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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

LEI DE BIOT-SAVART: DETERMINAÇÃO DO CAMPO MAGNÉTICO EM UMA


BOBINA CIRCULAR DE N ESPIRAS

Alunos: Clóvis Güerim Vieira

Ramon Junio Rosa

Wellington Damasceno Freitas

Professor: Fernando Eustáquio Werkhaizer

NOVEMBRO/2015
1. INTRODUÇÃO

Uma pequena distribuição linear de corrente percorre um comprimento d𝐿̅ de um fio


̅ em um ponto P que se
qualquer, essa corrente irá induzir um campo magnético d𝐻
localiza a uma distância R da distribuição. Este campo pode ser obtido através da
expressão:

𝐼 d𝐿̅ × 𝑎̅𝑟
̅= ∮
𝐻
4𝜋𝑅²

Se o fio for um anel de comprimento 𝐿 = 2𝜋𝑅 , o campo produzido no centro do


anel tem direção 𝑎̅𝑧 , então este campo pode ser dado por:
𝐼
̅=
𝐻 𝑎̅
2𝑅 𝑧

Para uma bobina de N espiras circulares de raio R, percorrida por uma corrente I, o
campo no centro do conjunto é dado por:

𝑁𝐼
̅=
𝐻 𝑎̅
2𝑅 𝑧

Para comprovar a validade desta equação, deve-se obter o campo magnético por
meio do torque produzido por este campo sobre o ímã, a ideia é simples, ao aplicar um
campo magnético forte o suficiente, o ímã tende a se alinhar de acordo com o campo
magnético, desta forma há um momento magnético M associado a esta ação e,
consequentemente, um torque ̅,
𝜏 dado pela seguinte expressão:

̅ ou 𝜏 = |𝑀| . 𝜇𝑜 |𝐻| sin(θ)


̅𝜏 = 𝑴 × 𝜇𝑜 𝐻

Desta forma, basta apenas comparar os resultados.

2. MONTAGEM E REALIZAÇÃO DA PRÁTICA

Foi montado um pêndulo de torção com um fio de aço, cuja a constante de torção
era desconhecida. Como este dado é importante para o desenvolvimento do resto da
prática, o obtivemos calculando o período de oscilação de uma haste metálica de
dimensões conhecidas. O fio passava exatamente no centro de massa desta barra, que
correspondia à metade do comprimento, pois a massa esta uniformemente distribuída
ao longo da haste, conforme é mostrado na imagem abaixo:
Haste metálica

Figura 2.1 – Pêndulo de torção (detalhe)

Para determinar o período de oscilação foi colocada uma régua ao longo de um


anteparo, e um espelho sobre a haste, de forma que quando uma luz incidisse sobre o
espelho, seria refletida na régua, assim seria possível determinar o deslocamento Δ𝑥 da
oscilação.

Figura 2.2 – Pêndulo de torção

Note que o momento de inércia de uma haste, presa sob estas condições, é bem
conhecida, é dada pela seguinte expressão:

𝑚. 𝐿²
𝐼=
12
𝐼
O período de oscilação pode ser obtido através da expressão 𝑇 = 2𝜋√ , onde
𝑘

k é a constante de torção do fio. A haste possuía 57,01 g e 0,24 m de comprimento, o


momento de inércia calculado é 2,7 × 10−4 kg.m².

O período obtido após colocar a barra para oscilar foi de 16 s então, utilizando a
expressão do período, é possível obter a constante de torção do fio. O valor obtido para
𝑚²
a constante k foi de 4,2 × 10−5 𝑘𝑔. 𝑠²

Após isso, a haste foi removida e uma bobina circular de 10, e em seguida de 20
voltas foi posicionada em frente à um imã colocado de forma perpendicular ao campo
que seria induzido pela corrente elétrica na bobina, conforme a imagem abaixo:

Bobina circular

Amperímetro

Imã

Figura 2.3 – Determinação do momento magnético de um ímã


O objetivo desta nova prática a determinar o momento magnético M do ímã,
este dado será importante na determinação do campo magnético produzido pelo ímã.
Este parâmetro pode ser obtido pela seguinte expressão:
𝑀 = 𝑘Δ𝑥⁄2𝑅𝜇𝑜 𝑁𝐼
Onde R é a distância do ímã até a régua e N o número de espiras da bobina
As medidas efetuadas podem ser observadas na tabela 2.1 abaixo:
N I (A) Δ𝑥 (m)
10 1 0,04
10 2 0,10
10 3 0,14
10 4 0,18
10 5 0,22
20 1 0,10
20 2 0,19
20 3 0,28
20 4 0,44
20 5 0,47

A partir desses dados, construiu-se os seguintes gráficos:

Gráfico Δ𝑥 (m) X I (A) para N=10


0,25
y = 0,044x + 0,004
0,2

0,15

0,1

0,05

0
0 1 2 3 4 5 6

Gráfico Δ𝑥 (m) X I (A) para N=20


0,6

0,5 y = 0,099x - 0,001

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 1 2 3 4 5 6

o coeficiente angular das retas é o valor de :


2𝑀𝑅𝜇𝑜 𝑁⁄𝑘
O valor médio de |M| é 0,083 J/T
De posse dos valores de k e M é possível calcular o campo magnético para
uma bobina circular através da seguinte expressão:
𝛥𝑥 𝑘
̅=
𝐻
𝑀𝜇𝑜
Foi feito a medição e a comparação do campo magnético obtido das duas
formas, os resultados podem ser observados na tabela 2.2 abaixo:

H H
N I(A) Δ𝑥 (m) (medido) (calculado) Erro%
10 1 0,04 5,20 1,60 30,8
10 2 0,10 10,41 4,01 38,5
10 3 0,14 15,62 5,62 35,9
10 4 0,18 20,83 7,22 34,6
10 5 0,22 26,04 8,83 33,9
20 1 0,10 10,41 4,01 38,5
20 2 0,19 20,83 7,63 36,6
20 3 0,28 31,25 11,24 35,9
20 4 0,44 41,66 17,67 42,4
20 5 0,47 52,08 18,87 36,2

3. CONCLUSÃO

Apesar de o erro percentual ser relativamente grande, deve-se considerar que o


experimento constitui-se em três partes e que, havendo erros associados as medições,
tais erros se somam. Contudo, os valores encontrados para o campo magnético nas
duas formas foram satisfatórios para demonstrar que a lei de Biot-Sarvat para uma
espira circular pode ser dado por

𝑁𝐼
̅=
𝐻 𝑎̅
2𝑅 𝑧

Sendo assim pode-se dizer que o objetivo principal da prática foi atingido.