Você está na página 1de 12

CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO

CEP ESTUDOS NA PROFECIA DE JOEL

Série Conhecendo os Profetas Menores | Rev. João Ricardo Ferreira de


França
www.centrodeestudospresbiteriano.blogspot.com

© Novembro de 2015./ PIRIPIRI – PI.


Série Conhecendo os Profetas Menores

SUMÁRIO

I – QUESTÕES INTRODUTÓRIAS ............................................................................... 3

1 - O Nome do Autor .................................................................................................... 3

2 - Data do Livro .......................................................................................................... 3

3 – O Propósito do Livro .............................................................................................. 4

II – O CONTEXTO DE JOEL ......................................................................................... 4

2.1 – O mundo Político e Religioso.............................................................................. 4

2.2 – O contexto Econômico e Ecológico nos dias de Joel .......................................... 5

III – ASPECTOS TEOLÓGICOS DA PROFECIA DE JOEL. ....................................... 6

3.1 – O dia do Senhor [Joel 1.15; 2.1,11; 3.14] ............................................................ 6

3.2 – Chamada ao Arrependimento [ Joel 2.12-17]...................................................... 7

3.3 – O Cumprimento da Promessa divina de restauração [Joel 2.18-27]................... 8

3.4 – O Papel do Espírito Santo na Profecia de Joel [Joel 2.28 a 3.1-5 – última porção
no Texto Hebraico] ....................................................................................................... 9

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 12

2
Série Conhecendo os Profetas Menores

JOEL
Pr. João Ricardo Ferreira de França*

I – QUESTÕES INTRODUTÓRIAS
1 - O Nome do Autor:

O nome deste profeta na língua original é “ ‫יוֹאל‬


֖ ֵ (yoe’l)” cujo sentido é “eu sou

Deus”1 ou “Yahweh é Deus” temos poucas informações sobre ele. Somos informados
que o nome de seu pai é “ ‫תוּאל‬
ֽ ֵ ‫( ְפּ‬pethuel)” nome que tem o sentido de “persuadido

por Deus”2 (Joel 1.1). Ele morou e profetizou para Judá (Reino do Sul). Alguns
comentaristas sugerem que ele tenha sido sacerdote ou que tinha “um vínculo oficial
com o templo”3Isto porque no seu livro há muitas referências ao “ofício Sacerdotal”4

2 - Data do Livro:

O erudito Judeu Ibn Ezra “considerava impossível saber quando foi escrita esta
obra”5 Calvino é de opinião similar ao declarar que “o tempo no qual ele [Joel]
profetizou é incerto”6 outro escritor informa que “as datas propostas para o ministério
de Joel e para a redação de seu livro variam desde o início do nono século a.C.”7 As
datas para a escrita do livro variam de 830 a.C até 325 a.C. E o período adequado para
situar a profecia é no reinado de Joás.8

*
O autor deste estudo é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia
Reformada pelo Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE.
1
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p.57.
2
Idem
3
HUBBARD, David Allan . Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, p.32
4
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p.57.
5
SCHOKEL, Luis Alonso.; DIAZ, J. L. SICRE, Profetas - Introducciones y comentario, Volume II Madrid:
Ediciones Cristiandad, 1980, p. 924
6
CALVINO, João. Joel. Tradução: Vanderson Moura da Silva, Brasília: Editora Monergismo, 2008, p.13
7
HUBBARD, David Allan . Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, p.27.
8
KAISER, JR, Walter C. O plano da promessa de Deus : teologia bíblica do Antigo e Novo Testamentos.
Tradução: Gordon Chown, A. G. Mendes, São Paulo: Vida Nova, 2011, p.167
3
Série Conhecendo os Profetas Menores

3 – O Propósito do Livro:

A terceira verdade a ser estudada é a questão “qual é a finalidade da profecia de


Joel?” resposta “advertir a nação sobre a necessidade de humildade e arrependimento,
bem como sobre a certeza do julgamento vindouro.”9

II – O CONTEXTO DE JOEL
2.1 – O mundo Político e Religioso.

Vimos no estudo sobre Oséias que Samaria / Efraim (reino do Norte) havia se
corrompido com a idolatria aos bezerros de outros10 e que Judá ainda mantinha
fidelidade na adoração a Yahweh; entretanto, Judá caiu no mesmo pecado que Samaria.
Como isso ocorreu? Existiu um rei em Judá cujo nome era Acazias considerado um
total fracasso político e religioso (2º Crônicas 22.1-2) sua mãe chamava-se Atalia que
era uma nortista (do reino do Norte) idólatra e orientara o Rei Acazias para o mal
(22.3).11 Acazias em uma aliança desesperada com o Norte decide ir à guerra contra a
Síria o cronista informa que esta era a “vontade de Deus” (2º Crônicas 22.7), mas o Rei
acabou morto e não deixou descendente para ascender ao trono. Sua mãe de modo
maquiavélico aniquilou toda extirpe real de Judá (2º Crônicas 22.10) e assim, ela
usurpou o trono de Judá (2º Crônicas 22.12).

Na matança que a mãe de Acazias havia promovido em Judá a filha do rei


Jeosabeate esposa do sacerdote Jeoiada salvou a vida de um bebê chamado Joás. (2º
Crônicas 22.11).

O golpe de estado fez com que uma nortista (do reino do norte) reinasse sobre
Judá (reino do sul), e uma situação irônica uma mulher se sentou no trono de Jerusalém,
e não era da descendência de Davi.

O reinado de Atalia durou sete anos (2º Crônicas 23.1) e o menino Joás passou a
reinar com sete anos, mas claro que ele não reinava e sim o sacerdote Jeoiada e quando
este morreu foi sepultado como um rei (2º Crônicas 24.16), mas lamentavelmente, após

9
YOUNG, Edward J. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1964, P. 220.
10
Para ter acesso a este estudo solicite uma cópia via: joaoricardoferreiradefranca@hotmail.com
11
Veja-se FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de
Janeiro: JUERP, 2009, p.58-59
4
Série Conhecendo os Profetas Menores

a morte de Jeoiada, os príncipes de Judá, já infectados pelo mal da idolatria, levaram o


rei Joás para a idolatria. (2º Crônicas 24.17,18).

Somos informados pelo redator do livro de Reis que Joás era um bom rei,
enquanto o sacerdote estava vivo, entretanto, ele não conseguira remover
completamente a idolatria da nação (2º Reis 12.1-3), mas acabou sendo assassinado
pelos seus servos (2º Reis 12.20,21). E foi um homem que não inspirou seus súditos a
tributar-lhe honra, pois não foi sepultado como rei (2º Crônicas 24.25). Lembremos que
Joás de maneira maquiavélica mandara matar Zacarias, filho do sacerdote Jeoiada, a
quem o rei devia muito do que possuía. (2º Crônicas 24.20-22).

2.2 – O contexto Econômico e Ecológico nos dias de Joel.

O reino do Sul estava enfrentando uma grande crise econômica devido a dois
grandes problemas: a seca e a praga de gafanhotos. A seca é descrita no capítulo 1.20 e
a praga dos gafanhotos apresentada no capítulo 1.4, para aquela comunidade que vivia
da agricultura e da criação de ovelhas e gados, era sinal de uma grande calamidade.

A praga de gafanhotos é bastante discutida pelos eruditos em Antigo


Testamento, isto porque parece que o capítulo 1.4 indica que foi algo incomum, diante
deste fato surgiram uma variação de interpretação para o fenômeno entre os
hermeneutas da profecia de Joel um comentarista sobre os livros proféticos aborda este
tema tecendo os seguintes comentários:

Qual é a interpretação do gafanhoto, em 2.1-11? Três interpretações são


oferecidas: (1) a interpretação alegórica – conforme esta ideia, os gafanhotos
se referem a exércitos inimigos que constantemente invadiam Judá para
despojá-lo de seus bens; (2) A interpretação apocalíptica – segundo esta, os
gafanhotos simbolizavam os exércitos terrenos que lutarão na última batalha,
como se vê em Apocalipse 9 (3) A interpretação atual ou histórica – segundo
ela, os gafanhotos foram reais, literais, Joel os viu descer numa nuvem sobre
a vegetação da terra para devorá-la. Sem dúvidas esta interpretação é a mais
12
correta e satisfatória.

Houve uma grande seca aponto da vegetação que estava seca arder em fogo (Joel
1.19-20). E o resultado disso era a grande fome reinando em Judá. (Joel 1.10-12, 17).
Entretanto, estes dois eventos calamitosos foram resultados da desobediência à Lei de
Deus; pois, Yahweh já havia pronunciado antes um juízo dessa natureza àqueles que
12
YATES, Kyle. Predicando de los Libros Proféticos. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1964,
p.276.
5
Série Conhecendo os Profetas Menores

abandonam seus mandamentos e estatutos (Deuteronômio 28.15,23-24). O pastor


Isaltino nos lembra que “a idolatria de tantos anos e que recebeu estímulos de Joás,
recebia sua paga”13

O profeta Joel via nessas ações ecológicas a ação de Deus produzindo a escassez
sobre a nação. Deus não tolera o pecado do seu povo e age contra o mal da idolatria
reinando em Judá. Isso revela-nos que Deus é Senhor de todas as esferas da existência
humana.14

III – ASPECTOS TEOLÓGICOS DA PROFECIA DE JOEL.

3.1 – O dia do Senhor [Joel 1.15; 2.1,11; 3.14]


O conceito predominante na profecia de Joel é “o dia do Senhor” a expressão
hebraica “ ‫הו֖ה‬
ָ ְ‫[ ”יוֹם־י‬Yom-Yahweh] é necessário esclarecer que aqui não se trata do dia

de adoração. Para os judeus este dia seria o dia em que Israel seria vitorioso na terra, um
dia em que haveria uma intervenção divina em seu benefício; entretanto, este não era o
sentido do uso do termo nos dias de Joel.

O conceito encerrado na expressão hebraica surge inicialmente na profecia de


Amós 5.18-20. Percebe-se que o dia do Senhor na profecia dos profetas menores tem
um aspecto escatológico significativo de julgamento divino. Mas, há profetas que usam
o termo na estrutura escatológica positiva como é o caso de Isaías no capítulo 2.1- 4
onde a expressão indica claramente uma referência aos dias do Messias; entretanto, o
dia do Senhor em Isaías assume uma tônica negativa no capítulo 13 descrevendo o juízo
divino contra a Babilônia.

Agora em Joel a expressão “o dia do Senhor” tem sempre uma evocação


negativa apontando para o juízo divino sobre o povo. Este dia, segundo a profecia de
Joel, é um dia de trevas (Joel 2.1-2). A expressão um “povo grande e poderoso” é uma
referência as nuvens de gafanhotos e a narrativa segue apresentando a marcha dos
gafanhotos devastando tudo. Um comentarista oferece uma exposição interessante deste
ponto:
13
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p.58-59
14
idem

6
Série Conhecendo os Profetas Menores

A descrição da praga segue, mas há uma mudança dramática: com imagens


poéticas vivas, o profeta compara os gafanhotos a um exército invasor. Esse
ataque é tão terrível que de alguma forma deve relacionar-se com o Dia do
Senhor (vv. 1, 11), já anunciado (1.15). O exército de gafanhotos é a linha de
frente, e a revelação plena da ira de Deus seguirá em comboio. Os gafanhotos
são reais, não figurados. Mas a própria realidade e tão surpreendente que traz
insinuações de uma realidade ainda maior: o exercício divino do juizo
15
universal.

E este juízo torna-se mais emblemático na linguagem dramática em forma


poética em relação aos elementos cósmicos descritos no capítulo 2.31, a linguagem
empregada aqui “ transmite as imagens e os odores da batalha, enquanto o Senhor faz
guerra contra Seus inimigos, deixando tropas ensangüentadas, cidades queimadas e
destroços fumegantes em Seu rastro (cf. Is 34.5-10; Ez 32.6,7; 38.22, onde a destruição
de Edom, Egito e Gogue e descrita em termos de sangue e fogo)”16.

Vale salientar que “O sol escurecido e a lua em cor de sangue fazem lembrar os
efeitos das nuvens de gafanhotos descritas em 2.10.”17, mas na passagem aqui refere-se
a um evento escatológico a cumprir-se indicando os fins dos tempos. Entretanto, deve-
se ressaltar que o sentido pretendido deve ser encarado “como descrições dramáticas de
uma batalha que provoque uma fumaça tão espessa que os próprios luzeiros celestes
fiquem obscurecidos.”18

3.2 – Chamada ao Arrependimento [ Joel 2.12-17]


A doutrina do arrependimento é evocada na profecia de Joel. Aqui nós ficamos
cientes de que “se o povo se convertesse, talvez Deus se arrependesse, diz Joel”.19
Schökel lembra-nos que “a catástrofe nacional incita a una atitude de conversão
profunda, interior, manifestada externamente na jornada de jejum e arrependimento para
suplicar a compaixão divina”.20 O texto fala de um “arrependimento de Deus” o que
isso significa? Aqui se trata de uma antropopatia (atribuir sentimentos humanos a Deus)
a palavra hebraica usada aqui para este arrependimento é “ ‫[”נִ ָ ֖חם‬naham] esta palavra
tem dois sentidos básicos: (1) “Conforto e consolo” o verbo é usado para “ser

15
HUBBARD, David Allan .Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, P, 61.
16
HUBBARD, David Allan .Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, P, 81.
17
Ibid, p.82
18
Idem.
19
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p.67.
20
SCHOKEL, Luis Alonso.; DIAZ, J. L. SICRE, Profetas - Introducciones y comentario, Volume II Madrid:
Ediciones Cristiandad, 1980, p. 927
7
Série Conhecendo os Profetas Menores

confortado na pederda” (2) “sentir muito arrepender, mudar de mente” e “em muitos
casos, a “a mudança” de opinião do Senhor é uma reação graciosa a fatores humanos” e
por outras vezes a palavra nos levar a inferir que a “mudança se deva a sentimentos de
compaixão por uma pessoa ou povo.”21 A ideia aqui é “de respirar profundamente”,
com o foco de um profundo sentimento de tristeza. E, aqui é uma promessa em resposta
a reação do povo em relação à conversão.

A chamada ao arrependimento era em tom da mais extrema urgência as


trombetas tinham que ser tocadas (Joel 2.15) e sua necessidade era dramática conforme
lemos que até as crianças de peito deveriam está presentes na convocação solene para
esta necessidade (Joel 2.16) todo o povo é chamado a arrepender-se. No verso 17 vemos
que os pastores do povo (os sacerdotes) deveriam orar e lamentar pelo pecado da Igreja
do Antigo Testamento e clamar perdão perante Yahweh. No capítulo 1.13-14 esse
clamor já fora exigido em termos dramáticos, deveria ser uma oração sincera
demonstrando genuíno arrependimento.

Na cultura hebraica os lutos e arrependimentos eram demonstrados publicamente


por meio do rasgar as vestes e no humilhar-se no pó e na cinza, entretanto, a atitude
exigida na profecia de Joel não é externa, mas interna (Joel 2.13). O vocábulo “coração”
que é usado pelo profeta nesta passagem é “‫[”ל ָבב‬lebab]
ֵ não refere-se aos sentimentos
como nós da cultura ocidentais pensamos, ela “abrange tudo o que atribuímos à cabeça
e ao cérebro: a faculdade cognoscitiva, a razão, a compreensão, o entendimento, a
consciência”22 e tudo relacionado a este campo.

3.3 – O Cumprimento da Promessa divina de restauração [Joel 2.18-27]


Quando o povo da aliança arrepende-se diante de Deus. Ele cumpre a sua
promessa de abundância prometida na porção bíblica anterior. Este cumprimento da
promessa está ligado inevitavelmente ao arrependimento do povo. O comentarista
Hubbard tece os seguintes comentários:

O versículo 18 é o ponto decisivo do livro. De 1.2 a 2.11, o tema era a


invasão de gafanhotos, com todas suas alarmantes insinuações do Dia do
Senhor. A graça, ofertada em 2.12-17, marca a transição do juízo para a
restauração. O versículo 18, a narrativa de introdução do profeta para o
discurso de salvação de Javé a partir do versículo 19, começa a delinear essa
restauração com suas implicações tanto locais quanto cósmicas, tanto
imediatas quanto futuras. Devemos presumir que, entre os versículos 17 e 18,
23
o convite e as ordens dos versículos 12 a 17 foram aceitos e obedecidos.

21
VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento,
Tradução: Afonso Teixeira Filho e outros. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011, p. 84-85.
22
WOLFF, Hans. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Loyola, 1975, p.76.
23
HUBBARD, David Allan .Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, p. 70.
8
Série Conhecendo os Profetas Menores

Esta passagem supracitada revela-nos que o povo tendo “ouvido o chamado ao


arrependimento e se convertido”24, Yahweh mudou o destino deles.Que conseqüências
reais são trazidas pelo arrependimento genuíno do povo nos dias de Joel?

a) As lavouras voltariam a produzir (Joel 2. 19)

b) A nação não seria alvo dos escárnios das nações vizinhas (Joel 2.19b)

c) Os gafanhotos seriam retirados (Joel 2.20)

d) O povo teria conhecimento de Deus ( Joel 2.27)

Isso tudo seria o resultado de um arrependimento sincero e contrito perante


Deus. Nada do que foi esboçado acima havia acontecido ao povo, entretanto, havia uma
promessa de que isso ocorreria em breve no momento em que o povo abandonasse seu
pecado.

3.4 – O Papel do Espírito Santo na Profecia de Joel [Joel 2.28 a 3.1-5 – última porção
no Texto Hebraico]
Joel desenvolve, em sua profecia, uma teologia pneumatológica significativa que
trata do derramamento universal do Espírito Santo sobre o povo do pacto. O
arrependimento demonstrado pelo povo “ensejou a restauração, um trato novo de
Iahweh com o povo” e o conteúdo deste novo pacto consiste no fato de que o “Espírito
será derramado sobre toda a carne”.25

Na pericope, que é objeto de nosso estudo neste momento, acima mencionada


temos o tema da universalidade da ação do Espírito de Deus. Isso aqui é importante,
pois, nos tempos do Antigo Testamento o Espírito divino era dado apenas uma elite bem
seleta. E o desejo de Moisés conforme expresso em Números 11.29 encontra-se, de
certo modo, manifestado aqui nesta passagem. O grande profeta do Antigo Testamento
gostaria que o Espírito Santo fosse partilhado com todo o povo do pacto, isto porque,
conforme afirmamos acima, naquele tempo apenas a elite religiosa tinha a ação do
Espírito de Deus sobre suas vidas, por exemplo:

24
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p. 71.
25
Ibid, p.74

9
Série Conhecendo os Profetas Menores

a) Os Juízes (Juízes 6.34)

b) Os Reis (1º Samuel. 10.6,10)

c) Os profetas (Isaías 61.1; Miquéias 3.8)

d) Eventualmente o Espírito vinha sobre outras pessoas como é caso de José onde o
Faraó reconheceu nele a ação do Espírito de Deus (Gênesis 41.38).

Mas, “agora cada pessoa do povo de Deus se tornará profeta, e o desejo de


Moisés será cumprido”.26 Aqui Joel salienta que Deus dará o seu “espírito a todos, sem
distinção”, quebrando as seguintes barreiras:

1. A barreira da idade (velhos e jovens);

2. A barreira social (escravos e escravas);

3. A barreira de sexo [gênero] (filhas e filhos).27

O profeta encerra a sua profecia apresentando a linguagem poética da profecia


sobre prodígios nos céus e na terra. Bem como “sangue e fogo, colunas de fumaça, o sol
convertido em trevas e a lua em sangue”.28

Estes elementos cósmicos formam o corpo da mensagem profética apontando


para o juízo sobre os rebeldes ao pacto e as nações inimigas. Devemos considerar que
“sol” e “lua” tem seus precedentes nas Escrituras como luzeiros que governam, ou seja,
que regem o mundo (Gênesis 1.14-16); no progresso da revelação estes elementos
cosmológicos são usados para representar as autoridade e governantes terrenos.

A literatura profética do Antigo Testamento está sobeja desses exemplos,


conforme vemos em Isaías 13:9-10; esta passagem trata especificamente da queda do
império Babilônico. Outra passagem das escrituras que evoca o mesmo vocabulário
poético-profético está em Amós. 8.9 quando profetiza a ruína de Samaria (Israel / reino
do Norte). E o último exemplo é o de Ezequiel 32:7-8 quando profetiza contra o Egito.
26
HUBBARD, David Allan .Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução: Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1996, p. 79.
27
STORNIOLO, Ivo; BALANCIN, Euclides Martins. Bíblia Sagrada – Edição Pastoral. São Paulo:
Paulus, 1990, p.1121 (comentário sobre Joel 3.1-5)
28
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós, Obadias e Jonas. Rio de Janeiro:
JUERP, 2009, p. 77
10
Série Conhecendo os Profetas Menores

Os eventos aqui profetizados (assombrosos - sol em trevas, lua em sague) não se


cumpriram literalmente, mas de forma poética e profética sim, porque as luzes desses
reinos se apagaram, e suas vidas foram findas em sangue.

A profecia de Joel encontra lugar de predição em cumprimento no dia de


Pentecoste no que tange a efusão do Espírito Santo (Atos 2); entretanto, as descrições
dramáticas dos elementos cósmicos (sol em trevas, lua em sangue) faz alusão a
intervenção divina para livrar Israel (no tempo de Joel) das nações inimigas; bem como
tem um elemento escatológico norteador que diz respeito ao juízo de Deus sobre Israel
que rejeitara o messias e não acolheram a redenção de Yahweh.

11
Série Conhecendo os Profetas Menores

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. CALVINO, João. Joel. Tradução: Vanderson Moura da Silva, Brasília: Editora


Monergismo, 2008.
2. FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Os Profetas Menores I – Oséias, Joel, Amós,
Obadias e Jonas. Rio de Janeiro: JUERP, 2009.
3. HUBBARD, David Allan . Joel e Amós : introdução e comentário, Tradução:
Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Edições Vida Nova, 1996.
4. KAISER, JR, Walter C. O plano da promessa de Deus : teologia bíblica do
Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Gordon Chown, A. G. Mendes, São
Paulo: Vida Nova, 2011.
5. SCHOKEL, Luis Alonso.; DIAZ, J. L. SICRE, Profetas - Introducciones y
comentario, Volume II Madrid: Ediciones Cristiandad, 1980.
6. STORNIOLO, Ivo; BALANCIN, Euclides Martins. Bíblia Sagrada – Edição
Pastoral. São Paulo: Paulus, 1990.
7. VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e
Exegese do Antigo Testamento, Tradução: Afonso Teixeira Filho e outros. São
Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
8. WOLFF, Hans. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo: Edições
Loyola, 1975.
9. YATES, Kyle. Predicando de los Libros Proféticos. El Paso: Casa Bautista de
Publicaciones, 1964.
10. YOUNG, Edward J. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova,
1964.

Informações:
Este material foi elaborado para estudos sistemáticos dos Profetas Menores
Ministrados pelo Pr. João Ricardo Ferreira de França na Escola Dominical da 1ª
Igreja Presbiteriana de Piripiri – PI. Caso o leitor deseje os estudos anteriores ou
posteriores relacionados a esta disciplina pode enviar um e-mail ao autor solicitando
E-mail: joaoricardoferreiradefranca@hotmail.com .

12