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Um estudo sobre o livro de Jó - Como ser fiel quando tudo caí ao nosso redor

1. Introdução
• No livro não a menção da lei mosaica ou de qualquer traço da cultura judaica.
Provavelmente, ela foi preservada pela tradição oral (vale ressaltar que naquele
momento histórico as informações eram passadas de maneira oral com grande
fidelidade, pois essa era a principal forma de comunicação) e escrita posteriormente
por um judeu desconhecido.
• Entre os temas que são permeados pelo livro de Jó deve ser destacado alguns como:
adoração genuína, sofrimento não sendo resultado direto do pecado e certeza da
justiça de Deus. Ele é o primeiro dos livros poéticos, sendo seguido por: Salmos,
Provérbios, Eclesiástico, Cantares de Salomão e Lamentações.
• É comum ouvirmos questionamento sobre a real existência de Jó, contudo não há
dúvidas da sua existência (Ezequiel 14.14). Contudo, é provável que a história da
fidelidade e tragédias ocorridas na vida de Jó, seja utilizada com o objetivo de discuti
o significado do sofrimento humano.
• Durante o livro veremos duas visões de mundo opostas. A primeira, vem dos amigos
de Jó, eles acreditavam que toda a desgraça que recaia sobre Jó era causada pelo
pecado que ele teria cometido, ou seja, na concepção de Elifaz e dos outros amigos
Jó, há uma ligação direta e INVARIÁVEL entre o sofrimento humano e seus próprios
pecados. A segunda visão parte do próprio Jó, segundo essa percepção apesar das
fraquezas normais da raça humana, não existe uma obrigatoriedade entre o
sofrimento e nossos pecados.
Como leitores sabemos que a visão de Jó estava correta. Contudo, no dia a
dia não é incomum culparmos os outros pelas dificuldades que estes estejam
enfrentando. Um exemplo disso é o que ocorre em alguns lugares, como a
ligação direta entre pobreza e falta de fé. Segue abaixo print do site da igreja
Universal, nele há uma tentativa deliberada de interligar bençãos materiais com

Por outro lado, não podemos, de maneira alguma, dizer que Deus não pode
utilizar do sofrimento para nos ensinar ou moldar nosso caráter ou, até mesmo,
punir pelos nossos erros. Exemplo disso pode ser encontrado no próprio Davi.
Esse, apesar de ser conhecido como homem segundo o coração de Deus, ao
roubar a esposa de Urias e posteriormente manda-lo para ser morte, recebeu
como consequência divina pela sua atitude a morte do filho gerado por essa
relação sexual.

2. Capítulo 1 – Da riqueza à ruina total


• O texto começa descrevendo a presença de um homem morador de Uz. Esse tinha
por nome Jó (que pode significa: “odiado”, ”ser inimigo”, mas dentro do contexto do
livro seu mais provável significado é: ” um objeto de inimizade e perseguição” ).
• No mesmo versículos a palavra nos mostra 4 características de Jó, que são:
✓ Integro e reto: não se desviava dos parâmetros estabelecidos por Deus, mesmo
que permanecer no caminho fosse a opção mais difícil. Em alguns tradução no
lugar de íntegro está sincero, ou seja, Jó era alguém confiável.
✓ Temente a Deus: Jó tinha temor do poder de Deus e, por isso, sempre tentava
obedecer. Isso fica claro quando ele sacrifica ao Senhor por possíveis erros dos
seus filhos.
✓ Desvia do mal: além de andar retamente, ele se desvia de possíveis obstáculos
que pudessem atrapalhar sua caminhada com Deus. Em algumas traduções diz
que ele “procurava não fazer nada que fosse errado” (NTLH). Isso fica claro em:
“Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” Jó 31:1
• É importante destaca que essas características não tornam Jó um homem perfeito,
mas mesmo com suas limitações que perseguem todo homem caído (podemos cita
aqui o livro de Romanos, que diz: “Como está escrito: não há um justo, nem um
sequer. Não há ninguém que entenda. Não há ninguém que busque a Deus. Todos
se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há
nem um só.” – 3: 10 ao 12).
Aqui entra um ponto importante, assim como Jó podemos ser justo mesmo
cercado pela natureza pecaminosa. Contudo, para que isso ocorra devemos
retirar de nossos corações todos os ídolos que ocupam o lugar que deveria
está destinado para a adoração de Deus.
Será que o mundo testemunha a respeito de nossas características? Será
que todas a nossa volta sabe que somo retos, juntos, tementes a Deus e que
se afasta do mal?
• Do versículo 2 ao 4 temos a descrição da prosperidade de Jó. Segundo o texto ele
tinha filhos em abundância (7 homens e 3 mulheres), camelos, ovelhas, bois,
jumentos e muitos servos. Tendo no versículo 3 uma declaração que testificava a
prosperidade alarmante de Jó, ele era o homem mais rico de todo o Oriente. Além
disso, tinha uma família unida, pois seus filhos estavam sempre festejando juntos.
Esse é o sonho de qualquer pessoa naquela época, mesa repleta de filhos,
pasto repleto de riqueza. Essas características são utilizadas inicialmente
para colocar em dúvida a fidelidade de Jó. Segundo o acusador de nossas
almas, toda aquela situação favorável fazia com que ele fosse
obrigatoriamente fiel. Sendo essa obediência provocada pelo medo de perda
o favor de Deus. Nesse ponto temos uma pergunta para nós fazermos.
Servimos a Deus por aquilo que ele é ou pelos possíveis benefícios? (será
que somos como aquele jovem rico ou como Jó).
• No quinto versículo observamos o cuidado que existia em relação a possíveis
pecados dos filhos. O texto nos diz que Jó pensava: “Talvez meus filhos tenham
pecado, ainda que no íntimo de cada um, e assim blasfemado contra Deus em seus
corações!”. Então com medo que seus filhos tivessem pecado, ele sacrificava pelos
possíveis pecados de seus filhos, de modo que Deus pudesse perdoar.
Isso serve como lição para nós, pois há uma obrigação intransferível que
todo pai e mãe tem em relação ao seu filho. Essa é o cuidado com a vida
espiritual destes. Não importa a idade, atitude dos filhos ou qualquer outra
coisa. Deus entrega os filhos aos pais, dando junto a responsabilidade de ser
mordomo daquilo que é de Deus. Por isso, aqueles que possuem filhos deve
sempre orar e aconselhar esses no caminho que deve andar e assim como
fez Paulo ao jovem Timóteo relembra-lo daquilo que aprendeu (2 Tm 3:14 ao
17).
• No versículo 8, o próprio Deus testifica sobre a forma como Jó anda na Terra.
Nesse ele é considerado o homem mais justo do mundo, não tendo na Terra alguém
semelhante a ele.
Devemos viver de forma a ter um testemunho de vida que não seja conhecido
apenas das pessoas, pois estas não estão conosco durante todos os
momentos do dia. Nosso comportamento atrás das cortinas, onde ninguém
nos vê também deve refletir aquilo que recebemos de Jesus. Como o
apóstolo Paulo diz em Romanos: Antes servos do pecado, nos dedicávamos
a ele, mas agora servos de Cristo, devemos nos entregar totalmente para
ele.
• Na continuidade do capítulo vamos observa Jó perder tudo aquilo que ele tinha. E o
texto parece nos apresentar um crescente de perdas. Sendo que antes mesmo que
ele tivesse se recuperado da primeira a segunda já era noticiada; e assim por diante.
Nossa fidelidade deve permanecer inabalável mesmo nas piores tentações e
provações. A vida cristã, como o apóstolo Paulo diz em 2 Timóteo é uma
guerra constante. Sendo necessário sofrer e permanecer firme para sermos
coroados como bom soldado de Cristo.
As perdas de Jó não tiveram associação com pecado (Jó 1.8). Isso nos
ensina que não podemos julgar o irmão pelas dificuldades que ele esteja
carregando, pois não sabemos o que gerou aquilo na vida dele. Como o
próprio Jesus disse:
“ E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão,
e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho,
estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em
tirar o argueiro do olho do teu irmão.” Mateus 7:3-5
• Nos últimos dois versículos percebemos que Jó tinha a certeza de que tudo que
possuía vinha do Senhor. Sendo assim mesmo em tamanho momento de tristeza e
dor, ele não poderia se queixa de perde aquilo que nunca tinha sido realmente dele.
Não há como não lembrar do Jovem rico. Esse, diferente de Jó, acreditava
que aquilo que possuía era dele. Sendo assim não poderia abrir mão das suas
riquezas, pró de algo maior. Irmãos, devemos estar preparados para seguir a
Cristo, mesmo que isso signifique perder aquilo temos de mais valioso. A
adoração ao Senhor não pode está associada a bens recebidos, mas aquilo
que ele é.
3. Capítulo 2

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