desigual com os incrédulos (ver
2 Coríntios 6:14). A partir desses princípios,
podemos tomar as decisões de não aceitar um
emprego de atendente de bar, por exemplo, e de não
nos casarmos com uma pessoa que não tenha
entregado a vida a Jesus Cristo.
Devemos nos dedicar a estudar e memorizar a
Palavra de Deus, escondendo-a em nosso coração
para que não pequemos contra Deus (ver Salmo
119:11). Então, porque somos guiados pela Palavra
de Deus cometeremos menos erros nas nossas
escolhas à medida que seguimos em frente na vida.
Não obstante, por mais maravilhosos e santos que
esses princípios orientadores sejam, eles não nos
dizem especificamente que emprego aceitar ou com
quem devemos nos casar! Eles não nos dizem em
que cidade devemos morar — ou até em que país
— e eles não nos dizem em que igreja devemos nos
envolver e que ministérios devemos apoiar e
sustentar. Às vezes precisamos de direção, de
orientação e de respostas que não estão na Bíblia, e
Jesus disse que o Espírito Santo nos daria esse tipo
de orientação: “... Ele vos guiará a toda a verdade...”
(João 16:13).
A orientação divina em nossa vida diária é um dos
maiores desafios que enfrentamos na vida cristã.
Assim, foi-nos dada outra tremenda
responsabilidade do Espírito Santo — nos dizer o
que fazer e quando fazer a cada passo do caminho.
Essa obra de orientação do Espírito Santo foi
crucial para a Igreja Primitiva. Os primeiros cristãos
confiavam na liderança do Espírito Santo para guiá-
los na formação da doutrina, na seleção de líderes,
sobre onde ministrar, sobre a quem enviar em
determinadas jornadas missionárias, etc.
É interessante notar que antes do Espírito Santo
ser derramado sobre os discípulos em Atos 2, eles
tentaram tomar uma grande decisão sem a ajuda
dele. Eles decidiram escolher um substituto para
Judas, que havia se suicidado depois de ter traído
Jesus. Eles haviam reduzido a questão a dois
homens: “... José, chamado Barsabás, cognominado
Justo, e Matias” (Atos 1:23).
Lembre que Jesus, logo antes de ascender, os
havia instruído a irem diretamente para Jerusalém e
ali ficarem até que o Espírito Santo descesse sobre
eles (ver Lucas 24:49). Na essência, Ele estava
dizendo: “Vão para Jerusalém e não façam uma
única coisa nem tomem nenhuma decisão que seja
até que sejam revestidos de poder do Espírito
Santo!”.
Os discípulos foram para Jerusalém e esperaram,
mas depois eles pareceram ficar um pouco
impacientes e começaram a procurar alguma coisa
para fazer. Pedro tinha a noção de que alguém
deveria substituir Judas. Depois de sugerirem dois
candidatos, eis o que aconteceu:
E, orando, disseram: “Tu, Senhor, que conheces o
coração de todos, revela-nos qual destes dois tens
escolhido para preencher a vaga neste ministério e
apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu
próprio lugar”. E os lançaram em sortes, vindo a sorte
recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com
os onze apóstolos.
— Atos 1:24-26

A Bíblia diz que eles “lançaram sortes” para


decidir entre os dois homens. Em outras palavras,
eles tomaram a decisão jogando dados!
Compare esse caso em que os discípulos de Jesus
estavam em busca de direção com os que ocorreram
depois que o Espírito Santo foi dado no Dia de
Pentecostes, e você encontrará uma diferença
incrivelmente significativa. Em primeiro lugar, nunca
mais os apóstolos usaram “a sorte” para tomar uma
decisão.
Vamos ver alguns desses exemplos no livro de
Atos. Você verá que além de nos guiar à verdade da
Bíblia, o Espírito Santo também tem o poder de nos
orientar em nossos assuntos diários se permitirmos
que Ele ocupe esse lugar em nossa vida.
Em Atos 13:2, lemos: “E, servindo eles ao Senhor
e jejuando, disse o Espírito Santo: ‘Separai-me,
agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho
chamado’”. Isso marcou o ponto em que o apóstolo
Paulo foi enviado em sua primeira jornada
missionária. Ele devia acompanhar Barnabé, que
havia passado os últimos anos discipulando-o.
Em Atos 15, o apóstolo e os presbíteros em
Jerusalém enviaram Paulo e Barnabé a Antioquia
com uma carta contendo a seguinte mensagem:
“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos
impor maior encargo além destas coisas essenciais”
(v. 28).
Naquela época, havia grande disputa doutrinária
acontecendo na Igreja, com relação a quanto da Lei
do Antigo Testamento deveria ser aderida pelos
cristãos gentios — como a circuncisão, a guarda do
Sábado, e assim por diante. Nessa carta, os
presbíteros deram aos santos em Antioquia as
conclusões às quais haviam chegado em
concordância com o Espírito Santo.
Apenas pouco tempo depois, Paulo estava
planejando viajar para vários lugares diferentes a fim
de pregar o Evangelho, mas o Espírito Santo lhe
disse para não ir. “E, percorrendo a região frígio-
gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de
pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia,
tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não
o permitiu” (Atos 16:6-7).
Todos esses relatos no livro de Atos dizem algo
muito importante para nós: Não podemos saber o
que fazer, aonde ir, com quem ir e quando ir sem a
direção e a orientação do Espírito Santo.
Também vemos que o Espírito Santo pode nos
orientar de duas maneiras: dizendo sim ou dizendo
não! Ele tentará nos impedir de fazer alguma coisa
que parece boa, mas ou é uma armadilha do inimigo
ou não é a vontade de Deus. Em contrapartida, Ele
abrirá uma porta de oportunidade e nos dará paz
total para entrar por ela, mesmo em meio à
adversidade.
Que alívio e segurança isso nos dá, sabermos que
Deus Pai deu ao Espírito Santo a responsabilidade
de nos guiar, de nos orientar, e até de nos advertir
contra certas pessoas, lugares e situações. Esse é o
trabalho dele. E se o ouvirmos e obedecermos ao
que Ele nos disser para fazer, finalmente
cumpriremos nosso chamado divino e executaremos
nossa parte nos planos e propósitos de Deus.
9. O Espírito Santo nos Revela

Porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que


tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.
— João 16:13

Já discutimos como uma das responsabilidades do


Espírito Santo é representar Jesus para nós e ser
nosso elo de comunicação com Ele. Jesus disse que
o Espírito Santo não diria ou faria nada que Ele não
ouvisse ou visse de Jesus, assim como Jesus não
dizia nem fazia nada que Ele não ouvisse ou visse do
Pai.
O Espírito Santo na maioria das vezes revelará
coisas a nós durante os momentos de oração. E tudo
o que o Espírito Santo nos revelar, podemos ter
certeza de que vem diretamente da sala do trono de
Deus. Podemos confiar no que Ele está nos dizendo,
quer tenha a ver com a maneira como estamos
vivendo nossa vida, com que emprego devemos
aceitar, com quem devemos nos casar, com como
lidar com nossos filhos ou com a natureza do nosso
chamado e propósito divino.
Um dos versículos mais citados sobre o
envolvimento do Espírito Santo na oração, e um dos
meus favoritos, é Romanos 8:26: “Também o
Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa
fraqueza; porque não sabemos orar como convém”.
Esse versículo está cheio de pérolas do grego que
afiarão nosso entendimento sobre o papel ativo do
Espírito Santo em revelar o que precisamos saber
em nossa vida diária.
Você já passou por um período em que não sabia
pelo que orar por si mesmo ou por outra pessoa? Ou
você já esteve em um dilema terrível, e não sabia
como sair dele? Talvez você tenha dito: “Senhor, o
desejo do meu coração é tão profundo, mas minha
mente está tão confusa. Nem tenho certeza se sei
qual é realmente o desejo do meu coração! Senhor,
por favor, ajuda-me a orar”.
Esses são momentos em que somos especialmente
gratos a Deus por Romanos 8:26. Este versículo
mostra a responsabilidade do Espírito Santo em nos
revelar a vontade ou a sabedoria de Deus para nossa
vida através da oração.
A coisa mais importante a ser entendida é que a
oração não é algo que fazemos sozinhos. Oração é
uma conversa de mão dupla entre nós e o Senhor,
um desenvolvimento e uma manifestação da
intimidade e da parceria que compartilhamos com
Ele. Durante esse momento íntimo de comunicação,
o Espírito Santo revela a perspectiva de Jesus sobre
certas situações e o que Ele quer que nós façamos
ou não façamos.
A primeira parte de Romanos 8:26 diz: “Também
o Espírito, semelhantemente, nos assiste...”. O que
isso significa? A palavra grega para “assiste” é uma
palavra composta. A primeira parte da palavra
significa fazer alguma coisa em conjunto com outra
pessoa. A segunda parte significa receber. Juntas
elas transmitem o significado de tomar posse de
alguma coisa com outra pessoa.
A palavra “assiste” transmite a ideia de uma
verdadeira parceria e cooperação entre dois
indivíduos que estão trabalhando juntos para o
mesmo fim. Não é a ideia de uma pessoa fazendo
uma parte do trabalho e outra pessoa fazendo outra
parte. Em vez disso, ela traz consigo a ideia de dois
amigos ou parceiros íntimos juntos dando todos os
seus recursos em conjunto para resolver um
problema, para vencer um obstáculo, derrotar um
inimigo, lidar com uma situação difícil ou entender
um dilema.
Nesse tipo de parceria na oração, você e o Espírito
Santo, juntos, alcançarão aquela paz sobrenatural
que excede todo entendimento. Ele lhe revelará
como pensar, o que dizer e o que fazer a respeito de
um assunto.
Vamos continuar com Romanos 8:26: “Também o
Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa
fraqueza...”. A palavra “fraqueza” é uma palavra
grega que descreve pessoas que estão fracas,
doentes ou dilapidadas no corpo, na mente ou nas
emoções. Frequentemente, ela é usada para
descrever aqueles que perderam o senso de bem-
estar e força espiritual, muitas vezes sem mesmo
saber o motivo.
O Espírito Santo revelará suas fraquezas e o
ajudará com elas. Algumas coisas são óbvias, mas
até os problemas óbvios podem conter algo oculto
que somente o Espírito Santo conhece. É por isso
que você precisa depender da direção e da
orientação do Espírito Santo em todas as coisas,
assim como Jesus fazia durante Seu ministério na
terra.
Por exemplo, o Espírito Santo pode estar
advertindo você de um ataque financeiro futuro por
parte do inimigo. Ele pode estar tentando lhe dizer
qual é a razão pela qual você não foi curado de uma
doença para que você possa fazer alguns ajustes e
ser curado. Ele pode querer mostrar que você foi
dominado por um erro, como um vício ou uma
obsessão, e que você precisa ser liberto. Ele pode
estar estimulando você a deixar de lado algumas
coisas que são pesos em sua vida e que o estão
impedindo de cumprir seu destino.
Seja o que for que o Espírito Santo esteja
revelando, você pode ter certeza de que Ele
cumprirá com Sua responsabilidade. Ele ficará ao
seu lado e lhe dirá tudo o que você precisa saber
para transformar seu problema em vitória!
“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste
em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como
convém”. No grego literal, essa última parte significa
simplesmente: “Não temos o know-how no que se
refere à oração”. Os intercessores mais habilidosos
e experimentados são aqueles que, seja qual for a
situação, se voltam imediatamente para seu mais
íntimo Parceiro e Amigo, o Espírito Santo, e se
certificam de que estão no caminho certo na oração.
Todos nós ocasionalmente somos confrontados
com uma crise ou com uma decisão sobre a qual
não sabemos como orar. Isso faz parte da nossa
condição humana limitada e é essa “fraqueza” que o
Espírito Santo vem para remover. Ele vem para nos
dar a habilidade de que precisamos. Ele compensa
aquilo que nos falta.
“... Porque não sabemos o que havemos de pedir
como convém” (ACF). Nessa versão da Bíblia, a
expressão “o que” é uma palavra interessante em
grego. Ela significa a coisa exata. Não sabemos os
pontos, os detalhes ou a verdadeira causa do
problema com o qual estamos lidando.
Simplesmente não somos capazes de ver todos os
fatos ou de ter uma visão abrangente. Mas o Espírito
Santo tem uma visão muito precisa e exata.
Por exemplo, precisamos da direção e da ajuda
divinas para localizar e lidar com todos os detalhes
dos dardos inflamados com os quais o inimigo nos
bombardeia. Precisamos da mente de Cristo para
lidar com eles — e a mente de Cristo é o que
recebemos quando confiamos no nosso Parceiro em
oração, obedecendo às Suas instruções, dizendo o
que Ele diz e fazendo o que Ele faz.
Sou muito grato por Deus ter dado ao Espírito
Santo essa responsabilidade de nos ajudar a orar, já
que cada um de nós é um ser humano imperfeito
que possui curvas abruptas e pontos cegos. Sempre
que estivermos no escuro, nosso primeiro e principal
Parceiro de oração nos revelará tudo o que
precisamos saber para o que quer que estejamos
passando.
10. O Espírito Santo nos Ajuda a Adorar

Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e


vo-lo há de anunciar.
— João 16:14
Nesse versículo da Bíblia, Jesus está nos dizendo
que uma das responsabilidades do Espírito Santo é
glorificá-lo. O Espírito Santo é um Espírito
invisível, e o vaso que Ele escolhe para glorificar
Jesus através dele é aquele onde Ele vive — você!
Como o Espírito Santo cumpre Sua
responsabilidade de glorificar Jesus Cristo através de
você? Em primeiro lugar, Ele pode curar os
enfermos, expulsar demônios e levar as pessoas
perdidas ao conhecimento da salvação em Jesus
Cristo através de você. Esses atos certamente
glorificam a Jesus de uma forma magnífica.
Mas quando estamos falando sobre desfrutar a
comunhão com o Espírito Santo, chegamos a outra
maneira mais íntima e igualmente importante pela
qual o Espírito Santo glorifica Jesus através de você:
nos atos de louvor e adoração.
Lembro-me da primeira reunião de oração
carismática da qual participei quando era
adolescente, que era realizada na casa de um cristão
carismático. Eu não entendi tudo o que aconteceu
naquela noite, mas o que me cativou e finalmente
me atraiu a continuar com o movimento carismático
foi o louvor e a adoração.
Durante aquele período de louvor e adoração entre
os que estavam cheios do Espírito Santo,
experimentei a presença do Senhor mais do que
havia experimentado antes. Foi como se Ele
estivesse tão perto que eu pudesse sentir Sua
respiração no meu rosto e o calor do Seu corpo.
Nesse tempo íntimo e pessoal levantando nossas
mãos e nossos corações a Deus, fiquei “embriagado”
com a presença de Jesus. Quando saí daquela
reunião, eu me vi pensando em louvar e adorar o
Senhor e em criar melodias em meu coração para
Ele. Eu era como uma criança que havia acabado de
provar um sorvete pela primeira vez — eu queria
mais e mais e mais. Eu queria que cada aspecto de
Jesus fosse derramado sobre mim de uma maneira
totalmente nova, poderosa e pessoal.
Quando olho para trás agora, para aquela
experiência, posso ver porque tudo em que eu
conseguia pensar e ansiar era por mais de Jesus. Eu
estava cheio com o Espírito Santo, e isso é tudo em
que Ele pensa e tudo o que Ele anseia! Tudo o que
o Espírito Santo quer fazer é magnificar, exaltar,
elevar e glorificar Jesus.
Essa é uma responsabilidade do Espírito Santo,
sempre grandiosa e gloriosa, totalmente agradável
aos cristãos que permitem que Ele se mova assim na
sua caminhada com Deus. Adorar o Senhor em
comunhão com o Espírito Santo é o que torna Jesus
Cristo real na vida diária do cristão. Nada mais
realiza e satisfaz tão profunda e completamente o
espírito e a alma do homem.
PENSE NISTO
A maior alegria do Espírito Santo é tornar Jesus
real para você e revelar cada vez mais da natureza,
dos pensamentos e dos desejos de Jesus com relação
a você e ao Seu plano e propósito para sua vida. A
adoração é a chave para a obra do Espírito Santo de
revelar um entendimento mais profundo de Cristo.
Como você pode cultivar uma atmosfera de
adoração contínua na sua vida diária que facilite
para o Espírito de Deus executar essa obra
reveladora na Sua capacidade máxima?
CAPÍTULO 14
O CIÚME DO ESPÍRITO SANTO

Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do


mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito
que em nós habita tem ciúmes?
— Tiago 4:4-5, ACF

C onsiderando que estamos estudando como


desenvolver um relacionamento mais íntimo e
pessoal com o Espírito Santo, esses versículos de
Tiago 4 são particularmente importantes para nós.
Neles, Tiago — inspirado pelo próprio Espírito
Santo — realmente acusa um grupo de cristãos de
adultério!
Essa é uma acusação especialmente forte quando
consideramos que ele estava escrevendo a cristãos
judeus moralistas. Antes mesmo de se tornarem
cristãos, eles nunca haviam sonhado em cometer
adultério. Os adúlteros e as adúlteras eram
apedrejados até a morte sob a lei judaica.
Tiago não poderia ter dito nada mais chocante,
mais ofensivo, ou mais ultrajante àqueles cristãos em
Jesus Cristo! Para um judeu, nada era mais
insultante que isso. Mas como eles eram pessoas
moralistas que nunca realmente cometeriam
adultério, por que Tiago os chamou de adúlteros e
adúlteras? A resposta está no que Tiago disse em
seguida: “... Portanto, qualquer que quiser ser amigo
do mundo constituir-se-á inimigo de Deus...”.
Aqueles cristãos haviam sido atraídos a um
relacionamento impróprio com o mundo. Para
chamar a atenção deles e colocar esse ponto tão
sério no coração deles, Tiago os chamou de
adúlteros e adúlteras.
A versão King James menciona tanto “adúlteros
quanto adúlteras”. Mas a versão grega do Novo
Testamento simplesmente diz “vós, adúlteras”. Mais
adiante neste capítulo, eu mostrarei por que isso é
importante.
A palavra “adultério” tem todo tipo de conotações,
como infidelidade, impureza e violação de um
compromisso com o casamento, para citar apenas
algumas. Normalmente associamos o adultério com
um cônjuge que se envolve em um relacionamento
sexual fora do casamento. Quando essa traição à
aliança de casamento é descoberta, o cônjuge
violado sente uma mágoa tão profunda que nada
mais no mundo pode ser comparado a ela.
Até a morte de um cônjuge pode ser mais fácil de
processar que a traição de um cônjuge que cometeu
adultério. Sentimentos de rejeição e a mágoa de ser
vítima de uma mentira, de ser enganado e traído
podem ameaçar consumir emocionalmente uma
pessoa nessa situação. Essas são apenas algumas das
emoções terrivelmente fortes e dolorosas que o
cônjuge sente quando a santidade e a segurança do
casamento foram jogadas fora de forma impulsiva
pelo adúltero ou pela adúltera.
Quando Denise e eu nos casamos, éramos os
pastores dos adultos solteiros em uma grande igreja
da denominação Batistas do Sul. Desenvolvemos
um programa para ajudar os que eram recém-
divorciados. Aprendemos que a maioria dessas
pessoas se sentia como párias na igreja. Quando
abrimos nosso coração para ministrar a elas e
fizemos da “vida após o divórcio” uma ênfase bem
conhecida do nosso ministério, as pessoas recém-
divorciadas nos procuravam vindas de todo lugar.
Em um ano, ministramos a aproximadamente
oitocentas pessoas que haviam passado por um
divórcio. Foi um dos períodos de ministério mais
gratificantes, porém mais problemáticos que já
vivenciamos. Era gratificante ver pessoas que
haviam sido tão rejeitadas e feridas sendo curadas
pelo amor de Jesus Cristo. Mas era difícil para
Denise e eu ouvirmos com tanta frequência o
derramar das emoções agonizantes que aquelas
pessoas preciosas estavam passando em resultado de
serem traídas por alguém em quem confiavam.
Dia após dia, nós nos sentávamos e ouvíamos
enquanto cada uma nos falava sobre sua história.
Dentre centenas de casos, mais de dois terços deles
pareciam idênticos — tão idênticos que se eu
quisesse, poderia eventualmente terminar a maioria
das histórias deles antes mesmo determinarem de
contá-las.
Repetidamente, aquelas pessoas queridas e
emocionalmente destruídas diziam coisas do tipo:
“Simplesmente não sei como ele pôde ter feito isso
comigo! Depois de todos aqueles anos sendo fiel a
ele, criando nossos filhos com ele, e trabalhando
para ajudá-lo enquanto ele estudava — como ele
pôde fazer isso comigo? Dediquei minha vida a ele
da melhor maneira que pude. Como ele pode me
deixar de lado e ir atrás de outra pessoa?”.
Ou ouvíamos: “Como ela pôde fazer isso comigo
depois de eu ter lhe dado tanto? Eu dei a ela meu
amor, minha atenção — eu dei tudo o que eu podia
dar! Como ela pôde fazer isso?”.
Em praticamente todas as sessões, Denise e eu
ouvíamos as pessoas tentando expressar suas
emoções intensas. Vez após vez, ouvíamos coisas do
tipo: “Sinto-me como se meu coração tivesse sido
rasgado e pisoteado!”. Ou ouvíamos: “Sinto-me
como se tivesse sido chutada no estômago e todo o
ar tivesse sido retirado de mim”.
Chegamos à conclusão de que a traição por parte
de um cônjuge é possivelmente a pior traição de
todas na experiência humana. Nada parece ferir
mais, cortar mais fundo, ou durar por mais tempo
que esse tipo de trauma emocional.
Anteriormente eu disse que explicaria por que o
grego diz apenas “adúlteras”, em vez de “adúlteros e
adúlteras”. Tiago escreveu seu livro para os
membros da Igreja, que é a Noiva de Cristo. De
alguma forma que Tiago não descreve, esse grupo
de cristãos havia saído do seu relacionamento com
Cristo para encontrar realização e companheirismo
com outra pessoa ou com outra coisa. Assim, eles
haviam sido infiéis ao seu “Esposo”, Jesus Cristo, e
haviam se tornado adúlteras.
O pecado nos afeta não apenas individualmente,
mas também a habitação do Espírito Santo dentro
de nós. Ele realmente se sente ferido e triste, como
um esposo violado. Quando essa verdade se tornar
uma revelação para o nosso coração, ela mudará
nossa atitude permissiva com relação ao pecado e
fará com que tenhamos vidas mais consagradas para
Jesus Cristo.
Tiago chamou esses cristãos bons e moralistas de
“adúlteras” porque eles procuravam encontrar
realização fora do seu casamento com Cristo. Eles
estavam entregando suas mentes, seus corações e
suas vidas a coisas mundanas. Eles haviam cometido
adultério espiritual.

O QUE É A AMIZADE COM O MUNDO?


A palavra “amizade” vem da palavra phileo. Essa
palavra traz consigo a ideia de uma afeição intensa
que é desenvolvida entre pessoas que apreciam a
companhia umas das outras. Ela descreve o amor
entre os membros da família assim como outros
relacionamentos humanos. Ela fala de duas ou mais
pessoas que se conhecem, que têm afeição umas
pelas outras, e que estão ficando mais
profundamente envolvidas na vida umas das outras.
Geralmente a palavra phileo transmite a ideia de
um amigo com quem você deseja ter um
relacionamento mais profundo. Em certo sentido,
essa atração é tão grande que leva a pessoa a se
preocupar com alguém ou com alguma coisa. Ela
envolve dar atenção, tempo, devoção e amor a essa
pessoa. É isso que a amizade requer se for um
relacionamento a ser mantido ao longo dos anos.
Esse é exatamente o estado sobre o qual Tiago
estava falando quando disse: “Quem quiser ser
amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”
(Tiago 4:4). Ele não estava julgando aqueles cristãos
por terem gostos dispendiosos, trabalharem em bons
empregos, desejarem boas casas ou dirigirem belos
carros. A expressão “amigo do mundo” não tinha a
ver com possuir coisas; em vez disso, tinha a ver
com estar obcecado ou preocupado com as coisas
deste mundo.
Àqueles a quem Tiago escreveu essa epístola
estavam ficando enredados no pensamento, no
comportamento e nos bens materiais do mundo.
Uma razão pela qual sabemos que eles estavam
tendo dificuldades com a tendência ao mundanismo
está nos versículos anteriores. Ali, Tiago disse que as
orações deles não estavam sendo respondidas
porque eles estavam pedindo a Deus as coisas com
as motivações erradas. Em vez de desejarem as
coisas para poder ajudar aos outros, eles queriam
egoisticamente cada vez mais coisas para si mesmos.
Tiago lhes disse: “Pedis, e não recebeis, porque
pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”
(Tiago 4:3).
Aquelas pessoas eram cristãos judeus que haviam
sempre vivido vidas santas — mas na época em que
isso foi escrito, parece que aqueles cristãos estavam
sendo seduzidos pelas coisas do mundo. Esse
processo de sedução havia progredido a ponto de
eles estarem sendo atraídos para o mundo, de
estarem obcecados por ele e preocupados com ele.
Essa atração já havia se tornado tão grande que eles
haviam entrado em uma amizade com o mundo.
Eles haviam saído do seu relacionamento com Cristo
para dedicar o coração e a mente deles a outra coisa.
Eles haviam cometido adultério espiritual.
Tiago não estava ensinando que ter bens que sejam
bons é errado. Em vez disso, ele estava nos dizendo
que é errado ficar tão obcecado e preocupado com
as coisas do mundo a ponto de não ter tempo ou
desejo de pensar em nada mais.
Flertar com o mundo eventualmente levará a uma
conexão não santa com as coisas do mundo. Estar
tão envolvido com o modo de vida da sociedade que
o cerca a ponto de pensar como ela pensa, agir
como ela age e buscar as mesmas coisas que ela
busca é adultério espiritual para com o Senhor Jesus
Cristo. Ter bens materiais, status social e assim por
diante, na sua mão é uma coisa, mas ter essas coisas
no seu coração é outra. Quando as coisas do mundo
entram no seu coração e você passa a estar
preocupado com elas, você cruzou uma linha muito
séria.

CONVENCENDO-SE A PECAR
Tiago continua dizendo no versículo 4: “...
Portanto, quem quiser ser amigo do mundo...”.
Quero que você observe especialmente as palavras
“quiser ser” nessa frase. Elas foram extraídas da
palavra grega boulomai, que significa aconselhar ou
decidir.
A palavra boulomai poderia descrever uma sessão
de aconselhamento ou buscar o conselho de outra
pessoa. Usada nesse versículo, a palavra boulomai
não descreve um conselheiro ouvindo você e
aconselhando-o. Desta vez o conselheiro é você!
Você está aconselhando a si mesmo.
Isso apresenta uma imagem de um cristão que está
sendo seduzido pelo mundo. Em vez de dizer um
não firme à impiedade, como Tito 2:12 instrui, ele
opta por se aproximar mais do mundo para dar uma
olhada mais de perto. Na essência, isso é “flertar”
com o pecado, o que eventualmente leva à prática
dele.
Esse cristão sente a carne sendo atraída pelo
mundo. Mesmo sentindo a advertência do Espírito
Santo para se retirar da situação e andar em
santidade, ele ignora os apelos do Espírito para dar
ouvidos à carne. Antes que essa pessoa se dê conta,
ela está se convencendo a fazer o que sabe que é
errado. Ela pode pensar consigo mesma: Bem, eu
provavelmente não deveria, mas apenas um pouco
não vai fazer mal... Sei que isso provavelmente
entristecerá o Espírito Santo, mas Deus me
perdoará... Não posso acreditar que estou fazendo
isto, e sei que não deveria. Mas vou fazer somente
desta vez...
O cristão literalmente se convence (em outras
palavras, se “aconselha”) a fazer o que sabe que é
errado. Esse é o processo do pecado na alma. Ele é
sedutor e enganador. Ele tenta seduzir a alma a
deixar de lado as convicções piedosas e a seguir os
ditames da carne para ceder aos prazeres carnais que
duram apenas por um instante.

A TENTAÇÃO DO MUNDANISMO
Tiago estava falando a cristãos que haviam se
aconselhado a fazer o que eles nunca haviam
sonhado em fazer antes. Na essência, ele estava
dizendo: “Se vocês se tornaram amigos do mundo,
eis a razão: vocês fizeram tantas pequenas
exceções para si mesmos que agora o que os
incomodava não os incomoda mais. Na verdade,
ao longo de certo tempo, vocês se tornaram
cristãos mundanos com um pensamento mundano e
um comportamento mundano!”.
O mundanismo tenta nos envolver com seus
braços. Nenhum de nós está isento da sua atração
sedutora.
Separe um instante para avaliar honestamente a si
mesmo. Pense simplesmente nas coisas que você
tolera na sua vida hoje e que você nunca teria
tolerado há dez anos.
• Você assiste a programas de televisão ou a filmes
hoje que há dez anos consideraria pecado?
• Você é mais permissivo no seu modo de pensar
sobre o pecado hoje do que costumava ser?
• Existem áreas na sua vida que costumavam estar
mais incendiadas de amor por Deus e nas quais
você fazia menos concessões anteriormente do
que hoje?
• Você ora e testemunha tanto quanto costumava
fazer?

Você deve ser sincero com Deus porque Ele


conhece seu verdadeiro estado espiritual de qualquer
modo. Você não pode enganá-lo dizendo: “Bem, eis
a razão pela qual não obedeci ao Senhor. Eu teria
feito o que Tu dissestes, mas...”. Se o Espírito Santo
apontou uma área na sua vida na qual você é
mundano, simplesmente concorde com Ele e diga:
“Sim, Senhor, vejo que tenho sido mundano nessa
área. Por favor, perdoa-me e ajuda-me a mudar.
Como um ato da minha obediência e fé, eu me
comprometo voluntariamente contigo e com a Tua
Palavra para que possa ocorrer uma mudança
genuína”.
Ser honesto com Deus o posicionará corretamente
para que Ele então possa trabalhar no seu coração e
ajudá-lo. Quando reconhecer sua culpa e admiti-la,
você voltará a ser honesto com Deus e poderá
crescer novamente.
Todos nós poderíamos admitir uma tendência ao
mundanismo em alguma área da vida. Mas se não
lidarmos com essas áreas como o Espírito Santo nos
direcionar, com o tempo nos tornaremos mais
conformados com o mundo do que com Jesus
Cristo.
Ser um amigo do mundo não acontece da noite
para o dia. Isso leva tempo. Muito lenta, sedutora e
metodicamente nosso modo de pensar, nosso
comportamento e nossa percepção da vida pode
passar a ficar cada vez mais semelhante ao mundo
que a Jesus.
Foi isso que Tiago quis dizer com: “Quem quiser
ser amigo do mundo...”. Essas palavras “quiser ser”
são muito importantes para você e para mim. Elas
indicam que nosso pecado é responsabilidade nossa.
Não podemos culpar o ambiente, os amigos ou
qualquer outra coisa pelo nosso comportamento.
Se perdermos o fogo espiritual que deve arder
continuamente em nosso coração, podemos ter
certeza de que nós nos aconselhamos a acreditar que
o pecado é aceitável quando não é. Estamos vivendo
o resultado do nosso próprio engano.
PENSE NISTO
Muitas vezes definimos “mundanismo” pelos
vícios óbvios que sabemos que devemos evitar como
cristãos. Mas o espírito do mundo pode atuar como
um “monóxido de carbono” espiritual — vapores
tóxicos invisíveis que permeiam a atmosfera e
envenenam os desavisados. Através das várias
formas de mídia, das conversas com outras pessoas
e assim por diante invariavelmente ouviremos
palavras todos os dias que são contrárias ao que
Deus diz. Essas palavras muitas vezes trazem
consigo o poder da morte que se infiltra em nossa
alma através da invasão lenta da concessão.
Dedique algum tempo para avaliar como você tem
se saído como o atalaia junto às “portas” da sua vida
— seus olhos, seus ouvidos e sua boca. Você é
aquele que decide o que entra e o que sai. Você tem
sido fiel ao seu posto? Você é rápido em dizer
“Entrada proibida — não ultrapasse!” a qualquer
coisa que possa atraí-lo à amizade com o mundo em
detrimento da sua comunhão com o precioso
Espírito Santo?
CAPÍTULO 15
O ESPÍRITO SANTO PODE SE
ENTRISTECER

E fésios 4:30 nos diz como todas essas pequenas


exceções que fazemos quando
“aconselhamos” a pecar afetam o Espírito Santo: “E
nos

não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes


selados para o dia da redenção”. Se quisermos
desenvolver comunhão íntima com o Espírito Santo,
a última coisa que queremos fazer é entristecê-lo.
A palavra “entristecer” vem da palavra grega
lupete. Essa era uma palavra muito especial. Ela era
usada para denotar as emoções de um cônjuge
traído, semelhante às emoções que descrevi no
capítulo anterior. Sentir-se traído, enganado,
magoado, ferido, e abusado, tudo isso retrata
claramente as emoções de um cônjuge que
descobriu que seu(sua) parceiro(a) foi infiel.
Agora vemos que a palavra lupete é usada por
Paulo em Efésios 4:30 para descrever como
afetamos o Espírito Santo que habita dentro de nós
quando tendemos para o mundanismo. Paulo não
deixa dúvida com relação ao que ele está nos
dizendo. Quando deixamos de fazer do nosso
relacionamento com o Espírito Santo a prioridade
máxima em nossa vida e permitimos que outras
coisas tomem o lugar que lhe pertence por direito,
isso o fere da mesma maneira que um cônjuge fica
ferido quando sabe que seu(sua) parceiro(a) foi
infiel.
Jesus é Senhor, mas o Espírito Santo é Aquele que
vive em nós, nos guia, nos orienta, nos ensina, nos
faz lembrar, nos consola, nos sela, nos santifica, nos
reveste de poder e trabalha para produzir o caráter
de Cristo em nós. O Espírito de Deus foi enviado
para revelar a vontade de Deus, que é a mente de
Cristo, e para fazer com que andemos na vitória que
Jesus conquistou através da Sua morte e
ressurreição.
O Espírito Santo está aqui por nós. Foi por isso
que Ele foi enviado. Assim, quando o ignoramos,
fazemos ouvidos moucos para Ele ou
desobedecemos consistentemente o que Ele nos
impulsiona a fazer, tudo isso o entristece.
Mas vamos ser mais específicos quanto ao que
entristece o Espírito Santo. Nos versículos que estão
ao redor de Efésios 4:30, Paulo deu os seguintes
exemplos:
• Mentir (v. 25).
• Deixar o sol se pôr sobre a sua ira (v. 26).
• Dar lugar ao diabo (v. 27).
• Roubar (v. 28).
• Permitir que palavras torpes saiam da sua boca
(v. 28).
• Não deixar de lado toda amargura, cólera, ira,
gritaria, blasfêmias e malícia (v. 31).

Todos esses são atos carnais que entristecem o


Espírito Santo. E é importante lembrar que Paulo
estava falando a cristãos quando escreveu esses
versículos. Infelizmente, isso significa que os
cristãos estavam cometendo esses pecados! Aqueles
“templos do Espírito Santo” estavam mentindo, se
apegando ao rancor e à cólera; dando lugar ao
diabo, roubando, blasfemando uns para os outros e
uns contra os outros; dando lugar à amargura em
seus corações e se permitindo ficarem irados e
serem maliciosos uns com os outros.
Não é de admirar que o Espírito Santo estivesse
entristecido! Ele havia vindo para gerar santidade
nos cristãos de Éfeso, mas o mundanismo estava
dominando a vida deles, e eles o estavam apagando.
Ele estava sendo excluído de forma muito
semelhante a um cônjuge que havia sido traído.
O fato de Paulo ter usado a palavra “entristecer”
nos diz que o Espírito Santo se sentiu ferido com o
comportamento e as atitudes erradas de certos
cristãos na igreja de Éfeso. Ele se sentiu como um
cônjuge que estava sendo arrastado pela lama por
um parceiro infiel. Depois de tudo o que Ele havia
feito na vida desses crentes para ajudá-los a crescer
e tornarem-se mais semelhantes a Jesus, como eles
podiam agora colocar o Espírito Santo de lado e
ceder à sua carne dessa maneira?
Precisamos pensar antes de falar e de agir.
Precisamos lembrar que alguém vive dentro de nós,
cujo nome é o Espírito Santo. A razão pela qual Ele
é chamado de Espírito Santo é porque Ele é santo.
Romanos 1:4 o chama de “o espírito da santidade”.
É isso que Ele é, e isso é o que Ele veio para gerar
em nossa vida.
Você nunca pensaria em jogar lama e lixo sobre
uma linda catedral. Sua consciência não suportaria a
culpa de saber que você havia profanado o prédio de
uma igreja finamente decorada. Mas você vale muito
mais que essa catedral! O Espírito Santo não vive
em prédios. Ele vive em você.
Apesar disso, jogamos lama e lixo na nossa vida o
tempo todo, sem pensar em como isso deve
entristecer o Espírito de santidade que vive dentro
de nós. Nós o arrastamos pela lama da nossa vida
toda vez que pecamos — principalmente quando
fazemos isso deliberadamente.
É claro que a tristeza que o Espírito Santo sente
quando pecamos não exclui Sua ternura quando nos
arrependemos do comportamento errado. O Espírito
Santo vem depressa em nosso socorro quando
estamos verdadeiramente arrependidos para nos
restaurar ao nosso lugar de íntima comunhão com o
Senhor.
De acordo com Efésios 4, os pecados que os
cristãos acham mais difíceis de resistir não são
geralmente os pecados mais óbvios como a
embriaguez ou a impureza sexual. Os pecados com
os quais temos de lidar com mais frequência são as
atitudes internas erradas que todos nós podemos
tender a abrigar, como a falta de perdão, a
amargura, o ressentimento, a ira ou a malícia. Não
deveríamos permitir que essas atitudes permaneçam
em nós por nenhuma razão uma vez que elas
entristecem o Espírito Santo. Mas, além disso, essas
atitudes também podem dar ao inimigo uma base de
apoio para ter acesso a nossa vida, nos deixando
mais suscetíveis a sermos tentados por esses pecados
“externos” que acabamos de mencionar (ver
Hebreus 12:15-16).
Na próxima vez que você for tentado a abrigar
ressentimento no seu coração por alguém, faça esta
pergunta a si mesmo: “Se eu mantiver esta atitude,
vou entristecer o Espírito Santo que está na minha
vida?”.
Se simplesmente ficarmos mais conscientes da
presença do Espírito Santo habitando dentro de nós,
isso nos fará refletir constantemente sobre nossa
maneira de pensar e viver. Isso definitivamente nos
ajudará a pensar antes de falar e agir.
Lembre-se, o Espírito Santo vive dentro de você.
O que você faz na sua vida hoje, você faz a Ele
também. Aonde você vai hoje, você o leva com
você. Se você vai assistir a um filme duvidoso, Ele
vai com você. Se você opta por pecar, você o está
arrastando com você a esse ato desprezível.
Você quer realmente entristecer o Espírito Santo?
É claro que não! O Espírito Santo vive dentro de
você e merece sua máxima reverência e respeito.

UM CRISTÃO PODE SE TORNAR UM INIMIGO


DE DEUS?

Viver como um cristão mundano é coisa séria! É


por isso que Tiago 4:4 diz: “Qualquer que quiser
ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.
Observe a palavra “constitui-se”. Ela é a palavra
kathistemi, que significa constituir ou tornar. Os
cristãos que optam por tomar um caminho mundano
se colocam em oposição ao caminho piedoso que
Deus deseja para eles. Em resultado da própria
escolha, eles se tornaram ou se constituíram
inimigos de Deus.
A palavra “inimigo” em Tiago 4:4 vem da palavra
grega echtros, que descreve uma atitude
extremamente oposta ao amor e à amizade. Ao
passo que amor e amizade significam cordialidade,
compromisso e relacionamento, a palavra echtros
significa hostilidade extrema, desrespeito intenso e
ódio absoluto.
Tiago estava nos dizendo: “Se vocês escolherem a
cordialidade e a amizade com o mundo, isso os
colocará em oposição direta a Deus”. Esse não é um
bom lugar para se estar.
Romanos 8:31 declara: “... Se Deus é por nós,
quem será contra nós?”. Do mesmo modo, se Deus
é contra nós, quem pode ser por nós? Se Deus está
contra nós, estamos “acabados” nas próprias buscas
e podemos contar com o fato de que a frustração
está no nosso futuro.
Entretanto, se escolhermos a amizade com Deus,
nós nos colocamos em oposição direta à amizade
com o mundo. Essa oposição é tão forte que nos
torna inimigos do mundo. E lembre-se, a palavra
“inimigo” traz consigo a ideia de ódio. Em outras
palavras, o mundo — seu sistema e sua maneira de
pensar e de se comportar — nos odeia pela nossa
amizade com Deus.
Jesus usou a palavra “odiar” quando disse:
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há
de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e
desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a
Mamom” (Mateus 6:24, ACF).
De acordo com Jesus, é impossível que nós, como
cristãos, entreguemos nosso coração
simultaneamente a dois senhores. Precisamos
escolher a quem vamos servir: a Deus ou a Mamom.
Mamom era uma expressão usada pela comunidade
judaica daquela época para expressar a ideia de
mundanismo.
A palavra “servir” vem da palavra doulos. É de
onde tiramos a palavra para um servo ou escravo.
Essa palavra era usada para denotar um servo que
havia se entregado inteiramente a outra pessoa ou
coisa. Essa pessoa era um escravo para toda a vida.
Esse escravo servia a alguma coisa ou a alguém
com quase toda a sua atenção, todo o seu tempo e
toda a sua energia. Em outras palavras, esse escravo
fornecia ao seu senhor cada desejo, cada vontade ou
cada exigência. Ele estava ali para ajudar, assistir e
cumprir os desejos e as necessidades do seu senhor
e não tinha tempo para nada mais.
Quando você compra um carro, uma máquina de
lavar, ou mesmo uma casa, eles precisam dos seus
cuidados para ser mantidos em operação. Essas
coisas funcionarão por algum tempo sem a sua
atenção, mas, com o tempo, você precisará dar a
atenção a eles a fim de mantê-los em bom estado
operacional. Se você possui uma casa, você sabe
que uma casa exige seu tempo, sua atenção, sua
energia e seu dinheiro.
Do mesmo modo, se você quer que sua caminhada
espiritual com Deus permaneça em bom estado de
funcionamento, isso não acontecerá por acaso. Isso
exigirá esforço e tempo.
Quando Jesus disse: “Não podeis servir a Deus e a
Mamom”, Ele estava nos dando essa importante
verdade. Tanto Deus quanto Mamom vão exigir um
investimento do seu tempo, da sua energia e do seu
dinheiro de todo o coração. Não há o suficiente de
você para servir a Deus e ao mundanismo na sua
vida. Por conseguinte, você precisa escolher a quem
vai servir.
Servir a Deus significa passar tempo com Ele,
aprender a conhecer Sua voz e desenvolver um
padrão de obediência na sua caminhada diária. Isso
exigirá que você sirva a Deus com toda a sua vida
por todos os seus dias — mesmo enquanto você está
ocupado com a família, o trabalho ou a carreira e
com os assuntos da vida diária. Viver para Deus
exigirá sua máxima atenção. Uma vida vivida para
Ele precisa ser servida continuamente com oração,
obediência, arrependimento e adoração.
Eis a boa notícia: Jesus prometeu que se
falássemos com Ele primeiro, Ele garantiria que tudo
o que precisássemos no aspecto material nos seria
acrescentado (ver Mateus 6:33). Isso é vida
sobrenatural!
Servir a Mamom (o mundo) significa dar toda a
sua atenção à busca por coisas materiais. Se você for
bem-sucedido de acordo com os padrões do mundo,
não terá espaço para mais nada em sua vida. Você
certamente não terá tempo para ler a Palavra de
Deus, orar e dedicar tempo apenas para adorar e
estar diante do Senhor. Servir a Mamom exigirá
todo o seu tempo, atenção, energia e dinheiro.
Foi por isso que Jesus disse que devemos ser fiéis
a um senhor e amar um senhor, e devemos odiar e
desprezar o outro. E se algum dia cairmos na
armadilha de amar o senhor errado por algum
tempo, precisamos nos arrepender — mudar — e
começar a servir a Jesus de todo o coração mais
uma vez!

A QUEM VOCÊ SERVE?


Deixe-me fazer algumas perguntas: a que você está
servindo na sua vida agora? O que exige mais do seu
tempo e da sua atenção? Você pode dizer
verdadeiramente que está dando a Deus sua máxima
atenção e que a prioridade máxima da sua vida é
servir a Ele e obedecer-lhe? Ou você deve admitir
que as buscas mundanas, os bens mundanos e o
sucesso no mundo corporativo consomem demais da
sua atenção e das suas energias?
Se você está obcecado por Deus, essas outras
coisas têm um lugar inferior a Ele na sua lista de
prioridades. Mas se você está obcecado pela
amizade com o mundo, as coisas materiais
dominarão a paisagem da sua mente.
Simplesmente pare e pergunte a si mesmo: Em que
eu penso mais do que qualquer outra coisa na
vida? Sua resposta provavelmente lhe dirá a quem
você está servindo com seu tempo e seus talentos.
Deus se oporá ao cristão que está fora da vida que
Ele planejou para ele. É por isso que Tiago 4:6 diz:
“... Deus resiste aos soberbos...”.
A palavra “resiste” é a palavra grega antisteste de
anthistemi, e ela significa ficar contra, se opor ou
tomar uma posição contra outra pessoa. Um
cristão que escolheu seguir o próprio caminho
escolheu tomar uma posição contra Deus. Se esse
cristão não se arrepender e voltar para onde Deus
quer que ele esteja, Deus se oporá a ele e tomará
posição contra ele. Esse cristão pode repreender o
poder do diabo o dia inteiro, mas isso de nada
valerá. O problema dessa pessoa não é o diabo. O
problema é que ela virou as costas para Deus e para
o plano dele em sua vida.
Não consigo imaginar nada pior que um cristão a
quem Deus está fazendo oposição. As coisas
simplesmente não parecem dar certo ou sair como
deveriam. O caminho do mundanismo é um
caminho duro para um cristão trilhar.
Se Deus está contra nós, nossos planos
fracassarão, nossos sonhos afundarão e nada na vida
terá êxito. Frustração, preocupação, ansiedade e
sentimentos de fracasso são apenas algumas das
emoções negativas que experimentaremos se Deus
estiver bloqueando nosso caminho.
Essa resistência da parte de Deus, por mais terrível
que possa parecer, é um ato da Sua graça.
Bloqueando nosso caminho e resistindo às nossas
escolhas, o precioso Espírito Santo de Deus se
esforça para nos trazer a um ponto de doce
quebrantamento no qual o pecado seja confessado e
a comunhão com Ele seja restaurada.
PENSE NISTO
Desde o momento em que você recebeu Jesus
como seu Senhor e Salvador e o Espírito Santo se
mudou como Residente permanente no seu homem
interior, Ele tem sido seu Companheiro constante.
Ele tem sido uma testemunha íntima de cada ato
seu, de cada palavra sua e de cada pensamento seu.
Quanto mais consciente você está da presença
contínua do Espírito Santo na sua vida, mais seu
desejo de nunca o entristecer aumentará — e mais
fácil se tornará para você se render a Sua instrução e
reconhecer o que Ele está dizendo no seu coração.
O que você pode fazer para cultivar uma
consciência crescente da presença do Espírito Santo
dentro de você? Como você pode ter acesso
efetivamente à Sua assistência que está
continuamente disponível a você em todas as áreas
da sua vida?
CAPÍTULO 16
UM INQUILINO PERMANENTE

“Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É


com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele
fez habitar em nós?” (Tiago 4:5). Esse versículo
explica por que Deus reage tão fortemente aos
cristãos que se envolvem no mundanismo em vez de
se envolverem com o Espírito Santo.
Estou convencido de que é a falta de entendimento
que permite que os cristãos façam as coisas erradas
que fazem. Se eles tivessem uma amizade íntima
com Aquele que vive dentro deles e entendessem
verdadeiramente Sua natureza santa, eles não seriam
capazes de tolerar feri-lo ou entristecê-lo. É por isso
que precisamos de mais ensinamentos sobre a
Pessoa e a obra do Espírito Santo!
Entender a obra interna do Espírito Santo em
nossa vida é crucial para sermos salvos, santificados
e revestidos de poder para o serviço diário. Como
podemos pensar no poder de Deus sem este
fundamento básico estabelecido adequadamente?
Esse conhecimento fundamental não é opcional —
ele é uma necessidade.
A luz da verdade dessa presença do Espírito Santo
habitando dentro de nós, vamos ver o que Tiago
quis dizer quando escreveu: “Ou supondes que em
vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós
anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?”.
Há três palavras-chave que precisamos considerar
neste versículo: 1) “habitar”; 2) “anseia” e 3)
“ciúme”. Primeiramente, vamos ver a palavra
“habitar”. No Capítulo 10, vimos que o Espírito
Santo vem habitar em nós no nosso novo
nascimento. Ele não vem apenas para uma visita —
Ele vem para ser um Inquilino permanente.
A palavra “habitar” usada em João 14:17, que
discutimos anteriormente, é meno, que significa
habitar ou morar permanentemente. Mas em Tiago
4:5, a palavra habitar foi extraída da palavra grega
katoikizo. Essa palavra é composta pelas palavras
kata e oikos. A palavra kata significa de acordo
com, e oikos é a palavra grega para casa. Quando
unidas, a nova palavra significa fixar residência ou
habitar em uma casa.
Essa palavra traz consigo a ideia de residir
permanentemente. Em outras palavras, essa palavra
nunca descreveria um alguém que está de passagem
ou que veio apenas para morar temporariamente em
um lugar. Ela retrata a imagem de uma pessoa que
nasceu e foi criada e que se casou, trabalhou, teve
filhos, se aposentou, morreu e foi enterrada na
mesma cidade. Essa pessoa nunca quis se mudar e
viver em outro lugar. Aquele lugar havia sido seu lar,
e ela queria que ele continuasse sendo seu lar por
toda a vida.
Em outras palavras, quando o Espírito Santo veio
morar dentro de você, não foi por um breve período
de tempo. Ele veio para ficar. Daquele momento em
diante, Ele fez do seu coração o Seu lar. Ele, por
assim dizer, pendurou Seus quadros nas paredes do
seu coração, colocou os tapetes no chão, mudou os
móveis para dentro e se instalou em uma grande e
confortável cadeira. Ele não tem nenhuma intenção
de sair para morar em outro lugar.
O Espírito Santo veio para ser um Inquilino
permanente no seu coração. Seu coração não é um
hotel onde Ele vai passar as férias. Seu coração é o
lar dele. Ele é Aquele que mora dentro de você e
nunca sai.

UMA CATEDRAL PARA O ESPÍRITO


No sentido figurado, eu disse que o Espírito Santo
veio pendurar quadros na parede do seu coração,
colocar tapetes no chão e se instalar em uma cadeira
confortável. Mas Ele fez muito mais. No novo
nascimento, Ele pegou nosso espírito, que estava
morto em transgressões e pecados, e o elevou a uma
nova vida, recriando-o para se tornar o maravilhoso
templo de Deus.
Obviamente, o que o Espírito Santo realizou na
sua salvação não foi apenas um trabalho de
decoração. Ele criou um lugar de habitação dentro
de você tão maravilhoso e tão incrível que o próprio
Deus — na Pessoa do Espírito Santo — dispôs-se a
fazer dele o Seu lar.
Paulo se referiu a essa obra miraculosa quando
escreveu: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o
templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós
mesmos? Porque fostes comprados por bom preço;
glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios
6:19-20. ACF).
A palavra “templo” nessa passagem foi extraída da
palavra naos, que sempre descreve um santuário
altamente decorado. A palavra “santuário” retrata a
imagem de uma linda catedral que possui tetos altos
abobadados, colunas de mármore, assoalhos de
granito, obras esculpidas em madeira revestidas de
ouro e prata, lustres de cristal, castiçais de prata e
incenso queimando diante do altar.
Criado como um Batista do Sul, eu estava
acostumado ao interior de uma igreja batista.
Tínhamos bancos, um batistério, um belo tapete e
um pesado púlpito de carvalho. Esse era o nosso
estilo de decoração na igreja. Ele era bonito, porém
moderado e simples.
Na primeira vez que entrei em uma catedral, quase
desmaiei. Eu era apenas um garotinho quando
participei do casamento de meu tio em uma grande
igreja católica da nossa cidade. Lembro-me de entrar
pelo corredor daquela igreja, simplesmente
maravilhado com a altura dos tetos e com a beleza
das estátuas e pinturas.
Nas minhas jornadas de uma extremidade à outra
da antiga União Soviética, muitas vezes paro para
ver os grandes prédios da igreja ortodoxa russa. A
arte da arquitetura, o mármore incrustado, as
pinturas, os ícones, o ouro, a prata e as pedras
preciosas — tudo o que vejo é tão belo que não
posso sequer imaginar o nível de talento exigido
para criar essas coisas. Alguns desses prédios são
quase inacreditáveis em termos de tamanho, beleza e
intensidade de esplendor. Dizer que eles são
espetaculares é subestimar sua beleza. Foi
exatamente isso que Paulo quis dizer com sermos
templos do Espírito Santo.
É caloroso e aconchegante pensar no Espírito
Santo sentindo-se à vontade na nossa casa espiritual.
Pessoalmente gosto de meditar na sensação de
permanência que resulta de sabermos que o Espírito
Santo se sente em casa dentro de nós. Mas porque
Paulo usou a palavra naos (“templo”) em 1
Coríntios 6:19 para nos descrever, ele estava
pintando uma imagem muito diferente da imagem de
uma casa calorosa e aconchegante.
O Espírito Santo fez o milagre por excelência
quando veio habitar em nosso coração. Ele tomou
nosso espírito, que estava morto em transgressões e
pecados (ver Efésios 2:1) e nos deu vida juntamente
com Cristo (ver Efésios 2:5). Naquele momento
milagroso, Ele criou nosso espírito para ser
semelhante a Deus em justiça e verdadeira santidade
(ver Efésios 4:24).
Essa obra dentro de nós foi tão gloriosa e perfeita
que, quando foi concluída, o Pai declarou que
éramos feitura dele, criados em Cristo Jesus (ver
Efésios 2:10). Do começo ao fim, fomos tomados
por Ele, regenerados por Ele, e moldados e
adaptados por Ele para sermos o templo do Espírito
de Deus.
Isso faz da salvação o maior milagre de todos. A
mudança na nossa natureza espiritual anteriormente
morta é verdadeiramente milagrosa. O Pai
ressuscitou nossa natureza e a encheu de glória,
poder, revelação, santidade, esplendor, justiça;
encheu-nos também do fruto do Espírito, dos dons
do Espírito e da vida e do caráter de Cristo. Ele
adornou nosso homem interior de maneira
extravagante até que, espiritualmente falando, nos
tornamos um santuário valiosíssimo para a glória de
Deus.
Interiormente somos tão linda e magnificamente
criados que o Deus Todo-Poderoso, através do Seu
Espírito, dispôs-se a fixar residência permanente
dentro de nós. Que tipo de lar você acha que Deus
exigiria? Um casebre surrado feito de terra e paus?
Não! Ele construiu para Si mesmo um tempo
extravagante dentro do nosso coração.

O QUE VOCÊ VÊ NÃO É O QUE VOCÊ


TEM!
Muitos de nós temos uma autoimagem negativa.
Nós nos vemos como casebres indignos feitos de
lama e paus. Certamente não nos vemos como
santuários do Espírito Santo altamente decorados. E,
naturalmente, somos bastante fracos como seres
humanos.
Paulo também estava consciente disso. Foi por isso
que ele escreveu: “Temos, porém, este tesouro em
vasos de barro, para que a excelência do poder seja
de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7, ACF).
Paulo usou várias palavras-chave nesse texto.
Primeiramente, ele disse: “Temos, porém...”. A
palavra grega usada aqui para “temos” é echomen, e
ela também pode ser traduzida por “contemos” ou
“possuímos”. Isso concorda com a expressão “vasos
de barros” que é a palavra grega ostrakinos, que
descreve potes de cerâmica pequenos, baratos e
facilmente quebráveis. Esse tipo específico de vasos
de cerâmica era considerado fraco, frágil e de valor
irrisório.
Mas usando a palavra echomen ligada com
ostrakinos, Paulo estava fazendo uma afirmação
forte com relação à nossa verdadeira condição
espiritual. Ele afirmou que nós contemos, incluímos
ou possuímos uma espécie de tesouro em vasos que
são pequenos, baratos, facilmente quebráveis e sem
nenhum valor real. Foi assim que ele descreveu
nosso corpo físico.
Paulo estava certo. O corpo humano é frágil. Uma
dieta errada pode matá-lo; trabalhar demais pode
quebrá-lo; pressão demais pode danificá-lo. E
mesmo depois de cuidarmos carinhosamente dele
por toda a nossa vida, ele ainda morre.
As maiores mentes, os inventores mais criativos, os
intelectos mais elevados, os escritores mais
interessantes e os políticos mais talentosos, todos
eles morrem. Eventualmente o corpo humano se
quebra sob o estresse da idade, e o vaso que
carregava um talento e um potencial tão incrível é
reduzido ao pó irreconhecível, totalmente destituído
de valor. Alguns vasos humanos quebram mais
cedo, outros duram mais, mas eventualmente todos
eles se quebram, todos eles desabam e todos eles
voltam ao pó.
Eis a parte incrível: esses nossos “vasos de barro”
contêm ou possuem algo que Paulo chamou de
tesouro. A palavra “tesouro” é a palavra thesauros.
Ela descreve um tesouro tão rico e tão imenso que
jamais poderia ser gasto. Esse seria o maior sonho
de um caçador de tesouros, porque a nós também
foi dado o mapa do tesouro! Como sempre, o “X”
marca o local do tesouro escondido, e desta vez a
Bíblia escreveu o “X” em nós. Somos o local
escondido de Deus para indicar o tesouro secreto.
A partir da aparência natural, podemos parecer
fracos, frágeis e destituídos de verdadeiro valor.
Certamente não parecemos ser um lugar onde Deus
esconderia Seu maior tesouro. Mas Paulo escreveu
esse versículo quase com uma sensação de
assombro: “Temos este tesouro imenso,
incrivelmente rico, inesgotável nesse corpo humano
que é tão facilmente quebrado e gasto!”.
Se você fosse Deus e tivesse um tesouro tão
infinitamente grandioso, você o colocaria dentro de
alguma coisa tão pouco confiável quanto seu corpo
físico? Você provavelmente teria de dizer não. Mas
foi isso que Deus fez — e isso é parte do milagre da
salvação.
O que vemos com nossos olhos naturais é uma
demonstração da humanidade fraca. Mas contido no
nosso corpo carnal, de curta duração, está o mesmo
poder que criou o universo e ressuscitou Jesus
dentre os mortos!
O Espírito Santo nos recriou em Cristo Jesus,
transformando nosso espírito anteriormente morto
em um templo tão maravilhoso que Ele se dispôs a
habitar nele permanentemente como o maior tesouro
de Deus dado à humanidade. O Espírito Santo
colocou todas as Suas energias e investiu todas as
riquezas do céu em nós para fazer um lugar de
habitação digno para o próprio Deus. Ele nos
chamou, nos selou, nos santificou e nos encheu com
Sua santidade. Dentro do nosso espírito humano,
somos o santuário do Deus Todo-Poderoso
altamente decorado.
Assim, depois de todo esse esforço divino gerado
pelo Seu amor incondicional, você acha que o
Espírito Santo vai simplesmente ir embora e deixar
Seu investimento para trás? Eu lhe garanto que não!
Foi por isso que Paulo seguiu em frente advertindo
os cristãos de Corinto dizendo: “Porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus
no vosso corpo... e no vosso espírito” (1 Coríntios
6:20, ACF). Nas versões mais antigas desse
versículo em grego, Paulo os advertiu a glorificarem
a Deus no corpo e não no corpo e no espírito. Isso
porque o corpo é a questão nesse versículo, e não o
espírito do homem.
Nosso homem espiritual é habitado pelo Espírito
Santo. Nosso problema não é com o espírito
humano, onde o Espírito Santo habita. Nosso
problema diz respeito ao que fazemos com nosso
corpo, que abriga nosso espírito humano recriado.
Estamos sendo terrivelmente hipócritas quando
servimos como o templo do Espírito Santo que
habita dentro de nós e nos adorna interiormente com
Sua glória e Seu poder, mas exteriormente nos
misturamos com o mundo através dos nossos
sentidos físicos e da nossa vida mental.
Quando Paulo escreveu aos cristãos de Corinto
sobre glutonaria, imoralidade sexual e mundanismo,
ele lhes disse: “Não sabeis que os vossos corpos são
membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os
membros de Cristo e os faria membros de meretriz?
Absolutamente, não. Ou não sabeis que o homem
que se une à prostituta forma um só corpo com ela?
Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com
ele” (1 Coríntios 6:15-17). Então ele concluiu com a
afirmação que estávamos examinando: “... Agora,
pois, glorificai a Deus no vosso corpo...” (v. 20).
O versículo 20 expressa o propósito que deve
motivar cada pensamento, cada palavra, e cada ato
na sua caminhada com Deus nesta terra: você deve
glorificá-lo.
Como se pode ver, uma vez que você entregou sua
vida a Jesus Cristo e pediu a Ele para ser o Senhor
da sua vida, Ele fez o que você pediu. Ele enviou
Seu Espírito para criar você de novo e para morar
no seu coração. Agora você não é mais seu. Paulo
disse que você foi “comprado por um preço”. Jesus
comprou você com o próprio sangue precioso.
Agora você pertence a Ele — espírito, alma e corpo.
É por isso que o Espírito Santo se entristece tanto
quando voltamos para o mundo ou adotamos uma
atitude mundana que começa a governar nossos
pensamentos, nossas palavras e nossos atos. Nós o
arrastamos para o meio de uma situação ímpia e nos
tornamos ofensivos à santidade de Deus. Sempre
que misturamos nosso corpo e nossa mente com o
mundo, Paulo diz que é o mesmo que pegarmos os
membros de Cristo e uni-los a uma prostituta.
Imagine uma esposa dizendo a seu marido: “Amo
você, e quero ficar casada com você para sempre.
Mas tenho autoridade sobre meu corpo, sobre
minha vontade e minhas emoções, e quero ter um
caso com outro homem”. Para cristãos em Jesus
Cristo essa atitude é completamente inaceitável!
Como uma esposa ousa violar seus votos de
casamento de uma maneira tão detestável e
contaminar a aliança com seu marido? E o mesmo
acontece se o cônjuge que tiver a atitude ímpia for o
marido!
Mas é isso que os cristãos costumam fazer ao
Senhor Jesus Cristo. Eles declaram seus votos e
entrega e obediência a Ele no momento em que o
chamam de Senhor. Então, em algum momento da
sua caminhada com Jesus, eles violam a aliança com
Ele voltando a se unir com o espírito do mundo.
E você? O Espírito Santo vai aonde você vai e vê
o que você vê. Você o está levando a lugares aos
quais Ele jamais o levaria?
Quando entendermos que o Espírito Santo vive em
nós, isso mudará nossa maneira de vermos a nós
mesmos e a maneira como agimos na vida. Isso
mudará nossa maneira de pensar, falar e de nos
comportar.
Que honra ser o lugar da habitação do Espírito
Santo! Simplesmente pare e pense nisso mais uma
vez — o Deus Todo-Poderoso preparou para Si
mesmo um lar no seu coração! Que honra maior
pode haver do que essa? Se você precisa de um
impulso na sua autoimagem, pare e medite nesse
fato. Todas as riquezas e tesouros de Jesus Cristo
habitam permanentemente dentro de você (ver
Colossenses 2:3).
Precisamos lembrar que somos membros de Cristo
e que o que fazemos a nós mesmos, fazemos a Ele
também. Ele habita dentro de nós através da Pessoa
do Espírito Santo. Precisamos aprender a honrar e a
respeitar a presença de Deus em nossa vida.

PENSE NISTO
Você é um portador da presença do Espírito Santo,
e a sua principal atribuição nesta vida é aprender a
se render à direção dele em todas as situações.
Aonde quer que vá você leva o tesouro da Sua
glória, e Ele deseja manifestar essa glória através de
você.
Dedique tempo para revisar sua última semana.
Percorra toda a série de motivos que fizeram com
que você fizesse o que fez e dissesse o que disse. Se
houve alguma motivação errada, arrependa-se e
livre-se dela. Depois avalie as coisas que você disse
e fez com as motivações certas e observe o fio que
liga tudo isso — glorificar Jesus. Sempre que você
encontrar aquele desejo puro de glorificar a Deus,
alimente-o intensificando sua comunhão com o
Espírito Santo. Ele é a origem desse desejo no
coração, assim como o Facilitador que garante sua
realização.
CAPÍTULO 17
O AMANTE DIVINO

N o último capítulo, vimos a palavra “habitar” em


Tiago 4:5: “... É com ciúme que por nós anseia
o Espírito, que ele fez habitar em nós...”. A próxima
palavra que precisamos considerar é a palavra
“anseia”.
A tradução em inglês usa a palavra “lust” (desejo),
a qual tem uma conotação muito negativa na nossa
mente. Pensamos nela como um desejo sexual, por
exemplo, algo que precisa ser erradicado da nossa
vida. Pensamos em uma forma de desejo
mesquinho, como um desejo excessivo por bens
materiais. Referindo-se a uma forma de luxúria, é
algo que não queremos confessar orgulhosamente
como parte da nossa vida. Queremos nos livrar.
Mas Tiago escreveu que o Espírito Santo tem uma
espécie de desejo ou anseio! Por ser Ele o Espírito
de santidade (ver Romanos 1:4), o desejo do
Espírito Santo deve ser um tipo de desejo saudável
e santo. Esse ponto sobre o desejo do Espírito Santo
é tão importante que devemos parar e ver
exatamente o que Tiago está nos dizendo aqui.
A palavra “anseia” foi extraída da palavra grega
epipothei, que é composta por duas palavras gregas,
epi e pothei. A palavra epi significa “para” e a
palavra pothei significa um desenho ou anseio
intenso.
Quando essas duas palavras são unidas como as
encontramos em Tiago 4:5, a nova palavra resultante
descreve um anseio intenso, além do normal, e
excessivo. Geralmente essa palavra é usada para
indicar algo que é moralmente errado ou
pecaminoso.
Por exemplo, essa palavra poderia ser usada
adequadamente para retratar um viciado em drogas.
Todos os dias o viciado precisa de uma nova dose de
drogas para levá-lo até o dia seguinte. Quando a
última dose se esgota e seu corpo está clamando
desesperadamente por uma nova infusão de
elementos químicos, ele está praticamente
encurvado pela dor — ansiando, se angustiando e
clamando pela próxima “dose”. Tudo nele está
focado para conseguir essa substância. Ele está
consumido pela necessidade de mais. A palavra
epipothei poderia ser descrita por esse tipo de
anseio.
Por que Tiago usaria essa palavra para descrever o
Espírito Santo? O Espírito Santo realmente sente
desejo? Sim, mas é um tipo positivo de desejo! A
palavra grega para “anseia” nesse versículo pode
querer dizer: “O Espírito que habita em nós tem um
anseio intenso, excessivo, além do normal...”.
Então, o que esse versículo quer dizer? Pelo que o
Espírito Santo está ansiando tão apaixonadamente?
O que o Espírito Santo deseja possuir tão
intensamente?

VOCÊ É O ALVO DO AMOR E DO AFETO DO


ESPÍRITO SANTO
Depois de tudo o que o Espírito Santo fez em nós,
não deveria ser um grande choque descobrir que o
Espírito Santo é apaixonado por nós. O fato de Ele
ver nossa mistura e nosso envolvimento com o
mundo como adultério deveria nos alertar para o
amor e o afeto intensos que Ele tem por nós.
O Espírito Santo foi enviado para ser nosso
Ajudador e Consolador. Embora Ele faça muitas
outras coisas, Sua função primordial é nos ajudar a
receber Jesus Cristo, nos ajudar a crescer como
cristãos, nos ajudar a testemunhar, nos ajudar a
adorar, nos ajudar a entender a Palavra de Deus e
assim por diante.
O Espírito Santo é Aquele que habita em nós, que
nos sela, que nos santifica, Ele é nosso Poder e a
Fonte da nossa nova vida em Cristo. Sua obra, Sua
atenção, Seus dons, Seu poder e Sua Palavra, tudo
isso é direcionado a nós. Nós somos o alvo do Seu
amor e do Seu afeto.
Como um Amante divino que vive dentro de nós,
o amor e o afeto do Espírito Santo estão voltados
exclusivamente para nós. Ele anseia
apaixonadamente por cumprir com Sua
responsabilidade perante o Pai de nos ajudar, nos
ensinar, nos guiar e nos revestir de poder.
Tiago usou a palavra epipothei para descrever o
desejo intenso do Espírito Santo de nos possuir e de
nos encher. A palavra epipothei significa
enfaticamente que o Espírito Santo deseja cada vez
mais de nós. No que se refere a você e a mim, Ele
nunca se satisfaz.
Tenho andado com Deus desde que eu era garoto.
Ao longo dos anos, aprendi uma verdade muito
importante sobre meu relacionamento com Ele: não
importa o quanto eu me entregue ao Seu poder
santificador hoje, amanhã Ele vai estar me pedindo
para entregar mais. A cada segundo, a cada minuto,
a cada hora, a cada dia, a cada semana e a cada ano
que passa, meus olhos são iluminados para novas
áreas da minha vida que nunca foram entregues e
Ele me pede para entregar essas áreas ao Seu
controle.
Durante o apelo quando fui salvo, a congregação
estava cantando “Tudo Entregarei”. Desde aquela
época, entrei em uma jornada de entregar tudo à
medida que o Espírito Santo me convence e me
mostra áreas que nunca entreguei completamente.
Eu chamei Jesus de “Senhor” quando era um
menino, há muitos anos, mas ainda estou
aprendendo a aceitar Seu senhorio em várias áreas
da minha vida. Não importa o quanto eu pense que
entreguei ou o quanto eu pense que estou rendido,
há sempre algo mais a entregar e mais que Ele
deseja possuir da minha vida.
Do mesmo modo, o Espírito Santo deseja possuir
você — por inteiro. Esse desejo é tão intenso que
comparado ao desejo humano natural ele parece
quase excessivo. Ele está focado em transformar
você, em revesti-lo de poder, em conformar você à
imagem de Jesus Cristo, e em ajudar você a cumprir
o plano de Deus para sua vida.
O impressionante é que o Espírito Santo está em
mim e está pensando em mim, e Ele está em você e
está pensando em você ao mesmo tempo. Ele se
concentra em cada um de nós como se cada um de
nós fôssemos Seu único foco. Ele está sempre à
procura de maneiras de nos ajudar na nossa jornada
espiritual.
Os cristãos judeus a quem Tiago escrevia estavam
obcecados pelo desejo por bens mundanos. E o
Espírito Santo estava obcecado pelo desejo ardente,
forte e apaixonado de encher aqueles cristãos judeus
com Seu amor e Sua afeição. É por isso que era tão
doloroso para o Espírito de Deus quando eles o
deixavam de lado e mantinham sua atenção em
outras coisas.

BONDADE E GRAÇA DURADOURAS


Embora o Espírito Santo possa se entristecer, Ele
não se ofende nem se fere facilmente, Ele não é tão
frágil assim.
O Espírito Santo conhece nossa estrutura e sabe
que somos pó (ver Salmos 103:14). Sua
misericórdia é grande para com aqueles que o
temem (ver Salmos 103:11). Como um pai tem
compaixão dos seus filhos, assim o Senhor tem
compaixão daqueles que o temem (ver Salmos
103:13).
O Espírito Santo é cheio de amor e bondade
eternos. Seria preciso alguma coisa muito grande
para insultar Aquele cujo nome é “o Espírito da
graça”. Mas a Bíblia nos ensina claramente que
quando o descartamos, o ignoramos e tratamos Sua
Palavra como algo sem importância em nossa vida,
isso o entristece e eventualmente insulta o Espírito
da graça. Insultar o Espírito Santo é coisa séria!
É quase como se o Espírito Santo dissesse:
“Depois de tudo o que fiz por você... Eu lhe dei
Meu amor. Eu lhe dei um novo nascimento. Eu selei
você, santifiquei você e o revesti de poder para o
serviço. Depois que fiz tudo isso por você, como
você pode Me rejeitar tão facilmente e entregar seu
corpo, sua mente e sua alma a outras coisas?”.
É isto que entristece o Espírito Santo.
Em que área da sua vida Deus está tratando com
você neste instante? Que área da sua vida você
precisa submeter ao Espírito Santo? Sua língua está
sob o controle dele? Como estão suas atitudes? Você
tem entregado seus pensamentos ao Senhor? E
quanto às suas finanças? Seus hábitos com seus
gastos e suas ofertas estão sob o controle do Espírito
Santo?
A resposta a todas essas perguntas pode ser: “Sim,
estou fazendo tudo o que posso para me submeter à
direção do Espírito Santo nessa área”. É assim que
deve ser. Então você simplesmente continua
andando em íntima comunhão com Ele. Não
demorará muito até que Ele fale ao seu coração e
revele outra área que precisa ser submetida à Sua
presença santificadora. Há grande bênção em
sustentar uma atitude de completa submissão ao
cuidado e à atenção vigilante do Espírito Santo.
Deixe o Espírito Santo amar você! Deixe que Ele o
controle! Deixe que Ele exerça autoridade na sua
vida! Deixe que Ele inunde você com Seu desejo
divino! Cada intenção que Ele tem para você é boa,
santa e pura. Verdadeiramente não existe nenhum
aspecto negativo na decisão de submeter sua vida —
sua mente, seu corpo, sua família, seu cônjuge, seu
negócio, seu ministério, seus atos e seu
comportamento — ao Espírito Santo.
O Espírito Santo “habita” em você e Ele “anseia”
por você. Medite no que você aprendeu sobre essas
duas palavras gregas e você passará a entender de
uma maneira mais profunda por que o Espírito de
Deus nunca se satisfará com uma comunhão rasa
entre você e Ele. Ele mora permanentemente em
você e anseia apaixonadamente por ter comunhão
com você, por ajudá-lo, ensinar-lhe, guiá-lo e
revesti-lo de poder. O Espírito Santo deseja ter uma
comunhão verdadeira com você, e Ele o ama demais
para permitir que você se satisfaça com qualquer
coisa menos que isso.
PENSE NISTO
O diabo fará qualquer coisa para causar um curto
circuito no poder da união de um cristão com o
Espírito Santo. Satanás sabe por experiência própria
que o homem e o Espírito Santo trabalhando em
sincronia com o propósito do céu é a combinação
divina a qual nenhum inimigo pode resistir. Mas há
um inimigo potencialmente maior que o diabo
contra a força da sua união com o Espírito Santo:
você.
Como isso é possível? Se você ignorar os apelos
do Espírito Santo com relação às coisas que Ele
quer que faça ou a áreas da sua vida que Ele quer
que mude, você provoca um curto-circuito na sua
comunhão íntima com Ele. E se você continuar a
ignorar esses apelos, com o tempo a dureza de
coração e o autoengano podem ser instalar. Olhando
continuamente no espelho da Palavra de Deus e
permitindo que o Espírito Santo lhe mostre áreas
onde a mudança é necessária, sua caminhada
espiritual não será impedida ou diminuída. Mas se
você se recusar a olhar, você se tornará seu pior
inimigo.
Você já tomou a decisão de ouvir atentamente e de
fazer mudanças imediatas quando o Espírito Santo
lhe revelar o que é necessário para continuar
crescendo nele? O que você pode fazer para manter
essa posição dia após dia e permanecer sensível a
Ele? Uma chave pode ser encontrada na sua
comunhão com os outros cristãos que tomaram a
mesma decisão determinada com relação ao
relacionamento com o Espírito Santo. O
encorajamento mútuo ajuda todos os envolvidos a
cultivarem uma união íntima com o Espírito Santo
que nenhum demônio ou oposição terrena podem
tocar.
CAPÍTULO 18
O DESEJO DO ESPÍRITO SANTO

T iago continuou escrevendo: “... É com ciúme


que por nós anseia o Espírito” (Tiago 4:5). Nos
dois últimos capítulos, vimos como o Espírito Santo
habita em nós e anseia por nós. Agora vamos ver a
profundidade extra de significado que a palavra
“ciúme” acrescenta a esse versículo.
A palavra “ciúme” vem da palavra grega phthonos,
que é usada frequentemente na literatura do período
do Novo Testamento. A palavra phthonos significa
ciúme, má intenção ou hostilidade. Trata-se de uma
inveja tão forte que tende para a hostilidade e gera
ciúme. O jovem que perdeu sua amada sente ciúme,
desejando que seu antigo relacionamento seja
restaurado, e muito provavelmente abrigará a
hostilidade no seu coração contra o bandido
romântico. Ele tem ciúme desse relacionamento e o
quer ter de volta.
A esta altura, Tiago 4:5 deveria estar claro para
nós. O Espírito Santo é um Amante. Ele está
preocupado conosco. Ele quer nos possuir
totalmente e deseja que nossos afetos também
estejam voltados para Ele.
Quando andamos e falamos como incrédulos e
dedicamos a vida a outras coisas, o Espírito Santo se
sente como um Amante que foi roubado. Ele sente
ciúme e quer que Seu relacionamento conosco seja
restaurado. Ele sente uma hostilidade divina com
relação ao mundanismo que usurpou Seu papel em
nossa vida. E ele está cheio de ciúme desejando ver
as coisas voltarem ao modo como deveriam ser.
Quando você une essas três palavras — habitar,
ciúme e anseia — temos um quadro e tanto. O
Espírito Santo não é um parceiro passivo. Ele
persegue você e a mim de forma determinada e
ativa. Ele deseja ardentemente ter mais de nós!
Quando entregamos qualquer parte de nós ao
controle de alguma outra coisa ou de outra pessoa,
Ele quer tomar essa parte de volta e colocá-la
novamente sob Seu controle divino. Ele abriga até
uma hostilidade com relação a nossa preocupação
com outras coisas.
Vivemos no mundo, trabalhamos no mundo e
funcionamos como seres humanos no mundo. Não
há como nos esquivarmos disso. Jesus não orou para
que fôssemos retirados do mundo, mas para que
fôssemos guardados da influência do mundo (ver
João 17:15).
Não há nada de errado em trabalhar, comprar uma
casa, comprar um carro novo ou desfrutar de roupas
novas. Essas coisas são ótimas e muito necessárias
neste mundo. Elas não são erradas a não ser que
consumam e preocupem nossos pensamentos.
Devemos nos lembrar do fato de que qualquer
coisa pode ocupar nossos pensamentos. Até o
ministério pode ocupar tanto nossa cabeça que
raramente pensamos no Espírito Santo ou no nosso
relacionamento com Ele! Sim, isso parece uma
contradição, mas é muito possível estarmos tão
envolvidos em boas obras que nunca passamos
tempo com o Senhor, nunca lemos a Sua Palavra ou
nunca ouvimos o que Seu Espírito quer dizer ao
nosso coração.
Às vezes são simplesmente as ocupações da vida
que nos afastam do Espírito Santo. Podemos ficar
tão ocupados — tão comprometidos em fazer tantas
coisas — que isso deteriora nossa vida espiritual.
Por mais incrível que pareça, até as coisas boas da
vida, se levadas ao extremo, podem se tornar
adúlteras aos olhos do Senhor.
Somente o Espírito Santo sabe como nos
equilibrar. E a única maneira de Ele poder falar
conosco e nos manter equilibrados é se abrirmos
nosso coração e nossos ouvidos espirituais para
ouvi-lo. Isso não acontecerá se não estivermos
separando um tempo especial para passarmos com
Ele todos os dias.
Esta é a minha pergunta para você: Em que seus
pensamentos estão focados na maior parte do
tempo? No seu trabalho? No seu ministério? Em
uma pessoa específica? No seu passatempo favorito?
Nas suas tarefas domésticas? Em cuidar do seu
jardim ou do quintal? Em redecorar a casa? A
resposta a esta pergunta provavelmente lhe dirá o
que o consome mais na vida.
Você pode trabalhar sem perder o profundo afeto
e a sensibilidade ao Espírito Santo. Não minta para
si mesmo e diga que não pode porque seu coração
sabe que você pode.
Você pode ser um ótimo cônjuge e um pai ou uma
mãe dedicado(a) e simultaneamente crescer no seu
relacionamento com o Espírito Santo. Você sabe que
sim.
Nunca diga a si mesmo que você tem coisas
demais para fazer e que não pode passar tempo com
o Senhor. A verdade é que a maioria das pessoas faz
o que quer na vida. Se ter comunhão com o Espírito
Santo é prioridade máxima na sua vida, você
encontrará tempo para Ele. Se a comunhão com Ele
não for prioridade máxima, você não encontrará
esse tempo. Simples assim.
À luz do que discutimos, poderíamos
traduzir Tiago 4:5 deste modo:
“O Espírito, que veio se estabelecer, fazer Seu
lar e habitar permanentemente em nós tem o
desejo absoluto, crescente, apaixonado,
excessivo de nos possuir — e Ele tem ciúme e
está cheio de hostilidade contra qualquer
coisa ou pessoa que tente tomar Seu lugar em
nossa vida.”
Creio que isso diz tudo.

COMO ACERTAR SEU CORAÇÃO COM O


ESPÍRITO SANTO
Talvez você esteja lendo este livro e pensando:
Tenho muito a aprender sobre o Espírito Santo. Eu
não sabia que devia ter esse nível de comunhão
com Ele. Eu não conhecia a extensão do que
significa depender dele como meu consolador. Eu
não entendia a gravidade de entristecê-lo com
minhas atitudes e prioridades equivocadas. Eu
simplesmente não entendia o quanto meu
relacionamento com a Pessoa do Espírito Santo é
importante!
Se essa pessoa é você, você está em uma situação
incrível hoje. Você está no limiar de uma dimensão
de Deus inteiramente nova na sua vida. Neste
instante, a humildade é o nome do jogo para você. É
por isso que Tiago nos diz: “Antes, ele dá maior
graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas
dá graça aos humildes... Chegai-vos a Deus, e ele se
chegará a vós outros...” (Tiago 4:6, 8).
O cristão orgulhoso que se recusa a ouvir a Deus
ou a se aproximar dele com um coração humilde e
arrependido terá uma estrada pedregosa à sua frente.
Como aprendemos no Capítulo 15, Deus se opõe ao
cristão mundano. Para essa pessoa, não há nada a
não ser frustração no futuro. Deus bloqueará seu
caminho a fim de frustrá-lo e de levá-lo de volta ao
bom senso. Essa reação divina tem o potencial de
eventualmente produzir muito fruto, mas é uma
maneira difícil e dolorosa de crescer no Senhor.
Mas Deus dá “graça aos humildes”. A palavra
“humildes” em grego é a palavra tapeinos, e ela
descreve aqueles que são modestos e humildes de
mente, e estão dispostos a receber correção e a
mudar. Esse é o extremo oposto da pessoa que é
altiva, autoconfiante, independente e sem
arrependimento. A graça de Deus flui livremente
para a pessoa que possui a qualidade da humildade.
Além do mais, Tiago promete que se nos
aproximarmos de Deus, Ele se aproximará mais de
nós. Deus e um coração arrependido se atraem
como os lados opostos de dois imãs inevitavelmente
são atraídos um ao outro. À medida que o cristão
humilde reconhece a necessidade de mudar e se
aproxima de Deus, o próprio Deus se aproxima
dessa pessoa.
O Espírito Santo vem para ficar uma vez que Ele
habite no coração. Nós não nos “aproximamos” para
ter o Espírito Santo — nós já o temos dentro de nós.
O aproximar-se de Deus é o nosso primeiro passo
para entrarmos em uma comunhão íntima com Ele
através do Espírito Santo.
Não posso evitar me perguntar quantos cristãos
morrerão e irão para o céu apenas para descobrir
tudo o que perderam porque nunca experimentaram
a comunhão com o Espírito Santo. Não permita que
essa seja a sua história!
O apóstolo Paulo orou: “A graça do Senhor Jesus
Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito
Santo seja com todos vós. Amém” (2 Coríntios
13:14, ACF). Esse “amém” em grego significa
assim seja! Paulo não estava apenas fazendo uma
oração doce sem conteúdo destinada apenas a ser
encaixada no final de uma epístola. Não, o apóstolo
realmente falava sério quando orou!
Assim, ele concluiu tudo o que havia escrito pelo
Espírito na sua epístola dizendo: “Amém! Assim
seja!”.
Do mesmo modo, minha oração por você é que
seu espírito seja movido a ir mais fundo e a subir
mais alto no seu relacionamento com Deus. Oro
para que você passe a conhecer a intimidade, a
parceria e a responsabilidade do Espírito Santo na
sua vida.
Esse é o lugar secreto em Deus que comecei a
descobrir em 1974, depois de participar daquele
culto de milagres com Kathryn Kuhlman no campus
da Universidade Oral Roberts. Posso olhar para trás
e dizer que aquele foi meu ponto de partida para um
novo e maravilhoso relacionamento com o Espírito
de Deus.
Se você ainda precisa embarcar nessa mesma
jornada, oro para que este livro seja seu ponto de
partida. Amém! Assim seja na sua vida!
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a
comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.
— 2 Coríntios 13:14
PENSE NISTO
Jesus disse: “Negociai até que eu volte” (Lucas
19:13). Antes que você possa cumprir essa comissão
divina no mundo que o cerca, o primeiro território
que você precisa possuir e ocupar é a sua própria
vida. Sua vida pode ser cheia de muitos objetivos
bons. Mas se você está preocupado com qualquer
outro foco além de Jesus, você corre o risco de lotar
o espaço que cabe somente a Ele ocupar. O Espírito
Santo habita dentro de você para revelar Jesus a
você e para conformá-lo à Sua imagem. Ele é
totalmente fiel em fazer a parte que lhe cabe. Sua
parte é eliminar as distrações e permitir que Ele
ocupe totalmente o lugar que lhe é de direito na sua
vida.
Dedique tempo para avaliar honestamente qual
tem sido o foco dominante dos seus pensamentos e
da sua atenção durante os últimos meses e até anos.
Faça o que precisa fazer nos dias que se seguirão
para realizar os ajustes necessários enquanto você
busca uma comunhão mais profunda com o Espírito
Santo. Essa é a maneira segura e a única maneira
de garantir que sua vida seja uma demonstração
prolongada de bênção e frutificação sobrenatural à
medida que ela passa a ser comandada por Ele.
ORAÇÃO PARA SER CHEIO COM O
ESPÍRITO SANTO
O batismo no Espírito Santo é um dom gratuito
para todos os que fizeram de Jesus o Salvador e o
Senhor de suas vidas (ver Atos 2:39).
Depois que você fez de Jesus seu Senhor no
momento do novo nascimento, o Espírito Santo veio
morar dentro de você e seu velho espírito não
regenerado tornou-se completamente novo. Esse
dom subsequente é o “batismo no” ou uma imersão
no Espírito Santo. O batismo no Espírito Santo
supre o poder sobrenatural de Deus para
testemunhar sobre Cristo, para desfrutar um
relacionamento mais profundo e mais íntimo com o
Espírito Santo e para uma vida cristã vitoriosa e
poderosa.
Receber esse dom precioso é fácil. Antes de orar
para recebê-lo, você pode querer ler e meditar nas
referências bíblicas que ofereço na página a seguir.
Depois tenha expectativa de receber no momento
em que você orar!
Se você deseja ser batizado no Espírito Santo e
falar em novas línguas (ver Atos 2:4), simplesmente
faça a seguinte oração e depois aja com base nela!

Senhor, Tu deste o Espírito Santo à Tua


Igreja para nos ajudar a cumprir a Grande
Comissão. Eu Te peço com fé por esse dom
gratuito e recebo agora mesmo o batismo
com o Espírito Santo. Creio que Tu me
ouves enquanto oro, e Te agradeço por me
batizar no Espírito Santo com a evidência de
falar com uma nova língua sobrenatural.
Amém.

Depois de fazer essa oração, sua vida nunca mais


será a mesma! Você terá o poder de Deus operando
através de você para testemunhar, operar nos dons
do Espírito Santo e experimentar a vitória de Jesus
como uma realidade viva todos os dias.
Rick Renner
Referências bíblicas para estudo e revisão:
Marcos 16:17; Lucas 24:39; Atos 1:4-5, 8; 2:4, 39;
10:45-46
LISTA DE LIVROS DE REFERÊNCIA
1.How to Use New Testament Greek Study Aids,
por Walter Jerry Clark (Loizeaux Brothers).
2.Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible,
por James H. Strong.
3.The Interlinear Greek-English New Testament,
por George Ricker Berry (Baker Book House).
4.The Englishman’s Greek Concordance of the
New Testament, por George Wigram
(Hendrickson).
5.New Thayer’s Greek-English Lexicon of the
New Testament, por Joseph Thayer
(Hendrickson).
6.The Expanded Vine’s Expository Dictionary of
New Testament Words, por W. E. Vine
(Bethany).
7.New International Dictionary of New
Testament Theology (DNTT), por Colin
Brown, editor (Zondervan).
8.Theological Dictionary of the New Testament
(TDNT), por Geoffrey Bromiley; Gephard
Kittle, editor (Eerdmans Publishing Co.).
9.The New Analytical Greek Lexicon, por Wesley
Perschbacher, editor (Hendrickson).
The Linguistic Key to the Greek New
10.
Testament, por Fritz Rienecker; Cleon Rogers
(Zondervan).
Word Studies in the Greek New Testament, por
11.
Kenneth Wuest,4 Volumes (Eerdmans).
New Testament Words, por William Barclay
12.
(Westminster Press).
Table of Contents
Dedicatória
Prefácio
Capítulo 1
A Dimensão Mais Profunda
Capítulo 2
A Dupla Dinâmica
Capítulo 3
Um Relacionamento Íntimo e Pessoal Com o
Espírito Santo
Capítulo 4
O Segredo da Força Duradoura
Capítulo 5
Jesus Fez Uma Promessa
Capítulo 6
O Espírito Santo, Nosso Consolador
Capítulo 7
O Treinador Celestial
Capítulo 8
Guiado Pelo Espírito Santo
Capítulo 9
Aventuras Diárias Com O Espírito Santo
Capítulo 10
O Espírito Santo Nos Consola e Habita
Dentro de Nós
Capítulo 11
O Espírito Santo Ensina, Lembra e Testifica
Capítulo 12
O Espírito Santo Convence e Traz Convicção
Capítulo 13
O Espírito Santo Guia, Revela e Nos Ajuda a
Adorar
Capítulo 14
O Ciúme do Espírito Santo
Capítulo 15
O Espírito Santo Pode se Entristecer
Capítulo 16
Um Inquilino Permanente
Capítulo 17
O Amante Divino
Capítulo 18
O Desejo do Espírito Santo
Oração Para ser Cheio Com o Espírito Santo
Lista de Livros de Referência