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NISTO CREMOS

A profecia
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período profético de “um tempo, dois tempos sider
e metade de um tempo” (Dn 7:25) tem sido rar a
compreendido historicamente pelos adven- Crei
tistas como um período de 1.260 anos que base
ocorreu durante a Idade Média. Antes da outr
Revolução Francesa, os pensadores cristãos
expressaram uma série de pontos de vista de quando foi ABO
o início e o fim desse período. Mas, com a ascensão de Os p
Napoleão e o exílio e cativeiro do papa pelo general francês fecia
Berthier, houve um momento raro de uma quase unanimi- maio
dade profética entre os expositores protestantes, que decla- o tem
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raram que esse período terminou em 1798 d.C. Depois disso, mili
era uma questão de voltar na linha do tempo para descobrir Dan
o ponto de início, que seria 538 d.C. (Ernest R. Sandeen, dos
The Roots of Fundamentalism, 1978). em v
No entanto, com a diminuição do choque e da clareza intit
dos eventos da década de 1790, alguns estudiosos não con- eoA
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seguiam ver um evento decisivo em 538 d.C. que correspon- tário


desse à clareza do exílio e morte do papa na prisão. Alguns o liv
concluíram que o início foi marcado quando o terceiro chi- O
fre de Daniel 7 foi arrancado, fato ocorrido quando Belisá- ção.
Designer rio, general de Justiniano, venceu os ostrogodos, em 538. “No
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Foto: William Krause

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16 R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Janeiro 2019 Revis


a
O problema era que essa “derrota” aparen- (Ap 13:2). E começaram então os 1.260 anos da
tava um pouco anticlimática, pois envolvia a opressão papal preditos nas profecias de Daniel
quebra do cerco ostrogodo a Roma, por Belisá- e Apocalipse (Dn 7:25; Ap 13:5-7). Aqui, Ellen
rio. O evento foi apenas uma etapa de um con- White se concentrou no momento do empode-
flito em curso que continuou por pelo menos ramento da autoridade legal.
duas décadas. Na década de 540, os ostrogodos No entanto, alguns estudiosos adventistas
reconquistaram Roma e foi necessário expulsá- começam a pensar nos 1.260 anos em termos
los outra vez. Os ostrogodos só foram comple- de períodos de tempo gerais ou até simbólicos,
tamente vencidos em 553 d.C. Então, o que tor- não estando preocupados excessivamente
nou a batalha de 538 profeticamente tão mais com o início específico do tempo do fim. Essa
importante e decisiva que as vitórias simila- mudança pende para uma posição simbó-
res na década de 540 e a batalha final de 553? lica ou idealística em relação aos períodos de
A falta de uma resposta clara fez com que tempo do Apocalipse, começando a desconec-
alguns argumentassem que o ano 538 não tinha tar o Apocalipse da história atual. Esse método
significado inerente, e que ele foi escolhido sim- seria muito diferente da abordagem sobre as
plesmente devido à relação conveniente com o profecias de Daniel e Apocalipse expressa
fim decisivo em 1798. Isso levou alguns estu- pelos nossos pioneiros, ou apresentada no livro
diosos, inclusive adventistas, a deixar de ver a O Grande Conflito.
profecia dos 1.260 anos como tendo uma apli-
cação histórica literal, passando a enxergá-la OUTRA INTERPRETAÇÃO
como um número simbólico. Essa abordagem Um estudo cuidadoso de Daniel 7:24-26 e algu-
S também ganhou terreno em relação a alguns mas passagens proféticas relacionadas revelam
outros períodos de tempo proféticos, como os que os eventos decisivos dos momentos finais
encontrados na quinta e sexta trombetas de dos 1.260 anos devem ser compreendidos pri-
Apocalipse 9. mordialmente por eventos legais, não militares.
Neste artigo, argumento que, em vez de con- Uma vez que esse quadro legal seja compreen-
pos siderar os eventos militares, devemos conside- dido e reconhecido o seu devido peso, torna-se
do rar a criação e dissolução das estruturas legais. mais claro como o evento de 538 está relacio-
en- Creio que essa abordagem jurídica ofereça uma nado ao evento de 1798. Em síntese, o Código
ue base mais segura para o assunto, e talvez para Justiniano, concluído em 534, “promulgou como
da outros períodos de tempo proféticos. lei o cristianismo ortodoxo”, colocando o papa
ãos como cabeça formal da cristandade; ordenou
foi ABORDAGEM TRADICIONAL que todos os grupos cristãos se submetessem
de Os pioneiros do adventismo adotaram a pro- à sua autoridade e deu a ele o poder civil de
cês fecia como parte da herança historicista. A sentenciar à morte os hereges (Will Durant,
mi- maioria dos expositores proféticos relacionou The Age of Faith, p. 112).
la- o tempo do início dos 1.260 anos com vitórias No entanto, esse código não foi legalmente

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so, militares de Roma, até que os três chifres de promulgado, nem sancionado até o fim do cerco
rir Daniel 7:8, 20 e 24 foram finalmente arranca- a Roma, em 538. Belisário, o general de Justi-
en, dos pelo chifre pequeno. Isso é demonstrado niano, tinha entrado na cidade sem oposição,
em vários trabalhos escritos, a exemplo da obra no fim do ano 536, mas pouco depois os ostro-
eza intitulada Daniel and the Revelation (Daniel godos voltaram e sitiaram Roma. Aproxima-
on- e o Apocalipse), de Uriah Smith, e o Comen- damente um ano depois, o cerco foi quebrado

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on- tário Bíblico Adventista do Sétimo Dia sobre e Belisário assumiu o controle de Roma e de
uns o livro de Daniel. seus arredores. Só então o código que atribuía
hi- Os escritos de Ellen G. White são uma exce- poderes ao papado pôde ser realmente execu-
sá- ção. No livro O Grande Conflito, ela escreveu: tado por Belisário, além das fronteiras de Roma.
8. “No século VI o papado se tornou firmemente A Guerra Gótica continuou até 553, quando, Designer

estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio finalmente, os ostrogodos foram expulsos.


na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Porém, essas batalhas e cercos posteriores não Editor Texto
Foto: William Krause

Roma a cabeça de toda a igreja. O paganismo anularam o sistema do poder papal que havia
cedera lugar ao papado. O dragão dera à besta entrado em vigor em 538. Mesmo quando Roma
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‘o seu poder, e o seu trono, e grande poderio’ caiu outra vez no poder dos godos, estes não
controlaram o papado, que na época já estava
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PER

atuando fora de Roma. Em sua tese doutoral, o eclesiásticos e militares. Os godos permane-
teólogo Jean Zukowski afirmou que, “depois de ceram em Roma e na Itália antes da chegada

A
538, o papado nunca mais foi submetido ao con- de Belisário, em 536. O papa Silvério havia
trole dos reis ostrogodos” (p. 160). Estabelecido sido escolhido pelo rei godo Teodato. Por sua
como cabeça da cristandade pelo Código Justi- vez, Justiniano escolheu a dedo o diácono

DO
niano, o sistema papal passou a ter o controle romano Vigílio para ser o papa. Em 537, Beli-
sobre a vida e a morte dos hereges. Esse decreto sário enviou o papa Silvério para o exílio e
permaneceu em vigor no Ocidente por mais de colocou Vigílio em seu lugar. O papa Vigílio
mil anos, dando grande impulso nas revoluções foi o primeiro com lealdade inquestionável a
dos séculos 11 e 12. Ele formou a base legal de Justiniano e a seu novo código, que se tornou DEVE
muitos estados modernos. Sua influência se efetivo pela primeira vez. ENTR
estendeu até as revoluções dos séculos 18 e 19, Há um paralelo claro e simétrico com o DEVE
quando o código e seu caráter religioso foram período de 1.260 anos, se considerarmos que ele OS Q
explicitamente rejeitados. começa com o exílio do papa e
Essas revoluções seculares sua substituição por outro esco- GERA
começaram com a Revolução lhido a dedo pelo imperador sob
Francesa, que levou à captura os auspícios de um novo código

D
e ao exílio do papa Pio VI pelo legal (o Código Justiniano), e
general Berthier, em 1798. Nesse OS EVENTOS termina com o exílio do papa e
caso, a substituição do Código
Justiniano, de cunho religioso,
DECISIVOS DOS o código religioso sendo subs-
tituído por uma norma secular
pelo Código Napoleônico, de MOMENTOS FINAIS DOS (o Código Napoleônico).
cunho secular, também foi mais (EUA
importante que o evento político- 1.260 ANOS DEVEM ENFOQUE LEGAL tam

SER COMPREENDIDOS
militar da captura e exílio do A história das relações entre Pesq
papa. Esse código secular foi Igreja e Estado é extremamente tísti
implementado pelo famoso pro-
jeto de lei número 8, de 15 de feve-
PRIMORDIALMENTE útil para a compreensão da pro-
fecia. A remoção dos três chifres
ros d
igrej
reiro de 1798, no qual o general POR EVENTOS LEGAIS, representa um processo histó- que,
Berthier declarou Roma como rico durante o período de 470 a tido
república independente. Conse- NÃO MILITARES 550 d.C. Mas as sanções legais dos
quentemente, foi suprimida qual- podem oferecer um limite de E, ap
quer outra autoridade temporal, tempo mais preciso. Por essa inclu
emanada do antigo governo papal. razão, creio que a Bíblia, quando Po
Creio que esse foco nos fatos lida com períodos históricos na em m
legais, e não nos acontecimentos militares, é profecia, com frequência focaliza os decretos das.
justificado e até requerido pelas passagens bíbli- legais. Visto pelo prisma legal, o evento de 538 mom
cas ao redor do período dos 1.260 anos. Embora então se destaca como um verdadeiro suporte gran
o fato de os três chifres terem sido arrancados para o evento de 1798. perte
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seja realmente importante e ligado ao surgi- Considerar uma estrutura legal de interpre- da A
mento do chifre pequeno, o texto bíblico não tação profética não é sugerir que a visão tradi- tisti
enfatiza a questão militar como fator decisivo cional dos eventos miliares e batalhas sejam rão a
no tempo da profecia dos 1.260 anos. Ao contrá- irrelevantes, mas que a relevância desses even- você
rio, o verso-chave é Daniel 7:25, onde diz que os tos é principalmente a de ajudar a demarcar gran
santos “lhe serão entregues nas mãos, por um o início e o fim dos regimes governamentais e Nair
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tempo, dois tempos e metade de um tempo”. legais. Ela oferece uma interpretação da pro- bros
O momento-chave relacionado ao período de fecia mais unificada, historicamente funda- Tent
tempo não é algo realizado pelo chifre pequeno mentada no mundo real. Não seria esse um imag
para conquistar ou se afirmar; mas o foco está enfoque apropriado para um Livro e um Deus cade
Designer no tempo em que foi “dada” certa autoridade e menos preocupado com a força e coerção, e M
domínio ao chifre pequeno. Essa profecia seria mais com as demonstrações entre as formas essa
mais bem cumprida por um ato legal outor- de governo com base nos princípios contras- loca
Foto: Andrew Seaman

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gando outra autoridade, que foi exatamente o tantes do amor e poder? ] esses
que o Código Justiniano fez. por q
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Assim, a igreja de Roma recebeu autori- NICHOLAS P. MILLER, PhD, é professor de história da igreja ram
dade por uma combinação de eventos legais, no seminário teológico da Universidade Andrews (EUA) elas
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