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A VIDA NO ANTIGO EGITO COSTUMES • HIERARQUIA • FAMÍLIA • BELEZA • CASAMENTO •

A

VIDA

NO

ANTIGO

EGITO

COSTUMES • HIERARQUIA • FAMÍLIA • BELEZA • CASAMENTO • CERVEJA • HABITAÇÃO • DIVERSÃO • ECONOMIA LÍNGUA • ARTE • RIO NILO • FARAÓS • CLEÓPATRA • MUMIFICAÇÃO • PIRÂMIDES • INTELECTUALIDADE • PRAGAS

PREFÁCIO • CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO SEGREDOS DO EGITO SE VOCÊ É FASCINADO PELA
PREFÁCIO • CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO
SEGREDOS
DO EGITO
SE VOCÊ É FASCINADO PELA EXUBERANTE HISTÓRIA DA
CIVILIZAÇÃO DO EGITO ANTIGO, CONHECIDA COMO A
ERA FARAÔNICA, ACABOU DE ENCONTRAR A PUBLICAÇÃO
QUE SEMPRE PROCUROU. O GUIA DO EGITO ANTIGO
CONTÉM TODOS OS DETALHES DESSA INTRIGANTE
SOCIEDADE, QUE MARCOU A TRAJETÓRIA MUNDIAL DE
3.200 A.C. A 32 A.C., OU SEJA, 3 MIL ANOS, QUE PODEM SER
DEFINIDOS COMO O PROGRESSO LITERAL NO QUESITO
SOCIAL, CULTURAL E ECONÔMICO DA ANTIGUIDADE.
Aqui você encontrará todos os pormenores de como a civilização
egípcia antiga se compôs, saberá o que ocorreu nos 11 períodos que
fizeram parte do progresso do Egito e entenderá como era a organiza-
ção social, política e econômica dessa nação, bem como quais foram os
campos do saber que os egípcios se destacaram.
O Guia revela ainda os segredos da mitologia egípcia, do complexo
sistema da escrita hieroglífica, do processo de mumificação e, claro,
das construções colossais mais belas e interessantes do mundo, as pi-
râmides. Além disso, discorremos sobre o Rio Nilo, o maior do mundo,
e de que maneira ele contribuiu para o progresso do nordeste africano.
Elaboramos também um capítulo especial sobre os faraós mais fa-
mosos da história do Egito Antigo. Você ficará a par de seus grandes
feitos, casamentos, templos mortuários e curiosidades. Enfim, se você
quer ter acesso às minúcias dessa cultura tão surpreendente e peculiar,
basta ler as próximas páginas. Boa leitura!
Os editores
redacao@editoraonline.com.br
Fotos: Shutterstock

SUMÁRIO CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

6 CAPÍTULO 1 • ORIGEM E HISTÓRIA Como tudo começou 24 CAPÍTULO 4 • FAMÍLIA
6
CAPÍTULO 1 •
ORIGEM E
HISTÓRIA
Como tudo começou
24
CAPÍTULO 4 • FAMÍLIA
10 CAPÍTULO 2 •
Detalhes de como era organizada
CICLOS
a
família egípcia
Períodos da história do Egito Antigo
28
CAPÍTULO 5 • COSTUMES
O cotidiano no quesito moda, habitação,
22
alimentação, educação e diversão
CAPÍTULO 3 •

32 CAPÍTULO 6 • ECONOMIA

As atividades desenvolvidas pelos egípcios

SOCIEDADE Como era o pilar social egípcio 38 CAPÍTULO 7 • LÍNGUA E ESCRITA Dialetos
SOCIEDADE
Como era o pilar social egípcio
38 CAPÍTULO 7 •
LÍNGUA E ESCRITA
Dialetos e as escritas demótica
e hieroglífica

4

44

CAPÍTULO 8 • ARTE

Estilos, harmonia e cores empregadas na liberdade de expressão

50

C APÍTULO 9 •

ÁGUAS DO NILO

Como o maior rio do mundo contribuiu para o progresso do Egito

54

CAPÍTULO 10 • FARAÓ

A importância e o papel do grande rei

Fotos: Shutterstock

58 CAPÍTULO 11 •

FARAÓS

Tudo sobre a vida e as grandes realizações dos reis mais famosos

90 CAPÍTULO 12 • CLEÓPATRA Dados biográficos e os principais feitos da exuberante rainha do
90 CAPÍTULO 12 •
CLEÓPATRA
Dados biográficos e os principais
feitos da exuberante rainha do Egito
94
CAPÍTULO 13 •
RELIGIÃO
Tudo sobre a crença egípcia
e seus respectivos deuses
100
CAPÍTULO 14 •
MUMIFICAÇÃO
Como era o processo de
conservação
dos corpos após a morte
110
CAPÍTULO 16 •

MONUMENTOS

COLOSSAIS

As construções egípcias de maior notoriedade

118 CAPÍTULO 17 •

MITO DAS PIRÂMIDES

O possível auxílio de extraterrestres na construção dos túmulos faraônicos

de extraterrestres na construção dos túmulos faraônicos 106 CAPÍTULO 15 • SEGREDOS DAS PIRÂMIDES Todas as
106 CAPÍTULO 15 • SEGREDOS DAS PIRÂMIDES Todas as minúcias sobre as colossais obras do
106
CAPÍTULO 15 •
SEGREDOS
DAS PIRÂMIDES
Todas as minúcias sobre
as colossais obras do Egito
122 CAPÍTULO 18 • HERANÇA DA ANTIGUIDADE Os campos do saber para os quais os
122
CAPÍTULO 18 •
HERANÇA DA
ANTIGUIDADE
Os campos do saber para os
quais os egípcios mais contribuíram
e se sobressaíram
128
CAPÍTULO 19 •
PRAGAS
As dez juras que
aterrorizaram os egípcios

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

G971

Guia conheça a história : Egito --. 1. ed. - São Paulo : On Line, 2016.

il.

ISBN 978-85-432-1148-0

1. Egito - História - Até 332 a. C. 2. Egito – Política e governo – Até 332 a.C. 3. Egito - Civilização - 332 a.C.-638 d. C. I. Título.

16-32136

CDD: 932

CDU: 94(32)

07/04/2016

11/04/2016

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CAPÍTULO 1 ORIGEM E HISTÓRIA

Representação de um barco egípcio navegando no Rio Nilo para o comércio de mercadorias

CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA ANTIGA:

A TRAJETÓRIA DO PROGRESSO

INTELIGÊNCIA, DISCERNIMENTO E ORGANIZAÇÃO SÃO AS MARCAS DO POVO QUE HABITOU AS MARGENS DO RIO NILO ENTRE 3.200 A.C. E 32 A.C.

N ão há como estudar a história do Egito Antigo, sem se tornar um apreciador nato de uma civilização que estava muito além do período da Antiguidade e conseguiu

se desenvolver e alcançar a prosperidade, mesmo vivendo em uma região com ca- racterísticas totalmente desérticas. A partir de agora, você ficará a par de todos os detalhes, no tempo e na história, que fizeram parte do modo de vida dessa sociedade surpreendente que trouxe avanços para lá de significativos no campo da agricultura, da medicina, da matemática, da arte, da arquitetura e da astronomia.

COMO TUDO COMEÇOU

Pode-se dizer que os fatores geográficos contribuíram de forma marcante para a composição da civilização do Egito Antigo. Por volta de 3.200 a.C. o clima que domi- nava a região nordeste da África, onde se

localiza o Egito, era árido (seco e quente), fato que levou seus habitantes, como os hamíticos, os semitas e os núbios a se con- centrarem e viver às margens do Rio Nilo. Nesta época foram formadas as primeiras aldeias, as quais eram chamadas de no- mos. Sua população era politeísta (cultua- va diversos deuses), tinha seus templos, seus sacerdotes e era organizada, além de ser comandada por um líder, que chama- vam de nomar. No entanto, essas pessoas passaram a enfrentar alguns contratempos após irem morar próximo ao rio. Na época das chuvas, que ia de junho a setembro, era comum ocorrer inundações nas áreas mais baixas do Nilo, mas quando

a água abaixava, o solo liberava o humo

(fertilizante natural), o que tornava a ter- ra favorável para a prática da agricultura. Ao observar esse ciclo, para controlar as enchentes e poder cultivar as áreas ferti- lizadas, os egípcios deram início a grandes obras de drenagem e de irrigação, como a construção de açudes e de canais, o que permitiu a realização de colheitas anuais e, consequentemente, o desenvolvimento social e cultural da civilização. Vale men- cionar que nesse período surgiu a profissão do Agrimensor, existente até os dias atu- ais, o qual media as terras e projetava os canais de irrigação, por meio da utilização de cálculos matemáticos, o que mais tarde foi usado até para a construção das famo- sas e exuberantes pirâmides. Com o desenvolvimento da agricultura,

a fartura de alimentos se tornou presen- ça constante no cotidiano egípcio. Sendo assim, eles decidiram investir também no comércio e tiveram como aliado, mais uma vez, o rio Nilo, que se tornou a principal rota de transporte para a venda dos bens que produziam. Artimanha que deu certo

e permitiu que a civilização egípcia se tor- nasse ainda mais próspera e crescesse.

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

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Pintura de trabalhadores egípcios nas montanhas de Tebas, atual cidade de Luxor

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, ECONÔMICA E SOCIAL

Agora, você deve estar se perguntando: como era regido o poder ad- ministrativo e político nesta região? Quem comandava o Egito Antigo? Nesse período a região era dividida em Alto Egito e Baixo Egito, cada um com seus nomos, ou seja, cidades ou povoados. O Alto Egito, região que atualmente é a cidade de Assuão, era uma localidade com temperaturas suaves, com bastante chuvas e era o ha- bitat de 22 nomos. A região tinha como símbolos uma coroa branca, a flor de lótus e a deusa abutre Nekhbet (entidade dos nascimentos reais). Já a região do Baixo Egito, atual Cairo, possuía 20 nomos e tinha um clima mais seco e com poucas chuvas. As inundações do Nilo é que foram as responsáveis por tornar férteis as terras desse trecho. A região era representada por uma coroa vermelha, pelo papiro (planta que deu origem a uma espécie de papel usado para a escrita) e pela deusa cobra Wadjet (divindade da vegetação). Essas duas regiões foram unificadas em 3200 a.C., quando o rei Nar- mer, também conhecido como Menés (Rei das Duas Terras), do Alto Egi- to, decidiu invadir e conquistar as cidades do Baixo Egito. E assim o fez, fundando a capital Menfis, e se tornando o primeiro faraó egípcio, ação que deu início a uma Era Faraônica, dividida por várias fases, com dura- ção de cerca de três mil anos e com 31 dinastias. Desta forma o símbolo das duas regiões e dos faraós se tornou uma coroa branca e vermelha. Após a unificação da região, a organização social egípcia passou a contar com a figura do faraó, governante do império, que se tornou a autoridade máxima e mais venerada pelos demais egípcios, pois era visto como uma divindade encarnada, descendente do Deus Sol (criador dos deuses e da ordem divina) e do Deus Hórus (Deus dos céus). Abaixo

»»

CAPÍTULO 1 ORIGEM E HISTÓRIA

dele havia os sacerdotes, que tinham como função adorar e fazer oferendas aos deuses. Havia também os escribas, que eram os únicos que sabiam ler e escrever na sociedade egípcia. Já a segurança militar ficava por conta dos soldados que protegiam o império dos demais povos que queriam tomar as ri- quezas do Egito. E ainda existiam os ar- tesãos, os comerciantes, os campone- ses e os escravos, que eram os menos abastados e que mais trabalhavam. Vale destacar que foi justamente na era dos faraós, mais precisamente em 2660 a.C., que foram construídas as misteriosas e estonteantes pirâ- mides, as quais foram erguidas com o objetivo de mostrar a grandeza de seus reis, além de ser seus respectivos túmulos. Elas eram aglomeradas de ri- quezas, pois os faraós acreditavam que oferecendo todos os seus bens ao Deus Osíris (Deus da vida após a morte), ocupariam uma posição ainda melhor na vida eterna. Outra questão que merece ser res- saltada nesse período foi a criação do processo de mumificação, uma técnica desenvolvida pelos egípcios para manter intacto o corpo dos faraós após o o faleci- mento. Os detalhes desse processo você poderá conhecer no capítulo 14.

UNIFICAÇÃO DO EGITO

O período da junção do Alto e do Baixo Egito, que deu origem a um império,

não foi nada pacífico. A saída encontrada por Menés e os faraós seguintes

foi de se casar com as princesas do Baixo Egito, além de hierarquizar o culto das divindades e impor a adoração a alguns deuses, como, por exemplo, tornar oficial a devoção à entidade Hórus (Deus dos céus), já que antes da unificação, os povos do Alto Egito cultuavam como divindade máxima o Deus Seth (Deus da guerra), e os do Baixo Egito, o Deus Hórus. O governo passou a ser teocrático (sistema administrativo ligado à re- ligião) e o faraó Menés nomeou os 42 líderes dos nomos como funcioná- rios públicos e subordinados ao Estado do Egito. Menés passou a controlar também todas as terras e a cobrar impostos da sociedade na forma de prestação de serviços e trabalhos compulsórios. Os três mil anos da Era Faraônica ou as 31 dinastias foram marcados por períodos de grandes rivali- dades, invasões e guerras, mas também por fases de paz, desenvolvimento

e prosperidade. Acompanhe agora como elas ocorreram.

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PERÍODOS DO PROGRESSO EGÍPCIO

A primeira fase, denominada Pré-Dinástica e Dinástica (4000 a 3000 a.C.), aconteceu quando os reinos do Baixo e do Alto Egito foram unificados. A Tinita (3000 a 2660 a.C.) aconteceu quando a su- premacia faraônica foi estabelecida. O período do Impé- rio Antigo (2660 a 2180 a.C.) destacou-se por ter sido o início das construções das pirâmides, das técnicas de mu-

Representação do Deus Hórus, considerado a divindade máxima e oficial do Egito Antigo

VOCÊ SABIA? Você tem ideia do que significa e de onde vem a palavra Egito?
VOCÊ SABIA? Você tem ideia do que significa e de onde vem a palavra Egito? A origem do termo Egito possui duas
versões. Uma vem do latim Aegyptos e quer dizer “Terra fortificada”. Já a outra versão vem do grego Aigyptos e era uma
expressão usada na Antiguidade para se referir tanto ao Rio Nilo, quanto a região à sua volta. No entanto, alguns estudiosos
acreditam que essa palavra grega teria sido formada do termo egípcio Hwt-ka-Ptah, que significava “Templo dedicado ao
Deus Ptah”, expressão usada para denominar a antiga capital Menfis.
PRÉ-DINÁSTICA
E DINÁSTICA
(4000 A 3000 A.C.)
IMPÉRIO MÉDIO
(2040 A 1780 A.C.)
SEGUNDO PERÍODO
INTERMEDIÁRIO
(1780 A 1560 A.C.)

Rei Menés unifica o Alto e o Baixo Egito e se torna o primeiro faraó da história.

• Clima árido no nordeste africano faz com que os povos hamíticos, semitas e núbios vão viver às margens do Rio Nilo.

• São iniciadas as práticas agricultura.

TINITA (3000 A 2660 A.C.) • O controle estatal do Egito fica a cargo do faraó, que controla todas as terras e passa a cobrar impostos da população na forma de prestação de serviços.

da população na forma de prestação de serviços. IMPÉRIO ANTIGO (2660 A 2180 A.C.) • Época
da população na forma de prestação de serviços. IMPÉRIO ANTIGO (2660 A 2180 A.C.) • Época
da população na forma de prestação de serviços. IMPÉRIO ANTIGO (2660 A 2180 A.C.) • Época

IMPÉRIO ANTIGO (2660 A 2180 A.C.)

• Época do avanço da arquitetura, da arte e da tecnologia egípcia.

• Construção da primeira pirâmide egípcia para o faraó Djoser, na cidade Sakara.

• Início das técnicas de mumificação.

• Início da expansão comercial egípcia.

mumificação. • Início da expansão comercial egípcia. PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (2180 A 2040 A.C.) Fase de
mumificação. • Início da expansão comercial egípcia. PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (2180 A 2040 A.C.) Fase de

PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (2180 A 2040 A.C.)

Fase de paz e da prosperidade, o que repercute positivamente na arte, na literatura e nos projetos

Invasão dos hicsos,

que apresentam aos egípcios a cavalaria, os carros de combate

e armas resistentes.

• Período de guerra civil, muitos homens se proclamam reis por conta própria. de construção.
• Período de guerra
civil, muitos homens
se proclamam reis
por conta própria.
de construção.
Salitis toma o poder
Egípcios recrutam
membros de
camadas sociais
se torna o primeiro
faraó não-egípcio.
e
• Nobres passam a
pagar pelos serviços de
mumificação e rituais
fúnebres, o que antes era
exclusividade dos faraós.
inferiores para a
formação de um
poderoso exército
contra as invasões
estrangeiras.

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mificação e também da fidelização de acordos comerciais com o Líbano, a Palestina, a Meso- potâmia, atual Iraque, e Punt, atual Somália. Já no Primeiro Período Intermediário (2180 a 2040 a.C.) o país viveu uma crise e os governantes lo-

cais começaram a disputar territórios entre si, o que gerou uma guerra civil. No Império Médio (2040 a 1780 a.C.) os faraós conseguiram instaurar a ordem e a paz,

o que repercutiu positivamente na arte, na li-

teratura e nos projetos de construção. Durante

o Segundo Período Intermediário (1780 a 1560

a.C.) a supremacia faraônica egípcia voltou a

enfraquecer e os hicsos, povo asiático, tomou

o poder e inseriu na cultura egípcia o uso da cavalaria e de carros durante os combates. No Império Novo (1560 a 1070 a.C.) os faraós egípcios conseguiram retomar o poder

e estabelecer laços diplomáticos com outros

povos, o que não cessou os ataques ao Egito.

Nesta época foram construídos também di- versos monumentos. Já no Terceiro Período Intermediário

(1070 a 664 a.C.) o país foi invadido pelos es- trangeiros núbios, líbios e assírios. Na Época Baixa (664 a 332 a.C.) o Egito foi dominado pelos persas. No período da Dinastia Ptolo- maica (332 a 30 a.C.) o rei grego Alexandre,

o Grande, libertou o país do domínio persa e difundiu a cultura grega à egípcia. Já no período do Domínio Romano (30 a.C.

a 359 d.C.) os romanos tomaram o território

do Egito e o cristianismo prevaleceu, con- denando o politeísmo e transformando os templos em igrejas. Fatos que ocasiona-

ram, em 32 a.C., o fim do Império do Egito

e da inesquecível Era Faraônica. Você terá mais informações desses 11 períodos no próximo capítulo.

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IMPÉRIO NOVO (1560 A 1070 A.C.)

• Período marcado pela prosperidade e pelo imperialismo.

• Egito desperta a cobiça dos povos estrangeiros, entre eles, os povos do mar, os líbios e os núbios.

TERCEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (1070 A 664 A.C.)

• Surgimento de centros de poder liderados, na maioria dos casos, por estrangeiros como os líbios, os núbios

e os assírios.

• 1070 a.C.: Shoshenk, o primeiro faraó

líbio toma o poder.

• 770 a.C.: Piye, o primeiro faraó negro núbio toma o poder.

Descendente do povo núbio trabalhando em Assuão, próximo ao Rio Nilo, local que pertencia ao reino do Alto Egito

DESCENDÊNCIA DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA

Sabedoria, inteligência e perspicácia são algumas das

características que os historiadores utilizam para denominar

a sociedade egípcia antiga. Mas, você sabe quais foram

os povos que formaram a civilização do Egito Antigo e que promoveram tanto conhecimento? Os nomos, as primeiras aldeias da civilização egípcia, eram compostos por povos como os hamíticos, os semitas e os núbios.

Os hamíticos eram originários da Europa e foram chamados

de afro-mediterrâneos por apresentarem a estatura alta, o nariz pequeno e a pele morena. Habitavam o leste, o norte

e nordeste da África. São considerados os precursores da

domesticação animal. Descobriram o cobre, o ferro e o aço e inventaram maquinários, bem como desenvolveram técnicas de construção civil, ferramentas e materiais, o que explica a facilidade e a destreza dos egípcios antigos na construção civil.

Já os semitas, considerados o povo de Noé, segundo Gênesis,

o primeiro livro da Bíblia, eram oriundos do Oriente Médio e

tinham como características físicas a pele morena em vários

tons e olhos e cabelos pretos ou castanhos. Praticavam o pastoreio e eram nômades, ou seja, não possuíam habitação fixa. Cultuavam o politeísmo, a adoração a diversos deuses, característica que foi repassada aos egípcios. Os núbios eram oriundos do território da Núbia, local atualmente partilhado pelo Egito e pelo Sudão, que foi conquistado pelos egípcios em 3300 a.C., um local repleto de riquezas como o ouro e o marfim. Os núbios eram negros

e tinham como hábito construir túmulos em forma de

pirâmides e desenvolver belos artesanatos, peculiaridades que foram preservadas e enaltecidas na cultura egípcia. Vale destacar que o Egito teve vários faraós núbios, o primeiro foi Piye, em 770 a.C. Os reis negros marcaram a história do Egito Antigo por quase um século e reinaram na 25ª dinastia. Construíram diversas obras públicas e se destacaram pelo forte poder militar nas disputas de território.

pelo forte poder militar nas disputas de território . DINASTIA PTOLOMAICA (332 A 30 A.C.) •
pelo forte poder militar nas disputas de território . DINASTIA PTOLOMAICA (332 A 30 A.C.) •

DINASTIA PTOLOMAICA (332 A 30 A.C.)

Alexandre, o Grande, liberta o Egito

do domínio persa e insere ainda mais traços da cultura grega à egípcia.

• Fundação da cidade de Alexandria,

que se tornou um centro de

conhecimento e de estudos.

• 323 a.C.: Alexandre falece e seu general Ptolomeu toma o poder do Egito, dando continuidade à fase de prosperidade e de desenvolvimento.

• Cleópatra assume o poder, mas perde o governo do Egito para os romanos.

DOMÍNIO ROMANO (30 A.C. A 359 D.C.)

• O cristianismo chega ao Egito por meio dos romanos, ação que culmina em diversos protestos pagãos, no fechamento dos templos e na construção de igrejas.

• 44 a.C.: Ptolomeu XV, o último faraó egípcio, toma o poder.

• 32 a.C.: fim da Era Faraônica.

ÉPOCA BAIXA (664 A 332 A.C.)

• Assírios são

expulsos do

território

egípcio.

• Cultura grega

é assimilada

pela egípcia.

Persas dominam

Egito.

o

são expulsos do território egípcio. • Cultura grega é assimilada pela egípcia. • Persas dominam Egito.

CAPÍTULO 2 CICLOS

CAPÍTULO 2 • CICLOS
CAPÍTULO 2 • CICLOS

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CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

AS ETAPAS DA HISTÓRIA DO EGITO ANTIGO

UM PANORAMA DOS 11 PERÍODOS QUE FIZERAM PARTE DA TRAJETÓRIA DA CIVILIZAÇÃO DO NORDESTE AFRICANO

D isputas territoriais, mudanças de plano de go- verno e investimentos em obras exuberantes

são alguns dos temas que não podem deixar de ser mencionados, quando o assunto em questão

é o enredo do Egito Antigo. Desta forma os histo-

riadores dividiram essa trajetória em 11 períodos.

E para que você possa compreender as minúcias

de cada etapa do progresso dessa brilhante civi- lização, esse capítulo será subdividido também

em 11 fases, seguindo a ordem e a cronologia dos acontecimentos. Acompanhe.

PRÉ-DINÁSTICA E

DINÁSTICA (4000 A 3000 A.C.)

Ilustração da prática da domesticação animal e da agricultura rudimentar egípcia, fase que as tarefas eram feitas de forma manual

Pode-se dizer que este período define como teve início a história da civilização do Egito Antigo. Essa era teve apenas uma dinastia, ou seja, uma sequência de gover- nantes oriundos da mesma família. Na Era Pré-Dinástica, os egípcios começaram a cultivar grãos e a criar animais. Surgiram várias culturas e seus respectivos modos de vida influenciaram de forma significativa a Era Dinástica. Entre os povos que merecem destaque estava a cul- tura Omariana ou El-Omari, a primeira a construir cemi- térios e a revestir os corpos dos mortos com peles ou esteiras e sepultá-los com os seus bens. Havia também a cultura Badariana que se destacava pela produção de ce- râmica de alta qualidade, de ferramentas de pedra e pelo uso do cobre. Já o povo Nagada costumava fabricar be- las pinturas, cerâmicas, vasos de pedra, decorados com imagens de animais e figuras geométricas, bem como esculpir belas joias de ouro, marfim e lápis-lazúli, uma rocha ornamental de cor azul, que encantou os faraós. Vale mencionar que essa cultura também foi a primeira a usar símbolos escritos, que mais tarde dariam lugar aos hieróglifos para se escrever a língua egípcia. »»

CAPÍTULO 2 CICLOS

Já a Era Dinástica pode ser representada pelo processo intenso de desertificação que os povos do período anterior enfrentaram, situação que os levou a se deslocarem de áreas completamente secas e quentes, no nordeste africano, para as margens do Rio Nilo, formando, assim os nomos, ou melhor, cidades, que tinham seus respectivos

líderes, crenças politeístas, templos, sacerdotes e uma perfeita organização. No entanto, se a falta de água foi um con- tratempo para os egípcios, o excesso também gerou o mesmo efeito. As inundações do rio, que aconteciam entre os meses de junho e setembro, destruíram muitos povoados. Mas

a inteligência egípcia fez com que eles obser-

vassem o fato de que quando a água abaixava,

o solo fabricava um fertilizante natural chama-

do humo, o que tornava a terra perfeita para a prática da agricultura. Sendo assim, a solução encontrada para se manter às margens do Nilo foi realizar grandes obras de drenagem e de irrigação, como a cons- trução de açudes e de canais. Ação que fez com

que os egípcios conseguissem praticar a agricul- tura e ter alimentos de forma abundante. Outro avanço nesse período foi a construção de em- barcações para que fosse possível o comércio de mercadorias pelo Rio Nilo, o que auxiliou ainda mais o desenvolvimento dessa civilização. Em relação à ordem política e econômica,

o Egito, na Era Pré-Dinástica, era composto por dois reinos, o Alto e o Baixo Egito e, com

o intuito de tornar o território mais forte, o

rei Menés decidiu, durante a Era Dinástica, in- vadir e conquistar as cidades do Baixo Egito, unificando e nomeando o território de Egito. Menés tornou-se o primeiro faraó e deu início

a uma Era Faraônica, que teve duração de cer-

ca de três mil anos.

A monarquia instalada no Egito passou a contar com a figura do faraó, o qual era visto como um Deus vivo, sendo que ele era tido, simultaneamente, como uma divindade e também como a autoridade máxima do Egito. Abaixo dele havia os sacerdotes, que adora- vam e faziam oferendas aos deuses; os escri- bas que eram os únicos que sabiam ler e es- crever e implantaram o sistema de hieróglifos; os soldados, responsáveis pela segurança do Egito; além dos artesãos; dos comerciantes; dos camponeses e dos escravos, os quais fa- ziam parte da classe egípcia menos abastada.

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Mastaba na cidade Meidum, no Egito. Essas obras foram os primeiros passos dos egípcios na
Mastaba na cidade Meidum, no Egito. Essas obras foram os primeiros
passos dos egípcios na construção de túmulos e, com os passar dos
anos, evoluíram para as belas e estonteantes pirâmides
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HERANÇA DE NARMER Está comprovado, o rei Narmer (faraó Menés) realmente existiu. Tal prova tornou-
HERANÇA DE NARMER Está comprovado, o rei
Narmer (faraó Menés) realmente existiu. Tal prova tornou-
se concreta graças ao arqueólogo britânico James E. Quibell
que descobriu, em 1898, uma paleta com o nome do faraó,
durante uma escavação na cidade de Hieracômpolis, no Egito.
A peça de ardósia e com 64 cm de altura contém inscrições
e
relevos que remetem à unificação do Alto e do Baixo Egito
e
era usada para triturar minerais para kohl, um cosmético
bastante apreciado pelos egípcios para contornar os olhos.
Atualmente a peça está exposta no Museu do Cairo, no Egito.
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Considerado o mais importante centro de exposições do Egito, o Museu do Cairo exibe cerca de 120 mil antiguidades egípcias, que foram recuperadas em escavações. A Paleta de Narmer é uma delas.

TINITA (3000 A 2660 A.C.) Nesse período ocorreu a segun- da dinastia, a qual corresponde

TINITA

(3000 A 2660 A.C.)

Nesse período ocorreu a segun- da dinastia, a qual corresponde à solidificação do poder do primei- ro faraó Menés, que proclamou a cidade de Menfis como a capital do Egito, local que se estabeleceu com templos ao ar livre, constru- ídos de madeira e arenito, para controlar as terras, a agricultura e o comércio. Vale ressaltar que nessa fase Menés manteve os no- mos e decretou seus respectivos líderes como funcionários públicos do Egito. O grande rei passou tam- bém a cobrar impostos da popu- lação, que deveriam ser pagos na forma de prestação de serviços. A figura de realeza e divindade do faraó foi bastante enaltecida du- rante a Tinita, tanto é que tiveram início as construções das mastabas, túmulos, bem semelhantes a uma capela em forma de pirâmide, fei- tos de pedras ou tijolos de argila,

com o intuito de endeusar o faraó após o seu falecimento. Foram as mastabas que deram

origem, com o passar do tempo,

às pirâmides.

A hegemonia do poder fa- raônico pode ser vista nesse período também por meio dos diversos ataques promovidos contra os núbios, os líbios e os beduínos para a conquista de mais territórios, e na penínsu- la montanhosa e desértica do Sinai, com o intuito de se ob- ter cobre e turquesa. A relação comercial do Egito com a Síria Palestina também teve desta- que para a compra e venda da madeira de cedro. Um fato interessante é que para fortalecer ainda mais o po-

der do Egito, os faraós passaram

a simbolizar o país unindo as

suas bandeiras, dando origem

a uma imagem com uma coroa

branca e vermelha, sendo que a branca era o ícone que repre- sentava o Alto Egito e, a verme- lha, o Baixo Egito. Outra artimanha emprega- da pelos faraós para unificar o

território foi de se casar com as princesas que viviam no Baixo Egito e também com mulheres da nobreza. Apesar de tais atos, a unifi- cação entre Alto e Baixo Egito não foi nada tranquila. Muitas invasões e rebeliões ocorreram

e até houve uma disputa no

quesito adoração ao Deus Seth, que era considerado divindade máxima no Baixo Egito, e ao Deus Hórus, divindade suprema no Alto Egito. Durante a Tinita, houve um período em que se tornou oficial o culto ao Deus Hórus, mas assim que entrava outro faraó, com predileção ao Baixo Egito, Seth voltava a ser o

Deus oficial do país. Essa disputa

só terminou noa fim dessa era.

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

IMPÉRIO ANTIGO

(2660 A 2180 A.C.)

Considerado um dos períodos mais próspe-

ros do Egito, que abrange da terceira até

a sexta dinastia, o Império Antigo ficou

conhecido pelo avanço da arquitetura, da arte, da agricultura e da tecnologia. Foram construídos monumentos enormes

e belos, e as mastabas deram origem às pirâ-

mides. Vale destacar que Djoser foi o primeiro faraó a ordenar a construção de uma pirâmide, na cidade de Sakara, e Imhotep foi o seu ar-

quiteto. Anos depois foi a vez do faraó Snefru, que ficou encantado com a pirâmide de Djoser,

e decidiu construir mais três para os reis Kufu

(ou Quéops), Quéfren, e Menkaure (ou Mique- rinos), respectivamente, pai, filho e neto, as quais ficaram conhecidas como as magníficas pirâmides de Gizé. Grande parte desses feitos só foi possí- vel graças aos impostos recolhidos para o Estado, com a supervisão do vizir, que, na verdade, era o primeiro-ministro do faraó

e o ajudava na resolução dos assuntos do

reino. O comércio de mercadorias foi outro campo que se tornou bastante desenvolvi- do nesse período e ocorria entre o Egito, o Líbano, a Palestina, a Mesopotâmia, atual Iraque, e a Punt, atual Somália. Os ataques contra os núbios e os líbios,

a fim de conquistar mais territórios e bus-

car riquezas, continuaram e até acampa- mentos estratégicos foram montados para adquirir ouro, cobre, turquesa, madeira de cedro, mirra e malaquita. Um dado interessante no Império An- tigo é que a forma de pagamento dos fa- raós aos serviços prestados, por exemplo, pelos escribas e pelos demais funcionários, não era em dinheiro, mas sim, por meio da concessão de terras e de propriedades. Vale destacar que a fase de esplendor do

Egito ocorreu da terceira até a quarta dinastia.

Já na quinta dinastia o poder econômico egíp-

cio entrou em colapso, visto que epidemias e

a seca atingiram o país, o que fez com que a

produção da agricultura fosse freada e a fome instalada. Fatores como o aumento do poder dos nobres e uma sucessão de ataques nôma- des contribuíram também para o enfraqueci- mento do poder do faraó.

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CAPÍTULO 2 CICLOS

Os faraós participavam atentamente das construções das pirâmides, visto que elas seriam as obras que iriam eternizá-los.

QUEM CONSTRUÍA AS PIRÂMIDES? Tenho

certeza que você acreditava até hoje que foram os escravos que

construíram as pirâmides, certo? Sinto informar, mas não foram eles. A construção dessas belas

e exuberantes obras ficavam

a cargo dos trabalhadores

desocupados do reino. Nessa

época, os egípcios viam o faraó como um intermediário entre

o Deus do Sol (criador dos

deuses e da ordem divina) e os homens na terra. Sendo assim,

eles acreditavam que ao se esforçarem e ao se empenharem na construção das pirâmides para o grande rei, estariam agradando aos deuses.

PRIMEIRO

PERÍODO

INTERMEDIÁRIO

(2180 A 2040 A.C.)

Conhecida como a fase da anarquia geral do governo do Egito, o Primeiro Período Intermediário, que vai da sé- tima até a décima primeira dinastia, destacou-se por uma profunda deses-

tabilização econômica, política e social.

O

faraó perdeu seu poder e autoridade

e

os líderes regionais foram os respon-

sáveis por manter as cidades egípcias, que passaram a enfrentar invasões dos líbios e de outros povoados em busca

de alimentos. Nesse período os reis se intitulavam autoridade máxima por conta própria. Como não podiam con- tar com o poder do faraó, que estava enfraquecido, os líderes locais ado- taram uma postura agressiva e cruel frente aos inimigos, mas conseguiram

fortificar seus respectivos povoados e protegê-los, apesar da forte crise. As disputas de territórios e de po- der se acirraram. Nessa etapa o Alto Egito passou a ser controlado pela fa- mília Intef e os líderes da cidade de Heracleópolis comandavam o Baixo Egito. Tais dinastias promoveram di- versos confrontos e invasões, os quais só tiveram fim quando os governantes do Baixo Egito conseguiram derrotar os Intef e unir novamente os dois reinos. Nesse meio tempo, além da disputa de poder e de território, os egípcios conseguiram expulsar os líbios e ou- tros povos que saqueavam as cidades

à procura de alimentos.

Um dado interessante é que essa fase de confusão foi muito bem retra- tada pelos artesãos das cidades que, pela primeira vez, deixaram de fazer obras somente com motivos ligados

à realeza, e passaram a criar também

embasados nos acontecimentos atu-

ais. Já outra mudança significativa que merece ser ressaltada é que os nobres passaram a ter o mesmo direito que os faraós tinham de ser mumificados

e fazer os rituais fúnebres, bastava

pagarem pelo serviço. Esse fato não foi nada apreciado pelos faraós, que

deixaram de ser vistos como os únicos seres divinos e de ter uma vida após a morte. Tal mudança pode ser compro- vada nas descobertas atuais de tumbas de pessoas, que não faziam parte da realeza, mas que foram enterradas de forma luxuosa, o que incluía até suas imagens em seus respectivos túmulos. Vale ressaltar que até a visão que

os egípcios tinham das divindades so-

freu modificações no Primeiro Período Intermediário. Osíris, entidade da vida após a morte, se tornou um Deus po- pular e passou a ser cultuado por to- dos, e não mais somente pelo faraó.

Pintura que retrata um nobre egípcio. No Primeiro Período Intermediário, a nobreza passou a pagar para ter direito a fazer os mesmos rituais fúnebres dos faraós, ação que enfraqueceu a visão divina que se tinha a respeito dos grandes reis

fúnebres dos faraós, ação que enfraqueceu a visão divina que se tinha a respeito dos grandes

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Shutterstock Pirâmide do faraó Djoser, em Sakara, projetada por Imhotep. A obra possui seis túmulos, um

Pirâmide do faraó Djoser, em Sakara, projetada

por Imhotep. A obra possui seis túmulos, um sobre

o outro, e a pirâmide tem 62 m de altura, com

uma base de 109 m por 125 m. Seu revestimento

é de pedra calcária branca polida

O ARQUITETO IMHOTEP

Imhotep foi vizir (primeiro-ministro) do faraó Djoser e também médico e engenheiro, além de ter sido o arquiteto da primeira pirâmide egípcia construída na cidade de Sakara. Foi um dos únicos homens egípcios, que não fazia parte da realeza faraônica, a ser homenageado por um faraó em uma estátua. A prova da existência de Imhotep pode ser vista em suas inscrições na base das estátuas do faraó Djoser.

IMPÉRIO MÉDIO

(2040 A 1780 A.C.)

Essa fase integra a décima segunda até a décima terceira dinastia e traz de volta o governo centralizado e dominado

pelo faraó. Tebas passou a ser a capital do Egito e a prospe- ridade voltou a reinar no campo da agricultura, com a re- alização de colheitas abundantes; no campo do comércio; da arquitetura, com a retomada da construção de templos

e tumbas majestosas, escavadas nas rochas; da literatura,

com obras que se tornaram populares por tratarem da cul- tura local de forma suave e até com humor; da arte, com a

volta das pinturas nas tumbas e na fabricação de belas joias

e; também por meio do crescimento populacional.

O Império Médio, apesar de ser considerado um perío-

do bastante positivo, foi também cenário de resistência dos camponeses e dos nomarcas, que eram os líderes dos povo- ados do Egito. Os primeiros começaram a se mobilizar pelo excesso de trabalho que deviam cumprir em prol do poder

faraônico, já os nomarcas decidiram se organizar para reivin- dicar maior autonomia política, chegando até a defender a invasão de estrangeiros no Egito.

A capital do país foi modificada novamente e passou a

ser em Iti-tauí. Fortalezas foram construídas, próximas ao Nilo, para evitar a invasão estrangeira. Os nomarcas tiveram seu poder enfraquecido e o faraó recuperou a sua posição de destaque e de soberania.

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

O grande rei que mais se destacou nessa fase foi Ame-

nemhat III, que governou o Egito por 45 anos e, graças a ele, diversas obras importantes foram realizadas. Uma delas ocor-

reu na região do oásis em Faium, que se tornou um dos gran- des centros agrícolas egípcios e, a outra, foi a construção de um enorme templo funerário, próximo ao oásis de Hawara. Um fato que merece destaque no Império Médio é que para manter a estabilidade, o Egito passou a aceitar mem- bros de camadas sociais inferiores na formação do exército

e, assim, conseguiu expandir o domínio de seu território, in-

vadindo a Núbia e a Palestina, onde se beneficiou com as grandes minas de ouro e de cobre encontradas por lá.

O último faraó dessa fase foi Sebekneferu, uma mulher,

que ordenou várias expedições para a Núbia, a Síria e para

o Deserto Oriental em busca de minas e de transporte de

madeira para o Egito. Ela ainda firmou a relação comercial com Creta, hoje considerada a maior e mais populosa ilha da Grécia, e com a Fenícia, civilização que povoava a região, onde atualmente ficam o Líbano, a Síria e o norte de Israel. No entanto, a fase de prosperidade deixou de existir, inicialmente, com a chegada ao território egípcio de algu- mas tribos hebraicas, que estavam em busca de um local distante do clima árido da Palestina. O objetivo deles era ter uma vida mais digna e melhor. Tal intuito era o mesmo dos hicsos, um povo asiático que também se deslocou nesse pe- ríodo para o Egito, mas, que ao observarem a decadência do governo do faraó, decidiram usar todo o seu conhecimento militar e tomaram o poder do território, o que acabou por gerar uma grande instabilidade política.

Estátua do faraó Amenemhat III, no museu Metropolitano de Arte, em Nova York, Estados Unidos.
Estátua do faraó
Amenemhat III, no museu
Metropolitano de Arte,
em Nova York, Estados
Unidos. Seu reinado durou
45 anos e foi considerado
bastante próspero em
todos os campos do
conhecimento egípcio,
especialmente no da
arquitetura
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CAPÍTULO 2 CICLOS

SEGUNDO

PERÍODO

INTERMEDIÁRIO

(1780 A 1560 A.C.)

Essa fase compreende a décima quar- ta até a décima quinta dinastia e me- rece destaque pela tomada do poder por parte do povo asiático, denomina- do hicso, que possuía artimanhas de guerra muito mais avançadas das que existiam no Egito, tais como a carrua- gem puxada por cavalos e as armas de grande resistência. Os hicsos dominaram o território do Egito por meio da destruição das cidades e dos templos, além de terem massacrado a sua população, assassi- naram muitos homens e feito de es- cravos as mulheres e as crianças. Eles ainda copiaram o modelo de governo dos faraós, e, inicialmente, se insta-

laram na cidade de Menfis, quando escolheram Salitis como o seu governador, o qual se tornou o primeiro fa- raó não-egípcio. Em seguida, se deslocaram para a re- gião de Avaris, que foi decretada a nova capital do Egito e onde construíram diversas muralhas para que tivessem mais segurança, no caso de serem atacados. Os hicsos conservaram a maioria das tradições religiosas egípcias, bem como a escrita hieroglífica e, no quesito artístico, mantiveram o padrão estético. Eles permaneceram no poder por cerca de 170 anos. O faraó anterior ao domínio hicso foi obrigado a se deslocar para a cidade de Tebas e passou a ser tratado com desdém e até a pagar impostos aos hicsos. Por volta de 1530 a.C. a população de Tebas uniu forças, aprendeu a manusear armas de guerra e começou a desafiar os hicsos dando início a um conflito que durou aproximadamente 30 anos. Nessa etapa da história da civilização antiga do nordeste africano os núbios passaram a ser tidos como grandes inimigos dos egípcios, visto que se uniram aos hic- sos para lutar contra quem sempre saqueou e invadiu seu território. Os reis Taá II e Kamés conseguiram combater os núbios, mas somente o faraó Amósis é que conseguiu expulsar definitivamente os hicsos do território egípcio.

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Apesar de terem dominado o Egito por 170 anos, os hicsos mantiveram as tradições egípcias,
Apesar de terem dominado o
Egito por 170 anos, os hicsos
mantiveram as tradições
egípcias, inclusive o sistema
de escrita hieroglífica
QUEM ERAM OS POVOS DO MAR? Os povos do mar eram compostos
por pessoas da região do Mediterrâneo Oriental. Eles não eram considerados saqueadores,
mas pessoas que foram desalojadas por outros povos em maior quantidade, mais fortes
e
armados. Sendo assim, diversas famílias passaram a procurar outros territórios
para poderem viver e acabavam por invadi-los, como aconteceu na região da Anatólia e
do Egito. O registro da existência dos povos do mar pode ser encontrado tanto em textos
e
ilustrações egípcias bem como em dados arqueológicos.
A atual Capadócia,
na Turquia, era
uma das regiões
da Anatólia,
território que
abrigou os povos
do mar no período
do Império Novo
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Os amuletos egípcios de escaravelho eram vistos como a representação do Deus Sol, criador do universo, e como símbolo de proteção e de sorte. Durante o período que dominaram o Egito, os hicsos passaram a usar também tais objetos

QUEM ERAM OS HICSOS?

Os hicsos pertenciam a um povo semita da região sul de Canaã e da Síria. Eles viviam do cultivo da agricultura e decidiram se deslocar para o Egito, por volta de 1760 a.C., em busca de terras mais férteis e de melhores condições de vida. No entanto, ao observarem a confusão que reinava no governo dos faraós, decidiram tomar o poder e se instalar de vez no território. Eram chamados pelos egípcios de Heka- Khaswt, uma expressão para denominar os chefes estrangeiros asiáticos. Com o passar dos anos, os gregos modificaram a palavra e a expressão passou a ser hicso. Durante as batalhas, os hicsos usavam armaduras, cimitarras (espada oriental), punhais, arcos feitos de madeira e chifre, carros de guerra puxados por cavalos (animal desconhecido no Egito) e ainda utilizavam o bronze ao invés do cobre para produzir armas. Características que eram uma novidade para os egípcios e que fez com que eles perdessem a supremacia do país, mas que também permitiu que se modernizassem nesse quesito. Mas não foi só o poder bélicos dos hicsos que adentrou no território egípcio, sua cultura também. Eles trouxeram o tear vertical, instrumentos e estilos musicais, bem como alimentos como a azeitona e a romã, novas raças de animais, além de originais técnicas de colheita. Vale destacar que as tradições egípcias também passaram a fazer parte da vida dos hicsos, pois muitos deles decidiram ter um escaravelho, que era uma pequena peça de pedra na forma do inseto, para ser usado como um amuleto. Para os egípcios, o escaravelho era uma das formas de representação do Deus Sol, criador do universo. Desta forma, muitos hicsos viviam com tais pedras para terem sorte e também eram enterrados com as mesmas. Prova de que apesar das guerras, houve também a fusão de tradições e de cultura entre os egípcios e os hicsos.

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

IMPÉRIO NOVO (1560 A 1070 A.C.)

Compreendendo a décima sexta até a vigésima dinastia, o Império Novo marcou a volta dos faraós ao governo egípcio e é considerada também uma das épocas mais prósperas da Era Faraônica. Durante esse período é notável o investimento em construções de belos monumentos, em Karnak, para a adoração do Deus Amon, criador dos deuses e da força da vida, bem como de obras para promover os feitos dos faraós, como a da grande rainha Hatchepsut, que mandou construir um elegante templo, além de obeliscos e uma capela em Karnak para ser lembrada pelas expedições comer- ciais bem sucedidas que realizou em Punt, atual Somália. Nesse período foram construídos também os templos de Lu- xor, o palácio de Malaqata e o Templo de Milhões de Anos. Tudo ia muito bem até o faraó Amenófis IV tomar o poder e instaurar várias reformas radicais, entre elas, a proclamação do Deus do Sol como entidade suprema e o menosprezo ao culto das demais divindades, além da mudança da capital do Egito para a cidade de Akhetaten. Ele ainda realizou vários negócios com os estrangeiros, que fez com que o Egito perdesse muito dinheiro. O culto às demais divindades só passou a ser realizado novamente com a morte de Amenófis IV e quando o faraó Tutankamon tomou o poder. Os faraós seguintes desse período conseguiram aumentar o do- mínio do território egípcio, por meio da conquista da cidade de Ka- desh e de Amurru, ambas na Palestina. Nessa fase surgiu o rei com o maior número de filhos já visto na era faraônica, Ramsés II, o qual deu continuidade à construção de templos, estátuas e obeliscos e travou combates contra os hititas, povo da Anatólia, atual Turquia. Em 1258 a.C. assinou o primeiro tratado de paz da história, no qual Anatólia e Egito teriam que se unir e lutar contra os inimigos exter- nos e internos. O acordo foi selado com o casamento de Ramsés II com a filha mais velha do imperador hitita Hatusil III. O desenvolvimento e a prosperidade do Egito passaram a cha- mar a atenção novamente dos estrangeiros, o que fez com que os líbios, os núbios e os povos do mar (população que invadiu a Anatólia e o Egito pelo oceano) invadissem o território egípcio. Os combates iniciais foram vencidos pelos egípcios, mas com a morte de Ramsés II a instabilidade política voltou a se fazer presente, e uma onda de corrupção, revoltas dos trabalhadores e roubos de túmulos tomaram conta do Egito, deixando o território desprotegi- do para os novos ataques dos povos estrangeiros.

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Monumento criado no reinado do faraó Amenófis IV, na cidade de Akhetaten, a qual foi
Monumento
criado no reinado
do faraó Amenófis
IV, na cidade de
Akhetaten, a qual
foi decretada
como capital do
Egito para ser o
centro de adoração
ao Deus Amon
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CAPÍTULO 2 CICLOS

TERCEIRO PERÍODO

INTERMEDIÁRIO (1070 A 664 A.C.)

Essa fase ocorreu entre a vigésima primeira até a vigésima quinta dinastia. E teve início com a invasão dos líbios, que ficaram por 200 anos no poder. Shoshenk foi o primeiro faraó líbio, e para manter a sua supremacia nomeou seus familiares como sacerdotes, uma maneira de controlar os demais clérigos da cidade de Tebas. Durante seu reinado saqueou a Palestina e firmou relações co- merciais com a cidade de Biblos, na Líbia, o que promoveu ainda mais prosperidade ao Egito. Os próximos reinados foram marcados por muitas guerras civis, o que ocasionou o surgimento de várias dinastias e, consequentemente, o enfraquecimento do poder líbio. Por volta de 700 a.C. os assírios, povos que viviam onde atual- mente localizam-se o Iraque, a Síria, o Irã e a Turquia, se tornam grandes inimigos dos egípcios e travaram batalhas para disputas de território. Em 667 a.C. os núbios conseguiram deter de forma significativa os assírios, mas o exército desses reagiu e conseguiu ocupar Menfis e saquear os templos da cidade de Tebas. No entanto os núbios conseguiram se manter no poder.

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os núbios conseguiram se manter no poder. Shutterstock Pintura egípcia representando o exército assírio e, ao

Pintura egípcia representando o exército assírio e, ao fundo, escravos núbios trabalhando em uma construção

ao fundo, escravos núbios trabalhando em uma construção ORIGEM DOS LÍBIOS E NÚBIOS Não há como
ao fundo, escravos núbios trabalhando em uma construção ORIGEM DOS LÍBIOS E NÚBIOS Não há como
ao fundo, escravos núbios trabalhando em uma construção ORIGEM DOS LÍBIOS E NÚBIOS Não há como

ORIGEM DOS LÍBIOS E NÚBIOS

Não há como discorrer sobre a história da civilização egípcia antiga sem citar os conflitos constantes com o povo líbio e núbio. Mas, você sabe de onde vieram esses povos? Os líbios eram nômades

e

e

noroeste africano, atual Líbia, no século VII a.C., junto aos

povos do mar. Destacavam-se por serem bons navegantes. Foram os gregos que batizaram o território de Líbia neste mesmo período.

Alguns traços da cultura dos líbios podem ser notados de forma clara nas tradições egípcias. Um deles é o culto aos mortos, os líbios costumavam sepultar seus entes com joias e armas

e viam os espíritos de

seus antepassados como

descendentes de gregos

fenícios. Chegaram no

divindades. Um fato curioso

é que eles acreditavam

que se dormissem, junto ao túmulo do falecido, teriam

sonhos premonitórios.

Outra característica do povo líbio, passada aos egípcios,

é a construção de túmulos

em forma piramidal para os seus reis, o que mais tarde se tornaram as mastabas e, depois, as pirâmides do

povo egípcio. No quesito

religião é da cultura dos líbios a origem da divindade e da adoração a Amón (rei dos deuses e da força criadora de vida), a Osíris (Deus da vida após a morte), bem como a tradição de não comer carne de vaca para honrar a deusa Íris, a qual também é adorada na cultura egípcia.

Já os núbios, considerados a civilização negra mais antiga da história da África, eram oriundos da Núbia, região que hoje é partilhada pelo

Sudão e pelo Egito, território que foi ponto de convivência

entre os egípcios, os povos

do mediterrâneo e os negros

da África. Os núbios viviam da caça, da pesca e domesticavam bois, cabras, ovelhas e carneiros. Sua terra não era fértil, mas possuía muitos

minerais e pedras preciosas,

o que explica a invasão do

território por estrangeiros, entre eles, os egípcios.

Em 3300 a.C. a Núbia foi invadida e os núbios se tornaram escravos dos egípcios, mas, mesmo assim, eles mantiveram a sua língua própria e cultura, a qual foi passada aos egípcios como o hábito de construir

túmulos em forma de pirâmides, fazer artesanatos

e domesticar animais.

Vale destacar que os núbios também integraram elementos egípcios em sua cultura, como a escrita meroítica, a qual tinha características tanto do sistema de hieróglifos, quanto da escrita demótica egípcia.

Imagem da representação do Deus Amon, rei dos deuses e da força criadora da vida, o qual era adorado pelos líbios e, devido à mescla de culturas, passou a ser cultuado também pelos egípcios

vida, o qual era adorado pelos líbios e, devido à mescla de culturas, passou a ser

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ÉPOCA BAIXA (664 A 332 A.C.)

Marcada pela tomada do poder dos faraós negros, ou melhor, dos núbios, a Época Baixa, que corresponde da vigésima sétima até a trigésima primeira dinastia, teve novamente como capital egípcia a cidade de Menfis, bem como o desenvolvimento econômico e artís- tico, além da construção de mais belas pirâmides e monumentos. No entanto, os assírios ainda não haviam desistido do Egito e o rei Esarhaddon finalmente conseguiu conquistar a capital Menfis e passou a cobrar impostos de toda a população egípcia. Somente o faraó Psamético I, com o auxílio dos gregos, em um período de dez anos, conseguiu reverter essa situação e expulsar os assírios. Desta forma a cultura grega passou a integrar o modo de vida egípcio, como a criação da cidade de Náucratis, a qual se tornou a

nação dos gregos na África. O faraó Saite tornou Sais a nova capital do Egito e o país passou por uma fase positiva na economia, na cultura e na sociedade. No entanto, a prosperidade durou pouco, devido aos ataques persas liderados por Cambises II, em 525 a.C., que sequestrou o faraó Psamético III, assumiu a sua posição e se tornou um sátrapa no Egito, termo persa usado para designar um governador. Nesse período os líderes locais organizaram diversas batalhas para ficarem livres da supremacia persa, mas todas foram em vão

e o Egito, junto ao Chipre e ao povoado fenício ficaram sob domínio

dos persas. Em 404 a.C. o faraó Amirtaios de Sais tomou o poder e conseguiu expulsar boa parte dos persas do Egito, mas em 343 a.C.

o persa Artaxerxes recuperou o governo do Egito e foi seu líder por dez anos, quando o faraó Khababash, definitivamente, conseguiu acabar com o seu reinado.

Soldados persas esculpidos na parede das ruínas da cidade de Persépolis, no Irã. Os persas foram inimigos dos egípcios durante a Época Baixa

Representação do rei persa Artaxerxes, que dominou o Egito por cerca de 10 anos

persa Artaxerxes, que dominou o Egito por cerca de 10 anos CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

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Templo do faraó Abu Simbel, na Núbia, rodeado de turistas. A atividade do turismo é uma das práticas atuais desenvolvidas pelos jovens núbios, que levam os estrangeiros em embarcações pelo Rio Nilo até os belos monumentos que a região abriga

LÍBIOS E NÚBIOS NA ATUALIDADE

Centenas de séculos se passaram,

mas os líbios e núbios ainda existem

e mantêm algumas de suas tradições.

A maioria dos núbios, por exemplo,

são pobres e ainda vivem em casas simples de chão de terra batida, às

margens do Rio Nilo. Para se sustentar, praticam a agricultura, vendem belas pinturas e artesanatos com imagens de animais, principalmente, de cobras

e

jacarés, espécies que sempre foram

e

continuam sendo idolatradas pelos

núbios. E quando o tema em questão é

o Rio Nilo, eles ainda o utilizam como

o principal meio de transporte, bem como embarcações remotas como a

faluca, que é uma espécie de barco à vela.

O turismo também é outra atividade

realizada pelos jovens núbios, que levam

os estrangeiros em embarcações pelo rio para conhecer os templos faraônicos.

Já os líbios nos dias de hoje, diferente

do povo núbio, passaram por um grande processo de modernização. Deixaram de ser nômades e vivem em apartamentos ou unidades habitacionais independentes, além de trabalharem no ramo industrial ou no de serviços. Somente uma minoria continua vivendo no deserto com suas famílias da prática da agricultura.

Faluca, uma espécie de barco à vela, navegando em pleno Rio Nilo, com turistas rumo aos templos faraônicos da região da Núbia. A faluca foi elaborada pela civilização egípcia antiga e até hoje é usada pelos descendentes do povo núbio

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CAPÍTULO 2 CICLOS

NÁUCRATIS A cidade de Náucratis foi a primeira colônia grega no território egípcio. Atualmente ela
NÁUCRATIS A cidade de
Náucratis foi a primeira colônia
grega no território egípcio.
Atualmente ela está em ruínas,
mas durante a história do Egito
Antigo foi um centro cultural
bastante conhecido e visitado
por figuras ilustres como Solon,
considerado um dos sete gregos
mais sábios, e por Thales, o
famoso filósofo, matemático
e físico. A cidade foi palco
também de templos construídos
para homenagear os deuses
gregos Apolo, Zeus e Hera.
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Representação do Deus Serápis, divindade que foi criada da união do Deus egípcio Osíris com o Deus grego Ápis, o que revela que houve a miscigenação das crenças entre esses dois povos durante a Dinastia Ptolomaica

DINASTIA

PTOLOMAICA

(332 A 30 A.C.)

Nesse período, que compreende a di- nastia macedônica até a ptolomaica, o Egito ficou livre, definitivamente, dos persas, que sem muito pesar, decidi- ram entregar o território para o grego Alexandre, o Grande, em 332 a.C., o qual passou a ser conhecido como o libertador do Egito. Alexandre se tornou faraó e go- vernou por seis meses, visto que, após esse período, partiu em busca de no- vas conquistas territoriais como a da Índia, mas deixou seus representantes no Egito. Durante o seu governo foi er- guida a cidade de Alexandria, a qual se tornou a nova capital do Egito e um centro de estudos e de aprendizado, especialmente, pela Biblioteca de Ale- xandria. O faraó grego ordenou tam- bém a construção de um Farol, que fa- cilitou o comércio marítimo na região.

Entrada da famosa biblioteca de Alexandria, na cidade de Alexandria, no Egito. Foi um dos maiores centros de conhecimento da cultura antiga. Possui laboratórios, um planetário, um museu de ciências e outro de caligrafia, 200 salas de estudo, dez mil livros raros, 100 mil manuscritos, 300 mil títulos de publicações periódicas, 200 mil cassetes e 50 mil vídeos

publicações periódicas, 200 mil cassetes e 50 mil vídeos Shutterstock Vale destacar que os gregos nessa

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Vale destacar que os gregos nessa fase, apesar de dominarem o Egito, não exterminaram a cultura egípcia, pelo contrário, a mantiveram, sendo que construíram templos no estilo arquite- tônico egípcio, preservaram sua arte e suas pinturas e, na religião usaram do sincretismo, ou seja, realizavam cultos unindo a adoração a deuses egípcios e gregos. Criaram também o Deus Será- pis, uma fusão de Osíris (entidade egíp-

cia da vida após a morte), com o ser sa- grado Ápis (divindade grega da terra). Em 323 a.C., Alexandre faleceu com apenas 33 anos de uma doença que o contaminou na Índia. Seu filho o sucedeu no governo egípcio, mas por pouco tempo, dando lugar para Pto- lomeu, um de seus generais. A partir de então, o Egito passou a contar com uma imensa dinastia de Ptolomeus, a qual contava com o epistológrafo (chefe da chancelaria real), o arquidi- casta (homem da justiça), o dioiceta (homem das finanças) e o epistratego (chefe do exército). Durante o reinado do primeiro Pto- lomeu ocorreram muitas guerras para dominar territórios como a Líbia, a Sí- ria e o Chipre. No segundo, as batalhas tiveram continuidade e o grande rei decidiu seguir um costume egípcio e se casou com sua própria irmã. Já no terceiro reinado dos Ptolomeus, o Egito prosperou, consideravelmente, ao con- seguir conquistar nações como a Síria,

a Cilícia, a Panfília, o Chipre e as ilhas do norte do mar Egeu. A era dos faraós gregos começou a decair a partir do quarto reinado, quan- do o Egito perdeu o domínio sobre a Síria, a Palestina, a Ásia Menor e Egeu.

A Rainha Cleópatra assumiu o poder do

Egito, mas em 31 a.C. perdeu a sua su- premacia para os romanos.

Vista panorâmica da cidade de Alexandria, no Egito. Durante a Dinastia Ptolomeu foi considerada um grande centro do saber

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

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Estátua de Alexandre, o Grande, em Thessaloniki, na Grécia. Alexandre é considerado um dos maiores conquistadores de território da história, além de ter sido um exímio militar

QUEM FOI ALEXANDRE, O GRANDE?

Alexandre nasceu em Pela, capital do antigo reino grego da Macedônia, em 356 a.C. Teve um amigo bastante especial que foi o filósofo Aristóteles, que orientou seus estudos até os 16 anos. Após a morte de seu pai, o rei Filipe, Alexandre, com apenas 20 anos se tornou rei e participou de várias ações militares na Ásia e no nordeste da África. Contava com um exército bem estruturado, o que fez com que fosse até premiado. Conseguiu conquistar a Pérsia, atual Irã, e depois o Egito. Com 30 anos já havia dominado grande parte da Grécia, do Egito e do noroeste da Índia. Nunca perdeu uma batalha, mas foi vencido na Babilônia, atual Iraque, em 232 a.C., por uma doença que contraiu na Índia. Fundou 20 cidades com seu nome e difundiu de forma brilhante a cultura grega, budista e egípcia. É considerado um grande herói e um dos maiores militares da história.

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herói e um dos maiores militares da história. Shutterstock Escultura da rainha Cleópatra com seu filho

Escultura da rainha Cleópatra com seu filho Cesário no Templo de Hathor, na cidade de Dendera, no Egito. A rainha é considerada a mais bela e inteligente de todas as governantes do Egito, mas devido ao seu recuo na Batalha de Áccio, acabou por entregar o domínio do território egípcio aos romanos

DOMÍNIO

ROMANO

(30 A.C. A 359 D.C.)

Conhecida como a fase final da Era Faraônica, o Domínio Romano teve início em 31 a.C., com a Batalha de Áccio, na qual em uma disputa por via marítima, a rainha egípcia Cleó- patra abandonou a esquadra de seu amante Marco Antônio, que estava defendendo o território egípcio e, este foi derrotado por Otaviano, que era parente do romano e po- deroso Júlio César. Desta forma, o governo do Egito perdeu todo o seu poder e supremacia e se tornou parte do Império Romano. O interesse de Roma sobre o Egito foi imediato, já que era con- siderado um território fácil de se defender e também era um ótimo fornecedor de trigo. Os egípcios pas- saram, então, a seguir as ordens do imperador romano Otaviano, con- tinuaram a viver em nomos, paga- vam altos impostos, o que acabou por gerar conflitos, mas que foram sempre contornados. Os casamen- tos entre egípcios e romanos eram proibidos. Vale destacar que o imperador não morava no Egito, permanecia em Roma, mas possuía represen- tantes para administrar o local. Du- rante o Domínio Romano, a cidade de Alexandria se desenvolveu ain-

da mais e se tornou também uma rota de comércio de merca- dorias com o Oriente. Algumas tradições egípcias foram mantidas pelos romanos como o processo de mumificação e o culto aos deuses tradi- cionais. O foco da arte do Egito passou a ser a retratação das múmias e das figuras dos imperadores como verdadeiros faraós. Um quesito que merece destaque nesse período foi a che- gada do cristianismo na cidade de Alexandria, o qual pregava o fim do paganismo, ou seja, o culto a qualquer outra religião que não adorasse Jesus Cristo. No início do Domínio Romano, os gregos que habitavam o Egito continuaram a adorar seus deu- ses como costumavam fazer na era Ptolomaica e, os egípcios, mantiveram-se fiéis aos seus cultos tradicionais. No entanto, essa situação mudou drasticamente. Em 391 d.C. o imperador Teodósio I proibiu o culto a religiões pagãs e os templos egípcios foram fechados, o que gerou conflitos no país. Nesse período houve o enfraquecimento das práticas das tradi- ções egípcias como ler e escrever hieróglifos e os belos templos deram lugar a igrejas, o que acabou por encerrar a bela, sur- preendente e intrigante história da civilização do Egito Antigo.

BATALHA DE ÁCCIO Não há como discorrer sobre a Batalha de Áccio sem antes citar
BATALHA DE ÁCCIO Não há como
discorrer sobre a Batalha de Áccio sem antes citar
que, em 31 a.C., o Império Romano era comandado por
Marco Antônio e Otaviano, homens que tinham como
cotidiano conquistar territórios. A rivalidade era presença
constante no relacionamento deles. Marco Antônio
defendia o Oriente, era amante da rainha Cleópatra e
protegia o território do Egito. Já Otaviano queria dominar
o território egípcio. Desta forma, em 2 de setembro de
31 a.C., a disputa entre os dois poderosos homens teve
como destino o mar, mais precisamente, a região de
Áccio, na entrada do Golfo de Arta, na Grécia.
Marco Antônio contava com as frotas da rainha Cleópatra
para auxiliá-lo no combate, no entanto no decorrer da
batalha, a rainha decidiu fugir e seu amante foi atrás
dela, ação que deu a vitória a Otaviano, que passou a
dominar o Egito. Em agosto do mesmo ano, mês em que
o romano Otaviano tomou o poder do território egípcio,
Cleópatra e Marco Antônio se suicidaram.

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CAPÍTULO 3 • SOCIEDADE DO GRANDE REI AO ESCRAVO ENTENDA QUAIS ERAM AS CAMADAS QUE

CAPÍTULO 3 SOCIEDADE

DO GRANDE REI AO ESCRAVO

ENTENDA QUAIS ERAM AS CAMADAS QUE COMPUNHAM A ESTRUTURA DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA ANTIGA

O rganização e eficiência sempre fizeram parte do cotidia- no da sociedade egípcia da Antiguidade, característica que também pode ser observada na sua estrutura hierár- quica, na qual cada camada tinha sua função determina- da, bem como deveres a serem cumpridos.

investia os valores recolhidos na construção de grandes

e luxuosos palácios, onde morava, e também em obras

colossais como as pirâmides, que eram, na verdade, seus futuros túmulos, local onde, após o seu falecimento, seu corpo, já mumificado era abrigado junto às suas riquezas. Já a classe nobre era composta pelo vizir, pelos oficiais do exército e suas respectivas famílias e tam- bém pelos sacerdotes. O vizir era o primeiro-ministro do faraó, que o ajudava em todos os assuntos do rei- no, como, por exemplo, a cobrança dos impostos. Os oficiais do exército ou chefes militares ordenavam

e montavam as estratégias que deveriam ser seguidas

pelos soldados para a proteção do território do Egito. Os sacerdotes eram responsáveis por praticar rituais, festas

e qualquer tipo de atividade religiosa no Egito Antigo. Por serem considerados conhecedores natos dos deuses do Egito, comandavam a organização dos templos sagrados

e tinham como função, após a morte do faraó, realizar

os rituais fúnebres. Seu papel de extrema ligação com tudo o que era divino, fez com que muitos deles, após o falecimento, fossem mumificados e colocados também em pirâmides para que fossem endeusados, assim como era a figura do faraó. Uma questão interessante, que envolve a nobreza

e merece ser destacada, é que os faraós escolhiam a

sua rainha entre a classe nobre. O grande rei poderia ter várias esposas, mas a rainha teria o poder real e, ge- ralmente, era de sua família, para manter o tradicional sangue azul. Expressão usada pelos faraós para designar

A forma de ordenação da civilização do Egito Antigo correspon-

dia a uma monarquia teocrática, na qual um rei tinha o poder cen- tralizado em suas mãos e era visto como um ser divino. Desta for- ma, o sistema social egípcio pode ser comparado a uma pirâmide, com um rei divino e detentor do poder absoluto, estabelecido em

seu cume e, abaixo dele, encontravam-se os nobres; os soldados; os escribas; a maior parte do povo egípcio, composto por camponeses, comerciantes e artesões e, em sua base, os escravos.

O faraó ou o grande rei era a autoridade máxima do território egíp-

cio, além de ser considerado também uma divindade. Era quem adminis- trava o governo, o exército e ordenava os cultos aos deuses. Sua função era manter a ordem e a justiça na sociedade, quem não o respeitava, era morto. No entanto, se ele não fosse um governador correto, que zelasse realmente pelo Egito, perderia a proeza da vida após a morte. Seu poder era hereditário, ou seja, era passado de pai para filho, sem a ocorrên- cia de nenhuma espécie de processo de escolha, como, por exemplo, a votação. O grande rei e sua respectiva família eram ricos, pois viviam dos impostos que cobravam das demais camadas da sociedade. O faraó

que cobravam das demais camadas da sociedade. O faraó 22 Shutterstock Representação das camadas sociais do

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que cobravam das demais camadas da sociedade. O faraó 22 Shutterstock Representação das camadas sociais do
que cobravam das demais camadas da sociedade. O faraó 22 Shutterstock Representação das camadas sociais do
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Representação das camadas sociais do Egito Antigo, tais como, o faraó, os sacerdotes, os camponeses e os escravos

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Thinkstock que eles tinham sangue azul, assim como as águas do rio Nilo, algo puro e

que eles tinham sangue azul, assim como as águas do rio Nilo, algo puro e divino, em contraposição ao sangue vermelho dos seus súditos. A terceira camada social egípcia era composta pelos sol- dados que ficavam subordinados aos chefes militares e ti- nham como função zelar pela segurança do Egito. Durante as guerras seu papel na sociedade era enaltecido, visto que tinham que atuar de forma exímia, sendo que uma derrota poderia lhes custar a vida. No início da Era Faraônica os exér- citos egípcios eram pequenos, no entanto, com o passar dos anos e com o desenvolvimento do país, se tornaram signifi- cativamente maiores e mais fortes. Havia também os escribas que eram os homens da es- crita egípcia, mais precisamente da hieroglífica e da demó- tica. Eram os únicos que podiam se tornar administradores ou ingressar no serviço público. Tinham como instrumento de trabalho o papiro, uma espécie de papel elaborado das fibras da planta papiro, placas de barro ou pedra, nas quais discorriam sobre os acontecimentos do Egito e, claro, da vida do faraó. Outra tarefa que realizavam era controlar e calcular os impostos cobrados da população pelo vizir. Era comum que os filhos dos escribas herdassem a sua profissão para dar continuidade ao legado do trabalho do pai. Já a quinta camada social era representada pelo povo egípcio, a qual compunha grande parte dessa civilização, e era integrada por comerciantes, artesãos, lavradores e pas- tores que trabalhavam muito para sobreviver e pagar os im- postos ao faraó. Alguns eram chamados pelo grande rei para trabalhar de forma gratuita na construção de diques, represas, palácios e templos. Vale destacar que nas primeiras dinastias, trabalhar em obras públicas sem receber salário era considera- do normal, visto que os faraós eram tidos como intermediários entre os homens e os deuses e, servir ao grande rei, era uma forma de agradar as entidades. Com o passar dos anos, os tra- balhadores começaram a se organizar e resistir a essa prática. E, por último, denotando a base da organização egípcia antiga, estavam os escravos, que geralmente eram os ini- migos capturados em disputas territoriais. Eles trabalhavam bastante, não recebiam salários, somente roupas velhas e comidas para sobreviverem e eram vistos pelo restante da sociedade como a escória sem direito algum.

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QUEM CUIDAVA DA SAÚDE EGÍPCIA?

Você pode notar que a civilização do Egito Antigo era bastante organizada, visto que tinha um grande administrador e uma porção de funcionários para cuidar da comunicação com os seres divinos, para relatar os acontecimentos e também para colocar as mãos literalmente na massa, ou melhor, trabalhar na terra. Mas, tenho certeza que você sentiu falta de um profissional de grande importância. Sem ele, todos os já citados, não conseguiriam exercer suas respectivas funções se ficassem doentes. Esse profissional era o médico. Denominados de sunu ou nu dom, expressão que significava homens do sofrimento, os médicos do Egito Antigo tinham como função receitar remédios, bem como fórmulas mágicas para os adoentados e pedir aos deuses que a pessoa fosse curada. Os doutores egípcios estudavam na Per Ankh (Casa da Vida), que era a faculdade de medicina da época. Eles trabalhavam junto aos uts, forma com eram chamados os enfermeiros egípcios. Hesy-Ra foi o mais antigo médico egípcio que se tem registro. Atuou em 3000 a.C. e só cuidava de pacientes com problemas nos dentes, mas tinha amigos que cuidavam do nariz, do ânus, dos olhos e do abdômen como comprovam documentos da Antiguidade, encontrados em recentes escavações. Tais diversidades de doutores denotam que a medicina especializada já existia desde os tempos da civilização egípcia antiga.

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CAPÍTULO 4 FAMÍLIA

Representação de uma rainha em seu trono. Era comum que muitas assumissem o poder se os faraós falecessem, até que seu filho mais velho tivesse discernimento para ocupar a posição

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

OS SEGREDOS DAS GENEALOGIAS NO NORDESTE AFRICANO

COM EXPECTATIVA DE VIDA DE APENAS 20 ANOS, OS EGÍPCIOS FORMAVAM SEUS CLÃS AINDA NA PRÉ-ADOLESCÊNCIA

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Representação de uma rainha em seu trono com o filho nos braços.

Representação de família egípcia

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S e você pensa que o Egito Antigo era a terra da po- ligamia, devido ao fato dos faraós terem várias mulheres, sinto informar, mas você está muito en- ganado. A grande maioria da civilização egípcia era monogâmica, ou seja, tinha apenas um parceiro. E o adultério era considerado uma ofensa grave, que podia acarretar no divórcio ou mesmo em punições como chicotadas públicas ou o decepamento das orelhas. Geralmente, o divórcio ocorria de forma rápida e simples e era solicitado também nos casos

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CAPÍTULO 4 FAMÍLIA

de maus-tratos e de infertilidade.

As mulheres e os homens costu- mavam se casar ainda na pré-ado-

lescência, as mulheres com 12 anos

e, os homens, entre os 15 e 19 anos.

A expectativa de vida da civilização

egípcia nesse período era de 20 anos,

o que explica o fato de terem muitas viúvas e viúvos jovens. Os casamentos não dependiam da

lei, mas da concordância entre o casal

e do consentimento dos pais dos noi-

vos, no entanto acordos legais eram

realizados para garantir a correta divi- são dos bens entre o casal. A questão da virgindade não era um tabu para os egípcios, visto que o sexo entre o casal era permitido antes mesmo do casamento. Um dado interessante é que não existia um ritual para celebrar a união entre duas pessoas. No dia do ato o homem apenas dizia: “eu te faço mi- nha mulher” e a jovem respondia:

“fizeste-me tua mulher”, em seguida,

a noiva saía da casa de seus pais e ia morar com o futuro marido, selando, assim, a união. Apesar de não haver uma cerimônia, os egípcios costuma- vam fazer uma festa para celebrar a nova vida a dois, na qual amigos e familiares se divertiam e degustavam um verdadeiro banquete.

A VIDA APÓS O CASAMENTO

Após o casamento, a mulher se torna- va ainda mais vaidosa e passava a se preocupar com os penteados e com a maquiagem, seu intuito era sempre se manter bela. Era ela também que administrava o lar e cuidava de seu marido. E quando o assunto eram os filhos, a pressão era extrema e se es- perava que as recém-casadas engra- vidassem logo, pois as crianças eram vistas como uma forma de preservar os ritos do culto funerário, conside- rados de grande importância para os

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funerário, conside- rados de grande importância para os 26 No reinado de Akhenaton, pai de Tutankamon,

No reinado de Akhenaton, pai de Tutankamon, houve uma grande representação do dia a dia da família real, que aparece sempre envolta pela proteção dos raios solares do deus Aton.

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CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

egípcios, pois permitiam a continuidade da vida após a morte. Sendo assim, as jovens egípcias
egípcios, pois permitiam a continuidade
da vida após a morte. Sendo assim, as
jovens egípcias ficavam impacientes para
aguardar os primeiros sintomas da gravi-
dez, como enjoos e tonturas, já que social-
mente era considerado algo abominável
ser estéril. Caso elas notassem que não
estavam grávidas, procuravam os nu dom
(médicos) para que eles pudessem recei-
tar drogas, a fim de resolver a questão. Se
não adiantasse, elas procuravam a magia.
Quando grávidas, invocavam todos os ti-
pos de proteção aos deuses para elas e
para os bebês. As mulheres que não con-
seguiam engravidar e eram tidas como
estéreis tinham como destino, muitas ve-
zes, o divórcio solicitado pelo marido.
Vale destacar que os direitos entre
os homens e as mulheres no Egito Anti-
go eram semelhantes. Muitas mulheres,
além de executarem os serviços domésti-
cos, trabalhavam também na área da te-
celagem e na preparação de cerveja e de
pão, enquanto que os maridos atuavam
no ramo da agricultura ou do comércio.
Quando o marido estava ausente, elas que
respondiam por eles nos negócios. Quan-
do elas iam ao mercado ou mesmo resol-
ver algum problema, os homens manti-
nham-se em casa para ajudar nas tarefas
domésticas e até nas funções de tear.
Um fato que merece ser ressaltado é
que o casamento da realeza era um pou-
co diferente das demais
camadas sociais. Ele tam-
bém ocorria entre jovens,
não eram feitos rituais, mas
acontecia entre irmãos ou
pessoas da nobreza. O faraó
podia ser poligâmico, mas
elegia uma rainha para lhe
dar herdeiros, com o intui-
to de manter a sua dinastia.
Tal rainha, muitas vezes, as-
sumia o poder do Egito, no
caso de o faraó morrer e seu
filho mais velho, que teria
que assumir o poder, ainda
ser uma criança.
Ela administrava o terri-
tório até que o herdeiro ti-
vesse discernimento para se
tornar o grande rei. Ações
como essa e as descritas nas
camadas sociais inferiores
deixam claro que o papel da
mulher era notável e de ex-
trema importância na insti-
tuição familiar da civilização
egípcia antiga.
O TABU DA IMPUREZA
Os egípcios antigos acreditavam que
as mulheres se tornavam impuras e
sujas quando entravam no período
menstrual. Sendo assim, suas roupas
e tudo o que elas tocavam também
se tornavam impuros. Por causa
desse pensamento os trabalhadores
eram dispensados de suas funções
para cuidar de suas mulheres e filhas,
quando ficavam menstruadas. As
relações sexuais, nessa fase, também
eram proibidas. Após os sete dias
do fluxo, as mulheres tinham que se
submeter a banhos de limpeza especiais
para voltarem a se tornar puras.
Representação de mulher egípcia
transportando um jarro para banhos e
jarro antigo para transporte de água
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CAPÍTULO 5 COSTUMES

AS PECULIARIDADES DO POVO EGÍPCIO

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MODA, ALIMENTAÇÃO, HABITAÇÃO, EDUCAÇÃO E DIVERSÃO. CONHEÇA COMO ERA O COTIDIANO DA INTRIGANTE CIVILIZAÇÃO DO NORDESTE AFRICANO

O s egípcios antigos não só se destacaram em função dos seus rituais religiosos, das práticas da agricultura, do comércio, da

arte ou da construção de belos e gigantescos monumentos. Eles também deixaram seus traços nas ações mais simples do dia a dia, como no quesito da moda, da alimentação, da habitação, da edu- cação e também da diversão. Confira.

de era obtida da malaquita, um mine- ral de cobre que quando era esmagado, fornecia um pigmento verde vibrante. Um dado interessante é que a ma- quiagem dos olhos não era só um fator es- tético. O Kohl era recomendado pelos mé- dicos para combater conjuntivites e repelir moscas. O mesmo material era aplicado também para proteger os recém-nascidos de mau-olhado, assim seus olhos eram circundados pela substância. A henna era outro artifício de be- leza dos egípcios, eles a usavam para pintar as unhas e tingir os cabelos.

MODA

Devido ao fato do clima do Egito ser extremamente quente e seco, as rou- pas eram leves e feitas de linho. Os homens costumavam vestir Chantis, que eram saiotes curtos com uma aba presa aos ombros e as mulheres adota- ram os Kalasiris, vestidos longos como vestuário primordial. Muitas crianças andavam nuas até a pré-adolescência, depois desse período, usavam túnicas de linho. Já os servos também ficavam nus ou com um simples avental, saia ou uma pequena tanga. Os linhos mais finos e leves eram os preferidos da realeza, que também usava acessórios como peles de leo- pardo, sáris (xales), chapéus e muitas joias, como colares, anéis, tornozelei- ras e braceletes. Os cabelos tanto dos homens, quanto das mulheres eram curtos e simples, mas sempre estavam com adornos. No entanto, esse estilo mu-

dou durante o Império Novo, as cama- das sociais menos abastadas deixaram

os cabelos longos, já a realeza passou

a raspar a cabeça e os demais pêlos do

corpo. As perucas ganharam seu espa- ço e eram negras e brilhantes. Os ho-

mens preferiam as curtas, as mulheres, as longas e trançadas.

A maquiagem era outro recurso

de beleza bastante usado e apreciado

pelos egípcios de todas as camadas so- ciais. Eles usavam óleos perfumados no corpo, que eram extraídos da gordura de gatos, crocodilos e hipopótamos.

As mulheres aplicavam rouge (ocre

vermelho), um tipo de argila, nos lábios

e nas bochechas. Nos olhos eram usa-

dos concentrados de cor, que seriam as atuais sombras, especialmente nas co- res verde e preto, nos cílios, nas pálpe- bras e nas sobrancelhas. O concentra- do de cor preta era desenvolvido com Kohl, uma mistura de um mineral do chumbo com fuligem. A coloração ver-

Representação de uma egípcia antiga repleta de joias, peruca e maquiagem. A vaidade era constante nesse período

Ana Vasconcelos

Busto da rainha Nefertiti, do Egito, exposto no Neues Museum de Berlim:

símbolo de mistério e beleza

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CAPÍTULO 5 COSTUMES

o c k Shutterstock Shutterstock CAPÍTULO 5 • COSTUMES ALIMENTAÇÃO A comida no Egito Antigo tinha

ALIMENTAÇÃO

A comida no Egito Antigo tinha diferenças gritantes em relação às camadas sociais. Os menos abastados, como os camponeses, os lavradores e os escravos se alimentavam literalmente de peixe, pão, leite e de água, raramente tinham a oportunidade de degustar carnes vermelhas e frutas, o que só acontecia durante os banquetes fúnebres. As galinhas só passaram a ser consumidas na metade da Era Faraônica, quando chegaram ao Egito. Elas eram inge- ridas ainda cruas e com sal. Com o aperfeiçoamento da agricultura os egípcios introduziram ao seu cardápio alface, verdura que con- sideravam auxiliar na fecundidade, cebola, alho-poró, figos, uvas e tâmaras. Já a realeza composta pelo faraó, sacerdotes e oficiais tinham um cardápio bastante va- riado como pães, bolos, carnes, queijos, frutas e legu- mes. Eles ainda tomavam vinho e cerveja.

DEPILAÇÃO EGÍPCIA

Os egípcios antigos levavam a sério a questão da higie- ne. Por viverem em um local extremamente quente, eles costumavam tomar banho várias vezes ao dia. No entanto, no período do Império Novo, uma onda de pio- lhos e carrapatos tomou conta do território. A saída encontrada pela realeza foi raspar os ca- belos e depilar todos os pêlos do corpo, pois desta forma, estariam livres das pragas. O preparado para a depilação era feito de argila, sândalo e mel, fórmula usada e apreciada até os dias atuais por sua eficá- cia na retirada dos pêlos.

A CERVEJA DO EGITO

Preparada por sacerdotisas dos templos sagrados, a cerveja egípcia consistia em uma mistura de cevada ou trigo com tâmaras, gergelim e mel. Em seguida, era colocada para fermentar em taças de pedra, faian- ça ou metal, em curto espaço de tempo para não aze- dar. Tinha baixo teor alcoólico e era menos encorpada do que as cervejas da atualidade. A bebida era apreciada por crianças e adultos e foi usada também como matéria-prima de cerca de 100 medicamentos du- rante a Era Faraônica. A prova de que os faraós apreciavam cerveja, foi compro- vada durante uma escavação em 1990, quando um grupo de arqueólogos encontrou no túmulo da rainha Nefertiti, em Tell el-Amarna, no Egito, vários tonéis com borras de cevada, o que, na verdade, era um local onde funcionava uma cervejaria.

na verdade, era um local onde funcionava uma cervejaria. Busto de Nefertiti, exposto no museu de

Busto de Nefertiti, exposto no museu de Berlim, na Alemanha. Escavações há 36 anos em seu templo revelaram a existência de uma cervejaria

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CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

EDUCAÇÃO

Ruínas de casas da civilização egípcia antiga em Dachla, no Egito. Essas habitações pertenciam a
Ruínas de casas da civilização egípcia antiga em Dachla, no Egito. Essas habitações
pertenciam a pessoas pobres, que viviam em apenas um cômodo e sem conforto

HABITAÇÃO

A maioria das casas dos egípcios pobres eram feitas de madeira e de junco de papiros. Eram peque- nas, estreitas, tinham apenas um cômodo, não tinham conforto e uma casa ficava próxima da outra. As pessoas dormiam em esteiras ou palhas jogadas no chão. Qua- se não tinham móveis e usavam como utensílios copos pequenos, potes e vasos de cerâmica. Já os palácios e as casas das pessoas de camadas mais abasta- das eram feitos de tijolos de bar- ro. As pedras eram usadas para sustentar suas respectivas colunas, que eram de madeira. As janelas costumavam ficar perto do teto. Tais habitações tinham dois anda- res, no superior ficavam os dor- mitórios e, no inferior, as salas, a cozinha e os aposentos dos servos, havia muitos móveis, além de be- los jardins e piscinas. As paredes da área interna e externa da habitação eram ainda pintadas e decoradas.

O aprendizado no Egito Antigo ocorria em

casa ou nos templos. Além da escrita hie- roglífica e demótica, os alunos estudavam aritmética, botânica, zoologia, mineralo- gia e geografia. Nos templos, chamados de Casas da Vida, escolas que iam desde as primeiras séries de aprendizado até a faculdade, os alunos ficavam sentados no chão so- bre esteiras, fazendo exercícios sobre os temas aprendidos. Os estudantes podiam escolher seguir os estudos com o profes- sor que tinham mais empatia. Vale destacar que, paralelamente à

escola, as crianças ainda estudavam

sobre

paralelamente à escola, as crianças ainda estudavam sobre artesanato, tal ensinamento era dissemi- nado pelos seus

artesanato, tal ensinamento era dissemi- nado pelos seus próprios pais ou parentes.

Representação de uma criança egípcia estudando e tomando nota em um papiro

Representação da competição de barcos no Rio Nilo, uma das atividades de lazer preferidas pelos egípcios

DIVERSÃO

O lazer mais apreciado pelos egípcios adultos era a prática da natação,

das lutas e dos jogos de tabuleiro. Os mais abastados competiam no Rio Nilo, usando embarcações, ou pescando, por meio da utilização de lanças. As crianças passavam o tempo brincando com bolas e bonecos feitos de madeira, se divertiam também com atividades coletivas, tais como, danças e jogos de equipe.

CAPÍTULO 6 ECONOMIA

OS CAMPOS DO DESENVOLVIMENTO

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Ilustração de um egípcio montado em um cavalo durante um combate. O cavalo era desconhecido pelos egípcios até a invasão dos hicsos, durante o Segundo Período Intermediário. Desde então, esses animais passaram a ser domesticados

CONHEÇA QUAIS FORAM AS PRÁTICAS QUE AUXILIARAM O PROGRESSO E A ASCENSÃO DA CIVILIZAÇÃO DO EGITO ANTIGO

A s atividades de agricultura, da criação animal, da mineração, do artesanato e do comér- cio de mercadorias foram fundamentais para o progresso do povo egípcio antigo. A partir de agora, você tomará conhecimento de forma detalhada de como eram realizadas tais práticas e de que maneira elas impulsionaram uma civilização que passou até a cha- mar a atenção das outras nações por ter atingido a prosperidade econômica.

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AGRICULTURA

A agricultura foi a primeira e princi-

pal atividade econômica desenvolvida pelos egípcios. Os primeiros produtos cultivados foram a cevada e o trigo. Na Era Faraônica, o grande rei era o detentor de todas as terras do Egito, a população poderia cultivá-las, desde que pagasse impostos para o faraó. Tal pagamento era feito na forma de sacas de cereais, as quais eram esto- cadas nos armazéns reais. Na prática da agricultura eram uti- lizadas ferramentas como foices, en- xadas e pás. O gado era utilizado para arar a terra, para depois as sementes serem espalhadas. Os egípcios costumavam ainda usar

o shaduf, objeto de madeira com um

recipiente na ponta e um contrapeso na outra, que ajudava a levar a água dos canais para os campos. Após a colheita, a cevada e o tri- go eram armazenados nos celeiros, os quais geralmente eram construídos no fundo das casas dos agricultores. O local possuía dois andares, que se ligavam por meio de uma escada, e várias en- tradas para o cereal ser despejado. No andar inferior, a retirada dos produtos era feita por portas corrediças verticais. Com o passar dos anos frutas e legu- mes como figos, uvas, tâmaras, maças, rá- banos, ervilhas e favas (planta que produz vagens grandes) também passaram a ser cultivadas, bem como o papiro, o qual era plantado nas terras pantanosas e usado na alimentação e como matéria-prima na fa- bricação de tecidos e de papel. A agricultura ocupava os egípcios por cerca de seis meses. De julho a ou- tubro ocorriam as cheias do Rio Nilo, de novembro a fevereiro, acontecia a época da semeadura e, de março a ju- nho, realizava-se a colheita. Para poder fazer a semeadura, os egípcios usavam um cesto, amarrado ao pescoço, cheio de grãos. Desta forma tinham as mãos livres para espalhar as sementes. Se a terra estivesse seca, eles usavam a alvião, que era um instrumento

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

que era um instrumento CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO Representação de egípcio lavrando o solo e,

Representação de egípcio lavrando o solo e, ao lado, pintura de parede com imagens da colheira da uva, no túmulo de Menna, o escriba (Thebas, Egipto)

de madeira com um cabo, uma placa e uma travessa para quebrar os pedaços endurecidos da terra. Na colheita era usada uma foice para cortar os caules dos produtos, os quais eram colocados em cestos e armazenados nos celeiros. Nessa época os representantes do fa- raó iam para os campos

para verificar e definir a quantidade de grãos que seria fornecida ao Estado

e a que ficaria para o sus- tento dos agricultores. Um fato interessante

é que nos meses em que

os egípcios não estavam trabalhando no campo, atuavam nos canais de irrigação, no ramo do artesanato e nas obras faraônicas, auxiliando na construção de templos, de palácios, de monu- mentos e de sepulcros.

de templos, de palácios, de monu- mentos e de sepulcros. A PROFISSÃO DO AGRIMENSOR Durante a

A PROFISSÃO DO AGRIMENSOR

Durante a prática da agricultura egípcia é que surgiram os agrimensores, profissionais responsáveis por medirem e dividirem as terras em formas geométricas como o triângulo e o retângulo, por meio da utilização de cálculos matemáticos. Tal função existe até os dias atuais, principalmente no campo da Engenharia.

Representação do Shaduf, objeto usado na agricultura egípcia para levar a água dos canais de
Representação do
Shaduf, objeto usado na
agricultura egípcia para
levar a água dos canais de
irrigação para os campos
Alvião, ferramenta
usada para quebrar
os chamados
torrões, porções de
terra endurecidas,
que atrapalhavam
a semeadura
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CAPÍTULO 6 ECONOMIA

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CAPÍTULO 6 • ECONOMIA Thinkstock Thinkstock Macaco babuíno ilustrado no Livro dos Mortos Trabalhador egípcio

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Macaco babuíno ilustrado no Livro dos Mortos
Macaco babuíno
ilustrado no
Livro dos Mortos

Trabalhador egípcio ordenhando uma vaca

Hieróglifos com imagem de leão em baixo-relevo

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CRIAÇÃO ANIMAL

Para os egípcios antigos os animais eram considera- dos como fonte primordial de companheirismo, de espiritualidade e também de sustento. Os bois, as cabras, os burros e os porcos eram grandes auxiliadores dos egípcios para o transporte de cargas. A criação bovina tinha como foco a produção de leite e o fornecimento de carne para a realeza. Foi também fonte de criação de mais um imposto cobrado pelo faraó. Quanto mais bois faziam parte de um reba- nho, maior era o imposto cobrado ao seu proprietário. No dia a dia, os bois ficavam livres para pastar e se reproduzir às margens do Rio Nilo. Os pastores tinham como missão guiá-los para que não se perdessem, cui- dar dos bezerros, além de selecionar quais seriam le- vados para engordar para mais tarde serem abatidos. Um detalhe que merece destaque é que, além de serem consumidos pela realeza, os bois e as vacas também eram sacrificados para os deuses. A carne era oferecida, primeiramente, às entidades e

depois era dividida entre os sacerdotes e os funcio- nários dos templos. Os egípcios também costumavam criar patos, gansos, pombos e galinhas. As aves eram captura- das e colocadas em um aviário, onde tinham à dis- posição água e cereais, mas eram obrigadas a comer uma massa, à base de farinha, para engordarem. As abelhas também foram domesticadas, visto que fabricavam o mel e a cera. Os guepardos e as hienas eram usados para a caça. Os cães, os gatos e os macacos foram domesticados para fazer companhia aos egípcios. Já os leões eram capturados e levados aos palácios para serem os animais de estimação dos faraós. Vale lembrar que os cavalos só passaram a fazer parte da cultura egípcia, após os hicsos tomarem o poder no Segundo Período Intermediário. Desta for- ma tais animais foram domesticados para a monta- ria e para puxar carros de combate durante as dis- putas territoriais. A pesca também foi outra atividade que contribuiu para o sustento e negócios dos egípcios, sendo que o Rio Nilo possuía grandes quantidades de peixes como a tilá- pia, a carpa e a pescada. Eram usados arpões, linhas de anzóis e grandes redes para que o peixe fosse fisgado. Um dado interessante é que no mesmo local da caça, o peixe era preparado, ele era aberto e colocado para secar ao ar livre para, em seguida, ser consumido. A caça também foi comum para o sustento dos egípcios, eram usados apenas laços e arcos. Os ani- mais preferidos eram os antílopes, os coelhos, os crocodilos e até os hipopótamos.

MINERAÇÃO

Essa prática foi bastante difundida no Egi- to Antigo, já que era um território rico em ouro, prata, minérios do chumbo, cobre e pedras semipreciosas.

O mineral bruto era recolhido pelos explo-

radores para depois ser triturado, misturado com carvão, o que podia ocorrer no chão ou em uma cova, e aquecido pelo fogo.

O sílex foi o primeiro mineral coletado

e usado para fazer ferramentas e machadi-

nhas de pedra. Ele era descascado cuidado- samente para dar forma a lâminas e pon- tas de flechas. Com o passar dos anos os egípcios observaram que se misturassem estanho ao cobre teriam o bronze, desta forma usaram a descoberta na fabricação de ferramentas e armas. Já o chumbo foi o metal mais explo- rado por essa civilização e era usado na fabricação de pequenos objetos de uso diário, tais como, utensílios de cozinha, anéis, colares, braceletes, tornozeleiras,

lastros para redes de pesca, e Kohl, pintura usada na área dos olhos.

O ouro, a prata e as pedras semipreciosas,

como a ágata, a calcita, a cornalina, a granada

e o jaspe também foram bastante explorados

no Egito e eram empregados em joias. A re- gião da Núbia e cidades como Koptos, Edfu e Kuban eram considerados os principais pontos

de extração aurífera. Em Koptos, por exemplo,

a maior parte da população era formada por

mineradores e por guardas, que eram respon- sáveis pela segurança das minas e também dos homens que transitavam com as riquezas encontradas. Nessa localidade os egípcios con- tavam com o auxílio dos nômades para encon- trarem o ouro. Já o cobre não existia em estado nativo, somente combinado com outros elementos. Era usado em agulhas e brocas e também nas trocas comerciais com outros povos. Lembrando que nessa época o comércio era feito à base do escambo. Um dado curioso é que até as belas pirâmides também foram construídas de materiais oriundos das práticas de explora- ção de minérios, pois seus grandes blocos de sustentação foram extraídos em esca- vações de pedreiras.

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

Mulher usando joias egípcias, as quais eram fabricadas das riquezas minerais encontradas no solo do Egito, entre elas, o ouro e a prata

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Faraó egípcio antigo com colar de ouro Thinkstock
Faraó egípcio
antigo com
colar de ouro
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CAPÍTULO 6 ECONOMIA

ARTESANATO

O artesanato é tido como a prática econômica

responsável por embelezar o território do Egi- to Antigo. Elaborados pelos artesãos, os arte- fatos ora pequenos ora grandes, geralmente de motivo religioso ou real, eram desenvol- vidos por meio da utilização de ferramentas como o formão, o machado, a serra, e o arco. No nordeste africano aquele que pintava, es- culpia joias, madeira, carpinava, trabalhava com ferro, criava vasos de cerâmica e tecia, era chamado de artesão. Os artesãos constituíam uma pequena clas- se e seus conhecimentos passavam de forma hereditária. Ainda criança, o egípcio aprendia a trabalhar com ferramentas de pedra, bronze e

cobre, além de dominar as regras rígidas da arte. Eram valorizados pela realeza, recebiam títulos de nobreza, terras como forma de pagamento de seus respectivos trabalhos e, alguns, tinham até covas reservadas para serem enterrados nas pirâ- mides dos faraós. Seus trabalhos eram elaborados tendo como base o barro, a pedra, a madeira e os metais. Os artistas tinham como dever conhecer todos os atributos reais e divinos, além da mi- tologia e da liturgia egípcias. Os artistas que mais se destacavam ti- nham como destino trabalhar para o faraó e para a nobreza, atuavam em oficinas urbanas que ficavam dentro dos templos sagrados e dos palácios. Quando tinham que fazer algo de longa duração, se mudavam para os po- voados mais próximos de onde seria a obra. Os profissionais considerados medianos produziam artefatos para a população local

e trabalhavam em oficinas rurais, produzindo

tecidos rústicos, artigos de couro, vasilhas uti- litárias e alimentos, como o pão e a cerveja. Havia ainda alguns artesãos que se especia- lizavam em embalsamar e decorar túmulos. Vale destacar que com o passar dos anos, mais precisamente no Império Médio, as oficinas se multiplicaram e os artistas co- meçaram a trabalhar por conta própria. Eram pagos com salários em espécie, além de receber cereais, carnes, vinhos e sal. Foi ainda nesse período que essa classe come- çou a se organizar em grupos, ou melhor, em confrarias, o que a levou a ter uma vida mais próspera financeiramente e até ser enterrada em pirâmides.

Trabalhadores egípcios confeccionando cerâmicas e soprando artefatos de vidro Thinkstock
Trabalhadores
egípcios
confeccionando
cerâmicas
e soprando
artefatos de vidro
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cerâmicas e soprando artefatos de vidro Thinkstock Uma das belas criações dos artesãos egípcios. Os vasos
Uma das belas criações dos artesãos egípcios. Os vasos de cerâmica foram exportados para todo
Uma das belas
criações dos artesãos
egípcios. Os vasos
de cerâmica foram
exportados para todo
o mundo. Destacam-
se por suas formas,
cores e desenhos
Estátua Shabti, pertencente
ao Ashmolean Museum –
Oxford, Reino Unido. Shabti é
o termo que designa um tipo
de estatueta funerária egípcia
de aspecto mumiforme
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CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO Estátua representando Anubis, deus dos mortos As moedas só passaram
CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO
Estátua
representando
Anubis, deus
dos mortos
As moedas só
passaram a fazer
parte do comércio
egípcio na Época
Baixa, antes desse
período a prática do
escambo prevalecia
Pedras de incenso
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Artesão

Fragmento de

vaso egípcio

egípcio

esculpindo

um vaso

em pedra

 

Estátua de

pedra de

escaravelho Thinkstock
escaravelho
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Estátua de Esfinge confeccionada em pedra

COMÉRCIO

Após o desenvolvimento da agricultura, foi o ramo do co-

mércio que deu continuidade ao progresso egípcio. O Rio Nilo

se transformou na principal via

para a comercialização dos pro-

dutos cultivados. A Núbia, a Pa- lestina, Biblos, a Creta e a Grécia

se tornaram grandes rotas desse

novo mercado. No início da Era Faraônica o

comércio era feito por escambo, trocava-se, por exemplo, cobre

e madeira por produtos agrí-

colas. Com o passar dos anos, mais precisamente na fase da Época Baixa, passou a ser feito pelo sistema de troca monetá- ria, no qual as sacas de grãos e o deben, um peso de cerca de 91 gramas de cobre ou prata, tiveram seus valores definidos. O faraó era o responsável por comandar as expedições comerciais externas e o Egito se tornou um exportador nato, inicialmente, de ouro, papiro, linho, trigo e artefatos feitos pe-

los artesãos, e importador de mercadorias raras e exóticas como o marfim, de per- fumes, de plumas de avestruz, de peles de leopardo, de macacos, de babuínos, de azeite e da pedra azul lápis-lazúli. Com o passar dos anos e o progresso da civiliza- ção egípcia passou a ser exportador tam- bém de armas, barcos, cerâmica, tijolos, tecidos, objetos de vidro, couro e metais. Uma das viagens, que marcou a histó- ria do Egito Antigo em relação ao comér- cio, foi comandada pela faraó Hatshepsut, em Punt, atual Somália. A rainha ordenou que trouxessem árvores de incenso e mirra para que fossem plantadas em solo egíp- cio, o que fez com que o país ganhasse bas- tante dinheiro anos depois, pois se tornou também exportador dessas especiarias. Vale mencionar que a prática do co- mércio interno egípcio ocorria entre o Alto e o Baixo Egito, no início da Era Faraônica, por meio do escambo e de embarcações que transportavam ce- reais e produtos artesanais pelo Rio Nilo. Por volta de 2000 a.C. a prática da tecelagem, da fiação e da confecção de sandálias de folhas de papiro, bem como da confecção de joias feitas de ouro auxiliaram o desenvolvimento do comércio interno.

37

CAPÍTULO 7 LÍNGUA E ESCRITA

A COMUNICAÇÃO NO

EGITO ANTIGO

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Detalhes do Livro dos Mortos, uma coletânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações e hinos, escritos em rolos de papiro e colocados nos túmulos junto das múmias. O objetivo destes textos era ajudar o morto em sua viagem para o outro mundo

APRENDA A DESVENDAR OS ENIGMÁTICOS HIERÓGLIFOS E AS PARTICULARIDADES DOS DIALETOS MAIS ANTIGOS DO MUNDO

N ão foi somente pelas construções de belas pirâmides, monumentos ou pela orga-

nização social, econômica e política que os egípcios se destacaram. A comunicação, representada pela língua e pela escrita, também foi outro campo que eles tiveram grande notoriedade, justamente por ela- borarem um sistema tão criativo, completo e, ao mesmo tempo, complexo. Veja mais detalhes.

LÍNGUA

Durante a história do Egito Antigo, que cor- responde de 3200 a.C. até 32 a.C., sua civilização falava o egípcio, idioma já extinto na contempora- neidade, mas que foi composto pela evolução de

seis dialetos, o arcaico, o antigo, o médio (clássi- co), o tardio, o demótico e o copta, os quais foram originados de línguas berberes e semíticas.

A língua egípcia arcaica era empregada antes

mesmo do período Pré-Dinástico até o Tinita e é considerada uma das mais antigas do mundo. Era representada somente por sinais e símbolos, os quais ficaram conhecidos como hieróglifos.

Já o egípcio antigo era o dialeto usado duran-

te a fase do Império Antigo. Foi falado por apro- ximadamente 500 anos e já contava com uma escrita em hieróglifos (representações de sím- bolos usadas para textos religiosos) e também hierática (representações de símbolos usados pela nobreza). Possuía 25 consoantes iguais a de outras línguas asiáticas, bem como três vogais longas e, mais três, curtas. Suas frases seguiam a ordem verbo, sujeito e objeto. Sua evolução originou o egípcio médio (clás- sico), o qual foi usado até alguns séculos depois do nascimento de Jesus Cristo. Nesse dialeto

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CAPÍTULO 7 LÍNGUA E ESCRITA

Livro com escritos do dialeto copta, o qual unia elementos gregos e demóticos. O copta
Livro com escritos do dialeto copta, o qual
unia elementos gregos e demóticos. O copta
foi o último dialeto egípcio da Era Faraônica
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surgiram os substantivos, bem como seus gêneros (feminino e masculino) e número (plural e singular). Com o passar dos anos o egípcio médio (clássico) deu lugar ao egípcio tardio, o qual mere- ce destaque pela evolução de seis vogais para nove, pela criação de artigos, adjetivos e pela mudança da estrutura das frases, que passou a seguir a ordem sujeito, verbo e objeto. A língua egípcia tardia deu origem à demótica, que surgiu du- rante a Época Baixa e foi empregada até o século V d.C. Durante o período da Dinastia Ptolomaica em que os gregos dominaram o Egito, o dialeto demótico recebeu influência da língua grega e va- garosamente foi substituído pelo copta, que foi usado até a Idade Moderna. Seu alfabeto era composto por 24 letras gregas e seis caracteres demóticos. No entanto, após a invasão dos mulçumanos no território do Egito o copta deu lugar ao árabe egípcio, que atual- mente é a língua oficial do país. Vale ressaltar que o copta ainda é falado em cultos da Igreja Ortodoxa Copta e da Igreja Católica Copta.

O QUE QUER DIZER HIERÓGLIFO? A origem da palavra hieróglifo vem do grego hierós, que
O QUE QUER DIZER
HIERÓGLIFO?
A origem da palavra hieróglifo
vem do grego hierós, que quer
dizer sagrado e de glyphein,
que significa escrita, portanto
escrita sagrada. Desta forma,
fica claro porque os escribas,
responsáveis por criar e ler os
hieróglifos, eram vistos com
tamanho prestígio e admiração.
Ilustração de menino aprendendo
a ser um escriba no Egito Antigo
40
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O DECIFRADOR DOS HIERÓGLIFOS

A complexidade dos hieróglifos

sempre chamou a atenção de centenas de estudiosos, mas somente um deles, o linguista

francês Jean-François Champollion

é que conseguiu decifrá-los.

A proeza ocorreu, em 1822, quando

Champollion, após anos de estudo,

decifrou a Pedra de Roseta, um pedaço de basalto negro, com um

mesmo texto em grego, hieróglifos

e

demótico.

O

texto, na verdade, era um decreto

promulgado em 196 a.C., na cidade de Menfis, que ordenava o culto divino a Ptolomeu V, já que o faraó havia conseguido a isenção de vários impostos durante o seu reinado.

A Pedra de Roseta foi descoberta

no Egito em agosto de 1799, por soldados do exército de Napoleão Bonaparte. O objeto pesa cerca de 760 quilos e possui 118 cm de altura, 777 cm de largura e 30 cm de espessura. Atualmente está exposto no Museu Britânico, de Londres, na Inglaterra.

Jean-François Champollion é considerado o fundador da Egiptologia, ciência que estuda a Era Faraônica, por ter sido o primeiro estudioso a conseguir traduzir hieróglifos

Representação da Pedra de Roseta e o decreto de 196 a.C. do faraó Ptolomeu V. Foi o primeiro objeto em hieróglifos a ser traduzido

da Pedra de Roseta e o decreto de 196 a.C. do faraó Ptolomeu V. Foi o

CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

ESCRITA

Os primeiros indícios dos hierógli- fos ou da escrita do Egito Antigo foram encontrados em 3200 a.C. Tais indícios, na verdade, eram desenhos de partes do corpo humano, de utensílios de trabalho, de animais, de edifícios, de barcos, de profissões e de armas. Com a evolução da civilização egípcia seus desenhos deram lugar a figuras mais simplificadas e símbolos gráficos. Tanto como a língua egípcia, a escrita do Egito Antigo também é considerada uma das mais antigas do contexto mundial. A escrita egípcia antiga é denomi- nada como pictográfica, na qual cada símbolo representava um objeto. Essa escrita era constituída de mais de sete mil sinais hieróglifos.

Ana Vasconcelos
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sete mil sinais hieróglifos. Ana Vasconcelos Shutterstock Planta de papiro, a qual é cultivada em pântanos

Planta de papiro, a qual é cultivada em pântanos e sua fibra era usada como matéria-prima do papiro, espécie de papel usado pelos escribas

DECIFRANDO OS HIERÓGLIFOS

Criatividade e imaginação realmente não fizeram fal- ta para os egípcios, quando decidiram desenvolver os hieróglifos. Um bom exemplo dessa constatação está no entendimento, ou melhor, na tradução de tais símbolos. Por exemplo, se os egípcios quisessem se referir a algo abstrato, desenhavam um rolo de pa- piro, se queriam fazer menção a alguém, ilustravam uma imagem de uma figura feminina ou masculina, com um pequeno sol. Um dado interessante é que os hieróglifos podiam

ser escritos da direita para a esquerda ou vice-versa.

A ordem dos desenhos dependia da direção dos olhos

das figuras humanas ou dos pássaros representados. Vale destacar que, a partir dos hieróglifos, os egípcios desenvolveram três complexos sistemas,

o hieroglífico, o hierático e o demótico. No sistema

hieroglífico, usavam símbolos e sinais para designar temas religiosos, os quais eram impressos em escri- turas sagradas e em túmulos e templos; no hierático

a escrita ganhou formato cursivo e era usada para

fins comerciais, seus símbolos eram mais simples e bastante semelhantes a abreviaturas dos símbolos usados no sistema hieroglífico; no demótico usava- -se também a escrita cursiva, mas muito mais sim- plificada do que a empregada no sistema hierático e

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CAPÍTULO 7 LÍNGUA E ESCRITA

seus temas se referiam a fatos popula- res e simples do cotidiano. Todos os hieróglifos desenvolvi- dos pelos egípcios antigos eram dese- nhados pelos escribas, os únicos que dominavam a leitura e a escrita dos

hieróglifos. Por ser bastante complexa,

a alfabetização fez com que a escrita

egípcia fosse apenas um privilégio da elite, a qual era composta pelo faraó, pela nobreza, pelos sacerdotes e pelos chefes militares. Para dar início ao trabalho, que costumava levar dias para ser finaliza- do, os escribas contavam com pincéis,

paletas, tinteiros e um pilão no papiro, um papel elaborado da fibra da planta papiro, que era cultivada em pântanos. Eles esmagavam os pigmentos no pi- lão e, depois, transferiam a tinta para

o tinteiro, o qual possuía uma cavidade

para a tinta vermelha, usada para títu- los e dar destaque em passagens espe- cíficas e outra para a preta, empregada no corpo dos textos. Antes de serem usados, os pincéis eram colocados em uma bolsa de couro com água para que ficassem umedecidos. Para poder criar os hieróglifos, os escribas estudavam em uma escola pa- laciana, a qual era mantida pelo poder real. Os que mais se destacavam, pas- savam a trabalhar para o faraó. Entre suas funções estava contabilizar os im- postos, contar os servos do reino, fisca- lizar as ações públicas e avaliar o valor das propriedades. O trabalho dos escri- bas era pago por meio do recebimento de frutas, pão, trigo, carne, gordura, sal ou como prestação de outros serviços. Um fato que merece destaque é que a seriedade na criação de hieró- glifos era tamanha que os escribas acreditavam que suas paletas tinham poderes espirituais e, quando faleciam, eram enterrados junto a elas. Outro tema que explica o valor divi- no dado à escrita é que ela era associa- da à deusa Seshat, a qual era represen- tada por uma mulher com um vestido de pele de pantera, com uma estrela de sete pontas e um arco sobre a sua ca-

beça, além de uma pena de escrever em uma mão e, na

outra, um tinteiro de escriba. Era conhecida como “Aquela que ocupa o primeiro lugar

na Casa dos Livros”.

Graças à escrita dos hie- róglifos e dos seus desen- volvedores, os escribas, é que a administração da Era

Faraônica pode ser conside- rada como um exemplo de controle, e de organização

o que, consequentemente,

levou o Egito a progredir e a atingir a prosperidade em todos os quesitos. A impor- tância dos hieróglifos tam- bém pode ser plausível na atualidade, visto que sem eles os estudiosos jamais conseguiriam conhecer com riqueza de detalhes a estru- tura do Egito Antigo, bem como era a sua civilização, suas crenças e rituais reli- giosos, sua organização so- cial, política e econômica, responsáveis por traçarem uma história para lá de in- trigante.

por traçarem uma história para lá de in- trigante. Hieróglifos com a representação do faraó, de

Hieróglifos com a representação do faraó, de animais e de diversos sinais. Durante a Era Faraônica foram criados mais de sete mil sinais hieróglifos

Os hieróglifos eram comuns nas colunas e nas paredes dos templos sagrados e dos palácios dos faraós

nas paredes dos templos sagrados e dos palácios dos faraós LITERATURA EGÍPCIA Os textos literários do

LITERATURA EGÍPCIA

Os textos literários do Egito Antigo seguiam o sis- tema da escrita hierática e demótica e podem ser classificados em quatro gêneros. Havia as produções fúnebres com os relatos dos rituais sagrados como as famosas obras o “Texto das Pirâmides” e os “Livros dos Mortos”, uma coleção de textos religiosos deixa- dos nos túmulos, que mencionavam como o morto deveria se comportar para agradar ao deus Osíris e enfrentar os perigos da vida eterna; as de instrução, que eram diálogos entre mestres e pupilos sobre a importância da transferência de valores sociais e morais; os contos, que eram narrativas de aventuras como a “A sátira das profissões”, que criticavam os incômodos existentes em cada tipo de trabalho; e os hinos, os quais eram poemas de caráter religioso e enaltecedores dos deuses e dos faraós.

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Shutterstock Shutterstock CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO A HERANÇA DA ESCRITA EGÍPCIA ANTIGA O sistema para
Shutterstock Shutterstock CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO A HERANÇA DA ESCRITA EGÍPCIA ANTIGA O sistema para

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CONHEÇA A HISTÓRIA • EGITO

A HERANÇA DA ESCRITA EGÍPCIA ANTIGA

O sistema para lá de intrigante que compunha os hieróglifos foi fonte de inspiração para o mundo em diversos quesitos. Um bom exemplo é que o alfabeto fonético dos fenícios, povo de origem semita, que vivia na Fenícia, região que hoje em dia é o Líbano, é baseado nos hieróglifos egípcios. Eles eram bons comerciantes e navegadores, mas precisavam da escrita para organizarem e registrarem suas mercadorias, sendo assim encontraram nos hieróglifos uma forma de constituir seu próprio alfabeto e, assim, o fizeram. Os hieróglifos foram os responsáveis também pelo surgimento de uma nova ciência, a Egiptologia, uma área da arqueologia que estuda textos, artefatos e a arquitetura da Era Faraônica. Vale lembrar que graças aos papiros, umas das provas físicas da existência dos hieróglifos, o mundo pôde obter conhecimento em diversos campos como no da matemática, da medicina e da astronomia. Veja abaixo os papiros que foram denominados pelos sobrenomes de seus descobridores e trouxeram grandes avanços para a sociedade.

ÁREA DA MATEMÁTICA

• Papiro de Rhind: descreve a solução de 80 problemas de aritmética, frações, cálculo de áreas, volumes, progressões, repartições proporcionais, regra de três simples, equações lineares, trigonometria básica e geometria.

• Papiro de Moscou: soluciona 25 problemas matemáticos grafados com escrita hierática.

ÁREA DA MEDICINA

• Papiro Londres: descrição de rituais mágicos para curar as doenças dos olhos e das mulheres;

• Papiro Kahoun: relatos de doenças ginecológicas e obstétricas;

• Papiro Cheaster Beatty: descrição das doenças

e dos tratamentos de enfermidades do ânus.

• Papiro Smith: detalhamento de práticas cirúrgicas ortopédicas, o que incluía lesões cranianas até fraturas de coluna vertebral.

ÁREA DA ASTRONOMIA

• Papiro de Carlsberg I: descrição astronômica da estrela Sirius, considerada a calibradora do céu

pelo seu brilho e a representação do Deus Osíris (entidade da vida após a morte) na mitologia egípcia. A observação do momento que a estrela Sirius se tornava visível no horizonte, fez com que os egípcios criassem um calendário com 12 meses de 30 dias cada e cinco dias especiais para homenagear os deuses Horus, Seth, Ísis e Osíris. Algo bem semelhante ao calendário que

o mundo contemporâneo segue.

semelhante ao calendário que o mundo contemporâneo segue. Alfabeto fenício, criado a partir dos hieróglifos egípcios
semelhante ao calendário que o mundo contemporâneo segue. Alfabeto fenício, criado a partir dos hieróglifos egípcios

Alfabeto fenício, criado a partir dos hieróglifos egípcios

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CAPÍTULO 8

CAPÍTULO 8 Tumba faraônica. Os túmulos dos grandes reis são considerados as maiores representações artísticas da

Tumba faraônica. Os túmulos dos grandes reis são considerados as maiores representações artísticas da civilização egípcia antiga, por reunirem normas estéticas detalhadas

as maiores representações artísticas da civilização egípcia antiga, por reunirem normas estéticas detalhadas

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CONHEÇA AS NORMAS ESTÉTICAS CRIADAS PELOS ARTISTAS QUE HABITARAM AS MARGENS DO RIO NILO NA ANTIGUIDADE

A arte é um dos campos que me- rece destaque quando o tema

a ser tratado é a história do Egito Antigo. Voltada para a religião, a arte egípcia pode ser considerada como um belo espelho do cenário vivenciado pela civilização, que povoou o nordeste africano de 3200 a.C. a 32 a.C.

No entanto, para que você possa compreender melhor as características da arte egípcia, é necessário relembrar que o Egito, por aproximadamente três mil anos, foi uma monarquia teocráti- ca, em que o administrador geral, no caso o faraó, detinha o poder absoluto do território e também era considera- do uma divindade. Desta forma, a arte nesse período tinha o intuito de servir ao grande rei, à nobreza e, claro, aos sacerdotes. Seus respectivos túmulos, ou melhor, as belas pirâmides, podem ser tidas como a maior representação das manifestações artísticas egípcias, visto que eram os locais onde a figu- ra faraônica, seus grandes feitos, seus respectivos familiares, a crença da vida após a morte e, consequentemente, os deuses da mitologia egípcia eram enal- tecidos e homenageados pelos artistas. Tais criações eram acompanhadas de textos feitos em escrita hieroglífica.

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CAPÍTULO 8

O povo egípcio se tornou conhecido no

contexto mundial por representar os acontecimentos por meio de símbolos, os denominados hieróglifos. No campo da arte não foi diferente, a simbologia também estava presente na maneira que os artistas definiram seus padrões para poderem criar. Eles tinham como intuito desenvolver trabalhos estrutu- rados, nos quais a simplicidade e a ob- jetividade de informações pudessem ser claramente identificadas pelo seu observador. Sendo assim, o primeiro ponto a ser trabalho foi o emprego de padrões de harmonia e de equilíbrio nas obras, justamente para que a cren- ça da existência da vida após a morte, tão venerada por essa sociedade, pu- desse ser representada sem distúrbios. Os traços dos trabalhos eram sem-

E quando o tema são as cores na arte do Egito Antigo, há um ponto bastante interessante. Elas não eram apenas empregadas para colorir, a utilização de cada tonalidade envolvia simbologias. A cor preta (kem), por exemplo, que era composta do carvão de madeira ou de pirolusite (óxido de manganês do deserto do Sinai), repre- sentava a noite, a morte ou até mesmo a fertilidade e a regeneração. Nas pin- turas sobre as cheias do Rio Nilo, o uso

Antiga arte egípcia pre feitos em linhas simples, retilíneas e o colorido sempre estava evidente,
Antiga arte
egípcia
pre feitos em linhas simples, retilíneas e
o colorido sempre estava evidente, mas
de maneira uniforme, exatamente para
proporcionar a sensação de clareza.
Representação do
faraó Tutankamon.
A cor amarela, assim
como o ouro, sempre
era empregada nas
imagens dos grandes
reis, pois remetiam
à eternidade
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dos grandes reis, pois remetiam à eternidade Thinkstock Antiga arte egípcia Thinkstock da cor preta era
Antiga arte egípcia Thinkstock
Antiga arte egípcia
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da cor preta era bastante comum, já que as inundações acabavam por fer- tilizar o solo e, por causa desse fato, os egípcios denominaram as terras que fi- cavam às margens do Nilo de Khemet, que quer dizer “A Negra”. Já a cor branca (hedj), feita da cal ou do gesso, representava a pureza e a verdade. Era utilizada para colorir as roupas dos sacerdotes, os objetos dos rituais fúnebres, os palácios, as casas, as flores e os templos sagrados. O vermelho (decher), que era fabri- cado de ocre, uma argila de óxido de ferro, era usado tanto para represen- tar a energia, o poder e a sexualidade, quanto o Deus Seth (divindade da vio- lência e da traição), e o deserto, local que os egípcios viam com maus olhos, por não gerar sustento para eles.

lência e da traição), e o deserto, local que os egípcios viam com maus olhos, por

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Ankh. Conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna

A cor amarela (ketj), também feita do ocre, era empregada para designar a

eternidade, o que explica o fato de todas as estátuas dos deuses e dos faraós serem de ouro, bem como os obje- tos usados nos rituais fúne- bres dos grandes reis.

A tonalidade verde era

obtida do mineral malaqui-

ta e era aplicada nas obras

quando se queria represen- tar a regeneração.

E, por último, o azul, fa-

bricado do carbonato de co- bre ou do óxido de cobalto, o qual era usado para sim- bolizar o Rio Nilo ou o céu. Além dos padrões de

estilo, das cores, a questão da angularidade, empre- gada nas manifestações artísticas também merece ser ressaltada. Os traba- lhos dos egípcios permitiam

a frontalidade, que era a

visualização por parte de seu observador, apenas de

frente, de perfil e de cima. Os seres humanos eram criados com destaque para os seus olhos, ombros e peito, se vistos de frente. No caso de serem observados de perfil, chamavam a atenção pela região da cabeça e das pernas. Tais características demostram uma arte sólida e robusta, visão que os artistas da época tinham sobre a re-

presentação da eternidade. Vale destacar que no início da Era Faraônica os artistas eram vistos como integrantes de um grupo anônimo, que tinham como tarefa ser simples executores da vontade divina. Com o passar dos anos, essa visão foi modifi- cada, eles ganharam mais notorieda- de, autonomia e passaram a ser enal- tecidos e admirados pela sociedade. No entanto, as limitações das normas estéticas impostas nesse período e as exigências funcionais das obras, nun- ca permitiram que eles se aprimoras- sem tecnicamente, desenvolvessem um estilo autoral, ou mesmo que pu- dessem dar asas à imaginação e criar,

por exemplo, obras que pudessem ser admiradas e observadas de diversos ângulos e de diferentes formas.

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observadas de diversos ângulos e de diferentes formas. »» A IMPORTÂNCIA NA ARTE EGÍPCIA A posição

A IMPORTÂNCIA NA ARTE EGÍPCIA

A posição de destaque que os faraós ocupavam nas obras do Egito Antigo demonstra que existia uma hierarquia social respeitada pelos artistas. Nessa imagem esse fato é comprovado, já que as demais camadas sociais estão representadas em uma proporção bem menor do que a figura do grande rei.

já que as demais camadas sociais estão representadas em uma proporção bem menor do que a

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já que as demais camadas sociais estão representadas em uma proporção bem menor do que a

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CAPÍTULO 8

O período Pré-Dinástico, Dinástico e da

Tinita marcaram também o início do de- senvolvimento das criações artísticas no

Egito Antigo. As primeiras obras encontra- das eram feitas em metais, mais especi- ficamente no ouro e no cobre. Os setores

da tecelagem e da produção de vasos de

cerâmica também começaram a se desen- volver. Já neste período pode-se observar estátuas do rei Menés, o primeiro faraó do Egito, em um tamanho muito maior do que os demais objetos representados, o que demonstra a importância da hierarquia social nesse campo e a questão do fronta- lidade, que permitia que o observador só apreciasse a obra de frente, de perfil ou de cima, característica primordial da arte egípcia que permaneceu até 32 a.C. Na fase do Império Antigo a arte arqui- tetônica se sobressaiu, pois foram constru- ídas as mastabas, os primeiros túmulos dos faraós em formato quadrangular ou pira- midal. Nesse mesmo período, as mastabas deram lugar às belas pirâmides, feitas de madeira e pedras calcária, as quais, além de abrigarem os túmulos dos faraós, pos- suíam câmaras com imagens e riquezas. No Império Antigo é perceptível também a preocupação em manter a harmonia e o equilíbrio dos padrões nas manifestações artísticas. Outro aspecto do campo da arte desse período são as pinturas, que se des- tacaram por representar a vida egípcia, como as caçadas, as pescas, o cultivo da

terra e os animais característicos da região. No Primeiro Período Intermediário, de- vido ao fato do Egito passar por uma fase

de

grande confusão em sua administração,

as

criações artísticas diminuíram drastica-

mente e muitos túmulos foram até saque- ados e destruídos pela população. Já no Império Médio as construções das estonteantes pirâmides foram retomadas,

mas o material utilizado foi de baixa qua- lidade, visto que atualmente só restaram ruínas desses monumentos. Nesse período

os artistas começaram a utilizar o granito

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para fazer esculturas e a pe- dra Lápis Lazúli na fabrica- ção de joias, amuletos e até em escritos nas paredes dos túmulos dos grandes reis. A próxima fase, o Segun- do Período Intermediário, foi marcado novamente pelo declínio no campo das artes. Em compensação, no Império Novo e no Terceiro Período Intermediário, as construções das pirâmides voltaram a todo vapor, bem como de grandes edifícios. As esculturas passaram a ter menos formas geométricas, um ar de seriedade e ganha- ram características mais le- ves e caricaturais. A literatu-

dos padrões artísticos, quanto à harmo- nia e equilíbrio, mas notou-se também uma certa influência helenística, que tinha como foco a representação da anatomia e a expressão emocional hu- mana nas esculturas e nas pinturas. No último período da Era Faraôni- ca, no Domínio Romano, com a toma- da do poder do Egito pelos romanos, os artistas passaram a retratar e enal- tecer os imperadores em estátuas e esculturas de mármore branco, como antes faziam com os faraós. Foi uma fase de grande produção de artefa- tos de cerâmica e da tecelagem. Mas, com o avanço do cristianismo, a cul- tura e as tradições egípcias entraram em decadência e as construções de pi- râmides e os templos sagrados deram lugar às igrejas.

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ra destacou-se pelos relatos de fábulas, épicos de guerra e pelas poesias românticas. Os trabalhos feitos a partir do metal também tiveram notoriedade nessa fase. Na Época Baixa, as no- vas construções foram ins- piradas nas do Império An- tigo e as pedras passaram a ser polidas, o que garantiu mais beleza, por exemplo, às esculturas. Já na Dinastia Ptolomai- ca, quando ocorreu o domí- nio grego no território egíp- cio, foi mantido grande parte

Da esquerda para a direita: representação de um sarcófago, pinturas egípcias sobre pedra, pinturas egípcias antigas em placa de pedra e pinturas de hieróglifos em parede

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O PODER DA PEDRA LÁPIS LAZÚLI

Pedra Lápis Lazúli polida. Bastante apreciada pelos egípcios antigos por ser considerada fonte de proteção, ela foi matéria--prima de joias, amuletos e até maquiagem para as mulheres

de joias, amuletos e até maquiagem para as mulheres Thinkstock Thinkstock • 49 Vasos canópicos ou
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e até maquiagem para as mulheres Thinkstock Thinkstock • 49 Vasos canópicos ou canopos eram recipientes

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Vasos canópicos ou canopos eram recipientes utilizados no Antigo Egipto para armazenar órgãos retirados do morto durante o processo de mumificação

Ilustração de antigos egípcios utilizando máquinas rudimentares para transportar as pesadas pedras para construção das pirâmides

de antigos egípcios utilizando máquinas rudimentares para transportar as pesadas pedras para construção das pirâmides

CAPÍTULO 9

CAPÍTULO 9 ENTENDA COMO O MAIOR RIO DO MUNDO CONTRIBUIU PARA O PROGRESSO DO EGITO ANTIGO
ENTENDA COMO O MAIOR RIO DO MUNDO CONTRIBUIU PARA O PROGRESSO DO EGITO ANTIGO T
ENTENDA COMO O MAIOR RIO
DO MUNDO CONTRIBUIU PARA O
PROGRESSO DO EGITO ANTIGO
T alvez não seria possível discorrer sobre a trajetória de desenvolvimento da civilização egíp-
cia antiga se o Rio Nilo não existisse, pois foi devido a ele que o povo que habitou suas
margens, no período da Antiguidade, conseguiu matar a sede e sobreviver por meio da
pesca, bem como cultivar a agricultura e realizar o comércio de mercadorias. Então, que tal
agora conhecer as particularidades e as curiosidades do maior rio do mundo?
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Navios luxuosos atracando no porto de Kom Ombro para que os turistas visitem o templo do faraó Sobek. Apesar de serem a principal fonte de renda para o turismo do país, os navios poluem a cada dia o Nilo, por despejarem resíduos diretamente em suas águas

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Thinkstock Dan Breckwoldt/ Shutterstock Detalhe do Rio Amazonas O rio Nilo, denominado de Iteru pelos egípcios,

Detalhe do Rio Amazonas

Dan Breckwoldt/ Shutterstock Detalhe do Rio Amazonas O rio Nilo, denominado de Iteru pelos egípcios, que

O rio Nilo, denominado de Iteru pelos

egípcios, que significa “O grande rio”, localiza-se no continente africano. Sua

nascente é no lago Vitória, na parte central da África e se estende até a re- gião nordeste. Nessa trajetória recebe as águas do Nilo Branco, Nilo Azul e do rio Atbara. Passa por nações como Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia, República Democrática do Congo, Bu- rundi, Sudão, Etiópia e Egito, quando desemboca no mar Mediterrâneo, lan- çando cerca de 2700 metros cúbicos de água por segundo. Desde a Antiguidade o Rio Nilo se tornou um grande facilitador do de- senvolvimento do povo do Egito, que havia se deslocado da região dos de- sertos para habitar as suas margens. Lá encontraram água abundante e a pesca para sobreviverem. No entanto,

a

época das chuvas, que ia de junho

a

setembro, pegou-os desprevenidos

e

as inundações do Nilo destruíram

muitos povoados. Mas, como a inteli- gência dos egípcios era algo nato, eles observaram que quando a água abai-

xava, entre os meses de outubro e no- vembro, o solo fabricava o fertilizante natural humo, o que era perfeito para

a prática da agricultura. Desta forma, colocaram as mãos na massa e cons-

Imagem de vendedores de tecidos no Nilo. O comércio de mercadorias pelo rio, como na Antiguidade, ainda é uma das práticas feitas pelos egípcios nos dias atuais

RIO NILO NA ATUALIDADE

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CAPÍTULO 9

truíram açudes e canais de irrigação, os quais eram feitos de pedra, fica- vam perto
truíram açudes e canais de irrigação,
os quais eram feitos de pedra, fica-
vam perto da margem, tinham ligação
direta com o rio, além de possuírem
marcações nas paredes para que os
egípcios conseguissem prever, com
certa tranquilidade, a subida do Nilo.
Tais obras promoveram o início do
cultivo da terra, atividade que permi-
tiu que essa civilização progredisse
consideravelmente. Com alimentos
em abundância, o próximo passo da
civilização egípcia foi contar nova-
mente com o Nilo, mas desta vez,
azul, segurando talos de papiros e flo-
res de lótus, que eram o símbolo dos
Baixo e do Alto Egito. Com o passar dos
anos, divindades como Osíris, Deus da
vegetação e da vida após a morte, e
Sobek, Deus Crocodilo, foram também
foram associados ao Rio Nilo.
CURIOSIDADE
para fazer o transporte de mercadorias
para o comércio e, claro, de pessoas,
e
assim, o rio auxiliou novamente o
desenvolvimento de mais um ramo da
economia egípcia antiga, tornando-se
uma avenida fluvial.
Vale destacar que por ter auxilia-
do significativamente o progresso dos
egípcios, as águas do Rio Nilo eram
consideradas sagradas. Tanto é que
criaram o Deus Hapi, denominado
como a entidade das águas do Nilo e
responsável por manter o controle,
bem como por fornecer todo o alimen-
Terras agrícolas
ao redor do
Rio Nilo na
atualidade
to
que provinha do rio. A figura de Hapi
é representada por um homem de pele
Imagem do
Nilo, o maior rio
do mundo, na
passagem por
Juba, a capital
do Sudão do Sul
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Imagem do Nilo, o maior rio do mundo, na passagem por Juba, a capital do Sudão

Papiro ilustrando o faraó navegando pelo Rio Nilo repleto de peixes Ilustração do navio real
Papiro ilustrando o faraó navegando pelo
Rio Nilo repleto de peixes
Ilustração do
navio real do
Rei Quéops
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POLUIÇÃO DA AVENIDA FLUVIAL

CAPÍTULO 10 POR 31 DINASTIAS OS GRANDES REIS GOVERNARAM O EGITO ANTIGO E TORNARAM SUA
CAPÍTULO 10 POR 31 DINASTIAS OS GRANDES REIS GOVERNARAM O EGITO ANTIGO E TORNARAM SUA
CAPÍTULO 10
POR 31 DINASTIAS OS
GRANDES REIS GOVERNARAM
O EGITO ANTIGO E
TORNARAM SUA HISTÓRIA
MAIS DO QUE INESQUECÍVEL
E INTRIGANTE
N ão há como pensar sobre a história do Egito Antigo, sem
vir na mente a imagem da figura do faraó, autoridade
máxima e considerada uma divindade na terra. O território
egípcio foi governado por 65 faraós por cerca de três mil
anos e teve 31 dinastias, que podem ser descritas como
a sequência de governantes de uma mesma família. O
poder era hereditário, portanto passava de pai para filho.
O faraó era o administrador absoluto
de uma monarquia teocrática, ou seja,
possuía o poder total, no que dizia
respeito ao cotidiano político, econô-
mico, religioso e militar da sua nação,
além de ser considerado a represen-
tação do Deus Osíris (entidade da ve-
getação e da vida após a morte) na
terra, atuava como um intermediador
entre o divino e a população egípcia.
Seu corpo também era considerado
divino, pois acreditava-se que seu
sangue era oriundo do Deus Hórus,
entidade dos céus que, na mitologia
egípcia teria administrado o Egito por
muito tempo, e quando estabeleceu o
primeiro governo humano, elegeu o
faraó como seu representante direto.
O grande rei tinha um cotidiano re-
pleto de regalias, entre elas, banquetes,
roupas finas e várias mulheres à sua dis-
posição, bem como servos e escravos.
Logo de manhã, ele acordava e ba-
nhava-se com água do rio Nilo e óleos
perfumados. Em seguida, era vestido
com o auxílio dos servos, mas sem que
eles tocassem na sua pele, pois eram
considerados seres impuros.
Antes do almoço recebia visitas,
julgava causas e toma-
va decisões, que po-
diam ser por conta pró-
pria ou com o auxílio de
seus conselheiros, como
os
escribas, os generais
do
exército, o vizir (pri-
meiro-ministro) ou os
sacerdotes. À tarde cos-
tumava ir a construções
e
percorrer as áreas
agrícolas do Egito. Antes
do
pôr do sol voltava ao
palácio para oferecer
flores aos deuses.
O faraó participava
ainda de muitas cerimô-
nias, nas quais sempre
tinha que comparecer
com peruca e coroa, ja-
mais poderia aparecer
O QUE QUER DIZER
FARAÓ?
em
público deixando seus
cabelos à mostra, o uso
da
peruca era primordial
para impor a imagem
de
respeito à sua figura.
A coroa era importante
também, pois tinha um
ureu, enfeite em forma
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Monumento de Ramsés II, na cidade de Luxor, no Egito. O faraó governou o país
Monumento de Ramsés II,
na cidade de Luxor, no Egito.
O faraó governou o país por
66 anos e sua administração
é considerada uma das mais
prósperas da história da
civilização egípcia antiga.
Ramsés II foi um dos grandes
reis que teve a oportunidade
de organizar a Festa Sed

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CAPÍTULO 10 de serpente, o qual teria o poder de protegê-lo dos inimigos. Cabia ao
CAPÍTULO 10 de serpente, o qual teria o poder de protegê-lo dos inimigos. Cabia ao
CAPÍTULO 10
de serpente, o qual teria o poder de
protegê-lo dos inimigos.
Cabia ao faraó cuidar da popu-
lação egípcia e de suas respectivas
preocupações, como, por exemplo,
viver em uma terra sem chuvas.
Sendo assim, o grande rei, que
acreditava ter poderes divinos, cos-
tumava organizar cerimônias para
garantir que as águas do rio sem-
pre fossem abundantes, a fim de
que pudessem ser usadas na agri-
cultura e para o sustento da nação.
Outra grande preocupação dos
grandes reis era construir a sua pi-
râmide, ou melhor, seu futuro tú-
mulo, onde seria venerado após a
morte, já que guardaria seu corpo
mumificado, bem como suas rique-
zas e o livro dos mortos, publicação
desenvolvida pelos escribas, com
todos os feitos do faraó durante o
seu reinado. O livro dos mortos de-
sempenhava um papel de extrema
importância para os grandes reis,
visto que eles acreditavam que o
Deus Osíris iria lê-lo, a fim de julgar
sua administração e lhe conceder
ou não a vida eterna.
Máscara de ouro faraônica. Era de
extrema importância para o faraó
usar a coroa com o ureu, imagem
da serpente, pois simbolizava
proteção. Os egípcios acreditavam
que a serpente era capaz de cuspir
fogo nos inimigos do grande rei
FESTA DE OPET
Ícone do Deus Amon, rei dos
deuses e da força criadora
da vida. A festa Opet era
realizada em sua homenagem,
pois o faraó acreditava que
organizando a celebração, teria
seus poderes divinos fortalecidos
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Após o rei Menés, o primeiro faraó do Egito, tomar

o poder do território em 3200 a.C., a população

passou a lhe pagar impostos, esses recursos fica-

vam à sua disposição e ele que decidia qual seria

melhor forma de investi-los. Grande parte desse

a e to e
a
e
to
e

valor arrecado era usado para a construção de tem- plos, palácios, monumentos e joias. Já o restante era empregado para fazer a manutenção do reino

para pagar funcionários como os escribas, os sa-

cerdotes, os vízires (primeiro-ministro do faraó) e os demais administradores. Vale destacar que as dinastias faraônicas nunca

foram longas, tirando algumas raras exceções, mas geralmente eram interrompidas por invasões estran- geiras ou por golpes de estado. O último faraó do Egi-

foi Ptolomeu XV, filho de César e de Cleópatra VII,

que governou de 44 a.C. a 30 a.C. mas, após a invasão romana, perdeu a supremacia e o poder do Estado. Um detalhe interessante é que não foram só homens que se tornaram faraós do Egito, muitas mulheres também administraram o território, por serem consideradas portadoras de sangue divino,

deixaram um grande legado, como você ficará a par no capítulo 11.

Entre as cenas mais conhecidas dessa festividade estão as do faraó Djoser correndo ao redor de seu complexo mortuário

FESTA SED

As mulheres também ocuparam a posição de faraó no Egito Antigo e governaram com o
As mulheres também
ocuparam a posição
de faraó no Egito
Antigo e governaram
com o mesmo rigor e
destreza ou até melhor
do que os homens
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CAPÍTULO 11

CONHEÇA OS DETALHES DA VIDA DOS GOVERNANTES QUE MARCARAM A ERA FARAÔNICA

O Egito Antigo foi administrado por homens que se destacaram no con- texto da história mundial por tamanha ousadia, coragem e excen-

tricidade. Nesse capítulo, mergulhe nas minúcias que fizeram parte do

cotidiano desses grandes reis.

Confira como era o cenário político e econômico da I Dinastia à Dinastia Ptolo- maica e descubra quais foram as grandes realizações e curiosidades dos famosos faraós, que enalteceram a história do território egípcio na Antiguidade.

Lago Moeris, em Fayum. Local onde o rei Menés teria sido atacado e, ao mesmo tempo, salvo por um crocodilo, fato que o que fez edificar a cidade de Crocodilópolis, às margens do lago Moeris.

Compreenderam a fase Pré-Dinástica/Di- nástica e Tinita e se desenvolveram a partir da união do
Compreenderam a fase Pré-Dinástica/Di-
nástica e Tinita e se desenvolveram a partir
da união do território do Alto com o Bai-
xo Egito. Os documentos que revelaram os
acontecimentos desse período são inscri-
ções em monumentos, templos e objetos.
Foi o primeiro grande rei do Egito Antigo,
que deu início às dinastias faraônicas.
Menés, também conhecido como
Narmer, foi o homem que uniu o Baixo
e o Alto Egito, transformando os dois
lago, mantendo-o
seguro. Grato ao ani-
mal por ter salvo a sua
vida, Menés teria erguido
a cidade de Crocodilópolis, na
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reinos em um império com amplo de- senvolvimento social, cultural e econô- mico, além de ter inserido o luxo no cotidiano da realeza. O rei Narmer mudou seu nome para Menés, palavra que quer dizer “Aquele que persevera”, logo depois que uniu a nação egípcia, justamente para mostrar ao seu povo que era um herói. Para unificar o território egípcio, Menés contou com o auxílio de um grande exército, o qual com muitas ba- talhas e vitórias permitiu que o grande rei fosse aclamado por todos. Ele ainda

construiu portos, barcos, canais fluviais e de irrigação e silos, que aprimoraram as práticas da agricultura e também permitiram o transporte de alimentos

e de pessoas pelo rio Nilo. Narmer edi-

ficou a primeira capital do Egito Antigo,

Menfis, e deu início à tradição de ado- ração a diversos deuses (politeísmo) e

à prática de sacrifícios de animais, com

o intuito de agradar as divindades. Uma lenda intrigante acompanha a história de Menés, visto que enquanto estava caçando crocodilos no lago Mo- eris, teria sido atacado por um e, para fugir, subiu nas costas de um crocodi- lo que o levou para a outra borda do

região de Fayum. Lenda ou não, a cida- de foi realmente construída por Menés

e foi considerada o principal templo de

adoração ao Deus Sobek (Deus Crocodilo). Dessa forma, a veneração por esse réptil se expandiu por todo o Egito. Os crocodi- los passaram a ser protegidos, nutridos e domesticados pelos egípcios, pois eram considerados os senhores das águas. Uma das provas da existência do primeiro faraó egípcio pode ser com- provada na Paleta de Narmer, uma peça de ardósia, com desenhos de vá- rias conquistas do faraó e da forma que tratava seus inimigos, decapitando-os ou mutilando-os, atitudes que mostra- ram que o grande rei era um verdadei- ro tirano com quem o desacatasse. Menés foi casado com Neithhotep, uma princesa do norte do Egito e fa- leceu vítima de um ataque de um hi-

popótamo, durante uma caçada. Seu corpo foi sepultado em uma tumba na região de Umm el-Qa’ab.

Crocodilo descansando às margens do rio Nilo. Foi o faraó Menés que deu início à adoração a esse réptil e que criou também o Deus Sobek para representar o animal nos rituais religiosos

Foi o segundo faraó egípcio e seu nome Djer, quer dizer “Hórus que socorre”. A existência de Djer pode ser compro- vada na Pedra de Palermo, uma ro- cha de basalto grafada com uma lista dos reis egípcios, que reinaram da era Pré-Dinástica até o Império Antigo. A rocha possui desenhos de batalhas e conquistas desse período, os quais re- velaram que Djer visitou as regiões de Buto e de Saís, no Delta do Nilo, e que travou grandes batalhas na Palestina e invadiu a Núbia. O grande rei Djer foi neto de Me- nés e de Neithhotep. Teve cinco espo- sas, entre elas, Nakhtneith, Herneith, Seshemetka, Penebui e Bsu, que fo- ram sepultadas em Abidos. Ele ainda construiu um palácio em Menfis, era médico e escreveu livros de anatomia. Também era praticante de sacrifícios de animais e de humanos para ofere- cer como agradecimento aos deuses. Sua tumba foi construída em Umm el-Qa’ab. Nela foram encontradas vá- rias tumbas subsidiárias, uma pedra

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é que o Egito Antigo, nesse período, ti- nha uma ótima relação comercial com a Palestina. A tumba de Semerkhet foi descoberta em Abidos e continha frascos de madeira, cestos feitos à mão, uma pedra de granito preto com o nome do faraó, armaduras de cobre e joias de ébano, ametista e turque- sa. Foram encontrados também barcos, o que era comum na tradição egípcia, pois quando o faraó morria, eles acreditavam que o grande rei usaria a embarcação para conseguir fazer a passagem para a vida eterna. Os restos mortais do faraó não fo- ram encontrados.

A península do Sinai, no Egito, foi umas das regiões mais castigadas pela forte seca no fim da administração do faraó Nynetjer, o que ocasionou a fome e a pobreza da população

Foi o primeiro grande rei da segunda dinastia e seu nome significa “os dois poderes estão em paz”, já que durante o seu reinado atuou bravamente para pacificar o Alto e o Baixo Egito. Os dois poderes que a tradução de seu nome se refere são dos deuses Seth e Hórus, sendo que o pri- meiro era adorado no Baixo Egito e, o segundo, no Alto Egito, antes da unificação do território. Hotepsekhemui foi sepultado em Sakara e seu túmulo possui diversas galerias escavadas na rocha, mas seu corpo nunca foi encontrado.

Panorama da cidade de Sakara, a qual foi considerada uma necrópole real egípcia durante a Antiguidade

Graças à Pedra de Palermo (rocha de basalto em que está grafada uma lista de reis egípcios da era Pré-Dinástica até o Império Antigo) há várias referências sobre o faraó Nynetjer, principalmente, em cerimônias religio- sas, em festivais e também em batalhas na Núbia. Durante seu reinado, Nynetjer, que quer dizer “divino”, tornou oficial a presença de mulheres no trono do Egito, algo que já havia acontecido na I dinastia, quando as rainhas Meritneith e Neithhotep tiveram que assumir o poder, pois seus maridos haviam falecido e seus filhos ainda eram crianças. No fim do governo de Nynetjer, a população egípcia enfrentou um período de queda da economia e de profunda seca. Dessa forma, o faraó dividiu o reino em dois territórios e os deu para dois de seus filhos ad- ministrarem, a fim de resolverem a questão emergencial da fome, que voltou a atrapalhar a vida da população egípcia. A ação do faraó deu certo e o país voltou a prosperar. O túmulo de Nynetjer está em Sakara e, quando foi descoberto con- tinha vasos de pedra com o nome do faraó, frascos de cerveja, jarros de vinho vedados, caixas de madeira e garrafas decoradas.

»»

CAPÍTULO 11

Senedj governou o Egito Antigo quando

o território já havia sido dividido em dois

reinos pelo faraó Nynetjer, o clima era de recuperação econômica e de restabeleci- mento social e cultural. Há poucas provas sobre a existência de Senedj. Uma delas é uma estátua de bronze na forma de um rei ajoelhado, que usa a coroa branca do Alto Egito e segura em suas mãos queimadores de incenso. O nome do faraó foi encontrado em um vaso no templo de Gizé, em uma porta-falsa do túmulo do sacerdote Shery, em Sakara, que deveria ter-lhe servido e também em um papiro com prescrições médicas e tera- pias para muitas doenças. Até hoje seu túmulo não foi descober- to, mas os arqueólogos acreditam que o grande rei também tenha sido sepultado em Sakara, como tantos outros faraós.

Ocorreu durante o período do Império Antigo. Pode ser re- presentada pela construção das pirâmides
Ocorreu durante o período do
Império Antigo. Pode ser re-
presentada pela construção das
pirâmides e por ser uma fase
de prosperidade econômica,
política e cultural, que durou
quinhentos anos.

O nome de Sanakht não está na lista de reis

da Pedra de Palermo, mas aparece em um fragmento de arenito na região de Wadi Maghara, no Sinai, península montanhosa e desértica do Egito, junto ao desenho de um faraó com duas coroas lutando contra um ini- migo, possivelmente, as coroas se referem ao território do Baixo e do Alto Egito. Tal de-

senho representa as atividades militares, como, por exemplo, a de explo- ração de minas, que foram destaque no reinado de Sanakht. Ele foi considerado o faraó responsável pelo restabelecimento eco- nômico e social do Egito Antigo, após o período da crise econômica. O túmulo de Sanakht nunca foi encontrado.

Península montanhosa do Sinai, local em que o faraó Sanakht liderou diversas expedições militares para
Península montanhosa do
Sinai, local em que o faraó
Sanakht liderou diversas
expedições militares para a
exploração de minas
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Djoser, que quer dizer “admirável”, foi o faraó que ordenou a constru- ção da primeira pirâmide no território egípcio, a Pirâmide de Djoser. O reinado de Djoser foi considerado bastante estável economica- mente. O grande rei era venerado pela população por sua inteligência e senso de justiça, já que conseguiu acabar com a fome que assombrava o Egito Antigo há anos. Destacou-se também por dar continuidade à exploração de minas de cobre e de turquesa na península montanho- sa e desértica do Sinai, além de ter organizado diversas batalhas, que acarretaram na conquista de mais territórios na região sul do Egito. O faraó escreveu ainda livros para os demais faraós sobre como go- vernar corretamente uma nação. Além da própria pirâmide, ordenou a construção de vários empreendimentos agrícolas e comerciais, ampliou as cidades e ergueu templos, monumentos, estátuas e estelas (pedras esculpidas), que são consideradas, atualmente, o registro histórico de sua existência e, consequentemente, de seu reinado. O grande rei foi casado com a sua irmã Hetephernebty, que deu à luz a duas meninas.

Ruínas do templo de Djoser, em Sakara. Ele foi o primeiro faraó a construir pirâmides no Egito Antigo

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Shutterstock Shutterstock Templo de Khnum, o qual foi reformado por Djoser, após o seu sonho com

Templo de Khnum, o qual foi reformado por Djoser, após o seu sonho com o Deus Khnum. Até os dias atuais a construção se destaca por ter suas estruturas bastante conservadas

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Deus Khnum, considerado a entidade do rio Nilo e o Deus da Água Shutterstock
Deus Khnum,
considerado
a entidade do
rio Nilo e o
Deus da Água
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a entidade do rio Nilo e o Deus da Água Shutterstock Huni, que significa “destruidor”, subiu

Huni, que significa “destruidor”, subiu ao poder quan- do já possuía uma idade bastante avançada. Mandou construir uma pirâmide funerária na cidade de Meidum, a 90 km ao sul de Sakara, mas faleceu antes de que ela ficasse pronta. No entanto, no decorrer do seu reinado, ordenou a edificação de várias pirâmides na ilha de Elefantina e também na cidade de Athribis. Na atualidade, o único monumento intacto sobre Huni é um busto de granito cinza, o qual foi desco- berto, em 1909, na ilha de Elefantina. Seu reinado se destacou por um ato maldoso de seus soldados, visto que quando encontravam um homem sem ar- mas, carregando um saco de farinha e levando suas sandálias nas mãos, roubavam as vestimentas e, in- clusive, as sandálias e o deixavam nu. Ao ficar a par da fama de seus soldados, Huni os proibiu de roubar as sandálias que os viajantes leva- vam nas mãos, mas não se estivessem nos pés, atitu- de que revela o caráter sádico do faraó. Dessa forma, durante o reinado de Huni as pessoas passaram a an- dar descalças, carregando as sandálias nas mãos e só as usavam quando chegavam ao seu respectivo des- tino, justamente para não serem roubadas. O sádico faraó foi casado com Meresankh I e teve dois filhos, Snefru, Nefermaat e uma filha, Hetepheres I.

Pirâmide de Hetepheres I, filha do faraó Huni, em Gizé

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CAPÍTULO 11

Compreendeu o Império Anti- go e destacou-se por ser a fase da construção das belas
Compreendeu o Império Anti-
go e destacou-se por ser a fase
da construção das belas pirâ-
mides de Gizé, e também pelo
desenvolvimento das relações
comercias do Egito Antigo com
as nações estrangeiras.

O reinado de Snefru foi marcado por

uma fase bastante próspera economi- camente e de paz no Egito Antigo. No entanto, a administração foi diferente, visto que foi dividida pelo vizir (primei- ro-ministro) e pelo faraó, eles atuavam

dirigindo gabinetes, zelando pela justi- ça, pela economia do país, bem como pelo setor da agricultura, das obras e da organização do exército. Mudança que refletiu na participação mais ativa do faraó nas ações do Estado. Snefru se destacou pela construção de vários fortes nas fronteiras do Egi-

to para evitar a invasão dos asiáticos,

bem como por enviar várias expedi- ções para dar continuidade à explora- ção das minas de cobre e de turquesa na península do Sinai, e também por aumentar o número de soldados nessa região, a fim de combater os ataques

Pirâmide Vermelha, edificada pelo faraó Snefru e a primeira a ser construída com paredes lisas e perfeitas no Egito Antigo

estrangeiros, fato que o fez ser considerado pela população egípcia com o Deus protetor das minas. O grande rei cons- truiu uma bela frota de navios para expandir as relações co- merciais do Egito e liderou ain- da uma campanha militar na Núbia, que resultou na captura de diversos saqueadores. Foi o primeiro faraó que ordenou a construção de uma pirâmide com paredes lisas, a qual foi chamada de Pirâmide Curvada, mas a obra não foi considerada perfeita, visto que ficou torta. Só que Snefru que- ria atingir a perfeição e mandou construírem outras pirâmides até ter, finalmente, realizado o seu desejo, e assim o fez, quan- do edificou a bela e estontean- te Pirâmide Vermelha, conside- rada a primeira obra perfeita erguida no Egito Antigo, com paredes lisas e ângulos cuida- dosamente calculados. Vale destacar que a partir do reinado de Snefru os pa- drões arquitetônicos das obras egípcias sofreram grandes mo- dificações e todas as demais pi- râmides passaram a ter paredes lisas e se destacar por tamanha beleza, perfeição e luxo. A pi- râmide de Hetepherés I, esposa de Snefru, é um bom exemplo, visto que possui um quarto de dormir, com uma cama com pés em forma de patas de leão e uma grande cadeira com de- coração de motivos vegetais. Hetepherés I era irmã de Snefru e o casamento deles foi selado por motivos políticos. Ela gerou Quéops, o qual foi o sucessor do grande rei. Snefru também teve outras esposas, mas seus nomes são desco- nhecidos, desses casamentos teve os filhos Ankhhaf, Nefer- maet e Kanefer.

SNEFRU E A PREVISÃO DO FUTURO

Filho de Snefru, Knufu ou Quéops (seu nome em grego) se tornou conhecido por ordenar a cons- trução da Grande Pirâmide de Gizé, a maior de to- das já construídas com 140 m de altura, a qual é considerada uma das sete maravilhas do mundo. Quéops foi tido com um faraó ambicioso, que só se preocupava em aumentar seu próprio po- der e garantir a continuidade do governo de sua família, mas foi também considerado um grande construtor, visto que ordenou a edificação de vá- rios monumentos. Seu único retrato intacto é uma estátua de marfim, que foi encontrada em um templo em ruínas. Em compensação, seu nome está gravado em vários monumentos pelo território egípcio. Ele ainda liderou várias expedições para ex- plorar minas de cobre e de turquesa no Sinai e granito vermelho no Assuão, bem como foi para Biblos (atual Líbano) para negociar ferramen- tas de cobre, armas e madeira de cedro, que usou para construir os barcos da sua pirâmide, os quais, segundo a tradição egípcia, o levariam para a vida eterna. Ele teve duas esposas Meritites I e Henutsen, quinze filhas e nove filhos. Sua tumba foi violada e seu sarcófago foi encontrado vazio.

Pirâmide de Gizé ao lado da pirâmide de Henutsen, uma das esposas do faraó Quéops. Era comum no Egito Antigo que as tumbas das esposas dos grandes reis fossem construídas ao lado da de seus maridos

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A Pirâmide de Quéops, em Gizé, tem 140 m de altura e é uma das sete maravilhas do mundo

E A ESTACA

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Khafra ou Quéfren (seu nome em grego) era filho de Khufu e se tornou conhecido por erguer a segunda maior pirâmide de Gizé, feita de pedra calcária e granito vermelho. Durante seu reinado o Egito teve poucas ações militares e os campos da cultura e da literatura se expandiram, bem como o da arquitetura, por meio da construção de belas tumbas. Quéfren teve várias esposas, uma delas foi a sua irmã Khamerernebti I, com quem teve Miquerinos, que lhe sucedeu no trono. Ele ainda teve mais onze filhos e quatro filhas. Seu corpo nunca foi encontrado em sua pirâmide. No entanto, no mesmo local foi descoberta a múmia de um dos seus filhos, bem como vários vasos de pedra grafados com o nome do faraó e algumas estátuas. Grande parte dos egiptólogos acredita que a Esfinge de Gizé tenha sido erguida a mando de Quéfrén, com o intuito de glorificá-lo e prote- ger o seu túmulo, pois os traços da face da obra são bem semelhantes aos das faces das estátuas recuperadas.

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Imagem do faraó Quéfren em uma das salas de sua pirâmide

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CAPÍTULO 11 Herdeiro de Quéfren, Menkaure ou Miquerinos (seu nome em grego) construiu a última
CAPÍTULO 11
Herdeiro de Quéfren, Menkaure ou Miquerinos (seu nome em grego)
construiu a última pirâmide do Complexo de Gizé, considerada a me-
nor e mais sofisticada por ser coberta por granito.
Miquerinos foi tido como um governador benevolente e justo, caracte-
rísticas que o fizeram ser adorado pelos egípcios. Sua administração foi bas-
tante próspera, visto que incentivava as relações diplomáticas e o comércio
exterior.Em sua pirâmide foram descobertas cerca de 200 estátuas de ardó-
sia. O faraó casou-se mais duas vezes e teve dois filhos, Khuenre, que morreu
antes do pai, e Shepseskaf e uma filha, Khentkawes.
Durante escavações em seu templo mortuário foi encontrado um
sarcófago com os restos de um corpo mumificado, o qual foi levado
para análise em Londres, mas o barco que o transportava acabou nau-
fragando na costa de Portugal e o sarcófago e a possível identidade
de Miquerinos foram perdidos.
Estátua do rosto
de Miquerinos,
o faraó que
finalizou o
Complexo de Gizé
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Ainda no Império Antigo essa fase teve um início próspero, mas no decorrer dos anos,
Ainda no Império Antigo essa fase teve
um início próspero, mas no decorrer dos
anos, marcou o fim da tranquilidade e o
início da tensão no Egito Antigo. A classe
nobre começou a contestar a supremacia
da realeza e a economia entrou em crise,
devido aos altos investimentos dos faraós
na edificação das pirâmides.

O reinado de Snefru foi marcado por uma fase bastante próspera economicamente e de paz no Egito Antigo. No entanto, a administração foi diferente, visto que foi divi- dida pelo vizir (primeiro-ministro) e pelo faraó, eles atu- avam dirigindo gabinetes, zelando pela justiça, pela eco- nomia do país, bem como pelo setor da agricultura, das obras e da organização do exército. Mudança que refletiu na participação mais ativa do faraó nas ações do Estado.

Snefru se destacou pela construção de vários fortes nas fronteiras do Egito para evitar a invasão dos asiáticos, bem como por enviar várias expedições para dar conti- nuidade à exploração das minas de cobre e de turquesa na península do Sinai, e também por aumentar o número de soldados nessa região, a fim de combater os ataques

Userkaf, que quer dizer “poderoso”, se tornou faraó quan- do já possuía idade avançada. Manteve a prosperidade econômica e o desenvolvimento do território egípcio, que tinha se iniciado no governo de Miquerinos. Sua adminis- tração foi marcada por expedições navais no mediterrâneo

e também por várias reformas e manutenções nos tem-

plos que cultuavam a deusa do amor e da alegria, Hator. Foram encontrados três fragmentos relacionados à exis-

tência de Userkaf, um busto, que foi achado no templo que

o faraó ergueu para adorar o Deus Rá, uma estátua em sua

pirâmide e um vaso grafado com seu nome, o qual foi des- coberto na ilha de Kythira, na Grécia, e que teria chegado a essa local durante as expedições navais pelo mediterrâneo. Userkaf se casou com Khentkawes, filha de Miquerinos, com quem teve dois filhos, Sahure e Neferirkaré.

Vista das ruínas da pirâmide de Userkaf, em Sakara

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Selo egípcio estampado com o rosto do faraó Userkaf, o qual teve um reinado próspero e pacífico

O SEGREDO

Tido como um faraó generoso por doar terras a vários trabalhadores, Sahure deu início a uma progressiva autono- mia para a população egípcia, que em seu reinado passou a ser proprietária de terras, algo que antes era exclusivi- dade dos grandes reis. Dessa forma os nomarcas, líderes dos povoados egíp- cios, começaram a ganhar autonomia. Sahure ampliou as atividades comer- ciais com o Oriente e preciosidades como a mirra, a malaquita e o eletro (ouro branco) e a madeira de cedro chegaram ao Egito, no entanto tais atividades só fo- ram possíveis com o forte investimento do faraó na primeira frota marinha egíp- cia. Sahure também liderou expedições para as minas de turquesa e de cobre localizadas na península montanhosa e desértica do Sinai, bem como esteve à frente de combates contra os líbios no

deserto ocidental, batalhas que resultaram na conquista

de vários animais, entre eles,

cachorros, macacos e bois. Foi também o primeiro grande rei a edificar um complexo funerário em

Abusir, região entre Guizé

e Sakara. Construiu uma

pequena pirâmide para ser seu templo funerário, mas atualmente a obra está em

ruínas, por ter sido ergui- da com material de pouca qualidade. Várias estátuas foram encontradas em sua pirâmide, a mais conhecida

é a que Sahure está senta-

do em seu trono ao lado de

um homem que seria um

deus local. Sahure foi casa- do com Neferetneby, que lhe deu dois filhos, Ranefer

e Netjerirenre.

que lhe deu dois filhos, Ranefer e Netjerirenre. Ruínas da pirâmide de Sahure. A construção é

Ruínas da pirâmide de Sahure. A construção é pequena e simples, se comparada às demais obras e feitos do faraó, que auxiliaram o desenvolvimento do Egito Antigo no aspecto econômico e militar

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CAPÍTULO 11

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Representação do Deus Rá, entidade do sol, o qual foi homenageado pelo faraó Menkauhor no templo de Akhet-Ré. Após seu reinado, os faraós deixaram de construir templos para Rá e passaram a edificar recintos sagrados para o Deus Osíris, entidade da vida após a morte

Durante o reinado de Menkauhor foram intensos os conflitos com os nomarcas, visto que eles passaram a reivindicar mais supremacia. O grande rei ordenou a construção de sua pirâmide ao norte de Sakara, obra que se destaca das demais na atualidade por não ter o topo, devido às ações sofridas pelo tempo. Em seu interior foi encontrada uma pequena estátua de alabastro, bem como al- guns selos com o nome do faraó grafado e um sarcófago vazio. Menkauhor foi o último faraó a construir templos para homena- gear o Deus Rá, entidade do sol, pois os grandes reis seguintes passaram a cultuar o Deus Osíris, divindade da vida após a morte. Menkauhor foi casado com Meresankh IV, a qual foi mãe de Raemka, Kaemtjenent e Djedkare Isesi, filho que o sucedeu no trono egípcio.

Correspondeu ao Primeiro Período Inter- mediário, o qual foi marcado pela crise política e social.
Correspondeu ao Primeiro Período Inter-
mediário, o qual foi marcado pela crise
política e social. Os nomarcas se torna-
ram proprietários de terras e primeiros-
-ministros do faraó, ou seja, passaram
a administrar o território egípcio junto
ao grande rei.
Estátua do faraó
Teti, a qual é a
confirmação da sua
existência. A obra
está exposta no
Museu Britânico,
em Londres
Teti foi casado com Kauit, Ueretimtés e Iuput, que
lhe deu uma filha e um filho, Pepi I, seu sucessor
no trono egípcio.
Foi considerado um governador pacificador e o
primeiro grande rei que deu o primeiro passo para
cultuar a deusa Hator, entidade do amor e da ale-
gria, em Dendera. Teti foi sepultado em uma pirâ-
mide em Sakara e junto ao seu túmulo havia uma
estátua, que é a prova de sua existência.
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uma pirâ- mide em Sakara e junto ao seu túmulo havia uma estátua, que é a
uma pirâ- mide em Sakara e junto ao seu túmulo havia uma estátua, que é a
uma pirâ- mide em Sakara e junto ao seu túmulo havia uma estátua, que é a
uma pirâ- mide em Sakara e junto ao seu túmulo havia uma estátua, que é a

Essa época do Primeiro Período Intermediário re- tratou a descentralização do poder das mãos do
Essa época do Primeiro
Período Intermediário re-
tratou a descentralização
do poder das mãos do fa-
raó. Houve vários reina-
dos, que duraram poucos
anos, em decorrência da
decadência do modelo
administrativo faraônico.

É considerado o rei que mais tempo

permaneceu no poder, visto que man- teve-se no trono egípcio por 94 anos. Tomou o poder aos seis anos e, antes disso, o Egito foi administrado por sua mãe, Ankhenesmeriré II, já que seu ir- mão mais velho Merenre I havia fale- cido. Pepi II teve seis esposas, Neith, Merenre II, Iput II, Ankhesenpepi III, Ankhesenpepi IV, Udjebten e dois filhos, Nebkauhor-Idu e Ptashepses. Seu reinado foi marcado pela con- tinuidade da exploração de minas de cobre e de turquesa no Sinai, pelas atividades comercias com os núbios. No entanto, o enriquecimento da nobreza, classe que passou a reivindicar auto- nomia e a invadir territórios para obter mais poder, fez com que Pepi II nomeas- se mais um vizir (primeiro-ministro) para conseguir manter a supremacia do Egito em suas mãos. Dessa forma, um tomava conta da área do Alto Egito e, o outro, supervisionava o Baixo Egito. Durante esse período, além da confusão política, o Egito foi surpreen- dido por uma grande seca, que acar- retou na fome e na pobreza da popu- lação, visto que não conseguia mais cultivar a agricultura. Apesar de toda a turbulência, Pepi

Pepi I se destacou por combater com veemência as tentativas de invasões estrangeiras na região da península do Sinai e no Delta do Nilo. Ele ainda enviou uma expedição militar para a Palestina, com o intuito de selar a paz e evitar futuros combates. Inva- diu e tomou a região da Núbia, além de ter expandido as relações comer- ciais do Egito Antigo. O faraó teve três mulheres Uereti- mtés, Ankhenesmeriré I e Ankhenes- meriré II, que lhes deram dois filhos, Merenre I e Pepi II e uma filha, Neit. Pode-se dizer que a decadência da fase áurea do Império Antigo co- meçou no reinado de Pepi I, pois os nobres de fora da corte enriquece- ram e passaram a construir pirâmi- des para serem enterrados, algo que antes era exclusividade dos faraós. Tal ação promoveu a perda da de- voção da figura do faraó por parte da população egípcia, já que qualquer pessoa ao pagar, teria direito a ser sepultada de forma sagrada.

Pirâmide de Pepi I: em seu interior, todas as paredes estão grafadas com preces religiosas e mágicas

Há poucos registros encontrados em escavações arqueológicas sobre a exis- tência de Menkare. Um deles
Há poucos registros encontrados em
escavações arqueológicas sobre a exis-
tência de Menkare. Um deles é o seu
nome na lista real de Abidos ou Tabela
de Abidos, que é um documento, ela-
borado para fins religiosos, com o nome
de setenta e seis faraós que reinaram
da primeira à décima nona dinastia do
Egito Antigo. A lista foi encontrada nas
paredes do templo do faraó Seti I da XIX
dinastia.
O nome de Menkare, que significa
“bela alma”, foi encontrado também no
túmulo da rainha Neit, em Sakara, sua
esposa e mãe de seu filho Neferkare II,
rei que, segundo a lista real de Abidos foi
II não deixou de construir sua pirâmide,
em Sakara, que, quando foi
descoberta, abrigava um
sarcófago de granito
preto vazio.
o sucessor de Menkare. Não há informa-
ções sobre o ano de início de seu reina-
do, somente quando Menkare entregou
o trono a Neferkare II em 2.171 a.C.
A exploração de minas de turquesa
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e de cobre foi um dos destaques do reinado do faraó Pepi II

Neferkamin II, que quer dizer “maravi- lhoso”, escolheu Menfis como o local para construir seu palácio e poder ad- ministrar o território egípcio. Seu nome está na lista real de Abidos e no Papiro de Turim, que também é um índice de

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o território egípcio. Seu nome está na lista real de Abidos e no Papiro de Turim,
o território egípcio. Seu nome está na lista real de Abidos e no Papiro de Turim,

CAPÍTULO 11

70

reis, só que ainda mais completo do que o documento de Abidos, pois con- tém
reis, só que ainda mais completo do
que o documento de Abidos, pois con-
tém o nome dos faraós da primeira até
trigésima dinastia do Egito Antigo.
Devido à descentralização do poder
faraônico no Egito Antigo nesse perío-
do, as administrações duravam pouco,
como no caso de Neferkamin II. Não há
indícios sobre seus feitos e nem sobre
seus casamentos, a única informação
que se tem registro é que ele foi su-
cedido por QakareIbi, que poderia ter
sido seu filho.
a
Essa fase do Primeiro Período Intermedi-
ário foi marcada pelas invasões e confli-
tos com as nações estrangeirras. Os fara-
ós passaram a disputar o poder com os
nomarcas (líderes de povoados).
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Assim como Neferkamin II, Qakarei-

bi manteve a sede de seu governo na

cidade de Menfis, mas devido à fase política e econômica conturbada que o Egito Antigo vivenciava nesse período, provavelmenteo, o faraó não exerceu o poder sobre todo o território, teve que dividi-lo com os nomarcas, líderes das ci- dades. Qakareibi é o faraó que mais se tem informações da VIII dinastia, graças ao descobrimento de sua pequena pirâ- mide e também de hieróglifos em uma parede na região de Tomas, na Núbia. Seu túmulo mortuário talvez tenha sido

o último a ser erguido em Sakara e, perten-

cia, antes de Qakareibi tornar-se faraó, a Ankhnespepi IV, uma das rainhas do fa- raó Pepi II. Quando subiu ao trono deu-se como proprietário da pirâmide, mas seu corpo nunca foi encontrado nela, somente

o seu sarcófago, feito em um enorme blo-

co de granito, o qual foi colocado em uma

câmara mortuária com o teto pintado de

estrelas e paredes repletas de hieróglifos de textos sagrados. Qakareibi construiu apenas um capela para ser cultuado após

a morte, ao lado de sua pirâmide. No

recinto foi encontrado um lavatório de pedra, uma estela (pedra esculpida), um alabastro e ferramentas de construção. Não há registros sobre os casamen- tos de Qakareibi, somente que teve um filho, Neferkara II, que o sucedeu no trono egípcio.

Kheti I reinou durante uma fase bastante complicada, pois não tinha mais o poder centralizado em suas mãos e tinha que proteger o Egito Antigo de inva- sões e saques estrangeiros que passaram a ser cons- tantes, além do fato de ter que controlar a população que organizava a todo o momento motins, devido à pobreza e à fome. O poder do Egito foi dividido. Kheti administru a região norte, que era composta pela cidade de Fayum, e um grupo de nomarcas governou o Baixo Egito, região sul, que integrava o Alto Egito e a Núbia. No fim de seu reinado Kheti I conseguiu unificar uma boa parte do poder egípcio, fato que o levou a ser admirado e venerado pela população. Ele ain- da construiu novos canais de irrigação e realizou a manutenção dos antigos, o que permitiu que a terra voltasse a ser cultivada. O faraó construiu sua pirâmide em Assuão, onde foi enterrado, sendo sucedido por seu filho Tefibi.

onde foi enterrado, sendo sucedido por seu filho Tefibi. Parede repleta de hieróglifos em um dos

Parede repleta de hieróglifos em um dos templos de Dendera, cidade dominada pelo faraó Antef I

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Os canais de irrigação foram um dos investimentos do faraó Kheti I durante o seu reinado, visto que eles auxiliariam a retomada da prática da agricultura, após um período de seca

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Shutterstock Antef I foi o primeiro representante nomarca da região sul do Egito a se tornar

Antef I foi o primeiro representante nomarca da região sul do Egito a se tornar faraó. No decorrer da sua ad- ministração travou várias batalhas contra os nomarcas da região norte. Apesar da guerra, o grande rei conse- guiu vencer os nomarcas do norte e expandiu seu domínio pelo território egípcio, por meio da conquista das ci- dades de Coptos e Dendera. Antef I construiu sua pirâmide em Tebas, local em que sua câmara mor- tuária foi erguida em cima de uma ca- pela. Não há informações sobre seus casamentos e nem se teve filhos.