Você está na página 1de 4

Itapetininga

RESUMO: O TEXTO POÉTICO

O que caracteriza o texto poético:

I. O texto em verso não ocupa toda a extensão da linha, como o texto em prosa; é vertido para a linha
seguinte sempre que completa um determinado modelo de ritmo, definido por rimas, métrica e
alternância de sílabas fortes e fracas. (O texto poético tem, portanto, musicalidade; é uma música feita
com palavras, motivo pelo qual deve ser lido oralmente.) Veja como se dá a marcação do ritmo no
poema seguinte:

RIMAS:

Rimas são sons iguais ou semelhantes no final das palavras (ver / doer).
Servem para dar ritmo ao poema.
Podem ser externas (no fim do verso: sente/contente) ou internas (no interior do verso: andar/
cuidar).
O esquema rímico (ou de rimas) mostra com que regularidade as rimas se distribuem ao longo
do poema. No poema abaixo, o esquema é ABBA ABBA CDC DCD.

Amor é fogo que arde sem se ver; A


É ferida que dói e não se sente; B
É um contentamento descontente; B
É dor que desatina sem doer; A Este poema é um soneto, ou seja,
uma forma fixa de composição
É um não querer mais que bem querer; A poética. É composto de duas
É solitário andar por entre a gente; B estrofes de quatro versos
É nunca contentar-se de contente; B (quartetos ou quadras) e duas
É cuidar que se ganha em se perder; A
estrofes de três versos (tercetos).
É querer estar preso por vontADE; C
É servir a quem vence, o vencedor; D
É Ter com quem nos mata lealdADE. C

Mas como causar pode seu favor D


Nos corações humanos amizADE, C
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? D

( Camões)
Classificação das rimas:
 quanto à posição que a rima ocupa ao longo do poema:
ABBA – rimas interpoladas ou intercaladas
AABB – rimas paralelas ou emparelhadas
ABAB – cruzadas intercaladas ou alternadas

 quanto à sílaba tônica:


esdrúxulas – as palavras que rimam entre si são proparoxítonas: árvore – mármore
graves – as palavras são paroxítonas: recado – amado
agudas - as palavras são oxítonas: Raquel / Rapunzel

Quando os versos não apresentam rimas, são denominados versos brancos.


MÉTRICA:
Métrica é a medida dos versos que compõem o poema.
É mais um mecanismo para dar ritmo ao poema.
Para medir o verso é preciso fazer a escansão (ato de escandir, ou seja, fazer a contagem das sílabas
poéticas.

Como fazer a escansão do poema:


 Dividir todo o verso em sílabas gramaticais.
 Verificar qual é a sílaba tônica da última palavra do verso e desprezar as demais.
 Quando uma palavra terminar com vogal e a seguinte também se iniciar com vogal, é possível que
elas se unam, mas só nas seguintes condições:
quando as duas vogais forem iguais (crase): fo / ssees / pe / ci / al
ou quando as duas vogais forem diferentes e átonas (elisão): fo/ ssea/ ssim
Veja a escansão de uma estrofe do soneto de Camões:

É / um / não / que / rer / mais / que / bem / que / rer;


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

É / so / li / ta / rioan / dar / por / en / trea / gen /( te);


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

É / nun / ca / con / ten / tar- / se / de / con / ten /(te);


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

É/ cui / dar / que / se / ga / nhaem / se / per / der;


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Quando todos os versos do poema têm a mesma medida, diz-se que a métrica é perfeita, e os
versos são isométricos.
Quando os versos têm número variado de sílabas poéticas são chamados de versos livres.

Classificação dos versos quanto à métrica:

• monossílabos – uma sílaba • dissílabos – duas sílabas


• trissílabos – três sílabas • tetrassílabos – quatro sílabas
• pentassílabos ou redondilhos menores – cinco sílabas • hexassílabos – seis sílabas
• heptassílabos ou redondilhos maiores – sete sílabas • octossílabos – oito sílabas
• eneassílabos – nove sílabas • decasssílabos – dez sílabas
• hendecassílabos – onze sílabas • dodecassílabos ou alexandrinos
– doze sílabas

A POSIÇÃO DA SÌLABA TÔNICA


Os versos abaixo, de Gonçalves Dias, são extremamente cadenciados, porque o autor alterna
sons fracos e fortes, colocando a sílaba tônica sempre na mesma posição: na 2ª. e na 5ª. sílaba poética.
1 2 3 4 5
Sou bra - vo, sou for- (te)
Sou fi- lho do Nor - (te)
Meu can- to de Mor - (te)
Gue- rrei- ros, ou- vi
Sou fi- lho das sel- (vas)
Nas sel- vas, cres- ci
JOGOS SONOROS / AS FIGURAS DE SOM

Também tem a função de dar ritmo ao poema.

● Repetição de palavras ● Assonância (repetição de vogais)


Ritmo A onda
Mário Quintana Manuel Bandeira

a onda anda
Na porta aonde anda
a varredeira varre o cisco a onda?
varre o cisco a onda ainda
varre o cisco (...) ainda onda

● Onomatopéia (palavra que imita o som ● Aliteração (repetição de consoantes)


do ser ou objeto que ela representa)

Sino de Belém, pelos que inda vêm! Rola a chuva


Sino de Belém bate bem-bem-bem. Cecília Meireles
Arre
Sino da Paixão, pelos que lá vão! que arrelia
Sino da Paixão bate bão-bão-bão. o frio arrepia
a moça arredia.
Sino do Bonfim, por que chora assim?
Manuel Bandeira Na rua rola a roda...
Arreda! (...)
● Trocadilho ou paronomásia: (palavras com sons semelhantes, mas com significados
diferentes)
“Que a morte apressada seja tributo do entendimento,
e a vida larga atributo da ignorância.” (Vieira)

“Berro pelo aterro pelo desterro


berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe.” (Caetano Veloso)
“eu que passo, penso e peço.” (Sidney Miller)

II. A função do texto poético é estética, ou seja, provocar o efeito do belo, como as demais formas de
arte. Porém, a ele podem se associar funções secundárias, como por exemplo, a narrativa. Pode-se
contar uma história, discutir uma idéia ou descrever um objeto em forma de poema.
III. A linguagem usada no texto poético é a conotativa, a figurada. Às palavras são atribuídos novos
significados, não aqueles que fazem parte do dicionário. O poeta chega a esses novos significados
fazendo uso de analogias, principalmente. Mas o que, exatamente, significa o termo “figura”? É
quando o poeta cria uma forma concreta (=figura) para representar algo, até mesmo uma abstração.

Linguagem denotativa:
O porquinho-da-índia possui uma alimentação bastante variada: ração, frutas,
vegetais, verduras, capim, feno etc.
Se você consultar um dicionário e procurar o sentido da palavra porquinho-da-índia irá
encontrar “cobaia”, “ animal mamífero da classe dos roedores”, “preá” etc. Foi exatamente com esse
sentido que a palavra foi usada na frase anterior. Trata-se de linguagem denotativa, cuja função é
referencial, ou seja, informativa. Nessa frase, as palavras foram todas empregadas em sentido literal,
concreto.
Linguagem conotativa:
Ao poeta, cabe criar novos sentidos para as palavras. Quanto mais novo é o sentido que ele
atribui a uma palavra, mais original é a sua poesia. No exemplo abaixo, o termo porquinho-da-índia
foi usado para representar a primeira namorada do eu-lírico (o “eu” que expressa os seus sentimentos
no poema). O que pode haver em comum entre esse animalzinho e uma namorada? A namorada,
assim como o bichinho de estimação, vivia fugindo do garoto, embora por motivos diferentes. A
namorada, ainda insegura com o primeiro relacionamento amoroso, fugia das carícias do eu-lírico.

Porquinho-da-Índia
Manuel Bandeira

Quando eu tinha seis anos


Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .

— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

ALGUMAS FIGURAS DE LINGUAGEM


Metáfora: Comparação abreviada, baseada na semelhança existente entre dois termos.
“Meu coração é um balde despejado”. (Fernando Pessoa)
Comparação: Semelhança entre dois termos estabelecida por meio de um conectivo.
A via-láctea se desenrolava
Como um jorro de lágrimas ardentes (Olavo Bilac)
Polissíndeto: Repetição excessiva de um conectivo.
“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)” (Carlos Drummond de Andrade)
Hipérbole: Afirmação exagerada.
"Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac).
Antítese: Oposição entre duas palavras ou idéias.
“Os jardins têm vida e morte.” (Cecília Meireles)
Paradoxo: Idéias contraditórias (que se excluem mutuamente)
"Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento
descontente; / É dor que desatina sem doer;" (Camões)
Personificação ou prosopopéia: Atribuir características humanas a seres inanimadas.
"... os rios vão carregando as queixas do caminho." (Raul Bopp)
Um frio inteligente (...) percorria o jardim..." (Clarice Lispector)

Apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada).


“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!” (Castro Alves)