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Saiba como fazer para demonstrar para o INSS que você trabalhou exposto a eletricidade

e garantir a sua aposentadoria especial.


Sumário

O QUE É APOSENTADORIA ESPECIAL?.............................................................................................................................................................................................................................................................2

POR QUE É MELHOR SE APOSENTAR COM ESTE BENEFÍCIO?........................................................................................................................................................................................................................ 3

QUAIS PROFISSIONAIS DA ÁREA ELÉTRICA TEM DIREITO A APOSENTADORIA ESPECIAL?............................................................................................................................................................................ 5

E OS TRABALHADORES QUE TIVERAM EXPOSIÇÃO A TENSÃO SUPERIOR A 250V POR MENOS DE 25 ANOS?..............................................................................................................................................6

O TRABALHADOR DA ÁREA ELÉTRICA QUE CONSEGUIR A APOSENTADORIA ESPECIAL PODE CONTINUAR TRABALHANDO EM ATIVIDADE
NOCIVA?......................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 8

QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA OBTER A APOSENTADORIA ESPECIAL? .......................................................................................................................................................... 9

QUAIS AS PROVAS NECESSÁRIAS PARA OBTER A APOSENTDORIA ESPECIAL? ..............................................................................................................................................................................................11

1º) PPP............................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 12

2º) PPP EMPRESTADO.....................................................................................................................................................................................................................................................................................14

3º) DIRBEN 8030/DSS 8030/SB40/DISES SE 5235 ......................................................................................................................................................................................................................................... 15

4º) LTCAT........................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 16

5º) LAUDO TRABALHISTA (E EMPRESTADO).................................................................................................................................................................................................................................................17

6º) LAUDO JUSTIÇA FEDERAL (E EMPRESATADO).........................................................................................................................................................................................................................................18

7º) CTPS .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................19

8ª) HOLERITES EM QUE CONSTAM PAGAMENTOS DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE ............................................................................................................................................................................20

9º) FOTOGRAFIAS ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................21

10º) TESTEMUNHAS ......................................................................................................................................................................................................................................................................................22

11º) CAT ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................23

12º) FRE – FICHA DE REGISTRO DE EMPREGADOS .......................................................................................................................................................................................................................................24

13º) COMPROVANTE DE CURSO DE NR-10 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO E DE OUTROS CURSOS RELACIONADOS À ÁREA ELÉTRICA...............................................................................25

14º) OUTRAS PROVAS ...................................................................................................................................................................................................................................................................................26

EM QUAL MOMENTO ESTES DOCUMENTOS DEVEM SER APRESENTADOS PARA O INSS? ..........................................................................................................................................................................27

E SE APÓS TODO O PROCEDIMENTO NO INSS O BENEFÍCIO NÃO FOR CONCEDIDO? .................................................................................................................................................................................28


A aposentadoria especial é um
tipo de benefício pago pelo
INSS aos trabalhadores que se
expuseram a atividades nocivas
à saúde por 25 anos. Como será
exposto a seguir, a
aposentadoria especial é bem
mais vantajosa do que as outras
aposentadorias.

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A aposentadoria especial apresenta duas grandes vantagens frente a aposentadoria por
tempo de contribuição: o valor do benefício e o tempo de contribuição.
A primeira vantagem se refere ao valor do benefício. Ao ser calculada, o fator
previdenciário não é considerado na aposentadoria especial. O fator previdenciário é um
elemento do cálculo dos benefícios pagos pelo INSS que, na prática, revela-se um redutor
do valor do benefício.
Por exemplo, um homem com 53 anos de idade e 35 anos de contribuição, sofrerá uma
redução de aproximadamente 37% no valor do seu benefício em razão do fator
previdenciário. Se este mesmo segurado, ao invés de receber uma aposentadoria comum
tiver direito a aposentadoria especial, receberá o valor integral da média das suas
contribuições.

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A segunda vantagem se refere ao tempo de contribuição. Na aposentadoria comum o
trabalhador precisa comprovar contribuição por 35 anos, no caso dos homens, e 30 anos,
no das mulheres. Na aposentadoria especial, o tempo necessário é de 25 anos (tanto para
homens quanto para mulheres). Ou seja, além de começar a receber a aposentadoria antes
e em valor maior, o aposentado especial pode deixar de contribuir antes.

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O trabalhador da área elétrica exposto ao risco de tensão superior a 250V tem direito a
aposentadoria especial. Mesmo trabalhadores que não são da área elétrica e que, porém,
estiveram expostos a este risco, também tem direito a aposentadoria especial. Não
importa se houve trabalho em algum período como ajudante ou auxiliar de eletricista, por
exemplo. Basta que tenha ficado exposto ao risco de tensão superior a 250V para ter
direito ao reconhecimento a aposentadoria especial. Não importa se houve trabalho em
algum período como ajudante ou auxiliar de eletricista, por exemplo. Basta que tenha
ficado exposto ao risco de tensão superior a 250V para ter direito ao reconhecimento a
aposentadoria especial.

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São muito comuns os casos de trabalhadores na área elétrica que tiveram exposição a
tensão superior a 250V por menos de 25 anos. Nestes casos, há duas situações.
A primeira é do trabalhador que tenha desempenhado atividade sujeita à exposição a
outros agentes prejudiciais à sua saúde, tais como, agentes químicos, ruído, calor, frio,
agentes biológicos. É possível somar os tempos de exposição aos mais diversos agentes
nocivos (inclusive a tensão elétrica) para atingir a soma de 25 anos e obter a aposentadoria
especial.

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A segunda situação é para aqueles que, mesmo como a soma de outras atividades, não
consegue atingir o período de 25 anos. Neste caso, é possível converter o tempo
trabalhado com exposição a agentes prejudiciais à saúde com a aplicação do fator de 40%
para homens e 20% para mulheres, com o objetivo de atingir os tempos mínimos
necessários para a aposentadoria comum.
Por exemplo: um homem que trabalhou 20 anos em atividade especial e 10 anos de
atividade comum (sem exposição a agentes nocivos) pode se aposentar por tempo de
contribuição, mesmo tendo trabalhado por apenas 30 anos, pois os 20 anos de tempo
especial serão convertidos com o fator 40% (1,40) o que totalizará 28 anos de tempo
convertido.
Somado este tempo ao período de trabalho em atividade comum – 10 anos – este
trabalhador terá 38 anos de tempo comum de trabalho para fins de aposentadoria e,
assim, poderá receber uma aposentadoria comum. Importante destacar que haverá, nesse
caso, a incidência do fator previdenciário.

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A lei garante a aposentadoria para o trabalhador que teve exposição a agentes nocivos
como forma de o proteger, fazendo que ele deixe a atividade prejudicial a sua saúde antes
dos demais trabalhadores. Assim, pela lei, o aposentado especial não pode trabalhar em
atividade que ponha a sua saúde em risco.
Contudo, há entendimento de parcela dos especialistas na área previdenciária que esta
proibição ao trabalho em atividade nociva pelo aposentado especial é inconstitucional.
O Supremo Tribunal Federal é o responsável por julgar este assunto, mas, até o momento,
não houve decisão sobre este tema. Caso o INSS apure que o aposentado especial está
trabalhando em atividade nociva, poderá suspender o pagamento da aposentadoria.
Atualmente, não é possível garantir que o aposentado especial poderá voltar ao trabalho
nocivo, entretanto, pode trabalhar em qualquer outra atividade.

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Há duas grandes dificuldades com as quais os trabalhadores se deparam no INSS. A
primeira é em relação a interpretação do direito. Em 1997 houve uma alteração da lei que
excluiu a exposição acima de 250V dos casos que dão direito a aposentadoria especial.
Consequentemente, o INSS tem concedido apenas a aposentadoria comum para estes
trabalhadores.

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No entanto, a Justiça vem decidindo reiteradamente que todos os trabalhadores que
estiveram sob o risco de tensão superior a 250V tem direito a aposentadoria especial,
desde que tal situação esteja devidamente documentada. A segunda grande dificuldade é
em relação aos documentos que comprovem a exposição ao agente nocivo eletricidade. O
principal documento é o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário). Este documento deve
ser preenchido e assinado pelo empregador. Contudo, muitos empregadores não
preenchem corretamente o PPP. Além disto, são comuns os casos de empresas que
fecharam e o trabalhador não consegue localizar os responsáveis pela emissão deste
documento, dificultando a comprovação da especialidade do tempo. Para resolver este
problema, elencamos diversas forma de comprovar o tempo especial.

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São diversos os documentos que podem ser utilizados para comprovar a atividade especial.
Abaixo elencamos os principais.

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O Perfil Profissiográfico Previdenciário (fig.x) é um
formulário padrão do INSS que a empresa preencherá
com todas as atividades que o empregado realizava.
Neste documento também constará todos os agentes
prejudiciais à saúde que estavam presentes no
ambiente de trabalho.

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O PPP será assinado e datado pelo responsável pela área de segurança do trabalho. O INSS
exige o carimbo da empresa e a qualificação de quem assinou o PPP, inclusive com a
indicação do seu NIT (Número de Inscrição do Trabalhador). Não se esqueça de também
solicitar ao empregador a procuração do responsável pela assinatura do PPP.
É importante observar estas exigências do INSS para evitar que o PPP seja rejeitado e,
assim, economizar tempo na análise da concessão do benefício.

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Caso o trabalhador não consiga o seu PPP, pode utilizar o PPP de outro colega de trabalho,
desde que este colega tenha exercido a mesma função, no mesmo período e no mesmo
ambiente de trabalho.

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Antes da existência do PPP como formulário padrão do INSS para comprovação de
atividade especial, diversos outros formulários eram adotados, tais como DIRBEN
8030/DSS 8030/SB40/DISES SE 5235. O PPP passou a ser adotado em 2004. Portanto, pode
ser que o trabalhador tenha consigo algum destes outros formulários, com datas
anteriores a 2004. Estes formulários são aceitos pelo INSS.

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É o documento que descreve todas as condições de trabalho em uma determinada
empresa. É com base no LTCAT que o empregador preenche o PPP. Ocorre que, se a
empresa, por qualquer motivo, não fornece o PPP, o trabalhador pode fazer a
comprovação da atividade especial mediante a apresentação do LTCAT.

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Muitos trabalhadores não recebem o devido adicional de periculosidade ou insalubridade.
Assim, ao saírem da empresa, decidem requerer estes direitos na Justiça do Trabalho. Para
apurar se há estes direitos ou não, o Juiz do Trabalho determina a realização de perícia no
ambiente de trabalho. Logo, para os trabalhadores que ingressaram com ação trabalhista e
conseguiram comprovar que no ambiente de trabalho havia condições nocivas à saúde,
este laudo pode ser utilizado também para comprovar o direito a aposentadoria especial
perante o INSS. Para o trabalhador que não ingressou com ação judicial pleiteando estes
direitos, é possível valer-se de laudos periciais da Justiça do Trabalho de processos de ex-
colegas, desde que tenham exercido as mesmas atividades, no mesmo período e no
mesmo ambiente de trabalho.

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Outra forma comum de comprovar a atividade especial é através de perícia em processo
contra o INSS. Quando não houver o reconhecimento da atividade especial e após o
indeferimento da aposentadoria especial, pode o trabalhador ingressar com ação judicial
na Justiça Federal contra o INSS. Nesta ação, será realizada 11 COMO PROVAR PARA O INSS
O TEMPO DE TRABALHO NA ÁREA ELÉTRICA perícia no ambiente de trabalho, com a
finalidade de comprovar a existência de agentes nocivos. O trabalhador poderá utilizar
cópias de laudos periciais de ex-colegas de trabalho que tenham ingressado com ação na
Justiça Federal, desde que exercida a mesma atividade, no mesmo período e no mesmo
ambiente de trabalho.

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Deve ser apresentada no dia do comparecimento no INSS. Na CTPS constam diversas
informações sobre a relação de emprego, como cargo e suas alterações, bem como,
eventualmente, o pagamento de adicional de periculosidade ou insalubridade.

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Com muita frequência os profissionais da área elétrica recebem adicional de
periculosidade do empregador. Assim, a apresentação de holerites com pagamento deste
adicional serve para embasar a existência de agentes prejudiciais à saúde.

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A exposição ao agente eletricidade também poderá ser demonstrada através de fotografias
do trabalhador no exercício de sua atividade. Importante destacar que o INSS não
reconhecerá a atividade especial apenas pela apresentação de fotografias, mas este
documento poderá servir como prova, desde que apresentadas outras provas.

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O INSS não aceita que a atividade especial seja provada unicamente com testemunhas.
Porém, se forem apresentados outros documentos, o trabalhador poderá indicar
testemunhas para reforçar a prova.

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É um formulário do INSS através do qual o empregador informa a ocorrência de um
acidente de trabalho. Para os empregados da área elétrica que já tenham sofrido algum
acidente do trabalho relacionado com o agente eletricidade, a CAT pode ser utilizada como
prova que reforçará o seu pedido de aposentadoria especial.

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A Ficha de Registro de Empregados é um documento que permanece na posse do
empregador e que contém diversas informações sobre o contrato de emprego, tais como,
cargos exercidos, salários e, eventualmente, o pagamento de adicional de insalubridade ou
periculosidade. Essas informações podem ser utilizadas para embasar o pedido de
aposentadoria especial. Este documento dificilmente será entregue pelo empregador na
sua via original, portanto, deve o empregador providenciar cópia autenticada.

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A frequência em cursos relacionados a área elétrica, especialmente aqueles a que se refere
a NR-10 do Ministério do Trabalho e Emprego também servem para reforçar o pedido de
aposentadoria especial. Ressalte-se que a comprovação de que o trabalhador fez estes
cursos não garante a aposentadoria especial, mas pode, juntamente com outros
documentos, servir para comprovar a atividade.

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Além das provas elencadas acima, qualquer outro documento que indique que o
trabalhador estava exposto ao risco da eletricidade deve ser apresentado no INSS como
forma de comprovar o direito a aposentadoria especial.

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O ideal é que estes documentos sejam apresentados ao INSS logo no dia do primeiro
comparecimento. No entanto, se tais documentos forem providenciados após esta data,
recomenda-se que eles sejam imediatamente protocolados no INSS. Ao fazer este
protocolo, o número do benefício deve ser informado, para que estes documentos sejam
anexados aos demais já apresentados.
Se o INSS já tiver indeferido a aposentadoria especial ou deferido outro benefício, os
documentos providenciados posteriormente devem ser apresentados através de um
pedido de revisão administrativa, perante o próprio INSS.
O pedido de revisão administrativa pode ser feito pessoalmente (sem prévio
agendamento) ou então pode ser enviado pelos Correios para a agência do INSS que
analisou o caso (neste último caso, recomenda-se que sejam enviados com Aviso de
Recebimento e indicado o número do benefício).

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Se após a apresentação de todas as provas, conforme exposto acima, o INSS ainda não
deferir a aposentadoria especial (seja pelo seu indeferimento ou pelo deferimento de
outro benefício, como a aposentadoria por tempo de contribuição), deverá o segurado
procurar um advogado especialista na área previdenciária que avaliará a viabilidade de
ingressar com uma ação judicial.
O INSS é o maior litigante da Justiça brasileira. E, com muita frequência, a Justiça
reconhece que o INSS não decidiu da melhor forma e, então, garante o direito dos
trabalhadores. Para ingressar com uma ação na Justiça é importante estar representado
por um advogado especialista na área previdenciária, que é o profissional que conhece os
detalhes da legislação específica relativa ao INSS e que avaliará o melhor caminho a ser
seguido.

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Para nos conhecer melhor acesse:
http://www.lucastubino.adv.br